Mostrando postagens com marcador Robert Eggers. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robert Eggers. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Homem do Norte – Cinema & Gesta Danorum, de Saxo Grammaticus.

Vou vingá-lo, pai. Vou salvá-la, mãe. Vou matá-lo, Fjolnir!”. Personagem-título  Príncipe Amleth  (1599-1601)                    

            

        Viking tem como representação social e humana um termo habitualmente usado para se referir aos exploradores, guerreiros, comerciantes e piratas escandinavos que invadiram, exploraram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte a partir do final do século VIII ao início do século XI. Marinheiros e navegadores experientes em seus navios chamados de dracars, os Vikings estabeleceram assentamentos e governos nórdicos nas Ilhas Britânicas, nas Ilhas Feroe, na Islândia, na Groenlândia, na Normandia e na Costa Báltica, bem como ao longo das rotas comerciais dos rios Dnieper e do Volga através na Rússia moderna, na Bielorrússia e Ucrânia, onde também eram reconhecidos como varegues. Os normandos, os nórdicos-gaélicos, o povo rus, os faroeses e os islandeses emergiram dessas colônias nórdicas. A certa altura, um grupo de Rus Vikings foi tão para o Sul que, depois de servir brevemente como guarda-costas do imperador bizantino, atacaram a cidade bizantina de Constantinopla. Os Vikings também viajaram para o Mar Cáspio na região do Irã, Daguestão e Azerbaijão e até a Arábia. Eles também foram os primeiros europeus a chegar à América do Norte, brevemente fundando uma colônia em Terra Nova (Vinlândia). Ao espalharem a cultura nórdica para terras estrangeiras, eles simultaneamente trouxeram escravos, concubinas e influências culturais estrangeiras para a Escandinávia, influenciando o desenvolvimento genético de ambos. Historicamente durante a chamada Era Viking, as terras natais nórdicas foram gradualmente consolidadas na esfera política de reinos menores em três reinos maiores, nos territórios da Dinamarca, Noruega e Suécia.

       A raiz da palavra germânica vik ou wik está relacionada a mercados, é o sufixo normalmente utilizado para referir-se a uma “cidade mercadora”, da mesma forma que burg significa “lugar fortificado”. Sandwich e Harwich, na Inglaterra, ainda demonstram essa terminação, e Quentovic, a recém-escavada cidade portuária dos francos, mostra a mesma etimologia. A atividade mercantil dos vikings está bem documentada em vários locais arqueológicos como Hedeby, uma importante cidade viquingue dos dinamarqueses, localizada no Norte da Alemanha. Há quem acredite que a palavra viking vem de vikingr do nórdico antigo, língua falada pelos vikings, mas eles não se denominavam assim; este nome foi atribuído a eles devido ao seu significado: piratas, aventureiros ou mercenários viajantes. Os vikings são escandinavos, que por sua vez, são um povo germânico, sendo provenientes dos indo-europeus. Os vikings a partir do século VII começaram a sair da Escandinávia para as regiões próximas, autônomas dinamarquesas como Groenlândia e as Ilhas Faroé, e a finlandesa ilhas Åland. devido a uma superpopulação e até problemas internos, como no caso extraordinário de Érico, o Vermelho que foi expulso da Noruega e da Islândia por assassinato, além da motivação pelo comércio e pelos saques das cidades europeias. Os anais francos usam a palavra Normanni, os anglo-saxões os denominavam de Dani, e embora esses termos certamente se refiram respectivamente aos noruegueses e dinamarqueses, parece que frequentemente eram usados para os homens do Norte

        Nas crônicas germânicas eles eram denominados de Ascomanni, isto é, “homens de madeira”, porque suas naus eram feitas de madeira. Em fontes primárias irlandesas eles aparecem com Gall (forasteiro) ou Lochlannach (nortistas); para o primeiro eram algumas vezes adicionadas as palavras branco (para noruegueses) ou preto (para dinamarqueses), presumivelmente devido às cores de seus escudos ou de suas malhas. Os vikings falavam nórdico antigo e faziam inscrições em runas. Durante a maior parte do período histórico das suas expedições, eles seguiram a religião nórdica antiga, porém mais tarde se converteram ao cristianismo. Os vikings tinham suas próprias leis, arte e arquitetura. A maioria deles eram agricultores, pescadores, artesãos e comerciantes. As concepções populares dos vikings muitas vezes diferem fortemente da civilização complexa e avançada dos nórdicos que emerge da arqueologia e de fontes históricas. Uma imagem romantizada dos vikings como nobres selvagens começou a surgir no século XVIII; isso se desenvolveu e se tornou amplamente propagado durante o revivificação viking do século XIX. As visões dos vikings como pagãos violentos e piratas ou como aventureiros intrépidos devem muito a variedades conflitantes do mito viking moderno que tomou forma no início do século XX. As atuais representações populares dos Vikings são tipicamente baseadas em clichês e estereótipos culturais, complicando a apreciação moderna do legado Viking. Essas representações raramente são precisas - por exemplo, não há evidências de que eles usassem capacetes com chifres, um elemento do traje que apareceu pela primeira vez no século XIX.                                   

O Homem do Norte tem como representação um filme épico norte-americano de ação e drama histórico de 2022, dirigido por Robert Eggers, que co-escreveu o roteiro com Sigurjón Birgir Sigurðsson. Baseado na lenda de Amleth, da obra Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, livro escrito por volta do século XII-XIII pelo escritor e historiador dinamarquês medieval sobre a história da Dinamarca, o filme acompanha Amleth, um príncipe viking exilado que parte em uma jornada para vingar o assassinato de seu pai pelas mãos de seu tio, no auge da Era Viking. O elenco conta com Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Gustav Lindh, Ethan Hawke, Björk e Willem Dafoe. Eggers e Skarsgård, que também produziram o filme, se encontraram para discutir possíveis colaborações; Eggers decidiu fazer do filme “seu terceiro projeto após se encontrar com Skarsgård, que desejava fazer um filme viking há vários anos”. Grande parte do elenco se juntou em outubro de 2019 e as filmagens ocorreram em locações na Islândia, Irlanda e Irlanda do Norte, de agosto a dezembro de 2020. O filme é fortemente influenciado pela mitologia nórdica. O filme “The Northman” estreou no TCL Chinese Theatre em Los Angeles em 18 de abril de 2022, embora já tivesse sido lançado nos cinemas em países europeus e sul-americanos a partir de 13 de abril. Foi lançado nos Estados Unidos da América em 22 de abril. Recebeu ampla aclamação da crítica, mas teve um desempenho abaixo do esperado nas bilheterias, arrecadando US$ 69,6 milhões com um orçamento líquido de US$ 70 milhões. Mas, obteve sucesso financeiro inesperado em plataformas sob demanda e mídia doméstica, permitindo-lhe recuperar grande parte das perdas de bilheteria.

Em 895 d.C. o Rei Aurvandill “Corvo da Guerra” retorna à ilha de Hrafnsey, reunindo-se com sua esposa, a Rainha Gudrún, e seu herdeiro, o Príncipe Amleth. Para preparar Amleth para sua eventual ascensão ao trono, pai e filho participam de uma cerimônia supervisionada pelo bobo da corte de Aurvandill, Heimir, diz a Amleth que seu destino está selado e que não há como escapar, e Amleth jura vingar seu pai caso Aurvandill seja morto, em vez de viver sua vida em vergonha. Na manhã seguinte, o tio bastardo de Amleth, Fjölnir, orquestra um golpe palaciano, decapita Aurvandill, saqueia a fortaleza no topo da colina e rapta Gudrún. Amleth escapa por pouco dos assassinos de Fjölnir e foge de barco, jurando vingança. Vários anos depois, Amleth, já adulto, é um tipo de berserker, conhecido como ulfhéðinn, em um bando de vikings. Após atacar uma vila em Garðaríki, ele encontra uma vidente no templo de Svetovit; e ordena que Amleth se lembre de seu juramento de vingança e lhe diz que seu destino está entrelaçado com o de uma Donzela-Rei. Logo depois, ele descobre que “Fjölnir, o Sem Irmãos”, perdeu seu trono para Harald da Noruega e agora vive como criador de ovelhas na Islândia. Fjölnir é um rei lendário da mitologia nórdica, considerado filho de Freyr (Frey) e sua consorte Gerðr (Gertha). O nome aparece em diversas formas, incluindo Fiolnir, Fjölner, Fjolner e Fjolne. Ele foi considerado o progenitor da dinastia sueca Yngling, que reinou a partir de Gamla Uppsala.

 De acordo com o Grottasöngr, Fjölnir viveu do século I a.C. ao início do século I d.C. Diz-se que Fjölnir se afogou num tonel de hidromel enquanto visitava Peace-Fróði, um rei igualmente lendário da Zelândia, a ilha dinamarquesa. Fjölnir foi então sucedido por seu filho Sveigðir. A etimologia do nome nórdico antigo Fjǫlnir não é clara. Pode derivar do verbo fela (“esconder”), com Fjǫlnir como “o ocultador [do hidromel da poesia]”, ou pode ter surgido como uma abreviação de fjǫlviðr (“o muito sábio”). Uma derivação de fjǫl (“multidão”) também foi proposta, com Fjǫlnir como “a multiplicidade” ou o “multiplicador”, embora tal formação adverbial não tenha paralelo atestado. De acordo com Lindow, a segunda etimologia pode ser mais adequada para um nome de Odin, mas o significado permanece incerto em qualquer caso. Fjölnir também é frequentemente mencionado como um nome de Odin. Em Grímnismál (“A Canção de Grímnir”), Odin o menciona a Geirröðr como um de seus muitos nomes que constituem o início de sua epifania. Em Reginsmál (“A Canção de Reginn”), um homem que é claramente Odin usa Fjölnir para se referir a si mesmo enquanto está em uma montanha dirigindo-se a Sigurd e Regin. Em Gylfaginning (“O Encantamento de Gylfi “), Fjölnir aparece entre os 12 nomes dados para Alfödr, outro nome de Odin.

Grottasöngr informa que Fjölnir foi contemporâneo de César Augusto (63 a.C. – 14 d.C.). Ele era um rei poderoso, as colheitas eram abundantes e a paz era mantida. Em sua época, o rei Fróði, filho de Friðleifr, governava Lejre, na Zelândia. Grottasöngr relata que, quando Fróði visitou Uppsala, trouxe consigo duas gigantescas, Fenja e Menja. Fróði konungr sótti heimboð í Svíþjóð til þess konungs, é Fjölnir é nefndr. Þá keypti hann ambáttir tvær, er hétu Fenja ok Menja. Þær váru miklar ok sterkar.A saga dos Ynglinga conta que Fjölnir era filho do próprio Freyr e de sua esposa Gerd, mas foi o primeiro de sua linhagem a não ser deificado. Na Era Viking é o nome que se dá ao período de quase três séculos da história da Escandinávia, aproximadamente entre os anos 800 e 1050, durante o qual os vikings tiveram um papel preponderante. A Era Viking faz parte da pré-história dos Países Escandinavos, nomeadamente a última fase da Idade do Ferro, e é seguida pelo início da Idade Média. Costumam ser apontadas como causas da Era, a população da Escandinávia ter aumentado consideravelmente. ficando a terra insuficiente para fornecer a alimentação necessária, ao mesmo tempo que a técnica da construção dos navios viking atravessava um desenvolvimento notável. As divisões e querelas internas dos estados da Europa continental abriram o terreno, tendo os Nórdicos aproveitado a oportunidade. A maior parte da população escandinava eram camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicavam à agricultura, à silvicultura, à caça e pesca. As pessoas viviam em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do centeio, da cevada, do trigo e da aveia.

Comiam pão, papas de cereais, queijo fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras, gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou defumada, para ser conservada para o inverno. Habitavam casas retangulares, onde tinham lugar homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos, chamados thrall na Escandinávia, tinham uma vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo alimentos inferiores ou os restos das refeições. Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico de objetos e ao comércio. Os vikings eram uma pequena parcela da população, que participavam em operações de guerra naval, de pirataria ou de comércio marítimo, e era conhecida por serem exímios navegadores, mercadores e guerreiros. As famílias eram geralmente compostas por um homem, uma mulher e 1-3 filhos. Ocorria também a poligamia, tendo alguns homens ricos 2 ou 3 esposas ou “amantes legítimas” (frillor). A população estava organizada em sociedades locais com carácter hierárquico, constituídas por um chefe (hövding), seus capatazes-guerreiros (jarlar), camponeses livres (fria bönder) e escravos (trälar). A agricultura era a principal ocupação e base de subsistência, sendo o comércio e as atividades marítimas os vetores marcantes deste período.   

 Com o decorrer dos tempos, hic et nunc apareceram comerciantes e artesãos, que ganharam sucessivamente certa independência, e pouco a pouco concentraram a sua atividade, fazendo surgir as primeiras cidades, como é o caso de Heidiba, Ribe e Sigtuna. Igualmente entraram em cena, no fim deste período, os padres, acompanhando o processo de cristianização em curso. São precisamente estes dois grupos de comerciantes e padres, que mostram a direção em que evoluía a sociedade escandinava da Era Viquingue. A língua falada está preservada em inscrições em pedras rúnicas contemporâneas e em poemas orais recolhidos dois séculos mais tarde. A língua utilizada nas áreas dinamarquesas, suecas, norueguesas, feroesas e islandesas, é o nórdico antigo. Como não há diferenças linguísticas nas inscrições em caracteres rúnicos, parece que a língua falada diferia pouco desse grupo linguístico.

Antes da chegada do cristianismo, os escandinavos adoravam os deuses asses. Odin era o deus principal - o Deus supremo. Ele tinha criado o mundo com os seus irmãos Vile e Ve, e dado a vida aos primeiros seres humanos - Askr e Embla. Enquanto Odim era o favorito dos grupos dominantes, os deuses Thor e Frey eram particularmente populares entre os camponeses. Thor era o deus das curas nas doenças e Frey o deus da paz, das boas colheitas e dos casamentos felizes. Era uma religião com inúmeros deuses caprichosos e imprevisíveis, aos quais era necessário agradar e acalmar. Nas suas viagens à Europa, os víquingues depararam-se com um novo deus - o Cristo. A pouco e pouco, a nova divindade foi ganhando adeptos, em competição com os deuses tradicionais, e o cristianismo chegou à Escandinávia. Entre os primeiros missionários a chegar à Dinamarca e Suécia, esteve Ansgário, enviado pelo imperador franco-germânico Luís I na década de 820. Com o estabelecimento de bispados permanentes no século XI, o processo de cristianização é consumado. A nova religião estava associada uma cultura e a uma nova forma de vida. Ao mesmo tempo a Era Viquingue estava a chegar ao fim. A arte dos víquingues aparece nos seus mitos, nos seus objetos do dia-a-dia e nas pedras rúnicas. Dos artefatos práticos e belos, em madeira e em tecido. O que sobreviveu do trabalho de artesãos anônimos, é sobretudo trabalhos em metal – fivelas, agulhas, pulseiras, colares, amuletos e armas ornamentadas.

O estilo viquingue é frequentemente decorativo e baseado em motivos da natureza, usando ornamentações complicadas, com animais interligados e plantas entrelaçadas. Pelo contrário, as pedras rúnicas e as gravuras rupestres têm preservado inúmeras representações artísticas de cenas do dia a dia e do imaginário da época. Na Era Viking a população vivia pelo campo. Duas das principais atividades económicas eram a agricultura e o comércio. As cidades eram os pontos de encontro das pessoas que tinham algo para vender ou para comprar. Entre as primeiras cidades conhecidas da Escandinávia estavam Ribe (na Jutlândia), Hedeby (entre a Alemanha e Dinamarca), Kaupang na Noruega, Uppåkra na Escânia e Birka (no Vale do Mälaren). Mais tarde surgiram outras povoações, como Sigtuna, Skara e Visby. Com o aumento da população e a melhoria da técnica de construção naval, apareceu a possibilidade de ir buscar riquezas a outras paragens e procurar terras férteis para colonizar. Muitos noruegueses saíram do país para escapar a uma opressão política sufocante. Estas circunstâncias teriam levado os navegadores nórdicos a sair da Escandinávia, para explorar, saquear, conquistar e fazer comércio com a Europa, a Ásia, a África e a América atravessando mares e subindo rios. Para Oeste, os víquingues da Dinamarca e do sul da Suécia (danos) fizeram incursões e acabaram por se estabelecer em várias partes da Europa - especialmente França e Ilhas Britânicas. Ao mesmo tempo, vale elmbrar que singularmertne os víquingues da Noruega aventuraram-se no Atlântico, descobrindo e colonizando a Islândia e a Groenlândia, e tendo mesmo chegado à América do Norte, onde tentaram fixar-se, embora sem sucesso. 

As expedições dinamarquesas e norueguesas, tinham seu escopo na colonização e pilhagem. Para Leste, os víquingues da Suelândia (suíones) e da Gotlândia (gotas), na Suécia, abriram rotas comerciais ligando os países nórdicos ao Oriente, tendo estado nos Países Bálticos, na Rússia, no mar Negro, no Mar Cáspio, no Império Bizantino, a continuação direta do Império Romano na Antiguidade Tardia e Idade Média. Sua capital, Constantinopla, originalmente era reconhecida como Bizâncio e no Califado Abássida,  foi o terceiro califado islâmico. Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá após terem destronado o Califado Omíada, cuja capital era Damasco, com exceção da região de Alandalus. Fundaram feitorias comerciais em Novogárdia e Quieve. A sua presença está igualmente referida na Anatólia, onde eram designados com o nome de varegues (varjager). O foco das expedições suecas estava na abertura de vias marítimas comerciais e estabelecimento de entrepostos comerciais. A Era Viquingue acabou quando o cristianismo e a civilização europeia chegaram à Escandinávia. Com o aparecimento e consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, as expedições militares reais substituíram as expedições de pirataria dos grandes senhores locais. Na mesma conjuntura, as rotas comerciais do Mediterrâneo foram reabertas devido às Cruzadas, e o comércio na Europa do Norte perdeu importância, tendo os alemães suplantado os comerciantes da Suécia e da ilha da Gotlândia. Com o desaparecimento desta importante base da sua riqueza econômica, os Países Nórdicos passaram a estar na periferia do comércio internacional.

Saxão Gramático, em latim Saxo Grammaticus, também reconhecido como “Saxão, o Erudito” e “Saxão, o Alto” foi um historiador da Dinamarca medieval, que se julga ter sido um escrivão secular do arcebispo Absalão de Lund (1128-1201). É o autor da primeira história da Dinamarca, conhecida como Gesta Danorum. Segundo a Crônica da Jutlândia, Saxão nasceu na Zelândia. Parece pouco provável que tenha nascido antes de 1150, e supõe-se que a sua morte terá ocorrido por volta de 1220. O seu nome, Saxão, era um nome comum na Dinamarca medieval. O nome “Gramático” (“o Erudito”) foi-lhe atribuído pela primeira vez na Crônica da Jutlândia, e na Crónica da Zelândia Saxão é referido como cognomine Longus (“o Alto”). Saxão viveu durante um período de guerras e expansão na história da Dinamarca, expansão essa liderada pelo arcebispo Absalão de Lund e os reis Valdemar I, o Grande (1157-1182) e o seu neto Valdemar II, o Vitorioso (1202-1240). Os dinamarqueses encontravam-se ameaçados pelos Vendos ao Sul, que faziam ataques ao longo da fronteira e infestavam os mares. Valdemar I acabara de ganhar uma guerra civil, e mais tarde Valdemar II chefiou uma expedição além do Elba para invadir Holstein. Saxão era de família de guerreiros; e o seu pai e avô “eram conhecidos frequentadores do campo de guerra do seu renomado senhor (Valdemar I)”, e que ele próprio decidira ser soldado, seguindo “o velho direito de serviço hereditário”.

Svend Aagesen, um nobre dinamarquês e autor de uma história da Dinamarca ligeiramente anterior à de Saxão, descreve o seu contemporâneo como seu contubernalis, isto é, camarada de tenda. Isto prova que Saxão e Sven podem ter sido soldados na Hird ou guarda real, visto Sven ter usado a palavra contubernium em relação a estes. Encontramos ainda um Saxão numa lista de clérigos em Lund, na Escânia, então uma província dinamarquesa, onde se encontra também um Sven como arcediago. Do mesmo modo encontramos um deão Saxão que morreu em 1190; esta data, no entanto, não coincide com o que se conhece de Saxão. Ambos os argumentos, o de um Saxão religioso ou secular, sugerem que ele teria recebido uma boa educação, visto os clérigos receberem educação em Latim, e os filhos dos grandes senhores frequentemente serem enviados a Paris. A educação e habilidade de Saxão apoia a noção de que teria sido educado fora da Dinamarca. Alguns sugerem que o cognome “Gramático” se refere não à sua educação, mas provavelmente ao seu elaborado estilo de escrita. Sabemos através da sua escrita que se encontrava no séquito de Absalão, bispo de Roskilde (1158) e mais tarde arcebispo de Lund (1178), e o principal conselheiro de Valdemar I. No seu testamento Absalon perdoa a seu escrivão Saxão uma pequena dívida de dois marcos e meio de prata, e pede-lhe que devolva dois livros emprestados do mosteiro de Sorø. O legado de Saxão Gramático é a histórica heroica dos Dinamarqueses em dezesseis volumes chamada Feitos dos DanosChristiern Pedersen, um clérigo de Lund, colaborou com Jodocus Badius Ascendius, outro entusiasta, na impressão da obra de Saxão Gramático no início do século XVI. 

           Este foi seguramente o primeiro passo para garantir a importância histórica da Feitos dos Danos. Foi a partir de então que a obra começou a ser divulgada entre a comunidade acadêmica. Oliver Elton (1861-1945), o primeiro a traduzir os primeiros nove livros da Feitos dos Danos para a língua inglesa, escreveu que Saxão foi o primeiro escritor da Dinamarca. A habilidade de Saxão como latinista foi elogiada por Erasmo, que se perguntou como “um dinamarquês daquela era adquirira tão grande eloquência”. Foram feitas várias tentativas de entender estilo de latim de Saxão e posicioná-lo na história, para melhor se compreender onde o autor terá sido educado. Alguns consideraram que o latim de Saxão tem mais em comum com uma educação jurídica que religiosa, e sobre a sua poesia se pensa que contém vestígios de paralelismo retórico. Saxão é visto pelos dinamarqueses como o seu primeiro historiador nacional. As suas obras foram recebidas com entusiasmo pelos eruditos do Renascimento, um movimento cultural e científico surgido na Itália no século XIV e se estendeu até o século XVII por toda a Europa, curiosos sobre a história e lendas da Era pré-cristã da Dinamarca. A narrativa histórica de Saxão é, no entanto, divergente da interpretação dos seus contemporâneos, especialmente os da Noruega e Islândia, em cujas obras “os heróis e vilões trocam de nacionalidade, apresentando assim uma interpretação contrária”. Existem ainda diferencias entre o trabalho de Saxão e o do seu compatriota contemporâneo Sven Aggesen; estas diferenças são frequentemente resultado de elaboração da narrativa por parte de Saxão. A sua relação da estória de Thyri, por exemplo, é muito mais fantástica e exagerada que a estória que Sven apresenta. Como resultado deste estilo e elaboração, a história de Saxão tem frequentemente sido alvo de críticas. 

         A inclusão da estória de Amleth por Saxão é a parte mais significante da chamada “Feitos dos Danos”. No entanto, a obra também tem valor histórico pela sua descrição da canonização de Canuto, e ainda através da comparação com os trabalhos de Sturluson Snorri (1179-1241), cujas obras partilham muitos dos mesmos protagonistas e estórias, assim contribuindo para um melhor entendimento da Escandinávia pré-cristã. O Instituto de História da Universidade de Copenhague é chamado Saxo Instituttet em sua honra. Fazendo-se passar por um escravo, Amleth embarca clandestinamente em um navio que os leva para a Islândia. Lá, ele encontra uma mulher eslava escravizada chamada Olga, que afirma ser uma feiticeira. Eles são levados para a fazenda de Fjölnir, onde Amleth descobre que sua mãe se casou com Fjölnir e lhe deu um filho chamado Gunnar. Certa noite, Amleth segue uma raposa e encontra um bruxo, que facilita uma sessão espírita entre Amleth e o crânio de Heimir, é assassinado por Fjölnir. Heimir conta a Amleth sobre Draugr, uma espada mágica que só pode ser desembainhada à noite ou nos Portões de Hel. Amleth entra em um túmulo e obtém a lâmina de seu dono, o Morador do Túmulo, um morto-vivo. Ele esconde a espada ao retornar para a fazenda. 

          No dia seguinte, Amleth é escolhido para competir em um jogo de knattleikr contra outra fazenda. O jogo se torna violento quando o líder da equipe adversária brutaliza os competidores até que restem apenas ele e Amleth. Gunnar que admira Amleth, sem saber que ele é seu meio-irmão, quase é morto ao tentar atrair o jogador adversário; mas Amleth a salva, espancando seu oponente até a morte. Como recompensa, o filho adulto de Fjölnir, Thórir, concede-lhe funções de supervisor e permite-lhe escolher uma mulher. Durante as celebrações da noite, Amleth e Olga fazem amor; eles prometem derrotar Fjölnir juntos. Ao longo de várias noites, Amleth mata membros importantes da propriedade de Fjölnir de maneiras não naturais, dispondo seus corpos empalados na forma de um cavalo em uma exibição macabra. Isso faz com que Fjölnir e toda a propriedade acreditem estar sob ataque de um espírito maligno. Olga mistura os alimentos com amanita muscaria, um potente alucinógeno, conhecido como agário-das-moscas ou mata-moscas. Thórir acredita que os escravos cristãos sejam os responsáveis. Isso permite que Amleth entre na casa de Fjölnir. Amleth revela sua identidade a Gudrún, que responde que era escrava de Aurvandill e que Amleth foi concebido por estupro. Uma gravidez concebida por estupro é uma gestação resultante de violência sexual, trazendo graves impactos físicos e psicológicos para a vítima. Gudrún também revela que arquitetou o golpe de Fjölnir porque queria Aurvandill e Amleth mortos; ela tenta seduzir Amleth, que, após um momento, a rejeita. Enfurecido, Amleth mata Thórir e arranca-lhe o coração.  

Gudrún revela a verdadeira identidade de Amleth a Fjölnir e exige sua morte. Fjölnir decide matar Olga, mas Amleth oferece a vida dela em troca do coração de Thórir. Amleth se deixa capturar e é torturado para revelar a localização do coração de Thórir. Ele é libertado por um bando de corvos enviados por Odin e Olga o resgata. Amleth decide abandonar sua busca por vingança e os dois fogem de barco para as Ilhas Órcades, onde vivem seus parentes. A bordo da embarcação, Amleth tem uma visão e percebe que Olga está grávida de gêmeos, um dos quais será o Rei Donzela profetizado pela Vidente. Ao perceber que Olga e seus filhos nunca estarão seguros enquanto Fjölnir viver, Amleth, apesar dos apelos de Olga, pula no mar e nada até a costa, concluindo que não pode escapar de seu destino. De volta à fazenda, Amleth mata os homens restantes de Fjölnir e liberta os escravos. Enquanto procura por Fjölnir, Amleth é atacado por Gudrún e Gunnar e os mata em legítima defesa após ser ferido. Fjölnir, ao descobrir a morte de sua esposa e filho, ordena friamente que Amleth o encontre nos Portões de Hel: a cratera do vulcão Hekla . Amleth e Fjölnir se enfrentam nus em um feroz Holmgang (duelo) até que Fjölnir é decapitado e Amleth é simultaneamente apunhalado. Ao morrer, Amleth tem uma visão de Olga abraçando seus dois filhos, a quem ela diz estarem seguros, antes de instá-lo a deixá-los ir. Uma valquíria carrega Amleth através dos portões de Valhöll. Nascido em uma família sueca, Alexander Skarsgård era fascinado pela história e mitologia viking desde a infância e há muito buscava um projeto com temática viking com a ajuda do produtor Lars Knudsen.

 Em 2011, Skarsgård foi associado a um épico da Warner Bros. com o título provisório de The Vanguard, que acabou não se concretizando.  Robert Eggers se interessou em fazer um filme viking após uma viagem à Islândia em 2016 com sua esposa Alexandra Shaker, que é fã de sagas nórdicas antigas. Durante a viagem, Eggers conheceu Björk, que por sua vez o apresentou a Sjón. Em 2017, Skarsgård se encontrou com Eggers para discutir projetos futuros, e a conversa se voltou para um filme com temática da Era Viking. Eggers entrou em contato com Sjón posteriormente, e os dois começaram a pesquisar e escrever o roteiro. A história de O Homem do Norte foi baseada principalmente na lenda de Amleth escrita pelo historiador Saxo Grammaticus, conhecida como a inspiração direta para Hamlet, de William Shakespeare. Eggers citou a Edda Poética, a Edda em Prosa, a Saga de Egil, a Saga de Grettir, a Saga de Eyrbyggja e a Saga de Hrolfr Kraki como influências. O arqueólogo Neil Price, da Universidade de Uppsala, o folclorista Terry Gunnell, da Universidade da Islândia, e a historiadora viking Jóhanna Katrín Friðriksdóttir atuaram como consultores históricos do filme. Eggers também reconheceu Conan, o Bárbaro, de 1982, como uma fonte de inspiração.

Em outubro de 2019, foi anunciado que Eggers dirigiria “uma saga épica de vingança viking, que ele também coescreveria com Sjón”. Skarsgård, Nicole Kidman, Anya Taylor-Joy, Bill Skarsgård (irmão de Alexandre) e Willem Dafoe estavam em negociações para se juntarem ao filme. Todos seriam confirmados em dezembro, juntamente com a adição de Claes Bang ao elenco. O filme estava oficialmente em preparação em dezembro de 2019 e começaria a ser filmado em Belfast em 2020. Em agosto de 2020, Björk, juntamente com sua filha Ísadóra “Doa” Barney, Kate Dickie e Ethan Hawke se juntaram ao elenco do filme. Em setembro de 2020, Bill Skarsgård anunciou que havia desistido do filme devido a conflitos de agenda e foi substituído por Gustav Lindh. As filmagens, que ocorreram principalmente na Irlanda do Norte, começaram em agosto de 2020 e terminaram no início de dezembro, durando 87 dias. A vila do Rei Aurvandill foi construída em Torr Head, na costa do Condado de Antrim, enquanto a fazenda de Fjölnir foi construída em Knockdhu, perto de Larne. As cenas na Terra dos Rus foram filmadas em Portglenone, na propriedade Clandeboye, no Castelo de Shane e no Rio Bann. A pedreira de Hightown, nos arredores de Belfast, representou o vulcão Hekla, onde ocorre a luta climática. Breves sequências foram filmadas em Five Fingers Strand perto de Malin em Inishowen, no condado de Donegal, e na Islândia, na geleira Svínafellsjökull e na cidade de Akureyri. Planejado para custar US$ 65 milhões, acabou custando entre US$ 70 e 90 milhões para ser produzido.

Eggers considerou o processo de edição o mais difícil de sua carreira. O feedback das exibições de teste indicou que o primeiro ato do filme era muito lento. Mais feedbacks mostraram que o público achou o diálogo em nórdico antigo difícil de entender, o que resultou na substituição da maior parte dele em sessões de dublagem. A versão final foi finalmente aprovada em 3 de novembro de 2021. Para a trilha sonora do filme, Eggers convidou os antigos artistas da gravadora Tri Angle, Robin Carolan e Vessel (Sebastian Gainsborough), para composição e produção. Eles pesquisaram extensivamente a história da música viking, incluindo discussões com o etnógrafo Poul Høxbro, e usaram instrumentos baseados na música folclórica nórdica, como tagelharpa, langspil, lira kravik e säckpipa. Eles também experimentaram com os instrumentos que tinham, para criar aquele som étnico nórdico, que inclui um conjunto de cordas de 40 membros imitando o som de um instrumento arcaico chamado bullroarer. O álbum da trilha sonora foi lançado pela Back Lot Music em 15 de abril de 2022 e apresentou 43 faixas. Em 1º de julho, a Sacred Bones Records lançou em CD, vinil e cassetes. A campanha publicitária do filme atraiu notoriedade devido a uma série de cartazes encomendados para o sistema de metrô de Nova York que não incluíam o título do filme. Um dia após o assunto viralizar no Twitter, os cartazes foram removidos. Um livro de 160 páginas escrito por Simon Abrams e Eggers sobre a produção e pesquisa do filme, The Northman: A Call to the Gods, estava programado para ser lançado em 6 de setembro de 2022, mas foi posteriormente adiado para 8 de novembro.

O filme The Northman estava originalmente programado para ser lançado em 8 de abril de 2022, mas foi posteriormente adiado para 22 de abril. Foi distribuído pela Focus Features nos Estados Unidos e pela Universal Pictures internacionalmente. Sessões especiais foram realizadas em várias cidades do mundo antes do lançamento nos cinemas: em Estocolmo, no Rigoletto Cinema, em 28 de março, em Hamburgo, no Astor Film Lounge, em 30 de março, em Roma, no Cinema Troisi, em 1º de abril, em Londres, no Odeon Luxe Leicester Square, em 5 de abril, e em Belfast, no Cineworld, em 6 de abril. A estreia mundial ocorreu em Los Angeles, no TCL Chinese Theatre, em 18 de abril. Entretanto, os lançamentos em larga escala começaram mais cedo em alguns países: em 13 de abril na Dinamarca, Noruega e Suécia; em 14 de abril na República Checa, Equador, Islândia, México, Montenegro, Países Baixos, Sérvia, Eslováquia, Eslovénia e Uruguai; e em 15 de abril no Reino Unido e na Lituânia. O filme The Northman foi lançado em VOD em 13 de maio de 2022, em formato digital em 6 de junho de 2022 e em Blu-ray, DVD e Ultra HD Blu-ray em 7 de junho de 2022 pela Universal Pictures Home Entertainment nos Estados Unidos. O Northman arrecadou US$ 34,2 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 35,4 milhões em outros territórios – para um total mundial de US$ 69,6 milhões com um orçamento de US$ 70–90 milhões.              

Nos Estados Unidos e Canadá, The Northman foi lançado simultaneamente com The Bad Guys e The Unbearable Weight of Massive Talent, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 8 e US$ 15 milhões em 3.223 cinemas no fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 5 milhões no primeiro dia, incluindo US$ 1,4 milhão das pré-estreias de quinta-feira à noite. O filme estreou com US$ 12,3 milhões no fim de semana de estreia, ficando em quarto lugar nas bilheterias. O Deadline Hollywood observou que The Northman e The Unbearable Weight of Massive Talent tinham como alvo o mesmo público-alvo, o que prejudicou suas estreias. O filme arrecadou US$ 6,4 milhões no segundo fim de semana, ficando em quarto lugar; US$ 2,9 milhões no terceiro fim de semana, ficando em sexto; US$ 1,75 milhão no quarto fim de semana, ficando em sétimo; e US$ 1,1 milhão no quinto fim de semana, ficando em décimo. Saiu do top 10 das bilheterias em seu sexto fim de semana com US$ 249.660. Fora dos EUA e Canadá, o filme arrecadou US$ 3,4 milhões em 15 mercados internacionais em seu fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 6,3 milhões em seu segundo após expandir para 41 mercados, US$ 4,5 milhões em seu terceiro, US$ 2,2 milhões em seu quarto, US$ 2,5 milhões em seu quinto, US$ 2,9 milhões em seu sexto, e US$ 1,4 milhão em seu sétimo.

Eggers comentou sobre a bilheteria decepcionante do filme, afirmando que  atendeu às expectativas de um mercado ruim... Estou decepcionado que, três ou quatro semanas depois, estejamos em VOD porque é assim que as coisas funcionam no mundo. Sim. Mas está indo muito bem em VOD, então é isso aí. Em seu fim de semana de estreia em PVOD nos EUA, o filme foi o título mais alugado no iTunes, o terceiro no Vudu e o quarto no Google Play, arrecadando aproximadamente a mesma quantia que Os Caras Maus e A Cidade Perdida, apesar de ter faturado muito menos do que ambos nos cinemas. O IndieWire escreveu que “O Homem do Norte parece ser o tipo de filme que, mesmo com retornos menores nos cinemas, é muito valorizado por essa exposição”. Na semana seguinte, terminou em terceiro lugar nas paradas do iTunes e do Vudu e em quinto no Google Play. Em sua semana de estreia no mercado de DVD / Blu-ray, o filme estreou no primeiro lugar tanto na parada NPD VideoScan First Alert que rastreia as vendas combinadas de unidades de discos de DVD e Blu-ray quanto na parada de vendas de discos Blu-ray para a semana que terminou em 11 de junho de 2022.

Em 28 de setembro de 2023, o Deadline Hollywood relatou que o filme “quase atingiu o ponto de equilíbrio graças ao excesso de visualizações no VOD Premium”. A presidente de produção e aquisições da Focus Features, Kiska Higgs, também afirmou que o filme “foi bom para nós no final”, embora tenha observado que os custos foram compartilhados pela New Regency e que a Focus Features não esteve “diretamente envolvida na produção [do filme]”. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relatou que 90% dos 372 críticos deram ao filme uma avaliação positiva, com uma classificação média de 7,7/10. O consenso crítico do site diz: “Uma épica de vingança sangrenta e uma maravilha visual de tirar o fôlego, The Northman mostra o cineasta Robert Eggers expandindo seu escopo sem sacrificar seu estilo característico”. O Metacritic atribuiu ao filme uma pontuação média ponderada de 82 em 100 com base em sessenta críticos, indicando “aclamação universal”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma escala de A+ a F, enquanto o PostTrak deu a ele uma pontuação positiva de 75% (com uma média de 3,5 de cinco estrelas), com 56% dizendo que definitivamente o recomendariam.

Alexander Kardelo, do MovieZine, deu ao filme uma nota de quatro em cinco e elogiou particularmente a atuação de Skarsgård e a direção de Eggers. Peter Bradshaw, do The Guardian, deu uma nota de cinco em cinco, elogiando o tom niilista do filme e as atuações do elenco, afirmando: “É totalmente ultrajante, com algumas visões épicas do cosmos em chamas. Eu não conseguia desviar o olhar”. Gabriella Geisinger, do Digital Spy, também deu uma nota de cinco em cinco, elogiando a direção visionária de Eggers e a atmosfera macabra e surreal do filme, afirmando: “O mundo criado em The Northman é totalmente absorvente”. David Ehrlich, do IndieWire, chamou o filme de “primitivo, vigoroso, brutal”, “intenso a ponto de te agarrar pelo pescoço” e “nunca entediante”. Matt Maytum, da Total Film, comentou que o filme é uma “épica verdadeiramente distinta e imperdível” em sua crítica, dando-lhe cinco de cinco estrelas.  Clarisse Loughrey, do The Independent, deu-lhe cinco de cinco estrelas e afirmou em sua crítica que o filme foi um belo risco”. Robert Daniels, do RogerEbert.com, concedeu-lhe três de quatro estrelas e elogiou a direção, a cinematografia e as interpretações sociais do elenco, mas considerou que o filme “frequentemente tropeça quando busca profundidade”. Richard Whittaker, do Austin Chronicle, chamou o filme de “uma façanha extraordinária do cinema”, elogiando a direção. A. O. Scott, do The New York Times, elogiou a construção do mundo e a cinematografia, escrevendo: “A conquista de Eggers reside em sua representação meticulosa e fanática desse mundo, até mesmo nos lençóis e utensílios de cozinha”.

Richard Brody, do The New Yorker, considerou que o filme “não oferece sinestesia, nenhuma evocação de qualquer sentido além da visão” e criticou a direção de Eggers, concluindo: “O Homem do Norte simplesmente serve sua matéria-prima mal cozida e cozida demais”. K. Austin Collins, da Rolling Stone, escreveu que “é um banquete visual frequentemente deslumbrante”, mas acrescentou: “É também um exemplo instrutivo de como as intenções mais visionárias nem sempre conseguem animar uma história que, de outra forma, seria rotineira”. Christopher Howse, no The Spectator, elogia o “grande acervo” que Eggers apresenta “pela autenticidade material”. Howse não gostou tanto dos persistentes “cortes, mutilações e eviscerações”. “A violência em primeiro plano é como estilhaços escondendo o que está atrás; talvez devesse ter sido ainda mais longo e com menos ação”, é sua avaliação crítica geral. Em dezembro de 2024, o Collider classificou o filme em 7º lugar na sua lista dos “10 Melhores Filmes de Fantasia da Década de 2020”, com Robert Lee III é “um exemplo perfeito de como os filmes de fantasia nem sempre precisam ser coloridos e adequados para famílias na sua execução, sendo um filme de fantasia brutal e impactante, classificado para maiores de 18 anos, repleto de violência e derramamento de sangue a cada esquina. A sua violência serve um propósito maior do que simplesmente ser um deleite visual, pois ajuda a criar um sentido de realismo para esta aventura folclórica, tratando a história de Amleth como uma espécie de mito poderoso a ser transmitido através de gerações de guerreiros vikings”. O cinema é uma extraordinária arte planetária que nos permite compreedermos o passado, as ilusões/alusões do tempo presente, mas também o que há de especulativo para o futuro de nossas vidas.

Bibliografia Geral Consultada.

RICOEUR, Paul, La Mémoire, l`Histoire, l`Oubli. Paris: Éditions Du Seuil, 2000; VIGARRELLO, Georges, Storia della Violenza Sessuale. Veneza: Marsilio Editore, 2001; LE GOFF, Jacques, História e Memória. 5ª edição. Campinas (SP): Editora da Universidade de Campinas, 2003; COETZEE, John Maxwell, À Espera dos Bárbaros. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2006; HUNT, Janin, Medieval Justice: Cases and Laws in France, England and Germany, 500-1500. Estados Unidos: Editor McFarland, 2009; METZ, Christian, A Significação no Cinema. São Paulo: Editora Perspectiva, 2012; ZANIRATO, Andreli de Almeida, O Ideal da Cavalaria e o Comportamento Cortês na Gesta Danorum de Saxo Grammaticus (c. 1189-1214). Monografia de Licenciatura em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de História. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013;  AVIER, Nathalia Agostinho (Org.), A Idade Média no Discurso Fílmico (Catálogo de Filmes, Vol. 2). Instituto de História. Programa de Estudos Medievais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015; GADE, Kari Ellen; MAROLD, Edith (eds.), Poesia de Tratados sobre Poética. Poesia Escáldica da Idade Média Escandinava. Vol. 3. Belgica: Les Éditions Brepols, 2017; WYCLIFFE, John, Tractatus De Officio Regis. Londres: Editor Forgotten Books, 2018; CAPACCIO, Nancy, Como o Rei Leão Chegou aos Palcos. Nova York: Editor Cavendish Square, 2019; PINHO, Guilherme Rosa, Concílio Regional de Narbona: O In Dubio Pro Reo na Inquisição Medieval. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2021; GRÜNER, Eduardo, Lo Sólido en el Aire: El Eterno Retorno de la Crítica Marxista. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2022; SOARES, Lucas Pinto, O Hibridismo Cultural no Processo de Cristianização dos Islandeses. Dissertação de Mestrado.  Programa de Pós-Graduação em História. Centro de Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2022; CARREIRO, Rodrigo; REIS, Adriano, “Entre o Fascínio e a Repulsa: A Estetização da Violência em O Homem do Norte”. In: Esferas. Ano 15, vol. 02, nº 33, maio/agosto de 2025; CARNET, Mathilde, “Une Année Critique: Ce Cinéma Municipal de l’Eure Voit sa Fréquentation Chuter”. In: https://actu.fr/normandie/20/01/2026; entre outros.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Os Faroleiros – Trabalho de Guardiões & Perda da Sensibilidade.

    A maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento”. Fernando Pessoa (1888-1935) 

                                                   

          A profissão naval tomou forma em um tempo historicamente em que a Marinha representava uma frota de embarcações a vela. Em muitos sentidos, portanto, o treinamento, as tarefas e padrões dos oficiais eram diferentes dos padrões de nossa época. Diz-se que o comando de um navio, isto é, de um navio moderno, com seus equipamentos técnicos elaborados, requer uma mente cientificamente treinada. O comando de um navio a vela requeria a mente de um artesão. Apenas algumas pessoas iniciadas em tenra idade na vida do mar poderiam esperar dominar essa técnica. “Recrutá-los jovens era um reconhecido lema da antiga Marinha. Era norma que um jovem começasse sua futura carreira de oficial naval aos 9 ou 10 anos de idade diretamente a bordo. Muitas pessoas experientes achavam que poderia ser tarde demais, caso se começasse a ir a bordo somente aos 14 anos, não apenas porque quem o fizesse teria que se acostumar ao balanço do mar e superar o enjoo o mais rapidamente possível, mas também por que a arte de amarrar e dar nós em cordas, a maneira correta de subir ao mastro – seguramente o ovém, isto é, ovém de avante e ovém de ré, para servir de apoio aos mastros e mastaréus de um navio, e não a enfechadura – e várias outras operações mais complicadas somente poderiam ser aprendidas com uma prática longa e exaustiva.  

Ao mesmo tempo, todos os oficiais navais, ao menos do século XVIII em diante, se viam, e queriam ser vistos pelos outros, como gentleman. Dominar a arte do marinheiro era apenas uma das suas funções sociais. Antes como depois, oficiais navais eram líderes militares que comandavam homens. Uma de suas mais importantes era lutar contra um inimigo, comandar a tripulação na batalha e, se necessário, abordar um navio hostil em uma luta corpo a corpo até a vitória. Ademais, em tempos de paz como em tempos de guerra, oficiais navais frequentemente entravam em contato com representantes de outros países. Esperava-se que soubessem utilizar línguas estrangeiras, que agissem como representantes de seus próprios países com firmeza, dignidade e uma certa dose de diplomacia, e que se comportassem conforme as regras do que “era considerado boa educação e civilidade”. Um oficial da velha Marinha tinha que reunir algumas das qualidades de artesão experiente e gentleman militar.  À primeira vista essa combinação de deveres pode não parecer surpreendente nem problemática. No curso do século XX, “gentlemen” tornou-se um termo genérico, vago, que se refere mais à conduta que à posição social. Pode-se aplica-lo a trabalhadores manuais, a mestres-artesãos e aos nobres. Durante os séculos XVII e XVIII tinha um significado social muito estrito. 

Tratava-se, durante o período de formação da profissão naval, da marca distintiva dos homens das classes altas e de algumas porções das classes médias, uma designação que os diferenciava do restante do povo. Inclusive a mera suspeita de que tivesse feito trabalho manual em alguma etapa de sua vida era degradante para gentlemen. Enfim, a fusão das tarefas de um marinheiro com as de um gentleman, como vemos mais tarde na história da profissão naval, não era, portanto, o arranjo simples e óbvio que parece ser quando se aplicam os conceitos sociais do nosso tempo. Era, outrossim, consequência de uma luta prolongada e de um processo de tentativa e erro que durou mais de um século. Da época de Elizabeth à da rainha Ana, e mesmo depois, os responsáveis pela Marinha lutaram contra esse problema sem muito sucesso imediato. Condições especiais – reinantes apenas na Inglaterra e parcialmente na Holanda, dentre todos os países da Europa Ocidental – tornaram possível superar gradualmente essas dificuldades em certa medida. E tanto os obstáculos quanto os próprios conflitos deles resultantes identificados per se na pena de Norbert Elias (2006), além da maneira lenta como se resolveram, foram responsáveis por algumas das mais notáveis características da profissão naval inglesa. Para entender tudo isso, é necessário ter em mente as atitudes sociais e os padrões daquele período e visualizar os problemas inerentes ao crescimento da profissão naval tal como se apresentavam àquelas pessoas, e não como parecem ser para nós, segundo nossas próprias referências sociais.  

Oceano é uma extensão de água salgada que cobre a maior parte da superfície planetária da Terra. O oceano globalmente corresponde em torno de 97% da hidrosfera, cobrindo aproximadamente 71% da superfície da Terra, demograficamente uma área em torno de 361 milhões de km². Mais da metade desta área tem profundidades superiores a 3 mil metros. Embora a noção de oceano globalmente, como um corpo contínuo de água extraordinariamente, seja importante para a oceanografia, o oceano terrestre, para efeitos práticos, é normalmente dividido em várias partes demarcadas por continentes e grandes arquipélagos. Apesar do Oceano ser um corpo de água único que recobre 71% da superfície terrestre, ele é geograficamente dividido em regiões, devido a construções sócio-históricas, culturais e científicas. Em 1915, ano em que iniciou suas atividades de mapeamento global, a National Geographic, anteriormente National Geographic Magazine, é a revista oficial da National Geographic Society que identificou quatro oceanos no mundo planetário da Terra: Atlântico, Pacífico, Índico e Ártico. Em 8 de junho de 2021 a organização oficializou a existência de um quinto oceano, o Oceano Antártico, reconhecido por diversos países em 1999, mas que devido algumas nações pertencentes à Organização Hidrográfica Internacional não terem entrado em acordo quanto à essa decisão histórica, a oficialização não havia ocorrido. A primeira edição da revista National Geographic foi publicada em 1888, apenas nove meses após a sociedade ter sido fundada. 

A característica principal da National Geographic, reinventando-se da publicação baseada na linguagem textual mais próxima de uma revista científica, para uma famosa revista de imagens pitorescas e exclusivas, começou na edição de janeiro de 1905, com a publicação de várias fotos de página inteira realizadas no Tibete em 1900-1901, por dois exploradores do Império Russo, Gombojab Tsybikov (1873-1930), um explorador do Tibete de 1899 a 1902 e Norzunov Ovshe (1877-1930), que se especializou em etnografia, estudos budistas e, depois de 1917, um importante educador e estadista na Sibéria e na Mongólia. Tsybikov é creditado principalmente por ser o primeiro fotógrafo do Tibete, incluindo Lhasa. A capa de junho de 1985, com a imagem da menina afegã de 13 anos de idade, Sharbat Gula, se tornou “uma das imagens mais reconhecidas da revista”. No final dos anos 1990 e 2000, vários anos de litígios sobre direitos autorais da revista como um trabalho coletivo, forçou a National Geographic a retirar do mercado o The Complete National Geographic, uma compilação digital de editorial suas edições passadas da revista. Duas decisões de diferentes Cortes de apelação federais já decidiram em favor da National Geographic em permitir uma reprodução eletrônica da revista de papel e Suprema Corte dos Estados Unidos negou certiorari em dezembro de 2008. No direito da common law, o termo certiorari significa um writ (ordem judicial) original, ao determinar que juízes da corte inferior ou oficiais certifiquem e transfiram o registro dos procedimentos para uma Corte superior.

Em julho de 2009, a National Geographic anunciou uma nova versão do The Complete National Geographic, contendo as edições da revista de 1888 até dezembro de 2008. Uma versão atualizada foi lançada no ano seguinte, acrescentando as edições a partir de 2009. Em 2006, o escritor da National Geographic, Paul Salopek, foi preso e acusado de espionagem, ao entrar no Sudão sem visto de permanência. Após a National Geographic e o Chicago Tribune, para quem Salopek também escreve, montar uma defesa legal e criar um apelo logístico internacional para o Sudão, Paul Salopek foi finalmente libertado. A revista comemorou seus 125 anos em outubro de 2013, com uma edição Especial de colecionador com o tema: “O Poder da Fotografia”. A revista foi adquirida por 725 milhões de dólares (648 milhões de euros) pela companhia 21st Century Fox, integrada no grupo do magnata australiano Rupert Murdoch. A National Geographic Society receberá uma importante injeção de capital monetário em troca da cedência da sua publicação mais importante. Na década de 1980, por exemplo, a versão em papel da revista National Geographic tinha uma distribuição em torno de 12 milhões de exemplares apenas nos Estados Unidos, enquanto que em 2015 tem 3,5 milhões de assinantes e outros três milhões fora da distribuição dos consumidores norte-americanos.

Metodologicamente a discordância hidrográfica entre oceanos, estava associada ao fato social de alguns geógrafos defenderem que as águas da Antártica não apresentariam características únicas o suficiente para merecerem um nome próprio, sendo apenas uma extensão fria ao Sul dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Comparativamente o oceano Antártico posteriormente reconhecido, apresenta cerca de 20 milhões de km² e ganha em tamanho proporcionalmente do Oceano Ártico. Sua temperatura varia entre 2 e 10 ºC, e ele é o único oceano a tocar três outros e abraçar completamente um continente, e é nele que se origina a maior corrente do mundo, isto é, a corrente que carrega o maior volume de água, a Circumpolar Antártica. Esta corrente, originada aproximadamente a 34 milhões de anos, quando a Antártica se separou geograficamente da América do Sul, é importantíssima para garantir o equilíbrio climático do planeta, uma vez que suas águas, menos salgadas e mais densas e frias, auxiliam no armazenamento de carbono e também de nutrientes nas profundezas do oceano. Não por acaso, ela carrega as águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, ajudando na comunicação socialmente transferindo calor ao redor da Terra.

O Farol (The Lighthouse) é um filme em preto e branco de 2019, do gênero cinematográfico “terror psicológico”, dirigido por Robert Eggers e coescrito por Max Eggers. Desde a sua estreia com A Bruxa (2015), o cineasta conseguiu provar que detém uma grande força criativa. Ao invés de apostar em truques baratos, o diretor aposta em experiências imersivas, atuações excepcionais e uma direção de arte singular. E tudo isso pode ser presenciado em O Farol, o segundo longa-metragem de sua carreira. Robert Eggers é uma das grandes revelações do gênero. É estrelado por Willem Dafoe e Robert Pattinson. O filme monocromático, também reconhecido como filme preto & branco, é um filme que possui apenas tons de cinza, variando do branco até o preto. Como exemplo, produz fotos em preto e branco e filmes em preto e branco. Apesar de ser o processo técnico fotográfico mais simples, também é claramente o processo técnico-metodológico mais delicado. A fotografia monocromática permite uma introdução econômica e simples às práticas de laboratório fotográfico. Rapidez e facilidade no processo de revelação e impressão são características da fotografia em preto e branco: poucos minutos decorrem entre a exposição e o positivo em papel. 

Por outro lado, o filme monocromático representa socialmente um meio tão vasto e atrativo, que pode ser classificado como um “veículo artístico”. Muitos fotógrafos preferem os filmes preto e branco por familiaridade e gosto pessoal, sentem maior liberdade para criar. Os filmes são criados para produzir uma imagem negativa a partir da qual se fazem as cópias em papel. A temperatura de cor das fontes de luz não irá afetar a imagem final, como ocorre comparativamente, neste caso, com os diversos tipos sociais de película colorida. O filme O Farol narra a história de dois guardiões do farol que são afetados pela solidão, mas começam a perder sua sensibilidade e se tornam ameaçados pelos piores sentimentos e pesadelos. Em fevereiro de 2018, foi anunciado que Willem Dafoe faria parte do elenco do filme a ser a dirigido por Robert Eggers e coescrito por Max Eggers. Youree Hanley, Lourenço Sant`Anna, Rodrigo Teixeira e Jay Van Hoy participaram da produção executiva do filme. A empresa A24 distribuiu o filme nos Estados Unidos da América, juntamente a Universal Pictures e Focus Features, que foram responsáveis pela distribuição merceologia internacional. No mesmo mês, Robert Pattinson aderiu ao elenco. Yarmouth é uma aldeia localizada no condado de Barnstable no estado de Massachusetts (EUA). No Censo de 2010 tinha uma população de 23.793 habitantes e densidade de 325,66 pessoas por km². As filmagens começaram em 9 de abril de 2019 dentro de um hangar no Aeroporto Internacional de Yarmouth.

O Farol também é um filme sobre a solidão em seu aspecto mais destrutivo. Estar sozinho na história representa o distanciamento de si mesmo, e, portanto, a ascensão possivelmente de um estado psicótico e puramente instintivo. Nunca saberemos se as visões de Thomas e Ephraim são alucinações. Contudo, o isolamento intensifica o surgimento de conflitos, e a ruptura com a realidade. Owen Gleiberman, é um crítico de cinema e chefe da revista Variety de maio de 2016, título que compartilha com Peter Debruge. Ele chamou o filme de “sombriamente emocionante” e “feito com habilidade extraordinária”, comentando que “o filme, baseado em The Witch, prova que Robert Eggers possui algo mais do que uma habilidade impecável em gênero. Ele tem a capacidade de prendê-lo a febre do que está acontecendo na tela”. Robbie Collin do The Daily Telegraph deu ao filme uma pontuação perfeita, chamando a performance de Dafoe de “espantosa” e comparando a de Pattinson com a de Daniel Day-Lewis em There Will Be Blood (2007), ele comentou, “isso é sem comparação, mas tudo sobre The Lighthouse aterrissa com um estrondo. É o cinema para fazer sua cabeça e sua alma ressoarem”. No agregador Rotten Tomatoes, que categoriza as opiniões apenas como positivas ou negativas, o filme tem um índice de aprovação de 90% calculado com base em 381 comentários dos críticos que é seguido do consenso: - “Uma história emocionante filmada de forma brilhante e liderada por duas performances poderosas, The Lighthouse estabelece ainda mais Robert Eggers como um cineasta de talento excepcional”. Louise Ford revelou que foi filmado em preto e branco com lentes 35 mm.

Nos estudos sobre a gênese da profissão naval nos Escritos & Ensaios, de Elias (2006: 69 e ss.), ele resgata do ponto de vista histórico, a crítica metodológica sobre a condição do fazer sociológico. Assim, infere o contexto social, se forem seres humanos que desempenharam papel importante na determinação do destino de seu próprio país, a briga interessará aos historiadores. Estes considerarão a briga como um acontecimento único, tentarão descobrir os motivos pessoais dos envolvidos e situa-los no interior de seu contexto histórico irrepetível. Mas e o que ocorre com os sociólogos? Tendemos a pensar que cabe aos sociólogos se ocuparem com os problemas sociais. E, pela maneira como as palavras “sociedade” e “coletividade” são atualmente compreendidas, isso implica que os sociólogos não podem ou não deveriam se ocupar com os problemas dos indivíduos isolados ou solitários. Em sua análise, um exame mais atento poderia revelar que há algo que não funciona bem nessa separação do trabalho intelectual, praticamente absoluta entre o estudo das sociedades e o dos seres humanos individuais. A regra de apropriação do pensamento e expressão universalmente aceita, segundo a qual o que é “social” não pode ser “individual” e o que é “individual” não pode ser compreendido no âmbito “social” é um desses axiomas fossilizados que têm a tendência a serem aceitos, na medida em que todos parecem aceita-los, mas que desaparecem, afirma, como a roupa nova do rei quando na medida certa são examinados sem preconceitos sociais.

As sociedades não são nada além do que indivíduos conectados entre si; cada um dos indivíduos é dependente de outros, de seu (deles e dele e dela) amor, de sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de muitas outras coisas. Até mesmo os conflitos de classe são também – independentemente do que mais possam ser – conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre dois seres humanos, por mais que possam ser algo único e pessoal, pode ser ao mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, remontando a várias gerações. O que aqui se expõe é o relato de um tal conflito. O material foi tomado em prestado da história. Não seria difícil encontrar, em nossa própria época, um material do mesmo tipo. Mas, como material para uma investigação paradigmática, é vantajosa a utilização de um conflito ocorrido em uma outra época. Fora de dúvida, afirma Elias, as paixões foram arrefecidas pela distância temporal. A história pode ser construída sem que o narrador seja distraído pelos argumentos convencionais de partidários e oponentes de sua própria época que, independentemente de sua vontade, repercutiriam em seus ouvidos.  Além dos mais, nas sociedades passadas os seres humanos eram habitualmente menos ambíguos. Em geral, não se deixava pairar nenhuma dúvida sobre as linhas de divisão social que atravessavam a sociedade, e em que ponto da escala social alguém estava situado.

A ambiguidade do status, que pode surgir quando alguém ascende socialmente, tinha pouca influência sobre a avaliação centrada da posição estamental, feita pelos contemporâneos, em sociedades com uma camada aristocrática superior que atribuía grande valor à origem socialmente e “ao berço”. Não é, portanto, particularmente difícil estabelecer a hierarquia em um período passado e a posição nele ocupada por um determinado indivíduo, quando se observa bem o que seus contemporâneos tinham a dizer a respeito. A maioria das dificuldades possivelmente experimentadas pelos pesquisadores na reconstrução dessa hierarquia decorre do procedimento anacrônico utilizado: eles examinam as desigualdades de poder e status nas sociedades antigas como se elas tivessem necessariamente o mesmo caráter das existentes em sua própria sociedade. Um exemplo notável deste método de trabalho é a tendência atual de pretender descrever a desigualdade de poder e prestígio em geral em termos de classes sociais e estamentos. Tanto na literatura elizabetana e jacobita, sendo cristão ortodoxo monofisista da Igreja síria, na Inglaterra quanto na literatura francesa do mesmo período, de fato em todo o século XVII e em parte do século XVIII, essa divisão é mencionada. Essa separação social estava ligada, na história da religião, mas não era idêntica, à divisão em diversos estamentos, tais como na Inglaterra, entre a nobreza e os comuns. Nem todos os cortesãos eram nobres, nem todos os membros da nobreza eram cortesãos.

Para o que nos interessa, durante a sua famosa viagem pelo mundo, Francis Drake teve uma briga com um outro membro da expedição, seu antigo amigo Thomas Doughty. A briga tomou seu curso lentamente, mas no final inflamou-se em tal proporção que o empreendimento inteiro ameaçava naufragar. Apesar de Drake e Doughty terem sido inicialmente amigos, suas origens sociais e competências específicas eram totalmente diferentes. Drake era um marítimo profissional, Doughty, um militar profissional, que pertencia às altas esferas da corte da rainha Elizabeth e, ao contrário de Drake, era educado e se comportava como um gentleman. Até onde se pode saber, não era um homem de posses. Durante a expedição, provavelmente se encontrava em uma situação pior do que a de Drake. Em dezembro de 1577, com uma pequena frota e uma tripulação de cerca de 160 homens, partiram de Falmouth, supostamente em direção a Alexandria. Apenas Drake, Doughty e alguns outros líderes da expedição sabiam qual era o verdadeiro objetivo da viagem: regiões desconhecidas no Pacífico Sul, que não pertenciam ao rei da Espanha, mas que, esperava-se, seriam tão ricas em ouro e prata quanto as colônias espanholas. Aparentemente, Drake planejava atingir o Pacífico Sul através do estreito de Magalhães e, tanto quanto possível, tomar o rumo das costas da desconhecida terra australis, a respeito da qual circulavam muitas histórias, mas sobre a qual ninguém sabia algo com certeza. A expedição também tinha um segundo objetivo, este mais concreto. Em viagens anteriores, Drake esperava conquistar um butim de espanhóis e portugueses, principalmente atacando seus navios. Drake gozava já naquele tempo historicametne de certa reputação socialmente tanto como pirata e também capitão de corsários. A postura da rainha Elizabeth e seus conselheiros em relação a essa forma irregular de guerra combinada com pirataria dependia da política.

Atualmente, sem temor a erro, tende-se a considerar as circunstâncias políticas, militares e comerciais como funções independentes. Naquele tempo não era assim. Na Irlanda, Drake encontrou Thomas Doughty, oficial com certa reputação, então secretário do conde de Essex. Drake e Doughty tornaram-se bons amigos. Juntos, os dois homens sonhavam com uma nova e maior expedição à parte Sul do continente americano e, se possível, ainda além, até o oceano pacífico. Começaram a fazer seus planos na Irlanda e provavelmente iniciaram conjuntamente os preparativos após seu retorno à Inglaterra, em 1576. Posteriormente, Doughty lembraria a Drake tudo o que fizera por ele. Não é improvável que houvesse algo de verdade nisso, apesar de Drake negar tudo peremptoriamente. Doughty, sem dúvida, estava mais à vontade na corte do que Drake. Havia tido o tipo de educação indispensável para a vida na corte – ao contrário de Drake, que havia sido criado como marítimo. Além disso, após seu retorno a Londres, Doughty havia se tornado secretário de Christopher Hatton, um dos amis importantes favoritos da rainha, e fora nomeado capitão da Guarda. Não é, portanto, improvável que tenha sido ele quem apresentou seu amigo Drake a Hatton. Parece, contudo, que Doughty recebeu uma participação menor do que esperava. Mais tarde ele diria, desdenhosamente, que Drake lhe havia concebido apenas “a cota de um pobre gentleman”.  Mas apesar de na época, provavelmente ter ficado ressentido com Drake por causa desse fato, não levou a um rompimento explícito. Ambos partiram da Inglaterra como dois grandes amigos.

Profissões, despojadas de suas roupagens próprias, são funções técnicas e sociais especializadas que as pessoas desempenham em resposta a necessidades especializadas de outras; são, ao menos em sua forma mais desenvolvida, segundo Norbert Elias, conjuntos especializados de relações humanas. Para ele, o estudo da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais funções e relações. Toas as profissões, ocupações, ou qualquer que seja o nome que tenham, são, de uma forma peculiar, independentes, não das pessoas, mas daquelas pessoas em particular pelas quais elas são representadas em uma época determinada. Elas continuam existindo depois que esses seus representantes morrem. Como as línguas, pressupõem a existência de um grupo social. Descobertas científicas, invenções técnicas e sociais e o surgimento de novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são indubitavelmente fatores sociais que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. O processo social como tal nível abstrato de análise social, a gênese e o desenvolvimento de uma profissão ou de qualquer outra ocupação social, é mais que a soma total de atos individuais, pois tem em sua constituição seu modelo próprio de origem e significado.

A profissão naval tomou forma em um tempo em que a Marinha era uma frota de embarcações a vela. Em muitos sentidos, portanto, o treinamento, as tarefas e padrões dos oficiais eram diferentes dos padrões de nossa época. Diz-se que o comando de um navio de um navio moderno, com seus equipamentos técnicos elaborados, requer uma mente cientificamente treinada. O comando de um navio a vela requeria a mente de um artesão. Apenas algumas pessoas iniciadas em tenra idade na vida do mar poderiam esperar dominar essa técnica. “Recrutá-los jovens” era um reconhecido lema da antiga Marinha. Era norma que um jovem começasse sua futura carreira de oficial naval aos 9 ou 10 anos diretamente a bordo. Muitas pessoas experientes achavam que poderia ser tarde demais, caso se começasse a ir a bordo somente aos 14 anos, não apenas porque quem o fizesse teria que se acostumar ao balanço do mar e superar o enjoo o mais rapidamente possível, mas também por que a arte de amarrar e dar nós em cordas, a maneira correta de subir ao mastro – seguramente o ovém, isto é, ovém de avante e ovém de ré, para servir de apoio aos mastros e mastaréus de um navio, e não a enfechadura – e várias outras operações mais complicadas somente poderiam ser aprendidas com uma prática longa e exaustiva.

Outra possibilidade que podemos levantar é o papel do farol na narrativa. Um farol ou, “faro”, representa uma estrutura elevada verticalmente, habitualmente uma torre, equipada com um potente “aparelho ótico” dotado de extraordinárias fontes de luz e espelhos refletores, cujo facho é visível a longas distâncias. São instalados junto ao mar, na costa ou em ilhas próximas, tendo o objetivo de orientar os navios durante a noite. Utilizados desde a Antiguidade, quando eram acesas fogueiras ou grandes luzes de azeite de oliveira ou de óleo de baleia, os faróis foram concebidos para avisar os navegadores a proximidade da terra, ou de porções de terra que irrompam pelo mar adentro. As fontes de alimentação da luz foram melhorando, tendo sido o azeite substituído pelo petróleo e pelo gás, e posteriormente pela invenção da eletricidade. Paralelamente, foram inventados vários aparelhos óticos, que conjugavam espelhos, refletores e lentes, montados em mecanismos de rotação, não só para melhorar o alcance da luz, como para proporcionar os períodos de presença de luz e muito provavelmente de obscuridade, que permitiam distinguir um farol de outro. Historicamente, este arquétipo de torre marítima de construções ganhou características temporais e sociais, sendo dotados de características distintas de zonas para zonas.  

Talvez, o farol represente um estado de consciência absoluta. O estado mental que o local oferece com a perspectiva de imobilização, é mais do que o protagonista pode suportar, pois ele já está entregue a uma profunda perda de sua sensibilidade. Há teorias envolvendo o mito de Prometeu, já que Winslow e o deus grego foram castigados por contemplar o que não deviam. O primeiro, caiu das escadas e teve o corpo comido por gaivotas. O segundo caso, foi condenado por Zeus a ter o fígado eternamente dilacerado por águias. O filme contempla simultaneamente os dois aspectos, sendo predomina uma espécie de reação vingativa, antiecológica quando o personagem enfurecido bate a ave numa pedra até ela desfalecer brutalmente. Os instrumentos ópticos são equipamentos auxiliares construídos para auxiliar a visualização do que seria muito difícil ou quase impossível de enxergar sem eles. As peças fundamentais que compõem a maioria dos instrumentos são representadas pelos espelhos e lentes. Os diversos instrumentos estão intimamente ligados às nossas vidas. Através de recursos relativamente simples foram capazes de revolucionar a humanidade, seja propiciando prazer e conforto ou mesmo, ajudando aos homens na busca de suas origens ou de um aprimoramento científico.

Espelhos foram encontrados em pirâmides do Egito, datando de 1900 a.C. As lentes possuem história mais recente. Em 1885 foi encontrada uma lupa de quartzo nas ruínas do palácio do rei Senaqueribe (708-681 a.C.) da Assíria. Relatos do historiador Plínio (23-79 d.C.), apresentam “Vidros Queimadores”, os quais eram produzidos pelos romanos, ou seja, progressivamente lentes usadas para iniciar o fogo, com auxílio da luz solar. Uma lente plano-convexa foi encontrada nas ruínas de Pompeia. Fabricando vidro desde o século VI a.C. chineses também reconheciam lentes de aumento e de diminuição, usando também lentes para iniciar o fogo. Na China, historicamente desde o século X, também já moldava lentes utilizando determinado cristal de rocha natural. O primeiro farol de que se tem registro na história técnica e social é o farol de Alexandria, construído em 280 a.C. na ilha de Faros. Os antigos romanos também construíram diversos faróis ao longo do Mar Mediterrâneo, Mar Negro incluindo o Oceano Atlântico.

Mas, com a queda na esfera política do Império Romano do Ocidente, o comércio marítimo diminuiu e os faróis romanos praticamente desapareceram. Somente no século XI os faróis passariam a renascer na Europa Ocidental e, com a expansão marítima das conquistas das grandes navegações, para o Novo Mundo. Um dos faróis dessa nova Era dos faróis representava a Lanterna de Gênova, cujo faroleiro era Antônio Colombo, tio do navegador Cristóvão Colombo por volta de 1450. Atualmente são construções de alvenaria arquetípicas que incluem para além da torre, geralmente redonda para minimizar o impacto do vento na estrutura, a habitação do faroleiro, armazéns, casa do gerador de emergência, a “casa da ronca” onde estão instalados os dispositivos de aviso sonoro que são utilizados em dias inusitados de forte nevoeiro. Frequentemente associado aos faróis e o trabalho dos faroleiros surge um outro personagem: “os afundadores”. Este termo designa aqueles que criavam “falsos faróis com o intuito de atrair os navios para zonas perigosas, causando o seu afundamento, para posteriormente saquearem os destroços”. Em Portugal esta prática nunca assumiu a dimensão que teve, entretanto, ocorrência no Norte da Europa, pois ao contrário do que aí acontecia, “os salvados de um naufrágio em Portugal pertenciam à Coroa e não a quem os recuperasse”.

Em lâmpadas maiores, é importante para uma boa queima constante que o óleo esteja a uma certa altura no queimador. Esta condição é satisfeita na lâmpada de nível, onde a altura do óleo no queimador é regulada automaticamente. O óleo vai de um recipiente maior para o recipiente de nível e desta parte para o queimador. A altura do óleo no queimador e o nível tornam-se constantes pelo fato de que a entrada de óleo do tanque maior só ocorre quando o óleo no tanque de nível é abaixado durante o estado normal e cortado novamente quando este foi alcançado. Para queimadores menores, geralmente são usadas lâmpadas, cujo recipiente é achatado para que o nível do óleo não varie muito durante a queima. O queimador tem de 1 a 10 pavios de acordo com a ordem do farol, colocados um ao redor do outro para que o ar possa ter livre acesso entre os pavios. Cada pavio é ligado a um suporte de pavio, equipado com cremalheiras engatadas com engrenagens em parafusos de ajuste. A chaminé de vidro, por outro lado, está disposta fora das mechas, que, para subir ainda mais a tiragem, é continuada em cima de cano metálico, no qual há amortecedores para regular a tiragem. O queimador não é aparafusado, mas contém tubo da borda inferior do queimador colocado frouxamente sobre o tubo do recipiente. A vedação é fornecida pela trava de mercúrio.

Desta forma, é assegurada realizar uma rápida mudança de queimador. Para lareiras menores colocadas em locais de difícil acesso, é útil usar lamparinas a óleo com recipiente grande e plano, e pavio especialmente preparado que pode queimar por vários meses sem necessidade de nenhuma supervisão. A vida do navegador contém muitas incertezas e certas obscuridades, promovidas por ele próprio e pelo seu filho Fernando, que ocultou ou evitou certas passagens da vida de Colombo, e procurou realçar a figura do pai “frente àqueles que o procuravam diminuir”. A versão normalmente tida como certa entre os historiadores dá-o como nascido em Gênova em 1451, e como genovês foi reconhecido pelos seus contemporâneos, embora haja controvérsias a respeito dessa informação. Na biografia História del Almirante Don Cristóbal Colón escrita pelo seu filho Fernando, este obscureceu a pátria e origem de Colombo, afirmando que “o pai não queria que fossem conhecidas tais informações, enumerando várias cidades italianas, em especial ligures, que disputavam tal glória”. No livro Pedatura Lusitana (1678), um nobiliário de famílias de Portugal, Cristóvão Colombo é apresentado como um homem natural de Gênova, junto aos seus dois irmãos, Bartolomeu Colombo e Diogo Colombo.

Também é possível observar que no documento é relatado o seu casamento com uma mulher portuguesa chamada D. Filipa Muniz de Melo. Na Espanha Colombo foi considerado um estrangeiro, lamentando-se inclusive de como essa situação social o prejudicava em alguns dos documentos que escreveu. Esteve constantemente em contato com italianos, e neles depositava a sua confiança. O seu nome em italiano é Cristóforo Colombo, em latim Christophorus Columbus e em espanhol, Cristóbal Colón. Este antropónimo inspirou o nome de um país, a Colômbia, e de duas regiões da América do Norte: a Colúmbia Britânica no Canadá e o Distrito de Colúmbia nos Estados Unidos da América. Entretanto o Papa Alexandre VI escrevendo em latim sempre chamou ao navegador pelo nome de Christophorum Colon com significado de Membro e nunca pelo latim Columbus com significado de Pombo. Está enterrado na catedral de Sevilha, a maior catedral gótica do mundo. E Colombo, é creditado como o primeiro explorador europeu a estabelecer e documentar rotas comerciais para as Américas, apesar de ter sido precedido por uma expedição viquingue liderada por Leif Erikson no século XI.

O explorador nórdico Leif Eriksson era o segundo filho de Erik, o Vermelho, que é creditado como o colonizador da Groenlândia. Por sua vez, Eriksson é considerado por muitos, o primeiro europeu a chegar na América, séculos antes de Cristóvão Colombo. No entanto, os detalhes de sua viagem são uma questão de debate histórico, com uma versão alegando que o seu desembarque fora acidental e outra na qual navegara intencionalmente, depois de saber da região por outros exploradores. Em ambos os casos, Eriksson acabou retornando à Groenlândia, onde foi “contratado” pelo Rei da Noruega, Olaf Tryggvason (Olaf I), para a difusão do cristianismo. Acredita-se que Leif tenha morrido em 1020. No início dos anos 1960, a descoberta das ruínas de um assentamento viking na Terra Nova (Newfounland, Canadá) acrescentou “peso” aos relatos da viagem de Eriksson e, em 1964, o Congresso dos Estados Unidos autorizou a proclamação do Dia de Leif Eriksson, 9 de outubro. A obra “Oluap a Unificação” que narra de maneira ficcional e romanceada a história do “descobrimento” da América por Leif Eriksson. Embora existam vários relatos, as diferenças em seus detalhes muitas vezes tornam difícil separar fato e lenda ao discutir a vida do explorador Leif Eriksson. Acredita-se que ele tenha nascido por volta de 960-970 d.C. e que seja o segundo dos três filhos de Erik, o Vermelho, que fundou o primeiro assentamento europeu no que hoje é a Groenlândia.

Como seu pai, Erik, o Vermelho, foi banido da Noruega e se estabeleceu na Islândia, é provável que Leif tenha nascido lá e criado na Groenlândia. Segundo a maioria dos relatos etnográficos, por volta do ano 1000, Eriksson navegou da Groenlândia à Noruega, onde serviu na corte do Rei Olaf I, que o converteu ao cristianismo. Logo depois, Olaf encarregou Eriksson de fazer proselitismo em toda a Groenlândia e espalhar o cristianismo para todos os colonos de lá. Embora Eriksson eventualmente voltasse à Groenlândia, são os detalhes e os motivos de suas rotas que são o assunto de maior debate. No relato islandês do Século XIII, a Saga de Erik, o Vermelho, diz-se que os navios de Eriksson se desviaram do curso na viagem de volta, encontrando terra firme no continente americano. É mais provável que tenham desembarcado no que hoje é a Nova Escócia, a qual Eriksson pode ter chamado de Vinland, talvez em referência às uvas bravas que seu grupo viu lá. No entanto, a saga dos groenlandeses, que data da mesma época, sugere que Eriksson já tinha ouvido falar de “Vinland” por outro marinheiro, Bjarni Herjólfsson, nascido em 960 d.C., Islândia esteve por lá mais de uma década antes, e que Eriksson navegara de propósito ao destino, desembarcando primeiro em uma região gelada que ele chamou de “Helluland”, que se acredita ser a Ilha de Baffin e a densamente arborizada “Markland” (pensada como Labrador), isso antes de seguir à mais hospitaleira Vinland.

As viagens de Cristóvão Colombo abriram caminho para um período de contato, expansão, exploração, conquista e colonização do continente americano pelos Europeus pelos próximos séculos. Essas viagens e expedições trouxeram várias mudanças sociais e desenvolvimentos na história moderna do Mundo Ocidental. Entre várias outras coisas, impulsionou, por exemplo, o comércio atlântico de escravos. Colombo é acusado por diversos historiadores de iniciar e incitar o genocídio e repressão cultural dos povos nativos na América. O próprio Colombo viu suas “conquistas” sob a luz de expandir a religião cristã. Foi também acusado, até por contemporâneos, de “comportamento tirânico, corrupção e vários crimes contra os nativos indígenas, como espancamentos, torturas, saques e estupros”. Há também denúncias como “a chegada de Colombo ao Novo Mundo esteve ligada à perseguição, agressão, estupro e morte de mulheres nativas, consequência da subvalorização e desconhecimento de gênero e da humanidade dos povos nativos”. Essas reavaliações de seus feitos fizeram com que a visão dos acadêmicos e historiadores sobre Colombo ficasse um tanto quanto negativa com o passar do tempo.

Bibliografia Geral Consultada.

SCOTT, James, Los Dominados y el Arte de la Resistência. México: Ediciones Era, 1990; WAHLGREN, Erik, Los Vikingos y América. Barcelona: Editorial Destino, 1990; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário: Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; COLOMBO, Cristóvão, Diários da Descoberta da América: As Quatro Viagens e o Testamento. Porto Alegre: L&PM Editores, 1998; MAIGRET, Eric; MACÉ, Eric (Org.), Penser les Médiacultures. Nouvelles Pratiques et Nouvelles Approches de la Represéntation du Monde. Paris: Editeur Armand Colin, 2005; ELIAS, Norbert, “Estudos sobre a Gênese da Profissão Naval”. In: Escritos & Ensaios (1): Estado, Processo, Opinião Pública. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006; pp. 69-113; LATOUR, Bruno, Jamais Fomos Modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994; Idem, Reensamblar lo Social: Una Introduction a la Teoría del Actor-red. Buenos Aires: Ediciones Manantial, 2008; MARTINS, Fernando Cabral, Dicionáro de Fernando Pessoa e do Modernismo  Português. São Paulo: Editora Leya, 2010; 928 p.; BAEZ, Gustavo César Ojeda, Faróis da Costa Nordestina: Olhares Geográficos e Históricos sobre os Faróis Marítimos no Nordeste Brasileiro. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geografia. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2010; HALL, Stuart, A Identidade Cultural na Pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2011; DIAS NETO, José Colaço, Quanto Custa Ser Pescador Artesanal. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2012; GALVÃO, Pedro Alegre Pina, A Ética Negativa: Ensaio sobre o Homem sem Qualidades. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de janeiro, 2015; MOTA, Rodrigo, “Simmel e a Confiança”. In: Revista Novos Rumos Sociológicos. Vol. 5, nº 7. Jan/Jul/2017; SALLES, Rodrigo Jorge, Longevidade e Temporalidades: Um Estudo Psicodinâmico com Idosos Longevos. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018; SCHÜRMANN, Vilfredo, Em Busca do Submarino U-513. Uma Incrível Aventura nos Mares do Sul. São Paulo: Editor Schürmann, 2021; Artigo: “Comissão aprova projeto que define regras para a reciclagem de embarcações no País”. Disponível em: https://www.camara.leg.br/24/11/2022; entre outros.