sexta-feira, 7 de junho de 2019
Tina Turner - Poder, Música, Casamento & Iniciação ao Budismo.
domingo, 2 de junho de 2019
Graciliano Ramos - Literatura & Sofrimento Relacional da Angústia.
ARAUJO, Bruno Rodrigo Tavares, Rebeldia com Causa: A Trajetória Política e Intelectual de Antônio Bernardo Canellas (1916-1920). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 2015; COSTA, Arrisete Cleide Lemos, Maceió Medúsica: Uma Interpretação Histórica das Imagens da Diáspora de Intelectuais Alagoanos na Literatura - 1930-1940. Maceió: Editora da Universidade Federal de Alagoas, 2015; DANTAS, Mariana Albuquerque, Dimensões da Participação Política Indígena na Formação do Estado Nacional Brasileiro: Revoltas em Pernambuco e Alagoas (1817-1848). Tese de Doutorado. Centro de Estudos Gerais. Programa de Pós-Graduação em História. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2015; VALE, Fabiano Ferreira Costa, Angústia, de Graciliano Ramos: Uma Narrativa de Tempos Sombrios. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Literatura. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Brasília: Universidade de Brasília, 2016; SOUZA, Bruno Henrique Alvarenga, A Literatura Menor de Graciliano Ramos: Uma Cartografia da Infância. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Letras. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2017; BARBOSA, Felipe da Silva, “Apontamentos para uma História da Historiografia de Alagoas”. In: Caeté. Revista de Ciências Humanas, vol. 1, nº 2, 2019; SILVA, João Paulo Omena, Entre o Soar dos Sinos e o Apito do Trem: Modos de Pensar o Museu Xucurus de Palmeira dos Índios/AL. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 2017; MENDONÇA, Wellington Pascal de, A Consagração de Graciliano Ramos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018; REIS, Diana Rodrigues, Vidas Secas, de Graciliano Ramos à Luz do Pós-Colonialismo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Porto Nacional: Universidade Federal do Tocantins, 2019; entre outros.
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Naturismo - Corpo, Sexualidade & Tabuleiro de Cultos Sociais.
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| Museu em Paris abre visitação para naturistas. |
Denis
Diderot nasceu na Champanha (1713-1784) e começou sua educação formal no Colégio Jesuíta de
Langres, na França. Seus pais eram Didier Diderot (1685–1759), um cuteleiro, e sua esposa
Angélique Vigneron (1677–1748). Três dos cinco irmãos de Diderot chegaram à
idade adulta, Denise Diderot (1715–1797), Pierre-Didier Diderot (1722–1787) e
Angélique Diderot (1720–1749). Ingressou no colégio jesuíta de Langres em 1723
(data mais provável). O ensino fornecido pelos jesuítas, que detinham o
monopólio da educação secundária na França de então, enfatizava o ensino das
línguas clássicas (grego e latim) e uma atenção rigorosa às orações católicas,
o que visava a atenuar a influência humanista e secular. Diderot foi um aluno
muito perspicaz e recebeu até mesmo algumas menções honrosas e premiações em
virtude de seu excelente desempenho escolar. Em 1726, o bispo de Langres
concede, a Diderot, a “tonsura”, uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um
corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau de Ordem no clero,
chamado também de prima tonsura. Tudo indicava que o jovem Denis seguiria uma
carreira eclesiástica. A família de Diderot esperava que ele herdasse a
prebenda de seu tio, o cônego Didier Vigneron. Contudo, por uma série de
infortúnios (o testamento em que o tio legava a prebenda ao sobrinho se tornou
inválido porque só chegou a Roma após a morte de seu autor), Diderot não
recebeu o benefício esperado, embora recebesse a alcunha de abade (abbé)
por parte de seus concidadãos.
Por motivos ainda não inteiramente esclarecidos, em 1728, aos dezesseis anos, Diderot parte para Paris e passa a frequentar o colégio de Harcourt (Liceu Saint-Louis). Em 1732, recebe o grau de mestre em artes na Universidade de Paris. Pouco se sabe sobre os primeiros anos de Diderot em Paris. Sabe-se que considerou a possibilidade de estudar direito, que sua conduta foi motivo de preocupação para seu pai e que passou por dificuldades financeiras. Diderot iniciou sua carreira como tradutor. Em 1743, ele traduz a Grecian History, de Temple Stanyan. É, contudo, a tradução de An Inquiry Concerning Virtue or Merit, de Ashley-Cooper, 3º Conde de Shaftesbury, sob o título Essai sur le Mérit et la Vertu, publicado em 1745, que Diderot se torna um pouco mais conhecido. A primeira peça relevante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles a l`usage de ceux qui voient, em que sintetiza a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao ceticismo e o materialismo ateu, e tal obra culminou em sua prisão. Sua obra-prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers, onde buscou reportar todo o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 28 volumes. Mesmo que, na época, o número de pessoas que sabia ler fosse pouco, ela foi vendida com sucesso. Denis conseguiu uma fortuna. Deu continuidade com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos.
Escreveu também algumas outras peças teatrais de pouco êxito. Destacou-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreveu vários artigos de crítica de arte. Foi um dos primeiros autores que fizeram da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. O corpo, notoriamente, percorre a história da ciência e da filosofia. De Platão a Henri Bergson, passando por René Descartes, Baruch Espinosa, Maurice Merleau-Ponty, Sigmund Freud, Karl Marx, Friedrich Nietzsche, Max Weber e Michel Foucault, a definição de corpo demonstra um puzzle. Quase todos reconhecem a profusão da visão dualista de Descartes, que define o corpo como uma substância extensa em oposição à substância pensante. Podemos perceber que seguindo este modo de compreensão, sobretudo com o advento da modernidade, o corpo foi facilmente associado a uma maquina. O corpo foi pensado como um mecanismo elaborado por determinados princípios que alimentam as engrenagens desta máquina promovendo o seu bom funcionamento. Isto quer dizer que através dos exercícios de abstinência e domínio que constituem a ascese necessária, o lugar atribuído ao conhecimento de si torna-se mais importante: a tarefa de se pôr à prova, de se examinar, de controlar-se numa série de exercícios bem definidos, coloca a questão da verdade – da verdade do que se é, do que se faz e do que é capaz de fazer – no cerne da constituição do sujeito moral. O ponto de chegada é ainda e sempre definido pela soberania do indivíduo sobre si mesmo.
Neste
aspecto Michel Foucault nos adverte sobre a questão abstrata da analítica
do poder que se constitui o marco histórico e pontual de “docilidade dos corpos”.
Para ele o soldado é, antes de tudo,
alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e
coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e
de sua valentia: e se é verdade que deve aprender aos poucos o ofício das armas
– essencialmente lutando – as manobras como a marcha, as atitudes como o porte
da cabeça se originam, em boa parte, de uma retórica corporal de honra. Eis
como ainda no início do século XVIII se descrevia a figura ideal do soldado.
Mas na segunda metade deste século, o soldado se tornou algo que se fabrica; de
uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa;
corrigiram-se aos poucos as posturas: lentamente uma coação calculada percorrer
cada parte do corpo, assenhoreia-se dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente
disponível, e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos; em resumo,
foi “expulso o camponês” e lhe foi dada a “fisionomia de soldado”. Ipso facto,
houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de
poder. Encontraríamos sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo
que se manipula, modela-se, treina-se, que obedece, responde, torna-se hábil ou
cujas forças se multiplicam descrito como “homem-máquina”.
O grande livro do homem-máquina foi descrito simultaneamente em dois registros: no anátomo-metafísico, cujas primeiras páginas haviam sido escritas por Descartes e que os médicos, os filósofos continuaram; o outro, técnico-político, constituído por um conjunto de regulamentos militares, escolares, hospitalares e por processo empíricos e refletidos para controlar ou corrigir as operações do corpo. Dois registros bem distintos, pois se tratava ora de submissão e utilização, ora de funcionamento e de explicação: corpo útil, corpo inteligível. E, entretanto, de um ao outro, pontos de cruzamento. “O homem-máquina” de Julien Offray La Metrie (1709-1751) é ao mesmo tempo uma redução materialista da alma e uma teoria geral do adestramento, no centro dos quais reina a noção de “docilidade” que une ao corpo analisável o corpo manipulável. Em sua significação específica é dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado. Contudo, os famosos autômatos, por seu lado, não eram apenas uma maneira de ilustrar o organismo; eram também, na falta de melhor expressão, bonecos políticos, modelos reduzidos de poder: obsessão de Frederico II (1712-1786), rei minucioso das pequenas máquinas, dos regimentos bem treinados e dos longos exercícios.
Para Michel Foucault metodologicamente a questão a responder é a seguinte: Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes mito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas, entretanto, são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro lugar, do controle; não se trata de cuidar do corpo, massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalha-lo detalhadamente; de exercer sobre el uma coerção sem folga, de mantê-lo ao mesmo nível prático da mecânica – movimentos, gestos, atitudes, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou mais, os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício. A modalidade, enfim, implica uma coerção ininterrupta, constante, que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha ao máximo o tempo, o espaço, os movimentos.
Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que
realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de
docilidade-utilidade, são o que podemos chamar disciplinas. Muitos
processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos,
nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos
XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. Diferentes da escravidão, pois não
se fundamentam numa relação de apropriação dos corpos; é até a elegância da
disciplina dispensar essa relação custosa e violenta obtendo efeitos de
utilidade pelo menos igualmente grandes. Mas também ocorre que são diferentes
também da domesticidade, que é uma relação social de dominação constante,
global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida sob a forma de vontade de
poder singular do patrão, sendo quase seu “capricho”. Diferentes da vassalidade
que é uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se
realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos do trabalho e
as marcas rituais de obediência. Diferentes do ascetismo e das “disciplinas” de
tipo monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade
e obediência, têm como fim um aumento do
domínio de cada um sobre seu próprio corpo.
O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma “anatomia política”, que é também igualmente uma “mecânica do poder”, está nascendo; ela define como se pode ter o domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas ara que operem como se quer, com as técnicas segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra: ela associa o poder do corpo; faz dele por um lado uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de sujeição estrita. Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada.
A Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), como meio de garantir um padrão ético de comportamento entre suas áreas filiadas, edita as seguintes Normas Éticas aprovadas em Assembleia Geral Extraordinária, no dia 07 de dezembro de 1996 no Sitio Ibatiporã, em Porto Feliz - São Paulo: 1 – Falta Grave - As condutas abaixo relacionadas, com grau de intensidades examinado pelos Conselhos Deliberativos dos Clubes, em primeira instância, e pelo Conselho Maior da FBrN, em segunda e última instância, são motivos para expulsão de seus agentes dos quadros sociais e das áreas naturistas regidas pelas entidades filiadas à FBrN. Ter comportamento sexualmente ostensivo e/ou praticar atos de caráter sexual ou obscenos nas áreas públicas; Praticar violência física como meio de agressão a outrem; Utilizar meios fraudulentos para obter vantagens para si ou para terceiros; Portar ou utilizar drogas tóxicas ilegais; Causar danos à imagem pública do Naturismo ou das áreas naturistas.
2 – Comportamento Inadequado - As condutas relacionadas, com grau de intensidade e reincidência examinadas pelos Conselhos na forma referida no Item 1, constituem motivos para advertências, suspensão e expulsão dos seus agentes dos quadros sociais e das áreas regidas pelas entidades filiadas à FBrN. Concorrer para a discórdia por intermédio de propostas inconvenientes com conotação sexual; Fotografar, gravar ou filmar outros naturistas, sem a permissão dos mesmos; Utilizar aparelhos sonoros em volume que possa interferir na tranquilidade alheia, e/ou desrespeito aos honorários de silêncio regulamentados; Causar constrangimento pela prática de atitudes inadequadas; Portar-se de forma desrespeitosa ou discriminatória permanente e, relação a outros naturistas ou visitantes; Deixar lixo em locais inadequados; Provocar danos à flora e à fauna, ou à imagem do Naturismo; Satisfazer necessidades fisiológicas em áreas impróprias, ou exceder-se na ingestão de bebidas alcoólicas, causando constrangimento a outros naturistas; Utilizar assentos de uso comum sem a devida proteção higiênica; Apresentar-se vestido em locais e horários exclusivos de nudismo, sendo tolerado às mulheres o top less, durante o período menstrual. As presentes Normas Éticas do Naturismo Brasileiro (NENB) – devem ser fixadas em locais públicos e visíveis, além de distribuídas e divulgadas entre naturistas e visitantes das áreas de prática naturista filiadas à FBrN.
A questão de gênero tem definido, tradicionalmente, a interpretação brasileira de suas próprias práticas sexuais. Desde o início do período colonial até nossos dias, um sistema de proibições religiosas relativamente formais, se bem que nem sempre inflexível, reforçou as divisões técnicas entre masculino e feminino e ao mesmo tempo, ampliou o significado implícito das próprias relações sexuais, envolvendo-as numa economia simbólica diferente, questionando-as em termos não apenas de seus significados na vida cotidiana normal, mas de suas repercussões na vida eterna. Essa ênfase nas implicações internas dos atos sexuais confirma a ideologia das relações de gênero para a percepção do universo sexual, através de modernização conservadora que têm marcado a vida brasileira para o que poderia parecer à primeira vista uma estrutura conceitual marcadas de ideias científicas e pseudocientíficas sobre a vida sexual, altamente racionalizadas, oriundas grandemente dos progressos na psicologia, sexologia e sociologia e mesmo das ideias protofascistas europeias, mas que não trataremos agora. Acreditamos que, em nenhum espaço e lugar contemporâneo a variação e multiplicidade fundamentais dessa configuração são mais evidentes desde os primórdios da colonização como aquilo que se descreve como o “domínio da experiência erótica”.
















