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sábado, 18 de novembro de 2023

Lena Horne – Cantora Americana, Dançarina & Ativista dos Direitos Civis.

                 “Era uma maldita luta em todos os lugares, em Nova Iorque, em Hollywood”. Lena Mary Calhoun Horne                                        

 Lena Mary Calhoun Horne (1917-2010) foi uma cantora, atriz, dançarina e ativista dos direitos civis americana. A carreira de Horne abrangeu mais de setenta anos e incluiu cinema, televisão e teatro. Lena Horne nasceu em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn filha de Edwin e Edna Horne em 30 de junho de 1917. Ambos os lados de sua família eram multirraciais e tinham ascendência europeia-americana, nativa norte-americana e afro-americana. Ela pertencia à camada superior e bem-educada dos nova-iorquinos negros de seu tempo. Ela viveu os primeiros cinco anos de sua vida em uma casa de tijolos marrons no número 519 da Rua Macon. Lena Horne ingressou no coro do Cotton Club aos dezesseis anos e tornou-se artista de boate antes de seguir para Hollywood e a Broadway. Artista multirracial pioneira, Horne defendeu os direitos civis e participou da Marcha sobre Washington em agosto de 1963. Mais tarde, retornou às suas raízes como artista de boate e continuou trabalhando na televisão, enquanto lançava álbuns aclamados pela crítica. Ela anunciou sua aposentadoria em março de 1980, mas no ano seguinte estrelou um espetáculo solo, Lena Horne: The Lady and Her Music, que ficou em cartaz por mais de 300 apresentações na Broadway. Em seguida, excursionou pelo país com o show, ganhando inúmeros prêmios e reconhecimentos. Horne continuou gravando e se apresentando esporadicamente até a década de 1990, afastando-se dos holofotes em 2000.

Horne esteve envolvida por muito tempo com o movimento pelos direitos civis. Em 1941, ela cantou no Café Society, o primeiro local integrado da cidade de Nova York, e trabalhou com Paul Robeson (1898-1976). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ao entreter as tropas para a United Service Organizations (USO), ela se recusou a se apresentar "para plateias segregadas ou para grupos em que prisioneiros de guerra alemães estivessem sentados na frente de militares negros", de acordo com sua biografia no Kennedy Center. Como o Exército dos EUA se recusava a permitir plateias integradas, ela apresentou seu show para uma plateia mista de soldados negros americanos e prisioneiros de guerra alemães brancos. Vendo que os soldados negros haviam sido forçados a sentar-se nos assentos de trás, ela desceu do palco para a primeira fila, onde os soldados negros estavam sentados, e se apresentou com os alemães atrás dela. No entanto, a USO observou, na época de sua morte, que Horne de fato fez turnês "extensas com a USO durante a Segunda Guerra Mundial na Costa Oeste e no Sul”. A organização também a homenageou pelas participações nos programas do Serviço de Rádio das Forças Armadas, Jubilee, GI Journal e Command Performances. No filme Stormy Weather (1943), também cantava a música-tema do filme como parte de um grande show com várias estrelas para soldados da Segunda Guerra Mundial. Depois de deixar a USO em 1945, Horne financiou “por conta própria turnês por acampamentos militares”.

A Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) é uma organização americana de direitos civis. Foi fundada em 1909, na sequência do Movimento Niagara, criado em 1905 por W.E.B. Du Bois. Em 1910 a NAACP lançou uma revista mensal, The Crisis, sua principal publicação. Em sua área é uma das organizações mais antigas e influentes dos Estados Unidos. Sua missão é “garantir a igualdade de direitos políticos, educacionais, sociais e econômicos para todos os cidadãos e eliminar o ódio racial e a discriminação racial”. Seu nome, preservado pela tradição, constitui um dos últimos exemplos do uso da expressão “pessoas de cor”. A NAACP concede anualmente o “Prêmio Image por realizações nas artes e no entretenimento”, bem como a Medalha Spingarn, que reconhece um afro-americano por suas contribuições excepcionais. Horne estava em um comício da NAACP com Medgar Evers (1925-1963) em Jackson, Mississippi, no fim de semana anterior ao assassinato de Evers. Na Marcha sobre Washington, ela discursou e se apresentou em nome da NAACP, do SNCC e do Conselho Nacional de Mulheres Negras. Ela também trabalhou com Eleanor Roosevelt (1884-1962) em tentativas de aprovar leis contra o linchamento. Tom Lehrer a menciona em sua canção “National Brotherhood Week” no verso “Lena Horne e o Xerife Clark estão dançando rosto a rosto”, referindo-se (irônica) a ela e ao Xerife Jim Clark, de Selma, Alabama, que foi responsável por ataque contra manifestantes em 1965. Em 1983, a NAACP concedeu-lhe a Medalha Spingarn.                                       


Anna Eleanor Roosevelt foi primeira-dama dos Estados Unidos de 1933 a 1945. Apoiou a política do New Deal, criada por seu marido e primo de quinto grau, o presidente Franklin Delano Roosevelt, e tornou-se grande defensora dos direitos humanos. Após a morte do marido, em 1945, Roosevelt continuou a ser uma defensora, porta-voz, ativista internacional para a coalizão do New Deal. Trabalhou para melhorar a situação das mulheres trabalhadoras, embora tenha sido contra a política dos direitos iguais, pois acreditava que ela afetaria negativamente as mulheres. Nos anos 1940, Eleanor foi uma das cofundadoras da França Freedom House e apoiou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1943, Roosevelt criou a United Nations Association of the United States of America para dar suporte estratégico à criação da ONU. Foi diplomata e embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman (1884-1972). Durante o seu tempo na Organização das Nações Unidas presidiu a comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). O presidente Truman apelidou-a de “Primeira-dama do Mundo” em homenagem a suas conquistas referentes aos direitos humanos.  Uma figura ativa na política durante toda a sua vida, Eleanor Roosevelt presidiu a comissão da inovadora administração de John F. Kennedy (1917-1963) que deu início a segunda onda do feminismo, a Comissão Presidencial sobre o Status da Mulher. Seu tio, Theodore Roosevelt, foi duas vezes presidente dos Estados Unidos da América.

Eleanor Roosevelt tinha ancestrais neerlandeses. Em meados de 1902, Franklin Roosevelt começou a cortejar sua futura esposa. Primos de quinto grau, conheceram-se durante a infância; Eleanor era sobrinha de Theodore Roosevelt. Eles começaram a trocar correspondências em 1902 e, em outubro de 1903, a pediu em casamento. Em 17 de março de 1905, Roosevelt se casou com Eleanor em Nova Iorque, apesar da forte resistência de sua mãe. Sara Roosevelt era muito possessiva com seu filho, acreditando que ele era jovem demais para se casar; contudo, Eleanor não a desagradava. Por várias vezes, tentou fazer com que o casal rompesse o noivado. Durante o casamento, o tio de Eleanor, presidente Theodore Roosevelt, conduziu a noiva até o altar, visto que seu pai, Elliott, havia morrido. A segunda onda do feminismo é um período de atividade feminista que começou na década de 1960 nos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo ocidental e além. Ela foi precedida pela primeira onda do feminismo e sucedida pela terceira onda do feminismo. Nos Estados Unidos, o movimento durou até o início da década de 1980, tornando-se mais tarde um movimento mundial, especialmente forte na Europa e em partes da Ásia, como na Turquia e em Israel, onde começou na década de 1980.

 

Enquanto a primeira onda do feminismo era focada principalmente no sufrágio e na derrubada de obstáculos legais à igualdade de gênero, ou seja, direito ao voto, direitos de propriedade, etc., a segunda onda do feminismo ampliou o debate público para uma ampla gama de questões, a saber: sexualidade, família, mercado de trabalho, direitos reprodutivos, desigualdades de facto e desigualdades legais. Além de alcançarem grandes avanços no que se refere à igualdade nos âmbitos profissionais, militares, nos meios de comunicação e nos esportes, este movimento também chamava a atenção para a “violência doméstica e problemas de estupro conjugal, além de lutar pela criação de abrigos para mulheres maltratadas e por mudanças nas leis de custódia e divórcio”. Muitas historiadoras veem o fim da segunda onda feminista nos Estados Unidos no início dos anos 1980, com as disputas intra-feministas sobre temas como sexualidade e pornografia, que levou a inauguração da terceira onda do feminismo, no início da década de 1990. Após o casamento, o jovem casal se mudou para Springwood, em Hyde Park. A casa era de propriedade de Sara Roosevelt até sua morte em 1941; Sara também morava lá. Franklin e sua mãe fizeram o planejamento e o mobiliário de uma casa que ela construiu para o jovem casal na cidade de Nova Iorque; ao lado desta, Sara construiu uma casa igual para ela. 

Eleanor nunca se sentiu em casa nas residências de Hyde Park ou Nova Iorque, mas adorava a casa de férias da família na Ilha Campobello, a qual Sara deu ao casal. O movimento social dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos foi a campanha por direitos civis e igualdade para a comunidade afro-americana nos Estados Unidos. Os negros foram escravizados nos EUA de 1619, trazidos da África por colonos ingleses, até 1863, com o fim da Guerra Civil, a Proclamação de Emancipação e o início da Reconstrução Americana. A escravidão foi a base da economia dos estados do Sul, e marcou profundamente as relações sociais nessa região. Todavia, a situação legal dos negros permaneceu por longo tempo inferior à dos demais cidadãos, com as leis Jim Crow, que foram aplicadas entre 1877 e 1964, a segregação racial, a doutrina “separados, mas iguais” e a atuação supremacista da Ku Klux Klan. Embora a Constituição americana garantisse direitos fundamentais a todos os cidadãos desde 1787, os negros tinham prerrogativas legais negadas por legislações estaduais, com base no princípio dos direitos dos estados. A doutrina da incorporação, a partir de 1873, levou à gradual extensão dos direitos constitucionais fundamentais para todos os cidadãos. Na virada do século, líderes como William Edward Burghardt Du Bois (1868-1963), sociólogo, historiador, escritor e editor norte-americano, socialista, ativista pelos direitos civis e pan-africanista. Nascido no interior do estado de Massachusetts, reconhecido por sua história colonial, Du Bois cresceu em uma comunidade tolerante e integrada criou a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, e da igualdade racial e do progresso da comunidade negra.

A decisão do caso Brown v. Board of Education na Suprema Corte americana, em 1954, foi o fundamento legal para o fim da segregação racial. Rosa Parks liderou, no ano seguinte, o boicote aos ônibus de Montgomery. Na década de 1960, Malcolm X, com um discurso mais virulento, e Martin Luther King Jr., um pacifista, reclamaram o fim da discriminação institucional. A marcha sobre Washington e a concessão do Prêmio Nobel da Paz a King em 1964 trouxeram atenção mundial para a causa afro-americana. A Lei de Direitos Civis de 1964 e a Lei dos Direitos ao Voto de 1965, ambas promovidas pelo presidente Lyndon B. Johnson, do Partido Democrata, codificaram as conquistas dos negros. Elas asseguraram o fim da segregação racial em espaços públicos, ainda que sejam propriedade privada, e o voto universal, independentemente de nível educacional ou condição social. A discriminação étnica e o racismo são características marcantes da sociedade estado-unidense desde os tempos coloniais. As principais questões que se discutem sobre a era colonial são as diferenças políticas e econômicas entre as colônias do norte e as do Sul, enquanto as primeiras se basearam no sistema de colonização de povoamento ou de ocupação, as últimas foram comandadas sob o de colonização de exploração. O sistema de colonização exploratório das colônias sulinas, com economia centrada no regime plantation, difundiu-se através de um sistema de clima favorável ao seu desenvolvimento: verões extremamente quentes com chuvas regulares.

Os Cavaleiros da Camélia Branca, nome aparentemente devido à camélia, um tipo de flor que foram fundados pelo Coronel do Exército dos Estados Confederados, Alcibíades De Blanc (1821-1883), em 22 de maio de 1867, em Franklin, Louisiana. O autor Christopher Long declarou: “Seus membros se comprometeram a apoiar a supremacia da raça branca, a se opor à miscigenação das raças, a resistir à invasão social e política dos chamados carpetbaggers e a restaurar o controle branco do governo”. O historiador Nicholas Lemann os chama de a principal organização terrorista da Louisiana. Suas táticas que incluíam “perseguição, açoites e, às vezes, assassinatos”, também “produziram um reinado de terror entre a população negra do estado durante o verão e o outono de 1868”. O número estimado de mortos em sua campanha de terror pode ter chegado a 1.800, com um número ainda maior de feridos. O duplo assassinato do juiz pró-republicano Valentine Chase (1869-1937) e do xerife Henry Horátio Pope (1838-1868) da Paróquia de St. Mary pode ter sido cometido por eles. Os capítulos existiam na parte Sul do Deep South. George C. Rable observou que, “embora os republicanos vissem evidências de uma conspiração maciça nesses ultrajes, na Louisiana e em outros lugares, os terroristas brancos não estavam organizados além do nível local”. 

Do ponto de vista da divisão do trabalho social um objetivo adicional do grupo era impedir que a mão de obra agrícola dos libertos deixasse as plantações. Ao contrário da Ku Klux Klan, que tinha grande parte de seus membros entre os sulistas originários de classe baixa, principalmente veteranos confederados, a White Camélia era formada principalmente por sulistas de classe alta, incluindo médicos, proprietários de terras, Editores de jornais e oficiais. Em geral, eles também eram veteranos confederados, a parte superior da sociedade antebellum. Ela começou a declinar, apesar de uma convenção em 1869. As pessoas mais agressivas se juntaram à White League ou a organizações paramilitares semelhantes que se organizaram em meados da década de 1870 os Cavaleiros da Camélia Branca originais haviam quase deixado de existir. Entre seus membros estava o juiz da Louisiana Taylor Beattie (1837-1920), que liderou o Massacre de Thibodaux em 1887. O Massacre de Thibodaux foi um episódio de violência da supremacia branca que ocorreu em Thibodaux, Louisiana, em 23 de novembro de 1887. Ele ocorreu após uma greve de três semanas durante a crítica temporada de colheita, na qual cerca de 10.000 trabalhadores protestaram contra as condições de vida e trabalho insalubre existentes nas plantações de cana-de-açúcar em quatro paróquias: Lafourche, Terrebonne, St. Mary e Assumption. A greve foi a maior greve da história da indústria e também foi a primeira greve a ser conduzida e coordenada pela organização trabalhista formal, os Knights of Labor. A pedido dos mandatários racistas plantadores, o estado enviou a milícia para proteger os reacionários fura-greves de ataques de emboscada por grevistas, e o trabalho foi retomado em tais plantações.

Trabalhadores negros e suas famílias foram despejados das plantações nas paróquias de Lafourche e Terrebonne e recuaram para Thibodaux. As tensões explodiram em violência em 21 de novembro de 1887, quando um “homem branco desconhecido” entrou em um bar de propriedade de negros e matou um trabalhador negro e feriu outro. A violência continuou em 23 de novembro de 1887, quando cinco guardas da cidade foram emboscados e dois feridos e as forças paramilitares brancas locais responderam atacando trabalhadores negros e suas famílias. Embora o número total de vítimas seja desconhecido, o consenso é que pelo menos 35 negros foram mortos durante os três dias seguintes (alguns historiadores estimam que 50 negros foram mortos) e o total de mortos, feridos e desaparecidos foi estimado em centenas, o que a torna uma das disputas trabalhistas mais violentas da história dos Estados Unidos da América. As vítimas incluíam idosos, mulheres e crianças. As pessoas que foram mortas eram afro-americanas. O massacre e a aprovação de legislação discriminatória pelos democratas brancos, incluindo a privação de direitos humanos, e a questão dos direitos da maioria dos negros, acabaram com a organização dos trabalhadores do açúcar por décadas, até a década de 1940. De acordo com o historiador John C. Rodrigues, “os trabalhadores do açúcar derrotados retornaram às plantações nos termos de seus empregadores”.           

A colheita e o processamento da cana-de-açúcar compreendiam uma série complexa de etapas que precisavam ser coordenadas de perto por uma grande força de trabalho que era forçada a trabalhar até o ponto de exaustão física. As plantações de açúcar eram chamadas de “fábricas no campo” e seus trabalhadores morriam em alta taxa durante a era da escravidão. As condições melhoraram pouco após a Reconstrução. Uma questão importante surgiu no início da década de 1880, quando os proprietários das plantações começaram a cortar salários e a forçar os trabalhadores da cana a aceitarem vale-transporte como pagamento devido ao declínio do mercado internacional de açúcar. Esses “tíquetes de papelão” eram resgatáveis ​​apenas nas lojas da empresa, que operavam com altas margens de lucro. À medida que a plantação mantinha os livros, os trabalhadores frequentemente analfabetos ficavam cada vez mais presos a dívidas e incapazes de se libertar. Exigidos por lei a pagar a dívida, os trabalhadores ficaram essencialmente presos à plantação em um estado semelhante à escravidão. A maioria dos trabalhadores da cana de açúcar era negra, mas também havia um determinado número de trabalhadores brancos. Os Cavaleiros do Trabalho usaram a emissão de vales-transportes para organizar os trabalhadores, e milhares se juntaram ao grupo.

Em outubro de 1877, Duncan F. Kenner (1813-1887), um milionário plantador, fundou a Associação de Produtores de Açúcar da Louisiana (LSPA), composta por 200 dos maiores plantadores do Estado, e atuou como presidente. A poderosa LSPA pressionou o governo federal por tarifas de açúcar, financiamento para apoiar diques para proteger suas terras e pesquisas para aumentar a produtividade das colheitas. Na década seguinte, esses membros também trabalharam para obter controle sobre seu trabalho. Eles adotaram uma escala de pagamento uniforme e retiveram 80 por cento dos salários até o final da temporada de colheita, a fim de manter os trabalhadores nas plantações até o final da temporada. Eles acabaram com o sistema de “empregos”. Os maiores plantadores, que mantinham lojas, exigiam que os trabalhadores “aceitassem pagamento em vales, resgatáveis​​apenas em suas lojas”. Os trabalhadores resistiram, organizando algumas ações anuais contestando alguma parte do programa da LSPA. O governo estadual apoiou os poderosos plantadores, enviando milícias estaduais quando os plantadores usaram mão de obra de condenados arrendados de prisões para colher e processar a cana.  Em 1887, os Knights of Labor organizaram uma grande greve de açúcar de três semanas “guerra de movimento” e “guerra de posição” contra as plantações de cana nas paróquias de Lafourche, Terrebonne, St. Mary e Assumption.

A maioria das plantações estava ociosa. A greve foi organizada pela organização nacional Knights of Labor, que havia estabelecido a Assembleia Local 8404 em Schriever no ano anterior. Em outubro, os representantes dos trabalhadores apresentaram reivindicações à LSPA que incluíam um aumento dos salários para 1,25 dólares por dia, pagamentos quinzenais e pagamento em moeda em vez dos “bilhetes de cartão”, ou vales, resgatáveis ​​apenas nas lojas da empresa. Como a LSPA ignorou as demandas, os Knights of Labor convocaram a greve para 1º de novembro, programada para coincidir com o crítico “período de rolamento” da safra, quando ela tinha que ser colhida e processada. A paralisação do trabalho ameaçou toda a colheita de cana-de-açúcar do ano. A greve de 1887 foi a maior ação trabalhista do setor, envolvendo cerca de 10.000 trabalhadores, um décimo dos quais eram brancos. Foi a primeira vez que uma organização trabalhista formal liderou uma greve nesta região. Os plantadores apelaram ao governador da Louisiana, Samuel Douglas McEnery, que também era plantador. McEnery, declarando: “Deus Todo-Poderoso traçou ele mesmo a linha de cor”, convocou dez companhias de infantaria e uma companhia de artilharia da milícia estadual, enviando esta última para Thibodaux, a sede da paróquia e “coração da greve”. Eles deveriam proteger os fura-greves e reprimir os grevistas; eles despejaram os trabalhadores das moradias das plantações. A milícia reprimiu os grevistas na Paróquia de St. Mary, resultando em “até vinte pessoas” mortas ou feridas em 5 de novembro na vila negra de Pattersonville.  A milícia protegeu cerca de 800 trabalhadores contratados trazidos para Terrebonne Parish e ajudou a capturar e prender 50 grevistas, a maioria por atividades sindicais.

A greve fracassou ali, e os trabalhadores retornaram às plantações.  Muitos dos trabalhadores negros em Lafourche Parish recuaram após o despejo para a seção residencial negra lotada de Thibodaux, e a milícia estadual se retirou. Eles deixaram para as autoridades locais administrarem a partir daí. Em 1939, a Time informou que o antissemita George E. Deatherage, da Virgínia Ocidental, estava se descrevendo como o “comandante nacional dos Cavaleiros da Camélia Branca”. Na década de 1990, um grupo da Ku Klux Klan, com sede no leste do Texas, adotou o nome. Segundo o livro Soldiers of God, a Camélia Branca da nova era tem uma forte influência em Vidor, Texas. Desde o retorno do nome White Camelia, os chamados grupos da Klan “White Camelia” (às vezes grafados como “Kamelia”) também surgiram na Louisiana e na Flórida. Na linguagem teórica, as palavras e expressões, ipso facto, funcionam como conceitos teóricos. Mas em sua periodização histórica, teórica e ideológica as palavras e expressões funcionam sempre de forma distinta, porque se referem a concepção de uma determinada teoria da história. A dificuldade própria da terminologia teórica consiste, pois, em que, por detrás do significado usual da palavra, é preciso sempre discernir o seu significado conceptual, que é sempre diferente do significado usual corrente nas fontes, nas atas, nos documentos oficiais, no âmbito da formação discursiva. Na sua significação mais geral deve nos permitir a compreensão que tem por efeito o conhecimento de um objeto: a narrativa da história. É assim que, sem temor a erro, podemos afirmar, que a história abstrata ou em geral não existem, no sentido exato do termo, de objetos concretos e singulares que enformam a experiência da vida cotidiana da humanidade.  

Esse tipo de agricultura propiciou o surgimento de uma oligarquia forte, com estreitos laços comerciais e políticos com o exterior, impulsionando a hierarquização da sociedade e, por isso, o tráfico de escravos passou a ser um dos principais métodos de obtenção de mão-de-obra nas colônias sulinas a partir do início do século XVIII. Durante esse mesmo século, a população norte-americana sofreu um forte aumento populacional advindo do tráfico negreiro para o cultivo de algodão, milho e tabaco. O modelo de economia agrário do Sul fez com que este se tornasse uma sociedade essencialmente arraigada ao campo, trazendo consequências diretas para o seu desenvolvimento econômico e social. A industrialização aconteceu de forma tardia na região em comparação com o Norte, devido à não acumulação de capital imobiliário, pois a classe detentora do poder não “arriscou” a troca de seus escravos para as áreas industriais, temendo um ganho extremamente inferior ao da agricultura de exportação, bem como adiou a própria abolição da escravatura. As diferenças entre o norte e o sul dos Estados Unidos marcaram a Guerra Civil Americana (1861-1865). A guerra surgiu quando os estados sulistas se uniram e declararam sua separação do resto do país, criando os Estados Confederados da América. Do outro lado, estava a União, representada pelos estados que eram contrários ao sistema escravista. A União venceu a guerra, deixando milhares de mortos e fazendo a economia estagnar. Famílias de aristocratas perderam suas fortunas, muitas cidades entraram em declínio e a pobreza aumentou.

  

Este cenário fez com que o período da escravidão fosse lembrado de forma positiva por grande parte da população local, resultando no surgimento de organizações de supremacia branca. A mais famosa dessas organizações racistas, a Ku Klux Klan, foi responsável por realizar atos de ódio contra os negros, centenas de pessoas foram perseguidas, linchadas, espancadas e mortas pelo grupo. Além da atuação de grupos de supremacistas, também se destacaram atos de linchamento promovidos pela população contra pessoas afro-americanas, muitos não chegaram a ser julgados nos sistemas de justiças dos municípios onde ocorriam e foram anunciados em jornais. As Leis Jim Crow foram um conjunto de leis estaduais promulgadas nos estados do Sul que institucionalizavam a segregação racial em seus territórios. Após a Guerra de Secessão, o então presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln assinou a Proclamação de Emancipação, lei que aboliu a escravidão no país. Porém, essa lei não realizou mudanças significativas na situação social dos negros da região sul, fazendo com que muitos deles vivessem em situação de pobreza e voltassem a trabalhar para seus antigos senhores. Segundo Alexis de Tocqueville, os negros antes da abolição eram tratados com uma certa benignidade e até compaixão, ele também chegou a dizer que “o preconceito que repele os negros parece crescer à proporção que os negros deixam de ser escravos, e a desigualdade grava-se nos costumes à medida que se apagam das leis”. 

A expressão “Jim Crow” era utilizada de forma pejorativa para se referir a qualquer negro nos Estados Unidos de então. Entre as questões em que essas leis impunham restrições à população afro-americana se destacaram: o direito de votar, que era restrito, e o casamento inter-racial, que chegou a ser proibido. Além disso, as leis determinavam a criação de instalações separadas para brancos e negros em estabelecimentos comerciais e até nas escolas e transporte públicos. As leis Jim Crow perderam validade legal após as Lei de Direitos Civis de 1964. O biógrafo James MacGregor Burns (1918-2014) escreveu que o jovem Roosevelt era seguro de si e à vontade na classe alta. Em contraste, Eleanor na época era tímida e não gostava da vida social, ficando em casa para criar seus vários filhos. Como seu pai, deixou a criação dos filhos para sua esposa, enquanto Eleanor, por sua vez, dependia em grande parte de cuidadores contratados para criá-los. Referindo-se à sua experiência inicial como mãe, ela afirmou posteriormente que não sabia “absolutamente nada sobre como lidar ou alimentar um bebê”. Embora Eleanor tivesse aversão à relação sexual e a considerasse “uma provação a ser suportada”, ela e Franklin tiveram seis filhos: Anna, James e Elliott nasceram em 1906, 1907 e 1910, respectivamente. O segundo filho do casal, Franklin, morreu na infância em 1909. Outro filho, também chamado Franklin, nasceu em 1914, e o filho mais novo, John, nasceu em 1916. Roosevelt teve vários casos extraconjugais, incluindo um com a secretária de Eleanor, Lucy Mercer, que começou logo depois que ela foi contratada no início de 1914. Em setembro de 1918, Eleanor encontrou na bagagem do marido cartas revelando o caso. Franklin pensou em se divorciar de Eleanor, mas Sara se opôs fortemente e Lucy não concordaria em se casar com um homem divorciado com cinco filhos. Franklin e Eleanor continuaram casados, e ele prometeu nunca mais ver Lucy. Eleanor provavelmente nunca mais o perdoou verdadeiramente, e o casamento deles a partir de então foi mais uma parceria política.

 Eleanor logo depois estabeleceu uma casa separada em Hyde Park, e cada vez mais se dedicou a várias causas sociais e políticas de forma independente ao marido. A ruptura emocional no casamento foi tão profunda que, quando Roosevelt pediu a Eleanor em 1942 que voltasse para casa e morasse com ele novamente—devido à sua saúde debilitada -, ela recusou. Roosevelt nem sempre estava ciente de quando a esposa visitava a Casa Branca, a residência oficial e principal local de trabalho do Presidente dos Estados Unidos, sendo, ao mesmo tempo, a sede oficial do poder executivo. Localiza-se na Avenida Pensilvânia, nº 1 600 em Washington D.C., o edifício foi construído no período compreendido entre 1792 e 1800, pintado de arenito esbranquiçado no estilo georgiano e tem sido a residência executiva de todos os presidentes americanos desde o mandato de John Adams. O edifício foi expandido por Thomas Jefferson, que ali se instalou em 1801, com o auxílio do arquiteto Benjamin Henry Latrobe, através da criação de duas colunas, cada uma das quais destinada a dissimular estábulos e armazéns, e, por algum tempo, a primeira-dama não conseguiu contatá-lo por telefone sem a ajuda de sua secretária; Roosevelt, por sua vez, não visitou o apartamento de Eleanor em Nova Iorque até o final de 1944. Franklin quebrou sua promessa com Eleanor de se abster de ter novos casos extraconjugais. Ele e Lucy continuaram trocando correspondências e começaram a se ver novamente em 1941, ou talvez mais cedo. Lucy estava com Roosevelt no dia em que morreu em 1945. Apesar disso, o caso extraconjugal do presidente não foi amplamente reconhecido até a década de 1960. O filho de Roosevelt, Elliott, afirmou que seu pai teve um caso com sua secretária particular, Marguerite Missy LeHand, durante vinte anos.

Horne era uma democrata registrada e em 20 de novembro de 1963, ela, juntamente com o presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), John Bailey, Carol Lawrence, Richard Adler, Sidney Salomon, a vice-presidente do DNC, Margaret B. Price, e a secretária do DNC, Dorothy Vredenburgh Bush, visitou John F. Kennedy na Casa Branca, dois dias antes de seu assassinato. Horne casou-se com Louis Jordan Jones, um operador político, em janeiro de 1937 em Pittsburgh. Em 21 de dezembro de 1937, nasceu sua filha, Gail. Eles tiveram um filho, Edwin Jones, que morreu de doença renal. Horne e Jones se separaram em 1940 e se divorciaram em 1944. O segundo casamento de Horne, em dezembro de 1947 em Paris, foi com Lennie Hayton, que era diretor musical e um dos principais maestros e arranjadores musicais da MGM. Eles se separaram no início da década de 1960, mas nunca se divorciaram. Ele morreu em 1971. Em sua autobiografia Lena, escrita por Richard Schickel, Horne relata as enormes pressões que ela e seu marido enfrentaram como um casal interracial. Mais tarde, ela admitiu em uma entrevista na Ebony de maio de 1980 que havia se casado com Hayton para impulsionar sua carreira e quebrar a barreira racial no show business, mas “aprendeu a amá-lo muito”.

  

Horne teve casos com o campeão de pesos pesados ​​de longa data Joe Louis, o músico e ator Artie Shaw, o ator Orson Welles e o diretor Vincente Minnelli. Horne também teve um relacionamento longo e próximo com Billy Strayhorn, com quem ela disse que teria se casado se ele fosse heterossexual. Ele também foi um importante mentor profissional para ela. Entre seus amigos próximos estava o autor Rex Stout (1886-1975), criador da série de mistério com o detetive fictício Nero Wolfe. Ela conheceu Stout no início da década de 1950, quando suas filhas eram colegas em um internato quaker no interior do estado de Nova York. Em 1996, Horne escreveu a introdução para uma nova edição do romance de Stout, Champagne for One. A roteirista Jenny Lumet, reconhecida por seu premiado roteiro Rachel Getting Married, é neta de Horne, filha do cineasta Sidney Lumet e da filha de Horne, Gail. Seus outros netos incluem a outra filha de Gail, Amy Lumet, e os quatro filhos de seu filho, Thomas, William, Samadhi e Lena. Seus bisnetos incluem Jake Cannavale. Horne era católica. De 1946 a 1962, ela residiu em St. Albans, Queens, Nova York, um enclave de afro-americanos prósperos, onde contava entre seus vizinhos Count Basie, Ella Fitzgerald e outras luminárias do jazz. Na década de 1980, ela se mudou para o quinto andar do Volney, um hotel transformado em cooperativa, no n° 23 da East 74th Street. Lena Horne morreu de insuficiência cardíaca congestiva aos 92 anos em 9 de maio de 2010. Seu funeral ocorreu na Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Nova York, da qual ela era membro. Milhares de pessoas se reuniram, incluindo Leontyne Price, Dionne Warwick, Liza Minnelli, Jessye Norman, Chita Rivera, Cicely Tyson, Diahann Carroll, Leslie Uggams, Lauren Bacall, Robert Osborne, Audra McDonald e Vanessa Williams. Seus restos mortais foram cremados.

O pai de Horne, Edwin Fletcher “Teddy” Horne Jr., antigo proprietário de um hotel e restaurante, era jogador. Teddy Horne deixou a família quando Lena tinha três anos e mudou-se para uma comunidade afro-americana de classe média alta no bairro de Hill District, em Pittsburgh, Pensilvânia. Sua mãe, Edna Louise Scottron (1894-1976), era atriz de uma companhia de teatro negra e viajava muito. A avó materna de Edna, Amelie Louise Ashton (1814-1871), era do Senegal moderno. Horne foi criada principalmente por seus avós paternos, Cora Calhoun e Edwin Horne. Quando Horne tinha cinco anos, foi morar na Geórgia. Durante vários anos, viajou com a mãe. De 1927 a 1929, morou com o tio, Frank S. Horne. Ele era o reitor de alunos do Fort Valley Junior Industrial Institute (parte da Fort Valley State University) em Fort Valley, Geórgia, e mais tarde como conselheiro do presidente Franklin Delano Roosevelt. De Fort Valley, a Sudoeste de Macon, Horne mudou-se brevemente para Atlanta com a mãe; elas retornaram a Nova York quando Horne tinha doze anos, após o que Horne frequentou a St. Peter Claver School no Brooklyn. Horne então frequentou a Girls High School, uma escola pública só para meninas no Brooklyn, que mais tarde se tornou a Boys and Girls High School; ela abandonou os estudos aos 16 anos. Aos 18 anos, mudou-se para a casa de seu pai em Pittsburgh, ficando no bairro de Hill District por quase cinco anos e aprendendo música com os nativos de Pittsburgh Billy Strayhorn e Billy Eckstine, entre outros.

No outono de 1933, Horne juntou-se ao corpo de baile do Cotton Club no Harlem (Nova Iorque), que na época contava com alguns artistas negros, mas uma plateia exclusivamente branca. Na primavera de 1934, ela teve um papel de destaque no Cotton Club Parade, estrelado por Adelaide Hall, que a apadrinhou. Horne fez sua primeira participação no cinema como dançarina no curta-metragem musical Cab Calloway`s Jitterbug Party (1935).  Alguns anos depois, Horne juntou-se à Orquestra de Noble Sissle, com a qual fez turnês e gravou seus primeiros discos, lançados pela Decca. Após se separar de seu primeiro marido, Horne fez turnê com o líder da banda Charlie Barnet em 1940-41, mas não gostou das viagens e deixou a banda para trabalhar no Café Society em Nova Iorque. Ela substituiu Dinah Shore como vocalista principal na popular série de jazz da NBC, The Chamber Music Society of Lower Basin Street. Os maestros residentes do programa, Henry Levine e Paul Laval, gravaram com Horne em junho de 1941 para a RCA Victor. Horne deixou o programa depois de apenas seis meses, quando foi contratada pelo ex-gerente do Café Trocadero (Los Angeles), Felix Young, para se apresentar em uma revista no estilo do Cotton Club na Sunset Strip em Hollywood. Horne já tinha dois filmes de baixo orçamento em seu currículo: um longa-metragem musical chamado The Duke Is Tops (1938), posteriormente relançado com o nome de Horne acima do título como The Bronze Venus; e um curta-metragem de dois rolos, Boogie Woogie Dream (1941), com os pianistas Pete Johnson e Albert Ammons. As canções de Horne de Boogie Woogie Dream foram posteriormente lançadas individualmente como soundies.

Horne fez sua estreia em casas noturnas de Hollywood no Little Troc de Felix Young, na Sunset Strip, em janeiro de 1942. Algumas semanas depois, ela assinou contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer. Em novembro de 1944, ela participou de um episódio da popular série de rádio Suspense, como “uma cantora de boate fictícia, com um grande papel falado além de cantar”. Em 1945 e 1946, ela cantou com a Orquestra de Billy Eckstine. Ela estreou na Metro-Goldwyn-Mayer em Panama Hattie (1942) e interpretou a canção-tema de Stormy Weather (1943), vagamente baseado na vida de Adelaide Hall (1901-1993), para a empresa 20th Century Fox, enquanto estava emprestada pela MGM. Participou de vários musicais da MGM, incluindo Cabin in the Sky (1943), com um elenco inteiramente afro-americano. Fora isso, não conseguiu papéis principais devido à sua etnia e ao fato de seus filmes precisarem ser reeditados para serem exibidos em cidades onde os cinemas não exibiam filmes com atores negros. Como resultado, a maioria das participações de Horne nos filmes consistia em sequências isoladas, sem relação com o restante da trama, de modo que a edição não interferia no enredo. Uma cena de Cabin in the Sky, um filme norte-americano de 1943, do gênero comédia fantástico-musical, dirigido por Vincente Minnelli e Busby Berkeley foi cortada antes do lançamento por ser considerada muito sugestiva pelos censores: Horne cantando “Ain`t It the Truth” enquanto tomava um banho de espuma. Essa cena e a música aparecem no filme That`s Entertainment! III (1994), que também contou com comentários de Horne sobre ter sido excluída antes do lançamento do filme. Horne foi a primeira afro-americano eleito para o conselho de diretores do Screen Actors Guild.

               

O Screen Actors Guild era um sindicato americano que representava mais de 100.000 atores principais e figurantes de cinema e televisão em todo o mundo. Em 30 de março de 2012, a liderança do sindicato anunciou que os membros do SAG votaram pela fusão com a American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA) para criar o SAG-AFTRA. De acordo com a Declaração de Missão do SAG, o Sindicato procurou: negociar e fazer cumprir acordos coletivos que estabeleçam níveis equitativos de remuneração, benefícios e condições sociais de trabalho para os seus artistas; cobrar compensação pela exploração de gravações de performances dos seus membros e fornecer proteção contra o uso não autorizado dessas performances; e preservar e expandir as oportunidades de trabalho para os seus membros. O Sindicato foi fundado em 1933 em um esforço para eliminar a exploração dos atores de Hollywood, que eram forçados a aceitar contratos opressivos de vários anos com os principais estúdios de cinema. A oposição a esses contratos incluía o fato de que eles não continham restrições quanto ao horário de trabalho ou períodos mínimos de descanso e, frequentemente, tinham cláusulas que se renovavam a critério dos estúdios. Esses contratos eram notórios por permitirem que “os estúdios ditassem a vida pública e privada dos artistas que os assinavam, e a maioria não previa a possibilidade de o artista rescindir o contrato”.

Em Ziegfeld Follies (1946), ela interpretou “Love”, de Hugh Martin e Ralph Blane. Horne fez lobby para o papel de Julie LaVerne na versão da MGM de Show Boat (1951), tendo já interpretado o papel quando um segmento de Show Boat foi apresentado em Till the Clouds Roll By, mas perdeu o papel para Ava Gardner (1922-1990), uma amiga na vida real. Horne alegou que isso se devia à proibição do Código de Produção sobre relacionamentos interraciais em filmes, embora fontes da MGM afirmem que ela nunca foi considerada para o papel. No documentário That`s Entertainment! III, Horne afirmou que os executivos da MGM exigiram que Gardner praticasse seu canto usando gravações de Horne, o que ofendeu ambas as atrizes. Por fim, a voz de Gardner foi dublada pela atriz Annette Warren (Smith) para o lançamento nos cinemas. Horne ficou desiludida com Hollywood e concentrou-se cada vez mais na sua carreira em casas noturnas. Fez apenas duas aparições importantes para a MGM durante a década de 1950: Duquesa de Idaho (1950), que também foi o último filme de Eleanor Powell; e o musical Encontro em Las Vegas (1956). Ela disse que estava “cansada de ser estereotipada como uma negra que fica encostada a um pilar cantando uma música. Fiz isso 20 vezes demais”.

Ela foi incluída na chamada lista negra durante a década de 1950 por suas ligações na década de 1940 com grupos apoiados por grupos de comunistas norte-americanos. Posteriormente, ela repudiaria o comunismo. Ela retornou às telas, interpretando Claire Quintana, uma cafetina que se casa com Richard Widmark, no filme Morte de um Pistoleiro (1969), seu primeiro papel dramático sem qualquer referência à sua etnia. Mais tarde, ela participou na tela mais duas vezes, como Glinda em The Wiz (1978), dirigido por seu então genro Sidney Lumet (1924-2011), e co-apresentando a retrospectiva da MGM That`s Entertainment! III (1994), na qual relatou seu tratamento indelicado pelo estúdio. Após deixar Hollywood, Horne se consolidou como uma das principais artistas de casas noturnas do pós-guerra. Ela foi atração principal em clubes e hotéis nos Estados Unidos, Canadá e Europa, incluindo o Sands Hotel em Las Vegas, o Cocoanut Grove em Los Angeles e o Waldorf-Astoria em Nova York. Em 1957, um álbum ao vivo intitulado Lena Horne at the Waldorf-Astoria tornou-se o disco mais vendido por uma artista feminina na história da gravadora RCA Victor até então. Em 1958, Horne se tornou a primeira mulher afro-americana a ser indicada ao Prêmio Tony de Melhor Atriz em Musical, por sua atuação no musical “Calypso” Jamaica que, a pedido de Horne, contou com a participação de sua amiga de longa data, Adelaide Hall.

Do final da década de 1950 até a década de 1960, Lena Horne foi presença constante em programas de variedades na TV, participando diversas vezes em programas como “Perry Como`s Kraft Music Hall” (1959-1967), “The Ed Sullivan Show” (1948-1971), “The Dean Martin Show” (1965-1974) e “The Bell Telephone Hour” (1940-1958). Outros programas em que participou incluem “The Judy Garland Show”, “The Hollywood Palace” e “The Andy Williams Show”. Além de dois especiais de televisão para a BBC, posteriormente distribuídos nos EUA, Horne estrelou seu próprio especial de televisão nos EUA em 1969, “Monsanto Night Presents Lena Horne”. Nessa década, o artista Pete Hawley pintou seu retrato para a RCA Victor, capturando a essência de seu estilo de atuação. Em 1970, ela coestrelou com Harry Belafonte o especial de uma hora “Harry & Lena” para a ABC; em 1973, coestrelou com Tony Bennett em “Tony and Lena”. Horne e Bennett posteriormente fizeram uma turnê pelos EUA e Reino Unido com um show juntos. No programa de 1976 “America Salutes Richard Rodgers”, ela cantou um longo medley de canções de Rodgers com Peggy Lee e Vic Damone. Horne também fez várias participações no “The Flip Wilson Show”. Além disso, Horne interpretou a si mesma em programas de televisão como “The Muppet Show”, “Sesame Street” e “Sanford and Son” na década de 1970, bem como uma apresentação em 1985 no “The Cosby Show” e aparição em 1993 em “A Different World”.

No verão de 1980, Horne, aos 63 anos e decidida a se aposentar do mundo do entretenimento, embarcou em uma série programada de dois meses de shows beneficentes patrocinados pela fraternidade Delta Sigma Theta. Esses concertos foram apresentados como a turnê de despedida de Horne; no entanto, sua aposentadoria durou menos de um ano. Em 13 de abril de 1980, Lena Horne, Luciano Pavarotti e o apresentador Gene Kelly estavam programados para se apresentar em uma gala no Metropolitan Opera House em homenagem à Companhia de Balé Joffrey do Centro de Nova York. No entanto, o avião de Pavarotti foi desviado para o Atlântico e ele não pôde comparecer. James Nederlander, um dos convidados de honra, observou que apenas três pessoas na lotada plateia do Metropolitan Opera House pediram o reembolso dos ingressos. Ele pediu para ser apresentado a Lena Horne após a apresentação. Em maio de 1981, a Nederlander Organization, Michael Frazier e Fred Walker contrataram Lena Horne para uma temporada de quatro semanas no recém-nomeado Nederlander Theatre, na West 41st Street, em Nova York. O espetáculo foi um sucesso instantâneo e teve sua temporada estendida por um ano inteiro, rendendo a Lena Horne um prêmio Tony especial e dois prêmios Grammy pela gravação do elenco de seu show “Lena Horne: The Lady and Her Music”.  A temporada de 333 apresentações na Broadway encerrou no 65º aniversário de Horne, em 30 de junho de 1982. Mais tarde naquela semana, ela apresentou o espetáculo completo novamente para gravá-lo para transmissão televisiva e em vídeo doméstico.

Horne iniciou uma turnê alguns dias depois em Tanglewood (Massachusetts) durante o fim de semana de 4 de julho de 1982. “The Lady and Her Music” percorreu 41 cidades nos EUA e Canadá até 17 de junho de 1984. Ficou em cartaz em Londres por um mês em agosto e encerrou sua temporada em Estocolmo, Suécia, em 14 de setembro de 1984. Em 1981, ela recebeu um Prêmio Tony Especial pelo espetáculo, que também foi aclamado no Adelphi Theatre em Londres em 1984. Apesar do considerável sucesso do espetáculo, pois, Horne ainda detém o recorde de performance solo de maior duração na história da Broadway, ela não capitalizou o renovado interesse em sua carreira embarcando em muitos novos projetos musicais. Um projeto de gravação conjunta proposto para 1983 entre Horne e Frank Sinatra com produção do maestro Quincy Jones, acabou sendo abandonado, e sua única gravação de estúdio da década foi The Men in My Life, de 1988, com duetos com Sammy Davis Jr. e Joe Williams. Em 1989, ela recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award. Na década de 1990, Horne lançou três álbuns solo: o álbum de estúdio “We`ll Be Together Again”, de 1994, indicado ao Grammy; o álbum ao vivo “An Evening with Lena Horne”, de 1995, que rendeu a Horne um Grammy de Melhor Álbum Vocal de Jazz; e “Being Myself”, de 1998, o último álbum de estúdio de Horne. Depois disso, Horne se aposentou dos palcos e se afastou em grande parte da vida pública, embora em 2000 seus vocais tenham sido apresentados no álbum “Classic Ellington”, de Simon Rattle, e em 2006, uma coletânea intitulada “Seasons of a Life”, com várias gravações inéditas das sessões de gravação de Horne com a gravadora Blue Note na década de 1990, tenha sido lançada.

Bibliografia Geral Consultada.

CUTLER, James Elbert, Linch-law: An Investigation Into the History of Lynching in the United States. New Jersey: Patterson Smith, Montclair, 1969; GENOVESE, Eugene, A Terra Prometida: O Mundo que os Escravos Criaram. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1988; MUNAGA, Kabengele, Negritude: Usos e Sentidos. São Paulo: Editora Ática, 1988; DUGGAN, Lisa; HUNTER, Nan D. Sex Wars: Sexual Dissent and Political Culture. New York: Editor Routledge, 1995; GERHARD, Jane, Desiring Revolution: Second-wave Feminism and the Rewriting of American Sexual Thought, 1920 to 1982. New York: Columbia University Press, 2001; PRICE, Richard, O Nascimento da   Cultura   Afro-Americana:  Uma Perspectiva Antropológica. Rio de Janeiro: Editora Pallas; Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, 2003; BAILYN, Bernard, As Origens Ideológicas da Revolução Americana. Bauru: Editora da Universidade Sagrado Coração, 2003; MÉSZÁROS, István, O Poder da Ideologia. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, especificamente cap. 3 - Política e Ideologia, pp. 143-239; LACLAU, Ernesto, Política e Ideología en la Teoría Marxista: Capitalismo, Fascismo, Populismo. México: Siglo Veintiuno Editores, 1978; Idem, La Razón Populista. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005; KAZIN, Michael; McCARTIN, Joseph Anthony, Americanismo: Novas Perspectivas sobre a História de Um Chapel Hill Ideal. North Carolina: University of North Carolina Press, 2006; DORSEY, Leroy, Somos Todos Americanos, Puros e Simples: Theodore Roosevelt e o Mito do Americanismo. Alabama: University of Alabama Press, 2007; GAVIN, James, Tempo Tempestuoso: A Vida de Lena Horne. Estados Unidos: Atria, 2009; WILLIAMS, Iain Cameron, Sob Uma Lua do Harlem: Os Anos de Adelaide Hall do Harlem a Paris. Estados Unidos:  Bloomsbury Publishers, 2021;  RODRIGUES, Marcos Alexandre Fernandes, Racismo, Segregação e Morte: Análise Dialógica do Discurso das Organizações Ku Klux Klan e White Lives Matter em Mídias Digitais. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Letras. Instituto de Letras e Artes. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande, 2023; LUNA, Jorge, “Lena Horne: A Cantora, Atriz e Ativista Negra Perseguida por Influência Comunista nos Estados Unidos da América”. Disponível em: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/19/01/2023; BOGLE, Donald, Lena Horne: Deusa Reivindicada. Filadélfia: Editor Running Press, 2023; entre outros.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Ana Caroline Campagnolo - Ideóloga Bolsonarista de Extrema Direita.


                                                                                                  Ubiracy de Souza Braga

“Não consigo desejar felicitações a nenhum admirador de Paulo Freire ou Rubem Alves”. Ana Caroline Campagnolo


              Como experiência de si podemos considerar o fascismo um logro, mas não para quem, vivendo um profundo empobrecimento subjetivo per se, não tem melhor saída. A negação do outro é funcional para quem dela se serve. Ela pode ser o único jeito de garantir que se existe. Em termos simples: de conquistar um lugar no mundo. O fascismo é, em qualquer sentido, uma aberração política, mas cujo fundo existencial é a profunda miséria subjetiva. Seu cogito: humilho, logo existo. Ele serve como prova de si para quem vive vazio relativamente ao pensamento, aos afetos e à própria ação. O (a) fascista deve pensar que “é alguém” por meio da transformação do outro em “ninguém”.  A política de extrema direita envolve frequentemente um foco na tradição, real ou imaginada, em oposição às políticas e costumes que são considerados como reflexo do modernismo. Muitas ideologias de extrema-direita têm desprezo ou um desdém pelo igualitarismo, mesmo que nem sempre expressem apoio explícito à hierarquia social, elementos de conservadorismo social e oposição à maioria das formas de liberalismo e socialismo. Alguns grupos apoiam uma forte ou completa estratificação social e a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores.
Fora da ideia de nacionalismo, a partir da competição entre nações, foi o filósofo Georg Simmel quem chamou atenção para o fato de que, “a luta contra uma potência estrangeira dá ao grupo um vivo sentimento de sua unidade”, e, além disso, é “um fato que se verifica quase sem exceção. Não há, por assim dizer, grupo - doméstico, religioso, econômico ou político – que possa passar sem esse cimento”. Essa atividade intelectual, porque psíquica e de preparação psicológica, quase exclusivamente entre homens, pode representar com o homem diante da guerra um crime contra a humanidade, individual ou coletivamente com o intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial, militar, ou religioso. A defesa da extrema-direita da supremacia é baseada no que seus adeptos vêem como características inatas de pessoas que não poderiam ser alteradas. A centro-direita, ao contrário, alega que as pessoas podem acabar com sua inferioridade comportamental através da mudança de seus hábitos e escolhas. O termo também é usado para descrever ideologias tais como o nazismo, o neonazismo, o fascismo, o neofascismo e outras ideologias ou organizações que apresentam pontos de vista extremistas, nacionalistas, chauvinistas, xenófobos, racistas ou reacionários, que podem levar a opressão e violência contra grupos de pessoas com base em uma suposta inferioridade ou ameaça à nação, Estado ou instituições sociais tradicionais ultraconservadoras.  A questão do populismo de direita representa uma ideologia fascista que combina elementos sociais do laissez-faire, do nacionalismo, etnocentrismo e antielitismo, ipso facto é muitas vezes descrita como de extrema-direita.

Em 2013 Ana Carolina Campanolo foi selecionada no Programa de Mestrado em História da Universidade do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, com o projeto “Virgindade e Família: Mudança de Costumes e o Papel da Mulher Percebido através da Análise de Discursos em Inquéritos Policiais da Comarca de Chapecó (1970-1988)”. A orientadora selecionada pela banca examinadora foi a professora Titular, Marlene de Fáveri, que ministra a cátedra História e Relações de Gênero. Após não conseguir terminar o mestrado devido ao fato de desenvolver um trabalho que não se adequava a linha de pesquisa da professora que aceitou orientá-la, em julho de 2016, Campagnolo processou Marlene de Fáveri, por perseguição ideológica e discriminação religiosa. A sentença foi favorável à orientadora, tendo o Juízo concluído da improcedência da ação. Fáveri também protocolou uma queixa-crime contra Campagnolo na 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital de Santa Catarina. A ação, que versa sobre crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria), corre sob segredo de Justiça. Fáveri pediu para levantar o sigilo. Nas eleições de 7 de outubro de 2018 foi eleita deputada estadual de Santa Catarina para a 19ª legislatura, pelo Partido Social Liberal (PSL) com 0,95% dos votos válidos, equivalente a 34.825 votos. Dia 28 de outubro, domingo, menos de uma hora após confirmada a eleição em segundo turno de Jair Bolsonaro para Presidente da República, Ana Caroline publicou em uma de suas redes sociais pedido para que alunos enviassem vídeos e informações com o nome do docente, da escola e da cidade, garantindo anonimato da denúncia: “na semana do dia 29 de outubro (...) todas as manifestações político-partidárias ou ideológicas que humilhem ou ofendam sua liberdade de crença e consciência”. Justificou a medida em função de “muitos professores doutrinadores estarão inconformados e revoltados com a vitória do presidente Bolsonaro” e “não conseguirão disfarçar sua ira e farão da sala de aula uma audiência cativa para suas queixas político-partidárias”. O Ministério Público de Santa Catarina entrou com ação na justiça contra a deputada estadual AC Campagnolo. 

Em outra mensagem, mais recente, ela justifica o ato como “promessa de campanha”. A ética e política quase sempre tiveram uma intensa relação dialética de conflito, e muitas vezes de contradição na convivência, variando os termos e os temas desse confronto. Entre esses temas, os mais comuns são o ressentimento e a mentira política, como uma espécie de agressão mais aceitável aos princípios morais. De fato a utilidade de uso da mentira nas ações políticas pode ultrapassar casos caracterizadamente decorrentes de “razão de Estado” no sentido populista do termo (cf. Laclau, 2005) e continuar tendo aceitação, muitas vezes até mais consensual, sob o ponto de vista da critica política realizada segundo alguns princípios comuns que cada vez mais se distanciam da ética. O conceito de ética abrange, portanto, o interesse de cada um e de todos. O problema da universalização do debate político está nos meios sociais de comunicação. Pragmáticos funcionam movidos por interesses, dificultando a formação das condições essenciais da ética comunicativa com o livre aceso ao debate e a pretensa igualdade de participação. Um fenômeno sociológico passageiro, o Macarthismo é um termo que se refere à prática política fascista de vigilância e de acusar alguém de subversão ou de traição. O termo tem suas origens no período da história fascista dos Estados Unidos da América (EUA) reconhecido como “segunda ameaça vermelha”, que durou de 1950 a 1957 e foi caracterizado por uma acentuada repressão política aos comunistas, assim como analogamente pela campanha de medo à influência deles nas instituições estadunidenses e à espionagem por agentes da União das Repúblicas Socialistas Soviética. 

Originalmente cunhado para descrever a patrulha anticomunista promovida pelo senador republicano  (1908-1957), do Wisconsin, o termo logo adquiriu um significado mais extenso, tendo utilidadee de uso para descrever o excesso de iniciativas similares. Também é utilizado enquanto um conjunto de práticas e saberes para descrever acusações imprudentes ou de má-fé, pouco fundamentado, assim como ataques demagógicos ao caráter ou ao senso de patriotismo de adversários políticos. Giovanni Gentile (1875-1944) foi um filósofo, político e educador italiano. Foi uma figura de destaque do fascismo italiano e, juntamente com Benedetto Croce, um dos maiores expoentes do neoidealismo filosófico. Realizou uma série de reformas, sociais-pedagógicas e autoritárias, em seu governo como ministro da educação no período da Itália Fascista. Autointitulado “filósofo do fascismo”, ele foi influente em fornecer uma base intelectual para o fascismo italiano, e escreveu sob pseudônimo parte de A Doutrina do Fascismo (1932) com Benito Mussolini. Ele considera que nem os indivíduos nem os grupos em torno de partidos políticos, associações, sindicatos, classes deveriam estar fora do Estado. O fascismo, para ele, era contrário ao socialismo já que o socialismo “ignora a unidade do Estado que pode reunir às classes harmonizando-as em uma única realidade econômica e moral”. Ele estava envolvido no ressurgimento do neoidealismo hegeliano na composição da filosofia italiana e também desenvolveu seu sistema de pensamento, que ele denominou de “idealismo real” ou “atualismo”, e que tem sido descrito como “o extremo subjetivo da tradição idealista”.

Os primeiros escritos de Hegel versaram sobre assuntos teológicos, mas ao concluir o curso, Hegel não seguiu a carreira eclesiástica, preferiu se dedicar ao estudo da literatura e da filosofia grega. Em 1796 mudou-se para Frankfurt, onde Hölderlin lhe conseguiu um lugar de preceptor. Em 1801 habilitou-se Livre-Docente na Universidade Friedrich Schiller de Jena (Friedrich-Schiller-Universität Jena) situada na cidade de Jena (cf. Crissiuma, 2017), na Turíngia no centro do país. É uma das dez universidades mais antigas da Alemanha, estabelecida no ano de 1558 segundo os planos do príncipe João Frederico I da Saxônia. O auge da sua reputação ocorreu exatamente sob os auspícios do duque Carlos Augusto, patrono do escritor Johann Wolfgang von Goethe, autor do clássico Fausto, poema trágico, obra prima da literatura, quando Fichte, Hegel, Schelling, Friedrich von Schlegel e Friedrich Schiller faziam parte do corpo docente. Ainda no seminário de Tübingen, escreveu com dois outros renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o que chamaram de “o mais antigo programa de sistema do idealismo alemão”.  Posteriormente desenvolveu um sistema filosófico que denominou Idealismo Absoluto, uma filosofia capaz de compreender discursivamente o Absoluto. 

Entre 1807-08 dirigiu um jornal em Bamberg. Entre 1808 e 1816 foi diretor do ginásio de Nuremberg. Em 1816 tornou-se professor da Universidade de Heidelberg. Em 1818 em Berlim, quando ocupou a cátedra de filosofia, período em que encontra a expressão definitiva de suas concepções estéticas e religiosas. Tinha grande talento pedagógico, mas considerado mau orador, pois usava terminologias pouco usadas que dificultavam sua interpretação. Exerceu enorme influência em seus discípulos que dominaram as universidades da Alemanha. Logo passou a ser o filósofo oficial do rei da Prússia (cf. Wickert, 2013)  Friedrich Hegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito (1807).  O prólogo é posterior a redação da obra. Foi escrito, passado já o tempo, quando o próprio Hegel pode tomar consciência de seu avanço e sua descoberta (cf. Silva, 2017). Tinha como objetivo assegurar o ligamento entre a Fenomenologia, a qual só aparece como a primeira parte da ciência, e a Lógica que, situando-se em uma perspectiva distinta da adotada pela Fenomenologia, deve constituir o primeiro momento de uma Enciclopédia. Explica-se que neste prólogo que é algo assim como um gonzo entre a subjetividade da Fenomenologia e a objetividade Lógica, Hegel se sentira fundamento preocupado em dar uma ideia geral de todo o seu sistema filosófico.

Isto é, segundo sua concepção que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas precisamente como sujeito. A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade reinstaurando-se, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. Neste sentido, a clareza não seria adequada para conceituar o próprio objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo, chamado geralmente dialética: uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge, pois, como solução das contradições inerentes ao movimento anterior.

            Desta forma, a Eileintung à Fenomenologia foi concebida ao mesmo tempo em que a obra é redatada em primeiro termo; parece, pois, que encerra o substancial pensamento do que é efetivo em  toda a obra. Verdadeiramente constitui uma Introdução em sentido literal aos três primeiros momentos de toda a obra, isto é: a consciência, a autoconsciência e a razão -, enquanto a última parte da Fenomenologia, que contêm os particularmente importantes desenvolvimentos sobre o Espírito e a Religião, ultrapassa por seu conteúdo a Fenomenologia tal como é definida stricto sensu na muito citada Introdução. Ao que parece é como se Hegel entrasse no marco de desenvolvimento fenomenológico com algo que na teoria, em princípio não deveria haver ocupado um posto nele. Não obstante, seu estudo, em maior medida que o do prólogo, nos permitirá elucidar o sentido da obra que Hegel quis escrever, assim como a técnica que para ele representa o desenvolvimento fenomenológico. Precisamente porque a Introdução não é como Prólogo anexo posterior que contêm consideráveis informações gerais sobre o objetivo que se propunha o autor e as relações que sua obra tem com outros tratados filosóficos do mesmo tema. Ao contrário, de acordo com Jean Hyppolite, “a introdução é parte integrante da obra, constitui o delineamento mesmo do problema e determina os meios postos em prática para resolvê-lo”.
         Em primeiro lugar, Hegel define na Introdução como se coloca para ele o  problema do conhecimento. Vemos como em certo aspecto retorna ao ponto de vista de Kant e de Fichte. A Fenomenologia não é uma noumenologia nem uma ontologia, mas segue sendo todavia um conhecimento do Absoluto, pois, que outra coisa poderia conhecer se só o Absoluto é verdadeiro, ou só o verdadeiro é Absoluto?. Não obstante, em vez de apresentar o saber do Absoluto “em si para si”, Hegel considera o saber tal como é na consciência e precisamente desde esse saber fenomênico, mediante sua autocrítica, é como ele se eleva ao saber absoluto. Em segundo lugar, Hegel define a Fenomenologia como desenvolvimento e cultura, no sentido de seu progressivo afinamento da consciência natural acerca da ciência, isto é o saber filosófico, o saber do Absoluto; por sua vez indica a necessidade de uma evolução. Em último lugar, Hegel precisa a técnica teórica do desenvolvimento fenomenológico e em que sentido este método é precisamente obra própria da consciência que faz sua aparição na experiência, em que sentido é suscetível de ser repensado em sua necessidade pela filosofia. A lei cujo desenvolvimento necessário engendra todo o universo é a da dialética, segundo a qual toda ideia abstrata, a começar pela de ser, considerada no seu estado de abstração, afirma a sua negação, a antítese, de modo a contradição exige para se resolver a afirmação de uma síntese mais compreensiva que constitui uma nova ideia, rica em desenvolvimento, ao mesmo tempo, do conteúdo das duas outras.
             Na Introdução à Fenomenologia Hegel repete suas críticas a uma filosofia que não fosse mais que teoria do conhecimento. E não obstante, a Fenomenologia, como têm assinalado quase todos os seus expressivos comentaristas, marca em certos aspectos um retorno ao ponto de vista de Kant e de Fichte. Em que novo sentido devemos entendê-lo? Ora, se o saber é um instrumento, modifica o objeto a conhecer e não nos apresenta em sua pureza; se for um meio tampouco, nos transmite a verdade sem alterá-la de acordo com a própria natureza do meio interposto. Se o saber é um instrumento, isto supõe que o sujeito do saber e seu objeto se encontram separados; por conseguinte, o Absoluto seria distinto do conhecimento: nem o Absoluto poderia ser saber de si mesmo, nem o saber, fora da relação dialética,  poderia ser saber do Absoluto. Contra tais pressupostos a existência mesma da ciência filosófica, que conhece efetivamente, é já uma afirmação. Não obstante, esta afirmação não poderia bastar porque deixa a margem a afirmação de outro saber; é precisamente esta dualidade o que reconhecia Schelling quando opunha o saber fenomênico e o saber absoluto, mas não demonstrava os laços entre um e outro. Uma vez colocado o saber absoluto não se vê como é possível no saber fenomênico, e o saber por sua parte fica igualmente separado do saber Absoluto. Hegel retorna ao saber fenomênico, ao saber típico da consciência comum, e demonstra como aquele conduz necessariamente ao saber Absoluto, ou também que ele mesmo é um saber absoluto que todavia não se sabe como tal.
           Não é apenas Fichte, mas o próprio Schelling, adverte Vittorio Hösle, tampouco satisfaz a exigência de uma estrutura de sistema que retorna a si mesma, pois o dualismo fichteano do eu e Não-Eu perdura, em última análise, no primeiro projeto resumido de sistema, no Sistema do idealismo transcendental. Segundo ele,  a filosofia tem, com efeito, duas partes – filosofia natural e filosofia transcendental, a qual, por sua vez, contém, entre outras coisas, filosofia prática e filosofia teórica. Schelling argumenta do seguinte modo: já que o saber seria unidade de subjetividade e objetividade, o ponto de partida da filosofia teria de ser ou o objetivo (a natureza) ou o subjetivo (a inteligência). Naquele caso, surgiria a filosofia da natureza; neste, a filosofia transcendental. No entanto, o objetivo de cada uma dessas duas ciências seria avançar na direção da outra – portanto, de um lado, “partindo da natureza chegar ao inteligente”, e, de outro, partindo do subjetivo, “fazer surgir dele o objetivo”. Esta afirmação apenas poderia fazer sentido se para Hösle, com ela se tivesse em mente que a inteligência tem de objetivar e naturalizar em atos práticos e estéticos, como Schelling tenta demonstrar no Sistema.  A segunda falha resulta da primeira. Schelling conhece, em última instância, apenas duas esferas da filosofia, as quais, na terminologia de Hegel, pertencem ambas à filosofia da realidade. Aquela estrutura que precede à ambas e que Hegel tematiza na Ciência da Lógica não tem lugar neste projeto de sistema de Schelling. É fácil ver que não se pode um renunciar a ela, e por três motivos.  
        Em segundo lugar, somente desse modo se pode compreender porque ambas as partes são momentos de uma unidade. Não basta afirmar sua relação mútua, é preciso explicitar estruturas ontológicas gerais que subjazem de igual modo à natureza e à inteligência. Em segundo lugar, somente desse modo se pode tornar plausível a dependência da natureza em relação a uma esfera ideal. E, em terceiro lugar, uma filosofia natural e uma filosofia transcendental apriorísticas são inconcebíveis sem essa esfera abrangente, pois a partir de que deveriam  ser fundamentadas as primeiras suposições de ambas as filosofias da realidade? Depois de se desfazer do “resto de fichteanismo”, ainda reconhecível sobretudo na execução do Sistema do idealismo transcendental, Schelling introduziu na Apresentação, como base destas duas ciências, o Absoluto, e o definiu como identidade de subjetividade e objetividade. No entanto, não se pode deixar de ver um limite na doutrina schellinguiana do absoluto que representa um retrocesso, ficando, no mínimo, aquém de Fichte e, em certo sentido, até mesmo aquém de Kant: as categorias analíticas que Schelling utiliza para a caracterização do Absoluto são catadas e, de modo algum deduzidas do próprio Absoluto. Unidade, identidade, infinitude são determinações que Schelling toam da tradição e que, em primeiro lugar, ele não legitima – ele apenas mostra que em sua utilização de mera identidade, antes elas que seu contrário conviriam ao absoluto, o qual é entendido como unidade de subjetividade e objetividade, e que em segundo lugar, ele nem sequer põe em um nexo causal ordenado.

Fascismo é a representação social que é usada para definir formas espetaculares de exposição de preconceitos raciais, sexuais, de gênero, de classe e vários outros no nível do cotidiano concreto ou virtual. Guardados na intimidade, preconceitos são sementes de fascismos potenciais. Mas a potência não é o ato e ninguém pode avaliar o sentimento dos outros, senão por meio de sua expressão. A prova que temos do fascismo de qualquer um é, portanto, segundo Marcia Tiburi, sua expressão verbal, gestual ou prática. O fascismo é uma espécie de teoria prática de ação que começa com atos de fala ética e politicamente empobrecidos. A grave incapacidade de se relacionar com aquela figura da diversidade que podemos denominar de “outro”, da qual essas formas de linguagem comprovam, põem em questão a transformação do verbal em “capital”. Aqueles que, operando dentro de um regime de pensamento democrático, ficam perplexos ou revoltados com isso, contrapõem-se aos que se deixam fascinar. Se os primeiros interpretam a negação do outro como perda ética, política e social, os segundos, deslumbrados e fetichizados, no sentido marxista, pela palavra transformada em mercadoria, descobrem o lucro que a negação do outro pode lhes fornecer na prática. Participam do espetáculo verbal da gritaria sentindo-se capitalizados subjetivamente.

  O bolsonarismo como ideologia conformou uma aparente aliança de classes no Brasil, uma espécie de exército zumbi hidrofóbico originário de “walkmin dead” e que congrega, no mercado, setores do rentismo, do grande comércio varejista, do pequeno e médio produtor rural e de profissionais liberais ligados ao velho bacharelismo. No Congresso brasileiro, parcela das bancadas do boi, da bala, da bíblia e dos nanicos que orbitam ao redor do “centrão”. Na sociedade, segmentos das igrejas neopentecostais, alguns atletas de “MMA/UFC”, duplas e cantores sertanejos, apresentadores de programas de auditório, artistas e músicos ultrapassados, conservadores de “stand up comedy”, depois de Chico Anysio e intelectuais de procedência duvidosa. Uma parcela desse contingente heterogêneo, a extrema-direita que representa seu sumo, partilha de uma visão de mundo obscurantista e marcada pelo ódio, a intolerância, o machismo, o racismo, a lgbtfobia, a xenofobia. Por vezes são criacionistas, moralistas, terraplanistas e monarquistas, rechaçam os direitos civis e louvam a violência e a tortura.

        Neoidealismo ou neo-hegelianismo refere-se a uma vertente (ou vertentes) do pensamento inspirada pelos trabalhos do filósofo idealista alemão Friedrich Hegel e na qual se incluem as doutrinas de um grupo de filósofos influentes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América entre 1870 e 1920, além dos pensadores italianos Benedetto Croce e Giovanni Gentile. Junto com Benedetto Croce foi um dos maiores expoentes do neoidealismo filosófico e do idealismo italiano, além de importante protagonista da cultura italiana na metade do século XX, cofundador do Instituto da Enciclopédia Italiana e, como ministro em 1923, da reforma da educação pública conhecida como Reforma dos Gentios. A sua filosofia chama-se “atualismo”. Ele também figura no fascismo italiano, até se considerou o inventor da ideologia do fascismo.  Após sua adesão à República Social Italiana, ele foi morto durante a 2ª guerra mundial por alguns partidários do Grupo de Ação Patriótica. 
             Portanto, neo-hegelianismo em contraposição ao positivismo imperante, pretendia satisfazer a necessidade de uma ética baseada em valores ideais e religiosos, contrapondo-a à moral utilitarista. Nessa direção histórico-política, desenvolvia-se a filosofia da religião de Thomas Hill Green e Edward Caird, mediante a aplicação do sistema dialético hegeliano aos princípios religiosos. Entre os neo-hegelianismos ingleses destaca-se Francis Herbert Bradley, em sua obra Aparência e realidade (1893), afirmava o aspecto contraditório da experiência sensível e a necessidade de ir além da contingência, atingindo o absoluto hegeliano como síntese de finito e infinito. Efetivamente, o absoluto apresentado por Bradley aparece num registro quase neoplatônico já que o aspecto finito da realidade desaparecia diante da prevalência do infinito. A concepção de Bradley despertou acesas polêmicas em que se reivindicava, com Bernard Bosanquet, a função essencial da contradição na dialética hegeliana e, com John Ellis McTaggart (1866-1925), os aspectos espirituais do pensamento hegeliano. A crise do neoidealismo inglês ocorre com James Black Baillie, que, em Studies in Human Nature, diante 1ª grande guerra, repudia o otimismo idealista do historicismo e retoma a tradição empirista da filosofia inglesa.
            O interesse pela doutrina hegeliana na Itália difundiu-se no século XIX, sobretudo através das obras de Augusto Vera e Bertrando Spaventa, que pode ser considerado como o precursor, na Itália, da interpretação do pensamento hegeliano que associa as ideias de Kant e Fichte a temas idealistas. Destacam-se também os estudos de Francesco De Sanctis sobre a estética hegeliana e, posteriormente, os trabalhos de Benedetto Croce e Giovanni Gentile. Em 1913 Giovanni Gentile, publica La Riforma della Dialettica Hegeliana.  Gentile vê na lógica hegeliana expressa na categoria do devir coincidente, comparativamente com o ato puro do ser no pensamento, ao qual se transmite toda a realidade abstrata da natureza, da história e do espírito. A essa visão subjetivista de Gentile, contrapõe-se, a partir de 1913, Benedetto Croce, primo de Bertrando Spaventa, que, em seu Saggio sullo Hegel, interpreta o pensamento hegeliano como historicismo imanentista. Depois de ter marcado ideologicamente a cultura filosófica italiana por mais de 40 anos, o neo-hegelianismo entra em crise no segundo pós-guerra, sendo substituído pelo existencialismo, pelo neopositivismo, pela fenomenologia e pelo marxismo.



    Não tem compromisso com a democracia. Substituem a noção de bem comum pela de ganhos privados. Sufocam o indivíduo moderno nas amarras da família tradicional e no lugar da igualdade de oportunidades retroagem em defesa da naturalização das desigualdades. São liberais conservadores, muitas vezes cínicos que proclamam como princípio a não-intervenção do Estado e contra a instituição do salário mínimo no Brasil. Em termos simplificados, isso quer dizer que há uma vantagem pessoal e provavelmente impagável de negar o outro e expressar a negação com palavras. Essas palavras são publicitárias. Ditas na forma de slogans fáceis de repetir, na comunicação garantem ao fascista poder. Incansável em repetir frases e clichês, ele (a)  parece colocar moedinhas em um cofre. A moedinha pode ser a frase nas redes sociais. Essa busca por lucro por meio de uma repetição torna-se literalmente um modo de ser. Incapaz de supor a existência da alteridade, o (a) fascista encontra um modo de ser.
Os efeitos ideológicos mais notáveis do macarthismo incluem os discursos, as investigações e os inquéritos do próprio senador McCarthy; a chamada Lista Negra de Hollywood, assim como com as investigações conduzidas pelo Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC); e as diversas atividades anticomunistas do FBI sob a direção de J. Edgar Hoover. O macarthismo foi um amplo fenômeno sociocultural que afetou a sociedade dos Estados Unidos em todos os níveis e gerou uma grande quantidade de debate e conflito interno naquele país. A empreitada perdurou até que a própria opinião pública ficasse indignada com as flagrantes violações dos direitos civis, o que levou ao ostracismo e à precoce decadência. Ele morreu em 1957, já totalmente desacreditado e considerado uma figura infame e uma vergonha para os norte-americanos. Muitos filmes foram produzidos neste período, todos retratando McCarthy e seus seguidores como figuras desprezíveis e a história que criaram como uma crise que foi superada.
Muitas ideologias de extrema-direita têm desprezo ou um desdém pelo igualitarismo, mesmo que nem sempre expressem apoio explícito à hierarquia social, elementos de conservadorismo social e oposição à maioria das formas de liberalismo e socialismo. Alguns grupos apoiam uma forte ou completa estratificação social e a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores. A defesa da extrema-direita da supremacia é baseada no que seus adeptos veem como características inatas de pessoas que não poderiam ser alteradas. A centro-direita, ao contrário, alega que as pessoas podem acabar com sua inferioridade comportamental através da mudança de seus hábitos e escolhas. O termo também é usado para descrever ideologias fortes como o nazismo, o neonazismo, o fascismo, o neofascismo e outras ideologias ou organizações que apresentam pontos de vista extremistas, nacionalistas, chauvinistas, xenófobos, racistas ou reacionários, que podem levar a opressão e violência contra grupos de pessoas com base em uma suposta inferioridade ou ameaça à nação, Estado ou instituições sociais tradicionais ultraconservadoras.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE), Regional São José, entrou nesta segunda-feira (29) com uma denúncia no Ministério Público (MPSC) contra a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL) por ela incitar alunos a entregar professores “doutrinadores”. Na denúncia ao MPSC, o SINTE afirma que a atitude da deputada eleita “incita a coação dos professores em sala de aula e promove o desrespeito aos educadores, comprometendo a didática pedagógica profissional”. O Sindicato também divulgou uma nota conjunta com outras entidades que representam trabalhadores da educação dizendo que a atitude de Ana Caroline é um “ataque a liberdade de ensinar do professor”. - “Esse tipo de ameaça publicada em rede social é um ataque à liberdade de ensinar do professor (liberdade de cátedra), tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura”, diz trecho da nota. O populismo de direita, uma ideologia política que muitas vezes combina laissez-faire, nacionalismo, etnocentrismo e antielitismo, é inúmeras vezes descritas como prática de extrema-direita. O populismo de direita envolve apelos ao homem comum e oposição à imigração. Os defensores da chamada “teoria da ferradura” interpretam dicotomicamente o espectro de esquerda-direita identificando a extrema-esquerda e a extrema-direita, como “tendo mais em comum entre si, como extremistas, do que cada um tem com os centristas moderados”.
Contra a liberdade de cátedra e o direito à imagem.
Com uma trajetória reconhecida nacional e internacionalmente nos estudos de gênero e feminismo, a historiadora e professora do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Marlene de Fáveri, se viu no meio de uma polêmica que tomou dimensão nacional/internacional. A tensão social gerada pela ação de indenização por dano moral movida pela ex-aluna e orientanda de mestrado, Ana Caroline Campagnolo – que a acusa de perseguição religiosa – levou a professora a pedir afastamento da universidade para tratamento de saúde na última semana. O fato de a orientadora abrir mão da orientação do projeto de pesquisa da aluna é motivação central no processo de indenização de R$ 17.600 por “discriminação, intimidação, ameaça velada via e-mail, exposição discriminatória, humilhação em sala de aula e tentativa de prejudicar academicamente a autora”. A ação foi proposta em 13 de junho de 2016, duas semanas após a aluna ser reprovada no mestrado sob a orientação de outro professor.  
A autora do processo alega que teve sua “vida pessoal e publicações particulares vasculhadas”, além de sofrer perseguição por “ser cristã e suas convicções pessoais não afinarem com a ideologia feminista”. Usa como provas e-mails trocados com a professora e a gravação em áudio de um debate em sala de aula, no qual é questionada por alunos sobre sua posição declaradamente antifeminista nas redes. - “Marlene confirma sua autoridade em sala de aula quando colegas dizem que eu deveria procurar outra universidade – acreditam que a Universidade tem que ser tão dogmática quanto uma Igreja – e quando afirmam categoricamente que ‘nunca vamos ver um conservador com bons olhos aqui’”, alega Ana Caroline em entrevista. Na ação, ela relata que “em meio a esse estresse emocional e sofrimento psíquico, situação de humilhação e sensação de cerceamento, que a autora ao perceber o que acontecia, resolveu iniciar uma gravação de áudio no seu celular”. Professora Titular da disciplina “História e Relações de Gênero”, Marlene argumenta, porém, que a gravação das aulas por Ana Caroline já era rotina a ponto de causar incômodo entre os alunos.
- “Em determinado momento no decorrer de um dos encontros, alguns de nós percebemos que Ana Caroline estava gravando nossas falas sem a autorização necessária, fato que foi levado ao conhecimento da docente que solicitou que ela não mais gravasse os debates ocorridos naquele espaço”, afirmam ex-alunos em nota de apoio à professora. Ao descobrir que a orientanda publicava nas redes sociais conteúdos que desqualificavam o campo de estudos em gênero e feminismo, a professora a chamou para conversar e, após o diálogo, decidiu interromper a orientação. “Minha decisão irrevogável de abrir mão da orientação da mestranda se justifica devido à incompatibilidade do ponto de vista teórico-metodológico com relação à abordagem do tema quando de seu ingresso, incompatibilidade esta expressa em vídeo difundido por mídias eletrônicas, de acesso público, onde manifesta concepções, do ponto de vista acadêmico, que ferem a disciplina que ora ministro e, por extensão, a linha de pesquisa do programa de Pós-Graduação em História”, justifica a professora no documento que formaliza sua solicitação de substituição ao colegiado. O pedido foi aceito.
Após o resultado as urnas de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais, a deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo, uma ideóloga de extrema-direita, estimulou estudantes a denunciarem professores que façam “queixas político-partidárias em virtude da vitória do presidente Bolsonaro”. Campagnolo publicou mensagem político-ideológica nas redes sociais pedindo para estudantes filmarem as “manifestações político-partidárias ou ideológicas” e enviem para ela com o nome do professor, da escola em que trabalha e a cidade. Sindicatos de professores das redes públicas e privada municipal, estadual e federal em Santa Catarina repudiaram o fisiologismo dela em nota conjunta. - Esse tipo de ameaça publicada em rede social é um ataque à liberdade de cátedra do professor, tipicamente aplicada em regimes de autoritarismo e censura. É mais grave ainda por partir justamente de alguém recém-eleita para um cargo público, e que deveria fiscalizar o cumprimento das leis. A sugestão de denúncia dos professores por estudantes caracteriza assédio moral e perseguição, que remonta aos tempos da ditadura civil-militar golpista brasileira de 1º de abril de1964. 
Não queremos perder de vista sociologicamente que o percentual de votos nulos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018 chegou a 7,4%, o maior registrado desde 1989, totalizando 8,6 milhões. Foi um aumento de 60% em relação ao 2º turno da última eleição presidencial, em 2014, quando 4,6% dos votos foram anulados. Os votos brancos somaram 2,4 milhões, ou 2,1%, neste 2º turno, pouco acima do 1,7% da última eleição presidencial. Ao todo, 31,3 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,3% total, proporção similar ao do 2º turno presidencial de 2014. Somando os votos nulos e brancos com as abstenções, houve um contingente de 42,1 milhões de eleitores que não escolheram nenhum candidato, cerca de um terço do total. O candidato eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu 57,7 milhões de votos enquanto o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) teve 47 milhões de votos. Os dois maiores colégios eleitorais do país, SP e MG, puxaram os votos nulos no segundo turno desta eleição. Em Minas Gerais, 10,6% dos votos foram anulados. Em São Paulo, foram 10%. Em seguida, vieram Sergipe, com 9,5%, e Rio de Janeiro, com percentual de 9,1%.
O assédio moral está presente desde as primeiras formas sociais de relação de trabalho e constitui-se em um problema teórico, histórico e ideológico mundial, que ocorre tanto no setor público, como no setor privada. No assédio moral, não se observa mais um relação simétrica como no conflito, mas uma relação dominante-dominado, na qual aquela parte que comanda o jogo de relações sociais procura submeter o outro até fazê-lo perder a identidade. Quando isto se passa no âmbito da relação de subordinação, transforma-se em um abuso de poder hierárquico, e a autoridade legítima sobre um subordinado se torna a dominação da pessoa. No Brasil, não há uma lei específica para assédio moral, mas esta pode ser julgada por condutas previstas no artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).  A prática do assédio moral não possui uma legislação específica no Brasil, mas sua conduta pode ser analisada através da legislação existente, cujos fundamentos encontram-se, seja Constituição Federal, no Código Civil, no Código Penal, e seja na Consolidação das Leis do Trabalho. O conceito de assédio moral organizacional foi desenvolvido, em 2006, pela Procuradora Regional do Trabalho, Adriane Reis de Araújo, como uma “tecnologia de gestão globalizada”. 
Um conceito amplo de assédio moral nos é oferecido por Hirigoyen (1998), segundo o qual pode ser considerado assédio moral qualquer conduta abusiva, seja através de gestos, palavras, comportamentos ou atitudes, de forma repetitiva e sistemática, que atinja de alguma forma a dignidade e a integridade, física ou psíquica, de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou tornando insuportável o clima de trabalho. Uma prática que tem sido recorrente no ambiente de trabalho tanto na iniciativa privada quando no serviço público. E consequentemente várias são as condições em que pode ocorrer o assédio moral. Dentre elas podemos destacar àquelas referentes a uma determinada tarefa no ambiente de trabalho, seja atribuindo propositalmente tarefas superiores as que uma pessoa possa realizar ou que afetem sua saúde ou tarefas humilhantes, seja dando permanentemente novas tarefas ou retirando o trabalho que normalmente é da competência de uma pessoa, ou ainda criticando uma tarefa de forma injusta ou exagerada. E mais importante: não transmitir deliberadamente informações úteis para a realização de tarefas; utilizar insinuações desdenhosas para desqualificar;  enfim, tudo o que possa ser considerado como atentado contra a dignidade da pessoa.
No entanto, diferencia-se do conceito de assédio moral como descrito por Marie-France Hirigoyen por tratar esta definição como uma expressão parcial, e, portanto, desloca a ênfase do tratamento psicológico do problema, concentrando a discussão sobre as condições de trabalho e sobre os mecanismos de gestão de pessoas. O conceito implica em soluções psicológicas e jurídicas que frequentemente se sobrepõem as perspectivas organizacionais e coletivas da questão. A “escuta clínica” dos testemunhos revela uma forma de sofrimento psíquico muito semelhante como ocorre com vítimas do assédio moral: paralisia, inibição da ação, ansiedade, depressão, síndrome de burnout, e perda do sentido do trabalho; podendo desenvolver aspectos paranoides. A grande inovação do conceito de assédio moral organizacional é justamente rejeitar a individualização das situações de assédio, fugindo da dicotomia vítima X algoz, discussão pouco operativa por escamotear as fontes organizacionais da violência política e responsabilizar exclusivamente os indivíduos pelos danos ocorridos.  
A falta de reconhecimento tem sido também atribuída como uma origem do assédio moral. Isso porque o trabalho desempenha um papel fundamental à dignidade do empregado, que somente se encontra em sua plenitude quando este tem o seu valor  reconhecido na sociedade pelo sucesso em seu trabalho. Nesse sentido, a inexistência do reconhecimento ensejaria um sentimento de desmotivação, causando, assim, um estado de depressão em que o trabalhador não tem mais vontade de se dedicar emocionalmente ao trabalho. No entendimento de Hirigoyen (1998; 2005) sobre a ausência social de reconhecimento, este é evidenciado quando o desprezo pelo outro tem como significado o primeiro passo na direção do assédio moral e da violência simbólica. É uma tática inconsciente para manter o domínio e o processo de desqualificação das pessoas. No estudo das formas de organização, estão compreendidas as empresas privadas, órgãos públicos etc., mas sabe-se que há a manifestação de patologias individuais e coletivas atribuídas a esses ambientes. O que se pretende com essa afirmação é demonstrar que a forma de agir dessa organização gera um sistema vicioso e em que a agressão se torna implícita. Melhor dizendo, em uma determinada tomada de decisão, em que são estimuladas as disputas em função da competitividade acirrada entre pares.
Aldoir José Kraemer, professor e coordenador estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do estado de Santa Catarina (SINTE), afirma que entidades irão fazer, ainda nesta semana, uma representação ao Ministério Público. Na prática, ela faz é uma incitação para que os estudantes denunciem os professores, atacando alguns direitos constitucionais como o direito do exercício de cátedra do professor. No estado também temos “uma lei específica em relação ao uso de celular em sala de aula, então ela também está incitando o descumprimento desta lei”, em referência à lei estadual nº 14.363 que proíbe o uso de celulares em salas de aula. - “É uma ação completamente absurda que impõe cerceamento da liberdade de cátedra dos profissionais de educação e acaba impondo uma cruzada contra os professores”, avalia Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Vale lembrar “quando uma parlamentar do PSL defende fazer uma censura junto aos professores na escola por acusação de doutrinação, na verdade ela mesma está fazendo com que a escola não seja um espaço de livre-pensamento, de debate democrático. Então, o que ela acusa de acontecer na escola, ela mesma está fomentando”. 
A recém-eleita deputada estadual pelo PSL de Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo, de 28 anos, ficou famosa em todo o País ao incentivar a denúncia de “professores doutrinadores”. Definindo-se como “antifeminista, conservadora, cristã e de direita”, teve uma carreira política meteórica: segundo a imprensa catarinense, é cotada para ser a futura secretária de Educação em Santa Catarina. A vida acadêmica inclui acionar a Justiça contra sua orientadora no mestrado. Filha de um Policial Militar da reserva, evangélica, professora de história do município de Chapecó, oeste de Santa Catarina, Campagnolo é graduada pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó, é uma instituição de ensino superior comunitária brasileira, sendo uma das maiores e mais importantes do estado de Santa Catarina. Está localizada na cidade da tragédia de Chapecó, Oeste do estado. Disputou pela primeira vez um cargo eletivo e jamais ocupou qualquer função pública. - “Eu tenho a sensação que ela construiu um personagem com o intuito de buscar um espaço na carreira política” afirmou uma colega de faculdade que falou ao jornalismo aparentemente crítico da Carta Capital sob condição do anonimato. - “Na sala de aula, nos debates ela era comedida, mas polêmica e muita agressiva nas redes sociais. Chegou a ter a página no Facebook suspensa em função de suas posições”.
Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual em Santa Catarina pelo partido fascista do ex-capitão Jair Messias Bolsonaro, abriu um canal de denúncias na “internet” contra professores acusados de “doutrinadores”. Cotada para ser secretária de Educação do estado, segue os passos da alemã AfD - Alternative für Deutschland, partido político alemão populista de extrema-direita, fundado em fevereiro de 2013, por Bernd Lucke, professor de Economia da Universidade de Hamburgo, o ex-jornalista do Frankfurter Algemeine Zeitung, Konrad Adam e um ex-político da CDU, Alexander Gauland. O congresso de fundação do novo partido na cena política alemã com 1 500 membros foi lançado oficialmente em 14 de abril 2013, em Berlim. Em 4 de julho 2015, Frauke Petry foi eleita com 60% dos votos como única chefe do partido num congresso da AfD em Essen. Os líderes da legenda política são respectivamente Jörg Meuthen e Alexander Gauland. Portanto, trata-se de transplante do ideário político-partidário de extrema-direita alemã, associado ao “bolsonarismo” quando a deputada  criou um canal para que “alunos denunciem a doutrinação nas escolas”. A AfD estimula os estudantes a filmar professores que critiquem o partido. – “Garantimos o anonimato dos denunciantes”, afirmou a deputada fascista em uma rede social. Formada em Historia, Campagnolo processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por suposta “perseguição ideológica”.
A liderança do partido é composta por um grupo de reconhecidos eurocéticos. O mais destacado defensor da agremiação é Hans-Olaf Henkel, ex-executivo-chefe da IBM Europa e ex-presidente da mais importante Associação Federal da Indústria Alemã. Entre outros nomes que apoiam o partido estão Wilhelm Hankel, Karl Albrecht Schachschneider e Joachim Starbatty, economistas que compartilham a coautoria de livros defendendo a extinção do euro. Os três formalizaram uma queixa junto ao Tribunal Constitucional da Alemanha em 2010, dizendo que o apoio da Alemanha ao socorro da Grécia, um membro do grupo de países que adoptou o euro, desrespeitou a Constituição e a cláusula de não socorro inscrita no tratado da união monetária. O tribunal pronunciou-se contra eles em 2011. Eles querem uma alteração dos tratados da  União Europeia (UE), a fim de permitir que países deixem a “zona do euro”. Empréstimos adicionais alemãs para o fundo de estabilidade da zona do euro devem ser bloqueados para forçar outros países europeus a aceitar essa alteração dos tratados, defende o partido. O novo partido tem 21 203 membros (2014) e a prioridade da nova força política é criar novas pequenas federações a nível estadual em todo o país, para eleger os seus líderes e candidatos para as eleições de Setembro 2013.
O partido assenta em duas linhas: a de que os empréstimos aprovados pelo Parlamento alemão aos países em dificuldades são ilegais - visão também de um grupo de economistas que tem desafiado as medidas no Tribunal Constitucional Federal da Alemanha e que apoia o novo partido; e a de que o euro, em vez de unir a Europa, está a dividi-la. A partir de finais de 2014, a AfD  - Alternative für Deutschland dividiu-se em facções: uma, centrada em Bernd Lucke, tendo como escopo as questões econômicas e a crítica ao Euro e, outra, liderada por Frauke Petry, com um discurso próximo da direita populista e nacionalista, atacando a Imigração e alinhada com o Patriotische Europäer gegen die Islamisierung des Abendlandes. Em julho de 2015, no congresso da AfD realizado em Essen, cidade da Alemanha localizada na Renânia do Norte-Vestefália, com uma população de 582.659 habitantes, Frauke Petry foi eleita líder do partido, conquistando 68% dos votos. Esta aparente vitória de Frauke Petry confirmou a viragem do partido para a direita, tornando-se, em muito, alinhado com os partidos de direita populista que têm ganhado popularidade na Europa nos últimos anos.
Bibliografia geral consultada.
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