“O arqueólogo é o melhor marido que uma mulher pode ter”. Agatha Christie
O que leva um estudioso de
filosofia do Neo-pragmatismo de Richard Rorty negar a identidade do filósofo
quando insinua um tipo de propriedade sobre sua imagem como vemos agora? Richard Rorty foi aluno da Universidade de
Chicago muito cedo, apenas com 15 anos de idade e da Universidade de Yale, onde
fez o doutoramento. Na política, era liberal no sentido norte-americano do
termo, comprometido com a esquerda e defensor da democracia. A teoria
neopragmática de Rorty representa um termo filosófico recente, existente da década
de 1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos
conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das
influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e
acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de
antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a
verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson (2002) e sua
teoria semântica da verdade. Ambos acordam que a noção de verdade não
pode ter uma correspondência, como uma representação, mas discordam em alguns
pontos quanto à solução que procuram encaminhar nessa questão. Enquanto que
para Davidson, os conceitos podem ser verdadeiros e utilmente descrever uma
realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser um objetivo da reflexão
filosófica. O objetivo é procurar evidências para nossas crenças ocidentais, e
que não há nada mais que possamos fazer para firmar convicções.
Na verdade, como observou com razão
Pogrebinschi (2006), o próprio Rorty se intitulou como um neopragmatista,
constituindo o ponto de partida da reflexão filosófica para que diversos
autores. Mas não apenas adstritos ao campo da filosofia, também o fizessem,
dando início nas últimas duas décadas, a uma extensa produção acadêmica que
pode ser com propriedade chamada de neopragmatista. Em primeiro lugar, o
pragmatismo originalmente demonstra ser claramente uma filosofia compatível com
o realismo, enquanto o neo-pragmatismo rortyano é eminentemente antirrealista.
Em segundo lugar, para o pragmatismo clássico a experiência é um conceito que
ultrapassa a esfera de análise meramente da linguagem, podendo até mesmo
atingir em seu ersatz formas pré-linguísticas ou não linguísticas, ao passo que
Richard Rorty, ao se engajar na virada linguística, de fato opera a
substituição de um conceito pelo outro, fazendo a linguagem ocupar no
neopragmatismo a posição que a experiência dantes ocupava no pragmatismo. A
começar por essas duas diferenças basilares, permanece a questão analítica de
saber quão pragmatista é o neopragmatismo rortyano. Em outras palavras: pode-se
falar em univocidade ou linearidade entre os pensamentos de Charles Peirce,
William James e John Dewey, de um lado, e o de Rorty, de outro? Ou ainda:
permanece a questão se é possível falar em continuidade entre os elementos que
caracterizam o pragmatismo em sua origem que são constituídos pelo
antifundacionalismo, o consequencialismo e o contextualismo e o pensamento
neopragmatista?
O pragmatismo que em diferentes
variantes apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de enfrentar os
desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser compreendido do ponto de
vista de suas raízes, como sendo devedor, de um lado, ao pragmatismo clássico
dos pensadores norte-americanos Peirce, Dewey, James, Schiller, por outro lado,
às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática do Wittgenstein das
“Investigações Filosóficas”. O pragmatismo norte-americano, que segundo J-P
Cometti, “é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura americana”,
desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas, desde o
princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de um
fundamento no absoluto ou a de um modelo da razão, que determina a priori as
possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central
da metafísica, é que o conhecimento humano não se limita ao conhecimento da
experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo
através dos conceitos. Fundamento da verdade não é, então, o mundo “material
empírico”, mas o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível do
real de análise. O espírito humano do ponto de vista de sua representação é compreendido como coextensivo ao mundo em
que as leis da lógica exprimem as leis que estruturam a realidade. Rorty
interpreta esta postura do pensamento clássico como sendo a pretensão de
captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza e da
história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é
capaz de descobrir como reparar a injustiça da história.
Morte no Nilo tem como representação social um
filme de mistério de 2022 dirigido por Kenneth Branagh, com roteiro de Michael
Green, baseado no romance homônimo de Agatha Christie, de 1937, e a segunda
adaptação para o cinema da obra de Christie, após o filme de 1978. Em 2015, o
bisneto de Christie, James Prichard, presidente da Agatha Christie Limited,
expressou entusiasmo por sequências, citando a colaboração positiva com Branagh
e a equipe de produção. Em maio de 2017, Branagh expressou interesse em novas
sequências caso o primeiro filme fosse bem-sucedido. Em 20 de novembro de 2017,
foi anunciado que a 20th Century Fox estava desenvolvendo Morte no Nilo como
uma sequência de sua versão de Assassinato no Expresso do Oriente, com Michael
Green retornando para escrever o roteiro e Kenneth Branagh confirmado para
retornar como Poirot e como diretor do filme. Em setembro de 2018, Gal Gadot
juntou-se ao elenco. No mesmo mês, Paco
Delgado foi contratado para desenhar os figurinos. Em outubro de 2018, Armie
Hammer juntou-se ao elenco e foi confirmado que Tom Bateman reprisaria seu
papel como Bouc no filme. Em janeiro de 2019, Jodie Comer juntou-se ao elenco.
Em abril de 2019, Letitia Wright juntou-se ao elenco. Annette Bening estava em
negociações para se juntar ao elenco em junho. Russell Brand juntou-se em
agosto de 2019. Ali Fazal, Dawn French, Rose Leslie, Emma Mackey, Sophie
Okonedo e Jennifer Saunders foram adicionadas em setembro, sem a participação
de Comer.
Etnograficamente as filmagens principais começaram em 30 de setembro de 2019, no Longcross Studios em Surrey, Inglaterra. O filme deveria ter sido filmado em Marrocos em vez do Egito, mas as filmagens ocorreram apenas na Inglaterra. Um barco foi recriado, assim como Abu Simbel. Uma réplica do Diamante Amarelo Tiffany foi usada no filme. As filmagens duraram até 18 de dezembro de 2019. Úna Ní Dhonghaíle atuou como editora de Morte no Nilo. A Double Negative (DNEG) forneceu os efeitos visuais para o filme, com o artista de efeitos especiais vencedor do Oscar, George Murphy, como supervisor geral de efeitos visuais. Efeitos visuais adicionais foram fornecidos pela Lola VFX e Raynault VFX. Em janeiro de 2019, Patrick Doyle, um colaborador frequente nos filmes de Branagh (incluindo o filme anterior), foi anunciado como o compositor do filme. A voz cantada de Salomé nas cenas da boate é dublada por Sister Rosetta Tharpe e Mavis Staples. Como sequência de Assassinato no Expresso do Oriente (2017) e segundo filme da série Hercule Poirot, foi produzido por Branagh, Ridley Scott, Judy Hofflund e Kevin J. Walsh. O elenco conta com Branagh e Tom Bateman reprisando seus papéis como Hercule Poirot e Bouc, respectivamente, ao lado de Annette Bening, Russell Brand, Ali Fazal, Dawn French, Gal Gadot, Armie Hammer, Rose Leslie, Emma Mackey, Sophie Okonedo, Jennifer Saunders e Letitia Wright. O filme Morte no Nilo estreou em diversos mercados cinematográficos em 9 de fevereiro de 2022 e no Reino Unido formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, e nos Estados Unidos em 11 de fevereiro de 2022. O filme recebeu críticas mistas e arrecadou US$ 137,3 milhões.
Agatha Christie,
nascida Agatha Mary Clarissa Miller (1890-1976), foi uma brilhante escritora
britânica que atuou de forma multidisciplinar como romancista, contista,
dramaturga e poetisa. Destacou-se na literatura de romance policial, tendo
ganho popularmente, em vida, a alcunha de Rainha/Dama do Crime
(“Queen/Lady of Crime”). Durante sua carreira, publicou mais de 80 livros,
alguns sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Segundo o Guiness Book, Agatha
Christie é a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular
mundial em número total de livros vendidos. Segundo a organização Index
Translationum, as obras de Agatha Christie já foram traduzidas, em um
levantamento recente, para mais de 100 idiomas em todo o mundo. Em conjunto suas obras venderam cerca de 4
(quatro) bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, cujos números totais
só ficam atrás das obras do dramaturgo e poeta William Shakespeare e da Bíblia,
segundo a tradição aceita pela maioria dos cristãos, foi escrita por 40
autores, entre 1500 a.C. e 450 a.C. :livros do Antigo Testamento e entre 45
d.C. e 90 d.C. :livros do Novo Testamento, num período de quase 1 600
anos. Seu livro mais vendido, Ten Little
Niggers, de 1939, é também, com cerca de 100 milhões de cópias comercializadas
em todo o globo, a obra de romance policial mais vendida da história, além de
figurar na lista de livros mais vendidos de todos os tempos independentemente
do gênero.
Em 1971, foi
condecorada pela rainha Elizabeth II, nascida Elizabeth Alexandra Mary, em
Londres, 21 de abril de 1926, com o título de Dama-Comendadora da Ordem do
Império Britânico, uma honra que consiste no equivalente feminino ao sir. Mas
não é bem assim, pois Sir (Senhor, em inglês) é o tratamento destinado
aos cavaleiros da Ordem do Império Britânico. A Ordem do Império
Britânico, criada em 1917 por Jorge V, é uma ordem de cavalaria britânica que premia
serviços notáveis às artes, ciências, trabalhos de caridade e serviço público. Nos
tempos medievais, este era o título associado a cavaleiros servindo à nobreza.
Nos tempos medievais, este era o título associado a cavaleiros servindo à
nobreza. No total, escreveu 72 romances, sendo 66 deles de romance policial, e
inúmeros contos, reunidos em 14 coletâneas. É cultuada pela criação pessoal de
emblemáticos personagens, incluindo o detetive Hercule Poirot que aparece em
aproximadamente 40 histórias, talvez seja um dos detetives da ficção mais
famosos do mundo ocidental, junto com Sherlock Holmes. Sua influência é tamanha
que foi o único personagem que apareceu na capa do famoso jornal The New
York Times (NYT) quando Agatha Christie escreveu o livro onde aconteceria
sua morte. Não por acaso é um jornal diário norte-americano, fundado e
publicado continuamente em Nova York desde 18 de setembro de 1851, pela The
New York Times Company. Do ponto de vista comunicativo o jornal ganhou 117
prêmios Pulitzer, mais do que qualquer meio comunicativo de massas de notícias.
A versão impressa tem a segunda maior circulação, atrás do The Wall Street
Journal, e a maior circulação entre os jornais metropolitanos nos Estados
Unidos da América. O The New York Times está classificado em 39º lugar
no mundo contemporâneo globalizado por circulação. No entanto, seguindo
tendências da indústria cultural global, sua circulação semanal caiu para menos
de 1 milhão por dia desde 1990.
E a idosa detetive
amadora Miss Marple, uma personagem de ficção presente repetidamente em
12 romances e 24 contos policiais de Agatha Christie. Miss Marple é uma senhora
solteirona que vive no vilarejo fictício de St. Mary Mead e atua
profissionalmente como detetive amadora, que historicamente representa o
detetive por excelência. Ela desvenda os mais intrincados mistérios,
baseando-se apenas “em seu profundo conhecimento da natureza humana”. Junto com
Hercule Poirot, é uma das mais famosas e amadas personagens de Agatha Christie.
Sua primeira aparição ocorreu no romance The Murder at the Vicarage em
1930. Mas na sequência das edições apareceu também em centenas de filmes,
séries temáticas e peças de teatro baseadas em suas obras. Miss Jane Marple é
uma anciã ativa, mas que mora na pequena aldeia inglesa de St. Mary Mead.
Aparentemente é uma idosa comum, que se veste com roupas de lã e é vista,
frequentemente, tricotando e tirando as ervas daninhas de seu jardim. Às vezes,
é considerada confusa ou caduca, mas quando passa a resolver mistérios,
demonstra ter uma mente lógica e afiada, e um conhecimento incomparável da
natureza humana com suas fraquezas, forças contra as adversidades, truques e
excentricidade.
O pragmatismo
que em diferentes variantes apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de
enfrentar os desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser
compreendido do ponto de vista de suas raízes, como sendo devedor, de um lado,
ao pragmatismo clássico dos pensadores norte-americanos Peirce, Dewey, James,
Schiller, por outro lado, às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática
do Wittgenstein das Investigações Filosóficas. O pragmatismo norte-americano,
que segundo J-P Cometti, “é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura
americana”, desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas,
desde o princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de
um fundamento no absoluto ou a de um modelo da razão, que determina a priori as
possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central
da metafísica, é que o conhecimento humano não se limita ao conhecimento da
experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo
através dos conceitos. Fundamento da verdade não é, então, o mundo “material
empírico”, mas inversamente o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura
inteligível do real enquanto método de análise. O espírito humano é
compreendido como coextensivo em que as leis da lógica exprimem as leis que
estruturam a realidade. Richard Rorty interpreta esta postura com a pretensão
de captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza
e da história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser
humano é capaz de descobrir como reparar as injustiças da história.
Sua teoria
neopragmática representa um termo filosófico recente, existente da década de
1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos
conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das
influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e
acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de
antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a
verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson e sua teoria
semântica da verdade. Ambos estão de acordo que a noção sociológica de verdade
não pode ser tida como uma correspondência, como uma representação, mas
discordam em alguns pontos quanto à solução que procuram encaminhar para essa
questão. Enquanto que para Davidson, os nossos conceitos podem ser verdadeiros
e utilmente descrever uma realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser
um objetivo da reflexão filosófica, pois o objetivo da investigação pragmática
é procurar evidências substantivas para nossas crenças ocidentais, e que não há
nada mais que possamos fazer para firmar nossas convicções. Há cerca de
duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou
a tomar conta do imaginário individual e coletivo europeu. O precedente
estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial.
O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e
prédios no movimento dos últimos 150 anos deu-lhe a plausibilidade ainda maior,
obtendo legitimidade, já que “as ideias adquirem força na história”.
Alguns filósofos
inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem
uma antiga luta de interesses entre a ciência & religião, a razão &
irracionalidade, como um processo ainda em andamento que assumiu a forma de uma
luta entre a razão e todas as mediações intraculturais que pensam na verdade
como algo constituído e não encontrado. Esses filósofos consideram que a
ciência é a atividade paradigmática e insistem que a ciência natural descobre a
verdade, ao invés de cria-la. Encaram a expressão “criar a verdade” como
metafórica e totalmente enganosa. Pensam na política e na arte como esferas em
que a ideia de “verdade” fica deslocada. Outros filósofos, percebendo que o
mundo descrito pelas ciências físicas não ensina nenhuma lição moral e não
oferece conforto espiritual, concluíram que a ciência não passa de uma serva da
tecnologia. Esses filósofos alinham-se com o utopista político e com o artista
inovador. Os primeiros contrastam a “realidade científica concreta” com o
“subjetivo” ou o “metafórico”, os segundos veem a ciência como mais uma das
atividades humanas, e não como o lugar em que os seres humanos deparam com uma
realidade não humana “concreta”. De acordo com essa visão, os grandes
cientistas inventam descrições do mundo que são úteis para o objetivo de prever
e controlar o que acontece, assim como os poetas e os pensadores políticos
inventam outras descrições do mundo para outros fins.
Não há sentido algum, porém, em que qualquer
dessas descrições seja uma representação exata de como é o mundo em si. Esses
filósofos consideram inútil a própria ideia dessa representação, seja
consignando uma verdade de segunda categoria (fenomênica), seja como descrição
do espírito da natureza espiritual (dialética) e elevar ao mais alto status o
tipo de verdade oferecida pelo poeta e pelo revolucionário político. O
idealismo alemão, porém, representou uma solução de compromisso pouco duradoura
e insatisfatória. É que Immanuel Kant e Georg Hegel fizeram apenas concessões
parciais em seu repúdio à ideia de que a verdade está “dada”. Dispusera-se a
ver o mundo da ciência empírica como um mundo “fabricado” – a ver a matéria
como algo construído pela mente, ou como feita de uma mente insuficientemente
cônscia de seu próprio caráter mental -, mas persistiram em ver a mente, o
espírito, as profundezas do eu como dotados de uma natureza intrínseca – uma
natureza que se poderia conhecer por uma espécie de superciência não empírica,
chamada de filosofia. Isso significava que apenas metade da verdade – a metade
científica inferior – era produzida. A verdade superior, a verdade sobre a
mente, seara da filosofia, ainda era uma questão de descoberta, não de criação.
Richard Rorty precisa
sua tese de distinção entre a afirmação de que o mundo está dado e a de que a
verdade dada, equivale a dizer, com bom senso, que a maioria das coisas no
espaço e no tempo, é efeito de causas que não incluem os estados mentais humanos.
Dizer que a verdade não está dada é dizer que, onde não há frases, não há
verdade. E que as frases são componentes das línguas humanas, e que as línguas
humanas são criações humanas. Só as descrições podem ser “verdadeiras” ou
“falsas” - sem o auxílio das atividades descritivas como atividade social ou
política dos seres humanos - não pode sê-lo. O drama de uma vida humana
individual, ou da história social e política da humanidade como um todo, não é
um drama estaiado em que uma meta preexistente seja triunfalmente atingida ou
tragicamente não alcançada. Nem uma realidade externa constante nem tampouco uma
infalível fonte interna de inspiração compõe o pano de fundo desses dramas. Ao
contrário, ver a própria vida ou a vida da comunidade como uma narrativa
dramática é vê-la com um processo de autossuperação nietzschiana. O paradigma
dessa narrativa é a vida do gênio capaz de dizer “eu quis assim”. Sobre a parte
relevante do passado, por ter encontrado um modo de descrever esse passado.
E que o próprio passado
jamais reconheceu e, ter descoberto um eu, de maneira afirmativa, para
compreender que seus precursores nunca souberam ser possível. Nessa cosmovisão
nietzschiana, o impulso de pensar, indagar e tecer outra vez a si mesmo, de
maneira cada vez mais minuciosa, não é simplesmente o assombro, mas o pavor. David
Hume (2009) sustenta filosoficamente que nossas ideias representam imagens de
nossas impressões, pois assim também podemos formar ideias secundárias, que são
imagens das primárias. Não se trata de mais uma exceção à regra, mas de uma
explicação. Agatha Christie, tinha uma relação muito próxima com o editor Billy
Collins, responsável pelas publicações da escritora na HarperCollins, uma das
maiores editoras do mundo, estando no chamado "Big Five", grupo das
cinco maiores editoras de língua inglesa. Sediada em Nova Iorque, a companhia é
subsidiária da News Corp. Em correspondências descobertas recentemente, não só
a relação amistosa dos dois, mas também as desavenças, ficam evidentes em
alguns momentos. Ademais, essas correspondências provam que, além da proximidade,
os dois também tinham obviamente divergências. Em mais de uma situação, o
editor e a escritora discordaram sobre as capas dos livros. Um dos exemplos
mais emblemáticos foi quando a Rainha do Crime detestou a capa d` Os
doze trabalhos de Hércules, mas Bill Collins a publicou mesmo assim. - “O design
da capa de Hércules ocasionou as observações e sugestões mais complicadas e
obscenas da minha família. Tudo o que posso dizer é: tente novamente!”,
argumentou a escritora no escrito.
Em outra situação, um
de seus livros foi publicado antes da aprovação final. Ela viu o exemplar de
seu último lançamento nas mãos de um fã, que a cumprimentou pelo trabalho.
Christie ficou furiosa: - “Acho que está tratando seus autores de forma
vergonhosa”, escreveu carta para Collins. Contudo, evidentemente as desavenças
eram menores do que o lucro que a relação dos dois proporcionava. Em uma
ocasião, Bill Collins até ofereceu um carro de presente para Christie, um
Jaguar, mas a escritora o recusou, pois estava “muito velha para se divertir”.
Ocasionalmente, a conversa dos dois passava do profissional para o pessoal. Em
setembro de 1940, Collins perguntou à escritora se poderia ficar com seu
jardineiro, Midgley, cuja esposa “estava desgastada” e queria uma mudança de
cenário. Christie mais tarde perguntou a Collins, cujo irmão era um tenista
famoso, se ele poderia arranjar bolas de tênis através de suas conexões de
Wimbledon, já que era cada mais difícil de encontrá-las durante a guerra.
Morte no Nilo arrecadou US$ 45,6 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 91,6 milhões em outros territórios, totalizando US$ 137,3 milhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos e no Canadá, Morte no Nilo foi lançado juntamente com Marry Me e Blacklight, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 11 e US$ 17 milhões em 3.280 cinemas no fim de semana de estreia. O filme arrecadou US$ 12,9 milhões no fim de semana de estreia, ficando em primeiro lugar nas bilheterias. O público geral durante a estreia era composto por 51% de homens, 77% com mais de 25 anos, 47% com mais de 35 anos e 28% com mais de 45 anos. A distribuição étnica do público mostrou que 57% eram caucasianos, 15% hispânicos e latinos, 13% afro-americanos e 15% asiáticos ou de outras etnias. O filme arrecadou US$ 6,6 milhões no segundo fim de semana e US$ 4,5 milhões no terceiro, ficando em quarto lugar em ambas as ocasiões. O filme arrecadou US$ 2,75 milhões em seu quarto fim de semana, US$ 2,4 milhões em seu quinto, e US$ 1,65 milhão em seu sexto. O filme saiu do top 10 de bilheteria em seu sétimo fim de semana, terminando em décimo primeiro lugar com US$ 630.520.
Fora dos Estados Unidos
e Canadá, o filme arrecadou US$ 20,7 milhões em seu fim de semana de estreia em
47 mercados internacionais. O filme estreou na China em 19 de fevereiro de
2022. Teve uma estreia fraca no país, terminando em quarto lugar, atrás de três
filmes chineses que já estavam em cartaz, com US$ 5,9 milhões. Incluindo sua
estreia na China, o filme arrecadou US$ 19,8 milhões em seu segundo fim de
semana internacional. Arrecadou mais US$ 10,6 milhões em 47 mercados em seu
terceiro fim de semana, ultrapassando a marca de US$ 100 milhões em todo o
mundo, US$ 5,1 milhões em seu quarto fim de semana, US$ 3 milhões em seu quinto
fim de semana, e US$ 1,6 milhão em seu sexto fim de semana. O filme recebeu
críticas mistas. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 62% das 291 críticas
são positivas, com uma classificação média de 5,9/10. O consenso do site diz: “Antigo
ao extremo, o divertido Morte no Nilo é animado por seu elenco estelar e
pelo evidente carinho do diretor e protagonista Kenneth Branagh pelo material”.
O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de
52 em 100, com base em 51 críticas, indicando avaliações “mistas ou médias”. O
público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma
escala de A+ a F, a mesma de seu antecessor, enquanto o público do PostTrak deu
uma pontuação de 77%, com 57% dizendo que definitivamente o recomendariam.
David Rooney, do The
Hollywood Reporter, escreveu: “Para alguns de nós que lembramos com carinho
da exuberante versão cinematográfica de John Guillermin, de 1978, persiste a
sensação de que Branagh, embora tenha acertado em cheio na narrativa e no design,
tirou um pouco da graça da coisa”. Owen Gleiberman, da revista Variety,
chamou o filme de “uma sobremesa moderadamente divertida que te mantém
entretido. Nunca transcende a sensação de que você está vendo uma relíquia
injetada com soro da vida, mas isso, de certa forma, faz parte do seu charme de
segunda categoria”. Edward Porter, do fabuloso The Times, deu ao filme
três dentre cinco estrelas, e seu “estilo extravagante - combinado com o
melodrama da versão modificada do roteiro da trama de Christie -
continua divertido, mesmo que alguns dos cenários supostamente egípcios pareçam
falsos”, como se cinematograficamente não ocorresse. Sandra Hall, do The Sydney Morning Herald,,
deu ao filme quatro de cinco estrelas, escrevendo: “Embora a aposta que Branagh
faz ao desenterrar o lado sensível há muito negligenciado de Poirot possa ser
considerada um sacrilégio por alguns, acho que funciona. Poirot tem um coração
cheio de anseios”. Emily Zemler, do The Observer, escreveu que o filme
tinha uma “tensão palpável na primeira metade... o público [espera] que algo
ruim aconteça, mas quando isso de fato acontece, temas mais interessantes” já
estavam presentes.
Ela elogiou seu “estilo
antiquado”. Wendy Ide, também do The Observer, deu ao filme duas de
cinco estrelas, escrevendo: “A câmera gira vertiginosamente, deslumbrada com o
brilho e o espetáculo, mas não consegue esconder o fato de que este é um filme
vazio e sem graça”. David Fear, da Rolling Stone, escreveu que o filme “tem
seus encantos e defeitos, além do fator Armie, mas é quase como tentar avaliar
se a entrada poderia ter sido um pouco malpassada enquanto um elefante invade a
mesa de jantar”. Joe Morgenstern, do The Wall Street Journal, escreveu
que o filme “tem charme e estilo de época da mesma forma que as pastas de dente
de grandes marcas de hoje têm sabor – ingredientes artificiais lhes conferem um
gosto perceptível, mas genérico demais para ser nomeado”. Do ponto de vista técnico-metodológico
o filme Morte no Nilo (2022), dirigido por Kenneth Branagh, teve suas
filmagens principais realizadas no Longcross Studios em Surrey, Inglaterra. A
produção recriou cenários egípcios, como o templo de Abu Simbel e o rio Nilo,
em estúdio e utilizou locações adicionais no Marrocos para paisagens. Locais de
Filmagem e Produção: Longcross Studios (Inglaterra): Recriação do templo de Abu
Simbel, do navio SS Karnak e do Cataract Hotel. Marrocos: Utilizado para
algumas paisagens externas. Locações Reais (Egito): Algumas cenas de
fundo foram filmadas no Egito para capturar o ambiente do rio Nilo. Cotswold
Water Park (Inglaterra): Cenas da vida local ao longo do Nilo. Detalhes da
Produção: A réplica de Abu Simbel levou cerca de 16 semanas. Diferente de 1978
filmada no local, a versão de 2022 optou parte estúdio devido a restrições e
para maior controle da produção. O navio SS Karnak foi baseado no vapor real SS Sudan, no qual Agatha Christie viajou.
Bibliografia Geral Consultada.
LUHMANN, Niklas, Observaciones
de la Modernidad: Racionalidad y Contigencia en la Sociedad Moderna. Buenos
Aires: Ediciones Paidós, 1997; AZEVEDO, Flora Muniz Tucci, A Concepção de
Contingência em Richard Rorty. Dissertação de Mestrado em Filosofia. Rio de
Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2007; HUME, David,
Tratado da Natureza Humana. Uma Tentativa de Introduzir o Método
Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. 2ª edição revista e
ampliada. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 2009; PORTILHO,
Carla de Figueiredo, Detetives Ex-Centricos: Um Estudo do Romance Policial
Produzido nas Margens. Tese de Doutorado. Programa de Doutorado em
Literatura Comparada. Instituto de Letras. Niterói: Universidade Federal
Fluminense, 2009; CHRISTIE, Agatha, Assassinato no Expresso do Oriente: Um
Caso de Hercule Poirot. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2014;
MENEGHETI, Pollyanna Souza, De Holmes a Poirot: Relações entre Literatura e
História na Narrativa Policial Britânica. Dissertação de Mestrado. Programa
de Pós-Graduação em Estudos Literários.
Faculdade de Ciências e Letras. Araraquara: Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2014; HOMASSEY, Marc, Les Adaptations
Audiovisuelles du Crime de l`Orient Express d’Agatha Christie.
Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e
Sociais. Lyon: Universidade de Lyon, 2017; CARDOSO, Andréa de Matos, A
Aquisição de Estratégias de Escrita através do Universo da Narrativa
Investigativa de Agatha Christie. Dissertação de Mestrado. Programa de
Mestrado Profissional em Letras. Faculdade de Letras. Juiz de Fora:
Universidade Federal de Juiz de Fora, 2018; MORGAN, Janet, Agatha Christie.
Uma Biografia. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2018; GORITO,
Lorena Alves, Questões de Adaptação na Transposição Fílmica Japonesa de Assassinato
no Expresso do Oriente. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários. Uberlândia: Universidade Federal de
Uberlândia, 2019; RO, Christine, “Agatha Christie: Como Escritora Influenciou a
Forma como o Mundo Vê os Ingleses”. In: https://www.bbc.com/portuguese/18/01/2019;
MATOS, Francis Raime, Sherlock Holmes em
Tom Maior: O Efeito da Música em um Estudo em Vermelho, Primeiro Episódio da
Série Televisiva Sherlock da BBC. Dissertação de Mestrado. Curso de Mestrado em
Teoria Literária. Curitiba: Centro Universitário Campos de Andrade, 2020; ROSA,
Larissa Mendes, Educação Literária: a Literatura Inglesa em Sala de Aula.
Dissertação de Mestrado em Educação. Paranaíba, MS: Universidade Estadual de
Mato Grosso do Sul, 2022; entre outros.
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