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sábado, 1 de janeiro de 2022

Floresta de Gelo – Trabalho, Nevasca & Punição nos Alpes Italianos.


Nós temos um limite, muito desencorajador e humilhante: a morte”. Umberto Eco

    

            Umberto Eco frequentou a escola salesiana, um instituto religioso católico romano fundado no século XIX por Saint Don Bosco. Curiosamente o sobrenome Eco, vem do acrônimo latino “ex caelis oblaus” dado ao seu avô, que era um órfão abandonado por um oficial da cidade e que tem como representação religiosa “um presente dos céus”. Entre o final da década de 1950 e 1960, passou a se interessar pela semiótica. Em 1961, escreveu o ensaio: Fenomenologia di Mike Bongiorno sobre o fenômeno popular do anfitrião de um Quiz Show chamado Mike Bongiorno e também Apocalitiici e Integrati (1964), onde analisa o processo de produção da comunicação de massa a partir de uma perspectiva sociológica. Neste sentido precisa uma nova orientação teórica nos estudos sociais de cultura de massa. Nesse período publicou o seu primeiro livro como uma extensão de sua tese de doutorado. Sua démarche filosófica obteve impulso com a influência positiva de Luigi Pareyson (1918-1991), na Itália. Ele se concentrou nos estudos sobre estética do período medieval, principalmente aos trabalhos de são Tomás de Aquino (1225-1274), e defendia ardorosamente a dedicação deste membro da Igreja Católica referente às questões do belo.

Logo surge seu segundo livro: Sviluppo dell`estetica medievale (1959), em que se posicionou como um pensador da filosofia medieval. Nesse mesmo ano passou a ser um editor sênior na editora Bompiani (Milão), onde permaneceu até 1975. Eco criou na Universidade de Bolonha um programa incomum chamado “Antropologia do Ocidente” a partir da perspectiva dos africanos e estudiosos chineses, onde foi desenvolvida uma rede transcultural na África Ocidental, que resultou na primeira conferência em Guangzhou, na China (1991), intitulada: Fronteiras do Conhecimento. Sob o olhar semiótico de Umberto Eco, descoberto no filósofo John Locke (1632-1704), aderiu assim à concepção anglo-saxônica desta antiga disciplina, deixando de lado a visão semiológica adotada por Ferdinand Saussure. Ele busca sua visão renovada no emprego da semiótica utilizando conceitos de Kant e Pierce, o que se pode verificar nas obras As Formas do Conteúdo (1971) e Tratado Geral de Semiótica (1975).

Umberto Eco critica o uso esotérico da interpretação (cf. Eco, 1995; 1993; 2007), fazendo ver que um texto não pode ser aprisionado em seu conjunto por uma única verdade, pois demonstra que a vontade de uma interpretação única é, afinal, a vontade de manutenção de um segredo, como ocorre com a religião católica, que diz respeito à manutenção de poder. Essa crítica analítica não desfaz a tenebrosa impressão de que a interpretação não pode ser meramente uma impressão subjetiva do texto. Cabe a nós sermos “servos respeitosos” da esfera de conhecimento semiótica. Se nós, leitores, podemos achar no texto um significado, cabe a nós intelectuais ter claro que esse significado é uma referência nossa, que evidentemente nem sempre irá respeitar o texto original. Existe a “intentio lectoris e a intentio operis”, isto é, a intenção do leitor e a intenção do texto. A intenção do leitor pode ser reconhecida. A intenção do texto parece para sempre perdida, mas deve ser conjecturada pela interpretação desse leitor, pelo menos através de coerência: qualquer interpretação feita de parte de um texto poderá ser aceita, se for confirmada por outra parte processual do mesmo texto, e deverá ser rejeitada se a contradisser. Daí a sua importância em distinguir, no modelo comunicacional, e, no universo retórico, o termo ideologia que se presta a numerosas codificações, deixando de lado a noção de ideologia como “falsa consciência”. 

 Umberto Eco (1964), reitera o papel da ideologia como tomada de posição filosófica, política, estética, etc. em face da realidade concreta, real. Nosso intuito, afirma, é conferir ao termo ideologia, e a par dele ao de retórica, uma acepção muito mais ampla vinculada ao universo do saber do destinatário e do grupo a que pertence, os seus sistemas de expectativas psicológicas, os seus princípios morais. Isto é, quando o que pensa e quer é socializado, passível de ser compartilhado pelos seus semelhantes. Para consegui-lo, porém, é mister que o sistema de saber se torne sistema de signos: a “ideologia é reconhecível quando, socializada, se torna código”. Nasce, assim, uma estreita relação entre o mundo dos códigos e o mundo do saber preexistente. Esse saber torna-se visível, controlável, comerciável, quando se faz código, “convenção comunicativa”. O aparato sígnico remete ao aparato ideológico e vice-versa e a semiologia, como ciência da relação entre códigos e mensagens, transforma-se concomitantemente na atividade de identificação contínua das ideologias que se ocultam sob as retóricas estruuradas discursivamente. Enfim, do ponto de vista teórico e metodológico, a semiologia demonstra-nos no universo dos signos, sistematizado em códigos e léxicos, sem deixar de lado o universo das ideologias, que se refletem nos modos pré-constituídos da linguagem.                        

Maciço Alpino ou Alpes representa a cadeia montanhosa mais alta e mais extensa que se encontra inteiramente na Europa, estendendo-se pela Áustria e Eslovênia, Hungria, a Leste, através do Norte da Itália, Suíça através dos Alpes suíços, Liechtenstein e Sul da Alemanha, até ao Sudeste da França e Mônaco. A Europa é, por convenção, um dos seis continentes do mundo. Compreendendo a península ocidental da Eurásia, a Europa geralmente divide-se da Ásia a Leste pela divisória de águas dos Montes Urais, o rio Ural, o Mar Cáspio, o Cáucaso, e o Mar Negro a Sudeste. A Europa é limitada pelo oceano Glacial Ártico e outros corpos de água no Norte, pelo oceano Atlântico a Oeste, pelo Mar Mediterrâneo ao Sul, e pelo Mar Negro e por vias navegáveis interligadas ao sudeste. No entanto, as fronteiras para a Europa, um conceito que remonta à Antiguidade clássica, são um tanto arbitrárias, visto que o termo “Europa” pode referir-se a uma distinção cultural e política ou geográfica. A Europa é o segundo menor continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da superfície da Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da Europa, a Rússia é o maior tanto em área quanto em população, sendo que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia e o Vaticano é o menor. A Europa é o quarto continente mais populoso do mundo, após a Ásia, a África e as Américas, com 740 milhões de habitantes em 2015, cerca de 11% da população mundial naquele ano, isto é, a cada 100 pessoas no mundo neste período, 11 viviam no continente. No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o “peso” europeu pode cair para cerca de 7% em 2050. Em 1900 a população europeia representava 25% da população mundial. Melhor dizendo, a cada 4 habitantes do mundo naquele ano, 1 vivia dentro dos limites do continente.

A Europa, nomeadamente a Grécia Antiga, é considerada o berço da cultura ocidental. Tendo desempenhado um papel preponderante na cena mundial a partir do século XVI, especialmente após o início do colonialismo. Entre os séculos XVI e XX, as nações europeias controlaram em vários momentos as Américas, a maior parte da África, a Oceania e grande parte da Ásia. Ambas as guerras mundiais de 1914-18 e 1939-45 foram em grande parte centradas na Europa, sendo considerado como o principal fator para um declínio do domínio da Europa Ocidental na política e economia mundial a partir de meados do século XX, com os Estados Unidos da América (EUA) e a União Soviética com maior protagonismo. Durante a chamada “Guerra Fria”, a Europa estava dividida politicamente ao longo da Cortina de Ferro entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a oeste, e o Pacto de Varsóvia, a Leste. A vontade de evitar outra guerra mundial acelerou o processo de integração europeia e levou à formação do Conselho Europeu e da União Europeia (EU) na Europa Ocidental, os quais, desde a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética em 1991, têm vindo a expandir-se para o Leste. A moeda da maior parte dos países da União Europeia, o Euro, é mais comumente usada por europeus; O Acordo de Schengen aboliu controles de imigração fortes nas fronteiras de países membros da União Europeia. O hino à Alegria é o hino do Conselho Europeu e da União Europeia.

O ponto culminante dos Alpes é o monte Branco, com 4 810,45 metros de altitude, situado na fronteira franco-italiana ou próximo a ela, uma vez que a delimitação fronteiriça no maciço “nunca foi consensual”. Os Alpes Italianos são uma cordilheira localizada na Itália e compreendem uma área de cerca de 298. 128 km² e 4.810 metros de altura. Os Alpes ficam na região Norte do país e compreendem as regiões de Liguria, Piemonte, Valle d’Aosta, Lombardia, Trentino-Alto Adige, Veneto (Belluno) e Friuli-Venezia Giulia. A altitude e o tamanho do intervalo afetam positivamente o clima na Europa; nas montanhas, os níveis de precipitação variam muito e as condições climáticas consistem em zonas distintas. Existe uma organização para a proteção dos Alpes chamada Convenção Alpina. A Suíça compartilha os Alpes com outros sete países. Para também resolver os problemas políticos das regiões montanhosas de forma eficaz, é necessário que esses Estados colaborem, pois as medidas tomadas por um país alpino surtem nos outros. Por essa razão, a Áustria, França, Alemanha, Itália, Liechtenstein, Mônaco, Eslovênia e a Suíça assinaram a chamada Convenção Alpina, com a União Europeia, para que a política alpina possa ser coordenada e se possa promover o desenvolvimento sustentável. A área abrange cinco províncias, Trento, Bolzano, Belluno, Udine e Pordenone, além de contar com picos com mais de três mil metros de altura. Na árida nevada dos Alpes italianos, tem ocorrido uma série de misteriosos blecautes que acontecem em uma usina de energia. 

La Foresta di Ghiaccio representa um filme de 2014 dirigido por Claudio Noce. Um jovem técnico é contratado para viajar ao local e resolver os problemas, estabilizando o fornecimento relativo de energia. Um peculiar desparecimento faz com que a missão do homem se complique. Um brutal acidente prende um grupo de pessoas em um túnel provocando um grande incêndio na noite de Natal. Com uma nevasca e poucas chances de resgate, cada uma pessoa passa a lutar pela sua sobrevivência.  Com suas centrais hidrelétricas, a Suíça pode dar um impulso decisivo para a transição energética na Europa. Uma nova usina de armazenamento por bombeamento e turbinas, em uma das áreas mais remotas e altas do país, permitirá equilibrar as flutuações de energia eólica e solar. – “A capacidade de armazenamento elétrica do lago é equivalente à de mais de 400 mil baterias de automóveis elétricos”, diz Alain Sauthier, olhando para Vieux Emosson, uma represa criada em 1955 na região de Finhaut, nos Alpes do cantão de Valais. Estamos a 2.225 metros acima do nível do mar. Sauthier é engenheiro e diretor da usina hidrelétrica de turbinas e armazenamento por bombeamento Nant de Drance, e quer demonstrar como funciona uma das “baterias elétricas de água” mais potentes da Europa. A usina usa duas represas, um reservatório superior e tanque inferior. A água armazenada no lago Vieux Emosson é direcionada para baixo para gerar eletricidade nas horas de pico. Do lago com cerca de 300 metros de profundidade, a água é bombeada de volta e armazenada durante períodos de superprodução. – “É uma bateria ecológica, que utiliza sempre a mesma água. A eficiência é superior a 80%: para cada quilowatt-hora de eletricidade que usamos para bombear a água, alimentamos 0,8 quilowatt-hora na rede.

É preciso controlar e codificar todas essas práticas ilícitas. É preciso que as infrações sejam bem definidas e punidas com segurança, que nessa massa de irregularidades toleradas e sancionadas de maneira descontínua com ostentação se igual seja determinado o que é infração intolerável, e que lhe seja infligido um castigo de que ela não poderá escapar. Com as novas formas de acumulação de capital, como ocorre com a produção de energia, de relações de produção e de estatuto jurídico da propriedade, todas as práticas populares que se classificavam, seja numa forma silenciosa, cotidiana, tolerada, seja numa forma violenta, na ilegalidade dos direitos, são desviadas à força para a ilegalidade dos bens. O roubo tende a se tornar a primeira das grandes escapatórias à legalidade, nesse movimento que vai de uma sociedade da apropriação jurídico-política a uma sociedade da apropriação dos meios e produtos do trabalho. Melhor dizendo, a economia das ilegalidades se estruturou com o desenvolvimento da sociedade capitalista. Do ponto de vista técnico-metodológico podemos afirmar, que a ilegalidade dos bens foi separada da ilegalidade dos direitos. Divisão do trabalho que corresponde a uma oposição de classes, pois, de um lado, a ilegalidade mais acessível às classes populares será a dos bens – transferência violenta das propriedades; de outro a burguesia, então, se reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis, segundo Foucault (2014: 86-87), de fazer funcionar um imenso setor da circulação econômica que se desenrola nas margens da legislação – previstas por seus silêncios, ou liberadas por uma tolerância de fato.

            E essa grande redistribuição das ilegalidades se traduzirá até por uma especialização dos circuitos judiciários; para as ilegalidades de bens – para o roubo – os tribunais ordinários e os castigos; para as ilegalidades de direitos – fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares – jurisdições especiais com transações, acomodações, multas atenuadas etc. A burguesia se reservou o campo fecundo da ilegalidade dos direitos. E, ao mesmo tempo em que essa separação se realiza, afirma-se a necessidade de uma vigilância constante que se faça essencialmente sobre essa ilegalidade de bens. Afirma-se a necessidade de se desfazer da antiga economia do poder de punir que tinha como princípios a multiplicidade confusa e lacunosa das instâncias, uma repartição e concentração de poder correlatas, uma inércia de fato e uma inevitável tolerância, castigos ostensivos em suas manifestações e incertos em sua aplicação.

Afirma-se a necessidade de definir uma estratégia e técnicas de punição em que uma economia da continuidade e da permanência substituirá a da despesa e o excesso.   Encontrar novas técnicas às quais ajustar as punições e cujos efeitos adaptar. Colocar novos princípios para regularizar, afinar, universalizar a arte de castigar. Homogeneizar seu exercício. Diminuir seu custo econômico e político aumentando sua eficácia e multiplicando seus circuitos. Em resumo, constituir uma nova economia e uma nova tecnologia do poder de punir; tais são sem dúvida as razões de ser essenciais da reforma penal no século XVIII. No nível dos princípios, essa nova estratégia é facilmente formulada na teoria geral do contrato. O castigo penal é então uma função generalizada, coextensiva ao corpo social e a cada um de seus elementos. Coloca-se então o problema da “medida” e da economia do poder de punir. Constitui-se assim um formidável direito de punir, pois o infrator se torna o inimigo comum. Até mesmo pior que um inimigo, é um traidor, pois ele desfere seus golpes dentro da sociedade civil ligada ao trabalho.    

Claudio Noce nasceu em Roma em 1975. É diretor e escritor italiano. Seu trabalho começa no final dos anos 1990, quando começa a produzir seus primeiros curtas-metragens e documentários e mantém colaborações com vários artistas italianos e empresas de publicidade. A descoberta de Noce na cinematografia italiana chega em 2005, quando ganha o prestigioso prêmio italiano “David di Donatello” e a “Fita de Prata” do Sindicato Nacional de Jornalistas de Cinema da Itália com seu curta-metragem Aria. Apresentado no Festival de Cinema de Veneza, “Aria” também ganha o European Film Award. A esta estreia de sucesso segue-se o premiado curta-metragem “Adil e Yussuf” (2007), selecionado no Festival de Veneza e também nomeado para o “David di Donatello”. O documentário “Aman et al” (2006), apresentado no Torino Film Festival, revela-se o primeiro passo para a produção do primeiro longa-metragem aclamado pela crítica de Claudio Noce, estrelado por Valerio Mastrandrea, “Good Morning Aman” (2009), seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de Veneza 2009, onde foi exibido como parte da programação da Semana da Crítica. Com “Good Morning Aman” Claudio Noce também recebe nomeações para o “David di Donatello”, a Fita de Prata, e ganha o prêmio FICE - Federação Italiana do Cinema d`Essai para “Direção Revelação”. A Floresta de Gelo, é um filme estrelado por Emir Kusturica, Ksenia Rappoport, Andriano Giannini e Domenico Diele, representa o segundo longa-metragem de direção de Noce.

            Apesar dos modelos preverem a ocorrência de uma fusão significativa do manto de gelo da Groenlândia com uma subida das temperaturas de Verão no Ártico da ordem dos 3 a 5 °C, a maioria dos modelos prevê que os mantos de gelo antárticos permaneçam mais estáveis. Contudo, os dados históricos mostram que da última vez que a Groenlândia esteve tão quente, a subida do nível do mar produzida pela fusão do seu manto de gelo desestabilizou o gelo antártico. Isto significa que os modelos de subida do nível do mar utilizados para prever um aumento de até 1 metro em 2100 podem ter subestimado significativamente a sua verdadeira magnitude, a qual poderia ser tão grande como 6 metros. Esta conclusão emergiu de um estudo que utilizou dados de antigos recifes de coral, testemunhos de gelo e outros registos naturais para reconstruir o clima durante o último período interglaciar (há 129 000 a 116 000 anos). Os cientistas utilizaram modelos computacionais para demonstrar que a água produzida pela fusão do manto de gelo da Groenlândia provocou uma subida do nível do mar de aproximadamente 3,5 metros, mas os registos dos corais demonstraram que a subida total se situou entre os 4 metros e os 6 metros. A explicação mais provável é a fusão dos mantos de gelo antárticos: enquanto o nível do mar subia, a probabilidade das plataformas de gelo ao largo da costa do continente se partirem aumentou. Esta quebra teria permitido aos glaciares aumentarem a quantidade de gelo descarregada no mar a partir do interior do próprio continente.

            O peso do gelo antártico é tão grande que afundou literalmente a Antártica 1 km na crusta terrestre. Sob as forças maciças do seu próprio peso, os mantos de gelo deformam-se e movimentam-se em direção ao seu exterior. O gelo interior flui lentamente sobre uma base rochosa rugosa. Desde o interior o gelo é canalizado para correntes de gelo, que levam o gelo do centro do continente em direção ao mar. Estas correntes encontram-se separadas umas das outras por cristas de gelo que flui mais lentamente. Estas cristas encontram-se congeladas até à base enquanto que nas correntes de gelo a base consiste de argilas saturadas de água. As argilas foram depositadas antes do manto de gelo ocupar a região, numa altura em que grande parte da Antártida Ocidental se encontrava sob as águas do mar. Quando as correntes de gelo atingem a costa e se estendem pelo oceano adentro, elas passam sobre terrenos rochosos irregulares, os quais servem de âncora. O gelo continuará a expandir-se em direção ao mar. O resultado tem como consequência uma grande plataforma de gelo flutuante presa ao continente.

            Entre os anos 2012 e 2016, a represa Vieux Emosson foi elevada em cerca de 20 metros para aumentar a capacidade do lago, e assim armazenar mais energia, continua a explicação. – “No futuro, teremos que armazenar grandes quantidades de eletricidade. Pois vamos substituir cada vez mais as energias nucleares e fósseis por energias renováveis”, diz ele. O engenheiro aponta que a energia solar e eólica são fontes inconstantes, que não produzem necessariamente eletricidade quando precisamos dela. Por isso é importante ter tais sistemas em funcionamento, para armazenar energia e manter a rede estável. A partir da represa de Vieux Emosson entramos na montanha, através de um portal metálico na rocha. O diretor da Nant de Drance quer nos levar ao coração da usina: a sala de máquinas. Ao percorrermos um dos túneis, o engenheiro Alain Sauthier nos lembra “os desafios logísticos e técnicos de um dos maiores projetos de infraestrutura da Suíça desde a virada do milênio”. Um total de 18 km de túneis foram cavados nos Alpes do Valais. Centenas de caminhões passaram pelo túnel trazendo tudo, desde escritórios containers pré-fabricados até válvulas de esfera com peso superior a 100 toneladas. Na época mais agitada, havia 500 trabalhadores na montanha. – “No subterrâneo, o maior perigo vem do fogo e especialmente da fumaça. Este é um dos maiores sucessos do projeto: desde que os trabalhos começaram há doze anos, não houve acidentes fatais ou graves”, diz Sauthier com regozijo.

            A utilização da força de trabalho é o próprio trabalho. De acordo com Marx (2013: 255 e ss.) o comprador da força de trabalho a consome fazendo com que seu vendedor trabalhe. Desse modo, este último se torna actu aquilo que antes ela era apenas potentia, a saber, força de trabalho em ação, trabalhador. Para incorporar seu trabalho em mercadorias, ele tem de incorporá-lo, antes de mais nada, em valores de uso, isto é, em coisas que sirvam à satisfação de necessidades de algum tipo. Assim, o que o capitalista faz o trabalhador produzir é um valor de uso particular, um artigo determinado. A produção de valores de uso ou de bens não sofre nenhuma alteração em sua natureza pelo fato de ocorrer para o capitalista e sob seu controle, razão pela qual devemos, de início, considerar o processo de trabalho independentemente de qualquer forma social determinada. O trabalho é, antes de tudo, um processo entre o home e a natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla seu metabolismo com a natureza. Agindo sobre a natureza externa e modificando-a por meio desse movimento, ele modifica sua própria natureza humana. Ele desenvolve as potências que nela jazem latentes e submete o jogo de suas forças a seu próprio domínio.

           Não se trata, aqui, das primeiras formas instintivas, animalescas do trabalho. Um incomensurável intervalo de tempo separa o estágio em que o trabalhador se apresenta no mercado como vendedor de sua própria força de trabalho humano ainda não se desvencilhou de sua forma instintiva. O trabalho está sendo pressuposto numa forma em que ele diz respeito unicamente ao homem. No final do processo de trabalho, chega-se a um resultado que já estava presente na representação do trabalhador no início do processo, portanto, um resultado que já existia idealmente. Além do esforço dos órgãos que trabalham, a atividade labora exige a vontade orientada a um fim, que se manifesta como atenção do trabalhador durante a realização de sua tarefa, e isso tato mais quanto menos esse trabalho, pelo seu próprio conteúdo e pelo seu modo de execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos este último usufrui dele como jogo de suas próprias forças físicas e mentais. Os momentos simples do processo de trabalho são, em primeiro lugar, a atividade orientada a um fim, ou o trabalho propriamente dito; em segundo lugar, seu objeto e, em terceiro lugar, seus meios. Quando, ao contrário, o próprio objeto do trabalho já é, por assim dizer, filtrado por um trabalho anterior, então Marx o denomina de matéria-prima, como o minério já extraído da mina e que agora será lavado.  Toda matéria-prima é objeto do trabalho, mas nem todo objeto de trabalho é matéria-prima. O Objeto de trabalho só é matéria-prima quando já sofreu uma modificação mediada pelo trabalho.

            O meio de trabalho é uma coisa ou um complexo de coisas que o trabalhador interpõe entre si e o objeto do trabalho e que lhe serve de guia de sua atividade sobre esse objeto. Ele utiliza as propriedades mecânicas, físicas e químicas das coisas para fazê-las atuar sobre outras coisas, de acordo com o seu propósito. O objeto de que o trabalhador se apodera imediatamente – desconsiderando-se os meios de subsistência encontrados prontos na natureza, como as frutas, por exemplo, em cuja coleta seus órgãos corporais servem como únicos meios de trabalho – é não o objeto de trabalho, mas o meio de trabalho. É assim que o próprio elemento natural se converte em órgão de sua atividade, um órgão que el acrescenta a seus próprios órgãos corporais, prolongando sua forma natural, apesar daquilo que diz a Bíblia. Do mesmo modo como a terra é seu armazém original de meios de subsistência, ela é também seu arsenal originário de meios de trabalho. Ela lhe fornece, por exemplo, a pedra, para que ele arremesse, ou a use para moer, comprimir, cortar etc. a própria terra é um meio de trabalho, mas pressupõe, para servir como tal na agricultura, toda uma série de outros meios de trabalho e um grau relativamente alto de desenvolvimento da força de trabalho. Mal o processo de trabalho começa a se desenvolver e ele já necessita de meios de trabalho elaborados.

O uso e a criação de meios de trabalho, embora já existam em germe em certas espécies de animais, é uma característica específica dos processos de trabalho humano, razão pela qual Franklin define o homem como “a toolmaking animal”, um anima que faz as ferramentas. O que diferencia as épocas econômicas, afirma Marx, não é “o que” é produzido, mas “como”, “com que meios de trabalho”. Estes não apenas fornecem uma medida do grau de desenvolvimento da força de trabalho, mas também indicam as condições sociais nas quais se trabalha. Entre os próprios meios de trabalho, os de natureza mecânica, que formam o que podemos chamar de “sistema de ossos e músculos da produção”, oferecem características muito mais decisivas de uma época de produção do que aqueles meios de trabalho que servem apenas de recipientes do objeto de trabalho e que podemos agrupar sob o nome de sistema vascular da produção, como tubos, barris, cestos, jarros, etc. apenas na fabricação química tais instrumentos passam a desempenhar   um papel importante. Num sentido mais amplo, o processo de trabalho inclui entre seus meios, coisas que mediam o efeito do trabalhado sobre seu objeto e, servem de um modo ou de outro como condutores da atividade, também todas as condições objetivas que são necessárias à realização do processo.

Enfim, no processo de trabalho, portanto, a atividade do homem, com ajuda dos meios de trabalho, opera uma transformação do objeto do trabalho segundo uma finalidade concebida desde o início. O processo se extingue no produto. O que desde o início distingue o pior arquiteto da melhor abelha é o fato de que o primeiro tem a colmeia em sua mente ante de construí-la com a cera.  Seu produto é um valor de uso, um material natural adaptado às necessidades humanas por meio da modificação de sua forma. O trabalho se incorporou a seu objeto. O que do lado do trabalhador aparecia sob a forma de movimento, agora se manifesta, do lado do produto, como qualidade imóvel, na forma do ser. Ele fiou, e o produto é um fio. Quando um valor de uso resulta do processo de trabalho como produto, nele estão incorporados, como meios de produção, outros valores de uso, produtos de processo de trabalho anteriores. O mesmo valor de uso que é produto desse trabalho constitui o meio de produção de um trabalho ulterior, de modo que os produtos são não apenas resultado, mas também condição do processo de trabalho.

A Itália também é um paraíso absoluto na neve, especialmente nas províncias do norte, onde estão localizados os Alpes e Dolomitas. Altas cordilheiras, paredes rochosas e imensas florestas cobertas de neve. As Dolomitas são uma cordilheira nos Alpes da Itália, consideradas Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura uma agência especializada das Nações Unidas (ONU) com sede em Paris, fundada em 16 de novembro de 1945, com o objetivo de contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, ciências naturais, ciências sociais/humanas e comunicações/informação. As atividades culturais procuram a salvaguarda do patrimônio cultural o estímulo da criação e a criatividade e a preservação das entidades culturais e tradições orais, assim como a promoção dos livros e a leitura. Em matéria de informação promove a  circulação de ideias por meios audiovisuais, a liberdade de imprensa e a independência, o pluralismo e a diversidade dos meios, através do Programa Internacional para a Promoção da Comunicação.

            Glaciação é o conceito dado ao “período de resfriamento da Terra, em que densas camadas de gelo recobrem pequenas ou grandes porções de terras emersas e congelam os oceanos em determinadas regiões”. Esse fenômeno, quando se manifesta, costuma agir mais intensamente nas faixas de latitude mais elevada próximas aos polos terrestres, de forma que apenas as glaciações mais intensas chegam próximas à Linha do Equador. De acordo com algumas definições, estamos atualmente vivendo uma era Glacial, afinal, 10% do planeta encontra-se debaixo de gelo, e o seu período mais frio, já ocorreu há alguns milhares de anos. Em outra concepção, nós não mais estamos vivendo uma era glacial, e sim um período interglacial. Mas algo é certo: uma nova glaciação aproxima-se, com um início estimado para daqui dois mil anos. Há, inclusive, uma equipe de cientistas russos que afirma que essa nova era já teve início na década atual.  A última era glacial ocorreu há cerca de 2,5 milhões de anos, durante o início do período quaternário, que é o período contemporâneo da Terra segundo a periodização do planeta em Eras geológicas. O degelo e o descenso possibilitaram a expansão das atividades da sobrevivência humanas e inauguraram o Holoceno, época histórica geológica iniciada há 10 mil anos como foi bem demonstrada no estudo etnológico clássico de Antropologia das Civilizações por Darcy Ribeiro.  

Quais são as causas da Glaciação? O número de glaciações que já ocorreram no passado geológico depende da definição do que representa uma glaciação. Contudo é mais comum que se diga que o planeta tenha passado por seis grandes Eras do Gelo. Não há uma prova empírica definitivamente estabelecida pela ciência sobre as causas nomotéticas da glaciação. Mas é possível que elas ocorram comparativamente por um conjunto de fatores climáticos, e não por um único fenômeno. A teoria mais aceita atualmente, elaborada em 1920 pelo matemático sérvio Milutin Milankovitch (1879-1958), afirma que as eras geológicas são motivadas pelas variações nas taxas de radiação solar, uma vez que é essa a principal fonte de calor da Terra, responsável por mais de 90% da energia processada pelo planeta. Para ele, há três principais fatores definidores para a variação da radiação solar, a saber: a) Deslocamento do periélio: a órbita do movimento de translação terrestre nem sempre é a mesma. À medida que ela se altera, o periélio, o período da translação em que a Terra se encontra mais próxima do sol também se desloca, provocando cíclicas aproximações e distanciamentos do planeta em relação ao seu astro principal; b) Inclinação do eixo de rotação: como sabemos, a Terra não está “em pé”, mas com o seu eixo de rotação levemente inclinado. Essa inclinação, segundo alguns apontamentos, varia de 21º8' a 24º4', modificando o ângulo de incidência dos raios solares. Em suma, quanto mais inclinada a Terra está, menor a intensidade proporcional de radiação e calor sobre ela; c) Precessão dos equinócios ou movimento precessional: um dos vários movimentos realizados é a precessão, na qual o planeta gira como se fosse um peão desequilibrado e demora 25.770 anos para se completar. Suas variações também interferem na posição do mundo em relação ao sol alterando o nível de recebimento de calor.

A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies de seres vivos, incluindo os seres humanos, a Terra é o único corpo celeste onde é reconhecida a existência de vida. O planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos, e a vida surgiu na sua superfície depois de um bilhão de anos. Desde então, a biosfera terrestre alterou de forma significativa a atmosfera e fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, como a formação da camada de ozônio, que em conjunto com seu campo magnético, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta. A sua superfície exterior é dividida em segmentos rígidos, chamados placas tectônicas, que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Aproximadamente 71% da superfície é coberta por oceanos de água salgada, com o restante consistindo de continentes e ilhas, contendo lagos e corpos de água que contribuem para a hidrosfera. Os polos geográficos da Terra encontram-se majoritariamente cobertos por mantos de gelo ou por banquisas. Uma bomba-relógio é a designação sociológica comum de um artefato denominado bomba que é acionada para detonação através de um período de tempo, geralmente calculado por um relógio. A utilização dessa técnica, permite que o artefato seja abandonado ou alojado em um local, sem a presença humana. Possui diversos propósitos, como fraude em seguros, terrorismo, assassinato e como arma de guerra. A palavra também é usada metaforicamente. - Esse problema é uma bomba-relógio significa algo que algo deve ser feito para sua realização, antes que exploda.

O interior da Terra permanece ativo e relativamente sólido, um núcleo externo líquido que gera um campo magnético, e um núcleo interno sólido, composto, sobretudo por ferro. A Terra interage com outros objetos em movimento no espaço, em particular com o Sol e a Lua. A Terra orbita o Sol uma vez por cada 366,26 rotações sobre o seu próprio eixo, o que equivale a 365,26 dias solares ou representa um (01) ano sideral. O eixo de rotação da Terra possui uma inclinação de 23,4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital, reproduzindo variações sazonais na superfície do planeta, com período igual a um ano tropical, ou, 365,24 dias solares. A Lua é o único satélite natural cientificamente reconhecido da Terra. O atual modelo consensual para a formação da Lua é a “hipótese do grande impacto”. É uma hipótese astronômica que postula a formação da Lua através do impacto de um planeta com aproximadamente o tamanho de Marte, reconhecido como Theia, com a Terra. Ela é responsável pelas marés, estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda gradualmente a rotação do planeta. A relação simbiótica Lua com nosso planeta, salvo engano, pode ter afetado dramaticamente a vida ao moderar o clima do planeta. Evidências paleontológicas e simulações de computador demonstram que a inclinação axial do planeta é estabilizada pelas interações cíclicas de maré com a Lua.

O astrofísico sérvio Milutin Milankovitch (1879-1958) é reconhecido por desenvolver uma das teorias mais significativas relacionadas aos movimentos da Terra e as mudanças climáticas a longo prazo. Nascido em 1879 na aldeia rural de Dalj, então parte do Império Austro-Húngaro, hoje localizado na Croácia, Milankovitch frequentou o Instituto de Tecnologia de Viena e graduou-se em 1904 com um doutorado em ciências técnicas. No início de 1905, Milankovic assumiu um trabalho prático e juntou-se à então famosa firma Adolf Baron Pittel Betonbau-Unternehmung em Viena. Ele construiu barragens, pontes, viadutos, aquedutos e outras estruturas em concreto armado em toda a Áustria-Hungria da época. Milankovic continuou a praticar engenharia civil em Viena até o outono de 1909. Depois deste breve período como engenheiro-chefe, lhe foi oferecida a cadeira de matemática aplicada (mecânica racional, mecânica celeste, física teórica) em Belgrado - uma posição que ele manteve para o resto de sua vida.                    

Em 1912, seus interesses voltaram-se para climas solares e temperaturas prevalecentes nos planetas. Dedicou seu tempo ao trabalho neste campo e, ao final da primeira guerra mundial, terminou uma monografia sobre o problema que foi publicado em 1920, nas edições da Academia Iugoslava de Ciências e Artes por Gauthiers-Villards em Paris, sob o título: Théorie Mathématique des Phénomènes Thermiques Produits par la Radiation Solaire. Os resultados apresentados neste trabalho lhe renderam uma reputação considerável no mundo científico. Notadamente sua curva de insolação na superfície da Terra. Porém, esta curva solar não foi totalmente aceita até 1924, quando o grande meteorologista e climatologista Vladimir Köppen (1846-1940) com seu genro Alfred Wegener (1880-1930), introduziu a curva em seu trabalho: Klimate der geologischen Vorzeit. Após estas primeiras homenagens, Milankovic foi convidado, em 1927, a cooperar em duas publicações importantes: a primeira foi um manual sobre climatologia (Handbuch der Klimatologie) e o segundo, um manual sobre geofísica (Guttenberg`s Handbuch der Geophysik) . Para o primeiro, ele escreveu a introdução Mathematische Klimalehre und Astronomische Theorie der Klimaschwankungen (Matemática Ciência do Clima e Teoria Astronômica das Variações do Clima), publicado em 1930 em alemão, e em 1939 traduzido para o russo. Aqui a chamada Teoria do Clima Planetário é desenvolvida com mais profundidade em especial à Terra.

Para o segundo livro, Milankovic escreveu quatro seções desenvolvendo e formulando sua teoria do movimento secular dos polos da Terra e sua teoria dos períodos glaciais. Consciente de que sua teoria da radiação solar havia sido concluída com êxito e de que os artigos que tratavam dessa teoria estavam dispersos em publicações separadas, decidiu coletá-los e publicá-los sob uma única capa. Assim, em 1941, na véspera da guerra em seu país, foi completada a impressão de sua grande obra Kanon der Erdbestrahlung und seine Anwendung auf Eiszeitenproblem (“Cânone de Insolação da Terra e sua Aplicação ao Problema da Idade do Gelo”) 626 páginas em quarto, em Cemian, publicado nas edições da Real Academia Sérvia. Este trabalho foi traduzido para o inglês sob o título Canon de Insolação do Problema da Idade do Gelo, em 1969 pelo Programa Israel para Traduções Científicas e publicado para o Departamento de Comércio dos Estados Unidos e a National Science Foundation, Washington, D.C. As objeções foram levantadas nos anos 1950 de encontro à teoria de Milankovic das idades do gelo. Essas objeções vieram principalmente de meteorologistas que alegaram que as mudanças de insolação devido às mudanças nos elementos orbitais da Terra eram muito pequenas para perturbar significativamente o sistema climático. 

No entanto, no final dos anos 1960 e 1970, a investigação dos sedimentos em águas profundas e os trabalhos teóricos em mecânica celeste e modelagem climática demonstraram que a interpretação abstrata de Milankovic era correta e que as mudanças astronômicas induzidas na insolação, recebidas pela Terra a partir da relação através do Sol, são a principal causa para “o enceramento e decrescimento das folhas de gelo do Quaternário”. Agora reconhecida como a Teoria Milankovitch, afirma que, à medida que a Terra viaja pelo espaço em torno do Sol, as variações cíclicas em três elementos da geometria Terra-Sol se combinam para produzir variações na quantidade de energia solar que atinge a Terra: Variações na excentricidade orbital da Terra - a forma da órbita em torno do sol; Mudanças na obliquidade - mudanças no ângulo que o eixo da Terra faz com o plano da órbita da Terra; Precessão - a mudança na direção do eixo de rotação da Terra, isto é, o eixo de rotação se comporta como o eixo de rotação de um topo que está enrolando para baixo; Daí traça um círculo sobre a esfera celestial durante um período de tempo. Juntos, os períodos desses movimentos orbitais tornaram-se conhecidos como ciclos de Milankovitch. Atualmente, Milankovic tornou-se celebridade, e assim é bastante estudado por cientistas da área climatológica, principalmente por geólogos, geógrafos, climatólogos, biólogos ou outros cientistas ligados à questão do desenvolvimento relativo à área de Ambiente.

Se a teoria de Milankovitch estiver correta, seria necessário que os três fatores ocorressem ao mesmo tempo para que houvesse uma glaciação, haja vista que a não ocorrência de apenas um deles já propicia um relativo aquecimento da Terra. Se a Terra está entrando em uma glaciação, o chamado aquecimento global é uma farsa? Alguns estudos afirmam que, em média, a cada 100 mil anos com temperaturas muito baixas, há 10 mil anos de temperaturas mais quentes. Assim, nós já teríamos vivido 8 mil desses últimos tempos de calor, o que intensifica as previsões de uma glaciação próxima. No entanto, isso não necessariamente desmente o “aquecimento global”, que também é uma teoria. Isso se deve às diferentes escalas de tempo dessas duas perspectivas: enquanto as glaciações envolvem um tempo maior, de milhares de anos, o aquecimento global, se quisermos leva-lo à sério, caso realmente esteja ocorrendo, refere-se ao aumento das temperaturas em um período mais curto, representado por centenas de anos. Portanto, as teorias glaciais, em temos gerais, não desmentem e muito menos comprovam o aquecimento global. A única relação é com a perspectiva científica que afirma que esse aquecimento serial natural e não antrópico, pois como estamos em uma fase “quente” do planeta, a tendência seria realmente a de elevação das temperaturas. Mas essa afirmação também não está totalmente comprovada e existem, naturalmente, discordâncias.

            Neste sentido, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam um apelo universal da Organização das Nações Unidas à ação para “acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que todas as pessoas tenham paz e prosperidade”. Os 17 Objetivos de nasceram na Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável no Rio de janeiro em 2012.  O objetivo foi produzir um conjunto de objetivos que suprisse os desafios ambientais, políticos e econômicos mais urgentes que nosso mundo enfrenta. A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um mesmo tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida em que se distingue e, da sociedade que resulta de sua união. Esta divisão do trabalho social dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarretam   medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada ao mais alto ponto de clareza.

           Se a Fenomenologia representa o itinerário da alma que se eleva ao espírito por meio da consciência, fora de dúvida a ideia de semelhante itinerário foi sugerida a Hegel pari passu com a convergência entre as obras literárias, como também aquelas que nos parecem referidas como novelas de cultura tendo em vista a leitura feita sobre o Emílio, de J.-J. Rousseau e que nela encontrava uma primeira história da consciência natural elevando-se por si mesma a liberdade, através das experiências que lhe são próprias e que são particularmente formadoras. Se me permitem uma digressão, na Lettre à d`Alembert, Rousseau, além de ignorar a distinção metodológica entre o “possível e o real”, também fornece uma teoria explícita dos limites da perfectibilidade do teatro. Assim, Rousseau inova, quando recorta do ponto de vista heurístico a ideia social de gênero de todo fundamento ideal-transcendente, deixando-a à deriva no elemento móvel no âmbito da historicidade. O campo do possível é constituído na história: cada forma de sociabilidade, cada estilo de linguagem, escolhe, por assim dizer, os seus móveis possíveis; a cada abertura, esboçada por uma linguagem particular, corresponde um fechamento que lhe é indissociável. O gênio nada pode contra as regras que secreta cada estrutura histórica.

            Um objeto num quadro é um volume organizado e colorido de tal sorte que sua forma se reconhece logo e que não é necessário nomeá-lo, mas no objeto, a massa necessária é reabsorvida, o nome inútil é despedido; Magritte elide o objeto e deixa o nome imediatamente superposto à massa. O fuso substancial do objeto não e mais representado senão por seus dois pontos extremos, a massa que faz sombra e o nome que designa. L`Alphabet des révélations se opõe muito exatamente ao Personagem caminhando em direção do horizonte: para Foucault, um grande quadro de madeira dividido em dois painéis, à direitas, formas simples, perfeitamente reconhecíveis, um cachimbo , uma chave, uma folha, um copo; ora, embaixo do painel, a figuração de um rasgo mostra que essas formas não são nada além de recortes numa folha de papel sem espessura; sobre o outro painel, uma espécie de barbante torcido e inextricável não desenha nenhuma forma reconhecível. Sem massa, sem nome, forma e volume, recorte vazio, tal é o objeto, entenda-se, que havia desaparecido do quadro precedente.

            É preciso não se enganar: num espaço em que cada elemento parece obedecer ao único princípio de representação plástica e da semelhança, os sinais linguísticos, que pareciam excluídos, que rondavam de longe à volta da imagem, e que o arbitrário do título parecia ter afastado para sempre, se aproximaram sub-repticiamente: introduziram na solidez da imagem, uma desordem – uma ordem que só lhes pertence. Fizeram fugir o objeto, que revela a finura de sua película. Parece, grosso modo, que Magritte dissociou a semelhança da similitude e joga esta contra aquela. A semelhança tem um padrão impreciso, mas que funciona como elemento original que ordena e hierarquiza a partir de si todas as cópias, cada vez mais fracas, que podem ser tiradas. Assemelhar significa uma referência primeira que prescreve e classifica. Além disso, o similar se desenvolve em séries que não tem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não obedecem a hierarquia, como num colegiado universitário, mas se propagam sob a forma de pequenas diferenças em inúteis pequenas diferenças.

           A semelhança serve à representação, que reina sobre ela; a similitude serve à repetição, que corre através dela. A semelhança se ordena segundo o modelo que está encarregada de acompanhar e de fazer reconhecer; a similitude faz circular o simulacro como relação indefinida e reversível do simular ao simular. Na Décalcomanie (1966), uma cortina vermelha de largas dobras que ocupa dois terços do quadro subtrai ao olhar uma paisagem do céu, do mar e de areia. Ao lado da cortina, dando como de costume, as costas ao espectador, o homem com chapéu-coco olha para o perigo. A cortina se encontra recortada com uma forma que é exatamente a do homem: como se fosse ele próprio um pedaço de cortina cortado com a tesoura. Nessa larga abertura, vê-se a praia. O que se deve compreender? É o homem destacado da cortina e, ao se deslocar permite ver o que ele provavelmente estava olhando quando se misturava com a dobra da cortina? Decalcomania? Deslocamento e mudança de elementos similares, mas de modo algum a reprodução semelhante: “corpo=cortina”, diz representação semelhante.

A semelhança comporta uma única asserção, sempre a mesma. A similitude as afirmações diferentes, que dançam juntas, apoiando-se e caindo umas em cima das outras. Expulsa do espaço do quadro, excluída da relação entre as coisas que reenviam uma à outa, a semelhança desaparece. Mas não era para reinar em outro lugar, onde estaria liberta do jogo indefinido da similitude. Não cabe à semelhança ser a soberania que faz surgir. A semelhança, que não é uma propriedade das coisas, não é própria ao pensamento? - “Só ao pensamento”, diz Magritte, “é dado ser semelhante; ele assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece; torna-se o que o mundo oferece”. O pensamento assemelha sem similitude, tornando-se ele próprio essas coisas cuja similitude entre si exclui a semelhança. A pintura é esse ponto onde está na vertical um pensamento que está sob o modo da semelhança e das coisas que estão nas relações de similitude. Isto não é um cachimbo é suficiente para a questão: quem fala a enunciação? Ou antes, de fazer falar, os elementos dispostos, seja deles mesmo: - “Isto não é um cachimbo”. Ela inaugura um jogo de transferências que correm, proliferam, se propagam, se respondem, no plano do quadro sem nada afirmar, nem representar nesses jogos da similitude.

Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar. Nem em que sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. Há apenas motivos para crer, que, em nossas sociedades, essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes da vida social, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais corre a princípio só e sem rival.

Esses 17 objetivos, construídos sobre os sucessos de desenvolvimento do Milênio, também incluem novas áreas tais como a mudança climática, desigualdade econômica, inovação, consumo sustentável, paz e justiça, entre outras prioridades.  Os objetivos são interligados – muitas vezes a chave para o sucesso de um envolverá a abordar questões mais comumente associadas ao outro. Esquematicamente se apresentam da seguinte forma: 1. Erradicação da pobreza - Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. 2.  Fome zero e agricultura sustentável - Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. 3. Saúde e bem-estar - Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. 4. Educação de qualidade - Assegurar a educação inclusiva, e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. 5. Igualdade de gênero - Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. 6. Água limpa e saneamento - Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. 7. Energia limpa e acessível - Garantir acesso à energia como consumo, confiável, sustentável e renovável para todos.

8. Trabalho decente e crescimento econômico - Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos. 9. Inovação infraestrutura - Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva e sustentável, e fomentar a inovação. 10. Redução das desigualdades - Reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles. 11. Cidades e comunidades sustentáveis - Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. 12. Consumo e produção responsáveis - Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. 13. Ação contra a mudança global do clima - Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos. 14. Vida na água - Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares, e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 15. Vida terrestre - Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da Terra e deter a perda da biodiversidade. 16. Paz, justiça e instituições eficazes - Promover sociedades pacíficas e inclusivas par ao desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. 17. Parcerias e meios de implementação - Fortalecer os meios sociais e políticos de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Os objetivos da Convenção Alpina significam um verdadeiro desafio, tanto no plano político como de âmbito social, pois é frequentemente muito difícil encontrar um compromisso entre interesses econômicos e ecológicos. No entanto, o problema principal da Suíça Federal residia nas negociações para a Convenção Alpina dentro do próprio país. No início das negociações, os cantões montanhosos rejeitaram a Convenção e os projetos de protocolo, tendo como argumento que acentuavam “demasiado o aspecto de proteção” e poderiam pôr em risco a base da sua existência. Para contrariar a ameaça de um plebiscito (Referendo) iminente, o Governo Suíço colaborou com os cantões e esforçou-se por integrar os seus objetivos nos diferentes protocolos (sobre uso dos terrenos, proteção da natureza, florestas das montanhas, turismo, proteção do solo, energia, transporte e eliminação de conflitos). Graças à colaboração dos cantões, a Convenção Alpina tornou-se finalmente em um acordo que observava de forma adequada tanto a proteção como o uso dos Alpes. A Convenção Quadro foi retificada em finais de 1998 pelos Estados Contratantes, entre elas também a Suíça, e entrou em vigor na Suíça em abril de 1999. Os Protocolos adicionais ainda não foram ratificados por parte da Suíça e da Itália e, parcialmente, União Europeia. A Convenção Alpina, com sede em Innsbruck e Bolzano (filial), com distância de 85,22 km e rota de condução de 120,66 km, é considerado o modelo para nações que compartilham regiões montanhescas. Recomenda-se às regiões e associações profissionais de interesses no trabalho científico de pesquisa seguir como exemplo a Convenção Alpina.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para desta forma poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.      

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim a consciência chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si, produzir-se, transformar-se. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. Ipso facto, o formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirmava Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como homem livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, entende-se que haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É  em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. 

Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento. Muitas vezes nascer rico ou pobre é ganhar anos de avanço em relação aos filhos de operários. Obviamente os partidos políticos burgueses podem escolher chefes mais jovens que os partidos proletários porque os quadros burgueses são formados mais facilmente, de início. Apesar dos sistemas de bolsas, a proporção de operários no curso de nível superior é menor que industriais, de comerciantes, de médicos, de advogados etc. Estatisticamente entre as duas guerras, na Inglaterra, 50% dos deputados conservadores saíam de universidades contra 42, 5% dos deputados liberais e somente 22% dos deputados trabalhistas; 96,5% dos deputados conservadores haviam cursado as escolas secundárias ou as chamadas public schools, em contraposição a 86,5% dos deputados liberais e somente 28% dos deputados trabalhistas.

 Essas cifras são eloquentes: ainda só dizem respeito aos parlamentares dos partidos, isto é, dos quadros superiores. Nos quadros subalternos, a proporção de mestres operários que tenham recebido instrução secundária ou universitária será muito mais fraca. Mesmo se considerássemos que o ensino secundário ou superior constitui uma formação política insuficiente, ele não deixa de dar uma cultura geral e uma técnica da análise dos fatos políticos e da sua exposição, ou seja, uma retórica, que são muito preciosas para a formação dos quadros de pensamento de um partido político. Por não tê-las adquirido em sua juventude, mito militantes operários são obrigados a aprendê-las mais tarde, o que lhes retarda o acesso aos postos de direção. No próprio âmbito dos partidos operários, os elementos burgueses têm, portanto, mais oportunidade de conduzir jovens a postos de direção. Apesar de tudo, não devemos esquecer que, pela sua própria definição, a massa dos partidos burgueses é composta de burgueses cuja grande parte se beneficiou de uma instrução secundária ou mesmo superior, o que gera concorrência assaz forte para as funções dirigentes. O rejuvenescimento está, ipso facto, longe de assegurado de forma satisfatória nas sociedades civis e políticas. O grau de centralização ou descentralização do partido político parece igualmente desempenhar importante papel social.

No início do século XIX, quase toda a população mundial vivia no campo e produzia alimentos, por sua teoria alimentar para o controle do aumento populacional, reconhecida como malthusianismo e na Suécia não era diferente. Isso quer dizer que a produção econômica de cada país e seu padrão de vida era determinada por sua capacidade de produzir alimentos. As condições naturais ao redor do polo norte não são particularmente favoráveis para atividades agropecuárias, mormente Suécia, Noruega e Finlândia estavam entre os países europeus de fato mais pobres historicamente. Apesar disso, a Suécia vinha de uma revolução pró-mercado na agricultura que seria importante para o rápido crescimento que viria mais adiante. Nos anos entre 1790 e 1815, o governo transferiu a propriedade de grandes áreas rurais para fazendeiros, estimulando o livre mercado na produção e comercialização de produtos do setor primário. Isso criou no país um ambiente onde o mecanismo de preços de mercado direcionava as ações dos agentes. Outras características fundamentais foram os investimentos que fizeram em canais e estradas e o surgimento de companhias de comércio e de sociedades de crédito para financiar capital.

Por fim, a Suécia foi o primeiro país do mundo ocidental a ter escolas públicas e gratuitas, criando uma população alfabetizada e muito mais economicamente produtiva. Esse ambiente favorável causou um surto demográfico e de prosperidade que terminou de abrir as portas para a industrialização. Até mais ou menos meados do século XIX, microindústrias espalhadas pelas zonas rurais do país, principalmente de aço e madeira, desenvolveram-se em organizações maiores e especializadas, caracterizando uma primeira fase da revolução industrial. Nos anos 1850, parte das tarifas e barreiras as importações foram abolidas, e em 1873, o país adotou o padrão-ouro, uma paridade fixa entre sua moeda oficial e o ouro. As políticas econômicas desse período foram, portanto, quase todas liberais. Benefícios sociais, redistribuição de lucros, alta carga tributária, e todas as coisas que caracterizam o Estado do Bem-Estar Social não estiveram presentes até 1950. A Suécia era um país que tinha, para sua época, um mercado livre e, consequentemente, forte. E isso se reflete em sua taxa média de crescimento: Crescimento médio do Produto Interno Bruto per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região. 

O argumento mais forte de todos que debatem a questão da ciência é para refutar a hipótese de que o Estado do Bem-Estar Social trouxe qualidade de vida aos suecos: antes mesmo de serem adotadas as medidas que caracterizam essa linha de condução econômica, o sueco já dispunha poder de compra 1,68x o europeu e 3,21x o mundial. É senso comum que a causa não pode ocorrer cronologicamente depois do efeito, pois é possível que as políticas adotadas a partir de meados do século XX expliquem o alto padrão de vida dos suecos em 1950. Essa explicação vem, na verdade, das políticas conduzidas durante os mais de 100 anos anteriores ao pós-guerra. A diferença de taxas de crescimento pode parecer pouca, mas ao aplicá-las pelos 130 anos a que correspondem, o PIB per capita sueco aumentou mais de oito (8) vezes no período, enquanto que o europeu não aumentou nem 4. O PIB per capita dos países europeus em 1950, em dólares internacionais de 1990 e ajustado ao poder de compra. Com tamanha abundância de recursos, famílias suecas faziam caridade. De acordo com Per Bylund, foi determinante para que aceitasse que o Estado assumisse o papel de organizar e distribuir essas assistências.

Bibliografia geral consultada.

MAUSS, Marcel, Représentations Collectives et Diversité des Civilisations. Paris: Les Éditions de Minuit, 1969; ECO, Umberto, Apocalittici e Integrati. Milano: Bompiani Editore, 1964; Idem, A Estrutura Ausente. Introdução à Pesquisa Semiológica. 3ª edição. São Paulo: Editora Perspectiva, 1976; Idem, Interpretação e Superinterpretação. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1993; Idem, Os Limites da Interpretação. São Paulo: Editora Perspectiva, 1995; Idem,  Quase a Mesma Coisa: Experiência de Tradução. Rio de Janeiro; São Paulo: Record Editora, 2007; GUGLIELMI, Nilda, El Eco de la Rosa y Borges. Buenos Aires: Editorial Universitária, 1988; GEREMEK, Bronislaw, Marc Bloch, Historiador y Resistente. Santa Maria; Editora Biblos, 1990; OFFE, Claus, “Política Sociale, Solidarietà e Stato Nazionale”. In: FERRARA, Maurizio (org.), Stato Sociale e Mercato Mondiale. Torino: Fondazione Giovanni Agnelli, 1993; BLOCH, Marc, Apologie Pour l`Histoire ou Métier d`Historien. 2ª Editions. Paris: Editeur ‎ Colin, 1997; HEGEL, Georg, Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007; AMUNDSON, Jason, Iceberg Calving Dynamics of Jakobshavn Isbrae, Greenland. Tese de Doutorado em Geofísica. Estados Unidos: Universidade de Alaska Fairbanks, 2010; HAMMES, Daiane Flora, Análise e Interpretação Ambiental da Química Iônica de um Testemunho do Manto de Gelo da Antártica Ocidental. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geociências. Instituto de Geociências. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011; MARX, Karl, O Capital. Crítica da Economia Política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; GENOVESE, Luiz Gonzaga Roversi, “Educação Ambiental na Escola: Uma Prática Indispensável para Conscientização Ecológica”. In: Revista de Educação, Ciências e Matemática. Vol.4 nº2 mai./ago 2014; OSÉS, Mariana Ladeira, “Nós, os Annales”: Marc Bloch, Lucien Febvre e a Produção da Revista dos Annales (1929-1944). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018; CABRAL, Deborah Garson, A Forja Narrativa em Umberto Eco: Uma Aventura em Busca da Experiência da Verdade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários. Faculdade de Ciências e Letras. Araraquara: Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, 2020; SEGRETI, Giulia, Buscas são retomadas após colapso de geleira nos Alpes italianos. In: cnnbrasil.com.br/04/07/2022entre outros.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Agiotagem & Dinheiro Social - A Biografia do Capital Financeiro.

 A maneira como os bancos ganham dinheiro é tão simples que é repugnanteJohn Kenneth Galbraith

A “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”, em latim: Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici, reconhecida como Cavaleiros Templários, Ordem do Templo ou simplesmente “Templários”, foi uma ordem militar de Cavalaria. A organização existiu por cerca de dois séculos na Idade Média, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, “com o propósito original de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista”. Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade para se tornarem monges, usavam manta branca, com a característica Cruz Vermelha, e o seu símbolo passou a ter como representação um cavalo montado por dois cavaleiros. É o local que se estabeleceu o monte do Templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão, e se ergue a Mesquita de Al-Aqsa e do voto de pobreza e da fé em Cristo, os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Como os templários gozavam da imagem “naturalizada”, mas reconhecida de “heróis do cristianismo”, correta conduta ética, conseguiram a confiança de diversos reis e nobres que confiaram suas fortunas aos templários.

O banco templário ainda oferecia mais dois importantes serviços. O primeiro era o “empréstimo de ouro” que devia ser devolvido com juros “caso você quisesse manter a cabeça grudada no pescoço”. O segundo era uma “carta de crédito” para comerciantes e peregrinos. Essas pessoas podiam trocar seu dinheiro por uma carta de crédito nominal, feita com um código complexo e secreto que podia ser trocada pelo mesmo valor em dinheiro em qualquer posto templário por uma aparente pequena taxa de juros. Se você falsificasse a carta e tentasse lucrar com o dinheiro dos templários, sua pena seria a morte ou a mão decepada. Esse sistema econômico ocorreu de forma tão eficiente que a Ordem dos Templários pode ser considerada historicamente a primeira “organização social” de financeirização, multinacional e de sucesso do mundo ocidental. Com o florescimento do comércio no fim da Idade Média, a função de banqueiro se tornou algo muito comum na Europa. Nas feiras da Europa Central, quando as pessoas chegavam com valores em ouro para trocar por outro produto, era o banqueiro quem fazia a pesagem de moedas, avaliação da autenticidade e qualidade dos metais, “em troca de uma comissão”. Com o passar do tempo, os banqueiros passaram a aceitar depósitos monetários e, em troca, o banco emitia uma espécie de certificado. 

                          

Todavia, foi após a percepção de que nem sempre as pessoas retiravam tudo o que haviam depositado, melhor dizendo, sempre haveria dinheiro para circular, que surgiu a ideia de conceder empréstimos mediante o pagamento de juros. Esta foi a base para o enriquecimento dos banqueiros, que deixaram de ser simplesmente “cambistas” ou agiotas. Contudo, a cobrança de juros era algo de total desaprovação da Igreja, aspecto que explica o porquê da existência de muitos judeus no ramo bancário naquele período. John Kenneth Galbraith (1908-2006) foi um consagrado economista, filósofo, cientista político e escritor norte-americano. Politicamente alinhado ao liberalismo norte-americano, ou seja, a esquerda daquele país, e crítico mordaz dos conservadores, Galbraith foi autor de alguns dos best-sellers de economia e sociologia mais vendidos e lidos no mundo contemporâneo, tais como o seu ensaio: 1929: A Grande Crise, A Sociedade Afluente, O Novo Estado Industrial, Capitalismo Americano: O Conceito do Poder Compensatório, A Anatomia do Poder e Economia, Paz e Humor, nos quais direciona críticas intensas a seus pares economistas pela falta de rigor metodológico, oferece uma análise crítica da economia de mercado sem regulação estatal. 

Galbraith foi um Democrata bastante ativo, participando, como conselheiro, dos governos de John Kennedy, Lyndon Johnson e Bill Clinton e como vice-presidente da Comissão de Preços do governo de Franklin Delano Roosevelt.  As escolas keynesiana e institucionalista foram as duas tradições econômicas que mais influência exerceram sobre Galbraith, muito embora ele costumasse conceder importância a conservadores como o escocês Adam Smith e o comunista alemão Karl Marx, pela sua relevância histórica. Galbraith também foi presidente da American Economic Association, a principal agremiação de economistas nos EUA. O economista e cientista político morreu aos 97 anos, em 2006, mesmo ano em que faleceu Milton Friedman, um de seus mais reconhecidos adversários. Pensador de rara compreensão, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society, no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos da América. Em 1937 se tornou cidadão dos Estados Unidos, embora nessa época os Estados Unidos e o Canadá não aceitassem a dupla nacionalidade, mas foi homenageado pelo seu país nativo até o fim de sua vida, e suas origens canadenses foram frequentemente citadas. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) Galbraith pertenceu à administração pública, no cargo de vice-diretor do gabinete da administração de preços (deputy head of the Office of Price Administration). 

No final da guerra global capitalista foi-lhe pedido que executasse um inquérito sobre o bombardeamento estratégico aliado, que concluiu que ele não teve efeitos e não encurtou a guerra. Após a guerra tornou-se conselheiro da administração do pós-guerra na Alemanha e Japão. Em 1949 Galbraith foi nomeado professor de economia na Universidade de Harvard. Foi então também editor da revista Fortune. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia: A Life in Our Times: Memoirs. Galbraith era filho de canadenses de ascendência escocesa, William Archibald Galbraith e Sarah Catherine Kendall. Nasceu em Iona Station, Ontário, e cresceu em Dutton, Ontário. Seu pai era fazendeiro e professor de escola, e sua mãe era ativista política. Galbraith licenciou-se pelo Colégio de Agricultura do Ontário, depois Universidade de Guelph, tendo depois feito o mestrado e doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley. Foi amigo do presidente John F. Kennedy (1917-1963), por quem foi nomeado embaixador na Índia entre 1961 e 1963, onde teve um papel interessante no apoio econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento social do país. 

No país asiático, ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, Uttar Pradesh. Mercado de crédito é o nome dado ao sistema financeiro onde ocorre o processo de concessão e tomada de crédito. O mercado de crédito envolve uma dupla parte, uma credora e outra devedora, que normalmente estabelecem uma relação contratual entre si, podendo ser formal ou informal. Esta situação sugere que uma das partes, a credora conceda liquidez à outra, mediante um premio de liquidez ou de risco, comumente intitulado de juros. Nesta relação à parte credora oferece um bem a parte devedora, que na sociedade capitalista é a moeda fiduciária ou escritural. No sistema capitalista global os principais agentes de concessão de crédito são as instituições financeiras, embora existam vários outros agentes, como as empresas para seus clientes e as pessoas físicas para seus parentes e amigos. As instituições financeiras são os principais agentes estatuídos pelo seu poder político de arregimentar recursos, e pelo grau de especialização que alcançam no processo de emprestar e receber seus empréstimos.

 Cambista e sua mulher, Quentin Massys (1514).

Lembrava Marx que num debate parlamentar sobre os Bank-acts de Sir Robert Peel de 1844 e 1845, Gladstone observava que “nem mesmo o amor levou tantas pessoas à loucura como o cismar sobre a essência do dinheiro”. Ele falava de britânicos para britânicos. Os holandeses, ao contrário, que apesar da dúvida de Petty possuíam desde tempos imemoriais uma “malícia angelical” para a especulação com o dinheiro, nunca perderam sua malícia na especulação sobre o dinheiro. A principal dificuldade da análise sobe o dinheiro é vencida quando se compreende que o dinheiro tem a sua origem na própria mercadoria. Desse pressuposto, apenas resta conceber nitidamente as idades que lhe são próprias; o que é dificultado em certa medida pelo fato de que todas as relações burguesas aparecem transformadas em ouro ou prata, aparecendo como relações monetárias. E a forma dinheiro parece possuir, por conseguinte, um conteúdo infinitamente variado que lhe é estranho, mas o primeiro ato necessário desse processo consiste em que as mercadorias excluam uma mercadoria específica, o ouro, como encarnação imediata do tempo de trabalho geral, ou seja, como equivalente geral.

Porque todas as mercadorias medem seus valores de troca pelo ouro, na proporção em que determinada quantidade de ouro e determinada quantidade de mercadoria contêm a mesma quantidade de tempo de trabalho, o ouro se torna medida de valor, e só se torna equivalente geral (ou dinheiro), unicamente através dessa determinação como medida de valores, medida que como tal mede seu próprio valor de imediato por todo o conjunto de equivalentes-mercadorias. Por outro lado, o valor de troca de todas as mercadorias expressa-se em ouro. Deve-se distinguir nessa expressão: um momento qualitativo e outro quantitativo. Primeiro, o valor de troca da mercadoria existe como encarnação do mesmo tempo de trabalho uniforme; segundo, sua grandeza de valor se apresenta na mesma proporção em que as mercadorias são igualadas ao ouro também igualadas entre si. De um lado, aparece o caráter geral do tempo de trabalho contido nelas; de outro, sua quantidade expressa em seu equivalente ouro. O valor de troca das mercadorias assim expresso como equivalência geral e ao mesmo tempo como grau dessa equivalência em relação a uma mercadoria específica, ou expresso ainda numa só equação ligando as mercadorias a uma mercadoria específica é o preço.
Portanto, o preço é a forma transformada sob a qual aparece o valor de troca das mercadorias no interior do processo de circulação. Ipso facto, através do mesmo processo pelo qual as mercadorias apresentam seus valores em preços-ouro, apresentam também o outro como medida dos valores e, daí, como dinheiro. O ouro só se torna medida dos valores porque é por ele que todas as mercadorias avaliam seu valor de troca. Não é senão pura aparência do processo de circulação a impressão de que o dinheiro faz as mercadorias comensuráveis, pois a medida entre ouro e mercadoria é o tempo de trabalho, e o ouro só se torna medida dos valores pelo fato de que as mercadorias se meçam com ele. Ao contrário, não é senão a comensurabilidade das mercadorias como tempo de trabalho objetivado que permite ao ouro transformar-se em dinheiro. Ao entrar para o processo de troca, as mercadorias assumem a figura real de valores de uso. Somente través da sua alienação é que se tornam equivalente geral. A determinação de seu preço é a sua transformação ideal em equivalente geral, é equação com o ouro que ainda está por se realizar.
Mas como as mercadorias estão transformadas em ouro apenas idealmente, ou apenas em ouro representado, seu ser dinheiro não está ainda efetivamente separado de seu ser real, o ouro; por enquanto, está transformado apenas em dinheiro ideal, em medida dos valores, e, de fato, determinadas quantias  de ouro funcionam por enquanto apenas como nomes para determinadas quantias de tempo de trabalho. A determinidade formal em que o ouro se cristaliza como dinheiro depende em cada caso do modo determinado em que as mercadorias apresentam, umas as outras, seu próprio valor de troca. Nessa diferença entre valor de troca e preço, observa-se o seguinte: o trabalho individual particular contido na mercadoria precisa primeiro ser apresentado, pelo processo de alienação, em seu contrário, em seu trabalho sem individualidade, abstratamente geral e, somente dessa forma, em trabalho social, ou seja, em dinheiro. O mal dinheiro põe-se de emboscada na invisível capa da medida de valor. O ouro é medida de valor como tempo de trabalho objetivado. Padrão de preços ele o é como determinado peso de metal. Torna-se medida de valor ao relacionar-se como valor de troca com as mercadorias (trabalho) enquanto valores de troca; uma determinada quantia de ouro, como padrão de preços, serve a outras quantias de ouro como unidade.
O ouro é medida de valor porque seu valor é variável, e é padrão de preços porque é fixado como unidade de peso invariável. Aqui, como em todas as determinações de grandezas nominalmente iguais, solidez e determinidade das relações de medidas são decisivas. A necessidade de se fixar uma quantia de ouro como unidade de medida e partes alíquotas como subdivisões dessa unidade produziu a representação de que uma determinada quantia de ouro, que naturalmente tem um valor variável, se colocasse numa relação de valor fixa com os valores de troca das mercadorias, no que se perdeu de vista que os valores de troca das mercadorias estão transformados em preços, em quantias de ouro antes mesmo que o ouro se desenvolva como padrão dos preços. Assim como o valor do ouro varia, diferentes quantias de ouro apresentam entre si permanente a mesma proporção de valor. O preço de uma mercadoria ou a quantia de ouro, na qual se transforma idealmente, se expressa agora, portanto, nos nomes monetários do padrão-ouro. A forma própria com que essas mercadorias dão os seus valores de troca está transformada em nomes monetários, pelo quais expressam mutuamente o que elas valem. O dinheiro, por sua vez, torna-se moeda de cálculo. O dinheiro, compreendido como moeda de cálculo, pode existir apenas idealmente (teoria), enquanto o dinheiro que circula efetivamente (prática) é cunhado em um outro padrão totalmente diferente. Em muitas colônias inglesas da América do Norte, a moeda circulante, até boa parte do século XVIII, consistia em moedas portuguesas e espanholas, enquanto, por toda parte, a moeda de cálculo era a mesma da Inglaterra. 
 

O mais famoso agiota da literatura viveu em Veneza e se chamava: Shylock, personagem de William Shakespeare, do “Mercador de Veneza”. O assunto empréstimo foi central neste romance, o agiota Shylock se dispõe a emprestar o dinheiro em troca de uma garantia da parte do amigo de Barsanio, o comerciante Antônio. Em qualquer empréstimo o risco das coisas dar errado é grande, e talvez seja por isso, que as pessoas que emprestam dinheiro precisam economicamente ser compensadas, com um valor pago pelo que emprestou além do montante emprestado que é chamado de juros. Mas porque Shylock se tornou o grande vilão do valor de troca entre pessoas? Naquela época, ele era um dos muitos judeus agiotas que viviam nos guetos de Veneza. Durante a vida de Shakespeare, a agiotagem era uma ocupação comum entre os judeus, devido à crença entre os cristãos nesse período de que a usura era um pecado, e por ser uma das poucas profissões que era permitido aos judeus exercerem na Europa medieval, tendo em vista que as leis mercantilistas proibiam qualquer outro tipo de ocupação.
A cidade os tolerava, pois eram os únicos que poderiam fornecer o serviço comercial que os mercadores cristãos eram proibidos de fazer, e poderiam cobrar juros pelos seus empréstimos. Por isso que os maiores banqueiros foram judeus. Os judeus se sentavam em suas mesas, as suas “tavule” em seus bancos, os “banci”, raiz da palavra italiana para “bancos”, num local conhecido por Banco Rosso. Pinturas de Giorgio Vasari, Frederico Zuccari e Domenico di Michelino retratam bem a crença de um inferno para os agiotas. No final da historia Shylok é proibido de cobrar o meio quilo de carne de Antônio exigido no empréstimo em caso de inadimplência. O tribunal o proíbe de derramar sangue de um veneziano, por ele ser judeu a lei determina ainda a perda de seus bens por planejar a morte de um cristão. Então porque ele confiou o empréstimo, como grande vilão do romance de William Shakespeare – “Mercador de Veneza”? 
          Os bancos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro.  Mas nem sempre foi assim, como demonstra Murray Rothbard. O esquema de reservas fracionárias não passa de uma fraude, segundo o economista.  A produção de mercadorias e a circulação de mercadorias, o comércio, constituem os pressupostos históricos em que aquele surge o mercado mundial e abrem no século XVI a moderna biografia do capital. Se abstrairmos do conteúdo material da circulação de mercadorias, da troca dos diversos valores de uso, e considerarmos apenas as formas econômicas que este processo gera, encontraremos então como seu último produto o dinheiro. Este último produto da circulação de mercadorias é a primeira forma fenomênica do capital. O capital contrapõe-se à propriedade fundiária e em primeiro lugar, sob a forma de dinheiro, como fortuna em dinheiro, capital mercantil e capital usurário. E necessário voltarmos à gênese do capital para reconhecermos o dinheiro como a sua primeira forma fenomênica.
         Cena do filme O Mercador de Veneza. Murray Rothbard combinou a economia laissez-faire de seu professor Ludwig von Mises com os pontos de vista absolutistas dos direitos do homem e a rejeição do estado que ele tinha absorvido a partir do estudo dos anarquistas individualistas norte-americanos do século XIX, como Lysander Spooner e Benjamin Tucker. Rothbard foi um ardente crítico do influente economista John Maynard Keynes e do pensamento econômico keynesiano. Seu ensaio “Keynes, o homem”, é um ataque as ideias econômicas e ao personagem Keynes. Rothbard foi também um crítico severo do  utilitarista Jeremy Bentham em seu ensaio: “Jeremy Bentham: The Utilitarian as Big Brother”. Rothbard enunciou a ideia segundo a qual “os acadêmicos tenderiam a se especializar no que eles são piores”. Henry George foi grande em tudo, exceto no que diz respeito a terra, sendo assim, ele escreveu sobre terra, 90% do tempo. Milton Friedman foi excelente, exceto em teoria monetária, então foi nisso que ele se concentrou. Murray Rothbard dedica um capítulo em “Power and Market” para o papel tradicional do economista. Rothbard nota que as funções do economista no livre  mercado, diferem muito das do economista em um mercado obstruído. – “O que pode fazer um economista no livre mercado puro?”. No campo da ideologia econômica Rothbard infere. – “Ele pode explicar o funcionamento da economia de mercado (uma tarefa vital, especialmente porque a pessoa ignorante tende a considerar a economia de mercado como mero caos desordenado), mas ele não pode fazer muito mais”.
A mesma história desenrola-se diariamente diante dos nossos olhos. Cada novo capital pisa o palco: o mercado de mercadorias e de trabalho ou mercado que se transforma em capital através de processos determinados. O surgimento das operações bancárias foi simultâneo ao surgimento da moeda, na medida em que seu surgimento logo criou a necessidade de instituições que a guardassem e emprestassem. O nome “banco” foi criado pelos banqueiros judeus de Florença na época do Renascimento, designando “a mesa onde eram trocadas as moedas”. Em 1406, foi criado aquele que é considerado o primeiro banco moderno: o Banco di San Giorgio, em Gênova. Em 1983, o Banco da Escócia se tornou o primeiro banco a oferecer serviços eletrônicos, tendência esta que vem se ampliando continuamente desde então no mundo inteiro.  O primeiro caixa eletrônico do mundo ocidental foi fabricado pela empresa britânica De La Rue e foi instalado num bairro no norte da Grande Londres em 27 de junho de 1967 pelo Barclays Bank. A invenção foi creditada a John Sheperd-Barron, apesar de Luther George Simjian a ter patenteado em Nova Iorque, EUA na década de 1930 e Donald Wetzel e outros da Docutel também o terem feito em 4 de junho de 1973.

Os primeiros caixas eletrônicos aceitavam apenas uma “ficha” ou “cupão” de uso único, que era retida pelo caixa. Essas trabalhavam em vários princípios como radiação e magnetismo de baixa coercitividade que era retirado pelo leitor de cartão para tornar fraudes mais difíceis. A ideia de um número de identificação pessoal (PIN) armazenado no cartão em si ao invés de ser digitado quando se queria retirar o dinheiro foi desenvolvido pelo engenheiro britânico James Goodfellow em 1965, que ainda possui patentes internacionais cobrindo esta tecnologia. Os primeiros “caixas eletrônicos falantes”, ou seja, caixas com instruções sonoras para pessoas com deficiência visual, foram instalados no Canadá em 1999. O primeiro caixa eletrônico “falante” nos Estados Unidos foi instalado em São Francisco em outubro do mesmo ano. Em 2005 já há em torno de trinta mil caixas eletrônicos falantes naquele país. A circulação de mercadorias lembra Marx, é o ponto de partida na análise do capital. Como portador consciente deste movimento, o possuidor de dinheiro torna-se capitalista. A sua pessoa,  a sua algibeira, é o ponto de partida e o ponto de chegada do dinheiro.
O conteúdo objetivo daquela circulação - a valorização do valor - é o seu fim subjetivo e apenas na medida em que a crescente apropriação da riqueza abstrata é o único motivo propulsor das suas operações ele funciona como capitalista ou como “capital personificado”, dotado de vontade e consciência. O valor de uso não é, portanto, nunca de tratar como fim imediato do capitalista. E também não o ganho singular, mas apenas o movimento incansável do ganhar. Este impulso absoluto de enriquecimento, esta caça apaixonada ao valor é comum ao capitalista e ao entesourador: mas enquanto que o entesourador é o capitalista louco, o capitalista é o entesourador racional. A incansável multiplicação do valor, a que o entesourador aspira na medida em que tenta salvar o dinheiro da circulação, alcança-a o capitalista esperto quando o entrega de novo à circulação. Com razão afirmava satiricamente nosso jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro, o conhecido Barão de Itararé, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé: - “O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro”. 
    Uma rede interbancária é uma rede de computadores que liga as caixas eletrônicas de diferentes bancos e permite que estes possam interagir economicamente com clientes de outros bancos. Embora as redes interbancárias possam fornecer recursos para todos os cartões de dentro da mesma rede, para usar caixas eletrônicos de outros bancos que pertencem à mesma rede, os serviços podem variar. Por exemplo, quando uma pessoa usa seu cartão de débito em um caixa eletrônico que não pertencem ao seu banco, serviços básicos, tais como consulta de saldos e saques, são geralmente disponíveis. No entanto, serviços específicos, tais como recarga de telefones celulares, podem não estar disponíveis para clientes de outros bancos. Além disso, os bancos podem cobrar uma taxa, quando o cliente usa esse serviço, a partir de um caixa eletrônico de um banco diferente. Redes interbancárias são úteis porque as pessoas podem acessar caixas eletrônicos de outros bancos que são membros da rede quando não um há caixa eletrônico do seu próprio banco nas proximidades. Isto é especialmente conveniente para as pessoas que viajam ao exterior, onde, as redes interbancárias internacionais como “Plus” ou “Cirrus”, quando estão disponíveis. Redes interbancárias, através de seus diferentes meios, como processo de trabalho, também permitem o uso dos cartões em diversos estabelecimentos, na função crédito ou débito.
        Apesar dos caixas eletrônicos serem utilizados principalmente para retirar dinheiro, eles evoluíram para incluir muitas outras funções bancárias. Em alguns países que possuem uma rede integrada de caixas eletrônicos compartilhadas por mais de um banco, como nos caixas eletrônicos Multibanco em Portugal e o Banco 24 Horas no Brasil, as caixas incluem muitas outras funções que não estão diretamente relacionadas com as contas bancárias, como por exemplo: pagamento de contas, taxas (utilidades, contas de telefone, aposentadoria, taxas legais, etc.); trocar dinheiro por cartões pré-pagos (para celulares, cabines telefônicas, etc.); compra de ingressos (trem/comboio, shows/espectáculos, etc.). Muitos caixas eletrônicos nos Estados Unidos também permitem a compra de selos postais. Os caixas eletrônicos são conhecidos por muitos nomes, uns mais comuns em alguns países do que outros. Enquanto os nomes em uso são genéricos, outros são marcas registradas, identificando redes de caixas eletrônicos. No Japão, onde os bancos cobram por retiradas de dinheiro, os caixas eletrônicos não são muito populares. Esperando atrair usuários, os novos caixas eletrônicos do Ogaki Kyoritsu Bank irão incluir jogos eletrônicos como fator de chance que permitirão aos usuários ou livrarem-se dessa taxa ou ganhar 1000 ienes (= 9, 10 dólar americano), enquanto os caixas do Bank of Tokyo Mitsubishi incluirão a tecnologia precisa de segurança biométrica.
Bibliografia geral consultada. 
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