“É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma estrela dançante”. Friedrich Nietzsche
Night in Paradise tem como representação social um filme neo-noir sul-coreano de 2021 escrito e dirigido por Park Hoon-jung, um diretor de cinema e roteirista sul-coreano. A Coreia é uma das civilizações mais antigas do mundo contemporâneo. Park ganhou reconhecimento pela primeira vez na indústria cinematográfica coreana por seus roteiros, tendo escrito os roteiros para I Saw the Devil (2010), dos diretores Kim Jee-woon, e The Unjust (2010), de Ryoo Seung-wan. É estrelado por Uhm Tae-goo, um ator sul-coreano reconhecido por seus papéis coadjuvantes em filmes aclamados pela crítica, como Coin Locker Girl (2015) e A Era das Sombras (2016). Ele ganhou destaque com seu papel no filme Uma Noite no Paraíso (2020) e na comédia romântica Meu Doce Mafioso (2024), Jeon Yeo-been, é uma atriz sul-coreana. Jeon ganhou destaque por sua atuação no filme independente After My Death (2017), que lhe rendeu o prêmio de Atriz do Ano no 22º Festival Internacional de Cinema de Busan (2017) e o Prêmio Estrela Independente no Festival de Cinema Independente de Seul de 2017 e Cha Seung-won, um ator e modelo sul-coreano que iniciou sua carreira como modelo nos anos 1990. Cha alcançou o estrelato através dos filmes de comédia Kick the Moon (2001), Jail Breakers (2002), My Teacher (2017), Ghost House (2017) e Mr. Kim (2025).
Night in Paradise teve sua estreia mundial em 3 de setembro de 2020, no 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza considerado um dos principais eventos de cinema do mundo e também o mais antigo e foi lançado em 9 de abril de 2021. O neo-noir é um gênero cinematográfico da década de 1970, na Era da Nova Hollywood, que está principalmente associado à subversão e ao estilo visual dos tropos clássicos do filme noir, adaptando os temas do filme noir norte-americano das décadas de 1940 e 1950 para o público contemporâneo, frequentemente com cores vibrantes e alto contraste, representações mais gráficas de violência simbólica ou sexualidade, motivos temáticos, e narrativa ou edição não linear, para não falarmos da questão da ecologia humana combinando com cenários naturais extraordinários. O neologismo neo-noir, usando o prefixo grego para a palavra novo, é definido por Mark Conard como “qualquer filme que venha depois do período noir clássico que contenha temas e sensibilidade noir”. Outra definição o descreve como noir posterior que frequentemente sintetiza diversos gêneros enquanto destaca a estrutura do filme noir. A Nova Hollywood, também chamada de Hollywood pós-clássica e, às vezes, American New Wave, refere-se a um movimento cinematográfico que renovou significativamente a produção técnica e estética da indústria de cinema dos Estados Unidos na década de 1970, após vivenciar profunda crise econômica e de paradigmas na primeira metade dos anos 1960.
Distinto das propostas estéticas e das condições de produção de estúdio estabelecidas nas gerações anteriores da chamada “Era de Ouro de Hollywood”, embora também tivesse sido influenciado por esse, o cinema autoral da Nova Hollywood procurou se inspirar no cinema de vanguarda europeu da década de 1960. E, portanto, dialogar direta ou indiretamente com contexto político de sua época, cujas temáticas principais eram a defesa da contracultura, da igualdade racial, da liberalização de costumes e do pacifismo, produzindo uma geração de cineastas libertos do controle dos grandes estúdios e com um olhar mais crítico e incisivo sobre a sociedade estadunidense. Influenciados por John Cassavetes, Robert Mulligan, Arthur Penn, Robert Aldrich, Sam Peckinpah e Don Siegel, a nova geração formada por jovens cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, Michael Cimino, Paul Schrader, George Lucas, Steven Spielberg e Brian De Palma ganhou notoriedade, ao assumir um protagonismo como diretores autorais e influenciar os tipos de filmes realizados, a sua produção e distribuição e seu relacionamento com os grandes estúdios. Embora não haja consenso entre a crítica especializada sobre a periodização da Nova Hollywood, costuma-se atribuir o ano de 1967 como o início do movimento, quando foi lançado o aclamado filme Bonnie e Clyde, de Arthur Penn, e o seu ocaso em 1980, com o fracassado Heaven`s Gate, de Michael Cimino, que provocou a falência da United Artists. Consequentemente o seu ápice teria ocorrido em 1972, com The Godfather e What`s Up, Doc? dois dos mais populares títulos do movimento.
Os anos 1950 e o início de 1960 viram Hollywood dominada por musicais, épicos históricos e
outros filmes que se beneficiaram das telas maiores, enquadramento mais amplo e
som aprimorado. Portanto, já em 1957, a época foi apelidada de “Nova Hollywood”.
Vários fracassos caros, incluindo Tora! Tora! Tora! e Hello, Dolly!
e as tentativas fracassadas de replicar o sucesso de The Sound of Music,
colocaram grande pressão sobre os estúdios. Na época em que a geração baby
boomer, uma pessoa nascida entre 1946 e 1964 na Europa (especialmente
Grã-Bretanha e França), Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Depois da Segunda
Guerra Mundial estes países experimentaram um súbito aumento de natalidade, que
ficou conhecido como baby boom. Na idade adulta presenciaram a Guerra do Vietnã
(1955-1975), foram os primeiros a crescer com a televisão sendo o principal
meio de comunicação de informações. Na infância, adolescência e começo da vida
adulta, presenciaram a Guerra Fria, o que influenciou fortemente a visão
política desta geração. Foram a geração que criou o movimento hippie, o qual estava
amadurecendo na década de 1960, a “Velha Hollywood” estava “perdendo dinheiro”
rapidamente; os estúdios não tinham certeza de como reagir às mudanças do
público. A mudança no mercado durante o período foi de um público de meia-idade
com Ensino Médio na década de 1960 para um grupo mais
jovem e rico com Ensino Superior: na década de 1970, 76% de todos os
cinéfilos tinham menos de 30 anos, 64% dos quais tinham feito faculdade.
Filmes europeus, de arte e comerciais especialmente a Commedia all`italiana, a Nouvelle vague, o Spaghetti western e o cinema japonês estavam fazendo um respingo no Estados Unidos, tendo em vista que o enorme mercado de jovens descontentes parecia encontrar relevância e significado artística em filmes como Blowup de Michelangelo Antonioni, com sua estrutura narrativa oblíqua e nudez feminina full-frontal. O desespero pelos estúdios desse período de retração econômica, e após as perdas com os caros fracassos do cinema, levou à inovação e à tomada de riscos, permitindo maior controle por diretores e produtores jovens. Na tentativa de capturar aquele público que encontrou uma conexão com os “filmes de arte” da Europa, os estúdios contrataram uma série de jovens cineastas, alguns dos quais foram orientados por Roger Corman, e lhes permitiram fazer seus filmes com relativamente pouco controle de estúdio. Isso, junto com a quebra do Código de Produção em 1966 e o novo sistema de classificação em 1968 (refletindo a crescente segmentação do mercado), definiu o cenário para Nova Hollywood. Em Noite no Paraíso, Park Tae-goo (Uhm Tae-goo) é um assassino que trabalha para a gangue de Yang (Park Ho-san). Devido às suas habilidades calculistas, o líder da gangue rival de Bukseong, o Presidente Doh, demonstra interesse em contratá-lo, mas rejeita a oferta, provocando a fúria do chefe da máfia. Logo, um golpe fatal o destrói completamente.
Ele descobre que sua irmã e sobrinha foram assassinadas. O chefe Yang lhe diz que Doh pode ser o responsável, como vingança por Tae-goo ter se recusado a entrar para sua gangue. Tae-goo vai até a casa de Doh e acaba matando-o, junto com todos os seus guarda-costas. Yang o aconselha a deixar Seul e ir para o mais longe possível. Tae-goo vai para a Ilha de Jeju, onde conhece Jae-yeon (Jeon Yeo-bin), uma mulher com uma doença terminal a quem os médicos deram apenas algumas semanas de vida. Enquanto isso, em Seul, o tenente de Doh, Chefe Ma, planeja sua vingança contra Tae-goo. Yang trai Tae-goo para se salvar. Os homens de Ma vão então para Jeju para matá-lo, mas conseguem capturar Jae-yeon, um dos homens de Tae-goo. Tae-goo decide se render para salvar suas vidas. Ele vai até onde Ma e seus homens o aguardam. Eles o torturam e lhe dizem que o verdadeiro culpado pela morte de sua irmã foi seu chefe, Yang, para impedir que Tae-goo se junte à gangue rival de Doh e acuse Yang de ser o assassino. Além disso, Yang teria enganado Tae-goo para que ele matasse Doh pessoalmente. Tae-goo acaba sendo morto por Ma, que então liberta Jae-yeon. Uma vez livre, ela decide vingar Tae-goo e pagar sua dívida para com ele, já que ele morreu salvando-a. Uma excelente atiradora, ela aproveita que Yang, Ma e sua gangue estão em um restaurante para trancar as portas e janelas e matá-los simultaneamente. A polícia está prestes a prendê-la na praia, mas nesse momento ela comete suicídio. Uhm Tae-goo teve que ganhar 9 kg para parecer mais com um gangster típico: “O diretor me pediu para ganhar peso, mas disse para eu tentar não parecer que estava malhando na academia.
Trabalhei nisso por dois meses”. Jeon Yeo-been, por sua vez, praticou tiro por meses para aprender a manusear armas de fogo. Segundo Kwak Yeon-soo The Korea Times, Night in Paradise “é um thriller policial com temática noir que se desvia dos filmes de gangsters convencionais. Coloca uma super-heroína em primeiro plano e oferece raros vislumbres de tranquilidade em meio a uma sangrenta guerra de gangues”. Deborah Young escreveu no The Hollywood Reporter que “Night in Paradise contém um bom enredo, vários personagens divertidos e uma boa variedade de cenas de ação emocionantes e profusão de sangue. Mas é indulgentemente longo mesmo dentro das cenas como a explosão de abertura desnecessariamente prolongada que põe a história em movimento”. Jonathan Romney da Screen International observou que “os viciados em ação de gângsteres asiáticos vão gostar, mas a estranha mistura de ação visceral pura e sensação de tensão constante pode limitar o apelo do filme”. James Mottram, do South China Morning Post, incluiu Night in Paradise entre os dez melhores filmes exibidos no Festival Internacional de Cinema de Veneza de 2020, afirmando que “não havia nada tão emocionante quanto [o filme]” e que suas “cenas extravagantes e tiroteios [satisfarão] qualquer fã do gênero”. Alberto Barbera, diretor do Festival de Cinema de Veneza, fez uma crítica positiva: “Night in Paradise é um dos melhores de gângsteres produzidos pelo cinema sul-coreano nos últimos anos.
Park Hoon-jung é um diretor que merece toda a atenção por sua capacidade de combinar roteiro original com a criação de personagens complexos e nunca estereotipados, além de impressionantes e magistrais habilidades de direção. Seu nome certamente será ainda mais ouvido no futuro”. A Coreia do Sul ocupa a parte Sul da península da Coreia, que se estende ao longo de 1 100 km desde o continente asiático. A península montanhosa está flanqueada pelo Mar Amarelo a Oeste e pelo Mar do Japão a Leste. No extremo Sul encontra-se o Estreito da Coreia e o Mar da China Oriental. Sua superfície territorial é de 100 032 km². O território nacional geograficamente pode ser dividido em quatro regiões gerais: a região oriental de montes altos e planícies costeiras estreitas; a região ocidental com amplas planícies costeiras e bacias; a região Sudoeste com montanhas e vales e a região sudeste, onde predomina a bacia do Rio Nakdong. O relevo é predominantemente montanhoso e a maior parte do solo não é cultivável. As terras baixas, localizadas principalmente a Oeste e a Sudeste, constituem apenas 30% da área total do país. Aproximadamente três mil ilhas, em sua maioria pequenas e desabitadas, se encontram frente às costas Oeste e Sul. Jeju-do se encontra a aproximadamente 100 km da costa Sul. É a maior ilha do país, com 1 845 km². Em Jeju encontra-se o ponto mais alto da Coreia do Sul: Hallasan, um vulcão extinto, com 1 975 metros de altitude acima do nível do mar.
As ilhas mais orientais incluem Ulleungdo e os Rochedos de Liancourt (Dokdo); os locais mais a Sul representam o Marado e o Rochedo de Socotra. Existem cerca de vinte parques nacionais, os quais, juntamente com alguns sítios naturais, gozam de grande popularidade nacional e entre os turistas, como as plantações de chá de Boseong e o parque ecológico da baía de Suncheon, na província de Jeolla do Sul, localizada no Sudoeste do país. A forma abreviada do nome é Jeonnam, antes Chŏnnam. A província foi criada em 1896, a partir da parte Sul da antiga província de Jeolla. Demograficamente Jeolla Sul tem uma área de 11 987 km² e uma população de 2 059 621 habitantes. Os rios principais são o Han e o Nakdong, que nascem no sistema montanhoso dos montes Taebaek. O rio Han se dirige até a costa Oeste para desaguar no Mar Amarelo, enquanto o Nakdong, mais extenso, circula na direção Sul até alcançar o Estreito da Coreia. O clima predominante na Coreia do Sul é o continental. Os invernos podem ser muito frios, com temperaturas mínimas que podem alcançar os -20 °C na parte mais setentrional do país. As temperaturas são altas durante o inverno ao largo da costa Sul e consideravelmente baixas em áreas montanhosas. As precipitações se concentram nos meses de verão, de junho a setembro. Em uma curta temporada de chuvas jangma, que começa em finais de junho e termina no final do mês de julho, o país é afetado por uma monção, dialeticamente em oposição assimétrica e complementar ao mesmo tempo em que a costa Sul está sujeita extraordinariamente a tufões que trazem ventos fortes e chuvas intensas. A vegetação mais abundante no país é típica de floresta decídua temperada. Aí se encontram espécies vegetais de folha caduca, como o acer, o ulmeiro e o choupo e árvores de folha persistente, como o pinheiro e o abeto.
Nas zonas costeiras do Sul encontram-se espécies endêmicas, que não crescem no resto do país, como o bambu, o loureiro e o carvalho. Os bosques cobrem cerca de dois terços do país, ainda que a sua extensão se encontre em constante diminuição devido às atividades humanas. O bosque misto se caracteriza por abrigar múltiplas espécies de mamíferos grandes e pequenos, assim como uma grande quantidade de aves e insetos. Os mamíferos roedores, porcos-espinho, lebres, falcões, corujas e outras espécies de animais pequenos têm sobrevivido aos impactos sociais humanos, que têm substituído estas espécies por animais domésticos, como cães, gatos, cavalos, entre outros. Porém, grandes espécies de mamíferos, como tigres, leopardos, ursos, linces, encontram-se ameaçados de extinção, devido principalmente à constante caça e à destruição de seus habitats. Por ser uma das zonas mais vigiadas de todo o planeta e devido à restrição de acesso a todos os civis, a Zona Desmilitarizada da Coreia é um dos lugares mais preservados do país. O isolamento natural de grande parte desta zona, com uma área de cerca de 1 000 km², converteu-a num dos locais naturais mais bem preservados e no último refúgio de várias espécies ameaçadas. Através de estudos realizados por grupos de ecologistas e cientistas, já foram catalogadas aproximadamente 2 900 espécies vegetais, 70 de mamíferos e 320 variedades de aves na zona.
Outras investigações científicas realizadas acerca da região estimam que existem mais exemplares e outras espécies de regiões circundantes. Durante os primeiros vinte anos do crescimento demográfico e econômico, que começou em meados da década de 1970, poucos esforços foram realizados para preservar o ambiente do país. A industrialização e o desenvolvimento econômico excessivos tiveram como resultado a “desflorestação e a destruição contínua dos ecossistemas”. Outro problema crônico enfrentado pelos sul-coreanos é a qualidade do ar, já que todos os anos se registam problemas como chuva ácida e elevadas concentrações de dióxido de enxofre no ar. Muitas destas dificuldades reconhecidas vêm da proximidade do país com a República Popular da China, um dos principais poluidores da atmosfera a nível mundial. Dentre os esforços para equilibrar estes problemas estão a utilização de tecnologias e a fontes de energia mais limpas. A Coreia do Sul é signatária do Tratado da Antártida, da Convenção sobre Diversidade Biológica e do Protocolo de Quioto, formando, com o México e a Suíça, o Grupo de Integrada Ambiental (GIA), sob a supervisão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. A Coreia do Sul tinha uma população estimada em cerca de 51,7 milhões em 2022. A população mais que dobrou, passando de 21,5 milhões em 1955 para 50 milhões em 2010. Espera-se que atinja o pico de 52 milhões em 2024 e diminua para 36 milhões em 2072, devido a um rápido declínio nas taxas de natalidade que começou em 1960.
A fertilidade humana apresentou um aumento modesto posteriormente, mas caiu para um novo mínimo global em 2017, com menos de 30 mil nascimentos por mês pela primeira vez desde o início dos registros e menos de um filho por mulher em 2018. Em 2020, o país registrou mais mortes do que nascimentos, resultando na primeira diminuição populacional desde o início dos registros modernos. Cerca de 95% da população da Coreia do Sul é formada por coreanos étnicos e os outros 5% sendo uma variedade precisa de etnias, a maioria asiáticos historicamente chineses, vietnamitas, filipinos, etc., e uma minoria de europeus e norte-americanos. A Coreia do Sul é notável por sua densidade demográfica de 507 habitantes por quilômetro quadrado, mais de dez vezes em relação à média mundial. A maioria dos sul-coreanos vive em zonas urbanas, devido à migração maciça do campo para as cidades durante a rápida expansão econômica entre as décadas de 1970 e 1990. A taxa de natalidade sul-coreana é a mais baixa do mundo. Esta tendência tende a continuar prevendo-se que em 2050 a população diminua 13%, ficando com 42,3 milhões de habitantes. Em 2008, a taxa de natalidade anual era de nove nascimentos para cada mil pessoas, enquanto a esperança de vida era de 79,10 anos, a 40ª mais elevada do mundo. A população também tem sido modelada pela migração que se seguiu à divisão da Península da Coreia, ocorrida após a trágica 2ª guerra mundial (1939-1945), quando 4 milhões de norte-coreanos cruzaram a fronteira ao Sul. Esta tendência de crescimento foi invertida nos quarenta anos devido à emigração, especialmente para os Estados Unidos e Canadá. Em 1960, a população total era de 25 milhões. Hoje, esse número ultrapassa 49,5 milhões de habitantes.
A sociedade é aparentemente homogênea, já que 98% dos seus habitantes são etnicamente coreanos. Ainda que continue sendo mínima, a população de habitantes não coreanos tem aumentado. Em 2009, 1 106 084 estrangeiros residiam no país, mais do que o dobro em relação a 2006. Os imigrantes vindos da China formam 56,5% do total. Porém, muitos deles são joseonjoks, isto é, sociologicamente cidadãos chineses de origem coreana. Aproximadamente 33 mil mongóis formam a maior comunidade mongol residente no estrangeiro. Outra minoria notável são as mulheres do Sudeste asiático, que em 2006 constituíam 41% dos matrimônios com agricultores coreanos. Cerca de 43 mil professores de língua inglesa vindos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Irlanda e África do Sul residem temporariamente na Coreia do Sul. Em 2005 quase metade da população sul-coreana expressou que não tinha preferência religiosa. Dos restantes, a maioria são cristãos e budistas; a população em 2010 era dividida em: 43,1% cristã (18,3% protestantes, 10,9% católicos e 13,9% de outras cristãs) e 22,8% eram budistas.
Num país de longa tradição em sua história social outras religiões praticadas na vida cotidiana incluem o islã e vários outros novos movimentos religiosos, como o jeungismo, o daesunismo, o cheondoísmo e o budismo won. A liberdade de culto está garantida pela Constituição e não há religião de Estado. Uma religião de Estado é uma religião oficialmente adotada por um Estado, o que significa que as leis desse Estado estão em conformidade com os preceitos dessa religião. Uma religião é considerada religião de Estado quando a legislação de um país, geralmente sua Constituição, especifica que uma determinada religião é a religião oficial do Estado. A existência em um país de uma religião com status de religião oficial não prejudica a situação das demais religiões nesse país: a religião oficial pode ser a única permitida ou simplesmente gozar de certas prerrogativas (como apoio financeiro, por exemplo), sendo as outras religiões livres. O Islã é atualmente a religião mais afetada pela questão da religião oficial. A maioria dos países ocidentais já não reconhece uma religião oficial. Alguns países reconhecem, com ou sem religião oficial, uma ou mais religiões oficiais. O cristianismo é a religião mais professada no país, já que conta estatisticamente com mais da metade de todos os adeptos religiosos. Segundo estatísticas do governo em 1985, dos 42,6 milhões de habitantes que viviam na Coreia, 16,5% da população era protestante (6,5 milhões) e 5% católica (1,9 milhões). A Igreja Católica é a igreja cristã que mais tem crescido desde a década de 1980, e em 2010 eram 5,1 milhões de fiéis. A Coreia do Sul é, comparativamente, depois dos Estados Unidos, a nação com o maior número de missionários do mundo com forte atuação do criacionismo. O budismo foi introduzido na Coreia no ano 372 d. C. Segundo o censo nacional de 2005, no país existiam mais de dez milhões de budistas.
A maioria dos tesouros nacionais são artefatos de budistas. Junto com o neoconfucionismo, o budismo foi a religião de estado durante o período dos Três Reinos da Coreia, durante a dinastia Joseon. O islã conta com pouco mais de trinta mil seguidores nativos, além de mais de cem mil trabalhadores estrangeiros provenientes de países muçulmanos, especialmente do Paquistão e do Bangladesh. O idioma oficial do país e o mais falado pelos sul-coreanos é o coreano, cuja classificação é objeto de debate: autores afirmam que pertence à família altaica, enquanto outros afirmam que é uma língua isolada. O coreano tem o seu próprio alfabeto, o hangul, que foi inventado ao redor do século XV. Ainda que por seu aspecto social pareça ser um alfabeto pictográfico, na realidade é um alfabeto organizado em blocos silábicos. Cada um destes blocos consiste em pelo menos dois dos 24 caracteres (jamo): pelo menos uma das quatorze consoantes e uma das dez vogais. Os alfabetos hanja (chinês) e o latino são usados dentro de alguns textos em coreano, uma prática mais usual no Sul do que no Norte. Ainda que também seja o idioma nacional da vizinha Coreia do Norte, o coreano falado na Coreia do Sul difere do falado pelos norte-coreanos em alguns aspectos como a pronúncia, a ortografia, a gramática e o vocabulário. O inglês é usado do ponto de vista da comunicação como segunda língua pela maioria da população, além de ser ministrado de forma obrigatória nas escolas secundárias.
A Região Metropolitana de Seul tem cerca de 24 milhões de habitantes (metade da população do país), constituindo-se na segunda aglomeração urbana mais populosa do mundo, sendo superada somente pela aglomeração urbana de Tóquio, capital do Japão. Em 2010, Seul concentrava mais de 20% da população sul-coreana. Outras cidades importantes são Busan, principal porto do país, 3,5 milhões de habitantes, Incheon, localizada na região metropolitana de Seul, com 2,5 milhões de habitantes, Daegu (2,5 milhões), Daejeon (1,4 milhões), Gwangju (1,4 milhões) e Ulsan (1 milhão). A expressão nietzschiana vontade de poder significa, consequentemente: vontade, tal como comumente se compreende. Mas mesmo nessa explicação reside ainda uma incompreensão possível. A expressão “vontade de poder” não diz, em sintonia com a opinião habitual, nas relações sociais em que desenvolve que a expressão é, em verdade, um tipo de desejo, que apenas possui, ao invés da felicidade e do prazer, “o poder como meta”. Sem dúvida alguma, Friedrich Nietzsche (1844-1900) mesmo fala em muitas passagens dessa forma, a fim de se fazer provisoriamente compreensível. No entanto, na medida em que estabelece o poder como “meta para a vontade”, ao invés da felicidade, do prazer ou da supressão da vontade, ele não altera a meta da vontade, mas a determinação essencial analiticamente da própria vontade como meio de luta extraordinária na sociedade. Tomado estritamente no sentido do conceito nietzschiano, o poder nunca pode ser pressuposto previamente como meta para a vontade, como se o poder fosse algo que pudesse ser estabelecido inicialmente como estando fora da vontade.
É neste sentido que se pode afirmar, sem temor à erro, que a vontade é decisão por si mesma de um assenhoramento que se estende para além de si; porquanto a vontade é querer para além de si, a vontade é potencialidade que se potencializa para o poder. Somente quando se tiver apreendido o conceito nietzschiano de vontade (cf. Nietzsche, 2008) nesses aspectos, será possível compreender aquelas caracterizações com as quais Nietzsche procura frequentemente indicar o que está presente na simples palavra vontade. Portanto, o termo “poder” nunca visa a um complemento da vontade, mas significa uma elucidação da essência da própria vontade. Ele denomina a vontade e com isso a vontade de poder – um “afeto”; ele diz até mesmo: - Minha teoria seria a seguinte: - a vontade de poder é a forma primitiva de afeto, todos os outros afetos não passam de configurações suas. Nietzsche também denomina a vontade uma “paixão” ou um “sentimento”. Se se compreendem tais descrições como geralmente acontece, ou seja, a partir do campo de visão de nossa psicologia habitual, então se cai facilmente na tentação de dizer que Nietzsche transpõe a essência da vontade para o interior do “elemento emocional”, arrancando-a das más interpretações que foram levadas ao idealismo, pois para ele, os afetos são formas de vontade; a vontade é um afeto. Denomina-se tal procedimento uma definição circular, própria em seu encadeamento.
Nietzsche diz com boa razão que a vontade de poder é a forma originária de afeto. Não diz com isto que ela é um afeto, apesar de encontramos essas formulações em suas apresentações e defensivas. O poder só se potencializa na medida em que se torna senhor sobre o nível de poder a cada vez alcançado. O poder, então, só é e só permanece sendo poder enquanto permanece elevação do poder e comanda para si o mais no poder. A essência do poder pertence à superpotencialização de si mesmo que emerge do próprio poder, na medida em que é comando e enquanto comando apodera-se de si para a superpotencialização do respectivo nível de poder que se potencializa. O poder está constantemente a caminho “de si” mesmo, não apenas de um próximo nível de poder, mas do apoderamento de sua própria essência. Por isso, ao contrário do que se pensa, a contra-essência em relação à vontade de poder não é a “posse” de poder alcançada em contraposição à mera “aspiração por poder”, mas a “impotência para o poder”. Nesse caso, vontade de poder não significa outra coisa senão a relação social estabelecida do ponto de vista “poder para o poder”, o que significa antes: apoderamento para a superpotencialização. É subjetividade incondicionada da vontade de poder/eterno retorno e da composição técnica. Somente o poder para o poder assim compreendido toca a essência plena do poder. Nessa essência do saber e do poder, a essência da vontade enquanto permanece vinculada como comando. A paixão assim compreendida lança novamente uma luz sobre o que Nietzsche denomina vontade de poder. A vontade é de-cisão na qual o que quer se expõe de maneira mais ampla relativamente ao domínio do ente, a fim de mantê-lo na esfera de seu comportamento.
Não o acontecimento e a excitação são agora característicos, mas expansão clarividente do campo de vinculação que é ao mesmo tempo uma reunião da essência que se encontra na paixão. O afeto representa o acontecimento que nos agita cegamente. A paixão representa a expansão clarividente e reunidora do campo de vinculação ao ente. Como a paixão restaura nosso ser, nos libera e nos deixa soltos para os seus fundamentos; como a paixão é, ao mesmo tempo, a expansão do campo de vinculação até a amplitude do ente, por isso pertence à paixão – e o que se tem em vista aqui é a compreensão explicativa da grande paixão que pode ser dispendiosa e engenhosa. Não lhe pertence apenas a “capacidade de potência”, mas socialmente mesmo a necessidade de retribuir, e, ao mesmo tempo, aquela despreocupação quanto ao que acontece com o dispêndio com o dispêndio, aquela superioridade que repousa em si mesmo e que caracteriza as grandes vontades. Paixão não tem nada a ver com um mero desejo, não é coisa apenas estimulada dos nervos, da exaltação ou do excesso. Se entendermos que é verdade em Nietzsche que a vontade de poder é o caráter fundamental de todo ente e se determina agora a vontade como um sentimento paralelo e compatível ao de prazer, as duas concepções não são sem mais compatíveis.O mundo para Friedrich Nietzsche não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade. Seu princípio filosófico não era, portanto, Deus e razão, mas a vida que atua sem objetivo definido, ao acaso, e, por isso, se está dissolvendo e transformando-se em um constante devir. A única e verdadeira realidade “sem máscaras”, para Nietzsche, é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante.
Nietzsche era um crítico: a) das “ideias modernas”, b) da vida social e da cultura moderna, c) do neonacionalismo alemão, e, para sermos breves, d) Para ele, os ideais modernos como democracia, socialismo, igualitarismo, emancipação feminina não eram senão expressões da decadência de determinado “tipo homem”. Por estas razões, é, por vezes, apontado como um precursor da concepção de pós-modernidade. A figura filosoficamente de Nietzsche foi particularmente idealizada na Alemanha mediante um processo decadente, num processo político em que opta, mas não decide, tendo sua irmã, simpatizante do regime, fomentado esta associação. Como se dizia a ideologia é a relação imaginária do homem com suas condições reais de existência, ele próprio um raro nietzschiano, “na Alemanha se era contra ou a favor de Nietzsche”, que em toda a vida, tentou explicar o insucesso de sua literatura, concluindo de que “nascera póstumo”, para os leitores do porvir. Investigadores arqueológicos afirmam que a península foi ocupada desde o Paleolítico Inferior. É a mais antiga subdivisão do Paleolítico, sendo o período mais antigo da Pré-História dos humanos. Segundo descobertas de 2015 existem indícios que teve início há cerca de 3,3 milhões de anos, quando as mais antigas evidências reconhecidas da produção de ferramentas de pedra por hominíneos aparecem no registro arqueológico atual,.
E durou até há cerca de 300 mil anos, quando mudanças importantes nas culturas materiais humanas, exemplificadas pela transição da indústria lítica denominada Olduvaiense para a Acheuliana, levaram historiadores e arqueólogos a demarcarem uma nova divisão, o Paleolítico Médio. Os mais antigos hominídeos, os australopitecínios, não eram utilizadores avançados de ferramentas de pedra e é provável que fossem presas de animais maiores. Utilizavam machados de mão e viviam a céu aberto, próximos a vales de rios. Os primeiros fósseis do género Homo surgem a menos de três milhões de anos. O Homo habilis, como os da Garganta de Olduvai, é muito mais semelhante aos humanos modernos. Acreditava-se que o uso de ferramentas de pedra havia sido desenvolvido por esta espécie por volta de há 2,5 milhões de anos, antes de serem substituídos pelo Homo erectus, há cerca de 1,5 milhões de anos. Evidências arqueológicas no sítio de Lomekwi comprovaram o uso de ferramentas de pedra por hominíneos anteriores ao gênero Homo. Através do tempo, a história da Coreia tem sido turbulenta com numerosas guerras, incluindo invasões tanto chinesas quanto japonesas. Desde o estabelecimento da República moderna em 1948, a Coreia do Sul debateu-se com sequelas de conflitos bélicos, como a Guerra da Coreia (1950–1953), e décadas de governos autoritários. Apesar de ser uma democracia de estilo ocidental desde a fundação da República, as eleições presidenciais sofreram grandes irregularidades que só terminaram em 1987, quando ocorreram as primeiras eleições diretas e o país passou a ser considerado como uma democracia multipartidária. Sua economia tem crescido rapidamente desde a década de 1950.
Atualmente é a 13ª maior economia do mundo globalizado
e está classificado como um dos países mais desenvolvidos do mundo pela Nações
Unidas, pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Também
se encontra entre os países mais avançados em tecnologia: é o terceiro país com
o maior número de usuários de Internet de banda larga entre os países-membros
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um fórum
estratégico e um centro de excelência único em dados, análises e melhores
práticas em políticas públicas. Trabalhamos para desenvolver melhores políticas
para uma vida melhor, em estreita colaboração com governos, formuladores de
políticas e cidadãos, sendo também um dos líderes globais na produção econômica
de aparelhos eletrônicos, como dispositivos semicondutores e telefones
celulares. Também conta com uma das infraestruturas mais avançadas do mundo, e
é o líder da indústria de construção naval, encabeçada por companhias
proeminentes, entre elas a Hyundai Heavy Industries. A partir do início dos
anos 2000, a Coreia do Sul ficou mundialmente reconhecida por sua cultura
pop globalmente influente, com o fenômeno Hallyu, é um termo criado
na China, em 1999, por jornalistas de Beijing, para descrever o grande
crescimento da cultura sul-coreana, que começou no leste asiático e se alastrou
por todo o globo, atraindo consumidores e fãs no mundo todo, apoiada por
financiamentos governamentais, principalmente na música (K-pop), televisão
(dramas), cinema, um fenômeno que ficou reconhecido como Onda Coreana, Hallyu.
No século XIX, as
famílias reais de parentesco ganharam o controle do governo, levando à
corrupção em massa e ao enfraquecimento do Estado, pobreza extrema e rebeliões
camponesas em todo o país. Além disso, o governo Joseon adotou uma política
isolacionista estrita, ganhando o apelido de “reino eremita”, mas acabou
falhando em se proteger do imperialismo e foi forçado a abrir suas fronteiras.
Após a Primeira Guerra Sino-Japonesa e a Guerra Russo-Japonesa, a Coreia foi
ocupada pelo Japão (1910–1945). No final da Segunda Guerra Mundial, os Estados
Unidos propuseram dividir a Península Coreana em duas zonas de ocupação (uma norte-americana
e outra soviética). Dean Rusk (1909-1994), o Secretário de Estado dos Estados
Unidos da América de 1961 a 1969 nas administrações de John F. Kennedy (1961-1963)
e Lyndon B. Johnson (1963-1969). Foi o segundo secretário de Estado que mais
tempo permaneceu no cargo, atrás apenas de Cordell Hullm, um político e
diplomata americano que serviu como secretário de Estado dos Estados Unidos por
quase doze anos sob o presidente Franklin D. Roosevelt, de 1933 a 1944. Membro
do Partido Democrata, ele é o secretário de Estado com o mandato mais longo na
história dos Estados Unidos e Charles H. Bonesteel III, um comandante militar
norte-americano, filho do General de Divisão Charles Hartwell Bonesteel Jr. e
neto do Major Charles H. Bonesteel Sr. Serviu no Exército dos Estados Unidos
durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Coreia, sugeriram o 38º paralelo
como a linha divisória, uma vez que colocou Seul sob o controle dos Estados
Unidos. Para surpresa de Rusk e Bonesteel, os soviéticos aceitaram sua proposta
e concordaram em dividir a Coreia.
Em 1948, como
consequência guerra fria da divisão da península entre soviéticos e
estadunidenses, surgiram duas novas entidades que permanecem até hoje: a Coreia
do Norte e a Coreia do Sul. No Norte, um guerrilheiro antijaponês chamado Kim
Il-sung (1912-1994) obteve o poder através do apoio soviético; no Sul, um
político de direita, Syngman Rhee, foi nomeado como presidente. Em 1949, o
exército sul-coreano reprime brutalmente uma insurreição de camponeses na ilha
de Jeju, matando 60 000 pessoas. Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte
invade a Coreia do Sul, dando início à Guerra da Coreia. O Conselho de
Segurança das Nações Unidas decidiu intervir contra a invasão com uma força
liderada pelos Estados Unidos. Essa decisão só foi possível porque o delegado
da União Soviética no Conselho de Segurança das Nações Unidas esteve ausente
como forma de protesto pela admissão da República da China naquele órgão. Por
sua parte, a União Soviética e a China decidiram apoiar a Coreia do
Norte, enviando efetivos militares e provisões para as tropas norte-coreanas. A
guerra acabaria com baixas maciças de civis norte e sul-coreanos. O armistício
de 1953 dividiu a península ao longo da Zona Desmilitarizada da
Coreia, traçada próxima à linha da demarcação original. Nenhum tratado de
paz foi firmado, e tecnicamente os dois países continuaram em guerra. Estima-se
que 2,5 milhões de pessoas morreram durante o conflito.
Em 1960, um movimento
estudantil e trabalhista (a Revolução de Abril) levou à renúncia do presidente
Syngman Rhee (1875-1965). A este evento seguiu-se um período de instabilidade
política, que culminaria com um golpe de estado um ano depois, liderado pelo
general Park Chung-Hee (o “5–16 coup d` État”). Park foi duramente criticado
como um ditador sem piedade e pela repressão política ocorrida durante o seu
mandato; porém, a sua economia se desenvolveu de maneira significativa, pois o
regime incentivou o rápido crescimento econômico impulsionando as exportações.
Park foi presidente até ser assassinado em 1979. Os anos que se seguiram após o
assassinato de Park foram novamente marcados por grande agitação política,
assistindo-se a múltiplas tentativas de tomada do poder presidencial por parte
dos líderes da oposição anteriormente reprimidos. Em 1980, realizou-se um outro
golpe de estado, liderado pelo general Chun Doo-hwan (1931-2021) contra o
governo transitório de Choi Kyu-hah (1919-2006), que ocupou o cargo de
primeiro-ministro da Coreia do Sul durante o mandato de Park. Quando Chun
assumiu a presidência houve protestos a nível nacional exigindo democracia e
legalidade nas eleições. Comparação do crescimento econômico da Coreia do Sul
(azul) e da Coreia do Norte (vermelho) entre 1950 e 2016. A Coreia do Sul teve
crescimento médio do PIB de 10% ao ano no período chamado de “Milagre do Rio
Han”. Chun e o seu governo mantiveram a Coreia do Sul sob um regime despótico
até 1987, quando manifestações de trabalhadores e de grupos opositores
eclodiram por todo o país.
Finalmente, o partido político de Chun (Partido Democrático de Justiça) e seu líder, Roh Tae-woo, deram a conhecer a declaração de 29 de junho, que incluía as chamadas eleições diretas para eleger o novo presidente. Roh ganhou as eleições por uma estreita margem contra os dirigentes dos principais partidos políticos de oposição, Kim Dae-jung e Kim Young-sam. Em 1988 Seul organizou os Jogos Olímpicos de Verão, e em 1996 continuou seu desenvolvimento econômico que levou o país à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Como a maioria de seus vizinhos asiáticos, a economia local foi afetada pela crise financeira asiática de 1997. Porém, o país foi capaz de se recuperar e continuar o seu crescimento e continua a ser um dos principais tigres asiáticos. Em junho de 2000 foi celebrada pelo presidente Kim Dae-jung a Declaração de Paz e Prosperidade, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte. Mais tarde, nesse mesmo ano, Kim recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho para a democracia e os direitos humanos na Coreia do Sul e no Leste asiático em geral e para a paz e reconciliação com a Coreia do Norte em particular. Em 2002, Coreia do Sul e Japão foram anfitriões da Copa do Mundo. Mais tarde, as relações entre ambas as nações se deterioraram, devido ao conflito estrategicamente ancorado sobre a possessão dos Rochedos de Liancourt (Dodko). Em 2004, um escândalo político levou ao impeachment do presidente Roh Moo-hyun (1946-2009), mas ele foi absolvido e permaneceu no cargo. Em outubro de 2012, com a quase totalidade dos votos apurados, Park Geun-hye, filha do ex-presidente Park Chung-hee, eleita a primeira mulher presidente da história do país, com 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% do seu adversário Moon Jae-in.
Em abril
de 2014, o naufrágio do Sewol levou à exoneração do primeiro-ministro Chung
Hong-won. Em 2016, estoura uma crise política no país, após revelações de que
Choi Soon-sil, amiga pessoal da presidente sul-coreana, envolvia-se nas
decisões do governo mesmo sem possuir cargo público, levando ao afastamento da
presidente no dia 9 de dezembro, assumindo interinamente o primeiro-ministro
Hwang Kyo-ahn. Em 10 de março de 2017, Park foi definitivamente afastada da
presidência pela corte constitucional, tornando-se a primeira chefe de Estado e
de governo na história do país a ser deposta por um processo de impeachment,
sendo detida três semanas depois. Em 9 de maio de 2017, eleições presidenciais
antecipadas deram vitória ao candidato derrotado em 2012, Moon Jae-in,
empossado logo no dia seguinte. Em abril de 2018, a ex-presidente Park foi
sentenciada a 24 anos de prisão por abuso de poder e corrupção. Em março de
2022, Yoon Suk-yeol, conservador candidato da oposição à presidência pelo
Partido do Poder Popular, venceu uma eleição apertada contra Moon Jae-in, com a
menor margem da história. Yoon foi empossado em 10 de maio de 2022. Ele
declarou lei marcial em 3 de dezembro de 2024, acusando a oposição de ser
pró-Coreia do Norte e de conduzir atividades contra o Estado. Mas a Assembleia
Nacional votou de forma unânime (190 a 0) para anular a declaração, levando
Yoon a revogar a lei marcial em 4 de dezembro. Em 14 de dezembro, Yoon foi
afastado do cargo após a maioria da Assembleia Nacional, incluindo alguns
membros de seu próprio partido, votar pelo seu impeachment. Yoon foi
removido do cargo por unanimidade em 4 de abril de 2025. Nas eleições de 3 de junho de 2025, foi eleito o candidato Lee Jae-myung,
empossado no dia seguinte.
Bibliografia Geral Consultada.
BATAILLE,
Georges, Sur Nietzsche: Volonté de Chance. Paris: Éditions Gallimard, 1967; ELIAS,
Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. 1ª edição. Rio de
Janeiro: Zahar Editor, 1994; KIM-RENAUD, Young-Key, The Korean Alphabet: Its
History and Structure. Honolulu:
University of Hawaii Press, 1998; DURKHEIM, Émile, As Regras do Método
Sociológico. 2ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1999; SAFRANSKI,
Rüdiger, Nietzsche, Biografia de su Pensamiento. Madrid: Tusquets
Editores, 2002; MARTON, Scarlett, Nietzsche. A Transvaloração dos Valores.
Rio de Janeiro: Editora Moderna, 2006; NIETZSCHE, Friedrich, A Vontade de
Poder. Rio de Janeiro: Editor Contraponto, 2008; RUBIRA, Luís Eduardo
Xavier, Do Eterno Retorno do Mesmo à Transvaloração de Todos os Valores.
Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. São Paulo:
Universidade de São Paulo, 2008; WIERVORCKA, Annette, L` Ere du Témoin.
Paris: Éditions de l`Atelier, 2009; CORRÊA, Sérgio Fernando Maciel, O
“Sujeito” da Interpretação em Nietzsche e Foucault: Uma Leitura da Genealogia
da Moral e da Ética do Cuidado de Si. Dissertação de Mestrado. Programa de
Pós-Graduação em Filosofia. Instituto de Filosofia, Sociologia e Política.
Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 2014; MOURA, Carlos Alberto Ribeiro, Nietzsche:
Civilização e Cultura. 2ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2014; NIETZSCHE,
Friedrich, O Nascimento da Tragédia. São Paulo: Editora Companhia das
Letras, 1994; Idem, Assim Falou Zaratustra: Um Livro Para Todos e Para Ninguém.
Tradução e Notas de Gabriel Valladão Silva. Porto Alegre: L&PM Editor, 2015;
KWAK, Yeon-soo, “Night in Paradise oferece raros vislumbres de
tranquilidade em meio à sangrenta guerra de gangues”. In: The Korea Times,
5 de abril de 2021; GALVÃO, Marcela Santos, O Modelo de Crescimento Conduzido
pelas Exportações dos Tigres Asiáticos: Algumas Lições para o Brasil.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Relações Internacionais).
Uberlândia: Universidade Federal de
Uberlândia, 2025; entre outros.
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