sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Cristalografia – Domínio, Paisagem & Pesquisas de Recursos Naturais.

        Na ciência temos de nos interessar pelas coisas e não pelas pessoas”. Marie Curie

A indivisibilidade de controle humano e consentimento constituído através da legitimidade pelos grupos na sociedade, tornam necessário que se percebam as organizações formais como sistemas cooperativos, ampliando a estrutura de referência dos relacionados com a manipulação de recursos da organização. No ponto de ação da decisão executiva, o aspecto econômico da organização proporciona instrumentos inadequados de controle da estrutura concreta. Esta ideia poderá ser prontamente percebida se se voltar a atenção para o papel do indivíduo na economia da organização. Do ponto de vista da organização social como sistema formal, os homens são encarados funcionalmente, quanto ao seu papel, como participantes de segmentos determinados do sistema cooperativo. Na realidade, porém, os indivíduos se mostram propensos à despersonalização, a exceder os limites de seu papel segmentário, para participar como integrais. Os sistemas formais não podem abranger as modificações assim introduzidas e, consequentemente, falham como instrumento de controle, quando se confia apenas neles. O indivíduo integralmente cria novos problemas para a organização. Em parte por causa das necessidades de sua própria personalidade, parcialmente porque traz consigo um conjunto de hábitos arraigados, talvez, como obrigações com determinados grupos especiais fora da organização. Na adequação de sistemas formais de coordenação, pesquisa & desenvolvimento, as necessidades individuais não permitem a devida atenção às metas enunciadas do sistema, na medida que se incluem na ordem planetária. O perigo inerente à delegação surge essencialmente daí. A delegação é um ato social em que dispomos de organização, relacionado com designações formais de funções e poderes. 

Em tese, sociologicamente, estas designações se referem a reprodução social de papéis ou funções oficiais, e não ao indivíduo, como tal, que nem sempre coincide com as metas do sistema formal. Há muito historicamente é lugar comum compreender que o discurso filosófico correlacionou racionalmente verdade e ser. Se verdade se encontra, justificadamente, num nexo originário com a constituição do ser, então o fenômeno da verdade remete ao âmbito da problemática ontológica fundamental. Três teses caracterizam a apreensão tradicional da essência da verdade e a opinião gerada em torno de sua primeira definição: 1. O “lugar” da verdade é o enunciado (o juízo). 2. A essência da verdade reside na “concordância” entre o juízo e seu objeto. 3. Aristóteles, o pai da lógica, não só indicou o juízo como o lugar originário da verdade, como também colocou em voga a definição da verdade como “concordância”. A famosa questão, com a qual se supunha colocar os lógicos em apuros, é: O que é a verdade? Se ela consiste na concordância do conhecimento com o seu objeto deve distinguir-se dos demais. Um conhecimento é falso quando não concorda com o objeto a que é submetido, mesmo que tenha algo que possa valer para outros objetos. O que significa “concordância”? A concordância de algo com algo tem o caráter formal da relação de algo com algo. Toda concordância e, assim também, toda “verdade” é nada mais do que a memória social de uma relação. Mas nem toda relação é uma concordância. Quer dizer, um sinal só assinala para o assinalado.

Ipso fato, a importância social da ênfase abstrata do sistema cooperativo como tal origina-se da introspecção, que permite verificar determinadas ações e consequências que são determinadas independentemente da personalidade das pessoas no caso envolvidas. Assim, ao aludir ao paradoxo da organização - a tensão criada pelas consequências inibitórias de determinados tipos de estruturas não-convencionais nas organizações, não significa que as próprias pessoas estejam em dúvida ou enfrentando dilemas. É a natureza das consequências da interação de interesses divergentes que cria a condição, resultado este que poderá surgir independentemente a percepção consciente ou das qualidades dos participantes individuais. Portanto, os sistemas de ação racional (cf. Habermas, 1987) são característicos tanto de indivíduos como na constituição de organizações. Reconhecer a relevância sociológica das estruturas formais da ciência, nada tem a ver com a importância deliberadamente, ao longo deste caminho, com a natureza da autoridade nas organizações, encarecendo os fatores sociais de coesão e persuasão como fontes legais ou coercitivas. Tal redefinição é, a mesma com que se introduziu o conceito de Eu, que se origina na filosofia da história de Friedrich Hegel, como histórico e social, e só depois no âmbito da sociologia. Da mesma forma, a definição de autoridade, por exemplo, é condicionada por fatores sociológicos de sentimento e coesão social ou, mais generalizada, a definição de organizações formais como sistemas cooperativos apenas marca os limites iniciais de elaboração de um procedimento na organização mediada pelo método de análise e processo de trabalho.  

 Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito concreto através de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que da supressão da exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, dialeticamente, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é per se razão.

O homem, a criança, o culto e o inculto, são razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Queremos dizer com isso, que todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que, filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença cultural se descobre toda a diferença na história do mundo. Isto é, os homens são todos racionais.

O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade. O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe o que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também falar da mudança, mas esta deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, assim, enquanto momentos do seu desenvolvimento.

Por serem elas diferenças, à uma forma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto, o jovem, para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, e leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar sentido na inatividade da rotina que tira o interesse (cf. Habermas, 1987) enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião). O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal. Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. 

Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia naturalmente da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos pais, e no sentimento de ser amado por eles.  Na Roma antiga, o gênio representava o espírito ou guia de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico (ou daimon) pode habitar uma imagem ou ícone, dando-lhe poderes sobrenaturais. Gênios são dotados sociologicamente de excepcional brilhantismo, mas frequentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. 

O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou “gênio excepcional” na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo. Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes aplicados de QI quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente toda a capacidade da pessoa em condições ideais. A contribuição memorial permanentemente histórica e cultural dos filósofos pré-socráticos à matemática, enquanto invenção da ciência, não são discutíveis e em grande parte fruto de tradição bem documentada. Os levantamentos de solos dos Estados do Nordeste apresentam escalas variando de 1:400.000 a 1:1.000.000. Portanto, alerta-se aos usuários que, devido ao nível generalizado dos mapeamentos, é de se esperar obterem dos mesmos apenas uma visão global generalizante dos diversos solos existentes no Estado, elemento básico essencial para planejamentos regionais, escolha de áreas prioritárias que justifiquem levantamentos de solos mais detalhados e seleção de áreas para experimentação agrícola. Não se prestam, deste modo, para solucionar problemas de glebas específicas (pequenas propriedades). 

 No estado do Ceará o estudo da Geografia Física destaca-se através de amplo predomínio espacialmente das superfícies aplainadas da depressão sertaneja, posicionada em cotas modestas, resultante de uma prolongada atuação dos processos erosivos e denudacionais que promoveu o arrasamento do relevo sustentado pelo embasamento ígneo-metamórfico pré-cambriano.  A despeito da existência de registros neotectônicos no estado do Ceará, sua influência parece ser analogamente pequena na configuração do atualmente cenário geomorfológico. O predomínio de vastas superfícies aplainadas denota um longo período de notável estabilidade tectônica, sem grandes variações de nível de base. Estas condições devem ter prevalecido ao longo do Cenozoico, como devem ter vigorado paleoclimas quentes e semiáridos, provavelmente com poucas variações em relação ao clima. Todavia, estas superfícies aplainadas encontram-se pontilhadas de montes “rochosos isolados” (inselbergs) que se configuram em mediações de relevos residuais elaborados em rochas mais resistentes ao intemperismo e erosão, e que, portanto, resistiram aos processos de aplainamento generalizado, gerando solos rasos e pouco profundos e pedregosos, porém de boa fertilidade natural devido à grande influência presente do material originário, que caracterizam grande parte do cenário geomorfológico extraordinário do Estado. 

Os eventos geológicos, que configuram-se na evolução geomorfológica do estado do Ceará, está fortemente associada ao processo de abertura do Atlântico Equatorial durante o Cretáceo sendo datado do período Aptiano, entre 125 e 110 milhões de anos, num sistema de falhamentos transcorrentes e instalação de bacias sedimentares em pequenos ou grandes rifts abortados (pull-apart basins), tais como as bacias do Araripe, Potiguar, Iguatu e Icó, implantados sobre o Escudo Pré-Cambriano das Faixas de Dobramento Nordestinas. Este embasamento ígneo-metamórfico destas Faixas de Dobramento Nordestinas corresponde a um conjunto de orógenos amalgamados que exibe, ao longo do percurso da Depressão Sertaneja, núcleos metamórficos mais antigos do embasamento, de idade arqueano-paleoproterozoica; e largas faixas remobilizadas que sofreram a orogênese Brasiliana, de idade neoproterozoica. Nestes orógenos brasilianos, verifica-se um conjunto de rochas metamórficas intrudidas por vastos plútons e batólitos graníticos de antigos arcos magmáticos do período neoproterozoico. Este complexo e diversificado conjunto de litologias do escudo Pré-Cambriano foi denominado de “Província Borborema” e reflete-se na paisagem atual, através do grande número de relevos residuais isolados (maciços montanhosos e inselbergs) originados a partir da resistência diferencial ao intemperismo e à erosão, apresentada por esse vasto conjunto de litologias, além de um complexo arranjo tectono-estruturalmente, no qual se salientam extensas zonas de cisalhamento que cortam presentemente o estado do Ceará.

Estudos sobre evolução geomorfológica do Nordeste brasileiro, como os desenvolvidos, propõem, em linhas gerais, um prolongado evento epirogenético que se estende pelo Cretáceo e Cenozoico, destacando-se, neste contexto geomorfológico, o Planalto da Borborema, com consequente geração de dois a quatro níveis de aplainamento escalonados, tendo sido avaliados com base em datações relativas.  Os estudos especializados neste âmbito sugerem a geração de, pelo menos, duas superfícies de aplainamento para o estado do Ceará, isto é, uma superfície de idade paleógena, que corresponderia aos topos das chapadas da Ibiapaba e Araripe, em cotas variáveis entre 750 metros e 900 metros, o que corresponde à superfície sul-americana; e outra superfície de idade neógena, uma superfície interplanáltica que corresponderia ao piso da Depressão Sertaneja, embutidas em cotas inferiores a uma extensão medida de 500 metros, o que corresponderia geomorfologicamente à superfície Velhas. A despeito dos sólidos argumentos científicos apresentados pelos especialistas e considerando a tese segundo a qual a Depressão Sertaneja (ou muito provavelmente boa parte dela) tenha sido originada no Cretáceo Médio ou Superior, não se pode desconsiderar que, durante todo o período Cenozoico, os processos geológicos de erosão e aplainamento tenham sido constantes e promoveram ou acentuaram uma notável planura da Depressão Sertaneja, interrompida por esparsos inselbergs e portanto, dentre os maciços residuais.

A “paisagem física”, na falta de melhor expressão atualmente, denuncia uma incipiente dissecação quaternária das superfícies aplainadas, marcadas pela ligeira incisão fluvial e pela topografia muito suavemente ondulada das vastas áreas pediplanadas, comparativamente bem como o pequeno desenvolvimento pedogenético dos solos, sendo dominantemente rasos a pouco profundos, comprovada pela elevada relação silte/argila e sílica (SiO2) /alumina (Al2O3). Entretanto, o entendimento do funcionamento e dinâmica deste conjunto de “paisagens sertanejas” envolve, forçosamente, a compreensão de sua dinâmica climática e sua importância para caracterizar um conjunto de terrenos, o qual se convencionou denominar de Sertão. O estado do Ceará incluindo sua zona costeira está inserido no denominado “polígono das secas” com regime climático quente e semiárido, com temperaturas sempre elevadas, típico de uma zona subequatorial, onde a maior parte de seu território registra uma precipitação média anual inferior a 700 mm/ano, sendo que essas chuvas estão concentradas em dois ou mais meses do ano. O trimestre chuvoso restringe-se aos meses de fevereiro a abril. Nas áreas mais úmidas do estado (faixa costeira e os “brejos de altitude”) o período úmido se estende de janeiro a julho. Nas áreas mais áridas, dominadas por “caatingas hiperxerófilas”, prevalece o clima tipo BSh de Köeppen, com predomínio de precipitações pluviométricas médias anuais entre 400 e 450 mm/ano. As taxas de evaporação são altas, a insolação é forte e a umidade relativa é baixa. Neste sentido, deve-se levar em consideração que o regime hídrico de semiaridez do Sertão Nordestino está diretamente associado ao fato de que todos os sistemas produtores de chuvas que atingem a região atuam por poucos meses promovendo, portanto, estiagens muito prolongadas que podem variar de sete a dez meses, condição hídrica característica do Bioma da Caatinga.

Destacam-se, no estado do Ceará, dois sistemas produtores de chuvas que atingem, marginalmente, o chamado território semiárido: 1) A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que promove intensa pluviosidade no Amapá e no Norte do Pará e Maranhão, e atinge o sertão do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte apenas durante o máximo de sua oscilação no hemisfério Sul entre os meses de fevereiro a abril. Os outros meses do ano tendem a ser secos. 2) A Massa Equatorial Atlântica (mEa), portadora dos ventos alísios úmidos (ventos do quadrante leste), promove intensa precipitação no litoral oriental do Nordeste durante o inverno, porém, poucas chuvas nas áreas a sotavento do Planalto da Borborema. Portanto, o semiárido do Rio Grande do Norte e Ceará tende também a apresentar longas estiagens com curtos períodos chuvosos durante o inverno. A situação sinótica exposta (cf. Brandão, 2014) explica o regime climático de semiaridez que graça sobre a região, porém a característica climática mais penosa para a população sertaneja é a sua irregularidade pluviométrica. Neste caso, existe uma diferença fundamental entre estiagem e o histórico fenômeno da seca. A prolongada estiagem de 7 a 10 meses é um fato climático já esperado pelo sertanejo. Todavia, nos anos em que a ZCIT atua de forma atenuada no hemisfério Sul, não ocorrem chuvas no Ceará durante seu período úmido (fevereiro-abril). Isto implica em mais de ano sem chuvas ou chuvas inexpressivas. Assim, se caracteriza o fenômeno da “seca” que tanto aplica-se a população sertaneja. Os anos atípicos de 2009 e 2010 ilustram, de forma exemplar, esta situação: em 2009, quando o Nordeste Setentrional estava submetido à influência do fenômeno El Niño, a  Zona de Convergência Intertropical oscilou de forma acentuada no hemisfério Sul e promoveu chuvas torrenciais, “acima” da normalidade estatisticamente de chuvas mensais no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, entre os meses de fevereiro e junho.

Tal evento climático acarretou inundações, perdas de colheita, danos em obras de infraestrutura como construções, pontes, açudes, estradas etc. Em contraposição, no ano de 2010, quando o Nordeste Setentrional estava submetido à influência do fenômeno El Niño, a ZCIT oscilou de forma muito atenuada no hemisfério Sul e verificou-se o fenômeno da “seca” com precipitações muito abaixo das normais de chuvas mensais no período úmido nos mesmos estados referidos. Tal evento acarretou do modo semelhante perdas de colheita com severa quebra da safra agrícola e morte de animais. Do ponto de vista geomorfológico, as chuvas concentradas e torrenciais, como as registradas no período úmido de 2009 que ocorrem em curtos períodos de tempo geram, inclusive, fluxos de enxurradas com alto potencial erosivo foi caracterizado por intensos fluxos laminares de escoamento superficial. Após o período da seca, ainda com a caatinga desfolhada, essas chuvas intensas praticamente não encontram nenhuma barreira ao chegar ao solo. As folhas ou restos vegetais estão destruídos pela insolação e altas temperaturas. Isso se intensifica à medida que os terrenos são degradados historicamente pelo desmatamento climático da caatinga, gerando um cenário de solos intensamente castigados pari passu por erosão laminar e linear acelerada, onde os materiais finos são transportados pela erosão aflorando e mais intensos os aspectos de pedregosidade e rochosidade, numa pré-condição à implantação de processos de desertificação.

Pedologia representa o estudo dos solos no seu ambiente natural. Geografia física ou fisiografia é o estudo das características naturais existentes na superfície terrestre, ou seja, o estudo das condições da natureza ou paisagem natural da Terra. A superfície da Terra é irregular e varia de um lugar para outro em função da inter-relação dinâmica entre os fatores entre si e geográfica em conjunto com outros fatores. A manifestação local deste produto dinâmica é reconhecida como paisagem (cf. Strahler, 1984; Mcknight, 2005) que é em Geografia um fenômeno de interesse particular, mesmo considerado por muitos ser o objeto de estudo da geografia: Otto Schlüter, Siegfried Passarge, Leo Waibel, Jean Brunes, Carl Sauer, entre outros. Uma das teorias clássicas para explicação da evolução da paisagem como produto da dinâmica da superfície terrestre, é denominada teoria do ciclo geográfico. Este ciclo começa com o soerguimento do relevo, de proporções continentais, através de processos geológicos tais como epirogênese, também de “movimento epirogenético” ou epirogenia, sendo que a epirogênese é um tipo de “movimento tectônico” que consiste no deslocamento vertical da crosta terrestre e acontece em ambos os sentidos: para cima ou para baixo, um fenômeno geológico natural determinado pelas atividades vulcânicas. 

Isto se daria em função social da compensação isostática, sendo as formas de relevo resultantes da interação entre os tipos de rocha e os climas atuantes. Esses processos permitem o trânsito alívio por diferentes fases. Os fatores de estos (movimentos, ruídos) processos podem ser classificados em quatro grupos: fatores geográficos: a paisagem é afetada tanto pela fatores bióticos e abióticos, que são considerados geográficos só fatores abióticos de origem exógena, tais como relevo, solo, clima e corpos d`água. O clima, com elementos como pressão, temperatura, ventos. Água de superfície com a ação do escoamento, o rio e a ação do mar. O gelo glacial com modelagem, entre outros. Esses são fatores que ajudam a modelo favorecendo processos de erosão. Fatores bióticos: o efeito de fatores bióticos no alívio geral, se opõem ao processo de modelagem, especialmente considerando a vegetação, no entanto, existem poucos animais que não trabalham com o processo erosivo, como cabras. Fatores geológicos: como placas tectônicas, o diastrofismo, a orogenia e vulcanismo são processos construtivos e de origem endógena que se opõem e interromper a modelagem do ciclo geográfico. Fatores humanos: As atividades humanas sobre o relevo são muito variáveis, dependendo da atividade desenvolvida neste contexto e como muitas vezes acontece com os homens é muito difícil generalizar e podem influenciar a favor ou contra a erosão. Embora os vários fatores que influenciam a superfície da Terra estão incluídos na dinâmica do chamado “ciclo geográfico”, fatores geográficos só contribuem para o “ciclo de desenvolvimento” e seu objetivo finalmente, o peneplano. Enquanto o resto incrustado ao redor dos fatores biológicos, geológicos e sociais puder interromper ou perturbar o ciclo de desenvolvimento normal.

Embora as mudanças climáticas façam parte da história do planeta desde os primórdios, seus efeitos foram acelerados nos últimos anos pela atividade humana. É o que alerta José Antonio Marengo, climatologista peruano, coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, órgão brasileiro que estuda o tema. O especialista explica que algumas das consequências dessas mudanças já podem ser percebidas; apesar disso, no entanto, ainda é possível implementar medidas que ajudem a reduzir o impacto que as alterações climáticas geram. Mas o que é exatamente a mudança climática? E quais são as causas e consequências desse fenômeno? De acordo com a Organização das Nações Unidas, a mudança climática refere-se a mudanças de longo prazo nas temperaturas e padrões climáticos.  Portanto, diz respeito a todas as alterações que o clima sofreu em diferentes escalas de tempo, diz o climatologista peruano, confirma o climatologista peruano. A ONU explica que estas alterações podem ser naturais (tais como as variações no ciclo solar, por exemplo, mas que “desde o século 19, as atividades humanas têm sido o principal motor da mudança climática”. O que causa a mudança climática? O especialista do Cemaden considera que existem causas naturais e humanas para a mudança climática. Entre as primeiras, ele menciona a distância entre o Sol e a Terra, que é um processo astronômico natural, e as erupções vulcânicas, que liberam aerossóis capazes de bloquear a energia solar. Entre os fatores antropogênicos envolvidos na mudança climática, Marengo lista a queima de combustíveis fósseis por veículos ou indústria; o metano liberado por aterros sanitários, pela agricultura e pela pecuária; e a queima de vegetação ou biomassa como os principais. A Organização das Nações Unidas (ONU), por sua vez, deixa claro que a geração de energia a partir de combustíveis fósseis é um motivo de grande preocupação. – “A maior parte da eletricidade ainda é gerada pela queima de carvão ou gás, que produz dióxido de carbono e óxido nitroso, potentes gases de efeito estufa que cobrem o planeta e retêm o calor do Sol”, informa ciosa a entidade. A organização também adverte sobre as emissões da indústria e das fábricas, principalmente da queima de combustíveis fósseis para gerar energia para produzir cimento, componentes eletrônicos ou roupas, por exemplo, todas ações que colaboram com a mudança climática.

Assinalar é uma relação ente o sinal e o assinalado, mas não uma concordância. Decerto, nem toda concordância significa uma espécie de convenientia, tal como se fixou na definição de verdade. A ela pertence estruturalmente uma espécie de “perspectiva”. O que é isso em cuja perspectiva concorda aquilo que, na adaequatio, se relaciona? Ao esclarecer a relação de verdade, deve-se também considerar a especificidade dos membros da relação. Em que perspectiva intellectus e res concorda? Será que, em seu modo de ser e em seu conteúdo essencial, eles proporcionam algo em cuja perspectiva pode concordar? Caso seja impossível uma igualdade entre eles, por não pertencerem à mesma espécie, não será, segundo então possível que ambos (intellectus e res) sejam semelhantes? A partir dessas questões evidencia-se que, para se esclarecer a estrutura da verdade, não basta simplesmente pressupor esse todo relacional, mas é preciso reconduzir o questionamento a seu contexto ontológico que sustenta esse todo como tal. Mas será necessário para isso arrolar toda a problemática epistemológica referente à relação sujeito-objeto? Ou será que a análise pode restringir-se à interpretação da “consciência (Bewusstsein) imanente da verdade”, permanecendo-se, portanto, “na esfera” do sujeito? Segundo a opinião geralmente calcada na longevidade da história da filosofia, só o conhecimento humano é o que diz respeito ao verdadeiro.

Conhecer, porém, é julgar. Em todo julgamento, deve distinguir a ação de julgar enquanto processo psíquico real e o conteúdo julgado enquanto conteúdo ideal. Deste último, diz-se que é “verdadeiro”. Em contrapartida, o processo psíquico real é simplesmente dado ou não. O conteúdo ideal do juízo é, pois, o que se acha numa relação de concordância. E esta diz respeito a um nexo entre o conteúdo ideal do juízo e a coisa real sobre a qual se julga. Em seu modo de ser, a concordância é real, ideal ou nenhuma destas? Como se deve apreender ontologicamente a relação entre o ente ideal e o real simplesmente dado? Essa relação subsiste e consiste em juízos fáticos não somente entre o conteúdo do juízo e o objeto real, mas também entre o conteúdo ideal e a ação real de julgar; e aqui a relação não será manifestamente mais “intrínseca”? Enfim, a questão é: quando é que o fenômeno da verdade se torna expresso no próprio conhecimento? Sem dúvida, quando o conhecimento se demonstra como verdadeiro. É, portanto, a própria verificação de si mesmo que lhe assegura a sua verdade. No contexto fenomenal dessa verificação, é que a relação de concordância deve tornar-se visível. O sociólogo não observa a realidade e sim práticas. O sociólogo, assim como deve ser um homem que sente, não deve ser jamais um homem que acredita. Questionar a unidade do sistema de representações, ou ideologia, a relação imaginária do homem com as suas condições reais de existência, conduz à necessidade de questionar uma hegemonia e um poder organizacional e, mais concretamente, um poder de Estado.

O sociólogo só muito raramente é o ideólogo (cf. Eagleton, 1997) da classe dirigente, como ocorre hic et nunc no Ceará. O Estado não satisfaz, no entanto, completamente este atípico sociólogo, mesmo o mais complacente. Ele o desconcerta também, pois manipula a guerra e a diplomacia, vivência do acontecimento e, em sentido inverso, não assegura jamais completamente a unidade de sua prática pedagógica e invariavelmente de seu discurso. Essa unidade vamos encontra-las nas igrejas católicas, pois, o estado do Ceará tem 24.556 igrejas e templos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, criado em 1934 e instalado em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística. A Arquidiocese de Fortaleza circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Ceará, possui 140 paróquias e 6 áreas pastorais. O Ceará é um estado estatisticamente com 78,8% de católicos e nas organizações encarregadas de transmitir a ordem social e cultural estabelecida e, mais frequentemente nas escolas do Ensino Médio. Além do mais, quem não está próximo, na maioria dos casos, nem da dominação econômica nem do poder político, pode sentir-se quando exerce sua atividade profissionalmente em organizações com fins específicos independentes do dinheiro e do poder e que desempenham um papel de integração social que não se encontra diretamente a serviço de interesses particulares. A bem da verdade, o aparelho de reprodução social” em seu ersatz se confunde com o Aparelho de Estado, que produz efeitos de poder político ou com o aparelho de gestão

           A cidade de Fortaleza possui mais igrejas e templos do que hospitais e instituições de ensino, conforme novos dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O número de igrejas e templos em Fortaleza é mais que o dobro de estabelecimentos voltados para saúde, como hospitais, UBS, UPAs e clínicas. Segundo o instituto, a capital cearense possui: 2337 estabelecimentos com fins educativos; 1573 estabelecimentos voltados para saúde; 4081 igrejas e templos. O resultado de Fortaleza é semelhante que o cenário nacional. De acordo com o levantamento do IBGE, o Brasil possui mais igrejas e templos que hospitais e escolas somados. Os novos dados apresentados pelo instituto trazem, pela primeira vez, todas as coordenadas geográficas e os tipos de edificações que compõem os 111 milhões de endereços cadastrados com a realização da pesquisa. A grande maioria dos endereços é formada por domicílios particulares, ou seja, casas e apartamentos. Em segundo lugar estão os estabelecimentos comerciais com “outras finalidades”, como comércio, prédios culturais ou públicos. No Ceará, foram mapeados 4,7 milhões de endereços. A maior parte, 3,8 milhões, eram residências particulares, correspondendo a 80% dos endereços mapeados pelo IBGE. Cerca de 565 mil endereços no território cearense são destinados a outras finalidades, entre elas, uso comercial. 

        O terceiro maior grupo de coordenadas geográficas do estado são as igrejas e templos: no Ceará são 24.556. Segundo o IBGE, a maior precisão do levantamento pode ser uma ferramenta importante para o planejamento urbano e para a criação de políticas públicas específicas. É possível mapear domicílios impactados for fenômenos ambientais como enchentes, deslizamentos, queimadas e secas. Ou fazer a contabilização de serviços oferecidos de acordo com a densidade demográfica. As maiores revelações científicas nos últimos 500 anos de história social da ciência gira em torno de cientistas que criaram novas teorias e objetos de conhecimento. As descobertas de cientistas e sua paixão exagerada pelo conhecimento permitiram o desenvolvimento e evolução da ciência. Albert Einstein (1879-1955) é sinônimo de genialidade sendo considerado um dos maiores cientistas do mundo. Com 26 anos ide idade publicou uma de suas maiores descobertas, a Teoria da Relatividade. A revolução no mundo da ciência foi tão grande que o ano ficou conhecido como “O Ano Miraculoso” (1925). Marie Curie, figura como uma das únicas mulheres que conseguiu driblar a mistagogia e chegou a receber duas vezes o Prêmio Nobel, sendo a primeira pessoa a conquistar tal feito. Marie assumiu a escrita francesa do nome quando se mudou para Paris, depois de formada em medicina em uma universidade polonesa clandestina que aceitava mulheres para estudar na Sorbonne.  Quando tinha 28 anos conheceu Pierre Curie, que trabalhava em pesquisas elétricas e magnéticas e com ele ganhou seu primeiro prêmio Nobel, pela descoberta dos elementos químicos polônio e o rádio. Depois da morte de Pierre Curie em um atropelamento conseguiu a atenção da comunidade científica. Em 1911, com 42 anos, ganhou o segundo Nobel pelos estudos à radioatividade, quando não haviam usado O termo. Foi diretora do Instituto de Rádio de Paris e fundou o Instituto Curie. Não por acaso primeira mulher a lecionar na Sorbonne.

             Talvez o primeiro aspecto a ser discutido, antes enveredarmos pelas questões de dialogismo e de instanciação propriamente ditas, diga respeito à utilização dos termos relacionados ao sistema de avaliatividade e sua aplicação em língua portuguesa. O fato de se utilizar aqui “avaliatividade”, segundo Vian Jr. (2012), em vez de apreciação ou valoração, ou simplesmente avaliação deve-se primeiramente ao fato essencial de se evitar inadequados posicionamentos teóricos, além da confusão terminológica, devida, em parte, à rapidez com que os conceitos foram recebidos no Brasil e, como diversos estudos proliferam em centros de pesquisa pelo país, algumas traduções optaram por apreciação, outras por valoração. É mais do que corriqueiro quando se iniciam aplicações da teoria produzida em língua estrangeira que é transladada para o idioma português. O mesmo ocorreu, no final da década de 1990, “com o uso da variável de registro Tenor, em inglês, e sua tradutibilidade linguística para o português, pelo fato da variável tratar não só dos participantes do discurso, mas das relações entre estes e os papéis sendo desempenhados por eles como produtores dos textos”. Parece ter se firmado o termo relações, constante, inclusive, da lista de termos sistêmico-funcionais em português. Como se vê, à medida que a teoria vem sendo utilizado nos termos também vem sendo depurados conforme circulam na “comunidade discursiva”, até que se chegue ao senso comum e a um item que abarque todo o potencial de significado e de aplicação no idioma. Nos casos dos termos apreciação ou valoração, há vários motivos para recusá-los. No caso de “apreciação”, por ser o melhor correspondente a “appreciation”, um dos três subsistemas de atitude. Quanto à valoração, tem, primariamente, o sentido de “atribuir valor a algo”, o que reduz significativamente o escopo envolvido na avaliação, uma vez que, juntamente ao valor, agregam-se crenças, emoções, afeto, relações sociais e tantos outros aspectos sociais e certamente políticos; e ainda pelo fato de, no subsistema de apreciação, haver o termo inglês “valuation”, que, em determinados casos, também poderia ser traduzido por valoração.

            Senso comum ou “conhecimento vulgar” é a compreensão do mundo resultante da herança fecunda baseada nas experiências acumuladas por um grupo social. O senso comum descreve as crenças e proposições que aparecem como normais, sem depender de uma investigação sociológica detalhada para se alcançar verdades mais profundas, como as científicas. O senso comum é a forma de conhecimento mais presente no dia a dia das pessoas que não se preocupam prioritariamente com questões científicas. É uma forma de pensamento superficial, ou seja, não está preocupado com causas e fundamentos primeiro de algo, apenas faz afirmações, irrefletidas, imediatas. Isso não quer dizer que não haja conhecimento científico entre essas pessoas ou que não haja senso comum no âmbito científico. Bastante atrelado à cultura, o senso comum é cultivado de geração em geração. Um tipo de conhecimento que se acumula no nosso cotidiano e é chamado de senso comum é o baseado na tentativa. Outro tipo de senso comum é a tradição, que, quando instalada, passa de geração para geração. No senso comum, não há análise profunda e sim uma espontaneidade de ações; o senso comum é o que as pessoas comuns usam no seu cotidiano, o que é natural. Segundo Ander-Egg (1985), o conhecimento popular tem cinco características principais. Ele seria superficial, por contentar-se com as aparências; sensitivo, por estar intimamente ligado à percepção; subjetivo, por se tratar pragmaticamente de vivências e experiências organizadas psicologicamente pelo próprio sujeito; assistemático, por não buscar uma sistematização ou compilação de ideias; e acrítico, por se referir a um conhecimento provisório que nem sempre busca uma devida reflexão sobre suas ações sociais.

Além disso, o senso comum pode apresentar semelhanças com o saber científico, se for levado em consideração que ambos são verificáveis, por haver a possibilidade do experimento para a comprovação de determinada hipótese, e, por serem verificáveis, são considerados falíveis, tendo em vista que a hipótese pode não ser considerada adequada e, portanto, não exatos. Existem pessoas que confundem senso comum com crença, embora sejam coisas bem diferentes. Senso comum é aquilo que aprendemos em nosso dia a dia e que não precisamos aprofundar para obter resultados, como por exemplo: uma pessoa vai atravessar uma pista; ela olha para os dois lados, mas não precisa calcular a velocidade média, a distância, ou o atrito estridente que o automóvel exerce sobre o solo. Ela simplesmente olha e decide se dá para atravessar ou se deve esperar. O senso comum não é a atitude tomada em si, mas sim a concepção e a perspectiva criada pela pessoa sem a real intervenção do indivíduo. Logo, o senso comum é um ato de interagir, sentir e pensar que tem sua dinãmica própria em raízes culturais e sociais. Também fazem parte do senso comum os conselhos e ditos populares que são tidos como verdades e absolutas e, como tal, seguidos pelos costumes arraigados do povo. Por exemplo: “deve-se cortar os cabelos na Lua crescente para que cresçam mais rápido”.

Marie Skłodowska-Curie, nascida Maria Salomea Skłodowska em Varsóvia, em 7 de novembro de 1867 e falecida em Passy, em 4 de julho de 1934, foi uma física e química polonesa naturalizada francesa, que conduziu pesquisas pioneiras sobre radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel, sendo também a primeira pessoa e a única mulher a ganhá-lo duas vezes, além de ser a única pessoa a ganhar o Prêmio Nobel em dois campos científicos. Teve papel fundamental no legado da família Curie, de cinco prêmios Nobel. Também foi a primeira mulher a se tornar professora na Universidade de Paris e, em 1995, se tornou a primeira mulher a ser sepultada por seus próprios méritos no Panteão de Paris. Nascida em Varsóvia, no Reino da Polônia, parte do Império Russo, ela estudou na clandestina Universidade Volante de Varsóvia e iniciou seu treinamento científico nesta cidade. Em 1891, aos 24 anos, seguiu sua irmã mais velha, Bronisława, para estudar em Paris, onde obteve seus diplomas superiores e conduziu seus trabalhos subsequentes. Ela compartilhou o Prêmio Nobel de Física de 1903 com seu marido, Pierre Curie (1859-1906), e com o físico Henri Becquerel (1852-1908). Ela também ganhou o Prêmio Nobel de Química de 1911. Suas realizações incluem o desenvolvimento da teoria da radioatividade, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta dos elementos polônio e rádio. Sob sua direção, foram conduzidos os primeiros estudos para o tratamento de neoplasias usando isótopos radioativos.

Ela fundou o Instituto Curie em Paris e sua contraparte em Varsóvia, que continuam sendo grandes centros de pesquisa médica. Durante a 1ª guerra mundial (1914-1918), ela desenvolveu “unidades de radiografia móvel” para fornecer serviços de raio-X a hospitais de campanha. Apesar de ter-se tornado cidadã francesa, Marie Skłodowska-Curie, que usava os dois sobrenomes, nunca perdeu o senso de identidade polonesa. Ela ensinou às filhas a língua polonesa e as levava em visitas à Polônia. Ela nomeou o primeiro elemento químico que descobriu, polônio, em homenagem ao seu país natal. Marie Curie morreu em 1934, aos 66 anos, em um sanatório em Sancellemoz (Alta Saboia), na França, de anemia aplástica, causada por exposição à radiação durante sua pesquisa científica e seu trabalho radiológico em hospitais de campanha durante a 1ª guerra mundial. Tanto no lado paterno quanto no materno de direitos civis, a família perdeu suas propriedades e fortúnio devido a envolvimentos patrióticos em levantes nacionais que buscavam restaurar a Independência da Polônia, sendo o mais recente a Revolta de Janeiro, de 1863 a 1865. A política condenou a geração subsequente, incluindo Marie e irmãos mais velhos, a difícil luta para progredir na vida socialmente.

A cristalografia é uma ciência relativamente recente. Foi René Just Haüy (1743-1822), que viveu nos finais do século XVIII, princípios do século XIX, quem conseguiu que a cristalografia se tornasse uma ciência matemática exata, a partir da classificação de cristais de determinadas formas. Christian Westfeld (1746-1823) definiu o conceito de “célula unitária”. Christian Weiss (1780-1856) classificou os cristais nos diferentes sistemas cristalográficos que são utilizados, e em 1848, Auguste Bravais (1811-1863) demonstrou que existem apenas 14 maneiras diferentes de preencher todo o espaço com unidades que se repetem e que não deixem vazios ou sobreposições, essas unidades são reconhecidas como redes de Bravais. É a denominação dada às configurações básicas que resultam da combinação dos sistemas de cristalização com a disposição das partículas em cada uma das células unitárias de uma estrutura cristalina, sendo estas células entendidas como os paralelepípedos que constituem a menor subdivisão de uma rede cristalina que conserva as características de todo o retículo, permitindo que por simples replicação da mesma se possa reconstruir o sólido cristalino completo. Para além da sua utilização prática em cristalografia, suas redes de Bravais constituem uma importante técnica de análise tridimensional em geometria euclidiana. A cristalografia tem por objetivo essencialmente o conhecimento da estrutura dos materiais a nível atômico, independentemente do seu estado físico e de sua origem, e das relações entre essa estrutura e suas propriedades.

Esta definição foi se estabelecendo a partir de 1911, quando a primeira experiência de difração de raios-X foi realizada no laboratório de Max von Laue tendo como resultado duas descobertas fundamentais: a natureza eletromagnética dos raios-X e a natureza descontínua da matéria. Estabeleceu-se, desta forma, o fato de todos os materiais serem constituídos por átomos e/ou moléculas que, nos cristais, apresentam distribuição periódica tridimensional definindo uma rede tridimensional de difração para raios-X de comprimento de onda da ordem de 1Å, o retículo cristalino. Entretanto, materiais que apresentam ordem apenas bi ou monodimensional apresentam padrões de difração típicos e podem ser analisados por técnicas difratométricas. Finalmente, partículas de dimensões adequadas, dispersas em um meio de densidade eletrônica diferente, apresentam efeitos de espalhamento que podem ser observados utilizando-se a técnica de espalhamento de raios-X a baixo ângulo, usualmente conhecida por sua sigla SAXS. Nêutrons ou elétrons, com comprimento de onda associado adequado, também são utilizados com a finalidade de caracterização estruturalmente de materiais. Para marcar o centenário de debates globalizados da cristalografia moderna, foi celebrado em 2014 o Ano Internacional da Cristalografia por decisão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em reconhecimento da cristalografia para a compreensão da natureza e ao impacto dessa ciência no mundo contemporâneo global.

O primeiro uso registrado da categoria social e técnico-científica Revolução Industrial parece ter sido utilizado em uma carta de 6 de julho de 1799 escrita pelo francês Louis-Guillaume Otto (1754-1817), anunciando que a França havia entrado na corrida para industrializar. Em seu livro Keywords: A Vocabulary of Culture and Society, de 1976, Raymond Williams afirma na entrada para indústria: “A ideia de uma nova ordem social baseada em grandes mudanças industriais era clara em Southey e Owen, entre 1811 e 1818, e estava implícita já em Blake no início da década de 1790 e Wordsworth na virada do século XIX”. O termo Revolução Industrial aplicado à mudança tecnológica estava se tornando mais comum no final da década de 1830, como na descrição de Jérôme-Adolphe Blanqui em 1837 de “la Révolution Industrielles”. Friedrich Engels em sua obra A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, de 1844-45 descreveu “uma revolução industrial, uma revolução que ao mesmo tempo mudou toda a sociedade civil”. No entanto, embora Engels tenha escrito seu livro na década de 1840, ele não foi traduzido para o inglês até 1800, e sua expressão não entrou na linguagem cotidiana. O crédito por popularizar o termo, comunicativamente pode ser a Arnold Toynbee (1889-1975), cujas palestras de 1881 deram um relato etnográfico detalhado do termo.

Revolução Industrial, também chamada de Primeira Revolução Industrial, foi a transição para novos processos de produção, na Grã-Bretanha, na Europa continental e nos Estados Unidos da América, a partir de 1760 até algum desprendimento entre 1820 e 1840. Essa transição incluiu a passagem de métodos de produção manual para a produção mecânica, novos processos de fabricação de produtos químicos e metalúrgicos, o uso de energia a vapor e hidráulica, o desenvolvimento de máquinas-ferramentas e a ascensão do sistema fabril mecanizado. Além do aumento da produção, houve também, nesse período, um crescimento populacional sem precedentes. A indústria têxtil foi dominante da Revolução Industrial, em termos de geração de emprego, valor da produção e volume de capital, além de também ter sido a primeira a usar os novos métodos e técnicas. Historicamente começou na Grã-Bretanha, onde também foram introduzidas as mais significativas inovações tecnológicas e arquitetônicas. Em meados do século XVIII, o Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, é uma nação insular situada no Noroeste da Europa e a principal nação do mundo, controlando um império comercial global com colônias na América do Norte e no Caribe, além de hegemonia militar na Índia; particular com o proto-industrializado Mughal Bengal, através das atividades da Companhia das Índias Orientais.

O desenvolvimento do comércio e a ascensão dos negócios estavam entre as principais causas da Revolução Industrial, que marcou uma grande virada na história econômica. Comparável apenas à adoção da agricultura pela humanidade no que diz respeito ao avanço material, a Revolução Industrial influenciou quase todos os aspectos políticos da vida cotidiana. Em particular, a renda média e a dimensão extraordinária de aumento da população rural e urbana começaram a apresentar um crescimento sustentado sem precedentes. Alguns economistas disseram que o efeito de poder de compra mais importante da Revolução Industrial foi que o padrão de vida da população em geral no mundo ocidental começou a aumentar consistentemente pela primeira vez na história, embora outros tenham dito que não começou a melhorar significativamente até finais dos séculos XIX e XX. O Produto Interno Bruto per capita era amplamente estável antes do surgimento da economia capitalista moderna, sendo que a Revolução Industrial iniciou uma nova Era de crescimento econômico analogamente per capita nas economias capitalistas. Os historiadores concordam que o início da Revolução Industrial é o evento claro na história da humanidade desde a domesticação de animais e plantas.

A domesticação representa um processo coevolutivo, mutualístico, biocultural e multigeracional, tecnologicamente “no qual humanos assumem significativos níveis de controle sobre a reprodução e cuidado de plantas e/ou animais com objetivo de assegurar suprimentos mais previsíveis de recursos de interesse e pelo qual plantas e animais são capazes de aumentar seu sucesso reprodutivo sobre indivíduos que não participam dessa relação, portanto, aumentando o fitness de ambos: humanos e domesticados”. Contudo, autores, como David Rindos (1947-1996), sugerem que esse tipo de emprego de relação ecológica pode ser travadas entre outras espécies além da humana. Graduou-se em Sociologia pela Universidade Cornell em 1969. Trabalhou nas organizações Volunteers in Service to America e New York Public Interest Research Group. Em 1976, atuou na área da paleoetnobotânica no Projeto Alambra no Chipre, e em 1977 trabalhou no Projeto Arqueológico de Sula Valley em Honduras. Depois voltou a Cornell e tornou-se Mestre em Botânica em 1980 e Doutor em Antropologia e Biologia Evolutiva em 1981.

O processo de domesticação de plantas e animais é um fenômeno mais antigo do que a Revolução Neolítica, sendo a domesticação de lobos em cães o primeiro exemplo reconhecido, sua data, no entanto, é discutível: alguns autores datam em cerca de 12 mil AP, outros em cerca de 33 mil AP e outros ainda em cerca de 135 mil AP. Os gatos podem ter sido domesticados no intervalo entre 12 mil e 9 mil AP. Antes do presente (AP) é uma marcação de tempo utilizada na arqueologia, paleontologia e geologia, que tem como base de referência o ano base de 1950 d.C. Outros exemplos de animais domésticos são respectivamente o cavalo, vaca, porco, cabra, coelho, ovelha, alguns roedores como o hamster e o porquinho-da-índia e várias aves como a galinha. Muitos deles são utilizados na pecuária. A domesticação acompanha a História da civilização, sendo benéfica na história da humanidade para seu desenvolvimento, porém é extremamente prejudicial à natureza e à ecologia, já que, biologicamente em contraste com a seleção natural, a domesticação provoca seleção artificial de alguns seres vivos em detrimento de outros que o ser procura eliminar por considerar hostis à sua sobrevivência. A domesticação, desse modo é fator de redução da biodiversidade. A agricultura vista como praga biológica acarreta uma devastação por vezes violenta de florestas naturais e em seu lugar são instaladas monoculturas. O habitat e os alimentos de animais são dessa forma exemplarmente destruídos. O início e o fim precisos da Revolução Industrial ainda são debatidos entre os historiadores, assim como o ritmo das mudanças econômicas e sociais. O historiador marxista Eric Hobsbawm infere que a Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha na década de 1780 e não foi totalmente sentida até a década de 1830 ou 1840, enquanto T. S. Ashton sustentou a hipótese que ocorreu per se entre 1760 e 1830. 

A rápida industrialização começou na Grã-Bretanha, começando com a fiação mecanizada na década de 1780, com altas taxas de crescimento na energia a vapor e na produção de ferro após 1800. A produção têxtil mecanizada se espalhou da Grã-Bretanha para a Europa continental e os Estados Unidos no início do século XIX, com importantes centros de têxteis, de ferro e de carvão surgindo na Bélgica e nos Estados Unidos e, posteriormente, na França. Uma recessão econômica ocorreu do final da década de 1830 ao início da década de 1840, quando a adoção das primeiras inovações da Revolução Industrial, como fiação e tecelagem mecanizada, desaceleraram e seus mercados amadureceram. Inovações desenvolvidas no final do período, como a crescente adoção de locomotivas, navios a vapor e fundição de ferro a quente. Novas tecnologias, como o telégrafo elétrico, amplamente introduzidas nas décadas de 1840 e 1850, não eram poderosas o suficiente para impulsionar altas taxas de crescimento econômico, que começaram a ocorrer apenas a partir de 1870, decorrente de um novo conjunto de inovações no que se convencionou chamar, na história da economia mundial, de Segunda Revolução Industrial. Essas inovações incluíram novos processos de fabricação de aço, produção em massa, linhas de montagem, sistemas de rede elétrica, fabricação em larga escala de máquinas-ferramentas e o uso de máquinas cada vez mais avançadas em fábricas movidas a vapor.

Historiadores econômicos e autores, como Mendels e Kenneth Pomeranz (2001), argumentam que a “protoindustrialização” em partes da Europa, mundo islâmico, Império Mogol e China criaram as condições sociais e econômicas que levaram à Revolução Industrial, causando assim a Grande Divergência. Alguns historiadores, como John Clapham (1873-1946) e Nicholas Crafts (1949-2023), economista britânico reconhecido por suas contribuições à história econômica, em particular à Revolução Industrial, argumentaram que as mudanças econômicas e sociais ocorreram gradualmente e que o termo revolução é equívoco. Este ainda é um assunto de debate entre alguns historiadores. Até a década de 1980, os historiadores acadêmicos acreditavam universalmente que a inovação tecnológica era o coração da Revolução Industrial e que a principal tecnologia capacitadora era a invenção e o aprimoramento da máquina a vapor. O professor Ronald Fullerton sugeriu que técnicas de marketing, práticas de negócios e concorrência também influenciaram as mudanças na indústria manufatureira. Lewis Mumford (1895-1990) propôs que a Revolução Industrial teve suas origens no início da Idade Média, muito antes da maioria das estimativas especuladas ou investigasdas precisamente no âmbito da globalizada historiografia. Ele explica que o modelo para a produção em massa padronizada era a imprensa tipográfica e que “o modelo arquetípico da Era industrial era o relógio”. 

Ele também cita a ênfase disciplinar monástica na ordem e na cronometragem, bem como o fato de as cidades medievais terem igreja com sinos tocando em intervalos regulares como sendo precursores de uma maior sincronização necessária para manifestações posteriores, mais físicas, como como a máquina a vapor. Foi historiador das técnicas e da cultura, sociólogo e analista do urbanismo contemporâneo. A sua obra multifacetada abrange mais de seis décadas, e a sua vida repartiu-se pelo estudo do pensamento utopista com a História das Utopias (1922), da evolução paranoica da sociedade industrial com o livro The Myth of the Machine (1967-70), das etapas essenciais da transformação humana: In the Name of Sanity (1954), e As Transformações do Homem (1956) e das cidades em The Culture of Cities (1938) e The City in History (1961). Entre os anos 1930 e 1960, colaborou, como crítico e publicista, com a New Republic, uma revista estadunidense de comentários sobre política, cultura contemporânea e artes. Fundado em 1914 por vários líderes do movimento progressista, tentou encontrar um equilíbrio entre um progressismo humanitário e um cientificismo intelectual e, por fim, descartou este último.  Durante as décadas de 1980 e 1990, a revista incorporou elementos da chamada Terceira Via e do conservadorismo, e a New Yorker, uma revista norte-americana que publica críticas, ensaios, reportagens investigativas e também ficção. Anteriormente de periodicidade semanal, a revista é atualmente publicada 47 vezes por ano, sendo que cinco dessas edições são quinzenais.

 Ainda que basicamente dedicada à cobertura da vida cultural da cidade de Nova Iorque, o que não é pouco, do ponto de vista comunicativo, a revista tem ampla audiência fora da cidade em razão da qualidade de seu jornalismo. Sua característica urbana e cosmopolita é exemplificada pela seção: Talk of the Town, que oferece interessantes comentários sobre a vida da cidade, cultura popular e o “humor inteligente e perspicaz” de suas histórias curtas e das famosas charges. Em meados do século XX, popularizou a crônica como gênero literário nos Estados Unidos. No meio jornalístico, The New Yorker desfruta da reputação de possuir uma das melhores equipes de apuração de fatos e de edição na indústria editorial. Leccionou na Universidade de Stanford, afirmando-se como “teorizador generalista” num meio de trabalho primus inter pares de domínio das especializações acadêmicas. Autor comprometido e visionário num tempo em que a civilização perdera o rumo, defendia uma renovação do Homem, em nome do vital e do genuíno, e o recentramento do ser deslumbrado pela evolução tecnológica. A presença de um mercado econômico europeu de produtos domésticos também deve ser considerada um importante impulsionador da Revolução Industrial, explicando particularmente por que ela ocorreu na Grã-Bretanha.

Em outras nações, como a França, mutatis mutandis, os mercados eram divididos por regiões locais, que muitas vezes impunham pedágios e tarifas sobre mercadorias comercializadas entre elas. A concessão dos governos de monopólios limitados aos inventores sob um sistema de patentes em desenvolvimento, o Estatuto dos Monopólios em 1623 é considerado um fator econômico influente. Os efeitos das patentes sobre as invenções, bons e ruins, no desenvolvimento da industrialização são claramente ilustrados na história da máquina a vapor, a principal tecnologia facilitadora. Em troca de revelar publicamente o funcionamento de uma invenção, o sistema de patentes recompensava inventores como James Watt (1736-1819), permitindo-lhes monopolizar a produção e desempenho industrial das primeiras máquinas a vapor, recompensando assim os inventores e aumentando o ritmo do desenvolvimento per se tecnológico. No entanto, os monopólios trazem consigo suas próprias ineficiências que podem contrabalançar, ou mesmo desequilibrar, os efeitos benéficos de divulgar a engenhosidade e recompensar os inventores. O monopólio de Watt impediu que outros inventores, comparativamente, como Richard Trevithick (1771-1833), William Murdoch (1873-1912) ou Jonathan Hornblower (1753-1815), a quem Boulton e Watt processaram, introduzissem motores a vapor aprimorados, retardando assim a disseminação da produção da energia a vapor.

A industrialização moderna começou na Inglaterra e na Escócia no século XVIII, onde havia níveis relativamente altos de processos de alfabetização entre os agricultores, especialmente na Escócia. Isso permitiu o recrutamento de artesãos alfabetizados, trabalhadores qualificados, capatazes e gerentes que supervisionavam as fábricas têxteis e a utilização de minas emergentes de carvão. Grande parte do trabalho ainda não era qualificado e, especialmente nas fábricas têxteis, crianças de até oito anos “se mostravam úteis para lidar com as tarefas domésticas e aumentar a renda familiar”. De fato, as crianças foram retiradas da escola para trabalhar ao lado de seus pais nas fábricas. No entanto, em meados do século XIX, forças de trabalho não qualificadas eram comuns na Europa Ocidental e a indústria britânica cresceu, precisando de muito mais engenheiros e trabalhadores qualificados que pudessem lidar com instruções técnicas e, portanto, lidar com situações complexas nas relações de tecnologia. A alfabetização era essencial para ser contratado. A invenção tecnológica da máquina de papel e a subsequente aplicação da energia a vapor aos processos técnicos industriais de impressão apoiaram uma expansão maciça europeia da publicação de jornais e panfletos, o que contribuiu para aumentar a alfabetização e as demandas de comunicação por participação política em massa.

Bibliografia Geral Consultada.

DELVIGNE, Jean, Pédogenèse en Zone Tropicale: La Formation des Minéraux Secondaires en Milieu Ferrallitique. Paris: Editor Dunod, 1965; REID,  Robert, Marie Curie. New York: Editor New American Library, 1978; TURNER, Victor, La Selva de los Símbolos. Madrid: Siglo Veintiuno Editores, 1980; STRAHLER, Arthur, Geografia Fisica. (Edizione italiana a cura di Giovan Battista Pellegrini, Ugo Sauro, Giorgio Zanon). Padova: Piccin, 1984; ANDER-EGG, Ezequiel, ¿Qué es el Trabajo Social? Buenos Aires: Editorial Humanitas, 1985; HABERMAS, Jürgen, Conhecimento e Interesse. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1987; EAGLETON, Terry, Ideologia. Uma Introdução. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Boitempo Editorial, 1997; GADAMER, Hans-Georg, La Dialéctica de Hegel. Cinco Ensayos Hermenéuticos. 5ª edición. Madrid: Ediciones Cátedra, 2000; MCKNIGHT, Tom Lee.; HESS, Darrel, Geografia Fisica. Comprendere il Paesaggio. (Edizione italiana a cura di Francesco Dramis). Padova: Piccin, 2005; GIAROLA, Neyde Fabíola Balarezo, et al, “Mineralogia e Cristalografia da Fração Argila de Horizontes Coesos de Solos nos Tabuleiros Costeiros”. In: Rev. Bras. Ciênc. Solo 33 (1) • fev. 2009; BRANDÃO, Ricardo de Lima; FREITAS, Luís Carlos Bastos (Org.), Geodiversidade do Estado do Ceará. Fortaleza: Editor Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, 2014; ARAÚJO, Isabel Cristina da Silva, Perda de Solo e Aporte de Nutrientes e Metais em Reservatório do Semiárido Brasileiro. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo. Centro de Ciências Agrarias. Departamento de Ciências do Solo. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2017; BARROS, Renato de Assis, Evolução Geológica e Contextualização Tectônica do Bloco Cristalândia do Piauí, Faixa Rio Preto, Piauí/Bahia. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geologia. Instituto de Geociências. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2019; AMARAL PENHA, Diego, Faces do Horror em Freud: Palavras, Gestos e Imagens. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2021; WOOLF, Virginia, Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas. Porto Alegre: Coleção L&PM Pocket, 2023; UVULA, Eduardo Ernesto, Caracterização Isotópica e Cristalográfica das Grafitas da Faixa Orós, Nordeste do Brasil. Dissertação de Mestrado.  Programa de Pós-Graduação em Geologia. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2023; Artigo: “Fortaleza tem mais igrejas que hospitais e escolas, aponta IBGE”. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/2024/02/02/; entre outros. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Corrida das Onze Cidades – Gelo Natural & Desporto de Longa Distância.

                                                                                 Non videmus manicae quod in tergo est”. Gaius Valerius Catullus                       

      A glaciologia representa o estudo das geleiras ou glaciares, ou, mais amplamente, o estudo do gelo, sua composição que pode retratar a composição atmosférica passada ou atualmente e seus fenômenos naturais relacionados. É uma ciência da Terra, e também forma uma parte da geografia física. Áreas de estudo dentro de glaciologia incluem história glacial e a reconstrução de padrões de glaciação passados, efeito das geleiras sobre o clima e vice-versa, a dinâmica de movimento de gelo, as contribuições das geleiras para a erosão e geomorfologia, formas de vida que vivem no gelo, entre outros. Geleira é uma grande e espessa massa de gelo formada em camadas sucessivas de neve compactada e recristalizada, de várias épocas, em regiões onde a acumulação de neve é superior ao degelo. É dotada de movimento geológico e se desloca lentamente, em razão da gravidade, relevo abaixo, provocando erosão e sedimentação glacial. As geleiras ou glaciares podem apresentar extensão de vários quilômetros e espessura que pode também alcançar a faixa dos quilômetros. A neve que restou de uma estação glacial dá-se o nome de nevado, entretanto, usa-se também o termo alemão Firn e o francês nevé. O nevado é uma etapa intermediária da passagem da neve para o gelo. À medida que se acumulam as camadas sucessivas, o nevado profundo é compactado, recongelando-se os grânulos num corpo único. O gelo das geleiras é o maior reservatório de água doce, e só perde em volume total de água apenas para os oceanos. As geleiras cobrem uma vasta área das zonas polares, mas ficam restritas às montanhas mais altas nos trópicos. Em outros locais do sistema solar, as grandes calotas polares de Marte rivalizam-se com as da Terra.

Dentre as características geológicas criadas pelas geleiras estão as morenas, ou moreias terminais ou frontais, mediais, de fundo e as laterais, que são cristas ou depósitos de fragmentos de rocha transportados pela geleira; os vales em forma de U e circos em suas cabeceiras, e a franja da geleira, que é a área onde a geleira recentemente derreteu. Há duas categorias gerais de glaciação que os glaciólogos distinguem: glaciação alpina, que surgem no alto das montanhas em cavidades em forma de tigela chamadas circos. À medida que a geleira cresce, o gelo flui lentamente para fora do circo e para um vale. Várias “geleiras do circo” podem se unir para formar uma única “geleira de vale”. acumulações ou chamados “rios de gelo” confinados a vales; e glaciação continental, que são massas contínuas de gelo que são processos glaciológicos maiores que as geleiras alpinas. Pequenas geleiras continentais são chamadas de “campos de gelo”. Grandes geleiras continentais são chamadas de “mantos de gelo”, acumulações não confinadas que uma vez cobriram grande parte da superfície da Terra dos continentes do hemisfério Norte, e ainda constituem os mantos de gelo da Groenlândia com cerca de 1,7 milhões de km² e da Antártica com 13,6 milhões km². A Sociedade Glaciológica Internacional, fundada em 1936, estimula pesquisas científicas em glaciologia em todos os países. O Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Brasil, é a principal instituição de investigação glaciológica de língua portuguesa. 

A ideia de que os glaciares do passado haviam sido mais extensos que os atuais era algo percebido pelos habitantes das regiões alpinas da Europa: Imbrie e Imbrie (1979) citam um lenhador de nome Jean-Pierre Perraudin falando a Jean de Charpentier sobre a antiga extensão do glaciar Grimsel nos Alpes Suíços. Macdougal (2004) afirma que o primeiro a ter tal ideia terá sido um engenheiro suíço chamado Ignaz Venetz, mas não foi apenas uma pessoa que teve esta ideia. Entre 1825 e 1833, Charpentier juntou evidências que apoiavam o conceito. Em 1836, Charpentier, Venetz e Karl Friedrich Schimper convenceram Louis Agassiz, e Agassiz publicou a hipótese no seu livro Étude Sur Les Glaciers de 1840. Segundo Macdougal (2004), Charpentier e Venetz não concordavam com as ideias de Agassiz que ampliou o trabalho afirmando categoricamente que “a maioria dos continentes tinham antes estado cobertos de gelo”. Neste momento inicial do conhecimento, o que estava a ser estudado eram os períodos glaciais das últimas centenas de milhares de anos, durante a Era do gelo atual. A existência de Eras do gelo era desconhecida. A expressão Era do gelo, também Idade do gelo, Período glacial ou Era glacial, é utilizada historicamente para designar um período geológico de longa duração de diminuição da temperatura na superfície e atmosfera, resultando na expansão dos mantos de gelo continentais e polares bem como dos glaciares alpinos.                                            


Ao longo do tempo e espaço de uma Era do gelo prolongada ocorrem períodos com clima extra frio designados glaciações, intercalados por períodos de clima menos frio denominados interglaciais. Em termos glaciológicos, o termo Era do Gelo implica a presença de extensos mantos de gelo tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul, e segundo esta definição encontramo-nos ainda numa Era do gelo, pois tanto o manto de gelo da Groenlândia como o manto de gelo antártico ainda existem. Coloquialmente, quando se fala dos últimos milhões de anos, a Era do gelo refere-se ao mais recente período histórico mais frio com extensos mantos de gelo sobre a América do Norte e Eurásia: neste sentido, a Era do gelo, comparativamente, mais recente atingiu o seu ponto alto durante o último máximo glacial de 20 000 anos. As causas dos períodos não são totalmente entendidas. Acredita-se que diversos fatores são importantes, entre eles: a composição da atmosfera; mudanças na órbita da Terra em torno do Sol reconhecidas como ciclos de Milanović e possivelmente a órbita do Sol em torno da galáxia; o movimento das placas tectônicas; variações da atividade solar; e o vulcanismo. A variação orbital ou ciclo de Milanović ocorre periodicamente, fazendo com que a radiação solar chegue de forma diferente em cada hemisfério terrestre de tempos em tempos. Esta variação provoca as variações glaciares, que são períodos de longos verões e longos invernos. Os fatores que causam essa variação são: Precessão dos equinócios; Excentricidade orbital; Inclinação do eixo terrestre. A Terra completa um ciclo de precessão a cada 26000 anos. 

O ancestral humano é denominado homem de cro-magnon, que convivia com espécies animais extintas, como os mamutes, os lobos-terríveis, os leões-das-cavernas e os cervos gigantes, entre outros. A história da Groenlândia, a maior ilha do mundo, é a história da vida sob as extremas condições árticas: uma capa de gelo cobre 84% do território da ilha, restringindo a atividade humana às costas. A Groenlândia era desconhecida da Europa até o século X, quando foi descoberta por um islandês chamado Érico Torvaldsson, reconhecido Érico, O Vermelho. Antes desse “descobrimento”, a ilha já fora habitada por povos árticos, ainda que estivesse desabitada quando da chegada dos víquingues: os ancestrais diretos dos modernos inuítes, anteriormente chamados esquimós, não chegaram à ilha até o ano de 1200. Os inuítes foram os únicos seres humanos a habitar a ilha durante séculos, mas, lembrando a colonização com a penetração viquingue, a Dinamarca reclamou a soberania sobre o território e o colonizou a partir do século XVIII. Obteve, assim, privilégios, tais como o monopólio comercial. Durante a 2ª guerra mundial (1939-1945), a Groenlândia se separou de fato, tanto social como economicamente, da Dinamarca, aproximando-se mais dos Estados Unidos da América e Canadá. Depois da guerra, o controle da ilha voltou à Dinamarca, retirando-se seu status colonial, e apesar de a Groenlândia continuar sendo parte do Reino da Dinamarca, é autônoma desde 1979. A ilha é o único território que deixou a União Europeia, se bem que possua o status de estado associado.

A patinação de velocidade em pista longa no mundo, geralmente chamada apenas de patinação de velocidade, é a disciplina olímpica da patinação de velocidade, na qual os competidores são cronometrados enquanto percorrem uma distância determinada. Também é um esporte de lazer. Esportes como maratona de patinação no gelo, patinação de velocidade em pista curta, patinação de velocidade em linha e patinação de velocidade em patins também são chamados de patinação de velocidade. A patinação de velocidade em pista longa goza de grande popularidade nos Países Baixos e também já teve atletas campeões da Áustria, Canadá, China, Finlândia, Alemanha, Japão, Itália, Noruega, Polônia, Coreia do Sul, Rússia, Suécia, República Tcheca e Estados Unidos da América. Os patinadores de velocidade atingem velocidades máximas de 60 km/h (37 mph). As raízes da patinação de velocidade remontam a mais de um milênio na Escandinávia, no Norte da Europa e nos Países Baixos, onde os nativos adicionavam ossos aos seus sapatos e os utilizavam para viajar sobre rios, canais e lagos congelados. Ao contrário do que se pensa, a patinação no gelo sempre foi uma atividade de lazer e esporte, e não um meio de transporte. Os invernos nos Países Baixos nunca foram suficientemente rigorosos e frios para tornar a patinação no gelo uma forma de deslocamento ou transporte.

Isso já havia sido descrito em 1194 por William Fitzstephen (1140-1191), que mencionou um esporte praticado em Londres. Na Noruega, o rei Eystein Magnusson, que se tornaria o rei Eystein I (1088-1123) da Noruega, vangloriou-se de suas habilidades em corridas com pernas de gelo. Contudo, a patinação em geral e a patinação de velocidade não se limitavam aos Países Baixos e à Escandinávia; em 1592, um inventor escocês criou um patim com lâmina de ferro. Foram os patins com lâmina de ferro que levaram à disseminação da patinação e, em particular, da patinação de velocidade. Em 1642, nasceu o primeiro clube oficial de patinação, o Skating Club of Edinburgh, e, em 1763, o mundo ocidental testemunhou a sua primeira corrida oficial de patinação de velocidade, em Wisbech, nos Fens, Inglaterra, com um prêmio de 70 guinéus. Enquanto isso, nos Países Baixos, as pessoas começaram a percorrer os canais que ligavam as 11 cidades da Frísia, um desafio que acabou por levar à criação originalíssima da Elfstedentocht. Em 1851, os norte-americanos já haviam descoberto o amor pelo esporte e, a lâmina de aço foi desenvolvida posteriormente. Os Países Baixos voltaram à proeminência em 1889 com a organização do primeiro campeonato mundial. Informalmente conhecidos como Holanda, são uma nação constituinte do Reino dos Países Baixos localizada na Europa ocidental. É uma monarquia constitucional parlamentar democrática banhada pelo mar do Norte a Norte e a Oeste, que faz fronteira com a Bélgica a Sul e com a Alemanha a Leste. A União Internacional de Patinação (ISU)) também nasceu nos Países Baixos em 1892. 

No início do século XX, a patinação e a patinação de velocidade já haviam se consolidado como uma importante atividade esportiva popular. A Elfstedentocht (Turnê das Onze Cidades) foi organizada como uma competição em 1909 e tem sido realizada em intervalos irregulares, sempre que o gelo na pista é considerado em boas condições. Outras corridas ao ar livre surgiram posteriormente, com a Holanda do Norte sediando uma prova em 1917, mas as condições naturais do gelo holandês raramente foram propícias para a patinação. A Elfstedentocht foi realizada 15 vezes desde 1909 e, antes da disponibilidade de gelo artificial em 1962, campeonatos nacionais foram realizados em 25 dos anos entre 1887, quando o primeiro campeonato foi realizado em Slikkerveer, e 1961. Desde que o gelo artificial se tornou produção comum na Holanda, os patinadores de velocidade holandeses estão entre os melhores patinadores de velocidade em pista longa e maratonas de patinação do mundo ocidental. Outra solução para ainda poder patinar maratonas em gelo natural tornou-se a Alternative Elfstedentocht. As corridas da Alternative Elfstedentocht acontecem em outros países, como Áustria, Finlândia ou Canadá, e todos os melhores patinadores de maratona, bem como milhares de patinadores recreativos, viajam da Holanda para o local onde a corrida é realizada. De acordo com o jornalista Jaap Bloembergen, do NRC Handelsblad, o país “ganha um ar de carnaval” durante os campeonatos internacionais de patinação, apesar de “as pessoas de fora do país não estarem particularmente interessadas”. É um jornal matutino publicado na Holanda pela Mediahuis NRC. É considerado um jornal de referência no país. 

No Congresso Olímpico de 1914, os delegados concordaram em incluir a patinação de velocidade em pista longa nos Jogos Olímpicos de 1916, após a patinação artística ter sido incluída nos Jogos Olímpicos de 1908. No entanto, a Primeira Guerra Mundial pôs fim aos planos de competição olímpica, e foi somente na semana de esportes de inverno em Chamonix, em 1924 que recebeu retroativamente o status olímpico, que a patinação de velocidade no gelo entrou para o programa olímpico. Charles Jewtraw (1900-1996), de Lake Placid, Nova York, ganhou a primeira medalha de ouro olímpica, embora vários noruegueses presentes afirmassem que Oskar Olsen havia registrado um tempo melhor. Problemas com a cronometragem nos 500 m foram um problema no esporte até a chegada dos relógios eletrônicos na década de 1960; durante a prova dos 500 metros nos Jogos Olímpicos de 1936, foi sugerido que o tempo de Ivar Ballangrud (1904-1969) nos 500 metros foi quase um segundo melhor do que o ideal. A Finlândia ganhou as quatro medalhas de ouro restantes nos Jogos de 1924, com Clas Thunberg (1893-1973) vencendo nos 1.500 metros, 5.000 metros e na classificação geral. Foi a única vez que uma medalha de ouro olímpica na classificação geral foi concedida na patinação de velocidade. Os patinadores noruegueses e finlandeses conquistaram todas as medalhas de ouro nos Campeonatos Mundiais entre as duas guerras violentamente mundiais, com letões e austríacos subindo ao pódio nos Campeonatos Europeus.

Na época, as corridas na América do Norte eram geralmente realizadas no estilo pelotão, semelhante às maratonas na Holanda, mas as provas olímpicas seriam disputadas nas quatro distâncias aprovadas pela ISU. A organização aprovou a sugestão de que as competições de patinação de velocidade das Olimpíadas de 1932 fossem realizadas no estilo pelotão, e os americanos conquistaram todas as quatro medalhas de ouro. O Canadá ganhou cinco medalhas, todas de prata e bronze, enquanto o então campeão mundial Clas Thunberg permaneceu em casa, protestando contra esse formato de competição. No Campeonato Mundial realizado imediatamente após os Jogos, sem a presença física dos campeões norte-americanos, os patinadores noruegueses venceram em todas as quatro distâncias e ocuparam os três primeiros lugares na classificação geral. Na década de 1930, as mulheres começaram a ser aceitas nas competições de patinação de velocidade da ISU. Embora corridas femininas já fossem realizadas na América do Norte há algum tempo e tivessem competido nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1932 em um evento de demonstração, a ISU não organizou competições oficiais até 1936.

 No entanto, Zofia Nehringowa (1910-1972) estabeleceu o primeiro recorde mundial oficial em 1929. A patinação de velocidade feminina não tinha muita visibilidade social; em Skøytesportens stjerner (Estrelas do esporte da patinação), uma obra norueguesa de 1971, nenhuma patinadora é mencionada nas quase 200 páginas do livro, embora elas já competissem há quase 30 anos. A patinação de velocidade feminina em pista longa foi dominada pela Alemanha Oriental e, posteriormente, pela Alemanha reunificada, que conquistou 15 das 35 medalhas de ouro olímpicas na modalidade desde 1984. Líderes da patinação norueguesa, sueca, finlandesa e japonesa protestaram junto ao Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC), condenando a forma de competição e expressando o desejo de que as provas de largada em massa (cf. D`Allonnes, 2008) jamais fossem realizadas novamente nos Jogos Olímpicos. Contudo, a União Internacional de Patinação (ISU) adotou a modalidade de patinação de velocidade em pista curta, com provas de largada em massa em pistas mais curtas, em 1967, organizou competições internacionais a partir de 1976 e as reintegrou aos Jogos Olímpicos em 1992.

O Inferno de ´63 tem como representação social um longa-metragem holandês de 2009 dirigido por Steven de Jong, nascido em Scharsterbrug, em 26 de junho de 1962. É um diretor de televisão e cinema, ator, produtor e roteirista holandês. Sua obra como diretor inclui filmes infantis e filmes para adultos. Após o Ensino Secundário, abriu uma loja de discos em Joure aos 18 anos. Mais tarde, abriu uma loja de CDs em Heerenveen. Posteriormente, De Jong frequentou a Media Academy em Hilversum e, em seguida, destacou-se com diversas adaptações cinematográficas, muitas vezes de temas frísios. Estreou como ator em Zeg ´ns Aaa. A série gira em torno da médica de família e mãe solteira Lydie van der Ploeg, seu filho Gert-Jan e sua filha Nancy. Sua governanta, Mien Dobbelsteen, é casada com o operário da construção civil Koos Dobbelsteen. Lydie, que é muito esquecida, inicia um relacionamento com o cirurgião Hans Lansberg, com quem se casa posteriormente. A filha Nancy se muda para o exterior e Pien, namorada de Gert-Jan, passa a morar com eles. Após o nascimento do filho, Pim, eles se divorciam e Pien vai embora. Gert-Jan arranja uma nova namorada, Teuntje. Mais tarde, Gert-Jan, que também se torna médico de família e é sócio de Lydie, também se muda para o exterior com Teuntje. Wiep Lansberg, sobrinha de Hans, torna-se a nova colega de casa. Wiep frequenta uma escola de arte e inicia um relacionamento com John Wijntak, o novo sócio de Lydie. Posteriormente, eles se mudam para a casa ao lado da de Lydie. O vizinho Buys morou do outro lado da rua por um bom tempo, mas depois foi para Moscou. A irmã de Mien Dobbelsteen, Annie, mais tarde se casa com o amigo de Koos, o malandro Jopie Schellenduin. Trabalhou por mais de 10 anos para as produtoras de Joop van den Ende e John de Mol, como diretor e produtor, entre outras funções, em várias produções televisivas, incluindo Goedetijden, bozetijden, De Erfenis e Paardenmagazine.

Em 1995, De Jong fundou sua própria produtora, Steven Dejong Productions. Ele produziu, dirigiu e escreveu os roteiros de dezenas de filmes e produções para televisão, incluindo Spijkerhoek, The Hell of ´63, The Ship`s Boys of Bontekoe e Snuf the Dog. Desde 2003, De Jong interpreta o papel de Heit Klinkhamer na franquia The Kameleon; ele interpretou o personagem nos filmes The Skippers of the Kameleon (2003), Kameleon 2 (2005) e The Kameleon in Chains (2021) e na série de televisão The Kameleon (2018). Ele também dirigiu todos esses projetos. Atualmente, ele atua principalmente como diretor e como diretor de suas três produtoras. Frequentemente, coescreve roteiros com Dick van den Heuvel. De Jong também é presidente da Fundação do Fundo de Cinema da Frísia. Em 2000, De Jong ganhou o Televizier-Ring por Westenwind, pelo seu trabalho como diretor e produtor criativo. Pela sua direção e atuação em De Fûke, recebeu o Stimulansprijs e foi nomeado duas vezes para o Bezerro de Ouro. Os seus filmes ganharam vários outros prêmios, incluindo um “filme de platina” por De schippers van de Kameleon, um “filme de ouro” por De Scheepsjongens van Bontekoe, Kameleon 2 e De Hel van ´63, e outros prêmios, como o Melhor Filme Cinekid por Penny`s Shadow e o título de Melhor Direção de Arte no Festival Internacional de Cinema de Baghdad.

O filme retrata, em parte, as duras condições climatológicas em que a turnê Onze Cidades de 1963 foi realizada na Frísia. Durante a Volta das Onze Cidades de 1963, as condições climáticas eram tão adversas que a participação poderia ter custado vidas. A temperatura chegava a 18 graus abaixo de zero. Mesmo assim, 10.000 pessoas partiram, das quais apenas 69 homens receberam medalha. Nenhuma mulher chegou a Leeuwarden. Meike de Vlas alcançou apenas o vilarejo de Vrouwbuurtstermolen, nos arredores de Franeker, é uma cidade e capital do município holandês de Waadhoeke, localizado na província da Frísia. A cidade está localizada na Frísia Ocidental, a 8 km a leste do Mar de Wadden e a 16 km a Oeste de Leeuwarden. Franeker foi a sede da segunda universidade mais antiga dos Países Baixos, fundada em 1585, pouco depois da Universidade de Leiden, com o apoio do Stadtholder da Frísia, Guilherme Luís de Nassau-Dillenburg. Foi fechada em 1811. Franeker era um município independente antes de1º de janeiro de 1984, onde é abolido e anexado ao município de Franekeradeel. Em 1° de janeiro de 2018, este é dissolvido e fundido com Het Bildt, Menaradiel e parte de Littenseradiel para formar o novo município de Waadhoeke. 

Durante a escrita do roteiro, surgiu a ideia da história centrada em Reinier Paping, que de fato venceu o Elfstedentocht em 1963. Para tornar a história universal, optou-se pela distinção. As questões que envolviam o Elfstedentocht também foram destacadas, como a pressão exercida pela mídia sobre o comitê. A Elfstedentocht de 1963 ficou reconhecida como “O inferno de 63”, quando apenas 69 membros dos 10.000 participantes conseguiram terminar a corrida devido às temperaturas extremamente baixas de -18°C, neve em pó e um vento oriental severo. As condições foram tão horríveis que o vencedor de 1963, Reinier Paping, tornou-se um herói nacional e a tour, lendária. Paping não conseguiu ver a linha de chegada porque estava cego de neve no final da corrida, e muitos dos competidores tiveram congelamento, membros quebrados e olhos danificados. A próxima Elfstedentocht após 1963 foi realizada em 1985; os tempos haviam mudado. Antes, um dos melhores métodos para se manter aquecido durante a tour era usar jornais sob as roupas. Nos 20 anos entre a tours de 1963 e 1985, as roupas, métodos de treinamento e patins tornaram-se muito mais avançados, mudando a natureza disciplinar da patinação. A tour de 1985 foi encerrada devido ao degelo; às 22:00 os patinadores foram retirados do gelo. Em 1986, o atual rei holandês na época ainda príncipe herdeiro Willem-Alexander completou a Elfstedentocht sob o nome de Willem Alexander Van Buren (1851-1884), e Van Buren um pseudônimo tradicional da Casa Real. Em 1997, Piet Kleine, que havia ganhado uma medalha de ouro nas Olimpíadas de patinação de velocidade, foi desclassificado porque não conseguiu um carimbo em Hindeloopen, apesar de haver evidências em vídeo de que ele esteve lá.

O Elfstedentocht é um evento de patinação no gelo de longa distância em gelo natural, com quase 200 km (120 milhas) de extensão, realizado tanto como uma competição de patinação de velocidade (com 300 competidores) quanto como um evento de lazer (com 16.000 patinadores). O Elfstedentocht é o maior evento de patinação no gelo do mundo globalizado. O passeio é realizado na província da Frísia, no Norte da Holanda, passando por todas as onze cidades históricas da província. O passeio acontece no máximo uma vez por ano, somente quando o gelo natural ao longo de todo o percurso tem pelo menos comprovados 15 centímetros de espessura (6 polegadas); às vezes em anos consecutivos, outras vezes historicamente com intervalos que podem ultrapassar 20 anos. Quando o gelo está adequado, sob as condições normais de temperatura e pressão, o passeio é anunciado e começa em até 48 horas. A Elfstedentocht foi declarada em perigo de extinção devido às mudanças climáticas, ou seja, transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Essas mudanças podem ser naturais, como por meio de variações no ciclo solar. Nos últimos 50 anos, a Elfstedentocht ocorreu apenas três vezes, a mais recente em 1997, objeto de análise e interpretação do ponto de vista sociológico. Há menção de patinadores visitando todas as onze cidades da Frísia em um único dia desde 1760. O Elfstedentocht já fazia parte da tradição frísia quando, em 1890, Pim Mulier concebeu a ideia de um tour organizado, que foi realizado pela primeira vez em 1909, quando 22 homens competiram.

            Após esta corrida, a Vereniging De Friesche Elf Steden (nl) (Associação das Onze Cidades Frísias) foi estabelecida para organizar os tours. Na edição de 1912, Jikke Gaastra (1888-1963) foi a primeira mulher a completar a Elfstedentocht, mas “não conseguiu finalizar o percurso completo porque o gelo não estava em boas condições após Sneek”. Na edição de 1917, Janna van der Weg foi a primeira mulher a concluir o percurso. Jitske (Jikke) Minderhout-Gaastra, foi uma patinadora de velocidade holandês. Em 1912, ela foi a primeira mulher a patinar no Eleven Cities Tour. Ela patinou na turnê com seu irmão Jelle Gaastra. Ela não terminou o percurso. Em Sneek, naquele ano a última cidade antes da chegada em Leeuwarden, já que o percurso era feito no sentido anti-horário, Gaastra, juntamente com outros participantes, foi informada de que não tinham permissão para continuar porque o Conselho considerou a conclusão do percurso muito perigosa. Todos que chegaram a Sneek foram considerados como tendo terminado o percurso e receberam uma Cruz das Onze Cidades. Os invernos de 1939/40, 1940/41 e 1941/42 foram particularmente rigorosos, tendo a corrida sido realizada em cada um deles. 

         A corrida de 1940, realizada três meses antes da invasão alemã dos Países Baixos, contou com mais de 3.000 competidores, que largaram às 5h do dia 30 de janeiro, com os cinco primeiros a terminar às 16h34. O evento dominou as primeiras páginas dos jornais holandeses. Integrando o arquipélago das Ilhas de Wadden, no limite oriental do Mar do Norte, que se estende desde o Noroeste da Holanda até à Dinamarca passando pela Alemanha, as Ilhas Frísias representam a pátria do povo frísio, cuja língua é falada até aos nossos dias. O mais antigo registo desta etnia é referido por Tácito, um dos grandes historiadores romanos, em De Origine et situ Germanorum, no século I, onde alude a um povo de marinheiros que povoaram as terras em torno do Mar do Norte e cujas colonizações terão deixado vestígios em Inglaterra, na Escócia, Dinamarca, Alemanha, Bélgica, França, Itália e nos Países Baixos. Em 12 a.C. terão sido conquistados pelo general romano Nero Cláudio Druso, juntando-se muito mais tarde, no século V, à emigração dos anglo-saxões, chegando até Bruges, já no século VII, e convertendo-se depois ao cristianismo sob influência do Reino Franco, também reconhecido como Francia, foi o território governado pelos francos na Alta Idade Média e na Antiguidade Tardia. Os francos eram uma tribo germânica que habitava o médio e baixo Rio Reno no século III d.C. O Reino Franco surgiu após a queda do Império Romano. Clóvis I foi o primeiro rei dos francos, coroado em 496. O Reino Franco foi governado por duas dinastias principais: os merovíngios e os carolíngios. A dinastia merovíngia foi estabelecida por Clóvis I, o primeiro rei dos Francos a unir as tribos francas sob um único governante, alterando a forma de liderança de chefes tribais para um governo de um único rei e assegurando que o reinado passasse aos seus herdeiros. O Reino Franco se expandiu e incorporou características de outros povos, como os saxões, os romanos e os avaros. 

 

O Império Carolíngio foi sua maior extensão territorial geopolítica, alcançada durante o reinado de Carlos Magno. O Tratado de Verdun, em 843, dividiu o reino em três partes: os francos centrais, os francos ocidentais e os francos orientais. O Tratado de Meersen, em 870, readequou as fronteiras. Há aproximadamente 12 mil anos, aquando da última Era do Gelo, parte do que é atualmente o Mar do Norte constituía terra seca, já que o nível das águas se encontrava 60 metros abaixo do ponto atualmente, subindo depois em virtude do derretimento das calotas polares. Aquando do início do Holoceno, há sete mil anos, atingir-se-ia, então, a linha atualmente costeira, com a ação das marés a transportar quantidades significativas de areia que viriam assim a formar uma linha de dunas que, depois de o mar romper, se transformariam nas famosas Ilhas de Wadden. A construção de represas iniciar-se-ia por volta do ano 1000, com um papel preponderante a ser desempenhado pelos monges do Mosteiro de Aduard, sendo que no final da Idade Média as inundações haviam já diminuído francamente graças ao fortalecimento do sistema de diques, uma estrutura de contenção de água que serve para proteger pessoas, propriedades e infraestruturas de inundações.  A recuperação de terra prosseguiria a partir do século XVII, atingindo o seu pico durante os séculos XIX e XX. 

A hipótese de Gaia, também denominada hipótese biogeoquímica, é uma hipótese da ecologia profunda que propõe que a biosfera e os componentes físicos da Terra: atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera são intimamente integradas de modo a formar um complexo sistema interagente que mantém as condições climáticas e biogeoquímicas preferivelmente em homeostase. Originalmente proposta pelo investigador britânico James E. Lovelock em 1972 como “Hipótese de resposta da Terra”, ela foi renomeada conforme sugestão de seu colega, William Golding, como hipótese de Gaia, em referência à mitologia titã que personificava a Terra: Gaia. A hipótese é frequentemente descrita como a Terra sendo um único organismo vivo, mas é uma definição inexata. Lovelock e outros pesquisadores que apoiam a ideia atualmente consideram-na como uma teoria científica, não apenas uma hipótese, uma vez que ela passou por testes de previsão. A ideia geral de que a vida e seu substrato inorgânico são interdependentes não era nova. À parte as concepções teológicas e filosóficas existentes desde a Antiguidade sobre a natureza divina da Criação e de uma consciência e uma vida superiores imanentes tanto nos seres vivos como nos objetos inanimados, cientistas alemães e britânicos vinham trabalhando objetivamente nesta área desde o século XVIII. No do fim do século XIX, alguns russos levaram adiante essas ideias, mas, devido a barreiras linguísticas e culturais, do ponto de vista das relações sociais de comunicação e ao posterior fim do “bloco comunista”, elas tiveram repercussão nula na comunidade científica internacional. 

  A hipótese como é hoje reconhecida foi desenvolvida nos anos 1960 pelo cientista britânico James Lovelock (1919-2022), após ele participar como membro de uma equipe da National Aeronautics and Space Administration (NASA) que analisou a possibilidade de existir vida em Marte. Ele publicou seus primeiros textos em 1972, e logo passou a contar com a colaboração decisiva da microbióloga norte-americana Lynn Margulis (1938-2011), que se manteve por décadas. Seu ponto de partida foi o estudo da composição da atmosfera terrestre, que, segundo eles, seria muito diferente da esperada para um planeta situado na posição entre Vênus e Marte, a chamada zona habitável do Sistema Solar, por conter, em sua composição, grandes quantidades de certos gases como o oxigênio, óxido nitroso e metano. Segundo sua proposição, essa composição só poderia ser explicada pela interferência dos organismos vivos exatamente sobre o ambiente inorgânico. A partir disso, analisando outras evidências empíricas, foi postulado que, após surgir em um planeta deserto, a vida assume o controle do ambiente inorgânico e passa a modificá-lo em seu próprio benefício, a fim de que a vida possa per se se perpetuar, formando, nesse processo, um sistema complexo e autorregulante, que chamou de Gaia. Os componentes inorgânicos como a atmosfera são considerados parte da biosfera, porque são integrados intimamente ao processo evolutivo da vida. Ao mesmo tempo, eles questionavam a própria definição do que é vida e do que é um organismo vivo.

         

Como aspecto absolutamente curioso, mas ilustrativo das condições naturais, é evidente o lento, mas contínuo movimento das próprias ilhas, podendo-se inclusivamente referir o termo migração quando a elas nos referimos, sendo clara a deslocação de oeste para Leste, com a maioria daquelas que se localizam no extremo ocidental a mergulhar lentamente e o surgimento de bancos mais consistentes a Leste. Por consequência, também as aldeias se tornaram móveis ou poderemos até dizer “migrantes”, a maioria encontrando-se agora no ponto Oeste de cada ilha, tendo sido fundadas no centro e vendo-se, séculos depois, cada vez mais próximas do seu extremo ocidental e, por consequência, do inevitável afundamento. Formando uma entidade natural única e uma região holandesa distinta, as ilhas de Texel, Vlieland, Terscheling, Melando e Schiermonnikoog formam uma barreira natural entre a costa frísia e o Mar do Norte, situando-se nos lodaçais do Mar de Wadden, constituindo-se Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura tem como representação social uma agência especializada na esfera política da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalha essencialmente para promover a paz e o desenvolvimento sustentável desde 2009. 

Neste lugar é possível realizar caminhadas extraordinárias com guias profissionais e assistir geograficamente ao desfilar de aldeias, pólderes e pântanos salgados que circundam as ilhas ao longo das suas margens à medida que as faixas de praia e de dunas se entrelaçam com o vislumbrante mar. No seu interior impressionam-nos as extensas florestas e charnecas entrecruzadas com trilhos para caminhadas e passeios de bicicleta. Povoadas há mais de um mil anos, estas ilhas foram não raramente vítimas per se dos caprichos da Natureza, enquanto o mar arrasava cidades, eliminando-as do mapa e as areias movediças alteravam o terreno, mas por mais assustador e desafiador que parecesse, os seus habitantes ali se mantiveram, agarrados à pesca e à caça da baleia como meio de subsistência. Oferecendo uma enorme e maravilhosa diversidade paisagística que varia entre praias, dunas, florestas e pólderes, as ilhas em conjunto com os pântanos do Mar de Wadden representam reserva natural protegida e reúne a cooperação entre os países que partilham a região: a Holanda, Alemanha e Dinamarca. Os terrenos pantanosos representam um verdadeiro paraíso para espécies aquáticas como caranguejos, mexilhões e ostras e atraem cerca de 12 milhões de aves, representando para 34 destas um ponto de paragem nas respectivas rotas de migração. Durante a maré baixa há áreas que se mantêm secas permitindo a passagem a pé desde o continente até às ilhas ou entre si.

Os holandeses chamam wadlopen a esta prática, que deverá sempre ser realizada na companhia de um guia experiente, já que a qualquer momento nós podemos deparar com a subida da maré e ninguém desejará ser surpreendido com a chegada do mar a meio de semelhante caminhada. Outro aspecto curioso é a diferença que se nota entre a cultura e a língua do continente e as das ilhas, onde se fala frísio, uma língua germânica com forte semelhança com o inglês, comparativamente, e “onde este terá também bebido influências culturais, aquando da invasão viquingue”. Também encontramos pratos e bebidas ali existentes, como o queijo de algas, em Vlieland, os arandos de Terchelling, do antigo celta aran, “abrunho”, airela ou oxicoco do grego ὀξύς, ácido, e κόκκος, baga, pelo seu sabor ácido, representam um grupo de arbustos perenes ou videiras de arrasto do subgênero Oxycoccus do gênero Vaccinium, e a cerveja de Texel, que entretanto se tornou muito popular em toda a Holanda. Mas a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. Há apenas motivos para crer, que, em nossas sociedades, essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes da vida social, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival.

As mulheres representam algo mais do que uma categoria existente socialmente e compreendem pessoas do sexo feminino de diferentes idades, diferentes condições etárias familiares pertencentes a diferentes estratos, comunidades e classes sociais, nações e nacionalidades. Homens e mulheres envelhecem de formas diferentes, o que interfere nas respectivas configurações familiares. Suas vidas são ordenadas por diferentes regras sociais e costumes, em um meio de trabalho e sociabilidade no qual se configuram crenças e opiniões distintas decorrentes de estruturas de dominação secularizadas. Um aspecto da história social das mulheres que a distingue particularmente das outras diz respeito ao fato sociológico de ter sido uma história vinculada a um movimento social dentro e fora do trabalho. Por um longo período de tempo e espaço ela tem sido escrita a partir de convicções feministas, embora o conceito e o movimento decorram de meados do século XX. Certamente toda história social é herdeira de um contexto político, mas relativamente poucas histórias têm uma ligação tão forte com um programa de transformação e de ação como a história das mulheres. Quer as historiadoras tenham sido membros de organizações feministas ou de grupos de conscientização, quer elas se definissem como ativistas feministas, ou decerto fora deste movimento social urbano, seus trabalhos não foram menos marcadamente pelo movimento pragmático feminista hic et nunc europeu. 

         Um dos domínios sociais, per se simbólicos mais intrigantes na circunscrição das relações de gênero diz respeito às conexões entre corpo, de marca nome e renome. De acordo com a literatura antropológica disponível sobre o assunto, o processo de renomeação, quase sempre associado a situações rituais (cf. Gennep, 1978), é um dos marcadores sociais por excelência da aquisição de prestígio e de status nas sociedades não ocidentais. Essa conexão entre corpo, gênero e marca tem suscitado interpretações distintas a respeito dos significados envolvidos nos rituais que a enfeixam: ritos de passagem, na acepção sociológica de Van Gennep (1873-1957), ou de instituição, para Pierre Bourdieu (1930-2002), interpelados pela questão da exclusão e a chamada “violência simbólica”, eles visam a separar aqueles que já passaram por eles, daqueles que ainda não o fizeram e, assim, instituir uma diferença duradoura entre os que foram e os que ainda não foram afetados. No extraordinário ritual cabila de circuncisão, por exemplo, ele separa o rapaz das mulheres e do mundo feminino, ao mesmo tempo em que converte o mais efeminado dos homens num homem na plena acepção da condição de homem, separado por uma diferença de natureza, de essência, mesmo da mais masculina, da maior e da mais forte das mulheres. Os estudos etnográficos produzidos no âmbito da história socialmente das artes e da presente sociologia da cultura, ou como propugnamos, sociologia das emoções, têm trazido contribuições socioculturais fundamentais para repensarmos a equação parental histórica entre nome, status e posição de prestígio estamental e da articulação com o problema da autoria e da autoridade.

A Elfstedentocht de 1963 ficou reconhecida como “O inferno de ´63”, pois apenas 69 dos 10.000 participantes conseguiram terminar a corrida, devido às temperaturas extremamente baixas de -18 °C (0 °F), neve em pó e um forte vento Leste. As condições eram tão horríveis que o vencedor de 1963, Reinier Paping (1931-2021), tornou-se um herói nacional, e a própria prova, lendária. Paping não conseguiu distinguir a linha de chegada, pois estava com cegueira da neve no final da corrida, e muitos dos competidores sofreram queimaduras de frio, fraturas e danos nos olhos. A próxima Elfstedentocht depois de 1963 foi realizada em 1985; os tempos tinham mudado. Antes, um dos melhores métodos para se manter aquecido durante a turnê era usar jornais por baixo das roupas. Nos 20 anos entre as turnês de 1963 e 1985, as roupas, os métodos de treinamento e os patins tornaram-se muito mais avançados, mudando a natureza da patinação. A turnê de 1985 foi encerrada prematuramente devido ao degelo; já às 22h, os patinadores foram retirados do gelo. Em 1986, o atual rei holandês, na época ainda príncipe herdeiro Willem-Alexander completou a Elfstedentocht sob o nome de WA van Buren, sendo Van Buren um pseudônimo tradicional da Casa Real. Em 1997, Piet Kleine, que havia ganhado uma medalha de ouro olímpica na patinação de velocidade, foi desclassificado por não ter recebido um carimbo no Hindeloopen, apesar das evidências em vídeo de que ele estivera.

            O passeio, de quase 200 km (125 milhas) de extensão, segue uma rota fechada ou circular ao longo de canais, rios e lagos congelados visitando as onze cidades históricas da Frísia, a saber: Leeuwarden, Sneek, IJlst, Sloten, Stavoren, Hindeloopen, Workum, Bolsward, Harlingen, Franeker, Dokkum, retornando então a Leeuwarden. O torneio só acontece se o gelo tiver, e se mantiver, com pelo menos 15 centímetros (6 polegadas) de espessura em todo o percurso, já que cerca de 15.000 patinadores amadores participam, o que impõe requisitos rigorosos à qualidade do gelo. Os últimos torneios foram realizados em 1985, 1986 e 1997. Todos os patinadores devem ser membros da Associação das Onze Cidades Frísias. É necessário um passe de largada e um número de peito (100 euros em 2017). Os patinadores devem coletar um carimbo em cada cidade e em três pontos de controle secretos, e devem terminar o percurso antes da meia-noite. Frequentemente, existem pontos ao longo do percurso onde o gelo é muito fino para permitir a patinação em massa; esses pontos são chamados de “pontos de kluning”, do frísio ocidental klúnje, que significa “correr de patins sobre um tapete”, e os patinadores caminham sobre seus patins até o próximo trecho de gelo em boas condições. 

         Em 1997, o transplante de gelo foi reintroduzido para reforçar pontos frágeis no gelo, por exemplo, sob pontes. O ponto final da Elfstedentocht é um canal perto de Leeuwarden, chamado “Bonkevaart”, próximo ao moinho de vento emblemático, De Bullemolen, Lekkum. Como a Elfstedentocht é um evento tão raro, seu anúncio gera grande entusiasmo em todo o país. Na preparação para uma possível corrida em 2012, Mark Rutte , o primeiro-ministro holandês, comentou: - “Uma vez a cada quinze anos, nosso país não é governado a partir de Haia, mas por vinte e dois chefes de distrito na Frísia. E nosso país está em boas mãos”. Assim que alguns dias se passam com temperaturas abaixo de zero, a mídia começa a especular sobre as chances de uma Elfstedentocht. Quanto mais tempo as temperaturas congelantes permanecem, mais intensa se torna essa “Elfstedenkoorts” (febre das onze cidades), culminando em um frenesi nacional quando é anunciado que a corrida realmente acontecerá. No dia anterior à corrida, muitos holandeses vão a Leeuwarden para aproveitar a atmosfera festiva que envolve o evento; naquela noite, chamada de “Nacht van Leeuwarden” (Noite de Leeuwarden), torna-se uma grande festa de rua, diz-se que os frísios, que têm fama de serem mal-humorados, se derretem quando congela. No dia da turnê, muitos holandeses ficam em casa para assistir pela televisão com a participação de 9,2 milhões de telespectadores, segundo uma estimativa, ou encontram um lugar ao longo do percurso para torcer pelos patinadores, tirando o dia de folga ou ligando para o trabalho dizendo que estavam doentes. Em fevereiro de 2012, os hotéis da Frísia estavam lotados e esperavam entre 1,5 e 2 milhões de visitantes na expectativa da turnê antes mesmo de ela ser anunciada, já que o clima parecia favorável.

            No frio intenso de janeiro de 1963, entre ventos uivantes e uma paisagem envolta em gelo, nasceu uma lenda nos rios de águas congeladas dos Países Baixos. O Eurochannel estreia Tempestade de Gelo. Nas profundezas geladas de janeiro de 1963, tendo como pano de fundo ventos gelados e gelo traiçoeiro, milhares de pessoas ousadas embarcaram em uma viagem angustiante através dos 160 quilômetros de terreno com gelo dos Países Baixos. Essa história épica de resiliência e determinação se desenrola no fascinante drama holandês-frísio Tempestade de Gelo, dirigido por Steven de Jong. O filme mergulha os espectadores no drama emocionante do Elfstedentocht ou Torneio das Onze Cidades, last but not least o “Torneio dos Torneios”, apenas os mais ousados e resilientes se atrevem a participar. No meio de temperaturas em queda livre e tempestades de neve ofuscantes, o Comité das Onze Cidades da Frísia, sob pressão dos meios de comunicação e do fervor do público, dá, relutantemente, luz verde para o início da corrida histórica. Tempestade de Gelo entrelaça as emocionantes sagas pessoais de quatro personagens centrais: Henk Brenninkmeijer, um soldado que corre o risco de deserção pela chance de patinar; Kees Ferwerda, um trabalhador determinado que enfrenta turbulências pessoais; Sjoerd Lelkema, filho de um fazendeiro que luta para provar seu valor, e Annemiek, uma enfermeira que patina em homenagem a um amigo que morreu.

À medida que a corrida se desenrola, o frio cortante e os ventos implacáveis testam a resistência de cada patinador. O terreno gelado, repleto de rachaduras traiçoeiras, torna-se um adversário desafiador. No entanto, contra todas as probabilidades, os quatro protagonistas avançam, movidos por objetivos pessoais e pelo espírito inflexível que define o Elfstedentocht ou Torneio das Onze Cidades. A decisão de prosseguir com a corrida, apesar das condições perigosas, prepara o terreno para uma experiência cinematográfica inesquecível. A coragem e resiliência demonstradas pelos patinadores espelham o espírito humano indomável face aos desafios mais extremos da natureza. Tempestade de Gelo não apenas captura as demandas físicas, mas também investiga o cenário emocional de seus personagens. Retrata momentos de triunfo e desespero, destacando o profundo impacto deste evento lendário naqueles que ousaram participar. Junte-se a nós enquanto revivemos a história através de Tempestade de Gelo, uma obra-prima cinematográfica, que homenageia os heróis do Elfstedentocht de 1963 e a sua viagem inesquecível pelas paisagens congeladas dos Países Baixos. É um passeio emocionante sob um manto de neve, onde cada quilômetro patinado é uma prova do poder da determinação e do legado duradouro de uma corrida diferente de qualquer outra.

A história centra-se em quatro patinadores da digressão Twelfth Eleven Cities Tour. O sargento de cavalaria Henk Brenninkmeijer (Cas Jansen) deserta para poder participar da excursão. O operário Kees Ferwerda (Chris Zegers) foi demitido pela enésima vez, e sua esposa, Dieuwke, que está grávida, quer deixá-lo. Ele decide fazer a viagem para provar que ainda é capaz de algo. O filho de fazendeiro Sjoerd Lelkema (Lourens van den Akker) quer provar ao tio que é um batalhador, ao contrário do pai. Ele espera que o tio, então, garanta um empréstimo que pretende fazer para comprar sua fazenda. A enfermeira Annemiek (Chava para in ´t Holt) está participando em homenagem à sua amiga, que caiu no gelo e se afogou um ano antes enquanto treinava para o Eleven Cities Tour. Durante sua árdua jornada, eles se arrastam mutuamente. Sob pressão da imprensa e do Comissário da Rainha, a associação decidiu prosseguir com a turnê, apesar das péssimas condições climáticas. Sjoerd tem 17 anos, enquanto a idade mínima para participar é 18; ele participa mesmo assim e recebe os carimbos no braço. Ao chegar em Dokkum, Annemiek para e entrega seu cartão de carimbos para Sjoerd. Os postos de controle estão fechados porque, devido ao mau tempo, a administração considera irresponsável deixar passar aqueles que ainda não passaram. Henk, Kees e Sjoerd, então, contrariando as regras, carimbam seus cartões eles mesmos. Entre Dokkum e Leeuwarden, eles dirigem uma curta distância para evitar um posto de controle que retira os patinadores restantes do gelo. Eles conquistam a Cruz das Onze Cidades (Elfstedenkruisje) após dirigirem um pouco mais para compensar a curta distância percorrida de carro. O superior de Henk, o Suboficial Hoeks ( Cees Geel ), está orgulhoso dele e o perdoa por sua deserção. As coisas estão indo bem novamente entre Kees e Dieuwke, que tiveram um filho durante a viagem. Sjoerd consegue um empréstimo do tio porque provou ser uma pessoa determinada. Ele vai morar com Annemiek.

Bibliografia Geral Consultada.

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