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domingo, 25 de maio de 2025

Jacobina Mentz Maurer – Língua Hunsrik & Cristianismo Primitivo.

                                          Les philosophes croient faire leur miel de tout, mais ce n`est que de la cire”. Alain Touraine                            

      

Jacobina Mentz Maurer (1841-1874) representou uma líder religiosa brasileira, que participou da denominada Revolta dos Muckers, acontecida no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, entre 1868 e 1874. Oriunda da primeira comunidade alemã do Brasil, Jacobina liderava uma comunidade religiosa cristã, cujos membros “não bebiam, não fumavam e não usavam moeda como meio de troca comercial”. Ganharam a alcunha de “mucker”, termo alemão que pode significar santarrão, beato ou fanático religioso. Eles encontraram no sectarismo e no modelo local religioso uma resposta para lidarem com os problemas culturais em que viviam.  Ao se assumir como a “reencarnação feminina de Jesus Cristo”, Jacobina tornou-se a porta-voz dos menos afortunados da comunidade, ao passo que seu marido, João Maurer, era o curandeiro local. Acusados de feitiçaria e de bruxaria pela comunidade, os muckers foram perseguidos pelo poder do Estado e acusados por cometerem crimes e criarem uma seita. Isso gerou a Revolta do Muckers entre o governo provincial e os habitantes membros da comunidade de Jacobina.  Jacobina Mentz era filha de André Mentz e de Maria Elisabeth Müller, imigrantes alemães. Os avós paternos de Jacobina, Libório Mentz e Madalena Ernestina Lips, chegaram ao Brasil no navio Germânia, entre a primeira leva de imigrantes alemães que foram para o Rio Grande do Sul em 1824, naturais de Tambach-Dietharz, na Turíngia, no centro da Alemanha.

Em 13 de janeiro de 1824, depois de uma viagem de seis meses, o veleiro Argus chegava ao porto do Rio de Janeiro. A embarcação holandesa trazia para o Império brasileiro 269 imigrantes alemães. O Argus era o primeiro dos quase 40 navios que trariam ao Brasil mais de 11 mil colonos e soldados germânicos até 1830. O projeto de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o “Patriarca da Independência”, tinha como objetivo criar colônias agrícolas, desenvolver o minifúndio e dar início à industrialização do país tendo como exemplo a mão de obra livre. O major Johann Anton von Schaeffer, enviado de Bonifácio à Europa, rapidamente conseguiu agenciar gente interessada em vir para o Brasil, principalmente do atual Estado alemão de Hessen, então um grão-ducado. Empobrecida pelas Guerras Napoleônicas (1803-1815) e pela Revolução Industrial, a população rural dessa região aceitou a generosa oferta do imperador brasileiro dom Pedro I (1798-1834): propriedades de 77 hectares, animais, sementes e ferramentas. Parte dos imigrantes, principalmente os solteiros e os que não podiam arcar com os custos da viagem, serviriam por quatro anos no Exército imperial antes de ter direito à terra como os demais. Schaeffer despachou o primeiro grupo para a Holanda via Rio Reno. Os portos holandeses eram mais próximos do Brasil, diminuíam o tempo e os custos da viagem. As levas de imigrantes partiriam de Hamburgo, no Norte da Alemanha. 

Em Amsterdã, os primeiros imigrantes foram embarcados no Argus, um velho navio de madeira, com velas e três grandes mastros. A viagem teve início em julho de 1823.  Entre os passageiros imigrantes estava um pastor: Friedrich Oswald Sauerbronn (1784-1864). Aos 40 anos, ele foi o primeiro religioso luterano a se estabelecer na América do Sul. Sauerbronn atendera a comunidade de Becherbach, no Hunsrück, durante 15 anos, até que decidiu emigrar com a esposa e os sete filhos para o Brasil, grávida, a companheira do pastor faleceria durante a viagem oceânica. No começo do século XIX, a travessia do Atlântico não era confortável nem segura. Em média, os navios tinham menos de cem metros de comprimento por 30 de largura. Pouco espaço e nenhuma privacidade. Os passageiros do Argus enfrentaram inúmeros infortúnios. Ainda durante a viagem fluvial, dois colonos morreram afogados no Reno e a caravana teve problemas com a polícia por causa dos passaportes – os dois homens não tinham permissão para sair da Alemanha. Dezoito dias depois de deixar a Holanda, o Argus foi atingido por uma violenta tempestade, perdeu o mastro principal e foi obrigado a voltar ao porto. Enquanto o navio recebia reparos, 26 colonos fugiram do veleiro e não voltaram.  Após quase um mês, o barco partiu com destino ao Brasil. Dessa vez, com o comandante B. Ehlers sendo auxiliado pelo experiente capitão Peter Zink. A sorte parecia não estar ao lado dos primeiros imigrantes alemães.                         


No Canal da Mancha, o Argus foi castigado por ventos fortes e obrigado a ancorar no porto inglês de Cowes, na ilha de Wight. Depois de duas semanas de espera, o barco zarpou. Apenas para ser atingido por um furacão no Golfo da Biscaia, na costa espanhola. O Argus foi parar no litoral africano. Enquanto se dirigia a Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias, o veleiro foi atacado por piratas. De nada adiantaram os 36 canhões de defesa com os quais o navio era armado, tampouco os soldados que transportava. Depois de tantas tribulações, o Argus finalmente ancorou no Rio de Janeiro. A então capital do país tinha pouco menos de 80 mil habitantes, dos quais 36 mil eram escravizados e enviados por navios negreiros e umas 10 mil casas. Os alemães que serviriam no Exército foram mantidos na cidade e instalados nos quartéis. O governo imperial esperava enviar os demais imigrantes do navio recém-chegado e de outros que estavam chegando para o Sul da Bahia, onde uma colônia fora instalada por particulares em 1816. Ou para Nova Friburgo, na serra do Rio de Janeiro, onde o governo português criara uma colônia com suíços em 1819. Mas dom Pedro I mudou de ideia. Ordenou que José Feliciano Fernandes Pinheiro (1774-1847), governador da província do Rio Grande do Sul, organizasse a fundação de uma colônia próxima a província de Porto Alegre. Para que Fernandes Pinheiro tivesse tempo, os imigrantes que haviam chegado no Argus foram encaminhados para Nova Friburgo. 

O grupo subiu a serra e chegou à vila em 3 de maio de 1824. Em julho, outra leva de colonos alemães chegou à capital gaúcha. Eram passageiros do transatlântico Anna Louise, o terceiro navio enviado por Schaeffer. Eles seriam os pioneiros da nova colônia que se estabelecia de São Leopoldo. A Revolta dos Muckers, do alemão Mucker, “falso beato”, ou Campanha do Morro do Ferrabrás foi um conflito social e religioso ocorrido entre 1873 e 1874 na antiga colônia de São Leopoldo, no sopé do Morro Ferrabraz atual cidade de Sapiranga. O movimento, de caráter messiânico e milenarista (cf. Queiroz, 1969), foi liderado por Jacobina Mentz Maurer e seu marido, João Jorge Maurer, e culminou em uma sangrenta repressão por parte do Exército Brasileiro e de milícias de colonos locais. Os Mucker eram colonos de origem alemã que ocupavam o Morro Ferrabrás, na colônia Padre Eterno, Fazenda Leão ou Leonerhof, no centro do triângulo nomeado por Novo Hamburgo, Taquara e Gramado, povoado por agricultores imigrantes alemães, sem esquecer de Sapiranga. Esses colonos, sem assistência médica, religiosa ou educacional, entraram num processo de decadência e empobrecimento. Nesse quadro de abandono, despontaram as lideranças de João Maurer, um curandeiro a quem os colonos confiavam sua saúde, e a esposa Jacobina, que na falta de padres e pastores, passou a interpretar a Bíblia e assim a desfrutar grande credibilidade entre colonos que aumentou em decorrência de seus ataques epilépticos, interpretados por seus seguidores como encontros com Deus.               

O Hunsrückisch é um dialeto alemão falado na região do Hunsrück, no Sudoeste da Alemanha, sendo o dialeto que deu origem à língua Hunsrück falada nos estados brasileiros de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo, e que possui forte influência do português. Para diferenciar o dialeto usado no Brasil inicialmente daquele usado na Alemanha, em 1996 o linguista brasileiro Cléo Vilson Altenhofen denominou o falar brasileiro de Riograndenser Hunsrückisch com referência ao estado do Rio Grande do Sul. Essa nomenclatura, porém, sofreu críticas de outros estudiosos, uma vez que o Hunsrückisch também é falado nos estados de Santa Catarina e do Paraná, da região Sul, e em várias localidades do estado do Espírito Santo da região Sudeste. Ademais, na Alemanha, o dialeto é reconhecido como francônio-renano ou francônio-moselano. O Hunsrückisch faz parte dos dialetos francônios falados no Sudoeste da Alemanha. O Hunsrückisch tem origem nos dialetos francônio-renano e francônio-moselano falados na região do Hunsrück, às margens dos rios Reno e Mosela, no Oeste da Alemanha que geograficamente Estado nacional, apenas se unificou politicamente em 1871, portanto, o alemão padrão existente era, até o século XIX, uma língua literária, criada por Martinho Lutero (cf. Menezes, 2005) na sua tradução da Bíblia.

O povo alemão, no seu dia a dia, não usava o alemão padrão para se comunicar, mas diversos dialetos regionais. Até por volta de 1800 o alemão padrão foi principalmente uma língua escrita, na Alemanha. O alemão padrão era, muitas vezes, aprendido como língua estrangeira e tinha pronúncia incerta. Com o processo de unificação do país e com a alfabetização em massa da população, o alemão padrão passou a ser a língua usada pelos falantes dos diferentes dialetos, para se entenderem, embora os dialetos regionais tenham-se mantido nos lares. Com a imigração alemã no Brasil, no decorrer dos últimos dois séculos, os dialetos alemães também vieram a se estabelecer como línguas regionais. Porém, algo curioso aconteceu: enquanto na Alemanha o alemão padrão serviu para que os falantes de diferentes dialetos pudessem se comunicar, no Brasil, a ainda incipiente consolidação do alemão padrão à época do início da imigração, esse papel foi desempenhado por um dialeto, o Hunsrückisch. Existem duas hipóteses para esse fenômeno. A primeira porque a maioria dos imigrantes teriam vindo do Hunsrück, portanto, seu dialeto predominou. A segunda porque o Hunsrückisch apresenta traços intermediários entre os diferentes dialetos alemães, portanto serviu como um koiné entre falantes de vários dialetos. O koiné foi o primeiro dialeto comum suprarregional na Grécia e chegou a servir como língua franca no Mediterrâneo Oriental e no antigo Oriente Próximo, ao longo do período romano. Foi também a língua original do Novo Testamento da Bíblia e da Septuaginta, tradução grega das escrituras judaicas. O koiné é o ancestral mais próximo do grego moderno. O que se sabe é que os imigrantes alemães no Brasil eram provenientes de diversas partes da Alemanha, portanto, os brasileiros falantes de Hunsrückisch não necessariamente descendem de pessoas oriundas do Hunsrück.

Nessas comunidades alemãs, o dialeto Hunsrückisch manteve-se, durante várias décadas, como a língua principal de comunicação. As colônias alemãs no Sul formaram-se, normalmente, em regiões de floresta despovoadas ou habitadas por índios, que foram expulsos para a chegada dos imigrantes. Devido a esse isolamento, os alemães conseguiram criar uma “ilha linguística”, na qual o alemão era a língua principal, e não o português. No início do século XX, havia centenas de milhares de teuto-brasileiros de segunda e de terceira geração que mal conseguiam falar o português. Essa diferenciação favorecia o sentimento de grupo minoritário, que se aliava à formação de instituições étnicas sólidas, como escolas, igrejas, associações sociais e uma imprensa em língua alemã. Todos esses elementos sociais combinados promoviam um sentimento geral de “superioridade cultural”. Em 1930, havia 2.500 escolas étnicas no Brasil. Dessas, 1.579 eram de imigrantes alemães. Nessas escolas, as crianças aprendiam o alemão-padrão difundido na Alemanha. Esse isolamento linguístico e cultural foi combatido de forma agressiva pelo governo nacionalista de Getúlio Vargas, por meio da campanha de nacionalização. Todas as escolas alemãs no país foram fechadas, aniquilando o meio-escolar teuto-brasileiro. O alemão-padrão aprendido na escola foi, assim, eliminado, enfraquecendo o uso do alemão nos centros urbanos, o qual passou a ficar limitado à zona rural. Pessoas eram hostilizadas e agredidas caso falassem alemão na rua. A polícia fiscalizava a vida privada das pessoas, invadindo as casas para queimar livros escritos em alemão. Muitas pessoas foram presas pelo simples fato de falarem alemão.    

A Biblioteca da Unisinos é uma biblioteca localizada no campus da Universidade do Vale do Rio dos Sinos na cidade brasileira de São Leopoldo, no estado do Rio Grande do Sul. Dentre os setores que ali estão albergadas está o "Memorial Jesuíta", composto por obras de acervos como os que pertenceram aos padres Balduíno Rambo e Werner von und zur Mühlen, e ainda acervos que foram de intelectuais variados como o do professor Kurt Walzer ou dos advogados Júlio Marcos Germany Gaiger e Clodomir Vianna Moog. Em 1942, 1,5% dos habitantes de Blumenau foram encarcerados por falar alemão. O fechamento das escolas fez com que as pessoas se apegassem cada vez mais ao dialeto alemão usado no dia a dia, distante do alemão-padrão. O censo de 1940 contabilizou 644.458 pessoas que usavam o alemão (qualquer variedade) como língua principal do lar, no Brasil. Dessas pessoas, apenas 59.169 eram estrangeiras e 5.083 brasileiras naturalizadas. A maioria dessas pessoas (580.114) era nascida no Brasil e já estava há pelo menos três gerações no país. Os falantes de alemão concentravam-se nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Com a campanha de nacionalização, muitos brasileiros de origem alemã passaram a ter vergonha e medo de serem “alemães”. Devido ao trauma, muitos, por opção própria, não queriam mais falar alemão. Ao invés de alcançar a integração, a Nacionalização, ao proibir o alemão e pregar a discriminação, contribuiu para um maior isolamento, uma perda, temporária, do processo de integração.

 Historicamente, o governo brasileiro propagou a ideia de que o Brasil era um país homogêneo e monolíngue, e adotou medidas repressivas contra os falantes de línguas não portuguesa. Por muito tempo, falar português era visto como uma condição para ser brasileiro. O estigma em ser falante per se de Hunsrückisch existe. A compreensão hermenêutica tem, de acordo com sua estrutura, o objetivo de assegurar, no seio das tradições culturais, uma autoconcepção dos indivíduos e dos grupos, suscetível de orientar a ação e o entendimento recíproco de diferentes grupos e indivíduos. Os gregos criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais com os quais se procura evidenciar alguma coisa de extraordinário, ou mau, sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais eram feitos com cortes ou fogo no corpo e avisavam que o portador era um escravo, um criminoso ou traidor, uma pessoa marcada, ritualmente poluída, que devia provavelmente ser evitada; especialmente em lugares públicos. Historicamente na chamada Era cristã, dois níveis de metáfora foram acrescentados ao termo: o primeiro deles referia-se a sinais corporais de graça divina que tomavam a forma de “flores em erupção” sobre a pele; o segundo, uma alusão médica a essa ilusão religiosa, referindo-se a sinais corporais de distúrbio físico. Segundo Erving Goffman, no ensaio: Estigma - Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada (2014) é amplamente usado de maneira semelhante ao sentido original, embora indicando à própria desgraça aparentemente do que se põe à sua evidência corporal. Os estudiosos, não se esforçaram para descrever as precondições estruturais do estigma, ou mesmo para fornecer uma definição do próprio conceito. O termo é em referência a um atributo depreciativo

É da linguagem de relações e não de atributos. Um atributo que estigmatiza confirma a normalidade do Outro, sem ser per se horroroso nem desonroso. O termo estigma e seus sinônimos ocultam uma dupla perspectiva de âmbito social. Assume o estigmatizado que a sua característica distintiva já é conhecida ou é imediatamente evidente ou então que ela não é nem conhecida pelos presentes e nem imediatamente perceptível por eles? No primeiro caso, conceitualmente, está-se lidando com a condição real de desacreditado, no segundo com a condição em tese do desacreditável. Esta é uma diferença importante, socialmente, mesmo que um indivíduo estigmatizado em particular tenha, provavelmente, experimentado ambas as situações. Todavia, para Goffman, podem-se mencionar três tipos característicos de estigmas diferentes. Em primeiro lugar, há as abominações do corpo – as várias deformidades físicas. Em segundo, as culpas de caráter individual, percebidas como “vontade fraca”, “paixões tirânicas”, ou não naturais, crenças falsas e rígidas, desonestidade, sendo essas inferidas a partir de relatos etnográficos conhecidos de, por exemplo, distúrbio mental, prisão, vício, alcoolismo, “homossexualismo”, “homoerotismo”, desemprego, tentativas de suicídio e comportamento político-afetivo radical. Finalmente, há os estigmas tribais de raça, etnia, minorias, nação e ceticismo e “estigmas de re(li)gião”, que podem ser transmitidos de linhagem e contaminar por igual todos os membros de uma família.

A relação sexual converte-se então num desejo de estar no corpo do outro, um viver e um ser vivido por ele numa fusão de corpos que se prolonga como ternura por suas fraquezas, suas ingenuidades, seus defeitos e imperfeições. Não importa mesmo quem seja essa pessoa, pois na paixão nasce uma força terrível que nos leva à fusão e nos torna insubstituíveis, únicos um para o outro. O ente amado se converte naquele que não pode ser senão ele - o absolutamente especial. E isso acontece mesmo contra a nossa vontade, e apesar de acreditarmos por algum tempo que podemos viver sem ele, e que podemos encontrar essa mesma felicidade em outra pessoa qualquer. Mas não ocorre bem assim. Basta uma breve separação para termos a certeza de que este amado é portador de algo inconfundível, algo que sempre nos faltou, que se revelou através dele e que sem ele não podemos encontrar de novo, enfim, que represente simbolicamente a diversidade e a unicidade de quem amamos. Os fatos sociais por si mesmos, só aparentemente nos demonstram que nossa sexualidade de manifesta de maneira comum, quotidiana e de maneira extraordinariamente, afetiva, descontínua. A sexualidade se transforma quase que habitualmente por no meio de ação social normal pelo qual a vida explora as fronteiras do impossível, os horizontes do imaginário individual do sonhador e da natureza ecologicamente, mas o que é revelador, acidental ou não, é que estamos diante do estado nascente progressivamente de compreensão da vida.

Muitos dos seus falantes acham que falam apenas um “dialeto” ou uma “língua misturada”. Outros acham que falam um "alemão errado", uma vez que o alemão-padrão é aquele visto como a língua certa e culta. Em decorrência, muitos acham inútil aprender o Hunsrückisch pois, por ser diferente do alemão-padrão, não traria benefícios aos seus falantes. Em decorrência, o alemão-padrão e o português são vistos como línguas necessárias, que trazem status e oportunidades, ao passo que o Hunsrückisch é encarado como uma língua menor. Pesquisas mostram que, em algumas comunidades de origem germânica no Brasil, os falantes de alemão são normalmente pessoas acima dos cinquenta anos de idade, já que a maioria dos jovens sabem pouco ou nada do idioma, o que representa uma perda cultural. Porém, nos últimos anos, através de um forte apelo de brasileiros germanófonos para a adoção da língua alemã como vernáculo oficial das cidades colonizadas por alemães, o município de Pomerode foi o primeiro a adotar a língua alemã como cooficial no município. O processo de vernaculação oficial do alemão deve se repetir nos próximos anos em todo município em que a maioria da população seja descendente de alemães de forma que escolas públicas ensinem obrigatoriamente a língua alemã, e serviços públicos também sejam prestados em alemão.

 O processo de co-oficialização do alemão e, sobretudo, dos dialetos, além de resgatar o idioma, contribui para diminuir o estigma de ser falante de um alemão errado, por ser diferente daquele usado na Alemanha. Atualmente, não se sabe ao certo quantas pessoas usam o alemão no Brasil pois, desde 1950, os censos nacionais eliminaram a pergunta sobre línguas. Em 1970, Altenhofen estimou em 1.386.945 o número de falantes de uma variedade do alemão no Rio Grande do Sul. Em 1996, ele estimou que o número havia caído para entre 700 mil e 900 mil falantes. Damke, em 1996, estimou em mais de dois milhões de falantes de qualquer variedade da língua alemã no Brasil. Como a língua foi passada de geração em geração pela oralidade, muitas pessoas, cujos pais são falantes de Hunsrückisch, entendem, mas não falam o idioma. Em Antônio Carlos (Santa Catarina), por exemplo, cidade de colonização alemã, apenas 10% da população consegue se expressar no idioma. Os falantes de alemão como primeira língua normalmente tem mais de 45 anos, refletindo um declínio do aprendizado entre os jovens. O Hunsrückisch falado no Brasil não é homogêneo, apresentando variedades internas. Os imigrantes que chegaram entre 1824 e 1850 eram provenientes da Alemanha que não havia uma unidade linguística padrão, tampouco a variedade escrita do alemão estava difundida no país.

Portanto, esses imigrantes pioneiros trouxeram uma variedade enorme de dialetos para o Brasil, uma vez que poucos eram escolarizados. Diferentemente, os imigrantes que chegaram a partir da segunda metade do século XIX já eram provenientes de uma Alemanha onde a alfabetização se tornara mais democrática e, portanto, eles tinham maior acesso ao alemão-padrão ou Hochdeutsch. Portanto, houve uma divisão entre os grupos de alemães no Brasil: os imigrantes pioneiros, chegados entre 1824 e 1850, em decorrência da distância e da ausência da variedade escrita, passaram a falar um alemão cada vez mais distante daquele usado na Alemanha e o sentimento de ser alemão foi-se enfraquecendo. Por outro lado, os imigrantes que chegaram após 1850 eram falantes da variedade padrão, de maior prestígio social. Enquanto os primeiros transfiguraram-se em “teuto-brasileiros”, os segundos eram os “alemães da Alemanha”. Essa divisão entre imigração pioneira e tardia ainda pode ser observada hoje. No Rio Grande do Sul há duas grandes áreas linguísticas próprias: de um lado, nas colônias próximas a São Leopoldo, o alemão falado tem características mais dialetais (consubstanciado pelo uso da palavra Deitsch), ao passo que a oeste, a partir do vale do Taquari, o alemão falado é mais próximo da língua-padrão (área Deutsch). As colônias alemãs do oeste do estado são de fundação mais recente que as próximas a São Leopoldo, denotando que receberam imigrantes alemães já falantes do alemão-padrão. Em vista das diferenças entre o dialeto falado na Europa e o que é praticado no Sul do Brasil, em 1996, Cléo Altenhofen cunhou o termo Riograndenser Hunsrückisch para a versão usada no Brasil.

Porém, a mesma versão também é falada nos estados de Santa Catarina, do Paraná e em uma cidade do Espírito Santo, o que levou alguns estudiosos a criticar o termo “riograndenser”. O Hunsrückisch tem base essencialmente germânica, a despeito dos vários empréstimos do português, e ainda se assemelha bastante ao falar usado na região alemã em que se originou. Porém, seu status é de língua brasileira que, ao lado de outras línguas de imigração e indígenas, fazem parte do patrimônio cultural imaterial do Brasil. O dialeto apresenta traços de alemão antigo, uma vez que as relações com a Alemanha foram cessadas e o contato com o alemão-padrão é praticamente nulo. O dialeto preservou muitas características do alto alemão médio. Mas, algumas palavras absorveram outra assepsia, enquanto algumas poucas foram criadas, como “Schuppenschwein” (tatu), em vez de “Gürteltier”. O Hunsrückisch absorveu muitas influências da língua portuguesa, sobretudo em contextos sociais urbanos e entre jovens de classes sociais mais elevadas. Empréstimos de palavras do português existem sobretudo em relação a inovações tecnológicas que não existiam quando da imigração e em termos da fauna e da flora do novo ambiente. Por exemplo, no Hunsrückisch, avião é aviong, em vez do alemão padrão Flugzeug; caminhão é kamiong, em vez de Lastwagen, e roça é rossa, em vez de Feld

Algumas expressões são traduções literais do português, como em “alles gut?” (“tudo bem?”) no lugar do alemão wie geht`s. O sociólogo Emilio Willems listou 693 palavras emprestadas do português, muitas das quais ligadas ao ambiente rural típico dos colonos. Também desempenhou um papel socialmente importante nos acontecimentos João Jorge Klein, pastor leigo e professor, cunhado de Jacobina Maurer. No episódio da Revolta dos Muckers, tropas do exército foram lançadas numa operação sangrenta, fruto da inabilidade das autoridades de São Leopoldo e da Província do Rio Grande do Sul. Foi a primeira cidade fundada por imigrantes alemães no Brasil. Foi habitada por índios carijós e por imigrantes açorianos. Era um vilarejo reconhecido como Feitoria do Linho-cânhamo quando chegaram os primeiros 39 imigrantes alemães à região, em 25 de julho de 1824, enviados pelo imperador brasileiro Dom Pedro I para povoá-la. A desativada Real Feitoria do Linho Cânhamo fora um estabelecimento agrícola do governo onde eram produzidas cordas, mas que não dera muitos resultados, tendo falido, entre outros motivos, devido à corrupção dos administradores. Essa feitoria localizava-se junto da margem esquerda do Rio dos Sinos. A data de 25 de julho de 1824 passou a ser considerada a data de fundação de São Leopoldo. Instalados na feitoria até que recebessem seus lotes coloniais, este núcleo foi legalizado com o “Colônia Alemã de São Leopoldo” em homenagem à Imperatriz Leopoldina, a esposa austríaca de Dom Pedro I. Nesta época, era então governador do estado o Visconde de São Leopoldo. O Hunsrückisch é um dialeto alemão falado na região do Hunsrück, no sudoeste da Alemanha, sendo o dialeto que deu origem à língua hunsrik falada nos estados brasileiros de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo, e que possui forte influência do português. 

Para diferenciar o dialeto usado no Brasil inicialmente daquele usado na Alemanha, em 1996 o linguista brasileiro Cléo Vilson Altenhofen denominou o falar brasileiro de Riograndenser Hunsrückisch (com referência ao estado do Rio Grande do Sul). Essa nomenclatura, porém, sofreu críticas de outros estudiosos, uma vez que o Hunsrückisch também é falado nos estados de Santa Catarina e do Paraná e em várias localidades do Espírito Santo. Ademais, na Alemanha, o dialeto é conhecido como francônio-renano ou francônio-moselano. O Hunsrückisch faz parte dos dialetos francônios falados no sudoeste da Alemanha. O Hunsrückisch tem origem nos dialetos francônio-renano e francônio-moselano falados na região do Hunsrück, às margens dos rios Reno e Mosela, no oeste da Alemanha. A Alemanha, como Estado nacional, apenas se unificou em 1871, portanto o alemão padrão hoje existente era, até o século XIX, uma língua literária, criada por Martinho Lutero na sua famosa tradução da Bíblia. O povo alemão, no seu dia a dia, não usava o alemão padrão para se comunicar, mas diversos dialetos regionais. Até por volta de 1800, o alemão padrão foi principalmente uma língua escrita, na Alemanha. O alemão padrão era, muitas vezes, aprendido como língua estrangeira e tinha pronúncia incerta. Com a unificação do país e a alfabetização em massa, o alemão padrão passou a ser a língua usada pelos falantes dos diferentes dialetos, para se entenderem, embora os dialetos regionais tenham-se mantido nos lares.

Com a imigração alemã no Brasil, no decorrer dos últimos dois séculos, os dialetos alemães também vieram a se estabelecer como línguas regionais. Porém, algo curioso aconteceu: enquanto na Alemanha o alemão padrão serviu para que os falantes de diferentes dialetos pudessem se comunicar, no Brasil - dada a ainda incipiente consolidação do alemão padrão à época do início da imigração -, esse papel foi desempenhado por um dialeto, o Hunsrückisch. Existem duas hipóteses para esse fenômeno. A primeira porque a maioria dos imigrantes teriam vindo do Hunsrück, portanto seu dialeto predominou. A segunda porque o Hunsrückisch apresenta traços intermediários entre os diferentes dialetos alemães, portanto serviu como um coiné entre falantes de vários dialetos. O que se sabe é que os imigrantes alemães no Brasil eram provenientes de diversas partes da Alemanha, portanto, os brasileiros falantes de Hunsrückisch não necessariamente descendem de pessoas oriundas do Hunsrück. Nessas comunidades alemãs, o dialeto Hunsrückisch manteve-se, durante várias décadas, como a língua principal de comunicação. As colônias alemãs no Sul formaram-se, normalmente, em regiões de floresta despovoadas ou habitadas por índios, que foram expulsos para a chegada dos imigrantes. Devido a esse isolamento, os alemães conseguiram criar uma “ilha linguística”, na qual o alemão era a língua principal, e não o português. No início do século XX, havia centenas de milhares de teuto-brasileiros de segunda e de terceira geração que mal conseguiam falar o português. 

Essa diferenciação favorecia o sentimento de grupo minoritário, que se aliava à formação de instituições étnicas sólidas, como escolas, igrejas, associações sociais e uma imprensa em língua alemã. Todos esses elementos combinados promoviam um sentimento geral de “superioridade cultural”. Em 1930, havia 2.500 escolas étnicas no Brasil. Dessas, 1.579 eram de imigrantes alemães. Nessas escolas, as crianças aprendiam o alemão-padrão difundido na Alemanha. Esse isolamento linguístico e cultural foi combatido de forma agressiva pelo governo nacionalista de Getúlio Dorneles Vargas (1882-1954), por meio da campanha de nacionalização obviamente autoritária. Isto é, quando de fato as escolas alemãs no país foram fechadas, “aniquilando o meio-escolar teuto-brasileiro”. O alemão-padrão aprendido na escola foi, assim, eliminado, enfraquecendo muito a utilidade de uso do alemão nos centros urbanos, o qual passou a ficar limitado à zona rural. Pessoas eram hostilizadas e agredidas caso falassem alemão na rua. A polícia fiscalizava a vida privada das pessoas, invadindo as casas para queimar livros escritos em alemão. Muitas pessoas foram presas pelo simples fato de falarem alemão. Em 1942, 1,5% dos habitantes de Blumenau foram encarcerados por falar alemão. O fechamento das escolas fez com que as pessoas se apegassem cada vez mais ao dialeto alemão usado no dia a dia, distante do alemão-padrão. O censo de 1940 contabilizou 644.458 pessoas que usavam o alemão (qualquer variedade) como língua principal do lar, no Brasil. Dessas pessoas, apenas 59.169 eram estrangeiras e 5.083 brasileiras naturalizadas. A maioria (580.114) era nascida no Brasil e já estava há pelo menos três gerações no país. Os falantes de alemão concentravam-se nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Com a campanha de nacionalização, muitos brasileiros de origem alemã passaram a ter vergonha e medo de serem “alemães”. 

Devido ao trauma, muitos, por opção própria, não queriam mais falar alemão. Ao invés de alcançar a integração, a nacionalização, ao proibir o alemão e pregar a discriminação, contribuiu para um maior isolamento, uma perda, temporária, do processo de integração. Historicamente, o governo brasileiro propagou a ideia de que o Brasil era um país homogêneo e monolíngue, e adotou medidas repressivas contra os falantes de línguas não portuguesa. Por muito tempo, falar português era visto como uma condição social para ser brasileiro. O estigma em ser falante de Hunsrückisch existe até hoje. Muitos dos seus falantes acham que falam apenas um “dialeto” ou uma “língua misturada”. Outros acham que falam um “alemão errado”, uma vez que o alemão-padrão é aquele visto como a língua certa e culta. Em decorrência, muitos acham inútil aprender o Hunsrückisch pois, por ser diferente do alemão-padrão, não traria benefícios aos seus falantes. Em decorrência, o alemão-padrão e o português são vistos como línguas necessárias, por que trazem status e oportunidades sociais de sobrevivência, ao passo que o Hunsrückisch é encarado como uma língua menor. Pesquisas mostram que, em algumas comunidades de origem germânica no Brasil, os falantes de alemão são normalmente pessoas acima dos cinquenta anos de idade, já que a maioria dos jovens sabem pouco ou nada do idioma, o que representa uma perda cultural.

Porém, nos últimos anos, através de um forte apelo de brasileiros germanófonos para a adoção da língua alemã como vernáculo oficial das cidades colonizadas por alemães, o município de Pomerode foi o primeiro a adotar a língua alemã como cooficial no município. O processo de vernaculação oficial do alemão deve se repetir nos próximos anos em todo município em que a maioria da população seja descendente de imigrantes alemães, de forma que escolas públicas ensinem obrigatoriamente a língua alemã, e serviços públicos também sejam prestados em alemão. O processo de co-oficialização do alemão e, sobretudo, dos dialetos, além de resgatar o idioma, contribui para diminuir o estigma de ser falante de um alemão “errado”, por ser diferente daquele usado na Alemanha nos dias de hoje. Atualmente, não se sabe ao certo quantas pessoas usam o alemão no Brasil pois, desde 1950, os censos nacionais eliminaram a pergunta sobre línguas. Em 1970, Altenhofen estimou em 1.386.945 o número de falantes de uma variedade do alemão no Rio Grande do Sul. Em 1996, ele estimou que o número havia caído para entre 700 mil e 900 mil falantes. Damke, em 1996, estimou em mais de dois milhões de falantes de qualquer variedade da língua alemã no Brasil. Como a língua foi passada de geração em geração pela oralidade, muitas pessoas, cujos pais são falantes de Hunsrückisch, entendem, mas não falam o idioma. Em Antônio Carlos (Santa Catarina), por exemplo, cidade de colonização alemã, apenas 10% da população consegue se expressar no idioma. Os falantes de alemão como primeira língua normalmente tem mais de 45 anos, refletindo um declínio do aprendizado entre os jovens.

O Hunsrückisch falado no Brasil não é homogêneo, apresentando variedades internas. Os imigrantes que chegaram entre 1824 e 1850 eram provenientes de uma Alemanha na qual não havia uma unidade linguística padrão, tampouco a variedade escrita do alemão estava difundida no país. Portanto, esses imigrantes pioneiros trouxeram uma variedade enorme de dialetos para o Brasil, uma vez que poucos eram escolarizados. Diferentemente, os imigrantes que chegaram a partir da segunda metade do século XIX já eram provenientes de uma Alemanha onde a alfabetização se tornara mais democrática e, portanto, eles tinham maior acesso ao alemão-padrão ou Hochdeutsch. Portanto, houve uma divisão entre os grupos de alemães no Brasil: os imigrantes pioneiros, chegados entre 1824 e 1850, em decorrência da distância e da ausência da variedade escrita, passaram a falar um alemão cada vez mais distante daquele usado na Alemanha e o sentimento de ser alemão foi-se enfraquecendo. Por outro lado, os imigrantes que chegaram após 1850 eram falantes da variedade padrão, de maior prestígio social. Enquanto os primeiros transfiguraram-se em "teuto-brasileiros", os segundos eram os “alemães da Alemanha”. Essa divisão entre imigração pioneira e tardia ainda pode ser observada hoje. No Rio Grande do Sul há duas grandes áreas linguísticas próprias: de um lado, nas colônias próximas a São Leopoldo, o alemão falado tem características mais dialetais consubstanciado pelo uso da palavra Deitsch, ao passo que a Oeste, a partir do vale do Taquari, o alemão falado é mais próximo da língua-padrão (área Deutsch). As colônias alemãs do Oeste do estado são de fundação mais recente que as próximas a São Leopoldo, denotando que receberam imigrantes alemães já falantes do alemão-padrão.

 Em vista das diferenças entre o dialeto falado na Europa e o que é praticado no Sul do Brasil, em 1996, Cléo Vilson Altenhofen cunhou o termo Riograndenser Hunsrückisch para a versão usada no Brasil. Porém, a mesma versão também é falada nos estados de Santa Catarina, do Paraná e em uma cidade do Espírito Santo, o que levou alguns estudiosos a criticar o termo “riograndenser”. O Hunsrückisch tem base essencialmente germânica, a despeito dos vários empréstimos do português, e ainda se assemelha bastante ao falar usado na região alemã em que se originou. Porém, seu status é de língua brasileira que, ao lado de outras línguas de imigração e indígenas, fazem parte do patrimônio cultural imaterial do Brasil. O dialeto apresenta traços de alemão antigo, uma vez que as relações com a Alemanha foram cessadas e o contato com o alemão-padrão é praticamente nulo. Assim, o dialeto preservou muitas características do alto alemão médio. Com o tempo, algumas palavras absorveram outra assepsia, enquanto algumas poucas foram criadas, como “Schuppenschwein" (tatu), em vez de “Gürteltier”. O Hunsrückisch absorveu muitas influências da língua portuguesa, sobretudo em contextos urbanos e entre jovens de classes sociais mais elevadas. Empréstimos de palavras do português existem sobretudo em relação a inovações tecnológicas que não existiam quando da imigração e em termos da fauna e da flora do novo meio.

Por exemplo, no Hunsrückisch, avião é aviong, em vez do alemão padrão Flugzeug; caminhão é kamiong, em vez de Lastwagen, e roça é rossa, em vez de Feld. Algumas expressões são traduções literais do português, como em “alles gut?” (“tudo bem?”) no lugar do alemão wie geht`s. O sociólogo Emilio Willems (1905-1997) listou 693 palavras emprestadas do português, muitas das quais ligadas ao ambiente rural típico dos colonos. Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), a colônia ficou dividida entre os imperialistas liderados por Daniel Hillebrand (1795-1880) e os revolucionários liderados por Hermann von Salisch (1797-1837). Nesta época a colônia prestou suporte a Porto Alegre, então sitiada, provendo a cidade com suprimentos transportados em barcas pelo Rio dos Sinos. A colônia se estendia por mais de 1000 km², indo em direção Sul-norte de Esteio até o Campo dos Bugres (Caxias do Sul). Em direção Leste-Oeste de Taquara até o Porto dos Guimarães, no Rio Caí (São Sebastião do Caí). O município de São Leopoldo está situado entre os dez mais expressivos no produto interno bruto do Rio Grande do Sul, e diversificado parque industrial globalizado, além de expressivo setor comercial e de serviços. Há diversas líderes mundiais multinacionais instaladas na cidade, como as alemãs Stihl, SAP, Ensinger, e Gedore e a gaúcha Taurus. É uma das 50 melhores cidades do país para se viver. Situa-se também, na cidade, o maior polo de informática do estado do Rio Grande do Sul, vinculado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Os primeiros imigrantes alemães que chegaram no navio Germânia foram recebidos pelo imperador Dom Pedro I e pela imperatriz Leopoldina. O avô de Jacobina, Libório Mentz, que já era idoso quando chegou ao Brasil, recebeu especial atenção da imperatriz, que lhe disse: “O senhor realmente é corajoso - em idade tão avançada trocar uma pátria por outra. Homens tão bravos certamente são de grande valia para nós”. Libório trouxe consigo uma carta enviada pelo poeta Herr Goethe, amigo da imperatriz. Em retribuição ao favor, a imperatriz Leopoldina ordenou que o Lote 1 da colônia de Hamburgo Velho fosse concedido à família Mentz. A família de Jacobina já tinha um histórico de envolvimento em contendas religiosas na Alemanha. Os avós imigraram para o Brasil fugindo de perseguições religiosas, ambos deixaram a igreja evangélica e a escola e estabeleceram uma comunidade religiosa independente com mais seis ou sete famílias, o que culminou na sua perseguição. Em seu encontro com a imperatriz Leopoldina, o avô de Jacobina confidenciou-lhe que viera para o Brasil fugindo da repressão religiosa na Alemanha, e a imperatriz lhe garantiu que eles teriam a liberdade de culto. Jacobina Mentz nasceu duas décadas após a chegada dos pais e avós ao Brasil e foi criada na atual Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, numa comunidade rural composta por imigrantes alemães religiosos, luteranos e católicos. Os avós de Jacobina foram os responsáveis pela construção da primeira igreja protestante do sul do Brasil. Em 26 de abril de 1866, casou-se com João Jorge Maurer, também filho de imigrantes alemães. No mesmo ano, o casal mudou-se de Novo Hamburgo para Ferrabraz, no atual município de Sapiranga. 

Segundo Darcy Ribeiro, no ensaio O Povo Brasileiro, o movimento mucker, no Brasil, foi consequência do processo de anomia em que entraram algumas comunidades alemãs, influenciado por tradições populares, de orientação bíblico‐protestante. Em 1868, João Maurer supostamente teve uma “visão divina”, dizendo-lhe para abandonar a agricultura e tornar-se médico. Logo depois, ele conheceu o curandeiro Buchhorn, que lhe ensinou os segredos das ervas medicinais. Esses alemães viviam em uma comunidade rural isolada, sem acesso a cuidados médicos. Por isso, muitas pessoas consultavam os curandeiros locais. Em 1870, o casal começou a receber, em casa, pessoas para reuniões de leitura da Bíblia, feitas por Jacobina. Ela sofria de crises de desmaio desde que ela tinha doze anos, e as pessoas associavam o seu sonambulismo a poderes especiais. Logo, centenas de pessoas começaram a seguir Jacobina e seus ensinamentos.

Muitas pessoas deixaram as igrejas católicas ou luteranas locais e estabeleceram uma seita fanática, com Jacobina como líder. Essa situação preocupou os sacerdotes locais e os membros da comunidade que não seguiam Jacobina. Em seguida, a comunidade dividiu-se em duas: aqueles que se juntaram a Jacobina eram conhecidos como mucker, alemão para “falso santo” e aqueles que eram contra Jacobina conhecidos como spotters (debochadores). Os mucker tornaram-se um grupo socialmente isolado, que não bebia, não fumava e não usava dinheiro para as trocas comerciais. Eles encontraram no sectarismo e no fundamentalismo religioso uma resposta às condições de miserabilidade em que viviam. Jacobina era vista por seus seguidores como “uma nova Jesus Cristo e passou a ser a porta-voz dos menos favorecidos”. Jacobina ordenou que seus seguidores deixassem de ir à igreja ou à escola, porque “as instituições não estariam ensinando mais o verdadeiro evangelho”. Em primeiro lugar, historicamente as comendas das ordens foram facilitadas aos viventes coloniais no período de instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, pois foi neste momento que se deu a instalação da Mesa de Consciência e Ordens na Colônia, instituição que regulava todo o mecanismo de concessão de comendas e hábitos. Com a proximidade do regime e de suas instituições e devido às necessidades pecuniárias da Coroa, as comendas ficaram mais acessíveis aos coloniais, embora não deixassem de premiar as elites portuguesas.  

A Mesa permaneceu na Corte com a volta de D. João e foi utilizada por D. Pedro no Brasil independente até 1828, quando foi substituída pelo Supremo Tribunal de Justiça. Este não herdou as funções da Mesa relativas às ordens. Os adeptos das teorias liberais radicais criticavam a existência de foros privilegiados de justiça para os membros das ordens, o que discriminava uma sociedade calcada na diferença representada pela existência de um juiz de cavaleiros. Entretanto, a Mesa não regulava todas as ordens do Reinado, apenas as três ordens militares portuguesas. As nomeações das ordens criadas por D. Pedro I, que tinham o status de civis, eram feitas diretamente por ele, somente passando por um chanceler e, no II Reinado, pelo Secretário de Estado de Negócios do Império.  Assim, por intermédio das ordens, criaram-se e recriaram-se laços afetivos de fidelidade e uma elite política que girava em torno da Coroa, visto esta ter o monopólio dessas mercês, além de premiar todo tipo de serviços, gerando um dilatado grupo de condecorados. Em segundo lugar, mutatis mutandis, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras estava instalada naquela conjuntura no Instituto de Educação Caetano de Campos, na Praça da República, reconhecida como Largo dos Curros era, no século XIX, palco de rodeios e touradas. Após essa fase, foi chamada de Largo da Palha, Praça das Milícias, Largo Sete de Abril, Praça 15 de Novembro e, em 1889, passou a ser Praça da República.

Palco de grandes manifestações políticas que mudaram a história social do país abriga edifícios históricos, como a Escola Normal Caetano de Campos, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), em 1978, que em seus anos de operação, recebeu grandes personalidades nacionais, é o prédio onde funciona a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, constituindo um dos mais tradicionais logradouros da cidade de São Paulo. A grande frequência urbana de populares é explicada pela proximidade com avenidas importantes, como a Ipiranga e a São João, ruas comerciais, como a Sete de Abril e Barão de Itapetininga, além dos pontos turísticos da metrópole, como o Theatro Municipal, Viaduto do Chá e o famoso Edifício Copan. O trabalho parece ser uma categoria muito simples. A ideia de trabalho nesta universalidade, segundo Marx, como trabalho, em geral, é, também das mais antigas. No entanto, concebido do ponto de vista econômico nesta forma simples, o trabalho é uma categoria tão moderna como as relações que esta abstração simples engendra. Assim, a abstração mais simples, na relação dialética que a economia política moderna coloca em primeiro lugar e que exprime uma relação muito antiga e validada para todas as formas de sociedade, só aparece, no entanto, sob esta forma abstrata como verdade prática enquanto categoria da sociedade mais moderna.

Poder-se-ia dizer que esta indiferença em relação a uma forma determinada de trabalho, que se apresenta nos Estados Unidos da América como produto histórico, se manifesta na Rússia, por exemplo, como uma disposição natural. Mas, por um lado, que extraordinária diferença entre os bárbaros que têm uma tendência natural para se deixar empregar em odos os trabalhos, e os civilizados que empregam a si próprios. E, por outro lado, a esta indiferença em relação a um trabalho determinado corresponde na prática, entre os russos, a sua sujeição tradicional a um trabalho bem determinado, ao qual só as influências exteriores podem arrancá-los. Metodologicamente o todo, na forma em que aparece no espírito como todo-de-pensamento, para Marx, é um produto do cérebro pensante, que se apropria do mundo do único modo que lhe é possível, de um modo que difere da apropriação desse mundo pela arte, pela religião, pelo espírito prática. Antes coo depois, o objeto real conserva a independência fora do espírito, e isso durante o tempo em que o espírito tiver uma atividade meramente especulativa, meramente teórica. No emprego do método teórico é necessário que o objeto, a sociedade, esteja constantemente presente no espírito como dado primeiro. Mas as categorias simples não terão também uma existência independente, de caráter histórico e natural, anterior à das categorias mais concretas? Depende. Friedrich Hegel, tem razão em começar a desenvolver a filosofia do direito pelo estudo da posse, constituindo a relação jurídica mais simples do problema.

Em relação a este ponto de vista, fez-se um grande progresso quando o sistema industrial ou comercial transportou a fonte de riqueza do objeto para a atividade subjetiva - o trabalho comercial e fabril, concebendo a atividade do trabalho na agricultura, como a forma de trabalho criadora de riqueza, e admite o próprio objeto não sob a forma dissimulada do dinheiro, mas como produto enquanto resultado geral do trabalho. Com o sugestivo título: Contribuição para o Estudo da Sociologia Política no Brasil, a socióloga Maria Isaura P. de Queiroz (1969) apresentou no I Congresso Brasileiro de Sociologia, em 1954, as linhas gerais de uma agenda de pesquisas para o desenvolvimento da área, tendo como fulcro os estudos sociológicos de nosso passado político que serviriam de background para pesquisas empíricas efetuadas a partir do município. Expressivos dessa proposta foram os ensaios: O Mandonismo Local na Vida Política Brasileira (1956) e O Coronelismo numa Interpretação Sociológica (1975), nos quais a investigação das relações sociais de mando estabelecidas entre grupos no âmbito do poder local serviram de apoio para a interpretação da autora de uma estrutura hierárquica mais ampla que conformou em diversas conjunturas históricas a formação da sociedade brasileira.         

Nesses estudos, Maria Isaura não queria perder de vista as respostas dos agentes no plano de análise individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) às estruturas de dominação que se inseriam, destacando a multiplicidade e complexidade da vida nominal rústica. Essas configurações de poder poderiam ser identificadas em entrevistas estruturadas no papel político de lideranças religiosas messiânicas e em grupos sociais como os típicos cangaceiros. Tendo em vista a formulação do objeto de pensamento Maria Isaura P. de Queiroz, ao lado de outros colegas do Departamento de Ciências Sociais criou o Centro de Estudos Rurais e Urbanos, da Universidade de São Paulo (1964) para formação de pesquisadores. Seu interesse sociológico pelo messianismo se desdobrou mais tarde, na conturbada década de 1960, com o colapso do populismo, nos estudos sobre o campesinato brasileiro com a formulação do conceito de grupos rústicos. Seguindo a trilha do mestre francês, Maria Isaura dedicou-se a vários campos de saber, entrecortando a sociologia da religião, a sociologia política, a sociologia rural e a sociologia da cultura. Florestan Fernandes destacou a amplitude e a diversidade de sua obra bem como o seu reconhecimento em relação à Bastide.

Tais características podem ser encontradas na trajetória intelectual de Maria Isaura e na sua concepção. Influenciada por Roger Bastide, Maria Isaura também defendeu “a necessidade de utilizar diferentes métodos de investigação e análise não importando se eram reconhecidos como pertencentes a outras disciplinas ou teorias rivais”. Acredita Maria Isaura que a realidade é que indica o método mais apropriado para que o pesquisador possa melhor reconhecê-la, e não o contrário. Maria Isaura, diferentemente dos cientistas sociais de sua geração fez outras escolhas temáticas. Por outro lado, aproxima-se em grande medida dos mesmos pelo mesmo rigor analítico na elaboração de suas pesquisas. Observadora atenta, Glaucia Villas Bôas percebe que as escolhas de tema e de método de pesquisa pelas quais optou por Maria Isaura devem ser imiscuídas a partir da produção teórica das ciências sociais entre os anos 1940 e 1960. Um ano após a morte de Roger Bastide (1974), Maria Isaura Pereira de Queiroz escreveu a Jeanne Bastide, viúva de seu amigo, desculpando-se pelo atraso no envio de prefácio para a publicação, na França, de Arte e sociedade. As cartas de Maria Isaura à viúva Jeanne Bastide e à sua filha, Suzanne, são entremeadas de notícias do político e econômico e que revelam aspectos da vida da intelectualidade brasileira na segunda metade da década de 1970.

Maria Isaura começa a formular o projeto de publicação das obras completas de Roger Bastide em novembro de 1976, com o apoio de Manuel Diégues Júnior, diretor do Departamento de Assuntos Culturais do Ministério da Cultura e membro do Conselho Nacional de Cultura. Diégues ficou interessado na iniciativa do Centro de Estudos Rurais e Urbanos, que Maria Isaura criara e dirigia, e do Instituto de Estudos Brasileiros, dirigido por José Aderaldo Castello (1921-2011). Ela pretendia reunir os artigos esparsos de Bastide em volumes, a começar com os artigos publicados no Brasil, uma vez que estavam traduzidos, e depois os artigos publicados em francês, de tal forma que pudessem integrar uma coleção de Obras completas à qual daria o nome de Bastidiana (cf. Villas Bôas, 2014). A ascensão dos regimes populistas foi analisada com certa desconfiança por determinados grupos políticos internos ou estrangeiros, dentro e fora do continente latino-americano. A capacidade de mobilização das massas estabelecidas por tais governos, o apelo aos interesses nacionais e a falta de uma perspectiva política clara poderia colocar em risco os interesses defendidos pelas elites que controlavam a propriedade das terras ou das forças produtivas do setor industrial. Sob o aspecto teórico, o governante populista fundamentava seu discurso em projetos de inclusão social que, em seu modus operandi de interpelação popular democrática, legitimavam a crença na construção social de uma nação promissora. Definindo seus aliados como imprescindíveis ao progresso nacional, o populismo saudava valores e ideias que colocavam no centro um “grande líder”, seja masculino ou feminino como porta-voz das massas. Suas ações não demonstravam sua natureza individual, mas transformavam-no em “homem do progresso”, “defensor da nação” ou “representante do povo”.   

Bibliografia Geral Consultada.

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de, História y Etnologia de los Movimientos Mesiánicos. Reforma y Revolución en las Sociedades Tradicionales. México: Siglo Veintiuno Editores, 1969; AMADO, Janaína, Conflito Social no Brasil: A Revolta dos Mucker. São Paulo: Editora Símbolo, 1978; BIEHL, João Guilherme, Jammerthal, o Vale da Lamentação – Crítica à Construção do Messianismo Mucker. Dissertação de Mestrado em Filosofia. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 1991; SCHUPP, Ambrósio, Os “Mucker”: A Tragédia Histórica do Ferrabrás. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1993; DICKIE, Maria Amélia Schmidt, Afetos e Circunstâncias. Um Estudo Sobre os Mucker e Seu Tempo. Tese de Doutorado em Antropologia Social. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1996; RENAN, Ernest, Qu’est-ce qu’une Nation? Paris: Éditions Mille, 1997; AMADO, Janaína, A Revolta dos Mucker. 2ª edição. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2002; MENEZES, Arlete Antônia Schmidt, Sobre o Papel da Educação na Concepção Religiosa de Martinho Lutero. Dissertação de Mestrado em Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Maringá: Universidade Estadual de Maringá, 2005; GEVEHR, Daniel Luciano, Pelos Caminhos de Jacobina: Memória e Sentimentos (Res)significados. Tese de Doutorado em História. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2007; SPINASSÉ, Karen Pupp, “O Hunsrückisch no Brasil: a língua como fator histórico da relação entre Brasil e Alemanha”. In: Revista Espaço Plural, 2008; ZANON, Maria de Lurdes, O Movimento Mucker à Luz do Cristianismo Primitivo na Interpretação de Rinaldo Fabris e José Comblin. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Teologia. Faculdade de Teologia. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2013; DREHER, Martin Norberto, A Religião de Jacobina. São Leopoldo: Oikos Editora, 2017; GEVEHR, Daniel Luciano; MEYRER, Marlise Regina, “Um Lugar para se Pensar na Mulher da Imigração Alemã: Gênero e Identidade nos Museus de Imigração no Sul do Brasil”. In: Métis – História & Cultura. Vol. 20, n° 39, pp. 72-93 jan. /jun. 2021; AQUINO, Marceli; PEREIRA, Rogéria & NOGUEIRA, Francisco, “Entre sons e sentidos: percepção e ensino de vogais longas e breves no alemão como língua adicional no Brasil”. In: Revista Linguagem & Ensino, 28(1), 95-113, 2025; entre outros.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Marta Vieira da Silva - Futebolista, Mito & Vontade de Saber.

                                                                                                    Ubiracy de Souza Braga

     O futebol feminino caminha a passos bem curtinhos e lentos”. Marta Vieira da Silva

                        
As mulheres tem sido importantes para o desempenho e desenvolvimento do futebol. Há outros relatos que indicam que, no décimo quinto século, era usual que as mulheres desempenham jogos de bola, especialmente na França e na Escócia. Em 1863, foram definidas regras para prevenir a violência no jogo, conquanto fosse socialmente aceitável para a formação das mulheres. Segundo dados estatísticos da Fédération Internationale de Football Association (FIFA), a primeira partida oficial entre mulheres foi disputada no dia 23 de março de 1885, em Crouch End, Londres, Inglaterra. Há relatos etnográficos, de disputas anteriores, como, por exemplo, uma competição anual, em Lothian, Escócia em 1790. O documento reconhecido sobre o início do futebol feminino remonta a 1894 quando Nettie Honeyball, um ativista dos direitos da mulher, fundou o primeiro clube desportivo britânico chamado Ladies Football Club. Honeyball, convicta de sua causa feminista declarou que pretendia demonstrar que as mulheres poderiam alcançar a emancipação social e ter um lugar importante na sociedade.
Historicamente a 1ª grande guerra (1914-18) foi chave para a superlotação de futebol feminino na Inglaterra. Em consequência da guerra muitos homens foram para o front, e a mulher conquista espaço na força trabalhadora de muitas fábricas. Lá formaram suas próprias equipes de futebol que até então era privilégio de homens. A mais exitosa destas equipes existente foi Dick, Kerr`s Ladies of Preston, Inglaterra. A equipe foi bem sucedida num jogo contra equipe escocesa que levou um “chocolate” de-0. No entanto, no final da guerra, a Football Association (FA) da Inglaterra não reconheceu o futebol feminino, apesar do sucesso e popularidade. Isto levou à formação da English Ladies Football Association cujo início foi difícil devido ao boicote da FA que levou mesmo a mulheres a jogarem em estádios de Rúgbi. Contudo, após a Copa do Mundo 1966, o interesse dos amadores levou a FA a voltar atrás, decidindo em 1969 criar o ramo feminino da Football Association. Em 1971, a Union of European Football Associations (UEFA) instruiu seus parceiros no âmbito da profissionalização do futebol a gerir e promover o futebol feminino e na Europa ele foi consolidado nos anos seguintes. Assim, países como a Itália, EUA e o Japão têm ligas profissionais cuja popularidade não inveja o que foi conquistado pelos seus similares do sexo masculino.

           
Os primeiros registros de partidas mistas brasileiras, com homens e mulheres juntos datam de 1908 e 1909. Em 1913, houve um evento beneficente, que foi considerado por muitos anos como a primeira partida de futebol feminino no Brasil. Em 1941, aconteceu o primeiro jogo masculino apitado por uma mulher, num amistoso entre o Serrano da cidade de Petrópolis contra o clube América do Rio de Janeiro. Na ocasião, o árbitro passou mal e uma atleta da partida preliminar ao amistoso assumiu a arbitragem do jogo apitando-o.  Em 14 de abril de 1941, durante a presidência autoritária de Getúlio Dornelles Vargas, foi criado o Decreto-Lei 3199, proibindo a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”, entre eles o futebol. A ditadura estadonovista postergou seu reconhecimento social e político. Este decreto-lei só seria revogado em 1979. Contudo, o Araguari Atlético Clube é considerado o primeiro do Brasil a formar um time feminino. Em meados de 1958 selecionou 22 meninas para um jogo beneficente em dezembro daquele ano. O sucesso desta partida de futebol foi tão grande que a revista “O Cruzeiro” fez matéria de capa sobre a partida.
Vale lembrar que o Artigo 54 do Decreto Lei 3199, apontava incompatibilidade a “natureza feminina” com alguns esportes, proibindo, assim, a prática dos mesmos pelas mulheres. Assim dizia este artigo: - “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. Em 2 de agosto de 1965, durante a ditadura militar castellista, a Deliberação n° 7, assinada pelo general Eloy Massey Oliveira de Menezes, Presidente do Conselho Nacional de Desportos (CND), delimitou a linha que segregava o esporte feminino brasileiro: - “Não é permitida [à mulher] a prática de lutas de qualquer natureza, do futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rúgbi, halterofilismo e baseball”, dizia a deliberação nº 7 do conselho. Segundo a pesquisadora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo, a proibição da prática desportiva feminina no Brasil deixou graves consequências, que atrasaram a história social olímpica do país, mesmo depois que deixou de vigorar o decreto discricionário da chamada Era de Getúlio Vargas. 

A concepção sociológica de Axel Honneth, por exemplo, problematiza a “invisibilidade” como uma patologia social caracterizada por formas intencionais de tornar pessoas invisíveis. De forma semelhante à interpretação da análise da reificação, de arl Marx à Georg Lukács, a invisibilidade também é tratada de um ponto de vista epistemológico e moral, a partir da teoria do reconhecimento. Um ato de reconhecimento pressupõe dois elementos: 1) uma identificação cognitiva de uma pessoa como dotada de propriedades particulares em uma situação particular, e: 2) a confirmação da cognição da existência da outra pessoa como dotada de características específicas, através de ações, gestos e expressões faciais positivas manifestados por quem a percebe. A invisibilidade, por outro lado, significa mais do que a negação desses dois elementos. Sintetizada em expressões como a de um “olhar através”, ela nega a existência do outro do ponto de vista perceptual, como se ele não estivesse presente no campo de observação da visão de quem olha. É importante mencionar do ponto de vista técnico-metodológico na análise uma distinção muito sofisticada entre invisibilidade e visibilidade, de modo que, embora ambas as ideias sejam aparentemente espelhadas, elas conteriam em si mecanismos de funcionamento fundamentalmente diferentes, mas associados.
No conceito negativo (“invisibilidade”) as pessoas afetadas sentem-se como se não tivessem sido percebidas. A perceptibilidade corresponde à capacidade de ver alguém, enquanto a visibilidade designa mais do que mera perceptibilidade porque acarreta a capacidade para uma identificação individual elementar. Desse modo, para as pessoas afetadas em particular, a invisibilidade significaria o sentimento de realmente não serem percebidas ou vistas, ao contrário da ideia de que a invisibilidade significaria puramente a ideia negativa de visibilidade, já que esta funciona segundo pressupostos que vão além da capacidade de ver, pois a visibilidade também inclui, além da visão, as capacidades de identificar, conhecer. Em outras palavras, quem é invisibilizado socialmente sente que sequer é visto. Não entra em jogo neste sentido o sentimento de que não é identificado ou conhecido. A discrepância conceitual que se torna aparente entre invisibilidade visual e visibilidade é devido ao fato de que, com a transição para o conceito positivo, as condições governando a sua aplicabilidade são mais exigentes: enquanto a invisibilidade significa apenas o fato de que um objeto não está presente como um objeto no campo perceptivo de uma pessoa, a visibilidade física requer que nós assumamos uma posição cognitiva diante do objeto dentro de uma estrutura espaço-temporal como algo com propriedades visuais relevantes.  
Segundo a concepção do “jogar à brasileira”, com amplificação principalmente no âmbito dos torcedores, domínio no qual se valoriza a emoção, a brincadeira, a festa, o confronto, mas que está no lado oposto de uma concepção técnica, racional e moderna de futebol que marca cada vez mais o nível dos profissionais. Essa concepção se baseia na definição de uma continuidade estrita entre treino e jogo – “treino é treino, jogo é jogo”, com a adoção de esquemas táticos - a arte do fraco - e disciplinares padronizando as equipes, na valorização da rotina como fator decisivo na preparação competitiva de um time, na defesa de padrões gerenciais de administração dos clubes, na cuidadosa e gradativa produção de bons jogadores através das escolinhas de futebol e das categorias de base e assim por diante. Ipso facto, até então, partidas de futebol feminino só ocorriam em circos, em quadras de futsal. Vários jogos do Araguari ocorreram em cidades de Minas Gerais, inclusive na capital, em Goiânia e Salvador. 
Em 1959 a equipe foi desfeita, por pressão dos religiosos conservadores de Minas Gerais. Em 1967, Asaléa de Campos Micheli, mais conhecida por Léa Campos, foi a primeira mulher a diplomar-se em curso de arbitragem. O Decreto-Lei 3199 proibia as mulheres apenas de jogarem, mas não faziam menção sobre arbitragem. Essa brecha garantiu a Léa o direito de participar do curso de árbitros em Minas Gerais, feito no Departamento de Futebol Amador da Federação Estadual. Em entrevista ao popular programa Esporte Espetacular, da Rede Globo de televisão, desde 1973 apresenta entrevistas, reportagens sobre ciência esportiva, personagens históricos e a relação social do esporte. Em 2007, ela informou que não pode participar sequer da formatura do curso, por represálias em torno de um grupo autoritário de machistas. A primeira seleção de futebol feminino, entretanto, foi convocada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 1988, para disputar e vencer o “Women’s Cup of Spain”, primeira divisão da Liga de Futebol Feminino. Do ponto de vista competitivo o acesso à Liga dos Campeões da Union des Associations Européennes de Football (UEFA) de futebol feminino ocorre através da posição do país no ranking da UEFA. No final da temporada 2016-17, fruto do 27º lugar no ranking, o campeão tem acesso à fase de qualificação no âmbito da competição internacional.
 A UEFA foi fundada a 15 de junho de 1954 em Basileia, na Suíça como consequência de discussões entre as federações da França, Itália e Bélgica. A sede ficou instalada em Paris até 1959, ano em que acabou por mudar-se para a capital suíça Berna. Henri Delaunay foi o primeiro secretário-geral e Ebbe Shwartz o presidente. O seu centro administrativo desde 1995 é em Nyon, Suíça. Era inicialmente composta por 25 federações, mas atualmente representam 55 em sua forma de organização. A Liga dos Campeões é o seu torneio de clubes mais importante. A Liga dos Campeões da União das Associações Europeias de Futebol, originalmente conhecido como a Liga dos Clubes Campeões Europeus é a principal competição interclube da Europa. Participam nela os campeões nacionais dos países filiados à instituição e alguns outros clubes. Acontece paralelamente às competições nacionais, tendo início na segunda metade do ano e terminando no final da primeira metade do ano seguinte. A Liga Europa é a segunda maior competição da Europa. Participam as equipas que ficaram no meio da tabela em campeonatos e equipes que foram terceiras em grupos da champions e as que foram eliminadas das play-offs da champions.
Enfim, a Supercopa da UEFA é a 3ª competição mais importante de futebol da Europa, que se realiza anualmente entre as equipas vencedoras da 1ª e da 2ª competições mais importantes da Europa ao nível de clubes, respectivamente a Liga dos Campeões da UEFA e a Liga Europa da UEFA. A competição realiza-se no início das temporadas nacionais, em Agosto e tem o status de abertura oficial da temporada europeia para os clubes, mesmo com campeonatos e outros certames já iniciados. O Campeonato Europeu é a 2ª competição de seleções mais importante do mundo, e a 3ª competição geral mais bem organizada a perder apenas para Campeonato do mundo e para Liga dos Campeões, a competição foi idealizada no ano de 1927 antes mesmo da UEFA ser criada, mas ela só foi concretizada 10 anos após a criação da UEFA. No inicio a competição tinha apenas 4 seleções representantes no período de 1960 até 1980 quanto o numero de seleções passou a ser 8, dobrando em 1996 quando a competição passou a ter 16 seleções e a partir de 2016 o número de seleções aumentou para 24.
Mesmo com este decreto-lei em vigor, há notícias de algumas práticas do desporto feminino, como, por exemplo, o caso do Araguari Atlético Clube, considerado o primeiro clube do Brasil a formar um time de futebol feminino. Em meados de 1958, este clube selecionou 22 meninas para um jogo beneficente, a ser disputado em dezembro deste mesmo ano. O sucesso desta partida foi tão grande, que a espetacular revista “O Cruzeiro” fez matéria de capa sobre o acontecimento, pois até aqueles dias, partidas femininas de futebol só ocorriam em geral em circos ou quadras de futsal. Com esta divulgação, nos meses seguintes, vários jogos do time feminino do Araguari em cidades de Minas Gerais, Belo Horizonte inclusive, e também em Goiânia e Salvador. Em meados de 1959 a equipe feminina do Araguari foi desfeita, por pressão dos religiosos ultraconservadores de Minas Gerais. Em 1967, Asaléa de Campos Micheli, reconhecida por Léa Campos, foi a primeira mulher a concluir curso de arbitragem. O Decreto-Lei 3199 proibia as mulheres de jogarem, mas não mencionavam arbitragem. Essa brecha na Lei garantiu a Léa participar do Curso de Árbitros em Minas Gerais, realizado no Departamento de Futebol Amador da Federação Estadual. Em entrevista ao Esporte Espetacular, da Rede Globo, em 2007, ela informou que “não pode participar sequer da formatura do curso, por represálias machistas”.
Marta Vieira da Silva, reconhecida como Marta, nasceu em Dois Riachos, no estado de Alagoas, em 19 de fevereiro de 1986. Após atuar no juvenil no Centro Sportivo Alagoano (CSA), Marta iniciou a carreira profissional no Vasco da Gama em 2000 aos 14 anos e também jogou na Associação Atlética Light. Após dois anos no time cruzmaltino, transferiu-se para o mineiro Santa Cruz, onde jogaria por mais duas temporadas, antes de defender o Umeå IK, da Suécia. Por este clube, tornou-se reconhecida na Europa e veio se destacando cada vez mais, até ser considerada a melhor jogadora do mundo. Conquistou, com a seleção brasileira, a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003 e 2007, liderando a artilharia da competição com 12 gols. Fora do Brasil desde 2004 defendeu as cores dos times de futebol feminino do Umeã Ik e Rosengard, da Suécia, do Los Angeles Sol e Western New York Flash, dos Estados Unidos. Marta se consagrou por seu ótimo futebol, sendo eleitas cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo, entre os anos de 2006 e 2010. Ganhou o prêmio Bola de Ouro em 2004, 2007 e 2010 e o troféu Chuteira de Ouro em 2007.
Foi ainda medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008. Em 27 de setembro de 2007, durante a partida de semifinal na Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na China, contra os EUA, marcou o gol mais bonito da competição e, para alguns, o gol mais bonito marcado durante existência deste torneio e neste ínterim o Brasil a chegar pela primeira vez em sua história social do desporto feminino à final dessa competição. De acordo com Castro (2011) apesar das regras, métodos e do conceito puramente masculino, o futebol desenvolvido através das mulheres surgiu buscando certo grau de independência e identidade próprias. Infelizmente, por conta da alienação a uma sociedade amplamente machista, onde mulheres rotulam mulheres que ousam, o ímpeto de jogar futebol tornou-se um problema, havendo uma relevante melhora no modo como o futebol feminino foi entendido a partir de 2007. Do ponto de vista da análise crítica a modalidade não é reconhecida profissionalmente, goza de pouco prestígio junto aos meios de comunicação massivos, além de ser avaliada no sentido darwinista-evolucionista por falta da perspectiva “bio” e “fisiológica feminina”, que torna o jogo cadenciado e não menos veloz. A necessidade de mudança, se deu  nos anos em que a modalidade titubeava entre a falta de políticas e investimento econômico.
A situação mudou significativamente nos últimos anos, após iniciativa da ex-diretoria do Santos F. C., agremiação tradicional do estado de São Paulo, ao trazer para a equipe, Marta Vieira da Silva. Tal fato social mudou a precária visibilidade do futebol feminino no país. Alguns clubes ressignificaram seu olhar, seus métodos e postura sobre a modalidade feminina. O futebol feminino dos clubes, quando os tem, é vinculado ao Departamento de Esportes Olímpicos, o que implica ainda em parco investimento profissional. Na referida competição Brasil ficou em 2º lugar e Marta foi escolhida a melhor jogadora da Copa recebendo o prêmio Bola de Ouro e também artilheira da competição com 7 gols. Em 12 de janeiro de 2009, durante a coletiva de imprensa que antecedeu a premiação dos melhores jogadores do mundo de 2008, Marta anunciou sua transferência para o Los Angeles Sol dos Estados Unidos. No clube norte-americano, foi artilheira da liga nacional, levando a equipe ao vice-campeonato.
O condado de Los Angeles, incorporado como County of Los Angeles, é o mais populoso dos 58 condados do estado americano da Califórnia e o mais populoso de todo o país, tendo, inclusive, mais habitantes do que 41 estados. Foi incorporado em 18 de fevereiro de 1850, como um dos 27 condados originais. Fato que ocorreu alguns meses antes da Califórnia ser admitida à União, em 9 de setembro de 1850. A sede e cidade mais populosa do condado é Los Angeles. O condado de Los Angeles representou um dos condados importantes e originais da Califórnia, criado no mesmo ano da incorporação do estado que ocorreu em 9 de setembro de 1850. O condado foi incorporado em 18 de fevereiro do mesmo ano. A área do condado incluía grandes partes do que é agora o Condado de Kern, o Condado de San Bernardino, o Condado de Riverside e o Condado de Orange. Estas partes do território foram cedidas ao Condado de San Bernardino (1853), ao Condado de Kern (1866) e ao Condado de Orange (1889). Em 1893, parte do Condado de San Bernardino se tornou parte do Condado de Riverside. Possui 88 cidades incorporadas e muitas áreas não-incorporadas que correspondem a mais de 65% do condado. A parte mais ao sul do condado é a área mais intensamente urbanizada e abriga a maioria da população que vive ao longo da costa do Sul da Califórnia e do interior das bacias e vales. 

A metade norte é uma grande extensão de deserto, menos povoada, que inclui o Vale de Santa Clarita e o Vale Antelope. Esse último abrange a região nordeste do condado e é adjacente ao Condado de Kern. Entre essas duas áreas do condado estão as Montanhas de San Gabriel e o mais vasto deserto conhecido como Floresta Nacional Angeles. Contém mais de um quarto dos habitantes da Califórnia. É um dos condados do país mais diversificados, que detém a maioria das principais cidades que engloba a Grande Los Angeles e é o centro dos cinco condados que compõem essa área. O condado possui uma população de 10. 014. 009 habitantes e uma densidade populacional de 952,5 hab./km², segundo o censo nacional de 2020 realizado pelo Departamento do Censo dos Estados Unidos da América. Em 1° de agosto de 2009 o Santos anunciou sua contratação, por empréstimo de três meses, até o final de 2009, mas sua apresentação só ocorreu após o término da Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos de 2009. Após o período no Santos Futebol Clube, onde disputou e venceu a Copa Libertadores Feminina e a Copa do Brasil, ela retornou ao Los Angeles Sol. Em 10 de setembro foi apresentada e a estreia ocorreu em 16 de setembro, em um amistoso contra o Comercial-MS em Campo Grande, centro-oeste brasileiro. Após o encerramento das atividades do Los Angeles Sol, ficou disponível para o draft, onde os clubes escolhem para contratação as jogadoras deste clube que encerrou suas atividades.

O clube estreante na Liga, Atlanta Beat, após acordo com o St. Louis Athletica trocou sua posição recebendo por isso algumas jogadoras. Por sua vez, o St. Louis Athletica selecionou Shannon Boxx, meia da Seleção dos Estados Unidos. Em seguida, o Philadelphia Independence selecionou a goleira Karina LeBlanc. A seguir, o FC Gold Pride escolheu Marta Vieira da Silva para sua equipe de futebol. Na temporada 2010, ela foi pela segunda vez consecutiva artilheira da liga, e dessa vez, consequentemente como líder levando seu time ao título.  Em 26 de janeiro de 2011, como nova contratada do Western New York Flash para a temporada da Liga de futebol dos Estados Unidos de 2011. Ela foi apresentada dia 25 de fevereiro de 2011. Em 22 de fevereiro de 2012, foi apresentada novamente como jogadora do Tyresö FF participando atualmente no Damallsvenskan - a reconhecida divisão principal do Campeonato Sueco de Futebol Feminino, com contrato social na temporada de dois anos e onde jogara com a camisa 10. Entrou na Calçada da Fama do estádio Maracanã (RJ), sendo a primeira e, até agora, a única mulher a deixar a marca dos pés neste prestigiado local. Homenageada pelo Museu do Futebol em 2015 no projeto “Visibilidade para o Futebol Feminino”. 

Apesar de já fazer parte do acervo do museu desde sua abertura, em 2008, na Sala das Copas do Mundo, e na Sala Números e Curiosidades, Marta foi a primeira jogadora, junto com Formiga, a integrar a Sala Anjos Barrocos, que até então era exclusiva de jogadores masculinos. Após a falência do Tyresö em 2014, Marta foi contratada pelo FC Rosengård, por seis meses, e possibilidade de prorrogação. – “Recebi várias ofertas da Europa e dos Estados Unidos, mas ainda tenho fome de títulos, especialmente a Liga dos Campeões”, disse na entrevista. – “Vejo um grande potencial no Rosengard, uma equipe forte, e vou fazer todo o possível para que se transforme na melhor da Europa”. Com a equipe bem entrosada ela foi bicampeã da Liga da Suécia de Futebol Feminino em 2014 e 2015, além de acabar obtendo o vice-campeonato em 2016. Aliás, lugar de vice só é perigoso  na política brasileira, mas em futebol é muito honroso. Desde 2016, a equipe compete na National Women`s Soccer League, a primeira divisão do futebol feminino nos Estados Unidos da América. O Pride foi o décimo clube a se juntar à liga e é afiliado ao Orlando City SC da Major League Soccer. A equipe manda seus jogos no Orlando City Stadium. Recebeu o maior público da história da NWSL, quando em 23 de abril de 2016, 23. 403 pessoas assistiram a primeira partida do Pride com a derrota do Houston Dash por 3-1. Em 7 de abril de 2017, Marta foi oficialmente anunciada como nova jogadora do Orlando Pride, dos Estados Unidos.

A National Women`s Soccer League é uma liga profissional de futebol feminino dos Estados Unidos. Organizada pela Federação de Futebol dos Estados Unidos é considerada a principal e mais importante liga de futebol feminino do país. A NWSL foi criada em 2012 como uma sucessora da Women`s Professional Soccer (WPS) (2007-2012), que foi ela própria sucessora da Women`s United Soccer Association (WUSA) (2001-2003), a primeira liga de futebol feminino criada no país em 2001. A liga começou seus jogos em 2013 com 8 times, 4 dos quais eram ex-membros da Women`s Professional Soccer. Com a adição de mais dois times em Houston e Orlando e com a saída do Boston Breakers, a liga conta hoje com um total de nove times.  Desde sua temporada inaugural em 2013, quatro times diferentes foram campeões da liga e quatro foram campeões da temporada regular. O atual campeão da liga é o North Carolina Courage, que também é o campeão da temporada regular (NWSL Shield). O Courage foi o primeiro time na história da liga a ganhar ambos os títulos em 2018 e repetida em 2019.

A temporada da NWSL ocorre de abril à setembro, onde cada time joga 24 partidas, sendo 12 em casa e 12 fora. Ao final da temporada regular, o time com o maior número de pontos é reconhecido com o título da temporada regular. Os quatro clubes com mais pontos se classificam para os playoffs da NSWL, que consistem em duas semifinais de jogos únicos em “mata-mata” quando o 1º enfrenta o 4º; o 2º enfrenta o 3º), com o ganhador de cada semifinal indo para a decisão do torneio em uma final na casa do time com mais pontos na temporada regular. Depois que a Women`s Professional Soccer (WPS) cessou suas atividades em abril de 2012, a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) anunciou uma mesa apara discutir o futuro do futebol feminino profissional nos Estados Unidos. A reunião, que contou com a presença de representantes da USSF, dos times da WPS, da W-League (que acabou também deixando de existir em 2015) e da Women`s Premier Soccer League (WPSL), aconteceu em junho e resultou no planejamento para o lançamento de uma nova liga em 2013 com 12-16 times, tirados de cada uma das três ligas. Comparado com a WPS, os times teriam um orçamento salarial relativamente baixo de $500,000, valor que foi rebaixado ainda mais para $200,000.

Em novembro de 2012, foi anunciado que haveria oito times na nova liga e que a competição seria subsidiada pela USSF, pela Federação Canadense de Futebol (CSA) e pela Federação Mexicana de Futebol (FMF). As três federações pagariam os salários das jogadoras de suas respectivas seleções (24 dos EUA, 16 do Canadá e entre 12 e 16 do México), ajudando assim os times a criarem elencos de alta classe sem que tivessem que ultrapassar seus orçamentos salariais. As jogadoras seriam distribuídas de forma o mais igualitariamente possível entre os oito times em um processo de alocação. A Federação Americana cuidaria da organização do evento e do calendário de partidas. Em 29 de novembro de 2012, foi anunciado que Cheryl Bailey havia sido nomeada Diretora Executiva da nova liga. Bailey havia sido Diretora Geral da Seleção de Futebol Feminino dos Estados Unidos entre 2007 e 2011, liderando todo o staff de suporte a seleção durante as Copas do Mundo de 2007 e 2011 e durante os Jogos Olímpicos de Verão de 2008. Durante seu tempo como Diretora Geral da seleção americana, ela foi responsável por todas as áreas da administração, incluindo pagamentos, planejamento das viagens do time e relação com a CONCACAF, FIFA e outras federações.  

O primeiro jogo da NWSL aconteceu em 13 de abril de 2013, quando o Portland Thorns visitou o FC Kansas City, em um jogo que terminou empatado em 1 a 1 e foi assistido por 6,784 no Shawnee Mission District Stadium. A atacante méxico-americana Renae Cuéllar marcou o primeiro gol da história da liga. A temporada de 2013 teve uma média de público de 4,270 pessoas com um pico de 17,619 presentes para assistir a revanche entre Kansas City e Portland em Portland em 4 de agosto. A NWSL se tornou a primeira liga profissional de futebol feminino da história dos Estados Unidos a chegar a nove times com a adição do Houston Dash em 2014. O aparecimento de grupos interessados em ter um time na NWSL continuou, principalmente com times da Major League Soccer (MLS) interessados em também ter um time na NWSL. A temporada de 2015, teve um calendário mais enxuto e alguma instabilidade no início da temporada devido a programação da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2015 no Canadá. Contudo, a competição trouxe também mais exposição na mídia para a NWSL, o que causou um aumento significativo no público frequentando os jogos da liga.

Em 2016, a NWSL se tornou também a primeira liga profissional de futebol feminino da história dos Estados Unidos a existir por mais de três temporadas. Dez equipes participam da liga, todas elas baseadas nos Estados Unidos. Cada clube pode ter um mínimo de 18 e um máximo de 20 jogadoras no elenco a qualquer momento na temporada. Originalmente, cada elenco da liga incluía até três jogadoras da seleção americana, até duas jogadoras da seleção mexicana e até duas jogadoras da seleção canadense. Os times podem também contar com até quatro jogadoras internacionais. As outras vagas no elenco devem ser preenchidas por jogadoras americanas. Os clubes também preenchem seus elencos usando um número de drafts. Após 2017, a Federação Mexicana não aloca mais jogadoras para a NWSL, já que os mexicanos criaram sua própria liga de futebol feminino e o número de jogadoras alocadas e jogadoras internacionais em cada time varia devido a evidente troca de jogadoras entre os times. O condado possui uma extensa rede de via expressa de lendário tamanho e complexidade, que é mantida pelo Caltrans e patrulhada pela Patrulha Rodoviária da Califórnia.

Possui também uma vasta rede de ruas urbanas e suburbanas, a maioria das quais é mantida pelas prefeituras. O condado e a maioria das cidades geralmente fazem um trabalho decente de manutenção e limpeza das ruas. Ambas as estradas e as ruas são conhecidas pelos congestionamentos de tráfego severos. Além do serviço de ônibus metropolitano, inúmeras cidades do condado também operam suas próprias empresas de ônibus e linhas de transporte. O principal aeroporto comercial do condado é o Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX), em Los Angeles. Outros aeroportos importantes incluem o Aeroporto de Long Beach, em Long Beach e o Aeroporto Bob Hope em Burbank. O Aeroporto Regional Los Aangeles/Palmdale está previsto para expandir o serviço comercial. Há também outros aeroportos de aviação geral em Los Angeles, incluindo aeroportos em Van Nuys e Pacoima. Outros aeroportos existem em Santa Mônica, Compton, Torrance, El Monte, Lancaster, La Verne e Hawthorne. Los Angeles é um importante centro de transporte ferroviário de mercadorias, principalmente devido aos grandes volumes de mercadorias que entram e saem das instalações portuárias do condado. Os portos estão ligados à pátios ferroviários e as principais linhas da Union Pacific e da Burlington Northern Santa Fe que conduzem ao leste através de um corredor ferroviário conhecido como o Corredor Alameda. Serviço ferroviário de passageiros é prestado no condado pela Amtrak, pelo Metrô de Los Angeles e pela Metrolink.

Os dois principais portos do condado são o Porto de Los Angeles e o Porto de Long Beach. Juntos, eles controlam mais de um quarto de todo o tráfego de contêiner que entra nos Estados Unidos, tornando o complexo o maior e mais importante do país, e o terceiro maior porto do mundo em volume de transporte marítimo. O Porto de Los Angeles é o maior centro de navios de cruzeiro na costa oeste, por onde passam mais de 1 milhão de passageiros anualmente. Los Angeles é comumente associada com a indústria do entretenimento; todos os seis grandes estúdios: Paramount Pictures, 20th Century Fox, Sony, Warner Bros., Universal Pictures e Walt Disney Studios, estão localizadas dentro do condado. Além do cinema e produção de programas de televisão, outras grandes indústrias do Condado de Los Angeles são o comércio internacional apoiado pelo Porto de Los Angeles e pelo Porto de Long Beach, gravação e produção musical, aeroespacial e de serviços profissionais, tais como direito e medicina. O parque mais visitado do condado é o Parque Griffith, propriedade da cidade de Los Angeles. O condado é também conhecido pelo anual Rose Parade em Pasadena, o anual Los Angeles County Fair em Pomona, o Museu de Arte do Condado de Los Angeles, o Zoológico de Los Angeles, o Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, o La Brea, o Jardim Botânico do Condado de Los Angeles, duas pistas de corrida de cavalo e duas pistas de corrida de carro, a Pomona Raceway e a Irwindale Speedway, o RMS Queen Mary localizado em Long Beach, e o Grand Prix of Long Beach, além de quilômetros de praias de Zuma a Cabrillo. 

Bibliografia geral consultada.

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