“Não consigo desejar felicitações a nenhum admirador de Paulo Freire ou Rubem Alves”. Ana Caroline Campagnolo
Como experiência de si podemos considerar o fascismo um logro, mas não para quem, vivendo um profundo empobrecimento subjetivoper se, não tem melhor saída. Anegaçãodo outro é funcional para quem dela se serve. Ela pode ser o único jeito de garantir que se existe. Em termos simples: de conquistar um lugar no mundo. O fascismo é, em qualquer sentido, umaaberração política, mas cujo fundo existencial é a profunda miséria subjetiva. Seu cogito: humilho, logo existo. Ele serve como prova de si para quem vive vazio relativamente ao pensamento, aos afetos e à própria ação. O (a) fascista deve pensar que “é alguém” por meio da transformação do outro em “ninguém”.A política de extrema direita envolve frequentemente um foco na tradição, real ou imaginada, em oposição às políticas e costumes que são considerados como reflexo do modernismo. Muitas ideologias de extrema-direita têm desprezo ou um desdém pelo igualitarismo, mesmo que nem sempre expressem apoio explícito à hierarquia social, elementos de conservadorismo social e oposição à maioria das formas de liberalismo e socialismo. Alguns grupos apoiam uma forte ou completa estratificação social e a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores.
Fora da ideia de nacionalismo, a partir da competição entre nações, foi o filósofo Georg Simmel quem chamou atenção para o fato de que, “a luta contra uma potência estrangeira dá ao grupo um vivo sentimento de sua unidade”, e, além disso, é “um fato que se verifica quase sem exceção. Não há, por assim dizer, grupo - doméstico, religioso, econômico ou político – que possa passar sem esse cimento”. Essa atividade intelectual, porque psíquica e de preparação psicológica, quase exclusivamente entre homens, pode representar com o homem diante da guerra um crime contra a humanidade, individual ou coletivamente com o intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial, militar, ou religioso. A defesa da extrema-direita da supremacia é baseada no que seus adeptos vêem como características inatas de pessoas que não poderiam ser alteradas. A centro-direita, ao contrário, alega que as pessoas podem acabar com sua inferioridade comportamental através da mudança de seus hábitos e escolhas. O termo também é usado para descrever ideologias tais como o nazismo, o neonazismo, o fascismo, o neofascismo e outras ideologias ou organizações que apresentam pontos de vista extremistas, nacionalistas, chauvinistas, xenófobos, racistas ou reacionários, que podem levar a opressão e violência contra grupos de pessoas com base em uma suposta inferioridade ou ameaça à nação, Estado ou instituições sociais tradicionais ultraconservadoras. A questão do populismo de direita representa uma ideologia fascista que combina elementos sociais do laissez-faire, do nacionalismo, etnocentrismo e antielitismo, ipso facto é muitas vezes descrita como de extrema-direita.
Em 2013 Ana Carolina Campanolo foi selecionada no Programa de Mestrado em História da Universidade do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, com o projeto “Virgindade e Família: Mudança de Costumes e o Papel da Mulher Percebido através da Análise de Discursos em Inquéritos Policiais da Comarca de Chapecó (1970-1988)”. A orientadora selecionada pela banca examinadora foi a professora Titular, Marlene de Fáveri, que ministra a cátedra História e Relações de Gênero. Após não conseguir terminar o mestrado devido ao fato de desenvolver um trabalho que não se adequava a linha de pesquisa da professora que aceitou orientá-la, em julho de 2016, Campagnolo processou Marlene de Fáveri, por perseguição ideológica e discriminação religiosa. A sentença foi favorável à orientadora, tendo o Juízo concluído da improcedência da ação. Fáveri também protocolou uma queixa-crime contra Campagnolo na 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital de Santa Catarina. A ação, que versa sobre crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria), corre sob segredo de Justiça. Fáveri pediu para levantar o sigilo. Nas eleições de 7 de outubro de 2018 foi eleita deputada estadual de Santa Catarina para a 19ª legislatura, pelo Partido Social Liberal (PSL) com 0,95% dos votos válidos, equivalente a 34.825 votos. Dia 28 de outubro, domingo, menos de uma hora após confirmada a eleição em segundo turno de Jair Bolsonaro para Presidente da República, Ana Caroline publicou em uma de suas redes sociais pedido para que alunos enviassem vídeos e informações com o nome do docente, da escola e da cidade, garantindo anonimato da denúncia: “na semana do dia 29 de outubro (...) todas as manifestações político-partidárias ou ideológicas que humilhem ou ofendam sua liberdade de crença e consciência”. Justificou a medida em função de “muitos professores doutrinadores estarão inconformados e revoltados com a vitória do presidente Bolsonaro” e “não conseguirão disfarçar sua ira e farão da sala de aula uma audiência cativa para suas queixas político-partidárias”. O Ministério Público de Santa Catarina entrou com ação na justiça contra a deputada estadual AC Campagnolo.
Em outra mensagem, mais recente, ela justifica o ato como “promessa de campanha”. A ética e política quase sempre tiveram uma intensa relação dialética de conflito, e muitas vezes de contradição na convivência, variando os termos e os temas desse confronto. Entre esses temas, os mais comuns são o ressentimento e a mentira política, como uma espécie de agressão mais aceitável aos princípios morais. De fato a utilidade de uso da mentira nas ações políticas pode ultrapassar casos caracterizadamente decorrentes de “razão de Estado” no sentido populista do termo (cf. Laclau, 2005) e continuar tendo aceitação, muitas vezes até mais consensual, sob o ponto de vista da critica política realizada segundo alguns princípios comuns que cada vez mais se distanciam da ética. O conceito de ética abrange, portanto, o interesse de cada um e de todos. O problema da universalização do debate político está nos meios sociais de comunicação. Pragmáticos funcionam movidos por interesses, dificultando a formação das condições essenciais da ética comunicativa com o livre aceso ao debate e a pretensa igualdade de participação. Um fenômeno sociológico passageiro, o Macarthismo é um termo que se refere à prática política fascista de vigilância e de acusar alguém de subversão ou de traição. O termo tem suas origens no período da história fascista dos Estados Unidos da América (EUA) reconhecido como “segunda ameaça vermelha”, que durou de 1950 a 1957 e foi caracterizado por uma acentuada repressão política aos comunistas, assim como analogamente pela campanha de medo à influência deles nas instituições estadunidenses e à espionagem por agentes da União das Repúblicas Socialistas Soviética.
Originalmente cunhado para descrever a patrulha anticomunista promovida pelo senador republicano (1908-1957), do Wisconsin, o termo logo adquiriu um significado mais extenso, tendo utilidadee de uso para descrever o excesso de iniciativas similares. Também é utilizado enquanto um conjunto de práticas e saberes para descrever acusações imprudentes ou de má-fé, pouco fundamentado, assim como ataques demagógicos ao caráter ou ao senso de patriotismo de adversários políticos.Giovanni
Gentile (1875-1944) foi um filósofo, político e educador italiano. Foi uma
figura de destaque do fascismo italiano e, juntamente com Benedetto Croce, um
dos maiores expoentes do neoidealismo filosófico. Realizou uma série de
reformas, sociais-pedagógicas e autoritárias, em seu governo como ministro da
educação no período da Itália Fascista. Autointitulado “filósofo do fascismo”,
ele foi influente em fornecer uma base intelectual para o fascismo italiano, e
escreveu sob pseudônimo parte de A Doutrina do Fascismo (1932) com
Benito Mussolini. Ele
considera que nem os indivíduos nem os grupos em torno de partidos políticos,
associações, sindicatos, classes deveriam estar fora do Estado. O fascismo,
para ele, era contrário ao socialismo já que o socialismo “ignora a unidade do
Estado que pode reunir às classes harmonizando-as em uma única realidade
econômica e moral”. Ele estava envolvido no ressurgimento do neoidealismo
hegeliano na composição da filosofia italiana e também desenvolveu seu sistema de
pensamento, que ele denominou de “idealismo real” ou “atualismo”, e que tem
sido descrito como “o extremo subjetivo da tradição idealista”.
Os primeiros escritos de Hegel versaram sobre assuntos teológicos, mas ao concluir o curso, Hegel não seguiu a carreira eclesiástica, preferiu se dedicar ao estudo da literatura e da filosofia grega. Em 1796 mudou-se para Frankfurt, onde Hölderlin lhe conseguiu um lugar de preceptor. Em 1801 habilitou-se Livre-Docente na Universidade Friedrich Schiller de Jena (Friedrich-Schiller-Universität Jena) situada na cidade de Jena (cf. Crissiuma, 2017), na Turíngiano centro do país. É uma das dez universidades mais antigas da Alemanha, estabelecida no ano de 1558 segundo os planos do príncipe João Frederico I da Saxônia. O auge da sua reputação ocorreu exatamente sob os auspícios do duque Carlos Augusto, patrono do escritor Johann Wolfgang von Goethe, autor do clássico Fausto, poema trágico, obra prima da literatura, quando Fichte, Hegel, Schelling, Friedrich von Schlegel e Friedrich Schiller faziam parte do corpo docente. Ainda no seminário de Tübingen, escreveu com dois outros renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o que chamaram de “o mais antigo programa de sistema do idealismo alemão”. Posteriormente desenvolveu um sistema filosófico que denominou Idealismo Absoluto, uma filosofia capaz de compreender discursivamente o Absoluto.
Entre 1807-08 dirigiu um jornal em Bamberg. Entre 1808 e 1816 foi diretor do ginásio de Nuremberg. Em 1816 tornou-se professor da Universidade de Heidelberg. Em 1818 em Berlim, quando ocupou a cátedra de filosofia, período em que encontra a expressão definitiva de suas concepções estéticas e religiosas. Tinha grande talento pedagógico, mas considerado mau orador, pois usava terminologias pouco usadas que dificultavam sua interpretação. Exerceu enorme influência em seus discípulos que dominaram as universidades da Alemanha. Logo passou a ser o filósofo oficial do rei da Prússia (cf. Wickert, 2013)FriedrichHegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito (1807). O prólogo é posterior a redação da obra. Foi escrito, passado já o tempo, quando o próprio Hegel pode tomar consciência de seu avanço e sua descoberta (cf. Silva, 2017). Tinha como objetivo assegurar o ligamento entre a Fenomenologia, a qual só aparece como a primeira parte da ciência, e a Lógica que, situando-se em uma perspectiva distinta da adotada pela Fenomenologia, deve constituir o primeiro momento de uma Enciclopédia. Explica-se que neste prólogo que é algo assim como um gonzo entre a subjetividade da Fenomenologia e a objetividade Lógica, Hegel se sentira fundamento preocupado em dar uma ideia geral de todo o seu sistema filosófico.
Isto é, segundo sua concepção que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas precisamente comosujeito. A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade reinstaurando-se, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta,sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. Neste sentido, a clareza não seria adequada para conceituar o próprio objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo, chamado geralmentedialética: uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge, pois, como solução das contradições inerentes ao movimento anterior.
Desta forma, aEileintung à Fenomenologia foi concebida ao mesmo tempo em que a obra é redatada em primeiro termo; parece, pois, que encerra o substancial pensamento do que é efetivo emtoda a obra. Verdadeiramente constitui umaIntroduçãoem sentido literal aos três primeiros momentos de toda a obra, isto é: a consciência, a autoconsciência e a razão -, enquanto a última parte da Fenomenologia, que contêm os particularmente importantes desenvolvimentos sobre o Espírito e a Religião, ultrapassa por seu conteúdo a Fenomenologia tal como é definidastricto sensuna muito citada Introdução. Ao que parece é como se Hegel entrasse no marco de desenvolvimento fenomenológico com algo que na teoria, em princípio não deveria haver ocupado um posto nele. Não obstante, seu estudo, em maior medida que o do prólogo, nos permitirá elucidar o sentido da obra que Hegel quis escrever, assim como a técnica que para ele representa o desenvolvimento fenomenológico. Precisamente porque aIntroduçãonão é comoPrólogoanexo posterior que contêm consideráveis informações gerais sobre o objetivo que se propunha o autor e as relações que sua obra tem com outros tratados filosóficos do mesmo tema. Ao contrário, de acordo com Jean Hyppolite, “a introdução é parte integrante da obra, constitui o delineamento mesmo do problema e determina os meios postos em prática para resolvê-lo”.
Em primeiro lugar, Hegel define naIntroduçãocomo se coloca para ele oproblema do conhecimento. Vemos como em certo aspecto retorna ao ponto de vista de Kant e de Fichte. A Fenomenologia não é uma noumenologia nem uma ontologia, mas segue sendo todavia um conhecimento do Absoluto, pois, que outra coisa poderia conhecer se só o Absoluto é verdadeiro, ou só o verdadeiro é Absoluto?. Não obstante, em vez de apresentar o saber do Absoluto “em si para si”, Hegel considera o saber tal como é na consciência e precisamente desde esse saber fenomênico, mediante sua autocrítica, é como ele se eleva ao saber absoluto. Em segundo lugar, Hegel define a Fenomenologia como desenvolvimento e cultura, no sentido de seu progressivo afinamento da consciência natural acerca da ciência, isto é o saber filosófico, o saber do Absoluto; por sua vez indica a necessidade de uma evolução. Em último lugar, Hegel precisa a técnica teórica do desenvolvimento fenomenológico e em que sentido estemétodoé precisamente obra própria da consciência que faz sua aparição na experiência, em que sentido é suscetível de ser repensado em sua necessidade pela filosofia. A lei cujodesenvolvimento necessário engendra todo o universo é a da dialética, segundo a qual toda ideia abstrata, a começar pela de ser, considerada no seu estado de abstração, afirma a sua negação, a antítese, de modo a contradição exige para se resolver a afirmação de uma síntese mais compreensiva que constitui uma nova ideia, rica em desenvolvimento, ao mesmo tempo, do conteúdo das duas outras.
NaIntroduçãoà Fenomenologia Hegel repete suas críticas a uma filosofia que não fosse mais que teoria do conhecimento. E não obstante, a Fenomenologia, como têm assinalado quase todos os seus expressivos comentaristas, marca em certos aspectos um retorno ao ponto de vista de Kant e de Fichte. Em que novo sentido devemos entendê-lo? Ora, se o saber é uminstrumento, modifica o objeto a conhecer e não nos apresenta em sua pureza; se for um meio tampouco, nos transmite a verdade sem alterá-la de acordo com a própria natureza do meio interposto. Se o saber é um instrumento, isto supõe que o sujeito do saber e seu objeto se encontram separados; por conseguinte, o Absoluto seria distinto do conhecimento: nem o Absoluto poderia ser saber de si mesmo, nem o saber, fora da relação dialética,poderia ser saber do Absoluto. Contra tais pressupostos a existência mesma da ciência filosófica, que conhece efetivamente, é já uma afirmação. Não obstante, esta afirmação não poderia bastar porque deixa a margem a afirmação de outro saber; é precisamente esta dualidade o que reconhecia Schelling quando opunha o saber fenomênico e o saber absoluto, mas não demonstrava os laços entre um e outro. Uma vez colocado o saber absoluto não se vê como é possível no saber fenomênico, e o saber por sua parte fica igualmente separado do saber Absoluto. Hegel retorna ao saber fenomênico, ao saber típico da consciência comum, e demonstra como aquele conduz necessariamente ao saber Absoluto, ou também que ele mesmo é um saber absoluto que todavia não se sabe como tal.
Não é apenas Fichte, mas o próprio Schelling, adverte Vittorio Hösle, tampouco satisfaz a exigência de uma estrutura de sistema que retorna a si mesma, pois o dualismo fichteano do eu e Não-Eu perdura, em última análise, no primeiro projeto resumido de sistema, no Sistema do idealismo transcendental. Segundo ele,a filosofia tem, com efeito, duas partes – filosofia natural e filosofia transcendental, a qual, por sua vez, contém, entre outras coisas, filosofia prática e filosofia teórica. Schelling argumenta do seguinte modo: já que o saber seria unidade de subjetividade e objetividade, o ponto de partida da filosofia teria de ser ou o objetivo (a natureza) ou o subjetivo (a inteligência). Naquele caso, surgiria a filosofia da natureza; neste, a filosofia transcendental. No entanto, o objetivo de cada uma dessas duas ciências seria avançar na direção da outra – portanto, de um lado, “partindo da natureza chegar ao inteligente”, e, de outro, partindo do subjetivo, “fazer surgir dele o objetivo”. Esta afirmação apenas poderia fazer sentido se para Hösle, com ela se tivesse em mente que a inteligência tem de objetivar e naturalizar em atos práticos e estéticos, como Schelling tenta demonstrar no Sistema. A segunda falha resulta da primeira. Schelling conhece, em última instância, apenas duas esferas da filosofia, as quais, na terminologia de Hegel, pertencem ambas à filosofia da realidade. Aquela estrutura que precede à ambas e que Hegel tematiza na Ciência da Lógica não tem lugar neste projeto de sistema de Schelling. É fácil ver que não se pode um renunciar a ela, e por três motivos.
Em segundo lugar, somente desse modo se pode compreender porque ambas as partes são momentos de uma unidade. Não basta afirmar sua relação mútua, é preciso explicitar estruturas ontológicas gerais que subjazem de igual modo à natureza e à inteligência. Em segundo lugar, somente desse modo se pode tornar plausível a dependência da natureza em relação a uma esfera ideal. E, em terceiro lugar, uma filosofia natural e uma filosofia transcendental apriorísticas são inconcebíveis sem essa esfera abrangente, pois a partir de que deveriamser fundamentadas as primeiras suposições de ambas as filosofias da realidade? Depois de se desfazer do “resto de fichteanismo”, ainda reconhecível sobretudo na execução do Sistema do idealismo transcendental, Schelling introduziu na Apresentação, como base destas duas ciências, o Absoluto, e o definiu como identidade de subjetividade e objetividade. No entanto, não se pode deixar de ver um limite na doutrina schellinguiana do absoluto que representa um retrocesso, ficando, no mínimo, aquém de Fichte e, em certo sentido, até mesmo aquém de Kant: as categorias analíticas que Schelling utiliza para a caracterização do Absoluto são catadas e, de modo algum deduzidas do próprio Absoluto. Unidade, identidade, infinitude são determinações que Schelling toam da tradição e que, em primeiro lugar, ele não legitima – ele apenas mostra que em sua utilização de mera identidade, antes elas que seu contrário conviriam ao absoluto, o qual é entendido como unidade de subjetividade e objetividade, e que em segundo lugar, ele nem sequer põe em um nexo causal ordenado.
Fascismo é a representação social que é usada para definir formas espetaculares de exposição de preconceitos raciais, sexuais, de gênero, de classe e vários outros no nível do cotidiano concreto ou virtual. Guardados na intimidade, preconceitos são sementes de fascismos potenciais. Mas a potência não é o ato e ninguém pode avaliar o sentimento dos outros, senão por meio de sua expressão. A prova que temos do fascismo de qualquer um é, portanto, segundo Marcia Tiburi, sua expressão verbal, gestual ou prática. O fascismo é uma espécie de teoria prática de ação que começa com atos de fala ética e politicamente empobrecidos. A grave incapacidade de se relacionar com aquela figura da diversidade que podemos denominar de “outro”, da qual essas formas de linguagem comprovam, põem em questão a transformação do verbal em “capital”. Aqueles que, operando dentro de um regime de pensamento democrático, ficam perplexos ou revoltados com isso, contrapõem-se aos que se deixam fascinar. Se os primeiros interpretam a negação do outro como perda ética, política e social, os segundos, deslumbrados e fetichizados, no sentido marxista, pela palavra transformada em mercadoria, descobrem o lucro que a negação do outro pode lhes fornecer na prática. Participam do espetáculo verbal da gritaria sentindo-se capitalizados subjetivamente.
O bolsonarismo como ideologia conformou uma aparente aliança de classes no Brasil, uma espécie de exército zumbi hidrofóbico originário de “walkmin dead” e que congrega, no mercado, setores do rentismo, do grande comércio varejista, do pequeno e médio produtor rural e de profissionais liberais ligados ao velho bacharelismo. No Congresso brasileiro, parcela das bancadas do boi, da bala, da bíblia e dos nanicos que orbitam ao redor do “centrão”. Na sociedade, segmentos das igrejas neopentecostais, alguns atletas de “MMA/UFC”, duplas e cantores sertanejos, apresentadores de programas de auditório, artistas e músicos ultrapassados, conservadores de “stand up comedy”, depois de Chico Anysio e intelectuais de procedência duvidosa. Uma parcela desse contingente heterogêneo, a extrema-direita que representa seu sumo, partilha de uma visão de mundo obscurantista e marcada pelo ódio, a intolerância, o machismo, o racismo, a lgbtfobia, a xenofobia. Por vezes são criacionistas, moralistas, terraplanistas e monarquistas, rechaçam os direitos civis e louvam a violência e a tortura.
Neoidealismo ou neo-hegelianismo refere-se a uma vertente (ou vertentes) do pensamento inspirada pelos trabalhos do filósofo idealista alemão Friedrich Hegel e na qual se incluem as doutrinas de um grupo de filósofos influentes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América entre 1870 e 1920, além dos pensadores italianos Benedetto Croce e Giovanni Gentile. Junto com Benedetto Croce foi um dos maiores expoentes do neoidealismo filosófico e do idealismo italiano, além de importante protagonista da cultura italiana na metade do século XX, cofundador do Instituto da Enciclopédia Italiana e, como ministro em 1923, da reforma da educação pública conhecida como Reforma dos Gentios. A sua filosofia chama-se “atualismo”. Ele também figura no fascismo italiano, até se considerou o inventor da ideologia do fascismo. Após sua adesão à República Social Italiana, ele foi morto durante a 2ª guerra mundial por alguns partidários do Grupo de Ação Patriótica.
Portanto, neo-hegelianismo em contraposição ao positivismo imperante, pretendia satisfazer a necessidade de uma ética baseada em valores ideais e religiosos, contrapondo-a à moral utilitarista. Nessa direção histórico-política, desenvolvia-se a filosofia da religião de Thomas Hill Green e Edward Caird, mediante a aplicação do sistema dialético hegeliano aos princípios religiosos. Entre os neo-hegelianismos ingleses destaca-se Francis Herbert Bradley, em sua obra Aparência e realidade (1893), afirmava o aspecto contraditório da experiência sensível e a necessidade de ir além da contingência, atingindo o absoluto hegeliano como síntese de finito e infinito. Efetivamente, o absoluto apresentado por Bradley aparece num registro quase neoplatônico já que o aspecto finito da realidade desaparecia diante da prevalência do infinito. A concepção de Bradley despertou acesas polêmicas em que se reivindicava, com Bernard Bosanquet, a função essencial da contradição na dialética hegeliana e, com John Ellis McTaggart (1866-1925), os aspectos espirituais do pensamento hegeliano. A crise do neoidealismo inglês ocorre com James Black Baillie, que, em Studies in Human Nature, diante 1ª grande guerra, repudia o otimismo idealista do historicismo e retoma a tradição empirista da filosofia inglesa.
O interesse pela doutrina hegeliana na Itália difundiu-se no século XIX, sobretudo através das obras de Augusto Vera e Bertrando Spaventa, que pode ser considerado como o precursor, na Itália, da interpretação do pensamento hegeliano que associa as ideias de Kant e Fichte a temas idealistas. Destacam-se também os estudos de Francesco De Sanctis sobre a estética hegeliana e, posteriormente, os trabalhos de Benedetto Croce e Giovanni Gentile. Em 1913 Giovanni Gentile, publica La Riforma della Dialettica Hegeliana. Gentile vê na lógica hegeliana expressa na categoria do devir coincidente, comparativamente com o ato puro do ser no pensamento, ao qual se transmite toda a realidade abstrata da natureza, da história e do espírito. A essa visão subjetivista de Gentile, contrapõe-se, a partir de 1913, Benedetto Croce, primo de Bertrando Spaventa, que, em seu Saggio sullo Hegel, interpreta o pensamento hegeliano como historicismo imanentista. Depois de ter marcado ideologicamente a cultura filosófica italiana por mais de 40 anos, o neo-hegelianismo entra em crise no segundo pós-guerra, sendo substituído pelo existencialismo, pelo neopositivismo, pela fenomenologia e pelo marxismo.
Não tem compromisso com a democracia. Substituem a noção de bem comum pela de ganhos privados. Sufocam o indivíduo moderno nas amarras da família tradicional e no lugar da igualdade de oportunidades retroagem em defesa da naturalização das desigualdades. São liberais conservadores, muitas vezes cínicos que proclamam como princípio a não-intervenção do Estado e contra a instituição do salário mínimo no Brasil. Em termos simplificados, isso quer dizer que há uma vantagem pessoal e provavelmente impagável de negar o outro e expressar a negação com palavras. Essas palavras são publicitárias. Ditas na forma de slogans fáceis de repetir, na comunicação garantem ao fascista poder. Incansável em repetir frases e clichês, ele (a) parece colocar moedinhas em um cofre. A moedinha pode ser a frase nas redes sociais. Essa busca por lucro por meio de uma repetição torna-se literalmente um modo de ser. Incapaz de supor a existência da alteridade, o (a) fascista encontra um modo de ser.
Os efeitos ideológicos mais notáveis do macarthismo incluem os discursos, as investigações e os inquéritos do próprio senador McCarthy; a chamada Lista Negra de Hollywood, assim como com as investigações conduzidas pelo Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC); e as diversas atividades anticomunistas do FBI sob a direção de J. Edgar Hoover. O macarthismo foi um amplo fenômeno sociocultural que afetou a sociedade dos Estados Unidos em todos os níveis e gerou uma grande quantidade de debate e conflito interno naquele país. A empreitada perdurou até que a própria opinião pública ficasse indignada com as flagrantes violações dos direitos civis, o que levou ao ostracismo e à precoce decadência. Ele morreu em 1957, já totalmente desacreditado e considerado uma figura infame e uma vergonha para os norte-americanos. Muitos filmes foram produzidos neste período, todos retratando McCarthy e seus seguidores como figuras desprezíveis e a história que criaram como uma crise que foi superada.
Muitas ideologias de extrema-direita têm desprezo ou um desdém pelo igualitarismo, mesmo que nem sempre expressem apoio explícito à hierarquia social, elementos de conservadorismo social e oposição à maioria das formas de liberalismo e socialismo. Alguns grupos apoiam uma forte ou completa estratificação social e a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores. A defesa da extrema-direita da supremacia é baseada no que seus adeptos veem como características inatas de pessoas que não poderiam ser alteradas. A centro-direita, ao contrário, alega que as pessoas podem acabar com sua inferioridade comportamental através da mudança de seus hábitos e escolhas. O termo também é usado para descrever ideologias fortes como o nazismo, o neonazismo, o fascismo, o neofascismo e outras ideologias ou organizações que apresentam pontos de vista extremistas, nacionalistas, chauvinistas, xenófobos, racistas ou reacionários, que podem levar a opressão e violência contra grupos de pessoas com base em uma suposta inferioridade ou ameaça à nação, Estado ou instituições sociais tradicionais ultraconservadoras.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE), Regional São José, entrou nesta segunda-feira (29) com uma denúncia no Ministério Público (MPSC) contra a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL) por ela incitar alunos a entregar professores “doutrinadores”. Na denúncia ao MPSC, o SINTE afirma que a atitude da deputada eleita “incita a coação dos professores em sala de aula e promove o desrespeito aos educadores, comprometendo a didática pedagógica profissional”. O Sindicato também divulgou uma nota conjunta com outras entidades que representam trabalhadores da educação dizendo que a atitude de Ana Caroline é um “ataque a liberdade de ensinar do professor”. - “Esse tipo de ameaça publicada em rede social é um ataque à liberdade de ensinar do professor (liberdade de cátedra), tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura”, diz trecho da nota. O populismo de direita, uma ideologia política que muitas vezes combina laissez-faire, nacionalismo, etnocentrismo e antielitismo, é inúmeras vezes descritas como prática de extrema-direita. O populismo de direita envolve apelos ao homem comum e oposição à imigração. Os defensores da chamada “teoria da ferradura” interpretam dicotomicamente o espectro de esquerda-direita identificando a extrema-esquerda e a extrema-direita, como “tendo mais em comum entre si, como extremistas, do que cada um tem com os centristas moderados”.
Contra a liberdade de cátedra e o direito à imagem.
Com
uma trajetória reconhecida nacional e internacionalmente nos estudos de gênero
e feminismo, a historiadora e professora do Programa de Pós-Graduação em
História (PPGH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Marlene de
Fáveri, se viu no meio de uma polêmica que tomou dimensão nacional/internacional.
A tensão social gerada pela ação de indenização por dano moral movida pela
ex-aluna e orientanda de mestrado, Ana Caroline Campagnolo – que a acusa de
perseguição religiosa – levou a professora a pedir afastamento da universidade
para tratamento de saúde na última semana. O fato de a orientadora abrir mão da
orientação do projeto de pesquisa da aluna é motivação central no processo de
indenização de R$ 17.600 por “discriminação, intimidação, ameaça velada via e-mail,
exposição discriminatória, humilhação em sala de aula e tentativa de prejudicar
academicamente a autora”. A ação foi proposta em 13 de junho de 2016, duas
semanas após a aluna ser reprovada no mestrado sob a orientação de outro
professor.
A
autora do processo alega que teve sua “vida pessoal e publicações particulares
vasculhadas”, além de sofrer perseguição por “ser cristã e suas convicções
pessoais não afinarem com a ideologia feminista”. Usa como provas e-mails
trocados com a professora e a gravação em áudio de um debate em sala de aula,
no qual é questionada por alunos sobre sua posição declaradamente antifeminista
nas redes. - “Marlene confirma sua autoridade em sala de aula quando
colegas dizem que eu deveria procurar outra universidade – acreditam que a
Universidade tem que ser tão dogmática quanto uma Igreja – e quando afirmam
categoricamente que ‘nunca vamos ver um conservador com bons olhos aqui’”,
alega Ana Caroline em entrevista. Na ação, ela relata que “em meio a esse
estresse emocional e sofrimento psíquico, situação de humilhação e sensação de
cerceamento, que a autora ao perceber o que acontecia, resolveu iniciar uma
gravação de áudio no seu celular”. Professora Titular da disciplina “História e
Relações de Gênero”, Marlene argumenta, porém, que a gravação das aulas
por Ana Caroline já era rotina a ponto de causar incômodo entre os alunos.
-
“Em determinado momento no decorrer de um dos encontros, alguns de nós
percebemos que Ana Caroline estava gravando nossas falas sem a autorização
necessária, fato que foi levado ao conhecimento da docente que solicitou que
ela não mais gravasse os debates ocorridos naquele espaço”, afirmam ex-alunos
em nota de apoio à professora. Ao descobrir que a orientanda publicava nas
redes sociais conteúdos que desqualificavam o campo de estudos em gênero e
feminismo, a professora a chamou para conversar e, após o diálogo, decidiu
interromper a orientação. “Minha decisão irrevogável de abrir mão da orientação
da mestranda se justifica devido à incompatibilidade do ponto de vista
teórico-metodológico com relação à abordagem do tema quando de seu ingresso,
incompatibilidade esta expressa em vídeo difundido por mídias eletrônicas, de
acesso público, onde manifesta concepções, do ponto de vista acadêmico, que
ferem a disciplina que ora ministro e, por extensão, a linha de pesquisa do programa
de Pós-Graduação em História”, justifica a professora no documento que
formaliza sua solicitação de substituição ao colegiado. O pedido foi
aceito.
Após o resultado as urnas de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais, a deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo, uma ideóloga de extrema-direita, estimulou estudantes a denunciarem professores que façam “queixas político-partidárias em virtude da vitória do presidente Bolsonaro”. Campagnolo publicou mensagem político-ideológica nas redes sociais pedindo para estudantes filmarem as “manifestações político-partidárias ou ideológicas” e enviem para ela com o nome do professor, da escola em que trabalha e a cidade. Sindicatos de professores das redes públicas e privada municipal, estadual e federal em Santa Catarina repudiaram o fisiologismo dela em nota conjunta. - Esse tipo de ameaça publicada em rede social é um ataque à liberdade de cátedra do professor, tipicamente aplicada em regimes de autoritarismo e censura. É mais grave ainda por partir justamente de alguém recém-eleita para um cargo público, e que deveria fiscalizar o cumprimento das leis. A sugestão de denúncia dos professores por estudantes caracteriza assédio moral e perseguição, que remonta aos tempos da ditadura civil-militar golpista brasileira de 1º de abril de1964.
Não queremos perder de vista sociologicamente que o percentual de votos nulos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018 chegou a 7,4%, o maior registrado desde 1989, totalizando 8,6 milhões. Foi um aumento de 60% em relação ao 2º turno da última eleição presidencial, em 2014, quando 4,6% dos votos foram anulados. Os votos brancos somaram 2,4 milhões, ou 2,1%, neste 2º turno, pouco acima do 1,7% da última eleição presidencial. Ao todo, 31,3 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,3% total, proporção similar ao do 2º turno presidencial de 2014. Somando os votos nulos e brancos com as abstenções, houve um contingente de 42,1 milhões de eleitores que não escolheram nenhum candidato, cerca de um terço do total. O candidato eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu 57,7 milhões de votos enquanto o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) teve 47 milhões de votos. Os dois maiores colégios eleitorais do país, SP e MG, puxaram os votos nulos no segundo turno desta eleição. Em Minas Gerais, 10,6% dos votos foram anulados. Em São Paulo, foram 10%. Em seguida, vieram Sergipe, com 9,5%, e Rio de Janeiro, com percentual de 9,1%.
O assédio moral está presente desde as primeiras formas sociais de relação de trabalho e constitui-se em um problema teórico, histórico e ideológico mundial, que ocorre tanto no setor público, como no setor privada. No assédio moral, não se observa mais um relação simétrica como no conflito, mas uma relação dominante-dominado, na qual aquela parte que comanda o jogo de relações sociais procura submeter o outro até fazê-lo perder a identidade. Quando isto se passa no âmbito da relação de subordinação, transforma-se em um abuso de poder hierárquico, e a autoridade legítima sobre um subordinado se torna a dominação da pessoa. No Brasil, não há uma lei específica para assédio moral, mas esta pode ser julgada por condutas previstas no artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).A prática do assédio moral não possui uma legislação específica no Brasil, mas sua conduta pode ser analisada através da legislação existente, cujos fundamentos encontram-se, seja Constituição Federal, no Código Civil, no Código Penal, e seja na Consolidação das Leis do Trabalho. O conceito de assédio moral organizacional foi desenvolvido, em 2006, pela Procuradora Regional do Trabalho, Adriane Reis de Araújo, como uma “tecnologia de gestão globalizada”.
Um conceito amplo de assédio moral nos é oferecido por Hirigoyen (1998), segundo o qual pode ser considerado assédio moral qualquer conduta abusiva, seja através de gestos, palavras, comportamentos ou atitudes, de forma repetitiva e sistemática, que atinja de alguma forma a dignidade e a integridade, física ou psíquica, de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou tornando insuportável o clima de trabalho. Uma prática que tem sido recorrente no ambiente de trabalho tanto na iniciativa privada quando no serviço público. E consequentemente várias são as condições em que pode ocorrer o assédio moral. Dentre elas podemos destacar àquelas referentes a uma determinada tarefa no ambiente de trabalho, seja atribuindo propositalmente tarefas superiores as que uma pessoa possa realizar ou que afetem sua saúde ou tarefas humilhantes, seja dando permanentemente novas tarefas ou retirando o trabalho que normalmente é da competência de uma pessoa, ou ainda criticando uma tarefa de forma injusta ou exagerada. E mais importante: não transmitir deliberadamente informações úteis para a realização de tarefas; utilizar insinuações desdenhosas para desqualificar;enfim, tudo o que possa ser considerado como atentado contra a dignidade da pessoa.
No entanto, diferencia-se do conceito de assédio moral como descrito por Marie-France Hirigoyen por tratar esta definição como uma expressão parcial, e, portanto, desloca a ênfase do tratamento psicológico do problema, concentrando a discussão sobre as condições de trabalho e sobre os mecanismos de gestão de pessoas. O conceito implica em soluções psicológicas e jurídicas que frequentemente se sobrepõem as perspectivas organizacionais e coletivas da questão. A “escuta clínica” dos testemunhos revela uma forma de sofrimento psíquico muito semelhante como ocorre com vítimas do assédio moral: paralisia, inibição da ação, ansiedade, depressão, síndrome de burnout, e perda do sentido do trabalho; podendo desenvolver aspectos paranoides. A grande inovação do conceito de assédio moral organizacional é justamente rejeitar a individualização das situações de assédio, fugindo da dicotomia vítima X algoz, discussão pouco operativa por escamotear as fontes organizacionais da violência política e responsabilizar exclusivamente os indivíduos pelos danos ocorridos.
A falta de reconhecimento tem sido também atribuída como uma origem do assédio moral. Isso porque o trabalho desempenha um papel fundamental à dignidade do empregado, que somente se encontra em sua plenitude quando este tem o seu valorreconhecido na sociedade pelo sucesso em seu trabalho. Nesse sentido, a inexistência do reconhecimento ensejaria um sentimento de desmotivação, causando, assim, um estado de depressão em que o trabalhador não tem mais vontade de se dedicar emocionalmente ao trabalho. No entendimento de Hirigoyen (1998; 2005) sobre a ausência social de reconhecimento, este é evidenciado quando o desprezo pelo outro tem como significado o primeiro passo na direção do assédio moral e da violência simbólica. É uma tática inconsciente para manter o domínio e o processo de desqualificação das pessoas. No estudo das formas de organização, estão compreendidas as empresas privadas, órgãos públicos etc., mas sabe-se que há a manifestação de patologias individuais e coletivas atribuídas a esses ambientes. O que se pretende com essa afirmação é demonstrar que a forma de agir dessa organização gera um sistema vicioso e em que a agressão se torna implícita. Melhor dizendo, em uma determinada tomada de decisão, em que são estimuladas as disputas em função da competitividade acirrada entre pares.
Aldoir José Kraemer, professor e coordenador estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do estado de Santa Catarina (SINTE), afirma que entidades irão fazer, ainda nesta semana, uma representação ao Ministério Público. Na prática, ela faz é uma incitação para que os estudantes denunciem os professores, atacando alguns direitos constitucionais como o direito do exercício de cátedra do professor. No estado também temos “uma lei específica em relação ao uso de celular em sala de aula, então ela também está incitando o descumprimento desta lei”, em referência à lei estadual nº 14.363 que proíbe o uso de celulares em salas de aula. - “É uma ação completamente absurda que impõe cerceamento da liberdade de cátedra dos profissionais de educação e acaba impondo uma cruzada contra os professores”, avalia Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Vale lembrar “quando uma parlamentar do PSL defende fazer uma censura junto aos professores na escola por acusação de doutrinação, na verdade ela mesma está fazendo com que a escola não seja um espaço de livre-pensamento, de debate democrático. Então, o que ela acusa de acontecer na escola, ela mesma está fomentando”.
A recém-eleita deputada estadual pelo PSL de Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo, de 28 anos, ficou famosa em todo o País ao incentivar a denúncia de “professores doutrinadores”. Definindo-se como “antifeminista, conservadora, cristã e de direita”, teve uma carreira política meteórica: segundo a imprensa catarinense, é cotada para ser a futura secretária de Educação em Santa Catarina. A vida acadêmica inclui acionar a Justiça contra sua orientadora no mestrado. Filha de um Policial Militar da reserva, evangélica, professora de história do município de Chapecó, oeste de Santa Catarina, Campagnolo é graduada pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó, é uma instituição de ensino superior comunitária brasileira, sendo uma das maiores e mais importantes do estado de Santa Catarina. Está localizada na cidade da tragédia de Chapecó, Oeste do estado. Disputou pela primeira vez um cargo eletivo e jamais ocupou qualquer função pública. - “Eu tenho a sensação que ela construiu um personagem com o intuito de buscar um espaço na carreira política” afirmou uma colega de faculdade que falou ao jornalismo aparentemente crítico da Carta Capital sob condição do anonimato. - “Na sala de aula, nos debates ela era comedida, mas polêmica e muita agressiva nas redes sociais. Chegou a ter a página no Facebook suspensa em função de suas posições”.
Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual em Santa Catarina pelo partido fascista do ex-capitão Jair Messias Bolsonaro, abriu um canal de denúncias na “internet” contra professores acusados de “doutrinadores”. Cotada para ser secretária de Educação do estado, segue os passos da alemã AfD - Alternative für Deutschland, partido político alemão populista de extrema-direita, fundado em fevereiro de 2013, por Bernd Lucke, professor de Economia da Universidade de Hamburgo, o ex-jornalista do Frankfurter Algemeine Zeitung, Konrad Adam e um ex-político da CDU, Alexander Gauland. O congresso de fundação do novo partido na cena política alemã com 1 500 membros foi lançado oficialmente em 14 de abril 2013, em Berlim. Em 4 de julho 2015, Frauke Petry foi eleita com 60% dos votos como única chefe do partido num congresso da AfD em Essen. Os líderes da legenda política são respectivamente Jörg Meuthen e Alexander Gauland. Portanto, trata-se de transplante do ideário político-partidário de extrema-direita alemã, associado ao “bolsonarismo” quando a deputada criou um canal para que “alunos denunciem a doutrinação nas escolas”. A AfD estimula os estudantes a filmar professores que critiquem o partido. – “Garantimos o anonimato dos denunciantes”, afirmou a deputada fascista em uma rede social. Formada em Historia, Campagnolo processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por suposta “perseguição ideológica”.
A liderança do partido é composta por um grupo de reconhecidos eurocéticos. O mais destacado defensor da agremiação é Hans-Olaf Henkel, ex-executivo-chefe da IBM Europa e ex-presidente da mais importante Associação Federal da Indústria Alemã. Entre outros nomes que apoiam o partido estão Wilhelm Hankel, Karl Albrecht Schachschneider e Joachim Starbatty, economistas que compartilham a coautoria de livros defendendo a extinção do euro. Os três formalizaram uma queixa junto ao Tribunal Constitucional da Alemanha em 2010, dizendo que o apoio da Alemanha ao socorro da Grécia, um membro do grupo de países que adoptou o euro, desrespeitou a Constituição e a cláusula de não socorro inscrita no tratado da união monetária. O tribunal pronunciou-se contra eles em 2011. Eles querem uma alteração dos tratados da União Europeia (UE), a fim de permitir que países deixem a “zona do euro”. Empréstimos adicionais alemãs para o fundo de estabilidade da zona do euro devem ser bloqueados para forçar outros países europeus a aceitar essa alteração dos tratados, defende o partido. O novo partido tem 21 203 membros (2014) e a prioridade da nova força política é criar novas pequenas federações a nível estadual em todo o país, para eleger os seus líderes e candidatos para as eleições de Setembro 2013.
O partido assenta em duas linhas: a de que os empréstimos aprovados pelo Parlamento alemão aos países em dificuldades são ilegais - visão também de um grupo de economistas que tem desafiado as medidas no Tribunal Constitucional Federal da Alemanha e que apoia o novo partido; e a de que o euro, em vez de unir a Europa, está a dividi-la. A partir de finais de 2014, a AfD - Alternative für Deutschland dividiu-se em facções: uma, centrada em Bernd Lucke, tendo como escopo as questões econômicas e a crítica ao Euro e, outra, liderada por Frauke Petry, com um discurso próximo da direita populista e nacionalista, atacando a Imigração e alinhada com o Patriotische Europäer gegen die Islamisierung des Abendlandes. Em julho de 2015, no congresso da AfD realizado em Essen, cidade da Alemanha localizada na Renânia do Norte-Vestefália, com uma população de 582.659 habitantes, Frauke Petry foi eleita líder do partido, conquistando 68% dos votos. Esta aparente vitória de Frauke Petry confirmou a viragem do partido para a direita, tornando-se, em muito, alinhado com os partidos de direita populista que têm ganhado popularidade na Europa nos últimos anos.
Bibliografia geral consultada.
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e Mitologias Políticas. São Paulo: Editora Cia das Letras, 1987; HUNTINGTON, Samuel
Phillips, O Soldado e o Estado: Teoria e Política das Relações entre Civis e
Militares. Rio de Janeiro: Editor Biblioteca do Exército, 1996; LEIRNER,
Piero de Camargo, Meia Volta Volver: Um Estudo Antropológico da Hierarquia Militar.
Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1997; BOBBIO, Norberto, Ni con Marx ni contra Marx. 1ª edición. Espanha: Fondo de Cultura, 1999; BRAGA, Ubiracy de Souza, “A Ideologia Fascista”. In: Jornal O Povo. Fortaleza, 4 de dezembro de 2004; LACLAU, Ernesto, La Razón Populista. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005; SPACKMAN, Barbara, Fascist Virilities: Rhetoric, Ideology, and Social Fantasy in Italy.Editor University of Minnesota Press, 2008; PEREIRA, Thiago Fernandes dos Santos, Ação da Cidadania: Betinho e sua Concepção
de Democracia. Dissertação de Mestrado. Departamento de Ciências
Sociais. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro,
2015;SOBREIRO, Rafael Soccol, Uma Nova Velha Polícia: Análise das Polícias Estaduais Brasileiras a partir das Estruturas Institucionais Historicamente Constituídas e das Transações Politicas Decorridas. Dissertação de Mestrado em Ciências Criminais. Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais. Faculdade de Direito. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2016; MONTEJANO, Paulina,
“Debates sobre la Enseñanza en las Academias Militares y su Articulación en el Campo
Científico Brasileño”. In: Revista da Unidade da Força Aérea. Rio de
Janeiro, vol. 30, nº 2, pp. 58 - 64, jul./dez. 2017; FINCHESTEIN, Federico, From Fascism to Populism in History.Oakland: University of Califórnia Press, 2017; Idem, The Ideological Origins of the Dirty War: Fascism, Populism and Dictatorship in Twentieth-Centuray Argentina. United States: Oxford University Press, 2017; PEREIRA, Isabella Bruna Lemes, As Identidades de Gênero e Sexualidade na Visão dos Parlamentares da Câmara Federal: Uma Análise do Discurso a Partir dos Projetos Escola sem Partido. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2017; PAINS, Clarissa, “Deputada Eleita por Partido de Bolsonaro cria Polêmica ao Pedir que Estudantes Denunciem Professores”: Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/28/10/2018; entre outros.
“A propaganda representa para a democracia
o que o cassetete é para o Estado totalitário”. Noam Chomsky
.
Avram
Noam Chomsky é linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e
ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai
da linguística moderna”, também é uma das mais renomadas figuras no campo da
filosofia analítica. É Emérito em Linguística no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts - MIT, e teve seu nome associado à criação da gramática ge(ne)rativa
transformacional. É autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades
matemáticas das linguagens formais, tendo seu nome associado à chamada
“hierarquia de Chomsky”. Seus trabalhos de pesquisa combinando uma abordagem
matemática da linguagem com uma crítica do behaviorismo, nos quais a linguagem
é conceitualizada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos,
contribui para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências
humanas. Além da pesquisa e ensino da linguística, Chomsky é também conhecido
pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política
externa dos Estados Unidos. Na esfera da política descreve-se como um
“socialista libertário”. Identifica-se com aquilo que é compreendido como
“anarcossindicalismo”, havendo também quem o associe ao “anarcocomunismo” ou ao
“comunismo de conselhos”.
Em
1979, Paul Robinson escreveu no New York Times Book Review que “pelo
poder, alcance, inovação e influência de [representação] de suas ideias, Noam
Chomsky é indiscutivelmente o mais importante intelectual vivo, hoje”. Contudo,
Robinson continua o artigo dizendo que os trabalhos de Chomsky sobre Política
são “terrivelmente simplistas”. Chomsky observa que “se não fosse por esta
segunda afirmação, eu era capaz de pensar que estava fazendo algo errado… é
verdade que o imperador está nu, mas o imperador não gosta que digam isto a
ele, e os cachorrinhos-de-colo do imperador como o The New York Times não vai
gostar da experiência se você o fizer”. A revista Rolling Stone escreveu que
Chomsky “está no nível de Thoreau e Emerson no campo da literatura da rebelião”.
A Village Voice comentou favoravelmente que “com que perspicácia (Chomsky) não
fica enrolando e realmente diz alguma coisa!”. Uma resenha no The Nation
tinha a seguinte observação: - “Não ler (Chomsky)… é cortejar a genuína
ignorância”. Vale lembrar que “Avram” é outra forma de “Abraão”. Na vida tem
como amigos Edward Said, Eqbal Ahmad, Stephen Jay Gould, Alexander Cockburn,
Salvador Luria, Robert Fisk, Morris Halle, Norman Finkelstein, Howard Zinn e
outros.
Noam
Chomsky tem refutado o “desconstrucionismo” e as críticas do
pós-modernismo à Ciência: - “Tenho passado muito tempo da minha vida a
trabalhar em questões como estas, a utilizar os únicos métodos que conheço e
que são condenados aqui como “ciência”, “racionalidade”, “lógica” e assim por
diante”. Portanto, leio esses artigos com certa esperança de que eles me
ajudassem a “transcender” estas limitações, ou talvez me sugerissem um caminho
inteiramente diferente. Temo ter me desapontado. Reconheço que isso pode se
dever às minhas próprias limitações. Muito frequentemente meus olhos se
esgazeiam quando leio discursos polissilábicos de autores do pós-estruturalismo
e do pós-modernismo. Penso que tais textos são, em grande parte, feitos de
truísmos ou de erros, mas isso é apenas um pequeno pedaço dessa coisa
toda. É verdade que há muitas outras
coisas que eu não entendo: artigos nas edições atuais dos periódicos de
Matemática e de Física, por exemplo. Ninguém parece ser capaz de
me explicar que o último artigo “pós-isto-e-pós-aquilo” não seja (em sua maior
parte) outra coisa que não truísmos, erros ou balbucios, de maneira que eu não
sei o que fazer para prosseguir com eles. As críticas à
“ciência masculina branca” são semelhantes aos ataques antissemitas e
politicamente motivados contra a “Física judaica” usada pelos nazistas para
minimizar a pesquisa feita pelos cientistas judeus durante o movimento Deutsche
Physics: - “O mesmo é verdade para o problema de o trabalho ser feito em
sala de aula, no escritório, ou em qualquer outro lugar. Eu duvido que os
estudantes não-masculinos, não-brancos, amigos e colegas com quem que trabalho
não ficassem deveras impressionados com a doutrina de que seu pensamento e sua
compreensão das coisas seriam diferentes da ciência masculina branca por
causa de sua “cultura ou gênero ou raça”.
Aliás,
afirma Chomsky, devo dizer que meus próprios textos políticos costumam ser
denunciados, tanto pela esquerda quanto pela direita, por serem não teóricos -
e isso está absolutamente certo. Mas são exatamente tão teóricos quanto os de
qualquer outra pessoa, eu só não os chamo de “teóricos”, eu os chamo de
“triviais” - que é o que eles são, de fato. Isto é, não é que algumas dessas
pessoas cujo material é considerado “teoria profunda” e assim não tenham coisas
muito interessantes a dizer. É frequente terem coisas muito interessantes a
dizer. Mas não é nada que não se pudesse dizer no nível de um aluno do ensino
médio e nem nada que um aluno do ensino médio não pudesse perceber, se tivesse
tempo, apoio e um pouquinho de preparo. – “Então, marxismo, freudianismo:
qualquer uma destas coisas é, eu acho, um culto irracional. Elas são teologia,
portanto são o que for que vocês acharem de teologia; eu não acho que seja
grande coisa. Para ele “essa é exatamente a analogia certa: noções como
marxismo e freudianismo pertencem à história da religião organizada”.
Esta imagem é realmente profana: um bebê supostamente com desejo de comer um sanduíche desta empresa. A
McDonald`s Corporation representa a maior cadeia mundial de restaurantes
de fast food de hambúrguer no planeta Terra, servindo cerca de 68 milhões de
clientes por dia em 119 países através de 37 mil pontos comerciais de venda.
Com sede nos Estados Unidos, a empresa começou em 1940 como uma churrascaria
operada por Richard e Maurice McDonald. Em 1948, eles reorganizaram seus negócios
como uma hamburgueria que usava os princípios de uma linha de produção. O
empresário Ray Kroc ingressou na empresa como franquiado em 1955. Em seguida,
ele comprou a cadeia de restaurantes dos irmãos McDonald e expandiu a rede de estabelecimentos
comerciais para o mundo. Um McDonald é operado por franqueado, filial ou pela corporação. A receita da McDonald`s Corporation condiz com as
atividades para as quais a empresa foi constituída, seu contrato
social, ou da venda e serviços, antes de qualquer dedução, assim como do aluguel, royalties
e honorários pagos pelos franqueados, com as vendas em restaurantes
operados pela empresa ao redor do mundo capitalizado.
Em 2012, a corporação teve uma receita anual de 27,5
bilhões de dólares e lucros de 5,5 bilhões. De acordo com um relatório de 2012
da BBC, o McDonald's é o segundo maior empregador privado do mundo, atrás
apenas do Walmart, com 1,9 milhão de empregados, sendo que 1,5 milhão trabalha
para franquias. O McDonald`s vende principalmente hambúrgueres, cheeseburgers,
frango, batatas fritas, itens de café, refrigerantes, milk shakes e
sobremesas. Em resposta à evolução dos gostos dos consumidores, a empresa ampliou
o seu menu para incluir saladas, peixes, wraps, smoothies e
frutas. A maior parte dos restaurantes oferece os serviços de balcão e Drive-Thru,
com mesas em locais abertos ou espaços cobertos do próprio estabelecimento. O
Drive-Thru, Auto-Mac, ou McDrive como é reconhecido, frequentemente tem cabines separadas para pedir, pagar e pegar
os produtos. Em alguns países os “McDrive” perto de autoestradas não oferecem
serviço de balcão ou mesas. Mas, lugares com alta densidade
populacional frequentemente não têm o serviço de Drive-Thru.
Também, há
alguns restaurantes localizados, a maioria em regiões comerciais, que oferecem
o serviço de Walk-Thru no lugar do Drive-Thru. Restaurantes
temáticos também existem, como os restaurantes Rock-and-Roll McDonald`s
1950 e o restaurante Mc Movie, em Porto Alegre, em nosso país. Alguns
McDonald`s em áreas suburbanas e certas cidades têm grandes playgrounds
fechados ou ao “ar livre”, chamados McDonald`s PlayPlace ou Playland.
Estes foram criados principalmente na década de 1970 e 1980 nos Estados Unidos
da América, e mais tarde, internacionalmente. O
modelo de negócio da McDonald's Corporation é um pouco diferente da maioria das
outras cadeias de fast-food. Além das taxas normais de franquia, recursos, e
porcentagem das vendas, McDonald's também recebe aluguel, parcialmente ligado
às vendas. Como uma condição do acordo de franquia, a corporação é dona da
propriedade nas quais a maioria das franquias se instalam. No entanto, no Reino
Unido, o modelo não é de tanta concorrência como o modelo global, e menos de
30% dos restaurantes são da franquia, sendo assim, a maioria das unidades são
de propriedade da companhia. O McDonald`s treina seus franqueados e outros na
Hamburger University em Oak Brook, Illinois. De acordo com o Fast Food
Nation de Eric Schlosser (2001), cerca de um (1) em cada dez (10) trabalhadores
nos Estados Unidos foi - em algum momento - empregado pelo McDonald`s. O livro
também afirma que o McDonald`s é o maior operador privado de playgrounds nos
Estados Unidos. Também, o maior comprador de carne bovina, carne de porco,
batatas e maçãs do mundo globalizado.
Já se disse alhures que as regras do método são para a ciência o que as regras do direito são para o comportamento; elas dirigem o pensamento daqueles que cultivam a sabedoria como estas governam as ações dos homens. Se cada ciência tem seu método de interpretação da realidade, a ordem que ela realiza é absolutamente interna. Ela coordena as investigações sociais dos grupos de cientistas que cultivam uma mesma ciência, não são suas relações externas. Existem, em verdade, poucas disciplinas que coordenam os esforços de diferentes ciências em vista de um fim comum. Isto é verdade sobretudo para as ciências morais e sociais; visto que as ciências matemáticas, físico-químicas e biológicas não parece ser a tal ponto estranhas umas das outras. Mas o jurista, o psicólogo, o antropólogo, o economista, o estatístico, o linguista, o historiador procedem em suas investigações como se as diversas ordens de fato que eles estudam, formassem outros tantos mundos independentes. Contudo, na realidade, eles se penetram por todas as partes; em consequência, o mesmo deveria ocorrer com as ciências respectivas. Eis de onde vem a anarquia que se assinalou, não sem exagero aliás, na ciência em geral, mas que é sobretudo verdadeira nessas determinadas ciências. Elas oferecem o espetáculo de uma agregação de partes distintas que não cooperam entre si. Se elas formam pois um todo sem unidade, não porque não tenham uma compreensão suficiente de suas semelhanças; é que elas não são organizadas. São variedades de uma mesma espécie; em todo os casos, se a divisão do trabalho não produz a solidariedade é que as relações sociais dos órgãos de trabalho não são regulamentadas.
Quanto mais acentuado seja o tipo segmentar, os mercados econômicos serão mais ou menos correspondentes aos vários segmentos; consequentemente, cada um deles será muito limitado. Os produtores, estando muito próximos dos consumidores, podem colocar-se mais facilmente a par das necessidade a serem satisfeitas. O equilíbrio se estabelece portanto sem dificuldade e a produção regula-se por si mesma. Ao contrário, na medida em que o tipo de organização de desenvolve, a fusão dos diversos segmentos conduz os mercados a serem um só, que abrange quase toda a sociedade. Ele se estende além mesmo e tende a se tornar universal; pois as fronteiras que separam os povos se reduzem, ao mesmo tempo que aquelas que separavam os segmentos uns dos outros. Resulta que cada indústria produz para consumidores que estão espalhados sobre toda a superfície dos país ou mesmo do mundo globalizado inteiro. O simples contato não é mais suficiente. O produtor não pode mais abranger o mercado pelo olhar, nem mesmo pelo pensamento; ele não pode mais fazer representar seus limites, pois o mercado é por assim dizer ilimitado. Em consequência a produção não tem ferio nem regra; ela só pode tatear ao acaso e, nos curso desses tateamentos, é inevitável que as medidas sejam ultrapassadas, tanto num sentido como no outro. Daí essas crises cíclicas que perturbam periodicamente as funções econômicas. O crescimento destas crises locais e restritas que são as falências é certamente um efeito social específico dessa mesma causa. O operário é colocado sob regulamentos, afastado o dia de sua família; vive separado daquele que o emprega, como ocorre particularmente com a atividade unissexual do homem diante do mar, com as rotas das navegações ou mesmo traineiras.
Avram
Noam Chomsky nasceu na Filadélfia, em 7 de dezembro de 1928. É um linguista,
filósofo, sociólogo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político
norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística
moderna”, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia
analítica. É Professor Emérito em Linguística no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts, e teve seu nome associado à “criação da gramática gerativa
transformacional”. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as
propriedades matemáticas das linguagens formais, tendo seu nome associado à
chamada Hierarquia de Chomsky, é a classificação de gramáticas formais
descrita em 1959 por Noam Chomsky. Depois
do doutoramento, Chomsky leciona no MIT há mais de 40 anos
consecutivos, nomeado para a Cátedra de Línguas Modernas e Linguística
Ferrari P. Ward. Noam Chomsky tornou-se publicamente muito
empenhado no ativismo político e, a partir de 1964, protestou ativamente contra
o envolvimento norte-americano na Guerra do Vietnã, entre 1959 e 1975.
Esta
classificação possui quatro níveis, sendo que os dois últimos níveis (os níveis
2 e 3) são amplamente utilizados na descrição de linguagem de programação de
dados e na implementação de interpretadores e compiladores. Mais
especificamente, o nível 2 é muito utilizado em análise sintática (computação)
e o nível 3 em análise léxica. Seus
trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenômenos da linguagem com
uma crítica ao behaviorismo, nos quais a linguagem é conceitualizada como uma
propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para a
formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas. Além da sua
investigação e ensino no âmbito da linguística, é também reconhecido pelas suas
posições políticas associadas aos temas de esquerda e pela sua crítica à
política externa dos Estados Unidos. Como pensador Chomsky descreve-se como “um
socialista libertário”. Identificando-se com aquilo que é modernamente
compreendido como “anarcossindicalismo”, havendo também quem o associe ao “anarcocomunismo”
ou ao “comunismo de conselhos”. Em
1969, publicou o livro American Power and the New Mandarins, um livro de
ensaios sobre essa guerra. Desde então, tornou-se mundialmente conhecido pelas
suas ideias políticas, dando palestras por todo o mundo e publicando inúmeras
obras. A sua ideologia política, classificada como socialismo libertário,
rendeu inúmeros seguidores dentro do campo da esquerda, mas também muitos
detratores no outro extremo do espectro político. Neste tempo, continuou
a pesquisar, escrever e ensinar, contribuindo de forma regular com propostas teóricas que virtualmente definiram os problemas e questões centrais
da investigação linguística nos últimos 50 anos.
Embora
usados como sinônimos, para o que nos interessa, os termos publicidade e propaganda, para alguns
pesquisadores da comunicação social, não significam rigorosamente a mesma coisa embora sejam
semelhantes na sua essência. Para alguns analistas sociais, publicidade
significa o ato de vulgarizar, de tornar público uma mensagem, enquanto a
palavra propaganda, mais abrangente que publicidade, estaria relacionada à
mensagem política e religiosa e compreende a ideia de implantar, de incluir uma
crença na mente da massa, enquanto momento tardio no processo de modernização. Propaganda
é definida como propagação de princípios e teorias. Deriva do latim
“propagare”, por sua vez, deriva de “pangere”, que quer dizer “enterrar,
mergulhar, plantar”. A expressão foi traduzida pelo papa Clemente VII, em 1597,
quando fundou a “Congregação da Propaganda”, com o fim de propagar a fé
católica pelo mundo. No Brasil, as palavras publicidade e propaganda são usadas
indistintamente, e para diferenciar os diversos tipos de publicidade, são
usadas adjetivações, tais como “publicidade comercial”, “publicidade
editorial”, “propaganda política”, “propaganda de utilidade pública” etc. Reconhecido
por Palazzo di Propaganda Fide ou Palácio da Propagação da Fé é uma das
propriedades extraterritoriais da Santa Sé nos rios Trevi e Colonna de Roma,
Itália, localizado na Piazza di Spagna, de frente para a via di Propaganda. Este
edifício foi a primeira sede da Pontifícia Universidade Urbaniana, cujo
objetivo é formar missionários católicos, fundado pelo papa Urbano VIII, e foi
ampliado pelo seu irmão, o cardeal Antônio Barberini, depois de sua morte em
1644. O palácio ainda pertence à congregação, mas a maior parte de suas
atividades é realizada no Nuovo Collegio Urbano De Propaganda Fide. Cedo serviu como sede da Sagrada Congregação para Propagação da Fé (Propaganda Fide), fundada em 1622 através
da bula “Inscrutabili divinae” do papa Gregório XV.
Os
judeus, disse uma vez Léon Poliakov, são franceses que, ao invés de não irem
mais à igreja, não vão mais à sinagoga. Na tradução humorística de Hagadah,
essa piada designava crenças no passado que deixaram de organizar práticas. As
convicções políticas parecem, hoje, seguir o mesmo caminho. Alguém seria
socialista por que foi, sem ir às manifestações, sem reunião, sem palavra e sem
contribuição financeira, em suma, sem pagar. Mas reverencial que
identificatória, a pertença só se marcaria por aquilo que se chama uma voz.
Este resto de palavra, como o voto de quatro em quatro anos. Uma técnica
bastante simples manteria o teatro de operações desse crédito. Basta que as
sondagens abordem outro ponto que não aquilo que liga diretamente os adeptos ao
partido, mas aquilo que não os engaja alhures, não a energia das convicções,
mas a sua inércia. Os resultados da operação contam então com restos da adesão.
Fazem cálculos até mesmo com o desgaste de toda convicção. Pois esses restos,
esses cacos, como insinua o teólogo Leonardo Boff, indicam ao mesmo tempo o
refluxo daquilo em que os interrogados creram na ausência de uma credibilidade
mais forte que os leva para outro lugar. Ora, a capacidade de crer parece estar
em recessão em todo o campo político. A tática é a arte do fraco. O poder se
acha amarrado à sua visibilidade. Mas a vontade de “fazer crer”, de que vive a
instituição, fornecia nos dois casos um fiador a uma busca de amor e/ou de
identidade. Importa então interrogar-se sobre os avatares do crer em nossas
sociedades e sobre as práticas originadas a partir desses deslocamentos.
Durante séculos, supunha-se que fossem indefinidas as reservas de crença.
Aos poucos a crença se poluiu, como o ar e a água. Percebe-se ao mesmo tempo não se saber o que ela é. Tantas polêmicas e reflexões sobre os conteúdos ideológicos em torno do voto e os enquadramentos institucionais para lhe fornecer não foram acompanhadas de uma elucidação acerca da natureza do ato de crer. Os poderes antigos geriam habilmente a autoridade. Hoje são os sistemas administrativos, sem autoridade, que dispõem de mais força em seus “aparelhos” e menos de autoridade legislativa.O
primeiro encarregado das obras foi Gianlorenzo Bernini (1598-1680), que foi
substituído, em 1644, por Francesco Borromini (1599-1667), preferido do papa Inocêncio X (1574-1655), de n° 236 na história da Igreja Católica. A
fachada, de Borromini, está organizada em torno de poderosas pilastras entre as
quais se abrem janelas laterais, côncavas, em contraste com a central, que é
convexa. Uma pronunciada cornija separa o piano nobile do sótão. A sua porção
central é côncava. Por causa deste contínuo movimento entre
formas côncavas e convexas na fachada, este palácio é considerado um dos mais
importantes exemplos da arquitetura barroca de Roma. O palácio, que abrigava a
coleção etnográfica missionária do Museu Bórgio, que depois foi levada para o
Vaticano, é visitado através de apontamento prévio. No interior está a
Cappella dei Re Magi, também de Borromini.
O
termo propaganda tem a sua origem no
gerúndio do verbo latim “propagare”, equivalente ao português propagar, significando
o ato de difundir algo, originalmente referindo-se à prática agrícola de
plantio usada para propagar plantas como a vinha. O uso da palavra “propaganda”
no sentido contemporâneo é uma cunhagem inglesa do século XVIII, nascida da
abreviação de Congregatio de Propaganda Fide de cardeais estabelecida em 1633
pelo Papa Urbano VIII para supervisionar “a propagação da fé cristã nas missões
estrangeiras”. Originalmente o termo não era “ideologia” porque a palavra foi
criada por Antoine-Louis-Claude Destutt, o conde de Tracy, filósofo e soldado no
tempo da Revolução Francesa, com o significado de ciência das ideias, tomando-se
ideias no sentido de “estados de consciência”. Militar de carreira aderiu à
Revolução, destacando-se como deputado. Fez parte do “grupo dos sensualistas”,
com orientação nos pensamentos republicanos do Marquês de Condorcet que
entraram em conflito com os partidários de Bonaparte, que os acusaram de “idéologues”.
Decorrido
cerca de uma década da queda da Bastilha, o filósofo exilado em Bruxelas, começou
a publicar Eléments D`Ideologie
(1801-1815), em 4 volumes, postulando a fundação de um original campo destinado
a formar a base de todas as ciências, denominada por ele a “ciência das ideias”.
Etimologicamente a confusão entre os termos “propaganda” e “publicidade” refere-se
ao problema de distorção ideológica aplicada à tradução dos originais da língua
inglesa. Propaganda é um modo especificamente sistemático de persuadir visando
influenciar com fins ideológicos ou políticos, as emoções, atitudes, opiniões
ou ações do público alvo. As traduções dentro da área de negócios,
administração e marketing utilizam propaganda
para o termo “advertising” e publicidade para o termo “publicity”. Seu uso
primário no contexto político refere-se geralmente à persuasão patrocinada na
esfera pública e política. A propaganda pode ser usada como forma de luta
política, por associação com sua utilização ideológica, embora a propaganda em
seu sentido original represente neutralidade
axiológica, do ponto de vista sociológico, podendo se referir a usos benignos ou inócuos, como por exemplo: recomendações de saúde pública, campanhas para participar de censo ou eleição,
ou mensagens para estimular as pessoas a denunciar crimes à autoridade, entre
outros.
A propaganda possui várias técnicas metodológicas
em conjunto com a publicidade, podendo ser usada tanto para promover um produto
comercial quanto para divulgar crenças e ideias religiosas, políticas ou
ideológicas. Exemplos de propaganda são panfletos e programas falados ou
escritos, preparados para a audiência do inimigo durante as guerras
convencionais e a maior parte das publicidades nos partidos e campanhas
políticas. A propaganda é também um dos métodos usados primordialmente na
guerra psicológica pelos Estados Unidos da América. Neste sentido estrito e
mais comum do termo, a propaganda usada na guerra psicológica se refere à
informação deliberadamente falsa ou incompleta, que apoia uma causa política ou
os interesses meramente midiáticos daqueles que visam a propaganda comercial ou
dos que querem o poder. O publicitário procura mudar a forma como as pessoas
entendem uma situação ou problema, com o objetivo de mudar suas ações e
expectativas para a direção que interessa ao publicitário. Nesse sentido, a
propaganda serve como corolário à censura, na qual o mesmo objetivo é obtido,
não por colocar falsas informações nas mentes das pessoas, mas fazendo com que
estas não se interessem pela informação dita verdadeira.
O
que diferencia a propaganda como arma psicológica de outras formas de
argumentação é o desejo do publicitário em mudar o entendimento das pessoas
através do logro e da confusão, mais
do que pela persuasão e entendimento. Esse tipo de propaganda é muito comum em
campanhas eleitorais e religiosas, com o propósito de embutir uma ideia na
cabeça das pessoas e causar repulsa por informações novas, gerando preconceito
e intolerância como efeito prático. A propaganda é, também, uma poderosa arma
na guerra. Constitui-se como ideologia, ou seja, enquanto ilusão/alusão em
relação á realidade social. Mas a ideologia
nem é exclusivamente falsidade, assim como não é exclusivamente verdade. Mas a
sua função pode ter a prevalência repressiva de desumanizar e criar aversão
contra um grupo em especial. A técnica é criar uma imagem falsa desse grupo. Isso pode ser feito usando-se palavras
específicas, lacunas de palavras ou afirmando-se que o inimigo é responsável
por certas coisas que nunca fez.
A
propaganda é uma atividade humana tão antiga quanto os registros de que algo
acontece ou aconteceu. Em política, tem o objetivo de divulgar um candidato,
legenda ou coligação partidária. Mesmo que a mensagem traga informação
verdadeira, é possível que esta seja partidária, não apresentando um quadro
completo e balanceado de seu escopo. Seu uso primário advém de contexto
político, referindo-se geralmente aos esforços patrocinados por governos e
partidos políticos. Uma manipulação ideológica semelhante de informações é bem
conhecida, a publicidade, mas normalmente não é chamada de propaganda. As
técnicas de propaganda foram ideologicamente organizadas e aplicadas
primeiramente pelo jornalista e ideólogo Walter Lippman e pelo psicólogo Edward
Bernays, não por acaso, sobrinho de Sigmund Freud, no início do século XX.
Durante
a guerra europeia de 1914-18, Lippman e Bernays foram contratados pelo
presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, para influenciar a opinião
pública para entrar na guerra formando um “consórcio” ao lado da Inglaterra. A
campanha de propaganda de guerra de Lippman e Bernays produziu, em seis meses,
uma histeria coletiva anti-alemã tão intensa que marcou definitivamente os
negócios estadunidenses, e o sanguinário Adolf Hitler e outros, com o potencial
da propaganda de larga escala em controlar a opinião pública. Edward Bernays
cunhou os termos “mente coletiva” e “consenso fabricado”, como categorias
usadas na prática da propaganda. As relações públicas é uma derivação direta do
trabalho de Lippman e Bernays e continua a ser usada pelo governo dos Estados
Unidos. Durante a metade do século XX, os próprios Bernays e Lippman tiveram
uma bem-sucedida empresa de relações públicas. A propaganda e publicidade na
Alemanha nazista foram produzidas pelo chamado Ministério da Conscientização
Pública e Propaganda. Joseph Goebbels foi encarregado desse ministério logo
após a ascensão e tomada do poder por Hitler, em 1933.
No
seu primeiro ano à frente do governo do TerceiroReich, Hitler fez cerca de 50
comunicados via rádio, número que é referido quer no estudo de David Welch,
quer no do espanhol Alejandro Quintero. Este autor refere ainda que muitos
destes discursos eram realizados em pleno horário de trabalho, o que obrigava a
que todos os trabalhadores suspendessem as suas funções para ouvirem as
palavras do Führer. O esforço de Goebbels para consolidar o poder da rádio era
enorme. David Welch faz referência a um discurso do Ministro da Propaganda onde
este tece elogios à rádio e aos seus ouvintes. Quando havia discursos de
importantes personalidades do regime transmitidos via rádio, várias colunas
eram espalhadas pelos vários jardins e espaços públicos, fábricas, escritórios
e escolas. Momentos antes de o discurso começar soavam sirenes que serviam de alarme
para que todos parassem suas atividades, e ouvissem a transmissão, numa
perspectiva para promover a união do cidadão comum com a Nação.
A
rádio, desde cedo se tornou o principal meio de difusão da propaganda do Estado
nacional-socialista e de criação e formação de uma única opinião pública. De
forma a personalizar as transmissões, as rádios alemãs associavam aos
diferentes dirigentes nazis e aos seus discursos, diferentes estilos musicais,
de acordo com as suas preferências. Alejandro Pizarroso Quintero também faz
referência a esta questão, tal como o faz David Welch. O teórico
norte-americano refere, a título meramente exemplificativo, que os discursos do
Führer eram precedidos pela sua marcha preferida, a “Baden Weiller”, o discurso
anual que Goebbels fazia em honra de Hitler pela ocasião do seu aniversário era
iniciado após ser transmitido o “Meistersinger” de Wagner. Diz Welch que
Goebbels, com o seu objetivo de alcançar uma só opinião em toda a sociedade
alemã, uma só opinião pública, sempre manteve que era imperativo que a rádio ou,
a “arma espiritual do Estado totalitário”, gozasse da confiança do público, já
que com ele “destruímos o espírito de rebelião”, dizia o Ministro da Propaganda.
Os
jornalistas, escritores e artistas foram convocados para registrarem-se em uma
das câmaras subordinadas ao ministério: imprensa, artes, música, teatro,
cinema, literatura ou rádio. Até o final da Batalha de Stalingrado, em 4 de
fevereiro de 1943, a propaganda alemã enfatizava cuidadosamente o progresso das
tropas alemãs e a humanidade dos soldados alemães para com os povos das nações
e nacionalidades dos territórios ocupados. Em comparação, os ingleses e aliados
eram descritos como assassinos covardes, e os estadunidenses em particular como
sendo bandidos comparativamente como fora considerado Al Capone, Nos estados
Unidos. Ao mesmo tempo, a propaganda alemã procurou afastar os estadunidenses e
os ingleses uns dos outros, e ambos dos soviéticos. Depois de Stalingrado, o tema principal da
propaganda mudou para afirmar a Alemanha como a única defensora da cultura
ocidental Europeia contra as “hordas bolchevistas”. Enfatizou-se a criação das
“armas de vingança” V-1 e V-2 para convencer os bretões da inutilidade em
tentar vencer a Alemanha. Na historiografia consta que Goebbels cometeu suicídio
logo após Adolf Hitler em 30 de abril de 1945. Em seu lugar, fora substituído
por Hans Fritzsche, que havia sido o executivo da Câmara do Rádio, foi julgado
e absolvido pelos Tribunais de Nuremberg. A rejeição da totalidade expressiva hegeliana, que nos marxistas anteriores significava categorias sociais como “determinação e dominância” só do plano de análise reducionista econômico, ganha assim estatuto teórico e respeitabilidade na análise social.
O filósofo Louis Althusser interpreta o político
dominando historicamente sobre (às vezes até contra) o econômico na sociedade.
Isto é importante do ponto de vista analítico e opera uma distinção no âmbito
da formação de uma Teoria das Ideologias. Seu ensaio mais conhecido é “Idéologie
et Appareils Idéologiques d'État”(1970), onde precisa: a) o conceito de
ideologia, e, b) relaciona o marxismo com a psicanálise. A ideologia, deriva
dos conceitos do inconsciente e da “fase do espelho” de Freud e Lacan,
respectivamente, e, c) descrevendo as estruturas e sistemas sociais que
permitem um conceito significativo do Eu. São tanto agentes sociais
de repressão quanto são inevitáveis - é impossível escapar das ideologias ou
não ser-lhes subjugado: a) pela interpelação, b) pelo reconhecimento, c) pela
sujeição e d) os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), são quatro categorias
básicas da teoria.
Portanto, em seu discurso sobre a Ideologia é
patente sua preocupação em encontrar o lugar da “submissão espontânea”, o seu
funcionamento e suas consequências lógicas para o movimento social, conforme a
representação abaixo de sua teoria e prática. A “dominação burguesa” só se
estabiliza pela autonomia dos aparelhos de produção e reprodução isolados. O
mito do Estado, como entidade incorporada pelos cidadãos e como instituição
“acima da sociedade”, aparece também no estruturalismo marxista de Althusser
sob a forma de “a instituição além das classes e soberana”. Os “Aparelhos
Ideológicos do Estado” (AIE) são vistas como a espinha dorsal de sua teoria em
que se descreve uma visão monolítica e de organização social, onde tudo é
rigidamente organizado, planejado e definido pelo Estado, de tal sorte que não
sobra mais nada para os cidadãos. Não há mais nenhuma alternativa a não ser a
resignação weberiana do Estado onipresente e dominante nas sociedades
contemporâneas.
A
visão aparentemente simplista dos aparelhos ideológicos como meros agentes para
garantir o desempenho do Estado e da ideologia atraiu para Althusser as
frequentes críticas de funcionalismo de Merton à Niklas Luhmann. Isto se
deve ao fato social de que ele não inclui nas suas preocupações,
questionamentos sobre o surgimento desses aparelhos ideológicos e sobre sua
lógica historicista. Não há a noção de continuidade histórica e cada fase é uma
fase “em si”, no sentido hegeliano, dentro da qual as diferentes instituições
se articulam, sempre de forma relativa. Assim a igreja - ou a religião -, por
exemplo, não é o resultado de uma sedimentação histórico-cultural de ideias e
visões do mundo, trabalho de séculos dos organizadores da cultura; não! A
igreja é a instituição e seu funcionamento só é captado dentro da lógica
respectiva do momento conjuntural analisado. A dimensão, portanto, da “la
tradition de toutes les générations mortes pèse comme un cauchemar le cerveau
de la vie” desaparece.
Tanto
os Estados Unidos como a União Soviética, utilizaram amplamente a propaganda
durante a Guerra Fria. Os dois lados
usaram filmes, programas de televisão e de rádio para influenciar seus próprios
cidadãos, o outro e as nações do chamado “Terceiro Mundo”. A Agência de
Informação dos Estados Unidos operava a Voz
da América como uma estação oficial do governo. A Rádio Free Europe e a Rádio
Liberty, em parte apoiadas pela Central
Intelligence Agency, emitiam propaganda cinza nas notícias e entretenimento na Europa Ocidental e União Soviética
respetivamente. A disputa ideológica e de fronteira entre a União Soviética e a
República Popular da China resultou em inúmeras operações pós-fronteira. Uma
técnica de propaganda efetivamente desenvolvida durante esse período era a
transmissão “ao contrário”, na qual o programa de rádio era gravado e transmitido
“de trás para frente”.
O
homem que foi o maior símbolo ideológico do terrorismo internacional durante a chamada
Guerra Fria nasceu Illich Ramírez Sánchez em Caracas, em 1949. O pai, um
advogado comunista, deu aos três filhos os nomes de Lenine - os dois irmãos
mais novos de Carlos foram batizados Lenine e Vladimir, apesar do pedido da mãe
para poupar o mais velho. Illich juntou-se à Juventude Comunista do PC
venezuelano aos dez anos e, na década de 1960, terá frequentado um campo de
férias em Cuba onde ensinavam técnicas de guerrilha. Era, portanto, uma lenda do terrorismo internacional. Durante
mais de duas décadas, Carlos, o “Chacal” foi o homem mais procurado pelas
polícias secretas dos países imperialistas ocidentais, comparativamente como
Osama bin Laden, depois dos ataques fatais às duas torres gêmeas (2001). Acusado
de envolvimento em mais de 80 mortes violentas nas décadas de 1970 e 1980 e em
alguns dos mais espetaculares atentados do período da guerra fria, acabou sendo
detido, julgado e condenado à prisão perpétua pelas autoridades francesas.
A
decisão da Justiça francesa de condená-lo à prisão perpétua por um atentado em
1974 no centro de Paris praticamente não alterou Illich Ramírez Sánchez, caracterizado
pelo jornalismo Carlos, o Chacal. Afinal, seriam necessárias várias vidas para
cumprir todas as sentenças que acumula por atos terroristas cometidos nas
décadas de 1970 e 1980, uma época em que a mera menção de seu nome causava
calafrios na direita. Autodenominado ativista da causa palestina, Chacal foi
durante anos um dos terroristas mais procurados do mundo, responsável por
dezenas de mortes e feridos. Uma figura retratada em livros, filmes e que
cultivou uma imagem de vilão glamoroso; seu apelido vem do terrorista criado
por Frederick Forsyth no livro: O Dia do
Chacal (1971). A República Cuba serviu como a maior fonte e objeto de propaganda por estações
tanto “negras” como “brancas”, operadas pela CIA e grupos cubanos exilados. A
Rádio Havana Cuba, por sua vez, difundia propaganda produzida pela Coreia do
Norte, Vietnã do Norte e União Soviética. Entre 1961 e 1965, a Rádio Free Dixie
foi transmitida de Havana para o leste dos Estados Unidos pregando a luta
contra o racismo. Os livros de George Orwell “Animal Farm” (1945) e “Nineteen
Eighty-Four” (1948) são exemplos do uso da propaganda.
Embora não
ambientados na União Soviética, seus personagens vivem em regimes autoritários
nos quais a linguagem é constantemente corrompida para propósitos políticos.
Essas obras foram utilizadas como propaganda explícita. A CIA, por exemplo,
financiou secretamente uma adaptação para cinema de animação do livro “Animal
Farm”, nos anos 1950. Há várias técnicas de propagandas que são utilizadas para
criar mensagens que sejam persuasivas, sejam verdadeiras ou falsas. Muitas
dessas técnicas podem ser baseadas em falácias, já que os publicitários usam
argumentos que, embora às vezes sejam convincentes, não são necessariamente
válidos. Entende-se por “propaganda enganosa” a que induz a
um erro, ao mostrar características e vantagens que um produto não
tem. É importante distinguir a propaganda enganosa abusiva. Esta
é mais grave porque tem a função de induzir o consumidor a um comportamento
prejudicial, incitando à violência, explorando o medo, entre outros.
Grosso modo, pode-se afirmar que a propaganda se refere à “mensagem” a ser
veiculada (“conteúdo”), enquanto a publicidade se refere aos “meios” (o “como”)
essa mensagem será veiculada nos diferentes meios.
Identificar a mensagem da
propaganda é um pré-requisito para estudar os métodos utilizados para divulgação desta mensagem. Métodos usuais
para transmitir mensagens de propaganda incluem noticiários, comunicações
oficiais, revistas, comerciais, livros, folhetos, filmes de propaganda, rádio,
televisão e pôsteres, que relacionem o produto/serviço oferecido às suas
características e custos-benefícios. No caso da divulgação de uma ideia,
categoria ou conceito, o meio utilizado deve corresponder socialmente ao público-alvo da campanha e acompanhado
da linha de pensamento ideológico ou político do seu criador, a fim de
instigar, no público-alvo, o interesse e a aderência à ideia, categoria ou
conceito. Basicamente,
diferenciar os termos publicidade e propaganda não é simples. Publicidade é tornarmos
público uma ideia, sem que isso implique necessariamente em persuasão de quem
recebe essa ideia. Como? A propaganda busca divulgar um produto ou serviço para
que o consumidor o conheça e objetiva induzir o consumidor a comprar o produto
ou serviço. A propaganda atua através dos meios sociais de comunicação
veiculando mensagens sobre produtos ou serviços para diversos nichos do
mercado. Publicidade é uma técnica de
comunicação em massa cuja finalidade precípua é fornecer informações sobre
produtos ou serviços com fins lucrativos e comerciais. É, sobretudo, um meio de
comunicação massificado com o propósito de condicioná-lo para o ato da compra
no mercado de bens simbólicos. A publicidade além de estimular a ação de
compra, estabelecendo a relação emissor-receptor tem o propósito de identificar
um produto ou à empresa; torna os
benefícios do produto e aumenta a convicção racional ou
emocional do consumidor em relação ao produto ou mercadoria.
Bibliografia
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