sábado, 25 de maio de 2024

Os Três Males – Representação, Tragédia & Ótica da Religião Revelada.

                                “O homem não é mais do que a série dos seus atos”. Georg Wilhelm Friedrich Hegel

           Gingle Wang nascida em 7 de fevereiro de 1998 é uma atriz e escritora taiwanesa. Gingle começou sua carreira de atriz em 2017 no filme: All Because of Love. Sua descoberta veio em 2019 com o filme de terror psicológico Detention, onde sua atuação ganhou o prêmio de Melhor Atriz no 22º Taipei Film Awards e uma indicação de Melhor Atriz Principal no 56º Golden Horse Awards. Ela foi descrita pelo Harper`s Bazaar Taiwan como “uma estrela em ascensão entre a nova geração de atrizes taiwanesas”. Gingle Wang nasceu no distrito de Beitou, Taipei, Taiwan. Foi criada em uma casa com “mãe solteira”, ela é próxima afetivamente da mãe, embora tenha poucas lembranças do pai. Em 2009, Gingle ingressou na Escola Secundária Municipal Tian-Mu de Taipei, mas foi para a Flintridge Sacred Heart Academy, nos Estados Unidos da América (EUA), no ano seguinte. Em 2013, Gingle publicou seu romance de estreia, intitulado: Bale Love, sob o pseudônimo curioso de Jun Jun, aos 15 anos. Quando ela estudou sozinha nos EUA, escrever a ajudou a lidar com suas dificuldades. Além disso, ela esperava que sua mãe pudesse se recuperar do divórcio por meio de seu romance, que apresentava a protagonista uma mulher divorciada, parecida com sua mãe. Dois anos depois, ela escreveu Cockroach Philosophy, seu segundo romance. Em 2016, ela retornou dos Estados Unidos para Taiwan e foi admitida na Temple University, exatamente no Japan Campus em 2017, onde se formou em Ciência Política. A estreia como ator de Gingle Wang ocorreu no filme de romance de 2017, All Because of Love. Sua escalação para esse papel social foi atribuída à sua atenção, fator que ela ganhou aos 17 anos no canal do YouTube com gravações de passageiros cantando KTV no banco de trás de um táxi em 2015.

Em 2018, ela foi escalada como protagonista feminina do filme: The Outsiders, baseado na série de televisão homônima de 2004. Ela também fez uma participação como protagonista feminina em Possession. Sua atuação em 2018 nos episódios 5 e 6 da série de TV On Children foi indicada para Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Filme de TV no 54º Golden Bell Awards. Gingle investiu profundamente (e com sabedoria) em seu papel como Molly Lin e sentiu que ressoava num nível pessoal com a personagem. O papel inovador de Gingle em 2019 como protagonista feminina no filme de terror psicológico sobrenatural de John Hsu, Detention, ambientado durante o período do “Terror Branco” em Taiwan e baseado no videogame de mesmo nome. Foi o filme nacional de maior bilheteria em 2019 em Taiwan e o 15º de todos os tempos. Por sua atuação, Gingle foi indicada para Melhor Atriz Principal no 56º Golden Horse Awards e ganhou Melhor Atriz no 22º Taipei Film Awards. Ela continuou a estrelar séries de televisão em 2019, desempenhando um papel principal em Yuan Chengmei na série de 15 partes Brave to Love. Em seguida naquele mesmo ano, ela surge como Yin Yue, uma atriz coadjuvante na série de 10 episódios Yong-jiu Grocery Store. O filme de Gingle veio em 2021, adiado devido a atrasos na produção (pela pandemia), aparecendo em um papel coadjuvante como Wang Ting em Pluralidade, dirigido por Aozaru Shiao.

No mesmo ano, ela trabalhou ao lado de Alyssa Chia em papéis principais femininos como a extraordinária “dupla mãe e filha” no aclamado The Falls, de Chung Mong-Hong. Sua atuação confirmou a indicação para Melhor Atriz Principal no 58º Golden Horse Awards. Gingle também estrelou o romance de fantasia de Giddens Ko, Till We Meet Again, o segundo filme nacional de maior bilheteria de 2021 em Taiwan e o 14º de “todos os tempos”, onde ela interpretou uma estudante insatisfeita que se tornou estagiária deus do amor, ao lado de seu parceiro divino Ah Lun, interpretado por Kai Ko. Em 22 de outubro de 2021 o drama intitulado: More Than Blue: The Series foi lançado mundialmente na Netflix. A série de dez partes, com um ano de produção, apresentava Gingle com Cream, “uma estudante órfã do ensino médio, e segue suas aventuras com K, interpretada por Fandy Fan”. Gingle fez uma apresentação Especial nas partes dois e três, lançadas em dezembro de 2021 e março de 2022, respectivamente, da série de televisão de três partes “Light the Night”, onde interpretou uma Rose mais jovem, a protagonista feminina da série, e foi amplamente elogiada pelo papel no lançamento da série. Gingle teve um papel coadjuvante no filme de comédia/mistério sobrenatural de 2023, intitulado: Marry My Dead Body, a colega policial do protagonista masculino. Obteve um papel principal na série de drama político Wave Makers. Gingle Wang tem quatro tatuagens corporais, a saber: o nome da irmã “Maple”, o aforismo latino “carpe diem”, o versículo bíblico “Salmo 90:9”, e o nome inglês de sua mãe junto a uma rosa, a flor favorita de sua mãe. Ela gosta muito de ler, assim como escrever romances e assistir séries de história e cultura. Suas escritoras favoritas são Echo Chan e Xi Murong.  Além disso adora a arte da fotografia, explorar a natureza íntima e externalizada ecologicamente através da prática viajar.

                                         

Dirigido por Wong Ching-Po “Os Três Males” é um thriller policial taiwanês de 2023, que penetrou o catálogo da Netflix, combinando o realismo com o absurdo, a violência com a tranquilidade, de uma obra fora da representação fílmica convencional e, por vezes, desigualmente social. Ao descobrir que é apenas o “terceiro fugitivo” mais procurado de Taiwan, um criminoso embarca em uma jornada para ultrapassar os dois primeiros. A primeira parte cinematográfica de Os Três Males produz ação intensa e empolgante, com cenas realistas e convincentes. Ethan Ruan brilha na interpretação do protagonista, trazendo carisma e complexidade ao seu personagem. Ele cresceu em Taichung, Taiwan, vindo de uma família de militares: seu pai era soldado, sua mãe era enfermeira militar e seu irmão mais novo, piloto da Força Aérea. Inicialmente como nadador competitivo, as inúmeras conquistas e prêmios de Juan, incluindo o primeiro lugar no Taichung City Duathlon, que lhe renderam a admissão na prestigiada National Teaching First Sênior High School. No entanto, durante a adolescência, Ethan Juan acabou desistindo do esporte e apenas concluiu o referente Ensino Médio após passar por cinco escolas diferentes. Depois disso, Ethan teve vários empregos de meio turno. Durante este tempo, Juan também frequentou e mais tarde se formou na Universidade Hsing Wu, se especializando em Turismo. Hsing Wu University é composta por quatro faculdades: Gestão de Negócios, Turismo e Hotelaria, Design e Artes Populares. A escola oferece 18 cursos de graduação e quatro de pós-graduação. Em 2002 acompanhava um amigo à audição para seleção de teste cinematográfico, Ethan Juan foi “descoberto” pela Agência de talentos, e começou sua carreira per se com o videoclipe de Penny Tai para “Once Fell In Love”. Todavia, Juan foi modelo trabalhando em “tempo integral” antes de se tornar um ator popularmente reconhecido.

Neste ínterim, Friedrich Hegel é pioneiro quando admite no famoso § 387 que “o espírito que se desenvolve na sua idealidade é o espírito enquanto cognoscente”.  Porém o conhecimento não é aqui aprendido simplesmente tal como ele é a determinidade da ideia enquanto lógica: mas como o espírito concreto se determina em relação a ele. Na antropologia hegeliana o espírito subjetivo é: A) Em si ou imediato. Assim ele é alma ou espírito-da-natureza; objeto da Antropologia.  B) Para si ou mediatizado, ainda enquanto reflexão idêntica sobre si e sobre o Outro: o espírito na relação ou particularização. É a consciência, o objeto da Fenomenologia do Espírito. C) O espírito que se determina em si mesmo, enquanto sujeito para si. É o objeto da Psicologia. Na alma, a consciência desperta; a consciência se põe como razão, que está desperta imediatamente para [ser] a razão que se sabe, e que por sua atividade se libera para [ser] a objetividade, para [ser] a consciência do seu conceito. Ipso facto, seguindo os passos da dialética hegeliana, diz-nos o seguinte: Assim como, no conceito em geral, a determinidade que nele se apresenta é uma progressão do desenvolvimento, assim também no espírito cada determinidade em que ele se mostra é o momento do desenvolvimento, e na determinação progressiva é avançar para a sua meta, [que] é fazer-se e tronar-se para si o que é em si. Cada grau é no interior desse seu processo; e o seu produto é que para o espírito (isto é, para a forma de espírito que tem nesse grau) ele seja o que no seu começo era somente em si, ou para nós.

A maneira psicológica de considerar [as coisas], aliás a maneira habitual, indica em forma narrativa o que é o espírito ou alma, o que sucede à alma, o que a alma faz, de modo que a alma é pressuposta como sujeito [todo] pronto, em que as determinações desse tipo vêm à luz apenas como exteriorizações a partir das quais se deve conhecer o que é a alma – o que possui nela como faculdades e potências; sem [se ter] consciência de que a exteriorização do que ela é põe para ela em conceito aquilo mesmo por que a alma atingiu uma determinação mais alta. É preciso distinguir – e excluir – da progressão que se vai considerar aqui o que é cultura e educação. Essa esfera só se refere aos sujeitos singulares como tais, [de modo] que o espírito universal seja neles levado prontamente à existência. Na visão filosófica do espírito como tal, ele próprio é considerado como cultivando-se educando-se conforme a progressão do seu conceito; e suas exteriorizações, [considerando-se] como os conceitos de seu produzir-se rumo-a-si-mesmo, de se concluir consigo mesmo: só por meio disso é ele espírito efetivo. Isto é, a diferença entre espírito subjetivo e espírito objetivo não deve, pois, ser vista como uma diferença rígida. Já no começo temos de apreender o espírito factual não como simples conceito, como algo simplesmente subjetivo, mas como ideia, como uma unidade do subjetivo e do objetivo; e cada progressão desse começo consiste em um ultrapassar essa primeira subjetividade simples do espírito, um progresso no desenvolvimento de sua realidade ou objetividade.

Esse desenvolvimento produz uma série de figuras que, se devem na certa ser indicadas pela empiria, não podem, ao contrário, na consideração filosófica, ficar colocadas exteriormente lado a lado, mas têm de ser conhecidas como a expressão correspondente de uma série necessária de conceitos determinados, e só têm interesse para o pensar filosófico na medida em que exprimem tal série de conceitos; sua necessidade só ressaltará seu desenvolvimento. Em síntese: as três formas principais do espírito subjetivo são: 1°) a alma, 2°) a consciência e 3°) o espírito como tal. Quer dizer, enquanto alma, o espírito tem a forma da universalidade abstrata; enquanto consciência, a da particularização; enquanto espírito essente para si, a singularidade. Assim se apresenta no seu desenvolvimento, o desenvolvimento do conceito. Por que [motivo] as partes da Ciência correspondentes a essas três formas do espírito subjetivo receberam o nome de Antropologia, Fenomenologia e Psicologia será esclarecido a partir de uma indicação preliminar mais precisa do “conteúdo de sentido” da ciência do espírito subjetivo. Metodologicamente, o espírito imediato deve formar o começo de nossa consideração; esse espírito é o espírito-natureza, a alma. Mas no começo o conceito do espírito ainda não pode ter a realidade mediatizada que ele obtém no pensar abstrato; pois só assim corresponde à idealidade do espírito – mas é necessariamente uma realidade ainda não-mediatizada, ainda não posta; por conseguinte, uma realidade essente, estranha ao espírito, dada pela natureza. Devemos, pois, começar pelo espírito ainda preso na natureza, referido à sua corporeidade, não essente junto a si, ainda não livre. Essa base do homem – se podemos assim dizer - é o objeto da Antropologia. 

Dissidentes ingleses (English dissenters) chamados de “não conformistas”, foram reformadores na Inglaterra que preferiram não continuar vinculados à Igreja Anglicana e fundaram suas próprias congregações religiosas, nos séculos XVII e XVIII. No início, tentaram uma reforma mais profunda na Igreja Anglicana, mas, depois, preferiram fazer rupturas, pois a Igreja Anglicana, “controlada pelos Reis da Inglaterra”, continuou a ser muito semelhante à Igreja Católica Romana. Uma característica comum desses grupos era a defesa da Separação entre a Igreja e o Estado nacional. Após 1660, ano nevrálgico no qual ocorreu a Restauração da Monarquia na Inglaterra, as rupturas se intensificaram. A Restauração de 1660 promoveu o episcopado e limitou, ainda mais, os direitos civis dos dissidentes, principalmente, após o chamado Ato de Uniformidade de 1662, que “tornou obrigatória a ordenação episcopal para todos os pastores”. Vale lembrar que The Institutes of Natural and Revealed Religion, escrito pelo ministro dissidente e polímata inglês do século XVIII Joseph Priestley (1773-1834), entre 1772 e 1774 é uma obra extensa de três volumes destinada à educação religiosa publicada por Joseph Johnson, um influente Livreiro e Editor londrino do século XVIII. Seu argumento central do ponto de vista antropológico é que a revelação e a lei natural devem coincidir. Revelação divina é a denominação, de modo genérico, para todo conhecimento alegadamente transmitido ao homem diretamente por um deus ou deuses muitas vezes o meio de pensamento e trabalho religiosos por onde este reconhecimento foi passado também é chamado assim.

A revelação é o ato social de revelar ou desvendar ou tornar algo claro, ou óbvio e compreensível por meio da comunicação ativa ou passiva com a Divindade. A Revelação pode originar-se diretamente de uma divindade ou por um intercessor ou agente, como um “anjo” ou “santidade”; alguém que tenha experimentado tal contato é denominado profeta. Várias religiões possuem textos que as mesmas acreditam ter sido revelados por deuses ou de modo sobrenatural. Os judeus ortodoxos, cristãos e muçulmanos acreditam que a Torá foi recebida de Javé no monte Sinai bíblico. A maior parte dos cristãos acredita que tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento foram inspirados por Deus. Os muçulmanos acreditam que o Alcorão foi revelado por Deus a Maomé palavra por palavra através do anjo Gabriel (Jibril). No hinduísmo, alguns Vedas são considerados Apauruṣeyā, ou seja, “composições não humanas”, porque teriam sido revelados diretamente, e, portanto, são chamados de Shruti, “o que é ouvido”. As 15 000 páginas “escritas a mão” pela mística Maria Valtorta (1897-1961) foram interpretadas como “ditadas diretamente por Jesus, enquanto ela atribuiu o Livro de Azarias a seu anjo da guarda”. Aleister Crowley afirmou que o Liber AL vel Legis lhe foi revelado através de um ser superior que chamava a si próprio de Aiwass.

Marcas físicas deixadas pela revelação são chamadas estigmas. Em casos raros, como o de Juan Diego Cuauhtlatoatzin, as revelações deixam marcas físicas. O conceito católico de “locução interior” fala de uma voz interior ouvida pelo receptor da revelação. Nas religiões abraâmicas, o termo se refere ao processo através do qual Deus revelaria, ao mundo dos homens, sua existência, sua vontade e sua Divina Providência. O termo estigma e seus sinônimos ocultam uma dupla perspectiva de âmbito social. Assume o estigmatizado que a sua característica distintiva já é conhecida ou é imediatamente evidente ou então que ela não é nem conhecida pelos presentes e nem imediatamente perceptível por eles? No primeiro caso, conceitualmente, está-se lidando com a condição real de desacreditado, no segundo com a condição em tese do desacreditável. Esta é uma diferença importante, socialmente, mesmo que um indivíduo estigmatizado em particular tenha, provavelmente, experimentado ambas as situações. Todavia, para Erving Goffman, podem-se mencionar três tipos característicos de estigmas diferentes. Em primeiro lugar, há as prováveis abominações do corpo – as várias deformidades físicas. Em segundo, a representação do “sentimento de culpa” individual, percebidas como “vontade fraca”, “paixões tirânicas”, ou não naturais, crenças falsas e rígidas, desonestidade, sendo essas inferidas a partir de relatos reconhecidos de, por exemplo, distúrbio mental, prisão, vício, alcoolismo, ideia de “homossexualismo”, homoerotismo, desemprego, tentativas de suicídio e comportamento afetivo radical. Há os estigmas tribais de raça, etnia, minorias, nação e ceticismo e “estigmas de re(li)gião”, que podem ser transmitidos de linhagem e contaminar por igual todos os membros de uma família. 

A relação sexual converte-se então num desejo de estar no corpo do outro, um viver e um ser vivido por ele numa fusão de corpos que se prolonga como ternura por suas fraquezas, suas ingenuidades, seus defeitos e imperfeições. Não importa mesmo quem seja essa pessoa, pois na paixão nasce uma força terrível que nos leva à fusão e nos torna insubstituíveis, únicos um para o outro. O ente amado se converte naquele que não pode ser senão ele - o absolutamente especial. E isso acontece mesmo contra a nossa vontade, e apesar de acreditarmos por algum tempo que podemos viver sem ele, e que podemos encontrar essa mesma felicidade em outra pessoa qualquer. Mas não ocorre bem assim. Basta uma breve separação para termos a certeza de que este amado é portador de algo inconfundível, algo que sempre nos faltou, que se revelou através dele e que sem ele não podemos encontrar de novo, enfim, que represente simbolicamente a diversidade e a unicidade de quem amamos. Os fatos sociais por si mesmos, só aparentemente nos demonstram que nossa sexualidade de manifesta de maneira comum, quotidiana e de maneira extraordinariamente, afetiva, descontínua. A sexualidade se transforma indefinidamente no meio de ação social normal pelo qual a vida explora as fronteiras compreendidas como do impossível, os horizontes do imaginário individual (sonho) e da natureza, mas o que é revelador, acidental ou não, é que estamos diante do estado nascente progressivamente de compreensão da vida.

O corpo percorre a história da ciência e da filosofia. De Platão a Bergson, passando por Descartes, Espinosa, Merleau-Ponty, Freud, Marx, Nietzsche, Weber e principalmente Foucault, quando a definição de corpo demonstra um puzzle. Quase todos reconhecem a profusão da visão dualista de Descartes, que define o corpo como uma substância extensa em oposição à substância pensante. Podemos perceber que seguindo este modo científico de compreensão da realidade, sobretudo com o advento da modernidade, o corpo foi facilmente associado a uma máquina. O corpo foi pensado como um mecanismo elaborado por determinados princípios que alimentam as engrenagens desta máquina promovendo o seu bom funcionamento. Isto quer dizer que através dos exercícios de abstinência e domínio que constituem a ascese necessária, o lugar atribuído ao conhecimento de si torna-se mais importante: a tarefa de se pôr à prova, de se examinar, de controlar-se numa série de exercícios bem definidos, coloca a questão da verdade – do que se é, do que se faz e do que é capaz de fazer – no cerne da constituição do sujeito moral. E, afinal o ponto de chegada dessa elaboração é ainda e sempre definido pela soberania do indivíduo sobre si mesmo. Foucault (2014) nos adverte sobre a questão abstrata da analítica do poder que se constitui o marco histórico e pontual de “docilidade dos corpos”. Para ele o soldado é alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e coragem, as marcas de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia: e se é verdade que deve aprender aos poucos o ofício das armas, lutando, as manobras como a marcha, as atitudes como o porte da cabeça se originam, em boa parte, de uma retórica corporal com significado e sentido de honra.  

A história social da arte tem como representação a atividade humana realizada com o propósito estético e comunicativo, enquanto expressão de ideias, emoções ou formas de interpretar “as coisas do mundo”. Em sua historicidade as artes visuais têm sido classificadas de várias formas, desde a distinção medieval entre as artes liberais e as artes mecânicas, à distinção moderna entre belas artes e artes aplicadas, ou às várias definições contemporâneas, da arte como a manifestação individual e coletiva par excellence da criatividade humana. O alargamento da lista das principais artes durante o século XX definiu-as essencialmente em arquitetura, escultura, música, dança, pintura, poesia, incluindo o teatro e a narrativa literária, o cinema e a fotografia. Quando considerada a sobreposição de termos entre as chamadas artes plásticas e as artes visuais, incluem-se também do ponto de vista tecnológico o design e as artes gráficas. As artes gráficas, também reconhecida como design, é uma ciência, que tem como objetivo, a criação de soluções utilizadas para servir de forma funcional o ser humano. A arte e o design estão presentes na história desde a identificação etnográfica da pré-história, através de desenhos e sinais que simbolizavam objetos e acontecimentos relevantes no âmbito da memória individual (sonho) e coletiva  (os ritos, os símbolos).

Todavia, enquanto a arte propõe-nos uma interpretação subjetiva de suas obras, o design comparativamente propõe algo de sentido objetivo, onde as pessoas serão capazes de entender e podem vir a comprar o produto e/ou serviço apresentado, ou aderindo à uma ideia, no caso de uma propaganda. Marca é a representação de uma “entidade”, qualquer que seja ela, objeto/símbolo que permite identificá-la de um modo imediato como, por exemplo, um sinal de presença, uma simples pegada. Na teoria social da comunicação, pode ser um signo, um símbolo ou um ícone. Uma simples palavra pode referir uma marca. O termo é frequentemente usado mesmo hoje em dia como referência a uma determinada empresa: um nome, uma marca verbal, imagens ou conceitos que distinguem o produto, serviço ou a própria empresa. Quando se fala em marca, não é incomum estar se referindo, na maioria das vezes, a uma representação gráfica no âmbito e competência do designer gráfico, onde a marca pode ser representada graficamente pela composição de um símbolo e/ou logotipo, tanto individualmente quanto per se combinados.

            No entanto, o conceito de marca é bem mais abrangente que o reino da aparência social em termos da sua representação gráfica. Marca não é um conceito fácil de definir. A marca em essência representa relação produção-consumo com uma série específica de atributos, benefícios e serviços uniformes aos compradores. A garantia de qualidade surge com as marcas, mas uma marca é um símbolo mais complexo. Um artefato é conexo à estrutura mental e cultural que definirá o reconhecimento social da obra de arte. O século XX se caracterizou por uma ênfase no questionamento das antigas bases da arte, propondo-se a criar um novo paradigma de cultura e sociedade e “derrubar” tudo o que fosse representado pela tradição. Até meados do século passado as vanguardas foram enfeixadas no rótulo de modernismo, e desde então elas se sucedem cada vez com maior rapidez, chegando a um estado quase de total pulverização dos estilos e estéticas, que convivem, dialogam, se influenciam e se enfrentam quase sempre mutuamente. Também surgiu uma tendência de solicitar a participação in fieri do público no processo de criação, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens e incorporar ao domínio artístico uma variedade de temas, estilos, práticas e tecnologias antes desconhecidas ou excluídas. O problema metodológico na definição do que é arte é que esta definição varia com o tempo e espaço de acordo com a diversidade de culturas.

O filme muda dialeticamente de estratégia na segunda metade, quando Chen Gui-lin se vê envolvido com uma extraordinária “seita religiosa”. Essa mudança social brusca de gênero pode ser um ponto de divisão técnica do trabalho para o público. Enquanto alguns podem apreciar “a abordagem única e as reviravoltas inesperadas”, outros devem “se sentir desconcertados pela falta de coesão entre as duas partes do filme”. A transição de um “enredo de gângster” para um drama social, envolvendo uma seita religiosa é abrupta e pode aparentemente encontrar-se deslocada para alguns telespectadores. “Os Três Males” oferecem uma visão realista do submundo criminoso de Taiwan, explorando temas como “redenção”, “mortalidade” e “legado”. A atuação social do elenco é sólida, com destaques para Ben Yuen e Chen Yi-wen, os “vilões brutais” que cruzam o caminho de Chen Gui-lin. Além disso, em termos técnico-metodológico, o filme representa excelente realização, no plano teórico e histórico, com sequências de ação em áreas amplas, abertas ou fechadas, bem coreografadas e uma direção visualmente inovadora. A fotografia reflete a atmosfera sombria e perigosa do mundo criminoso, enquanto a trilha sonora contribui para a tensão e o suspense.

Taiwan é uma pequena ilha com cerca de 23 milhões de habitantes que funciona como uma democracia semipresidencialista. Localizada a 180 km da China, a ilha luta para que permaneça independente e não seja reconhecida como parte do território chinês. Para garantir sua soberania contra um dos maiores impérios do mundo, Taiwan apostou na tecnologia e desenvolveu o Escudo de Silício, uma estratégia que evita o ataque dos vizinhos chineses. O termo foi criado por Craig Addison, um jornalista que escreve para o veículo comunicativo The South China Morning Post. O profissional lançou o livro: Silicon Shield: Taiwan`s Protection Against Chinese Attack e deu uma entrevista à BBC falando sobre o tema. O primeiro esclarecimento que o jornalista fez é que Taiwan não possui um escudo de verdade, como os antimísseis que Israel utiliza para evitar ataques aéreos da Palestina. No caso, a terminologia funciona como uma estratégia da ilha, já que ela é líder mundial na fabricação de chips semicondutores. Os produtos, que são essenciais na fabricação de celulares, computadores, videogames e carros, são geralmente feitos de silício e acabam sustentando parte da economia moderna. Um ataque chinês ao país poderia, portanto, afetar extraordinariamente a produção dos chips e causar um estrago inconsequente, sem proporções, não só na economia chinesa, mas mundial. - O escudo de silício é semelhante ao conceito de “Destruição Mútua Assegurada” (MAD) que teve progênie na chamada política de Guerra Fria, porque qualquer ação militar no estreito de Taiwan seria tão prejudicialmente para a China quanto para Taiwan e os Estados Unidos da América.

O termo discurso pode ser definido sociologicamente do ponto de vista lógico da análise política. Quando pretendemos significar algo a outro é porque temos a intenção de lhe transmitir um conjunto de informações coerentes - essa coerência é uma condição essencial para que o discurso seja entendido. São as mesmas regras gramaticais utilizadas para dar uma estrutura compreensível ao discurso que simultaneamente funcionam com regras lógicas para estruturar o pensamento. Um discurso político, comparativamente, tem uma estrutura social e finalidade muito diferente do discurso econômico, mas politicamente pode operar a dimensão econômica produzindo efeitos sociais específicos em termos de persuasão. Os economistas assumiram que o estudo das ações econômicas do homem poderia ser feito abstraindo-se as outras dimensões culturais do comportamento humano: dimensões morais, éticas, religiosas, políticas, etc., e concentraram seu interesse naquilo que eles identificaram como as duas funções elementares exercidas por todo e qualquer indivíduo: o consumo e a produção. O homo economicus nada mais é do que um fragmento qualquer de ser humano, a sua parcela que produz e consome no mundo das mercadorias, cujo único critério de verdade apoiava-se na evidência. O conceito de “homo economicus” é um postulado da racionalidade global vigente. É caracterizada pelo triunfo dos economistas que encontraram nele, a semelhança dos biólogos no darwinismo, e na psicologia uma teoria do comportamento coerente.

Um estudo de ideologias da administração, por outro lado, não está preocupado com as origens do espírito capitalista, mas sim com as armas ideológicas empregadas na luta pela ou contra a industrialização. E quando ideologias são formuladas para defender um conjunto de interesses econômicos, é mais esclarecedor examinar a estratégia de argumentação do que insistir em que o argumento é autointeressado. Os argumentos em serviço próprio dos grupos dominantes podem não parecer um campo de estudos promissor, no entanto, sociologicamente Reinhard Bendix acredita que essas ideias desenvolvidas podem ser consideradas um sintoma das relações sociais de classe em mudança, ou seja, indícios para a compreensão das sociedades industriais. Portanto, Bendix (2019), propõe analisar detalhadamente, se já não é um truísmo, as evidências observáveis dos fenômenos do mundo social em seus próprios termos. Segundo o autor, é nesse nível das ações sociais que ocorre a experiência humana, e o estudo das ideologias da gestão empresarial ilustra que ele também pode constituir uma abordagem para o entendimento da estrutura social. As interpretações gerenciais dadas para a relação de autoridade nos empreendimentos econômicos, juntamente com a concepção em oposição assimétrica, mas em nível de complementariedade na relação capital “versus” trabalho acerca de sua posição enquanto classes na sociedade industrial emergente constituem uma imagem conjunta das relações de classe. Imagem em tempo e espaço e que diferem de um país para outro. Esse aspecto da estrutura social em transformação é analisado pelo exame da posição ideológica em termos de seus corolários lógicos. Enquanto um conjunto de práticas e saberes sociais estão relacionados à autoridade dos empregadores e, em sentido mais amplo, à posição de classe de empregadores e empregados na sociedade.

Três correntes filosóficas são responsáveis pela criação deste conceito: o hedonismo, o utilitarismo e o sensualismo. O hedonismo, que afirma que o homem está sujeito, tal como os animais, à lei natural dos instintos e que, portanto, se encontra implícita a procura do prazer, do bem-estar e distanciamento da dor. O utilitarismo, para quem o útil é valioso e contrapõe o prazer calculado ao irracional, classificando os prazeres nobres e pobres. O sensualismo quando afirma serem os sentidos a fonte do conhecimento. Os economistas construíram um método teórico unanimemente aceite, elaboraram-se práticas econômicas que se encontra em todas as obras fundamentais: a lei da maximização da utilidade e leis sobre a utilidade marginal, aplicadas ao consumo e à produção. A razão biopsicológica essencial a toda a atividade humana é o interesse pessoal. Este primeiro princípio é então afetivo, pois define a única razão da atividade econômica; o homem não obedece, senão, à razão consumista.  No nível de análise puramente econômico, oligopólio é uma forma evoluída de monopólio, no qual um grupo de empresas ou governos promove o domínio de determinada oferta de produtos e/ou serviços. Corresponde a uma estrutura de mercado de concorrência imperfeita, no qual o mercado é controlado por um número reduzido de empresas.  

De tal forma que cada uma pessoa enredada tem que considerar os comportamentos e as reações das outras quando toma decisões de mercado. No oligopólio, os bens produzidos podem ser homogêneos ou apresentar alguma diferenciação sendo que, geralmente, a concorrência se efetua mais ao nível de fatores como a qualidade, o serviço pós-venda, a fidelização ou a imagem, e não tanto ao nível do preço. As causas típicas do aparecimento de mercados oligopolistas são a escala mínima de eficiência e características da procura. Nestes mercados existe concorrência na balança, mas as quantidades produzidas são menores, porque inversamente na prática, para que os preços sejam maiores que nos mercados concorrenciais, ainda que relativamente ao monopólio, as quantidades realmene sejam superiores e os preços per se sejam menores.

Tanto o monopólio quanto o oligopólio, comparativamente, contribuem para uma concorrência imperfeita. A diferença entre monopólio e oligopólio é que no monopólio existe apenas um fornecedor ou vendedor, que domina o mercado, enquanto que no oligopólio existem poucos fornecedores do mesmo produto. Quando um produto é considerado essencial para a economia de um país, muitas vezes esse país estabelece leis que impedem a criação de monopólios e oligopólios. Talvez o maior exemplo de oligopólio no Brasil seja o mercado de telecomunicações, no qual poucas empresas controlam o mercado. No caso da telefonia móvel, a fusão das empresas consistiu no primeiro oligopólio nesta área do mercado. Também são conhecidos oligopólios no caso da montagem de veículos, na produção de ônibus, por exemplo, o que pode contribuir decisivamente para o aumento do preço das passagens do transporte público. Capital financeiro pode ser entendido como o capital representado por títulos, obrigações, certificados e outros papéis negociáveis e rapidamente conversíveis em dinheiro. Em termos simplificados, a lógica financeira oligopolizada consiste em “fazer dinheiro a partir de dinheiro”, sem necessariamente passar pelas mãos visíveis de trabalhadores esfera da produção de mercadorias. O domínio crescente de caráter rentista, isto é, que não tem como finalidade a produção, mas a remuneração do detentor de um ativo - na economia mundial globalizada ocorre pelo menos desde início da década de 1980.

Nos mercados oligopolistas onde não exista cooperação entre as empresas a curva da procura do produto da empresa depende da reação das outras empresas. A concorrência neste tipo de mercado para evitar guerras de preços poderá ser feita a outros níveis como nas características dos produtos distintas do preço, qualidade, imagem, fidelização, etc. O oligopólio pode permitir que as empresas obtivessem lucros elevados a custo dos consumidores e do progresso econômico, caso a sua atuação no mercado seja baseada em cartéis, pois assim terão os mesmos lucros como um monopólio. Em um oligopólio, as alterações nas condições sociais de atuação de uma empresa irão influenciar o desempenho de outras empresas no mercado. Isto provoca reações que são mais relevantes quando o número de empresas do oligopólio é reduzido. Em contrapartida, um truste é uma coligação econômica ou financeira, um agrupamento de empresas que tem como objetivo diminuir e eliminar a concorrência, parcelarizando o mercado. Quando se verifica a formação de trustes, a concorrência é transferida para a área da qualidade e apoio ao cliente, porque não existe concorrência no que diz respeito aos preços. No oligopólio, muitas vezes ocorre à criação de um cartel, onde as poucas empresas dominantes fazem um acordo para manter o preço do produto comercializado. Tanto os cartéis como o truste exercem poder de pressão sobre o mercado. Ao contrário do truste, no cartel as empresas envolvidas continuam independentes no âmbito legal.

Bibliografia Geral Consultada.

FOURIER, Charles, Le Noveau Monde Industriel et Sociétaire. Paris: Éditions Flammarion (Col. Nouvelle Bibliothéque Sociale), 1972; HEGEL, Friedrich, Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compêndio: 1830. Volume III. São Paulo: Editora Loyola, 1995; particularmente:  Antropologia, Fenomenologia e Psicologia, pp. 42-274; YANG, Fenggang, “Religious Diversity Among the Chinese in America”. In: MIN, Pyong Gap; KIM, Jung Ha, Religions in Asian America: Building Faith Communities. Walnut Creek: Altamira Press, 71-98; 2002; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Editorial Anthropos, 2005; LIN, Tsé-Min et al, “The Neighborhood Influence on Formation of National Identity in Taiwan”. In: Political Research Quarterly. Londres, vol. 59, nº 01, pp. 35-46, 2006; CARNEIRO, Cristina Maria Quintão, “Estrutura e Ação: Aproximações entre Giddens e Bourdieu”. In:  Tempo da Ciência (13) 26: 39-47, 2006; NAGIB, Lúcia, World Cinema and the Ethics of Realism. London: Editor Continuum, 2011; TRAVASSOS, Juliana Azevedo, Responsabilidade Corporativa: Institucionalização e Ideologia. Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais. Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2012; SHENG, Kai, The Different Faces of Nezha in Modern Taiwanese Culture. Prague: Oriental Archive Institute, 2013; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; BENDIX, Reinhard, Construção Nacional e Cidadania: Estudos de Nossa Ordem Social em Mudança. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019; JUNQUEIRA, Philipe Alexandre, A Política Externa Chinesa de Xi Jinping: A Contribuição da Iniciativa do Cinturão e Rota para Inserção Internacional da China na Nova Era. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais. Centro de Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2021; PARIS, Clarinice Aparecida, A Função Ética da Psicanálise diante do Sofrimento Psíquico Engendrado pelo Neo-liberalismo. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2023; ANTONIO, Guilherme Henrique Gooda, Trajetórias Urbanas e Representações Poéticas nos Cinemas de Taiwan, Hong Kong e China. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design. Bauru:  Universidade Estadual Paulista, 2024; entre outros.

domingo, 19 de maio de 2024

Megalopolis – Cinema, Elenco Histórico & Pensamento por Associação.

                “Não tente encontrar tempo para escrever - crie tempo”. Francis Ford Coppola

                      

        Megalopolis é um filme de drama épico de ficção científica norte-americano de 2024, escrito, dirigido e produzido por Francis Ford Coppola. O filme apresenta um elenco que inclui Adam Driver, Giancarlo Esposito, Nathalie Emmanuel, Aubrey Plaza, Shia LaBeouf, Jon Voight, Laurence Fishburne, Talia Shire, Jason Schwartzman, Kathryn Hunter, Grace VanderWaal, Chloe Fineman, James Remar, DB Sweeney e Dustin Hoffman. Ambientado em uma Nova York alternativa do século XXI, reestilizada como “Nova Roma”, o filme segue o arquiteto visionário Cesar Catilina (Driver) enquanto ele entra em conflito com o prefeito corrupto Franklyn Cicero (Esposito), que se opõe aos planos de Catilina de revitalizar Nova Roma construindo a utopia futurística “Megalopolis”. O filme se baseia na história romana, particularmente na conspiração catilinária de 63 a.C. e na decadência da República Romana no Império Romano. Em 1977, Coppola teve a ideia extraordinária, no tempo e espaço, de fazer um filme traçando paralelos entre a queda da República Romana e o futuro dos Estados Unidos da América, recontando a conspiração catilinária na Nova York moderna. Embora ele tenha começado a planejar o filme em 1983, o projeto passou décadas em um “inferno de desenvolvimento”. Francis Coppola tentou produzir o filme em 1989 e novamente em 2001, mas em cada vez, os estúdios se recusaram a financiá-lo, devido à série de decepções de bilheteria no final da carreira de Coppola e aos ataques de 11 de setembro. 

         Desiludido com o método de interpretação apoiado pelo sistema de trabalho de estúdio, Coppola não produziu Megalopolis in statu nascendi até construir uma grande fortuna decisiva no ramo próprio de vinificação. Ele gastou em torno de US$ 120 milhões de seu dinheiro para fazer o filme. As filmagens principais ocorreram na Geórgia de novembro de 2022 a março de 2023. Historicamente o relógio é utilizado como medidor do tempo desde a Antiguidade, em variados formatos que o distinguem das mais antigas invenções com utilidade social humanas. Relojoaria é tanto o termo que designa o seu fabricante, como a loja onde são vendidos. Entre os primeiros relógios, ou horológios em português mais antigo, que se tem conhecimento estão os relógios de sol. Relógios simples de água ou areia são reconhecidos por ter existido na Babilônia e no Egito em torno do século XVI a. C. A história etnográfica registra que apareceu na Judeia, mais ou menos em 600 a. C., com os relógios de água (clepsidras) e os relógios de areia (ampulhetas). Em 725 d. C., Yi Xing, um monge budista chinês desenvolveu um relógio mecânico que tinha um complexo sistema de engrenagens e 60 baldes de água que correspondiam aos 60 segundos que fazia uma revolução completa em 24 horas. Em 797 (ou 801), o califa de Bagdá, Harune Arraxide, presenteou Carlos Magno (742-814), com um elefante chamado Abul Abbas e um relógio mecânico de onde saía um cavaleiro que anunciava as horas. 

       Magno foi rei dos francos a partir de 768, rei dos lombardos a partir de 774 e imperador dos romanos a partir do ano 800. Durante o início da Idade Média, Carlos Magno uniu a maior parte da Europa ocidental e central. É o primeiro imperador reconhecido a governar desde a queda do Império Romano do Ocidente cerca de três séculos antes. Isso indica que os primeiros relógios mecânicos provavelmente foram inventados pelos asiáticos. Contudo, embora exista controvérsia sobre a construção do primeiro relógio mecânico, o papa Silvestre II é considerado no mundo ocidental o primeiro inventor. Os primeiros relógios mecânicos, muito rudimentares, surgiram por volta de 1200 no norte da Europa, na região onde se constituiu a atual Alemanha. Outros grandes construtores e aperfeiçoadores de relógios foram Ricardo de Walinfard (1344), Santiago de Dondis (1344), seu filho João de Dondis que ficou reconhecido como Horologius, e Henrique de Vick (1370). Por volta de 1500, Peter Henlein, na cidade de Nuremberg, fabricou o primeiro relógio com utilidade de uso social de bolso. Até que, em 1595, Galileu Galilei descobre o isocronismo. Com os relógios mecânicos surge uma grande variedade de técnicas de registro da passagem do tempo. Os relógios podem ser classificados de pêndulo, de quartzo ou cronômetros. Os primeiros  utilizados foram os relógios de bolso. Eram muito raros e tidos como verdadeiras “joias”.                

Os relógios de bolso eram símbolo da alta aristocracia. A divisão do dia em horas só aconteceu quando o astrofísico Galileu Galilei (1564-1642) definiu as regras do movimento pendular e sua impressionante regularidade. Diz-se que o isocronismo do pêndulo foi descoberto por Galileu quando, numa missa, observou a oscilação de um candelabro suspenso do teto da igreja, tendo medido o período através da contagem dos seus batimentos cardíacos. Seja como for, o extraordinário Galileu viria a usar “o pêndulo nas suas experiências com o plano inclinado”. Mas isso foi por volta de 1600 e somente uns 100 anos depois é que surgiriam os ponteiros indicadores de minutos. Por essa ocasião, os relógios já eram olhados como “joias” e caracterizavam-se pela beleza estética e também riqueza. Os famosos relógios suíços tiveram origem em Genebra, por volta do século XVI e um nome é registrado como o iniciador de tudo: Daniel Jeanrichard (1665-1741), é um relojoeiro de Neuchâtel considerado tecnologicamente o fundador da indústria relojoeira no Jura. Se sua existência histórica está fora de dúvida, por outro lado, a questão de sua importância e de seu papel exato permanece sem solução. Figura guardiã de Neuchâtel, Daniel Jeanrichard foi rapidamente mitificado. A indústria relojoeira evoluiu rapidamente e tornou-se um marco naquele país, tanto pelo desenvolvimento do designer como pela tecnologia de precisão. Com o advento dos relógios de quartzo, os suíços perderam a hegemonia mundial e nunca mais a recuperar. Os relógios de quartzo são mais baratos e precisos do que os relógios mecânicos. O relógio de pulso tem uma história que envolve Santos Dumont que vivia sujando a roupa ao tirar o relógio do bolso, com as mãos manchadas de óleo enquanto trabalhava nos seus modelos de aviões. 

Para evitar esse contratempo, pediu a seu amigo Cartier que fabricasse um relógio que pudesse ser acomodado no pulso, e esse foi o primeiro relógio de pulso fabricado na França e chegou a ser chamado de Santos Watch. O relógio de pulso já era reconhecido, mas raramente usado: o exército inglês havia encomendado 1500 relógios a um fabricante suíço para colocar no pulso de militares, considerando que seriam mais úteis assim, durante a batalha. Mas foi depois do episódio com Santos Dumont que Cartier passou a fabricar relógios em série de pulso, criou fama como fabricante e difusor de utilidade de uso pelo mundo ocidental. O filme Megalopolis reuniu Coppola com colaboradores anteriores, incluindo os atores Esposito, Fishburne, Remar, Shire e Sweeney, o diretor de fotografia Mihai Mălaimare Jr., o compositor Osvaldo Golijov e o filho de Coppola, o diretor de segunda unidade Roman Coppola. Como vários outros filmes de Coppola, Megalopolis teve uma produção problemática. Coppola adotou um estilo experimental, incentivando seus atores a improvisar e escrever certas cenas durante as filmagens, e adicionando suas próprias alterações de última hora ao roteiro. Membros do departamento de arte e da equipe de efeitos visuais, entre outros, deixaram o filme ou foram demitidos. Megalopolis foi selecionado para competir pela Palma de Ouro no 77º Festival de Cinema de Cannes, mas polarizou os críticos e os estúdios de Hollywood. Coppola não conseguiu encontrar um estúdio que reembolsasse seus custos de produção e pagasse por uma grande campanha de marketing. Ele optou por pagar por uma campanha publicitária, com a Lionsgate lançando o filme nos cinemas nos Estados Unidos. Ele sofreu para o lançamento: um trailer foi removido por usar citações fabricadas, e Coppola processou a comercial revista Variety por difamação “depois que ela publicou alegações de má conduta sexual por ele no set”. O filme estreou em Cannes em 16 de maio de 2024 e foi lançado nos cinemas em 27 de setembro de 2024. Foi um fracasso comercial, arrecadando US$ 14,3 milhões contra um orçamento de US$ 120 a US$ 136 milhões.

As críticas foram mistas, com os críticos elogiando a ambição e o estilo do filme, mas achando-o caótico e irregular, sendo bastante polarizados em relação à atuação e à história. Megalopolis tem como representação social um filme épico norte-americano de drama e ficção científica escrito, dirigido e produzido por Francis Ford Coppola. Épico, no sentido cinematográfico, é um gênero que retrata contos de grandes heróis, onde todo seu centro se baseia em apenas um personagem principal ou de um povo. Contam tipicamente com grande produção, temas dramáticos sendo um grande espetáculo. O uso do termo mudou ao longo do tempo, às vezes, designa um gênero de filme e outras vezes é “simplesmente sinônimo de filme de grande orçamento”. Os filmes seguem o sentido clássico da literatura em um personagem heroico. A natureza ambiciosa de um épico ajuda a definir e o diferenciar de outros tipos de filme, tais como filmes de épocas ou aventuras. Filmes épicos normalmente contam um evento histórico ou mítico, adicionados a cenários extravagantes e trajes luxuosos, acompanhado de uma marcante trilha sonora e grande elenco, que iria torna-lo um dos mais caros filmes produzidos. Os temas comuns de filmes épicos são guerreiros, gladiadores ou uma figuração de vários períodos da história. Além de históricos, filmes de fantasia como O Senhor dos Anéis e Star Wars, também incorporam os elementos sociais personificados do cinema épico.

            Megalopolis é um filme ambicioso e controverso de Coppola, que explora temas como utopia, corrupção e ambição em uma Nova Iorque futurista após uma catástrofe. A obra, escrita e dirigida por Coppola, tem sido recebida com reações polarizadas, com muitos críticos elogiando sua ousadia e originalidade, enquanto outros criticam sua narrativa fragmentada e excesso de ideias. Coppola desafia convenções cinematográficas com uma estética singular, abordando temas complexos de forma não convencional. O elenco é histórico e talentoso com Adam Driver, como o arquiteto César Catilina, entrega uma performance intensa e convincente. O filme provoca reflexões sobre o futuro das cidades, a natureza da ambição e os limites da utopia. A narrativa critica a influência do dinheiro e a corrupção na sociedade, explorando a luta entre o idealismo e o pragmatismo. A história dialeticamente pode parecer dispersa e difícil de acompanhar, com muitas subtramas e personagens. Alguns críticos de cinema sentiram que o filme carece de humanidade e conexão emocional com os personagens. A quantidade de temas abordados pode prejudicar a compreensão, a tolerância e o aprofundamento de cada um. A estética grandiosa e teatral pode parecer excessiva para alguns espectadores. Megalopolis é um filme que divide opiniões, last but not least, mas é inegável que se trata de uma obra cinematográfica ambiciosa e singular. Francis Ford Coppola, aos 85 anos, entrega um épico pessoal que desafia convenções e provoca reflexões sobre o futuro. Apesar de suas falhas narrativas, oferece momentos de beleza visual e intelectual, e é uma experiência cinematográfica que certamente não deixará ninguém indiferente.

        Em primeiro lugar, o tempo é o mesmo princípio hegeliano, que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como simplesmente um vir-fora-de-si. O tempo é contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstrata e nela ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e tudo passa e perece, se se abstrai de tudo, do recheio do tempo e do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio comparativamente como o espaço vazio – isto é, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem existentes por si. Mas não é o que no tempo surja e pereça tudo, porém o próprio tempo é este vir-a-ser, surgir e perecer, o abstrair essente. O real de análise é bem diverso do tempo, mas também essencialmente idêntico a ele. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo. O finito é transitório e temporário, porque ele não é, como ocorre na representação do conceito nele mesmo, a negatividade total, mas em si, como sua essência universal, entretanto, diferentemente da mesma essência, é unilateral, e se relaciona à mesma essência como à sua potência. Na sua identidade conseguem livremente existente para si, Eu=Eu, é “em si” e “para si” a absoluta negatividade e liberdade. O tempo não é potência dele, nem está no tempo nem é algo temporal. É mais a potência do tempo, e este apenas esta negatividade como exterioridade. Só o natural, é, enquanto é finito, sujeito ao tempo; na constituição da ideia, o espírito que é eterno. 

A intuição trabalhada, em segundo lugar, tal como a entendera Gaston Bachelard, significa assumir com essa ideia a existência de dois polos necessariamente presentes no universo cultural humano. O polo da objetividade e polo da subjetividade, todavia, entrelaçados e mediados nos duros e doces caminhos da constituição da mediação científica assim como dos demais caminhos existentes, esta ideia cara à concepção de ciência nestes tempos. Bachelard se faz na atualidade potente de sua reflexão. Felizmente fora da dinâmica consensual entre pesquisadores, pois é conhecido por sua filosofia não cartesiana, não bergsoniana, não aristotélica e não kantiana, visto que sua obra excede a epistemologia e a estética e comunicação com diferentes áreas de saber. Representou o novo espírito científico que, ao refletir sobre episteme, o conhecimento, problematiza o erro em sua positividade e a importância real da retificação. Seu novo racionalismo aberto e dinâmico, histórico e factual, inova a concepção de imaginação social, porque explora os devaneios e desconfia das metáforas progressivas. A formação das expectativas não leva em consideração os fatores comparativos previstos na sociedade como muito incertos. Embora, em determinadas situações, fatos muito incertos possam se tornar decisivos, tornando-se um guia razoável para as decisões correntes e os eventos a que se atribui um grau elevado de confiança. Sem temor a erro, foi considerado um “filósofo da solidão feliz” que a procura de instantes poéticos nos desestabiliza nas incertezas do mundo contemporâneo objetivo. A intuição como forma de representação do conhecimento consiste na capacidade de conhecer algo sem de fato ainda entender seu funcionamento. Está fundamentada na noção inicial que temos sobre algo, noção esta basicamente na históriada filosofia que nasce da experiência sensorial e/ou da análise superficial das características que compõe determinado elemento.

Tomando como base esta noção inicial, conseguimos entender de forma pouco esclarecida do que se trata determinado elemento e já nos dispomos a emitir juízos acerca do mesmo. Todas estas concepções do homem, que se expressam de diversas formas, nasceram a partir da análise que seus sentidos o proporcionaram fazer. Mas há algo a mais nisto. Não bastariam ele olhar para a pedra e sentir seu peso para concluir estas coisas. Teria o homem que pensar por associação, por comparação. Entre habilidades ou competências importa destacar a relação contígua entre o ser capaz de pensar e o ser capaz de aprender. Teria o homem que se basear em outras experiências. Têm-se nas reflexões anteriores, comparativamente, um exemplo desta forma básica de entender o mundo que nos cerca. O pensamento por associação. O conhecimento que se constrói através de memórias de experiências passadas e logo comparações com experiências presentes. O raciocínio intuitivo da forma como foi apresentado, revela-nos uma superficialidade na forma de compreender o mundo. Retomando ao exemplo do homem: o mesmo não saberia explicar o porquê de nenhuma de suas conclusões, visto que ele se baseou somente em suas antigas experiências. Os fatos usados para formar a conclusão, não são compreendidos pelo homem, ele apenas sabe que são tal como são e aceita isso como natural. Além dessas substâncias e de outras, que estão em menor quantidade, o ar, por exemplo, também apresenta gotículas de água, poeira, e sobretudo partículas de vírus, bactérias e outro micro-organismos. Não entende ele, no plano da teoria “como” e nem o “por que” daqueles fatos sociais do dia a dia se apresentarem daquela maneira. Tudo que ele sabe, foi captado pelos sentidos, guardado em sua memória. Em seu dia-a-dia para entender o mundo que lhe é anterior e está ao seu redor. 

            Francis Ford Coppola é um produtor, roteirista e cineasta ítalo-norte-americano. Coppola é mais reconhecido internacionalmente por dirigir uma das mais aclamadas trilogias da história do cinema, The Godfather e clássicos como Apocalypse Now, The Conversation, Bram Stoker`s Dracula, entre outros, e por escrever o roteiro do premiado Patton. É filho do compositor Carmine Coppola, e pai da cineasta Sofia Coppola, avô da também cineasta Gia Coppola, tio do ator Nicolas Cage e irmão da atriz Talia Shire. Foi indicado 14 vezes ao Oscar e venceu por 5 vezes. Nascido em Detroit, em 1939, numa família ítalo-americana vinda de Bernalda, Basilicata, Coppola cresceu no bairro de Queens em Nova Iorque, para onde a família se mudou após o seu nascimento. O pai, Carmine Coppola, era músico e compositor, quando uma canção sua surge em Tucker: Um Homem e o Seu Sonho, 1988 e a mãe atriz. Quando tinha nove anos contraiu poliomielite. Coppola estudou cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e enquanto por lá fez inúmeros pequenos filmes. Nos fins da década de 1960, começou a sua carreira profissional realizando filmes de baixo orçamento com Roger Corman (1926-1924) e escrevendo roteiros. Logo a seguir à realização do seu primeiro filme You’re a big boy now, foi oferecida a Coppola a direção da versão para cinema do musical da Broadway, Finian’s Rainbow, protagonizado por Petula Clark, no que era o seu primeiro filme nos Estados Unidos, e pelo veterano Fred Astaire (1899-1987).

       Treinada para cantar por sua mãe, Petula Clark embarcou em uma carreira iniciada com a tenra idade de sete anos. Sua mãe galesa, de nome Doris, era uma soprano talentosa e ensinou-lhe muito. Cresceu em Epsom, Surrey. O pai de Petula, Leslie, queria ser ator, mas foi desencorajado por seus pais. Ele tornou-se gerente de Petula, manteve rigoroso controle de sua vida, e muitos achavam que ele cumpriu seus sonhos de "showbusiness" através dela. Logo se fixou em programas de rádio britânicos e iniciou a interpretação de seu próprio show regular - Pet’s Parlour – consistindo de uma coletânea de canções patrióticas projetadas para impulsionar o moral das tropas britânicas na 2ª guerra mundial (1939-1945). Contava então 11 anos de idade. Após entreter as tropas ao lado de estrelas como Julie Andrews e Anthony Newley, Clark debutou no cinema com o filme “A Medal for the General”, em 1944. No alvorecer dos anos 1950, já era uma superstar em todo o Reino Unido, com o compromisso de atuar em duas dúzias de filmes. Em 1954 “The Little Shoemaker” foi seu primeiro sucesso que esteve entre as vinte mais preferidas do público, enquanto que em 1960 a canção “Sailor” obtinha índices expressivos de sucesso. Esforçou-se para verter sua imagem de adolescente. Após vender 1 milhão de cópias em 1961, com a canção “Romeo”, casou-se e mudou-se para Paris (França), estabelecendo uma base forte com a peculiaridade de fãs das canções “Ya Ya Twist” (1962), “Chariot” (2003) e “Monsieur” (1989), que marcou uma nova fase de seu repertório, mais sofisticado e escorado por vocais cristalinos.

Surfando a onda da chamada “invasão britânica”, Clark pôde finalmente penetrar no mercado estadunidense em 1964 com o mega sucesso vencedor de um Grammy “Downtown”, aliás, o primeiro e único alcançado por uma mulher britânica que estourou nas paradas do Top Ten (bendita dez mais) dos Estados Unidos da América. Mas não ficou só nisso. Outros sucessos alcançaram o Top Ten, escritas e com arranjos de Tony Hatch, como em 1965 “I Know a Place” e em 1966 “I Couldn't Live Without Your Love” e o estrondoso sucesso “My Love”. Ao mesmo tempo ela resplandeceu em toda a Europa, estando nas primeiras posições do sucesso em 1967 com a canção “This is my Song” composta para o filme “A Countess From Hong Kong”. Atuou em seu próprio programa na BBC de Londres e em 1968 participou do controvertido especial do canal NBC, quando os patrocinadores pediram que um segmento com o convidado Harry Belafonte fosse editado, pelo fato de ele ser negro e estar encostado em Petula Clark nas gravações. Depois de um protesto de Clark o filme permaneceu conforme a gravação.

No fim dos anos 1960, o status comercial de Petula Clark deslanchou enquanto canções como “Don’t Sleep in the Subway”, “The Other Man’s Grass is Always Greener” e “Kiss Me Goodbye” faziam sucesso em ambos os lados do Atlântico. Em 1968 também reiniciou sua carreira no cinema estrelando “Finian’s Rainbow” seguido um ano mais tarde por Goodbye Mr. Chips. Foi a primeira mulher do Reino Unido a ganhar um Grammy, cantou com Frank Sinatra e Barbra Streisand, e no já citado filme “Finian`s Rainbow” , que foi um de seus 30 filmes em que participou, ela dançou com Fred Astaire. Seu hit, Downtown, participou de forma marcante do seriado Lost da American Broadcasting Company americana, quando a personagem Juliet (Elizabeth Mitchell) a escuta. Esse mesmo hit fez parte da trilha sonora do filme “Girl, Interrupted”, lançado em 1999, com a participação de Winona Ryder e Angelina Jolie. No ano de 2014 teve muitos shows agendados, principalmente uma turnê na Austrália. Em 2015 dentre outras, fez apresentações em Paris, na França, em show no Palais des Congrès, no dia 24 de janeiro e no Glenn Gould Prize`s, no dia 14 de abril, em Toronto, no Canadá.

Em outubro de 2016 fez um “Concert Tou” na Grã Bretanha, apresentando a performance do novo álbum “From Now On”. Apresentou shows em maio de 2017, entre os dias 13 e 28, na Austrália, onde essa legendária estrela do cinema e da música destacou sua performance no álbum “From Now On”, lançado pelo UK Pop Legend, em 2016, além de outros sucessos inesquecíveis. Petula fez uma aparição em um comercial de televisão de Natal, do Aeroporto de Londres Heathrow em 2017, acompanhada de sua música: “I couldn't live without your love”. Realizou em novembro e dezembro de 2017, vários shows nos Estados Unidos da América. Em maio de 2018, fez um tour com concertos no Canadá. Ainda em 2018 realizou turnê pelos Estados Unidos da América, em novembro/dezembro. Cumpriu agendas no mês de maio de 2019 na Austrália (QPAC Concert Hall) e em junho no Francos de Montréal Festival Canadá. Em março de 2019 foi anunciado que poderia retornar ao palco (Londo`s West End), na performance do renascimento de Mary Poppins, como “The bird Woman” (mulher-pássaro). Suas apresentações nesse roteiro iniciaram-se em 23 de outubro de 2019 a deveriam se estender até 29 de março de 2020, no Prince Edward Theatre, em Londres, Inglaterra, mas a pandemia do novo Coronavírus interrompeu não só tal performance como os shows mundiais de Petula Clark. As apresentações, entretanto, retornaram em 2022, com o recrudescimento da pandemia, tanto que em 14 de novembro de 2022 após a performance de Petula no mesmo Prince Edward Theatre, após o show, foi homenageada pela chegada do aniversário de 90 anos de idade, que se celebra todo dia 15 de novembro. Clark apareceu no show Old Friends de Stephen Sondheim, que foi ao ar na BBC em janeiro de 2023. Ela cantou “I`m Still Here” de Follies. A gravação em CD desta apresentação foi lançada física e digitalmente em dezembro de 2023. Petula Clark, ao longo de sua carreira já vendeu um total de 75 milhões de cópias e segue contando.

O produtor Jack Warner, mutais mutandis, mal impressionado com o aspecto hippie de Coppola, deixou-o entregue a si mesmo. Coppola pegou o elenco e foi para Napa Valley rodar os exteriores, mas as diferenças entre estas filmagens e as gravadas em estúdio eram enormes, o que resultou num filme pouco homogêneo. Sendo feito com material obsoleto, o sucesso não foi grande, mas sem dúvida o seu trabalho com Petula Clark contribuiu para a sua nomeação para o Globos de Ouro como melhor atriz. No entanto foi em 1972 que Coppola conseguiu ser reconhecido mundialmente por dirigir um dos clássicos mais aclamados do cinema The Godfather, Coppola adaptou do livro homônimo escrito por Mario Puzo. The Godfather venceu o Oscar de melhor filme e Coppola foi indicado a melhor diretor e venceu junto com Puzo na categoria de melhor roteiro adaptado. Em 1974 Coppola deu sequência a The Godfather com The Godfather: Part II que se tornaria a primeira sequência a ganhar o Oscar de melhor filme, The Godfather: Part II venceu em outras cinco categorias, incluindo melhor diretor e melhor roteiro adaptado para Coppola. Neste período escreveu o roteiro para The Great Gatsby, estrelado por Mia Farrow e Robert Redford, mas que foi um merceologicamente um desastre completo em nível comercialização do produto no mercado e, sobretudo, da crítica, e produziu o segundo filme de George Lucas, American Graffiti (1973).    

Após o sucesso dos dois The Godfather (1972), Coppola dedicou-se a um projeto ambicioso, Apocalypse Now (1979), baseado em Heart of Darkness de Joseph Conrad. A realização do filme foi marcada por inúmeros problemas, desde tufões, e abuso de drogas, até ao ataque de coração de Martin Sheen e à aparência inchada de Marlon Brando, que Coppola tentou esconder, filmando-o na sombra. O filme foi adiado tantas vezes, que chegou a ser alcunhado de “Apocalypse Whenever”. Quando finalmente estreou, o filme foi amado e odiado pela crítica e os seus elevados custos quase levaram ao colapso da American Zoetrope, o estúdio recém criado de Coppola. No documentário de 1991, Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, dirigido pela esposa de Coppola, Eleanor Coppola, Fax Bahr e George Hickenlooper relatam as dificuldades que a equipe passou e mostra cenas dessas dificuldades filmadas por Eleanor. Apesar dos contratempos e problemas de saúde que Coppola sofreu durante a filmagem de Apocalypse, continuou com os seus projetos. Em 1981 apresentou a restauração do filme de 1927 Napoléon, editado nos Estados Unidos da América pela Zoetrope. No entanto, somente em 1982 é que Francis voltou à realização, com o filme One From the Heart, que foi um fracasso enorme, tendo, no entanto, criado um certo culto à sua volta vários anos depois. Entretanto, o cinema é assim, pois, esse filme lhe deixou uma dívida de 30 milhões de dólares. Somado à falência de seu estúdio, fez com que o diretor entrasse em um período conturbado, em que teve que aceitar dirigir e associar seu nome a diversos trabalhos encomendados, que normalmente não lhe despertariam interesse.

Em 1986, Coppola e George Lucas dirigiram o filme Captain Eo, com Michael Jackson, para os parques temáticos da Walt Disney, que até àquela conjuntura tinha sido “o filme mais caro por minuto já feito”. Em 1990 completou a série dos filmes “Godfather” com The Godfather: Part III que, entretanto, não sendo aclamado pela crítica como os anteriores, foi um grande sucesso de bilheteira e indicado a sete Óscares, incluindo um de Melhor Diretor e outro de Melhor Filme. A Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) originalmente anunciou em dezembro de 1952 uma refilmagem do filme mudo de 1925 Ben-Hur: A Tale of the Christ como um modo de gastar seus recursos italianos. Stewart Granger e Robert Taylor supostamente estavam concorrendo ao papel principal. O estúdio anunciou nove meses depois que realizaria o filme em CinemaScope, uma técnica cinematográfica que utiliza lentes anamórficas para gravar e projetar imagens em tela larga, criando uma experiência mais imersiva para o espectador, com as filmagens começando em 1954. A Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), uma renomada empresa de produção e distribuição de filmes e televisão. A MGM anunciou em novembro de 1953 que havia contratado Sam Zimbalist para produzir o filme e Karl Tunberg para escrever o roteiro. Sidney Franklin seria o diretor enquanto Marlon Brando estaria no papel de Judah Ben-Hur. Zimbalist afirmou que o roteiro de Tunberg estava finalizado e anunciou em setembro de 1955 que a produção começaria em abril de 1956 com orçamento de sete milhões de dólares, com as filmagens durando seis ou sete meses em Israel ou no Egito com o novo processo widescreen de 65 mm da MGM. Entretanto, o estúdio suspendeu a produção do longa no início de 1956. Decisões judiciais no final da década de 1950 forçaram os estúdios a pararem de investir em cadeias de cinemas, com a pressão competitiva da televisão criando preocupações financeiras na MGM.

Inspirado pelo sucesso em 1956 do épico bíblico The Ten Commandments da Paramount Pictures e em uma aposta para salvar o estúdio, o chefe da MGM Joseph Vogel anunciou em 1957 que eles estavam novamente colocando a refilmagem de Ben-Hur em andamento. As filmagens começaram em maio de 1958 e terminaram em janeiro do ano seguinte, com a pós-produção durante seis meses. O orçamento inicial era de sete milhões de dólares, porém tinha crescido para dez milhões em fevereiro de 1958, alcançando a quantia de 15,175 milhões no início das filmagens – sendo o filme mais caro já produzido até então. Uma mudança notável no filme envolveu seus créditos iniciais. O diretor William Wyler estava preocupado que o tradicional rugido de Leo, o Leão (a mascote da MGM) criaria o clima errado para a sensível e sagrada cena de abertura do nascimento de Jesus, ele acabou conseguindo uma permissão especial dos executivos do estúdio para iniciar o filme com um logo em que Leo permanece quieto.

O filme Ben-Hur, vencedor de 11 Oscars, é um dos mais notáveis épicos de todos os tempos. Épicos de guerra são geralmente centrados em batalhas especificas, “campos de concentração” ou as consequências de viver na guerra ou no país ocupado. Ben-Hur estreou em Nova Iorque em 18 de novembro de 1959 depois de um trabalho de divulgação que custou 14,7 milhões de dólares. Foi o filme de maior arrecadação do ano e no processo se tornou o segundo filme de maior bilheteria, atrás apenas de Gone with the Wind (1939). Venceu um recorde de onze Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Fotografia em Cor, um feito igualado apenas em duas ocasiões por Titanic (1997) e The Lord of the Rings: The Return of the King (2003) Além disso, Ben-Hur venceu três Prêmios Globo de Ouro para Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante. É um dos melhores filmes já realizados, sendo selecionado para preservação em 2004 no National Film Registry por ser “culturalmente, historicamente ou esteticamente significante”.

No ano 26, o rico príncipe Judah Ben-Hur vive em Jerusalém com sua mãe Miriam, sua irmã Tirzah, seu leal escravo Simonides e a filha deste Esther, que é apaixonada por Ben-Hur, mas está prometida a outro homem. Seu amigo de infância Messala trabalha como tribuno militar. Messala retorna para Jerusalém depois de vários anos longe como o novo comandante da guarnição romana local. Ele acredita na glória de Roma e seu poder imperial, enquanto Ben-Hur é devoto de sua fé e da liberdade do povo judeu. Algumas telhas soltas caem do telhado da casa de Ben-Hur durante um desfile para Valério Grato, o novo governador da Judeia. Grato é jogado de cima de seu cavalo assustado e é quase morto. Messala, cujas relações com Ben-Hur já estavam abaladas após ele recusar-se a lhe entregar os nomes dos rebeldes Israelitas que conspiravam contra o Império, condena o mesmo a ser escravo, mesmo sabendo que o episódio não passou de um acidente aprisionando Miriam e Tirzah. Ele espera intimidar a população judia ao prender um amigo de infância e cidadão israelita proeminente.

Ao longo dos séculos anteriores ao cerco, Jerusalém serviu como o centro religioso e nacional do povo judeu, tanto para aqueles na Judeia quanto para a ampla Diáspora judaica. À época da revolta judaica, a cidade havia atingido seu auge em tamanho e população, tornando-se uma das maiores cidades do Oriente romano. Com cerca de 450 acres (1.800 dunams), quase o dobro do tamanho da atual Cidade Antiga, estima-se que Jerusalém abrigava dezenas de milhares de habitantes, com estimativas variando de 25 000 a mais de 150 000. No centro de Jerusalém erguia-se o Segundo Templo, foco do culto e da identidade nacional judaica. Ele sucedera o Templo de Salomão, destruído pelos babilônios em 586/7 a.C., e foi reconstruído no final do século V a.C. durante o Retorno a Sião. No século I a.C., Herodes (r. 37–4 a.C.) expandiu e renovou o templo, transformando-o em um dos maiores santuários do mundo antigo.

Os escritos de historiadores greco-romanos atestam a importância e o esplendor de Jerusalém. O historiador grego do século II a.C. Políbio descreveu os judeus como “uma nação que vivia em torno de um templo chamado Jerusalém”, enquanto Tácito, historiador romano do século I d.C., escreveu que “Jerusalém é a capital dos judeus. Nela havia um templo possuindo enormes riquezas”. Fontes judaicas também celebram a grandiosidade da cidade e de seu templo. Uma tradição rabínica diz: “Não há beleza como a beleza de Jerusalém”, enquanto outra declara: “Aquele que não viu Jerusalém em seu esplendor nunca viu uma cidade bela em toda a sua vida. Aquele que não viu o Templo em sua plena construção nunca viu um prédio glorioso em sua vida”. O escritor romano Plínio, o Velho descreveu Jerusalém, à época de sua destruição, como “de longe a mais famosa das cidades do Oriente”. Durante as Três Festas de Peregrinação do judaísmo, Pessach, Sucot (Tabernáculos) e Shavuot (Semanas), a população de Jerusalém crescia consideravelmente, pois dezenas de milhares de visitantes da Judeia e do exterior viajavam até a cidade para cumprir rituais religiosos no templo. Um imposto anual de meio shekel era recolhido de adultos na Judeia e na diáspora para o templo. O constante fluxo de peregrinos contribuía para a prosperidade e a proeminência da cidade.

Jerusalém dividia-se em vários distritos distintos, incluindo a “cidade baixa”, uma área densamente povoada; a “cidade alta”, um bairro rico habitado pela elite de Jerusalém, incluindo famílias sacerdotais; e o Monte do Templo, coração religioso e político da cidade. A localização estratégica de Jerusalém, ladeada pelo Vale do Cédron a Leste e pelo Vale de Hinom ao Sul, fornecia barreiras naturais que dificultavam ataques diretos. Complementando essas defesas naturais, havia uma série de muralhas fortificadas, construídas e ampliadas ao longo da história da cidade. A primeira muralha, erguida no século II a.C. pelos primeiros reis hasmoneus sobre as fundações de uma muralha anterior construída pelos reis do Judá, cercava tanto a cidade baixa quanto a alta, formando o núcleo de Jerusalém. À medida que a cidade crescia, foi erguida a segunda muralha mais ao Norte, estendendo a proteção a bairros e distritos comerciais mais recentes. Nas décadas anteriores à revolta, a cidade expandiu-se ainda mais para o Norte, motivando a construção de uma terceira muralha. Essa muralha, iniciada pelo rei Herodes Agripa (41–44), pretendia cercar o novo subúrbio setentrional de Bezeta, mas suas obras foram interrompidas pelo imperador Cláudio por temor de uma revolta judaica ou devido à morte de Agripa. No entanto, após o início da revolta em 66 d.C., rebeldes judeus concluíram às pressas a terceira muralha para proteger a cidade contra o iminente ataque romano. Devido a sua construção apressada, a terceira muralha era mais fraca, deixando um ponto vulnerável que os romanos explorariam durante o cerco.

Em Roma, no ano 26, historicamente, o principal seria a política e a administração do Império Romano. O imperador Tibério governava e o Senado Romano ainda tinha um papel social na tomada de decisões, embora o poder imperial estivesse crescendo. A cidade de Roma, com sua população em constante crescimento, enfrentava desafios como o abastecimento de alimentos, a manutenção da ordem pública e a gestão de infraestruturas como aquedutos e estradas. Roma era uma cidade vibrante, com mercados movimentados, termas públicas, teatros e circos. Os moradores da cidade desfrutavam de uma variedade de atividades, desde assistir a corridas de bigas até participar de debates filosóficos. O Império Romano estava em um período de relativa estabilidade após o governo de Augusto, o primeiro imperador. Tibério, seu sucessor, continuou muitas das políticas de Augusto, mas era reconhecido por sua personalidade reservada e desconfiança. A sociedade romana era dividida em classes, com os patrícios no topo, seguidos pelos cavaleiros e plebeus. A escravidão é prática comum, e cotidiana em Roma era marcada por contrastes entre a riqueza de alguns e a pobreza de muitos.

A cultura romana era influenciada pela cultura grega, mas também desenvolveu suas próprias características em áreas como arquitetura, literatura e direito. O teatro, os jogos e os festivais eram formas populares de entretenimento. A religião romana era politeísta, com deuses e deusas que governavam diferentes aspectos da vida. Os templos eram lugares importantes devido à prática de culto, e os sacerdotes desempenhavam um papel significativo na sociedade. O ano de 26 marcou o início da crescente influência de Sejano, um prefeito pretoriano que buscava aumentar seu poder dentro do Império. Isso gerou tensões e intrigas inoportunas na corte imperial. A arquitetura romana estava em constante desenvolvimento, com a construção de edifícios públicos como o Coliseu e o Fórum Romano, que eram marcos da grandiosidade do Império. Enfim, Roma era um centro de poder e cultura, com o imperador Tibério no comando e uma sociedade diversificada e complexa. A cidade enfrentava desafios políticos, mas também oferecia uma rica variedade de atividades culturais e entretenimento para seus habitantes.

Como consequência, a amizade de ambos acaba definitivamente e Ben-Hur, que agora passa a considerar Messala como seu maior inimigo, jura que terá sua vingança contra ele. Ben-Hur é mandado três anos depois para o navio do cônsul romano Quinto Arrio, que foi encarregado da destruição da frota de piratas macedônios. Arrio admira a determinação e disciplina do escravo e se oferece para treiná-lo como gladiador e corredor de bigas. Ben-Hur recusa declarando que Deus irá ajudá-lo em sua busca por vingança. Arrio ordena que todos os escravos menos Ben-Hur sejam acorrentados aos remos durante o confronto contra os piratas. A embarcação é abalroada e afunda, porém Ben-Hur consegue libertar os outros escravos e salvar Arrio. O cônsul entra em desespero ao erroneamente acreditar ter sido derrotado e tenta se suicidar, mas historicamente, porém, Ben-Hur consegue impedi-lo. Eles são resgatados e Arrio é creditado pela vitória da frota espetacular romana. Arrio consegue pedir ao imperador Tibério (42 a.C- 37 d. C) que liberte Ben-Hur e acaba adotando-o com um gesto humanitário como seu próprio filho. Um ano depois ele está rico novamente, tendo aprendido os costumes romanos e se tornado um campeão de corrida de bigas, porém ainda pensa sobre sua família e sua terra natal.

Ben-Hur volta para a Judeia, reconhecendo durante o caminho Baltasar, um dos Três Reis Magos, e o árabe xeque Ilderim. O xeque ouviu falar das proezas de Ben-Hur como corredor e pede para que ele conduza sua quadriga em uma corrida diante do novo governador da Judeia: Pôncio Pilatos. Ben-Hur recusa o convite, mesmo depois de saber que Messala também vai competir. Ele volta para casa em Jerusalém, se encontrando com Esther e descobrindo que seu “casamento arranjado” não aconteceu e que ela ainda é apaixonada por ele. Ben-Hur visita Messala e exige a liberdade de sua mãe e irmã. Os romanos descobrem que Miriam e Tirzah pegaram lepra na prisão, as expulsando da cidade. As mulheres encontram Esther e imploram para que ela esconda suas condições de Ben-Hur para que ele se lembre delas como eram antes, então Esther mente e diz que elas morreram. Ben-Hur então muda de ideia e decide procurar vingança contra Messala ao competir na corrida de bigas. Messala usa durante a corrida uma biga com lâminas nas rodas para destruir outros competidores; o plano funciona a princípio e ele consegue tirar alguns adversários da disputa, mas Ben-Hur é um desafio bem mais difícil.

Conseguindo esquivar-se das investidas, com sua biga sofrendo apenas pequenas avarias, sem comprometer sua estrutura. Perto do final, ambos estão disputando a liderança e, ao perceber que Ben-Hur começa a ganhar a dianteira, Messala o ataca com o chicote. Durante a luta, nenhum dos dois percebem que as rodas de suas bigas se encaixaram uma na outra. Ben-Hur consegue tirar o chicote de Messala e, ao jogar sua biga para a esquerda, visando afastar-se das lâminas, acaba arrancando a roda da biga de seu ex-amigo, fazendo-a virar e jogando o rival ao solo, de modo que ele acaba sendo arrastado por vários metros pelos cavalos. O Romano não consegue soltar-se dos arreios e o competidor que vem logo atrás não tem tempo para desviar-se, de maneira que Messala acaba sendo pisoteado e atropelado até acabar caído praticamente inconsciente na pista, com seu sangue tingindo a areia. Por fim, dos nove competidores que iniciaram a corrida, apenas quatro conseguem concluí-la, com Ben-Hur sendo o vencedor. O público árabe presente ao evento vai ao delírio, contrastando com o espanto dos Romanos, especialmente Pilatos. A plateia está a ponto eufórica com a vitória do israelita que invade a arena para comemorar, forçando os soldados a conter os mais exaltados, a fim de que a festa não se transforme em tumulto. Messala é resgatado pelos assistentes e levado aos médicos, mas constatam que está mortalmente ferido e não irá sobreviver.

Porém, diz antes de morrer que em primeiro, “a corrida ainda não acabou” e que Ben-Hur poderá encontrar sua família, em segundo lugar “no Vale dos Leprosos, se conseguir reconhecê-las”. Ele visita a colônia de leprosos, conseguindo ver sua mãe e irmã sem que elas percebam. Ben-Hur rejeita suas propriedades e cidadania romana por culpá-los pela desgraça de sua família. Ele descobre que Tirzah está morrendo e decide levar ela e Miriam com a ajuda de Esther para ver Jesus, porém o seu julgamento diante de Pilatos já começou. Ben-Hur testemunha a crucificação de Jesus, com sua mãe e irmã sendo milagrosamente curadas durante uma chuva logo depois da crucificação. Ele em seguida declara: “E eu senti sua voz [de Jesus] tirar a espada da minha mão”. O filme apresenta um elenco extraordinário que inclui uma miscelânea de astros: Adam Driver, Forest Whitaker, Nathalie Emmanuel, Jon Voight, Laurence Fishburne, Aubrey Plaza, Shia LaBeouf, Jason Schwartzman, Grace Vander Waal, Kathryn Hunter, Talia Shire, Dustin Hoffman, D. B. Sweeney e Giancarlo Esposito. Foi lançado em 2024.

Bibliografia Geral Consultada.

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