“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. José Saramago
Escólio: A palavra “retrospectiva”, em primeiro lugar, tem origem no Latim e significa “olhar para trás”. A tradição de fazer uma retrospectiva no final do ano está ligada ao simbolismo do Ano Novo, que remonta a celebrações antigas e à figura do deus romano Jano. A palavra é formada pela junção de dois termos latinos: retros: significa “para trás”, acrescida de specio ou do verbo relacionado spectare: significa “olhar”, “observar” ou “inspecionar”. Portanto, “retrospectiva” significa literalmente o ato de olhar para eventos passados. Embora a palavra tenha uma origem linguística clara, a prática de refletir sobre o ano que passou no período de Ano Novo tem raízes culturais e históricas mais amplas: 1. O mês de janeiro (em inglês, January; em português, uma adaptação do latim Januarius) foi dedicado ao deus romano Jano (Janus). Jano era frequentemente representado com duas faces: uma olhando para o passado e outra para o futuro, simbolizando portais, começos e transições. Esse simbolismo se alinha perfeitamente com a ideia de refletir sobre o ano que termina e planejar o ano que se inicia. 2. A virada do ano é um momento natural de fechamento de ciclo, que convida à reflexão sobre conquistas e desafios, servindo como base para estabelecer metas futuras. A origem da palavra é latina e a tradição de reflexão de final de ano conecta do ponto de vista da comunicação social essa ideia de “olhar para trás” com antigos rímulos de renovação e planejamento para o futuro. A popularização do formato de “retrospectiva” como um programa jornalístico de TV ocorreu a partir de 1967, quando a TV Globo começou a exibir anualmente um programa que relembrava os fatos marcantes do ano na última semana de dezembro. Isso ajudou a solidificar a prática no imaginário popular.
O ecúmeno, do grego, oikoumêne, em segundo lugar, tem como significado “habitada (a Terra)”. Os antigos geógrafos gregos e, romanos, sabiam o tamanho aproximado do globo terrestre, mas, permaneciam ignorantes simbolicamente pensando de muitas de suas partes. Eratóstenes de Cirene (276-196 a.C.) deduziu a circunferência da Terra com notável precisão, dentro de 10% do valor correto. O cartógrafo grego Crates criou um globo por volta de 150 a. C. Cláudio Ptolomeu (83-161) calculou a superfície da Terra em sua Geografia e, descreveu a parte habitada como abrangendo 180 graus de longitude, das Ilhas Afortunadas no Oeste até Serica (Norte da China) no Leste e, cerca de 80 graus de latitude, de Thule no Norte até anti-Meroë abaixo do equador. Em sua extensão máxima possível, a ecumena antiga, se estendia do Norte da Europa até a África equatorial e, do Oceano Atlântico até o Oeste da China. Durante a Idade Média, essa imagem do mundo foi ampliada para acomodar a Escandinávia, o Atlântico Norte, o Leste Asiático e, eventualmente, a África subequatorial. Ptolomeu e, outros geógrafos antigos tinham uma visão limitada da ecumena e, se estendia a apenas um quarto do globo. Reconheciam a existência de “terras desconhecidas” (terrae incognitae) dentre as etnografias sobre a história da África, Europa e Ásia. A crença na simetria global levou muitos geógrafos greco-romanos a postular outros continentes em outras partes do globo, existiam em equilíbrio com a ecumena: Perioeci (lit. “ao lado da ecumena”), Antoeci (“oposto à ecumena”) e, os Antípodas (“oposto aos pés”). É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies vivos, incluindo os humanos, é o único corpo celeste onde é reconhecida a existência de vida.
Esses três termos são conceitos geográficos antigos, desenvolvidos por pensadores gregos como Estrabão, Ptolomeu e, por autores medievais, para descrever a relação hipotética de diferentes populações com a porção habitada da Terra, reconhecida como ecumena. A ideia da retrospectiva anual do tempo social deve sua origem, em grande parte, à revista americana Time, que começou a selecionar uma “Pessoa do Ano”, originalmente “Homem do Ano” em 1927. A tradição foi iniciada pelos editores da revista com o objetivo de destacar a pessoa ou grupo que mais influenciou os acontecimentos do ano anterior, para o bem ou para o mal. A primeira pessoa a receber o título foi o aviador Charles Lindbergh, em 1927, após seu histórico voo solo sobre o Atlântico, o segundo maior oceano do mundo, cobrindo cerca de 20% da superfície terrestre e separando a América (a Oeste) da Europa e África a Leste. Conecta-se ao Ártico, Antártico, Índico e Pacífico. A linha do Equador o divide em Atlântico Norte e Sul. Deriva da mitologia grega, referindo-se ao titã Atlas, que sustentava os céus. Com formato em “S”, é uma via de comunicação social, econômica e política, tendo sua progênie na colonização comercial vital, banha o Brasil e possui grandes reservas de petróleo e recursos minerais em sua plataforma continental. A seleção anual não é um prêmio de honra ou endosso, mas sim um reconhecimento de fato de quem moldou as notícias e a cultura global no período integral de 12 meses. Com os anos, essa prática admininstrativa se tornou tradição global, analogamente inspirando inúmeras outras publicações, empresas e indivíduos a realizarem suas próprias retrospectivas no final de cada ano.
Nascido em 1902, Charles Lindbergh era filho de Charles A. Lindbergh (1902-1974) que fora congressista de 1907 a 1917 e Evangelyne Lodge (1856-1954). Com 18 anos de idade ingressou no curso de engenharia. Dois anos depois, abandonou o curso. Lindbergh partiu do Condado de Nassau, Estado de Nova Iorque, na costa oriental dos Estados Unidos, em direção a Paris, França, em 20 de maio de 1927, tendo pousado na capital francesa no dia seguinte. O avião usado por Lindbergh chamava-se extraordinariamente “The Spirit of Saint Louis”. Ipso facto, o voo de Lindbergh durou 33 horas e 31 minutos. O feito de Lindbergh fez com que fosse galardoado com o Prêmio Orteig, de 25 mil dólares, em oferta desde 1919. Sua chegada a Paris foi triunfal. E a comemoração quase acabou em tragédia. Recebido calorosamente pelos parisienses, o piloto quase foi sufocado pela multidão que se aglomerava para cumprimentá-lo. Seu neto, Erik Lindbergh, repetiu a viagem em um avião semelhante ao usado por seu avô Charles, 75 anos depois, em 2002. Lindbergh não foi, porém, o primeiro aviador a fazer um voo transatlântico, feito que pertence a John Alcock (1942-2023) e Arthur Whitten Brown (1886-1948), cujo voo foi feito em 1919; em 1922 os portugueses Gago Coutinho (1869-1959) e Artur Sacadura Cabral (1881-1924) a primeira travessia do Atlântico recorrendo apenas a navegação astronômica, no que foi também a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.
Time,
estilizado em caixa alta como TIME, é uma das mais reconhecidas revistas de
notícias semanais do mundo, publicada nos Estados Unidos da América. Uma edição
europeia da Time Europe, antes conhecida por Time Atlantic, também é publicada
de Londres, e cobre o Oriente Médio, a África e desde 2003 a América Latina.
Além disso, uma edição asiática (Time Asia) é editada de Hong Kong. Uma edição
canadense (Time Canada) é editada de Toronto. Segundo muitos observadores da
imprensa mundial, a Time é hoje a revista semanal de maior circulação no planeta.
A Time tem a maior circulação de comunicação visual impressão do mundo para uma
revista semanal de notícias e tem um público de 26 milhões de pessoas, 20
milhões das quais baseadas nos Estados Unidos. Em 2012 teve uma tiragem de 3,3
milhões de exemplares, tornando-se a 11ª revista de maior circulação nos
Estados Unidos e a segunda de circulação semanal, atrás da People. Em 2015, a
sua circulação foi de 3 036 602. Richard Stengel era o editor-chefe de maio de
2006 a outubro de 2013, quando entrou para o Departamento de Estado dos Estados
Unidos. Nancy Gibbs foi a editora-chefe da publicação de 2013 a 2017, sendo
substituída por Edward Felsenthal. A primeira edição da Time foi publicada em 3
de março de 1923, com Joseph G. Cannon, da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos
na capa. Antes dos seus dois principais concorrentes atuais, a Time “inventou o
conceito de revista semanal de notícias”. Foi cofundada em 1923 por Briton
Hadden e Henry Luce.
Ambos tinham trabalhado juntos na Universidade de Yale, com Hadden e Luce servindo como presidente e editor-gerente, respectivamente, da Yale Daily News, uma revista feita pelos alunos da Universidade. Briton Hadden e Henry Luce serviram como presidente (chairman) e editor-gerente (managing editor) do Yale Daily News. Ambos foram colegas de classe e, apesar da rivalidade inicial, trabalharam juntos no jornal da Yale. Hadden morreu em 1929, e Luce tornou-se a pessoa principal na Time e ícone da mídia do século XX. Hadden era o mais solto dos dois, que “mexia” com Luce e via a Time como algo importante, mas também divertido. Isto influenciou o tom da revista, que muitas pessoas julgam não sério o suficiente para notícias sérias e cabe mais a sua extensa cobertura de celebridades incluindo políticos, da indústria de entretenimento e da cultura popular. A Time tornou-se parte da Time Warner em 1989 quando a Warner Communications e a Time Inc. fundiram-se comercialmente. A revista vinha fazendo parte da AOL Time Warner, que subsequentemente reverteu seu nome de volta para Time Warner em 2003. A AOL foi uma das pioneiras na internet em meados da década de 1990, e a marca mais reconhecida na web dos Estados Unidos. Originalmente ofereceu um serviço de internet discada para milhões de americanos, bem como fornecendo um portal web, e-mail, mensagens instantâneas e também um navegador web em seguida da compra da Netscape.
A principal e mais
conhecida característica da revista é sua nomeação de Pessoa do Ano, que
já é realizada desde 1927 na qual a Time reconhece o indivíduo ou grupo de
indivíduos que tiveram o maior efeito nas notícias do ano. No passado, até
mesmo ideias e máquinas tiveram a honra, como por exemplo, em
1982, um computador pessoal IBM foi considerado metaforicamente pela Time o “Homem
do Ano”. A partir de 1999, o título foi alterado de “Homem do Ano” para Pessoa
do Ano, para evitar a sugestão sexista. Os últimos a receberem o título de
Homem do Ano, em 1998, foram o presidente Bill Clinton e o promotor Kenneth
Starr, que o perseguiu no escândalo devido ao caso extraconjugal do presidente
com Monica Lewinsky. Albert Einstein foi a pessoa do século na última edição da
Time de 1999. Ao total, nove brasileiros já foram capa da revista, seis
presidentes, um diplomata, um herpetólogo e um futebolista: Afrânio do
Amaral, autor de Serpentes do Brasil, (1929); Júlio Prestes, o último
presidente do Brasil eleito durante o período conhecido como República Velha,
(1930); Getúlio Vargas, liderou a Revolução de 1930, depondo o 13º e último
presidente da Primeira República Brasileira (1889-1930), Washington Luís, e
impedindo a posse do presidente eleito em 1º de março de 1930, Júlio Prestes
(1940); Osvaldo Aranha, na política internacional, buscando um consenso para
resolver a questão da Palestina (1942); Café Filho (1954); Juscelino Kubitschek
(1956); Jânio Quadros (1961); Costa e Silva (1967) e Neymar (2013).
O desenvolvimento do tema da justiça na concepção de teoria de Aristóteles, discípulo de Platão, tem sede no campo ético, ou seja, no campo de um saber que vem definido em sua teoria como saber prático. É da reunião das opiniões dos sábios, dentro de uma visão de todo o problema que surgiu uma concepção propriamente aristotélica. O mestre do Liceu tratou também a justiça a entendendo como virtude, assemelhada a todas as demais tratadas no curso. A justiça, assim definida como virtude, torna-se o escopo das atenções de um ramo do conhecimento humano que se dedica ao estudo próprio do comportamento humano; à ciência prática, intitulada ética, cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto, o que é ser temperante e o que é ser corajoso, o que é ser jactante, etc. Somente a educação ética (hábito em grego), a criação do hábito do comportamento ético, o que se faz com a prática à conduta diuturna do que é deliberado pela reta razão à esfera das ações humanas, pode construir um comportamento virtuoso, ou seja, um comportamento justo. A justiça, em meio as demais virtudes, que se opõem a dois extremos, caracteriza-se por uma peculiaridade: trata-se de uma virtude à qual não se opõe dois vícios diferentes, mas um único vício, que é a injustiça. Teoria da ação representa um nível abstrato da filosofia que se dedica à análise de processos que causam os movimentos voluntários de um tipo mais ou menos complexo.
Este nível de análise
tem sido regra dos filósofos, principalmente desde a obra de Aristóteles, Ética
a Nicômaco, a principal interpretação de Aristóteles sobre Ética. Nela se
expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua
concepção da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do
hábito e da prudência. Em Aristóteles, toda racionalidade prática é
teleológica, quer dizer, orientada para um fim, ou um bem, como está no texto.
À Ética cabe determinar a “finalidade suprema” (o summum bonum), que
preside e justifica todas as demais, e qual a maneira de alcançá-la. Essa
finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste,
comparativamente, nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa
vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra no justo meio de trabalho
entre os extremos, da divisão do trabalho intelectual e, será encontrada por
aquele “dotado de prudência” (phronesis) e educado pelo hábito no seu
exercício. Vale destacar ipso facto que a ideia de virtude, na Grécia
Antiga, não é idêntica ao conceito atualmente, muito influenciado tipicamente
pela forma moralista pelo cristianismo. Virtude tinha o sentido da “excelência
de cada ação”, ou seja, de “fazer bem feito”, na justa medida, cada vez em ato.
Os valores sociais da conjuntura em que ele escreveu eram bem diferentes dos
leitores atualmente; a palavra bem ou mal, por exemplo, apresenta significados
totalmente opostos.
Desta forma,
metodologicamente, o que é injusto ocupa na teoria dois polos diversos, ou
seja, é ora injustiça por excesso, ora é injustiça por defeito. Desse modo,
como o homem sem lei é injusto e o cumpridor da lei é justo, evidentemente
todos os atos conforme à lei são atos justos em certo sentido, pois os atos
prescritos pela arte do legislador são conforme a lei, e dizemos que cada um
dele é justo. Aristóteles desenvolveu uma concepção de justiça muito eficiente
sobre a qual vários países do mundo ocidental elaboraram medidas pragmáticas de
punições para pessoas que cometerem crimes graves na sociedade, baseadas nos
métodos de justiça criados por ele. A palavra equidade, por exemplo, carregada
de conteúdo de sentido, tem origem no latim “aequitas” e quer dizer
característica de algo ou alguém que “revela senso de justiça, imparcialidade,
isenção e neutralidade: duvidou da equidade das eleições”. Correção no modo de
agir ou de opinar; lisura; honestidade; igualdade: tratou-a com equidade.
Disposição elementar para reconhecer a imparcialidade do direito de cada
indivíduo. Assim, Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, Livro V,
aborda a questão da originalmente em torno da equidade enquanto princípio
norteador indispensável para a efetivação da justiça.
Para o referido filósofo, o maior pensador da Antiguidade, a singularidade é que “o equitativo é justo, porém não o legalmente justo, e sim uma correção da justiça legal. A razão disto é que toda lei é universal, mas a respeito de certas coisas não é possível fazer uma afirmação universal que seja correta”. Diante de tal raciocínio, é possível constatar que para Aristóteles, a lei não é totalmente plena, no sentido de abranger todas as situações e problemas jurídicos aos quais a sociedade possa estar sujeita, ou seja, existe uma determinada lei, entretanto, podem existir situações que não foram pensadas pelo legislador e consequentemente não estão abrangidas por esta lei, mas que também necessitam de amparo legal. Desse modo, não seria justo que tal situação ou caso fosse ignorado por uma “falha” do legislador, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para permitir que aquele caso seja conhecido e apreciado quanto ao seu mérito de maneira justa, levando-se em consideração as peculiaridades do caso concreto. Aristóteles menciona ainda que “essa é a natureza do equitativo: uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da sua universalidade”, sendo que é justamente essa correção que torna justa a resolução do caso concreto. Desse modo é possível depreender por meio de um raciocínio lógico que toda lei é justa, mas nem tudo que é justo é abarcado pela lei, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para que aquela situação que não foi abrangida pela lei tenha seu mérito analisado de maneira justa.
E é justamente por ter
esse caráter corretivo e, também, complementarmente, que para Aristóteles, o
equitativo é uma espécie superior de justiça: por se amoldar as mais diversas
situações existentes no mundo fático, afinal, é claro e notório que a
sociedade tem uma mutação/mudança social muito mais acelerada do que a
legislação posta para a regular, até mesmo porque são as próprias mudanças da
sociedade que vão embasar alterações na legislação. Da perspectiva da teoria da
ação social, é só de maneira insatisfatória que as atividades do espírito
humano podem ser restritas à confrontação cognitivo-instrumental, segundo
Habermas (2012) com a natureza exterior; ações sociais orientam-se por valores
culturais. Estes últimos, porém, não contam com um referencial de verdade.
Assim, coloca-se a seguinte alternativa: ou negamos aos componentes “não
cognitivos” da tradição cultural o status assumido pelas entidades do terceiro
mundo graças à alojação delas em uma esfera de nexos de validade, e então
nivelamos esses mesmos componentes de maneira empirista, como formas
enunciativas do espírito subjetivo; ou procuramos equivalentes para o
referencial de verdade que está ausente. Essa segunda via, como veremos, é
escolhida ou mediada pela teoria da ciência de Max Weber. Ele tem mo mérito de distinguir do ponto de vista da teoria, diversas esferas culturais de valor –
ciência e técnica, direito e moral, bem como arte e crítica. E também as
esferas de valor não cognitivas constituem esferas de validade. Noções
jurídicas e morais podem ser criticadas e analisadas sob o ponto de vista da
correção normativa; obras de arte, sob o ponto de vista da autenticidade (ou
beleza).
Pode-se trabalhá-las
como campo autônomos de problemas. Entende que a tradição cultural no todo como
uma provisão de saber, a partir da qual se podem formar “esferas especiais de
valor” e “sistemas especiais de validade distintas”. Por isso ele atribuiria ao
terceiro mundo tanto os componentes culturais avaliativos e expressivos quanto
os cognitivos-instrumentais. Quando se escolhe essa alternativa, é preciso
esclarecer o que podem significar “validade” e “saber” em face dos componentes
“não cognitivos” da cultura. Este aspecto é muito importante na análise. Estes
últimos, diversamente de teorias e enunciados, não podem ser ordenados a
entidades do primeiro mundo. Valores culturais não cumprem uma função
representativa. Segundo Habermas, desde Aristóteles, o conceito de agir
teleológico está no centro da teoria filosófica da ação. O ator realiza um
propósito ou ocasiona um estado almejado, à medida que escolhe em dada situação
meios auspiciosos, para empregá-los de modo adequado. O conceito central é o da
decisão entre diversas alternativas, voltada à realização de um propósito, de
máximas e apoiada na interpretação da situação. O modelo teleológico do
agir é ampliado a modelo estratégico, quando pelo menos um ator que atua
orientado a determinados fins revela-se capaz de integrar ao “cálculo do êxito”
a expectativa de decisões.
Esse modelo de ação é frequentemente interpretado de maneira utilitarista; aí se supõe que o ator escolhe e calcula os meios e fins, provavelmente no trabalho, segundo aspectos da maximização do proveito ou das expectativas de proveito. Esse modelo de ação, em economia, sociologia e psicologia social, está subjacente às abordagens vinculadas à decisão ou à teoria lúdica. O conceito de agir regulado por normas não se refere ao comportamento de um ator, que encontra outros no entorno, mas a membros de um grupo social, que orientam seu agir segundo valores em comum. O ator individual segue uma norma (ou colide com ela), tão logo as condições se apresentem em uma dada situação na qual se possa emprega-las. As normas expressam o comum acordo subsistente em um grupo social. Todos os membros de um grupo social em que vale determinada norma podem esperar uns dos outros que cada um execute ou omita as ações preceituadas de acordo com determinadas situações. O conceito central de cumprimento da norma significa a satisfação de uma expectativa de comportamento generalizada. A expectativa de comportamento não tem o sentido cognitivo da expectativa de um acontecimento prognosticado, mas o sentido normativo de que o partícipe goze do direito à expectativa de um comportamento. Esse modelo normativo de ação subjaz à teoria dos papéis.
O conceito do “agir
dramatúrgico” sociologicamente falando, seguindo as oegadasm de Jurgen Habermas não se refere primeiramente ao “ator solitário”, muito menos ao
membro de um grupo social, mas aos participantes de uma interação social que
constituem uns para os outros um público a cujos olhos eles se apresentam. O
ator suscita em seu público uma determinada imagem, uma “impressão de si
mesmo”, ao desvelar sua subjetividade em maior ou menor medida. Todo aquele que
age pode controlar o acesso público à esfera de suas próprias intenções,
pensamentos, posicionamentos, desejos, sentimentos, etc., à qual somente ele
mesmo tem acesso. No “agir dramatúrgico”, os partícipes usam essa
circunstância e monitoram sua interação por meio da regulação do acesso
recíproco à subjetividade culturalmente própria. Portanto, filosoficamente o
conceito central de “autorrepresentação” não significa a disciplina de um comportamento expressivo espontâneo, mas per
se a “estilização da expressão de vivências próprias endereçadas a
expetadores”. Esse modelo dramatúrgico de ação serve em primeira linha a
descrições da interação fenomenologicamente orientadas; até o momento, porém,
ele não foi elaborado a ponto de construir uma abordagem teoricamente
generalizante.
Enfim, para sermos
breves, o conceito do agir comunicativo, refere-se à interação em sociedade de
pelo menos dois sujeitos capazes de falar e agir que estabeleçam uma relação
interpessoal, seja com meios verbais ou extraverbais. Os atores socialmente buscam
um entendimento sobre a situação da ação para, de maneira concordante,
coordenar seus planos de ação e, com isso, suas ações. O conceito central de
interpretação refere-se em primeira linha à negociação de definições
situacionais passíveis de consenso. Nesse modelo de ação a linguagem assume uma
posição proeminente. O conceito de ação teleológico tornou-se produtivo pelas
mãos dos fundadores do neoclassicismo, isto é, para uma teoria econômica das
ações eletivas, e por John von Neumann (1903-1957) e Oskar Morgenstern
(1902-1977) para a representação da teoria dos jogos estratégicos. Para a
formação de teorias no campo das ciências sociais, o “conceito de agir
regulado” por normas alcançou importância paradigmática por meio de Émile
Durkheim e Talcott Parsons; o conceito de agir dramatúrgico por Erving Goffman;
e o de agir comunicativo de George Herbert Mead (1863-1931) e, mais tarde,
Harold Garfinkel (1917-2011).
A obra do sociólogo não
é a do homem público, assevera Émile Durkheim. O que a experiência do passado
demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem
guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado
com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o
mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação
deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de
uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da
profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que
seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com
os outros e participam da vida comum. Já que essa vida comum é, sob certos
aspectos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser
criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize seu funcionamento. Por
causa de suas dimensões, tal órgão estaria necessariamente em contato
relacional com o órgão central da vida coletiva, pois os acontecimentos
importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas
industriais num país tem necessariamente repercussões bastante gerais, que o
Estado não pode sentir, o que o leva a intervir. Não foi sem fundamento que o
poder real tendeu indistintamente a não deixar fora de sua ação a grande
indústria. Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade
que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa
organização unitária para o conjunto de um mesmo país não exclui, de modo
algum, a formação de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores
similares de uma mesma região ou localidade, e cujo papel seria especializar
ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais.
A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua
diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa
propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no
passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da
corporação.
Na síntese durkheimiana
representada sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que
esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa
organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a
se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica
se desenvolve. Ela foi outrora a divisão elementar da organização comunal.
Agora que a comuna, de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no
Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, acaso não é legítimo
pensar que a corporação também deveria sofrer uma transformação correspondente
e tornar-se a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental? A
sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos
territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema de corporações
nacionais. Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e já
não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu
irremediavelmente: o “patriotismo de paróquia” tornou-se um arcaísmo que não se
pode restaurar à vontade. Para o sociólogo uma nação só se pode manter se,
entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos
secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua
esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral emancipatória da vida
social. Isso não quer dizer, porém, que a corporação seja uma espécie de
panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um
corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa
remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para
com a comunidade, etc. Estaremos, pois,
não menos que atualmente, em presença de uma tábula rasa.
A vida social deriva
inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão
do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não
tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um
mesmo tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade
pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida em que se
distingue e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união. Esta
divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções
divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter
expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência
nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza. Nunca é
demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de
existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se
estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária
à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar. Nem em que
sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a
maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a
inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior
no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas
esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de
abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como
cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na
realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. Há apenas motivos
para crer, que, em nossas sociedades, essa moralidade ainda não tem todo o
desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes
da vida social, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes.
Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um
grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e
sem rival.
Não podemos apresentar aqui em maiores detalhes a explanação analítica desses quatro conceitos. Interessa-nos muito mais as implicações das respectivas estratégias conceituais para a racionalidade. À primeira vista, apenas o conceito teleológico de ação parece colocar à disposição um aspecto da racionalidade da ação; o agir concebido como atividade propositada pode ser considerado sob o aspecto da racionalidade teleológica. Eis um ponto de vista sob o qual as ações podem ser planejadas ou cumpridas de maneira de maneira mais ou menos racional por uma terceira pessoa. Nos casos elementares da atividade propositada, pode-se representar o plano de ação sob a forma de um raciocínio prático. Os três outros modelos de ação aparentemente não posicionam o agir sob o ângulo da racionalidade e da possibilidade da questão em torno da racionalização. Mas bem se vê que essa aparência engana quando se têm presentes as pressuposições “ontológicas” em sentido mais amplo que, de maneira conceitual, estão necessariamente ligadas a esses modelos de ação. Nos modelos teleológico, normativo e dramatúrgico, nessa sequência, as pressuposições tornam-se não apenas mais complexas, mas desvelam ao mesmo tempo implicações para a racionalidade sempre mais intensas.
Não por acaso, enquanto muitos anjinhos descansam, vamos ao trabalho. Esta data significativamente é o Dia Mundial da Paz, além de Fraternidade Universal, um feriado adotado por quase todas as nações. O número de nações no mundo pode variar de acordo com os critérios estatísticos utilizados para contagem, e a instituição que serve de fonte. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), existem 193 países no mundo. No entanto, se considerarmos os países observadores, a ONU contabiliza 195 países. Por outro lado, o número de nações pode variar de acordo com o contexto social, econômico ou político. No mundo social olímpico, existem 206 nações. Isso porque, durante a maior parte da história dos Jogos Olímpicos, desde a antiguidade na Grécia, “não era necessário ser um país independente para participar.” Quer dizer, pensando assim, a quantidade de países pode variar de 193 a 211, dependendo da fonte consultada e a esfera de intervenção. O número de países pode ser afetado sociologicamente por vários fatores socioambientais e geopolíticos, como, por exemplo: A definição de “país”. Questões geopolíticas de reconhecimento por nações-chave, por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas. Os países existentes do mundo conforme a classificação política da ONU, são atualmente 193 países no mundo. Cinco países que fazem parte da Organização das Nações Unidas, incluindo os membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto, são: Estados Unidos; China; França; Reino Unido; Rússia. O planeta Terra é azul; formado em torno de 70% de água. Desse total, mais de 97% está nos oceanos e mares.
Bibliografia Geral Consultada.
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