“Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago. O lago comeu-a. Sorriu ondulações”. Hermógenes
A rota europeia E39 designa uma estrada de 1.330 km (830 milhas) no sentido Norte-sul, na Noruega e na Dinamarca, que liga Klett, a Sul de Trondheim, a Aalborg, passando por Bergen, Stavanger e Kristiansand. No total, existem nove ferries, mais do que qualquer outra estrada na Europa. Em Trondheim, há ligações com as linhas E6 e E14; em Ålesund, com a E136; em Bergen, com a E16; em Haugesund, com a E134; em Kristiansand, com a E18; e em Aalborg, com a E45. Na Noruega, a E39 faz parte do sistema rodoviário nacional norueguês e, como tal, é desenvolvida e mantida pela administração de estradas públicas. A E39 é principalmente uma estrada de duas faixas sem divisão, e apenas trechos relativamente curtos perto de Stavanger, Trondheim e Bergen são autoestradas ou semi-autoestradas. Em 1786, foi tomada uma decisão real para estabelecer uma rota postal entre Bergen e Trondheim. Desde o estabelecimento do correio na Noruega em 1647 até então, toda a correspondência entre essas cidades passava por Oslo. Inicialmente, a rota era, em grande parte, transitável apenas a pé ou a cavalo, mas nas décadas seguintes “foi reconstruída para permitir a circulação de carruagens”. Vários trechos, porém, exigiam o uso de barco. A decisão de 1786 também incluiu uma rota postal entre Stavanger e Bergen. Em 1858, o correio foi redirecionado para os recém-criados navios a vapor Bergen-Vadheim, e a rota do correio mudou para Vadheim – Sande – Førde.
Rogfast, que será o túnel rodoviário subaquático mais profundo e mais longo do mundo, com 27 quilômetros (17 milhas) de comprimento e 392 metros (1.286 pés) de profundidade, teve sua construção iniciada (primeira detonação) em 2018 e deverá ser inaugurado em 2033. Está previsto que todo o percurso entre Stavanger e Kristiansand seja reconstruído em uma autoestrada de quatro faixas antes de 2035, restando, no total, 144 quilômetros (89 milhas) a serem construídos (dados de 2021). Existem planos para substituir todas as ligações de ferry por ligações fixas. Existem sete, mas cada uma apresenta um desafio técnico dispendioso, uma vez que os fiordes são largos e muito profundos, e têm encontrado resistência pública. Além de Rogfast, dois projetos têm um cronograma, embora atrasado. Hordfast (ao Sul de Bergen) é priorizada por ter o maior número de balsas, cinco em operação, e o segundo maior tráfego de veículos depois de Rogfast, apesar de ser provavelmente a travessia tecnicamente mais desafiadora de todas. Está planejada uma ponte flutuante de cinco quilômetros de extensão sobre Bjørnafjorden, um novo recorde mundial, em uma área tempestuosa, com espaço livre para o tráfego de navios abaixo. E uma ponte suspensa sobre Langenuen com um vão de 1.700 metros (5.600 pés), uma das mais longas do mundo. O custo total de Hordfast é estimado em 37 bilhões de coroas norueguesas (US$ 4,31 bilhões), em parte pagos por pedágios rodoviários de cerca de 400 coroas norueguesas. Os padrões concluídos em 2023 e a obra na década de 2030.
Uma travessia do Romsdalsfjorden (Ålesund–Molde), com túnel submarino de 16 quilômetros (9,9 milhas) de extensão e uma ponte suspensa de 2.000 metros de comprimento e 1.650 metros de vão. O início da construção está previsto para cerca de 2030. As quatro travessias de fiorde restantes são incertas, mas estão sendo investigadas. Sognefjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante com 4 km de extensão. Nordfjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte suspensa com 1,8 km de comprimento e 1,5 km de vão. Sulafjorden e Vartdalsfjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante de 4 km de extensão, além de uma ponte suspensa de 2 km. Halsafjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante com 3 km de extensão. Um ferry internacional para carros é operado pela Color Line e pela Fjord Line (sazonalmente). Partindo da Noruega, a E39 segue de ferry de Kristiansand para Hirtshals, no norte da Dinamarca. Os ferries são operados pelas empresas Color Line e Fjord Line. A autoestrada liga o Sul de Hirtshals ao Norte de Aalborg. Lago representa uma área cheia de água localizada em uma bacia cercada por terra e separada de qualquer rio ou outra saída que sirva para alimentar ou drenar a comunicação no lago. Ficam em terra e não fazem parte do oceano, embora, como os oceanos muito maiores, façam parte do ciclo da água da Terra. Os lagos são distintos das lagoas, que são partes costeiras do oceano.
Os lagos são geralmente maiores e mais profundos
do que as lagoas, que também ficam em terra, embora não haja definições técnicas
e sociais, oficiais ou científicas. Lagos podem ser contrastados com rios ou
córregos, que geralmente fluem em um canal em terra. A origem dos lagos é
variável e depende da geomorfologia do terreno. Em zonas como a Antártida,
podem existir lagos sub-glaciares, isto é, debaixo do gelo, como o Lago Vostok.
Geologicamente, a maior parte dos lagos da Terra é recente. Os resultados
naturais da erosão tendem a eliminar pelo menos um dos lados da bacia que
contém o lago, tal como acontece no lago Baikal, que se estima ter entre 25 e
30 milhões de anos. Há um número de processos naturais que formam os lagos. Um
levantamento tectônico recente de uma cordilheira pode criar depressões que
acumulam água e formam os lagos. O avanço e recuo dos glaciares pode também
formar depressões na superfície. Do ponto de vista geográfico tais lagos são comuns na Escandinávia, Sibéria
e Canadá. Os lagos podem também ser formados por meio de deslizamento de terras
ou por bloqueios glaciares. Um exemplo deste último ocorreu durante a última
Idade do Gelo no estado norte-americano de Washington, quando um enorme lago se
formou.
Os lagos salgados
formam-se onde não existe escoamento natural ou onde a água se evapora
rapidamente. Exemplos destes são o Grande Lago Salgado, o Mar Cáspio, o Mar de
Aral e o Mar Morto. Os lagos pequenos com forma de arco ou crescente poderão
formar-se nos vales de cursos de água como resultado da existência de meandros.
Rios com baixa velocidade da água tomam formas sinuosas e os lados externos das
curvas são erodidos mais rapidamente que os internos. Eventualmente uma forma
semelhante a uma ferradura é formada e o rio muda o seu leito por uma nova
passagem, fazendo surgir na zona da antiga passagem um lago arqueado. O lago
Vostok é um lago subglacial da Antártica, possivelmente o maior do mundo. A
pressão do gelo e da composição química interna sugerem que se o lago fosse
furado, poderia resultar numa fissura que daria origem a um geyser. Alguns
lagos, em análise comparada, como ocorre com o Baikal e o Tanganica estão em
zonas de rift continental, e são criados por subsidência da crosta à
medida que duas placas tectónicas são friccionadas. Estes são os lagos mais
antigos e mais profundo do mundo, e tornar-se-ão oceanos dentro de milhões de
anos. Por exemplo, julga-se que o Mar Vermelho teve origem num lago de vale de
rift continental. Os vulcões podem criar lagos. Um exemplo é a Caldeira
das Sete Cidades, nos Açores.
A Noruega tem 20.000
lagos maiores que 0,1 km² (100.000 m²; 25 acres) e,
usando esse limite de medição, a Noruega ocupa o sétimo lugar entre os países
com mais lagos no mundo. No entanto, existem pelo menos 450.000 lagos de água
doce na Noruega. A maioria foi criada pela erosão glacial. A erosão é a ação de
processos superficiais, como o fluxo de água ou o vento que removem solo, rocha
ou material dissolvido de um local na crosta terrestre e o transportam para
outro local onde é depositado. A erosão é, comparativamente, distinta do
intemperismo, que não envolve movimento. A remoção de rocha ou solo como
sedimento clástico é denominada erosão física ou mecânica; isso contrasta com a
erosão química, onde o solo ou o material rochoso é removido de uma área por
dissolução. Sedimentos ou solutos erodidos podem ser transportados por apenas
alguns milímetros ou por milhares de quilômetros. Os agentes de erosão incluem tipologicamente
a precipitação; o desgaste do leito rochoso em rios; a erosão costeira pelo mar
e pelas ondas; o arrancamento glacial, a abrasão e a erosão; as inundações; a
abrasão eólica; os processos de águas subterrâneas; e os processos de movimento
de massa em paisagens íngremes, como deslizamentos de terra e fluxos de
detritos. As taxas com que esses processos atuam controlam a velocidade com que
uma superfície é erodida.
Normalmente, os
especialistas admitem por que a erosão física ocorre mais rapidamente em
superfícies com declives acentuados, e as taxas também podem ser sensíveis a
algumas propriedades controladas pelo clima, incluindo a quantidade de água
fornecida, por exemplo, pela chuva, a intensidade das tempestades, a velocidade
do vento, o alcance das ondas ou a temperatura atmosférica especialmente para
alguns processos relacionados ao gelo). Também são possíveis retroalimentações
entre as taxas de erosão e a quantidade de material erodido que já foi
transportado, por exemplo, por um rio ou geleira. O transporte de materiais
erodidos de sua localização original é seguido pela deposição, que é a chegada in
statu nascendi, e o assentamento do material em um novo local. A
precipitação, e o escoamento superficial que pode resultar da precipitação,
produz quatro tipos principais de erosão do solo: erosão por impacto de gotas
de chuva, erosão laminar, erosão em sulcos e erosão em ravinas. A erosão por
impacto de gotas de chuva é geralmente vista como o primeiro e menos severo
estágio no processo de erosão do solo, que é seguido pela erosão laminar,
depois pela erosão em sulcos e finalmente pela erosão em ravinas sendo a mais
severa das quatro. Na erosão por impacto, o impacto de uma gota de chuva que
cai cria uma pequena cratera no solo, ejetando partículas de solo.
A distância que essas
partículas de solo percorrem pode chegar a 0,6 metros (2,0 pés) verticalmente e
1,5 metros (4,9 pés) horizontalmente em terreno plano. Se o solo estiver
saturado, ou se a taxa de precipitação for maior do que a taxa na qual a água
pode infiltrar-se no solo, ocorre escoamento superficial. Se o escoamento tiver
energia de fluxo suficiente, ele transportará partículas de solo soltas (sedimento)
pela encosta. A erosão laminar é o transporte de partículas de solo soltas pelo
escoamento superficial. A erosão em sulcos refere-se ao desenvolvimento de
pequenos caminhos de fluxo concentrado efêmeros que funcionam como sistemas de
fonte e transporte de sedimentos para a erosão em encostas. Geralmente, onde as
taxas de erosão hídrica em áreas de planalto perturbadas são maiores, os sulcos
estão ativos. As profundidades do fluxo nos sulcos são tipicamente da ordem de
alguns centímetros (cerca de uma polegada) ou menos e as inclinações ao longo
do canal podem ser bastante íngremes. Isso significa que os sulcos exibem uma
física hidráulica muito diferente da água que flui pelos canais mais profundos
e largos de riachos e rios. A erosão em ravinas ocorre quando a água de
escoamento se acumula e flui rapidamente em canais estreitos durante ou
imediatamente após chuvas fortes ou derretimento de neve, removendo o solo a
uma profundidade considerável.
Uma ravina se distingue
de um sulco com base em uma área de seção transversal crítica de pelo menos um
pé quadrado, ou seja, o tamanho de um canal que não pode mais ser eliminado por
meio de operações normais de cultivo. A erosão extrema em ravinas pode
progredir para a formação de badlands. Estas formam-se em condições de
alto relevo sobre leito rochoso facilmente erodido em climas favoráveis à
erosão. Condições ou perturbações que limitam o crescimento da vegetação
protetora (rexistasia) são um elemento chave da formação de badlands. O
riacho Dobbingstone Burn, na Escócia, mostra dois tipos diferentes de erosão
afetando o mesmo local. A erosão do vale ocorre devido ao fluxo do riacho, e os
pedregulhos e pedras e grande parte do solo que se encontram nas margens são
depósitos glaciais deixados para trás pelo avanço das geleiras da era glacial
sobre o terreno. A erosão de vales ou cursos d`água ocorre com o fluxo contínuo
de água de uma feição linear. As feições lineares são formadas principalmente
pela ação de forças tectônicas, que atuam na crosta terrestre e causam
deformações nas rochas. A erosão é tanto descendente, aprofundando o vale,
quanto regressiva, estendendo o vale para a encosta, criando cortes de
cabeceira e margens íngremes. No estágio inicial da erosão fluvial, a atividade
erosiva é predominantemente vertical, os vales têm uma seção transversal típica
em forma de V e o gradiente do curso d`água é íngreme.
Quando um certo nível
de base é atingido, a atividade erosiva muda para erosão lateral, que alarga o
fundo do vale e cria uma planície de inundação estreita. O gradiente do curso
d'água torna-se quase plano e a deposição lateral de sedimentos torna-se importante
à medida que o curso d'água serpenteia pelo fundo do vale. Em todos os estágios
da erosão fluvial, a maior parte da erosão ocorre durante as cheias, quando há água disponível e com maior velocidade para transportar carga
sedimentar maior. Nesses processos de atividade erosiva, não é apenas a água
que erode: partículas abrasivas em suspensão, seixos e pedregulhos também podem
agir erosivamente ao atravessarem uma superfície, em um processo conhecido como
tração. A erosão das margens é o desgaste das margens de um córrego ou rio. Se distingue das mudanças no leito do curso d`água, que são chamadas de
erosão superficial e as mudanças na forma das margens do rio podem
ser medidas inserindo hastes de metal na margem e marcando a posição da
superfície da margem das hastes em diferentes momentos. A erosão
térmica resulta do derretimento e enfraquecimento do permafrost devido à água
em movimento. Pode ocorrer tanto ao longo de rios como na costa.
A rápida migração do
leito do rio observada no rio Lena, na Sibéria, deve-se à erosão térmica, uma
vez que essas porções das margens são compostas de materiais não coesivos
cimentados por permafrost. Grande parte dessa erosão ocorre quando as
margens enfraquecidas desmoronam em grandes deslizamentos. A erosão térmica
também afeta a costa do Ártico, onde a ação das ondas e as temperaturas
próximas à costa se combinam para erodir os taludes de permafrost ao longo desenvolvido
da linha costeira e causar seu desmoronamento. As taxas anuais de erosão ao
longo de um segmento de 100 quilômetros (62 milhas) da costa do Mar de Beaufort
apresentaram uma média de 5,6 metros (18 pés) por ano, de 1955 a 2002. A maior
parte da erosão fluvial ocorre perto da foz do rio. Em uma curva, a observação
indica que o lado mais longo e menos acentuado da curva tem águas mais lentas,
sendo onde os depósitos se acumulam. Na análise comparativamente que ocorre no
lado mais estreito e acentuado da curva, as águas correm mais rápido, e por
isso essa margem tende a sofrer maior erosão. A erosão rápida por um grande rio
pode remover sedimentos suficientes para produzir um anticlinal fluvial, à
medida que o rebote isostático eleva geologicamente camadas rochosas livres da
erosão das camadas sobrejacentes. Hornindalsvatnet é o lago mais profundo da
Noruega e da Europa, e o décimo quarto lago mais profundo do mundo contemporaneamente,
medido oficialmente a uma profundidade de 514 metros (1.686 pés). Sua
superfície fica a 53 metros (174 pés) acima do nível do mar, demonstrando o que
significa que seu fundo está a 461 metros (1.512 pés) abaixo do nível abstrato do
mar. A vila de Grodås fica na extremidade Leste do lago, no município de Volda,
condado de Møre og Romsdal, e a vila de Mogrenda está na extremidade
Oeste do lago de Stad, condado de Vestland.
A aldeia de 0,66 km²
(160 acres) tem uma população (2024) de 503 habitantes e uma densidade
populacional de 762 habitantes por quilômetro quadrado (1970/sq mi). A área da
vila é um destino turístico, com o ambiente natural, as montanhas e o lago
servindo de atração turística. Também abriga o Museu Anders Svor. A Igreja de
Hornindal está localizada na vila. As indústrias localizadas na área de Grodås
incluem a fabricação de madeira e móveis, bem como a construção de casas de
férias. Antes de 2020, a aldeia era o centro administrativo do antigo município
de Hornindal. A rodovia europeia E39 passa perto do lago. É a designação de uma
estrada Norte-sul de 1.330 Km na Noruega e na Dinamarca de Klett, ao Sul de
Trondheim, até Aalborg via Bergen, Stavanger e Kristiansand. No total, existem
nove ferries, mais do que qualquer outra estrada na Europa. A vila de
Heggjabygda e a Igreja de Heggjabygda ficam na margem Norte do lago. Seu volume
é estimado em 12 km³ (2,9 milhas cúbicas), sua área é de 51 km² (20 milhas
quadradas) e ocupa o 19º lugar em área entre os lagos da Noruega. O principal
afluente é o rio Eidselva, que deságua no Eidsfjorden, um braço do Nordfjorden
principal. O ponto mais profundo do lago foi explorado usando um Remotely
Operated Vehicles em 2006. Um pequeno peixe branco foi descoberto no fundo
do lago, provavelmente representando “uma nova espécie de truta ártica (Salvelinus
alpinus)”. Anteriormente, também havia sido localizado no Lago Tinn, o
terceiro lago mais profundo da Noruega. O lago é o local da Maratona
Hornindalsvatnet, realizada anualmente em julho.
Mas é algo que ainda permanece um tanto obscuro
para a compreensão da concepção antropogeográfica de Friedrich Ratzel. Em
primeiro lugar, como o Estado não é concebível sem território e sem fronteiras,
considera-se, entretanto, como fora de dúvida que o Estado não pode existir sem
um solo. Abstraí-lo numa teoria do Estado é uma tentativa vã que nunca pode ter
êxito senão de modo passageiro. A maior parte dos sociólogos, inferia Ratzel,
“estuda o homem como se ele tivesse formado no ar”, sem laços com a terra. O
erro dessa concepção salta aos olhos, é verdade, no que concerne às formas
inferiores da sociedade, porque sua extrema simplicidade faz com que sejam
semelhantes às formas mais elementares do Estado. Se os tipos mais simples de
Estado são irrepresentáveis sem um solo que lhes pertença, assim também deve
ser com os tipos mais simples de sociedade, a conclusão se impõe. Num e noutro
caso, a dependência em relação ao solo é um efeito, de causas do todo gênero
que ligam o homem à terra. Assim, fora de dúvida, o papel do solo aparece com
mais evidência na história dos Estado enquanto práticas e saberes sociais na
história das sociedades, e devido aos espaços mais consideráveis de que o
Estado tem “necessidade de existir”.
A geografia é uma
ciência que estuda a relação entre a Terra e seus habitantes. Os geógrafos
querem saber onde e como vivem os homens, as plantas e os animais; onde se
localizam os rios, os lagos, as montanhas e as cidades. A palavra geografia vem
do grego geographía (γεογραπηία), que significa descrição da Terra. A geografia
depende do compartilhamento de outras áreas do conhecimento técnico-científico.
Utiliza os dados da química, da geologia, da matemática, da história, da
física, da astronomia, da antropologia e da biologia e principalmente da
ecologia, pois tanto a Ecologia como a Geografia são estudos e pesquisas com
objetos abstratos interrelacionados, porque estão interessados com as análises
biológicas, com as análises de fatores geológicos e dos ciclos biogeoquímicos
dos ecossistemas, da relação entre os seres vivos e a utilidade de uso do
ambiente como sobrevivência. Os geógrafos utilizam inúmeras técnicas, como
viagens, leituras e estudo de estatísticas. Os mapas são seu instrumento
etnográfico e meio de expressão mais importante. Além de estudar mapas, os
geógrafos os atualizam como pesquisas especializadas, aumentando o campo de
reconhecimento geográfico.
O homem sempre precisou
e se utilizou do conhecimento geográfico. Os povos pré-históricos tinham de
encontrar cavernas para habitar e reservas regulares de água para a manutenção
da existência na vida cotidiana. Tinham também de morar perto de um lugar onde
pudessem caçar. Caverna, gruta ou furna é toda cavidade natural rochosa com
dimensões que permitam acesso aos seres humanos. Os termos relativos a caverna
geralmente utilizam a raiz espeleo -, derivada do latim spelaeum, do grego
σπήλαιον, “caverna”, da mesma raiz da palavra espelunca. As cavernas são também
estudadas pela espeleologia, uma ciência multidisciplinar que envolve análises
simultâneas e comparativamente através da geologia, hidrologia, biologia,
paleontologia e arqueologia. Sabiam localizar “os rastros dos animais e as
trilhas dos inimigos”. Usavam carvão ou argila colorida para desenhar mapas
primitivos de sua região nas paredes das cavernas ou nas peles secas dos
animais. O homem aprendeu a lavrar a
terra e a domesticar os animais. As leis de evolução geográfica da sociedade
são menos fáceis de se perceber no desenvolvimento da família e da sociedade
que no desenvolvimento do Estado; e o são porque aquelas estão mais enraizadas
ao solo e mudam menos facilmente do que este.
É mesmo um dos fatos mais consideráveis da história a força com a qual a sociedade permanece fixada ao solo, mesmo quando o Estado romano morre, o povo romano lhe sobrevive sob a forma de grupos sociais de todo tipo e é pelo intermédio desses grupos que se transmitiram à posteridade uma multiplicidade de propriedades que o povo havia adquirido no Estado e pelo Estado. Quer seja o homem considerado isolado ou em grupo (família, tribo ou Estado), por toda parte em que se observar se encontrará algum pedaço de terra que pertence ou à sua pessoa ou ao grupo de que ele faz pare. No que diz respeito ao Estado a geografia política após longo tempo se habituou a levar em consideração a dimensão do território ao lado da cifra da população. Mesmo os grupos, como a tribo, a família, a comuna, que não são unidades políticas autônomas, somente são possíveis sobre um solo, e seu desenvolvimento não pode ser compreendido senão com respeito a esse solo; assim como o progresso do Estado é inteligível se não estiver relacionado com o progresso do domínio político. Estamos na presença de organismos que entram em intercâmbio mais ou menos durável com a terra, no curso que se troca entre eles e a terra todo gênero de ações e de reações. E quem venha a supor que um povo em vias de crescimento, a importância do solo não seja tão evidente, que observe no momento da decadência e da dissolução. Não se pode entender nada a respeito do que então ocorre se não for considerado o solo.
Um povo regride quando
perde território. Ele pode contar com menos cidadãos e conservar ainda muito
solidamente o território onde se encontram as fontes de sua vida. Mas se seu
território se reduz, é, de um amaneira geral, o começo do fim. Quer dizer, sob
variações diversas, a relação da sociedade com o solo permanece sempre
condicionada por uma dupla necessidade: a da habitação e a da alimentação. A
necessidade que tem por objeto a habitação é de tal modo simples que dela
resultou, entre o homem e o solo, uma relação que permaneceu quase invariável
no tempo. Em nossas capitais, os representantes da mais alta civilização que já
existiu dispõem, para suas habitações, de menor lugar que os habitantes,
miseráveis de um Kraal hotentote. As habitações ente as quais há mais diferença
são, de um lado, aqueles dos pastores nômades, com a extrema mobilidade
necessária às migrações contínuas da vida pastoril, e, de outro, os
apartamentos amontoados nos enormes edifícios de nossas grandes cidades. E,
todavia, os próprios nômades estão ligados ao solo, ainda que os laços que os
ligam e ele sejam mais fracos, que aqueles da sociedade de vida sedentária.
Eles têm a necessidade de mais espaço para se mover, mas voltam a ocupar os
mesmos locais. Portanto, não existe apoio para se opor os nômades a todos os
outros povos sedentários, tomados em bloco, pela única razão de que após uma
estada de alguns meses no local, o nômade levanta sua tenda e a transmita, no
dorso de seu camelo, para algum outro negar, de pastagem. Essa diferença nada
tem de essencial, não em, mesmo, a importância daquela resultante de grande
mobilidade, de sua necessidade de espaço, consequência da vida pastoril.
De resto, não é entre
os pastores que a ligação com o solo está em seu mínimo, com efeito eles
retornam sempre às mesmas pastagens. Ela é muito mais fraca entre os
agricultores da África tropical e das Américas que, a cada dois anos
aproximadamente, deixam seus campos de milho de mandioca para a eles nunca mais
retornar. E ela é menos ainda entre aqueles que, por medo dos povos que ameaçam
sua existência, não ousam se ligar muito fortemente à terra. Entretanto, uma
classificação superficial não inclui tais sociedades, entre os nômades. Se se
classificar os povos segundo a força com que aderem ao solo, é preciso colocar
decididamente no nível mais baixo os pequenos caçadores da África central e da
Ásia do sudoeste, assim como aqueles grupos que se encontram errante em toda
espécie de sociedade, sem que um solo determinado lhes seja destinado em
particular, por exemplo, os boêmios da Europa, os Fetths do Japão. Os australianos, os habitantes da Terra do
Fogo, os esquimós que para suas caçadas, para suas coletas de raízes, procuram
sempre intuitivamente certas localidades, o que delimitam seus territórios como
sobrevivência de caça, estão a um nível mais elevado. Mais acima, se encontram
os agricultores nômades dos países tropicais, depois, os povos pastores que,
nas diferentes regiões da Ásia, há séculos se mantém sobre o mesmo solo. E é,
então que vêm os agricultores sedentários, estabelecidos em algumas aldeias
fixas, e os povos civilizados, igualmente sedentários, dos quais a cidade é
como que o símbolo.
Uma multiplicidade de
fenômenos sociais que têm sua causa na necessidade, primitiva e premente, da
alimentação. E para se explicar esse fato, não é necessário, se recorrer à
teoria da “urgência” de que fala Lacombo, segundo a qual as instituições mais
primitivas o mais fundamentais seriam aqueles que respondem às necessidades
mais urgentes. Quanto mais se utiliza o solo apenas de uma maneira passageira,
a fixação a le se dá apenas de uma maneira também passageira. Quanto mais as
necessidades da habitação e da alimentação ligam-se estreitamente a sociedade à
terra, tanto mais, é precisamente a necessidade fundamentada de nela se manter.
É dessa maneira que o Estado tira suas melhores forças. A tarefa do Estado, no
que concerne ao solo, permanece sempre a mesma em princípio: “o Estado protege
o território contra ataques externos que tendem a diminuí-lo”. No mais alto
grau de evolução política, segundo Ratzel, a defesa das fronteiras não é a
única a servir esse objetivo; o comércio, o desenvolvimento de todos os
recursos que contém o solo, numa palavra, tudo aquilo que pode aumentar o poder
do estado a isso concorre igualmente. A defesa do território (pays) é o
fim último que se persegue por todos esses meios. Essa mesma necessidade de
defesa e também o resultado do mais notável desenvolvimento que apresente a
história das relações do Estado com o solo, isto é, ao crescimento, porque ele
tende finalmente a fortalecer-se e fazer recuar os Estados vizinhos.
Uma sociedade grande ou pequena, exuberante ou escassa de relevo, busca manter integralmente o solo sobre o qual vive e do qual vive. Logo
venha a se assegurar dessa tarefa imediata ela se transforma em Estado.
O nomadismo tem como representação social a prática
dos povos nômades ou nômadas, ou seja, que não têm uma habitação fixa, que
vivem permanentemente mudando de lugar. Usualmente são os povos do tipo
caçadores-coletores ou pastores, mudando-se a fim de buscar novas pastagens
para o gado, quando se esgota aquela em que estavam. Os nômades não se dedicam
à agricultura e frequentemente ignoram fronteiras nacionais na sua busca por
melhores pastagens. A maioria dos antigos povos nômades tornaram-se sedentários
com a descoberta da agricultura. No entanto, ainda hoje subsistem sociedades
nômades, como algumas tribos de tuaregues do Saara. O nomadismo na economia
recoletora era motivado pela deslocação das populações que, na procura
constante de alimentos, acompanhavam as movimentações dos próprios animais que
pretendiam caçar, procuravam os locais onde existiam frutos ou plantas para
recolher ou necessitavam de se defender das condições climáticas ou dos
predadores. Este tipo de nomadismo manteve-se entre as comunidades que
persistiram no modo de produção recoletor. Há uma diferença essencialmente básica
na natureza entre este tipo de nomadismo e o nomadismo coincidente com o início
da criação de gado. Alguns povos, seja por razões de natureza
ambiental ou por ao longo dos anos se terem afastado dos agricultores,
preferiram um tipo de vida dedicado à criação de ovelhas,
cabras, bovinos e outros animais.
A pastorícia implica
uma frequente deslocação dos animais criados em função dos recursos naturais
existentes ou para possibilitar a renovação da flora. Em consequência da sua
constante mobilidade, os nómadas não produziam, em geral, qualquer espécie de cerâmica,
que tinham de obter por troca. Na Ásia Central e Setentrional optou e continuou
com o seu estilo de vida característico dos nômadas, mudando frequentemente os
seus locais de acampamento. Ampliou-se com o avanço e a diversificação da
criação de gado e tem sobrevivido até aos nossos dias sem modificações
assinaláveis. É o caso das tribos nômadas mongóis, a viverem em regiões onde a
vegetação típica das estepes proporciona boas pastagens com condições naturais
para a manutenção de grandes rebanhos. Na Índia uma cultura nómada de caçadores
destacou-se na domesticação e criação de animais. Grupos de pequenas famílias
ou comunidades, atravessavam os rios utilizando jangadas, cobriam o corpo com
peles de animais e usavam equipamento de caça como o arco e a flecha com
micrólitos na ponta. No Saara uma economia de pastoreio nómada mais
desenvolvida pode ter sido também uma consequência da desertificação crescente.
Na África Oriental, fenômenos como a dessecação dos lagos, onde eram abundantes
os recursos alimentares, alterou a fixação das populações que passaram a um
regime de pastoreio nômada que permaneceu até tempos recentes.
Bibliografia Geral Consultada.
BRUMAT, Cristina, “Quali Interconnessioni Tra Sociologia e Geografia?”. In: Studi di Sociologia, 1994, 32 (2), pp. 177-189; DEBUS, Allen George, El Hombre y la Naturaleza en el Renacimiento. México: Fondo de Cultura Económica, 1996; GEERTZ, Clifford, Mondo Globale, Mondi Locali. Cultura e Política alla Fine del Ventesimo Secolo. Traduttore A. G. Michler. Bolonha: Editore Il Mulino, 1999; GÓRGIAS, “Tratado do Não-Ente. Elogio de Helena”. Tradução, Introdução e Comentários de Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho. In: Cadernos de Tradução, nº 4. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1999; SANTOS, Milton, A Natureza do Espaço - Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 3ª edição. São Paulo: Editor Hucitec, 1999; WALKER, Jeffrey, Rhetoric and Poetics in Antiquity. Nova York: Oxford University Press, 2000; THOMAS, Keith, O Homem e o Mundo Natural: Mudanças de Atitude em Relação às Plantas e aos Animais (1500-1800). São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2010; ELSTER, Jon, An Introduction to Karl Marx. Cambridge: Cambridge University Press, 2012; HARVEY, Adrian, Introducing Geomorphology. A Guide to Landforms and Processes. Edinburgh: Dunedin Academic Press, 2012; GENNEP, Arnold van, Os Ritos de Passagem: Estudo Sistemático dos Ritos da Porta e da Soleira, da Hospitalidade, da Adoção, Gravidez e Parto, Nascimento, Infância, Puberdade, Iniciação, Coroação, Noivado, Casamento, Funerais, Estações, etc. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2013; BURKE, Peter, O Que é História Cultural? Rio de Janeiro: Editor Zahar, 2014; DELEUZE, Gilles, Diferença e Repetição. 1ª edição. Rio de Janeiro; São Paulo: Editora Paz e Terra, 2018; GIRALDIN, Maíra Machado, Resistência à Dessecação e Morfologia de Ovos de Odonata Neotropicais. Dissertação de Mestrado. Instituto de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2020; AMARAL PENHA, Diego, Faces do Horror em Freud: Palavras, Gestos e Imagens. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2021; GROIZELEAU, Vincent, “Robots Sous-marins: La Marine Nationale va se Doter d’une Flotte de Micro-rov”. Disponível em: https://www.meretmarine.com/fr/18/07/2025; entre outros.
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