quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Não Diga Uma Palavra – Arte, Suspense & Metáforas da Desordem.

Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”. Sigmund Freud                                   

            

           O Esclarecimento exprime o movimento real da sociedade burguesa como um todo sob o aspecto da encarnação de sua Ideia em pessoas e instituições, assim também a verdade não significa meramente a consciência relacional, mas, do mesmo modo, a figura que esta assume na realidade efetiva. O medo que o bom filho da civilização moderna tem de afastar-se dos fatos – fatos esses que, no entanto, já estão pré-moldados como clichês na própria percepção pelas usanças dominantes na ciência, nos negócios e na política – é exatamente o mesmo medo do desvio social. Essas usanças também definem o conceito de clareza na linguagem e no pensamento a que a arte, a literatura e a filosofia devem se conformar. Ao tachar de compilação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira. É característico de uma situação in statu nascendi sem saída que até mesmo o mais honesto dos reformadores, ao usar uma linguagem desgastada para recomendar a inovação social, adota também o aparelho categorial inculcado e a má filosofia que se esconde por trás dele, e assim reforça o poder da ordem existente que ele gostaria de romper. A “falsa clareza”, a ilusão em relação à realidade em si é apenas uma outra expressão do mito. Este na história da humanidade sempre foi obscuro e iluminante ao mesmo tempo. 

       Suas credenciais tem sido desde sempre a familiaridade e o fato de dispensar o trabalho característico do conceitoA aporia com que defrontamos em nosso trabalho cotidiano revela-se assim como o primeiro objeto a investigar: a autodestruição do esclarecimento. Não alimentamos dúvida nenhuma, afirmavam Adorno e Horkheimer (1985) – e nisso reside nossa petitio principi - de que a liberdade na sociedade é inseparável do pensamento esclarecido. Se o esclarecimento não acolhe dentro de si a reflexão sobre esse elemento regressivo, ele está selando seu próprio destino. Abandonado a seus inimigos e reflexão sobre o elemento destrutivo do progresso, o pensamento cegamente pragmatizado perde seu caráter superador e, por isso, também a sua relação social com a verdade. A disposição enigmática das massas educadas tecnologicamente a deixar dominar-se pelo fascínio de um despotismo, sua afinidade autodestrutiva com a paranoia racista, todo esse absurdo incompreendido manifesta socialmente fraqueza e a dúvida sobre o poder de compreensão do pensamento teórico no âmbito científico. A causa da recaída do esclarecimento não deve ser buscada tanto nas mitologias nacionalistas, pagãs e em outras mitologias modernas especificamente idealizadas em vista dessa recaída, mas no próprio esclarecimento paralisado pelo temor da verdade. 

     A naturalização dos homens não é dissociável do progresso. O aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para o mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O indivíduo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos. Ao mesmo tempo, estes elevam o poder a sociedade sobre a natureza a um nível jamais imaginado. Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o indivíduo se vê, ao mesmo tempo, melhor do que nunca provido por ele. Numa situação injusta, a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela per se destinados. A elevação do padrão de vida das classes sociais subalternas, materialmente considerável e socialmente lastimável, reflete-se da difusão hipócrita do espírito. Sua verdadeira aspiração é a negação da reificação. Mas ele necessariamente se esvai quando se vê concretizando em um bem cultural e distribuído paras fins de consumo. A enxurrada de informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza as pessoas ao mesmo tempo. O que está em questão não é a cultura como valor. A questão é que o esclarecimento deve tomar consciência de si mesmo, se os homens não forem traídos. Não se trata da conservação/superação hegeliana (2001) do passado, mas de resgate-esperança. O passado se prolonga como sua própria destruição.                                       

Escólio: Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim a Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto.

É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado. Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização.

O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.

Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo ainda não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião).  O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal.

Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. No trajeto social para a concepção de ciência moderna, os homens renunciaram ao sentido e substituíram o conceito pela fórmula, a causa pela regra e pela probabilidade. A causa representou apenas o último conceito filosófico que serviu de padrão para a crítica científica, porque ela era, por assim dizer, dentre todas as ideias antigas, o único conceito que a ela ainda se apresentava, derradeira secularização do princípio criador. 

          Com as Ideias de Platão, finalmente, também os deuses patriarcais do Olimpo foram capturados pelo logos filosófico. O esclarecimento, porém, reconheceu as antigas potências no legado platônico e aristotélico da metafísica e instaurou um processo contra a pretensão de verdade dos universais, acusando-a de superstição. Na autoridade dos conceitos universais ele crê enxergar ainda o medo pelos demônios, cujas imagens eram o meio, de que serviam os homens, no ritual mágico, para tentar influenciar a natureza. Doravante, a matéria era dominada sem o recurso ilusório a forças soberanas ou imanentes, sem a ilusão de qualidades ocultas. O que não submete ao critério da calculabilidade e da utilidade de uso, no sentido marxista, torna-se suspeito para ideias em torno do esclarecimento. Mas cada resistência cultural que ele encontra serve apenas para aumentar a sua força social. Isso se deve ao fato de que o esclarecimento ainda se reconhece a si mesmo nos próprios mitos. Quaisquer que sejam os mitos de que possam se valer a resistência, o simples fato que eles se tornam argumentos por uma tal oposição significa que eles adotam o princípio da racionalidade decerto corrosiva da qual acusam o esclarecimento. O esclarecimento é totalitário. Para ele, o elemento social e humano básico do mito foi sempre o antropomorfismo, a projeção do subjetivo na natureza.

          A cultura respeitável constituiu até o século dezenove um privilégio, cujo preço era o aumento do sofrimento dos incultos, no século vinte o espaço higiênico da fábrica teve por preço a fusão de todos os elementos da cultura num cadinho gigantesco. Talvez não fosse um preço tão alto, como acreditam alguns defensores da cultura, se a venda em liquidação da cultura não contribuísse para a conversão das conquistas econômicas em seu contrário. Nas condições atuais, os próprios bens da fortuna convertem-se em elementos de infortúnio. Enquanto no período passado a massa desse bens, na falta de um sujeito social, resultava na chamada superprodução, em meio às crises da economia interna, ela produz com a entronização dos grupos que  detém o poder no lugar desse sujeito social, a ameaça internacional do monopólio ligado aos grupos econômicos, com a entronização do grupos que detêm o poder no lugar desse sujeito social que procura tornar inteligível o entrelaçamento da racionalidade e da realidade social, bem como o entrelaçamento, inseparável do primeiro, da natureza e da dominação da natureza. No centro estão os conceitos de sacrifício e renúncia, nos quais revelam tanto a diferença quanto a unidade da natureza mítica e do domínio esclarecido da natureza.

Ele mostra como a submissão de tudo aquilo que é natural ao sujeito autocrático culmina exato no domínio de uma natureza e uma objetividade cegas. Essa tendência, segundo Adorno e Horkheimer, aplaina as antinomias do pensamento liberal, em especial a do rigor moral e absoluta amoralidade. No sentido do progresso do pensamento, o conceito de esclarecimento tem perseguido o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal. O programa do esclarecimento representava o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e substituir a imaginação pelo saber. A credulidade, a aversão à dúvida, a temeridade no responder, o vangloriar-se com o saber, a timidez no contradizer, o agir por interesse, a preguiça nas investigações pessoais, o fetichismo verbal, o deter-se em conhecimentos parciais: isto e coisas semelhantes impediram um casamento feliz do entendimento humano com a natureza das coisas e o acasalaram, em vez disso, a conceitos vãos e experimentos erráticos: o fruto da prosperidade de tão gloriosa união pode-se facilmente imaginar. A imprensa não passou de uma inovação grosseira; a bússola já era, até certo ponto reconhecida. Mas que mudanças essas três invenções produziram – uma na ciência, a outra na guerra, a terceira nas finanças, no comércio e na navegação. Apenas presumimos dominar a natureza (cf. Castells, 2018), estamos submetidos à sua necessidade; se nos deixássemos guiar por ela na invenção, a comandaríamos na prática.  Desencantar o mundo é destruir o animismo.

Não Diga Uma Palavra (Don`t Say a Word) tem como representação social um filme norte-americano de suspense psicológico de 2001, estrelado por Michael Douglas, Sean Bean, Brittany Murphy, Guy Torry, Jennifer Esposito, Famke Janssen, Skye McCole Bartusiak e Oliver Platt, baseado no romance homônimo de Andrew Klavan. A vida calma do psiquiatra nova-iorquino Nathan Conrad (Michael Douglas) é devastada quando, uma manhã, descobre que um estranho entrou no seu apartamento em Manhattan e sequestrou a sua filha de oito anos. A mulher do psiquiatra (Famke Janssen) está imobilizada e não pode sair da cama, porque partiu uma perna num acidente de esqui, o que dificulta ainda mais a busca da criança. A detentora da chave do mistério do rapto poderá ser uma doente de Conrad, uma jovem chamada Elisabeth (Brittany Murphy) que passou dez anos internada em estado de choque numa instituição psiquiátrica depois de ter testemunhado o assassínio do pai. Após se formar em Berkeley, Klavan começou sua carreira de escritor como liberal. A vitória esmagadora de Reagan em 1980 resultou de uma guinada conservadora à direita na política americana, incluindo uma perda de confiança nos programas e prioridades liberais, do New Deal e da Grande Sociedade que haviam dominado a agenda nacional desde a década de 1930. Em âmbito interno, o governo Reagan implementou um grande corte de impostos, buscou reduzir gastos não militares e eliminou regulamentações federais. As políticas econômicas do governo, reconhecidas como Reaganômica, foram inspiradas pela economia da oferta.

A combinação de cortes de impostos e aumento nos gastos com defesa levou a déficits orçamentários, e a dívida federal aumentou significativamente durante seu mandato. Reagan sancionou a Lei de Reforma Tributária de 1986, que simplificou o código tributário reduzindo alíquotas e eliminando diversas isenções fiscais, e a Lei de Reforma e Controle da Imigração de 1986, que implementou mudanças abrangentes na legislação de imigração dos Estados Unidos da América e concedeu anistia a três milhões de imigrantes ilegais. Reagan também nomeou mais juízes federais do que qualquer outro presidente, incluindo quatro juízes da Suprema Corte. Ele se tornou conservador durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989). O político Reagan, um republicano da Califórnia, assumiu o cargo após derrotar o então presidente democrata Jimmy Carter e o representante independente John B. Anderson na eleição presidencial de 1980. Quatro anos depois, ele foi reeleito na eleição presidencial de 1984, após derrotar o candidato democrata Walter Mondale.  Reagan estava constitucionalmente limitado a dois mandatos e foi sucedido por seu vice-presidente, George H.W. Bush, que venceu a eleição presidencial de 1988. Ele elogiou e criticou o presidente dos EUA, Donald Trump. Klavan apoia o direito ao porte de armas e a liberdade de expressão. Foi dirigido por Gary Fleder e escrito por Anthony Peckham e Patrick Smith Kelly. A filha do psiquiatra Nathan Conrad é sequestrada para forçá-lo a entrar em contato com Elisabeth Burrows, uma jovem que sofre de transtorno de estresse pós-traumático, já que o sequestrador exige que ela revele um número para recuperar algo valioso. Foi lançado pela 20th Century Fox e arrecadando US$ 100 milhões, contra um orçamento de US$ 50 milhões.

Reagan implementou políticas econômicas neoliberais baseadas na economia da oferta, defendendo uma filosofia de laissez-faire e uma política fiscal de livre mercado. As políticas tributárias de Reagan assemelhavam-se às instituídas pelo presidente Calvin Coolidge e pelo secretário do Tesouro Andrew Mellon na década de 1920. A equipe de Reagan também foi fortemente influenciada por economistas contemporâneos como Arthur Laffer, que rejeitavam as visões então dominantes dos economistas keynesianos. Reagan baseou-se em Laffer e outros economistas para argumentar que os cortes de impostos reduziriam a inflação, o que contrariava a visão keynesiana predominante. Os defensores da economia da oferta também afirmavam que a redução de impostos levaria, em última análise, a uma maior receita governamental devido ao crescimento econômico, uma proposição que foi contestada por muitos economistas. Em um pronunciamento televisionado do Salão Oval, em julho de 1981, ele apresentou seu plano para uma legislação de redução de impostos. O congressista republicano Jack Kemp e o senador republicano William Roth quase conseguiram aprovar um grande corte de impostos durante a presidência de Carter, mas Carter impediu a aprovação do projeto de lei devido a preocupações com o déficit. Reagan fez da aprovação do projeto de lei Kemp-Roth sua principal prioridade interna ao assumir o cargo. Como os democratas controlavam a Câmara dos Representantes, a aprovação de qualquer projeto de lei exigiria o apoio de alguns democratas da Câmara, além do apoio dos republicanos do Congresso. 

A vitória de Reagan na campanha presidencial de 1980 uniu os republicanos em torno de sua liderança, enquanto democratas conservadores como Phil Gramm, do Texas que mais tarde se tornou republicano, estavam ansiosos para apoiar algumas das políticas conservadoras de Reagan. Ao longo do ano de 1981, Reagan se reuniu frequentemente com membros do Congresso, concentrando-se especialmente em obter o apoio de democratas conservadores do Sul. Reagan também se beneficiou de uma maioria conservadora na Câmara durante seus dois primeiros anos como presidente, com cerca de 230 votos durante o 97º Congresso, embora isso tenha mudado após os ganhos democratas na eleição de 1982, com o controle da Câmara passando para os liberais dentro do cáucus democrata.  Em julho de 1981, o Senado votou 89 a 11 a favor do projeto de lei de redução de impostos defendido por Reagan, e a Câmara aprovou o projeto por 238 a 195 votos. A Lei de Recuperação Econômica de 1981 reduziu a alíquota marginal máxima de imposto de 70% para 50%, diminuiu o imposto sobre ganhos de capital de 28% para 20%, mais que triplicou o valor do dinheiro herdado isento do imposto sobre herança e reduziu o imposto corporativo. O sucesso de Reagan em aprovar um importante projeto de lei tributária e cortar o orçamento federal foi saudado como a “Revolução Reagan” por alguns repórteres; um colunista escreveu que o sucesso legislativo de Reagan representou a “iniciativa doméstica mais formidável que qualquer presidente conduziu desde os Cem Dias de Franklin Roosevelt”.

            A postura de política externa de Reagan era resolutamente anticomunista. Seu plano de ação, reconhecido como Doutrina Reagan, buscava reduzir a influência global da União Soviética, numa tentativa de pôr fim à Guerra Fria. Sob essa doutrina, o governo Reagan iniciou um enorme fortalecimento das forças armadas dos Estados Unidos; promoveu novas tecnologias, como sistemas de defesa antimíssil; e, em 1983, realizou a invasão de Granada, a primeira grande ação militar americana no exterior desde o fim da Guerra do Vietnã (1955-1975). O governo também gerou controvérsia ao conceder auxílio a forças paramilitares que buscavam derrubar governos de esquerda, particularmente na América Central e no Afeganistão, países devastados pela guerra . Especificamente, o governo Reagan realizou vendas secretas de armas ao Irã para financiar os rebeldes Contras na Nicarágua, que lutavam para derrubar o governo socialista do país. O escândalo Irã-Contras resultante levou à condenação ou renúncia de vários funcionários do governo. Durante o segundo mandato de Reagan, ele trabalhou com o líder soviético Mikhail Gorbachev para assinar um importante acordo de controle de armas. Em 1986, o Congresso derrubou o veto de Reagan a um projeto de lei que visava implementar sanções econômicas contra o regime do apartheid na África do Sul. Historiadores e cientistas políticos geralmente classificam Reagan no escalão superior dos presidentes americanos e o consideram um dos presidentes mais importantes desde Franklin D. Roosevelt (1882-1945). Os defensores da presidência de Reagan destacam suas contribuições para a recuperação econômica da década de 1980, o fim pacífico da Guerra Fria e uma restauração mais ampla da confiança americana. A presidência de Reagan também foi alvo de críticas devido ao aumento do déficit orçamentário e da desigualdade de renda durante e após seu mandato. Devido à popularidade de Reagan junto ao público e à sua defesa do conservadorismo americano, alguns historiadores descreveram o período durante e após sua presidência como a Era Reagan.

            Escólio: Em 1991, uma quadrilha de ladrões rouba uma joia rara avaliada em 10 milhões de dólares, mas, durante o roubo, dois deles traem seu líder, Patrick Koster, e fogem com a pedra preciosa. Dez anos depois, na véspera do Dia de Ação de Graças, o renomado psiquiatra infantil de consultório particular de Manhattan, Dr. Nathan R. Conrad, é convidado por seu amigo e ex-colega, Dr. Louis Sachs, para examinar uma jovem “perturbada” chamada Elisabeth Burrows no sanatório estadual. Após ser libertado da prisão duas semanas antes, Patrick e os membros restantes da gangue invadem um apartamento com vista para o de Nathan, onde ele mora com sua esposa Aggie e sua filha de 8 anos, Jessie. Nathan é informado por Patrick que Elisabeth está apenas fingindo insanidade para se esconder na instituição da gangue que está procurando pela joia. Naquela noite, Patrick sequestra Jessie para forçar Nathan a obter um número de seis dígitos da memória de Elisabeth. Quando Nathan visita Elisabeth, ela se mostra relutante a princípio, mas ele conquista sua confiança mais tarde – especialmente quando revela a situação com Jessie. Sachs confessa a Nathan que a gangue que sequestrou Jessie também sequestrou sua namorada para obrigá-lo a conseguir o número de telefone de Elisabeth. Ele então recebe a visita da Detetive Sandra Cassidy, que revela que sua namorada foi encontrada morta. Mas, Aggie ouve a voz de Jessie e percebe que os raptores estão no apartamento próximo. Eles enviam um deles para matar Aggie enquanto os outros fogem com Jessie, mas ela arma uma emboscada e o mata. Depois que Nathan tira Elisabeth do sanatório, “ela se lembra de certos eventos relacionados à gangue”. É revelado que o pai de Elisabeth era o membro da gangue que traiu os outros e ficou com a joia.

No entanto, outros membros da gangue o encontraram mais tarde e o obrigaram a revelar onde a havia escondido, chegando a empurrá-lo na frente de um trem do metrô bem na frente de sua filha (Elisabeth) quando ela ainda era criança. Os membros da quadrilha foram presos imediatamente, e Elisabeth escapou com sua boneca, na qual a joia estava escondida. Ela também se lembra de que o número necessário, 815508, é o número da sepultura de seu pai em Hart Island e que sua boneca está colocada ao lado dele no caixão. Ela explica que havia embarcado clandestinamente em um barco que levava o caixão de seu pai para ser enterrado no cemitério da ilha, onde os coveiros colocaram a boneca, chamada Mischka, dentro. Nathan e Elisabeth roubam um barco para chegar à Ilha Hart. Os membros da gangue os encontram e exigem que Nathan revele o número que desejam. Elisabeth revela o número e Patrick ordena que seu companheiro desenterre o caixão de seu pai após libertar Jessie. Ele encontra a boneca e a joia escondida. Antes que Patrick consiga matar Nathan e Elisabeth, Cassidy chega. A acompanhante de Patrick é baleada pelo policial, mas Patrick consegue feri-la. Aproveitando-se da confusão, Nathan pega a joia dele e a joga em uma vala comum aberta. Ele chuta Patrick para dentro da vala e, em seguida, provoca um desabamento nas laterais, enchendo-a de terra e enterrando-o vivo. Nathan se reencontra com Aggie e Jessie, agradece a Cassidy e convida Elisabeth para morar com eles.

No elenco Michael Douglas interpreta Nathan Conrad, psiquiatra infantil, marido de Aggie e pai de Jessie. Sean Bean como Patrick Koster, líder de uma gangue de ladrões de joias. Brittany Murphy interpreta Elisabeth Burrows, uma jovem "perturbada" com um número que Patrick deseja. Skye McCole Bartusiak interpreta Jessie Conrad, filha de Nathan e Aggie, que é sequestrada por Patrick. Guy Torry como Martin Dolen. Jennifer Esposito interpreta Sandra Cassidy, uma policial. Shawn Doyle como Russel Maddox. Victor Argo como Sydney Simon. Aidan Devine como Leon Croft. Conrad Goode como Max. Paul Schulze como Jake. Lance Reddick como Arnie. Famke Janssen interpreta Aggie Conrad, esposa de Nathan e mãe de Jessie. Oliver Platt como Louis Sachs e Larry Block como porteiro. Em setembro de 2000, foi anunciado que a Regency Enterprises e a 20th Century Fox iniciariam a produção de uma adaptação de Don't Say a Word, de Andrew Klavan, com Gary Fleder na direção e Michael Douglas como protagonista. Uma versão anterior do roteiro não incluía a trama secundária de investigação centrada na detetive Sandra Cassidy. Embora o filme se passe inteiramente em Nova York, as filmagens ocorreram no inverno de 2000, tanto em Nova York quanto em Toronto. Devido ao lançamento do filme quase três semanas após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 os cineastas cogitaram adiar o lançamento, mas acabaram decidindo não o fazer.

No entanto, eles cortaram e substituíram cenas do World Trade Center na edição, como a cena de abertura, que agora mostra o Brooklyn. A trilha sonora do filme foi composta por Mark Isham e interpretada pela Hollywood Studio Symphony. O CD da trilha sonora foi lançado pela Varèse Sarabande e contém oito faixas selecionadas de várias cenas, incluindo o assalto, o sequestro e os terríveis eventos no Subway. O filme Don`t Say a Word recebeu críticas negativas. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 24% das 114 críticas são positivas, com uma classificação média de 4,4/10. O consenso do site diz: “Don`t Say a Word é bem feito e produzido, mas o filme é rotineiro e força a barra da credibilidade com muitos momentos constrangedores”. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 38 em 100, com base em 32 críticas, indicando avaliações “geralmente desfavoráveis”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B+” em uma escala de A+ a F. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, deu ao filme duas estrelas e meia de quatro, considerando que “o filme como um todo parece e ocasionalmente funciona melhor do que realmente é” e elogiando o “toque visual poético” de Gary Fleder, bem como as atuações de Brittany Murphy e Sky McCole Bartusiak. Em sua crítica para a Empire, Kim Newman achou o filme insosso e pensou que “raramente consegue fazer você esquecer sua evidente tolice”. Ele, per se elogiou o elenco feminino, em particular o desempenho de Famke Janssen.

Bibliografia Geral Consultada.

RAMETTA, Gaetano, Concetto del Tempo: Eternitá e Darstellung Speculativa nel Pensiero di Hegel. Padova: Editore Franco Angelli, 1975; GALLIE, Walter Bryce, Os Filósofos da Paz e da Guerra: Kant, Clausewitz, Marx, Engels e Tolstoi. Rio de Janeiro: Editora Artenova; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1979; ORWELL, George, The Lion and the Unicorn: Socialism and the English Genius. Londres: Penguin Books, 1982; HORKHEIMER, Max, Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985; TIEDEMANN, Rolf, Études sur la Philosophie de Walter Benjamin. Trad. Rainer Rochlitz. Paris: Editor Actes Sud, 1987; CASTORIADIS, Cornelius, L`Institution Imaginaire de la Société. Paris: Éditions Du Seuil, 1975; Idem, L`Enigma del Soggetto: L`Immaginario e Le Istituzioni. Italia: Edizionne Dédalo, 1998; ADORNO, Theodor; GIDDENS, Anthony, As Consequências da Modernidade. São Paulo: Editora Unesp, 1991; ARON, Raymond, As Etapas do Pensamento Sociológico. 4ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1993; HEGEL, Friedrich, A Razão na História: Uma Introdução Geral à Filosofia da História. 3ª edição. São Paulo: Editora Centauro, 2001; RORTY, Richard, Contingência, Ironia e Solidariedade. São Paulo: Editora Martins Editora, 2007; ROSA, Hartmut, Accélération. Une Critique Sociale du Temps. Paris: La Découverte, 2010; FERREIRA, Tiago Alfredo da Silva, Entendimento, Conhecimento e Autonomia: Virtudes Intelectuais e o Objetivo do Ensino de Ciências. Tese de Doutorado em Ensino, História e Filosofia das Ciências. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2015; FREIRE JÚNIOR, Josias José, Natureza, História, Técnica: Experimento Historiográfico em Passagens de Walter Benjamin. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2015; SILVA, Paulo Roberto Pinheiro da, O Paradoxo do Conhecimento Imediato ou o Desespero da Consciência Natural. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; CASTELLS, Manuel, Ruptura: A Crise da Democracia Liberal. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2018; Artigo: “Cárcere de Si: Marina Fernandes explora as prisões invisíveis do silêncio em novo suspense psicológico”. In: https://www.geleiatotal.com.br/2026/06/04/; entre outros.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Huiquan - 200 Mil Banhistas, Liberdade & Balneabilidade na China.

            “Estou impressionado. A cidade é um verdadeiro modelo para o futuro da China”. Sun Yat-sem (1866-1925)

            A história social da China começa logo após a invenção da escrita, em torno do ano de 1300, com o surgimento das primeiras cidades. A escrita era inicialmente rara e só se tornou generalizada durante o primeiro milênio. A civilização chinesa desenvolveu-se ao longo dos séculos, evoluindo gradualmente de ritos ancestrais de tipo xamânico para o taoísmo e o budismo, incorporando também a filosofia confucionista. O sistema de escrita chinês não fonético, compartilhado por várias línguas que usam os mesmos caracteres, mas os pronunciam de maneira diferente, possibilitou a inteligibilidade mútua na escrita entre falantes cultos de diferentes línguas. Quando a China foi conquistada repetidamente por tribos nômades do Norte ou do Oeste, como os mongóis no século XIII (cf. Nicolle, 1990), os invasores adotaram os costumes chineses e usaram o sistema administrativo existente para governar o império chinês em seu próprio benefício cultural e político. A China foi governada por duas dinastias independentes, uma no Norte e outra no Sul. A efêmera dinastia Sui conseguiu unificar o país em 589, após quase trezentos anos de separação. Os primeiros dicionários de chinês com indicação de pronúncia datam desse período. O idioma dessa época é o chinês medieval. Em 618, a dinastia Tang ascendeu ao poder, dando início a uma nova era de prosperidade. O budismo, que havia sido introduzido gradualmente na China no século I, tornou-se a religião predominante e foi amplamente adotado pela família real. Chang`an, a capital era considerada a maior cidade do mundo. Contudo, a dinastia Tang acabou por declinar, e outro período de caos se seguiu: o período das Cinco Dinastias e Dez Reinos.

Em 960, a dinastia Song assumiu o poder em grande parte da China e estabeleceu sua capital em Kaifeng, enquanto a dinastia Liao governava a atual Manchúria e parte da Mongólia. Em 1115, a segunda dinastia Jin ascendeu ao poder. Ela derrotou a dinastia Liao em dez anos, e a própria dinastia Song perdeu o norte da China e transferiu sua capital para Hangzhou. A dinastia Song também foi forçada a reconhecer a supremacia da dinastia Jin. Nos anos que se seguiram, a China ficou dividida entre a dinastia Song, a dinastia Jin e a dinastia Xia Ocidental, governada pelos Tangutes. Esse período testemunhou avanços tecnológicos significativos no sul da China, em parte devido à pressão militar do Norte. Durante esse período histórico, a dinastia Yuan (1279-1368) e, posteriormente, a dinastia Ming (1368-1644) governaram a China. Os mongóis derrotaram a dinastia Jin e, posteriormente, a dinastia Song do Sul, após uma longa e sangrenta guerra — a primeira em que as armas de fogo desempenharam um papel significativo. Seguiu-se um período de paz em grande parte da Ásia, reconhecido como Pax Mongolica. Aventureiros ocidentais, como Marco Polo, puderam então viajar pela China e trazer os primeiros relatos aos seus incrédulos compatriotas. Na China, os mongóis estavam divididos entre aqueles que desejavam permanecer nas estepes e aqueles que queriam adotar os costumes dos povos conquistados. Kublai Khan pertencia ao último grupo. Em 1271, ele estabeleceu a dinastia Yuan, a primeira a governar todo o país, com Pequim como sua capital assim como a dinastia Jin. 

O ressentimento da população acabou por levar a uma revolta que marcou o início da dinastia Ming em 1368. Essa dinastia ascendeu ao poder durante um período de renascimento cultural e econômico. O exército regular contava com um milhão de homens. O norte da China produzia mais de cem mil toneladas de ferro anualmente. Muitos livros eram impressos utilizando tipos móveis. Nessa época, a China podia reivindicar o status de país mais avançado do mundo. Hongwu, o fundador da dinastia, lançou as bases para um Estado mais interessado na receita agrícola do que no comércio. Talvez devido à origem camponesa de Hongwu, o sistema econômico Ming enfatizou a agricultura. Em contraste, a dinastia Song dependia de mercadores e comerciantes para sua renda. O sistema feudal de posse de terras das dinastias Yuan e Song tardia terminou com o estabelecimento da dinastia Ming. Grandes territórios foram confiscados, fragmentados e arrendados; a escravidão privada foi proibida. Consequentemente, após a morte do Imperador Yongle em 1424, o pequeno agricultor tornou-se a figura dominante na agricultura chinesa. Essas leis podem ser consideradas como tendo pavimentado o caminho para a harmonia social e eliminado o pior da pobreza da era mongol. As leis contra os comerciantes e as restrições ao trabalho dos artesãos permanecem essencialmente as mesmas da dinastia Song, mas agora os comerciantes estrangeiros do período mongol também estão sujeitos a essas leis e sua influência está diminuindo rapidamente. O papel sócio-político do imperador tornou-se ainda mais autocrático, embora Hongwu mantivesse, por necessidade historicamente, a assistência de secretários de alto escalão para lidar com a imensa quantidade de burocracia.                                        

Isso incluía petições e recomendações ao trono, decretos imperiais em resposta, diversos relatórios e registros fiscais. Sob o domínio mongol, a população diminuiu em 40%, chegando a aproximadamente sessenta milhões. Dois séculos depois, havia dobrado. A urbanização, portanto, progrediu, ainda que em pequena escala, à medida que a população crescia e a divisão do trabalho se tornava mais complexa. Grandes centros urbanos, como Nanjing e Pequim, também contribuíram para o crescimento da indústria privada. Em particular, pequenas empresas frequentemente se especializavam em papel, seda, algodão e porcelana. Em muitas regiões, no entanto, houve uma proliferação de pequenos centros urbanos com mercados, em vez do crescimento de algumas grandes cidades. Esses mercados urbanos vendiam principalmente alimentos, juntamente com alguns itens essenciais, como óleo e alfinetes. Este período corresponde a uma expansão da esfera de influência da dinastia Ming. Sob o imperador Yongle, expedições chinesas exploraram terras desconhecidas e, sobretudo, mares inexplorados. O ápice dessa era exploratória foi a viagem épica de Zheng He, um eunuco chinês que se aventurou até a África. Sua frota, segundo Gavin Menzies, tentou explorar o globo, chegando à Austrália e às Américas. Os chineses, ao incentivarem embaixadores de outros países a pagar tributo e ao serem extremamente generosos com todos os estados dentro de sua esfera de influência, não buscaram obter ganhos materiais com essas viagens, diferentemente dos europeus que começaram a explorar a costa oeste da África algumas décadas depois.

No final do século XV, a China imperial proibiu seus súditos de construírem navios oceânicos e de deixarem o país. Os historiadores contemporâneos geralmente concordam que essa medida foi uma resposta à pirataria. As restrições à emigração e à construção naval foram amplamente suspensas em meados do século XVII. A missão jesuíta na China começou em 1582, quando os primeiros sacerdotes da Companhia de Jesus chegaram ao país. A última dinastia foi estabelecida em 1644, quando nômades manchus, incorporados ao exército, derrubaram a dinastia nacional Ming e fundaram a dinastia Qing, com Pequim como sua capital. Ao longo do meio século seguinte, os manchus expandiram seu poder para regiões anteriormente sob controle Ming, como Yunnan, e além, conquistando Xinjiang (Turquestão Chinês), Tibete, Taiwan e Mongólia, a um custo riqueza e derramamento de sangue. Os primeiros sucessos da dinastia Qing se devem a combinação da proeza militar manchu e da eficiência da administração chinesa. Para alguns historiadores, o declínio iniciado sob a dinastia Ming continuou sob a dinastia Qing, e para outros, os séculos XVII e XVIII da dinastia Qing foram um período de progresso, com o declínio ocorrendo posteriormente. O Imperador Kangxi encomendou o dicionário de caracteres chineses mais abrangente já compilado, e sob o Imperador Qianlong, foi elaborado um catálogo de todas as obras importantes da cultura chinesa.

O período Qing também testemunhou o desenvolvimento contínuo da literatura popular, com obras como “O Sonho da Câmara Vermelha” (Hóng Lóu Mèng), um dos maiores romances chineses, e especialmente avanços agrícolas, como a tripla colheita anual de arroz, que permitiu que a população aumentasse de 180 milhões para 400 milhões XVIII século durante o Cantão, particularmente nas áreas de armas e navios, nem à sua crescente presença no Oceano Índico. É verdade que os europeus ainda não acreditavam que pudessem competir com a China. Durante o século XIX, o poder da dinastia Qing enfraqueceu e a prosperidade declinou. A China vivenciou significativa agitação social, estagnação econômica, crescimento populacional explosivo e crescente interferência das potências ocidentais. Os esforços britânicos para abrir o comércio, particularmente para continuar suas exportações de ópio, analisadas por Marx (1973), que haviam sido proibidas por decretos imperiais, levaram à Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) e a uma derrota chinesa. O Reino Unido obteve a cessão de Hong Kong no Tratado de Nanquim em 1842, juntamente com a abertura de outros portos ao comércio europeu. O Reino Unido e potências ocidentais, incluindo os Estados Unidos e, mais tarde, o Japão, obtiveram “concessões”, pequenos territórios, geralmente costeiros, sob seu controle, bem como influência em vastas regiões circundantes e privilégios comerciais. Durante a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860), tropas franco-britânicas marcharam sobre Pequim, saquearam e incendiaram o Palácio de Verão.

A Rebelião Taiping (1851–1864) foi uma das maiores guerras civis da história da humanidade: causou a morte de 20 a 30 milhões de pessoas e despovoou províncias inteiras. Só foi derrotada com o apoio ocidental. A Rebelião Nian e a agitação alimentada pela Rússia nas províncias fronteiriças de Xinjiang e Mongólia empobreceram ainda mais a China e quase levaram ao fim da dinastia. A Rebelião Taiping teve origem no sofrimento suportado pelo campesinato devido ao declínio do Império Manchu, agravado pela interferência estrangeira. As condições tornaram-se insuportáveis, particularmente nas regiões montanhosas e inférteis das fronteiras entre as províncias. Os camponeses uniram-se a grupos religiosos e insurgiram-se contra seus governantes. O movimento pregava a estrita igualdade entre todos, a partilha da terra e a abolição das distinções sociais, incluindo a subjugação das mulheres aos homens. Seus seguidores possuíam um forte senso de dever e disciplina que lhes permitiu ganhar popularidade e, por fim, derrotar os exércitos imperiais enviados para esmagá-los. Em 1853, a antiga capital Nanquim, caiu;  40% da China estava então sob o controle dos rebeldes. Contudo, as condições de vida pouco melhoraram nas regiões ainda assoladas pela fome, e os ideais igualitários foram implementados apenas moderadamente. Um exército imperial reorganizado, financiado por comerciantes chineses, equipado com armas modernas da Grã-Bretanha e da França e auxiliado sob o comando do Major Gordon, marchou em direção a Nanquim. Foi recapturada após uma batalha que deixou 100.000 mortos. As esferas de poder relutavam em admitir o comércio ocidental, particular o de ópio. O Ocidente, portanto, contentava-se em estabelecer “esferas de influência” na região.

 Ao contrário da África subsaariana, por exemplo, era possível acessar o mercado chinês sem estabelecer controle político formal. Após a Primeira Guerra do Ópio, o comércio britânico e, posteriormente, o investimento de capital de outros países industrializados, tornaram-se possíveis com menos controle ocidental direto do que na África, no Sudeste Asiático ou no Pacífico. Em muitos aspectos, a China era uma colônia e o destino de grandes investimentos ocidentais (os primeiros na virada do século). As potências ocidentais (às vezes incluindo o Japão) intervieram militarmente para manter a ordem, notadamente pondo fim à Rebelião Taiping e à Rebelião dos Boxers. O general britânico Charles Gordon, posteriormente um defensor malfadado de Cartum, é frequentemente creditado por salvar a dinastia Manchu da Rebelião Taiping. A partir da década de 1860, a dinastia Qing, controlada pela conservadora Imperatriz Viúva Cixi que governou de 1860 a 1908, após triunfar na guerra civil contra a Rebelião Taiping graças ao apoio de milícias organizadas pela aristocracia, iniciou a modernização do país. No entanto, os novos exércitos foram derrotados pela França (Guerra Sino-Japonesa pelo controle da Indochina, 1881-1885) e, posteriormente, pelo Japão (Primeira Guerra Sino-Japonesa pelo controle da Coreia, 1894-1895). Reformas mais profundas tornaram -se então necessárias. No início do século XX, a dinastia Qing enfrentou um dilema: continuar as reformas e desagradar uma aristocracia ociosa, ou pôr um fim a elas e fortalecer os revolucionários que previam o fim do regime. Optou por um meio-termo e alienou a todos, principalmente ao apoiar a Revolta dos Boxers.

Frustrados com a resistência da corte imperial às reformas, jovens funcionários, oficiais e estudantes, inspirados pelas ideias revolucionárias de Sun Yat-sen, começaram a considerar a derrubada da dinastia Qing em favor de uma República. Uma revolta militar, a Revolta de Wuchang, em 10 de outubro de 1911. Em Wuhan, eclodiu a Revolução Xinhai, que levou à abdicação do último imperador Qing, Aixinjueluo Puyi. Um governo provisório foi formado em Nanjing em 12 de março de 1912. A República da China foi proclamada, sob a presidência de Sun Yat-sen. Entretanto, nesse processo Sun Yat-sen foi forçado a ceder o poder ao General Yuan Shikai, comandante do Exército Beiyang. Devido à influência de facções militares, o novo governo chinês ficou reconhecido como Governo Beiyang. Em poucos anos, Yuan Shikai aboliu as assembleias nacionais e provinciais. Os líderes republicanos foram forçados ao exílio, com Sun Yat-sen refugiando-se no Japão. Yuan Shikai proclamou-se imperador no final de 1915. Suas ambições imperiais encontraram forte oposição de seus subordinados militares e, arriscando uma rebelião, ele foi forçado a renunciar a elas. Ele morreu pouco depois, em junho de 1916, deixando a presidência vaga. O governo republicano desintegrou-se e começou uma Era chamada de “senhores da guerra”, durante a qual a China foi devastada por lutas entre coligações instáveis ​​de líderes militares provinciais.

Em maio de 1917, após um desentendimento entre o primeiro-ministro chinês Duan Qirui e o presidente Li Yuanhong sobre a quem apoiar durante a 1ª guerra mundial (1914-1918), o general Zhang Xun aproveitou a situação para lançar uma ofensiva contra Pequim, resultando na restauração manchu de 1917, que durou apenas 12 dias antes de ser derrubada pelas forças republicanas. A China finalmente rompe relações com a Alemanha em 14 de março de 1917 e declarou guerra em agosto do mesmo ano. Sua participação foi principalmente no esforço de guerra: envio de matérias-primas, alimentos e trabalhadores voluntários. Estes últimos somariam quase 140.000. Em 1919, o Japão obteve a anexação das antigas colônias alemãs na China através do Tratado de Versalhes. O Reino Unido, a França e o Japão já controlavam a rede ferroviária, os portos, os rios, os canais e as concessões nas principais cidades, apropriando-se também da maior parte das receitas fiscais e alfandegárias. Consequentemente, os movimentos nacionalistas e influenciados pelo marxismo ganharam força. Em 1922, uma série de greves varreu o país. Uma greve iniciada por 2.000 marinheiros em Hong Kong, apesar da proclamação da lei marcial, transformou-se numa greve geral que mobilizou 120.000 pessoas, garantindo concessões por parte dos empregadores. No norte da China, uma greve de 50.000 mineiros na empresa britânica KMAS foi violentamente reprimida pela polícia privada da mina e por tropas leais a senhores da guerra. Na cidade de Hankou, os confrontos entre a polícia britânica e os trabalhadores atingiram o auge quando um senhor da guerra interveio, matando 35 trabalhadores ferroviários em greve e um secretário sindical que se recusou a apelar ao regresso ao trabalho. Na década de 1920, Sun Yat-sen estabeleceu a base revolucionária no Sul e começou a reunificar a nação. Recebendo assistência dos soviéticos, ele se aliou ao recém-formado Partido Comunista Chinês.

Os Voluntários Mercantes, uma milícia de 100.000 combatentes financiada por comerciantes cujos interesses estavam alinhados com os dos britânicos, tentaram derrubar o governo de Sun Yat-sen. A Conferência de Delegados Operários, liderada pelos comunistas, veio em seu auxílio, e seu Exército de Organizações Trabalhistas ajudou a quebrar o domínio dos Voluntários Mercantes. Após a morte de Sun Yat-sen em 1925, um de seus tenentes, Chiang Kai-shek, assumiu o controle de seu partido, o Kuomintang, e conseguiu controlar a maior parte do Sul e do centro da China por meio de uma campanha militar reconhecida como Expedição do Norte. Tendo derrotado os senhores da guerra do Sul e do Centro, ele obteve a lealdade formal dos do Norte. A partir de 1927, voltou-se contra os comunistas, atacando seus líderes e tropas em suas bases no Sul e no Leste, desencadeando assim a Guerra Civil Chinesa. Em 1931, uma nova frente se abriu na China com a invasão japonesa da Manchúria. Em 1934, derrotados pelos nacionalistas e expulsos de seus redutos nas montanhas, os comunistas embarcaram na Longa Marcha, atravessando as regiões mais desoladas do país em direção ao Noroeste. Estabeleceram sua nova base de guerrilha em Yan`an, na província de Shaanxi. Durante a Longa Marcha, os comunistas se reorganizaram em torno de Mao Tsé-Tung. Seu progresso foi acompanhado por uma redistribuição de terras. A feroz luta entre o Kuomintang (KMT) e o Partido Comunista Chinês (PCC) continuou, às vezes abertamente, às vezes secretamente, ao longo dos quatorze longos anos da invasão japonesa, de 1931 a 1945, embora os dois partidos tivessem se aliado formalmente contra os invasores durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. O novo conflito contra os japoneses, desencadeado em 1937 pela incursão do Exército Imperial Japonês no restante do território chinês, tornou-se parte do teatro asiático da Segunda Guerra Mundial a partir de 1941.

Com a proclamação da República Popular da China em Pequim em 1° de outubro de 1949 a China se viu com dois governos: a República Popular da China no continente e a República da China na ilha de Taiwan, cada um reivindicando ser o governo chinês legítimo. A guerra civil recomeçou após a derrota japonesa de 1945. Em 1949, o PCC ocupava a maior parte do país. Chiang Kai-shek refugiou-se na ilha de Taiwan com os remanescentes do governo e das forças armadas do Kuomintang e proclamou Taipei a capital provisória da República da China, até a reconquista do continente. Os maoístas controlavam todo o continente em 1949 e proclamaram a República Popular da China em Pequim em 1° de outubro de 1949. Em breve, os nacionalistas controlaram apenas Hainane, Taiwan, depois apenas o arquipélago de Taiwan. Para a China continental, o período de 1949 a 1954 foi marcado pelo estabelecimento do Estado comunista. O vitorioso Partido Comunista Chinês monopolizou posições-chave, mantendo a aparência multipartidária. A Assembleia adotou a Constituição Chinesa de 1954. Entre as primeiras leis aprovadas estava a Lei do Casamento de junho de 1950, que visava abolir o modelo patriarcal, legalizar o divórcio e estabelecer a igualdade entre homens e mulheres. A proibição do “enfaixamento dos pés”, uma medida adotada em 1912 tornou-se verdadeiramente efetiva. A reforma agrária levou à distribuição de 47 milhões de hectares, divididos em parcelas pequenas devido à pressão populacional, a agricultores pobres.

Um primeiro plano quinquenal foi lançado, o qual pareceu um sucesso e encorajou Mao Tsé-Tung a lançar seu Grande Salto Adiante em 1958. Mas os esforços frenéticos dos camponeses na indústria siderúrgica acabaram se provando desastrosos. A ideia teve que ser abandonada extraoficialmente por volta de 1960 e oficialmente em 1962. Vinte a trinta milhões de chineses morreram na fome que se seguiu. De 1960 a 1966, a China continental viveu um período de relativa calma, pontuado por ocasionais repressões contra dissidentes. O sistema produtivo estava se recuperando e retomando gradualmente suas atividades. Em 1966, teve início a Revolução Cultural. Os estudantes foram incitados a expurgar a China dos “novos capitalistas” e se tornaram a Guarda Vermelha da revolução, defendendo os ideais comunistas e organizando expedições punitivas por toda a China. Jiang Qing, esposa de Mao Tsé-Tung, e a Gangue dos Quatro incitaram o movimento contra os grilhões culturais do passado: inúmeras obras antigas livros, esculturas, edifícios, etc. — foram destruídas. Intelectuais foram atacados. A China ficou aterrorizada com as ações arbitrárias e imprudentes desses Guardas Vermelhos. O exército e seu líder, Lin Biao, leal a Mao Tsé-Tung, tornaram-se novamente atores-chave. Em agosto de 1966, os moderados Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen foram rebaixados. No final de 1967, o exército decidiu suprimir o movimento. Lin Biao e Mao Tsé-Tung emergiram fortalecidos; com os Guardas Vermelhos, eles contornaram o aparato estatal. O partido foi abalado, abrindo caminho para a construção de um acordo com os desejos de Mao Tsé-Tung. Mas a morte de Mao Tsé-Tung, em 9 de setembro de 1976 dá início à luta pela sucessão.               

A Camarilha dos Quatro é presa em outubro. Hua Guofeng passa a liderar a China com maior pragmatismo, mas é sobretudo a chegada de Deng Xiaoping que dá início à fase de reformas. Ele legitima a busca por bens materiais como uma fase de transição antes do comunismo, abre a China ao investimento estrangeiro, cria “zonas econômicas especiais” e propõe a ideia de “um país, dois sistemas “(socialista e capitalista) como perfeitamente compatíveis. A partir de 1979, a economia da República Popular da China foi definida como uma economia de mercado socialista. A China então experimentou gradualmente uma fase de forte crescimento. Em 1984, as regiões chinesas ganharam maior autonomia e ficaram livres para fazer seus próprios investimentos. Em 1989, estudantes em Pequim se mobilizaram e ocuparam a Praça Tiananmen para protestar a favor de reformas democráticas. No entanto, o movimento foi reprimido e tanques acabaram atropelando os estudantes, matando mais de dez mil. Desde o início da década de 1990, relações pacíficas foram estabelecidas entre os dois lados, embora permaneçam tensas. Alguns partidos taiwaneses defendem a Independência da ilha, o que significa uma transição de um governo chinês “rebelde” controlando apenas Taiwan para o governo de um Taiwan independente. Essa opção ainda não foi adotada por nenhum governo taiwanês, pois Pequim deixou claro que uma declaração de independência seria motivo para intervenção armada. Desde as décadas de 1990 e 2000, a economia da China tem experimentado um crescimento mais rápido, ultrapassando 8-9% ao ano, devido aos baixos custos de mão de obra e às oportunidades comerciais oferecidas pela tecnologia.

Chen Shui-bian, presidente de Taiwan de 2000 a 2008, defendeu a soberania da República da China em relação a Pequim. Em maio de 2005, o Kuomintang (Guomindang), então um partido de oposição, assinou acordos com o Partido Comunista Chinês (PCC), reconhecendo a soberania deste sobre a China e concedendo poder aos partidos taiwaneses sobre a província de Taiwan. Este acordo foi em grande parte simbólico, visto que o Kuomintang, na oposição a Taiwan, não tinha mandato para assinar um tratado com o governo de Pequim. O Kuomintang retornou ao poder em Taiwan em 2008 com a eleição de Ma Ying-jeou como presidente da república, que declarou que queria melhorar as relações com a República Popular da China, ao mesmo tempo que prometia o status quo, sem independência formal de Taiwan, nem reunificação. Em 2010, a China se tornou a segunda maior economia do mundo e aproveitou a crise econômica para investir no exterior por meio de sua política de “Internacionalização”. No entanto, ele é criticado por ceder demais às exigências da República Popular da China e é substituído em 2016 por Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista, que, sem defender a Independência, promete mais firmeza em relação à reunificação de Pequim.

Escólio: A natação nas praias chinesas é praticada sobretudo quando a temperatura da água permite conforto e segurança: no Norte, costuma ser restrita aos meses de verão, porque no resto do ano a água é demasiado fria ou mesmo congelada; no Leste, a janela prática vai da primavera tardia ao início do outono; no Sul, muitos locais permitem banho praticamente o ano todo, dado que a água raramente fica fria. Além da temperatura, a autorização e a segurança dependem da qualidade da água, da presença de salva-vidas, de condições de corrente e de eventuais proliferações de água-viva, pelo que praias oficiais com serviços e monitoramento são as mais indicadas para nadar. A China tem uma costa extensa com variações térmicas significativas entre norte, leste e sul. No litoral Norte, particularmente  no Mar de Bohai e Mar Amarelo as temperaturas da água vão de cerca de -1 °C a 5 °C no inverno e sobem para 20 °C a 24 °C no pico do verão; na primavera e outono ficam tipicamente entre 5 °C e 15 °C. No litoral Leste, o Mar da China Oriental, próximo a Xangai e Zhejiang os valores invernais rondam 6 °C a 12 °C e no verão atingem 24 °C a 28 °C, com transição primaveril e outonal entre 12 °C e 22 °C. No extremo Sul, no Mar da China Meridional (Guangdong e Hainan), a água é considerada muito mais quente: no inverno costuma estar entre 20 °C e 25 °C e no verão sobe para 27 °C a 30 °C ou mais, mantendo-se geralmente acima de 20 °C durante a maior parte do ano.       

Praia, do latim tardio plagia, tem como representação social uma formação geológica composta por partículas soltas de mineral ou rocha na forma de areia, cascalho, seixo ou calhaus ao longo da margem de um corpo de água (rio ou oceano), seja uma costa ou praia fluvial. Também é reconhecida como fralda do mar ou pancada do mar. As praias arenosas oceânicas sofrem grandes influências das marés e das ondas. Nestas praias, podem distinguir-se as zonas abaixo descritas: Zona de Arrebentação - é a parte da praia onde as ondas “arrebentam” ou se “quebram”. Se houver bancos de areia afastados da praia, podem ocorrer outras zonas de arrebentação sobre estes. Zona de Varrido - é a parte da praia “varrida” pelas ondas periodicamente. Está entre os limites máximo e o mínimo da excursão das ondas sobre a praia. Logo após esta zona, pode ocorrer uma parte onde se acumulam sedimentos, isto é, a berma. Devido às marés e às tempestades e ressacas, esta parte da praia pode avançar e regredir. As praias oceânicas costumam ser divididas da seguinte maneira: Rasas: São planas e têm areia fina, firme e geralmente escura. As ondas quebram longe da faixa de areia e a profundidade vai aumentando, gradualmente, conforme vai se afastando no sentido de mar adentro.  

Qingdao, arcaicamente reconhecida como Tsingtao, é uma cidade de nível de prefeitura na província de Shandong, no Leste da China. Situada na península de Shandong e com vista para o Mar Amarelo, faz fronteira com as cidades de nível de prefeitura de Yantai a Nordeste, Weifang a Oeste e Rizhao a Sudoeste. A Ponte da Baía de Jiaozhou liga a principal área comercial urbana de Qingdao ao distrito de Huangdao, atravessando as áreas marítimas da Baía de Jiaozhou. Qingdao era uma fortaleza importante, e atualmente é um importante porto marítimo e base naval, bem como um centro comercial e financeiro. É uma importante cidade-nó da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) que conecta a Ásia Continental e a Oriental com a Europa. Administrada em nível subprovincial, Qingdao tem jurisdição sobre sete distritos e três cidades de nível distrital (Jiaozhou, Pingdu, Laixi). De acordo com o censo de 2020, a área construída (ou metropolitana) de Qingdao, composta pelos sete distritos urbanos (Shinan, Shibei, Huangdao, Laoshan, Licang, Chengyang e Jimo), abrigava 7.172.451 habitantes, tornando-a a 15ª maior cidade da China em população. Possui o maior PIB de qualquer cidade da província. Em 1897, a cidade foi cedida à Alemanha. Para os alemães, Qingdao era um centro comercial estratégico, porto e base para seu Esquadrão da Ásia Oriental, permitindo que a marinha alemã projetasse domínio no Pacífico. Em 1914, após o início da 1ª guerra mundial (1914-1918), o Japão ocupou a cidade e a província circundante durante o Cerco de Tsingtao. Em 1915, a China concordou em reconhecer a posição especial do Japão no território por meio do que ficou conhecido como as Vinte e Uma Demandas. Em 1918, o governo chinês, sob o controle do senhor da guerra Duan Qirui, concordou secretamente com os termos japoneses em troca de um empréstimo.

Após a 1ª guerra mundial, durante a Conferência de Paz de Paris, aberta em 18 de janeiro de 1919 com a presença de 70 delegados representando 25 países, politicamente dominada pelos chamados “quatro grandes”, Estados Unidos da América, Reino Unido, França e Itália, o Japão garantiu Acordos com as potências aliadas para reconhecer sua reivindicação sobre as áreas em Shandong, que incluíam Qingdao, anteriormente ocupadas pela Alemanha. Em 1922, Shandong retornou ao controle chinês após a mediação dos Estados Unidos durante a Conferência Naval de Washington. Economicamente Qingdao abriga multinacionais de eletrônicos como Haier e Hisense. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China demonstram que, entre janeiro e novembro de 2024, o país exportou pouco mais de 4 bilhões de eletrodomésticos, um aumento de 21,3% em relação ao mesmo período. Sua arquitetura histórica de estilo alemão e a Cervejaria Tsingtao, a segunda maior cervejaria da China, são legados da ocupação alemã (1898–1914). Qingdao é classificada como uma Metrópole de Grande Porte. Em 2007, Qingdao foi nomeada uma das dez melhores cidades da China pelo Relatório de Valor da Marca das Cidades Chinesas. Em 2009, Qingdao foi nomeada a cidade mais habitável da China pelo Instituto Chinês de Competitividade Urbana. Em 2018, Qingdao sediou na política a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai. No Índice de Centros Financeiros Globais de 2024, Qingdao ficou em 31º lugar. Em 2024, Qingdao foi classificada como uma cidade global de nível Beta pela Rede de Pesquisa sobre Globalização e Cidades Mundiais. Qingdao também é uma das 35 principais cidades do mundo para pesquisa científica global, de acordo com o Nature Index. A indústria eletrônica é o setor da economia que produz aparelhos eletrônicos. Emergiu no século XX e é hoje uma das maiores indústrias globais. A sociedade contemporânea utiliza um vasto arranjo de aparelhos eletrônicos construídos em fábricas automatizadas ou semiautomatizadas operadas pela indústria. Os produtos são primariamente montados de transistores metal-óxido-semicondutor e circuitos integrados, sendo este último feito por fotolitografia e frequentemente em circuitos impressos.   

O tamanho da indústria, seu uso de metais tóxicos, e a dificuldade de reciclagem tem levado à uma série de problemas relativos ao lixo eletrônico. Regulações internacionais e legislações ambientais tem sido desenvolvida para responder a essas problemáticas. A indústria dos eletrônicos consiste de vários setores. A força central por trás da indústria inteira é o setor dos semicondutores, que possui um montante de vendas anuais ultrapassando os US$ 481 bilhões em 2018. O maior setor da indústria é o e-commerce, que gerou mais de US$ 29 trilhões em 2017. O dispositivo eletrônico mais manufaturado são os transistores metal-óxido-semicondutor, inventados em 1959, que são a impulsionador da indústria eletrônica. Os eletrodomésticos são aparelhos elétricos usados para facilitar várias tarefas domésticas, tais como cozinhar e conservar os alimentos, limpar a casa, tratar da roupa, no banheiro e nos cuidados de beleza e também como formas de entretenimento. A eletrônica de consumo é a designação dada a equipamentos eletrônicos para uso pessoal, em contraste com o uso industrial, com aplicações no entretenimento, comunicação e, na produtividade no escritório. Algumas subcategorias deste tipo de produto são os celulares, computadores, equipamentos de áudio, televisores e consoles de jogos eletrônicos. O aparelho eletrônico de uso doméstico para informação ou entretenimento é chamado internacionalmente de “produto castanho” ou “produto da linha marrom”. Esta categorização inclui normalmente aparelhos que estão em uso na sala de estar, como: televisores, gravadores de vídeo, videocâmeras, produtos de áudio. 

Os equipamentos eletrônicos domésticos são classificados em: linha branca (eletrônicos de médio e grande porte), linha marrom (eletrônicos de uso na sala), linha azul (eletroportáteis), linha verde (resíduos de informática). A cidade também foi classificada em 20º lugar globalmente no ranking “100 Principais Cidades com Clusters de Ciência e Tecnologia Globais” em 2024. Ela abriga diversas universidades notáveis, incluindo a Universidade Oceânica da China, a Universidade de Petróleo da China, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Shandong, a Universidade de Qingdao, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Qingdao, a Universidade de Tecnologia de Qingdao e a Universidade Agrícola de Qingdao. Após um pequeno ataque naval britânico à concessão alemã em Shandong em 1914, as tropas japonesas ocuparam a cidade e a província circundante durante o Cerco de Tsingtao (Qingdao), após a declaração de guerra do Japão contra a Alemanha, em conformidade com a Aliança Anglo-Japonesa. A China protestou contra a violação da sua neutralidade por parte do Japão, mas não conseguiu interferir nas operações militares. A decisão da Conferência de Paz de Paris e das negociações do Tratado de Versalhes de não restaurar o domínio chinês sobre as concessões estrangeiras anteriores em Qingdao, após a Grande Guerra, desencadeou o Movimento Quatro de Maio (4 de maio de 1919), de anti-imperialismo, nacionalismo e identidade cultural na China. A cidade ficou sob domínio chinês em dezembro de 1922, sob o controle da República da China (ROC), estabelecida em 1912 após a Revolução de 1911, no ano anterior. No entanto, o Japão manteve seu domínio econômico sobre a ferrovia e a província como um todo. A cidade tornou -se um município diretamente controlado pelo Governo da ROC em julho de 1929.

O Japão reocupou Qingdao em 1938, um ano depois de expandir a Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), um prenúncio da 2ª guerra mundial (1939-1945), com seus planos de expansão territorial para o litoral da China. As forças nacionalistas (Kuomintang) da República da China retornaram após a rendição japonesa em setembro de 1945. Em 2 de junho de 1949, durante a Guerra Civil Chinesa e pouco antes da fundação da República Popular da China comunista em 1º de outubro de 1949, a cidade foi tomada pelo presidente Mao Tsé-Tung e suas tropas. O desenvolvimento do espaço urbano de Qingdao durante a ocupação alemã (1898–1914) teve origem no porto. A construção urbana em massa começou em 1898 com a realocação de moradores chineses ao longo da costa. Com a conclusão de uma série de projetos de construção em massa, como cais, a linha ferroviária Tsingtao-Jinan, a estação ferroviária de Tsingtao e fábricas de locomotivas, uma cidade começou a tomar forma. A área tinha a maior densidade escolar e a maior taxa de matrícula per capita de alunos em toda a China, com escolas primárias, secundárias e profissionalizantes financiadas pelo tesouro de Berlim, bem como missões protestantes e católicas romanas. Em 1910, os alemães elaboraram pela segunda vez o plano urbano de Tsingtao (Warner 2001). A antiga área urbana foi quadruplicada, destacando-se a ênfase no desenvolvimento do comércio. Sun Yat-sen (1866–1925), líder da Revolução de 1911 e posteriormente primeiro presidente da República da China, visitou a área urbana de Tsingtao e declarou em 1912: “Estou impressionado. A cidade é um verdadeiro modelo para o futuro da China”. O desenvolvimento do espaço urbano de Tsingtao continuou durante o período de ocupação japonesa (1914-1922). Em 1914, Tsingtao foi tomada pelos japoneses e serviu como base para a exploração dos recursos naturais de Shandong e do norte da China.

Com o desenvolvimento da indústria e do comércio, um “Novo Distrito Urbano” foi estabelecido para fornecer aos colonos japoneses áreas comerciais e residências, o que representava um contraste marcante com as casas precárias das zonas chinesas locais (Li 2007). Nesse ínterim, diversas escolas, hospitais e edifícios públicos foram construídos, seguidos por ruas urbanas e rodovias interurbanas. O planejamento espacial urbano continuou a se expandir para o norte ao longo da área da baía Leste. O desenvolvimento do espaço urbano de Tsingtao durante o período de domínio da República da China (1922–1938). Este período testemunhou um progresso substancial no desenvolvimento urbano de Tsingtao. O governo empenhou-se em obras de construção em massa que deram origem a bairros de vilas à beira-mar e a conjuntos habitacionais no centro da cidade. Numerosos edifícios públicos e instalações para entretenimento e esportes foram concluídos. Em 1937, a população urbana atingiu 385.000 habitantes (Lu 2001). Consequentemente, Tsingtao se destacou como um importante destino turístico e refúgio de verão. O desenvolvimento do espaço urbano de Tsingtao continuou durante o segundo período de ocupação japonesa (1938-1945). As forças armadas japonesas retornaram a Tsingtao em 1938 e começaram a se empenhar na construção da Grande Tsingtao em junho do ano seguinte. Assim, elaboraram o planejamento urbano da Grande Tsingtao e o planejamento urbano da Cidade-Mãe (Cidade de Tsingtao propriamente dita), embora não tivessem tido a oportunidade de concretizá-los. O período em questão não testemunhou muito progresso urbano, exceto pela construção lógica do Cais nº 6, algumas residências japonesas e um pequeno número de ruas e estradas (Lu 2001). Após a 2ª guerra mundial (1939-1945), o Kuomintang (KMT) permitiu que Qingdao servisse como sede da Frota do Pacífico Ocidental da Marinha dos EUA em 1945; no entanto, sua sede foi transferida para as Filipinas no final de 1948.  Em 2 de junho de 1949, o Exército Vermelho, liderado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), entrou em Qingdao, e a cidade e a província estão sob controle da República Popular da China desde então. 

Desde a implementação da política de abertura da China ao comércio e investimento estrangeiros em 1984, Qingdao se desenvolveu rapidamente, tornando-se uma cidade portuária ultramoderna. Atualmente, é a sede da frota do norte da Marinha chinesa. Um dos primeiros exemplos dessa política ocorreu em 5 de novembro de 1984, quando três navios da Marinha dos Estados Unidos visitaram Qingdao. Essa foi a primeira escala de um porto americano na China em mais de 37 anos. Os navios USS Rentz, USS Reeves e USS Oldendorf, juntamente com suas tripulações, foram oficialmente recebidos pela Marinha do Exército de Libertação Popular da China (PLAN). A região Norte de Qingdao, particularmente os distritos de Shibei, Licang e Chengyang, são hoje importantes centros industriais. A cidade vivenciou recentemente um forte período de crescimento, com a criação de um novo distrito comercial central a leste do antigo distrito comercial. Fora do centro da cidade, existe uma grande zona industrial, que inclui processamento químico, borracha e manufatura pesada, além de uma crescente área de alta tecnologia. Numerosas empresas de serviços locais e nacionais, em vez de fabricantes, estão sediadas na região Sul da cidade. A cidade subprovincial de Qingdao possui sete distritos (; qū) e três cidades de nível distrital (; shì): Qingdao, localizada na província de Shandong, China, é uma cidade de nível de prefeitura com vários apelidos, incluindo “Cidade Ilha” e “Baía de Jiaozhou”. Qingdao é uma cidade de nível vice-provincial, é listada separadamente e reconhecida como uma cidade importante. De acordo com a aprovação do Conselho de Estado, Qingdao foi designada como uma importante cidade centro costeiro e uma cidade turística litorânea na China, além de uma cidade portuária internacional. A cidade de Qingdao administra 7 distritos e 3 cidades de nível distrital. Esses distritos incluem o Distrito de Shinan, o Distrito de Shibei, o Distrito de Huangdao, o Distrito de Laoshan, o Distrito de Licang, o Distrito de Chengyang e o Distrito de Jimo, enquanto as cidades de nível distrital são a Cidade de Jiaozhou, a Cidade de Pingdu e a Cidade de Laixi.

Bibliografia Geral Consultada.

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