Na cultura desenvolvida da Península Ibérica, o Circo
de Termes ou “Circo de Touros” refere-se a um tipo de espetáculo taurino, extraordinariamente popular na Península Ibérica, que envolve a lide de touros com cavaleiros e
toureiros, parece ter sido um local consagrado onde “os celtiberos praticavam o
sacrifício ritual dos touros”. A estela de Clunia é a mais antiga representação
do confronto de um guerreiro com um touro. As representações taurinas de
variadas fontes arqueológicas encontradas na Península Ibérica, tais como comparativamente
os vasos de Líria, as esculturas dos Berrões, a bicha de Balazote ou o touro de
Mourão estão, quase sempre, relacionadas com as noções simbólicas de utilidade
de uso de força, bravura, poder, fecundidade e vida, que simbolizam o sentido
ritual e sagrado que o touro ibérico teve na Península. A palavra “tauromaquia”
é oriunda do grego ταυρομαχία - tauromachia (combate com touros).
O registo pictórico mais antigo da realização de espetáculos com touros remete
à ilha de Creta (Knossos). Esta arte está presente em diferentes
vestígios desde a Antiguidade clássica, sendo reconhecido o afresco da tourada
no palácio de Cnossos, em Creta. Júlio César, durante a exibição do venatio,
introduziu uma espécie de “tourada” onde cavaleiros da Tessália perseguiam
diversos touros dentro de uma arena, até os touros ficarem cansados o
suficiente para serem seguros pelos cornos e depois executados. O uso de uma
capa num confronto de “capa e espada com um animal numa arena está registrado
pela primeira vez na época do imperador Cláudio”.
O termo Celtiberi aparece em relatos de Diodoro Sículo, Apiano e Marcial que reconheceram o casamento misto entre celtas e ibéricos após um período de guerra contínua, embora o arqueólogo britânico Barry Cunliffe diga que “isso soa como uma suposição”. Estrabão simplesmente via os celtiberos como um ramo dos celtas. Plínio, o Velho, pensava que a terra natal original dos celtas na Ibéria era o território dos celtas no Sudoeste, com base “na identidade de ritos sagrados, língua e nomes de cidades”. Estrabão cita a crença de Éforo de que havia celtas na península Ibérica até Cádiz. A presença celta na Península Ibérica provavelmente remonta ao século VI a.C., quando os castros demonstraram uma nova permanência com muros de pedra e fossos de proteção. Os arqueólogos Martín Almagro Gorbea e Alberto José Lorrio Alvarado reconhecem as ferramentas de ferro características e a estrutura social familiar extensa da cultura celtibérica desenvolvida como uma evolução da cultura castro arcaica, que eles consideram proto-celta. As descobertas arqueológicas identificam a cultura como contínua com a cultura relatada por escritores clássicos a partir do final do século III (Almagro-Gorbea e Lorrio). O mapa étnico da Celtiberia era altamente localizado, composto por diferentes tribos e nações localizadas a partir do século III, centradas em ópidos fortificados e representando um amplo grau de assimilação local com as culturas autóctones, em uma mistura pari passu de origens celtas e ibéricas. O principal bastião cultural dos celtiberos era Norte da meseta central, nos vales superiores dos rios Tejo e Douro, a Leste até o rio Ibero (Ebro), nas atuais províncias de Sória, Guadalajara, Saragoça e Teruel. Ali, neste “lugar praticado”, quando geógrafos e historiadores gregos e romanos os encontraram, os celtiberos estabelecidos eram controlados na esfera política por uma aristocracia militar que se tornara uma elite hereditária.
A tribo dominante era a dos Arevaci, que subjugavam seus vizinhos a partir de poderosas fortalezas em Okilis (Medinaceli) e que lideraram a longa resistência celtibérica contra Roma. Outros celtiberos eram os Belli e os Titti, no vale do Jalón, e os Lusones, a Leste. As escavações nas fortalezas celtibéricas de Kontebakom-Bel Botorrita, Sekaisa Segeda e Termantia complementam os objetos funerários encontrados nos cemitérios celtibéricos, onde os túmulos aristocráticos dos séculos VI e V a.C. dão lugar a túmulos de guerreiros, com uma tendência, a partir do século III a.C., de as armas desaparecerem dos objetos funerários, o que indica urgência na sua distribuição entre os guerreiros vivos ou, como pensam Almagro-Gorbea e Lorrio, a crescente urbanização da sociedade celtibérica. Muitas ópidas do período celtibérico tardio ainda estão ocupadas por cidades modernas, dificultando per se a pesquisa em arqueologia. O trabalho em metal se destaca nas descobertas celtiberas, em parte devido à sua natureza indestrutível, enfatizando os artigos de uso bélico, arreios de cavalos e armas de prestígio. A espada de dois gumes adotada pelos romanos já era usada pelos celtiberos, e o termo latino lancea, que designava uma lança de arremesso, era uma palavra de origem hispânica, segundo Varrão. A cultura celtibera foi cada vez mais influenciada por Roma nos dois últimos séculos a.C. A partir do século III, o clã foi suplantado como unidade política celtibérica básica pelo ópido, uma cidade fortificada e organizada com um território definido que incluía os castros como assentamentos subsidiários. Essas civitates, como as chamavam os historiadores romanos, podiam fazer e desfazer alianças, como atestam os pactos de hospitalidade inscritos que sobreviveram, e cunhavam moedas. As antigas estruturas clânicas persistiram na formação dos exércitos celtibéricos, organizados segundo as linhas da estrutura clânica, com consequentes perdas de controle estratégico e tático.
Tibério Cláudio César Augusto Germânico nasceu em Lugduno, em 1° de agosto de 10 a.C. e faleceu em Roma, em 13 de outubro de 54 d.C. Foi o quarto imperador romano da dinastia júlio-claudiana, e governou de 24 de janeiro de 41 d.C. até a sua morte em 54. Nascido na atual Lyon, na Gália, foi o primeiro imperador romano nascido fora da península Itálica. Permaneceu apartado do poder por ser portador de deficiências físicas: era manco e gago, até seu sobrinho Calígula, seguidamente de se tornar imperador, o nomear como cônsul e senador. A sua pouca atuação no terreno político, que representava a sua família, serviu-lhe para sobreviver nas diferentes conjuras que provocaram a queda de Tibério e Calígula. Nesta última conjura, os pretorianos que assassinaram o seu sobrinho encontraram-no atrás duma cortina, onde se escondera acreditando que o iam matar. Após a morte de Calígula, Cláudio era o único homem adulto da sua família. Este motivo, junto à sua aparente debilidade e a sua inexperiência política, fez que a guarda pretoriana o proclamasse imperador, pensando talvez que seria um títere fácil de controlar. Apesar de sua falta de experiência, Cláudio era um administrador capaz e eficiente. Ele expandiu a burocracia imperial para incluir libertos e ajudou a restaurar as finanças do império após os excessos do reinado de Calígula. Ele também era um empreendedor ambicioso, construindo novas estradas, aquedutos e canais por todo o Império. Durante seu reinado, o Império iniciou sua conquista bem-sucedida da Britânia. Tendo um interesse pessoal em direito, ele presidiu julgamentos públicos e emitiu éditos diariamente.
Ele foi visto como vulnerável durante todo o seu
reinado, particularmente por elementos da nobreza. Cláudio foi constantemente
forçado a consolidar sua posição como imperador, o que na esfera política resultou
na morte de muitos senadores. Esses eventos prejudicaram sua reputação entre os
escritores antigos, embora historiadores mais recentes tenham revisado essa
opinião. Muitos autores afirmam que ele foi assassinado por sua própria esposa,
Agripina, a Jovem. Após sua morte, aos 63 anos, seu sobrinho-neto e enteado
legalmente adotado, Nero, o sucedeu como imperador. A tourada fez parte das
origens históricas e políticas de Portugal. Dentre a formação e desenvolvimento
da Realeza, aqueles que foram reais toureiros foram D. Sancho II, D.
Sebastião, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. Miguel e D. Carlos. Todos toureavam a
cavalo, “mas D. Pedro II chegou a enfrentar o touro a pé”. O que mais
contribuiu para o desenvolvimento das touradas terá sido D. Sebastião, que
pediu ao Papa Gregório que revogasse a Bula Pontifícia de Pio V que proibia as
touradas. Entretanto, as touradas como as reconhecemos hoje em dia nasceram no
Iluminismo, entre o século XVII e XVIII, e realizavam-se nas praças públicas
das cidades. Em Lisboa, a Praça do Comércio e o Rossio eram os locais usados
para as touradas. Em Braga, as touradas eram realizadas na Praça dos Arcebispos
que ficou tão famosa pelas suas touradas que foi renomeada a Campo dos
Touros, atual Praça do Município sob os auspícios de vários Arcebispos da
cidade até à sua proibição.
Desde o século XVIII, as touradas começaram a realizar-se em recintos fechados criados para correr os touros, as atuais praças de touros. A maior praça europeia é a “Las Ventas”, em Madrid. Numa tourada, todos os touros têm, pelo menos, quatro anos de idade. Quando os touros lidados ainda não fizeram os 4 anos, diz-se que é uma novilhada. A lide varia de país para país. Em Portugal, tem duas fases: a chamada lide a cavalo ou, menos correntemente, lide a pé, e, posteriormente, a pega. A primeira é levada a cabo por um cavaleiro lidando o touro. A lide consiste na colocação de bandarilhas, ditas farpas, de tamanhos variáveis, começando com bandarilhas longas e culminando frequentemente com bandarilhas muito curtas, ditas “de palmo”. Em Portugal as touradas foram proibidas em 1836, durante o reinado de D. Maria II, mas tal proibição durou somente 9 meses, pois a população revoltou-se contra a mesma. Voltaram assim a ser permitidas, mas sendo proibidos os chamados touros de morte, onde o touro é morto em praça pública, embora tal prática tenha continuado a acontecer em diversas corridas. Em 1928, os touros de morte foram proibidos em Portugal. Em 2002, a lei foi alterada, voltando a permitir os toiros de morte em locais justificados pela tradição, como na vila de Barrancos. Em Monsaraz o touro continuou a ser morto entre 2002 e 2013 seguindo uma tradição centenária, mesmo sem autorização administrativa, defendendo os locais que esta vila cumpria os requisitos legais para ter touros de morte, e o Tribunal Administrativo para que recorreram lhes dado razão e, em consequência, os espetáculos com “touros de morte” na vila medieval de Monsaraz passaram a ser autorizados pela autoridade administrativa competente, a Inspeção-geral das Atividades Culturais desde 2014.
A lide de “touros a pé”
foi sempre muito associada a Espanha, sendo uma das imagens de marca
deste país, especialmente no Sul, em zonas como a Andaluzia ou a Extremadura,
no entanto é praticada em todos os oito países taurinos, a saber: França,
Espanha, Portugal, México, Peru, Venezuela, Equador e Colômbia. Não se tem a
certeza da origem do toureio “apeado”, mas crê-se que nasceu por volta de 1669,
quando Filipe V foi coroado rei. De sensibilidade diferente de seu pai, logo
mostrou o seu desagrado perante as corridas de touros. A fidalguia, com
necessidade de agradar ao novo rei, afastou-se das arenas, mas o povo manteve a
sua paixão e continuou a lidar touros, porém, não tendo dinheiro para sustentar
cavalos, passou a toureá-los a pé. Atualmente, a lide de touros é bastante
diferente e bastante mais “evoluída”. A lide de touros a pé está dividida em
três tercios: No primeiro, o “tercio de varas”, o toureiro utiliza uma capa
larga e pesada, geralmente cor-de-rosa e amarela, denominada capote. Com
o capote, o toureiro pode avaliar a bravura do touro com alguma segurança. Em
seguida incentiva-se o touro a investir contra o “picador”, tendo como
representação social o personagem montado em cima de um cavalo tapado por uma
forte proteção, que utiliza “uma vara comprida” (“puya”),
cravando-a no dorso do animal. Com o picador, “corrige-se” a investida
do touro, tirando-se um pouco mais de força, por segurança e o toureiro
consegue avaliar novamente a bravura do animal que tem pela frente.
No segundo, o “tercio de bandarilhas”, um bandarilheiro crava, a pé, dois ou três pares de bandarilhas no dorso do touro, com o objetivo de o acordar/despertar o toiro começa a cansar-se para o vem de seguida. No terceiro, o “tercio de muerte”, é que se vê a reconhecida “arte de tourear”. Um toureiro, apenas munido de uma leve capa encarnada (a “muleta”) e de um “estoque”, toureia o enorme e perigoso animal que tem pela frente, com o objetivo de criar na história social e política da nação uma lide bela e artística. Quando o touro estiver completamente dominado, sem qualquer resto de altivez, então chega-se exatamente à altura de o matar. Este é, provavelmente, o momento em que se vê claramente todo o objetivo e a razão de ser das corridas de touros. Este é, também, o momento mais perigoso de toda a lide, pois o toureiro chega-se muito próximo dos cornos do touro e arrisca-se seriamente a levar uma cornada. Com o “estoque” que é uma espécie de espada encurvada, este crava-o no animal, tentando acertar diretamente no coração, pois quanto menos tempo o toiro estive a sofrer com o “estoque” e mais rápido morrer, melhor é considerada a “estocada”. Em Portugal, devido à proibição de matar os touros dentro da arena, com excepção de Barrancos e Monsaraz, crava-se uma última bandarilha seguindo o mesmo gesto, sendo o animal morto mais tarde num matadouro.
Do seu
admirável percurso constaria ainda a atuação, no México em três corridas no mesmo
dia, nas praças de Morelia, Cidade do México e Acapulco, em mano-a-mano com o
mítico Carlos Arruza; e a assistência de mais de 88 mil espetadores, numa
corrida realizada no Estádio Gelora Bung Karno, em Jacarta, Indonésia. Não por
acaso recebeu o prestigiado prêmio Rosa Guadalupana, a 29 de janeiro de 1950,
na Plaza México. Em 1950 é reconhecido como o mais solicitado “matador do
mundo”, liderando o escalão da temporada, chegando assim “a um patamar nunca
alcançado por outro toureiro a pé português”. Uma série de escritores baseados
em Paris nas décadas 1920 e 1930 do século passado usaram da tourada espanhola
para refletir sobre as realidades políticas da guerra moderna (cf. Sobral,
2008; 2016), a partir da 1ª grande guerra (1914-18), passando pela Guerra Civil
Espanhola (1936-1939) e chegando às portas da 2ª guerra mundial entre
1939-1945, infere Luís Felipe Sobral na tese de doutorado: “Fronteiras da
Europa: A Corrida de Touros Vista da Paris Literária Entre-Guerras” (2015),
orientada por Heloisa Pontes no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.
Estruturada sob a forma de ensaio, a tese doutoral parte da resenha de Ernest
Hemingway, “Morte ao Cair da Tarde”, escrita pelo poeta surrealista e antropólogo
francês Michel Leiris e publicada em junho de 1939, às portas da 2ª guerra
mundial (1939-45), que começaria em setembro do mesmo ano, com a invasão da
Polônia por forças nazifascistas alemãs e a guerra de guerrilha marxista
soviética.
Bibliografia geral consultada.
CAMBRIA, Rosário, Los Toros: Tema Polêmico en el Ensayo Español del Siglo XX. Madrid: Editorial Gredos, 1975; SIMMEL, Georg, La Tragédie de la Culture. Paris: Petite Bibliothèque Rivages, 1988; BURKE, Peter, La Cultura Popular en la Europa Moderna. Madrid: Alianza Editorial, 1991; BRAGA, Paulo Drumond, “Touradas em Portugal no Século XVIII Segundo Alguns Relatos de Viajantes Estrangeiros”. In A Festa (Vol. II), Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII, 649-668. Lisboa: Universitária Editora, 1992; ÁLVAREZ DE MIRANDA, Ángel, Ritos y Juegos del Toro. Madrid: Biblioteca Nueva, 1998; LEIRIS, Michel, Espelho da Tauromaquia. São Paulo: Editor Cosac & Naify, 2001; McCLOSKEY, Barbara, Artists of World War II. London: Editor Greenwood Press, 2005; MOZER, Mariana Calvo, Touradas, Toureiros e Morte. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzir, 2010; BARBOSA, Rodrigo Garcia, Um Corpo entre Imagem e Gesto: A Tauromaquia na Poesia de João Cabral de Melo Neto. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários. Faculdade de Letras. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2013; CAPUCHA, Luís, “Festas de Touros”. In: Revista Anthropológicas. Ano 17, volume 24(1): 2013; DELGADO RUIZ, Manuel, De la Muerte de un Díos. La Fiesta de los Toros en el Universo Simbólico de la Cultura Popular. Barcelona: Editorial Península, 2014; CAPUCHA, Luís, “O Campo da Tauromaquia”. In: Sociologia. Problemas e Práticas 5 (1988): 147 -165; Idem, “Tauromaquia e Identidades Culturais Locais”. In: Sociologia. Problemas e Práticas 8 (1990): 139 -145; Idem, “Histórias da Tauromaquia em Portugal: cavaleiros, forcados, matadores e festas populares”. In: Des Taureaux et des Hommes (Eds), Annie Mollinié-Bertrand, Jean-Paul Duviols e Araceli Guillaume-Alonso, 135 -148. Paris: Presses de l’Université de Paris-Sorbonne, 1999, Idem, “Barrancos na Ribalta, ou a metáfora de um país em mudança”. In: Sociologia, Problemas e Práticas 39 (2002): 9 -38; Idem, “Festas de Touros”. In: Revista Anthropológicas 24 (1) (2013): 145-179; SOBRAL, Luís Felipe, “O Pensamento Selvagem de Michel Leiris”. In: Novos Estudos CEBRAP, pp. 207-215, 2008; Idem, Fronteiras da Europa: A Corrida de Touros Vista da Paris Literária Entreguerras. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2015; UNGARI, Diego de Freitas, Os Chifres Entre a Cruz e a Espada: Um Estudo das Festas de Touros na Espanha nos Séculos (XV-XVI). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Departamento de História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2016; entre outros.




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