sábado, 15 de fevereiro de 2025

O Lago Hornindalsvatnet – Rota Europeia & Natureza em Movimento.

                     Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago. O lago comeu-a. Sorriu ondulações”. Hermógenes                      

            

         A rota europeia E39 designa uma estrada de 1.330 km (830 milhas) no sentido Norte-sul, na Noruega e na Dinamarca, que liga Klett, a Sul de Trondheim, a Aalborg, passando por Bergen, Stavanger e Kristiansand. No total, existem nove ferries, mais do que qualquer outra estrada na Europa. Em Trondheim, há ligações com as linhas E6 e E14; em Ålesund, com a E136; em Bergen, com a E16; em Haugesund, com a E134; em Kristiansand, com a E18; e em Aalborg, com a E45. Na Noruega, a E39 faz parte do sistema rodoviário nacional norueguês e, como tal, é desenvolvida e mantida pela administração de estradas públicas. A E39 é principalmente uma estrada de duas faixas sem divisão, e apenas trechos relativamente curtos perto de Stavanger, Trondheim e Bergen são autoestradas ou semi-autoestradas. Em 1786, foi tomada uma decisão real para estabelecer uma rota postal entre Bergen e Trondheim. Desde o estabelecimento do correio na Noruega em 1647 até então, toda a correspondência entre essas cidades passava por Oslo. Inicialmente, a rota era, em grande parte, transitável apenas a pé ou a cavalo, mas nas décadas seguintes “foi reconstruída para permitir a circulação de carruagens”. Vários trechos, porém, exigiam o uso de barco. A decisão de 1786 também incluiu uma rota postal entre Stavanger e Bergen. Em 1858, o correio foi redirecionado para os recém-criados navios a vapor Bergen-Vadheim, e a rota do correio mudou para Vadheim – Sande – Førde. 

Rogfast, que será o túnel rodoviário subaquático mais profundo e mais longo do mundo, com 27 quilômetros (17 milhas) de comprimento e 392 metros (1.286 pés) de profundidade, teve sua construção iniciada (primeira detonação) em 2018 e deverá ser inaugurado em 2033. Está previsto que todo o percurso entre Stavanger e Kristiansand seja reconstruído em uma autoestrada de quatro faixas antes de 2035, restando, no total, 144 quilômetros (89 milhas) a serem construídos (dados de 2021). Existem planos para substituir todas as ligações de ferry por ligações fixas. Existem sete, mas cada uma apresenta um desafio técnico dispendioso, uma vez que os fiordes são largos e muito profundos, e têm encontrado resistência pública. Além de Rogfast, dois projetos têm um cronograma, embora atrasado. Hordfast (ao Sul de Bergen) é priorizada por ter o maior número de balsas, cinco em operação, e o segundo maior tráfego de veículos depois de Rogfast, apesar de ser provavelmente a travessia tecnicamente mais desafiadora de todas. Está planejada uma ponte flutuante de cinco quilômetros de extensão sobre Bjørnafjorden, um novo recorde mundial, em uma área tempestuosa, com espaço livre para o tráfego de navios abaixo. E uma ponte suspensa sobre Langenuen com um vão de 1.700 metros (5.600 pés), uma das mais longas do mundo. O custo total de Hordfast é estimado em 37 bilhões de coroas norueguesas (US$ 4,31 bilhões), em parte pagos por pedágios rodoviários de cerca de 400 coroas norueguesas. Os padrões concluídos em 2023 e a obra na década de 2030. 

Uma travessia do Romsdalsfjorden (Ålesund–Molde), com túnel submarino de 16 quilômetros (9,9 milhas) de extensão e uma ponte suspensa de 2.000 metros de comprimento e 1.650 metros de vão. O início da construção está previsto para cerca de 2030. As quatro travessias de fiorde restantes são incertas, mas estão sendo investigadas. Sognefjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante com 4 km de extensão. Nordfjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte suspensa com 1,8 km de comprimento e 1,5 km de vão. Sulafjorden e Vartdalsfjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante de 4 km de extensão, além de uma ponte suspensa de 2 km. Halsafjorden: está sendo considerada a construção de uma ponte flutuante com 3 km de extensão. Um ferry internacional para carros é operado pela Color Line e pela Fjord Line (sazonalmente). Partindo da Noruega, a E39 segue de ferry de Kristiansand para Hirtshals, no norte da Dinamarca. Os ferries são operados pelas empresas Color Line e Fjord Line. A autoestrada liga o Sul de Hirtshals ao Norte de Aalborg. Lago representa uma área cheia de água localizada em uma bacia cercada por terra e separada de qualquer rio ou outra saída que sirva para alimentar ou drenar a comunicação no lago. Ficam em terra e não fazem parte do oceano, embora, como os oceanos muito maiores, façam parte do ciclo da água da Terra. Os lagos são distintos das lagoas, que são partes costeiras do oceano.                                 


Os lagos são geralmente maiores e mais profundos do que as lagoas, que também ficam em terra, embora não haja definições técnicas e sociais, oficiais ou científicas. Lagos podem ser contrastados com rios ou córregos, que geralmente fluem em um canal em terra. A origem dos lagos é variável e depende da geomorfologia do terreno. Em zonas como a Antártida, podem existir lagos sub-glaciares, isto é, debaixo do gelo, como o Lago Vostok. Geologicamente, a maior parte dos lagos da Terra é recente. Os resultados naturais da erosão tendem a eliminar pelo menos um dos lados da bacia que contém o lago, tal como acontece no lago Baikal, que se estima ter entre 25 e 30 milhões de anos. Há um número de processos naturais que formam os lagos. Um levantamento tectônico recente de uma cordilheira pode criar depressões que acumulam água e formam os lagos. O avanço e recuo dos glaciares pode também formar depressões na superfície. Do ponto de vista geográfico tais lagos são comuns na Escandinávia, Sibéria e Canadá. Os lagos podem também ser formados por meio de deslizamento de terras ou por bloqueios glaciares. Um exemplo deste último ocorreu durante a última Idade do Gelo no estado norte-americano de Washington, quando um enorme lago se formou.

Os lagos salgados formam-se onde não existe escoamento natural ou onde a água se evapora rapidamente. Exemplos destes são o Grande Lago Salgado, o Mar Cáspio, o Mar de Aral e o Mar Morto. Os lagos pequenos com forma de arco ou crescente poderão formar-se nos vales de cursos de água como resultado da existência de meandros. Rios com baixa velocidade da água tomam formas sinuosas e os lados externos das curvas são erodidos mais rapidamente que os internos. Eventualmente uma forma semelhante a uma ferradura é formada e o rio muda o seu leito por uma nova passagem, fazendo surgir na zona da antiga passagem um lago arqueado. O lago Vostok é um lago subglacial da Antártica, possivelmente o maior do mundo. A pressão do gelo e da composição química interna sugerem que se o lago fosse furado, poderia resultar numa fissura que daria origem a um geyser. Alguns lagos, em análise comparada, como ocorre com o Baikal e o Tanganica estão em zonas de rift continental, e são criados por subsidência da crosta à medida que duas placas tectónicas são friccionadas. Estes são os lagos mais antigos e mais profundo do mundo, e tornar-se-ão oceanos dentro de milhões de anos. Por exemplo, julga-se que o Mar Vermelho teve origem num lago de vale de rift continental. Os vulcões podem criar lagos. Um exemplo é a Caldeira das Sete Cidades, nos Açores.

A Noruega tem 20.000 lagos maiores que 0,1 km² (100.000 m²; 25 acres) e, usando esse limite de medição, a Noruega ocupa o sétimo lugar entre os países com mais lagos no mundo. No entanto, existem pelo menos 450.000 lagos de água doce na Noruega. A maioria foi criada pela erosão glacial. A erosão é a ação de processos superficiais, como o fluxo de água ou o vento que removem solo, rocha ou material dissolvido de um local na crosta terrestre e o transportam para outro local onde é depositado. A erosão é, comparativamente, distinta do intemperismo, que não envolve movimento. A remoção de rocha ou solo como sedimento clástico é denominada erosão física ou mecânica; isso contrasta com a erosão química, onde o solo ou o material rochoso é removido de uma área por dissolução. Sedimentos ou solutos erodidos podem ser transportados por apenas alguns milímetros ou por milhares de quilômetros. Os agentes de erosão incluem tipologicamente a precipitação; o desgaste do leito rochoso em rios; a erosão costeira pelo mar e pelas ondas; o arrancamento glacial, a abrasão e a erosão; as inundações; a abrasão eólica; os processos de águas subterrâneas; e os processos de movimento de massa em paisagens íngremes, como deslizamentos de terra e fluxos de detritos. As taxas com que esses processos atuam controlam a velocidade com que uma superfície é erodida.

Normalmente, os especialistas admitem por que a erosão física ocorre mais rapidamente em superfícies com declives acentuados, e as taxas também podem ser sensíveis a algumas propriedades controladas pelo clima, incluindo a quantidade de água fornecida, por exemplo, pela chuva, a intensidade das tempestades, a velocidade do vento, o alcance das ondas ou a temperatura atmosférica especialmente para alguns processos relacionados ao gelo). Também são possíveis retroalimentações entre as taxas de erosão e a quantidade de material erodido que já foi transportado, por exemplo, por um rio ou geleira. O transporte de materiais erodidos de sua localização original é seguido pela deposição, que é a chegada in statu nascendi, e o assentamento do material em um novo local. A precipitação, e o escoamento superficial que pode resultar da precipitação, produz quatro tipos principais de erosão do solo: erosão por impacto de gotas de chuva, erosão laminar, erosão em sulcos e erosão em ravinas. A erosão por impacto de gotas de chuva é geralmente vista como o primeiro e menos severo estágio no processo de erosão do solo, que é seguido pela erosão laminar, depois pela erosão em sulcos e finalmente pela erosão em ravinas sendo a mais severa das quatro. Na erosão por impacto, o impacto de uma gota de chuva que cai cria uma pequena cratera no solo, ejetando partículas de solo.

A distância que essas partículas de solo percorrem pode chegar a 0,6 metros (2,0 pés) verticalmente e 1,5 metros (4,9 pés) horizontalmente em terreno plano. Se o solo estiver saturado, ou se a taxa de precipitação for maior do que a taxa na qual a água pode infiltrar-se no solo, ocorre escoamento superficial. Se o escoamento tiver energia de fluxo suficiente, ele transportará partículas de solo soltas (sedimento) pela encosta. A erosão laminar é o transporte de partículas de solo soltas pelo escoamento superficial. A erosão em sulcos refere-se ao desenvolvimento de pequenos caminhos de fluxo concentrado efêmeros que funcionam como sistemas de fonte e transporte de sedimentos para a erosão em encostas. Geralmente, onde as taxas de erosão hídrica em áreas de planalto perturbadas são maiores, os sulcos estão ativos. As profundidades do fluxo nos sulcos são tipicamente da ordem de alguns centímetros (cerca de uma polegada) ou menos e as inclinações ao longo do canal podem ser bastante íngremes. Isso significa que os sulcos exibem uma física hidráulica muito diferente da água que flui pelos canais mais profundos e largos de riachos e rios. A erosão em ravinas ocorre quando a água de escoamento se acumula e flui rapidamente em canais estreitos durante ou imediatamente após chuvas fortes ou derretimento de neve, removendo o solo a uma profundidade considerável.

Uma ravina se distingue de um sulco com base em uma área de seção transversal crítica de pelo menos um pé quadrado, ou seja, o tamanho de um canal que não pode mais ser eliminado por meio de operações normais de cultivo. A erosão extrema em ravinas pode progredir para a formação de badlands. Estas formam-se em condições de alto relevo sobre leito rochoso facilmente erodido em climas favoráveis ​​à erosão. Condições ou perturbações que limitam o crescimento da vegetação protetora (rexistasia) são um elemento chave da formação de badlands. O riacho Dobbingstone Burn, na Escócia, mostra dois tipos diferentes de erosão afetando o mesmo local. A erosão do vale ocorre devido ao fluxo do riacho, e os pedregulhos e pedras e grande parte do solo que se encontram nas margens são depósitos glaciais deixados para trás pelo avanço das geleiras da era glacial sobre o terreno. A erosão de vales ou cursos d`água ocorre com o fluxo contínuo de água de uma feição linear. As feições lineares são formadas principalmente pela ação de forças tectônicas, que atuam na crosta terrestre e causam deformações nas rochas. A erosão é tanto descendente, aprofundando o vale, quanto regressiva, estendendo o vale para a encosta, criando cortes de cabeceira e margens íngremes. No estágio inicial da erosão fluvial, a atividade erosiva é predominantemente vertical, os vales têm uma seção transversal típica em forma de V e o gradiente do curso d`água é íngreme.

Quando um certo nível de base é atingido, a atividade erosiva muda para erosão lateral, que alarga o fundo do vale e cria uma planície de inundação estreita. O gradiente do curso d'água torna-se quase plano e a deposição lateral de sedimentos torna-se importante à medida que o curso d'água serpenteia pelo fundo do vale. Em todos os estágios da erosão fluvial, a maior parte da erosão ocorre durante as cheias, quando há água disponível e com maior velocidade para transportar carga sedimentar maior. Nesses processos de atividade erosiva, não é apenas a água que erode: partículas abrasivas em suspensão, seixos e pedregulhos também podem agir erosivamente ao atravessarem uma superfície, em um processo conhecido como tração. A erosão das margens é o desgaste das margens de um córrego ou rio. Se distingue das mudanças no leito do curso d`água, que são chamadas de erosão superficial e as mudanças na forma das margens do rio podem ser medidas inserindo hastes de metal na margem e marcando a posição da superfície da margem das hastes em diferentes momentos. A erosão térmica resulta do derretimento e enfraquecimento do permafrost devido à água em movimento. Pode ocorrer tanto ao longo de rios como na costa.

A rápida migração do leito do rio observada no rio Lena, na Sibéria, deve-se à erosão térmica, uma vez que essas porções das margens são compostas de materiais não coesivos cimentados por permafrost. Grande parte dessa erosão ocorre quando as margens enfraquecidas desmoronam em grandes deslizamentos. A erosão térmica também afeta a costa do Ártico, onde a ação das ondas e as temperaturas próximas à costa se combinam para erodir os taludes de permafrost ao longo desenvolvido da linha costeira e causar seu desmoronamento. As taxas anuais de erosão ao longo de um segmento de 100 quilômetros (62 milhas) da costa do Mar de Beaufort apresentaram uma média de 5,6 metros (18 pés) por ano, de 1955 a 2002. A maior parte da erosão fluvial ocorre perto da foz do rio. Em uma curva, a observação indica que o lado mais longo e menos acentuado da curva tem águas mais lentas, sendo onde os depósitos se acumulam. Na análise comparativamente que ocorre no lado mais estreito e acentuado da curva, as águas correm mais rápido, e por isso essa margem tende a sofrer maior erosão. A erosão rápida por um grande rio pode remover sedimentos suficientes para produzir um anticlinal fluvial, à medida que o rebote isostático eleva geologicamente camadas rochosas livres da erosão das camadas sobrejacentes. Hornindalsvatnet é o lago mais profundo da Noruega e da Europa, e o décimo quarto lago mais profundo do mundo contemporaneamente, medido oficialmente a uma profundidade de 514 metros (1.686 pés). Sua superfície fica a 53 metros (174 pés) acima do nível do mar, demonstrando o que significa que seu fundo está a 461 metros (1.512 pés) abaixo do nível abstrato do mar. A vila de Grodås fica na extremidade Leste do lago, no município de Volda, condado de Møre og Romsdal, e a vila de Mogrenda está na extremidade Oeste do lago de Stad, condado de Vestland.  

A aldeia de 0,66 km² (160 acres) tem uma população (2024) de 503 habitantes e uma densidade populacional de 762 habitantes por quilômetro quadrado (1970/sq mi). A área da vila é um destino turístico, com o ambiente natural, as montanhas e o lago servindo de atração turística. Também abriga o Museu Anders Svor. A Igreja de Hornindal está localizada na vila. As indústrias localizadas na área de Grodås incluem a fabricação de madeira e móveis, bem como a construção de casas de férias. Antes de 2020, a aldeia era o centro administrativo do antigo município de Hornindal. A rodovia europeia E39 passa perto do lago. É a designação de uma estrada Norte-sul de 1.330 Km na Noruega e na Dinamarca de Klett, ao Sul de Trondheim, até Aalborg via Bergen, Stavanger e Kristiansand. No total, existem nove ferries, mais do que qualquer outra estrada na Europa. A vila de Heggjabygda e a Igreja de Heggjabygda ficam na margem Norte do lago. Seu volume é estimado em 12 km³ (2,9 milhas cúbicas), sua área é de 51 km² (20 milhas quadradas) e ocupa o 19º lugar em área entre os lagos da Noruega. O principal afluente é o rio Eidselva, que deságua no Eidsfjorden, um braço do Nordfjorden principal. O ponto mais profundo do lago foi explorado usando um Remotely Operated Vehicles em 2006. Um pequeno peixe branco foi descoberto no fundo do lago, provavelmente representando “uma nova espécie de truta ártica (Salvelinus alpinus)”. Anteriormente, também havia sido localizado no Lago Tinn, o terceiro lago mais profundo da Noruega. O lago é o local da Maratona Hornindalsvatnet, realizada anualmente em julho. A questão do solo do ponto de vista teórico e metodológico, e em alguma medida o debate na teoria sobre o “determinismo ambiental”

          

Mas é algo que ainda permanece um tanto obscuro para a compreensão da concepção antropogeográfica de Friedrich Ratzel. Em primeiro lugar, como o Estado não é concebível sem território e sem fronteiras, considera-se, entretanto, como fora de dúvida que o Estado não pode existir sem um solo. Abstraí-lo numa teoria do Estado é uma tentativa vã que nunca pode ter êxito senão de modo passageiro. A maior parte dos sociólogos, inferia Ratzel, “estuda o homem como se ele tivesse formado no ar”, sem laços com a terra. O erro dessa concepção salta aos olhos, é verdade, no que concerne às formas inferiores da sociedade, porque sua extrema simplicidade faz com que sejam semelhantes às formas mais elementares do Estado. Se os tipos mais simples de Estado são irrepresentáveis sem um solo que lhes pertença, assim também deve ser com os tipos mais simples de sociedade, a conclusão se impõe. Num e noutro caso, a dependência em relação ao solo é um efeito, de causas do todo gênero que ligam o homem à terra. Assim, fora de dúvida, o papel do solo aparece com mais evidência na história dos Estado enquanto práticas e saberes sociais na história das sociedades, e devido aos espaços mais consideráveis de que o Estado tem “necessidade de existir”.

A geografia é uma ciência que estuda a relação entre a Terra e seus habitantes. Os geógrafos querem saber onde e como vivem os homens, as plantas e os animais; onde se localizam os rios, os lagos, as montanhas e as cidades. A palavra geografia vem do grego geographía (γεογραπηία), que significa descrição da Terra. A geografia depende do compartilhamento de outras áreas do conhecimento técnico-científico. Utiliza os dados da química, da geologia, da matemática, da história, da física, da astronomia, da antropologia e da biologia e principalmente da ecologia, pois tanto a Ecologia como a Geografia são estudos e pesquisas com objetos abstratos interrelacionados, porque estão interessados com as análises biológicas, com as análises de fatores geológicos e dos ciclos biogeoquímicos dos ecossistemas, da relação entre os seres vivos e a utilidade de uso do ambiente como sobrevivência. Os geógrafos utilizam inúmeras técnicas, como viagens, leituras e estudo de estatísticas. Os mapas são seu instrumento etnográfico e meio de expressão mais importante. Além de estudar mapas, os geógrafos os atualizam como pesquisas especializadas, aumentando o campo de reconhecimento geográfico.     

O homem sempre precisou e se utilizou do conhecimento geográfico. Os povos pré-históricos tinham de encontrar cavernas para habitar e reservas regulares de água para a manutenção da existência na vida cotidiana. Tinham também de morar perto de um lugar onde pudessem caçar. Caverna, gruta ou furna é toda cavidade natural rochosa com dimensões que permitam acesso aos seres humanos. Os termos relativos a caverna geralmente utilizam a raiz espeleo -, derivada do latim spelaeum, do grego σπήλαιον, “caverna”, da mesma raiz da palavra espelunca. As cavernas são também estudadas pela espeleologia, uma ciência multidisciplinar que envolve análises simultâneas e comparativamente através da geologia, hidrologia, biologia, paleontologia e arqueologia. Sabiam localizar “os rastros dos animais e as trilhas dos inimigos”. Usavam carvão ou argila colorida para desenhar mapas primitivos de sua região nas paredes das cavernas ou nas peles secas dos animais.  O homem aprendeu a lavrar a terra e a domesticar os animais. As leis de evolução geográfica da sociedade são menos fáceis de se perceber no desenvolvimento da família e da sociedade que no desenvolvimento do Estado; e o são porque aquelas estão mais enraizadas ao solo e mudam menos facilmente do que este.

É mesmo um dos fatos mais consideráveis da história a força com a qual a sociedade permanece fixada ao solo, mesmo quando o Estado romano morre, o povo romano lhe sobrevive sob a forma de grupos sociais de todo tipo e é pelo intermédio desses grupos que se transmitiram à posteridade uma multiplicidade de propriedades que o povo havia adquirido no Estado e pelo Estado. Quer seja o homem considerado isolado ou em grupo (família, tribo ou Estado), por toda parte em que se observar se encontrará algum pedaço de terra que pertence ou à sua pessoa ou ao grupo de que ele faz pare. No que diz respeito ao Estado a geografia política após longo tempo se habituou a levar em consideração a dimensão do território ao lado da cifra da população. Mesmo os grupos, como a tribo, a família, a comuna, que não são unidades políticas autônomas, somente são possíveis sobre um solo, e seu desenvolvimento não pode ser compreendido senão com respeito a esse solo; assim como o progresso do Estado é inteligível se não estiver relacionado com o progresso do domínio político. Estamos na presença de organismos que entram em intercâmbio mais ou menos durável com a terra, no curso que se troca entre eles e a terra todo gênero de ações e de reações. E quem venha a supor que um povo em vias de crescimento, a importância do solo não seja tão evidente, que observe no momento da decadência e da dissolução. Não se pode entender nada a respeito do que então ocorre se não for considerado o solo.

Um povo regride quando perde território. Ele pode contar com menos cidadãos e conservar ainda muito solidamente o território onde se encontram as fontes de sua vida. Mas se seu território se reduz, é, de um amaneira geral, o começo do fim. Quer dizer, sob variações diversas, a relação da sociedade com o solo permanece sempre condicionada por uma dupla necessidade: a da habitação e a da alimentação. A necessidade que tem por objeto a habitação é de tal modo simples que dela resultou, entre o homem e o solo, uma relação que permaneceu quase invariável no tempo. Em nossas capitais, os representantes da mais alta civilização que já existiu dispõem, para suas habitações, de menor lugar que os habitantes, miseráveis de um Kraal hotentote. As habitações ente as quais há mais diferença são, de um lado, aqueles dos pastores nômades, com a extrema mobilidade necessária às migrações contínuas da vida pastoril, e, de outro, os apartamentos amontoados nos enormes edifícios de nossas grandes cidades. E, todavia, os próprios nômades estão ligados ao solo, ainda que os laços que os ligam e ele sejam mais fracos, que aqueles da sociedade de vida sedentária. Eles têm a necessidade de mais espaço para se mover, mas voltam a ocupar os mesmos locais. Portanto, não existe apoio para se opor os nômades a todos os outros povos sedentários, tomados em bloco, pela única razão de que após uma estada de alguns meses no local, o nômade levanta sua tenda e a transmita, no dorso de seu camelo, para algum outro negar, de pastagem. Essa diferença nada tem de essencial, não em, mesmo, a importância daquela resultante de grande mobilidade, de sua necessidade de espaço, consequência da vida pastoril.

De resto, não é entre os pastores que a ligação com o solo está em seu mínimo, com efeito eles retornam sempre às mesmas pastagens. Ela é muito mais fraca entre os agricultores da África tropical e das Américas que, a cada dois anos aproximadamente, deixam seus campos de milho de mandioca para a eles nunca mais retornar. E ela é menos ainda entre aqueles que, por medo dos povos que ameaçam sua existência, não ousam se ligar muito fortemente à terra. Entretanto, uma classificação superficial não inclui tais sociedades, entre os nômades. Se se classificar os povos segundo a força com que aderem ao solo, é preciso colocar decididamente no nível mais baixo os pequenos caçadores da África central e da Ásia do sudoeste, assim como aqueles grupos que se encontram errante em toda espécie de sociedade, sem que um solo determinado lhes seja destinado em particular, por exemplo, os boêmios da Europa, os Fetths do Japão.  Os australianos, os habitantes da Terra do Fogo, os esquimós que para suas caçadas, para suas coletas de raízes, procuram sempre intuitivamente certas localidades, o que delimitam seus territórios como sobrevivência de caça, estão a um nível mais elevado. Mais acima, se encontram os agricultores nômades dos países tropicais, depois, os povos pastores que, nas diferentes regiões da Ásia, há séculos se mantém sobre o mesmo solo. E é, então que vêm os agricultores sedentários, estabelecidos em algumas aldeias fixas, e os povos civilizados, igualmente sedentários, dos quais a cidade é como que o símbolo.

Uma multiplicidade de fenômenos sociais que têm sua causa na necessidade, primitiva e premente, da alimentação. E para se explicar esse fato, não é necessário, se recorrer à teoria da “urgência” de que fala Lacombo, segundo a qual as instituições mais primitivas o mais fundamentais seriam aqueles que respondem às necessidades mais urgentes. Quanto mais se utiliza o solo apenas de uma maneira passageira, a fixação a le se dá apenas de uma maneira também passageira. Quanto mais as necessidades da habitação e da alimentação ligam-se estreitamente a sociedade à terra, tanto mais, é precisamente a necessidade fundamentada de nela se manter. É dessa maneira que o Estado tira suas melhores forças. A tarefa do Estado, no que concerne ao solo, permanece sempre a mesma em princípio: “o Estado protege o território contra ataques externos que tendem a diminuí-lo”. No mais alto grau de evolução política, segundo Ratzel, a defesa das fronteiras não é a única a servir esse objetivo; o comércio, o desenvolvimento de todos os recursos que contém o solo, numa palavra, tudo aquilo que pode aumentar o poder do estado a isso concorre igualmente. A defesa do território (pays) é o fim último que se persegue por todos esses meios. Essa mesma necessidade de defesa e também o resultado do mais notável desenvolvimento que apresente a história das relações do Estado com o solo, isto é, ao crescimento, porque ele tende finalmente a fortalecer-se e fazer recuar os Estados vizinhos. Uma sociedade grande ou pequena, exuberante ou escassa de relevo, busca manter integralmente o solo sobre o qual vive e do qual vive. Logo venha a se assegurar dessa tarefa imediata ela se transforma em Estado.

              

O nomadismo tem como representação social a prática dos povos nômades ou nômadas, ou seja, que não têm uma habitação fixa, que vivem permanentemente mudando de lugar. Usualmente são os povos do tipo caçadores-coletores ou pastores, mudando-se a fim de buscar novas pastagens para o gado, quando se esgota aquela em que estavam. Os nômades não se dedicam à agricultura e frequentemente ignoram fronteiras nacionais na sua busca por melhores pastagens. A maioria dos antigos povos nômades tornaram-se sedentários com a descoberta da agricultura. No entanto, ainda hoje subsistem sociedades nômades, como algumas tribos de tuaregues do Saara. O nomadismo na economia recoletora era motivado pela deslocação das populações que, na procura constante de alimentos, acompanhavam as movimentações dos próprios animais que pretendiam caçar, procuravam os locais onde existiam frutos ou plantas para recolher ou necessitavam de se defender das condições climáticas ou dos predadores. Este tipo de nomadismo manteve-se entre as comunidades que persistiram no modo de produção recoletor. Há uma diferença essencialmente básica na natureza entre este tipo de nomadismo e o nomadismo coincidente com o início da criação de gado. Alguns povos, seja por razões de natureza ambiental ou por ao longo dos anos se terem afastado dos agricultores, preferiram um tipo de vida dedicado à criação de ovelhas, cabras, bovinos e outros animais.

A pastorícia implica uma frequente deslocação dos animais criados em função dos recursos naturais existentes ou para possibilitar a renovação da flora. Em consequência da sua constante mobilidade, os nómadas não produziam, em geral, qualquer espécie de cerâmica, que tinham de obter por troca. Na Ásia Central e Setentrional optou e continuou com o seu estilo de vida característico dos nômadas, mudando frequentemente os seus locais de acampamento. Ampliou-se com o avanço e a diversificação da criação de gado e tem sobrevivido até aos nossos dias sem modificações assinaláveis. É o caso das tribos nômadas mongóis, a viverem em regiões onde a vegetação típica das estepes proporciona boas pastagens com condições naturais para a manutenção de grandes rebanhos. Na Índia uma cultura nómada de caçadores destacou-se na domesticação e criação de animais. Grupos de pequenas famílias ou comunidades, atravessavam os rios utilizando jangadas, cobriam o corpo com peles de animais e usavam equipamento de caça como o arco e a flecha com micrólitos na ponta. No Saara uma economia de pastoreio nómada mais desenvolvida pode ter sido também uma consequência da desertificação crescente. Na África Oriental, fenômenos como a dessecação dos lagos, onde eram abundantes os recursos alimentares, alterou a fixação das populações que passaram a um regime de pastoreio nômada que permaneceu até tempos recentes.

Bibliografia Geral Consultada.

BRUMAT, Cristina, “Quali Interconnessioni Tra Sociologia e Geografia?”. In: Studi di Sociologia, 1994, 32 (2), pp. 177-189; DEBUS, Allen George, El Hombre y la Naturaleza en el Renacimiento. México: Fondo de Cultura Económica, 1996; GEERTZ, Clifford, Mondo Globale, Mondi Locali. Cultura e Política alla Fine del Ventesimo Secolo. Traduttore A. G. Michler. Bolonha: Editore Il Mulino, 1999; GÓRGIAS, “Tratado do Não-Ente. Elogio de Helena”. Tradução, Introdução e Comentários de Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho. In: Cadernos de Tradução, nº 4. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1999; SANTOS, Milton, A Natureza do Espaço - Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 3ª edição. São Paulo: Editor Hucitec, 1999; WALKER, Jeffrey, Rhetoric and Poetics in Antiquity. Nova York: Oxford University Press, 2000; THOMAS, Keith, O Homem e o Mundo Natural: Mudanças de Atitude em Relação às Plantas e aos Animais (1500-1800). São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2010; ELSTER, Jon, An Introduction to Karl Marx. Cambridge: Cambridge University Press, 2012; HARVEY, Adrian, Introducing Geomorphology. A Guide to Landforms and ProcessesEdinburgh: Dunedin Academic Press, 2012; GENNEP, Arnold van, Os Ritos de Passagem: Estudo Sistemático dos Ritos da Porta e da Soleira, da Hospitalidade, da Adoção, Gravidez e Parto, Nascimento, Infância, Puberdade, Iniciação, Coroação, Noivado, Casamento, Funerais, Estações, etc. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2013; BURKE, Peter, O Que é História Cultural? Rio de Janeiro: Editor Zahar, 2014; DELEUZE, Gilles, Diferença e Repetição1ª edição. Rio de Janeiro; São Paulo: Editora Paz e Terra, 2018;  GIRALDIN, Maíra Machado, Resistência à Dessecação e Morfologia de Ovos de Odonata Neotropicais. Dissertação de Mestrado. Instituto de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2020; AMARAL PENHA, Diego, Faces do Horror em Freud: Palavras, Gestos e Imagens. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2021; GROIZELEAU, Vincent, “Robots Sous-marins: La Marine Nationale va se Doter d’une Flotte de Micro-rov”. Disponível em: https://www.meretmarine.com/fr/18/07/2025; entre outros.

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