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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Bob Dylan – Autodidata, Folk Music & Herdeiro da Contracultura.

                    A felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada”. Bob Dylan                                   

            Autodidata é a pessoa que tem a capacidade de aprender algo sem ter um professor ou mestre lhe ensinando ou ministrando aulas. O próprio indivíduo, com seu esforço particular intui, busca e pesquisa o material necessário para sua aprendizagem. O autodidatismo é alvo de estudos acadêmicos, devido especialmente a expansão de sistemas educacionais on-line. Estes estudos visam a compreensão das práticas pedagógicas, a relação entre o uso de tecnologia e a concepção de conhecimento e educação envolvidas no processo. Dentre autodidatas famosos, podem ser citados o 16º presidente dos Estados Unidos da América, Abraham Lincoln, o músico Jimi Hendrix, os escritores Ray Bradbury, Machado de Assis, José Saramago e o polímata Leonardo da Vinci, o fundador da Microsoft Bill Gates, o divulgador de banda desenhada Vasco Granja, o ator e comediante Rowan Atkinson, inventor Alexander Graham Bell, o cineasta Stanley Kubrick, o cineasta, musico, roteirista e escritor Woody Allen, o fundador da Ford Henry Ford, o romancista Charles Dickens, a escritora, compositora e poetisa Doutora Honoris Causa Carolina de Jesus, o cineasta, produtor e animador Walt Disney, o animador e diretor de animação John Kricfalusi e o físico Albert Einstein, entre outros. A tecnologia permitiu ao ser humano colonizar todos os continentes e adaptar-se a praticamente todos os sistemas climáticos estudados. Nas últimas décadas, os seres humanos têm explorado a Antártida, as profundezas dos oceanos e o espaço sideral, embora a longo prazo a colonização desses ambientes ainda seja inviável. 

           Com uma população de mais de sete bilhões de indivíduos, os seres humanos estão entre os mais numerosos grandes mamíferos do planeta. A maioria dos seres humanos (60,3%) vive na Ásia. O restante vive na África (15,2%), nas Américas (13,6%), na Europa (10,5%) e na Oceania (0,5%). A habitação humana em sistemas ecológicos fechados e em ambientes hostis, como a Antártida e o espaço exterior, é cara, normalmente limitada no que diz respeito ao tempo e restrita a avanços e expedições científicas, militares e industriais. A vida no espaço tem sido muito esporádica, com não mais do que treze pessoas vivendo no espaço por vez. Entre 1969 e 1972, duas pessoas de cada vez estiveram na Lua. Desde a conquista da Lua, nenhum outro corpo celeste foi visitado por seres humanos, embora tenha havido uma contínua presença humana no espaço desde o lançamento da primeira tripulação a habitar a Estação Espacial Internacional, em 31 de outubro de 2000. Desde 1800, a população humana aumentou de um bilhão a mais de sete bilhões de indivíduos. Em 2004, cerca de 2,5 bilhões do total de 6,3 bilhões de pessoas (39,7%) residiam em áreas urbanas, e estima-se que esse percentual continue a aumentar durante o século XXI. Em fevereiro de 2008, as Nações Unidas estimaram que metade da população mundial viveria em zonas urbanas até ao final daquele ano. 

Existem muitos problemas para os seres humanos que vivem em cidades como a poluição e a criminalidade, especialmente nos centros e favelas de cada cidade. Entre os benefícios da vida urbana incluem o aumento da alfabetização, acesso à global ao conhecimento humano e diminuição da suscetibilidade para o desenvolvimento da fome. Os seres humanos tiveram um efeito dramático sobre o ambiente. A atividade humana tem contribuído para a extinção de inúmeras espécies de seres vivos. Como atualmente os seres humanos raramente são predados, eles têm sido descritos como superpredadores. Através da urbanização e da poluição, os humanos são os principais responsáveis pelas alterações climáticas globais. A espécie humana é tida como a principal causadora da extinção em massa do Holoceno, uma extinção em massa, que, desgraçadamente, se continuar ao ritmo que ocorre atualmente, per se poderá acabar com metade de todas as espécies ao longo do próximo século. Música folclórica tem como representação social um gênero musical que inclui a  música folclórica tradicional e o gênero contemporâneo que evoluiu da primeira durante o chamado “renascimento folclórico” do século XX. Alguns tipos socialmente de música folclórica podem ser chamados de world music                                    

               

A música folclórica tradicional tem sido definida de várias maneiras: como música transmitida oralmente, música com compositores desconhecidos, música tocada em instrumentos tradicionais, música sobre identidade cultural ou nacional, música que muda entre gerações (processo folclórico), música associada ao folclore de um povo ou música executada por costume ao longo de um longo período de tempo. Ela tem sido contrastada com os estilos comercial e clássico. O termo se originou no século XIX, mas a música folclórica se estende além disso. A partir de meados do século XX, uma nova forma de música folclórica popular evoluiu da música folclórica tradicional. Este processo e período são chamados de (segundo) “renascimento folclórico” e atingiram o auge na década de 1960. Esta forma de música é às vezes chamada de música folclórica contemporânea ou música de renascimento folclórico para distingui-la das formas folclóricas anteriores. Entretanto, revivalismos menores e semelhantes ocorreram em outras partes do mundo em outras épocas, mas o termo música folclórica normalmente não foi aplicado à nova criação desses renascimentos. Este tipo de música folclórica também inclui gêneros de fusão como folk rock, folk metal e outros. Embora a música folclórica contemporânea seja um gênero geralmente distinto da música folclórica tradicional, em inglês americano ela compartilha o mesmo nome e compartilha os mesmos artistas e locais que a música folclórica tradicional. 

Bob Dylan, nasceu Robert Allen Zimmerman, em Duluth, em 24 de maio de 1941. É uma cidade do estado do Minnesota, no Condado de Saint Louis, Estados Unidos da América. É um importante centro siderúrgico, localizado em área próxima às das jazidas de ferro. É a terra natal de Bob Dylan, Prêmio Nobel da Literatura de 2016. Segundo o censo nacional de 2010, a população é de 86 265 habitantes e a densidade populacional é de 491,3 hab./km². É a quarta cidade mais populosa do Minnesota. Possui 38 208 residências, que resulta em uma densidade de 217,62 residências/km². A cidade carrega o nome de Daniel Greysolon (1639-1710), Sieur du Lhut, o primeiro explorador europeu da região. De acordo com o United States Census Bureau, a cidade tem uma área total de 226,44 km², dos quais 175,6 km² estão cobertos por terra e 51 km² por água. Greysolon foi um soldado e explorador francês, o primeiro europeu reconhecido a visitar a região onde se localiza a cidade de Duluth, Minnesota, e a nascente do Lago Superior, em Minnesota. Seu nome às vezes é anglicizado como “DuLuth”, e é o homônimo de Duluth, Minnesota, bem como de Duluth, Geórgia. Daniel Greysolon assinou como “Dulhut” nos manuscritos remanescentes. Ele nasceu por volta de 1639 em Saint-Germain-Laval, perto de Saint-Étienne (Forez), França, e visitou a Nova França pela primeira vez em 1674.

Em setembro de 1678, Dulhut deixou Montreal para o Lago Superior, passando o inverno perto de Sault Sainte Marie e chegando ao extremo Oeste do lago no outono do ano seguinte, onde concluiu as negociações de paz entre os povos Anishinaabe (Saulteur) e Dakota (Sioux). Em 2 de julho de 1679, DuLhut fincou a bandeira da França “na grande vila dos Nadouecioux, chamada Izatys”, uma cidade Dakota Mdewakanton no lugar que hoje é chamado de Lago Mille Lacs. Em junho de 1680, Duluth ouviu falar da captura de um padre católico chamado “Louis Henpin” (Louis Hennepin) que havia sido capturado por outros “Nadouecioux” (Sioux), entre os quais Duluth vivia. Após receber a notícia de sua captura, Duluth partiu imediatamente para encontrar o padre franciscano e exigir sua libertação. Duluth negociou a liberdade do padre, mas, ao fazê-lo, violou as leis que proibiam o comércio com nativos sem a aprovação do governo, o que acabou gerando problemas em Montreal. Atraído pelas histórias da cultura nativa do Mar Ocidental ou Mar Vermelho, provavelmente o Grande Lago Salgado em Utah, Duluth chegou ao Rio Mississippi pelo Rio Saint Croix em 1680, e então retornou ao Forte de Buade, onde ouviu que mercadores invejosos na natureza de Quebec e o intendente Jacques Duchesneau de la Doussinière et d`Ambault (1631-1696) o estavam caluniando.         

Foi intendente da Nova França de 1675 a 1682. Ele foi forçado a retornar a Montreal e depois à França em 1681 para se defender de “falsas acusações de traição”, retornando no ano seguinte. Duluth posteriormente estabeleceu postos de comércio de peles para promover os interesses franceses no Lago Nipigon e no Forte Caministigoyan, foi um forte francês na América do Norte, na foz do Rio Kaministiquia no Lago Superior, local da cidade de Thunder Bay, Ontário, provavelmente em 1684 ou 1685, não em 1679 como algumas fontes sugerem, e no Forte St. Joseph (Porto Huron) entre o Lago Erie e o Lago Huron, guarnecido com 50 homens. Ele morreu de gota, doença inflamatória das articulações causada pelo acúmulo excessivo de ácido úrico no sangue (hiperuricemia), que se deposita na forma de cristais nas articulações, provocando crises de dor e inchaço. Morreu em Montreal em 25 de fevereiro de 1710 e foi enterrado na igreja Recollet. Montreal tem uma Avenida Duluth (Avenue Duluth em francês), nomeada em homenagem a Greysolon, localizada no bairro “The Plateau” da cidade (reconhecido como Le Plateau-Mont Royal em francês). A avenida tornou-se bastante popular entre moradores e turistas após ser redesenhada no início da década de 1980. Ela foi projetada para ser mais amigável aos pedestres, com calçadas bem projetadas, muitas árvores e floreiras.

Diz-se que foi inspirada nas ruas Woonerf, precisamente na Holanda e na Bélgica, onde “pedestres e ciclistas têm prioridade sobre veículos motorizados, que têm um limite de velocidade reduzido”. Duluth, Minnesota, também tem uma estrada que leva o nome de duLhut, Greysolon Road, que se estende dos bairros de Endion a Congdon. Vale lembrar que Colder by the Lake, produziu uma ópera cômica original baseada na vida de Daniel Greysolon, intitulada Les Uncomfortables, isto é, um trocadilho com o título do musical Les Misérables. A música foi composta por Tyler Kaiser e o libreto escrito por Margi Preus e Jean Sramek, todos de Duluth. A obra foi encenada em 2001, 2002 e 2016. Bob Dylan é um cantor, compositor, escritor, ator, pintor e artista visual norte-americano, e apresenta uma importante figuração na cultura popular há mais de 50 anos. Grande parte do seu trabalho mais célebre data da década de 1960, quando canções como “Blowin` in the Wind” (1963) e “The Times They Are a Changin” (1964) se tornaram hinos dos “movimentos pelos direitos civis e de oposição à Guerra do Vietnã”. Suas letras durante esse período incorporaram uma ampla gama de influências políticas, sociais, filosóficas e literárias, desafiaram as convenções da música pop e apelaram à crescente contracultura. A música folk, na cultura norte-americana, atingiu o auge de popularidade historicamente nas décadas de 1950 e 1960 e Bob Dylan incorporou as tensões sociais dessa época da melhor forma, ou seja, com o social irradiado nos detalhes e humor.

Robert Allen Zimmerman (em hebraico: Zushe ben Avraham) nasceu no hospital St. Mary de Duluth, em Minnesota, no dia 24 de maio de 1941 e cresceu em Hibbing, Minnesota, no Mesabi Iron Range a Oeste do Lago Superior. Os estudos realizados por vários de seus biógrafos demonstraram que seus avós paternos, Zigman e Anna Zimmerman, emigraram de Odessa (atualmente Ucrânia) para os Estados Unidos por causa de um pogrom antissemita ocorrido em 1905. Seus avós maternos, Benjamin e Lybba Edelstein, eram judeus lituanos que chegaram à América em 1902. Em sua autobiografia, Crônicas (Vol. 1), Dylan escreveu que o apelido de sua avó materna era Kyrgyz e que sua família era procedente de Istambul. Seus pais, Abram Zimmerman e Beatrice “Beatty” Stone, faziam parte de uma pequena, mas muito unida comunidade judaica. Robert Zimmerman viveu em Duluth até seus seis anos, quando seu pai contraiu poliomielite e sua família voltou à cidade natal de sua mãe, Hibbing, Minnesota, onde passou o resto de sua infância. Robert passou boa parte de sua juventude escutando rádio: em um primeiro momento, escutando emissoras de Shreveport, em Louisiana, country, e posteriormente, rock and roll. Na sua estadia na escola, formou várias bandas, como The Shadow Blasters e The Golden Chords, com a qual chegaria a tocar no programa de busca de talentos Rock and Roll Is Here to Stay. No anuário escolar de 1959, Zimmerman assinalou sua ambição era “unir-se a Little Richard”, um cantor, compositor e pianista. Foi eleito pela revista Rolling Stone como o 8º maior artista da música de todos os tempos.

Uma figura influente na música e cultura populares por sete décadas, ele foi apelidado de “The Innovator”, “The Originator” e “The Architect of Rock and Roll”. O trabalho mais célebre de Penniman data de meados da década de 1950, quando seu carismático espetáculo e música dinâmica, caracterizada por “tocar piano frenético, bater violão e vocais estridentes”, lançaram as bases para o rock and roll. Suas inovadoras vocalizações emotivas e música ritmada também desempenharam um papel fundamental na formação de outros gêneros musicais populares, incluindo soul e funk. Ele influenciou inúmeros cantores e músicos em todos os gêneros musicais, do rock ao hip hop; sua música ajudou a moldar o rhythm and blues nas próximas gerações. No mesmo ano, usando o pseudônimo de Elston Gunn, Bob Dylan tocou em duas apresentações com Bobby Vee, acompanhando ao piano e improvisando com palmas. Em setembro de 1959, Zimmerman se mudou para Minneapolis, para estudar na Universidade de Minnesota. Seu interesse inicial no rock and roll deu lugar a uma aproximação ao folk. Em 1985, Dylan explicou sua atração pelo folk: “A coisa sobre o rock`n`roll é que para mim de qualquer jeito ele não era suficiente (...). Havia bons bordões e ritmo pulsante (...), mas as canções não eram sérias ou não refletiam a vida realista. Eu sabia que quando eu entrei na música folk, era um tipo de coisa mais sério. As canções eram enchidas com mais desespero, tristeza, mais triunfo, mais fé no sobrenatural, sentimentos mais profundos”. Logo começou a tocar no 10 O `Clock Scholar, uma cafeteria a quadras do campus universitário, e se viu envolvido no circuito folk de Dinkytown.     

Durante seus dias en Dinkytown, Zimmerman passou a se chamar de “Bob Dylan”. Em uma entrevista concedida em 2004, Dylan disse: “Você nasce, sabe, com nomes errados, pais errados. Digo, isso acontece. Você se chama do que quiser se chamar. Este é o país da liberdade”. Em sua autobiografia, Crônicas (Vol. 1), Dylan escreveu sobre a mudança de nome: “Eu havia visto alguns poemas de Dylan Thomas. A pronúncia de Dylann e Allyn era parecida. Robert Dylan. A letra D tinha mais força. Entretanto, o nome Roberto Dylan não era tão atraente como Robert Allyn. As pessoas sempre haviam me chamado de Robert ou Bobby, mas Bobby Dylan me parecia vulgar, e além disso já haviam Bobby Darin, Bobby Vee, Bobby Rydell, Bobby Neely e muitos outros Bobbies. A primeira vez que me perguntaram meu nome em Saint Paul, instintiva e automaticamente soltei: Bob Dylan”. Queremos dizer com isso que a individuação, ou princípio de individualização, metodologicamente descreve a maneira segundo qual uma coisa é identificada como distinguida de outras coisas. O conceito aparece em numerosos campos e é encontrado em obras de pensadores diversos, mas sobretudo extraordinários neste panteão como Carl Jung, Gilbert Simondon, Bernard Stiegler, Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, David Bohm, Henri Bergson, Gilles Deleuze e Manuel De Landa.

É expressa na ideia geral do objeto de poder ser referenciado sendo identificado como algo individual, logo “não sendo outra coisa”. Isso inclui como uma “pessoa uma” é realizada para ser diferente dos outros elementos do mundo e como ela se distingue de outras pessoas. A individuação, conforme descrita por Jung, por exemplo, é um processo através do qual o ser humano evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que implica uma ampliação da consciência. Através desse processo, há identificação menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra e mais com as orientações difundidas do “Si-mesmo”, representando assim a totalidade referida analiticamente como o conjunto das instâncias psíquicas sugeridas por Carl Jung, tais como persona, sombra, self, constitutivo de sua personalidade individual.  Em primeiro lugar, “contracultura”, sociologicamente, é um movimento social que tem seu auge na década de 1960 quando teve lugar e espaço um estilo de mobilização e contestação, portanto, social e utilizando novos meios de comunicação em massa. Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o antissocial aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário, resumido como uma cultura underground, “cultura alternativa” ou “cultura marginal”, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo e pequenas realidades do cotidiano, embora o hippie, que representa esse auge, almejasse a transformação da sociedade como um todo, através da tomada de consciência, da mudança de atitude e conhecimento do protesto político.

O movimento hippie foi um comportamento coletivo de contracultura dos anos 1960. Embora tendo uma relativa queda de popularidade nos anos 1970 nos Estados Unidos da América, a célebre máxima paz e amor (“Peace and Love”), que precedeu a expressão “Ban the Bomb”, a qual criticava o uso letal de armas nucleares. As questões ambientais, a prática de nudismo (ou naturismo) e a emancipação sexual eram ideias respeitadas recorrentemente através de atos e caminhadas por estas comunidades.  A contracultura no âmbito dos estudos e pesquisas sobre as humanidades pode ser definida como um ideário altercador que questiona valores centrais vigentes e instituídos na cultura ocidental. Justamente por causa deste ponto de vista, são pessoas que costumam se excluir socialmente e algumas que se negam a se adaptarem às visões aceitas pelo mundo. Com o vultoso crescimento dos meios de comunicação massivos, a difusão de normas, valores, gostos e padrões de comportamento se libertavam das amarras tradicionais e locais ou regionais, comumente a religiosa e a familiar, ganhando uma dimensão mais universal e aproximando a juventude de todo o globo terrestre, de uma maior integração cultural e humana. Destarte, a contracultura desenvolveu-se na América Latina, Europa e principalmente nos Estados Unidos onde os indivíduos pragmáticos buscavam valores novos.  Em 1971, foi organizado no vale de Avándaro perto da cidade de Toluca, uma cidade vizinha Cidade do México, e ficou conhecido como O Woodstock Mexicano. Nudez publicamente, uso de drogas desvairadamente, bem como a presença da bandeira dos Estados Unidos orgulhosamente escandalizaram a sociedade mexicana a tal ponto que o governo reprimiu performances de rock and roll na década. 

O festival, comercializado como prova da modernização do México, nunca esperou atrair as massas como se fez, e o governo teve de dispersar os participantes encalhados em massa no final. Isso ocorreu durante a era do presidente Luis Echeverría, uma época extremamente repressiva na história mexicana. De outra parte, no âmbito da contracultura o pacifismo teve como escopo, especialmente, a guerra imperialista norte-americana contra o Vietnã e está presente nas primeiras cenas do filme Hair. – “Claude sai da sua casa na fazenda e é levado pelo pai até o ônibus que o levará à cidade, atravessa de caminhonete a zona rural americana com sua igrejinha simples, a estrada de terra, as frutas e as plantações. Deixa sua família para servir a pátria. Ele chega ao Central Park onde se encontra um grupo de jovens. Berger está lendo em voz alta para o grupo a convocação para o alistamento militar: - “Quem alterar, fraudar, destruir propositadamente, danificar propositadamente ou modificar de algum modo essa convocação, pode ser multado em até 10.000 dólares ou ser preso por até 5 anos”. Em seguida, o grupamento social como representação da contracultura queima a convocação e foge dos policiais que assistiam a tudo e passam a persegui-los. Está aí definida e segundo escritor marxista francês Guy Debord, a “dis-posição” cultural conscientemente ardilosa dos hippies frente à guerra de extermínio humano imperialista. Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. 

Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas, quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra do lendário cantor folk, Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova Iorque em 1961. Em 2004 foi eleito pela revista Rolling Stone o 7º maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2º melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos extraordinários Beatles, de Liverpool, Inglaterra e uma de suas principais canções, “Like a Rolling Stone”, foi escolhida como a melhor de todos os tempos. Influenciou diretamente grandes nomes do rock norte-americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Foi laureado com o Nobel da Literatura de 2016, por “ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana”. E, assim, tornou-se o primeiro e único artista na história a ganhar, além do Prêmio Nobel, o Pulitzer, o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.

A cultura, que caracteriza as sociedades humanas, é organizada/organizadora via o veículo cognitivo da linguagem, a partir, segundo Morin (1998, 2008), do “capital cognitivo coletivo” dos conhecimentos adquiridos, das competências aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças míticas de uma sociedade. E, dispondo de seu capital cognitivo, a cultura institui as regras/normas que organizam a sociedade e governam os comportamentos individuais. Estas regras geram processos sociais e regenera globalmente a complexidade social adquirida por essa mesma cultura. Assim, a cultura não deve ser compreendida pelas metáforas estruturais, que são termos impróprios em uma organização recursiva onde o que é produzido e gerado torna-se produtor e gerador daquilo que o produz ou gera. Isso facto, cultura e sociedade estão em relação geradora mútua; nessa relação, não podemos esquecer as interações entre indivíduos, eles próprios portadores ou transmissores de cultura, que regeneram a sociedade, a qual regenera a cultura. Daí a tese sociológica segundo a qual, “se a cultura contém um saber coletivo acumulado em uma memória social, se é portadora de princípios, modelos, esquemas de conhecimento, se gera uma visão de mundo, se a linguagem e o mito são partes constitutivas da cultura, então a cultura não comporta somente uma dimensão cognitiva: é uma máquina cognitiva cuja práxis é cognitiva”. É neste sentido próprio de saber cognitivo que uma cultura abre e fecha as potencialidades bioantropológicas do conhecimento. Ela as abre e atualiza fornecendo aos indivíduos o seu saber acumulado, a sua linguagem, os seus paradigmas, a sua lógica, os seus esquemas, os seus métodos de aprendizagem, métodos de investigação, de verificação, etc., mas, ao mesmo tempo, ela as fecha e inibe com as suas normas, regras, proibições, tabus, o seu etnocentrismo, a sua autossacralização, a sua ignorância de ignorância. 

Ainda aqui, o que abre o conhecimento é o que fecha o conhecimento. Desde o seu nascimento, o ser humano conhece não só por si, para si, em função de si, mas, também pela sua família, pela sua tribo, pela sua cultura, pela sua sociedade, para elas, em função delas. Assim, o conhecimento de um indivíduo alimenta-se de memória biológica e de memória cultural, associadas na própria memória, que obedece a várias entidades de referência, diversamente presentes nela. Tudo o que é linguagem, lógica, consciência, tudo o que é espírito e pensamento, constitui-se na encruzilhada dialógica entre dois princípios de tradução, um contínuo, o outro descontínuo (binário). As aptidões individuais organizadoras do cérebro humano necessitam de condições socioculturais para se atualizarem, as quais necessitam das aptidões do espírito humano para se organizarem individual e socialmente. A cultura está nos espíritos, vive nos espíritos, os quais estão na cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, mas, em certo sentido, a minha cultura conhece através do meu espírito. Assim, portanto, as instâncias produtoras do conhecimento se coproduzem umas às outras; há uma unidade recursiva complexa estabelecida entre produtores e produtos do conhecimento, ao mesmo tempo em que há relação hologramática entre cada uma das instâncias, cada uma contendo as outras e, nesse sentido, cada uma contendo o todo enquanto todo. Falar em complexidade é falar respectivamente em relação de interação per se complementar, concorrente, antagônica, recursiva e hologramática entre essas instâncias cogeradoras do reconhecimento humano. Mas não é apenas essa complexidade que permite compreender a possível autonomia relativa do espírito (faculdades intelectuais) e no sentido técnico do cérebro individual. Mas é assim mesmo que o espírito individual pode autonomizar-se em relação à sua determinação biológica. Recorrendo às suas fontes e recursos socioculturais.

Em relação à determinação cultural utilizando sua aptidão bioantropológicas para organizar o conhecimento. O espírito individual pode alcançar a sua autonomia jogando com a dupla dependência que, ao mesmo tempo, o constrange, limita e alimenta. Pode jogar, pois há margem, entre hiatos, aberturas, defasagens. Entre o bioantropológico e o sociocultural, o ser individual e a sociedade. Assim, a possibilidade de autonomia do espírito individual está inscrita no princípio de seu conhecimento. E isso em nível de seu conhecimento cotidiano, quanto em nível de pensamento filosófico ou científico. A cultura fornece ao pensamento as suas condições sociais e materiais de formação, de concepção, de conceptualização. Impregna, modela e eventualmente governa os conhecimentos individuais. A cultura e, pela via da cultura, a sociedade está no interior do conhecimento. O conhecimento está na cultura e a cultura está na representação do conhecimento. Um ato cognitivo per se é, ipso facto, um elemento do complexo cultural coletivo que se atualiza em um ato cognitivo individual. As nossas percepções ou mesmo concepções estão sob um controle, não apenas de constantes fisiológicas e também psicológicas, mas níveis de variáveis culturais e históricas. A percepção é submetida a categorizações, conceptualizações, taxinomias, que influenciarão o reconhecimento e a identificação das cores, das formas, dos objetos. O conhecimento intelectual organiza-se em função de paradigmas que selecionam, hierarquizam, rejeitam as ideias sociais e as técnicas, bem como em função de significações mitológicas e de projeções imaginárias.

Assim se opera a “construção social da realidade”, ou antes, a “co-construção social da realidade”, visto que a realidade se constrói também a partir de dispositivos cerebrais, em que o real (imagem) se consubstancializa e se dissocia do irreal (ficção), que constitui a visão de mundo, que se concretiza em verdade, em erro, na mentira. Para conceber a sociologia do conhecimento, é necessário, segundo Edgar Morin, conceber não só o enraizamento do conhecimento na sociedade e a interação social do conhecimento/na sociedade. Mas no anel recursivo no qual o conhecimento é produto/produtor sociocultural que comporta uma dimensão própria cognitiva. Os homens de uma cultura, pelo seu modo de conhecimento, produzem a cultura que produz seu reconhecimento. A cultura gera os conhecimentos que regeneram a cultura. Ao considerar-se a que ponto o conhecimento é produzido por uma cultura, dependente de uma cultura, integrado a uma cultura, pode-se ter a impressão de que nada seria capaz de libertá-lo. Mas isso seria, sobretudo, ignorar as potencialidades de autonomia relativa, no interior de todas aquelas culturas, dos espíritos individuais. Os indivíduos não são todos, e nem sempre, mesmo nas condições culturais mais fechadas, máquinas triviais obedecendo impecavelmente à ordem social e às injunções culturais. Isso seria ignorar que toda cultura está vitalmente aberta ao mundo exterior, de onde tiram conhecimentos objetivos e que conhecimentos e ideias migram entre as culturas.                               

Seria ignorar que aquisição de uma informação, a descoberta de um saber, a invenção de uma ideia, podem modificar e transformar uma sociedade, mudar o curso da história. Assim, o conhecimento está ligado, por todos os lados, à estrutura da cultura, à organização social, à práxis histórica. Sempre por toda parte, o conhecimento científico transita pelos espíritos individuais, que dispõem de autonomia potencial, a qual pode em certas condições sociais e políticas atualizarem-se e tornar-se um pensamento pessoal crítico.  Sobre a aquisição do conhecimento pesa um formidável determinismo. Ele nos impõe o que se precisa conhecer, como se deve conhecer, o que não se pode conhecer. Comanda, proíbe, traça os rumos, estabelece os limites, ergue cercas de arame farpado e conduz-nos ao ponto onde devemos ir. E também que conjunto prodigioso de terminações sociais, culturais e históricas é necessário para o nascimento da menor ideia, da menor teoria. Não bastaria limitarmo-nos a essas determinações que pesam do exterior sobre o conhecimento. É necessário considerar, também, os determinismos intrínsecos ao conhecimento, que são muito mais implacáveis. Em primeiro lugar, princípios iniciais, comandam esquemas e modelos explicativos, os quais impõem uma visão de mundo e das coisas que governam e controlam de modo imperativo e proibitivo a lógica dos discursos, pensamentos, teorias. Ao organizar os paradigmas e modelos explicativos associa-se o determinismo organizado dos sistemas de convicção e de crença que, quando reinam, impõem a força imperativa do sagrado, normalizadora do dogma, proibitiva do tabu. As doutrinas e ideologias dominantes dispõem também da força imperativa e coercitiva que leva a evidência aos convictos e o temor inibitório aos desalmados.

Bibliografia Geral Consultada.

D`ESCHAMBAULT, Antoine, “La Vie Aventureuse de Daniel Greysolon, Sieur Dulhut”. In: Revue d’Histoire de l`Amérique Française, V (1951–52), 320–39; ADORNO, Theodor, “Ideias para a Sociologia da Música”. In: Teoria e Prática. São Paulo, nº 3, abril de 1968; ROSZAK, Theodore, A Contracultura. Petropolis (RJ): Editoras Vozes, 1972; CLAGHORN, Charles Eugene, Biographical Dictionary of American Music. Estados Unidos: Editor Parker Publishing Company, 1973;  WHITE, Charles, The Life and Times of Little Richard: The Authorized Press. Londres: Editor Omnibus Press, 2003; BRIZUELA-GARCIA, Esperanza, Decolonising African History: Crisis and Transitions in African Historiography (1940-1990). Tese de Doutorado. Londres: School of Oriental and African Studies, 2004; VATTIMO, Gianni, El Sujeto y la Mascara. Barcelona: Editorial Península; 2003; ARALDI, Clademir Luís, Niilismo, Criação, Aniquilamento. São Paulo: Editora Unijuí, 2004; DAMIÃO, Carla Milani, Sobre o Declínio da Sinceridade. São Paulo: Editora Loyola, 2004; ANDRADE, Daniel Pereira, Nietzsche: A Experiência de Si como Transgressão. São Paulo: Editora Annablume, 2007; MORIN, Edgar, Introducción al Pensamiento Complejo. Barcelona: Editorial Gedisa, 1998; Idem, O Método 4 – As Ideias. Habitat, Vida, Costumes, Organização. 4ª edição. Porto Alegre: Editora Sulina, 2008; TOUBOUL-TARDIEU, Eva, Séphardisme et Hispanité. Paris: Presses de l`Université Paris-Sorbonne, 2009; EPSTEIN, Daniel Mark, A Balada De Bob Dylan: Um Retrato Musical. São Paulo: Editor Zahar, 2012; FERRAZ, Maiaty Saraiva, A Poesia de Bob Dylan na Fronteira da Canção Popular e da Poesia Acadêmica. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1997; Idem, Refração e Retradução em Versões de Canções de Bob Dylan Gravadas no Brasil. Tese de Doutorado: Estudos da Tradução. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2020; Artigo: “Jagger, Dylan, Quincy Jones React to Death of Little Richard”. In: The Associated Press, 9 de maio de 2020; Artigo: “Livraria Lello Comprou em Leilão as Cartas de Amor do Jovem Bob Dylan por Meio Milhão de Euros”. In: https://ominho.pt/18/11/2022; CAMARGO, Gabriel Marinho, E sim eu sei que eles vêm tomar meu drinque em meu copo a trincar: Bob Dylan, os beats e a contracultura. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários. Faculdade de Letras. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2025; entre outros.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Questão Fantástica – Cinema & Exploração Visionária das Bermudas.

                                                    Se os triângulos tivessem um Deus, ele teria três lados”. Charles Louis de Secondat

     

        O pensamento de Montesquieu representa um certo “paradoxo de consequências” não intencionais, entre a questão abstrata do novo e a representação do tema mais tradicional. Os efeitos sociais não intencionais da ação humana, ou efeitos não antecipados da ação intencional, têm sido um tema abordado com mais frequência entre os economistas do que entre os sociólogos. Porém, assim como nunca na globalidade, resulta ser um problema crucial para a pesquisa empírica e a teoria social. Múltipla e guiada por uma espécie de curiosidade universal, parece estar em continuidade direta com os ensaístas na história que o precederam sobre os usos e costumes dos diversos povos. Com traços de Enciclopedismo, várias disciplinas lhe atribuem o caráter referencial de precursor, ora aparecendo como pai da sociologia, ora como inspirador do chamado “determinismo geográfico”, e quase sempre como aquele que, na ciência política, desenvolveu a teoria dos três poderes, que ainda permanece como uma das condições de funcionamento do Estado de direito. Dentro da história do pensamento também ocupa posição paradoxal. Sua obra trata da questão do funcionamento dos regimes políticos, questão que encara na ótica liberal, ambas as problemáticas consideradas típicas de um período posterior. Na ciência política, a noção de regime político, é o nome que se dá ao conjunto de práticas e saberes sociais de instituições políticas que, por meio das quais um Estado se organiza de maneira a exercer seus efeitos de poder sobre uma sociedade determinada. Esta definição abrangente é válida mesmo que a forma de governo alcançado na esfera política seja considerado ilegítimo.  

No plano das ideias é uma teoria vinculada à questão climática de Montesquieu, um membro da nobreza que não tem como objeto de reflexão política a restauração do poder de classe, mas sim como tirar partido de certas características do poder nos regimes monárquicos, para dotar de maior estabilidade os regimes que viriam a resultar das revoluções democráticas. Símbolo de alternativas sociais e políticas, o Dia da Bastilha celebrado a 14 Juillet em memória ao histórico da Tomada da Bastilha, em 1789, quando teve início o caráter popular da Revolução Francesa, amplifica com maior impacto do que a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América demonstrando a possibilidade de emancipação vista com medo em toda a aristocracia europeia, enquanto partidários das mudanças revolucionárias esperavam remover as barreiras que tolhiam a burguesia e o livre desenvolvimento das forças produtivas do capital. Os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade foram os conceitos utilizados pelo liberalismo social para justificar teoricamente o desenvolvimento do capitalismo na Europa. A forma diversa como essas ideias vieram para o solo norte-americano também são indispensáveis para a compreensão da estrutura piramidal social que é majoritária. Essas análises tendo como referência histórica e teórica a obra de Montesquieu permitem formular os principais problemas de teoria no âmbito geral da sociologia. Após um acidente de motocicleta, mutatis mutandis, em julho de 1966, Bob Dylan passou os 18 meses seguintes se recuperando em sua casa em Woodstock, Condado de Ulster, estado norte-americano de Nova Iorque (EUA) escrevendo canções.

 De acordo com Clinton Heylin que escreveu extensamente sobre música popular e o trabalho de Bob Dylan, todas as canções de John Wesley Harding, o oitavo álbum de estúdio de Dylan, foram escritas e gravadas durante um período de seis semanas no final de 1967. A versão final da canção All Along the Watchtower resultou de duas tomadas diferentes durante a segunda das três sessões de John Wesley Hardin. Coberto por vários artistas, All Along the Watchtower é exemplarmente identificado com a interpretação que Jimi Hendrix gravou com o fabuloso álbum Jimi Hendrix: Experience para seu terceiro de álbum estúdio, Electric Ladyland (1968). A versão de Hendrix (1942-1970), lançada seis meses após a gravação original de Dylan, tornou-se um single no Top 20 em 1968, recebeu o prêmio Grammy Hall of Fame (2001), como premiação especial estabelecida desde 1973 e ficou em 48º lugar na lista das 500 melhores canções de todos os tempos da especializada revista Rolling Stone (2004). Ela se caracteriza por uma utilização de parábolas e notável influência da Bíblia no trabalho do músico, consolidada no final da década de 1970 com discos como Slow Train Coming que traz sua conversão ao cristianismo. Dylan tocou a música pela primeira em um show na turnê Bob Dylan and the Band (1974), sua primeira turnê desde 1966. Suas apresentações ao vivo foram influenciadas pela realização do cover de Jimi Hendrix, morto em 1970, a ponto de serem chamadas per se de “covers de um cover”. O extraordinário cantor bisou-a mais que outras obras com mais de 2.250 recitais.  

A sessão começou com cinco tomadas da música, a terceira e a quinta das quais foram unidas para criar a faixa do álbum. De acordo com Gray, como a maioria das seleções do álbum, a música é um trabalho escuro e esparso que contrasta fortemente com as gravações anteriores de Dylan em meados da década de 1960. Com um filho nascido em no início de 1966 e outro em meados de 1967, Dylan havia se estabelecido na vida familiar. A novidade é que Dylan afirmou que pensou na música durante uma tempestade. Ele gravou “All Along the Watchtower” exatamente em 6 de novembro de 1967, no Columbia Studio A em Nashville, Tennessee, Estados Unidos da América, o mesmo estúdio onde havia concluído Blonde on Blonde no ano anterior.  Acompanhando Dylan, que tocava violão e gaita, estavam dois veteranos de Nashville das sessões de Blonde on Blonde: Charlie McCoy no baixo e Kenneth Buttrey na bateria. O produtor foi o texano Bob Johnston(1932-2015), que produziu os dois álbuns anteriores de Dylan, Highway 61 Revisited, em 1965 e Blonde on Blonde, em 1966, e o engenheiro de som foi Charlie Bragg. A letra original tem apenas 12 versos, que o escritor do Financial Times Dan Einac comentou, tornando-a “semelhante a um soneto truncado”.  A letra apresenta uma conversa entre um curinga e um ladrão, enquanto eles cavalgam em direção a uma torre de vigia. O estudioso Timothy Hampton comenta que a dupla está “oprimida pelas circunstâncias”. Os revisores apontaram que a letra de All Along the Watchtower ecoa as linhas do Livro de Isaías, capítulo 21, versículos 5–9. É um livro profético, e portanto, do Antigo Testamento, vem depois do livro de Eclesiástico e antes do Livro de Jeremias. É uma peça central da literatura profética do Antigo Testamento, na Bíblia.                      

No último show que realizou na carreira quase meteórica, Jimi Hendrix foi incompreensivelmente vaiado. Aconteceu em 6 de setembro de 1970, 12 dias antes de sua morte, em um festival chamado Peace and Love, na ilha de Fehmarn, na Alemanha. O evento teve duração de três dias tumultuados, com chuvas incansáveis, frio, lama, condições ruins e segurança precária, o que enfureceu o público presente. O local estava cheio de membros da mais violenta gangue de motociclistas, os Hells` Angels. Nos Estados Unidos da América e Canadá, os Hells` Angels são associados como o Hells Angels Motorcycle Corporation. Choveu muito, e o público fez fogueiras para combater o frio. O fato social é que ninguém ali tinha muito ânimo para defender o lema do festival: “paz e amor”. À hora prevista para Hendrix subir ao palco, um vendaval o impediu. O show não pôde acontecer. Os Hells` Angels não levaram na esportiva. Ouviram-se alguns tiros. A apresentação foi remarcada para o dia seguinte, às 12 horas. Quando Hendrix pisou no palco, começaram as vaias: pessoas trêmulas de frio, irritadas com o atraso, motoqueiros com vontade de continuar suas manifestações. “Vai pra casa”, ouviu-se. O músico se aproximou do microfone: - “Paz, de todos os modos, paz”. As vozes de desaprovação continuaram. “Se forem vaiar, pelo menos que seja afinado”, usou a boa ironia o guitarrista, que iniciou uma extraordinária versão de Killing Floor, tema do blueseiro Howlin` Wolf. Os protestos diminuíram, dando lugar a um dilúvio. Hendrix levava choques quando se aproximava do microfone. Tudo era desagradável e violento. Acabou o show com a boa interpretação de Voodoo Child  (cf. Marcos, 2020). 

Quando foi embora, os motoqueiros subiram no palco e botaram para quebrar. - “Não foi feliz na etapa final da sua vida”, conta por telefone, de Londres, o escritor Harry Shapiro, certamente a pessoa que mais longe chegou na investigação sobre a morte do mito, refletida no livro Jimi Hendrix: Electric Gypsy. - “Todo mundo queria um pedaço de Jimi Hendrix: gravadoras, empresários, groupies, imprensa… Estava sempre na primeira linha. E isso é extremamente nocivo para qualquer um, ainda mais se for uma pessoa tão criativa como ele. As pessoas não queriam escutar novas canções. Queriam sempre as mesmas, que ele tocasse com os dentes, que quebrasse a guitarra… Jimi estava cansado e muito frustrado de tudo isso”, afirma Shapiro. Em um ano e meio (de maio de 1967 a outubro de 1968), Jimi Hendrix editou seus únicos três discos de estúdio: Are You Experienced, Axis: Bold as Love e Electric Ladyland, este último um álbum duplo. Foram trabalhos que mudaram o rock para sempre. Diz Shapiro: - “Ele está no mais alto da história do rock. A guitarra elétrica e o blues nunca mais foram os mesmos depois de Hendrix. Ele mudou tudo o que os brancos sabiam da guitarra. Até a chegada dele, a eletricidade só servia para fazer a guitarra tocar mais alto. Com ele a eletricidade passou a ser parte da música”. Charles R. Cross, intérprete do músico, autor de Jimi Hendrix – A Biografia, acrescenta, de Seattle: - “Dá-se toda a importância à sua faceta como guitarrista, mas era muito mais: cantor, compositor, líder de banda… Sua música tinha profundidade e vida além dos sucessos radiofônicos”.

O primeiro deles tem a ver com a inserção da sociologia política na sociologia do conjunto das sociedades. A questão é comparável à que se colocam a propósito do marxismo, quando se quer passar de seu aspecto privilegiado – para a compreensão do todo. O segundo problema é o da relação entre o fato e valor, entre a compreensão das instituições e a determinação do regime desejável ou bom. Assim, de que modo se pode ao mesmo tempo apresentar certas instituições como determinadas, isto é, impostas à vontade dos homens e fazer julgamentos políticos sobre elas? Será possível, para um sociólogo, afirmar que um regime que ele considera, como inevitável, contrariar a natureza humana? O terceiro problema é o que institui no plano de análise política as relações entre o universalismo racional e as particularidades históricas concretas. Existem em Montesquieu, implícita ou explicitamente, duas ideias de síntese possíveis. Uma seria a influência predominante do regime político, e a outra, o espírito geral de uma nação. Em relação à primeira, a influência predominante das instituições políticas, pode-se hesitar entre duas interpretações. Trata-se da influência predominante causal do termo ou de uma influência predominante com relação ao que interessa ao analista, com relação aos valores, com relação à hierarquia da importância que estabelecemos entre diferentes aspectos da vida coletiva. O espírito geral da representação de uma nação é o que mais contribui para manter esse sentimento ou princípio, indispensável à continuidade do regime. A lei é natural dos seres, própria deles. 

O espírito geral de uma nação não pode ser comparado à vontade criadora de uma pessoa ou coletividade. Para analisar esses problemas, será melhor tomar como ponto de partida uma noção central de L`Esprit des Lois, a própria noção de Lei. Afinal, a grande obra de Montesquieu e é na análise das noções de Lei que encontramos a resposta para os problemas que formulamos da política à sociologia. Montesquieu introduz o conceito de lei no início de sua obra fundamental, O Espírito das Leis, para escapar a uma discussão viciada que dentro da tradição jurídica de seu período, ficaria limitada a discutir as instituições e as leis quanto à legitimidade de sua origem, sua adequabilidade à ordem natural e a perfeição de seus fins. Uma discussão fadada a confundir, nas leis, concepções de natureza política, moral e religiosa. Definindo lei como “relações necessárias que derivam da natureza das coisas”, ele estabelece uma mediação complexa com as ciências empíricas, rompendo com a submissão da política à teologia de análise comparativa, que é possível uniformidade, constâncias na variação dos comportamentos e formas de organizar os homens, assim como é possível encontra-las nas relações de interação social entre os corpos físicos.

Também as leis que regem os costumes e as instituições são relações que derivam da natureza das coisas que sustentam as bases da tipologia analítica na interpretação do fato à política e sociologia para Montesquieu. Para o que nos interessa é com o conceito de lei, que Montesquieu traz a política para fora do campo da teologia e da crônica, e a insere num campo propriamente teórico. Estabelece uma regra de imanência que incorpora a teoria política ao campo das ciências: as instituições políticas são regidas por leis que derivam das relações políticas. As leis que regem as instituições políticas são relações próprias entre as diversas classes em que se divide a população, as formas de organização econômica, as formas de distribuição do poder etc. Mas o objeto de pensamento de Montesquieu não são as leis que regem as relações entre os homens em geral, mas as leis positivas, isto é, as leis e instituições criadas pelos homens para reger as relações determinadas entre os homens. Ele observa que, ao contrário dos outros seres, os homens têm a capacidade de se furtar às leis da razão que deveriam reger suas relações, adotam leis escritas e costumes destinados a reger os comportamentos humanos.

E têm também a capacidade de se furtar igualmente às leis e instituições. O objetivo é o espírito das leis, isto é, as relações entre as leis (positivas) e “diversas coisas”, tais como o clima, as dimensões do Estado, a organização do comércio, as relações entre as classes etc., quando tenta explicar as leis e instituições humanas, sua permanência e modificações, a partir de leis da ciência política. Os pensadores políticos que precedem Montesquieu (1689-1855) e J.-J. Rousseau (1712-1755), que o sucede são teóricos do Contrato Social ou do chamado Pacto Social, estão fundamentalmente preocupados com a natureza do poder político, e tendem a reduzir a questão da estabilidade do poder à sua natureza. Ao romper com o estado de natureza, onde a ameaça de guerra de “todos contra todos” põe em risco a sobrevivência da humanidade, o pacto que institui o estado de sociedade deve ser tal que garanta a estabilidade contra o risco de anarquia ou de despotismo. O que deve ser investigado em tese não é, portanto, a existência de instituições propriamente políticas, mas sim a maneira como elas funcionam em sociedade. Assim ele vai considerar duas dimensões do funcionamento político das instituições: a natureza e o princípio de governo. Sua natureza diz respeito a quem detém o poder: na monarquia, um só governa, através de leis fixas e instituições; na República, governa o povo no todo ou em parte nas repúblicas aristocráticas; no despotismo, governa a vontade de um só. As análises históricas sobre as “leis relativas à natureza do governo” deixam claro que se trata de relações entre as instâncias de poder e a forma como o poder se distribui, entre os modus operandi de diferentes grupos sociais.

Friedrich Hegel, dialeticamente percebe que a certeza sensível não se apossa do verdadeiro, já que a verdade dela é o universal, mas a certeza sensível quer captar o isto. A percepção ao contrário, toma como universal o que para ela é o essente. Como a universalidade é seu princípio, assim também são universais seus momentos, que nela distinguem imediatamente; o Eu é um universal, e o objeto é um universal. Esse princípio emergiu; por isso nosso apreender da percepção não é mais um aprender aparente, como da “certeza sensível”, mas sim um aprender necessário. No emergir do princípio, ao mesmo tempo vieram-a-ser os dois momentos que em sua aparição apenas ocorriam fora, a saber, - um, o movimento do indicar; outro, o mesmo movimento, mas como algo simples: o primeiro, o perceber; o segundo o objeto, conforme a essência, é o mesmo que o movimento: este é um desdobramento e a diferenciação dos momentos, enquanto o objeto abstrato da totalidade é seu Ser-reunido-num-só. O universal como princípio é a essência da percepção, e frente a essa abstração os dois momentos diferenciados – o percebente e o percebido – são o inessencial. Por serem ambos o universal ou a essência, os dois são essenciais. Mas se relacionam como movimentos opostos um ao outro, somente um pode ser o essencial na relação; e repartir entre eles a distinção entre o essencial e o inessencial.   

Um, determinado como o simples – o objeto – é a essência, indiferente a ser ou não percebida; mas o perceber, como movimento, é o inconsistente, que pode ser ou não ser, e é o inessencial. O princípio do objeto – o universal – é em sua simplicidade um mediatizado; assim, tem de exprimir isso nele, como sua natureza: por conseguinte se mostra como a coisa de muitas propriedades. Pertence à percepção a riqueza do saber sensível, e não á certeza imediata, na qual só estava presente como algo em-jogo-ao-lado. Com efeito, só a percepção tem a negação, a diferença, ou a múltipla variedade em sua essência. Assim, o isto é oposto como não isto, ou como suprassumido; e, portanto, não como nada, e sim como um nada determinado, ou um nada de um conteúdo, isto é, uma nada disto. Em consequência ainda está presente o sensível mesmo, mas não como devia estar na certeza imediata – como um singular visado -, e sim como universal, ou como o que será determinado como propriedade. O suprassumir apresenta sua dupla significação verdadeira no negativo: é ao mesmo tempo um negar e um conservar. O nada, como nada disto, conserva imediatez e é ele próprio, sensível; porém é uma imediatez universal.

Uma qualidade da obra posterior de Marx, é que o todo, na forma em que aparece no espírito como um todo-de-pensamento, é um produto do cérebro pensante, que se apropria do mundo do único modo que lhe é possível, de um modo que difere da apropriação desse mundo visionário pela arte, pela religião, in statu nascendi pelo espírito prático. Antes como depois, o objeto real conserva a sua independência fora do espírito; e isso durante o tempo em que o espírito tiver uma atividade meramente especulativa, meramente teórica. Por consequência, também no emprego do método teórico é necessário que o objeto de pensamento, a sociedade, esteja constantemente presente no espírito como dado primeiro. Mas as categorias simples não terão também uma existência independente, de caráter histórico ou natural, anterior às categorias mais concretas? Depende. Hegel, por exemplo, tem razão em começar a filosofia do direito pelo estudo da posse, constituindo esta a relação jurídica mais simples do problema. Mas não existe posse antes de existir a família ou as relações entre senhores e escravos, que são relações muito mais concretas. Pelo contrário, seria correto dizer que existem famílias, comunidades de tribos, que estão ainda apenas no estágio da posse e não da propriedade. Em relação à propriedade, a categoria mais simples surge, pois, como a relação de comunidades simples de famílias ou de tribos. Na sociedade num estágio superior, entre a civilização e a barbárie ela aparece aos olhos nus, em sua aparência, como a relação mais simples de uma organização mais desenvolvida.

Mas pressupõe-se sempre o substrato concreto que se exprime por uma relação de posse. Podemos imaginar um selvagem isolado que possua. Mas a posse não constitui neste caso uma relação jurídica. Não é exato que historicamente a posse evolua até a forma familiar. Pelo contrário, ela supõe sempre a existência dessa “categoria jurídica mais concreta”. Ipso facto, diz Marx, o dinheiro pode existir e existiu historicamente antes de existir o capital, os bancos, o trabalho assalariado, etc. Neste sentido, podemos dizer que a categoria social mais simples pode exprimir relações dominantes de um todo menos desenvolvido ou, pelo contrário, relações subordinadas de um todo mesmo desenvolvido, relações que existiam já antes que o todo se desenvolvesse no sentido que encontra a sua expressão numa categoria mais concreta. A evolução do pensamento abstrato, que se eleva do mais simples ao mais complexo, corresponde ao processo histórico real. A abstração mais simples, que a economia política moderna coloca em primeiro lugar e que exprime uma relação antiga e válida para todas as formas de sociedades, só aparece, no entanto, sob esta forma abstrata como verdade prática enquanto categoria da sociedade mais moderna. Por causa de sua natureza abstrata – para todas as épocas, não são menos, sob a forma determinada desta abstração, o produto de condições históricas e sociais globais só se conservam válidas nestas condições e no quadro destas em seu curso.

Reconhecemos a longa história do conceito de Lei: um legislador e seus súditos. A lei possuía assim a estrutura da ação humana consciente: tinha um objetivo, designava uma finalidade, ao mesmo tempo de exigia uma espera. Para os sujeitos que viviam sob a lei, oferecia o equívoco do constrangimento e do ideal. A ideia de que a natureza podia ter leis que não eram ordens, levou tempo a libertar-se desta herança. Este longo esforço consegue, no século XVIII, encontrar um domínio próprio para o novo sentido de lei: o da natureza, o da Física. Ao abrigo decerto de Deus, que lá pelas alturas protegia ainda a antiga forma da lei, salvando as aparências, desenvolvia uma nova forma de lei, que a pouco e pouco, passando de René Descartes a Sir Isaac Newton, tomou a forma que Montesquieu enuncia: Uma relação constantemente estabelecida entre termos variáveis, e tal que cada diversidade é uniformidade, cada transformação, constância. O antigo domínio da lei, ordem e fim enunciados por um senhor, conservava posições de origem: o domínio da lei moral ou natural, o domínio das leis humanas.

Montesquieu propõe que se rejeite a antiga acepção histórica da palavra lei, dos domínios em que ela consideravelmente imperava. E que se consagre para a totalidade dos seres, de Deus à pedra, o reino da definição moderna: a lei-relação. Neste sentido, todos os seres têm as suas leis: a divindade tem as suas leis, o mundo material tem as suas leis, as inteligências superiores ao homem têm as suas leis, os animais têm as suas leis, o homem tem as suas leis. O melhor meio para aniquilar o adversário é colocarmo-nos ao lado dele. Perscrutar os antigos domínios. Ei-los abertos diante de Montesquieu, e a sua interptreação das leis na história, para começar o mundo inteiro da existência dos homens nas suas cidades e na sua história. Finalmente, vai poder impor-lhes a sua lei. No momento da descoberta será apenas a hipótese metodológica e só se tornará princípio se verificada. Curiosa paixão que tem três modalidades: o princípio da monarquia é a honra; o da república é a virtude; e o do despotismo é o medo. Esta é a única paixão propriamente dita, o único móvel psicológico dos comportamentos políticos, razão por que o regime que lhe corresponde é um regime que se situa no limiar do fazimento da ação política: o despotismo seria menos do que um regime político, quase uma extensão do estado de violência bruta da natureza, onde os homens atuam movidos pelos instintos e orientados para a sobrevivência. A honra é uma paixão social. Ela corresponde a um sentimento afetivo de classe, a paixão da desigualdade, o amor aos privilégios e prerrogativas que caracterizam a nobreza. 

Navio desaparecido há cerca de 95 anos no Triângulo das Bermudas é fotografado. O Triângulo das Bermudas é formado por 1,1 milhão e meio de quilômetros quadrados em alto mar dentro de um triângulo equilátero (daí seu nome) formado pelos extremos das ilhas das Bermudas, Porto Rico e Miami, na Flórida, Estados Unidos da América (EUA). Este triângulo imaginário guarda um segredo: centenas de navios desapareceram desde que há registro etnográfico deste lugar, quase uma centena de aviões – que se conheçam – e milhares de pessoas. Estão todos no fundo do mar? Estão em outra dimensão do espaço sideral? Estão afundados com a cidade perdida da Atlântida? Provavelmente não, mas os humanos sempre gostaram de incluir um pouco de lenda e mistério aos fenômenos que não conseguiram comprovar. Ano 1945 é uma data que marca o início deste mistério. Tripulações de cinco aviões da Marinha dos Estados Unidos que sobrevoavam a área atlântica desapareceram. Até mesmo uma sexta aeronave desapareceu, um avião de emergência Martin Mariner que tinha ido em socorro das outras tripulações. No total, 27 pessoas desapareceram sem deixar rastro. Na última comunicação social com eles, um de seus membros afirmou que estavam completamente perdidos e sem saber em que direção continuar. Depois disso, nada!

O primeiro relato escrito deste mistério data de 1950, realizado pelo jornalista sensacionalista Edward Van Winkler Jones, que escreveu no jornal Miami Herald sobre o estranho desaparecimento de um grande número de barcos nas costas das Bahamas. sobre o “estranho desaparecimento” de um número enorme de barcos na costa das Bahamas. Em 1964, a revista de ficção Argosy Magazine publicou um artigo chamado: “O Triângulo Mortal das Bermudas”, no qual mencionava desaparecimentos estranhos e até fenômenos paranormais. Reconhecido também outrossim “Triângulo do Diabo”, é considerada uma região de passagem rápida de navios e aviões entre a América do Norte e a Europa. Na verdade, é uma espécie de atalho. Dois anos depois, o escritor George Sand (1804-1876) contribuiu com o debate das ideias afirmando que havia inexplicáveis desaparecimentos marítimos nessa área. Mas por que aquele lugar? Porque era e ainda é um ponto de passagem muito frequentado por navios e aviões que viajam do continente americano para o europeu. Seus fortes ventos e as correntes do Golfo tornam mais rápida a navegação e os voos através da área. É uma espécie de “atalho” ou “rota rápida” de navegação para a Europa. E como sabemos, quanto mais barcos ou aviões passarem por este “lugar praticado”, maiores serão as probabilidades de que aconteça algo incomum. Existem várias teorias, porém nenhuma comprovada, que tentam explicar o fenômeno que ocorre nesta região sendo algumas das mais surpreendentes: Embora seja verdade que existem “buracos negros” e toda uma teoria desenvolvida por numerosos cientistas, incluído o famoso físico inglês  Stephen Hawking (1942-2018), responsável por grandes contribuições para a astrofísica moderna, é improvável que exista nesta área. Por quê? Porque um buraco negro é uma região finita do espaço na qual a massa concentrada é tão poderosa que nada escapa de seu controle. Em outras palavras, se houvesse um buraco negro na água ou no firmamento (céu) tudo o que passasse por ele desapareceria sem exceção.

Em minutos o dia na Terra dura 1440 minutos, em segundos dura 86 400. O dia sideral (rotação) utiliza as estrelas como referência para a determinação do tempo. Devido ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol, a duração do dia sideral não coincide com a do dia solar. Entre uma noite e outra o planeta Terra percorre a orbita em torno do Sol. O dia sideral é consequência do movimento de translação. Se, em um ano corresponde, um dia solar se deve ao movimento de rotação da Terra, contido em um dia sideral, 0.274% dele se deverá ao movimento de translação. Considerando-se um dia solar de 24 horas, ou 1440 minutos, 3,94 minutos seriam consequência do movimento de translação e 23 horas, 56 minutos e 4 segundos consequência do movimento de rotação. A rotação (dia sideral) tem duração menor que a duração de um dia solar. Uma estrela observada numa linha perpendicular ao eixo de rotação da Terra às 00:00 de uma noite será observada, na mesma linha perpendicular às 23:56:04 na noite seguinte, após uma nova rotação. Durante esta rotação a Terra terá deslocado um pouco na sua órbita ao redor do Sol, esta é a diferença entre o que se explica sobre o dia solar e o dia sideral.

O dia sideral médio, considerando as variações elípticas da órbita da Terra, é de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos. O dia sideral médio pondera diferenças que ocorrem durante o afélio da Terra, é o ponto da órbita em que um planeta, ou um corpo menor do sistema solar está mais afastado do Sol, onde o dia sideral é maior, a velocidade angular de translação da Terra é menor, e vice-versa, quando um corpo se encontra no periélio, ele tem a maior velocidade de translação de toda a sua órbita.  Quando o corpo em questão estiver orbitando outro objeto celeste que não o Sol, utiliza-se o periastro para identificar esse ponto. Quando a Terra está mais próxima do Sol, e a velocidade angular de translação é maior. Moléculas de água congelada foram descobertas à sombra de uma cratera na Lua. Isto é importante. Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), a agência espacial norte-americana, anunciou recentemente o Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha (SOFIA) que detectou moléculas de água congelada na Cratera Clavius, uma enorme e antiga cratera existente nas terras altas perto do polo sul lunar, numa região acidentada e montanhosa, crivada de antigas crateras de impacto, situada no hemisfério Sul da Lua, para o astrônomo Cássio Barbosa, do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros (FEI), uma instituição de ensino superior católica jesuíta. Foi uma das fundadoras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1946. Sally Ride (1951-2012) foi uma das 8 mil mulheres que se inscreveram para concorrerem num programa da NASA para ser a primeira astronauta do programa espacial norte-americano em 1978.

Em 18 de junho de 1983, tornou-se a primeira norte-americana a subir ao espaço na tripulação do Challenger, missão STS-7. A missão colocou em órbita dois satélites e recolheu um avariado. Diversos países, incluindo os Estados Unidos da América, Canadá, Luxemburgo, África do Sul e China têm planos de colonizar o satélite natural da Terra nas próximas décadas, isto é, “instalar bases científicas para exploração de minérios e outros recursos”. - Além do fato de que a água poderá ser consumida pelos astronautas e cumpre papel no resfriamento e controle de temperatura, ao decompor a substância, obtém-se hidrogênio e oxigênio. Duília Fernandes de Mello, astrônoma e astrofísica brasileira que descobriu a Supernova SN 1997D, no Chile em 14 de janeiro de 1997. Participou da descoberta das “bolhas azuis”, reconhecidas como “orfanatos de estrelas” por darem origem a estrelas foras das galáxias. Tornou-se pesquisadora associada do Goddard Space Flight Center em 2003 e da Universidade Católica da América, nos Estados Unidos em 2008.– “Fazia um bom tempo que os cientistas especulavam sobre a existência de água na Lua”, diz o coordenador do Observatório Didático de Astronomia da Universidade Estadual Paulista, do município de Bauru, a 326 km do estado de São Paulo, professor Rodolfo Langhi. - “A descoberta indica que o universo ainda esconde muitos mistérios a serem desvendados, mesmo tão próximos de nós”. Segundo Langhi, as moléculas foram observadas e indiretamente capturadas por meio da mensagem chamada espectroscopia. – “Utiliza-se um espectroscópio, que separa a luz branca em todas as cores, como ocorre mais ou menos no arco íris.  Aparecem algumas linhas semelhantes a um código de barras numéerico. Acontece que cada elemento químico apresenta um conjunto de linhas próprias em posições bem específicas, então é como se cada elemento químico tivesse seu próprio código de barras, ou impressão digital, na natureza”. 

A Lua é o único corpo celeste para além da Terra no qual os seres humanos já pisaram. O Programa Luna, da União Soviética comunista (URSS), foi o primeiro a atingir a Lua com sondas não tripuladas em 1959. O Programa Apollo, do governo imperialista dos Estados Unidos da América (EUA), permitiu a realização das únicas missões tripuladas até hoje ao satélite, desde a primeira viagem tripulada em 1968 pela Apollo 8, até seis alunagens tripuladas entre 1969 e 1972, a primeira das quais a Apollo 11. Estas missões recolheram mais de 380 kg de rochas lunares que têm sido usadas no estudo sobre a origem, história geológica e estrutura interna da Lua. Após a missão Apollo 17, em 1972, a Lua foi visitada por naves espaciais não tripuladas, pela última sonda do programa soviético Lunokhod. Mas desde 2004, Japão, China, Índia, Estados Unidos da América (EUA) e a Agence Apatiale Européenne enviaram sondas espaciais ao satélite. Estas naves espaciais têm contribuído para confirmar a descoberta de água gelada em crateras lunares escuras nos polos e vinculada ao regolito lunar. Missões tripuladas para a Lua foram planejadas, através de esforços pragmáticos de governos e financiamento privado. A Lua permanece, conforme acordado no Tratado do Espaço Exterior, livre para todas as nações democráticas que queiram explorar o satélite para fins evidentemente reconhecidos pacíficos          

 Equador é a linha abstrata ao redor do meio de um planeta ou outro significativo corpo celeste. Está a meio caminho entre o Polo Norte e o Polo Sul, a 0° graus de latitude. Através dos paralelos é possível localizar a Latitude, que é a distância em graus de qualquer ponto da superfície terrestre até a linha do equador. A sua medida varia de 0 a 90 graus, sendo que a linha do equador corresponde a 0°. Um equador divide o planeta em hemisfério norte e hemisfério sul. A Terra é esférica mais larga no seu equador, com uma circunferência de 40. 075 quilômetros. Seu diâmetro equatorial, de cerca de 12. 756 quilômetros, também é mais largo ali, criando o fenômeno chamado de “protuberância equatorial”. O empuxo gravitacional da Terra é ligeiramente mais fraco no equador devido a sua protuberância equatorial. Por sua atração gravitacional ser levemente mais fraca, o equador é ideal para lançamentos de foguetes espaciais, pois os mesmos consomem menos energia ao serem lançados em baixa gravidade. Duas vezes ao ano, nos equinócios da primavera e outono, o Sol passa diretamente sobre o equador. Mesmo no resto do ano, as regiões equatoriais geralmente experimentam um clima quente e úmido com pouca variação sazonal. A estação úmida ou chuvosa geralmente dura mais tempo a maior parte do ano. A longa e quente estação chuvosa cria extraordinárias florestas tropicais. Seu clima úmido faz com que as regiões equatoriais não sejam as mais quentes do mundo, e também algumas regiões, como o monte Quilimanjaro na Tanzânia e a Cordilheira dos Andes na América do Sul,  não são quentes e úmidas.       

Yuri Gagarin (1934-1968) e Valentina Tereshkova, o primeiro homem e primeira mulher no espaço, fotografados com suas medalhas, que indica a concessão tanto de um Prêmio quanto de uma Ordem ou Condecoração. Em 1960 foi um dos vinte pilotos  selecionados, após rigorosos testes físicos e psicológicos, para o programa espacial soviético, e acabou por ser escolhido para ser o primeiro a ir ao espaço, pelo seu excelente desempenho no treinamento, sua origem camponesa que contava pontos no sistema comunista, sua personalidade magnética e esfuziante e, principalmente, devido às suas características físicas: ele tinha 1,57 metros de altura e 69 kg – já que a nave programada para a viagem pioneira em órbita, a espaçonave Vostok, tinha um espaço mínimo para o piloto. Gagarin foi um cosmonauta soviético e o primeiro ser humano a viajar pelo espaço. Esta espaçonave possuía dois módulos: o de equipamentos, com instrumentos, antenas, tanques e combustível para os retrofoguetes, e a cápsula onde ficou o cosmonauta. Valentina Tereshkova completou 48 revoluções na espaçonave Vostok 6, de 16 de junho a 19 de junho de 1963. Transformada em uma heroína nacional após o sucesso de sua missão, condecorada por líderes soviéticos, russos e estrangeiros de várias nações, nos anos seguintes se tornou proeminente na sociedade e na política do país, primeiro na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e depois de 1991 na Rússia.

É a única mulher a ter realizado um voo solo ao espaço. Aos 24 anos, em 1961, começou a estudar para se qualificar como cosmonauta, no mesmo ano em que o diretor do programa espacial soviético, Sergei Korolev, considerou enviar mulheres ao espaço, numa forma de colocar a primeira mulher em órbita na frente dos Estados Unidos da América (EUA), durante a corrida espacial entre as duas superpotências. Em 1962, ela foi admitida como cosmonauta, junto a mais quatro mulheres – das quais apenas ela acabou indo ao espaço – sendo a menos preparada de todas, sem educação universitária, mas uma paraquedista experiente, o que era uma considerada uma condição fundamental para o voo, já que a nave Vostok operava automaticamente, dispensando pilotagem. Os postulantes as cosmonautas deviam ter menos de 30 anos, menos de 1,70 metros, menos de 70 kg, saúde perfeita, ideologia pura e ao menos seis meses de experiência em paraquedismo. Ela cumpria todas as exigências. Ao final dos meses que incluíram aprendizagem de pilotagem de jatos, testes em centrífugas e isolamento completo, ela e outra candidata, Valentina Ponomaryova, foram as finalistas. Foi Nikita Khrushchov (1894-1971) quem decidiu finalmente por Tereshkova, e a idealizou como a “Nova Mulher Soviética”: uma comunista devotada, trabalhadora humilde de fábrica de tecidos – Ponomaryova era piloto, cientista, engenheira, feminista, desbocada e fumava – filha de um herói de guerra e basicamente “uma boa menina”. Para questões de propaganda, Khrushchov achava que Valentina era a mais bonita delas. Irina Soloviyova, a terceira candidata melhor avaliada, ficou como cosmonauta-reserva. Nikolai Kamanin, piloto herói de guerra soviético e então chefe do departamento de treinamento de cosmonautas do programa espacial soviético, depois chamaria Tereshkova de “Gagarin de saias”.

O relógio biológico humano adapta-se com a referência da luz solar regida pelo período de 24 horas. Apesar de no âmbito comum ser algumas vezes frequente considerar que a duração do tempo de dia e a duração da noite têm períodos iguais de 12 horas, essa característica somente acontece na Linha do Equador, em todas as estações do ano, e no Equinócio, que ocorre 2 vezes por ano, onde os dias e as noites têm períodos iguais em todas as regiões do planeta Terra. Para regiões afastadas da Linha do Equador e em datas afastadas do Equinócio, a variação da duração dos dias e das noites é significativa ao longo do decorrer do ano. Os solstícios de inverno e verão podem ser definidos a partir dos dias mais curtos e dias mais longos, respectivamente. Os equinócios e solstícios demarcam o início das quatro bem demarcadas estações do ano: verão, outono, inverno e primavera, e podem ser obtidos através da duração do dia solar, medido a partir do momento em que metade do Sol cruza o horizonte na nascente e o momento igualmente que cruza o poente, à exceção se o observador estiver na linha do equador.

A cosmologia muitas vezes é confundida com a astrofísica, que é o ramo da astronomia que estuda a estrutura e as propriedades dos objetos celestes e o universo como meio de trabalho, através da física teórica, abstrata. A confusão aparente ocorre porque ambas seguem caminhos paralelos na investigação sob alguns aspectos, muitas vezes considerados redundantes, embora certamente não o sejam. Na Antiguidade a observação empírica dos astros e a interpretação “religiosa” mantiveram uma ligação praticamente una. Os povos primitivos são os que têm um modo primitivo de procura da alimentação. As formas mais simples da produção consistem na caça e na colheita de vegetais, utilizando símbolos representando os corpos celestes nas manifestações de arte rupestre. No antigo Egito e outras civilizações de seu tempo histórico, acreditava-se que a Terra “fosse plana” (cf. Randless, 1980), e os astros “lâmpadas fixas numa abóbada móvel”. Em muitas civilizações existiam crenças onde se acreditava que o Sol nascia a cada amanhecer para morrer ao anoitecer, tornando-se a base de religiões antigas. Os gregos, sobretudo os seguidores ou discípulos de Pitágoras, dos quais se destacam: Temistocleia, uma filósofa, matemática e alta profetisa de Delfos. Temistocleia foi uma profetisa de Delfos, um dos mais importantes oráculos da Antiguidade grega.

De acordo com as fontes documentas, disponíveis, ela é considerada a mestre de Pitágoras, além da possibilidade de ter sido sua irmã; Filolau de Crotona, um filósofo pré-socrático pitagórico que tradicionalmente se aceita que este filósofo tenha escrito um livro em que expunha a doutrina pitagórica, que era secreta e reservada apenas aos seus discípulos; Arquitas de Tarento, é o representante talvez mais ilustre dos matemáticos pitagóricos. Acredita-se ter sido discípulo de Filolau de Crotona e também amigo de Platão. Fundou a mecânica matemática e influenciou a concepção matemática de Euclides. Foi o primeiro a usar o cubo em geometria e a restringir as matemáticas às disciplinas técnicas como a geometria, aritmética, astronomia e acústica. Embora inúmeras obras sobre mecânica e geometria lhe sejam historicamente atribuídas, restaram-lhe fragmentos cuja preocupação central é a Matemática e a Música; Alcmeão, foi um filósofo pré-socrático e médico grego de Crotona, o principal centro de estudo e divulgação do pensamento pitagórico, atualmente representado na Itália, e um dos mais importantes discípulos de Pitágoras.

Dedicado à medicina e às investigações das ciências naturais, realizou a primeira dissecação de um cadáver humano e desenvolveu uma teoria acerca da origem e dos processos fisiológicos das sensações, sugerindo que os sentidos estariam ligados ao cérebro, sendo a vida psíquica uma mera função cerebral; e Melissa, uma ninfa que descobriu e ensinou o uso do mel, e de quem se acredita que as abelhas receberam seu nome, melissas. As abelhas parecem ter sido o símbolo das ninfas, pelo que elas, às vezes, se chamavam Melissas, e às vezes dizem ter sido metamorfoseadas em abelhas. Daí também se diz que as ninfas na forma de abelhas guiaram colonos que foram ao Éfeso; e as ninfas que cuidavam do bebê Zeus eram as Melissas ou Mélias, acreditavam que os corpos celestes tinham seus movimentos regidos rigorosamente pelas leis naturais, na esfericidade da Terra e na harmonia dos mundos; já os seguidores de Aristóteles consideravam a teoria geocêntrica, onde a Terra era o centro do universo. A teoria do universo geocêntrico ou geocentrismo é o modelo de análise cosmológico mais antigo. Na Antiguidade era raro quem discordasse dessa visão; e entre os filósofos que defendiam esta teoria, o mais conhecido era Aristóteles. Foi o matemático e astrônomo grego de Alexandria Ptolomeu (90-168 d.C.) que, na sua obra Almagesto, deu a forma final a esta teoria abstrata, que se baseia na hipótese de que “o planeta Terra estaria fixo no centro do Universo com os corpos celestes”, inclusive o Sol, girando ao seu redor.

A obra, escrita em grego, adota o modelo geocêntrico para o sistema solar, além de conter um extenso catálogo estelar. É um dos textos científicos mais influentes de todos os tempos, tendo sido considerado autoridade no assunto desde a antiguidade, irradiado no império bizantino, no chamado “mundo árabe”, do oceano Atlântico, a oeste, até o mar Arábico, a leste, e do mar Mediterrâneo, a norte do Corno de África, até o noroeste do oceano Índico e na Europa ocidental ao longo do percurso histórico e social da idade Média e Renascença até meados do século XVI, com o heliocentrismo e a tese de Copérnico. O geocentrismo antigo não se confunde com um perspectivismo, pois a “antiga crença não envolvia apenas um mero ponto de observação equidistante, mas a ideia que o universo era relativamente limitado, tendo ao seu centro o Planeta Terra”. A visão geocêntrica predominou no pensamento humano até o resgate, feito pelo astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), de uma hipótese igual antiga, a hipótese heliocêntrica, criada pelo astrônomo grego Aristarco de Samos (310-230 a.C.).

Na cidade egípcia de Alexandria no século III a.C., Eratóstenes, lendo um papiro, observou que havia uma descrição etnográfica de que uma localidade ao Sul da antiga cidade egípcia de Suenet reconhecida na Grécia como Siena, e nos dias atuais como Assuão, localizada no Trópico de Câncer era atravessada pelo Sol a pino no último dia do solstício de verão. Nesse, ao meio dia, em 21 de junho, eram colocadas “duas varetas perfeitamente em prumo e estas não produziam sombra”. Sabia-se também que nesse momento a luz do Sol no solstício de verão refletia diretamente no fundo de um poço profundo e que as colunas dos templos não produziam sombra. Comparando em localidades diferentes as sombras ao meio dia de 21 de junho, descobriu que no solstício de verão de Alexandria a projeção do Sol era de formas bastante pronunciadas, em torno de sete graus. Eratóstenes imaginou que se a Terra fosse plana as varetas não haveriam de projetar sombra em nenhuma das duas localidades. E se numa delas havia esta projeção e em outra não, é porque a Terra não era plana e curva; num exercício de lógica matemática, após deduzir a defasagem de sete graus entre Siena e Alexandria, pagou para um de seus auxiliares medir a distância em passos entre as duas localidades, chegando à conclusão que esta seria em torno de 800 km. Como a defasagem angular é, ou gira em torno preciso de 7 graus e a circunferência é 360 graus, dividindo 360 por 7, encontrou aproximadamente 50, que multiplicado por oitocentos resultou numa circunferência exatamente de 40 mil km. Isto é, apenas um aspecto demonstrado pela sabedoria humana há aproximadamente dois mil e duzentos anos passados.

Bibliografia geral consultada.

BERGER, Peter Ludwig, Um Rumor dos Anjos: A Sociedade Moderna e a Redescoberta do Sobrenatural. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1973; LANGBAUM, Robert, Poetry of Experience: The Dramatic Monologue in Modern Literary Tradition. Londres: Editor Penguin Books, 1974; KUSCHE, Lawrence David, The Bermuda Triangle Mystery - Solved. New York: Editor Harper & Row, 1975; ALTHUSSER, Louis, Del Espiritu de las Leyes. Buenos Aires: Editorial Claridad, 1977; RANDLES, William Graham Lister, De la Terre Plate au Globe Terrestre: Une Mutation Épistémologique Rapide, 1480-1520. Paris: Editeur Armand Colin, 1980; MONDOLFO, Rodolfo, La Comprensión del Sujeto Humano en la Cultura Antigua. Buenos Aires: Editorial Universitária de Buenos Aires, 1978; MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas, Atlas Celeste. 3ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; MARÍAS, Julián, A Perspectiva Cristã.  São Paulo: Editora Martins Fontes, 2000; GLEISER, Marcelo, O Fim da Terra e do Céu: O Apocalipse na Ciência e na Religião. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2001; HAWKING, Stephen William, O Universo numa Casca de Noz. São Paulo: Editora Arx, 2006; MOSCATELI, Renato, Rousseau Frente ao Legado de Montesquieu: Imaginação Histórica e Teorização Política. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2009; MIRANDA NETO, Affonso Celso de, Eram Deuses os Guitarristas? Heróis e Mitos no Imaginário Social da Cultura Massiva. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; SANTOS, Cristiano Rodrigues, Buracos Negros e a Conjectura da Censura Cósmica, Palestra e Estudo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Matemática em Rede Nacional - Sociedade Brasileira de Matemática (RJ). Jataí: Universidade Federal de Goiás, 2019; MARCOS, Carlos, “Os últimos dias de Jimi Hendrix, 50 anos após a sua ainda misteriosa morte”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/cultura/2020-09-18; MENEZES, Filipe Henrique de Castro, Termodinâmica de Buracos Negros. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Física. Instituto de Ciências Exatas. Departamento de Física. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2021; NOGUEIRA, Matheus Nilton Vidal, Buracos de Minhoca do Tipo Schwarzschold na Teoria Assintoticamente Segura da Gravidade. Tese de Doutorado. Departamento de Física. Centro de Ciências. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2022; entre outros.