“Era uma maldita luta em todos os lugares, em Nova Iorque, em Hollywood”. Lena Mary Calhoun Horne
Lena Mary Calhoun Horne (1917-2010) foi uma cantora, atriz, dançarina e ativista dos direitos civis americana. A carreira de Horne abrangeu mais de setenta anos e incluiu cinema, televisão e teatro. Lena Horne nasceu em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn filha de Edwin e Edna Horne em 30 de junho de 1917. Ambos os lados de sua família eram multirraciais e tinham ascendência europeia-americana, nativa norte-americana e afro-americana. Ela pertencia à camada superior e bem-educada dos nova-iorquinos negros de seu tempo. Ela viveu os primeiros cinco anos de sua vida em uma casa de tijolos marrons no número 519 da Rua Macon. Lena Horne ingressou no coro do Cotton Club aos dezesseis anos e tornou-se artista de boate antes de seguir para Hollywood e a Broadway. Artista multirracial pioneira, Horne defendeu os direitos civis e participou da Marcha sobre Washington em agosto de 1963. Mais tarde, retornou às suas raízes como artista de boate e continuou trabalhando na televisão, enquanto lançava álbuns aclamados pela crítica. Ela anunciou sua aposentadoria em março de 1980, mas no ano seguinte estrelou um espetáculo solo, Lena Horne: The Lady and Her Music, que ficou em cartaz por mais de 300 apresentações na Broadway. Em seguida, excursionou pelo país com o show, ganhando inúmeros prêmios e reconhecimentos. Horne continuou gravando e se apresentando esporadicamente até a década de 1990, afastando-se dos holofotes em 2000.
Horne esteve envolvida por muito tempo com o movimento pelos direitos civis. Em 1941, ela cantou no Café Society, o primeiro local integrado da cidade de Nova York, e trabalhou com Paul Robeson (1898-1976). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ao entreter as tropas para a United Service Organizations (USO), ela se recusou a se apresentar "para plateias segregadas ou para grupos em que prisioneiros de guerra alemães estivessem sentados na frente de militares negros", de acordo com sua biografia no Kennedy Center. Como o Exército dos EUA se recusava a permitir plateias integradas, ela apresentou seu show para uma plateia mista de soldados negros americanos e prisioneiros de guerra alemães brancos. Vendo que os soldados negros haviam sido forçados a sentar-se nos assentos de trás, ela desceu do palco para a primeira fila, onde os soldados negros estavam sentados, e se apresentou com os alemães atrás dela. No entanto, a USO observou, na época de sua morte, que Horne de fato fez turnês "extensas com a USO durante a Segunda Guerra Mundial na Costa Oeste e no Sul”. A organização também a homenageou pelas participações nos programas do Serviço de Rádio das Forças Armadas, Jubilee, GI Journal e Command Performances. No filme Stormy Weather (1943), também cantava a música-tema do filme como parte de um grande show com várias estrelas para soldados da Segunda Guerra Mundial. Depois de deixar a USO em 1945, Horne financiou “por conta própria turnês por acampamentos militares”.
A Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) é uma organização americana de direitos civis. Foi fundada em 1909, na sequência do Movimento Niagara, criado em 1905 por W.E.B. Du Bois. Em 1910 a NAACP lançou uma revista mensal, The Crisis, sua principal publicação. Em sua área é uma das organizações mais antigas e influentes dos Estados Unidos. Sua missão é “garantir a igualdade de direitos políticos, educacionais, sociais e econômicos para todos os cidadãos e eliminar o ódio racial e a discriminação racial”. Seu nome, preservado pela tradição, constitui um dos últimos exemplos do uso da expressão “pessoas de cor”. A NAACP concede anualmente o “Prêmio Image por realizações nas artes e no entretenimento”, bem como a Medalha Spingarn, que reconhece um afro-americano por suas contribuições excepcionais. Horne estava em um comício da NAACP com Medgar Evers (1925-1963) em Jackson, Mississippi, no fim de semana anterior ao assassinato de Evers. Na Marcha sobre Washington, ela discursou e se apresentou em nome da NAACP, do SNCC e do Conselho Nacional de Mulheres Negras. Ela também trabalhou com Eleanor Roosevelt (1884-1962) em tentativas de aprovar leis contra o linchamento. Tom Lehrer a menciona em sua canção “National Brotherhood Week” no verso “Lena Horne e o Xerife Clark estão dançando rosto a rosto”, referindo-se (irônica) a ela e ao Xerife Jim Clark, de Selma, Alabama, que foi responsável por ataque contra manifestantes em 1965. Em 1983, a NAACP concedeu-lhe a Medalha Spingarn.
Anna Eleanor Roosevelt
foi primeira-dama dos Estados Unidos de 1933 a 1945. Apoiou a política do New
Deal, criada por seu marido e primo de quinto grau, o presidente Franklin
Delano Roosevelt, e tornou-se grande defensora dos direitos humanos. Após a morte
do marido, em 1945, Roosevelt continuou a ser uma defensora, porta-voz,
ativista internacional para a coalizão do New Deal. Trabalhou para melhorar a
situação das mulheres trabalhadoras, embora tenha sido contra a política dos
direitos iguais, pois acreditava que ela afetaria negativamente as mulheres.
Nos anos 1940, Eleanor foi uma das cofundadoras da França Freedom House e
apoiou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1943, Roosevelt
criou a United Nations Association of the United States of America para dar
suporte estratégico à criação da ONU. Foi diplomata e embaixadora dos Estados
Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do
presidente Harry Truman (1884-1972). Durante o seu tempo na Organização das
Nações Unidas presidiu a comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal
dos Direitos Humanos (1948). O presidente Truman apelidou-a de “Primeira-dama
do Mundo” em homenagem a suas conquistas referentes aos direitos humanos. Uma figura ativa na política durante toda a
sua vida, Eleanor Roosevelt presidiu a comissão da inovadora administração de
John F. Kennedy (1917-1963) que deu início a segunda onda do feminismo, a
Comissão Presidencial sobre o Status da Mulher. Seu tio, Theodore Roosevelt,
foi duas vezes presidente dos Estados Unidos da América.
Eleanor Roosevelt tinha
ancestrais neerlandeses. Em meados de 1902, Franklin Roosevelt começou a
cortejar sua futura esposa. Primos de quinto grau, conheceram-se durante a
infância; Eleanor era sobrinha de Theodore Roosevelt. Eles começaram a trocar
correspondências em 1902 e, em outubro de 1903, a pediu em casamento. Em 17 de
março de 1905, Roosevelt se casou com Eleanor em Nova Iorque, apesar da forte
resistência de sua mãe. Sara Roosevelt era muito possessiva com seu filho,
acreditando que ele era jovem demais para se casar; contudo, Eleanor não a
desagradava. Por várias vezes, tentou fazer com que o casal rompesse o noivado.
Durante o casamento, o tio de Eleanor, presidente Theodore Roosevelt, conduziu
a noiva até o altar, visto que seu pai, Elliott, havia morrido. A segunda onda
do feminismo é um período de atividade feminista que começou na década de 1960
nos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo ocidental e além. Ela foi
precedida pela primeira onda do feminismo e sucedida pela terceira onda do
feminismo. Nos Estados Unidos, o movimento durou até o início da década de
1980, tornando-se mais tarde um movimento mundial, especialmente forte na
Europa e em partes da Ásia, como na Turquia e em Israel, onde começou na década
de 1980.
Enquanto a primeira onda do feminismo era focada principalmente no sufrágio e na derrubada de obstáculos legais à igualdade de gênero, ou seja, direito ao voto, direitos de propriedade, etc., a segunda onda do feminismo ampliou o debate público para uma ampla gama de questões, a saber: sexualidade, família, mercado de trabalho, direitos reprodutivos, desigualdades de facto e desigualdades legais. Além de alcançarem grandes avanços no que se refere à igualdade nos âmbitos profissionais, militares, nos meios de comunicação e nos esportes, este movimento também chamava a atenção para a “violência doméstica e problemas de estupro conjugal, além de lutar pela criação de abrigos para mulheres maltratadas e por mudanças nas leis de custódia e divórcio”. Muitas historiadoras veem o fim da segunda onda feminista nos Estados Unidos no início dos anos 1980, com as disputas intra-feministas sobre temas como sexualidade e pornografia, que levou a inauguração da terceira onda do feminismo, no início da década de 1990. Após o casamento, o jovem casal se mudou para Springwood, em Hyde Park. A casa era de propriedade de Sara Roosevelt até sua morte em 1941; Sara também morava lá. Franklin e sua mãe fizeram o planejamento e o mobiliário de uma casa que ela construiu para o jovem casal na cidade de Nova Iorque; ao lado desta, Sara construiu uma casa igual para ela.
Eleanor nunca se sentiu em casa nas residências de Hyde Park ou Nova Iorque, mas adorava a casa de férias da família na Ilha Campobello, a qual Sara deu ao casal. O movimento social dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos foi a campanha por direitos civis e igualdade para a comunidade afro-americana nos Estados Unidos. Os negros foram escravizados nos EUA de 1619, trazidos da África por colonos ingleses, até 1863, com o fim da Guerra Civil, a Proclamação de Emancipação e o início da Reconstrução Americana. A escravidão foi a base da economia dos estados do Sul, e marcou profundamente as relações sociais nessa região. Todavia, a situação legal dos negros permaneceu por longo tempo inferior à dos demais cidadãos, com as leis Jim Crow, que foram aplicadas entre 1877 e 1964, a segregação racial, a doutrina “separados, mas iguais” e a atuação supremacista da Ku Klux Klan. Embora a Constituição americana garantisse direitos fundamentais a todos os cidadãos desde 1787, os negros tinham prerrogativas legais negadas por legislações estaduais, com base no princípio dos direitos dos estados. A doutrina da incorporação, a partir de 1873, levou à gradual extensão dos direitos constitucionais fundamentais para todos os cidadãos. Na virada do século, líderes como William Edward Burghardt Du Bois (1868-1963), sociólogo, historiador, escritor e editor norte-americano, socialista, ativista pelos direitos civis e pan-africanista. Nascido no interior do estado de Massachusetts, reconhecido por sua história colonial, Du Bois cresceu em uma comunidade tolerante e integrada criou a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, e da igualdade racial e do progresso da comunidade negra.
A decisão do caso Brown v. Board of Education na Suprema Corte americana, em 1954, foi o fundamento legal para o fim da segregação racial. Rosa Parks liderou, no ano seguinte, o boicote aos ônibus de Montgomery. Na década de 1960, Malcolm X, com um discurso mais virulento, e Martin Luther King Jr., um pacifista, reclamaram o fim da discriminação institucional. A marcha sobre Washington e a concessão do Prêmio Nobel da Paz a King em 1964 trouxeram atenção mundial para a causa afro-americana. A Lei de Direitos Civis de 1964 e a Lei dos Direitos ao Voto de 1965, ambas promovidas pelo presidente Lyndon B. Johnson, do Partido Democrata, codificaram as conquistas dos negros. Elas asseguraram o fim da segregação racial em espaços públicos, ainda que sejam propriedade privada, e o voto universal, independentemente de nível educacional ou condição social. A discriminação étnica e o racismo são características marcantes da sociedade estado-unidense desde os tempos coloniais. As principais questões que se discutem sobre a era colonial são as diferenças políticas e econômicas entre as colônias do norte e as do Sul, enquanto as primeiras se basearam no sistema de colonização de povoamento ou de ocupação, as últimas foram comandadas sob o de colonização de exploração. O sistema de colonização exploratório das colônias sulinas, com economia centrada no regime plantation, difundiu-se através de um sistema de clima favorável ao seu desenvolvimento: verões extremamente quentes com chuvas regulares.
Os Cavaleiros da Camélia Branca, nome aparentemente devido à camélia, um tipo de flor que foram fundados pelo Coronel do Exército dos Estados Confederados, Alcibíades De Blanc (1821-1883), em 22 de maio de 1867, em Franklin, Louisiana. O autor Christopher Long declarou: “Seus membros se comprometeram a apoiar a supremacia da raça branca, a se opor à miscigenação das raças, a resistir à invasão social e política dos chamados carpetbaggers e a restaurar o controle branco do governo”. O historiador Nicholas Lemann os chama de a principal organização terrorista da Louisiana. Suas táticas que incluíam “perseguição, açoites e, às vezes, assassinatos”, também “produziram um reinado de terror entre a população negra do estado durante o verão e o outono de 1868”. O número estimado de mortos em sua campanha de terror pode ter chegado a 1.800, com um número ainda maior de feridos. O duplo assassinato do juiz pró-republicano Valentine Chase (1869-1937) e do xerife Henry Horátio Pope (1838-1868) da Paróquia de St. Mary pode ter sido cometido por eles. Os capítulos existiam na parte Sul do Deep South. George C. Rable observou que, “embora os republicanos vissem evidências de uma conspiração maciça nesses ultrajes, na Louisiana e em outros lugares, os terroristas brancos não estavam organizados além do nível local”.
Do ponto de vista da divisão do trabalho social um objetivo adicional do grupo era impedir que a mão de obra agrícola dos libertos deixasse as plantações. Ao contrário da Ku Klux Klan, que tinha grande parte de seus membros entre os sulistas originários de classe baixa, principalmente veteranos confederados, a White Camélia era formada principalmente por sulistas de classe alta, incluindo médicos, proprietários de terras, Editores de jornais e oficiais. Em geral, eles também eram veteranos confederados, a parte superior da sociedade antebellum. Ela começou a declinar, apesar de uma convenção em 1869. As pessoas mais agressivas se juntaram à White League ou a organizações paramilitares semelhantes que se organizaram em meados da década de 1870 os Cavaleiros da Camélia Branca originais haviam quase deixado de existir. Entre seus membros estava o juiz da Louisiana Taylor Beattie (1837-1920), que liderou o Massacre de Thibodaux em 1887. O Massacre de Thibodaux foi um episódio de violência da supremacia branca que ocorreu em Thibodaux, Louisiana, em 23 de novembro de 1887. Ele ocorreu após uma greve de três semanas durante a crítica temporada de colheita, na qual cerca de 10.000 trabalhadores protestaram contra as condições de vida e trabalho insalubre existentes nas plantações de cana-de-açúcar em quatro paróquias: Lafourche, Terrebonne, St. Mary e Assumption. A greve foi a maior greve da história da indústria e também foi a primeira greve a ser conduzida e coordenada pela organização trabalhista formal, os Knights of Labor. A pedido dos mandatários racistas plantadores, o estado enviou a milícia para proteger os reacionários fura-greves de ataques de emboscada por grevistas, e o trabalho foi retomado em tais plantações.
Trabalhadores negros e suas famílias foram despejados das plantações nas paróquias de Lafourche e Terrebonne e recuaram para Thibodaux. As tensões explodiram em violência em 21 de novembro de 1887, quando um “homem branco desconhecido” entrou em um bar de propriedade de negros e matou um trabalhador negro e feriu outro. A violência continuou em 23 de novembro de 1887, quando cinco guardas da cidade foram emboscados e dois feridos e as forças paramilitares brancas locais responderam atacando trabalhadores negros e suas famílias. Embora o número total de vítimas seja desconhecido, o consenso é que pelo menos 35 negros foram mortos durante os três dias seguintes (alguns historiadores estimam que 50 negros foram mortos) e o total de mortos, feridos e desaparecidos foi estimado em centenas, o que a torna uma das disputas trabalhistas mais violentas da história dos Estados Unidos da América. As vítimas incluíam idosos, mulheres e crianças. As pessoas que foram mortas eram afro-americanas. O massacre e a aprovação de legislação discriminatória pelos democratas brancos, incluindo a privação de direitos humanos, e a questão dos direitos da maioria dos negros, acabaram com a organização dos trabalhadores do açúcar por décadas, até a década de 1940. De acordo com o historiador John C. Rodrigues, “os trabalhadores do açúcar derrotados retornaram às plantações nos termos de seus empregadores”.
A colheita e o
processamento da cana-de-açúcar compreendiam uma série complexa de etapas que
precisavam ser coordenadas de perto por uma grande força de trabalho que era
forçada a trabalhar até o ponto de exaustão física. As plantações de açúcar
eram chamadas de “fábricas no campo” e seus trabalhadores morriam em alta taxa
durante a era da escravidão. As condições melhoraram pouco após a Reconstrução.
Uma questão importante surgiu no início da década de 1880, quando os
proprietários das plantações começaram a cortar salários e a forçar os
trabalhadores da cana a aceitarem vale-transporte como pagamento devido ao
declínio do mercado internacional de açúcar. Esses “tíquetes de papelão” eram
resgatáveis apenas nas lojas da empresa, que operavam com altas margens de
lucro. À medida que a plantação mantinha os livros, os trabalhadores
frequentemente analfabetos ficavam cada vez mais presos a dívidas e incapazes
de se libertar. Exigidos por lei a pagar a dívida, os trabalhadores ficaram
essencialmente presos à plantação em um estado semelhante à escravidão. A
maioria dos trabalhadores da cana de açúcar era negra, mas também havia um
determinado número de trabalhadores brancos. Os Cavaleiros do Trabalho usaram a
emissão de vales-transportes para organizar os trabalhadores, e milhares se
juntaram ao grupo.
Em outubro de 1877,
Duncan F. Kenner (1813-1887), um milionário plantador, fundou a Associação
de Produtores de Açúcar da Louisiana (LSPA), composta por 200 dos maiores
plantadores do Estado, e atuou como presidente. A poderosa LSPA pressionou o
governo federal por tarifas de açúcar, financiamento para apoiar diques para
proteger suas terras e pesquisas para aumentar a produtividade das colheitas.
Na década seguinte, esses membros também trabalharam para obter controle sobre
seu trabalho. Eles adotaram uma escala de pagamento uniforme e retiveram 80 por
cento dos salários até o final da temporada de colheita, a fim de manter os trabalhadores
nas plantações até o final da temporada. Eles acabaram com o sistema de
“empregos”. Os maiores plantadores, que mantinham lojas, exigiam que os
trabalhadores “aceitassem pagamento em vales, resgatáveisapenas em suas
lojas”. Os trabalhadores resistiram, organizando algumas ações anuais
contestando alguma parte do programa da LSPA. O governo estadual apoiou os
poderosos plantadores, enviando milícias estaduais quando os plantadores usaram
mão de obra de condenados arrendados de prisões para colher e processar a
cana. Em 1887, os Knights of Labor organizaram uma grande greve de
açúcar de três semanas “guerra de movimento” e “guerra de posição” contra as
plantações de cana nas paróquias de Lafourche, Terrebonne, St. Mary e
Assumption.
A maioria das
plantações estava ociosa. A greve foi organizada pela organização nacional Knights
of Labor, que havia estabelecido a Assembleia Local 8404 em Schriever no
ano anterior. Em outubro, os representantes dos trabalhadores apresentaram
reivindicações à LSPA que incluíam um aumento dos salários para 1,25 dólares
por dia, pagamentos quinzenais e pagamento em moeda em vez dos “bilhetes de
cartão”, ou vales, resgatáveis apenas nas lojas da empresa. Como a LSPA
ignorou as demandas, os Knights of Labor convocaram a greve para 1º de
novembro, programada para coincidir com o crítico “período de rolamento” da
safra, quando ela tinha que ser colhida e processada. A paralisação do trabalho
ameaçou toda a colheita de cana-de-açúcar do ano. A greve de 1887 foi a maior
ação trabalhista do setor, envolvendo cerca de 10.000 trabalhadores, um décimo
dos quais eram brancos. Foi a primeira vez que uma organização trabalhista
formal liderou uma greve nesta região. Os plantadores apelaram ao governador da
Louisiana, Samuel Douglas McEnery, que também era plantador. McEnery,
declarando: “Deus Todo-Poderoso traçou ele mesmo a linha de cor”, convocou dez
companhias de infantaria e uma companhia de artilharia da milícia estadual,
enviando esta última para Thibodaux, a sede da paróquia e “coração da greve”.
Eles deveriam proteger os fura-greves e reprimir os grevistas; eles despejaram
os trabalhadores das moradias das plantações. A milícia reprimiu os grevistas
na Paróquia de St. Mary, resultando em “até vinte pessoas” mortas ou feridas em
5 de novembro na vila negra de Pattersonville. A milícia protegeu cerca de 800
trabalhadores contratados trazidos para Terrebonne Parish e ajudou a capturar e
prender 50 grevistas, a maioria por atividades sindicais.
A greve fracassou ali,
e os trabalhadores retornaram às plantações. Muitos dos trabalhadores negros
em Lafourche Parish recuaram após o despejo para a seção residencial negra
lotada de Thibodaux, e a milícia estadual se retirou. Eles deixaram para as autoridades
locais administrarem a partir daí. Em 1939, a Time informou que o antissemita
George E. Deatherage, da Virgínia Ocidental, estava se descrevendo como o
“comandante nacional dos Cavaleiros da Camélia Branca”. Na década de 1990, um
grupo da Ku Klux Klan, com sede no leste do Texas, adotou o nome. Segundo o
livro Soldiers of God, a Camélia Branca da nova era tem uma forte influência em
Vidor, Texas. Desde o retorno do nome White Camelia, os chamados grupos da Klan
“White Camelia” (às vezes grafados como “Kamelia”) também surgiram na Louisiana
e na Flórida. Na linguagem teórica, as palavras e expressões, ipso facto,
funcionam como conceitos teóricos. Mas em sua periodização histórica, teórica e
ideológica as palavras e expressões funcionam sempre de forma distinta, porque
se referem a concepção de uma determinada teoria da história. A dificuldade
própria da terminologia teórica consiste, pois, em que, por detrás do
significado usual da palavra, é preciso sempre discernir o seu significado
conceptual, que é sempre diferente do significado usual corrente nas fontes,
nas atas, nos documentos oficiais, no âmbito da formação discursiva. Na sua
significação mais geral deve nos permitir a compreensão que tem por efeito o
conhecimento de um objeto: a narrativa da história. É assim que, sem temor a
erro, podemos afirmar, que a história abstrata ou em geral não existem, no
sentido exato do termo, de objetos concretos e singulares que enformam a
experiência da vida cotidiana da humanidade.
Esse tipo de
agricultura propiciou o surgimento de uma oligarquia forte, com estreitos laços
comerciais e políticos com o exterior, impulsionando a hierarquização da
sociedade e, por isso, o tráfico de escravos passou a ser um dos principais
métodos de obtenção de mão-de-obra nas colônias sulinas a partir do início do
século XVIII. Durante esse mesmo século, a população norte-americana sofreu um
forte aumento populacional advindo do tráfico negreiro para o cultivo de
algodão, milho e tabaco. O modelo de economia agrário do Sul fez com que este
se tornasse uma sociedade essencialmente arraigada ao campo, trazendo
consequências diretas para o seu desenvolvimento econômico e social. A
industrialização aconteceu de forma tardia na região em comparação com o Norte,
devido à não acumulação de capital imobiliário, pois a classe detentora do
poder não “arriscou” a troca de seus escravos para as áreas industriais,
temendo um ganho extremamente inferior ao da agricultura de exportação, bem
como adiou a própria abolição da escravatura. As diferenças entre o norte e o
sul dos Estados Unidos marcaram a Guerra Civil Americana (1861-1865). A guerra
surgiu quando os estados sulistas se uniram e declararam sua separação do resto
do país, criando os Estados Confederados da América. Do outro lado, estava a
União, representada pelos estados que eram contrários ao sistema escravista. A
União venceu a guerra, deixando milhares de mortos e fazendo a
economia estagnar. Famílias de aristocratas perderam suas fortunas,
muitas cidades entraram em declínio e a pobreza aumentou.
Este cenário fez com que o período da escravidão fosse lembrado de forma positiva por grande parte da população local, resultando no surgimento de organizações de supremacia branca. A mais famosa dessas organizações racistas, a Ku Klux Klan, foi responsável por realizar atos de ódio contra os negros, centenas de pessoas foram perseguidas, linchadas, espancadas e mortas pelo grupo. Além da atuação de grupos de supremacistas, também se destacaram atos de linchamento promovidos pela população contra pessoas afro-americanas, muitos não chegaram a ser julgados nos sistemas de justiças dos municípios onde ocorriam e foram anunciados em jornais. As Leis Jim Crow foram um conjunto de leis estaduais promulgadas nos estados do Sul que institucionalizavam a segregação racial em seus territórios. Após a Guerra de Secessão, o então presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln assinou a Proclamação de Emancipação, lei que aboliu a escravidão no país. Porém, essa lei não realizou mudanças significativas na situação social dos negros da região sul, fazendo com que muitos deles vivessem em situação de pobreza e voltassem a trabalhar para seus antigos senhores. Segundo Alexis de Tocqueville, os negros antes da abolição eram tratados com uma certa benignidade e até compaixão, ele também chegou a dizer que “o preconceito que repele os negros parece crescer à proporção que os negros deixam de ser escravos, e a desigualdade grava-se nos costumes à medida que se apagam das leis”.
A expressão “Jim Crow” era utilizada de forma pejorativa para se referir a qualquer negro nos Estados Unidos de então. Entre as questões em que essas leis impunham restrições à população afro-americana se destacaram: o direito de votar, que era restrito, e o casamento inter-racial, que chegou a ser proibido. Além disso, as leis determinavam a criação de instalações separadas para brancos e negros em estabelecimentos comerciais e até nas escolas e transporte públicos. As leis Jim Crow perderam validade legal após as Lei de Direitos Civis de 1964. O biógrafo James MacGregor Burns (1918-2014) escreveu que o jovem Roosevelt era seguro de si e à vontade na classe alta. Em contraste, Eleanor na época era tímida e não gostava da vida social, ficando em casa para criar seus vários filhos. Como seu pai, deixou a criação dos filhos para sua esposa, enquanto Eleanor, por sua vez, dependia em grande parte de cuidadores contratados para criá-los. Referindo-se à sua experiência inicial como mãe, ela afirmou posteriormente que não sabia “absolutamente nada sobre como lidar ou alimentar um bebê”. Embora Eleanor tivesse aversão à relação sexual e a considerasse “uma provação a ser suportada”, ela e Franklin tiveram seis filhos: Anna, James e Elliott nasceram em 1906, 1907 e 1910, respectivamente. O segundo filho do casal, Franklin, morreu na infância em 1909. Outro filho, também chamado Franklin, nasceu em 1914, e o filho mais novo, John, nasceu em 1916. Roosevelt teve vários casos extraconjugais, incluindo um com a secretária de Eleanor, Lucy Mercer, que começou logo depois que ela foi contratada no início de 1914. Em setembro de 1918, Eleanor encontrou na bagagem do marido cartas revelando o caso. Franklin pensou em se divorciar de Eleanor, mas Sara se opôs fortemente e Lucy não concordaria em se casar com um homem divorciado com cinco filhos. Franklin e Eleanor continuaram casados, e ele prometeu nunca mais ver Lucy. Eleanor provavelmente nunca mais o perdoou verdadeiramente, e o casamento deles a partir de então foi mais uma parceria política.
Eleanor logo depois estabeleceu uma casa
separada em Hyde Park, e cada vez mais se dedicou a várias causas sociais e
políticas de forma independente ao marido. A ruptura emocional no casamento foi
tão profunda que, quando Roosevelt pediu a Eleanor em 1942 que voltasse para
casa e morasse com ele novamente—devido à sua saúde debilitada -, ela recusou.
Roosevelt nem sempre estava ciente de quando a esposa visitava a Casa Branca, a
residência oficial e principal local de trabalho do Presidente dos Estados
Unidos, sendo, ao mesmo tempo, a sede oficial do poder executivo. Localiza-se
na Avenida Pensilvânia, nº 1 600 em Washington D.C., o edifício foi construído
no período compreendido entre 1792 e 1800, pintado de arenito esbranquiçado no
estilo georgiano e tem sido a residência executiva de todos os presidentes
americanos desde o mandato de John Adams. O edifício foi expandido por Thomas
Jefferson, que ali se instalou em 1801, com o auxílio do arquiteto Benjamin
Henry Latrobe, através da criação de duas colunas, cada uma das quais destinada
a dissimular estábulos e armazéns, e, por algum tempo, a primeira-dama não
conseguiu contatá-lo por telefone sem a ajuda de sua secretária; Roosevelt, por
sua vez, não visitou o apartamento de Eleanor em Nova Iorque até o final de
1944. Franklin quebrou sua promessa com Eleanor de se abster de ter novos casos
extraconjugais. Ele e Lucy continuaram trocando correspondências e começaram a
se ver novamente em 1941, ou talvez mais cedo. Lucy estava com Roosevelt no dia
em que morreu em 1945. Apesar disso, o caso extraconjugal do presidente não foi
amplamente reconhecido até a década de 1960. O filho de Roosevelt, Elliott,
afirmou que seu pai teve um caso com sua secretária particular, Marguerite Missy
LeHand, durante vinte anos.
Horne era uma democrata
registrada e em 20 de novembro de 1963, ela, juntamente com o presidente do
Comitê Nacional Democrata (DNC), John Bailey, Carol Lawrence, Richard Adler,
Sidney Salomon, a vice-presidente do DNC, Margaret B. Price, e a secretária do
DNC, Dorothy Vredenburgh Bush, visitou John F. Kennedy na Casa Branca, dois
dias antes de seu assassinato. Horne casou-se com Louis Jordan Jones, um
operador político, em janeiro de 1937 em Pittsburgh. Em 21 de dezembro de 1937,
nasceu sua filha, Gail. Eles tiveram um filho, Edwin Jones, que morreu de
doença renal. Horne e Jones se separaram em 1940 e se divorciaram em 1944. O
segundo casamento de Horne, em dezembro de 1947 em Paris, foi com Lennie Hayton,
que era diretor musical e um dos principais maestros e arranjadores musicais da
MGM. Eles se separaram no início da década de 1960, mas nunca se divorciaram.
Ele morreu em 1971. Em sua autobiografia Lena, escrita por Richard
Schickel, Horne relata as enormes pressões que ela e seu marido enfrentaram
como um casal interracial. Mais tarde, ela admitiu em uma entrevista na
Ebony de maio de 1980 que havia se casado com Hayton para impulsionar sua
carreira e quebrar a barreira racial no show business, mas “aprendeu a
amá-lo muito”.
Horne teve casos com o campeão de pesos pesados de longa data Joe Louis, o músico e ator Artie Shaw, o ator Orson Welles e o diretor Vincente Minnelli. Horne também teve um relacionamento longo e próximo com Billy Strayhorn, com quem ela disse que teria se casado se ele fosse heterossexual. Ele também foi um importante mentor profissional para ela. Entre seus amigos próximos estava o autor Rex Stout (1886-1975), criador da série de mistério com o detetive fictício Nero Wolfe. Ela conheceu Stout no início da década de 1950, quando suas filhas eram colegas em um internato quaker no interior do estado de Nova York. Em 1996, Horne escreveu a introdução para uma nova edição do romance de Stout, Champagne for One. A roteirista Jenny Lumet, reconhecida por seu premiado roteiro Rachel Getting Married, é neta de Horne, filha do cineasta Sidney Lumet e da filha de Horne, Gail. Seus outros netos incluem a outra filha de Gail, Amy Lumet, e os quatro filhos de seu filho, Thomas, William, Samadhi e Lena. Seus bisnetos incluem Jake Cannavale. Horne era católica. De 1946 a 1962, ela residiu em St. Albans, Queens, Nova York, um enclave de afro-americanos prósperos, onde contava entre seus vizinhos Count Basie, Ella Fitzgerald e outras luminárias do jazz. Na década de 1980, ela se mudou para o quinto andar do Volney, um hotel transformado em cooperativa, no n° 23 da East 74th Street. Lena Horne morreu de insuficiência cardíaca congestiva aos 92 anos em 9 de maio de 2010. Seu funeral ocorreu na Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Nova York, da qual ela era membro. Milhares de pessoas se reuniram, incluindo Leontyne Price, Dionne Warwick, Liza Minnelli, Jessye Norman, Chita Rivera, Cicely Tyson, Diahann Carroll, Leslie Uggams, Lauren Bacall, Robert Osborne, Audra McDonald e Vanessa Williams. Seus restos mortais foram cremados.
O pai de Horne, Edwin
Fletcher “Teddy” Horne Jr., antigo proprietário de um hotel e restaurante, era
jogador. Teddy Horne deixou a família quando Lena tinha três anos e mudou-se
para uma comunidade afro-americana de classe média alta no bairro de Hill
District, em Pittsburgh, Pensilvânia. Sua mãe, Edna Louise Scottron (1894-1976),
era atriz de uma companhia de teatro negra e viajava muito. A avó materna de
Edna, Amelie Louise Ashton (1814-1871), era do Senegal moderno. Horne foi
criada principalmente por seus avós paternos, Cora Calhoun e Edwin Horne. Quando
Horne tinha cinco anos, foi morar na Geórgia. Durante vários anos, viajou com a
mãe. De 1927 a 1929, morou com o tio, Frank S. Horne. Ele era o reitor de
alunos do Fort Valley Junior Industrial Institute (parte da Fort Valley State
University) em Fort Valley, Geórgia, e mais tarde como conselheiro do
presidente Franklin Delano Roosevelt. De Fort Valley, a Sudoeste de Macon,
Horne mudou-se brevemente para Atlanta com a mãe; elas retornaram a Nova York
quando Horne tinha doze anos, após o que Horne frequentou a St. Peter Claver
School no Brooklyn. Horne então frequentou a Girls High School, uma
escola pública só para meninas no Brooklyn, que mais tarde se tornou a Boys
and Girls High School; ela abandonou os estudos aos 16 anos. Aos 18 anos,
mudou-se para a casa de seu pai em Pittsburgh, ficando no bairro de Hill
District por quase cinco anos e aprendendo música com os nativos de Pittsburgh
Billy Strayhorn e Billy Eckstine, entre outros.
No outono de 1933,
Horne juntou-se ao corpo de baile do Cotton Club no Harlem (Nova
Iorque), que na época contava com alguns artistas negros, mas uma plateia
exclusivamente branca. Na primavera de 1934, ela teve um papel de destaque no Cotton
Club Parade, estrelado por Adelaide Hall, que a apadrinhou. Horne fez sua
primeira participação no cinema como dançarina no curta-metragem musical Cab
Calloway`s Jitterbug Party (1935). Alguns anos depois, Horne juntou-se à Orquestra
de Noble Sissle, com a qual fez turnês e gravou seus primeiros discos,
lançados pela Decca. Após se separar de seu primeiro marido, Horne fez turnê
com o líder da banda Charlie Barnet em 1940-41, mas não gostou das viagens e
deixou a banda para trabalhar no Café Society em Nova Iorque. Ela
substituiu Dinah Shore como vocalista principal na popular série de jazz da NBC,
The Chamber Music Society of Lower Basin Street. Os maestros residentes
do programa, Henry Levine e Paul Laval, gravaram com Horne em junho de 1941
para a RCA Victor. Horne deixou o programa depois de apenas seis meses, quando
foi contratada pelo ex-gerente do Café Trocadero (Los Angeles), Felix Young,
para se apresentar em uma revista no estilo do Cotton Club na Sunset Strip
em Hollywood. Horne já tinha dois filmes de baixo orçamento em seu currículo:
um longa-metragem musical chamado The Duke Is Tops (1938),
posteriormente relançado com o nome de Horne acima do título como The Bronze
Venus; e um curta-metragem de dois rolos, Boogie Woogie Dream (1941), com
os pianistas Pete Johnson e Albert Ammons. As canções de Horne de Boogie
Woogie Dream foram posteriormente lançadas individualmente como soundies.
Horne fez sua estreia
em casas noturnas de Hollywood no Little Troc de Felix Young, na Sunset
Strip, em janeiro de 1942. Algumas semanas depois, ela assinou contrato com
a Metro-Goldwyn-Mayer. Em novembro de 1944, ela participou de um episódio da
popular série de rádio Suspense, como “uma cantora de boate fictícia,
com um grande papel falado além de cantar”. Em 1945 e 1946, ela cantou com a
Orquestra de Billy Eckstine. Ela estreou na Metro-Goldwyn-Mayer em Panama
Hattie (1942) e interpretou a canção-tema de Stormy Weather (1943),
vagamente baseado na vida de Adelaide Hall (1901-1993), para a empresa 20th
Century Fox, enquanto estava emprestada pela MGM. Participou de vários musicais
da MGM, incluindo Cabin in the Sky (1943), com um elenco inteiramente
afro-americano. Fora isso, não conseguiu papéis principais devido à sua etnia e
ao fato de seus filmes precisarem ser reeditados para serem exibidos em cidades
onde os cinemas não exibiam filmes com atores negros. Como resultado, a maioria
das participações de Horne nos filmes consistia em sequências isoladas, sem
relação com o restante da trama, de modo que a edição não interferia no enredo.
Uma cena de Cabin in the Sky, um filme norte-americano de 1943, do
gênero comédia fantástico-musical, dirigido por Vincente Minnelli e Busby
Berkeley foi cortada antes do lançamento por ser considerada muito sugestiva
pelos censores: Horne cantando “Ain`t It the Truth” enquanto tomava um banho
de espuma. Essa cena e a música aparecem no filme That`s Entertainment!
III (1994), que também contou com comentários de Horne sobre ter
sido excluída antes do lançamento do filme. Horne foi a primeira afro-americano
eleito para o conselho de diretores do Screen Actors Guild.
O Screen Actors
Guild era um sindicato americano que representava mais de 100.000 atores
principais e figurantes de cinema e televisão em todo o mundo. Em 30 de março
de 2012, a liderança do sindicato anunciou que os membros do SAG votaram pela
fusão com a American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA) para
criar o SAG-AFTRA. De acordo com a Declaração de Missão do SAG, o Sindicato
procurou: negociar e fazer cumprir acordos coletivos que estabeleçam níveis
equitativos de remuneração, benefícios e condições sociais de trabalho para os
seus artistas; cobrar compensação pela exploração de gravações de performances
dos seus membros e fornecer proteção contra o uso não autorizado dessas
performances; e preservar e expandir as oportunidades de trabalho para os seus
membros. O Sindicato foi fundado em 1933 em um esforço para eliminar a
exploração dos atores de Hollywood, que eram forçados a aceitar contratos
opressivos de vários anos com os principais estúdios de cinema. A oposição a
esses contratos incluía o fato de que eles não continham restrições quanto ao
horário de trabalho ou períodos mínimos de descanso e, frequentemente, tinham
cláusulas que se renovavam a critério dos estúdios. Esses contratos eram
notórios por permitirem que “os estúdios ditassem a vida pública e privada dos
artistas que os assinavam, e a maioria não previa a possibilidade de o artista
rescindir o contrato”.
Em Ziegfeld Follies
(1946), ela interpretou “Love”, de Hugh Martin e Ralph Blane. Horne fez lobby
para o papel de Julie LaVerne na versão da MGM de Show Boat (1951), tendo já
interpretado o papel quando um segmento de Show Boat foi apresentado em Till
the Clouds Roll By, mas perdeu o papel para Ava Gardner (1922-1990), uma
amiga na vida real. Horne alegou que isso se devia à proibição do Código de
Produção sobre relacionamentos interraciais em filmes, embora fontes da MGM
afirmem que ela nunca foi considerada para o papel. No documentário That`s
Entertainment! III, Horne afirmou que os executivos da MGM exigiram que
Gardner praticasse seu canto usando gravações de Horne, o que ofendeu ambas as
atrizes. Por fim, a voz de Gardner foi dublada pela atriz Annette Warren
(Smith) para o lançamento nos cinemas. Horne ficou desiludida com Hollywood e
concentrou-se cada vez mais na sua carreira em casas noturnas. Fez apenas duas
aparições importantes para a MGM durante a década de 1950: Duquesa de Idaho
(1950), que também foi o último filme de Eleanor Powell; e o musical Encontro
em Las Vegas (1956). Ela disse que estava “cansada de ser estereotipada como uma negra que fica encostada a um pilar
cantando uma música. Fiz isso 20 vezes demais”.
Ela foi incluída na chamada
lista negra durante a década de 1950 por suas ligações na década de 1940 com
grupos apoiados por grupos de comunistas norte-americanos. Posteriormente, ela
repudiaria o comunismo. Ela retornou às telas, interpretando Claire Quintana,
uma cafetina que se casa com Richard Widmark, no filme Morte de um
Pistoleiro (1969), seu primeiro papel dramático sem qualquer referência à
sua etnia. Mais tarde, ela participou na tela mais duas vezes, como Glinda em The
Wiz (1978), dirigido por seu então genro Sidney Lumet (1924-2011), e
co-apresentando a retrospectiva da MGM That`s Entertainment! III (1994),
na qual relatou seu tratamento indelicado pelo estúdio. Após deixar
Hollywood, Horne se consolidou como uma das principais artistas de casas
noturnas do pós-guerra. Ela foi atração principal em clubes e hotéis nos
Estados Unidos, Canadá e Europa, incluindo o Sands Hotel em Las Vegas, o
Cocoanut Grove em Los Angeles e o Waldorf-Astoria em Nova York. Em 1957, um
álbum ao vivo intitulado Lena Horne at the Waldorf-Astoria tornou-se o
disco mais vendido por uma artista feminina na história da gravadora RCA Victor
até então. Em 1958, Horne se tornou a primeira mulher afro-americana a ser
indicada ao Prêmio Tony de Melhor Atriz em Musical, por sua atuação no musical “Calypso”
Jamaica que, a pedido de Horne, contou com a participação de sua amiga de longa
data, Adelaide Hall.
Do final da década de
1950 até a década de 1960, Lena Horne foi presença constante em programas de
variedades na TV, participando diversas vezes em programas como “Perry Como`s
Kraft Music Hall” (1959-1967), “The Ed Sullivan Show” (1948-1971), “The Dean
Martin Show” (1965-1974) e “The Bell Telephone Hour” (1940-1958). Outros
programas em que participou incluem “The Judy Garland Show”, “The Hollywood
Palace” e “The Andy Williams Show”. Além
de dois especiais de televisão para a BBC, posteriormente distribuídos nos EUA,
Horne estrelou seu próprio especial de televisão nos EUA em 1969, “Monsanto
Night Presents Lena Horne”. Nessa década, o artista Pete Hawley pintou seu
retrato para a RCA Victor, capturando a essência de seu estilo de atuação. Em
1970, ela coestrelou com Harry Belafonte o especial de uma hora “Harry &
Lena” para a ABC; em 1973, coestrelou com Tony Bennett em “Tony and Lena”.
Horne e Bennett posteriormente fizeram uma turnê pelos EUA e Reino Unido com um
show juntos. No programa de 1976 “America Salutes Richard Rodgers”, ela cantou
um longo medley de canções de Rodgers com Peggy Lee e Vic Damone. Horne
também fez várias participações no “The Flip Wilson Show”. Além disso, Horne
interpretou a si mesma em programas de televisão como “The Muppet Show”, “Sesame
Street” e “Sanford and Son” na década de 1970, bem como uma apresentação em
1985 no “The Cosby Show” e aparição em 1993 em “A Different World”.
No verão de 1980, Horne, aos 63 anos e decidida a se aposentar do mundo do entretenimento, embarcou em uma série programada de dois meses de shows beneficentes patrocinados pela fraternidade Delta Sigma Theta. Esses concertos foram apresentados como a turnê de despedida de Horne; no entanto, sua aposentadoria durou menos de um ano. Em 13 de abril de 1980, Lena Horne, Luciano Pavarotti e o apresentador Gene Kelly estavam programados para se apresentar em uma gala no Metropolitan Opera House em homenagem à Companhia de Balé Joffrey do Centro de Nova York. No entanto, o avião de Pavarotti foi desviado para o Atlântico e ele não pôde comparecer. James Nederlander, um dos convidados de honra, observou que apenas três pessoas na lotada plateia do Metropolitan Opera House pediram o reembolso dos ingressos. Ele pediu para ser apresentado a Lena Horne após a apresentação. Em maio de 1981, a Nederlander Organization, Michael Frazier e Fred Walker contrataram Lena Horne para uma temporada de quatro semanas no recém-nomeado Nederlander Theatre, na West 41st Street, em Nova York. O espetáculo foi um sucesso instantâneo e teve sua temporada estendida por um ano inteiro, rendendo a Lena Horne um prêmio Tony especial e dois prêmios Grammy pela gravação do elenco de seu show “Lena Horne: The Lady and Her Music”. A temporada de 333 apresentações na Broadway encerrou no 65º aniversário de Horne, em 30 de junho de 1982. Mais tarde naquela semana, ela apresentou o espetáculo completo novamente para gravá-lo para transmissão televisiva e em vídeo doméstico.
Horne iniciou uma turnê
alguns dias depois em Tanglewood (Massachusetts) durante o fim de semana de 4
de julho de 1982. “The Lady and Her Music” percorreu 41 cidades nos EUA e
Canadá até 17 de junho de 1984. Ficou em cartaz em Londres por um mês em agosto
e encerrou sua temporada em Estocolmo, Suécia, em 14 de setembro de 1984. Em
1981, ela recebeu um Prêmio Tony Especial pelo espetáculo, que também foi
aclamado no Adelphi Theatre em Londres em 1984. Apesar do considerável sucesso
do espetáculo, pois, Horne ainda detém o recorde de performance solo de maior
duração na história da Broadway, ela não capitalizou o renovado
interesse em sua carreira embarcando em muitos novos projetos musicais. Um
projeto de gravação conjunta proposto para 1983 entre Horne e Frank Sinatra com
produção do maestro Quincy Jones, acabou sendo abandonado, e sua única gravação
de estúdio da década foi The Men in My Life, de 1988, com duetos com
Sammy Davis Jr. e Joe Williams. Em 1989, ela recebeu o Grammy Lifetime
Achievement Award. Na década de 1990, Horne lançou três álbuns solo: o álbum de
estúdio “We`ll Be Together Again”, de 1994, indicado ao Grammy; o álbum
ao vivo “An Evening with Lena Horne”, de 1995, que rendeu a Horne um Grammy
de Melhor Álbum Vocal de Jazz; e “Being Myself”, de 1998, o último álbum de
estúdio de Horne. Depois disso, Horne se aposentou dos palcos e se afastou em
grande parte da vida pública, embora em 2000 seus vocais tenham sido
apresentados no álbum “Classic Ellington”, de Simon Rattle, e em 2006, uma
coletânea intitulada “Seasons of a Life”, com várias gravações inéditas das
sessões de gravação de Horne com a gravadora Blue Note na década de 1990, tenha
sido lançada.
Bibliografia Geral Consultada.
CUTLER, James Elbert, Linch-law: An Investigation Into the History of Lynching in the United States. New Jersey: Patterson Smith, Montclair, 1969; GENOVESE, Eugene, A Terra Prometida: O Mundo que os Escravos Criaram. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1988; MUNAGA, Kabengele, Negritude: Usos e Sentidos. São Paulo: Editora Ática, 1988; DUGGAN, Lisa; HUNTER, Nan D. Sex Wars: Sexual Dissent and Political Culture. New York: Editor Routledge, 1995; GERHARD, Jane, Desiring Revolution: Second-wave Feminism and the Rewriting of American Sexual Thought, 1920 to 1982. New York: Columbia University Press, 2001; PRICE, Richard, O Nascimento da Cultura Afro-Americana: Uma Perspectiva Antropológica. Rio de Janeiro: Editora Pallas; Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, 2003; BAILYN, Bernard, As Origens Ideológicas da Revolução Americana. Bauru: Editora da Universidade Sagrado Coração, 2003; MÉSZÁROS, István, O Poder da Ideologia. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, especificamente cap. 3 - Política e Ideologia, pp. 143-239; LACLAU, Ernesto, Política e Ideología en la Teoría Marxista: Capitalismo, Fascismo, Populismo. México: Siglo Veintiuno Editores, 1978; Idem, La Razón Populista. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005; KAZIN, Michael; McCARTIN, Joseph Anthony, Americanismo: Novas Perspectivas sobre a História de Um Chapel Hill Ideal. North Carolina: University of North Carolina Press, 2006; DORSEY, Leroy, Somos Todos Americanos, Puros e Simples: Theodore Roosevelt e o Mito do Americanismo. Alabama: University of Alabama Press, 2007; GAVIN, James, Tempo Tempestuoso: A Vida de Lena Horne. Estados Unidos: Atria, 2009; WILLIAMS, Iain Cameron, Sob Uma Lua do Harlem: Os Anos de Adelaide Hall do Harlem a Paris. Estados Unidos: Bloomsbury Publishers, 2021; RODRIGUES, Marcos Alexandre Fernandes, Racismo, Segregação e Morte: Análise Dialógica do Discurso das Organizações Ku Klux Klan e White Lives Matter em Mídias Digitais. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Letras. Instituto de Letras e Artes. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande, 2023; LUNA, Jorge, “Lena Horne: A Cantora, Atriz e Ativista Negra Perseguida por Influência Comunista nos Estados Unidos da América”. Disponível em: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/19/01/2023; BOGLE, Donald, Lena Horne: Deusa Reivindicada. Filadélfia: Editor Running Press, 2023; entre outros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário