sábado, 2 de maio de 2015

Governo Beto Richa - (In)Segurança Pública & Gestão na Educação.

Ubiracy de Souza Braga* 

                 “Posso garantir que não tem ninguém mais machucado do que eu”. Beto Richa (PSDB)

               
              Para a questão da consciência, e a consciência filosófica considera que o  pensamento que concebe constitui o homem real e, por conseguinte, o mundo só é real quando concebido -, portanto, o movimento das categorias surge como ato de produção real – que concebe um simples impulso do exterior, o que é lamentado – cujo conteúdo é o mundo; e isto é exato na medida em que a totalidade concreta enquanto totalidade-de-pensamento, enquanto concreto-de-pensamento, é de fato um produto do pensamento, da atividade de conceber; ele não é pois, de forma alguma o produto do conceito que engendra a si próprio, que pensa exterior e superiormente à observação imediata e à representação, mas um produto da elaboração de conceitos a partir da observação imediata e da representação. O todo, afirma Marx, na forma em que aparece no espírito como todo-de-pensamento, é um produto do cérebro pensante, que se apropria do mundo do único modo que lhe é possível, de um modo que difere da apropriação desse mundo pela arte, pela religião, pelo espírito prático. Antes como depois, o objeto real conserva a sua independência fora do espírito; e isso durante o tempo em que o espírito tiver uma atividade meramente especulativa, meramente teórica. Nunca é demais repetir, também o emprego do método teórico é necessário que o objeto abstrato, a sociedade, esteja constantemente presente no espírito como dado primeiro. Em relação à propriedade a categoria mais simples surge como a relação social de comunidades simples de famílias ou de tribos no âmbito da globalidade.  
         Na sociedade num estágio superior, ela aparece como a relação mais simples de uma organização mais desenvolvida. Mas pressupõe sempre o substrato concreto que se exprime por uma relação de posse. O dinheiro pode existir e existiu antes de existir o capital, os bancos, o trabalho assalariado, etc. Nesse sentido, podemos dizer que a categoria de trabalho mais simples pode exprimir relações dominantes de um todo menos desenvolvido ou, pelo contrário, relações subordinadas de um todo mais desenvolvido, relações que existiam já historicamente antes que o todo se desenvolvesse no sentido que encontra a sua expressão numa categoria concreta. Assim, abstração mais simples, que a economia política moderna coloca em primeiro lugar e que exprime uma relação muito antiga e válida para todas as formas de sociedade, só aparece, no entanto, sob esta forma abstrata como verdade prática enquanto categoria da sociedade mais moderna. Poder-se-ia dizer que esta indiferença constituída nas relações sociais em relacionadas a forma determinada de trabalho, que se apresenta noutros países como produto histórico, se manifesta como uma disposição natural. Este exemplo do trabalho mostra com toda evidência que até as categorias mais abstratas, ainda que válidas – precisamente por causa de sua natureza abstrata – para todas as épocas, não são menos, sob a forma determinada desta abstração, o produto de condições históricas e só se encontram válidas nestas condições e no quadro de pensamento destas condições. 
                                            
         Carlos Alberto Richa, reconhecido como Beto Richa, nascido em Londrina, 29 de julho de 1965, é um político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Beto Richa assumiu o governo do Paraná em 1º de janeiro de 2011, tendo como principais bandeiras priorizar as áreas de educação, saúde, segurança pública, proteção social, agricultura e infraestrutura. No primeiro ano de mandato anunciou a criação do programa Paraná Competitivo para incentivar o setor produtivo a atrair novas indústrias. Modernizou o parque industrial paranaense, criou o programa Paraná Seguro com a contratação de dez (10) mil policiais e forte incremento no orçamento da secretaria de segurança pública e implantou medidas para minimizar os efeitos das chuvas no litoral paranaense. O programa Paraná Competitivo atraiu R$ 20 bilhões para o Paraná, gerando empregos principalmente no interior do estado que representa 65% dos cerca de 280 mil novos postos de trabalho abertos. O programa Paraná Seguro incorporou 3.127 militares, em policiais civis e do corpo de bombeiros.
         Além também da renovação da frota de viaturas com a aquisição de 1.470 novos veículos. Lançou o programa Mãe Paranaense para reforçar o atendimento a gestantes e recém nascidos, tendo como resultado a redução da mortalidade materna em 40%. O programa Família Paranaense foi criado com o intuito de desenvolver políticas públicas para atender famílias em alto risco de vulnerabilidade social. Uma das metas é resolver o problema de habitação de 100 mil famílias paranaenses até 2014. Em sua gestão, Beto Richa, destinou cerca de R$ 1,5 bilhão para os 399 municípios em repasses a fundo perdido, convênios e financiamentos, sendo considerado um governador municipalista. Com o Plano de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (PAM), estão sendo destinados R$ 150 milhões a fundo perdido para cidades com menos de 50 mil habitantes. Em dezembro de 2011, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) descreveu Beto Richa “como o segundo mais popular governador do Brasil”, alcançando 74% de aprovação, perdendo somente para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em fevereiro de 2013, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) descreveu em 73% sua aprovação eleitoral.  
         Black bloc representa social e politicamente um agrupamento de pessoas para uma ação conjunta ou propósito comum de “bloco sólido”, ou matéria inerte. É uma tática expressa de ação direta, de orientação anarquista, empreendida por grupos de afinidade eletiva que se reúnem, mascarados e vestidos de preto, para protestar em manifestações de rua, utilizando-se da propaganda pela ação para desafiar o establishment e as forças repressivas da ordem. A tática surgiu na Alemanha, nos anos 1980, como tática utilizada por autonomistas e anarquistas para a defender os “squats” (“ocupações”) contra a ação da polícia e os ataques de grupos neonazistas. Posteriormente suas atividades ganharam atenção da mídia fora da Europa, durante as manifestações contra o Encontro da OMC em Seattle, em 1999, quando grupos mascarados destruíram fachadas de lojas e escritórios do McDonald's, da Starbucks, da Fidelity Investments e outras instalações de empresas.
          Inicialmente grandes redes de comunicação massiva difundiram o entendimento de que “black bloc” seria uma organização internacional. Mais recentemente, ficou claro que “black bloc” não é uma organização ou grupo, mas uma tática utilizada por vários indivíduos associados anticapitalistas, que não mantêm muitas conexões entre si. Na mesma manifestação, podem formar-se diversos blocos negros, com diferentes objetivos e ações. Esses “blocos” podem até mesmo entrar em confronto entre si, a exemplo do que ocorreu nas protestos contra o G8, em Gênova (2001) e Montebello (Quebec), em 2007, durante a chamada “Cúpula de Líderes da América do Norte”, reconhecida como “Three Amigos Summit”, a saber: Estados Unidos da América (EUA), México e Canadá, quando alguns policiais se infiltraram no “black bloc”. A polícia negou que os agentes infiltrados tivessem atuado como provocadores, o que contradiz as imagens veiculada massivamente sobre um dos policiais que foi filmado, não por acaso, com uma grande pedra na mão. À diferença do modus operandi de outros grupos anticapitalistas, os integrantes do black bloc realizam ataques diretos à propriedade privada, como forma de chamar a atenção para sua oposição ao que consideram símbolos do capitalismo - as corporações multinacionais e os governos que as apoiam. As roupas e máscaras pretas - que dão nome à tática e, por extensão, também aos grupos que dela se utilizam - tanto visam proteger a integridade física dos indivíduos quanto garantir seu anonimato, caracterizando-os, em conjunto, apenas como um único e imenso bloco. 
          As roupas e máscaras pretas - que dão nome à tática e, por extensão, também aos grupos que dela se utilizam - tanto visam proteger a integridade física dos indivíduos quanto garantir seu anonimato, caracterizando-os, em conjunto,  como um único e imenso bloco.  As origens do black blocs remontam à República Federal Alemã no início da década de 1980. Foi a imprensa alemã ocidental que cunhou o termo “Schwarzer Block” para fazer referência a grupos de pessoas que se organizavam para enfrentar a repressão policial. Tal repressão foi desencadeada em decorrência da luta de grupos autonomistas alemães (marxistas não ligados às burocracias partidárias e sindicais) contra a construção de usinas nucleares, para a defesa de suas ocupações (squats) de casas e edifícios abandonados em grandes cidades e também para se defenderem de ataques de grupos neonazistas. Em uma manifestação no 1º de Maio de 1980, em Frankfurt, manifestantes participaram vestidos de negro, tapando seus rostos com máscaras e capacetes para se defenderem da polícia e evitar o reconhecimento facial e a consequente identificação e repressão policial. Os black blocs constituíram-se como uma tática, uma manobra dentro da manifestação com o objetivo principalmente de garantir a autodefesa dos participantes frente à repressão policial que quase sempre é realizada e, em todas as vezes, de forma violenta. O black bloc, dessa forma, não é um movimento político, um grupo anarquista ou uma ONG libertária. Segundo Jairo Costa, o black blocs representam uma tática de guerrilha urbana, que se constitui como meio de mobilização nas chamadas ações diretas: destruição de bancos, joalherias, lanchonetes norte-americanas, depredação de instituições oficiais e empresas multinacionais, shoppings, câmeras de segurança, etc.


          Após abrir os portos do Brasil às chamadas “nações amigas” (cf. Aguiar, 1960), D. João VI assinou, em 18 de fevereiro de 1808, o documento que mandou criar a Escola de Cirurgia da Bahia, atual Universidade Federal da Bahia – UFBA, e deu início  ao ensino da Medicina no país. No mesmo ano, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ foi criada pelo príncipe regente D. João, por Carta Régia, ou seja, por decreto, assinada no dia 5 de novembro de 1808, com o nome de Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia, e instalada na Praia Vermelha, no Rio de |Janeiro. Assim, desde a sua progênie a desigualdade social na distribuição de médicos no Brasil acompanha outros abismos sociais existentes no país, no caso dos professores universitários e o significado da universidade brasileira para o 3º Milênio. Outros cursos universitários foram ainda criados, na Bahia e no Rio de Janeiro, todos eles previstos pela mesma preocupação pragmática (cf. Braga, 2001) de criar uma infraestrutura que garantisse a sobrevivência política da Corte na colônia, tornada Reino-Unido. Na Bahia, a cadeira de economia (1808), e os cursos de agricultura (1812), de química (1817) e de desenho técnico (1817).
         No Rio de Janeiro, o laboratório de química (1812) e o curso de agricultura (1814). Alguns cursos avulsos foram ainda criados em Pernambuco, em 1809 (matemática superior), em Vila Rica, em 1817 (desenho e história), e em Paracatu, Minas Gerais, em 1821 (retórica e filosofia), “visando suprir lacunas do ensino ministrado nas aulas régias”. A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, criada em 1816, no seu plano original também estava marcada pela preocupação com a formação técnica e científica. Tal orientação é ainda mais acentuada com a Reforma Rivadavia Corrêa, em 1911, que institui também o “ensino livre”. Embora o surgimento da universidade, apoiado em ato do Governo Federal, continuasse sendo postergado, o regime de “desoficialização” do ensino gerou condições para o surgimento de universidades, tendendo o movimento a deslocar-se da órbita do Governo Federal para a dos Estados. Nesse contexto surge, em 1909, a Universidade de Manaus; em 1911 é instituída a Universidade de São Paulo, em 1912, a Universidade do Paraná erigidas como instituições livres.
 
Tropa de choque ataca servidores públicos na Praça Nossa Senhora de Salete.

A praça é rodeada de prédios do governo, com principal destaque ao Palácio Iguaçu, que é a sede do estado do Paraná. No final de semana é o lugar perfeito para levar seu animal de estimação ou as crianças. Aos domingos, as ruas próximas são fechadas e o lugar e espaço praticado para diversão aumenta. Ali também acontecem eventos gastronômicos, shows e outros eventos. Localizada no Centro Cívico, é na Praça Nossa Senhora de Salete que estão as sedes dos poderes do governo do Paraná. Pela localização estratégica, é nela em que são realizadas grande parte das manifestações de Curitiba, além de shows e atos. Além da área verde, na praça está a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas, o Palácio Iguaçu, sede do governo do estado, o Palácio das Araucárias, o Tribunal do Juri, Tribunal de Justiça e a sede da Prefeitura Municipal de Curitiba.  Com missa e venda de fogazza, a paróquia revive o Jubileu e uma placa descerrada pelo bispo dom Nelson Westrupp marcou 50 anos de sua criação. 

       A Praça Nossa Senhora da Salete é um gramado grande com muitas árvores e espaço para sentar e relaxar. Nossa Senhora de La Salette representa a invocação dada à Virgem Maria nas suas aparições na montanha de La Salette, departamento de Isère, na região dos Alpes franceses. De acordo com os relatos etnográficos existentes, Nossa Senhora terá aparecido a 19 de setembro de 1846 a duas crianças: Maximin Giraud, com 11 anos de idade, e Mélanie Calvat, com 15 anos. A veneração a Nossa Senhora de La Salette floresceu no século XX e, assim como Nossa Senhora de Lourdes (1858), Nossa Senhora de Fátima (1917) e Nossa Senhora das Lágrimas (1930), continua a ser uma das mais famosas representações sociais das aparições imaginárias da Virgem Maria na idade contemporânea. Possui ligações com essas três aparições marianas através da linha do tempo do segredo de La Salette, e confirmada nas recomendações em Lourdes, nos acontecimentos em Fátima e mensagens reveladas em Campinas.  

Em primeiro lugar, como na vida privada se diferencia o que um homem pensa e  diz de si mesmo do que é e faz, na história devem-se distinguir mais ainda as fases e as fantasias de sua formação real e de seus interesses reais. Ou, a formação da consciência que fazem “para si” (Hegel) do que são “em si” na realidade social (Marx). Durante o Governo Lula, hic et nunc a grande maioria das carreiras do serviço público federal foi posicionada na prática elevando salários. Muitas vezes defasados durante os anos de aperto no Governo FHC, embora este se vanglorie de ter feito “o maior acordo do trabalhismo no mundo”, – com a imposição de plano econômico de natureza heterodoxa que deixou de conferir aos valores recolhidos ao FGTS, com a devida correção monetária. Para entendermos o significado hoje do salário de professor universitário, basta dizer que um professor em Dedicação Exclusiva, e não se sentindo representados pelo Andes, um grupo de professores fundou um Sindicato paralelo, o Proifes. Embora muitos tenham acreditado que poderiam ter algum avanço para o que outras carreiras conseguiram, mas a realidade não demonstrou ser de fato tão favorável.
Do ponto de vista teórico e metodológico, concordamos com a assertiva segundo a qual a instância ideológica há de ser percebida como lugar analítico das múltiplas projeções dos efeitos de reconhecimento e desconhecimento dos efeitos das diferentes instâncias. Portanto há de ser recortada nas suas conexões, seja com a instância política, seja com a instância econômica. Já que não é na realidade que vamos procurar a prova da autonomia das estruturas (teóricas), mas na estruturação da teoria que autoriza análises autônomas. Assim, estamos nos distanciando, para ficarmos num exemplo, daqueles que atribuem à ideologia um papel exclusivo na reprodução da força de trabalho. Temos que admitir, se nos propusermos a fazer ciência, que a ideologia só reproduz o reconhecimento da ordem, da organização e da divisão do trabalho determinada historicamente.  
Quando se configuram os momentos conjunturais de crise de hegemonia no Brasil, a “questão social” é definida como uma “questão de polícia” que sem deixar de ser política, passa a ser resolvida na base dos Aparelhos de Estado com predomínio da repressão efetiva. Daí popularizar-se para a Primeira República das oligarquias agrárias a sentença: “a questão social é um caso de polícia”. Por ser ilegítima para a fração da classe dominante, não era uma questão “legal”, mas ilegal. Todavia nos momentos em que uma crise de hegemonia não se configura como viável, a questão tópica do pensar e o agir das classes dominantes definem a “questão social como uma questão eminentemente política, que se resolve na base da conciliação, do favor recíproco, da política”, enfim. Isto define a “questão social” como uma questão política, não importando o tipo de política que entra em jogo e é realizado.
É neste sentido, que ao amplificarmos a noção de política na concepção de filosófica de Slavoj Žižek, apresentamos a seguinte reflexão:  
Há uma velha história sobre um trabalhador suspeito de roubar no trabalho: todas as tardes, quando sai da fábrica, os guardas inspecionam cuidadosamente o carrinho de mão que ele empurra, mas nunca encontram nada. Está sempre vazio. Até que um dia cai a ficha: o que o trabalhador rouba são os carrinhos de mão... Se há uma tese unificadora nas reflexões que se seguem, é a de que existe um paradoxo semelhante no que diz respeito à violência. Os sinais mais evidentes de violência que nos vêm à mente são atos de crime e terror, confrontos civis, conflitos internacionais. Mas devemos aprender a dar um passo para trás, a desembaraçar-nos do engodo fascinante desta violência “subjetiva” diretamente visível, exercida por um agente claramente identificável. Precisamos ser capazes de perceber os contornos dos cenários que engendram essas explosões. O passo para trás nos permite identificar uma violência que subjaz aos nossos próprios esforços que visam combater a violência e promover a tolerância” (cf. Žižek, 2014).
Em segundo lugar, “choque de gestão” é uma política de governo proposta por Aécio Neves durante o seu mandato como governador do Estado brasileiro de Minas Gerais. Como política pública visa, primariamente, a promoção do desenvolvimento mediante a reversão de quadros de déficits orçamentários: a) através da redução de despesas, b) da reorganização e modernização do aparato institucional do Estado e, last but not least, com a busca e a implementação de novos modelos de gestão. Aécio Neves assumiu o governo de Minas Gerais quando o Estado encontrava-se com as contas estourando os limites fixados pela “Lei de Responsabilidade Fiscal” para dívidas e gastos em funcionalismo. A saída encontrada foi conter despesa, tornar mais eficiente a arrecadação do ICMS, elevar as alíquotas do IPVA, introduzir um novo modelo de cobrança do imposto sobre doações e heranças, o aumento de algumas taxas como a “Taxa de Fiscalização Judiciária”, e a criação de outras, como a “Taxa de Incêndio e Taxa de Licenciamento para Uso ou Ocupação da Faixa de Domínio das Rodovias”. Com isso, economicamente a arrecadação no Estado subiu, e a dívida mineira caiu de 263% da receita para 189% (cf. Patu, 2014).
De acordo com Luiz Fernando Rodrigues, da direção do sindicato, tudo começou quando os deputados estaduais decidiram seguir com a votação do projeto. “Quando nós anunciamos que o governo não havia aceitado tirar o projeto, houve uma revolta muito grande, e [os manifestantes] tentaram avançar sobre a cerca. Imediatamente, o Batalhão de Choque, a mando do secretário [de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini] veio com todo seu armamento para cima das pessoas”. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 1,6 mil policiais participaram da ação. - “A ação foi contra os educadores que estavam na praça. Foi abuso da PM. Jogaram bombas de gás, spray de pimenta, jatos de água contra os trabalhadores. A polícia não parou de jogar bomba na gente mesmo depois de uma hora. Foi uma barbárie o que aconteceu hoje em praça pública”.
            Pelo menos 170 manifestantes ficaram feridos, segundo dados estatísticos da prefeitura de Curitiba e do Tribunal de Justiça do Paraná (TJP), onde ocorreram os primeiros atendimentos médico-hospitalar. Desse total, 45 foram levados para Unidades de Pronto-Atendimento e hospitais da região. O governador do Paraná, Beto Richa, afirmou em entrevista, que os policiais reagiram a provocações de algumas pessoas que estavam na praça. - “Sete black blocks foram presos. Os policiais, ao serem afrontados por esses baderneiros e black blocks, reagiram, em uma proteção natural de sua integridade física”. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná diz que 20 policiais ficaram feridos. - “A reação não partiu dos policiais. Os policiais ficaram parados para proteger o prédio da Assembleia Legislativa. Na medida em que eram impedidos, reagiram. A polícia não partiu para cima dos manifestantes uma única vez. Tem filmes que comprovam o que estou dizendo”.
Analogamente, em greve há 56 dias, os professores do Ceará foram agredidos pelo Batalhão de Choque da Assembleia Legislativa no dia 29 de setembro de 2011. A categoria estava reunida no local para evitar a votação da proposta do governo em dividir a categoria do nível médio e superior. O presidente da APEOC explicou que a categoria estava fazendo uma manifestação pacífica contra a proposta do governo. “Esta proposta não contempla a categoria e muda pontos importantes do nosso estatuto”, ressaltou Anízio Melo. Os professores ocuparam a sede da Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE) com alguns desses mobilizados fazendo greve de fome. Dois desses professores foram presos arbitrariamente pela polícia, sendo que outros professores foram levados ao hospital por terem sofrido agressões pelo Batalhão de Choque. Educadores, representantes de movimentos sindicais, universitários e estudantis, além da sociedade civil, realizaram na segunda-feira, dia 3 de outubro daquele ano, a formação de uma passeata para protestar sobre o episódio da Assembleia Legislativa.
Beto Richa assumiu o governo do Paraná em 1° de janeiro de 2011, tendo como principais bandeiras priorizar as áreas de educação, saúde, segurança pública, proteção social, agricultura e infraestrutura.  No primeiro ano de mandato anunciou a criação do programa “Paraná Competitivo” para incentivar o setor produtivo a atrair novas indústrias. Modernizou o parque industrial paranaense, criou o programa “Paraná Seguro” com a contratação de 10 mil policiais e forte incremento no orçamento da secretaria de segurança pública e implantou medidas para minimizar os efeitos das chuvas no litoral paranaense. O programa “Paraná Competitivo” atraiu mais de R$ 20 bilhões para o estado do Paraná, gerando empregos principalmente no interior do estado que representa 65%  de aproximadamente 280 mil novos postos de trabalho abertos. O programa populista articulado ao Paraná Seguro incorporou 3.127 militares, além de novos policiais civis e bombeiros. Além disso, ocorreu renovação de viaturas com a aquisição de 1.470 novos veículos.
Do ponto de vista econômico em sua gestão, Beto Richa, destinou cerca de R$ 1,5 bilhão para os 399 municípios, em repasse “a fundo perdido”, convênios e financiamentos, sendo considerado aparentemente um governador municipalista. Com o Plano de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (PAM), ) é um programa do Governo do Estado do Paraná que visa repassar recursos a fundo perdido para os municípios com menos de 50 mil habitantes. Para este fim serão utilizados, cerca de R$ 150 milhões, a fundo perdido para cidades com menos de 50 mil habitantes. Por proveniente de devolução orçamentaria feita pela Assembleia Legislativa do Paraná ao Governo do Estado. Caberá aos prefeitos definir, por meio de audiência pública, onde serão aplicados os recursos. Por este motivo em dezembro de 2011, o Ibope apontou estatisticamente Beto Richa como o segundo mais popular governador do Brasil, tendo alcançado 74% de aprovação popular, perdendo somente para o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em fevereiro de 2013, o “Ibope Inteligência”, antes Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística,  uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América, demonstrou sua aprovação em 73% da população.
Em greve desde a última segunda-feira (27/04/2015), os professores da rede estadual do Paraná definiram que medidas vão tomar para responsabilizar o governo do Estado e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), pela ação policial que deixou 170 manifestantes e 20 policiais feridos. Entre as ações avaliadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Paraná, está acionar a Justiça contra o governo paranaense. - “Ainda estamos tentando absorver o massacre, mas também estamos nos organizando para definirmos nossas próximas ações. É um dia difícil, pois estamos atendendo a feridos, orientando os companheiros que foram detidos e atuando em várias frentes para obtermos as informações e a provas necessárias para os encaminhamentos”, disse a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Paraná, Vanda do Pilar Bandeira - “Convidamos representantes de organizações e segmentos que defendem os direitos humanos para definirmos uma ação coletiva para denunciar e tomar as medidas judiciais cabíveis contra o governador [Beto Richa], contra o secretário de Segurança Pública [Fernando Francischini] e contra o presidente da Assembleia Legislativa”, acrescentou Vanda, lamentando a postura do governador Beto Richa (PSDB).
Vários parlamentares atacaram a atitude do governador do PSDB. O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) pediu “um basta de Beto Richa”. – “O que está acontecendo no Paraná é estarrecedor”, escreveu ele em artigo, criticando ainda a cobertura da imprensa tradicional sobre o episódio. – “Parte da grande mídia, como sempre, fala em 'confronto entre professores e policiais', o que resulta em ridículo: é como falar em confronto entre o peito e a bala, entre as costas e a paulada”. Jandira Feghali, líder do PCdoB na Câmara, intitulou de “guerra contra o trabalhador” e “terror em praça pública” (...). “O que se viu no Paraná chocou todo o país, revelando a face mais perversa de sua gestão: a incapacidade de ausculta dos movimentos sociais e sindicatos”.
Em entrevista ao site 247, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse ontem que Richa “não tem mais condições de governar”, pois para ele: “o clima é de indignação absoluta e de revolta no Paraná”. O deputado federal João Arruda (PMDB-PR) divulgou um vídeo na internet em que mostra integrantes da equipe de governo comemorando os ataques da PM. “Absurdo”. – “Depois do massacre, o Beto Richa não tem mais condição de governar! Ou ele renúncia ou o povo tira ele de lá”, escreveu o parlamentar no Twitter. O colunista do jornal O Globo Ricardo Noblat chamou o tucano de “líder estúpido”. - “Ao manifestar sua solidariedade aos policiais autores de violência tão estúpida, Richa se revelou um líder político, no mínimo, estúpido”. –“Richa falou da ação de black blocs. Culpou-os pela violência que atingiu, pelo menos, 213 pessoas, segundo a prefeitura de Curitiba. Mas na hora do vamos ver, comentou que a polícia prendeu sete black blocs”. O jornalista Juca Kfouri disse que o pai do governador, José Richa deveria estar se “revirando no túmulo com a violência” sob sua batuta.  

Bibliografia Gera Consultada.

DOMMANGET, Maurice, História del Primero de Mayo. Barcelona: Editorial Laia, 1976; HAFTENDORN, Helga, “The security Puzzle: theory-Building and discipline-building in international security”. In: International Studies Quarterly, 35, 1991, pp.3-17; BRAGA, Ubiracy de Souza, “Dança com Lobos: (I)legalidades no Brasil Contemporâneo?”. In: Revista Espaço Acadêmico. Curitiba, Ano I, n° 7, dez. 2001; COHN, Gabriel, Crítica e Resignação. Max Weber e a Teoria Social. Tese de Titular em Sociologia. 2ª edição atualizada. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003; NAZARENO, Louise Ronconi de, Redes Sociais e Coalizão de Governo em Curitiba 1985-2004. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Departamento de Ciência Política. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2005; AUGUSTO, Maria Helena Oliveira Gonçalves, A Regulação das Políticas Educacionais em Minas Gerais e a Obrigação de Resultados. O Desafio da Inspeção Escolar. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2010; FRAIZ, Rosana Cristina Carvalho, O Imaginário do Poder e Autoridade e a Gestão Escolar. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar. Faculdade de Ciências e Letras. Araraquara: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2013; SOUSA, Silmara Eliane de, A Gestão Educacional no Paraná 2011-2013. Dissertação de Mestrado. Cascavel: Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2013; ŽIŽEK, Slavoj, Violência – Seis Reflexões Laterais. São Paulo: Editorial Boitempo, 2014; SANTOS, Neide Elisa Portes dos, Gestão e Trabalho na Universidade: As Recentes Reformas do Estado e da Educação Superior e seus Efeitos no Trabalho Docente na UEMG. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2014; OLIVEIRA, Emerson Ademir Borges de, Democracia como “Ídolo”? Ensaios sobre um Projeto de Democracia Possível. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; PRATES, Francisco de Castilho, As Fronteiras da Liberdade de Expressão no Estado Democrático de Direito: O Desafio de Falas que Oprimem, de Discursos Que Silenciam. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Belo Horizonte. Universidade Federal de Minas Gerais, 2015; entre outros.

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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ) e Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza:  Universidade Estadual do Ceará.

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