“Quem come do fruto do conhecimento, é sempre expulso de algum paraíso”. Melanie Klein
Melanie Klein nasceu em uma família judia e passou a maior parte de sua infância em Viena, Áustria. Ela era a quarta e última filha de Moriz, um médico, e Libussa Reizes. Aos 21 anos, casou-se com um químico industrial, Arthur Klein, e pouco depois deu à luz sua primeira filha, Melitta. Klein teve então seu segundo filho, Hans, em 1907, e seu terceiro e último filho, Erich, em 1914. Após o nascimento desses dois filhos, Klein sofreu de depressão clínica, pois as gestações a afetaram bastante. Isso, somado ao seu casamento infeliz, logo a levou a buscar tratamento. Pouco depois de sua família se mudar para Budapeste, em 1910, Klein iniciou um tratamento com o psicanalista Sándor Ferenczi (1873-1933). Foi nesse período que Klein desenvolveu interesse pelo estudo da psicanálise. Incentivada por Sándor Ferenczi, Klein iniciou seus estudos observando seus próprios filhos. Naquela época, havia pouca documentação sobre o tema da “psicanálise em crianças”. Klein aproveitou-se disso para desenvolver sua “técnica do jogo”. Segundo Klein, o jogo é simbólico de material inconsciente que pode ser interpretado e analisado da mesma forma que os sonhos e as associações livres em adultos. Posteriormente, sua pesquisa contribuiu para o desenvolvimento da ludoterapia. Klein foi uma das primeiras a usar a psicanálise tradicional com crianças pequenas. Ela foi inovadora tanto no emprego de suas técnicas, como trabalhar experimentalmente com crianças usando brinquedos, quanto em suas teorias sobre o desenvolvimento humano.
Ao observar e analisar as brincadeiras e interações sociais das crianças, Klein baseou-se no trabalho de Sigmund Freud sobre a questão do inconsciente. Sua imersão no “inconsciente infantil” revelou progressivamente as descobertas do complexo de Édipo precoce, bem como as raízes do desenvolvimento do superego. A obra teórica de Melanie Klein incorpora a crença de Freud na existência da pulsão de morte, refletindo a noção em geral de que todos os organismos vivos são inerentemente atraídos para um estado “inorgânico” e, portanto, de alguma forma, para a morte. Em termos psicológicos, Eros (propriamente, a pulsão de vida), o princípio sustentador e unificador da vida postulado, presume-se ter uma força companheira, Tânatos (pulsão de morte), que busca terminar e desintegrar a vida, embora Freud nunca tenha usado o termo “Tânatos” em seus próprios manuscritos. Tanto Freud quanto Klein, comparativamente, consideravam essas forças “biomentais” como fundamentos da psique. Essas forças inconscientes primárias, cuja matriz mental é o id, impulsionam o ego, o eu experiencial à atividade. Id, ego e superego, eram meramente termos abreviados (semelhantes aos instintos) referentes a operações psicodinâmicas altamente complexas e em grande parte desconhecidas. Um intelectual é uma pessoa, geralmente um filósofo, artista, ou cientista social, que pesquisa e reflete acerca dos problemas da sociedade, procurando soluções práticas para resolvê-los.
Trabalha no campo da cultura e da política e costuma notabilizar-se pela produção, extensão ou rejeição a alguma religião, filosofia, ideologia ou sistema de valores sociais. O termo intelectual deriva historicamente do latim tardio intellectualis, adjetivo que indica aquilo que, em filosofia, diz respeito ao intelecto na sua atividade teórica, ou separado da experiência sensível - esta considerada como de grau cognitivo inferior. Na concepção aristotélica, eram definidas, como intelectuais, virtudes como ciência, sapiência, inteligência e arte, as quais permitiriam, à “alma intelectiva” - distinta da “alma vegetativa” e da “alma sensitiva” e entendida como princípio vital do Homem -, alcançar a verdade. No campo da metafísica, o termo indica a abstração, desde Aristóteles à Hegel, em contraposição à concretude e à materialidade. Contemporaneamente, a definição do intelectual é geralmente construída pelos próprios intelectuais e segundo suas respectivas concepções, o que resulta em várias abordagens e definições do termo. Autores como Norberto Bobbio e Bernard-Henri Lévy concordam em pelo menos um aspecto: o intelectual se define social e historicamente, segundo o papel das ideias em uma dada sociedade. Segundo Bobbio, “toda sociedade em todas as épocas teve seus intelectuais ou, mais precisamente, um grupo mais ou menos amplo de pessoas que exercem o poder espiritual ou ideológico, em oposição ao poder temporal ou político”. Geralmente, credita-se a introdução do termo “intelectual”, como substantivo, a Georges Clemenceau durante o caso Dreyfus.
Clemenceau, ele próprio um proeminente dreyfusard,
assim como Émile Zola, Octave Mirbeau e Anatole France, entre outros, publicou,
em 1898, no jornal L`Aurore, um artigo intitulado “À la Derive”, no qual
aparece o termo. Há, entretanto, indicações de que, por volta de 1890, o termo
já fosse usado, como substantivo. Clemenceau
se referia então a especialistas de primeira ordem, luminares das respectivas
áreas de conhecimento, os quais acreditavam ter o direito e o dever de se
mobilizar em defesa de valores importantes quando estes não lhes parecessem
adequadamente protegidos ou estivessem mesmo em risco em decorrência de ações
das autoridades constituídas. Em conjunto, esses notáveis especialistas detêm
um poder que, embora derivado de fontes diferentes, pode ladear e,
eventualmente, contrapor-se ao dos políticos. Também no século XIX, na Rússia
pré-revolucionária, desenvolveu-se o termo intelligentsia para designar
um grupo de indivíduos cultos, influenciados pelo ideário iluminista, críticos
do regime tsarista e defensores de valores democráticos e reformistas. Os
integrantes da intelligentsia eram, geralmente, membros da aristocracia
rural ou dos setores mais ilustrados da chamada pequena burguesia urbana.
Contemporaneamente, os intelectuais representariam la haute intelligentsia
a que se refere o filósofo Régis Debray – “o conjunto de indivíduos socialmente
legitimados para exprimir publicamente suas opiniões pessoais acerca de
questões públicas, independentemente dos procedimentos regulamentares a que se
devem submeter os cidadãos comuns”.
O termo “homem de
letras” deriva do termo francês beletrist ou Homme de lettres,
mas não é sinônimo de “um acadêmico”. Este era um homem alfabetizado, capaz de
ler e escrever, em oposição a um homem analfabeto em uma época em que a
alfabetização era rara e, portanto, altamente valorizada nas camadas superiores
da sociedade. Nos séculos XVII e XVIII, comparativamente, o termo Belletrist(s)
passou a ser aplicado aos literati: os participantes franceses às vezes
chamados de cidadãos da República das Letras, que evoluiu para o salão, uma
instituição social, geralmente dirigida por uma anfitriã, destinada à
edificação, educação e refinamento cultural dos participantes. No final
do século XIX, quando a alfabetização era relativamente comum em países
europeus como o Reino Unido, a denotação de “Homem de Letras” (littérateur)
ampliou-se para significar especializado, um homem que ganhava a vida
escrevendo intelectualmente (não criativamente) sobre literatura: o ensaísta, o
jornalista, o crítico, produto do trabalho, engajamento político, etc. No
século XX, tal abordagem foi gradativamente substituída pelo método
acadêmico, e o termo “Homem de Letras” passou a ser descontinuado, substituído
pelo termo específico “intelectual”, que descreve a pessoa intelectual.
O registro mais antigo do substantivo inglês “intelectual” é encontrado no século XIX, onde em 1813, Byron relata que “eu gostaria de estar bem o suficiente para ouvir esses intelectuais”. No decorrer do século XIX, outras variantes do já consagrado adjetivo intelectual como substantivo apareceram em inglês e em francês, onde na década de 1890 o substantivo (intellectuels) formado a partir do adjetivo intelectual apareceu com maior frequência na literatura. Stephan Collini escreve sobre essa época que “entre esse conjunto de experimentos linguísticos ocorreu ... o uso ocasional de intelectuais como um substantivo plural para se referir, geralmente com uma intenção figurativa ou irônica, a uma coleção de pessoas que poderiam ser identificados em termos de suas inclinações ou pretensões intelectuais”. Na Grã-Bretanha do início do século XIX, Samuel Taylor Coleridge cunhou o termo clerisy, a classe intelectual responsável por defender e manter a cultura nacional, o equivalente secular do clero anglicano. Da mesma forma, na Rússia czarista, surgiu a intelligentsia (décadas de 1860-70), que era a classe de status dos trabalhadores de colarinho branco.
Para a Alemanha, o teólogo Alister McGrath disse que “o surgimento de uma intelectualidade leiga anti-establishment socialmente alienada, teologicamente alfabetizada é um dos fenômenos mais significativos da história social da Alemanha na década de 1830”. Uma classe intelectual na Europa era socialmente importante, especialmente para os autodenominados intelectuais, cuja participação nas artes, na política, no jornalismo e na educação da sociedade - seja de sentimento nacionalista, internacionalista ou étnico - constitui “vocação do intelectual”. Além disso, alguns intelectuais eram antiacadêmicos, apesar das universidades serem quase sinônimo de intelectualismo. Na França, o caso Dreyfus (1894-1906), uma crise de identidade do nacionalismo antissemita para a Terceira República Francesa (1870-1940), marcou o pleno surgimento do “intelectual na vida pública”, especialmente Émile Zola, Octave Mirbeau e Anatole France abordando diretamente a questão do antissemitismo francês ao público; daí em diante, “intelectual” tornou-se um uso comum, mas inicialmente depreciativo; seu uso substantivo francês é atribuído a Georges Clemenceau em 1898. Em 1930, o termo “intelectual” passou de suas associações pejorativas anteriores e usos restritos para um termo aceito e foi por causa do Caso Dreyfus que o termo também adquiriu uso geralmente aceito em inglês.
No século XX, o termo
intelectual adquiriu conotações positivas de prestígio social, derivadas de
possuir intelecto e inteligência, especialmente quando as atividades do
intelectual exerceram consequências positivas na esfera pública e assim
ampliaram a compreensão intelectual do público, por meio da responsabilidade
moral, altruísmo e solidariedade, sem recorrer às manipulações da demagogia, do
paternalismo e da incivilidade (condescendência). O sociólogo Frank Furedi
disse que “os intelectuais não são definidos de acordo com os trabalhos que
desempenham, mas pela maneira como agem, a maneira como se veem e
os valores (sociais e políticos) que defendem”. Segundo Thomas Sowell,
como termo descritivo de pessoa, personalidade e profissão,
a palavra intelectual identifica três traços essenciais sociologicamente
falando: educado: erudição para o desenvolvimento de teorias; produtivo: cria
capital cultural nos campos da filosofia, crítica literária e sociologia,
direito, medicina e ciência, etc.; e artístico; cria arte na literatura,
música, pintura, escultura, etc. Na língua latina, pelo menos a partir do
Império Carolíngio, os intelectuais poderiam ser chamados de litterati,
termo que às vezes é aplicado. O termo intelectual público descreve o
intelectual que participa do discurso de assuntos públicos da sociedade, além
de uma carreira acadêmica.
Independentemente do
campo acadêmico ou da especialização profissional, o intelectual público aborda
e responde aos problemas normativos da sociedade, e, como tal, espera-se que
seja um crítico imparcial que possa “se elevar acima da preocupação parcial da
própria profissão — e se envolver com as questões globais de verdade,
julgamento e gosto do tempo”. em Representações do Intelectual (1994),
Edward Saïd disse que o “verdadeiro intelectual é, portanto, sempre um outsider,
vivendo em exílio autoimposto e à margem da sociedade”. Os intelectuais
públicos geralmente surgem da elite educada de uma sociedade; embora o uso
norte-americano do termo “intelectual” inclua os acadêmicos universitários. A
diferença entre “intelectual” e “acadêmico” é a participação no domínio
dos assuntos públicos. O ensaio: A Transformação Estrutural da Esfera
Pública (1963), de Jürgen Habermas, contribuiu para a noção de intelectual
público ao delinear histórica e conceitualmente a ideia de privado e público.
Controversa, foi a definição de Ralf
Dahrendorf: “como os bobos da corte da sociedade moderna, todos os intelectuais
têm o dever de duvidar de tudo o que é óbvio, de relativizar toda autoridade,
de fazer todas aquelas perguntas que ninguém mais se atreve a perguntar”.
Catherine Spaak, nascida em 3 de abril de 1945 em Boulogne-Billancourt (França) e morta em 17 de abril de 2022 em Roma (Itália), é uma atriz e cantora franco-italiana. A comuna francesa é a menor e mais antiga subdivisão administrativa da França, tendo sua origem nos antigos povoados e vilas da Idade Média. Foi oficialmente instituída como unidade administrativa em 1789, mas, só adquiriu autonomia com a edição da Carta Comunal de 5 de abril de 1884. Corresponde a uma ou mais áreas territoriais e seus órgãos são o conselho municipal, o prefeito e, quando apropriado, um ou mais adjuntos, mas não constitui uma divisão territorial descentralizada de prestação de serviços civis do Estado. Um intelectual costuma estar associado a uma ideologia ou a uma filosofia. O intelectual tcheco Václav Havel disse que política e intelectuais podem estar ligados, mas que a responsabilidade moral pelas ideias do intelectual, mesmo quando defendidas por um político, permanece com o intelectual. Portanto, é melhor evitar intelectuais utópicos que oferecem “insights universais” para resolver os problemas da economia política com políticas públicas que podem prejudicar e que prejudicaram a sociedade civil; que os intelectuais estejam atentos aos laços sociais e culturais criados com suas palavras, percepções e ideias; e devem ser ouvidos como críticos sociais da política e do poder.
Em comparação com outros países europeus, as comunas francesas perfazem um número considerável de unidades, a saber: 36 681, em 2013, contra aproximadamente 13 mil na Alemanha, 8 mil na Espanha e na Itália e 4 500 em Portugal. As outras subdivisões territoriais são: o cantão, o arrondissement, o departamento e a região. Boulogne-Billancourt é servida por duas linhas da rede do Metropolitano de Paris. O acesso é feito ao centro e ao sul da cidade nas estações Marcel Sembat, Billancourt e Pont de Sèvres da linha 9. A extensão dessa linha para Boulogne-Billancourt é de importância histórica, pois, inaugurada em 3 de fevereiro de 1934, forma a primeira extensão do metrô de Paris nos subúrbios. As outras duas estações de Boulogne, Boulogne - Jean Jaurès e Boulogne - Pont de Saint-Cloud, na linha 10, são mais recentes. Abertas em 3 de outubro de 1980 e 2 de outubro de 1981, elas resultam da vontade de servir melhor a cidade, sua parte Norte. Metrô de Paris é um sistema de metrô que atende a área metropolitana. Símbolo da cidade é reconhecido por sua densidade dentro dos limites territoriais da capital, arquitetura uniforme e entradas influenciadas pela Art Nouveau.
O sistema tem 245,6 km de comprimento, principalmente subterrâneo. Possui 321 estações, das quais 61 possuem baldeação entre linhas. Tem dezesseis linhas com quatro adicionais em construção, numeradas de 1 a 14, com duas linhas, Linha 3bis e Linha 7bis, nomeadas porque costumavam fazer parte da Linha 3 e Linha 7, respectivamente. Três linhas (1, 4 e 14) são automatizadas. As linhas são identificadas nos mapas por número e cor, com a direção da viagem indicada pelo terminal. O metrô é operado pela Régie Autonome des Transports Parisiens (RATP), que também opera parte da Réseau Express Régional, linhas de trem leve e rotas de ônibus. É o segundo sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois do Metrô de Moscou, bem como o décimo mais movimentado do mundo. Transportou 1,498 bilhão de passageiros em 2019, cerca de 4,1 milhões de passageiros por dia, o que o torna o sistema de transporte público mais utilizado em Paris. É um dos sistemas de metrô mais densos do mundo, com 244 estações em 105,4 km² da cidade. Châtelet–Les Halles, com cinco linhas de metrô e três linhas de trem suburbano RER, é uma das maiores estações de metrô do mundo.
O sistema geralmente
tem baixa acessibilidade, pois a maior parte da infraestrutura foi construída
antes do surgimento dos padrões de acessibilidade, e poucas estações foram
adaptadas. A primeira linha foi inaugurada sem cerimônia em 19 de julho de
1900, durante a Feira Mundial (Exposition Universelle). O sistema
se expandiu rapidamente até a 1ª guerra mundial (1914-1918) e o núcleo foi
concluído na década de 1920; extensões nos subúrbios foram construídas na
década de 1930. A rede atingiu a saturação após a 2ª guerra mundial (1939-1945)
com novos trens para permitir maior tráfego, mas melhorias posteriores foram
limitadas pelo design da rede e, em particular, pelas curtas distâncias entre
as estações. Em 1998, a Linha 14 foi colocada em serviço para aliviar o RER A.
A Linha 11, que chegará Rosny–Bois-Perrier em 2024, é a extensão mais recente
da rede. Um grande programa de expansão conhecido como Grand Paris Express
(GPE) está atualmente em construção com quatro novas linhas orbitais de metrô
(15, 16, 17 e 18) ao redor da região de Île-de-France, fora dos limites da
cidade de Paris. Existem outros planos para a Linha 1, a Linha 7, a Linha 10,
uma fusão da Linha 3bis e Linha 7bis, Linha 12, bem como uma nova Linha 19
proposta nos subúrbios da cidade.
Ela passou quase toda a
sua carreira na Itália. A comédia ao estilo italiano permitiu que ela se
estabelecesse nas telas, ao lado de “gigantes da sátira” como Vittorio Gassman
(1922-2000), Ugo Tognazzi (1922-1990) e Nino Manfredi (1921-2004), como uma
personagem adolescente moderna e espirituosa que cativou a imaginação sociológica
em seu tempo. Alguns de seus filmes como Les Adolescentes (1964) e La
Vie Ardente (1979) foram censurados pelos democratas-cristãos. Nascida na
França, ela vem de uma família franco-belga que inclui artistas e políticos.
Sua mãe era a atriz francesa Alice Perrier, mais reconhecida pelo seu nome
artístico Claudie Clèves, seu pai Charles Spaak (1903-1975) era roteirista, sua
irmã Agnès também era atriz e mais tarde fotógrafa, enquanto seu tio Paul-Henri
Spaak (1899-1972) foi um político da Bélgica. Ocupou o lugar de
primeiro-ministro da Bélgica. Foi o primeiro Presidente do Parlamento Europeu. Paul-Henri
foi primeiro-ministro da Bélgica várias vezes e sua prima Antoinette Spaak (1928-2020)
foi membro do parlamento e presidente do Front Démocratique des Francofones (FDF).
Sua tia era combatente da Resistência Suzanne Spaak. Depois de
interpretar um pequeno papel com apenas 14 anos no filme Le Trou (1960),
de Jacques Becker (1906-1960), ela fez sua estreia italiana em 1960 com Les
Adolescentes, de Alberto Lattuada, que influenciaria seus papéis
subsequentes, centrados no estereótipo da “adolescente inescrupulosa”.
A mesma personagem, com
ligeiras variações, aparece em muitos filmes em que atuou durante a primeira
metade da década de 1960, como Jeunes Gens au Soleil (1962), Il
Sorpasso (1962), L`Ennui et sa Diversion (1964), L`érotisme
(1963), La Vie Ardente (1964), La Fille de Parme (1963), Una Fille
Qui Mène une Vie de Garçon (1965) e Elle est Terrible (1962), no set
do qual conheceu Fabrizio Capucci (1939-2024), com quem se casou em 1963. Essa
união não durou muito, mas nasceu uma filha, Sabrina, que se tornou atriz de
teatro. Ao mesmo tempo, a Dischi Ricordi ofereceu-lhe um contrato e os
seus primeiros discos de 45 rpm foram lançados, incluindo Mi fai paura
(1964) (Alberto Testa (it) - Iller
Pattacini (it) ); alguns (Quelli
della mia età, uma versão de Tous les garçons et les filles de
Françoise Hardy e L`esercito del surf também conhecida como Noi siamo
i giovani) tornaram-se sucessos nas tabelas musicais, graças também à
promoção dos programas de variedades televisivos de sábado à noite, nos quais
ela era frequentemente convidada. Em 1964, ela recebeu o Targa d`oro no
Prêmio David di Donatello e continuou a trabalhar na Itália com os escritores e
diretores mais célebres, tornando-se uma presença recorrente na comédia
italiana: L`Armia Brancaleone, Adulterio all`italiana, L`Amour
à cheval, Certain, probably et même possible. Em 1967,
foi-lhe oferecido o papel principal em L`Homme à la Ferrari de Dino
Risi, ao lado de Vittorio Gassman e Eleanor Parker, mas o papel foi
posteriormente dado à atriz americana Ann-Margret, reconhecida pelo seu
trabalho em Ânsia de Amar (1971), Adeus, Amor (1963) e Feita
em Paris (1966).
Dado o seu sucesso recente, Catherine Spaak também tentou fazer nome em Hollywood em 1967, aparecendo em Hotel Saint-Gregory, dirigido por Richard Quine (1920-1989), mas o filme, apesar de um grande elenco, não foi bem recebido e a experiência permaneceu isolada. Na França, após um pequeno papel em La Ronde, de Roger Vadim, ela é mais conhecida por sua interpretação da jovem de Zuydcoote por quem Jean-Paul Belmondo se apaixona em junho de 1940 em Weekend at Dunkirk (1964) de Henri Verneuil. Mais tarde, participou em numerosas coproduções franco-italianas, por vezes contracenando com estrelas francesas como Jacques Perrin em La Vie ardente ou Jean-Louis Trintignant em L`Amour à cheval e Le Fanfaron. Posteriormente, participou nos telefilmes franceses Le Jour le plus court de Pierre Kast (1983), Julie, chevalier de Maupin de Charlotte Brändström (2004), e interpretou o papel de Reine Grenier na 2ª temporada da série Une Famille Formidable, antes de ser substituída por Béatrice Agenin. Em 1968, sob a direção de Antonello Falqui, estrelou La Vedova Allegra, um musical para televisão baseado na opereta de mesmo nome, os vocais foram dublados por Lucia Mannucci do Quartetto Cetra.
Seu colega de elenco foi Johnny Dorelli, com quem se casou em 1972 e com quem teve um filho, Gabriele, antes da separação em 1979. A partir de 1970, ela começou a escrever para vários jornais, contribuindo para Corriere della Sera, Amica, Marie Claire, Il Mattino, TV Sorrisi e Canzoni. Durante essa década, ela participou de inúmeros filmes de gênero, desde faroestes (The Terrible Ride) até erotismo em conventos (A Seventeenth Century Story), de terror (The Cat o` Nine Tails, de Dario Argento) ao drama Dear Parents, onde interpretou o papel de uma lésbica, e participou da comédia cult Horse Fever, dirigida por Steno. Na temporada de 1978-1979, ela interpretou o papel de Rossana no musical Cyrano (de Riccardo Pazzaglia e Domenico Modugno), dirigido por Daniele D`Anza; na temporada seguinte, foi substituída por Alida Chelli. No início dos anos 1980, ela voltou a estrelar algumas comédias de sucesso ao lado de Paolo Villaggio (Rag. Arturo De Fanti, bancario precario (it)) e Alberto Sordi (Moi et Catherine), antes de reduzir gradualmente sua atividade cinematográfica.
Em 1990, ela retornou ao cinema no último filme em que atuou com Monica Vitti, Scandale secret. Em 1988, ela coapresentou as três primeiras edições do programa Forum (it) com o juiz Santi Licheri (it). Escritora e apresentadora de debates televisivos de sucesso, o mais famoso dos quais continua sendo Harem (mais de 15 edições para a RAI 3), ela era muito apreciada pelo público por sua elegância e refinamento. Durante a temporada televisiva de 2002-2003, ela foi apresentadora na LA7 do programa Il Sogno dell`angelo, um talk show com escopo em espiritualidade. Após o fim de seu período mais ativo na televisão, ela retornou ao cinema na virada do milênio em diversas comédias. Em 2007, ela participou do programa Ballando con le Stelle, mas foi eliminada na terceira semana. Em 2015, ela foi uma das participantes da 10ª temporada do reality show L`isola dei Famosi, transmitido pelo Canale 5 e apresentado por Alessia Marcuzzi; essa experiência não lhe deixou boas lembranças: - “O barco balançava muito, a gente se esbarrava, algumas pessoas riam, outras não. Posso dizer que foi a pior meia hora da minha vida” e ela encerrou esse compromisso em 2 de fevereiro de 2015. Com Brigitte Bardot, ela participou do apelo a José Manuel Durão Barroso para um Dia Europeu do Vegetarianismo.
Bibliografia Geral Consultada.
SARTRE, Jean-Paul, Lo Imaginario - Psicologia Fenomenológica de la Imaginación. Buenos Aires: Ediciones Ibero-Americana, 1948; BACHELARD, Gaston, La Poétique de L`Espace. Paris: Les Preses Universitaires de France. 3 édition Collectio: Bibliothèque de Philosophie Contemporaine, 1961; HELLER, Agnes, Sociologia della vita quotidiana. Roma: Editore Riuniti, 1975; MITZMAN, Arthur, La Jaula de Hierro. Una Interpretación Histórica de Max Weber. Madrid: Editorial Alianza Universidad, 1976; DEBRAY, Régis, Le Pouvoir Intellectuel en France. Paris: Éditions Ramsay, 1979; ESPOSITO, Roberto, Ordine e Conflito. Machiavelli e la Literatura Politica del Rinascimento. Roma: Editore Liguori, 1984; GROSSKURTH, Phyllis, Melanie Klein: Seu Mundo e Sua Obra. Nova York: Alfred A. Knopf, 1986; GINZBURG, Carlo, Miti, Emblemi, Spie. Morfologia e Storia. Torino: Editore Einaudi, 1986; LÉVY, Bernard-Henri, Elogio dos Intelectuais. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1988; MILOSZ, Czeslaw, A Mente Cativa. Nova York: Livros Vintage, 1990; ANDERSON, Benedict Ruth, Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism. Revised and extended. 2ª edition. London: Verso Editor, 1991; VERNANT, Jean-Pierre, O Universo, os Deuses, os Homens. São Paulo: Editora Companhia da Letras, 2000; BENDA, Julien, A Traição dos Intelectuais. New Brunswick: Editor Transaction Publishers, 2003; CLAUSSEN, Dane, Anti-Intellectualism in American Media. Nova York: Peter Lang Publishing, 2004; MISTAL, Bárbara, Intelectuais e o Bem Público. Cambridge University Press, 2007; BURKE, Peter, O que é história cultural? Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2014; ROCHA, Helio Ronyvon Gomes, O Encontro de Subjetividades em A Pessoa é Para o Que Nasce. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2016; PORRO, Maurizio, “Morta Catherine Spaak: l’attrice Aveva 77 Anni”. In: Corriere della Sera, 17 Avril 2022; entre outros.
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