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domingo, 6 de setembro de 2026

Olimpíadas – Ginástica Artística, Nudez de Gênero & Competição Física.

 Grandeza, entidade variável, mas que, apesar da sua variação, continua sempre a ser a mesma”. Friedrich Hegel                                    

         A ginástica, enquanto um conjunto de práticas e saberes sociais em torno do exercício físico, afirmou-se na Antiguidade, estacionou na Idade Média, fundamentou-se na Idade Moderna e sistematizou-se geneticamente da Idade Contemporânea. A ginástica artística, enquanto atividade, teria surgido segundo estudos, na Grécia Antiga, como forma de atividade física atlética, e no Egito Antigo, comparativamente, onde as pessoas realizavam acrobacias circenses nas ruas com o intuito de entreter os transeuntes que ali passavam. Como a prática disciplinar constante desenvolvia habilidades corporais importantes, como a força e a elasticidade, ela passou a ser introduzida ao treinamento militar. Esta habilidade de uso fora realizada per se na Grécia onde a ginástica continuou a desenvolver-se. Em Roma, o apreço pela modalidade artística enquanto treinamento caiu em aparente desuso, e a ginástica passou a restringir-se a apresentações de circo que inspiravam os soldados antes das batalhas, enquanto estes davam à ginástica outros valores sociais em termos técnicos e militares. Seu ressurgimento na Era Moderna fora, como no princípio desenvolvido ligado à arte. A forma gímnica que chegou a Europa começou com o trampolim, tendo suas primeiras atividades descritas por Archange Tuccaro (1535-1602), no livro Trois Dialogues du Sr. Archange Tuccaro (1599), no século XV, ao Oeste europeu. Archange Tuccaro ou Tuccarro nascido na província de L`Aquila, foi um acrobata e equilibrista italiano que serviu ao Imperador Maximiliano II de Habsburgo e ao Rei Carlos IX da França. 

          Tuccaro escreveu um livro sobre acrobacias intitulado Diálogos sobre o Exercício de Saltar no Ar. Por ordem do Imperador Maximiliano II, foi um imperador eleito do Sacro Império Romano-Germânico, rei da Hungria entre 1564 e 1576 e rei da Boêmia entre 1564 e 1576. Filho de Fernando I do Sacro Império Romano-Germânico e Ana da Hungria e Boêmia, nascido em Viena, mas educado em Innsbruck, capital do estado do Tirol, no Oeste da Áustria, é uma cidade nos Alpes e tradicional destino para a prática de esportes de inverno, foi arquiduque da Áustria até 1550, rei da Boêmia e rei dos romanos a partir de 1562, rei da Hungria a partir de 1563 e imperador do Sacro Império Romano-Germânico de 1564 até sua morte em 1576. Tuccaro participou da comitiva de sua filha, a Arquiduquesa Isabel, que foi à França para se casar com o Rei Carlos IX, que, depois de vê-lo se apresentar em Mézières, quis tê-lo ao seu lado, concedendo-lhe o título de “saltarin du roi” (“saltador do rei”) e nomeando-o seu instrutor de exercícios acrobáticos. Em 1599, Tuccaro publicou em Paris seu livro Dialogues de l`Exercice de Sauter et Voltiger en l`Aire, avec les Figuras qui Servent à la Parfaite Demonstration et Intelligence du Dit Art.  O livro, inovador, ipso facto escrito em forma de diálogo, foi publicado com 88 gravuras ilustrando mais de 50 exercícios acrobáticos. É considerado o primeiro método de ginástica do mundo e acredita-se que tenha sido escrito de fato por Tuccaro para instrução do Rei Carlos IX.

No Renascimento, os principais artistas faziam culto ao corpo humano e às suas formas. Assim, a prática da ginástica nas escolas tornou-se constante, e cada dia mais a modalidade ganhava espaço entre os homens. Jean-Jacques Rousseau(1712-1778), em meados de 1700, publicou um ensaio misto de educação e treinamento físico para as crianças, chamado Émile; ou, de l’Education, que modificou os padrões e sistematizou uma nova aplicação, incluindo a prática da ginástica. Inspirado na reforma, Johann Christoph Friedrich Guts Muths (1776-1838), implementou a ginástica natural, composta por exercícios aeróbicos, voltada ao benefício corporal e a artificial, voltada para a beleza, como a variedade de montes e desmontes do cavalo. Seu surgimento oficial, entretanto, só ocorreu em 1811, quando o professor Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852) fundou em Berlim, na Alemanha, o primeiro clube voltado apenas à prática da ginástica. Inspirado pelo espírito patriota e pelos escritos de Muths – também reconhecido pai da ginástica pedagógica e autor do livro Gimnastik fur die Jugend (1793) — Jahn inspirou muitos jovens da cidade em prol do orgulho de uma revanche contra as tropas imperialistas de Napoleão, em 1813, pela libertação prussiana e posterior unificação alemã, fornecendo-lhes o ideal histórico e o senso das antigas tradições da nação, através da prática da sistematizada ginástica.                                   

Além disso, este educador ainda criou regras específicas, aparelhos diferentes e um sistema de exercícios físicos chamado Die Deutsche Turnkunst (em português: A Arte Gímnica), ainda considerado matriz na ginástica artística praticada. Nesta mesma época, na Suécia, Pehr Henrik Ling (1776-1839) introduziu um tipo diferente de ginástica. Seu sistema, baseado no exercício coletivo, aspirava desenvolver um ritmo perfeito do movimento. Assim como a ginástica de Jahn, os métodos de Ling também foram adotados para o treinamento militar. Junto a essas escolas incipientes, nasceram os Clubes de Ginástica Internacionais. Estes clubes estabeleceram associações nacionais para controlar os treinamentos e as competições. Não tardou para que a Federação Internacional de Ginástica uma das entidades esportivas mais antigas do mundo fosse fundada em 1881. Quinze anos depois, a modalidade fora incluída no programa dos primeiros Jogos Olímpicos modernos, realizados em Atenas, na Grécia. Por razões da origem do nome, a entrada das mulheres nas competições se deu na edição de 1928 das Olimpíadas, que aconteceu em Amsterdã, na Holanda. O referido nome incluía a prática nua por parte dos ginastas. Por esta razão, os homens nos Jogos, competiam despidos da cintura para cima. Com a providência de vestirem-se por completo, as mulheres comparativamente nas competições físicas puderam tête-à-tête estrear nos campeonatos.

 A partir daí, a evolução histórica da ginástica enquanto desporto, deu-se ao longo de poucos anos e 1950 foi um momento em particular: as mulheres competiram em alguns aparelhos masculinos, como as argolas e a ginástica rítmica ainda fazia parte das apresentações artísticas. Pouco antes e em seguida, algumas provas foram acrescentadas e outras retiradas. Os aparelhos foram definidos para cada evento. E por fim, seu aprimoramento não para e a cada revisão das regras e métodos, a dificuldade e a beleza dos movimentos aumenta. Atualmente, a ginástica artística é um dos mais populares esportes, não apenas nos Jogos Olímpicos, e um dos mais exigentes para com seus atletas e praticantes. Baseada nessa evolução e popularização entre as mulheres, a modalidade artística tornou-se a rainha da FIG entre as demais práticas da ginástica. Surgida como um esporte tipicamente masculino, a modalidade artística globalizou-se como um desporto feminino, que hoje possui maior destaque, um maior número de praticantes e atletas mundialmente reconhecidas. A abordagem através da divisão sexual do trabalho, segundo Helena Hirata, deveria permitir o rompimento das categorias tradicionais da sociologia industrial e de uma das concepções marxistas da separação – demasiado simplista – entre a esfera produtiva (produção de valor) e a esfera reprodutiva (produção de valores de uso não mercantis), com vistas à elaboração de novos conceitos que superem de um lado, a universalidade apenas aparente das categorias da economia política, muito frequentemente calcadas num modelo masculino, e que rompam com a divisão rígida das disciplinas, que caracterizam atualmente as ciências sociais. 

Nosso objeto de estudo – a divisão sexual do trabalho na reprodução das relações mercantis no Japão – convém melhor do que qualquer outro para tal posicionamento, na medida em que o caso japonês é particularmente exemplar: fluidez da linha de demarcação entre tempo de trabalho e tempo de extratrabalho, atividade profissional e pessoal, pública e privada; fluidez  na qual desempenha um papel decisivo o lugar primitivo atribuído às mulheres no seio da sociedade capitalista desenvolvida. A primeira marca histórica do patriarcado na divisão do trabalho segundo os sexos aparece no nível da linguagem.  Essa divisão do trabalho segundo os sexos, indicada no nível da linguagem, é praticada desde o nascimento, pontuada por ritos e marcada por inumeráveis símbolos. Com efeito, a aceitação e a interiorização da divisão sexual do trabalho tanto entre trabalho doméstico e trabalho assalariado quanto no interior mesmo do trabalho assalariado são o objetivo da socialização inicial das crianças. Essa educação é condição prévia da aceitação e interiorização mesmas da autoridade mediante aprendizado, na escola, das formas de linguagem diferenciadas de acordo com o estatuto social do emissor e do receptor. Assim, desde o nascimento, a menina será educada dentro do respeito pelos homens, que serão os primeiros (contrariamente ao Ladies First da etiqueta ocidental) a ser servidos à mesa e a ter os melhores pedaços; os primeiros a entrar no banho; o que consagra e reproduza o preceito feudal das mulheres dentro e dos homens fora (“oto wa sotomawari, tsuma wa utimawari”) e a regra de obediência em ordem: quando jovem, ao pai; casada, ao marido, e idosa, ao primogênito. 

Esse duplo movimento impulsionou em vários países a abordagem da divisão sexual do trabalho para repensar a questão tópica do trabalho e suas categorias. Essas reflexões levaram a mudança de simbólica da sociologia da família e do paradigma funcionalista que lhe servia de base. No que se referem à sociologia do trabalho (cf. Braga, 1990) elas permitiram retomar noções e conceitos como de qualificação, produtividade, mobilidade social e abriram novos campos de pesquisa: relação de serviço, trabalhos de cuidado pessoal, mixidade no trabalho, ingresso das mulheres às profissões de nível superior, temporalidades sexuadas, vínculos entre políticas de emprego e políticas para família etc. Tal literatura tinha como escopo aspectos sociais como o crescimento das taxas de desempenho de atividade no trabalho, o perfil etário da mulher na composição da força de trabalho e as transformações sociais no padrão de mixidade em setores e ocupações enquanto tendências que também se verificavam em outros países.  A divisão sexual do trabalho é a forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais entre os sexos; mais do que isso, é um fator prioritário para a sobrevivência da relação social entre os sexos. Essa forma é modulada entre os sexos. Tem como características a designação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e, per se, a apropriação pelos homens das funções com maior valor social adicionado (políticos, religiosos, militares etc.). Sobre essa definição, todo mundo, ou quase, está de acordo. Em nosso ponto de vista, era necessário ir mais longe ao plano conceitual.

Por isso, propusemos distinguir claramente os princípios da divisão sexual do trabalho e suas modalidades. Essa forma particular da divisão social do trabalho tem dois princípios organizadores: o de separação existente entre trabalhos de homens e trabalhos de mulheres e o princípio hierárquico, segundo o qual, um trabalho de homem “vale” mais que um trabalho de mulher. Esses princípios são válidos tanto no plano teórico como empírico para todas as sociedades no tempo e no espaço. Portanto, pode ser aplicada mediante um processo específico de legitimação, a chamada ideologia naturalista. Esta rebaixa o gênero ao sexo biológico, reduz as práticas sociais a “papéis sociais” sexuados que remetem ao destino natural da espécie. Com essa perspectiva naturalista e manipuladora da realidade, a ideologia naturalista dificulta a consciência de que a desigualdade entre os sexos é determinada por interesses socialmente construídos. Se os dois princípios (de separação e hierárquico) encontram-se em todas as sociedades conhecidas e são legitimados pela ideologia naturalista, isto não significa, no entanto, que a divisão sexual do trabalho seja um dado imutável. Ao contrário, ela tem inclusive uma incrível plasticidade: suas modalidades concretas variam grandemente no tempo e no espaço, como demonstraram fartamente antropólogos e historiadores (as). O que é estável não são as situações (que evoluem sempre), e sim a distância entre os grupos de sexo. Esta análise deve tratar dessa distância, assim como das “condições”, pois, se é inegável que a condição feminina melhorou, pelo menos na sociedade francesa, a distância continua insuperável. 

Trata-se antes de tudo da aparição e do desenvolvimento, com a precarização e a flexibilização do emprego, de “nomadismos sexuados”, segundo Kergoat (1998): nomadismo no tempo, para as mulheres (é a explosão do trabalho em tempo parcial, geralmente associado a períodos de trabalho dispersos no dia e na semana); nomadismo no espaço, para homens com provisórios canteiros do Banque du Bâtiment et Travaux Publics (BTP) e do setor nuclear para os operários, banalização e aumento dos deslocamentos profissionais na Europa no mundo para executivos. Constata-se que a divisão sexual do trabalho molda as formas do trabalho e de emprego e, que a bendita “flexibilização” reforça as formas mais estereotipadas das relações sociais de sexo. O segundo exemplo é o da priorização do emprego feminino, que ilustra bem o cruzamento das relações sociais. Desde a década de 1980, o número de mulheres contabilizadas pelo Institut National de la Statistique et des Études Économiques - como “funcionários e profissões executivas de nível superior” mais do que dobrou; eles destacam que cerca de 10% das mulheres ativas são classificadas nessa categoria. Simultaneamente à precarização e à pobreza de um número crescente de mulheres, observa-se, portanto, o aumento dos capitais econômicos, culturais e sociais estudados desed Marx à Boudieu de uma proporção não desprezível de mulheres ativas no trabalho. Assiste-se também ao aparecimento, pela primeira vez na história social do capitalismo, de uma camada de mulheres cujos interesses diretos, isto é, não mediados como antes pelos homens: pai, esposo, amante, opõem-se frontalmente aos interesses daquelas que foram atingidas pela generalização do tempo parcial, pelos empregos em serviços muito mal remunerados e não reconhecidos socialmente e, de maneira mais geral, pela precariedade.                       

 Enfim, as mulheres das sociedades do Norte trabalham cada vez mais e, com uma frequência cada vez maior, são funcionárias e investem em suas carreiras. Como o trabalho doméstico nem sempre é levado em conta nas sociedades mercantis, e o envolvimento pessoal é cada vez mais solicitado, quando não exigido pelas novas formas de gestão de empresas, essas mulheres para realizar seu trabalho profissional precisam externalizar o trabalho doméstico. Para isso, podem recorrer à enorme reserva de mulheres em situação precária, sejam francesas ou imigrantes. Essa demanda, maciça no âmbito europeu, criou um imenso alento para as mulheres migrantes que chegam aos países do Norte com a esperança de conseguir um emprego de serviço, neste caso, particularmente no cuidado de crianças e idosos, no em prego doméstico e assim por diante. Essas mulheres, muitas vezes diplomadas, entram em concorrência direta com as dos países de origem, que têm situação precária e pouco estudo. Duas relações sociais entre mulheres, inéditas historicamente, estabelecem-se dessa maneira: uma relação de classe entre as mulheres do Norte, empregadoras, e essa nova classe servil; uma relação de concorrência entre mulheres, todas precárias, mas precárias de maneira diferente, dos países do Norte e dos países do Sul e, logo também, de etnias diferentes com a chegada e a esse mercado globalizado em movimento de mulheres dos países do Leste.

As relações étnicas começam assim a ser remodeladas através das migrações femininas e da explosão dos serviços a particulares. As relações de gênero também se apresentam de uma forma inédita: a externalização do trabalho doméstico tem uma função de apaziguamento das tensões nos casais burgueses dos países do Norte (e em inúmeros países urbanos do Sul, mas, nesse caso, trata-se de movimentos migratórios internos no país em questão) e permite igualmente maior flexibilidade das mulheres em relação à demanda de envolvimento das empresas. A reorganização simultânea do método e processo de trabalho no campo assalariado da oficina, da fábrica, e no campo doméstico da casa. O que remete, no que diz respeito a este último, à externalização do trabalho doméstico, mas também à nova divisão do trabalho doméstico, o maior envolvimento de certos pais é acompanhado de um envolvimento quase exclusivo no trabalho parental; duplo movimento de mascaramento, de atenuação das tensões nos casais, de um lado, e a acentuação das clivagens objetivas entre mulheres, de outro: ao mesmo tempo em que aumenta o número de mulheres em profissões de nível superior, cresce o de mulheres em situação precária de desemprego, flexibilidade, feminização das correntes migratórias.

 Esses movimentos desenvolvem-se em um nível material, a externalização, mas, evidentemente, estendem-se às representações ad hoc (os “novos pais”, o casal visto como lugar de negociação entre dois indivíduos iguais de direito e de fato). Contudo, é preciso rever agora a outra modalidade de teorização, a da divisão sexual do trabalho como vínculo social, pois é ela que fundamenta a tese, que hoje adquiriu o estatuto de política – e de política europeia a partir da cúpula de Luxemburgo em 1997 -, da conciliação vida familiar/vida profissional – política fortemente sexuada, visto que define implicitamente um único ator dessa conciliação: as mulheres, e consagra o statu quo segundo o qual homens e mulheres não são iguais perante o trabalho profissional. A ideia de uma complementaridade entre os sexos está inserida na tradição funcionalista da complementaridade de papéis. Remete a uma conceptualização em termos de vínculo social pelos conteúdos de sentido de suas noções como solidariedade orgânica, conciliação, coordenação, parceria, especialização e divisão de tarefas etc. A abordagem em termos de complementaridade, e por asim dizer, em opsição assimétrica, é coerente com a ideia de uma divisão de trabalho entre mulheres e homens do trabalho profissional e doméstico e, dentro do trabalho profissional, a divisão entre tipos sociais e modalidades de empregos que possibilitam a reprodução dos papéis sexuados. É essa expansão dos empregos em serviços nos países capitalistas ocidentais, tanto desenvolvidos como em vias de desenvolvimento, como o Brasil, que oferecem novas “soluções” para o antagonismo entre responsabilidades familiares e profissionais.   

Os Jogos Pan-Americanos de 2007, oficialmente denominados XV Jogos Pan-Americanos, foram um evento multiesportivo realizado em julho na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Durante os dezessete dias de competições, 5633 atletas de 42 países competiram em 332 eventos de 47 modalidades. O Rio de Janeiro foi eleito sede dos Jogos em 2002, vencendo a cidade de San Antonio, nos Estados Unidos. Nos cinco anos de preparação, diversos locais de competição foram construídos ou reformados e mais de vinte mil voluntários foram convocados para trabalhar no evento principal e em eventos preparatórios. Ações como a escolha do nome da mascote e o revezamento da Tocha Pan-Americana foram feitas para envolver todo o país na realização do Pan. Os Jogos do Rio de Janeiro criaram uma nova perspectiva e definiram novos marcos para os Jogos Pan-Americanos. Considerada uma competição olímpica de nível organizado, esta edição foi a mais cara na história do evento, com um orçamento de 2 bilhões de dólares. Os meios de comunicação relataram um interesse do público sem precedentes nos Jogos, com o maior público e maior audiência de televisão na história do Pan-Americano. Os jogos foram transmitidos em alta definição e todas as instalações esportivas estavam localizadas dentro dos limites da cidade de acolhimento. Esta edição do Pan foi marcada por atrasos nas obras, como também por polêmicas envolvendo a postura dos torcedores, que vaiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de Abertura e atletas estrangeiros durante todo o evento, e pela deserção de quatro membros da delegação de Cuba. Durante o período do Pan também ocorreu o acidente com o Voo TAM 3054 em São Paulo, tendo sido decretado luto oficial pelo governo federal e pela ODEPA.

Dentro dos locais de competição, o Rio de Janeiro viu as conquistas da primeira medalha de Granada e do primeiro ouro de Antígua e Barbuda e El Salvador, os feitos de Thiago Pereira, o maior medalhista em uma única edição do Pan, e a vitória do Brasil no futebol feminino em um Maracanã lotado. Em agosto, foram realizados os Jogos Parapan-Americanos de 2007, que pela primeira vez ocorreram na mesma cidade e foram organizados pelo mesmo comitê do Pan. Foi a segunda vez que uma cidade brasileira recebeu os Jogos Pan-Americanos. A primeira edição sediada no Brasil ocorreu em 1963, em São Paulo. Enfim, para Hirata, os estudos de gênero têm, sobretudo, contribuído para ampliar o conceito de trabalho para além do trabalho profissional, restituindo a importância devida ao trabalho doméstico e ao trabalho exercido pelas mulheres no interior da família. A gratuidade dessa modalidade de trabalho repercute sobre o trabalho profissional das mulheres, que é constantemente desvalorizado e não reconhecido. Pensamos - afirma - que o debate marxista sobre trabalho produtivo e improdutivo, que dominou a polêmica sobre o trabalho doméstico nos anos 1970, foi suplantado pelo estudo empírico das características constitutivas do trabalho doméstico, como relação de “disponibilidade permanente” aos filhos, ao marido, ao companheiro, etc. Essas análises apontam para outra dimensão específica do trabalho, a dimensão da afetividade, do amor, que está no cerne do exercício do “care” no interior da família, base da sociedade. A dificuldade em lutar contra a divisão sexual do trabalho doméstico, que aloca à mulher as tarefas relacionadas ao ambiente da casa e às crianças, liberando o homem para as responsabilidades na esfera profissional, está nessa dimensão de afetividade, que cria relação precisa nesta perspectiva crítica de “servidão voluntária” das mulheres.

Bibliografia Geral Consultada.

JAEGER, Werner, Paidéia: los Ideales de la Cultura Griega. México: Fondo de Cultura Económica, 1962; MITZMAN, Arthur, La Jaula de Hierro. Una Interpretación Histórica de Max Weber. Madrid: Alianza Universidad, 1976; GUATTARI, Félix, As Três Ecologias. Campinas (SP): Editora Papirus, 1990; RODRIGUES, José Carlos, Ensaios em Antropologia do Poder. Rio de Janeiro: Editora Terranova, 1992; Idem, O Corpo na História. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1999; HAURICH, Héctor, Hegel y la Lógica de la Pasión. Buenos Aires: Marymar Ediciones, 1995; VERNANT, Jean-Pierre, O Universo, os Deuses, os Homens. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2000; LAQUEUR, Thomas, Inventando o  Sexo: Corpo e Gênero, dos Gregos à Freud. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2001; KERGOAT, Daniele, “A Classe Operária tem Dois Sexos”. In: Revista de Estudos Feministas, Ano 2, 1º semestre, 1994; Idem, “Reestruturação Produtiva e Relações de Gênero”. In: Revista Latinoamericana de Estudos do Trabalho, Ano 4, n° 7, 1998; HIRATA, Helena; MARUANI, Margaret (Org.), Novas Fronteiras da Desigualdade: Homens e Mulheres no Mercado de Trabalho. 1ª edição São Paulo: Editora Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, 2003; HALL, Stuart, Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2003; DEVIDE, Fabiano Pires, Gênero e Mulheres no Esporte: História das Mulheres nos Jogos Olímpicos. Ijuí: Unijuí, 2005; RAGO, Margareth, A Aventura de Contar-se: Feminismos, Escrita de Si e Invenções da Subjetividade. Campinas: Editora da Unicamp, 2013; DURKHEIM, Émile, Da Divisão do Trabalho Social. 4ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2015; ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric, A Busca da Excitação: Desporto e Lazer no Processo Civilizacional. 1ª edição. Lisboa: Edições 70, 2019; HOBSBAWM, Eric, A Era dos Impérios. 31ª edição. São Paulo: Editora Paz & Terra, 2022; GAUDÊNCIO, Marcelo Araujo; PENA, Graziele Borges de Oliveira; DARSIE, Marta Maria; PAULA, Jacqueline Borges de, “Fogo e Ciência Moderna no Mito de Prometeu: Reflexões à Luz da Filosofia Baconiana”. In: Veritas. Porto Alegre, vol. 71, n° 1, pp. 1-13, jan.-dez. 2026; ROAN, Dan, “Só Mulheres Biológicas Poderão Competir em Esportes Femininos nas Olimpíadas, Decide COI”. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/26/03/2026; entre outros.