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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Michael Schumacher – Homem-máquina & Automatismo dos Hábitos.

                                O tempo penetra o corpo, e com ele, todos os controles minuciosos de poder”. Michel Foucault

          O automobilismo é um desporto relacionado com competição com automóveis. É um dos desportos mais populares do mundo e talvez aquele em que a comercialização seja mais intensa, globalizada e de influência das corporações midiáticas. As corridas de automóveis iniciaram-se quase imediatamente depois da construção dos primeiros carros movidos a gasolina, bem sucedidos e influenciados pelas populares corridas de carro. Em 1894, foi organizada a primeira competição na França pela revista parisiense Le Petit Journal, entre Paris para Ruão, em francês e em normando: Rouen, é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no Noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do Norte europeu na Idade Média, Ruão é, a capital da região francesa da Normandia e do departamento do Sena Marítimo. Tratava-se de um teste de confiabilidade para determinar o melhor desempenho, chamado de Concours des Voitures sans Chevaux. Começaram a corrida 69 carros em torno de um percurso de 50 km que iria determinar os classificados para a corrida principal de 127 km, selecionando 25 carros que se classificaram. O conde Jules-Albert de Dion foi o primeiro a chegar em Ruão no tempo de 6 horas e 48 minutos, numa velocidade média de 19 km/h, contudo, sua vitória não foi contabilizada, pois o carro continha um acessório proibido, por essa razão o título da corrida foi dado a Georges Lemaître, que chegou na segunda colocação.

O jornal foi responsável pela criação original de dois importantes eventos desportivos na França daquele período. Em 1891 patrocinou a criação da corrida de bicicletas Paris-Brest-Paris. Organizou também a primeira corrida de automóveis da história: a Competição de carruagem sem cavalos de 1894 entre Paris e Ruão. A corrida foi ganha pelo conde Albert Jules Graf de Dion (1856-1946) na De Dion-Bouton. Le Petit Journal foi um jornal parisiense publicado de 1863 a 1944. Foi fundado por Moïse Polydore Millaud (1813-1871). Em suas colunas eram publicados curiosidades, grandes acontecimentos políticos, fatos históricos e sociais e retrospectivos com textos ficcionais de Émile Gaboriau e de Ponson du Terrail. Em diversos números com a utilidade de uso de marketing, e evidente sensacionalismo dado às suas coberturas jornalísticas de campo. Na década de 1890, devido à sua grande popularidade, chegou a ter uma tiragem de um milhão de cópias, e em 1884 foi incluída na publicação um suplemento semanal ilustrado. Conservador e republicano, em novembro de 1923, o jornal elaborou a capa, questionando a relação de gênero, se a “fragilidade feminina se adaptaria a esse esporte violento que é o futebol”.

O momento histórico das disciplinas é o momento, segundo Foucault (2014: 135 e ss.), em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seu comportamento. O corpo humano entras numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma “anatomia política”, que é também igualmente uma “mecânica de poder”. Está nascendo; ela define como se pode ter o domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos “dóceis”. A disciplina aumenta as força do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra: ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte a energia, a potência que poderia resultar, e faz dela relação de sujeição estrita.               

Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, digamos que a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada. A “invenção” dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros, distinguem-se segundo seu campo de aplicação, entram em convergência e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los nos colégios, muito cedo; mais tarde nas escolas primárias; investiram lentamente o corpo hospitalar; e em algumas dezenas de anos reestruturam a organização militar. Circulam às vezes muito rápido de um ponto a outro, entre o exército e as escolas técnicas ou os colégios e liceus, às vezes lentamente e de maneira mais discreta quando formam a militarização insidiosa das grandes oficinas. A cada vez, ou quase, impuseram-se a exigências de determinada conjuntura: aqui uma inovação industrial, lá a recrudescência de certas doenças epidêmicas, acolá a invenção do fuzil ou as vitórias da Prússia. O que não impedem que se inscrevam, no total, nas transformações gerais e essenciais que necessariamente serão condicionadas.        

Émile Gaboriau (1832-1873), citado por Michel Foucault (2014), foi um escritor francês, romancista, jornalista e um pioneiro da ficção policial. Gaboriau nasceu na pequena cidade de Saujon, Charente-Maritime. Ele era filho de Charles Gabriel Gaboriau, funcionário público e sua mãe era Marguerite Stéphanie Gaboriau. Tornou-se secretário de Paul Féval e, depois de publicar alguns romances e diversos escritos, encontrou seu verdadeiro dom em L`Affaire Lerouge (1866). Foi o primeiro romance policial de Gaboriau, apresentou um detetive amador. Também apresentou um jovem policial chamado Monsieur Lecoq, que foi o herói de três dos romances policiais posteriores de Gaboriau. O personagem de Lecoq foi baseado em um ladrão da vida real que se tornou policial, Eugène François Vidocq (1775-1857), cujas próprias memórias, Les Vrais Mémoires de Vidocq, misturavam ficção e realidade. Também pode ter sido influenciado pelo vilão Monsieur Lecoq, um dos principais protagonistas da série de livros Les Habits Noirs de Féval. O livro foi publicado no Le Siècle e imediatamente fez sua reputação. Gaboriau ganhou um grande número de seguidores, mas quando Arthur Conan Doyle criou Sherlock Holmes, a fama internacional de Monsieur Lecoq diminuiu. A história foi produzida no palco em 1872. Uma longa série de romances lidando com os anais do tribunal policial se seguiu e provou ser muito popular. Os livros de Gaboriau foram geralmente bem recebidos. Sobre o mistério do orcival, Harper`s escreveu em 1872: - “De sua classe de romance - sensacionalista francês - este é um espécime notável e único”. Uma versão cinematográfica de Le Dossier nº 113 foi lançada em 1932. Em A Study in Scarlet, Conan Doyle faz Watson perguntar a Sherlock Holmes o que ele acha do trabalho de Gaboriau. Holmes menospreza Lecoq como “um miserável trapalhão”.

Em 1895 realizou-se a primeira corrida propriamente dita, entre Paris e Bordéus. A corrida tinha um trajeto de 1 178 km e 46 concorrentes, mas apenas 22 deles iniciaram a prova. O primeiro a chegar foi Émile Levassor (1843-1897), um engenheiro francês, pioneiro da indústria automobilística, mas foi desclassificado porque o seu carro não obedecia às exigências da competição. Assim, o prêmio foi para o segundo colocado. A primeira corrida de automóveis na América do Norte é geralmente considerada a corrida do Chicago Times-Herald, um percurso de 54,36 milhas realizado no Dia de Ação de Graças em 28 de novembro de 1895. A cobertura do evento pela imprensa “despertou pela primeira vez um interesse norte-americano significativo no automóvel”. O veículo elétrico La Jamais Contente, de aerodinâmica automotiva avançada e projetado por Camille Jenatzy (1868-1913), foi o primeiro automóvel a superar a velocidade de 100 km/h, em Paris a 29 de abril de 1899. Era um corredor belga, reconhecido por romper três vezes o recorde de velocidade em terra, sendo o primeiro em superar a barreira dos 100 km/h. Era apelidado Le Diable Rouge devido à cor da sua barba. 

Michael Schumacher representa um expert automobilista alemão, sete vezes campeão do mundo da principal categoria do automobilismo, detém inúmeros recordes, incluindo voltas mais rápidas, maior número de campeonatos e mais corridas ganhas em uma única temporada no ano de 2004. Em 2002 ele se tornou o único piloto na história da F1 a terminar entre os três primeiros em todas as corridas em um mesmo campeonato. Fora das pistas, Schumacher foi embaixador da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e orador para a segurança do motorista. Esteve envolvido em inúmeros esforços humanitários ao longo da vida e doou dezenas de milhões de dólares para a caridade. Michael e seu irmão Ralf Schumacher são os únicos irmãos a vencer corridas na Fórmula 1, e eles foram os primeiros irmãos 1° e 2° lugar na mesma corrida, em Montreal em 2001 e novamente em 2003.  Após três temporadas afastado da categoria que o consagrou, Schumacher retornou defendendo a Mercedes na temporada de 2010. 

Em 1987, Schumacher iniciou sua carreira em monopostos na Fórmula König. Nesta época, recebia investimento de dezesseis mil marcos alemães por corrida, de Jürgen Dilk. Acabou campeão da categoria. Em 1988, disputou a Fórmula Ford e foi vice-campeão. Passou para a Fórmula 3, tendo Willi Weber seu novo empresário. Em 1989, terminou em terceiro no campeonato, e no ano seguinte conquista seu segundo título de categorias de base. Após anos de competições, em 1990, Michael foi escolhido em um programa de formação de jovens pilotos promissores financiado pela Mercedes-Benz. Teve como companheiros o alemão Heinz-Harald Frentzen e o austríaco Karl Wendlinger. Terminou o campeonato em quinto. No final do ano, para aprimorar seu ritmo de corrida, a montadora decidiu dar-lhe um carro para o encerramento da temporada do Deutsche Tourenwagen Masters (DTM), no Circuito de Hockenheim, autódromo localizado perto de Hockenheim, no estado de Baden-Württemberg. Carro oficial, de fábrica, número 65. Mercedes-Benz 190 E 2.5/16 Evo 2, vencedor de cinco corridas no ano. Mesmo com o equipamento competitivo, Schumacher conseguiu apenas o 15º tempo nos treinos, quase 5s atrás do pole position, piloto Frank Jelinski, da Audi. A corrida do jovem piloto durou apenas uma curva, mas uma curva que, todavia, mudou a ordem das coisas daquela temporada. Michael bateu na traseira do BMW de Johnny Cecotto, líder do campeonato, que liderava na pista pelo título com Hans Von Stuck.       

Com o abandono do venezuelano, Stuck venceu as duas provas, ficando com a taça. Schumacher, com o carro destruído, sequer pôde correr na segunda bateria. E o autódromo, lotado, sequer imaginava que aquele “novato atrapalhado seria aclamado alguns anos depois”. Schumacher seguiu com a Mercedes em 1991. Disputou novamente o Mundial de Protótipos, vencendo uma corrida em Autópolis, no Japão. No meio do ano, mais uma oportunidade para correr no DTM. Seria no veloz circuito de rua de Norisring. Schumacher teve uma vez mais um carro oficial de fábrica, da equipe Zakspeed, com o francês Fabien Giroix e o alemão Roland Asch como companheiros. Asch fez a pole e largou na frente na primeira bateria. Schumacher foi apenas 19º no grid, terminando a corrida em 24º vitória do dinamarquês Kurt Thiim, da equipe Mercedes Benz. Com problemas mecânicos, Michael pouco correu na segunda prova do dia 30 de junho de 1991. Um mês depois, na pista montada no aeroporto de Diepholz, Schumacher voltou a ocupar um Mercedes no Alemão de Turismo. Da mesma equipe Zakspeed, carro número 20. Nos treinos, obteve a mísera 21ª colocação. Pole-position para Jacques Laffite, também da Mercedes. E abandono para Schumy, no começo. Na segunda bateria, novamente em 21º, atuação discreta até o 14ª lugar, na posição final.

A Zakspeed foi uma equipe alemã de Fórmula 1 onde correu de 1985 à 1989. Foi fundada em 1968 por Erich Zakowski, inicialmente como uma equipe para a DRM (atual DTM). Competiu, ainda, na extinta Championship Auto Racing Teams (CART), em associação com a Forsythe. Hoje, disputa a ADAC GT Masters. Na Fórmula 1, teve como pilotos os alemães Christian Danner e Bernd Schneider, o holandês Huub Rothengatter, os ingleses Martin Brundle e Jonathan Palmer, o italiano Piercarlo Ghinzani e o japonês Aguri Suzuki. Sua peculiaridade era o patrocínio dos cigarros West, que patrocinariam a McLaren entre 1997 e 2005, e os motores de 4 cilindros que recebiam o nome da equipe até 1988. Estreou no Grande Prêmio de Portugal, de 1985, lembrado pela primeira vitória do brasileiro Ayrton Senna na categoria. Em 74 corridas, o máximo que a Zakspeed obteve foi o 5° lugar de Brundle no Grande Prêmio de San Marino de 1987. Com os propulsores da Yamaha, a Zakspeed largou em apenas 2 provas da temporada de 1989, tendo amargado 13 não-classificações consecutivas. A última corrida em que a equipe alemã se inscreveu foi o Grande Prêmio da Austrália, onde também não conseguiu vaga no grid. Em 2001, 12 anos após a experiência na F-1, a Zakspeed voltou a disputar uma categoria top do automobilismo em 2001, quando competiu na CART em parceria com a Forsythe, que inscreveu um terceiro carro para o norte-americano Bryan Herta. A parceria não foi renovada para 2002 e a Zakspeed deixou a CART após o encerramento da temporada.

Os companheiros de Michael Schumacher, Heinz-Harald Frentzen, é um ex-piloto alemão e Frentzen, ingressaram na Fórmula 1 por intermédio da Sauber Mercedes, mas a estreia de Schumy seria antecipada.  Piloto muito técnico e arrojado, fez parte do Programa de Desenvolvimento de “Jovens Pilotos da Mercedes Benz” (Mercedes Junior Team), juntamente com o compatriota Michael Schumacher e o austríaco Karl Wendlinger. Jochen Neerpash permitiu que Schumacher participasse, no verão no hemisfério Norte de 1991, da Fórmula 3000 japonesa, a assim chamada Fórmula Nippon, pela Scuderia Suntory Team Le Mans, em um Ralt RT23 - Mugen MF308. Em Sugo, Schumacher fez uma boa corrida, chegando em segundo lugar, atrás do norte-americano Ross Cheever. Em 1991 o piloto belga Bertrand Gachot foi preso “por envolvimento em um acidente de trânsito”. A Mercedes Benz viu uma oportunidade e pagou 300 mil dólares à Michel Jordan pela vaga que Schumacher assumiria no Grande Prêmio da Bélgica. Schumacher foi convidado a disputar a prova e em apenas uma corrida chamou a atenção de Flávio Briatore ao conquistar a sétima posição na classificação. Na largada, ele pula para a 4ª posição, mas um problema na embreagem fez com que o jovem alemão de 22 anos abandonasse a prova de forma prematura, mas o recado foi o suficiente. Briatore despediu o piloto brasileiro Roberto Pupo Moreno e contratou Schumacher, formando dupla com o tricampeão brasileiro Nelson Piquet, na Benetton a partir do Grande Prêmio da Itália de 1981, 1983 e 1987, termina em 5º lugar e os primeiros 2 pontos na carreira.

Não queremos perder de vista que Nelson Piquet é considerado por especialistas um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1, a categoria mais avançada do esporte a motor regulamentada pela Federação Internacional de Automobilismo, por avaliações de grande prestígio sobre automobilismo. Teve uma breve carreira no tênis antes de perder o interesse no esporte e, posteriormente, entrou no kart e escondeu sua identidade para evitar que seu pai descobrisse seu hobby. Tornou-se o campeão brasileiro de kart em 1971-1972 e venceu o campeonato de Fórmula V em 1976. Piquet foi para a Europa e obteve êxito, tendo o número recorde de vitórias na Fórmula 3 Britânica em 1978, derrotando o recorde histórico de Jackie Stewart. No mesmo ano, fez sua estreia na Fórmula 1 com a equipe Ensign, pilotou pela McLaren e posteriormente para a Brabham. Desde 1979 na Brabham, foi vice-campeão em 1980, antes de ganhar o campeonato de 1981. Apesar de não disputar o título em 1982, viu-se um ressurgimento de sua carreira em 1983 dando um segundo campeonato mundial. Para 1984-1985, o piloto Nelson Piquet contabilizou três vitórias com um quinto lugar em 1985.

Seu divisor de águas foi a transferência para a equipe Williams em 1986, e foi um postulante contumaz ao título, até a corrida final na Austrália em que terminou em terceiro. Piquet teve seu terceiro e último campeonato em 1987, durante uma batalha feroz com o companheiro de equipe Nigel Mansell. tendo sido campeão mundial na Fórmula 1 em 1992 e na Fórmula Indy em 1993. Piquet transferiu-se para Lotus para temporada 1988-1989 onde teve 3 pódios em 1988, terminando em 6º na temporada com 22 pontos e o 4º lugar como melhor resultado em 1989, terminando em oitavo com 12 pontos. Nelson Piquet foi para a equipe Benetton para 1990-1991 onde ele conseguiu ganhar três corridas, nos casos de Japão e Austrália em 1990, onde acabou o ano em terceiro, mais a vitória no Canadá em 1991, e o sexto lugar antes de se aposentar da Fórmula 1. Piquet correu as 500 Milhas de Indianápolis em 1992-1993. Também correu em carros esportivos como as corridas históricas 24 Horas de Le Mans em 1996 e 1997.

Na temporada de 1992, o alemão vence o GP da Bélgica, local que estreou na Fórmula 1 há um ano. É a sua primeira vitória na categoria e com o 2º lugar (6 pontos) no GP da Austrália, Schumacher finaliza o campeonato em 3º lugar e supera Ayrton Senna (abandonou a prova numa colisão com Nigel Mansell) por 3 pontos.  Em 1994, conquistou seu primeiro título mundial por apenas um ponto, após diversas polêmicas envolvendo as equipes Williams e Benetton, culminando no Grande Prêmio da Austrália, onde colidiram com seu carro contra o carro de Damon Hill, numa controversa manobra. Neste mesmo ano, Schumacher havia sido banido por duas corridas. A FIA, no entanto, foi acusada pela equipe Benetton de favorecer a Williams, tentando tornar a temporada mais competitiva. Ainda assim, é campeão pela primeira vez e a equipe Benetton consegue também estrear um piloto campeão, apesar de falhar com o título de construtores. Mas a suspeita de irregularidades em várias equipes relativas à presença de ajuda eletrônica foi indicada após investigação envolvendo Ferrari, McLaren e Benetton. Nos treinos para o Grande Prêmio do Pacífico, em Aida, a Ferrari admitiu ter usado o mecansmo de “controle de tração” em seus dois carros, mas se retratou garantindo que não mais usaria o dispositivo eletrônico.

Não houve punição por parte da FIA. Em Ímola, corrida que vitimou Ayrton Senna, a FIA encontrou softwares ilegais nos carros da Benetton e McLaren que inicialmente haviam se negado a entregar os seus códigos fonte. No entanto, beneficiando-se de uma brecha no regulamento - que dizia que os dispositivos jamais poderiam ser usados durante os GPs, mas não especificava sobre a possibilidade de existência dos mesmos -, a Benetton não pôde ser formalmente acusada, pois não houve provas de que esses mecanismos (Launch Control- Controle de Tração) tenham sido usados nos eventos oficiais. Já a McLaren, apesar de constatado o uso de um software ilegal durante o GP de San Marino não foi condenada. A FIA considerou que a equipe acreditava que o dispositivo não era ilegal. Uma investigação estava por ser iniciada quando a FIA descobriu que o técnico contratado tinha vínculos com a Benetton.  

Entretanto a única infração comprovada foi a respeito da bomba de gasolina: no GP da Alemanha, o carro de Jos Verstappen, o companheiro de Schumacher na Benetton foi incendiado: segundo a investigação da FIA, a remoção do filtro de segurança aumentava a fluência da gasolina para mais de 13 litros por segundo, ganhando 1 segundo em média por parada - suspeita-se que a Benetton e Schumacher obtiveram vantagens através deste artifício naquele ano em corridas anteriores ao GP da Alemanha, inclusive o GP do Brasil, quando superou Senna nos boxes. Na audiência da World Motor Sport Council, que julgou a questão da ausência do filtro de combustível foi elucidado, entre outras questões, que o time Benetton recebeu uma carta enviada pelo fabricante (Intertechnique) da bomba de combustível instruindo a remover o filtro de combustível. A Benetton ainda afirmou que Charlie Whiting, chefe do departamento técnico da Fórmula 1, havia autorizado a retirada do filtro de combustível, apesar de não ter sido apresentada nenhuma autorização por escrito pela equipe. Também se concluiu que outras quatro equipes, cujos nomes não foram citados, estavam operando sem o filtro de combustível. A FIA decidiu não punir a Benetton e as demais equipes envolvidas desde que o filtro não fosse mais removido.

No GP da Grã-Bretanha, casa de seu adversário, foi punido com um “stop & go” de 5 segundos por ultrapassagem em volta de apresentação. Schumacher daria 7 voltas na pista sem entrar nos boxes, o que motivou sua posterior desclassificação. Mesmo assim, Schumacher não abandonou o GP, cumprindo o stop & go nas voltas finais: a ideia de Flavio Briatore era que Schumacher, com tal punição, conseguisse o segundo lugar, mas o piloto perderia os pontos. Esta decisão sofreu apelação pela equipe Benetton e foi anulada ainda durante a corrida, mas, apesar de anulada, acarretou nova punição inédita: banimento por duas corridas devido a desrespeito à bandeira preta. Um fato que coincidiria com as suspeitas dos dispositivos eletrônicos foi que a Benetton decidiu usar o carro reserva ambas as etapas. Nova polêmica foi no GP da Bélgica: uma surpreendente punição com desclassificação por possuir o assoalho do carro com desgaste um milímetro superior à margem de tolerância permitida no regulamento. A Benetton alegou que uma rodada de Schumacher e subsequente passagem em caixa de britas durante a corrida teria alterado a medida. A FIA não aceitou as explicações e manteve a punição.

Apesar das várias punições polêmicas e da guerra entre Benetton e FIA, pela primeira vez na história um piloto alemão foi consagrado campeão da Formula 1, e surpreendentemente com os motores Ford Zetec, algo que parecia impossível desde 1982 e que continua a ocorrerem nas temporadas atuais. Em 1995, o piloto continua na equipe Benetton, agora equipada com motores Renault mais potentes do que no ano anterior, e sagra-se bicampeão mundial com relativa facilidade, mesmo que o carro tenha tido alguns problemas de estabilidade durante a temporada. Este ano foi marcado pela espetacular vitória no GP da Bélgica, em que largara na 16ª posição. Sua equipe torna-se campeã de construtores. Em 1996 o alemão transfere-se para a Ferrari, com a meta de quebrar o jejum da tradicional equipe: nenhum piloto havia sido campeão pilotando uma Ferrari nos quinze anos anteriores: depois do título de 1979, os melhores resultados foram os vice-campeonatos de 1982,1985 e 1990. Entre os construtores, a equipe não terminava em primeiro desde 1983. Porém, a equipe vinha em franca ascensão: depois de passar três anos (entre 1991 e 1993) sem vencer uma corrida, a Ferrari, que havia contratado Jean Todt, foi a única marca fora Benetton e Williams a vencer GPs em 1994 e 1995.

Schumacher levou toda sua equipe técnica da Benetton (liderados pelo estrategista Ross Brawn). Em sua primeira corrida pela equipe italiana (Austrália), largou em quarto (atrás de seu companheiro, Eddie Irvine) e abandonou após trinta e duas voltas, devido a problemas em seus freios. Na corrida seguinte (Brasil), voltou a largar em quarto e, após um duelo com Rubens Barrichello, conquistou seu primeiro pódio pela Ferrari, ao completar a prova de Interlagos em terceiro. Na terceira etapa (Argentina), largou na primeira fila, segundo, ao lado de Damon Hill, o pole, mas não completou a prova devido a um problema no aerofólio traseiro. Na quarta etapa (Europa), largou em terceiro e chegou em segundo, colocação final que repetiu na etapa seguinte em San Marino, onde conquistou sua primeira pole position pela Ferrari. Em Mônaco, cravou nova pole-position, mas bateu ainda na primeira volta, nesta prova, apenas quatro carros chegaram ao fim, e o vencedor foi o francês Olivier Panis, com um Ligier. Finalmente, na sétima etapa (Espanha), em 2 de junho de 1996, o alemão conquistou sua primeira vitória pela Ferrari, após largar em terceiro e dar “um show de pilotagem debaixo de forte chuva”. No restante da temporada, o piloto Michael Schumacher conseguiu mais duas vitórias, na Bélgica e na Itália, somando, ao final da temporada, 59 pontos e finalizando o certame justamente na terceira colocação.

O campeonato de 1997 foi problemático para Schumacher que enfrentou forte concorrência da Williams. Na última corrida do ano, ele jogou seu carro contra o de Jacques Villeneuve, tentando tirar seu rival da competição, mas falhou e perdeu a corrida. A FIA classificou a manobra do alemão como atitude antidesportiva e retirou-lhe o vice-campeonato, mas os pontos conquistados na temporada foram mantidos. No final, Villeneuve ficou com o título. Schumacher foi vice-campeão em 1998 e viu o piloto finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, sagrar-se campeão mundial de Fórmula 1 pela primeira vez. A temporada, no entanto, foi disputada até a última etapa, e poderia ter dado o tricampeonato para Schumacher se David Coulthard, na Bélgica, não houvesse atirado com o alemão para fora da prova quando estava a ser ultrapassado, num grande prêmio disputado sobre um enorme dilúvio. Anos mais tarde, em 2003, após acidente semelhante envolvendo Fernando Alonso e David Coulthard, desta vez como vítima, o “piloto escocês insinuou que causara o acidente de Spa intencionalmente, dando assim o título de pilotos ao companheiro de equipe”. Em 1999, o piloto acidentou-se durante a primeira volta após a primeira largada do Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quando as rodas dianteiras travaram, impedindo o controle do carro que bateu violentamente no muro protegido por pneus. Schumacher fraturou a perna direita e ficou de fora de sete corridas, tendo perdido de forma irremediável o campeonato. Nessas sete corridas foi substituído pelo finlandês Mika Salo. Outro finlandês, Mika Hakkinen, sagrou-se bicampeão.

O companheiro de Schumacher, o piloto norte-irlandês Eddie Irvine foi vice-campeão. Contudo Schumacher regressou a tempo das duas últimas corridas e ajudou a Ferrari a sagrar-se campeã de construtores após dezesseis anos sem títulos. Entre os anos de 2000 e 2004 ganhou cinco títulos consecutivamente, feito nunca obtido antes, nem mesmo por Juan Manuel Fangio. E de 1999 a 2004, sua equipe conquistou seis títulos consecutivos de construtores, um feito também inédito, graças em grande parte aos esforços de Michael Schumacher e sua equipe, Ross Brawn, Aldo Costa, Jean Todt, Rory Byrne, Rubens Barrichello e vários outros. Nesse período, de 2002 a 2004, Schumacher ganha os campeonatos, conquistando diversos recordes, muitos deles inéditos. Em 2002, houve uma polêmica corrida da Áustria, em que a Ferrari obrigou Rubens Barrichello, seu então companheiro de equipe, a entregar a vitória a Schumacher. Rubinho o fez após a última curva, antes da linha de chegada. Apesar de ter sido feito por diversas vezes na história da categoria, o jogo de equipe, neste caso provocou uma intensa vaia no pódio, justificados pelo campeonato ainda em seu início e pela proximidade com a bandeirada final, fato que se fez sentir ainda mais quando Schumacher, envergonhado, trocou de lugar no pódio com Barrichello. Em 2003 ele ganhou o campeonato na última corrida do ano por apenas dois pontos, tendo tido grandes dificuldades contra a nova geração de pilotos que estava surgindo na F1: Kimi Raikkonen, Juan Pablo Montoya e Fernando Alonso.

Em 2005 Schumacher vence uma corrida, o Grande Prêmio dos Estados Unidos, disputado por apenas seis carros, após todos os carros equipados com pneus Michelin terem abandonado a corrida já que seus pneus não ofereciam garantias de segurança na curva que antecede a reta da meta. Com um carro problemático, em função da nova regra de pneus, termina a temporada na terceira colocação, atrás do espanhol Fernando Alonso (campeão) e do finlandês Kimi Räikkönen (vice). Em 2006 perdeu seu derradeiro campeonato para Fernando Alonso, numa disputa acirrada com o espanhol, que mostrou que assim como Schumacher era um piloto muito rápido, constante e com raros erros naquela temporada. Superou a marca de pole positions de Senna e protagonizou, no Grande Prêmio de Mônaco, mais um acontecimento polêmico em sua carreira. Michael Schumacher parou sua Ferrari na saída da curva “Rascasse”, provocando uma bandeira amarela no local e prejudicando teoricamente a volta de seu principal adversário, o espanhol Fernando Alonso. Apesar de conquistar a pole-position, os comissários decidiram, após quase oito horas de reunião temática e análise de imagens, que ele deveria ser punido, largando da última posição. Esta Punição foi rebatida pelo chefe de equipe Jean Todt que alegou ter sido imposta sem qualquer evidencia real e apesar da telemetria do seu carro mostrar claramente que ele havia feito aquilo de propósito.

Na prova de Mônaco de 2007 este mesmo incidente gerou nova discussão após o também piloto da Ferrari, Kimi Raikkonen, ter ficado preso no mesmo ponto do circuito, ainda que neste caso o carro tenha sido danificado na curva anterior. Apesar da punição, no dia seguinte conseguiria acabar a corrida em quinto lugar em uma de suas mais impressionantes performances. Sua última corrida foi no Grande Prêmio do Brasil, realizado em Interlagos, São Paulo, em 22 de outubro de 2006. Apesar de ter tido vários problemas com sua Ferrari, o alemão fez questão de brindar todos os fãs de Fórmula 1 com uma das suas mais inesquecíveis corridas, realizando uma série de brilhantes ultrapassagens que o levaram a um quarto lugar final. Michael Schumacher se aposentou da Fórmula 1 conquistando praticamente todos os mais importantes recordes da categoria. O ano de 2006 foi a última temporada de Schumacher, e foi, segundo muitos especialistas, uma de suas melhores temporadas. Tanto ele como Alonso tiveram problemas mecânicos durante o campeonato, e a vantagem em desempenho do carro Renault no início de 2006 foi revertida em favor da Ferrari após polemicamente a FIA banir os amortecedores de massa utilizados pela Renault. No final ambos tiveram equipamento relativamente equilibrado para disputar o campeonato que só foi decidido em Interlagos.

Em novembro, participou dos treinos pós-temporada na Espanha, pilotando o modelo utilizado pela Ferrari em 2007, que deu o título de pilotos ao finlandês Kimi Raikkonen. Também em novembro veio ao Brasil participar do “Desafio Internacional das Estrelas” de Kart, realizado no Kartódromo dos ingleses, em Florianópolis (SC). Sagrou-se campeão geral, fazendo o melhor tempo da competição, e vencendo a primeira das duas baterias disputadas. Na segunda bateria, após inversão das posições, largando em oitavo por ter sido vencedor da primeira bateria, chegou a disputar a liderança, porém envolveu-se em um toque com o então líder da corrida, Thiago Camilo (piloto da Stock Car), perdendo posições e chegando em sexto. Disputaram com ele diversos pilotos de várias categorias, entre eles Nelsinho Piquet, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Luciano Burti, Lucas Di Grassi e outros pilotos brasileiros de renome. Schumacher volta a participar do Desafio Internacional das Estrelas, mas não consegue obter a vitória como no ano anterior. Na primeira bateria, largando em quarto lugar, perde posições na largada, e volta a se recuperar durante a prova, mas comete um erro e perde o controle ao passar por uma zebra, logo após ultrapassar Rubens Barrichello e assumir a segunda posição. Após rodar, tem seu kart atingido e a carenagem danificada. 

A prova acabou sendo encerrada antes do tempo por causa da chuva, com a vitória de Barrichello e Michael finalizando em quarto lugar. Na segunda bateria Schumacher abandonou a corrida, por problemas no seu kart. Felipe Massa, seu ex-companheiro de Ferrari, venceu a prova. O campeão do evento acabou sendo Barrichello pela somatória dos resultados. Após acidente com o piloto Felipe Massa, durante o treino classificatório para o Grande Prémio da Hungria, em que foi atingido na cabeça por uma mola que escapou do carro de Rubens Barrichello, Michael Schumacher chegou a ser anunciado como substituto enquanto o piloto brasileiro estivesse afastado. Ainda no hospital, Felipe Massa aceitou bem a decisão da substituição temporária por Schumacher. Porém com fortes dores no pescoço causadas por um acidente de moto em fevereiro e sem poder testar o Ferrari F60, Schumacher desistiu de voltar a F1. O substituto inicial de Felipe Massa foi o italiano Luca Badoer, mas Giancarlo Fisichella assumiu o posto a partir do Grande Prêmio da Itália.

Com a construção de automóveis e as corridas dominadas pela França, o clube automóvel francês, realizou algumas grandes corridas internacionais, em geral partindo ou chegando a Paris e tendo a outra extremidade noutra grande cidade na Europa ou na França. Estas corridas de grande sucesso terminaram em 1903 quando Marcel Renault se envolveu num acidente fatal perto de Angoulême durante a corrida Paris - Madrid. Oito mortes levaram o governo francês a interromper a corrida em Bordéus e a banir as corridas de estrada em 1900. Devido à grande quantidade de acidentes que as “corridas de rua” causavam, muitas cidades chegaram a proibir corridas de rua, viu-se que era mais seguro se realizar corridas em espaços fechados, muitos desses espaços eram os hipódromos utilizados para corridas de cavalos, no Knoxville Raceway é relatado que existiam corridas de carros desde o século XIX. Nos Estados Unidos da América, em 1903, baseados no formato oval dos hipódromos é construído o Milwaukee Mile, considerado o primeiro autódromo do mundo, em 1907 é construído o oval de Brooklands na Inglaterra que foi o primeiro circuito feito realizado especialmente para corridas de carros, contando, inclusive, com inclinação nas curvas, em 1909 é construído o Indianapolis Motor Speedway nos Estados Unidos da América. Em 1922 é construído o Circuit de Spa-Francorchamps na Bélgica, em 1923 o Circuit de la Sarthe na França, em 1927 o circuito de Nürburgring na Alemanha, em 1929 o Autódromo Nazionale Monza na Itália.

A Fórmula 1 é a competição automobilística mais famosa do mundo e existe há mais de 70 anos. Ela começou em 1950 com o objetivo de unificar as corridas do Grande Prêmio na Europa e estabeleceu regras para os carros das equipes. A primeira corrida aconteceu na Inglaterra e foi vencida por Nino Farina. Com o tempo, a Fórmula 1 se espalhou para outros países, como Argentina, Marrocos e Brasil, que sediou sua primeira corrida oficial em 1972. Nomes lendários como Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna, Michael Schumacher e Lewis Hamilton surgiram no esporte, que também viu recordes notáveis, como os sete campeonatos mundiais de Schumacher e Hamilton. Além disso, a Fórmula 1 é conhecida por curiosidades, como velocidades incríveis, pit stops super rápidos e a intensa demanda física sobre os pilotos. O desporto automotor é regulado mundialmente pela Fédération Internationale de l`Automobile (FIA), que promove e homologa os carros, as pistas e as condições das corridas. O evento máximo organizado pela FIA é a Fórmula 1. Cada nação que organiza este tipo de esporte tende a organizar também uma instituição filiada à FIA que homologa e regula o automobilismo em seu território. No Brasil a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e em Portugal a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), são as instituições responsáveis por isso. O Código de Automobilismo também regula as sinalizações usadas durante as competições. Quando algo que ocorre na pista necessita da atenção de todos os pilotos, são exibidas bandeiras coloridas próximas ao acontecimento ou na linha de chegada/largada ou especificamente para algum piloto. Os pilotos também podem ser avisados pelo rádio, pelos chamados spotters, mas como estes avisos normalmente são críticos e o rádio pode apresentar problemas durante a competição, usa-se o método das bandeiras que é o mais prático e seguro.

As bandeiras são mais habitualmente usadas para avisar os pilotos sobre a entrada ou a saída do safety car na pista. As bandeiras usadas atualmente são: Bandeira amarela. Perigo logo a frente. Reduza a velocidade! Bandeira azul. Dê passagem a um carro mais veloz que quer ultrapassar! Atualmente, o piloto deverá permitir a passagem até três curvas após lhe ser mostrada a bandeira ou arrisca penalizações. Bandeira verde. Pista livre. Geralmente mostrada após o Safety Car sair da pista ou após um trecho em bandeira amarela. Bandeira vermelha. Corrida paralisada. Devido a acidente, chuva ou má condição da pista. Bandeira listrada em amarelo e vermelho. Cuidado! Óleo na pista ou pista escorregadia. Bandeira branca. Carro lento em pista. Pode ser um monolugar, uma ambulância ou qualquer outro carro de serviço na pista. Nas categorias norte-americanas, esta bandeira indica a última volta. Bandeira xadrez ou quadriculada. Fim da prova. Bandeira metade preta, metade branca na diagonal. O piloto tomou alguma atitude antidesportiva; deve ser corrigida o mais rápido possível para não haver desclassificação. Bandeira preta. Desclassificação do piloto ao qual foi indicada. Bandeira preta com um círculo laranja. Algum problema técnico. O piloto volta aos boxes.

Os que assistiram à diferenciação radical dos veículos desportivos a partir dos carros de estrada de luxo, com a Delage, a Auto Union, a Mercedes-Benz, a Delahaye e a Bugatti a construir veículos aerodinâmicos dotados de motores com mais de 450 kW de potência, com o auxílio de superchargers múltiplos. O máximo peso autorizado era de 760 kg, uma regra diametralmente oposta aos regulamentos modernos de competição. Era necessário o uso intenso de ligas de alumínio para conseguir baixar o peso e, no caso do Mercedes, até a tinta foi removida para satisfazer as limitações no peso. Todavia, com o fim da 2ª guerra mundial, em 1945, houve um rápido crescimento do automobilismo no mundo ocidental, numa forma de unificar as corridas de Grand Prix foi criada em 1950 a Fórmula 1, pela Federação Internacional de Automobilismo. No entanto, a história social da categoria remonta ao final do século XIX, quando as primeiras corridas de carros foram disputadas na Europa. Como na época não existiam circuitos, as corridas aconteciam em estradas. Contudo, em 1953 o Campeonato Mundial de Resistência foi criado, contando com vários grupos de corrida, em 1973 foi criado o Campeonato Mundial de Rali.

O evento automobilístico pode ser realizado em autódromos, circuitos fechados construídos especificamente para as provas de velocidade e habilidades de condução dos veículos, ou circuitos de rua, last but not least, como o do Grande Prêmio de Mônaco. Como muitas corridas europeias, é anterior ao atual Campeonato Mundial de Formula 1. O primeiro Grande Prêmio do principado foi organizado por Antony Noghès (1890-1978) e aconteceu em 14 de abril de 1929, no reinado do Príncipe Louis II, através do Automóvel Clube de Mônaco, que organizou o chamado Rali de Monte Carlo e, em 1928, candidatou-se à Association Internationale des Automobiles Clubs Reconnus, o órgão regulador internacional do automobilismo, visando elevar-se de um clube regional francês para o status nacional completo. A inscrição foi recusada devido à falta de um grande evento automobilístico realizado dentro dos limites de Mônaco. O rali não pôde ser considerado, pois utilizou principalmente as estradas de outros países europeus. Para obter o status nacional completo, Noghès propôs a criação de um Grande Prêmio automobilístico nas ruas de Monte Carlo. Após a sanção do príncipe Louis II, o organizador da prova buscou o apoio de seu conterrâneo, o piloto Louis Chiron (1899-1979), para quem “a topografia de Mônaco era adequada à construção de uma pista de corrida”.

Dezesseis nomes disputaram o primeiro Grande Prêmio de Mônaco e nele a classificação foi definida curiosamente por sorteio, cabendo a pole position ao francês Philippe Étancelin, piloto da Bugatti. Outro piloto renomado e favorito à vitória era o alemão Rudolf Caracciola, da Mercedes, além de um certo “Georges Philippe”, na verdade um pseudônimo utilizado pelo barão Philippe de Rothschild afim de ocultar sua identidade. Para o torcedor monegasco, no entanto, a terça-feira de competição foi prejudicada pela ausência de Louis Chiron, comprometido com os treinos e a disputa das 500 Milhas de Indianápolis de 1929. Sobre a corrida, o vencedor foi o britânico William Grover-Williams, sob o heterônimo de “Williams”, dirigindo um Bugatti Type 35B, modelo de fábrica colorido com o tradicional “verde bretão”. O Mercedes SSK de Caracciola não teve permissão para correr no ano seguinte, quando René Dreyfus e seu Bugatti Type 35B venceram a prova, com Chiron em segundo lugar a bordo de um Bugatti Type 35C. Resiliente, Louis Chiron permaneceu na equipe e venceu a corrida de 1931. Fato social notável é que presentemente, melhor dizendo desde 2022, extraordinariamente ele continua sendo o único nativo de Mônaco a vencer um Grande Prêmio em seu país.

Do ponto de vista técnico-metodológico os autódromos podem ser ovais como o Talladega Superspeedway nos Estados Unidos da América, misto, com várias curvas e retas como o de Autódromo do Estoril, em Portugal e combinado oval com misto, os chamados “rovais”, como constitui o circuito de Indianápolis também nos Estados Unidos. O piso pode variar entre asfalto, terra, ou uma combinação dos dois, tanto em circuitos mistos, quando nos ovais. Também podem ter utilidade de uso estádios adaptados como na Race of Champions, algumas divisões da National Association for Stock Car Auto Racing, de sprint cars, ou em competições de speedway. As categorias e modalidades como os ralis que colocam à prova a resistência de condutores e veículos usam pistas e circuitos em vários terrenos. Os fora de estrada usam terrenos acidentados naturais ou preparados. Entretanto, existem várias categorias de competição no desporto automotivo. Todas as categorias devem ser adequadas as regulações do Apêndix J do Código Internacional de Automobilismo. As corridas de monoposto (ou monologares), muitas vezes reconhecidos por Fórmulas, são talvez o aspecto mais reconhecido do automobilismo, com carros desenhados especificamente para corridas de alta velocidade.

As rodas não são cobertas, e os carros têm asas aerodinâmicas à frente e atrás para produzir uma força para baixo e aumentar a adesão à pista. As corridas de monoposto realizam-se em circuitos especialmente construídos, ou em circuitos citadinos fechados para o efeito. Muitas das corridas de monoposto na América do Norte têm lugar em circuitos ovais como a Indy Racing League. As mais melhores conhecidas corridas de monoposto são as de Fórmula 1, que se desenvolvem num campeonato do mundo anual em que participam alguns dos principais fabricantes de automóveis e de motores do mundo, numa batalha que é tanto tecnológica como de desempenho na pista. Na América do Norte, os carros Champ Cars e os da Fórmula Indy assemelham-se aos de Fórmula 1, mas são sujeitos a muito mais restrições. Existem outras categorias de monoposto, incluindo as corridas de karts que empregam pequenas máquinas de baixo custo em pequenas pistas. Muitos dos melhores pilotos da atualidade iniciaram as suas carreiras nos karts. Os ralis, ou rallyes são corridas de carros de produção profundamente modificados em estradas públicas (fechadas) ou em áreas sem estrada. Um rali típico tem lugar em várias etapas, que os participantes podem analisar antes da competição. O navegador ou copiloto usa as notas tiradas durante o reconhecimento para ajudar o piloto a completar a etapa o mais depressa possível. A competição é baseada nos tempos, embora tenham aparecido algumas etapas com competição direta.

O principal campeonato de ralis representa o Campeonato Mundial de Rali (WRC), mas também existem campeonatos regionais e muitos países têm os seus próprios campeonatos nacionais. Há alguns ralis famosos: o Rali de Monte Carlo ou o Rali de San Remo. Outro acontecimento semelhante a um rali (na realidade um raide) é o Rali Dakar. Existem ainda muitas categorias de ralis menores, populares entre os amadores, constituindo a base dos desportos motorizados. Há que considerar também o Rali Rota dos Vinhos Verdes, uma das mais importantes provas de Regularidade Histórica para Automóveis Antigos e Clássicos que se realiza anualmente em Portugal. As Regularidades Históricas cada vez assumem mais adeptos e aficcionados em todo o mundo e possibilitam uma nova abordagem desta temática. As corridas em piso de terra estão divididas em duas grandes categorias: corridas em circuitos fechados, geralmente designada de off Road, ou corrida em terrenos abertos, em etapas em linha, designadas por provas de todo-o-terreno. Neste tipo de corridas participam geralmente carros modificados para suportar a dureza do piso, consistindo em completar um determinado número de voltas a um circuito que poderá ser totalmente em terra, recebendo em Portugal a designação de Autocross, pistas mistas de terra e asfalto (Ralicross), ou pistas em terra, disputadas por carros especialmente concebidos para esse fim (Kartcross).

No Brasil também existe uma categoria chamada “Velocidade na Terra”, onde veículos correm em circuitos fechados, de terra batida, sem os tradicionais obstáculos dos Ralies, onde vence quem primeiro completar o número de voltas estipuladas. Os principais campeonatos regionais são disputados no Paraná e em Santa Catarina, onde os carros são divididos em diversas categorias, quer sejam: KartCross, Formula Tubolar, Marcas, Turismo, Novatos, Hot Dodge, Stock Car, Fusca Velocidade e Autocross. Ao redor do mundo, há ainda a categoria chamada de rallycross, que é uma corrida com vários carros de rali, todos simultaneamente em um circuito fechado, geralmente de terra, embora também haja rallycross em pistas com asfalto, vence quem chegar na frente ao final do número de voltas estipuladas. Um dos campeonatos mais famosos de rallycross é o Campeonato Mundial de Rallycross, organizado pela FIA. As provas de todo o terreno são praticadas em percursos que atravessam campos, montanhas, alagados, pedreiras, desertos e outros terrenos que proporcionem dificuldades para sua transposição. Os carros utilizados são normalmente do tipo jipe, com tração nas quatro rodas ou Buggy's especialmente concebidos para o efeito. Neste tipo especificamente de provas, é comum participarem também motos, camiões e quad`s (ou moto-quatro).

A maioria de provas deste gênero concentra-se em duas grandes categorias: as provas designadas de “Cross-Country ou Bajas” e os “Rali-Raide”. A grande diferença entre estas categorias sociais encontra-se na extensão da prova e na exigência mecânica da mesma. As provas de Cross-Country ou Bajas são provas que decorrem numa geografia mais ou menos limitada, com a duração média entre 1 e 3 dias, e um parque de assistência fixo. Este tipo de provas constituem a maior parte dos troféus de competições todo-o-terreno nacionais. São exemplos deste tipo de provas a Baja Portalegre 1000 ou o Rali Transibérico, em Portugal, o Rally dos Sertões no Brasil ou a Baja 1000 no México. As provas Rali-Raide são marcadas por longas provas classificativas, estendendo-se por mais de uma semana, atravessando países ou continentes, exigindo parques de assistência que vão-se deslocando de acordo com o percurso da prova. Os principais fatores técnicos que ditam a classificação final são a regularidade e fiabilidade dos equipamentos em detrimento da velocidade de ponta. São exemplos destes ralis o Rali Dakar, o Rali Rota da Seda ou o África Eco Race. A prova 24 horas de Todo-o-Terreno de Fronteira consiste numa corrida num circuito fechado, mas de perfil cross-country, designado de Terródromo, no qual participam todo o tipo de automóveis, desde jipes, SUV`s a carros citadinos, correndo durante 24 horas, apenas com paragens para reabastecimentos, troca de pilotos ou manutenção, vencendo a equipe que conseguir o maior número de voltas é prova mais conceituada internacionalmente.

Nesta modalidade participam carros com configurações semelhantes às dos rali, em circuitos em piso de terra, que se encontra geralmente coberto de neve ou gelo. O troféu mais conceituado é o Troféu Andros disputado, em circuitos nos Alpes e Pirenéus. As Rampas ou Corridas de Montanha, corresponde numa etapa em linha (partida diferente da chegada) disputada com declive ascendente, cujo objetivo é o de efetuar o menor tempo do percurso. Cada veículo efetua o trajeto sozinho, em modalidade semelhante aos ralis. Este tipo de provas é pluralista, aberto a praticamente todos os automóveis desde Fórmulas, carros de Turismo ou GT, Sport-Protótipos (Barquetas), Clássicos ou até carrinhas (Desafio Ford Transit). As provas de maior reconhecimento são a Rampa da Falperra (em Braga, Portugal) ou a Subida Internacional de Pikes Peak nos Estados Unidos. Nesta modalidade as versões de produção de carros de desporto e protótipos competem em circuitos fechados. As corridas desenrolam-se, em regra, em distâncias longas, em provas conhecidas como corridas de “Endurance”, ou corridas de resistência. Os carros são conduzidos por equipes de dois, três ou quatro condutores que se revezam de vez em quando. Devido às grandes diferenças entre os carros desportivos “normais”, denominados GT`s e os protótipos de competição, uma única corrida envolve geralmente várias classes diferentes. Nos EUA, organiza-se a IMSA SportsCar Championship, incluindo classes GT, GTS e duas classes de protótipos.

Uma competição semelhante foi criada na Europa em 2004, com assinalável sucesso entre os concorrentes que preenchem grids com cerca de 50 carros denominada de Campeonato Mundial de Endurance da FIA. Corridas famosas de carros de desporto são, por exemplo, as 24 Horas de Le Mans, as 12 Horas de Sebring, os 1 000 km de Monza, 24 Horas de SPA, 1 000 km de Nürburgring, 24 Horas de Daytona e a Mil Milhas Brasileiras. A FIA organiza um campeonato, chamado de FIA GT, com carros divididos em 4 classes. Em seu conceito original, as corridas de stock cars consistiam em competições em que se usavam carros comuns sem nenhuma adaptação para corridas, contudo hoje em dia este termo não se designa a essas competições, já que os carros de stock cars são projetados exclusivamente para corridas, esse tipo de corrida é popular principalmente nos Estados Unidos, contudo existem categorias expressivas no Canadá, Brasil, Argentina, no México, na Grã-Bretanha e na Oceania, a principal característica dessa competição é o uso de circuitos ovais (de terra ou asfalto) para as corridas. A maior categoria de stock cars é a NASCAR, a sua série principal é a Sprint Cup Series, e a mais famosa corrida da série é a Daytona 500. A organização NASCAR também organiza a Nationwide Series, uma liga inferior de stock cars e a Camping World Truck Series, de pick-up, além de sancionar outras categorias menores regionais nos Estados Unidos.

A NASCAR organiza ainda a série Featherlite de carros “modificados”, com carros muito modificados a partir da estrutura básica dos stock cars, através da adição de motores poderosos, pneus largos e chassis leve de rodas livres. Mas a série mais antiga da NASCAR continua a ser a que tem maior apelo junto do público. No Brasil, a principal categoria é a Stock Car Brasil e na Argentina a Turismo Carretera. Consiste em corridas em circuitos fechados, em pisos de asfalto ou terra, disputadas apenas por caminhões, sendo apenas a parte motorizada, cujo objetivo é efetuar um determinado número de voltas no menor tempo. No Brasil, tal modalidade é representada pela Copa Truck, um aprimoramento da extinta 1ª Copa Brasil de Caminhões, ocorrida na cidade de Cascavel, no Paraná, e que culminou com a morte de Jeferson Ribeiro da Fonseca. Foi em 1993, ainda com o nome de Racing Truck, a categoria foi criada por Aurélio Batista Félix. O reconhecimento do trabalho veio em 1996, com a homologação da categoria e a criação do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck.  Nas corridas lineares (drag racing), ou também conhecidas como corridas de arrancada, o objetivo é completar uma certa distância, tradicionalmente um quarto de milha ou 1 320 pés ou 402 metros, no mais curto espaço de tempo possível. Os veículos utilizados variam entre o carro de todos os dias e o dragster. As velocidades e os tempos diferem, naturalmente, de classe para classe.

Um carro vulgar pode completar os 402 metros em 15 segundos, ao passo que um dragster poderoso pode cobrir a mesma distância em 4,5 segundos e atingir 530 km/h (330 m/h). As corridas lineares foram iniciadas, enquanto desporto, por Wally Parks, no início dos anos 1950, por intermédio da National Hot Rod Association, que é o maior corpo organizativo do desporto automóvel no mundo. A NHRA foi formada com o objetivo de afastar as pessoas das corridas de rua. Corridas de rua ilegais não são corridas lineares. Ao acelerar até aos 530 km/h, um dragster poderoso puxa 4,5 g de aceleração, e quando os travões e os paraquedas estão em ação, o condutor experimenta uma aceleração negativa de 4g, mais do que os tripulantes do vaivém espacial. Um único dragster pode ser ouvido a 13 km, e pode gerar uma leitura sismográfica de 1,5 - 2 na escala de Richter, dados dos NHRA Mile High Nationals de 2001, e de testes realizados em 2002 pelo Centro Nacional de Sismologia dos Estados Unidos. As corridas lineares realizam-se frequentemente em competição direta entre dois carros, com o vencedor de cada ronda a passar à ronda seguinte. Nas classes profissionais é sempre o primeiro a chegar à meta que ganha. Nas classes amadoras, existe um handicap, nos carros mais lentos é dada vantagem que usa índice, e os carros que correm mais que o seu índice permite, “rebentam” e perdem sob determinadas condições de temperatura e pressão.

Bibliografia Geral Consultada.

JUNG, Carl Gustav, Sincronicidade. 5ª edição. Petrópolis (Rio de Janeiro): Editoras Vozes, 1991; ELIAS, Norbert, O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1993, parte II: sinopse: Sugestões para uma Teoria de Processos Civilizadores, pp. 193-274; HUIZINGA, Johann, Homo Ludens: O Jogo como Elemento da Cultura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999; CERTEAU, Michel de, L`Invenzione del Quotidiano. Roma: Edizionne Lavoro, 2000; MAFFESOLI, Michel, El Instante Eterno. El Retorno de lo Trágico en las Sociedades Posmodernas. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 2001; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Ediciones Anthropos, 2005; DOMINGUES, Viviane, Turismo e Automobilismo: Efeitos da Fórmula 1 em São Paulo. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007; JOHNSON, Deborah Joanne, A Comparative Study of the Management and Socio-Economic Impacts of Sporte Tourism Events en Durban and Cape Town. Tese de Doutorado. Curs de Tourism and Hospitality Management. Cape Peninsula University of Technology, 2010; CORREIA, João Paulo, Estudo Numérico de uma Asa CDG para Fórmula 1. Dissertação de Mestrado. Universidade da Beira Interior, 2008; GIAVONI, Lucas Augusto Costa Pinto, A Fórmula 1 e as Teorias da Comunicação: Transformações Culturais. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura. Sorocaba: Universidade de Sorocaba, 2012; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; SENE, Túlio Silva, Um Processo Chamado Progresso: Desafios e Limites do Intercâmbio Global de Ciência e Tecnologia na Economia-mundo. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional. Instituto de Economia. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015; LIMA, Gabriel, “Fórmula 1, 1000 Grandes Prêmios: Relembre as 11 invenções tecnológicas mais importantes”. Disponível em: https://motorsport.uol.com.br/f1/09/04/2019; ELIAS, Rodrigo Vilela, Ascensão e queda da Fórmula 1 no Rio de Janeiro (1977-1990). Tese de Doutorado em Ciências.  Programa de Pós-Graduação em Ciências do Exercício e do Esporte. Instituto de Educação Física e Desportos. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2020; WEBER, Willi, Benzina nel Sangue. Michael Schumacker, il Cavallo Vincente. Roma: Editore Rizzoli, 2022; BILLIOTTE, Julien, “Michael Schumacher, já com 10 anos”. Disponível em: https://pt.autohebdo.fr/f1/29/12/2023; entre outros. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Paul Walker - Automobilismo, Coincidência & Morte Acidental.

                                                                                                              Ubiracy de Souza Braga*
 
I am absolutely speechless. Heaven has gained a new Angel. Rest in Peace. Vin Diesel 
    
 

             Mark Sinclair Vincent, reconhecido como Vin Diesel, nasceu no condado de Alameda, em 18 de julho de 1967. É um ator, roteirista e produtor de cinema norte-americano. Depois de aparecer no filme de guerra Saving Private Ryan (1998), ele ganhou fama internacional com seu papel como Dominic Toretto na franquia The Fast and the Furious. Diesel iniciou sua carreira em 1990, mas lutou para obter papéis até escrever e produzir o curta-metragem Multi-Facial (1995), que atraiu a atenção do diretor Steven Spielberg, que estava desenvolvendo o filme Saving Private Ryan. Spielberg reescreveu elementos do filme para permitir que Vin Diesel aparecesse, o que ajudou a iniciar sua carreira. Posteriormente, ele dublou o personagem-título em The Iron Giant (1999), e ganhou “uma reputação como estrela de ação” depois de estrelar em The Fast and the Furious, The Chronicles of Riddick e na série XXX. Em sua carreira, Diesel também ganhou notoriedade por emprestar sua voz grave ao personagem Groot em Guardiões da Galáxia, bem como no Universo Cinematográfico Marvel. Ele também fundou a produtora One Race Films, que produziu várias películas. Fora dos filmes de ação, obteve sucesso comercial em outros gêneros, como no filme de comédia The Pacifier (2005), enquanto sua atuação em Find Me Guilty (2006) foi elogiada.
         Sua mãe, Delora Sherleen (Sinclair) Vincent, é astróloga. Diesel afirmou que ele é “de etnia ambígua”. Sua mãe tem ascendência inglesa, alemã e escocesa. Ele nunca conheceu seu pai biológico e afirmou que “tudo o que sei de minha mãe é que tenho conexões com muitas culturas diferentes”. Diesel se identificou como “definitivamente uma pessoa de cor”, e declarou que o relacionamento de seus pais teria sido ilegal em partes dos Estados Unidos da América devido a leis anti-miscigenação. Ele foi criado em Nova Iorque por sua mãe caucasiana e padrasto afro-americano, Irving H. Vincent, instrutor de teatro e gerente de teatro. Estreou no palco aos sete anos de idade quando apareceu na peça infantil Dinosaur Door, escrita por Barbara Garson. A peça foi produzida no Theatre for the New City, em Greenwich Village, em Nova Iorque. Seu envolvimento ocorreu quando ele, seu irmão e amigos invadiram o espaço Theatre for the New City, na Jane Street, com a intenção de vandalizá-la. Eles foram confrontados pelo diretor do teatro, Crystal Field, que lhes ofereceu papéis no próximo show, em vez de chamar a polícia. Diesel permaneceu envolvido com o teatro durante a adolescência, frequentando o Hunter College de Nova York, onde estudos em escrita criativa o levaram a começar a escrever roteiros. Ele se identificou como um ator multifacetado.

Foi este princípio, que Carl Jung sentiu abrangido por seus conceitos de “Arquétipo” e “Inconsciente coletivo”, justamente o que uniu o médico psiquiatra Jung ao físico Wolfgang Pauli, dando início às pesquisas interdisciplinares em física e psicologia. Ocorre que a sincronicidade se manifesta às vezes atemporalmente e/ou em eventos energéticos acausais, e em ambos os casos são violados princípios associados ao paradigma científico vigente. As leis naturais são verdades estatísticas, absolutamente válidas ante magnitudes macrofísicas, mas não microfísicas. Isto implica um princípio de explicação diferente do causal. Cabe a indagação se em termos muito gerais existem não somente uma possibilidade senão uma realidade de acontecimentos acausais. A acausalidade é esperável quando parece impensável a causalidade. Ante a casualidade só resulta viável a avaliação numérica ou o método estatístico. As agrupações ou séries de casualidades hão de ser consideradas casuais enquanto não se ultrapasse os limites de “observação da probabilidade”. Se ultrapassado, implica-se um princípio acausal ou “conexão transversal de sentido” na compreensão do evento.

                            
Segundo Jung (2000), a hipótese de um inconsciente coletivo pertence àquele tipo de conceito. Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteúdos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos. O conceito de archetypus só se aplica indiretamente às représentations collectives, na medida em que designar apenas aqueles conteúdos psíquicos que ainda não foram submetidos a qualquer elaboração consciente. Representam,  hic et nunc, um dado anímico imediato. Como tal, o arquétipo difere sensivelmente da fórmula historicamente elaborada. Especialmente em níveis mais altos dos ensinamentos secretos, aparecem sob uma forma que revela seguramente a influência da elaboração consciente, a qual julga e avalia. Sua manifestação imediata, como a encontramos em sonhos e visões, é mais individual, incompreensível e ingênua do que nos mitos. O arquétipo representa, em essência,  um conteúdo inconsciente, que se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.
Nosso intelecto realizou tremendas proezas enquanto desmoronava nossa morada espiritual. Estamos profundamente convencidos de que apesar dos mais modernos e potentes telescópios refletores construídos nos Estados Unidos da América, não descobriremos nenhum empíreo nas mais longínquas nebulosas; sabemos também que o nosso olhar errará desesperadamente através do vazio mortal dos espaços incomensuráveis. As coisas não melhoram quando a física matemática nos revela o mundo do infinitamente pequeno. Finalmente, desenterramos a sabedoria de todos os tempos e povos, descobrindo que tudo o que há de mais caro e precioso já foi dito na mais bela 1inguagem. Estendemos as mãos como crianças ávidas e, ao apanhá-lo, pensamos possuí-lo. No entanto, o que possuímos não tem mais validade e as mãos se cansam de reter, pois a riqueza está em toda a parte, até onde o olhar alcança. Temos, seguramente, de percorrer o caminho da água, que sempre tende a descer, se quisermos resgatar o tesouro, a preciosa herança do Pai. No hino gnóstíco à alma, o Filho é enviado pelos pais à procura da pérola perdida que caíra da coroa real do Pai. Ela jaz no fundo de um poço, guardada por um dragão, na terra dos egípcios - mundo de concupiscência e embriaguez com todas as suas riquezas físicas e espirituais. O filho e herdeiro parte à procura da jóia, e se esquece de si mesmo e de sua tarefa na orgia dos prazeres mundanos dos egípcios, até que uma carta do pai o lembra do seu dever. Ele põe-se então a caminho em direção à água e mergulha na profundeza sombria do poço, em cujo fundo encontra a pérola, para oferecê-la então à suprema divindade.
        O testemunho do sonho encontra uma violenta resistência por parte da mente consciente, que só reconhece o “espirito” como algo que se encontra no alto. O “espírito” parece “sempre vir de cima”, enquanto tudo o que é turvo e reprovável vem de baixo. Segundo esse modo de ver o espírito significa a máxima liberdade, um flutuar sobre os abismos, uma evasão do cárcere do mundo ctônico, por isso um refúgio para todos os pusilânimes que não querem “tornar-se” algo diverso. Mas a água é tangível e terrestre, também é o fluido do corpo dominado pelo instinto, sangue e fluxo de sangue, o odor do animal e a corporalidade cheia de paixão. O inconsciente é a psique que alcança, a partir da luz diurna de uma consciência espiritual, e moralmente lúcida, o sistema nervoso designado há muito tempo por “simpático”. Este não controla como o sistema cérebro espinal a percepção e a atividade muscular e através delas o ambiente; mantém, no entanto, o equilíbrio da vida sem os órgãos dos sentidos, através das vias misteriosas de excitação, que não só anunciam a natureza mais profunda de outra vida, mas também irradia sobre eia um efeito interno. Trata-se de um sistema extremamente coletivo: a base operativa de toda participation mystique, ao passo que a função cérebro-espinhal, comparativamente, culmina na distinção diferenciada do Eu, e só apreende o superficial e exterior sempre por meio de sua relação com o espaço. Esta função social capta tudo como “fora”, ao passo que o sistema simpático tudo vivência como “dentro”, mas que não trataremos agora.
Paul William Walker IV, reconhecido como Paul Walker, nasceu em Glendale, Califórnia, em 12 de setembro de 1973 - Santa Clarita, e faleceu em 30 de novembro de 2013. Iniciou sua carreira aos dois anos como modelo e cinematográfica em 1985. Entre esse ano e 1996, circulou em várias séries de televisão e comédias juvenis, até que em 2001, foi contratado para contracenar com Vin Diesel no filme: “The Fast and The Furious”, uma história entre um policial infiltrado no mundo das street races ilegais, de seu nome Brian O`Conner, que corre contra Dominic Torreto, personagem interpretada por Vin Diesel. Foi um ator norte-americano. Seus filmes de sucesso foram: “Perseguição - A Estrada da Morte”, “No Rastro da Bala” e “Resgate Abaixo de Zero”. Paul Walker foi membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Embora tenha deixado a religião, sua família ainda é membro da igreja. Formou-se na Village Christian School. Ele frequentou diversas faculdades da comunidade, buscando um grau e uma carreira, em biologia marinha.
 Ele e a filha, Meadow, de 15 anos, estavam se reaproximando nos últimos anos. A menina, filha de uma ex-namorada do ator, Rebecca, morava no Havaí com a mãe, mas havia se mudado para a Califórnia para ficar mais perto do pai, segundo o “E!”. – “Meadow e seu pai se reaproximaram nos últimos anos. Ela se mudou para a Califórnia onde desenvolveu uma relação forte com o pai”. Isso inclui a viagem ao Brasil em 2010, quando ele veio filmar cenas de “Velozes e furiosos 5”. – “Todo mundo está sofrendo, mas tem muito amor e apoio transbordando para a família”, disse a fonte do “E!”, acordo com o “IMDB”, também em 2012, Meadow se mudou para a casa de Paul. – “Eu me dedico a ser pai, é este meu foco na maior parte do tempo. Meadow Walker estava no local do acidente em que seu pai morreu. A testemunha Jim Torp revelou que a jovem participou do evento organizado pelo pai e amigo, Roger Rodas, em prol da organização beneficente de Paul. Roger Rodas era CEO (Chief Executive Officer) da Always Evolving, especializada em carros de luxo. Ele conheceu Paul durante uma corrida e o ator tinha investimentos em sua empresa. 
Paul Walker foi eleito em 2001, pela revista People como uma das “Pessoas Mais Bonitas do Mundo”. Atualmente residia em Santa Bárbara, Califórnia, com seu cachorro da raça Chesapeake Bay Retriever, chamado Boone. Sua filha, Meadow Rain, que nasceu em 28 de janeiro de 1999, vive no Havaí com a mãe, ex-namorada de Paul. Ele era um ávido surfista e sempre foi apaixonado por carros, antes mesmo das filmagens de “Velozes e Furiosos”, possuindo um Infiniti G35. Era praticante de jiu-jitsu e usava a técnica de golpes da luta para contracenar em alguns filmes. Rodas e Walker eram amigos de longa data. Ambos se conheceram em uma corrida de carro. Roger se tornou consultor financeiro do astro de Hollywood. Segundo fonte jornalística do E! News, “os dois eram homens que valorizavam suas respectivas famílias mais do que tudo. A família sempre era prioridade, acima de qualquer outra coisa. Eles tinham a mesma visão de mundo, por isso se davam tão bem. É de partir o coração. Eles eram amigos verdadeiros que dividiam os mesmos interesses e objetivos”.
          Roger Roas era um ótimo empreendedor de negócios: trabalhou por vinte anos como diretor geral/consultor financeiro no Bank of America/Merrill Lynch. Segundo o site do Banco Merrill Lynch, Rodas e Paul se conheceram em uma pista de corrida. O ator reconheceu o porsche que o banqueiro dirigia como sendo um que já tinha sido sua propriedade e começaram a conversar. – “Logo ambos estavam correndo lado a lado”, segundo o site.  Enfim, Roger e Paul eram sócios de uma loja de carros personalizados. Localizada na Califórnia, leva o nome de Always Evolving. Walker comentou sobre ela em entrevista à revista PasMag: - “Nós fazemos preparação para corridas. Tenho alguns parceiros e corremos juntos. É basicamente um negócio familiar”. Ele era graduado em Finanças pela Universidade do Estado da Califórnia e fez diversos cursos na Escola de Negócios Wharton. Rodas era um parceiro engajado: ele atuava fortemente em instituições de caridade da região sul da Califórnia e da América Latina. Mais especificamente pela “Reach Out WorldWide” e “The Asomugha Foundation” por meio de suas empreitadas cirúrgicas automobilísticas.
Quando criança, Paul Walker estrelou uma série de comerciais, entre eles o da fralda Pampers. Começou como modelo infantil aos dois anos de idade, logo depois passa a trabalhar na TV, a partir de 1985, aos doze anos, onde conquistou papeis em séries de TV como: “Highway to Heaven”, “The Young and the Restless” e “Touched By an Angel”. Em 1986, ganhou seu primeiro papel no cinema, deixando de lado a carreira de modelo, que começou incentivada pela mãe. Depois, participou de “Throb”, em 1986, “Charles in Charge” (1990) e “Who’s the Boss?” (1991). Sua estreia no cinema ocorreu em 1986, com o filme: “O Monstro do Armário”. Ele continuou com papéis em diversos outros filmes, embora sem muito sucesso. Em 1998, veio o filme: “Os Irmãos Id & Ota”, com esse filme ele ganhou fama. Isto o levou a papéis de apoio nos filmes: “Pleasantville - A Vida em Preto e Branco”, “Marcação Cerrada”, “Ela é Demais” e “Sociedade Secreta”. Em 2001, Walker chegou ao total estrelato ao contracenar com Vin Diesel no bem sucedido filme de ação: “Velozes e Furiosos”. O filme deu notoriedade a Walker e o levou a fazer a sua sequencia em “+ Velozes + Furiosos”. Continuou a sua carreira com os principais papéis em filmes como: “Perseguição - A Estrada da Morte”, “Linha do Tempo”, “Mergulho Radical”, e teve também um papel de apoio na adaptação de Clint Eastwood, no filme: “A Conquista da Honra”, de 2006.             
            O filme “Velozes e Furiosos 7”, estava em fase de filmagens quando o ator Paul Walker morreu. NO acidente fatal ele encontrava-se em um carro Porsche quando o motorista, seu amigo Roger Rodas, perdeu o controle, bateu em um poste de luz e o veículo pegou fogo. Momentos antes, no Instagram da empresa Always Evolving, uma imagem do carro usado pelo ator foi postada. A polícia divulgou um comunicado sobre o acidente, informando que, quando chegou, encontrou o veículo pegando fogo. Os bombeiros apagaram as chamas. O comunicado declara também que os dois ocupantes do carro morreram no local. Uma testemunha do acidente contou ao jornal “The Santa Clarita Signal”, que tentou apagar as chamas do Porsche e reconheceu Walker dentro do carro. Antônio Holmes, amigo do ator, declarou ao jornal que usou um extintor para diminuir o fogo. – “Nós tentamos, nós tentamos”, disse emocionado para a publicação. Segundo relatos o acidente ocorreu perto de onde acontecia o evento. Assim que os presentes ouviram o barulho correram até o local onde o carro estava em chamas. Ainda segundo Jim Torp, que era amigo de Roger, a cena do acidente era caótica: - “Tinha provavelmente uns 20 funcionários e amigos gritando e chorando, que tinham pegado extintores e tentavam fazer o que podiam para salvar”.
            Concordamos com Sakamoto (2013) que parte da repercussão causada pela morte do ator Paul Walker, deve-se à coincidência com o papel que desempenhava na franquia de filmes: “Velozes e Furiosos”. É claro que devemos lamentar a morte de qualquer ser humano em uma situação trágica como essa e esperar que a família, amigos e fãs encontrem consolo de alguma forma. Mas fico imaginando, afirma Sakamoto, quantos já se envolveram em acidentes, inspirados em corridas de rua como as exibidas pela série, nos Estados Unidos, em São Paulo, onde quer que seja. Quantos morreram querendo ser Paul Walker ou Vin Diesel? Ou quantos que simplesmente caminhavam no local errado e na hora errada perderam a vida por consequência de “rachas” inspirados nos valores passados por filmes de corridas de rua?
- “Ah, japonês, então você quer dizer que não podemos passar Romeu e Julieta na TV sob o risco de casais apaixonados se matarem? Ou mostrar O Resgate do Soldado Ryan sob o risco de começar uma guerra? Não. No caso de Velozes e Furiosos, os automóveis são também protagonistas, elevados a um status de divindade, embutidos de características como potência, sensualidade, velocidade, força, beleza. Características que você adquire automaticamente ao comprar um desses bólidos, não sendo necessário desenvolvê-las ao longo de uma vida. Ninguém quer ser zumbi. E a maioria de nós não deseja ser um hobbit. E, mesmo se quisesse, isso seria impossível. Porém, o processo de afirmar que a posse de um carro traz qualidades ao seu condutor é a base da publicidade. Afinal de contas, somos o que temos, não? E você quer ser uma Maserati, um Fiat 147 ou andar a pé? Quer ser rápido e conhecido ou lento e anônimo? Mas, ao contrário da TV e do videogame, as coisas não funcionam de forma mágica”.
            Contudo, as “coincidências” são uma parte, por assim dizer, à parte do mundo. Muitos escritores e poetas já falaram delas, mas não existe uma teoria filosófica das coincidências. E a razão é simples: a coincidência já está inscrita numa das categorias filosóficas mais antigas, a do acidente. Algumas coisas são chamadas de acidentais e, outras, de essenciais. Na física, velocidade relaciona a variação da posição no espaço em relação ao tempo, ou seja, qual a distância percorrida por um corpo num determinado intervalo temporal. É uma grandeza vetorial, possuindo direção,  sentido e módulo, esse último chamado de rapidez e de dimensões. A variação da velocidade em relação ao tempo é a aceleração. Atualmente, estamos diante de fatos de outra natureza, mas que também nos chamam a atenção pela dificuldade de inseri-los na categoria das coisas essenciais ou na categoria das coisas acidentais. Talvez seja melhor retomarmos a ideia de “sincronicidade” desenvolvida por Carl Jung (1991) para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. Velocidade é um conceito fundamental para a mecânica clássica. Foi a partir desse que os primeiros físicos puderam desenvolver o estudo do movimento dos corpos, tornando-se capazes de descrever trajetórias através de funções matemáticas. Isaac Newton, pai da mecânica clássica, desenvolveu o cálculo diferencial a partir desse estudo. A velocidade tinha um significado de poder disciplinar e de controle sobre o espaço e tempo preciso para Paul  Walker.
 E neste caso, se o carro representa a “conexão de sentido” sociologicamente falando, na perspectiva para liberdade, sendo que a representação de seu significado tem como escopo o domínio humano sobre a velocidade. Do ponto de vista teórico, prático e afetivo a coincidência com a morte é uma fatalidade previsível neste evento de ordem competitiva no processo de globalização da indústria automobilística. Dessa forma, os praticantes de automobilismo sabem que é necessário que consideremos os eventos sincronísticos não relacionados com o princípio da causalidade, mas por terem um significado igual ou semelhante. A “sincronicidade”, como vimos, é também referida por Carl Jung de “coincidência significativa”. Além disso, “sincronicidade” difere da mera coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias entre espaço/tempo, mas sim num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativas como no caso do excesso de velocidade manipulado pelo condutor do carro que poderá levar à morte. Enfim, o termo sincronicidade foi nomeado pelo psicólogo Carl Jung. Tal ideia foi desenvolvida através de conversas com Albert Einstein quando ele estava desenvolvendo a Teoria da Relatividade. Einstein levou essa ideia para o campo da física. Já Jung trabalhou na na linguagem psíquica.   
           Mais de 1 milhão de pessoas se despediram ou comentaram em inúmeros idiomas a notícia da morte do ator em sua página na rede social Facebook.  Na vida real, Paul Walker participava em corridas de carros e se descrevia no Twitter como “um homem do ar livre, apaixonado pelo oceano” e um adepto da adrenalina, que fez ele próprio muitas das cenas perigosas dos filmes em que participou. Ele também deixa por estreia um filme independente, “Hours”, com lançamento nos Estados Unidos. Também ia trabalhar em “Brick Mansions”, uma nova versão de um filme francês, “District B13”, de 2004. A estudante, que vive em Santa Barbara, na Califórnia, tem 23 anos e começou a sair com Walker, de 40, ainda aos 16. Mas foi um ano depois que eles assumiram o namoro. - “Paul era um cara muito bom e Jasmine está de coração partido por causa do acidente. Passamos o Dia de Ação de Graças juntos, jogamos golfe. Eles tinham seus altos e baixos, mas eles estavam juntos e planejando um futuro brilhante. Essa notícia é horrível e inesperada. Ela está sendo consolada pela mãe”, disse Barton Bruner, tio de Jasmine. A presença de Jasmine na vida de Walker foi um dos fatores que fez com que Meadow, sua filha de 15 anos, tenha decidido ir morar com ele no início do ano. Ela passou toda a infância com a mãe, Rebecca McBrain, no Havaí.
Bibliografia geral consultada.
JUNG, Carl, Sincronicidade. 5ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1991; Idem, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 2ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2000; TAMBUCCI, Pascoal, O Funcionamento do Discurso do Marketing Esportivo em Campanhas Publicitárias e Matérias Jornalísticas. Tese de Doutorado. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, 2000; RUBIA, Kátia, O Imaginário Esportivo Contemporâneo: O Atleta e o Mito do Herói. São Paulo: Editor Casa do Psicólogo, 2001; LOBO, Ângela, O Automóvel: Um Cluster (Globalmente) Inovador. Lisboa: Ministério da Economia. Editor Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica, 2002; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Ediciones Anthropos, 2005; VILELA, Daniel, Aplicação de Métodos Numéricos de Otimização ao problema Conjunto da Dirigibilidade e Conforto Veicular. Tese de Doutorado em engenharia de Controle e Automação Mecânica. Escola Politécnica. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010;  Artigo: “Vin Diesel despidió a su amigo Paul Walker”. Disponível em: http://www.lagaceta.com.ar;  SAKAMOTO, Leonardo, “Quantas pessoas já morreram no volante querendo ser Paul Walker?”. Disponível em: http://blogdosakamoto.com.br/2013/12/02; BOTOSSO, Antonio Carlos, Avaliação do Efeito da Rigidez Estrutural sobre a Dinãmica Veicular. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Controle e Automação Mecânica. Escola Politécnica. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; FERNANDES, Amauri Monge, Morte no Trânsito não é Acidente: Análise e Recomendações ao Programa de Governo de Goiás para Reduzir as Mortes no Trânsito. Dissertação de Mestrado. Escola de Administração de Empresas de São Paulo. Fundação Getúlio Vargas, 2016; entre outros.  
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).