quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Greenpeace – Movimento, Outsiders & Biodiversidade Internacional.

           “Une société qui ne se pense pas ne peut que s`enfoncer dans la  décadence”. Alain Touraine (1925-2023)                                                                         

         A classificação tradicional dos sociólogos e do nascimento da sociologia como ciência, impele-os à sua relação profissional pelo tipo de sistema social que condiciona seu trabalho e seu objeto - as relações sociais – em uma tipologia social determinada a que são mais sensíveis: os sociólogos das organizações, das instituições políticas ou da historicidade e das classes sociais, e na modernidade, o sociólogo engajado nas universidades. Trata-se da dramatis personæ dos personagens que estão presentes na realidade, mas que não aparecem no palco em tragédias, pois não são considerados parte da dramatis personæ. Diz-se que passou a ser usada nas obras do idioma inglês desde 1730. É evidente, também, que seu uso na divisão internacional do trabalho intelectual sofreu mudanças na sociologia, a partir da posterior utilização na etnologia da expressão “ator social”.  É por isso que o domínio mais difícil de explorar da Sociologia é da eficácia das respostas ao poder. Como compreender academicamente que o reconhecimento do sentido da ação não é jamais dado inteiramente pela consciência do ator? A crítica do poder não se faz em função de um contrapoder.  O conhecimento do social não prepara a ordem de amanhã. O poder reivindica o sentido para aquele que o detém. Ele só distingue aqueles que participam do poder, por delegação de autoridade ou simples obediência, daqueles que forjam alijados na direção de um não-sentido e utilizados como seres não-sociais. 

      Não há nenhuma sociedade sem o poder, ainda que existam sistemas políticos sem o Estado. Os antropólogos sabem disso, melhor, talvez que em sociologia. Toda sociedade destrói assim, para reconstruir a realidade. Faz um corte nas relações sociais, desfigura o outro e o dessocializa através do preconceito individual ou coletivo, da hostilidade, da repressão ou da exploração. Assim, o poder se reveste de positividade, seja a do Estado no caso das instituições, ou da ideologia, no caso das universidades públicas. O que nos traz de volta ao ponto de partida, pois o sociólogo encontra o poder ou a ideologia. No âmbito temático da Antropologia das Civilizações foi Darcy Ribeiro (1922-1997) quem percebeu a composição predominantemente “índio-espanhola” dos Povos-Testemunho se diferencia dessas outras variantes explicativas da etnologia americanista porque “suas populações indígenas originais não haviam alcançado um nível de desenvolvimento cultural equiparável ao dos mexicanos ou dos Incas”.  É o resultado da seleção de qualidades raciais e culturais das matrizes formadoras, que melhor se ajustaram às condições que lhes foram impostas de fora. O papel decisivo em sua formação foi representado pela escravidão que, operando como força distribalizadora, desgarrava as novas criaturas das tradições ancestrais. 

     São produto tanto da deculturação redutora de seus patrimônios tribais indígenas e africanos, quanto da aculturação seletiva desses patrimônios e da própria criatividade face ao novo meio de reprodução da vida. A condição de existência é a mesma que a da liberdade. Pois não há Sociologia possível em uma sociedade sem liberdade. E a liberdade não é um conjunto de medidas protetoras ou um tipo de instituições políticas. Ela é o que vincula uma à outra a reivindicação popular que pode tornar-se ditadura ou terror e a crítica do poder que pode tornar-se defesa de privilégios. Se o sociólogo duvida da importância de sua obra, que ele afirme pelo menos que a sua existência é um sinal de liberdade e que ele deve lutar por ela mesmo que não esteja seguro de merecê-la, pois este é o paradoxo de consequências não intencionais da sociologia. Pois ela se desenvolve nas sociedades liberais e mais vagarosamente onde haja certa defasagem entre o poder econômico, a hegemonia sócio-política e o controle in statu nascendi cultural. Se esses três domínios do poder se recobrem, e a análise crítica da sociedade passa a depender da boa vontade de um rei filósofo, ela perde quase inteiramente suas condições e possibilidades de existir criticamente, desde Friedrich Hegel (1770-1831), o filósofo da liberdade.  Quanto mais ele critica o poder, suas regras e suas asserções, menos considera a sociedade como uma máquina que funciona “à força de senhas”.                

         E mais ainda, por esse movimento socialmente, ele aprende a reconhecer o que é próprio da vida social, a natureza de um sistema que produz o seu sentido assumindo em relação social entre pessoas e a si mesmo um distanciamento que é ao mesmo tempo teórico, histórico e pontual o da reflexão e o do investimento da humanidade. Uma sociedade não pode viver senão da tensão entre o distanciamento que ela assume em relação a si mesma e o domínio que ela exerce sobre a sua prática - lugar de origem do poder. Fluxo da inovação, da luta de classes e de relações com a comunidade. Refluxo para a integração social, a comunidade, o poder e a conquista. E como ele deixaria de ser atraído frequentemente pelo que lhe é proibido (a ideologia), mas que se vincula a uma parte de si mesmo, o poder e a conquista para uns, o companheirismo e a disciplina para outros?  Essa situação impõe apenas um esforço teórico constante de distanciamento do sociólogo em relação ao lugar de onde ele fala. Duvido que alguém se possa tornar sociólogo sem ter adquirido uma experiência direta de sociedades e de meios sociais distantes daqueles em que vive habitualmente. Além dessa formação pessoal também é preciso que a situação profissional do sociólogo lhe permita resistir às pressões culturais e sociais que sobre ele se exercem. O conhecimento sociológico só pode desenvolver-se em um meio que não reproduza as desigualdades sociais, mas que procure reduzi-las.

           Mas o que ocorre é que os sociólogos estão encerrados em guetos cujo aparente isolamento seria cômodo demais para a ordem social dominante: o pensamento crítico estaria sendo enclausurado como se enclausuram os loucos e os delinquentes e pelas mesmas razões de ordem, para analisar as categorias, normas e discursos da prática. Contudo, o objeto da sociologia não pode ser definido sem a bidimensionalidade dos meios. Esse duplo procedimento deve ou deveria levara a definir o método sociológico. Enfim, é inútil discutir a pertinência relativa da análise qualitativa ou da análise quantitativa. A sociologia não pretende dominar a resposta a essa questão. Para Ferdinand Tönnies (1855-1936), uma teoria social da comunidade teria que aprofundar fundamentalmente sua raiz nas disposições gregárias estimuladas pelos laços de consanguinidade e afinidade eletiva, se caracterizando pela inclinação emocional recíproca, comum e unitária; pelo consenso e o mútuo conhecimento íntimo. Postulou, assim, o que seriam suas “leis principais”: a) parentes, cônjuges, vizinhos e amigos se gostam reciprocamente; b) entre os que se gostam, há consenso; c) os que se gostam, se entendem, convivem e permanecem juntos, ordenam sua vida em comum. Partindo destes princípios registrou a existência de três padrões de sociabilidade comunitária: os laços de consanguinidade, de coabitação territorial e de afinidade espiritual, cada qual convergindo para um respectivo ordenamento interativo, como comunidade de sangue (parentesco), lugar (vizinhança) e espírito (“amizade”).

        Ferdinand Tönnies (1855-1936) por vezes se referia a elas como elementos de um mesmo plano de desenvolvimento cadenciado, um surgindo como consequência e desdobramento natural de seu antecessor. Ele ainda classificou as relações comunitárias, em três tipos, segundo sua forma: a) as “relações autoritárias”, de modo geral predominantes, repousando na desigualdade de poder e querer, de força e autoridade, considerando o modelo ideal de relação entre pais e filhos; b) as “relações de companheirismo”,  na isonomia geracional na relação entre irmãos; c) e as “relações mistas”, que combinam as duas formas caracterizadas relação entre cônjuges.  O trabalho etnológico do sociólogo é fazer sociologia, fazer aparecer o objeto sociológico, para além das normas, das categorias e dos controles da organização social. O sociólogo há muito deixou de ser um mero observador por trás das relações. Sua pesquisa se torna necessariamente uma intervenção, mesmo se ela é recusada ou se os seus efeitos são anulados. Não é mais possível separar ao nível político o estudo da organização e o dos comportamentos sociais. A posição dos atores sociais é menos abstrata, não pode ser mais definida em relação a escalas de estratificação, à distância entre o grupo de pertencimento e os grupos de referência que se constituem em instâncias de poder etc. Ela deve ser expressa diretamente em termos de influência do ator sobre a decisão que o afeta. À observação em uma organização de relações abstratas sucede a pesquisa-ação sobre mecanismos próprios para tomada de decisão. O campo de estudo é menos limitado.                     

          As relações estudadas são mais fáceis de identificar, já que o ator se define diretamente em relação a outros e não em relação a regras ou escalas. A série é uma produção da Grifa Filmes, com direção, roteiro, entrevistas e montagem do cineasta Daniel Augusto, direção de fotografia de Rodrigo Menck, produção executiva de Fernando Dias e Maurício Dias e produção de Kênya Zanatta. No ar semanalmente, em 13 programas, Incertezas Críticas tem o objetivo de apresentar questões contemporâneas relevantes sobre arte, política, literatura, economia, relações internacionais, sociedade e história e permitir ao telespectador entrar em contato com o trabalho dos principais pensadores entrevistados da atualidade. É uma série documental com intelectuais de renome internacional. O objetivo é apresentar debates relevantes, e portanto, conjunturais, além de permitir ao espectador no processo de interação social entrar em contato com o trabalho dos principais pensadores da atualidade. De acordo com A. Touraine, nenhum comportamento coletivo é um movimento social; pode ser um sinal dele, mas também se explica, ao mesmo tempo, como pressão política ou como reivindicação organizacional. As relações entre os figurantes e sua comum relação com o móvel de sua interação são muito diferentes conforme tenhamos em contra os comportamentos organizacionais, os comportamentos políticos ou os comportamentos de historicidade.

No final da década de 1960 e início da década de 1970, o ativismo pacífico era bem conhecido pelo público em geral, mas o princípio da proteção ambiental ainda estava dando seus primeiros passos. Foi a combinação desses dois conceitos que levou à criação do Greenpeace: verde & paz. De fato, naquela conjuntura política, no Canadá, três grupos se formaram para promover a paz e a ação ambiental: a Sociedade Científica de Controle da Poluição e do Meio Ambiente, os Panteras Verdes e um terceiro grupo ligado à associação ambiental americana, o Sierra Club. Os testes nucleares conduzidos pelos Estados Unidos na Ilha de Amchitka, no Alasca, desde 1965, marcaram o início dessa política. Em 1969, os americanos anunciaram que um teste em grande escala, usando uma bomba de um megaton, seria realizado em Amchitka. Um jornalista de Vancouver, Bob Hunter, escreveu no Vancouver Sun que explosões perto de uma falha geológica poderiam desencadear um terremoto e um tsunami devastador: “Os Estados Unidos vão começar a jogar roleta russa com uma arma nuclear apontada para a cabeça do mundo, que poderia varrer o Pacífico”. Esse anúncio levou à criação da campanha Don`t Make a Wave (Não Faça Ondas), cujo objetivo era protestar contra os testes nucleares. Apesar disso, em outubro de 1969, a bomba explode, a uma profundidade extraordinária em tono de 4.000 pés, e os EUA imperialista anunciam que um segundo teste está planejado para 1971, com uma bomba cinco vezes mais poderosa. Mesmo que nenhum tsunami acabe acontecendo, os membros do grupo querem se envolver mais ativamente na oposição a esses testes.

Graças aos fundos arrecadados em um show beneficente organizado em 16 de outubro de 1970 no Pacific Coliseum em Vancouver, o comitê Don`t Make a Wave fretou um barco de pesca, o Phyliss Cormack, e o renomeou “Greenpeace” para a viagem.  O dia 15 de setembro de 1971 marca o início do movimento internacional do Greenpeace. Naquele dia, um grupo diversificado de 12 ativistas embarcou no arrastão de pesca: o proprietário do barco, John Cormack, os ambientalistas Jim Bohlen, Bill Darnell e Patrick Moore, o médico Lyle Thurston, o engenheiro Dave Birmingham, o geógrafo Terry A. Simmons (1946-2020), o cientista político Richard Fineberg, os jornalistas Bob Hunter, Ben Metcalfe e Bob Cummings, o ativista Paul Watson e, finalmente o fotógrafo Bob Keziere. O arrastão não chegou à zona de explosão porque foi interceptado por uma embarcação reconhecida da Guarda Costeira dos Estados Unidos. Em 1972, graças à atenção mediática às ações do Greenpeace, os norte-americanos cessaram os seus testes nucleares. O comité decidiu, portanto, mudar oficialmente o seu nome: foi assim que o registo comercial provincial de Victoria registou em 4 de maio de 1972 o nome da Fundação Greenpeace. Aliás, o Greenpeace (literalmente paz verde) tem como representação uma organização não governamental internacional de proteção ambiental (ONG) presente em mais de 55 países em todo o mundo globalizado. Fundado em 1971 por ativistas do movimento Don`t Make a Wave Committee, que visava se opor aos testes nucleares nos Estados Unidos, o Greenpeace é um grupo de defesa que luta contra o que considera as maiores ameaças ao meio ambiente e à biodiversidade do planeta.

O Greenpeace decidiu continuar sua luta in statu nascendi e então concentrou-se nos testes nucleares atmosféricos franceses no atol de Moruroa, na Polinésia Francesa. A organização recém-formada precisava de ajuda com seus protestos, que encontrou em David McTaggart, um ex-empresário canadense que navegava pelo Pacífico a bordo do Vega, seu veleiro de 12,6 metros. Em 1972, o veleiro foi renomeado Greenpeace III e navegou até a zona de exclusão de Moruroa para tentar interromper os testes nucleares franceses. O navio acabou sendo impedido pelas autoridades francesas, mas David McTaggart decidiu retornar no ano seguinte. Infelizmente, em uma tentativa violenta de interromper a manifestação, a marinha francesa o feriu no olho. No entanto, o incidente foi fotografado e divulgado. Em 1974, a França decidiu cessar seus testes nucleares atmosféricos. Embora as ações do Greenpeace estivessem inicialmente centradas em um objetivo de paz antinuclear, a organização começou a se concentrar mais em questões ambientais a partir de 1975. De fato, o Phyllis Cormack zarpou para confrontar baleeiros soviéticos na costa da Califórnia. Seu objetivo: interromper a caça posicionando-se entre os arpões e as baleias. A bordo do navio estavam 13 ativistas do Greenpeace, incluindo seu primeiro oficial, Paul Watson, que ficou tão chocado com a experiência que fundou a ONG Sea Shepherd Conservation Society em 1977 para se dedicar à defesa dos oceanos.        

Os nomes dos oceanos têm origem mitológica, histórica e geográfica. O nome do Oceano Atlântico é uma referência à mitologia. Vem de Atlas, filho de Netuno, o Deus dos mares. Atlas sustentava a Terra sob as suas costas. Atlas era um titã grego que foi condenado por Zeus, Poseidon e Cronos a sustentar os céus para sempre. Heródoto foi o primeiro a fazer essa associação do titã ao oceano, mas foi Mercator que praticamente revelou esse nome, ao inseri-lo no mapa no século 16 que persiste até os dias de hoje. O nome do Oceano Pacífico é uma referência à história. O navegador espanhol Vasco Núñez de Balboa (1475-1519), foi um explorador e fidalgo espanhol que teria nascido em Jerez de los Caballeros, na Espanha e que faleceu em Acla, no atual Panamá. De origem galega e de linhagem incerta, é provável que tenha sido filho do fidalgo Ñuñoa Arias de Balboa e de uma dama de Badajoz. Descobridor do Pacífico, nomeou-o de Oceano do Sul. Mas em 1520, quando o navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521) percorreu o litoral sul-americano, ficou impressionado com a tranquilidade das águas e nomeou-o de Pacífico. Mas, o dia era atípico, pois o Pacífico é mais perigoso do que o Atlântico. Contradiz a sua dinâmica, uma vez que este faz parte do Círculo do Fogo, sendo afetado por erupções vulcânicas e abalos sísmicos, melhor dizendo, terremotos e maremotos.

O nome do Oceano Índico é uma relação direta com a geografia da região, situa-se próximo da Índia e Indonésia. O terceiro maior oceano do mundo banha a Ásia, a África e a Oceania e conta com uma extensão de 73.440.000 km². O nome do Oceano Ártico é uma referência à geografia. O nome vem da palavra grega “arctos” que significa “urso”. Situado no polo Norte, sob a constelação da Ursa Menor, deve o nome à palavra grega arctos. Por oposição assimétrica geográfica, e diferenças existentes entre pessoas e povos. o oceano do polo Sul chama-se Antártico. O Mar Vermelho com 300 km no seu ponto mais largo, recebeu este nome pela cor dos corais que aparecem na sua superfície. Cerca de 350 espécies diferentes de corais já foram catalogadas biologicamente nas suas águas claras. O Mar Vermelho apresenta assim, a cor avermelhada em alguns períodos do ano devido à proliferação de um tipo específico de algas. No entanto, de acordo com diferentes autores a coloração ligeiramente avermelhada em algumas regiões da costa, deve-se ao minério de ferro, presente em grandes quantidades nas montanhas ao redor do mar. Como a paisagem da região é desértica, com ventos constantes e vegetação esparsa e rasteira, a poeira avermelhada deposita-se no mar dando-lhe a tonalidade característica. Conforme se avança para o alto mar, a cor vai voltando às tonalidades azuis.    

O Mar Negro   recebeu este nome em decorrência da presença de muita quantidade de sais minerais, de onde deriva sua coloração escura. Ficou reconhecido pelos gregos como originalmente desde Ponto Euxino, um mar interior situado entre a Europa, a Anatólia e o Cáucaso, ligado ao oceano Atlântico através dos mares Mediterrâneo e Egeu e por diversos estreitos. O Bósforo o liga ao mar de Mármara, e o estreito de Dardanelos o conecta à região do Egeu e pelos turcomanos e turcos como Karadeniz. Possui uma grande concentração de sulfeto de hidrogénio, que forma uma camada lamacenta quase inabitável. Só alguns tipos de bactérias conseguem sobreviver. A salinidade do Mar Negro é quase 50% menor que a dos demais mares. Na verdade, o Mar Morto não é propriamente um mar e sim um grande lago com dimensões de 82 km de comprimento e 18 km de largura. Situado numa grande depressão situada a 400 metros abaixo do nível do mar, não recebe água de rios nem tem comunicação com qualquer oceano. O excesso de sal nas águas torna a vida praticamente impossível, com exceção da bactéria Haloarcula marismortui, que consegue filtrar os sais e sobreviver. Como é muito castigado pelo Sol, a água evapora e os sais são concentrados, formando colunas. Ninguém afunda nas suas águas, devido à alta concentração salina, que o torna muito mais denso do que o corpo humano. Os oceanos têm uma média de 35 gramas de sal por litro de água, enquanto o mar Morto tem quase 300 gramas. Isto deve-se basicamente à sua localização geográfica na divisa entre Israel e Jordânia. A região é quente e seca, o que acelera a evaporação e impede a reposição da água pela chuva.

O primeiro Encontro Internacional do Greenpeace foi realizado em Vancouver, Canadá, em 1977, com a presença de representantes da Fundação Greenpeace Canadá e de escritórios no Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França e Austrália. Em 1979, o Greenpeace tornou-se uma organização internacional quando os escritórios em diferentes regiões do mundo ocidental se fundiram para formar o Greenpeace Internacional. David McTaggart, graças à sua intervenção para impedir os testes nucleares da França, tornou-se seu presidente. No final da década de 1970 e início da década de 1980, o Greenpeace também teve como objetivo interromper a caça às focas. No Golfo de São Lourenço, no Canadá, em 1982, por exemplo, ativistas pulverizaram quase 150 filhotes de foca-da-groenlândia com um corante verde inofensivo para tornar suas peles comercialmente inutilizáveis. Nesse mesmo ano, a Europa decidiu interromper permanentemente a importação de peles de filhotes de foca. Vale lembra que o ano de 1985 marcou um ponto de virada na história sociológica da ONG, que perdeu um de seus ativistas após um ataque das autoridades francesas ao seu navio, o Rainbow Warrior I. Além disso, a Comissão Baleeira Internacional (CBI) estabeleceu uma moratória internacional sobre a caça comercial de baleias, ratificada por um grande número de países e que entrou em vigor em 1986. Ela proibiu oficialmente a caça desses animais e ipso facto, moratória sobre o despejo de resíduos radioativos pela Convenção de Londres, confirmada em 1993.

 Em 1978, o Greenpeace lançou o primeiro Rainbow Warrior, um antigo arrastão de pesca “batizado” em homenagem ao livro Warriors of the Rainbow, que inspirou Bob Hunter, um dos primeiros ativistas, durante a primeira viagem a Amchitka. Decorado com um arco-íris, o navio foi usado pelo Greenpeace em suas campanhas entre 1978 e 1985, contra a caça às baleias, a caça às focas e o despejo de lixo radioativo no mar. Em 1985, enquanto o Rainbow Warrior participava de um protesto contra os testes nucleares franceses no Pacífico, foi afundado no porto de Auckland, na Nova Zelândia, pelo serviço secreto francês a pedido do Ministro da Defesa, Charles Hernu (1923-1990). O Rainbow Warrior afundou, resultando na morte do fotógrafo português Fernando Pereira (1950-1985). Em 1989, a organização estabeleceu sua sede em Amsterdã (Países Baixos), de onde as campanhas da ONG são definidas e coordenadas. O ano de 1995 foi crucial para o Greenpeace, que conseguiu reverter uma decisão de uma gigante petrolífera. Nesse ano, ativistas ocuparam a plataforma petrolífera Brent Spar, no Atlântico Nordeste, porque a Shell queria submergir a estrutura, que continha resíduos de petróleo e outros produtos químicos. A mídia cobriu o protesto. Apelos para boicotar os postos de serviço da Shell foram lançados em muitos países europeus. A pressão pública levou a Shell a reverter sua decisão, e a empresa concordou em desmantelar a instalação petrolífera em terra. A campanha do Greenpeace influenciou a adoção, em 1998, de regulamento administrado pela Convenção de Oslo-Paris, que proibiu o despejo de plataformas petrolíferas no mar.

O ano de 1997 também é uma data chave para os ativistas porque, após a campanha liderada desde 1988 pelo Greenpeace e outras organizações a favor de uma ação urgente para proteger o clima, os ministros dos países industrializados adotaram o Protocolo de Quioto, concordando em estabelecer metas juridicamente vinculativas para a redução dos gases de efeito estufa. O Greenpeace também continua suas campanhas pela eliminação gradual da energia nuclear, tanto civil quanto militar, bem como sua luta contra a poluição química. Ao longo da década de 1990, a organização lançou várias ações com esse objetivo. Por exemplo, em 1991, quando a usina nuclear de Cattenom, em Moselle, colocou em operação seu último reator, o Greenpeace sobrevoou o local com um dirigível para expressar sua discordância. Em 1993, ativistas bloquearam o acesso à fábrica de cloro da Elf-Atochem (posteriormente Arkema), em Fos-sur-Mer, uma comuna francesa na região administrativa da Provença-Alpes-Costa Azul, no departamento de Bocas do Ródano, por vários dias, em protesto contra a produção de cloro. Em 1998, um balão de ar quente enviado pelo Greenpeace protestou contra os testes nucleares na Índia e Paquistão, sobrevoando o Taj Mahal com o slogan: “Desarmamento nuclear, já!”. A organização também está intensificando cada vez mais sua luta contra o desmatamento. Por exemplo, em 1998, o Greenpeace foi ao Equador para estudar o impacto social, econômico e ambiental do corte de florestas de mangue para a criação de camarão.

A década de 2000 é simbolizada por imagens da estátua do Cristo Redentor duas vezes coberta com faixas do Greenpeace defendendo a proteção ambiental. Em 2002, ativistas viajaram para o Rio de Janeiro, para protestar contra os resultados da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que acabara de ser concluída em Joanesburgo. Eles penduraram uma enorme faixa no icônico monumento da cidade com a mensagem: “Rio mais 10, uma segunda chance?”, uma referência à Cúpula da Terra realizada na cidade em 1992. Os ativistas queriam sinalizar aos líderes mundiais que participaram da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável que eles haviam perdido uma oportunidade de acabar com a poluição e a pobreza globais. Os ativistas repetiram a ação em 2006 com o slogan “O futuro do planeta está em suas mãos”, a fim de instar os governos a tomarem medidas para proteger a biodiversidade. Durante esses anos, a organização também realizou inúmeras ações contra o desmatamento. Por exemplo, em 2002, na costa de Sète, no Sul da França, ativistas interceptaram um navio carregado com madeira da Libéria. Seu objetivo: denunciar a importação de madeiras exóticas para fins industriais. Após uma ação ativista e inúmeras discussões com o grupo Lapeyre (1971), o Greenpeace também obteve a adoção, pela empresa, do padrão FSC para todas as suas importações de madeira tropical. Também em 2002, após dez anos de campanhas na Amazônia, a extração de mogno foi incluída na Convenção Internacional para a Proteção da Fauna e da Flora Selvagens, o que garantirá a sobrevivência dessa árvore, uma vez que seu comércio é limitado e melhor controlado.

Finalmente, a organização continua seus esforços para proteger as florestas primárias na província canadense da Colúmbia Britânica. O Greenpeace também realiza outras ações para proteger o meio ambiente. Por exemplo, no final da década, conseguiu que a Apple removesse a maior parte das substâncias tóxicas contidas em alguns de seus computadores. Em 2007, entregou várias toneladas de milho geneticamente modificado à sede de Nicolas Sarkozy, candidato à presidência, a fim de incentivá-lo a se posicionar contra o cultivo de OGMs. Em 2008, ativistas bloquearam a mina a céu aberto de Jänschwalde, na Alemanha, em protesto contra as significativas emissões de dióxido de carbono associadas ao uso do carvão. Em 2009, o Greenpeace entrou nas dependências da Assembleia Nacional para influenciar os debates dos deputados franceses poucos dias antes do início da cúpula de Copenhague sobre mudanças climáticas. Durante esta década, o Greenpeace venceu inúmeras batalhas, algumas das quais se arrastavam há muitos anos. Outros eventos significativos marcaram a década de 2010, como a conferência sobre mudanças climáticas de 2013 em Varsóvia, que o Greenpeace, juntamente com outras organizações como o WWF, decidiu boicotar sob a alegação de que “não levou a nada”. Em 2014, o Greenpeace aproveitou uma brecha legal para estabelecer um novo país, a República Glacial, composta por 23.000 km² de geleiras perto de Santiago, no Chile. A organização explicou que a apropriação das geleiras foi possível porque a Constituição chilena não as mencionava como um bem público que exigisse proteção.

O objetivo dos ativistas era conscientizar sociologicamente falando sobre a necessidade de uma lei que garantisse a proteção das geleiras, que permitisse o cuidado dessas reservas hídricas estratégicas ipso facto para o país e que impedisse quaisquer ameaças a elas. Por exemplo, em 2010, o grupo suíço Nestlé rompeu sua parceria com a Smart, sua fornecedora de óleo de palma. A empresa cedeu às exigências de uma campanha global contra sua marca Kit Kat, liderada por ativistas do Greenpeace e que denunciava a destruição das florestas tropicais da Indonésia. Também em 2010, ativistas se acorrentaram a uma linha férrea para protestar contra a exportação de lixo nuclear francês para a Rússia. Após 25 anos de luta, o Greenpeace saudou a decisão da Areva (posteriormente Orano) de finalmente pôr fim a essa prática. Em 2015, a Shell abandonou seus projetos de perfuração no Ártico após uma batalha marcada, em particular, pelo Grande Prêmio de Fórmula 1 de 2013 realizado na Bélgica. De fato, ativistas desfraldaram várias faixas antes do início da corrida e novamente durante a cerimônia de premiação, para denunciar as atividades da Shell, parceira da equipe Ferrari e patrocinadora deste Grande Prêmio da Bélgica. Recentemente, em 2016, 85 % da Grande Floresta Ursa no Canadá foi finalmente protegida, após uma batalha que durou cerca de vinte anos. Por outro lado, outras batalhas foram perdidas, como a construção da barragem de Belo Monte na Amazônia.

Apesar de numerosas ações para denunciar as consequências ecológicas e sociais do projeto, como o despejo em 2010 de três toneladas de esterco em frente à Agência Nacional de Energia Elétrica, em Brasília, a barragem foi inaugurada em 2019. A organização também continua suas ações para a preservação dos oceanos, como sua campanha de 2014 contra a empresa Petit Navire. Ativistas do Greenpeace se reuniram em frente à sede da empresa com uma lata de atum falsa com a inscrição “Tubarão, Raia, Tartaruga, Atum Bebê: Petit Navire, o bom gosto da carnificina”, juntamente com faixas explicando que a empresa captura desnecessariamente 2.000 toneladas de espécies por ano. O Greenpeace critica a Petit Navire por obter seu peixe de fornecedores cujas práticas de pesca são insustentáveis. Finalmente, o Greenpeace também atua em outras frentes de orientação sociológica, como a crise migratória e a política propriamente dita. Por exemplo, em 2016, ativistas se reuniram na ilha grega de Lesbos, formando um símbolo da paz com 3.000 coletes salva-vidas para denunciar a situação dos migrantes. Durante o período entre os dois turnos da eleição presidencial francesa de 2017 entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron, o Greenpeace, implicitamente, em um artigo de opinião juntamente com outras sessenta organizações, fez um apelo por uma frente unida contra a candidata da Reunião Nacional. A luta contra a inação climática é intensificada. Por exemplo, em 2020, ativistas escalaram o guindaste de renovação da Catedral de Notre-Dame, em Paris, para pedir ao Presidente da República que tomasse medidas contra as alterações climáticas. Desfraldaram faixa com os dizeres: “Clima: Hora de agir!”.

Em 2021, antes do jogo França-Alemanha no Euro 2020, um ativista entrou no estádio usando um paramotor com a mensagem “Fora petróleo”. Nesse mesmo ano, ativistas entraram no Aeroporto Charles de Gaulle escalando uma cerca à beira da pista. O seu objetivo: pintar um Boeing 777 da Air France de verde para incentivar o governo francês a limitar o tráfego aéreo e, assim, combater as alterações climáticas. Em 2021, o Greenpeace também criticou a prática de compensação de carbono, uma das estratégias implementadas pelas empresas para compensar seus impactos ambientais e mitigar as mudanças climáticas. Seu diretor executivo, em um editorial publicado pela illuminem.com antes da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, chamou a prática de “mentira climática perigosa”, “hipocrisia” e “cortina de fumaça que beneficia os piores poluidores”. A organização propôs sanções diretas e limites de emissão rigorosos para empresas poluidoras, em vez de “incentivos financeiros para compensar as emissões de carbono”. O Greenpeace é composto pelo Greenpeace Internacional, com sede em Amsterdã, e por 28 escritórios que operam em 55 países diferentes. O Conselho de Administração do Greenpeace Internacional é geralmente composto por sete membros, eleitos para um mandato de três anos pelo Conselho na Assembleia Geral Anual.

É o garante da integridade da organização e assegura o cumprimento das normas internacionalmente reconhecidas de boa governação e gestão financeira. Aprova o orçamento e as contas auditadas do Greenpeace Internacional. Nomeia e supervisiona os diretores executivos do Greenpeace Internacional. É responsável pelas decisões estratégicas relativas a campanhas de grande escala, políticas organizacionais e planeamento de programas globais. A atual Presidente do Conselho é Ayesha Imam. O Diretor Executivo do Greenpeace Internacional é responsável pela gestão do Greenpeace Internacional. Ele lidera uma equipe de estratégia e gestão e desempenha diversas funções, incluindo: facilitar a implementação da agenda global de campanhas de longo prazo; coordenar as campanhas realizadas pelos escritórios regionais para garantir consistência e contribuição para a agenda global de campanhas; operar a frota do Greenpeace; monitorar o desempenho estratégico e financeiro dos escritórios regionais; desenvolver a presença do Greenpeace em novas regiões prioritárias; e fornecer apoio institucional em captação de recursos, recursos humanos, treinamento e apoio científico e jurídico aos escritórios regionais. No início da década de 2020, de forma extraordinária o Greenpeace Internacional empregava aproximadamente 260 pessoas, além das tripulações próprias dos navios. 

A atual Diretora Executiva interina do Greenpeace Internacional é Norma Torres. Norma Judith Torres, nascida Barillas, Guatemala, em 4 de abril de 1965 é uma política norte-americana. Ela é membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 35º distrito congressional da Califórnia. Anteriormente, ela foi membro do Senado Estadual da Califórnia representando o 32º distrito. Ela é membro do Partido Democrata. Quando tinha cinco anos de idade, ela e seu tio vieram para os Estados Unidos; sua mãe morreu um ano depois. Ela chegou inicialmente com um visto de turista, mas tornou-se residente legal na adolescência e obteve a cidadania em 1992. Torres trabalhou como despachante do 9-1-1 e, em 1994, liderou uma campanha para exigir a contratação de operadores bilíngues do 9-1-1. Ela foi um membro ativo da Federação Americana de Empregados Estaduais, Municipais e de Condados (AFSCME), teve quatro presidentes desde a sua fundação atuando como delegada sindical do local 3090. É o maior sindicato de funcionários públicos dos Estados Unidos. Representa 1,3 milhão de funcionários e aposentados do setor, incluindo profissionais de saúde, agentes penitenciários, trabalhadores de saneamento, policiais, bombeiros, e profissionais de cuidados infantis. 

Fundada em Madison, Wisconsin, em 1932, a federação faz parte da Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais (AFL-CIO), uma central sindical nacional que é a maior federação de sindicatos dos Estados Unidos. É composta por 61 sindicatos nacionais e internacionais, que juntos representam quase 15 milhões de trabalhadores ativos e aposentados. A organização realiza gastos políticos e ativismo substanciais, geralmente em apoio a políticas progressistas e pró-trabalhistas. O sindicato é reconhecido por seu envolvimento em campanhas políticas, quase exclusivamente com o Partido Democrata e foi um dos primeiros movimentos sociais a aproveitar a decisão de 2010 do caso Citizens United, que permitiu que sindicatos e empresas financiassem diretamente anúncios que defendessem expressamente a eleição ou a derrota de um candidato. 

As principais questões políticas para eles incluem o sistema de saúde universal, a proteção dos benefícios previdenciários, o aumento do salário mínimo, a prevenção da privatização de empregos públicos e a expansão do seguro-desemprego. A entidade está dividida em cerca de 3.400 sindicatos locais em 46 estados dos Estados Unidos da América, além do Distrito de Columbia e Porto Rico. Os escritórios regionais localizados em todo o mundo são responsáveis ​​pela implementação e execução de campanhas que se enquadram no programa de campanha global de longo prazo. Cada escritório consiste em uma ou mais entidades legais separadas e tem seu próprio conselho de administração com função de supervisão. Esses conselhos são geralmente eleitos por membros votantes compostos por voluntários e ativistas profundamente enraizados nas comunidades ambientais locais. Em 2000, o Greenpeace Internacional empregava 1.400 pessoas. Passados 20 anos, a organização tem 2.500 funcionários em todo o mundo. No início da década de 2020, a organização tinha 3 milhões de membros, incluindo 230 mil na França. O Greenpeace não aceita doações corporativas nem subsídios públicos. Os membros, portanto, garantem a independência financeira da organização por meio de suas doações. Entre os seus membros, o Greenpeace Internacional contava com 10.000 voluntários na década de 2000. Vinte anos depois, a organização contava com 36.000. Estes voluntários são indivíduos que participam na vida da organização, na sede, em grupos locais, online ou no terreno.

Podem também participar em campanhas, sejam elas informativas ou com o objetivo de dissuasão. Os ativistas podem, assim, se assim o desejarem, tornar-se ativistas, isto é, participar em ações não violentas. No início dos anos 2000, o financiamento do Greenpeace Internacional (€150 milhões) foi fornecido por 2,8 milhões de membros doadores. Sua receita veio exclusivamente de doações de seus membros, notadamente por meio das chamadas campanhas de arrecadação de fundos de rua. Ao mesmo tempo, o WWF, outra organização não governamental internacional dedicada à proteção ambiental, tinha quase cinco milhões de membros, mas seu orçamento era quatro vezes menor. No final da década de 2010, o orçamento do Greenpeace era de aproximadamente € 340 milhões. Em 2020, o orçamento da organização ainda dependia exclusivamente da generosidade de seus membros, totalizando € 410 milhões. Por exemplo, a filial alemã, uma das mais ativas e maiores, contava com 120 funcionários em tempo integral em 2014 e recebeu uma parcela significativa do orçamento da organização (€ 55 milhões). A filial francesa também é ativa, com 150 funcionários em sua sede em Paris e € 27,3 milhões em recursos em 2020. Estatisticamente 18 % desse valor são destinados ao Greenpeace Internacional para apoiar os escritórios mais vulneráveis ​​financeiramente. A seção suíça do Greenpeace, fundada em 1984, afirma ter 145.000 doadores. Possui 70 funcionários e um orçamento de quase € 23 milhões em 2018. A Grã-Bretanha e os Estados Unidos também estão entre os maiores escritórios regionais em termos de orçamento.

Em 2014, o Greenpeace perdeu 3,8 milhões de euros no mercado cambial. A sede internacional do Greenpeace está localizada na Holanda. No entanto, a organização está presente em mais de 55 países. O Greenpeace tem 28 escritórios em todo o mundo: na Europa, América do Sul e do Norte, Ásia e Pacífico. No início da década de 2020, empregava 2.500 funcionários em todo o mundo. Também conta com 3 milhões de membros e 36.000 voluntários. A Greenpeace Internacional possui uma rede de organizações nacionais (uma por país), algumas das quais foram fundadas antes da criação da organização internacional. A unidade europeia, Greenpeace European Unit, foi fundada em 1989, o mesmo ano da criação do Gabinete de Políticas Europeias do WWF. Esta unidade está intimamente ligada à Greenpeace Internacional (a unidade política e científica), que, na sua criação, transferiu parte da sua equipe de lobby para Bruxelas. Desde 1991, o escritório europeu do Greenpeace é membro de uma coligação com outras nove ONGs, denominada Green 10 ou G 10, para representar os interesses ambientais e influenciar o processo de tomada de decisão europeu. A dotação financeira do escritório provém do Greenpeace Internacional. Esta dotação tem uma influência direta no número de funcionários no escritório de Bruxelas: havia 10 no início, reduzindo para dois no final de 2002 e subindo para 10 no ano seguinte. Para além da União Europeia em sentido estrito, o seu âmbito de ação abrange todos os países escandinavos, bem como a Turquia. O Greenpeace França é uma associação regida pela lei de 1901. Teve origem na fundação, em 1977, de um escritório francês do Greenpeace. Em 1987, após a controvérsia resultante da destruição do Rainbow Warrior pelos serviços secretos franceses em 1985, teve de fechar as suas portas, que reabriu finalmente dois anos mais tarde, em 1989. 

            O Greenpeace França relata que o número de seus doadores privados aumentou de 23.000 em 1998 para 140.000 em 2011, 180.000 em 2016 e 220.000 em 2018. Em 2020, tinha quase 230.000 membros e um orçamento anual de quase € 28 milhões. Seus recursos provêm inteiramente e exclusivamente de doadores privados. Portanto, não recebe subsídios do governo ou de empresas. A filial francesa é substancial, com 150 funcionários em 2020, sediados na sede parisiense no décimo arrondissement, na rue d`Enghien. Na década de 2010, o número de funcionários era metade disso, pois as necessidades relacionadas à tecnologia digital ainda eram limitadas. O Greenpeace França opera com total autonomia. No entanto, colabora com a sede do Greenpeace Internacional, particularmente para harmonizar as campanhas globais. Além disso, cerca de 18 % do seu orçamento anual é alocado pelo Greenpeace Internacional, que o distribui aos escritórios com necessidades financeiras. Um relatório de 2012 do Tribunal de Contas francês sobre a utilização dos fundos angariados pelo Greenpeace França afirma o seguinte: “O movimento Greenpeace afirma ser financiado exclusivamente por indivíduos e recusa quaisquer subsídios de entidades públicas ou empresas: o Tribunal, aliás, observou durante a sua investigação que este princípio é respeitado pelo Greenpeace França”. O Tribunal de Contas considera, portanto, as despesas conformes, embora aponte duas áreas para melhoria. 

           Relata que, embora quase 35 % dos fundos angariados sejam destinados à angariação de fundos, apenas 50% são dedicados à ação social, um valor que o Tribunal de Contas considera que poderia ser superior. O relatório indica que 20 % dos fundos arrecadados são pagos ao Greenpeace Internacional, sem contabilização dos fundos pagos, o que não permite o controlo por parte do Tribunal de Contas. Prá tudo na vida social temos um método e do Greenpeace per se baseia-se em parte em ações diretas, por vezes altamente divulgadas, que o tornaram famoso. Utilizando o impacto destas ações para informar os meios de comunicação e o público, a organização também atua como um grupo de pressão junto das autoridades políticas e dos líderes empresariais para promover mudanças adequadas. A organização também se especializou em conhecimentos ambientais. O Greenpeace utiliza diversos métodos para realizar suas campanhas. É possível decompor a forma como as planeja em quatro etapas. Primeiramente, realiza a “coleta de informações” para obter dados sobre uma causa, estudar o mercado que pretende atingir, conduzir pesquisas e ouvir o que as comunidades têm a dizer. Às vezes, os depoimentos de diferentes comunidades podem ser o ponto de partida para uma campanha.  Durante a campanha da Grande Floresta Ursa no Canadá, as próprias comunidades indígenas da região contataram o Greenpeace em 1994 para solicitar seu apoio na luta contra as empresas madeireiras que estavam realizando desmatamento em larga escala em seus territórios tradicionais. 

Além disso, para realizar suas campanhas, o Greenpeace conta com muitos especialistas em diversas áreas, como ambientalistas, químicos, biólogos, etc. Portanto, pode conduzir suas próprias pesquisas e se basear nas informações coletadas por seus pesquisadores. Por exemplo, após depoimentos de comunidades nativas americanas, investiu 100.000 dólares canadenses em um estudo que duraria mais de dois anos. Em segundo lugar, a ONG realiza “atividades de educação e sensibilização junto dos cidadãos” para comunicar-lhes as questões e reivindicações do Greenpeace. Para sensibilizar o público, utiliza imagens chocantes que mostram o desmatamento de florestas e o derretimento de geleiras, etc. Na sua campanha da década de 1990 para proteger a Grande Floresta Ursa e opor-se à exploração madeireira na floresta, o Greenpeace Canadá utilizou imagens de várias espécies de ursos, lobos e caribus que seriam ameaçadas ecologicamente se a floresta fosse desmatada, para demonstrar que o desmatamento afeta todo o ecossistema. O Greenpeace utiliza, assim, os meios de comunicação social globalmente o planeta Terra, para sensibilizar o público para as questões ambientais, mostrando imagens que evocam emoções fortes. Ele precisa gerenciar habilmente a mídia, incluindo a televisão, para disseminar suas ideias. Uma das maneiras pelas quais faz isso é criando “ações de impacto”, que podem ser definidas como ações planejadas e encenadas com antecedência. 

Por exemplo, bloqueios de ruas são preparados previamente com uma mensagem elaborada para atender às restrições da televisão, como a duração de um segmento. Além disso, com o objetivo sensacionalista favorecido por alguns veículos de comunicação, o Greenpeace pode decidir encenar um evento, como organizar, em conjunto com a polícia, a prisão de manifestantes do Greenpeace, filmada por um período adequado para transmissão televisiva. O Greenpeace também trabalha com canais de televisão, filmando todas as ações que ocorrem durante as manifestações, utilizando suas próprias câmeras e estúdios. Em seguida, leva as imagens para emissoras que não puderam comparecer ao evento, para que elas possam transmitir seus vídeos. Além disso, o Greenpeace utiliza a televisão como um meio, por meio da disseminação de imagens, para evocar emoções e, assim, mobilizar mais pessoas para sua causa. Por exemplo, para angariar fundos para as suas campanhas, ela prefere publicar imagens de bebés-focas mortos em vez de divulgar informações sobre a tesourinha, uma espécie extinta na ilha de Santa Helena. Ao divulgar cenários e este tipo de imagens, o Greenpeace pode aumentar o financiamento que recebe do público, particularmente daqueles que não desejam participar em manifestações, mas que ainda querem contribuir fazendo doações através dos seus televisores.

No entanto, a televisão não é o único método com utilidade de uso que o Greenpeace utiliza para as suas campanhas. A organização também possui um autocarro e um barco que lhe permitem realizar operações marítimas, como a medição da radioatividade na água, além de servirem como um centro de informação em tempo real e propaganda. Além disso, em países sem litoral, o autocarro do Greenpeace é o principal meio de propaganda. Em 1996, na Áustria, foi criado um modelo denominado “diálogo direto”, implementado em 1998. Este modelo de ação consiste na contratação de profissionais de marketing que recebem um salário fixo mais uma comissão caso atinjam uma determinada quota de membros. Estes profissionais são recrutados pelo Greenpeace pelas suas competências em marketing e comunicação. A novidade deste modelo residia no facto de os recrutadores irem às ruas e pedirem aos transeuntes que apoiassem o Greenpeace através de contribuições monetárias, que eram posteriormente deduzidas da conta do doador a uma taxa fixa. Esse novo programa foi um sucesso financeiro para a ONG, tanto que ela decidiu abandonar todos os seus outros métodos de arrecadação de fundos. Assim, enquanto o Greenpeace França tinha sete funcionários, um milhão de euros em recursos e 1.800 membros em 1998, no final de 2004 contava com um orçamento de 4,8 milhões de euros, 8.600 membros e 45 funcionários permanentes. Esse programa foi criado com o objetivo de recrutar mais membros, mas sobretudo, de alcançar um segmento maior da geração mais jovem. De fato, havia sido observado que a população-alvo das ONGs em geral era de 60 anos ou mais. No entanto, o Greenpeace queria obter apoio financeiro de outra faixa etária que ainda não havia sido abordada.  

Na década de 2010, a chegada da internet ofereceu uma nova forma de ativismo: o ciberativismo. Petições, vídeos e campanhas nas redes sociais com hashtags, longe de serem anedóticas, tiveram um impacto significativo nas ações do Greenpeace. Elas não apenas informaram e mobilizaram o público, mas também serviram como meio de exercer pressão. Por exemplo, em 2014, o Greenpeace lançou um vídeo mostrando um mundo de Lego afundando em petróleo, ao som de uma versão melancólica do tema principal de Uma Aventura Lego, para denunciar a longa parceria da Lego com a petrolífera Shell. O vídeo obteve quase seis milhões de visualizações e ganhou força nas redes sociais. Uma petição também circulou, alcançando mais de um milhão de assinaturas. Em poucas semanas, a Lego foi forçada a encerrar sua parceria de cerca de sessenta anos. A terceira etapa do modelo é onde o Greenpeace exerce pressão sobre seus alvos. Semelhante à campanha contra a parceria da Lego com a Shell, o Greenpeace usa táticas de pressão como boicotes de clientes, lobby e ataques à imagem das empresas-alvo por meio de ação direta e com a ajuda de aliados poderosos, como acionistas. De fato, se as empresas se recusarem a mudar suas práticas, o Greenpeace atacará sua imagem de marca destacando sua falta de cooperação, a fim de ganhar aliados entre clientes ou acionistas, que por sua vez exercerão pressão causando perdas financeiras. A etapa final representa as “negociações”. Esta etapa só ocorre quando a pressão da Organização Não-Governamental surte efeito de poder.

Como a campanha do Greenpeace contra o grupo Lapeyre, que gerou inúmeras trocas e a adoção do padrão FSC para todas as suas importações de madeira tropical, o objetivo desta etapa é encontrar soluções que alcancem consenso entre comunidades, empresas e autoridades públicas, a fim de proteger os ecossistemas. O Greenpeace é bem reconhecido pelo uso de navios em suas campanhas de protesto e ações diretas. Desde sua criação, a organização utiliza embarcações para realizar ações em todos os oceanos do mundo. Embora às vezes frete navios, também os compra e modifica para realizar suas missões. Um deles, o Rainbow Warrior I, ficou famoso em 1985 no que é reconhecido na França ideologicamente como o “caso Rainbow Warrior” ou o “caso Greenpeace”: os serviços secretos franceses o afundaram minas magnéticas colocadas sob seu casco por mergulhadores do exército francês no porto de Auckland, enquanto o navio se preparava para um cruzeiro de protesto contra os testes nucleares franceses em Moruroa. 

Durante esse ataque, como vimos, orquestrado pelo governo francês, o fotógrafo Fernando Pereira foi morto. A frota do Greenpeace em 2020 era composta por três navios: O Rainbow Warrior III, um veleiro de 57,9 metros de comprimento e 680 toneladas, foi lançado em14 de outubro de 2011; o MV Arctic Sunrise, um antigo caçador de focas, com 49,62 metros de comprimento, 11,50 metros de largura, deslocando 497 toneladas, comprado em 1995; o MV Esperanza, um navio de 72 metros de comprimento, 14 metros de largura, com uma velocidade máxima de 15 nós, foi lançado em 2002. O termo ideologia aparece pela primeira vez em 1801 no livro de Destutt de Tracy, Eléments d`ldéologie. Juntamente com o médico Pierre-Jean-Georges Cabanis, De Gérando e Volney, De Tracy pretendia elaborar uma ciência da gênese das ideias, tratando-as como fenômenos naturais que exprimem a relação do corpo humano enquanto organismo com o ambiente social. Elabora uma teoria sobre as faculdades sensíveis, responsáveis pela formação de todas as nossas ideias: querer (vontade), julgar (razão), sentir (percepção) e recordar (memória). Nesses termos os ideólogos franceses eram antiteológicos, antimetafísicos e antimonárquicos. Pertenciam ao partido liberal e esperavam que o progresso das ciências experimentais, baseadas exclusivamente na observação, na análise e síntese dos dados observados, pudesse levar a uma nova pedagogia e a uma nova moral. Contra a educação religiosa e metafísica, que permite assegurar o poder político de um monarca, De Tracy propõe o ensino das ciências físicas e químicas para “formar um bom espírito”, isto é, um espírito capaz de observar, decompor e recompor os fatos socialmente, sem se perder em vazias especulações.

No ensaio Influências do Moral sobre o Físico, Pierre-Jean-Georges Cabanis (1757-1808) procura determinar no âmbito da teoria a influência do cérebro sobre o resto do organismo, no quadro puramente fisiológico do homem. Cabanis pretende construir ciências morais dotadas de tanta certeza quanto as ciências naturais, capazes de trazer a felicidade coletiva e de acabar com os dogmas, desde que a moralidade não seja separada da fisiologia do corpo humano. Nos Elementos de Ideologia, na parte dedicada ao estudo da vontade, De Tracy procura analisar os efeitos de nossas ações voluntárias e escreve, então, sobre economia, na medida em que os efeitos das ações voluntárias concernem à nossa aptidão para prover necessidades materiais. Procura saber como atuam, sobre o indivíduo e sobre a massa social, o trabalho e as diferentes formas da sociedade, isto é, a família, a corporação. Suas considerações, na verdade, são glosas das análises do economista francês Jean-Baptiste Say (1767-1832), a respeito da troca, da produção social, do valor econômico, da indústria, da distribuição do consumo e das riquezas. Foi um economista e empresário liberal francês que defendeu a concorrência, o livre comércio e o levantamento de restrições aos negócios. Ele é reconhecido pela lei de Say, também reconhecida como lei dos mercados que seu ponto de vista popularizou. 

O ideólogo francês partilha do otimismo naturalista e materialista do século XVIII, acreditando que a Natureza tem, em si, as condições necessárias e suficientes para o progresso e que só graças a ela nossas inclinações e nossa inteligência adquirem uma direção e um sentido. Os ideólogos foram partidários de Napoleão e apoiaram o golpe de 18 Brumário, pois o julgava um liberal continuador dos ideais da Revolução Francesa. Enquanto Cônsul, Napoleão nomeou vários dos ideólogos como senadores ou tribunos. Todavia, logo se decepcionaram com Bonaparte, vendo nele o restaurador do Antigo Regime. Opõe-se às leis referentes à segurança do Estado e são por isso excluídos do Tribunado e sua Academia é fechada. Os decretos napoleônicos para a fundação da nova Universidade Francesa dão plenos poderes aos inimigos dos ideólogos, que passam, então, para o partido da oposição. O sentido pejorativo na reflexão política dos termos “ideologia” e “ideólogos” veio da declaração de Napoleão que, num discurso ao Conselho de Estado em 1812, declarou: - “Todas as desgraças que afligem nossa bela França devem ser atribuídas à ideologia, essa tenebrosa metafísica que, buscando com sutilezas as causas primeiras, quer fundar sobre suas bases a legislação dos povos, em vez de adaptar as leis ao conhecimento do coração humano e às lições da história”. Ele invertia a imagem que os ideólogos tinham de si mesmos: eles, que se consideravam materialistas, realistas e antimetafísicos, foram chamados de “tenebrosos metafísicos”, ignorantes do realismo político que adapta as leis ao coração humano e às lições propriamente ditas da história.

O curioso, segundo a interpretação filosófica materialista de Marilena Chauí, no ensaio: O que é Ideologia (2017), é que se a acusação de Bonaparte é infundada com relação aos ideólogos franceses, não o seria se se dirigisse aos ideólogos alemães, criticados por Marx. Ou seja, Marx conservará o significado napoleônico do termo: o ideólogo é aquele que inverte as relações entre as ideias e o real. Assim, a ideologia, que inicialmente designava uma ciência natural da aquisição, pelo homem, das ideias calcadas sobre o próprio real, passa a designar, dar por diante, um sistema de ideias condenadas a desconhecer sua relação real com o real. Entrementes, na década de 1820, Heinrich Marx parece ter prosperado. Após sua nomeação para o Tribunal de Apelação de Trier em 1818, ele redigiu outro relatório sobre a usura em 1821 e se tornou advogado público. Era, evidentemente, bem visto pelos colegas de paletó e gravata. A imponente casa perto da Porta Nigra adquirida em 1819 foi comprada de um colega jurista, e os padrinhos dos seus filhos eram, quase sempre, advogados em Trier. Edgar von Westphalen (1770-1842) dizia que ele era um dos melhores advogados e um dos homens mais nobres da Renânia. E Heinrich Marx não perdeu contato com a comunidade judaica. A família Marx continuou a compartilhar a propriedade de um vinhedo em Mertesdorf com o dr. Lion Bernkastel, destacado membro do Consistório, e a procurar sua assistência em assuntos médicos até os anos 1830.

A família mantinha relação de amizade com a viúva do rabino Samuel Marx. Economicamente a crise dos viticultores prosseguiu nas décadas de 1830-1840, até chegar a um ponto em que sua miséria na vida só podia ser comparada ao caso contemporâneo, internacionalmente notório, dos tecelões salesianos. O outro pilar da região, para a economia, era a floresta, e durante a primeira metade do século XIX houve um aumento da demanda por madeira, especialmente das forjas de ferro de Eifel e dos tanoeiros do mercado de vinho. Pobres camponeses do planalto se beneficiaram dessa demanda vendendo a madeira que coletavam no chão das florestas. A consolidação dos direitos de propriedade durante o período de domínio napoleônico e pelos Estados Provinciais nas décadas de 1820-30 ameaçaram os meios de subsistência, isto é, ao contestar o direito natural de poder coletar árvores mortas. O que está realmente vivo no pensamento de Marx? Imprescindível de seu legado é o método de análise. Os economistas do século XVIII começam a análise por uma totalidade viva: a população, Nação, Estado, diversos Estados, mas acabam por formular, através da análise, algumas relações gerais determinantes, tais como a divisão do trabalho, o dinheiro, o valor, etc.

Alguns escritórios regionais também têm seu próprio barco, como o Greenpeace Alemanha, que possui o Beluga II, com 34 metros de comprimento, 5,6 metros de largura, deslocando 115 toneladas e que entrou em serviço em 2004 para substituir o antigo navio Beluga. Os antigos navios da frota do Greenpeace são os seguintes: o Rainbow Warrior I, afundado em 1985; o Argus; o Moby Dick; A Beluga; o Rainbow Warrior II, cedido a uma ONG de Bangladesh em 2011. A ação direta não violenta está no cerne das operações do Greenpeace, que utiliza protestos pacíficos para exigir mudanças sociais e políticas. A organização foi, de fato, fundada nesses princípios pacíficos quando...15 de setembro de 1971. Um grupo de ativistas embarcou num barco de pesca para protestar contra os testes nucleares americanos. Estes ativistas são chamados de ativistas. A ação direta não violenta centra-se em dois princípios: o compromisso do ativista em manifestar-se pacificamente e o sentido de responsabilidade pessoal. O Greenpeace oferece formação a qualquer voluntário que deseje tornar-se ativista, e cada participante deve frequentar uma sessão sobre os princípios fundamentais do protesto pacífico. De fato, o ativista deve estar comprometido com os princípios da não violência e ter uma compreensão básica do Greenpeace e do seu trabalho. Além disso, o compromisso deve ser levado a sério pelo ativista, uma vez que cada ação direta acarreta o risco de prisão e, consequentemente, consequências pessoais potencialmente significativas. Informação e apoio jurídico estão sempre disponíveis para permitir que o ativista tome uma decisão informada.

Fazer parte de uma equipe deste tipo também implica responsabilidades. As ações diretas ocorrem frequentemente em locais difíceis ou invulgares, e a segurança é primordial, pelo que os participantes devem estar alertas e ser fiáveis. Para cada ação, inúmeras funções devem ser preenchidas e, dependendo das habilidades e da experiência de cada pessoa, as tarefas exigidas variam. Cada tarefa é importante porque nada é deixado ao acaso. Cada ação é meticulosamente preparada e explicada, com a máxima discrição. Cada ativista sabe o papel que terá de desempenhar e, portanto, pode preparar-se para ele, mesmo que a improvisação também seja muitas vezes necessária. Em 2012, havia aproximadamente 1.000 a 1.500 ativistas em todo o mundo, dos quais menos de cem estavam na França. Bennett Metcalfe, um dos primeiros líderes do Greenpeace que morreu em 2003, teria criticado fortemente a organização: “Quando olho para trás, para todos estes anos, para tudo o que aconteceu desde que fundámos esta organização, sinto mesmo que criei um monstro”. Na década de 2000, o ambientalista canadense Patrick Moore, um dos membros fundadores do Greenpeace, passou a defender o uso da energia nuclear após ter se oposto veementemente a ela. Segundo ele, é essencial reduzir o uso de combustíveis fósseis e as emissões de gases de efeito estufa. Desde então, Patrick Moore tornou-se um crítico do Greenpeace e um cético em relação às mudanças climáticas.

De fato, em 2014, ele afirmou: “A certeza de muitos cientistas de que os humanos são a principal causa das mudanças climáticas, incluindo o aquecimento global, não se baseia na reprodução de eventos observáveis. Ela se fundamenta em apenas duas coisas: o efeito teórico das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem, principalmente o dióxido de carbono, e as previsões de modelos computacionais que utilizam esses cálculos teóricos”. Não há absolutamente nenhuma evidência científica. Em seu livro: Quem Matou a Ecologia? publicado em 2011, o jornalista Fabrice Nicolino denuncia a evolução do Greenpeace para uma organização capitalista dirigida principalmente por profissionais em vez de ativistas. Ele dá o exemplo de Pascal Husting, diretor executivo do Greenpeace França de 2005 a 2011, que teve uma longa carreira em finanças. Em junho de 2014 o jornal The Guardian revela que o ex-diretor-geral do Greenpeace França, Husting, viaja entre sua casa em Luxemburgo e seu local de trabalho em Amsterdã duas vezes por mês. Ainda assim, a Organização Não-governamental acredita que a redução das emissões de CO₂ é fundamental. Isto é essencial para combater as alterações climáticas e requer uma redução drástica das viagens aéreas, particularmente para curtas distâncias. A pessoa em causa reconhece que cometeu “um erro”.

Em 2016, o diretor do Greenpeace Arctic, Jon Burgwald, posou com pele de foca e publicou nas suas contas do Twitter e de um desfile de moda organizado pela empresa dinamarquesa The Great Greenland Fur Tannery, dizendo: “Pele de foca é legal!”. Perante a controvérsia, o Greenpeace explicou que o objetivo da visita era apoiar as comunidades locais que dependem da caça tradicional de focas para o seu sustento e reiterou a sua firme oposição a qualquer forma de comercialização e industrialização da caça de focas. O Greenpeace estima que o número total de mortes ligadas ao desastre nuclear de Chernobyl seja de 200.000. A OMS, por sua vez, anunciou em 2005 um total de 4.000 mortes, ou seja, 50 vezes menos. Em 2008, o Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica, contabilizou apenas vinte e oito mortes, devido à exposição aguda à radiação nas semanas seguintes ao desastre. O comitê recusou-se a comentar o número de mortes futuras. O Instituto Francês de Proteção Radiológica e Segurança Nuclear escreveu, portanto, em 2016, que “trinta anos após o acidente, é impossível elaborar uma avaliação abrangente da saúde”. E com razão: os resultados disponíveis são limitados pela qualidade dos estudos epidemiológicos realizados, pela dificuldade de identificar com precisão as populações expostas e pelas incertezas associadas às estimativas dosimétricas.

 Acima de tudo, a realização de avaliações de saúde é extremamente complicada pelas grandes mudanças socioeconômicas que ocorreram nessas regiões após a queda da União Soviética. No início da década de 1990, o Greenpeace afirmou que os pastores patagônicos e suas ovelhas estavam perdendo a visão devido ao buraco na camada de ozônio. Um repórter americano conduziu então uma investigação em 1992 e encontrou apenas um rancho com ovelhas cegas, devido a uma doença parasitária. Com base em uma amostra coletada, o Greenpeace afirma que quase 5.000 toneladas de petróleo permanecem nos tanques da plataforma petrolífera que a Shell planeja afundar no Oceano Atlântico. A Shell, por sua vez, declara que existem apenas 100 toneladas de lodo oleoso no interior, sendo a maior parte lodo inerte. O Greenpeace explica que os recipientes de amostragem podem ter coletado petróleo preso nos dutos e que não levaram em consideração o comprimento dos dutos de ventilação. O Greenpeace, portanto, emitiu um pedido público de desculpas à Shell em um comunicado em (data ausente), mas, provavelmente em 5 de setembro de 1995. O Greenpeace é regularmente criticado por alguns cientistas e jornalistas por sua oposição sistemática à energia nuclear civil.  

Sobre o desastre nuclear de Chernobyl, que impactou a questão da divisão internacional do trabalho, relativa à questão da segurança no processo de trabalho, por exemplo, o francês Jean-Marc Jancovici, especialista em energia e clima, professor, conferencista, escritor e colunista independente, não entende a oposição de certas Organização Não Governamentais ambientais às conclusões da agência da ONU UNSCEAR, quando essas mesmas associações também defendem os relatórios do IPCC, uma organização também ligada à Organização das Nações Unidas. Por outro lado, o Greenpeace é acusado de sobrestimar os benefícios ambientais da energia de baixo carbono e, em particular, das turbinas eólicas, que, embora produzam energia renovável, também têm consequências prejudiciais para o ambiente e a biodiversidade. Em 2022, o Greenpeace foi acusado por jornalistas e economistas de querer reiniciar as centrais termoelétricas a carvão na Alemanha, em detrimento das consequências ambientais, com o objetivo de fechar todas as centrais nucleares. A organização respondeu que não apoiava os combustíveis fósseis de forma alguma, mas que, face às consequências energéticas da invasão russa da Ucrânia, à dependência do gás russo e ao fracasso do parque nuclear alemão, a reabertura era necessária, embora temporária. Em 2007, à margem da reunião de ministros de energia da União Europeia em Berlim, o Greenpeace usou um rolo compressor para esmagar milhares de lâmpadas incandescentes em protesto contra o seu impacto no aquecimento global. Desde então, o uso dessas lâmpadas foi proibido.

Em um documentário chamado Bulb Fiction, lançado em 2012, Christoph Mayr questiona a luta do Greenpeace em Bruxelas contra essas lâmpadas, em favor das lâmpadas fluorescentes compactas. A organização, no entanto, possui um relatório que destaca os riscos associados ao uso de lâmpadas fluorescentes. De fato, elas contêm mercúrio, que é perigoso para a saúde e para o meio ambiente. Em 2013, os Estados Unidos e a Rússia propuseram, sem sucesso, a inclusão do urso polar como espécie ameaçada de extinção no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, a fim de proibir o seu comércio internacional. O Greenpeace, tal como o WWF, recusou-se a apoiar a proposta, receando que uma proibição total da caça incentivasse a caça furtiva e prejudicasse ainda mais a já empobrecida população Inuit. Embora o Greenpeace se oponha aos alimentos geneticamente modificados, mais de 100 laureados com o Prêmio Nobel se posicionaram a favor dos OGMs. Em 2016, eles assinaram uma carta instando o Greenpeace a encerrar sua oposição sistemática aos OGMs e, mais especificamente, a cessar seus esforços para bloquear a introdução de uma variedade de arroz geneticamente modificado: o Arroz Dourado. De acordo com seus defensores, essa variedade poderia reduzir as deficiências de vitamina A que causam cegueira e morte em crianças em países em desenvolvimento.

O Greenpeace, no entanto, acredita que o projeto Arroz Dourado não é uma solução de forma alguma. Considera mais útil capacitar os agricultores para que tenham acesso a alimentos equilibrados e nutritivos e para que invistam em agricultura ecológica e resiliente ao clima. Também acredita que não há evidências que garantam a segurança sanitária e ambiental do Arroz Dourado. Os defensores das técnicas de engenharia genética criticam o Greenpeace pela sua posição sobre este assunto, que, segundo eles, alimenta o movimento antivacinação particularmente contra vacinas obtidas através de engenharia genética durante a pandemia. De fato, numa nota de 2021, o Greenpeace alerta para “a utilização das chamadas técnicas de edição de genomas, como o CRISPR-Cas, que podem não só exacerbar as consequências negativas da agricultura intensiva no ambiente, nos animais e nos seres humanos, como também transformar a natureza e as populações (através dos nossos alimentos) num gigantesco laboratório para experimentar com engenharia genética, conduzindo a resultados incertos e potencialmente irreversíveis”. O Greenpeace, esforçando-se para ser uma ONG neutra, recusa subsídios governamentais e doações corporativas, o que o obriga a buscar financiamento em outras áreas. Eric Dacheux, professor de ciências da informação e comunicação, questiona sua independência financeira em seu livro de 1997, Greenpeace: Entre a Mídia, o Espaço Público e o Mercado, Qual Lógica Comunicacional? (1997). Ele escreve que o Greenpeace gasta 22 % de seu orçamento em comunicação: utiliza sua expertise nessa área para encontrar fontes de financiamento, principalmente por meio da criação de vínculos com parceiros e aliados, como a Ikea. Também firmou parceria com um fabricante alemão para vender uma geladeira ecológica chamada Greenfreeze. Além disso, possui fazendas que não utilizam fertilizantes químicos. 

Por fim, em 1995, em um hotel de luxo em Berlim, apresentou um carro ecológico chamado Gringo. Naquela época, seu envolvimento no mercado também levou à controvérsia dentro da própria organização entre aqueles que defendiam os valores antiprodutivistas básicos do Greenpeace e aqueles que queriam trazer mais lucros através do marketing de comunicação. Segundo a revista Le Point, desde 2007, a Fundação David e Lucile Packard, criada pelo cofundador da multinacional Hewlett-Packard (HP) com sua esposa, tem doado somas muito elevadas ao Greenpeace todos os anos. O montante total dessas doações ronda os quinze milhões de euros. Estes pagamentos terão começado alguns meses após o lançamento de uma campanha virulenta contra a principal concorrente da HP, a Apple, relativamente às substâncias perigosas encontradas nos seus produtos. Em resposta a esta acusação, o Greenpeace afirma que as atividades da Fundação David e Lucile Packard não têm qualquer relação com as da HP e servem apenas um propósito filantrópico. Suas posições em favor da energia eólica são frequentemente controversas, já que a organização evita abordar as consequências ambientais dessa fonte de energia renovável. Alguns jornalistas e cientistas chegam a considerar isso um conflito de interesses. De fato, o Greenpeace é membro fundador e parceiro associado da fornecedora de energia renovável Enercoop, que descreve como a melhor produtora de eletricidade verde. 

Além disso, o Greenpeace é acionista da cooperativa Greenpeace Energy, cofundada pelo Greenpeace Alemanha, mas que opera de forma independente. A Greenpeace Energy, posteriormente chamada Green Planet Energy, oferece contratos sociais de energia renovável aos seus clientes. Em dezembro de 2014, enquanto decorreu a conferência sobre alterações climáticas em Lima, ativistas do Greenpeace entraram ilegalmente no sítio arqueológico de Nazca para desfraldar uma faixa destinada a sensibilizar para o impacto do aquecimento global. Segundo as autoridades os ativistas do Greenpeace danificaram o sítio ao entrarem nele usando tênis, enquanto que é necessário calçado especial para evitar danos ao sítio muito frágil. Eles danificaram, nomeadamente, um animal esculpido no solo há 2.000 anos. O Ministério da Cultura do Peru referiu-se a isso como um “ataque” ao património cultural. Perante a indignação, o Greenpeace acabou por pedir desculpa alguns dias depois. O governo peruano iniciou um processo judicial contra a ONG. Em fevereiro de 2015 o Peru fez seu primeiro pedido de extradição à Argentina para que um dos ativistas envolvidos fosse julgado lá. Um ativista austríaco, Wolfgang Sadik, foi condenado em dezembro de 2017 a uma pena de prisão suspensa de 3 anos e 4 meses, bem como a uma multa de 650.000 sols (US$ 200.000).  Em 21 de maio de 2025 um navio do Greenpeace lançou quinze pedras no fundo do mar numa área protegida do Parque Natural Marinho do Golfo de Leão em protesto contra a pesca de arrasto. A ação gerou controvérsia, uma vez que este tipo de ação numa área protegida é ilegal. A Ministra da Transição Ecológica, do Mar e das Pescas, Agnès Pannier-Runacher, declarou que a ação era completamente desnecessária, uma vez que os arrastões não pescam nesta área. Anunciou ainda que seriam tomadas medidas legais. Em março de 2026, a direção do Greenpeace anunciou a eliminação de um quarto dos cargos na associação francesa, ou seja, 33 cargos, a fim de lidar com dificuldades de angariação de fundos a médio prazo.

Bibliografia Geral Consultada.

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