sábado, 5 de fevereiro de 2022

Morte no Nilo – Neo-pragmatismo & Sentido de Mistério no Mundo.

                                        O arqueólogo é o melhor marido que uma mulher pode ter”. Agatha Christie               

                         

          O que leva um estudioso de filosofia do Neo-pragmatismo de Richard Rorty negar a identidade do filósofo quando insinua um tipo de propriedade sobre sua imagem como vemos agora?  Richard Rorty foi aluno da Universidade de Chicago muito cedo, apenas com 15 anos de idade e da Universidade de Yale, onde fez o doutoramento. Na política, era liberal no sentido norte-americano do termo, comprometido com a esquerda e defensor da democracia. A teoria neopragmática de Rorty representa um termo filosófico recente, existente da década de 1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson (2002) e sua teoria semântica da verdade. Ambos acordam que a noção de verdade não pode ter uma correspondência, como uma representação, mas discordam em alguns pontos quanto à solução que procuram encaminhar nessa questão. Enquanto que para Davidson, os conceitos podem ser verdadeiros e utilmente descrever uma realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser um objetivo da reflexão filosófica. O objetivo é procurar evidências para nossas crenças ocidentais, e que não há nada mais que possamos fazer para firmar convicções.

         Na verdade, como observou com razão Pogrebinschi (2006), o próprio Rorty se intitulou como um neopragmatista, constituindo o ponto de partida da reflexão filosófica para que diversos autores. Mas não apenas adstritos ao campo da filosofia, também o fizessem, dando início nas últimas duas décadas, a uma extensa produção acadêmica que pode ser com propriedade chamada de neopragmatista. Em primeiro lugar, o pragmatismo originalmente demonstra ser claramente uma filosofia compatível com o realismo, enquanto o neo-pragmatismo rortyano é eminentemente antirrealista. Em segundo lugar, para o pragmatismo clássico a experiência é um conceito que ultrapassa a esfera de análise meramente da linguagem, podendo até mesmo atingir em seu ersatz formas pré-linguísticas ou não linguísticas, ao passo que Richard Rorty, ao se engajar na virada linguística, de fato opera a substituição de um conceito pelo outro, fazendo a linguagem ocupar no neopragmatismo a posição que a experiência dantes ocupava no pragmatismo. A começar por essas duas diferenças basilares, permanece a questão analítica de saber quão pragmatista é o neopragmatismo rortyano. Em outras palavras: pode-se falar em univocidade ou linearidade entre os pensamentos de Charles Peirce, William James e John Dewey, de um lado, e o de Rorty, de outro? Ou ainda: permanece a questão se é possível falar em continuidade entre os elementos que caracterizam o pragmatismo em sua origem que são constituídos pelo antifundacionalismo, o consequencialismo e o contextualismo e o pensamento neopragmatista?

        O pragmatismo que em diferentes variantes apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de enfrentar os desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser compreendido do ponto de vista de suas raízes, como sendo devedor, de um lado, ao pragmatismo clássico dos pensadores norte-americanos Peirce, Dewey, James, Schiller, por outro lado, às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática do Wittgenstein das “Investigações Filosóficas”. O pragmatismo norte-americano, que segundo J-P Cometti, “é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura americana”, desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas, desde o princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de um fundamento no absoluto ou a de um modelo da razão, que determina a priori as possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central da metafísica, é que o conhecimento humano não se limita ao conhecimento da experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo através dos conceitos. Fundamento da verdade não é, então, o mundo “material empírico”, mas o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível do real de análise. O espírito humano do ponto de vista de sua representação é compreendido como coextensivo ao mundo em que as leis da lógica exprimem as leis que estruturam a realidade. Rorty interpreta esta postura do pensamento clássico como sendo a pretensão de captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza e da história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é capaz de descobrir como reparar a injustiça da história.

                                            


Morte no Nilo tem como representação social um filme de mistério de 2022 dirigido por Kenneth Branagh, com roteiro de Michael Green, baseado no romance homônimo de Agatha Christie, de 1937, e a segunda adaptação para o cinema da obra de Christie, após o filme de 1978. Em 2015, o bisneto de Christie, James Prichard, presidente da Agatha Christie Limited, expressou entusiasmo por sequências, citando a colaboração positiva com Branagh e a equipe de produção. Em maio de 2017, Branagh expressou interesse em novas sequências caso o primeiro filme fosse bem-sucedido. Em 20 de novembro de 2017, foi anunciado que a 20th Century Fox estava desenvolvendo Morte no Nilo como uma sequência de sua versão de Assassinato no Expresso do Oriente, com Michael Green retornando para escrever o roteiro e Kenneth Branagh confirmado para retornar como Poirot e como diretor do filme. Em setembro de 2018, Gal Gadot juntou-se ao elenco.  No mesmo mês, Paco Delgado foi contratado para desenhar os figurinos. Em outubro de 2018, Armie Hammer juntou-se ao elenco e foi confirmado que Tom Bateman reprisaria seu papel como Bouc no filme. Em janeiro de 2019, Jodie Comer juntou-se ao elenco. Em abril de 2019, Letitia Wright juntou-se ao elenco. Annette Bening estava em negociações para se juntar ao elenco em junho. Russell Brand juntou-se em agosto de 2019. Ali Fazal, Dawn French, Rose Leslie, Emma Mackey, Sophie Okonedo e Jennifer Saunders foram adicionadas em setembro, sem a participação de Comer.

Etnograficamente as filmagens principais começaram em 30 de setembro de 2019, no Longcross Studios em Surrey, Inglaterra. O filme deveria ter sido filmado em Marrocos em vez do Egito, mas as filmagens ocorreram apenas na Inglaterra. Um barco foi recriado, assim como Abu Simbel. Uma réplica do Diamante Amarelo Tiffany foi usada no filme. As filmagens duraram até 18 de dezembro de 2019. Úna Ní Dhonghaíle atuou como editora de Morte no Nilo. A Double Negative (DNEG) forneceu os efeitos visuais para o filme, com o artista de efeitos especiais vencedor do Oscar, George Murphy, como supervisor geral de efeitos visuais. Efeitos visuais adicionais foram fornecidos pela Lola VFX e Raynault VFX. Em janeiro de 2019, Patrick Doyle, um colaborador frequente nos filmes de Branagh (incluindo o filme anterior), foi anunciado como o compositor do filme. A voz cantada de Salomé nas cenas da boate é dublada por Sister Rosetta Tharpe e Mavis Staples. Como sequência de Assassinato no Expresso do Oriente (2017) e segundo filme da série Hercule Poirot, foi produzido por Branagh, Ridley Scott, Judy Hofflund e Kevin J. Walsh. O elenco conta com Branagh e Tom Bateman reprisando seus papéis como Hercule Poirot e Bouc, respectivamente, ao lado de Annette Bening, Russell Brand, Ali Fazal, Dawn French, Gal Gadot, Armie Hammer, Rose Leslie, Emma Mackey, Sophie Okonedo, Jennifer Saunders e Letitia Wright. O filme Morte no Nilo estreou em diversos mercados cinematográficos em 9 de fevereiro de 2022 e no Reino Unido formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, e nos Estados Unidos em 11 de fevereiro de 2022. O filme recebeu críticas mistas e arrecadou US$ 137,3 milhões.

Agatha Christie, nascida Agatha Mary Clarissa Miller (1890-1976), foi uma brilhante escritora britânica que atuou de forma multidisciplinar como romancista, contista, dramaturga e poetisa. Destacou-se na literatura de romance policial, tendo ganho popularmente, em vida, a alcunha de Rainha/Dama do Crime (“Queen/Lady of Crime”). Durante sua carreira, publicou mais de 80 livros, alguns sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Segundo o Guiness Book, Agatha Christie é a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular mundial em número total de livros vendidos. Segundo a organização Index Translationum, as obras de Agatha Christie já foram traduzidas, em um levantamento recente, para mais de 100 idiomas em todo o mundo.  Em conjunto suas obras venderam cerca de 4 (quatro) bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, cujos números totais só ficam atrás das obras do dramaturgo e poeta William Shakespeare e da Bíblia, segundo a tradição aceita pela maioria dos cristãos, foi escrita por 40 autores, entre 1500 a.C. e 450 a.C. :livros do Antigo Testamento e entre 45 d.C. e 90 d.C. :livros do Novo Testamento, num período de quase 1 600 anos.  Seu livro mais vendido, Ten Little Niggers, de 1939, é também, com cerca de 100 milhões de cópias comercializadas em todo o globo, a obra de romance policial mais vendida da história, além de figurar na lista de livros mais vendidos de todos os tempos independentemente do gênero.

Em 1971, foi condecorada pela rainha Elizabeth II, nascida Elizabeth Alexandra Mary, em Londres, 21 de abril de 1926, com o título de Dama-Comendadora da Ordem do Império Britânico, uma honra que consiste no equivalente feminino ao sir. Mas não é bem assim, pois Sir (Senhor, em inglês) é o tratamento destinado aos cavaleiros da Ordem do Império Britânico. A Ordem do Império Britânico, criada em 1917 por Jorge V, é uma  ordem de cavalaria britânica que premia serviços notáveis às artes, ciências, trabalhos de caridade e serviço público. Nos tempos medievais, este era o título associado a cavaleiros servindo à nobreza. Nos tempos medievais, este era o título associado a cavaleiros servindo à nobreza. No total, escreveu 72 romances, sendo 66 deles de romance policial, e inúmeros contos, reunidos em 14 coletâneas. É cultuada pela criação pessoal de emblemáticos personagens, incluindo o detetive Hercule Poirot que aparece em aproximadamente 40 histórias, talvez seja um dos detetives da ficção mais famosos do mundo ocidental, junto com Sherlock Holmes. Sua influência é tamanha que foi o único personagem que apareceu na capa do famoso jornal The New York Times (NYT) quando Agatha Christie escreveu o livro onde aconteceria sua morte. Não por acaso é um jornal diário norte-americano, fundado e publicado continuamente em Nova York desde 18 de setembro de 1851, pela The New York Times Company. Do ponto de vista comunicativo o jornal ganhou 117 prêmios Pulitzer, mais do que qualquer meio comunicativo de massas de notícias. A versão impressa tem a segunda maior circulação, atrás do The Wall Street Journal, e a maior circulação entre os jornais metropolitanos nos Estados Unidos da América. O The New York Times está classificado em 39º lugar no mundo contemporâneo globalizado por circulação. No entanto, seguindo tendências da indústria cultural global, sua circulação semanal caiu para menos de 1 milhão por dia desde 1990.

E a idosa detetive amadora Miss Marple, uma personagem de ficção presente repetidamente em 12 romances e 24 contos policiais de Agatha Christie. Miss Marple é uma senhora solteirona que vive no vilarejo fictício de St. Mary Mead e atua profissionalmente como detetive amadora, que historicamente representa o detetive por excelência. Ela desvenda os mais intrincados mistérios, baseando-se apenas “em seu profundo conhecimento da natureza humana”. Junto com Hercule Poirot, é uma das mais famosas e amadas personagens de Agatha Christie. Sua primeira aparição ocorreu no romance The Murder at the Vicarage em 1930. Mas na sequência das edições apareceu também em centenas de filmes, séries temáticas e peças de teatro baseadas em suas obras. Miss Jane Marple é uma anciã ativa, mas que mora na pequena aldeia inglesa de St. Mary Mead. Aparentemente é uma idosa comum, que se veste com roupas de lã e é vista, frequentemente, tricotando e tirando as ervas daninhas de seu jardim. Às vezes, é considerada confusa ou caduca, mas quando passa a resolver mistérios, demonstra ter uma mente lógica e afiada, e um conhecimento incomparável da natureza humana com suas fraquezas, forças contra as adversidades, truques e excentricidade.

O pragmatismo que em diferentes variantes apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de enfrentar os desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser compreendido do ponto de vista de suas raízes, como sendo devedor, de um lado, ao pragmatismo clássico dos pensadores norte-americanos Peirce, Dewey, James, Schiller, por outro lado, às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática do Wittgenstein das Investigações Filosóficas. O pragmatismo norte-americano, que segundo J-P Cometti, “é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura americana”, desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas, desde o princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de um fundamento no absoluto ou a de um modelo da razão, que determina a priori as possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central da metafísica, é que o conhecimento humano não se limita ao conhecimento da experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo através dos conceitos. Fundamento da verdade não é, então, o mundo “material empírico”, mas inversamente o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível do real enquanto método de análise. O espírito humano é compreendido como coextensivo em que as leis da lógica exprimem as leis que estruturam a realidade. Richard Rorty interpreta esta postura com a pretensão de captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza e da história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é capaz de descobrir como reparar as injustiças da história.

Sua teoria neopragmática representa um termo filosófico recente, existente da década de 1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson e sua teoria semântica da verdade. Ambos estão de acordo que a noção sociológica de verdade não pode ser tida como uma correspondência, como uma representação, mas discordam em alguns pontos quanto à solução que procuram encaminhar para essa questão. Enquanto que para Davidson, os nossos conceitos podem ser verdadeiros e utilmente descrever uma realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser um objetivo da reflexão filosófica, pois o objetivo da investigação pragmática é procurar evidências substantivas para nossas crenças ocidentais, e que não há nada mais que possamos fazer para firmar nossas convicções. Há cerca de duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou a tomar conta do imaginário individual e coletivo europeu. O precedente estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial. O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e prédios no movimento dos últimos 150 anos deu-lhe a plausibilidade ainda maior, obtendo legitimidade, já que “as ideias adquirem força na história”.

Alguns filósofos inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem uma antiga luta de interesses entre a ciência & religião, a razão & irracionalidade, como um processo ainda em andamento que assumiu a forma de uma luta entre a razão e todas as mediações intraculturais que pensam na verdade como algo constituído e não encontrado. Esses filósofos consideram que a ciência é a atividade paradigmática e insistem que a ciência natural descobre a verdade, ao invés de cria-la. Encaram a expressão “criar a verdade” como metafórica e totalmente enganosa. Pensam na política e na arte como esferas em que a ideia de “verdade” fica deslocada. Outros filósofos, percebendo que o mundo descrito pelas ciências físicas não ensina nenhuma lição moral e não oferece conforto espiritual, concluíram que a ciência não passa de uma serva da tecnologia. Esses filósofos alinham-se com o utopista político e com o artista inovador. Os primeiros contrastam a “realidade científica concreta” com o “subjetivo” ou o “metafórico”, os segundos veem a ciência como mais uma das atividades humanas, e não como o lugar em que os seres humanos deparam com uma realidade não humana “concreta”. De acordo com essa visão, os grandes cientistas inventam descrições do mundo que são úteis para o objetivo de prever e controlar o que acontece, assim como os poetas e os pensadores políticos inventam outras descrições do mundo para outros fins.

       

 Não há sentido algum, porém, em que qualquer dessas descrições seja uma representação exata de como é o mundo em si. Esses filósofos consideram inútil a própria ideia dessa representação, seja consignando uma verdade de segunda categoria (fenomênica), seja como descrição do espírito da natureza espiritual (dialética) e elevar ao mais alto status o tipo de verdade oferecida pelo poeta e pelo revolucionário político. O idealismo alemão, porém, representou uma solução de compromisso pouco duradoura e insatisfatória. É que Immanuel Kant e Georg Hegel fizeram apenas concessões parciais em seu repúdio à ideia de que a verdade está “dada”. Dispusera-se a ver o mundo da ciência empírica como um mundo “fabricado” – a ver a matéria como algo construído pela mente, ou como feita de uma mente insuficientemente cônscia de seu próprio caráter mental -, mas persistiram em ver a mente, o espírito, as profundezas do eu como dotados de uma natureza intrínseca – uma natureza que se poderia conhecer por uma espécie de superciência não empírica, chamada de filosofia. Isso significava que apenas metade da verdade – a metade científica inferior – era produzida. A verdade superior, a verdade sobre a mente, seara da filosofia, ainda era uma questão de descoberta, não de criação.

Richard Rorty precisa sua tese de distinção entre a afirmação de que o mundo está dado e a de que a verdade dada, equivale a dizer, com bom senso, que a maioria das coisas no espaço e no tempo, é efeito de causas que não incluem os estados mentais humanos. Dizer que a verdade não está dada é dizer que, onde não há frases, não há verdade. E que as frases são componentes das línguas humanas, e que as línguas humanas são criações humanas. Só as descrições podem ser “verdadeiras” ou “falsas” - sem o auxílio das atividades descritivas como atividade social ou política dos seres humanos - não pode sê-lo. O drama de uma vida humana individual, ou da história social e política da humanidade como um todo, não é um drama estaiado em que uma meta preexistente seja triunfalmente atingida ou tragicamente não alcançada. Nem uma realidade externa constante nem tampouco uma infalível fonte interna de inspiração compõe o pano de fundo desses dramas. Ao contrário, ver a própria vida ou a vida da comunidade como uma narrativa dramática é vê-la com um processo de autossuperação nietzschiana. O paradigma dessa narrativa é a vida do gênio capaz de dizer “eu quis assim”. Sobre a parte relevante do passado, por ter encontrado um modo de descrever esse passado.

E que o próprio passado jamais reconheceu e, ter descoberto um eu, de maneira afirmativa, para compreender que seus precursores nunca souberam ser possível. Nessa cosmovisão nietzschiana, o impulso de pensar, indagar e tecer outra vez a si mesmo, de maneira cada vez mais minuciosa, não é simplesmente o assombro, mas o pavor. David Hume (2009) sustenta filosoficamente que nossas ideias representam imagens de nossas impressões, pois assim também podemos formar ideias secundárias, que são imagens das primárias. Não se trata de mais uma exceção à regra, mas de uma explicação. Agatha Christie, tinha uma relação muito próxima com o editor Billy Collins, responsável pelas publicações da escritora na HarperCollins, uma das maiores editoras do mundo, estando no chamado "Big Five", grupo das cinco maiores editoras de língua inglesa. Sediada em Nova Iorque, a companhia é subsidiária da News Corp. Em correspondências descobertas recentemente, não só a relação amistosa dos dois, mas também as desavenças, ficam evidentes em alguns momentos. Ademais, essas correspondências provam que, além da proximidade, os dois também tinham obviamente divergências. Em mais de uma situação, o editor e a escritora discordaram sobre as capas dos livros. Um dos exemplos mais emblemáticos foi quando a Rainha do Crime detestou a capa d` Os doze trabalhos de Hércules, mas Bill Collins a publicou mesmo assim. - “O design da capa de Hércules ocasionou as observações e sugestões mais complicadas e obscenas da minha família. Tudo o que posso dizer é: tente novamente!”, argumentou a escritora no escrito.

Em outra situação, um de seus livros foi publicado antes da aprovação final. Ela viu o exemplar de seu último lançamento nas mãos de um fã, que a cumprimentou pelo trabalho. Christie ficou furiosa: - “Acho que está tratando seus autores de forma vergonhosa”, escreveu carta para Collins. Contudo, evidentemente as desavenças eram menores do que o lucro que a relação dos dois proporcionava. Em uma ocasião, Bill Collins até ofereceu um carro de presente para Christie, um Jaguar, mas a escritora o recusou, pois estava “muito velha para se divertir”. Ocasionalmente, a conversa dos dois passava do profissional para o pessoal. Em setembro de 1940, Collins perguntou à escritora se poderia ficar com seu jardineiro, Midgley, cuja esposa “estava desgastada” e queria uma mudança de cenário. Christie mais tarde perguntou a Collins, cujo irmão era um tenista famoso, se ele poderia arranjar bolas de tênis através de suas conexões de Wimbledon, já que era cada mais difícil de encontrá-las durante a guerra.

 Morte no Nilo arrecadou US$ 45,6 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 91,6 milhões em outros territórios, totalizando US$ 137,3 milhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos e no Canadá, Morte no Nilo foi lançado juntamente com Marry Me e Blacklight, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 11 e US$ 17 milhões em 3.280 cinemas no fim de semana de estreia. O filme arrecadou US$ 12,9 milhões no fim de semana de estreia, ficando em primeiro lugar nas bilheterias. O público geral durante a estreia era composto por 51% de homens, 77% com mais de 25 anos, 47% com mais de 35 anos e 28% com mais de 45 anos. A distribuição étnica do público mostrou que 57% eram caucasianos, 15% hispânicos e latinos, 13% afro-americanos e 15% asiáticos ou de outras etnias. O filme arrecadou US$ 6,6 milhões no segundo fim de semana e US$ 4,5 milhões no terceiro, ficando em quarto lugar em ambas as ocasiões. O filme arrecadou US$ 2,75 milhões em seu quarto fim de semana, US$ 2,4 milhões em seu quinto, e US$ 1,65 milhão em seu sexto. O filme saiu do top 10 de bilheteria em seu sétimo fim de semana, terminando em décimo primeiro lugar com US$ 630.520.

Fora dos Estados Unidos e Canadá, o filme arrecadou US$ 20,7 milhões em seu fim de semana de estreia em 47 mercados internacionais. O filme estreou na China em 19 de fevereiro de 2022. Teve uma estreia fraca no país, terminando em quarto lugar, atrás de três filmes chineses que já estavam em cartaz, com US$ 5,9 milhões. Incluindo sua estreia na China, o filme arrecadou US$ 19,8 milhões em seu segundo fim de semana internacional. Arrecadou mais US$ 10,6 milhões em 47 mercados em seu terceiro fim de semana, ultrapassando a marca de US$ 100 milhões em todo o mundo, US$ 5,1 milhões em seu quarto fim de semana, US$ 3 milhões em seu quinto fim de semana, e US$ 1,6 milhão em seu sexto fim de semana. O filme recebeu críticas mistas. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 62% das 291 críticas são positivas, com uma classificação média de 5,9/10. O consenso do site diz: “Antigo ao extremo, o divertido Morte no Nilo é animado por seu elenco estelar e pelo evidente carinho do diretor e protagonista Kenneth Branagh pelo material”. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 52 em 100, com base em 51 críticas, indicando avaliações “mistas ou médias”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma escala de A+ a F, a mesma de seu antecessor, enquanto o público do PostTrak deu uma pontuação de 77%, com 57% dizendo que definitivamente o recomendariam.

David Rooney, do The Hollywood Reporter, escreveu: “Para alguns de nós que lembramos com carinho da exuberante versão cinematográfica de John Guillermin, de 1978, persiste a sensação de que Branagh, embora tenha acertado em cheio na narrativa e no design, tirou um pouco da graça da coisa”. Owen Gleiberman, da revista Variety, chamou o filme de “uma sobremesa moderadamente divertida que te mantém entretido. Nunca transcende a sensação de que você está vendo uma relíquia injetada com soro da vida, mas isso, de certa forma, faz parte do seu charme de segunda categoria”. Edward Porter, do fabuloso The Times, deu ao filme três dentre cinco estrelas, e seu “estilo extravagante - combinado com o melodrama da versão modificada do roteiro da trama de Christie - continua divertido, mesmo que alguns dos cenários supostamente egípcios pareçam falsos”, como se cinematograficamente não ocorresse.  Sandra Hall, do The Sydney Morning Herald,, deu ao filme quatro de cinco estrelas, escrevendo: “Embora a aposta que Branagh faz ao desenterrar o lado sensível há muito negligenciado de Poirot possa ser considerada um sacrilégio por alguns, acho que funciona. Poirot tem um coração cheio de anseios”. Emily Zemler, do The Observer, escreveu que o filme tinha uma “tensão palpável na primeira metade... o público [espera] que algo ruim aconteça, mas quando isso de fato acontece, temas mais interessantes” já estavam presentes.

Ela elogiou seu “estilo antiquado”. Wendy Ide, também do The Observer, deu ao filme duas de cinco estrelas, escrevendo: “A câmera gira vertiginosamente, deslumbrada com o brilho e o espetáculo, mas não consegue esconder o fato de que este é um filme vazio e sem graça”. David Fear, da Rolling Stone, escreveu que o filme “tem seus encantos e defeitos, além do fator Armie, mas é quase como tentar avaliar se a entrada poderia ter sido um pouco malpassada enquanto um elefante invade a mesa de jantar”. Joe Morgenstern, do The Wall Street Journal, escreveu que o filme “tem charme e estilo de época da mesma forma que as pastas de dente de grandes marcas de hoje têm sabor – ingredientes artificiais lhes conferem um gosto perceptível, mas genérico demais para ser nomeado”. Do ponto de vista técnico-metodológico o filme Morte no Nilo (2022), dirigido por Kenneth Branagh, teve suas filmagens principais realizadas no Longcross Studios em Surrey, Inglaterra. A produção recriou cenários egípcios, como o templo de Abu Simbel e o rio Nilo, em estúdio e utilizou locações adicionais no Marrocos para paisagens. Locais de Filmagem e Produção: Longcross Studios (Inglaterra): Recriação do templo de Abu Simbel, do navio SS Karnak e do Cataract Hotel. Marrocos: Utilizado para algumas paisagens externas. Locações Reais (Egito): Algumas cenas de fundo foram filmadas no Egito para capturar o ambiente do rio Nilo. Cotswold Water Park (Inglaterra): Cenas da vida local ao longo do Nilo. Detalhes da Produção: A réplica de Abu Simbel levou cerca de 16 semanas. Diferente de 1978 filmada no local, a versão de 2022 optou parte estúdio devido a restrições e para maior controle da produção. O navio SS Karnak foi baseado no vapor real SS Sudan, no qual Agatha Christie viajou.

Bibliografia Geral Consultada.

LUHMANN, Niklas, Observaciones de la Modernidad: Racionalidad y Contigencia en la Sociedad Moderna. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1997; AZEVEDO, Flora Muniz Tucci, A Concepção de Contingência em Richard Rorty. Dissertação de Mestrado em Filosofia. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2007; HUME, David, Tratado da Natureza Humana. Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. 2ª edição revista e ampliada. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 2009; PORTILHO, Carla de Figueiredo, Detetives Ex-Centricos: Um Estudo do Romance Policial Produzido nas Margens. Tese de Doutorado. Programa de Doutorado em Literatura Comparada. Instituto de Letras. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2009; CHRISTIE, Agatha, Assassinato no Expresso do Oriente: Um Caso de Hercule Poirot. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2014; MENEGHETI, Pollyanna Souza, De Holmes a Poirot: Relações entre Literatura e História na Narrativa Policial Britânica. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários.  Faculdade de Ciências e Letras. Araraquara: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2014; HOMASSEY, Marc, Les Adaptations Audiovisuelles du Crime de l`Orient Express d’Agatha Christie. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais. Lyon: Universidade de Lyon, 2017; CARDOSO, Andréa de Matos, A Aquisição de Estratégias de Escrita através do Universo da Narrativa Investigativa de Agatha Christie. Dissertação de Mestrado. Programa de Mestrado Profissional em Letras. Faculdade de Letras. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2018; MORGAN, Janet, Agatha Christie. Uma Biografia. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2018; GORITO, Lorena Alves, Questões de Adaptação na Transposição Fílmica Japonesa de Assassinato no Expresso do Oriente. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2019; RO, Christine, “Agatha Christie: Como Escritora Influenciou a Forma como o Mundo Vê os Ingleses”. In: https://www.bbc.com/portuguese/18/01/2019;  MATOS, Francis Raime, Sherlock Holmes em Tom Maior: O Efeito da Música em um Estudo em Vermelho, Primeiro Episódio da Série Televisiva Sherlock da BBC. Dissertação de Mestrado. Curso de Mestrado em Teoria Literária. Curitiba: Centro Universitário Campos de Andrade, 2020; ROSA, Larissa Mendes, Educação Literária: a Literatura Inglesa em Sala de Aula. Dissertação de Mestrado em Educação. Paranaíba, MS: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 2022; entre outros.

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