sábado, 4 de fevereiro de 2017

Nikolai Gogol - A Questão Afetiva da Peregrinação a Jerusalém.

                                                                                    Ubiracy de Souza Braga* 
                                    Sei que o meu nome será mais feliz do que eu”. Nikolai Gogol
 
Conheça Nikolai Gogol e O Inspetor Geral - arteref 

             Na literatura espiritual do cristianismo, o conceito de peregrino e a peregrinação podem referir-se simbolicamente à experiência de vida no mundo considerado como um período de exílio ou ao caminho do aspirante espiritual de um estado de miséria a um estado de bem-aventurança. O termo peregrino aparece na primeira metade do século XIII, para denominar os cristãos que viajavam a Roma ou à Terra Santa. Lá onde se encontra o Estado de Israel e os territórios palestinos para visitar os lugares sagrados, às vezes como castigo imputado como punição com o objetivo de referendar determinados pecados e outras vezes para cumprir penas canônicas. Desses peregrinos surgiria a ideia militarizada das Cruzadas, enviadas para reconquistar os lugares que cristãos consideravam sagrados em poder de povos de outras religiões. Chama-se Cruzada a qualquer um dos movimentos militares de inspiração cristã que partiram da Europa Ocidental em direção à Terra Santa que os cristãos denominavam a Palestina e à cidade de Jerusalém para ocupá-las e mantê-las sob o domínio cristão. Os ricos e poderosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (“Hospitalários”) e dos Cavaleiros Templários foram criados durante as Cruzadas. O termo é também usado, por extensão, para descrever qualquer guerra religiosa ou mesmo um movimento político ou moral.
          O termo cruzada não era reconhecido no tempo histórico e político em que ocorreu, pois eram usadas, entre outras, as expressões peregrinação e guerra santa. Na filosofia greco-romana, o fatalismo é a concepção que considera serem o mundo e os acontecimentos produzidos de modo irrevogável. E também a crença de que uma ordem cósmica, dita Logos, preside a vida quotidiana. O termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta a suas roupas. As Cruzadas eram uma peregrinação, uma forma de pagamento a alguma promessa, ou uma forma de pedir alguma graça, e era considerada uma penitência. Por volta do ano 1000, aumentou muito a peregrinação de cristãos para Jerusalém, pois corria a crença fatalista de que o fim dos tempos estava próximo e, por isso, valeria a pena qualquer sacrifício humano para evitar o caminho do inferno. Incidentalmente, as Cruzadas contribuíram muito economicamente para o comércio com o Oriente. As rotas das especiarias foram rotas comerciais geradas pelo comércio de especiarias provenientes da Ásia. Estas rotas remontam à antiguidade greco-romana interligando diversos povos ao longo do tempo, da Europa à Ásia. Ligando importantes pontos comerciais e cruzando grande parte do mundo então reconhecido, as rotas de especiarias para a Europa foram sucessivamente dominadas por mercadores do norte de e do Médio Oriente, pela República de Veneza no Mediterrâneo e, pelos portugueses que, com a descoberta do caminho marítimo para a Índia iniciariam uma rota marítima alternativa.
            A rota do Cabo, contornando África, viria a ser explorada pelos Holandeses, e outras potências europeias. As rotas das especiarias passavam por intermediários antes de serem revendidos na europa medieval. Era um tempo de medo. Há mil anos, na mesma Europa que agora se prepara para ingressar, próspera e unida como nunca, no terceiro milênio do calendário cristão, os homens viviam o pior dos mundos. O irreversível desmoronamento, século após século, do que ainda restava da civilização greco-romana, depois do fim do Império Romano do Ocidente, no século V, transformara o território europeu em campo de batalha onde gerações sucessivas se guerreavam interminavelmente - visigodos e vikings, bretões e saxões, vândalos e ostrogodos, magiares e eslavos,um sem-fim de povos que não por acaso entraram para a História sob a denominação coletiva de “bárbaros”. Além da violência, a miséria, a ignorância e a superstição recobriam a Europa na marca do ano 1000. Os proprietários de terras transformavam seus domínios em unidades autônomas, territórios com fortificações feitas de árvores e espinheiros e com habitações cercadas de paliçadas. Registrou um observador do ano 888: “Cada qual quer se fazer rei a partir das próprias entranhas”. A cidade, como sede da política e da administração, centro do comércio e do conhecimento, à maneira de Roma, Atenas ou Alexandria na Antigüidade clássica, virtualmente inexistia na paisagem ocidental desse período.
      Havia historicamente burgos dos descendentes dos centros fundados pelos conquistadores romanos, como também ajuntamentos de um punhado de milhares de almas, nascidos da presença, nas proximidades, de um mosteiro ou de um vale fértil, ou do fato de se situarem no centro de uma região dominada por um príncipe. Nada, porém, que se comparasse a Constantinopla (Istambul), capital do Império Romano do Oriente, com suas centenas de milhares de habitantes, abastado comércio e porto movimentado. Há cerca de mil anos, amplas extensões do continente europeu eram constituídas de florestas um mundo sombrio, estranho e ameaçador aos homens que construíam povoados, cultivavam cereais e criavam gado em grandes clareiras nas suas cercanias, numa economia de pura subsistência, da mão para a boca. A construção de castelos, abadias e mosteiros ocupava igualmente muitos braços. Mas o principal motor da atividade econômica era a guerra: a necessidade de produzir armas, acumular provisões para a tropa e pagar os mercenários em metal sonante estimulava o comércio. Perigos reais, como os animais selvagens, e terrores imaginários historicamente constituídos na Europa, como monstros e demônios, espreitavam os aldeões que adentravam a mata em busca de carne de caça e de mel, a única fonte de açúcar dos europeus de então. Comparativamente, vista pelos olhos de hoje, a vida cotidiana tinha tons de pesadelo.


            O ato de peregrinar e as peregrinações ocorrem desde os tempos mais remotos, mesmo nos chamados “tempos primitivos” em que predominavam os costumes ou ritos pagãos.  Existem escritos de locais de peregrinação muitas vezes ofuscados pela própria religião cristã, como o caso da Catedral de Santiago de Compostela que pode ter sido construída onde passaria antes outra rota mais antiga, a peregrinação a Finisterra (fim-da-terra), à costa Ocidental para ver o deus Sol a “morrer” no mar e que no dia seguinte ressuscitava no Oriente.  As primeiras peregrinações do Cristianismo datam do início do século IV quando o Cristianismo foi tornado religio licita, e tinha por representação antropocêntrica o destino à Terra Santa, mais conhecida e a primeira a deixar um relato da peregrinação, a histânica Erétria provavelmente familiar de Teodósio I, imperador romano. Mais tarde, tiveram grande surto devido à pregação de São Jerônimo. Na concepção romana, em contraste com a tradição grega, a religião era algo praticado em público. O cristianismo, conforme alguns autores modernos, era expressamente declarado como religio illicita por Domiciano na década de 80, e era visto como superstitio Iudaica, uma superstição judaica que diferia do judaísmo natural. Porém, a teoria de que os cristãos fossem perseguidos por collegio illicita é contestada pelos que defendem, como o historiador Edward Gibbon (1737-1794), “que os judeus eram um povo que seguia, e os cristãos uma seita que desertara, a religião dos seus pais”.
            Mas são os cristãos que vão introduzir esta expressão no âmbito linguístico. Por volta da primeira metade do século XIII, referindo-se aos adeptos do Cristianismo que se dirigiam a Roma ou a Terra Santa, historicamente local de intenso conflito religioso e de ocupação entre israelenses e palestinos, para percorrer seus territórios sagrados, muitas vezes como expiação dos pecados ou com a intenção de cumprir punições imposta pela Igreja. As Cruzadas nascem posteriormente ao movimento dos peregrinos, com a intenção de resgatar terras consagradas pelos cristãos das mãos dos chamados infiéis, adeptos ipso facto de outras religiões. O Cristianismo iniciou suas peregrinações no começo do século IV, quando se tornou legal, “com o objetivo de percorrer a Terra Santa”. Com as pregações de São Jerônimo, tempos depois, elas se intensificaram. Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonarola teria sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um dos ousados e fiéis arautos para conduzir o povo à fonte pura e às verdades apostólicas registradas nas Sagradas Escrituras. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia de Platão e de Aristóteles, deixaram-lhe a alma sequiosa. E os escritos de Tomaz de Aquino que mais o influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar o coração e a vida a Deus.
            As peregrinações cristãs têm sua fonte de inspiração no Antigo Testamento, na história de Abraão e nas andanças do povo israelita, retratadas, por exemplo, no Êxodo. Jesus também tinha o hábito de peregrinar a Jerusalém. A Igreja manteve a tradição de visitar os lugares percorridos pelo Messias, consagrados pela sua morte, costume que se perpetuou com as Cruzadas, que alegavam defender locais e objetos abençoados pela presença de Cristo, dos quais eram afastados através de bloqueios muçulmanos. Atualmente essa mesma razão serve de pretexto para o conflito entre judeus e palestinos, que alegam estar lutando pelos territórios considerados sagrados tanto para o judaísmo quanto para o islamismo. A prática das peregrinações são mais atuais do que nunca, entre as religiões, como os muçulmanos que, anualmente, se dirigem a Meca. Os peregrinos chegam a Meca, na parte oeste do reino, saídos de todo mundo, especialmente de Egito, Índia, Paquistão, Bangladesh e Sudão, detalham as autoridades, segundo as quais já são mais de dois milhões, em sua maioria estrangeiros.
          A Catedral de Santiago de Compostela é um templo católico situada na cidade de Santiago de Compostela, capital da Galiza, Espanha. É a Sé da arquidiocese homônima e foi construída entre 1075 e 1128, em estilo românico, em torno das cruzadas e durante a Reconquista Cristã, tendo sofrido depois várias reformas que lhe adicionaram elementos góticos, renascentistas e barrocos. Segundo a tradição, acolhe o túmulo do apóstolo Santiago Maior, padroeiro e santo protetor de Espanha, o que a converteu no principal destino de peregrinação cristã na Europa a seguir a Roma durante a Idade Média, através do chamado Caminho de Santiago, uma rota iniciática na qual se seguia a Via Láctea que se estendia por toda a península Ibérica e Europa Ocidental. A peregrinação foi um fator determinante para a afirmação política dos reinos cristãos hispânicos medievais e na sua participação nos movimentos culturais deste período. Atualmente continua a ser um importante destino de peregrinação, para o que contribui a renovada popularidade do Caminho de Santiago a partir dos anos 1990, que levou à catedral mais de 270 000 peregrinos registados. A catedral foi declarada “Bem de Interesse Cultural” em 1896, e a chamada cidade velha de Santiago de Compostela, que se concentra em torno da catedral, foi incluída na lista do Patrimônio Mundial da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization em 1985. 
           Uma peregrinação é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado por essa mesma religião. No início do período da história hebraica, peregrinos viajaram para Siló, Dan, Betel, e, eventualmente, Jerusalém onde ocorriam os Três Festivais de Peregrinação, uma prática seguida por outras religiões Abraâmicas. Um grupo de peregrinos no início de cristianismo céltico foram os Peregrinari Pro Cristo (“brancos mártires”), que deixaram suas casas para passear no mundo. Este tipo de peregrinação era uma prática religiosa ascética, com o peregrino deixando a segurança da casa e do clã para um destino desconhecido, confiando totalmente na Providência Divina. As viagens resultaram na fundação de  abadias e na propagação do cristianismo entre os pagãos europeus. As peregrinações também começaram a desenvolverem-se em locais de sepultamentos de santos, apóstolos, mártires, ou em locais onde se diz ter aparecido a Santíssima Virgem Maria. Há uma diversidade significativa nas crenças e práticas devocionais marianas entre as grandes tradições cristãs. A Igreja Católica tem uma série de dogmas marianos, como a Imaculada Conceição de Maria e Assunção de Maria. Os católicos referem-se a ela como Nossa Senhora e a veneram como a Rainha do Céu e Mãe da Igreja, baseados no fato dela ter sido a mãe de Jesus que, segundo os Dogmas do Cristianismo, é Deus. Contudo, outros grupos que acreditam na divindade de Cristo, como a maioria dos protestantes, não compartilhem dessas crenças, atribuindo a ela um papel mínimo dentro do cristianismo por conta das poucas referências bíblicas sobre sua vida.
           Nikolai Vassilievitch Gogol foi um vanguardista da literatura russa. Oriundo de uma família de pequenos proprietários de terra ucranianos passa a sua primeira infância no campo. Em 1821 muda-se para Nezin para estudar. Desde muito cedo deseja ser autor teatral. Em São Petersburgo conhece Alexandr Puchkin, que o influencia notavelmente. Em 1836 inicia uma longa viagem pela Europa. Reside em diversas cidades, particularmente em Roma. De família patriarcal de cossacos, Gogol é a primeira figura representativa do realismo russo. Do pai herdou o prazer de escrever e da mãe o intenso sentimento religioso que o levaria ao misticismo. A importância de Gogol é imensa não só nas Letras russas, mas na literatura universal. Começa por escrever contos: Serões na Propriedade de Dikanka, Arabescos, O Retrato, Diário de um louco. Publica o romance, Taras Bulba, onde descreve as lutas dos cossacos contra os ocupantes polacos. Mas não demora a inclinar-se para as ideias literárias do realismo. A este gênero se aplica sua obra-prima, Almas mortas, baseada num fato real, uma burla que consiste em comprar “servos mortos” para hipotecá-los e obter um empréstimo, tornando-se uma visão satírica da Rússia anterior à abolição da servidão.  Apesar de supostamente ter terminado a segunda parte da trilogia, Gogol a destruiu poucos dias antes de morrer. A obra, mesmo sem ter sido concluída, é comumente considerada completa em sua atual forma e representa um importante marco na Literatura Russa O livro acompanha o personagem Pável Ivánovitch Tchítchicov, um burocrata afastado do serviço público por desonestidade, em suas andanças pelo interior da Rússia, à procura da fortuna. Seus contatos com as autoridades das pequenas cidades e dos proprietários de terras servem-no para apresentar uma visão crítica e mordaz do sistema semifeudal com os servos vivendo em regime de escravidão.
            Uma autocracia incarnada na figura do czar e em que o esforço de modernização era travado por uma burocracia ineficiente e numerosa que em 1885, o número de funcionários rondava o meio milhão, guerras sucessivas e desgastantes como a guerra russo-turca entre 1806 e 1812; guerra com a Suécia em 1808, invasão napoleônica em 1812, guerra com o Irão entre 1826 e 1828, e um profundo mal-estar social entre uma burguesia com fortes desejos de ascendência e um campesinato miserável. Recorde-se que o fim da servidão só se dá formalmente na Rússia em 1861, sob o reinado de Alexandre II. Gogol retrata, pois esta Rússia que conhece bem – os próprios pais do escritor, proprietários de terras, tinham vendido sem escrúpulos setenta servos entre um elevado número que tinha morrido numa epidemia. Vendedor e comprador, ambos ganham com a troca. Cedendo (ou vendendo) uma “alma morta” o vendedor não perde nada, antes economiza o imposto de capitação devido entre dois recenseamentos para os servos que trabalhavam no domínio deste proprietário, vivos ou mortos. Quanto ao comprador adquire servos que aumentam seu patrimônio, permitindo penhorá-lo e obter empréstimos para futuras transações.
        A panóplia de obras e romances do “funcionário para sempre enclausurado” avivaram a sua difícil carreira como autor, e após haver conhecido pessoalmente o romântico Alexandre Puchkin, sua obra deflagraria em um realismo próprio, uma fonte riquíssima em artifícios paradoxais, tal como Dostoiévski havia traçado em sua obra, ou simultaneamente Honoré de Balzac na França e Charles Dickens na Inglaterra, um realismo sui generis, caracterizado por inconfundível mistura de observação, ironia, compaixão, misticismo e simbolismo que teve como discípulos Dostoiévski, Turguêniev e Tolstoi. Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo anti-herói se  tornara arquétipo do pequeno funcionário russo. Sua intervenção não é outra senão denunciar os vícios e abusos da alma humana, humilhada e atravancada dialeticamente nas emoções contraditórias. Em pleno desarranjo emocional, Gogol foge e recomeça a viajar pela Europa. A morte de Puchkin no ano de 1837, em um descabido e tolo duelo, abala profundamente Gogol. – “Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo”. Referia-se à ética de solidariedade, contida no ensaio que tem como escopo o conteúdo de sentido das Almas Mortas. 
        Gogol conviveu até os doze anos na pequena propriedade paterna de Vasilievka. A Ucrânia, com seu folclore, seria sua primeira fonte de inspiração literária. A personalidade de sua mãe exerceu considerável influência religiosa e moral, da qual nunca se libertaria. Em dezembro de 1821, mudou-se para São Petersburgo, com a intenção de conquistar a glória literária. Mas seu poema romântico Hans Kuechelgarten (1829), sob o pseudônimo de V. Avlov foi mal acolhido pelos condicionamentos sociais dos críticos. A distância social de seu país natal e a nostalgia que dela resulta lhe inspiraram alguns dos seus melhores escritos, como a magnífica novela “O capote” (1843), de onde saiu na nova literatura russa, cujo anti-herói, Akaki Akakievitch, tornou-se o arquétipo do corriqueiro funcionário russo. Descontente com a crítica vulgar e com sua obra queimou-a. Pensou em emigrar para os Estados Unidos da América, mas não ultrapassou a fronteira da Alemanha. Retornando para Moscou, foi obrigado, como sobrevivência para ganhar a vida, trabalhar como funcionário na administração pública. Em 1831, foi nomeado professor de História do Instituto Patriótico para Moças.  
          Sua nacionalidade é motivo de polêmica, pois sua cidade natal fazia parte do Império Russo. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia reivindicam a sua nacionalidade, apesar de muitos de seus talentosos trabalhos terem sido influenciados pela tradição ucraniana, Nikolai Gogol (1809-1852) escreveu em russo e sua obra é considerada herança da literatura russa. Seu talento de prosador se revelou nas novelas: Vigílias da Ucrânia (1831-1832), inspiradas em canções e lendas de sua província natal. Nos Estados que adotam o critério da nacionalidade (“lex patriæ”) para reger o estatuto pessoal, a determinação da nacionalidade da pessoa é imprescindível ao direito internacional privado, pois na aplicação da proteção diplomática à pessoa no exterior, é essencial conhecer a sua nacionalidade. Enfim, conheceu Alexandr Pushkin, que o influenciou ao lhe ofertar os temas de O Inspetor Geral e de As Almas Mortas. Nomeado professor de História da Idade Média na Universidade de São Petersburgo, pouco depois abandonou a cátedra (1834/1835) e continuou incontinente sua vida literária. Toda a sua obra é fundada no realismo, mas um realismo muito próprio, com traços do que viria a se constituir o surrealismo. Amante fervoroso da verdade, Gogol teve social irradiado em torno de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra não conseguiu se libertar, como conspícuo escritor, do que serve o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e “inapelavelmente prisioneira na sua jaula de ferro” (cf. Mitzman, 1976). Gogol não foi político, não possuía um programa de ação contra qualquer regime político, que fazia da Rússia historicamente o que se tonaria um simulacro “metade caserna, metade prisão”. 
Bibliografia geral consultada.
HESSE, José, Breve Historia del Teatro Soviético. Madrid: Alianza Editorial, 1971; MITZMAN, Arthur, La Jaula de Hierro. Una Interpretación Histórica de Max Weber. Madrid: Editorial Alianza Universidad, 1976; COELHO, Paulo, Diário de um Mago. São Paulo: Editor Planeta do Brasil, 1987; BRAVO LOZANO, Millán; RAURICH, Miguel, Camino de Santiago Inolvidable. León: Editorial Everest, 1999; PORTELA SILVA, Ermelindo, Historia de la Ciudad de Santiago de Compostela. Universidad de Santiago de Compostela, 2003; FLETCHER, Richard Alexander, A Cruz e o Crescente: Cristianismo e Islã, de Maomé à Reforma. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2004; VARELA, Raquel, “Almas Mortas de Nicolau Gogol. Um Pedaço de História da Rússia”. In: Revista História, nº 90, outubro 2006;  MONTEIRO, Luís Ricardo Nunes da Costa, Arte e Ética. Uma Concepção de Artista a partir de Nikolai Gogol e Thomas Bernhard. Dissertação de Mestrado em Teorias da Arte. Lisboa: Faculdade de Belas Artes. Universidade de Lisboa, 2006; GOGOL, Nikolai, Almas Mortas. Lisboa: Editor Círculo de Leitores, 1977; Idem, Le Anime Morte. Roma: Einaudi Editore, 2007; Idem, Teatro Completo. São Paulo: Editora 34, 2009; SEIXAS, Rebeka Caroça, Metadramaturgia e Escrita Performática na Obra Dramatúrgica de Nikolai Gógol.  Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2016; HANOY, Idanise Sant’Ana Azevedo, Imagens Devocionais de Nossa Senhora de Nazaré: Iconografia, Devoção e Conservação. Tese de Doutorado. Escola de Belas Artes. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais, 2017; FONSECA FILHO, Odomiro Barreiro, Niilismo: Estrada para a Emancipação. O destino Literário das Personagens Femininas Russa na Era das Grandes Reformas (1855-1856). Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Letras Orientais. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017;  entre outros.

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