segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Identidade & Legado Bourne - A Globalização Técnica da Genética.


                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga*
 
                        Não tenho medo de ser comparado com Matt Damon”. Jeremy Renner


O conceito sociológico de nomeado neutralidade axiológica é ambíguo. A palavra alemã correspondente, Wertfreiheit, significa, literalmente, “liberdade em relação aos valores”. O tradutor francês dos Essais sur la Théorie de la Science, de Max Weber (1965), e grande especialista deste autor, Julien Freund, optou corretamente pela expressão “neutralidade axiológica”. Com o princípio da “neutralidade axiológica”, Max Weber quis demonstrar, por um lado, que a ciência não podia excluir a intervenção dos valores nos seus procedimentos, e, por outro, que estes deviam ficar circunscritos pela utilização exclusiva que ela faz deles e pelo controle exclusivo que o cientista exerce sobre eles, em suma, que ela se devia proteger da intrusão ilegítima de valores, no âmbito da ciência, que implicariam avaliações práticas de ordem política ou moral. No filme a cientista dá conta do recado em cenas aparentemente inexequíveis, mas que fazem parte da mise-en-scène: portando armas, correndo e na garupa de motocicleta. Essa, por sinal, é exagerada, mas não pode ser reduzida sem prejuízo para o longa-metragem, na medida certa, que passa a ganhar ritmo. Outro momento curioso é o que envolve um lobo. Embora tenha rimado aqui no argumento, não desafina na telona.
A neutralidade axiológica significa que o fundamento da ciência não reside numa objetividade pura de ordem ideal, mas que depende sempre das escolhas valorativas do cientista. O apelo aos valores integra plenamente todo o procedimento científico, tendo em vista que a criação de conceitos ou de tipos ideais, assim como o estabelecimento de relações causais, depende de opções subjetivas últimas que refletem as crenças, as convicções ou as ideologias de cada cientista. Os conceitos nunca gozam de uma imparcialidade intrínseca e nunca são neutros no sentido de exprimirem uma relação objetiva válida para todos os lugares e em todos os tempos, mas representam simples pontos de vista cientificamente informados. Estas construções não são, no entanto, arbitrárias e não constituem, de forma nenhuma, a finalidade da ciência. No domínio da economia política, Marx metodologicamente inferia que a livre investigação científica não só se defronta com o mesmo inimigo presente em todos os outros domínios, mas também a natureza peculiar do material com que ela lida convoca ao campo de batalha as paixões mais violentas, mesquinhas e execráveis do coração humano, as fúrias do interesse privado. – Segui il tuo corso, e lascia dir le genti! A inevitável subjetividade que encontramos no princípio de qualquer ciência fica superada se reconhecermos a pluralidade de valores e de centros de interesse que presidem a cada um deles, se aceitarmos a legitimidade dos outros pontos de vista e se, no decurso do nosso estudo, nos mantivermos sempre fiéis aos nossos pressupostos de partida. 
Jeremy Lee Renner é um ator, produtor cinematográfico, maquiador e músico estadunidense, famoso por sua atuação em filmes como Hurt Locker, Dahmer, Mission: Impossible – Ghost Protocol, The Bourne Legacy, The Town e American Hustle. Renner também é reconhecido por interpretar o personagem da Marvel Clint Barton, o herói reconhecido com Gavião Arqueiro nos filmes Thor, The Avengers, Avengers: Age of Ultron, Avengers: Endgame e Hawkeye, todos do Universo Cinematográfico da Marvel. Renner também já foi duas vezes indicado ao Óscar, pelas atuações em The Hurt Locker e The Town. Renner nasceu em Modesto, Califórnia, filho de Valerie Cearley (Tague) e Lee Renner, que gerenciou McHenry Bowl, um boliche de Modesto, na década de 1980. Seus pais casaram-se quando adolescentes e se divorciaram quando ele tinha dez anos. Ele é o mais velho de sete irmãos, sendo duas irmãs e quatro irmãos. Sua ascendência inclui alemão, inglês, escocês, sueco, irlandês e panamenho. Formou-se na Escola Secundária Fred C. Beyer em Modesto em 1989. Ele participou do Modesto Junior College, onde estudou ciências da computação e criminologia, antes de tomar uma aula de teatro como eletivo e decidiu buscar a atuação. A estreia no cinema de Renner ocorreu em 1995, quando ele interpretou um estudante de baixo desempenho na comédia Heróis por Acaso. Embora o filme tenha sido criticado, ele passou a ser ator convidado em dois programas de TV, Deadly Games (1995) e Strange Luck (1996) e teve um papel menor no filme de televisão Juventude Roubada (1996) como amigo do personagem de Brian Austin Green. Nos anos seguintes, Renner teve papéis de convidado em Zoe, Duncan, Jack e Jane (1999), The Net (1999), The Time of Your Life (1999) e Angel (2000). Renner também teve um pequeno papel em um episódio de CSI: Investigação Criminal em 2001. Entre os papéis de atuação também trabalhou como maquiador como uma renda extra.
Rachel Hannah Weisz é uma atriz e modelo britânica. Weisz começou sua carreira no Trinity Hall, Cambridge no início de 1990, em seguida, começou a trabalhar na televisão, aparecendo em Inspector Morse, a minissérie britânica Scarlet and Black, e o filme para televisão Advocates II. Ela fez sua estreia no cinema no filme Death Machine (1994), mas seu primeiro papel de destaque foi no filme Chain Reaction (1996), levando a um papel de alto perfil como Evelyn Carnahan-O`Connell nos filmes de The Mummy (1999) e The Mummy Returns (2001). Outros filmes notáveis ​​apresentando Weisz foram Enemy at the Gates, About a Boy, Constantine, The Fountain e The Constant Gardener, pelo qual recebeu um Oscar, um Globo de Ouro e um prêmio do Screen Actors Guild por seu papel coadjuvante como Tessa Quayle. Ela tem sido rotulada como uma “rosa Inglesa”, desde que seu papel menor em Stealing Beauty (1996). Weisz também trabalha no teatro. Sua fase de descoberta foi na peça teatral Design for Living de Noël Coward, de 1994, o que lhe valeu o London Critics Circle Award para a estreante mais promissora. Performances de Weisz incluem Donmar Warehouse de Tennessee Williams Suddenly, Last Summer, de 1999, e seu renascimento A Streetcar Named Desire, de 2009.
Sua interpretação de Blanche DuBois na última peça ganhou um Critics` Circle Theatre Award de Melhor Atriz. Ela atuou Evanora em Oz: The Great and Powerful. Seu papel de estreia no teatro foi o de Gilda na peça Design for Living do diretor Sean Mathias, em 1995, no teatro de Gielgud. Tendo já trabalhado para televisão, na sua maioria em séries britânicas como Inspector Morse (1993), Rachel fez a sua introdução no cinema com o filme, de 1995, Chain Reaction e depois no filme de Bernardo Bertolucci, Stealing Beauty. Continuou pelo cinema com Swept from the Sea, The Land Girls, e com o filme de Michael Winterbottom, I Want You. Desde então entrou em numerosos filmes como The Mummy (1999), Enemy at the Gates (2001), About a Boy (filme) (2002), Runaway Jury (2003) e Constantine (2005). Em relação ao teatro, Rachel teve papéis como o de Catherine na produção londrina de Tennessee Williams` Suddenly Last Summer, de Evelyn na peça de Neil LaBute, The Shape of Things no Teatro Almeida e de Blanche DuBois na peça A Streetcar Named Desire também de Tennessee Williams. Em 2005, Rachel Weisz atua no filme The Constant Gardener “O Jardineiro Fiel”, uma adaptação do thriller de John le Carré homônimo cuja ação se passa no Kenya. Por causa deste papel, Rachel ganhou o Óscar em 2006 para Melhor Atriz num papel secundário, o Golden Globe para melhor atriz coadjuvante e o Screen Actors Guild para desempenho extraordinário de uma atriz num papel secundário. No seu país, foi galardoada com uma nomeação para Atriz Principal nos BAFTA e com um London Critics Circle Film Award e um British Independent Film Awards. Em 2006, Rachel Weisz entra no filme The Fountain, escrito e realizado por Darren Aronofsky. No mesmo ano, ela também emprestou sua voz a dragão Saphira, da saga Eragon. Foi garota-propaganda da marca de sabonetes Lux, da companhia aérea British Airways e da famosa marca de cosméticos L`Oréal Paris.
            

Jason Bourne é um filme norte-americano de ação e espionagem, dirigido por Paul Greengrass, que também colaborou no roteiro, ao lado de Matt Damon e Christopher Rouse. É o quinto filme da série de filme “Bourne” e sequência do filme de 2007, O Ultimato Bourne. O retorno de Jason Bourne aos cinemas em 2017, no filme que anteriormente levava seu nome, não deu tão certo nas bilheterias quanto o estúdio esperava: foram US$400 milhões ao redor do mundo. Talvez as conversas em torno da sobrevida da franquia girem mais em torno de uma possível continuação do filme: O Legado Bourne (2012) que trazia Jeremy Renner como protagonista e uma espécie de derivado da franquia. O ator, por sua vez, está disposto a retornar ao papel: - “A vontade da minha parte existe. Eu adoraria fazer esse papel de novo. O ambiente em torno das filmagens de O Legado Bourne foi tão bom, porque era como se estivéssemos filmando um longa-metragem indie, esse era o espírito e essas eram a prioridades”, disse ao Collider. - “Se houver um estúdio que topa bancar essa empreitada, e um público para assisti-la, eu com certeza voltaria. É um personagem complexo”. Após Jason Bourne revelar publicamente o projeto Treadstone, Eric Byer (Edward Norton) é encarregado de apagar os rastros que possam incriminar o governo dos Estados Unidos neste e em outros projetos sigilosos. 
As indústrias químicas envolvem o processamento ou alteração de matérias-primas obtidas por mineração e agricultura, entre outras fontes de abastecimento, formando materiais e substâncias com utilidade imediata ou que são necessários para outras indústrias. Um deles, no caso da representação fílmica chama-se Outcome, “um projeto que pretende suprimir a dor e aumentar a sensibilidade, inteligência e força de seus agentes através de remédios tomados periodicamente”.  Em seu primeiro papel como protagonista desde “Guerra ao Terror”, pelo qual foi indicado ao prêmio Oscar, Renner interpreta Aaron Cross, um dos integrantes da Operação Outcome, experimento para criar “supersoldados” na mesma linha de projeção de Jason Bourne. Por meio do uso constante de medicamentos, os agentes têm força e inteligência ampliadas para encarar missões extraordinárias mundo afora – como gente infiltrada na Coreia de Norte e no programa nuclear iraniano. Com o fim do projeto em torno da indústria farmacêutica Outcome, seus agentes passam a ser eliminados no que se chama em sociologia “crime letal de Estado”. Aaron Cross (Jeremy Renner) é um agente que consegue escapar sem que Byer perceba. Em busca de respostas, ele vai à casa da doutora Martha Shearing (Rachel Weisz) e a salva da morte. Juntos, eles precisam encontrar a sobrevivência ao mesmo tempo em que Aaron, sem seus remédios habituais, começa a sentir os efeitos colaterais da abstinência forçada. 

Será a evocação de Farmacéia (Farmácia), no início do Fedro, escrito por Platão, formulando um diálogo entre o protagonista principal de Platão, Sócrates, e Fedro, um interlocutor em diversos diálogos no mesmo período que A República e O Banquete são casuais?  “Farmacéia” (“pharmákeia”) pode ser a representação de um nome comum para designar “a administração do phármakon, da droga: do remédio e/ou veneno”. Esse phármakon, essa “medicina”, esse filtro, ao mesmo tempo remédio e veneno, já se introduz no corpo do discurso com toda sua ambivalência. O phármakon faz sair dos rumos e das leis gerais, naturais ou habituais. As folhas da escritura agem como um phármakon que expulsa ou atrai para fora da cidade àquele que dela nunca quis sair, mesmo no último momento, para escapar da cicuta. Elas o fazem sair de si e o conduzem por um caminho que é propriamente de êxodo. Quando Sócrates se deitou e Fedro tomou a posição mais cômoda para manejar o texto ou, o phármakon, que tem início a conversação: falas envolvidas, enroladas, reservadas, mas apenas as letras ocultadas poderiam fazer Sócrates caminhar dessa forma, no limite da interpretação se um lógos não diferido fosse possível, ele não seduziria, ele não arrastaria Sócrates como se estivesse sob o efeito específico de um phármakon, fora de seu rumo.                  
Antes mesmo que a apresentação declarada da escritura como um phármakon intervenha no centro do mito de Theuth. Ocorre que os phármaka estão entre as coisas que podem ser ao mesmo tempo boas e penosas, o phármakon é colhido sempre na mistura. Esta dolorosa fruição, ligada tanto à doença quanto ao apaziguamento, é um phármakon em si. Ela participa ao mesmo tempo do bem e do mal, do agradável e do desagradável, ou, antes, é no seu elemento que se desenham essas oposições. A tradução corrente de phármakon por remédio – “droga benéfica” - não é de certa forma inexata. Essa medicina é benéfica, ela produz e repara, acumula e remedia, aumenta o saber e reduz o esquecimento no mundo das coisas. Theuth, por astúcia ou ingenuidade, exibiu o reverso verdadeiro efeito da escritura: para fazer valer sua invenção, Theuth teria, assim, desnaturado phármakon, quer dizer dito o contrário daquilo que a escritura é capaz. A tradução por remédio acusa a ingenuidade ou a artimanha de Theuth. - “Do ponto de vista do sol”, Theuth jogou, sem dúvida, com a palavra, interrompendo a comunicação [social] entre os dois valores opostos: Theuth, o inventor do phármakon, pronunciava em pessoa um longo discurso e apresentava suas letras à aprovação do rei.
 Para que a escritura produza o efeito ‘inverso’ daquele que se poderia esperar, ora, essa ambiguidade, Platão, pela boca do rei, quer dominar sua definição na oposição simples e nítida: do bem e do mal, do dentro e do fora, do verdadeiro e do falso, da essência e da aparência. É em aparência que a escritura é benéfica para a memória, mas, na verdade, a escritura é essencialmente nociva: o phármakon produz o jogo da aparência a favor do qual ele se faz passar pela verdade – o caso da escritura é grave. Se a escritura produz, segundo o rei e sob o sol, o efeito inverso daquele que lhe atribuímos, se o phármakon é nefasto, é que ele não é daqui: ele é exterior ou estrangeiro ao ser vivo que é o aqui-mesmo de dentro, que ele pretende socorrer ou suprir. A escritura anunciada por Theuth como um remédio, como uma droga benéfica, é em seguida devolvida e denunciada pelo rei, depois, no lugar do rei, por Sócrates, como substância maléfica e filtro do esquecimento. A escritura é dada como suplente sensível, visível, espacial da mnéme; ela se verifica em seguida nociva e entorpecente para o dentro invisível da alma, da memória e da verdade. Inversamente, a cicuta é dada como um veneno nocivo e entorpecente para o corpo, mas se verifica benéfica para a alma, que libera do corpo e desperta para a verdade do eidos. A cicuta, essa poção que nunca teve outro nome no Fédon senão o de phármakon apresentada a Sócrates como um veneno, ela se transforma, pelo efeito do lógos socrático, em meio de libertação, possibilidade de salvação e virtude catártica.
          A cicuta tem um efeito ontológico – iniciar à contemplação do eidos e à imortalidade da alma: Sócrates a toma como tal. Nos últimos anos, a indústria química mundial vem passando por diversas transformações, motivadas principalmente pelo processo de globalização, concentração, a especialização e a descentralização geográfica. A globalização é condicionada pela revolução nas comunicações e da abertura de mercados. Como consequência, a indústria padronizou seus produtos fazendo com que não ocorra uma relação direta entre o cliente e o fornecedor. A concentração refere-se ao processo de criação de empresas de grande porte, já a especialização são indústrias de grande porte que resolvem se especializar em algum setor, como na produção de resinas plásticas. A descentralização geográfica refere-se às transformações de espaço e lugar. É um fenômeno que não é novo para a indústria, como exemplo, temos a produção de derivados de gás natural. Atualmente, sua produção é realizada em países em que este insumo é excedente e, portanto, de baixo custo, anteriormente ele era deslocado para beneficiamento em outras indústrias.
A indústria química abrange a produção de petroquímicos, agroquímicos, produtos farmacêuticos, tintas, polímeros dentre outros. Para ser caracterizado como um produto de origem da indústria química o mesmo deve passar por processos químicos (reações químicas) que formam novas substâncias com características físico-químicas diferentes das substâncias iniciais. O processamento de matérias-primas também está incluso neste segmento da indústria. É importante lembrar que as indústrias de processamento de alimentos não são, em geral, incluídas no termo “indústria química”. O surgimento da indústria química se dá pela necessidade de complementação das atividades básicas ligadas à preservação e melhoria das condições da vida humana. Como a química é uma ciência extremamente experimental, demorou certo tempo para dispor de recursos teóricos que permitissem realizar as previsões dos resultados e as condições necessárias para que as reações ocorressem como feedback. A partir daí a indústria química teve como iniciar suas atividades. O histórico da indústria química mundial corresponde à análise das vantagens, do sistema financeiro e da política de patentes e incentivos governamentais, além é claro, dos avanços tecnológicos.  
A indústria farmacêutica tem atividade a produção de medicamentos, utilizados pela sociedade no tratamento de doenças ou outras indicações médicas. A produção de medicamentos envolve em seu processo de trabalho quatro estágios principais: pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos; produção industrial de fármacos; formulação e processamento final de medicamentos; e finalmente, comercialização e distribuição por intermédio de farmácias e outros varejistas, e das unidades prestadoras de serviços de saúde. É um segmento da indústria química, concentrado em grandes empresas transnacionais que ocupam posições de lideranças globais. É fortemente caracterizada pela necessidade contínua de pesquisas de novos insumos e introdução de inovações em suas linhas de produtos como forma de diminuição de custos e/ou acesso a produtos com significativo diferencial competitivo, representando um dos setores industriais mais fortemente vinculados a atividades acadêmicas de pesquisa. A indústria farmacêutica pode ser analisada do ponto de vista político como um “oligopólio diferenciado baseado nas ciências”.  No caso da indústria farmacêutica, inovar significa disponibilizar comercialmente para o consumo humano um novo medicamento para o tratamento de doenças que ocorrem numa velocidade maior do que o tempo socialmente necessário para o desenvolvimento de pesquisas.  
O aprimoramento genético tem a função de adequar determinado alimento às necessidades do homem moderno, facilitando a sua produção, possibilitando maior número de safras anuais, tornando-o mais resistente às pragas, enriquecendo-o no aspecto nutricional, etc. É o que acontece com o milho híbrido, o trigo e a soja entre outros. Sobre os alimentos geneticamente modificados, os transgênicos, há uma grande polêmica; pois de um lado encontram-se os cientistas, alterando um determinado alimento a fim de adequá-lo às necessidades socioeconômicas, enquanto do outro estão os ambientalistas, que acreditam que este produto não deve ser consumido, pois não se sabe ao certo o que pode ocasionar em nossa saúde, em longo prazo. Descobrir um novo princípio ativo, ou uma nova molécula, é uma invenção de uma nova entidade química, mas somente será uma inovação quando tiver sua eficácia simbólica comprovada no combate a uma doença, testada no mercado pelo binômio: produção-consumo e seu consumo forem viabilizados através de um novo medicamento colocado no mercado.    
A história de Jason Bourne era a de um homem em busca do seu passado. Ao final do terceiro filme ele descobre mais do que gostaria e encerra seu ciclo. O que acompanhamos agora é Aaron Cross, interpretado por Jeremy Renner. Aaron não tem amnésia nem está com peso na consciência ou coisa do gênero, a busca dele é para conseguir drogas como sobrevivência de sua alteração psicofísica. Portanto, é uma droga muito melhor que faz com que ele mergulhe nu em lagos congelados no Alaska, atravesse montanhas sem qualquer equipamento e até lute contra uma matilha de lobos durante a noite. Assim como Bourne, Cross é um agente do tal programa da CIA que recruta combatentes. Só que descobrimos agora que o treinamento é muito mais que especial, pois ele envolve também alteração do genoma humano fazendo com que desenvolvam grande agilidade física e uma inteligência acima do normal. O filme gasta uma grande parte do tempo em uma sala de comando e operações da Inteligência, mais especificamente: uma sala de comando do tal do Programa com uma grande tela, muitos computadores e equipamentos de comunicação que fazem com que tenham acesso a qualquer câmera de vigilância de qualquer parte do mundo. É nessa sala que vemos os mentores intelectuais do projeto, que incluem veteranos interpretados por Scott Glenn e Albert Finney e que neste filme está sendo chefiado por Edward Norton.
É nessa sala ainda que eles decidam terminar o programa dando uma pílula amarela letal para os participantes que faz com que todos caiam mortos. Por sorte, Cross não toma a pílula. A estratégia para eliminá-lo é um míssil que ele consegue ludibriar e, depois de lutar com mais lobos, chega até a cientista Marta Shearing, que faz parte da pesquisa de alteração do genoma. Eles unem forças para ir até Manila, onde os remédios são produzidos. Robert Ludlum dedicou boa parte de sua vida ao teatro, como ator e produtor, estreando tardiamente na literatura de ficção, em 1971, com A herança Scarlatti, que fez do escritor um best-seller. Daí em diante, Ludlum passou a se dedicar integralmente à literatura. O escritor morreu em março de 2001 deixando, além da rica herança de sucessos literários, um importante legado no teatro norte-americano.           
Robert Ludlum foi um escritor norte-americano, autor de 27 novelas de suspense e romances de espionagem. Seus livros foram publicados em 50 países e traduzidos para 32 idiomas dando origem a magnífica trilogia cinematográfica de Jason Bourne, um ex-agente da CIA alvejado em uma de suas missões e teve como consequência a perda da memória transitória. Os filmes são respectivamente: A Identidade Bourne (2002), A Supremacia Bourne (2004) e O Ultimato Bourne (2007). Se existe um fator preocupante em sequências cinematográficas, o principal deles é realizar a conexão de sentido, no sentido que o sociólogo Max Weber emprega, correspondente ao sucesso dos filmes anteriores. E uma das razões pode ser a presença de Tony Gilroy, roteirista dos quatro longas-metragens e, agora, também diretor. Mesmo que não seja um “exímio piloto”, Gilroy consegue tocar a produção inspirada na obra de Robert Ludlum, e que traz todos os componentes que conquistaram fãs mundo afora, como operações secretas governamentais e trama com reviravoltas.
Se antes se falava em Treadstone e Blackbriar, a nova operação chama-se Outcome e nela, o agente Aaron Cross (Jeremy Renner) teve sua genética modificada sem saber e dar consentimento. Movido por um grande temor conspiratório, que pode colocar tudo a perder, Eric Byer (Edward Norton) é o chefão da vez e para acabar com a infecção em seus pacientes, precisa eliminá-los. Aaron Cross é um dos alvos. Repleto de sequências espetaculares de tirar o fôlego, com tiros e pancadaria, esse road-movie inspirado no livro: On The Road, de Jack Kerouac, está para literatura “road”, para o movimento beat e para a contracultura norte-americana. Portanto, investe na ação, passa por países, tem imagens impressionantes e repete a bem-vinda fórmula de acrescentar o feminino ágil, inteligente à trama: Rachel Weisz vive o drama axiológico da cientista farmacêutica vis-à-vis a globalização da genética.

            A classificação da indústria química e de seus segmentos já foi motivo de muitas divergências, o que dificultava a comparação e análise dos dados estatísticos referentes ao setor. Em algumas ocasiões, indústrias independentes, como a do refino do petróleo, por exemplo, eram confundidas com a indústria química propriamente dita. Em outras, segmentos tipicamente químicos, como os de resinas termoplásticas e de borracha sintética, não eram incluídos nas análises setoriais. Com o objetivo de eliminar essas divergências, a Organização das Nações Unidas (ONU), há alguns anos, aprovou nova classificação internacional para a indústria química, incluindo-a na Revisão n° 3 da ISIC - International Standard Industry Classification e recentemente na Revisão nº 4. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com o apoio da Abiquim, definiu, com base nos critérios aprovados pela ONU, uma nova Classificação Nacional de Atividades Econômicas e promoveu o enquadramento de todos os produtos químicos nessa classificação.
           A inovação na indústria farmacêutica se expressa através de diversas atividades. Exige um conjunto de práticas e saberes sociais, inevitavelmente complexo e contraditório de atividades que são desenvolvidas simultaneamente em Laboratórios globais e interagem culturalmente entre si. A inovação não é um processo linear, sequencial, embora pressuponha certo ordenamento político-ideológico de controle industrialista. É um processo de trabalho sistêmico, exigindo a concorrência de várias ações multidisciplinares e específicas, para cada componente, tais como competências dos meios de trabalho, organizacionais produtivas e relacionais. A inovação mais importante no setor farmacêutico ocorre no desenvolvimento do produto (mercadoria), para o qual há uma busca permanente por sua eficácia simbólica, comercialização, segurança de uso e redução dos efeitos colaterais. Esse processo sobrevém pela mudança das características do fármaco, para torná-lo mais eficaz e para que provoque menos efeitos adversos ou colaterais; e por mudanças na composição dos outros componentes da formulação, para potencializar a ação do fármaco, tais como alterar a velocidade de sua liberação no organismo. Em termos correntes, a palavra fármaco designa todas as substâncias utilizadas em Farmácia e com ação farmacológica, ou, pelo menos, de interesse médico. Por convenção, substâncias inertes não são considerados fármacos. Esta definição do fármaco designa qualquer composto químico que seja utilizada com fim medicinal, o que torna a sua distinção de medicamento bastante sutil.
Bibliografia geral consultada.
WEBER, Max, Essais sur la Theorie de la Science. Paris: Librarie Plon, 1965; FARRINGTON, Benjamin, Francis Bacon: Philosopher of Industrial Science. London: McMillan, 1973;  LEWONTIN, Richard, The Doctrine of DNA: Biology as IdeologyLondon: Penguin Books, 1993; QUEIROZ, Sérgio Robles Reis de, Os Determinantes da Capacitação Tecnológica no Setor Químico-Farmacêutico Brasileiro. Tese de Doutorado em Economia. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1993; RICOEUR, Paul, La Mémoire, l`Histoire, l`Oubli. Paris: Éditions  Du Seuil, 2000; LUDLUM, Robert, A Identidade Bourne. 1ª edição. São Paulo: Editora Rocco, 2000; ALMEIDA, Ana Luísa de Castro, A Influência da Identidade Projetada na Reputação Organizacional. Tese de Doutorado. Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração. Departamento de Ciências Administrativas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2005; GOMES, Maria José Vasconcelos de Magalhães; REIS, Adriano Max Moreira, Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em Farmácia Hospitalar. São Paulo: Editora Atheneu, 2006; CHRISTOFFOLI, Pedro Ivan, O Processo Produtivo Capitalista na Agricultura e a Introdução dos Organismos Geneticamente Modificados: O Caso da Cultura da Soja Roundup Ready (RR) no Brasil. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável. Brasília: Universidade de Brasília, 2009; BRANCO, Daniel Artur Emídio, A Relação entre Conhecimento e Ação Política em Francis Bacon. Dissertação de Mestrado. Programa de Pòs-Graduação em Filosofia. Instituto de Cultura e Arte. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2013;  DEJOURS, Christophe, Le Choix - Souffrir au Travail n`est pas une Fatalité. Paris: Bayard Éditions, 2015; SAMPAIO, Clarissa Magalhães Rodrigues, Identidade na Vida Adulta: A Singularidade da Experiência. Tese de Doutorado em Psicologia. Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016;  SACRAMENTO, Carolina Queiroz, Estudo In Vitro e In Vivo da Ação de Novas Drogas sobre a Replicação do Vírus Influenza. Tese de Doutorado em Biologia Celular e Molecular. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz. Fundação Oswaldo Cruz, 2017; RANIERI, Leandro Penna, Concepções de Corpo na Assíria do Primeiro Milênio AEC: Entre Materialidade e Textualidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018; entre outros.  

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