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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Glenda Kozlowski – Jornalismo Esportivo & Persona da Comunicação.

                                                 O que não conseguimos lembrar, retornará como ação”. Sigmund Freud

                   

            O pensamento grego dividiu o tempo da memória de seu passado, sobre o tempo da Era Heroica, durante o qual a tradição oral grega foi criada e mantida tendo como resultado a criação de um passado mítico baseado em elementos que diferiam em caráter e precisão, cuja origem remontava a períodos de tempos esparsos. Essa tradição transmitia e simultaneamente criava o passado. O principal objeto de pensamento ocorreu com a formação e manutenção da identidade grega realizada pela criação da consciência e do orgulho pan-helênicos em que emerge um governo aristocrático e especialmente o direito da aristocracia de governar enfatizando às suas notáveis qualificações e virtudes. Trata-se de um processo de secularização criação mítica que não termina no século VIII a. C., final do chamado período Homérico e quando se tem historicamente a formação da polis.  Ele continua presente na mitificação de indivíduos combinando elementos antigos com novas formas evolucionárias sociais, adaptando-se às mudanças religiosas e políticas. A era pós-heroica é demarcada pelo interesse na preservação do passado remoto e mítico, todavia totalmente vivo na consciência grega e expressou-se pela conservação e repetição do mapa mítico. O passado heroico era alvo de atenção passiva que assegurava a sua manutenção na lembrança social, na versão aceita e “perpetua-se nas gerações futuras por meio da preservação desse conhecimento e da sua permanente utilização”.

Primeiro, o registro desse passado não dispunha de documentos nem arquivos de onde possamos retirá-los, por essa razão foi preservado por meio da oralidade. No segundo momento, da oralidade à prática cultural, incluindo-se o registro etnográfico, tem-se a elaboração do universo ritual que fiel às origens da tradição, acaba por consolidar a relação fala-ação que consagra o princípio de que o mito é o principal veículo de comunicação da memória na sociedade grega. A condição significativa da mensagem criou a necessidade de comunicar-se. E como motor de todo tipo de codificações expressivas, sendo a linguagem e a escrita instrumentos de comunicação oral e escrita sujeitos as limitações de espaço e lugar e a sua transmissão através da distância entre o emissor e o receptor. Etnograficamente pode-se dividir em quatro fases a história da codificação de signos e fonemas aos serviços da relação inter-humana: mnemônica, pictórica, ideográfica e fonética. A primeira periodização se caracterizou pelo emprego de objetos reais como dados ou mensagens entre pessoas que viviam aparentemente alheios e não pertenciam ao mesmo sistema convencional de comunicação. Os antigos chineses, escreve Albert A. Sutton (1890-1954), e inclusivamente outras tribos primitivas mais recentes, utilizaram com muita frequência o quipo, cada um dos cordões nodosos uados pelos peruanos, no tempo da monarquia dos Incas, que formavam um método de análise mnemônico, fundado nas cores e ordem dos cordões, número e disposição dos nós, etc., para presentificar dias felizes, para servir como instrumentos de cálculo, ou guardas de recordações da memória dos mortos das tribos. 

Na segunda, a comunicação historicamente humana se transmite mediante a pintura, a representação dos objetos. Estas gravuras aparecem não só na pintura rupestre, e também sobre objetos variados, tais como utensílios, armas ou artigos de valor empregados para o intercâmbio comercial. Na terceira, resulta de uma associação de símbolos pictográficos como objetos e ideias. Nesta fase, os signos se empregam cada vez mais na representação de ideias, numa progressiva separação da estrutura do objeto a comunicar e uma modelação cada vez mais simbólica que aproximará no signo alfabético, na escritura. A expressão ideográfica serviu para as formas primitivas de “relatos”, tal como podemos valorar na escritura ideográfica das culturas pré-colombianas ou mesopotâmicas, ainda que o máximo tipo cultural deste sistema social de comunicação representou a escrita hieroglífica dos egípcios. A última se estabelece quando o signo representa um som, fora das palavras inteiras, de sílabas ou que chamamos letras, como unidade fonética. A invenção cultural do alfabeto representou o ponto máximo da codificação da comunicação, propiciada precisamente por aqueles povos de maior desenvolvimento social e de maior inter-relação comercial com outros povos.  O alfabeto era uma chave de intercomunicação e ao mesmo tempo um aríete de penetração cultural em mãos dos povos da Antiguidade criadores das primeiras rotas de comércio marítimo e terrestres.                        

 A relação binômica entre comércio e comunicação social é delimitada por Gordon Childe (cf. Faulkner, 2007) nas civilizações orientais. Os artesãos livres podiam viajar com as caravanas buscando um mercado para seu ofício enquanto que os escravos formavam parte da mercadoria. Os forasteiros em um país estranho pediam os conselhos da religião. Uma cena esculpida em um jarro por um artista sumério descreve um culto índio que se celebrava em templo de Arrad. A descoberta de um templo monumental datado do final do século X e início do século IX a. C. surpreendeu arqueólogos em Israel. A existência do complexo religioso, situado onde ficava a antiga cidade de Moza, contradiz textos bíblicos que abordam aquele período da história da religião. Se os cultos se transmitiam, as artes e os ofícios úteis podiam difundir-se com análoga facilidade.  O intercâmbio promoveu a mancomunada experiência humana. Fosse qual fosse o sistema de signos empregados para a comunicação social necessitavam de um suporte material onde inscrever-se e a possibilidade de criar um âmbito de emissão e recepção. Desenvolveram-se sistemas paralelos de comunicação mediante escritura em todas as civilizações que haviam alcançado um parecido sistema de organização social e desenvolvimento cultural. Estes sistemas ajudam já a um forcejo tecnológico para melhorar os suportes essenciais dos materiais da escritura. 

Os egípcios empregaram o papiro a partir de uma matéria-prima de que dispunham abundantemente nas margens do fabuloso Nilo: a medula de velhos, que podia prensar-se, laminar-se e conservar os seus gravados durante muito tempo. Para começar, intercomunicar-se Alfabetos, tecnologia de escritura e os materiais para fazê-la possível. Os gregos aceitaram o alfabeto Fenício e na impossibilidade de dispor de pairos empregaram tabuletas de madeira coberta de cera. Os romanos adotaram novos suportes de escritura como o pergaminho ou a vitela.  O (des)cobrimento do papel tardaria a chegar à Europa, mesmo com evidências que a China dispunha dele no ano 105. Ts`ai Lun comunicou ao imperador “um novo material sobre o qual era uma delícia escrever”. O sistema social condiciona o sistema de comunicação. A comunicação sempre vem unida à existência da mudança de mercadoria e à busca de matérias-primas que já mobilizou aos antigos. As rotas comerciais e de expansão imperial depredatória da antiguidade foram autênticos canais informativos, lentos e precários, que abasteceram aos homens de um conhecimento aproximado dos limites do mundo reconhecido e das tentações dos outros considerados desde cada especial forma de etnocêntrica. Os sistemas de correio e a comunicação ligada a sociedades em processos de mudança social formam os primeiros instrumentos de comunicação internacional. Os editos e decretos, os primeiros instrumentos de comunicação intracomunitária. Uns e outros instrumentos nasceram com a associação humana e só foram qualitativamente modificados quando apareceu a imprensa. 

Todo processo de trabalho é um processo de comunicação, embora nem toda comunicação represente trabalho social. A impressão de regressão que suscita o trânsito do Império Romano e a fragmentação política seguinte se vê alimentada, sobretudo pelo evidente obstáculo cultural. Contudo, ainda que no marco político e econômico da evolução histórica, sua queda é consequência do enfraquecimento entre a organização do Estado e as necessidades objetivas (materiais) dos homens e das comunidades societárias submetidas à superestrutura jurídico-política imperial.  A comunicação com o Oriente e a própria dinâmica da produção e o comércio empurraram a Europa da Baixa Idade Média a uma série de descobrimentos técnicos que afetaram o sistema de comunicação social globalizante. O passo da Idade Média ao Renascimento é uma mera convenção didática, last but not least, sobre a extraordinária produção historiográfica sobre este período histórico-sociológico. Ipso facto, a imprensa nasceu quando um tipo móvel suscetível de se alinhar para compor palavras, linhas, depois de tingida a composição, se reproduzia sobre o papel mediante pressão. Em todo o século XV ocorreu uma série de acasos tecnológicos no tipo móvel de Gutenberg. Mas, previamente a aparição da Bíblia impressa por Gutenberg, em 1546, em Manguncia, já se conheciam amostras de impressão baseada na utilização de tipos móveis. Contudo, a imprensa incidiu mais no terreno da literatura que da informação propriamente. Mainz ou Mainz é a capital do estado alemão (Land) da Renânia-Palatinado. É uma cidade no Sudoeste da Alemanha, às margens do rio Reno, onde o rio Meno deságua. É um importante porto fluvial. Johannes Gutenberg inventou a imprensa lá. 

Hoje, Mainz tornou-se novamente um centro de mídia, pois abriga a sede da ZDF (Zweites Deutsches Fernsehen”) (Segunda Televisão Alemã), é um canal de televisão público alemão com sede em Mainz, o segundo canal de televisão alemão. Embora tenha sido severamente destruída durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a cidade conserva uma parte significativa da cidade antiga, na qual se destacam os edifícios construídos em pedra vermelha (principalmente arenito). Mainz possui uma universidade desde 1477, chamada Johannes Gutenberg, localizada perto do centro da cidade. Seu antigo campus inclui não apenas salas de aula e anfiteatros, mas também casas, bares e restaurantes que constituem um bairro independente. Com 196.950 habitantes (em 31 de março de 2006), é a terceira maior cidade da região do Reno-Meno. Seu time de futebol, o FSV Mainz 05, joga na primeira divisão (Bundesliga). Quando apareceu a imprensa, a informação escrita tinha certamente relevância história. Toda tecnologia tende a criar um novo mundo. A escritura e o papiro criaram o ambiente para os impérios do mundo antigo. O estudo da Reforma, Contra-Reforma e lutas religiosas, apresentaram grande interesse no processo de comunicação: o rastro de uma e outra intransigência é sangrento.

Os católicos mataram Giordano Bruno (1548-1600), e os protestantes via João Calvino (1509-1564), mataram Miguel Servet (1511-1553).  A importância ideológica do Areópago de Milton deve ser medida por sua equidistância comunicativamente com os protestos gregos contra a repressão intelectual e os primeiros teóricos da relação entre o poder e a liberdade de expressão: o Areópago, representa um tribunal de justiça ou conselho, célebre pela honestidade e retidão no juízo, que funcionava a céu aberto no outeiro de Marte, antiga Atenas, desempenhando papel importante em política e assuntos religiosos. O Areópago é uma ilhota teórica em um imenso oceano que tem, de um lado, os sofistas gregos, e de outro, Thomas Jefferson (1743-1826) e John Stuart Mill (1806-1873), do liberalismo burguês. Napoleão compreendeu que devia manietar os meios de comunicação social se quisesse criar uma imagem imaculada do poder pessoal. Visível cabeça dessa nova classe dirigente levou esse medo ao nível característico do terror do ditador à sua própria imagem. O capitalismo em expansão necessitava desenvolvimento tecnológico e científico. Necessitava de mão-de-obra mais culta e especializada para a complexidade do processo industrial. Necessitava, além disso, saltar barreiras de níveis políticos do protecionismo econômico e comercial para sua expansão imperialista.

A palavra persona vem do latim, do verbo personare, “per-sonare”: falar através de, onde se referia à máscara usada pelos atores de teatro. Essa máscara servia tanto para dar ao ator social a aparência do personagem que ele interpretava, quanto para permitir que sua voz fosse ouvida pelo público. Em sua psicologia analítica, Carl Gustav Jung usa o termo latino persona para se referir à parte da personalidade que organiza a relação do indivíduo com a sociedade, a maneira como cada pessoa deve, em maior ou menor grau, conformar-se a uma persona socialmente predefinida para cumprir seu papel social. O ego pode facilmente se identificar com a persona, levando o indivíduo a acreditar que é quem os outros veem como ele e a perder de vista sua verdadeira identidade. Nesse sentido, a persona de Jung se aproxima do conceito de falso Eu de Donald W. Winnicott (1896-1971). A persona deve, portanto, ser entendida como uma “máscara social”, uma imagem criada pelo ego que pode, em última instância, usurpar a verdadeira identidade do indivíduo. Embora necessário para interagir com o mundo exterior, a persona pode ser considerada como fachada, frequentemente influenciada por expectativas sociais, que pode mascarar a verdadeira natureza do indivíduo e dificultar a autocompreensão.

            A psicologia analítica (Analytische Psychologie em alemão), ou “psicanálise junguiana”, é uma teoria psicológica desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung a partir de 1913. Inicialmente criada para se diferenciar da psicanálise de Sigmund Freud, visa investigar o inconsciente e a “alma”, ou seja, a psique individual. A história da psicologia analítica está intimamente ligada à biografia de Carl Jung. Inicialmente representada pela Escola de Zurique, com Eugen Bleuler, Franz Riklin, Alphonse Maeder e Jung, a psicologia analítica foi primeiro uma teoria dos complexos psíquicos, até que Jung, após sua ruptura com Freud, a transformou em um método geral de investigação de arquétipos e do inconsciente, bem como em uma psicoterapia específica. A psicologia analítica, ou “psicologia complexa”, tem sido fonte de inúmeros desenvolvimentos, tanto na psicologia quanto em outras disciplinas. De fato, os sucessores de Jung são numerosos e organizados em sociedades nacionais no mundo. As aplicações e os desenvolvimentos dos postulados de Jung deram origem a um corpo de literatura denso e multidisciplinar.

            O Instituto CG Jung de Zurique cujo nome oficial em alemão é CG Jung-Institut Zürich é um instituto de psicologia analítica localizado em Küsnacht, no cantão de Zurique, na Suíça. Küsnacht é uma comuna da Suíça, no Cantão Zurique, com cerca de 12.816 habitantes. Estende-se por uma área de 12,35 km², de densidade populacional de 1.038 hab/km². Confina com as seguintes comunas: Erlenbach, Herrliberg, Kilchberg, Maur, Rüschlikon, Thalwil, Zollikon, Zumikon. A língua oficial nesta comuna é o Alemão. Ali faleceram o psiquiatra Carl Jung (6 de junho de 1961) e a cantora Tina Turner (25 de maio de 2023). Baseada numa concepção objetiva da psique, Jung estabeleceu sua teoria desenvolvendo conceitos-chave dos campos da psicologia e da psicanálise, como o  “inconsciente coletivo”, o “arquétipo” e a “sincronicidade”. Ela se distingue pela consideração de mitos e tradições, que revelam aspectos da psique de todas as épocas e continentes, pelo escopo nos sonhos como elemento central da comunicação com o inconsciente e pela existência de entidades psíquicas autônomas, como o animus para as mulheres ou a anima para os homens, e a persona ou sombra, comum a ambos os sexos.

Considerando que a psique de um indivíduo é composta por elementos da vida pessoal do sujeito, bem como por representações que se baseiam em mitos e símbolos universais, a psicoterapia ligada à psicologia analítica estrutura-se em torno do paciente e visa ao desenvolvimento do “Si mesmo”, através da descoberta dessa totalidade psíquica pela noção de individuação. O psiquiatra suíço e seus sucessores foram além da estrutura epistemológica da psicanálise freudiana para explorar disciplinas como a física e os tipos de personalidade, que incorporaram a uma teoria dita “analítica” da psique. A história da psicologia analítica está intimamente ligada, em seus estágios iniciais, à biografia do psiquiatra suíço que lançou seus fundamentos: Carl Gustav Jung (1875-1961). Ele foi, de fato, o primeiro a desenvolver seus postulados sozinho (após sua ruptura com Freud), e, aos poucos, foi acompanhado por figuras salientes dos mundos médico, psicanalítico e psiquiátrico, que assim produziram um corpo de literatura abundante e diversificado. Jung iniciou sua carreira médica como psiquiatra na Clínica Psiquiátrica Universitária de Zurique, apelidada de Burghölzli, em 1900. Foi nesse hospital universitário, sob a direção de Eugen Bleuler, que ele gradualmente desenvolveu sua nova abordagem. Primeiramente, acumulou “uma significativa coleção de sonhos e delírios de pacientes”. Desenvolveu um método semelhante à psicanálise, baseado na troca verbal (a cura pela fala) e no estudo das manifestações inconscientes, bem como na transferência.

Rejeitando a hipnose, assim como Freud (1856-1939), Jung desenvolveu uma abordagem amplificadora dos símbolos oníricos, o que o distingue do fundador da psicanálise. Finalmente, descreveu um aparelho psíquico diferente da topografia freudiana, notadamente através da hipótese de um inconsciente coletivo, que ele concebeu após o estudo dos delírios de seu paciente Emil Schwyzer. Inicialmente, Jung definiu esse método como “uma observação das profundezas psíquicas”, tomando emprestado o nome “psicologia profunda” do mentor Eugen Bleuler (1857-1939). Seu aspecto experimental, datado de seu trabalho com Franz Riklin (1878-1938), buscava abordar os complexos utilizando o método de “associação de palavras”. E trabalhou com o psicanalista Ludwig Binswanger (1881-1966). Desses primeiros anos Jung considerava que o inconsciente é parcialmente composto por elementos psíquicos, autônomos, que são frequentemente personificados, que influenciam a mente consciente. Assim, ele se distanciou da teoria das pulsões de Freud. Jung falava, nessa época conceitual, de “psicologia complexa”. Neste aspecto singular vale lembrar no caso da Antropologia, Gilbert Durand (1921-2012) foi um antropólogo, filósofo, pesquisador e professor universitário francês reconhecido por seus trabalhos sobre imaginário e mitologia. Professor de Filosofia de 1947 a 1956, professor titular e professor emérito de Sociologia e de Antropologia da Universidade de Grenoble II, foi cofundador, juntamente com Léon Cellier e Paul Deschamps, em 1966 do Centre de recherche sur l`Imaginaire

Também foi membro do Círculo de Eranos, participando das reuniões desde 1960 a partir de um convite de seu amigo Henry Corbin. Participou da Resistência Francesa durante a 2ª Guerra Mundial. Discípulo de Gaston Bachelard e de Carl Gustav Jung, mestre de Michel Maffesoli e Jean-Jacques Wunenbuger, Durand é reconhecido mundialmente pela criação da Teoria Geral do Imaginário a partir da tese de doutorado, intitulada: As estruturas Antropológicas do Imaginário, publicada em livro pela primeira vez em 1960 e hoje em sua 12ª edição. Recebeu o Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal, no ano acadêmico de 1988/1989. Em As Estruturas Antropológicas do Imaginário, Durand propõe pensar o imaginário como um sistema, não como um conjunto de imagens ligadas pelas convenções culturais ou simplesmente pelas semelhanças icônicas. Resultado de seu doutoramento, aqui ele apresenta primícias conceito de “trajeto antropológico” também reconhecido como “trajeto do sentido”. Este trajeto se daria entre dois polos relativamente estáveis: as intimações biopsíquicas, dadas pela natureza humana mesma, e as coerções apresentadas pelos contextos históricos, sociais, culturais. O modo de as imagens simbólicas se organizarem dá origem a diferentes regimes ou “estruturas do imaginário”, criando e desenvolvendo-se per se o que ele chama também nessa obra de “estruturalismo figurativo”. 

Vê-se, aí, que é a imagem que produz a estrutura, e não o contrário. Segundo ele, o imaginário se dará a ver principalmente através de três esquemas míticos organizadores do simbólico: o esquizomórfico, o místico e o sintético. O primeiro se relaciona a todo o simbolismo ascensional das imagens aéreas, está relacionado ao reflexo dominante postural dos seres humanos (colocar-se de pé) e aos esquemas do pensamento da distinção e identidade. O mito do herói faz parte desse primeiro esquema e, por isso, recorrentemente o regime esquizomórfico é tomado como sinônimo do regime heroico. No regime místico, o simbólico se relaciona à ação de confundir, misturar-se, o que diz respeito ao reflexo digestivo do organismo humano, que através do simbolismo da descida, leva à escuridão quente das tripas. Por último, o regime sintético evoca os simbolismos rítmicos, prevendo uma dialética entre antagonistas e a coincidência dos opostos, em que nenhum dos conteúdos precisaria eliminar o outro (como na lógica da distinção) ou misturar-se com o outro (como na lógica mística). Quatro anos depois, em 1964, publica A Imaginação Simbólica, livro no qual apresenta uma espécie de glossário da Teoria Geral do Imaginário, onde faz distinções entre os estudos do simbólicos e outras vertentes interessadas pelas imagens (como a semiótica, o estruturalismo e a psicanálise) que por vezes se utilizam dos mesmos termos, tais como mito, símbolo e signo. Em Figures Mythiques et Visages de l’œuvre (Figuras míticas e rostos da obra), publicado em 1979, apresenta a metodologia da Teoria Geral do Imaginário, que chama de mitodologia. O procedimento seria partido em dois momentos, o primeiro da mitocrítica e o segundo da mitanálise.


Glenda Gonçalves dos Reis Kozlowski nasceu no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1974. É filha de inglês com uma brasileira e herdou o sobrenome de origem polonesa de um avô. Foi casada, entre 2001 e 2008, com o ex-nadador Cassiano Leal, com quem tem um filho, Eduardo, nascido em 29 de setembro de 2005. De um relacionamento anterior teve Gabriel, nascido em 4 de janeiro de 1996. É uma repórter esportiva, narradora, apresentadora, empresária e ex-bodyboarder. Começou a vida no esporte na modalidade bodyboarding, conquistando cinco campeonatos nacionais e quatro campeonatos mundiais: 1987, este com apenas 13 anos de idade, 1989, 1990 e 1991, entrando para o grupo seleto de maiores campeãs da modalidade. No ano de 1991, participou do filme Os Trapalhões e a Árvore da Juventude. Apesar do sonho de se tornar uma atriz, acabou seguindo as pegadas do jornalismo como carreira de apresentadora. Pela indicação e por já ter passado a experiência estética pelo filme dos Trapalhões, em 1992, foi contratada pelo canal de TV esportivo Top Sport (hoje SporTV) para apresentar o programa 360 Graus que objetiva a questão da notícia “vista de todos os ângulos e de todos os pontos de vista”. Em 1996, foi contratada pela TV Globo. Apresentou o programa esportivo dominical Esporte Espetacular. Participou da cobertura da Jogos Olímpicos de Verão de 2000 em Sydney, dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 em Atenas, da Copa do Mundo FIFA de 2006 na Alemanha, dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim e da Copa do Mundo FIFA de 2010 na África do Sul.               

Bodyboarding tem como representação social um esporte praticado na superfície das ondas do mar em que o surfista utiliza/emprega sua prancha bodyboard para “deslizar pela crista, face ou curva de uma onda em direção à areia”. A atividade desportiva também foi durante muito tempo reconhecida como “Morey boogie”, por referência ao inventor da prancha, o norte-americano Tom Morey (1935-2021). Uma prancha padrão de bodyboarding consiste numa peça curta e retangular de material sintético hidrodinâmico, contendo uma tira ligada ao centro chamada leash ou stringer. Os praticantes do bodyboarding (bodyboarders) geralmente usam “pés de pato para proporcionar uma propulsão adicional e controle da prancha”. O bodyboard é um desporto praticado no mar e utilidade de uso de trajes de Neoprene, um tecido encorpado, com gramatura mais pesada, excelente elasticidade e caimento, e com uma espessura suficientemente grossa, para o praticante não sentir frio. Os mais experientes passam na prancha, antes de cada utilização, um tipo específico de cera (em inglês wax), semelhante a plasticina quando em repouso está seca. Isto serve para criar atrito ou fricção entre a prancha e o traje encarnado no ser humano, de modo em que equipado totalmente não escorregue do bodyboarder. Um dos equipamentos com utilidade de uso para a atividade de autorrealização marítima e que auxiliam a prática do bodyboard é o “pé de pato”. Ele é bem versátil que lhe ajuda em esportes aquáticos, sendo que para cada utilidade de uso do sufista existem características mais ou menos específicas.

É realizado de um material resistente, mas flexível. E cada detalhe do modelo tem um motivo, como a hidrodinâmica, refere-se às variáveis que atuam sob os líquidos em movimento, tais quais velocidade, aceleração e força, flutuabilidade, com maior densidade, contém mais massa e, portanto, mais peso no mesmo volume. A força de empuxo, que é igual ao peso do fluido deslocado, é, maior que o peso do objeto. Da mesma forma, um objeto mais denso que o fluido afundará, além disso, conforto. No caso no bodyboard, além de ser um item importante de segurança para a atividade, o pé de pato vai auxiliar na propulsão para entrar na onda e impulsão do usuário. O uso do pé de pato transforma o bodyboard em uma atividade per se prazerosa. Quer dizer, o formato do pé de pato influencia na performance. Os pés de patos assimétricos podem sobrecarregar as articulações, enquanto os simétricos distribuem o fluxo de água por igual, evitando a sobrecarga. É uma característica importante que deve ser observada pelo usuário na hora da utilização do pé de pato, para evitar desconfortos na prática do esporte. Além disso, o tamanho das abas também influencia diretamente na propulsão e agilidade do usuário. Um pé de pato com abas mais largas e compridas proporciona maior propulsão, mas reduz a agilidade das pernas na hora das manobras radicais.

Outro aspecto socialmente que faz a diferença na hora de escolher o pé de pato para bodyboard é a rigidez do material utilizado na aba. Quanto mais rígido, maior será o impulso, mas, em contrapartida, maior é o esforço muscular nas batidas de perna. O ideal, nesse sentido, é encontrar um pé de pato que proporcione ao atleta a propulsão desejada, sem deixar o conforto de lado. O conforto é um ponto fundamental do ponto de vista ergonômico (cf. Iida; Buarque, 2021). Um pé de pato desconfortável pode gerar no usuário machucados, como ferimentos, bolhas e calos nos pés, além de dores articulares, e isso pode ser um fator realmente negativo e desanimador para qualquer praticante, principalmente, os iniciantes. O idealizado é encontrar um pé de pato com borracha super elástica e macia na região do foot pocket, isto é, a cavidade onde se aloja o pé, que garanta uma boa aderência, sem machucá-lo, “vestindo como uma luva”. O pé de pato não pode estar grande demasiadamente, pois, além de correr o risco de sair do pé, ele atrapalha na propulsão. Em contrapartida, o pé de pato pequeno ou apertado pode causar machucados, interferindo no conforto. Os pés tem que estar bem encaixado. Na prática do bodyboard é comum a entrada de areia no pé de pato. Fora o fluxo de água que ocorre por dentro durante a prática do surf. Melhor dizendo, um sistema eficiente de escoamento de água e detritos no pé de pato é importante para superior performance e conforto do corpo humano. É algo que deve ser cuidadosamente observado na escolha do dispositivo esportivo. É uma ideia que consiste em aplicar a lógica do esporte em outros domínios, como uma forma de gerenciamento para a vida.

Glenda Koslowski presentou o Globo Esporte de São Paulo entre os anos de 2002 a 2007. A partir de janeiro de 2008, esteve à frente da nova fase do Globo Esporte, inicialmente fazendo dupla com Tino Marcos, que saiu do programa em dezembro de 2008, e mais tarde como líder. Em 2010, foi selecionada para apresentar a nova temporada do reality-show Hipertensão, também da Rede Globo. Com o sucesso na apresentação do programa, Glenda foi convidada a retornar ao Esporte Espetacular e por isso deixou o Globo Esporte. Inicialmente comandou o EE ao lado de Luís Ernesto Lacombe e Luciana Ávila. Também teve como colegas de programa o ex-jogador de vôlei Tande e os jornalistas Alex Escobar e Ivan Moré. Em fevereiro de 2011, por conta de Mariana Ferrão apresentar o programa Bem Estar, Glenda apresentou uma temporada do Globo Mar. Em 2016 foi escalada para os Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro, para narração da Ginástica Artística e Rítmica. Em 2018 narrou as Olimpíadas de Inverno das madrugadas ao vivo na Globo. No carnaval de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, narrou os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ao lado de Cléber Machado e Luís Roberto, substituindo a também jornalista Maria Beltrão. Tal experiência qualificou Glenda para “se tornar a primeira narradora esportiva da Globo”. Glenda também participava das transmissões do Grande Prêmio do Brasil dentro do Esporte Espetacular com reportagens sobre a corrida antes dos eventos da largada. Em maio de 2018, comandou o especial As Matrioskas, no qual acompanhada das mães de Gabriel Jesus (Vera), Neymar (Nadine) e Fernandinho (Ane), percorreram a Rússia as vésperas da Copa do Mundo FIFA de 2018.

Grande Prêmio do Brasil foi um evento de Fórmula 1 que aconteceu pela primeira vez em 1972 e fez parte do campeonato de Fórmula 1 entre 1973 e 2019. Foi realizado em todos os anos no Autódromo José Carlos Pace, mais reconhecido popularmente como Autódromo de Interlagos, com exceção dos anos de 1978 e de 1981 a 1989, em que as corridas foram disputadas no antigo Autódromo de Jacarepaguá na cidade do Rio de Janeiro (Autódromo Internacional Nelson Piquet). Após sua edição de 2020 a última sob contrato com a Fórmula 1 ser cancelada devido à pandemia global, o Brasil retornou ao calendário da Fórmula 1 em 2021, mas com o evento realizado em Interlagos passando a ser oficialmente designado de Grande Prêmio de São Paulo. Assim como os circuitos de Bacu, de Marina Bay, o Circuito das Américas e o de Yas Marina, o Grande Prêmio do Brasil era um dos poucos que esteve presente até recentemente no calendário da Fórmula 1 a ser disputado em sentido anti-horário. A última sede do Grande Prêmio do Brasil, o Autódromo José Carlos Pace recebeu inúmeras reformas, melhorias e adaptações ao longo dos seus 76 anos de história. As principais intervenções se deram nos anos de 1979, 1990 e 2000, por conta de adequações às normas de desenvolvimento do automobilismo mundial. Sendo assim, desde a sua inauguração, a extensão original da pista, de 7 960 metros, sofreu algumas alterações. Em 1979, passou a ter 7 873 metros. Em 1990, a reforma do circuito quando trouxe o Grande Prêmio de volta a São Paulo, reduzindo sua extensão da pista para 4 325 metros com uma diminuição de 3 548 metros. Em 2000, a pista foi adaptada para sua atual extensão de 4 309 metros. O Grande Prêmio Brasil foi palco da decisão de títulos nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009.

É inegável que Glenda Kozlowski ostenta um sobrenome forte, porém difícil de se pronunciar. Pelo menos, no Grupo Globo, onde permaneceu por mais de 20 anos, a ex-apresentadora encontrou certas dificuldades para ter seu nome “aceito” por José Bonifácio de Oliveira, o Boni, um dos grandes nomes por trás da emissora carioca. Em entrevista ao podcast “Flow Sport Club”, Glenda contou que o ex-chefão da Globo pretendia mudar o seu nome de apresentação, uma vez que era uma espécie de trava-língua. - Meu sobrenome é polonês. Quando fui contratada pela Globo, eu já tinha sido atleta, mas o Boni quis mudar meu nome. “Como é? Vou contratar quem? Qual nome dessa garota? Você pode imaginar nosso apresentador do Jornal Nacional chamando Glenda Kozlowski? Ela não tem outro sobrenome?” - disse Glenda, que é tetracampeã mundial de bodyboard, se referindo às aspas de Boni. - E quando falaram para ele os meus outros sobrenomes, Gonçalves e Reis, ele não gostou. Tiveram que falar pra ele: “Boni, não tem como mudar o sobrenome dela. Ela foi atleta, as pessoas conhecem ela”. Ele aceitou, mas disse: “Por mim, eu mudaria esse nome”. Já pensou? Quase ganho um outro nome ou sobrenome, disse apresentadora da Band. Depois de deixar o Grupo Globo em 2019, a apresentadora assinou com o Sistema Brasileiro de Televisão para comandar o reality show “Uma vida, um sonho”. 

Antes mesmo de ir ao ar, a profissional entrou em acordo e rescindiu seu contrato. Em janeiro de 2019, foi anunciada como apresentadora no Tá na Área no canal fechado SporTV, após 22 anos na Rede Globo. Anunciou sua saída do Grupo Globo em outubro de 2019, após 23 anos. Em 6 de novembro de 2019 foi anunciada como nova contratada do SBT para apresentar o reality-show Uma Vida, Um Sonho, com previsão de estreia para 2020. O horário certo não foi definido, mas estava previsto para ir ao ar nas manhãs de domingo da emissora. No entanto, por causa de um desacordo financeiro com a emissora, Glenda anunciou a saída do SBT no dia 27 de junho de 2020, antes mesmo da estreia do reality. Em 10 de setembro de 2020, Glenda foi anunciada como nova contratada da Rede Bandeirantes. No dia seguinte foi anunciada como nova apresentadora do Show do Esporte. Em 2021 passou a apresentar um programa na rádio BandNews FM. Em 3 de julho de 2022, Glenda envolveu-se em situação polêmica após questionar contexto de comentários racistas feitos pelo ex-piloto Nelson Piquet. A repercussão nas redes sociais fora gigante, contudo, pouco tempo depois Glenda solta nota pedindo desculpas sobre seu posicionamento. Em outubro de 2023, migrou do jornalismo esportivo para a área do entretenimento. Passou a apresentar o programa Melhor da Noite, na Rede Bandeirantes, ao lado de Zeca Camargo substituído por Rodrigo Alvarez. Em 7 de fevereiro de 2025 deixaria o programa após discordar da mudança de horário devido à estreia da novela Beleza Fatal.

A famosa jornalista acaba aceitando o convite para retornar ao Show do Esporte, depois de ter recusado. Beleza Fatal é uma telenovela brasileira via streaming produzida pela plataforma HBO Max em parceria com a produtora Coração da Selva, com a primeira temporada lançada entre as datas de 27 de janeiro a 21 de março de 2025. É a primeira produção deste tipo voltada exclusivamente para a HBO Max.  É um serviço de streaming de vídeo por assinatura sob demanda norte-americano. É de propriedade da Warner Bros. Discovery (WBD), um dos principais conglomerados de mídia e de entretenimento global. A plataforma oferece conteúdo da Warner Bros., Discovery Channel, HBO, TNT, CNN, Cartoon Network, Adult Swim, Animal Planet, Eurosport e suas marcas relacionadas. Lançado pela primeira vez nos Estados Unidos em 27 de maio de 2020, o serviço também oferece programação original inédita sob o título de Max Originals”. O serviço foi planejado para suceder ao HBO Now, um serviço de “vídeo sob demanda” anterior da HBO; e HBO Go, a plataforma de streaming TV Everywhere para assinantes de televisão paga por assinatura da HBO. Nos Estados Unidos, os assinantes do HBO Now e os assinantes de televisão paga da HBO foram “migrados” para o HBO Max sem custo adicional. E substituiu o serviço de streaming DC Universe da DC Entertainment, com suas séries originais sendo “migradas” para o HBO Max como Max Originals.

O serviço se expandiu para exterior e chegou na América Latina que inclui o Brasil e no Caribe no dia 29 de junho de 2021, substituindo o HBO Go. Em Andorra, Espanha e países nórdicos (excluindo Islândia) foi lançado em 26 de outubro de 2021, enquanto em Portugal chegou no dia 8 de março de 2022, assim como em alguns outros territórios europeus da Europa Central e Oriental. Em outros países, os programas originais HBO e HBO Max foram licenciados para redes de terceiros e serviços de streaming sob acordos de longo prazo. Nesses casos, a HBO Max na época deixou para cada detentor de direitos decidir se ofereceria sua programação em serviços OTT. A extensão e a duração dos negócios variam de acordo com o país. De acordo com a AT&T, HBO e HBO Max tinham um total combinado de 69,4 milhões de assinantes pagantes globalmente em 30 de junho de 2021, incluindo 43,5 milhões de assinantes do HBO Max nos EUA, 3,5 milhões de assinantes apenas do HBO nos EUA principalmente clientes comerciais, como hotéis e 20,5 milhões de assinantes do HBO Max ou da própria HBO em outros países. No final de 2021, a HBO e a HBO Max mantinham um total combinado de 73,8 milhões de assinantes globais pagantes. No final do primeiro trimestre de 2022, a HBO e a HBO Max mantinham 76,8 milhões de assinantes globais. Desde a fusão em abril de 2022 da WarnerMedia com a Discovery, Inc. para formar a Warner Bros. Discovery, o HBO Max era um dos principais serviços de streaming da empresa combinada, o outro o Discovery+, principalmente na programação factual das marcas Discovery.  

A WBD anunciou inicialmente planos para a fusão do HBO Max e do Discovery+ em 2023, mas a empresa acabou optando por manter o Discovery+ de forma separada. A WBD substituiu o HBO Max por um serviço recém-renomeado que foi lançado primeiro nos Estados Unidos em 23 de maio de 2023, encurtando o nome do serviço para “Max”, apresentando uma interface de usuário redesenhada e adicionando mais conteúdo Discovery entre outras novas séries e filmes. Porém, em 14 de maio de 2025, a Warner Bros. Discovery voltou atrás em sua decisão de qual nome seria melhor para o serviço, e anunciou o retorno do nome antigo: Max para HBO Max; a mudança ocorreu em 9 de julho de 2025 e foi oficializada com um novo logotipo. No dia 6 de dezembro de 2025 foi anunciado pela própria Netflix e pela Warner Bros. Discovery a compra dos estúdios e divisão de estúdios Warner Bros. (inclui os estúdios da DC), a plataforma de streaming HBO Max e o canal premium HBO. Os canais de TV da empresa seriam divididos numa nova empresa publicamente listada sob a denominação Discovery Global. Porém, a Paramount Skydance lançou, três dias depois, uma oferta hostil de aquisição pela totalidade da WBD, com um valor empresarial de US$ 108,4 bilhões, resultando na compra da WBD. Com essa aquisição, o CEO da Paramount, David Ellison, revelou que a HBO Max e o Paramount+ seriam fundidos em uma única plataforma, futuramente.

Criada e escrita por Raphael Montes, com colaboração de Mariana Torres, Victor Atherino, Rafael Souza-Ribeiro e Luiza Yabrudi. A direção geral foi realizada por Maria de Medicis. Conta com Camila Pitanga, Camila Queiroz, Giovanna Antonelli, Caio Blat, Marcelo Serrado, Herson Capri, Murilo Rosa e Augusto Madeira nos papéis principais. Formada na tradicional Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), é um centro de treinamento de mão-de-obra artística para diversos setores das artes cênicas localizada na cidade do Rio de Janeiro. O descontraído bairro das Laranjeiras é conhecido pelos elegantes edifícios antigos como o Palácio Guanabara, o capitólio estadual e o Palácio Laranjeiras, a residência do governador no exuberante Parque Guinle. A área também tem praças encantadoras como a Praça São Salvador, rodeada de bares modernos e com um popular mercado de artesanato ao domingo, com música choro ao vivo. Padarias tradicionais e interessantes boutiques de moda ladeiam as ruas frondosas do bairro. A CAL fundada em  1982, por Eric Nielsen e Gustavo Ariani, com a colaboração de um grupo de artistas de teatro - entre eles, Sérgio Britto, Glorinha Beuttenmüller e Aderbal Freire-Filho sob a coordenação de Yan Michalski. Desde então, a escola continua fiel à sua filosofia de trabalho, estando atualmente sob a coordenação de Hermes Frederico. Na área de teatro para crianças e adolescentes, a coordenação está a cargo de Alice Reis.

O curso de formação profissional do ator, inicia-se com o aluno na etapa preliminar, que dura um semestre, após essa etapa o aluno passa por um teste escrito, e por uma banca. Se aprovado, ele passa para a etapa regular do curso. A etapa regular tem quatro semestres, mais uma montagem no final. Algumas das disciplinas oferecidas no curso: interpretação; interpretação realista; improviso; corpo e movimento; técnica vocal; técnica musical-canto; história da arte; história do teatro mundial. No ano de 2012, a Casa das Artes de Laranjeiras deu início ao curso de Bacharelado em Teatro (ênfase na formação de ator) em sua nova sede no bairro da Glória, na cidade do Rio de Janeiro. Maria de Médicis estreou sua carreira no teatro, foi da produção à direção audiovisual e tem mais de 25 anos de carreira na TV. No Grupo Globo, esteve à frente de novelas como “Segundo Sol”, “Rock Story”, “Sangue Bom”, “JK”, “Cheias de Charme”, “Babilônia” e “Geração Brasil”. Na estreia Diretora no Especial de Natal “Juntos a Magia Acontece”, ganhou o Prêmio Leão de Ouro de Melhor Entretenimento no Festival de Cannes 2021. Em seguida dirige a série da Netflix “De Volta aos 15” em sua 2ª temporada.  Laranjeiras é um bairro tradicional de classe média alta da Zona Sul do município do Rio de Janeiro, capital do estado homônimo. É celebrado por ser um dos pontos mais descontraídos e charmosos da Cidade Maravilhosa e conhecido por seus elegantes prédios antigos, como o Palácio Guanabara e o Palácio das Laranjeiras, este situado no Parque Guinle.            

Apelido surgido no início do século XX se popularizou quando virou marchinha gravada por Aurora Miranda, irmã de Carmen. Seu conjunto de belas praias, sua vida boêmia e as diversas paisagens paradisíacas são alguns dos motivos que podem nos levar a pensar o que torna o Rio de Janeiro a “Cidade Maravilhosa”. Completando 456 anos nesta segunda, a capital fluminense é dona do invejável título, consagrado pela clássica marchinha de carnaval já interpretada por grandes nomes, como Caetano Veloso e Carmem Miranda. Mas ao contrário do que se pode pensar, a origem da expressão não é tão clara. Três histórias podem explicar o surgimento do título. Fernando Krieger, curador do Instituto Moreira Salles, sugere duas hipóteses em um artigo publicado no site do IMS. A primeira traça a origem em um texto do escritor maranhense Coelho Neto, publicado em 29 de novembro de 1908, no jornal A Notícia. Em “Os Sertanejos”, Coelho Neto usa a expressão que se tornaria título de um livro lançado 20 anos depois. A obra reunia um conjunto de crônicas sobre a cidade, descrita como “Cidade Maravilhosa! Cidade sonho, cidade do amor”. O texto faz alusões ao Rio de Janeiro, com descrições que lembram a cidade, e o protagonista de um dos contos é carioca. Mas há quem defenda que o cenário do livro na verdade trata-se de uma cidade fictícia. - Em texto publicado em “O Jornal” de julho de 1964 e transcrito no livro “Figuras e coisas da Música Popular Brasileira”, ambos de Jota Efegê, e cita que o filho de Coelho Neto (Paulo Coelho Neto), reclamava para seu pai a autoria da expressão, utilizada por ele em artigo publicado em 1908.    Mas não posso afirmar, comenta Krieger. Ele reforça que os textos da época tratam a expressão como “consagrada por Coelho Neto”, logo, o autor pode ser o nome por trás da popularização, mas não é possível o defini-lo com certeza como seu criador.  

 Krieger considera uma segunda hipótese para a origem da expressão. A escritora francesa Jane Catulle-Mendès lançou em 1913 o livro de poemas “La ville merveileuse”. A coletânea tem como escopo o Rio de Janeiro, visitado pela autora em 1911, os textos enaltecem suas paisagens naturais e as belezas de uma cidade pós reformas promovidas por Pereira Passos. A hipótese mais antiga nos leva a 1904, no jornal O Paiz. Em uma edição do periódico, publicada em fevereiro daquele ano, durante o carnaval, foram publicados versos em tom de crítica às carrocinhas, frequentes na época. O texto termina dizendo: “Terra sempre em polvorosa/Bem igual no mundo inteiro, /Cidade Maravilhosa! / Salve, Rio de Janeiro”. Esse teria sido o pontapé inicial para que jornalistas passassem a abraçar o termo, que logo mais se tornou parte do vocabulário brasileiro. Krieger destaca que a popularização da marchinha que enaltece a cidade foi uma das peças chaves para que a expressão se mantivesse viva. — Quando uma música cai no gosto popular, é mais fácil ela se tornar conhecida e se eternizar. Essa marcha parece pertencer àquela categoria de músicas que nós já “sabemos” antes mesmo de nascer. É possível que muitos pensem que a expressão “Cidade maravilhosa” surgiu por causa dela. A música foi escrita por Antônio André de Sá Filho, em 1934, um jovem compositor que já havia trabalho com diversos grandes artistas de seu tempo. Inspirado pela beleza da cidade, abraçada por um Cristo Redentor recém construído, ele compôs a marcha com os versos “Cidade maravilhosa, cheias de encantos mil / Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil”.

A cantora Aurora Miranda (irmã de Carmen) foi convidada para se juntar ao processo de dar voz à sua criação. Juntos, lançaram a música pela gravadora Odeon. No ano seguinte, a cantora se apresentou no concurso de músicas de Carnaval da Prefeitura do Rio, que aconteceu em 10 de fevereiro de 1935, ficando em segundo lugar na competição. Apesar do resultado, a marchinha foi abraçada pelo público e ganhou espaço nos bailes de carnaval. Com o enorme sucesso, na década de 1960 foi adotada como o hino oficial da cidade, mas foi reconhecida pela Prefeitura Municipal mais de 40 anos depois, através da Lei 3.611 de 12 de agosto de 2003. O imaginário urbano, em segundo lugar, são as coisas que o soletram. Elas se impõem. Estão lá, fechadas em si mesmas, forças mudas. Elas têm caráter. Ou melhor, são “caracteres” no teatro urbano. Personagens secretos. As docas do Sena, monstros paleolíticos encalhados nas margens. O canal San-Martin, brumosa citação de paisagem nórdica. As casas abandonadas (em 1928) da Rue Vercingétorix ou da Rue de l`Quest, exemplarmente onde fervilham os sobreviventes de uma terrível catástrofe urbana. Por subtrair-se à lei do presente, esses objetos abstratos inanimados adquirem autonomia. São autores, heróis de legenda. Organizam em torno de si o romance da cidade. A proa aguda de uma casa de esquina, um teto provido de janelas como uma catedral gótica, a elegância de um poço na sombra de um pátio remelento: esses personagens levam sua vida própria.

Assim o papel misterioso que as sociedades tradicionais atribuíam à velhice, que vem de regiões que ultrapassam o saber. Eles são testemunhas de uma história que, ao contrário daquelas dos museus ou dos livros, já não têm mais linguagem. E, de fato, eles têm uma função que consiste em abrir uma profundidade no presente, mas sem o conteúdo que provê de sentido a estranheza do passado. Suas histórias deixam de ser pedagógicas; não mais “pacificadas” nem colonizadas por semântica. Como entregues à sua existência, selvagens, delinquentes. Esses objetos de pensamento, razoáveis, provenientes de passados indecifráveis são para nós o equivalente que eram alguns deuses da Antiguidade, os “espíritos” do lugar. Como seus ancestrais divinos, eles têm papéis de atores na cidade não por causa do que fazem ou do que dizem, mas porque sua estranheza é muda e sua existência subtraída de atualidade. Para o que nos interessa, seu retiro faz falar – gera relatos, etnografias – e permite agir – “autoriza”, por sua ambiguidade, espaços de operações. Esses objetos inanimados ocupam aliás, hoje, na pintura, o lugar dos antigos deuses: uma igreja ou uma casa, nos quadros de Van Gogh; uma praça, uma rua ou uma fábrica nos de Chirico. O pintor consegue “ver” esses poderes locais.

Ele apenas antecipa, mais uma vez, um reconhecimento público. Para reabilitar uma antiga fábrica de concreto, o prefeito de Tours, M. Royer, e M. Claude Mollard, do ministério da Cultura, honram um “espírito” de lugar, como Lina Bo Bardi o faz em São Paulo em relação à Fábrica da Pompeia (que se tornou centro de Lazer), ou muitos outros “ministros” desses cultos locais, com uma arquitetura, radiante, otimista e generosa.  A conveniência é, grosso modo, comparável ao sistema de “caixinha” (ou “vaquinha”): representa, pois, no nível dos comportamentos, um compromisso pelo qual cada pessoa, renunciando à anarquia das pulsões individuais, contribui com sua cota para a vida coletiva, com o fito de retirar daí benefícios simbólicos necessariamente protelados. Por esse “preço a pagar”, o que diz respeito a saber “comportar-se”, ser “conveniente”, o usuário se torna um parceiro de um contrato social que ele se obriga a respeitar para que seja possível a fluidez na vida cotidiana. Isto é, “possível” deve ser entendido no sentido mais trivial do termo: não se tornar “a vida impossível” por ruptura abusiva do contrato sobre o qual se fundamenta a coexistência do bairro.

A contrapartida desse tipo de imposição é para o usuário a certeza de ser reconhecido, “considerado” por seus pares, e fundar assim em benefício próprio, sociologicamente, “uma relação de forças nas diversas trajetórias que percorre”. Pode-se então compreender melhor o conceito de “prática cultural”: esta é a combinação mais ou menos corrente, mais ou menos fluida, de elementos cotidianos concretos (menu gastronômico) ou aparatos ideológicos (tanto religiosos, como políticos), ao mesmo tempo passados por uma tradição e realizados dia a dia através dos comportamentos que traduzem em uma “visibilidade social” fragmentos desse dispositivo cultural, da mesma maneira que a enunciação traduz na palavra fragmentos do discurso, por assim dizer, amoroso. Enfim, o bairro é, quase sempre, por definição, um domínio do ambiente social, pois ele constitui para o usuário uma parcela reconhecida do espaço urbano na qual, positiva ou negativamente, ele se sente reconhecido. Pode-se, portanto, apreender o bairro como esta porção do espaço público em geral (anônimo, de todo o mundo) em que se insinua pouco a pouco um espaço privado particularizado pelo fato do uso quase cotidiano desse espaço. A fixidez do habitat dos usuários, o costume recíproco do fato da vizinhança, os processos de reconhecimento e de identificação que se estabelecem graças à proximidade, graças à coexistência concreta em um mesmo território urbano, todos esses elementos “práticos” se nos oferecem como imensos campos de exploração em vista de compreender um pouco melhor esta grande desconhecida que é a vida cotidiana.

Quando nos colocamos diante de nós a pergunta: o que é um bairro? A resposta objetiva de síntese é respondida pela pena de Henri Lefebvre (1901-1991), para o qual “o bairro é uma porta de entrada e de saída entre espaços qualificados e o espaço quantificado”. O bairro surge como o domínio onde a relação espaço/tempo é a mais favorável para um usuário que deseja realizar o processo cotidiano de deslocar-se por ele a pé saindo de sua casa. Ipso facto, é o pedaço de cidade atravessado por um limite distinguindo o espaço privado do espaço público: é o que resulta de uma caminhada, da sucessão de passos numa calçada, pouco a pouco significada pelo seu vínculo orgânico com a residência. No prolongamento dos esquemas explicativos, arquétipos e simples símbolos modernos podem-se considerar o mito. Lembramos, todavia, que não estamos tomando este termo na concepção restrita que lhe dão os etnólogos, que fazem dele apenas o reverso representativo de um ato ritual. Entendemos por mito, “um sistema dinâmico de símbolos, arquétipos e esquemas, sistema dinâmico que, sob o impulso de um esquema, tende a compor-se na narrativa”. O mito é já um esboço de racionalização, dado que utiliza o fio do discurso, no qual os símbolos se resolvem em palavras e os arquétipos em ideias. O mito explicita um esquema ou um grupo de esquemas.

Do mesmo modo que o arquétipo promovia a ideia e que o símbolo engendrava o nome, podemos dizer que o mito promove a doutrina religiosa, o sistema filosófico ou, como bem observou Bréhier, a narrativa histórica e lendária. O método de convergência evidencia o mesmo isomorfismo na constelação e no mito. Enfim, para sermos breves, este isomorfismo dos esquemas, arquétipos e símbolos no seio dos sistemas míticos ou de constelações estáticas pode levar-nos a verificar a existência normativa das representações imaginárias, bem definidos e relativamente estáveis, agrupados em torno dos esquemas originais e a literatura refere-se como estruturas. A atividade dialética surge esboçada em princípio como atividade e a partir da análise da noção de “corpúsculo”. Tendo como certo que o filósofo deve tentar compreender a novidade da linguagem e ao mesmo tempo aprender a formar noções e conceitos novos para resistir aos conhecimentos comuns e à memória cultural, Bachelard, tentando precisar a noção de “corpúsculo”, rememora uma sequência de teses: o corpúsculo não é um pequeno corpo. Não é fragmento de substância. O corpúsculo não tem dimensões absolutas definidas. Só existe nos limites do espaço em que atua.  Correlativamente, se o corpúsculo não tem dimensões definidas, não tem, portanto, forma reconhecida. Melhor dizendo, o elemento não tem geometria.  

E não se lhe pode atribuir um lugar muito preciso em virtude do princípio da indeterminação na Física de Werner Heisenberg (1927), a sua localização é submetida a tais restrições que a função de existência situada não tem mais valor absoluto. Em várias circunstâncias, a microfísica põe como um verdadeiro princípio a perda da individualidade do corpúsculo. Enfim, uma última tese que contradiz o axioma fundamental do chamado atomismo filosófico. Complementarmente com as suas reflexões acerca da imaginação criadora e da poética, Bachelard infere que os corpúsculos, não sendo dados dos sentidos, “nem de perto nem de longe”, também não são dados escondidos. No entanto, apenas é possível conhecê-los, descobrindo-os, ou melhor, inventando-os, porque eles são a prova de que algo está no limite da invenção e da descoberta. Admirável é, então, a referência que Bachelard faz à noção de intuição trabalhada. Em Études, no ensaio “Idealismo discursivo” ele sublinha que tem alguma confiança e garantia na intuição para descrever positivamente o seu ser íntimo. Diz mesmo que o fato de exercermos uma preparação discursiva in statu nascendi dá à intuição uma nova Jeunesse. De maneira que aconselha a fecharmos os olhos como uma forma de nos prepararmos para termos uma visão do nosso ser. A intuição será a via refletida de renunciar aos acidentes na história e significa um recurso metafísico de compreensão “de si”. Interessa, então, a intuição trabalhada e não a intuição imediata, a intuição que permite uma espécie de “repouso”, mesmo sabendo que na ciência, esse “repouso” na intuição pode ser “quebrado” por uma nova necessidade de rigor metafísico e pela necessidade de encadear mais forte as teorias sociais.

Esta valorização da intuição intelectual em detrimento da intuição sensível torna-se nítida quando o realismo das primeiras intuições deve pôr-se entre parêntesis, uma vez que a apreensão do real científico não se satisfaz com imagens primeiras. As imagens cotidianamente podem ser então, “boas” e “más”, indispensáveis e perigosas, dependendo da moderação no seu uso e da instância da redução em que as imagens devem permanecer quando as queremos usar para descrever um mundo que não se vê, ou fenômenos que não aparecem. Na ciência é preciso ir das imagens às ideias e este caminho é propriamente dito de análise, de discussão e de ordenação. Com certeza, também de polêmica, uma razão polêmica pode pensar-se como uma razão que tanto sabe afirmar, em reação às negações oficiais antecedentes, como negar afirmações anteriores a partir dos valores da verificação e da descoberta; uma razão polêmica crítica e introduz “nãos” que passam a desempenhar um papel pedagógico decisivo na produção de conhecimento por darem a compreender que na interpretação toda a afirmação não é sinônimo de conhecimento e que aquilo que é dado como verdadeiro aparece, muitas vezes, sob um fundo de erros e de ignorâncias tomadas como antecedentes. O espírito, exigindo aproximações sucessivas da experiência deve afastar-se daquelas teses cartesianas da razão.  O novo espírito sabe-se que todo o problema da intuição se encontra subvertido, trabalhado. Para lembrarmos de Michel de Certeau, sabemos que a reflexão teórica não escolhe manter as práticas à distância de seu lugar, de que tenha de sair para analisá-las, mas basta-lhe invertê-las para se encontrar em casa. Ela repete o corte que efetua. Este lhe é imposto pela história.      

A região também é reconhecida por suas charmosas e boêmias praças, como a Praça São Salvador, cercada por bares descolados, e a Praça do Choro, na Rua General Glicério, coração de uma famosa feira popular; em ambas, há anos, tradicionais apresentações de choro encantam moradores e visitantes semanalmente. É também reconhecido como o bairro onde se situa a sede do Fluminense Football Club, um dos quatro grandes clubes de futebol; daí vem a alcunha “Tricolor das Laranjeiras”, frequentemente associada ao clube em questão. -“[E]m um documento de 1780, apareceu o nome Laranjeiras pela primeira vez em referência à região que ficava no interior do vale, e que passou a se distinguir das áreas da Glória e do Catete, também na bacia do rio Carioca, no entanto, mais próximas da baía”. Ao contrário do que se pode intuir, o nome do bairro não se deve à suposta existência de laranjais no local. A montanhosa região do atual bairro, coberta em toda sua extensão por extensas chácaras, lembrava a também acidentada região de Laranjeiras na região alta de Lisboa, o que levou à nomeação do bairro carioca. Laranjeiras, em virtude de sua localização, é um dos bairros mais antigos da cidade do Rio de Janeiro. Na análise da Brasiliana Iconográfica, “a região era, na época da chegada dos portugueses, habitada pelos Tamoios, depois foi encontrada pelos franceses, até ser tomada pelos portugueses ainda no século XVI”. O acesso às águas puras do rio Carioca foi um dos grandes atrativos para a mobilização rumo à região. A ocupação formal aconteceu com a divisão da área em sesmarias entre aqueles que lutaram para expulsar os franceses. As terras foram divididas e doadas a Cristóvão Monteiro, primeiro ouvidor do Rio de Janeiro, que logo construiu uma torre e um moinho.

Bibliografia Geral Consultada.

DURAND, Gilbert, A Imaginação Simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993; Idem, A Fé do Sapateiro. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995; Idem, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; BECHERIE, Paul, Genesis de los Conceptos Freudianos. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1998; PITTA, Danielle Perin Rocha, Iniciação à Teoria do Imaginário de Gilbert Durand. Rio de Janeiro: Atlântica Editora, 2005; PONTE, Cristina, Para Entender as Notícias: Linhas de Análise do Discurso Jornalístico. Florianópolis: Editora Insular, 2005; FAULKNER, Neil, “Gordon Childe and Marxist Archaeology”. Disponível em: http://isj.org.uk/28/09/2007; UNZELTE, Celso, Jornalismo Esportivo: Relatos de Uma Paixão. São Paulo: Editora Saraiva, 2009; COELHO, Paulo Vinicius, Jornalismo Esportivo. 3ª edição. São Paulo: Editora Contexto, 2009; BUARQUE DE HOLLANDA, Bernardo Borges; MELO, Victor Andrade de, O Esporte na Imprensa e a Imprensa Esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro; Editora 7 Letras, 2012; BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia, Manual do Jornalismo Esportivo. São Paulo: Editora Contexto, 2013; GOMES, Marilise, “Glenda Kozlowski Comemora ser 1ª Narradora da Globo: Me Senti Abraçada”. In: Purepeople, 22 de julho de 2016; FIRMINO, Carolina Bortoleto, Gênero e Posicionamento no Esporte: A Noticiabilidade no Jornalismo Esportivo Feminista do Dibradoras. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Bauru: Universidade Estadual Paulista, 2021; LIMA, Luciellen Souza, A Experiência do Usuário com Conteúdos de Jornalismo Audiovisual em 360° e a Centralidade da Sensação de Presença. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Faculdade de Comunicação. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2022; SOUSA, Cíntia Aparecida de, Representações da Mulher Esportista Brasileira sob a Ótica da Análise de Discurso Crítica: O Jornalismo Esportivo sobre Elas, Feito por Elas e Comentado por Elas. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2025; Artigo: “Glenda Koslowski Mediará Encontro Histórico entre Hortência e Magic Paula no Fórum Nacional de Formação Esportiva”. In: https://surtoolimpico.com.br/19/03/2026; entre outros.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Astrologia – Tetrabiblos, Solidão Feliz & Subjetividades Humanas.

                Face à realidade, o que julgamos saber claramente, ofusca o que deveríamos saber”. Gaston Bachelard

     

          A experiência e o reconhecimento socialmente reproduzidos e acumulados pelas gerações precedentes são reapropriados pelos sujeitos através das relações sociais que lhes fornecem as mediações complexas das ações humanas. A identidade de gênero pode ser compreendida dentro deste dinamismo como uma das particularidades da identidade do sujeito. No limite, a imaginação é reduzida pelos autores contemporâneos àquela concepção de sensação de uma imagem remanescente ou repetida e consecutiva do imaginário individual (o sonho) e o imaginário coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos). Desvalorizado para explicar “conexões imaginativas”, capaz de estimular a criatividade no âmbito da teoria social, sem perder a conexão de sentido com o imaginário individual e coletivo, que pode cometer o erro de reduzir a imaginação a um puzzle de significados de um ponto de vista distorcido da realidade. Para adquirir esta forma de visão é necessário analisar onde vivemos, de uma maneira externa procurando diminuir a sua influência na análise uma vez que consigo é carregado de valores culturais obtidos na vida (cf. Santos, 2012). É olhar de uma maneira diferente daquela que estamos habituados ao modo de interpretar na vida cotidiana.

            Tetrabiblos, também chamado de Apotelesmatiká ou Quadripartitum, é um texto que aborda a filosofia e a prática da astrologia, escrito no século II por Cláudio Ptolomeu. O tratado matemático Almagesto funcionou como um texto fidedigno sobre astronomia por mais de mil anos e, o Tetrabiblos, seu volume complementar, foi igualmente influente na astrologia, tendo estudado os efeitos os ciclos astronômicos da Terra. No entanto, enquanto o Almagesto como trabalho fidedigno astronômico foi substituído pela aceitação do modelo heliocêntrico do Sistema Solar, o Tetrabiblos continua sendo um importante ensaio teórico para a astrologia.  Apesar de delinear as técnicas de prática astrológica, a defesa filosófica de Ptolomeu acerca do assunto como estudo natural e benéfico ajudou a garantir a tolerância ideológica em relação à astrologia na Europa Ocidental durante a Idade Medieval. Isso, portanto, permitiu que os ensinamentos ptolomaicos sobre astrologia fossem incluídos nas universidades durante o Renascimento, o que trouxe impacto associado à medicina e à literatura. A importância histórica do Tetrabiblos é atestada por muitas das análises antigas, medievais e renascentistas que publicaram sobre o assunto. O livro foi copiado, comentado, parafraseado, condensado e traduzido para diversas línguas. A mais recente edição crítica da Grécia, postulada por Wolfgang Hübner (1931-2017), foi publicada pelo sociólogo e jurista alemão Gunther Teubner em 1998.

Deste ponto de vista, não estamos longe de admitir que o lugar de análise em que o raciocínio sociológico constrói suas pressuposições é diferente do espaço lógico do raciocínio experimental. O espírito, dizia Friedrich Hegel (1770-1831), não pode conhecer-se diretamente. É preciso que negue previamente, de certo modo, que saia de si e se torne “estranho a si mesmo”, exteriorizando-se e produzindo sucessivamente todas as formas do real – quadros do pensamento, natureza, história; e depois que reverta à origem, alcançando assim o conhecimento verdadeiro, a filosofia do espírito absoluto. Afastando-se de si, exteriorizando-se, para voltar depois a si mesma, a Ideia triunfa do que a limitava, afirmando-se na negação das suas negações sucessivas. Hegel definiu o princípio da realidade como uma Ideia lógica, fazendo do ser das coisas um ser puramente lógico e chegando assim a um panlogismo consequente que apresenta ainda, um elemento dinâmico-irracional, existente no domínio do que é próprio ao método dialético. O idealismo apresenta-se, para sermos breves, em duas formas principais: como idealismo subjetivo ou psicológico e como idealismo objetivo e lógico. Estas subjetividades movimentam-se no âmbito de uma visão fundamental.

                                


Essa diferença da essência e o exemplo, entre a imediatez e a mediação, quem faz não somos nós apenas, mas a encontramos na própria certeza sensível; e deve ser tomada na forma em que nela se encontra, e não como nós acabamos de determina-la. Na certeza sensível, um momento é oposto como o essente simples e imediato, ou como a essência: o objeto na sua humanidade. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio do Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto faz que seja conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido - enquanto o saber não é, se o objeto não souber que pode ser, assim da singularidade de apreensão do objeto. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, na démarche da consciência, mas por meio de Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto que seja conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido - enquanto o saber não é, se o objeto não é. 

O objeto de pensamento, portanto, deve ser examinado, para vermos se é de fato, na certeza sensível mesma, aquela essência que ela lhe atribui; e se esse seu conceito - de ser uma essência - corresponde ao modo imediato como se encontra na certeza sensível. Quer dizer, não temos de refletir sobre o objeto, nem indagar o que possa ser em verdade; mas apenas através da ideia de formação em “considerá-lo como a certeza sensível o tem nela”. O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, do tempo, porém a subjetividade abstrata. O tempo é o mesmo princípio que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como simplesmente um vir-fora-de-si. O tempo é contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstrata e nela ainda não há nenhuma diferença real.

No tempo, diz-se, tudo surge e tudo passa e perece, se se abstrai de tudo, do recheio do tempo e do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio comparativamente como o espaço vazio – isto é, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem existentes por si. Mas não é o que no tempo surja e pereça tudo, porém o próprio tempo é este vir-a-ser, surgir e perecer, o abstrair essente. O real de análise é bem diverso do tempo, mas também essencialmente idêntico a ele. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo. O finito é transitório e temporário, porque ele não é, como ocorre na representação do conceito nele mesmo, a negatividade total, mas em si, como sua essência universal, entretanto, diferentemente da mesma essência, é unilateral, e se relaciona à mesma essência como à sua potência. Mas tais conceitos na sua identidade conseguem livremente existente para si, Eu=Eu, é “em si” e “para si” a absoluta negatividade e liberdade. Por isso o tempo não é potência dele, nem ele está no tempo nem é algo temporal. Mas ele é muito mais a potência do tempo, como sendo este apenas esta negatividade como exterioridade. Só o natural, é, enquanto é finito, sujeito ao tempo; na constituição da ideia, o espírito que é eterno.  

A intuição trabalhada, tal como a entendera Gaston Bachelard, significa assumir com essa ideia a existência de dois polos necessariamente presentes no universo cultural humano. O polo da objetividade e polo da subjetividade, todavia, entrelaçados e mediados nos duros e doces caminhos da constituição da mediação científica assim como dos demais caminhos existentes, esta ideia cara à concepção de ciência nestes tempos. O pensamento de Bachelard se faz contemporâneo na atualidade potente de sua reflexão. Felizmente fora da dinâmica consensual entre pesquisadores, pois é conhecido por sua filosofia não cartesiana, não bergsoniana, não aristotélica e não kantiana, visto que sua obra excede a epistemologia e a estética e comunicação com diferentes áreas de saber. Representou o novo espírito científico que, ao refletir sobre episteme, o conhecimento, problematiza o erro em sua positividade e a importância real da retificação. Seu novo racionalismo aberto e dinâmico, histórico e factual, inova a concepção de imaginação social, porque explora os devaneios e desconfia das metáforas progressivas. A formação das expectativas não leva em consideração os fatores comparativos previstos na sociedade como muito incertos. Embora, em determinadas situações, fatos muito incertos possam se tornar decisivos, tornando-se um guia razoável para as decisões correntes e os eventos a que se atribui um grau elevado de confiança. Foi um “filósofo da solidão feliz” que a procura de instantes poéticos nos desestabiliza nas incertezas do mundo contemporâneo objetivo.

        A intuição como forma de representação do conhecimento consiste na capacidade de conhecer algo sem de fato ainda entender seu funcionamento. Está fundamentada na noção inicial que temos sobre algo, noção esta que nasce da experiência sensorial e/ou de uma análise superficial das características que compõe determinado elemento. Tomando como base esta noção inicial, conseguimos entender de forma pouco esclarecida do que se trata determinado elemento e já nos dispomos a emitir juízos acerca do mesmo. Todas estas concepções do homem, que se expressam de diversas formas, nasceram a partir da análise que seus sentidos o proporcionaram fazer. Mas há algo a mais nisto. Não bastariam ele olhar para a pedra e sentir seu peso para concluir estas coisas. Teria o homem que pensar por associação, por comparação. Entre habilidades ou competências importa destacar a relação contígua entre o ser capaz de pensar e o ser capaz de aprender. Teria o homem que se basear em outras experiências.

Têm-se nas reflexões anteriores, um exemplo desta forma básica de entender o mundo que nos cerca. O pensamento por associação. O conhecimento que se constrói através de memórias de experiências passadas e logo comparações com experiências presentes. O raciocínio intuitivo da forma como foi apresentado, revela-nos uma superficialidade na forma de compreender o mundo. Retomando ao exemplo do homem: o mesmo não saberia explicar o porquê de nenhuma de suas conclusões, visto que ele se baseou somente em suas antigas experiências. Os fatos usados para formar a conclusão, não são compreendidos pelo homem, ele apenas sabe que são tal como são e aceita isso como natural. Além dessas substâncias e de outras, que estão em menor quantidade, o ar, por exemplo, também apresenta gotículas de água, poeira, e sobretudo partículas de vírus, bactérias e outro micro-organismos. Não entende ele, no plano abstrato da teoria “como” e nem o “por que” daqueles fatos sociais do dia a dia se apresentarem daquela maneira. Tudo que ele sabe, foi captado pelos sentidos, guardado em sua memória. Utilizado em seu dia-a-dia para entender o mundo que lhe é anterior e está ao seu redor.  

           De origem humilde, o filósofo Gaston Bachelard (1884-1962), em sua poética do  espaço trabalhou enquanto estudava. Pretendia formar-se engenheiro até que a 1ª grande guerra (1914-18) eclodiu e impossibilitou-lhe, felizmente, a conclusão deste projeto. Em 1903, após o término do curso secundário, ingressou na administração dos Correios trabalhando sessenta horas semanais. Nos momentos de lazer estudava, vindo a licenciar-se em 1912, aos 28 anos em Ciências Matemáticas. No ano seguinte, a administração dos correios lhe concede uma bolsa de estudos, a fim de que se preparasse para o concurso de engenheiro de telégrafo no Liceu Saint-Louis. Com a eclosão a 1ª grande guerra (1914-1918), sua carreira foi interrompida, sendo obrigado a desistir de seu intento. Em 8 de julho de 1914 casou-se, e em 1920 sua esposa faleceu, deixando com ele a pequena Suzane. De 1917 a 1930 foi professor no magistério secundário em Bar-Sur-Aube, dedicando-se ao ensino das ciências – Física e Química – e posteriormente de Filosofia, na qual se licenciou em 1920 e tornou-se logo Mestre em 1922. Doutorou-se em Letras com menção honrosa na Sorbonne, com a apresentação da tese: “Ensaio sobre o conhecimento aproximado”, em 1927, publicada um ano depois. Nesse ensaio, encontram-se as bases de uma nova epistemologia.

            O nome Sorbonne alude ao teólogo do século XIII Roberto de Sorbon, fundador do Colégio de Sorbonne em 1257, que à época era dedicado ao ensino de teologia. Na língua corrente, o nome Sorbonne passou a identificar toda a Universidade de Paris. O colégio foi fundado em 1253 por Robert de Sorbon (1201-1274). Luís IX da França confirmou a fundação em 1257. Foi uma das primeiras faculdades significativas da Universidade medieval de Paris. A biblioteca foi uma das primeiras a organizar os itens em ordem alfabética de acordo com o título. A universidade antecede a faculdade em cerca de um século, e faculdades menores já haviam sido fundadas durante o final do século XII. Durante o século XVI, a Sorbonne envolveu-se com a luta intelectual entre católicos e protestantes. Curiosamente a Universidade serviu como um importante reduto das atitudes conservadoras católicas e, como tal, conduziu uma luta contra a política do rei Francisco I de “tolerância relativa” aos protestantes franceses, exceto por um breve período em 1533, quando a Universidade foi posta sob controle protestante.  

      A Universidade Sorbonne em conjunto com a Igreja Católica, condenou 500 obras impressas como heréticas entre 1544 e 1556. O Collège de Sorbonne foi suprimido durante a Revolução Francesa, reaberto por Napoleão em 1808 e finalmente fechado em 1882. Este foi apenas um dos muitos colégios da Universidade de Paris que existiram até a Revolução Francesa. Hastings Rashdall, em As Universidades da Europa na Idade Média (1895), que ainda é uma referência padrão extraordinária sobre o assunto, lista cerca de 70 faculdades da universidade apenas da Idade Média; alguns deles tiveram vida curta e desapareceram antes do final do período medieval, mas outros foram fundados no início do período moderno, como ocorre com o Collège des Quatre-Nations, é um antigo colégio da Universidade de Paris localizado no Quai de Conti e atualmente abriga a sede do Institut de France. Com o tempo, passou a ser a principal instituição francesa representante de estudos teológicos e “Sorbonne” foi frequentemente usada como sinônimo da Faculdade de Teologia de Paris, apesar de ser apenas uma das muitas faculdades da universidade.

            No panorama filosófico do século XX, a obra de Bachelard é uma reflexão referencial sobre a ciência e os saberes objetivos em que se revela outra direção fundamental do seu pensamento – a poética. A psicanálise vem em auxílio de uma ideia implícita na obra de Bachelard: “o homem é um ser que se percebe na sua relação de habitação e familiaridade inquietante com as coisas do mundo”. Essa é a condição do ser que vive num mundo constituído por saberes e verdades que ele próprio inventa. A poesia e a ciência é uma forma de compreender a relação do homem com o seu saber. O nascimento de tal categoria decorre do desdobramento de questões relativas ao tempo incluídas em obras anteriores como: “L´intuition de l`instant” (1932), e “La Dialectique de la Durée”, (1936), nas quais Bachelard desenvolve as teses da instantaneidade e da descontinuidade temporais. Neste sentido da durée bergsoniana, Bachelard contrapõe à noção de “descontinuidade temporal”. O tempo e a instantaneidade correspondem, para ele a questão problemática presente no livro: “L´intuition de l`instant”, a saber, que o tempo é uma realidade fechada sobre o instante e interrompida entre dois nadas.

O tempo poderá renascer, mas é necessário primeiramente que ele morra. Ele não poderá transportar o seu ser de um instante para outro instante para daí fazer uma duração. Os registros mais antigos sugerem que a astrologia surgiu no terceiro milênio a.C. Ela teve um importante papel na formação das culturas, e sua influência é encontrada na astronomia antiga, nos Vedas, e em várias disciplinas através da história. De fato, historicamente até a Idade Moderna, astrologia e astronomia eram indistinguíveis. A astronomia começou a divergir gradualmente da astrologia desde o tempo de formação de Cláudio Ptolomeu, e essa separação culminou no século XVIII com a remoção oficial da astrologia do meio universitário. Os astrólogos afirmam que o movimento e as posições dos corpos celestes podem influenciar diretamente ou representar eventos na Terra e em escala humana. Alguns astrólogos definem a Astrologia como uma linguagem simbólica, uma forma de arte, ou uma forma de vidência, enquanto outros definem como ciência social e humana.

            Quer dizer, nenhum estudo científico realizado até hoje mostrou a eficiência da astrologia para descrever personalidades ou fazer previsões e, por isto, ela é considerada pela comunidade científica uma pseudociência ou superstição, não compatível com o método científico. No paradigma da física moderna, não existe nenhuma forma de interação que poderia ser responsável pela transmissão da suposta influência entre uma pessoa e a posição de planetas e estrelas no céu no momento do nascimento. Além disso, todos os testes feitos até agora, mantendo métodos rigorosos para incluir um grupo de controle e mascaramento adequado entre experimentadores e sujeitos, não resultaram em qualquer efeito além do puro acaso. Por outro lado, alguns testes psicológicos mostram que é possível elaborar descrições de personalidade e previsões suficientemente genéricas para satisfazer a maioria dos membros de um grande público ao mesmo tempo. Este é o efeito reconhecido como o Efeito Forer, melhor dizendo, que em 1948 o psicólogo Bertram R. Forer deu a cada um de seus alunos um “teste de personalidade”.  

Depois, ele disse que cada aluno receberia uma análise única e individual baseada nos resultados dos testes, e que eles deveriam avaliar a precisão da análise em uma escala de 0 (muito ruim) a 5 (muito boa). Na verdade, todos os alunos receberam o mesmo texto: “Você tem uma necessidade de ser querido e admirado por outros, e mesmo assim você faz críticas a si mesmo. Você possui certas fraquezas de personalidade, mas, no geral, consegue compensá-las. Você tem uma capacidade não utilizada que ainda não a tomou em seu favor. Disciplinado e com autocontrole, você tende a se preocupar e ser inseguro por dentro. Às vezes tem dúvidas se tomou a decisão certa ou se fez a coisa certa. Você prefere certas mudanças e variedade, e fica insatisfeito com restrições e limitações. Você tem orgulho por ser um pensador independente, e não aceita as opiniões dos outros sem uma comprovação satisfatória. Mas você descobriu que é melhor não ser tão franco ao falar de si para os outros. Você é extrovertido e sociável, mas há momentos em que você é introvertido e reservado. Algumas de suas aspirações tendem a fugir da realidade. Em média as avaliações receberam nota 4,26, mas depois de receber essas notas Forer revelou que cada aluno tinha recebido o mesmo texto, com frases de diversos horóscopos. Como pode ser observado no texto, algumas frases se aplicam igualmente a qualquer pessoa.

A eternidade não será, nem foi, mas ela é hegeliana. A duração é também diferente da eternidade nisto, que ela é apenas um relativo suprassumir do tempo; mas a eternidade é duração infinita, isto é, não relativa, porém em si refletida. O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, mas duram. O péssimo, o da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo, o Sol, os elementos concretos, rochas, montanhas, a natureza inorgânica em geral, também obras dos homens, pirâmides; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o breve transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Pois devemos decidir se algo tem como representação o processo total ou apenas um momento de apropriação do processo. O universal como lei é processo em sim mesmo e somente como processo; mas não é parte do processo, nem está no processo, mas contêm seus dois lados e é ele próprio sem-processo. Pelo fenômeno a lei entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças portam-se como reconciliadas e retomadas à paz.

A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção e, para o bem ou para o mal até os dias de hoje. Mesmo a ideia de progresso, que implicava que o depois pudesse ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a travessia do mar aberto pelo fabuloso séc. XIX. Esse questionamento refere-se a várias ocorrências distintas entre si que não atestam um progresso moral da humanidade, e sim, uma dúvida sobre a história como portadora de sentido, dúvida renovada, essencialmente no que se refere ao seu método, objeto e fundamentalmente nas grandes dificuldades não só em fazer do tempo um princípio de inteligibilidade, como ainda em inserir aí um princípio de identidade. A história, essencialmente, isto é, compreensão da série de acontecimentos reconhecidos como acontecimentos por muitos. Acontecimentos que podemos pensar que importarão sempre aos olhos dos “historiadores de amanhã”. E por mais consciente tal problematização, de nada pode nesse caso vincular a algumas circunstâncias. Algumas imagens, como se fosse menos verdadeiro, dizem que os homens fazem a história, mas não sabem, talvez sob condições sociais determinadas.

Desde Friedrich Hegel sabemos que a diferença dos sexos passou a fundamentar a diferença de gêneros masculino e feminino que, de fato, historicamente a antecedera. O sexo autonomizou-se e ganhou o estatuto de fato social originário. Revolucionários, burgueses, filósofos, moralistas, socialistas, sufragistas e feministas, todos estavam de acordo em especificar as qualidades morais, intelectuais e sociais dos humanos, partindo-se da diferença de gênero entre homens e mulheres. A ideia, ou o espírito está “acima do tempo”, tal é o próprio conceito do tempo; é eterno, em e para si, não é rompível no tempo porque ele não perde o lado reconhecendo um lado do processo. No indivíduo, como tal, é de outro modo, neste sentido que está de um lado o gênero; a vida mais bela é a que une perfeitamente o universal e sua individualidade em uma figura: Gestalt. Mas também então o indivíduo está separado do universal, e assim é um lado do processo, a alterabilidade; após este momento mortal ele cai no tempo. É neste sentido que a interpretação hegeliana compreende que “o [que é] medíocre dura e, afinal, governa o mundo; mas também pensamentos tem esta mediocridade, com eles a doutrina o mundo existente, apaga a vitalidade espiritual, transforma-o em hábito, e assim dura. A duração consiste em que ela permanece na falsidade, não consegue seu direito, não dá a sua honra ao conceito, não se representa como processo a verdade”.

A busca das mulheres por igualdade e independência moral, especialmente forte na Inglaterra, representou o desafio mais efetivo à oposição social dos homens. Esse desafio incluía uma crítica efetiva da sexualidade masculina, centrada no duplo padrão de comportamento moral que se esperava de homens e mulheres. Com a saída das mulheres do espaço privado para o público, como decorrente das duas guerras mundiais, da industrialização e do movimento feminista que ora tentava se firmar, o resultado foi uma verdadeira avalanche de pesquisas, discussões e redefinições de papéis sociais cujo gênero foi tomado como ponto de partida para a discussão, e herdeiro dos genders studies. Na medida em que o movimento feminista propunha uma rediscussão acerca dos novos papéis sociais estabelecidos pela norma sexual e moral burguesa, tanto para homens quanto para mulheres, e na medida em que esta discussão passou a ser tomada sob o ponto de vista feminino, passou-se a ficar mais delimitada e fortalecida a representação da mulher enquanto ser social. Inaugurava-se, portanto os estudos sobre gênero, onde os estudos sobre homens representou um impulso diretamente decorrido do avanço dado pelas mulheres na conquista de cidadania e de direitos civis, na ordem pública e privada, na ordem moral e sexual, e que passaram a propor, nova forma de ver o homem, distinto daquele ordenamento em que os vitorianos duramente apregoavam.

 Um bom exemplo desse tempo social está na origem etimológica da família letrada Brontë que pode ser delineada até ao clã irlandês Ó Pronntaigh, que se traduz literalmente para filho de Pronntach, de tradição de escribas e homens da literatura em Fermanagh, o que é relacionado com a palavra bronnadh. O pai das irmãs, Patrick Brontë, nascido Brunty, decidiu mudar o seu sobrenome. Não se sabe ao certo o motivo para fazê-lo existindo várias teorias a respeito. Ele pode tê-lo feito para esconder as suas origens humildes. Como homem de letras, ele estaria familiarizado com o grego clássico e é possível que se tenha baseado na palavra grega βροντή (“trovão”) para escolher o seu nome. Um ponto de vista, apresentado pelo biógrafo Clement King Shorter (1857-1926), em 1896, é que ele adaptou o seu nome para se associar com o Almirante Horátio Nelson, também Duque de Brontë. É difícil separar a carreira de Shorter como autor e crítico de seu passatempo como colecionador de manuscritos, livros e outros materiais relacionados com seus escritores preferidos. Era um ávido colecionador, em especial sobre os trabalhos das irmãs Brontë. Essa coleção e investigação levou aos seus mais reconhecidos trabalhos, incluindo dois livros sobre Charlotte e família. Prova dramática desta influência é a imitação do Duque de Wellington na forma como se vestia.

Os Brontës foram uma família literária do século XIX associada à aldeia de Thorton, localizada no West Riding of Yorkshire, Inglaterra. As irmãs, Charlotte (1816-1855), Emily (1818-1848) e Anne (1820-1849) são escritoras e poetisas bem conhecidas do público no processo de massificação da literatura. À semelhança sobre o preconceito de muitas escritoras de seu tempo, inicialmente elas publicaram os seus poemas e romances sob os pseudônimos masculinos: Currer, Ellis e Acton Bell. Seus livros tiveram bastante sucesso assim que foram publicados. Jane Eyre, de Charlotte foi o primeiro romance a ser publicado, seguido de Wuthering Heights, de Emily e The Tenant of Wildfell Hall, de Anne. As três irmãs e o irmão Branwell eram próximos e na infância desenvolveram suas imaginações férteis através das histórias que ouviam da empregada e da criação de reconhecidos “mundos imaginários” que desenvolveram através do domínio literário na escrita. O que em certo sentido remete-nos ao termo utopia que vem do grego e tem como significado οὐ (“não”) e τόπος (“lugar”), ou seja, “não lugar”. A palavra foi criada por Sir Thomas More, em 1516, no livro Utopia. A obra descreve uma sociedade fictícia numa ilha do Oceano Atlântico. A Utopia representava um lugar com um sistema político, social e jurídico perfeitos. Todo o conceito de Utopia tornou-se um termo usado tanto na literatura, como na política internacional para descrever um ideal de vida perfeito, mas pouco realista, impossível de ser atingido. Pois Charlotte ocupava o seu “tempo livre” com realismo em seu imaginário” de Angria, que tinha criado de forma familial, através de correspondência fática com seu irmão.

Bibliografia Geral Consultada.

LLOYD, Geoffrey Ernest Richard, Le Temps Dans la Pensée Grecque. Paris: Editeur Organisation des Nations Unies, 1972; BOUCHÉ-LECLERCQ, Auguste, L’astrologie grecque. Paris: Scientia Verlag Aalen, 1979; TESTER, Jim, História de la Astrología Occidental. México: Siglo Veintiuno Editores, 1990; AUJAC, Germaine, Claude Ptolémée: Astronome, Astrologue, Géographe: Connaissance et Représentation du Monde Habité. Paris: Comité des Travaux Historiques et Scientifiques, 1993; TAYLOR, Charles, As Fontes do Self: A Construção da Identidade Contemporânea. São Paulo: Edições Loyola, 1997; BACHELARD, Gaston, A Água e os Sonhos. Ensaio sobre a Imaginação da Matéria. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1998; TEISSIER, Elizabeth, A Situação Epistemológica da Astrologia Através da Ambivalência da Fascinação/Rejeição na Sociedade Pós-moderna. Tese de Doutorado. Paris I: Panthéon-Sorbonne, 2001; SOARES, Sandra Maria de Mesquita, Sob o Sinal da Magia. A Velha Senhora sai da Sombras (Significação Social da Relação entre Ciência e Tradições Místico-esotéricas). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2002; CAROLINO, Luís Miguel, Ciência, Astrologia e Sociedade: A Teoria da Influência Celeste em Portugal (1593-1755). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003; COSTA, Maria Elisabeth de Andrade, O Sistema Astrológico como Modelo Narrativo. Tese de Doutorado. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005; YARES, Frances Amelia, A Arte da Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 2007; HEGEl, Friedrich,  Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007; ORTIZ, Ana Cristina Vidal de Castro, Narrativas do Céu. A Presença da Astrologia nos Meios de Comunicação. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação Comunicação na Contemporaneidade. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2015; KUSS, Ana Suy Sesarino, Amor, Feminino e Solidão: Um Estudo Psicanalítico sobre Invenções da Existência. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicanálise. Instituto de Psicologia. Rio de Janeiro: Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2021; MELO, Bruno Dantas Quirino de, Dos Pilares da Criação: As Dimensões Narrativas e Simbólicas na Obra Incal. Dissertação de Mestrado.  Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Faculdade de Comunicação Social. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2023; entre outros.