“Instead of putting others in their place, put
yourself in their place”. Provérbio Amish
A
primeira visita documentada a terras canadenses por navegadores europeus
ocorreu em 1497 ou 1498, quando o veneziano ao serviço de Inglaterra Giovanni
Caboto, reconhecido em inglês como John Cabot aportou à Terra Nova. Alguns
historiadores compreendem que há indícios que a Terra Nova já teria sido rebuscada
pelo navegador português João Vaz Corte Real em 1472, ou antes e por Diogo de
Teive e o seu piloto Pero Vasques Saavedra em 1452. A colonização europeia
começou efetivamente no século XVI, quando os britânicos, e principalmente, os
franceses estabeleceram-se pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte
presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert,
sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região
que atualmente compõe as províncias de Nova Escócia e Novo Brunswick, estava sob
domínio territorial dos franceses. A Nova França e a Acádia continuavam a se
expandir. Essa expansão territorial não foi bem aceita pelos iroqueses, e, também
pelos britânicos e os colonos rearranjados das chamadas Treze Colônias, desencadeando
uma série de batalhas que culminou, em 1763, no Tratado de Paris, no
qual os franceses cederam seus territórios da Nova França e da Acádia aos
britânicos.
Os iroqueses eram primariamente
nômades. Até o século XVII, formavam o que é chamado de nação iroquesa. Esta
nação indígena é composta pelos seguintes povos Seneca, Cayuga, Onondaga, Oneida,
Mohawk e Tuscarora, formando uma confederação distribuída entre o Canadá e os
Estados Unidos, no estado de Nova Iorque e província de Quebec. Os
iroqueses foram estudados, no século XVIII, pelo missionário jesuíta J. F.
Lafitau (1681-1746), que chegou a conviver com eles. Sua obra, Mœures des
Sauvages Américains Comparées aux Mœurs des Premiers Temps, publicada em
1724 (cf. Silva, 2015), descreve os princípios básicos da sociedade iroquesa em
relação a sua matriarcalidade e matrilinearidade. Lafitau abordou também os
ritos de casamento, os jogos, lazer, doenças, enterros, língua, caça, educação
e a divisão de trabalho entre os iroqueses, enfocando seus estudos na religião.
Para ele, os iroqueses possuíam a sua religião, diferentemente de pensadores
anteriores, que afirmavam que os índios não tinham religião alguma, embora esta
não fosse tão organizada quanto a religião católica. Embora possuíssem
religião, eram desprovidos de leis e política. Demonstra, também, que a religião
dos nativos deturpava a “verdadeira” religião: o Catolicismo.Ao
estudar os iroqueses, J. C. Lafitau distinguiu características positivas, como
a coragem, e negativas, como vingança e cobiça, inovando ao utilizar o método de
análise comparativo, ao comparar os iroqueses aos heróis de Homero, na
comunidade científica europeia, se idealizavam os gregos e romanos.
Lafitau enaltecia os iroqueses, ao dizer que as construções náuticas
desses povos eram parecidas, mas também os denegria, afirmando que a
brutalidade dos heróis de Homero não se distinguia da ferocidade dos iroqueses,
ferocidade esta que ele considerava como sendo inata. Mesmo assim, a
importância social e histórica se deu pelo que deixou os nativos mais humanos,
diferentemente de pensadores da filosofia moral como Bernard Mandeville (1670-1733)
que assemelhavam os nativos a monstros. A Economia dos iroqueses tem como
escopo a produção comunal e ao sistema combinado de horticultura e de
caçador-recoletor. As tribos da Confederação Iroquesa e outras do Norte do
continente americano que compartilhavam idioma (iroquês), como o povo Huron,
viviam na região do atual Estado de Nova York e a Região dos Grandes Lagos. A
Confederação Iroquesa compunha-se de seis tribos existentes antes da história da colonização europeia
da América. Mesmo não sendo iroquês, o povo Huron entrava no mesmo grupo
linguístico e compartilhava economia com os iroqueses. Os
hurões, huronianos, wyandot ou wendat representam um grupo de indígenas
agricultores da América do Norte. Antigamente, viviam em tribos de até mil
membros. Em suas aldeias, que eram geralmente fortificadas, eles chegavam a
construir casas comunais de até 60 m²,
semelhante aos iroqueses (outro povo indígena norte-americano que habitou o
território correspondente ao Canadá). Eles possuíam uma língua comum e
sobreviviam do cultivo de feijão, milho e abóbora. A caça e a pesca forneciam
alimento adicional aos huronianos que possuem várias reservas em Quebec e nos Estados Unidos.
Os
Estados Unidos, em 1812, invadiram o Canadá Inferior e o Canadá Superior, na
tentativa de anexar o resto das colônias britânicas na América do Norte,
desencadeando a Guerra de 1812. Os Estados Unidos não tiveram sucesso, recuando
ao tomarem conhecimento da chegada de tropas britânicas enviadas para
combatê-los, mas, ocuparam temporariamente as cidades de York (atual Toronto) e
Quebec, queimando-as ao se retirarem. Como o Reino Unido ainda mantinha o
controle das relações exteriores do Canadá, ao abrigo da Lei da Confederação,
com a declaração britânica de guerra em 1914, o Canadá foi automaticamente
envolvido na 1ª grande guerra. O Canadá declarou guerra à Alemanha de forma
independente durante a 2ª guerra mundial sob o governo do primeiro-ministro
liberal William Lyon Mackenzie King, três dias após o Reino Unido. As primeiras
unidades do Exército canadense chegaram na Grã-Bretanha em dezembro de 1939. Em
1919, o Canadá entrou na Liga das Nações, independentemente do Reino Unido e,
em 1931, o Estatuto de Westminster, afirmou a Independência do Canadá. O Domínio
de Terra Nova (Terra Nova e Labrador), equivalente do Canadá e
da Austrália como um domínio, uniu-se ao Canadá em 1949. O crescimento do
Canadá, combinado com as políticas dos sucessivos governos liberais, levou ao
aparecimento de uma nova identidade canadense, marcada pela adoção da atual
bandeira, em 1965, a aplicação do bilinguismo oficial ocorreu em 1969, e o
multiculturalismo oficial em 1971. O Quebec passou por profundas mudanças
sociais e econômicas através da “Revolução Tranquila”, dando origem a um
movimento separatista radical na província Front de libération du Québec
(FLQ), cujas ações culminaram na Crise de Outubro de 1970.
O
termo Amish surgiu originalmente do nome do líder religioso Jakob Amman (1644-1712),
um suíço anabatista, defensor radical da Reforma Protestante, a Igreja
Mennonita, que debateu fervorosamente ideias religiosas para que a Bíblia fosse
interpretada de forma literal. Por conta de sua influência, houve uma ruptura
entre os radicais, e os seguidores de Amman ficaram reconhecidos como Amish. No
contexto da comunidade Amish, além de os anabatistas pertencerem a uma ala
radical da Reforma são contra o batismo de bebês. Segundo acreditam, esse
ritual só deve ser realizado quando o cristão for capaz de aceitar a sua fé.
Assim, geralmente, os Amish se batizam provavelmente entre os 18 e os 22 anos
de idade e, só depois disso, eles podem realizar o desejo se casar, e apenas
com membros de sua própria igreja, evidentemente. Ao contrário de outros grupos
cristãos, que tentam converter pessoas para a sua fé, os Amish não participam
de “missões” nem de “trabalhos de evangelização” para aumentar o número de
fiéis. Quem quiser se converter primeiro precisa aprender o dialeto
falado pelos Amish, derivado do alemão, abandonar os luxos da vida moderna,
passar uma temporada na comunidade e ser aceito por meio de uma votação. Os
Amish são contra as formas de violência e, ipso facto, os membros da
comunidade não ingressam nas Forças Armadas de seus países.
Rumspringa
se refere ao rito de passagem (cf. Van Gennep, 1978), compreendendo um período de “liberdade” ao
qual os adolescentes têm direito quando atingem os 16 anos de idade. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, mortes, casamentos e formaturas. Em nossa sociedade, os ritos ligados a nascimentos, mortes e casamentos são praticamente monopolizados pelas religiões. Durante o
Rumspringa, os jovens podem fazer uma série de coisas que eles normalmente
seriam proibidos de fazer, como ir ao cinema e aprender a dirigir, por exemplo,
embora alguns aproveitem “para provar bebidas alcoólicas e até drogas”. Basicamente,
as mulheres das comunidades Amish se limitam apenas serem “donas de casa e se
ocupam de cozinhar, costurar, limpar, organizar o lar e ajudar os vizinhos”. Em locais públicos, elas quase sempre são vistas seguindo os
maridos. Os homens têm papel dominante nas comunidades, e é possível distinguir
os casados dos solteiros por conta da barba. Apenas pela barba, já que “os
bigodes são proibidos”. As crianças são alfabetizadas em escolas paroquiais por
integrantes da comunidade e, mais tarde, em casa por membros de
sua família para realizar atividades relacionadas com a agricultura e carpintaria. Os membros que não “andarem na linha” podem sofrer duras
consequências. Dependendo da infração, os transgressores são isolados pela comunidade para que envergonhados, assim voltem para a
igreja onde seus erros são apontados.
Ritos
de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no
interior de sua comunidade. Os ritos de passagem (cf. Van Gennep, 1978) podem
ter caráter social, comunitário ou religioso.
Ritos de passagem são aqueles que marcam momentos importantes na vida
das pessoas. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, mortes, casamentos e
formaturas. Em nossa sociedade, os ritos ligados aos nascimentos, mortes e
casamentos são praticamente monopolizados pelas religiões. Já as formaturas não
costumam ser, em si, religiosas, mas frequentemente têm importantes momentos
religiosos. O termo foi popularizado pelo antropólogo franco-holandês Arnold
van Gennep no início do século XX, mas também desenvolvido por Mary Douglas e
Victor Turner na década de 1960. Em todas as sociedades chamadas pela
antropologia colonialista de “primitivas”, determinados momentos na vida de
seus membros eram marcados por cerimônias especiais, reconhecidas como “ritos
de iniciação” ou “ritos de passagem”. Essas cerimônias, mais do que representarem
uma transição ritual para o indivíduo, representam sua
progressiva aceitação e participação tanto na sociedade local e
simultaneamente global em que está disponível, sendo a representação social de
cunho tanto individual quanto coletivamente.
Geralmente,
a primeira dessas cerimônias era praticada dentro do próprio ambiente familiar,
logo em seguida ao nascimento. Nesse rito, o recém-nascido era apresentado aos
seus antecedentes diretos, e era reconhecido como sendo parte da linhagem
ancestral. Seu nome, previamente escolhido, era então pronunciado para ele pela
primeira vez, de forma solene. Anos mais tarde, ao atingir a puberdade, o jovem
passava por outra cerimônia. Para as mulheres, isso se dava geralmente no
momento da primeira menstruação, marcando o fato que, entrando no seu período
fértil, estava apta a preparar-se para o casamento. Para os rapazes, essa
cerimônia geralmente se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do
primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias
significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo: ao
derramar sangue para a preservação da comunidade pela procriação ou pela
alimentação, ela estava simbolicamente misturando o seu próprio sangue ao
sangue do seu clã. Variadas cerimônias marcavam, ainda, a idade adulta. Entre
os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do
peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas.
A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição
à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali. Outras cerimônias seguiam-se,
ao longo da vida. O casamento era uma delas, e os ritos fúnebres eram
considerados como a última transição, aquela que propiciava a entrada no
chamado “reino dos mortos” e garantia o retorno futuro ao “mundo dos vivos”.
Nas
sociedades contemporâneas muitos desses ritos subsistiram embora muitos deles
esvaziados do seu conteúdo de sentido simbólico. Batismo e festas de aniversário
de 15 anos, por exemplo, são resquícios desse tipo de cerimônia, que hoje
representam muito mais um compromisso social do que a demarcação do início de
uma nova fase na vida do indivíduo. No entanto, a troca do símbolo pela
ostentação pura e simples, acaba criando a desestruturação do padrão social. Os
ritos de passagem estão inseridos em algumas das religiões afro-brasileiras,
estando mais presentes no Culto de Ifá, nos rituais Candomblé e Culto aos Egungun
que, seguindo as tradições africanas, fazem o ritual do nascimento, ritual do
nome quando uma criança é “apresentada ao Orun e ao Tempo, ritual de iniciação
ou feitura de santo, algumas fazem o ritual do casamento, o ritual fúnebre e o
ritual do Axexê quando a pessoa iniciada morre”. A Umbanda e Quimbanda
não incluem os ritos de passagem, nem feitura de santo propriamente dita, uma
vez que não incorporam Orixás, usa-se o termo “fazer a cabeça” onde pode
existir a catulagem e pintura, porém a cabeça não é raspada completamente, e
não tem imposição do adoxú. A reclusão nesses casos é de 3 a 7 dias, feita a
instrução esotérica, aprendizado das rezas e pontos riscados e cantados, e é
feita a apresentação pública naquele espaço reservado.
Isto
porque na segunda metade do século XIX, os amish se dividiram em vários
subgrupos, dentre os quais os amish da antiga ordem incluem aproximadamente um
terço da comunidade. A maioria dos subgrupos perderam suas peculiaridades
amish, não da ordem antiga, mas assimilaram-se mais ou menos à sociedade
majoritária norte-americana. Os subgrupos amish mais ou menos assimilados e que
ainda existem são os menonitas amish e os beachy amish. Os primeiros amish
começaram a migrar para os Estados Unidos da América no século XVIII, para
evitar perseguições e o serviço militar obrigatório. Os primeiros foram para o condado de Berks, Pensilvânia. É um dos 67 do estado
norte-americano da Pensilvânia. A sede e maior cidade do condado é Reading. Foi
fundado em 11 de março de 1752. O condado possui uma área de 2 242 km², dos
quais 24 km² estão cobertos por água, uma população de 411 442 habitantes, e
uma densidade de 185,5 habitantes/km² segundo o censo nacional de
2010.
Se
a indisciplina for considerada grave como adquirir um computador, ser
pego tomando bebidas alcóolicas e não ajoelhar durante o culto, os acusados
podem ser banidos e expulsos, e todo e qualquer contato com essas pessoas é
completamente cortado. O mais interessante é que, apesar de ser um grupo
incrivelmente conservador e com regras pra lá de severas, estima-se que entre
80% e 90% das crianças Amish crescem e permanecem na comunidade. Uma das
festividades mais icônicas dos Amish é a construção de celeiros, quando a
comunidade se reúne para edificar para um dos membros do grupo, e o gesto serve
para simbolizar o ato de desprendimento pessoal e o intuito de ajudar os
demais. Amish representa um grupo religioso cristão anabatista baseado nos
Estados Unidos da América e no Canadá. São reconhecidos pelos costumes
ultraconservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive
telefones e automóveis. Quando se fala dos amish, quase sempre se refere aos amish
da antiga ordem (“Old Order Amish”).
As
relações entre Canadá e Estados Unidos abrangem mais de dois séculos. Isto
inclui uma herança colonial britânica compartilhada, conflitos entre 1770 e
1812, e o eventual desenvolvimento de um dos relacionamentos de maior sucesso
internacional no mundo moderno. Um é o principal parceiro econômico do outro, e
o turismo em grande escala e a migração entre as duas nações aumentou as
semelhanças. A ruptura mais grave na relação bilateral ocorreu com a Guerra de
1812, que viu uma invasão dos Estados Unidos da então América do Norte
Britânica, e contra-invasões de forças britânico-canadenses. A fronteira foi
desmilitarizada após a guerra e, além de incursões menores, manteve-se
pacífica. Um volume intenso de comércio e migração entre os Estados Unidos e o
Canadá tem gerado uma maior aproximação, especialmente após a assinatura do Acordo
de Livre Comércio Canadá - Estados Unidos, em 1988. Canadá e os Estados
Unidos representam a maior parceria comercial do mundo. Além disto, as duas
nações possuem a maior fronteira compartilhada do planeta, com 8.891 km de
extensão, e também mantêm significante interoperabilidade na área de defesa e
segurança.
As
recentes dificuldades nas relações canadiano-americanas devem-se às disputas
comerciais, questões sobre o meio ambiente (habitat) e à constante
preocupação do governo canadense sobre a exportação petrolífera. Apesar disto,
o comércio manteve o crescimento, especialmente após a solidificação da Nafta,
bloco econômico formado pelos três países da América do Norte, é marcado pelo
protagonismo dos Estados Unidos da América e pelas várias críticas existentes.
O Nafta – sigla em inglês para Tratado Norte-Americano de Livre Comércio –
é um bloco econômico composto por Estados Unidos, México e Canadá de cooperação
em diversas áreas, troca de recursos, serviços e população permanecem fortes
com o estabelecimento de agências de inspeção de fronteiras que atuam em ambos
os territórios. No florescer da Revolução Americana, os revolucionários
americanos esperavam o apoio dos franco-canadianos no Québec e colonialistas na
Nova Escócia, sendo que ambos os grupos estavam previamente autorizados a unir
forças com o Exército Continental pelos Artigos da Confederação.
Quando
o Canadá foi invadido, milhares uniram-se à causa americana e formaram
regimentos que combateram durante o restante do conflito; contudo a maioria dos
canadenses mantiveram neutralidade ou passaram ao lado britânico. A
Grã-Bretanha salientou que os direitos dos franco-canadenses já haviam sido
assegurados pelo Ato do Québec, o qual foi visto pelas colônias americanas como
um dos Atos Intoleráveis. A invasão americana foi um fiasco e os britânicos
ampliaram seus domínios aos territórios do norte. Em 1777, uma grande invasão
britânica a Nova Iorque desencadeou a rendição de todo o Exército Britânico em
Saratoga e culminou na entrada da França no conflito ao lado dos americanos.
Após a Guerra da Independência, o Canadá se tornou refúgio de cerca de
75 mil legalistas que desejavam ou foram compelidos a deixar os Estados Unidos.
Entre os legalistas, 3.500 eram afro-americanos. A maioria mudou-se para Nova
Escócia, em 1792, 1.200 destes povos migraram para Serra Leoa. Cerca de 2 mil
africanos foram escravizados por colonos legalistas nesta condição até a
abolição da escravidão em 1833. Antes de 1860, cerca de 30 mil africanos entraram
no Canadá.
A
maioria das comunidades Amish que foram estabelecidas na América do Norte, no
final não mantinham sua identidade Amish. A divisão principal que resultou na
perda de identidade de muitas congregações amish ocorreu no terceiro quartel do
século XIX. Nos anos após 1850, as tensões aumentaram entre os Amish. Entre
1862 e 1878, foram realizadas conferências ministeriais anuais, sobre a questão
como os amish deveriam lidar com as tensões causadas pelas pressões da
sociedade moderna. Não foi possível chegar a um compromisso entre os amish
tradicionalistas e os amish mais progressistas o que levou a isso, que os bispos
mais tradicionais concordaram em boicotar as conferências. Os amish
progressistas, compreendendo cerca de dois terços, tornaram-se conhecidos pelo
nome menonitas amish (Amish Mennonites), eventualmente, a grande
maioria unira-se à igreja menonita e outras denominações menonitas no início
do século XX. Os grupos tradicionais são conhecidos amish da antiga ordem (Old
Order Amish). Como nenhuma divisão ocorreu na Europa, as congregações Amish
que lá permaneciam, tomaram o mesmo caminho que os menonitas amish e lentamente
se fundiram com os menonitas.
Estimativas do início da década de
2000 registravam a existência de 198 mil membros da comunidade Amish no mundo,
sendo 47 mil apenas na Pensilvânia. Esses grupos são compostos por descendentes
de algumas centenas de alemães e suíços que migraram para os Estados Unidos da
América e o Canadá. Os amish preferem viver afastados do restante da sociedade.
Eles não prestam serviços militares, não pagam a Segurança Social e não aceitam
qualquer forma de assistência do governo. Todos evitam até mesmo fazer seguro
de vida. A grande maioria fala um dialeto alemão reconhecido como “Alemão da
Pensilvânia”. Eles dividem-se em irmandades (affiliations), que por sua
vez se divide em distritos ou congregações. Cada distrito é independente e tem
suas próprias regras de convivência. - Homens usando ternos e chapéus pretos e
mulheres com a cabeça coberta por um capuz branco e com um vestido preto. Os
amish não gostam de ser fotografados. Interpretam com a Bíblia, que um cristão não deve manter sua própria imagem. Eles acreditam também
que ser fotografado mostra falta de humildade. O filme A Testemunha, com
Harrison Ford, mostra o modo de vida dos amish.
É
um filme norte-americano de 1985, do gênero policial, dirigido por Peter Weir e
baseado em história social de Pamela Wallace, William Kelley e Earl W. Wallace.
A viúva Rachel e seu filho amish Samuel, de oito anos, pretendem viajar para
Baltimore, mas na estação de trens da Filadélfia, o menino presencia o
assassinato de um policial e reconhece outro policial como o assassino. Para
protegê-los, John Book, o policial encarregado do caso, resolve levá-los de
volta para a comunidade a que eles pertencem e que recusa os benefícios
da vida moderna. Ao ser ferido pelos assassinos, o detetive precisa permanecer
na comunidade até que se recupere da enfermidade e encontra dificuldades para
se adaptar ao novo estilo de vida. Ao final os suspeitos e John travam uma
batalha final. O culto Amish é praticado desde a mesma concepção do
Anabatismo da Reforma, consiste quase não de atos rituais, mas principalmente
de sermão e canção. Dunkers ou Igreja dos Irmãos (Schwarzenau
Brethren) representam grupos de cristãos de doutrina pietista-anabatista
organizados na Alemanha no século XVIII. Em agosto de 1708, no distrito de
Schwarzenau, sob a liderança de Alexander Mack, um grupo de oito pessoas do
movimento pietista alemão, foi batizado por trina imersão no Rio Eder, o batismo suevo da epístola De Trina Mersione, escrita por Martinho de
Dume.
Esse
grupo de pietistas sofreu profunda influência anabatista, o que o levou a essa
decisão pelo rebatismo. Também reconhecidos como Neu Taufers (“novos
batistas”), Tunkers, Dunkers ou Irmãos Batistas Alemães,
organizaram-se sem muita hierarquia, proclamando, diferentemente de outros
anabatistas, que só tinham como credo o Novo Testamento, chegando a dizer só a
Jesus Cristo. Perseguidos no Velho Continente, em 1720 haviam imigrado para a
Pensilvânia, povoada por imigrantes quakers tolerantes. Não se considerando
evangélicos nem católicos, os Tunkers mantiveram crenças peculiares, como ágape,
o batismo por trina imersão e o ósculo santo. Eram, a princípio,
universalistas, acreditando na salvação de todos, pacifistas radicais, não
escravagistas e apolíticos. Entre o fim do século XIX e século XX,
dividiram-se em várias denominações, algumas mais liberais e com o maior número
de membros; outras mais conservadoras, como os amish não usam
automóveis, apenas carroças e charretes, eletricidade, telefone e se vestem de
forma peculiar. Algumas se tornaram evangélicas.
De
acordo com Max Weber (2003) historicamente a doutrina da predestinação é também
o ponto de partida do movimento ascético conhecido como pietismo. Na medida em
que o movimento social permaneceu dentro da Igreja Reformada, é quase
impossível traçar a linha entre os calvinistas pietistas e os não-pietistas.
Quase todos os principais representantes do puritanismo são às vezes classificados
como pietistas. É legítimo considerar-se toda a conexão entre a predestinação e
a doutrina da prova, com seu fundamental interesse pela obtenção da certitudo
salutis, como um desenvolvimento pietista das doutrinas originais de
Calvino. A ocorrência de revivescências ascéticas dentro da Igreja Reformada,
em especial na Holanda, foi regularmente acompanhada por uma regeneração da
doutrina da predestinação temporariamente esquecida, ou não estritamente
conservada. Daí, não ser costumeiro na Inglaterra o uso do termo pietismo. Mesmo
o uso do pietismo continental na Igreja Reformada (holandês e do Baixo Reno),
pelo menos fundamentalmente, como, por exemplo, as doutrinas de Bailey, nada
mais foi que uma simples intensificação do ascetismo reformado. Foi posta tanta
ênfase na práxis pietatis que a ortodoxia doutrinal passou para segundo
plano, parecendo às vezes, de fato, quase um assunto sem importância. Aqueles predestinados
para a graça podiam ocasionalmente estar sujeitos ao erro dogmático assim como
a outros pecados, e a experiência mostrou que frequentemente aqueles cristãos
que quase não tinham orientação da teologia acadêmica exibiam claramente os
frutos da fé, e ficou evidente que o mero conhecimento da teologia não garantia
a prova de fé através da conduta.
A
eleição não podia ser aprovada pelo conhecimento teológico. O Pietismo, com uma
profunda desconfiança na Igreja dos Teólogos da qual oficialmente ainda pertencia,
começou a reunir os adeptos da chamada práxis pietatis em conventículos separados na trradição do
mundo. Ele desejava tornar, a invisível Igreja dos eleitos, visível nesta
terra. Sem chagar a formar uma seita separada, seus membros tentaram viver
nesta comunidade uma vida livre das tentações do mundo, e ditada as minúcias
pela vontade divina, para, assim, tornarem-se seguros de sua própria redenção,
por sinais externos manifestos em sua conduta diária. Deste modo, a eclesiola
dos verdadeiros convertidos – isto era comum a todos grupos genuinamente
pietistas – desejava, por meio do ascetismo intensificado, gozar a
bem-aventurança da comunidade com Deus nesta vida. Esta última tendência tinha
algo que se aproximava da unio mystica luterana, e muitas vezes levou a
uma ênfase maior no lado emocional da religião, do que aceita pela média dos
calvinistas ortodoxos. O que é singular na sociologia clássica, e Max Weber acentua, é que se pode
dizer que é esta característica decisiva do Pietismo desenvolvido dentro da
Igreja Reformada, pois este elemento de emoção, originalmente, bem
estranho ao calvinismo, estava relacionado com certas formas religiosas
medievais, levou a religião na prática a empenhar-se muito mais no gozo da
salvação do que na luta ascética pela certeza do mundo futuro.
Além
disso, a questão da emoção podia ter tanta intensidade que a religião assumiu um caráter positivamente
histérico, assim resultando na alternação reconhecida por inúmeros exemplos e
neuropatologicamente compreensíveis, de estados semiconscientes, de êxtase
religiosa com períodos de exaustão nervosa, que eram sentidos como “abandono”
de Deus. O efeito era, exatamente o oposto da disciplina estrita e temperada
sob a qual os homens eram colocados pela sistemática vida de santidade no puritanismo.
O pietismo da Europa continental e o metodismo dos povos anglo-saxões são considerados
movimentos secundários, tanto em seu conteúdo de ideias, como em sua
importância histórica. No entanto, encontramos ao lado do calvinismo uma
segunda fonte independente do ascetismo protestante no movimento batista e nas
seitas que, no decorrer dos séculos XVI e XVII dele se derivaram, quer diretamente,
quer por adoção de suas formas de pensamento religioso: os batistas, menonitas,
e, principalmente, os quakers. Com
elas, chegamos a compreender a relação social entre grupos religiosos cuja ética está em uma base que difere, em
princípio, da doutrina calvinista.
As ideias mais importantes de todas essas comunidades,
que são importantes e cuja influência no desenvolvimento da cultura somente
pode ser esclarecida em uma conexão diferente, são algo com que já estamos familiarizados:
os crentes da Igreja. Isto significa que a comunidade religiosa – a “Igrejas
visível” na linguagem das Igrejas da Reforma – já não era considerada como um
tipo de fundação de confiança para fins extraterrenos, como uma instituição que
necessariamente incluísse tanto os justos como os injustos, seja para
enaltecera glória de Deus (calvinista), seja como um meio de trazer aos homens
os meios de salvação (católica e luterana), mas apenas como uma comunidade de
pessoas que creem na renovação, e somente estas. Em outras palavras, não uma
igreja, mas uma “seita”. Só isto é que deveria simbolizar o princípio, em su
puramente externo, de que apenas os adultos que tivessem pessoalmente adquirido
sua própria fé deveriam ser batizados. A justificação através desta fé era para
os batistas – como eles insistentemente repetiam em todas as discussões
religiosas – radicalmente diferente da ideia de “trabalho no mundo” a serviço
de Cristo, tal como estabelecia o dogma ortodoxo do velho protestantismo. Ela
consistia mais na tomada de posse espiritual de Seu dom da Salvação. Esta ocorria
através da revelação individual: pela ação do Divino Espírito no indivíduo, e
apenas deste modo.
Os
chamados Brethren batistas alemães são mais conservadores e usam a veste
peculiar da tradição Tunker. No fim do século XIX os ramos mais liberais que defendem
uma ampla gama de pontos de vista, dependendo da sua compreensão desses
princípios, estiveram entre os primeiros cristãos a permitir que mulheres pregassem,
e, no princípio do século XX, elas podiam ser ordenadas no ministério. Nos anos
de 1980 começou uma discussão, ainda em curso, sobre a plena aceitação de gays
e lésbicas e também a sua ordenação. O culto é voltado a Deus e não tem o
carácter per se evangelizador, portanto, práticas como “chamada ao altar”
ou “aceitar Jesus” não existem. Não constroem igreja, assim reúnem-se em casas
privadas ou celeiros. As mulheres sentam-se separadas dos homens e cobrem a
cabeça com um véu. O culto inicia com uma invocação de algum dos anciãos,
seguem-se hinos, cantado do hinário Ausbund, que é o mesmo texto desde o
século XVI e não contém notação musical. Há dois sermões, um mais curto e um
mais longo. Entre os sermões há uma oração onde todos se ajoelham silenciosamente
até que algum membro masculino ore convicto pela igreja. A leitura e pregação
da Bíblia é realizada extemporaneamente, sem sermões preparados e os anciãos (Älteste
ou Elders) abrem as Escrituras aleatoriamente. Seguem uma oração do
ministro e uma benção final.
A
congregação se despede com um ósculo santo, também reconhecido por “beijo
da paz”, foi uma forma de cumprimento criada por Jesus Cristo, segundo a
religião cristã. O ato consiste em dar um beijo na face de outra pessoa, em
sinal de fraternidade. Com os lábios cerrados, o beijo é descrito apenas como
um toque sútil em alguma parte do rosto da pessoa. Uma das maiores comunidades
Amish no mundo ocidental fica na Pensilvânia. Em outubro de 2006, uma chacina na
escola Amish resultou na morte de cinco crianças entre 6 e 13 anos, além do
atirador de 32 anos que se suicidou. O atirador era um motorista de caminhão de
leite que atendia a comunidade. Fez reféns 10 meninas. No mesmo dia, membros da
comunidade visitaram a família de Roberts (o motorista) para dizer que o
perdoavam. No enterro das meninas, o avô de uma das vítimas disse às outras
crianças: - “não devemos odiar aquele homem”. O fato social inspirou o filme Grace. Os Amish são vezes confundidos com comunidades reservadas, como os Menonitas traditionais, os Dunkers ou os
Huteritas. Os costumes como não usar energia elétrica, é o que fazem deles tão
diferentes. Eles também não usam aparelhos eletrônicos.
Finalizando,
Marshall McLuhan foi um arguto pensador e destacado teórico da comunicação social canadense, reconhecido por vislumbrar a “rede mundial de comunicação” - internet - quase
trinta anos antes dela possa ter sido implementada. Ficou também famoso por sua
máxima de interpretação da realidade social segundo a qual “O meio é a
mensagem”, e por ter cunhado o termo comunicativo de Aldeia Global. O
mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o meio de trabalho através do
qual a mensagem é transmitida. Isto porque independente da sua utilidade, afeta
a sociedade de algum modo além da finalidade para a qual foi criado. Ele tinha
o objetivo de indicar que a utilidade de uso de novas tecnologias eletrônicas tendem a encurtar distâncias
e o progresso social entre elas tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que
ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma,
interligados. Foi pioneiro dos estudos culturais e filosófico das
transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica do computador e
das redes de telecomunicações. Em 1921, Marshall demonstrou sua aptidão para o
manejo das comunicações ao construir um receptor para captar transmissões de
uma rádio do centro-oeste americano. Em meados da década de 1930, começou a
lecionar na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.
Interessou-se social e tecnologicamente pelo estudo da cultura popular. Após se fixar converteu-se ao
catolicismo, decisão favorecida pela leitura da coletânea de ensaios de
Gilbert Keith Chesterton “What`s wrong in the world” (2006).
A
sua obra: Understanding Media: The Extensions of Man, de 1964, apresenta-se
como aquela onde aflora toda a tessitura integrada nesta emissão comunicativa.
No entanto, viria a fazer outra: The Place of Thomas Nashe in the Learning of
His Time para a Universidade de Cambridge, em 1942, na qual analisou a história social das artes verbais clássicas, a saber a Gramática, a Retórica, e a Lógica,
reconhecidas também, nos tempos medievais, como parte do trivium. É
precisamente nessa abordagem histórica que Marshall McLuhan mergulha, referindo-se que o
desenvolvimento-chave conducente ao Renascimento foi, precisamente, uma
alteração na importância dada à lógica, sendo relegada perante a retórica e a
própria linguagem. O ressurgimento da gramática surge, para o canadense, como a
principal caraterística da vida contemporânea, naquilo que é o entendimento dos
objetos per se. As influências sofridas por McLuhan no seu trabalho incluíram
um filósofo jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. Algumas das ideias veiculadas anteciparam o que seria a maturidade do seu pensamento, em
especial o desenvolvimento da mente humana até ao estado de
noosphere. Este foi um dos conceitos mais rebatidos em The Mechanical Bride, em
que a externalização dos sentidos, naquilo que é a feitura do chamado “cérebro
tecnológico” para todo o mundo, acaba por ser monitorizada por uma entidade
capacitada de regular essa informatização do mundo. A coexistência e a
interdependência surgem como valores imprescindíveis perante o medo da “parametrização” e “vigilância”.
Em
1944, regressou ao Canadá para lecionar durante dois anos na Assumption
University, uma universidade católica em Windsor, Ontário, Canadá, federada com
a Universidade de Windsor. Foi fundada em 1857 como Assumption College pela
Sociedade de Jesus e incorporada por uma lei do Parlamento do Alto Canadá,
recebendo Royal Assent, em 16 de agosto de 1858. Sua mãe era batista, professora de colégio e
atriz. Seu pai era metodista e corretor de imóveis. Em 1915, a família, de
origem escócio-irlandesa, mudou-se para Winnipeg, na área leste do Canadá. Em
1951, publicou o ensaio: The Mechanical Bride: Folklore of Industrial Man. Em
1952, tornou-se professor catedrático no St. Michael's College da Universidade
de Toronto. Entre 1953 e 1955, dirigiu o Seminário sobre Cultura e Comunicações
patrocinado pela Fundação Ford. Com o antropólogo Edmundo Carpenter (1922-2011),
reconhecido por seu trabalho em arte tribal e mídia visual, lançou o publicação
de revista sob a forma de artigos,
Explorations e editou a antologia Explorations in Comunication (1960).
Na década de 1960, já detinha uma sólida reputação como teórico da comunicação
social, tendo sido contratado pelo U.S. Office of Education e pela National
Association of Educational Broadcasters. Em 1962, publicou a obra máxima: The
Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man, que lhe proporcionou o Prêmio
Governador Geral de 1963. Recebeu a
Ordre du Canada em 1970, uma ordem nacional e a segunda maior honra ao mérito de ordens, condecorações e medalhas. Antecede apenas para
a participação na Ordem de Mérito, que é o dom pessoal do monarca do Canadá.
No
livro, o acadêmico analisa os efeitos sociais da mídia massiva e da invenção da
imprensa na cultura e na consciência europeia. Foi essa obra que popularizou o
termo e o conceito da aldeia global, alusão à intensa integração globalizada
através dos meios de comunicação em massa. Mas a teoria crítica diferia dessa
condição em vários aspectos. Antes de tudo, recusava-se a “fetichizar” o
conhecimento como algo separado da ação e superior a ela. Além disso,
reconhecia que a pesquisa científica desinteressada era impossível em uma
sociedade em que os próprios homens ainda não eram autônomos, o pesquisador era
sempre parte do objeto social que tentava estudar. Num comentário em que
respondia a Marshall McLuhan, trinta anos antes da recente popularidade deste,
Max Horkheimer escreveu: - “Inverta a frase que diz que as ferramentas são
extensões dos órgãos dos homens, para que os órgãos também sejam extensões das
ferramentas dos homens” – uma injunção endereçada até mesmo ao cientista social
“objetivo”, positivista ou intuicionista. Os dois extremos interpretavam mal as
subjetividades culturais, vendo-a como totalmente autônoma ou contingente.
Apesar de ser parte da sociedade, o pesquisador não era incapaz de se elevar nela. Na verdade, era seu dever revelar as forças e tendências negativas
da sociedade para outra realidade.
Na
mesma conjuntura, assumiu a diretoria do Centro de Cultura e Tecnologia da
Universidade de Toronto. Em 1964, publicou Understanding Media: The Extension
of Man, no qual prosseguia suas análises a respeito das consequências da
televisão, do telefone, do rádio e dos computadores para a reestruturação da
percepção humana do mundo contemporâneo. Em 1966, proferiu palestras no
Simpósio sobre Tecnologia e Comércio Mundial do National Bureau of Standards,
na Associação de Linguagem Moderna e na Sociedade de Relações Públicas da
América. Também foi convidado a assumir a cátedra de humanidades Albert
Schweitzer (1875-1965), importante teólogo, organista, filósofo e médico
alemão, na Fordham University, universidade privada, sem fins lucrativos e
católica dos Estados Unidos, com três campi ao redor da cidade de Nova Iorque.
Fundada pela Diocese Católica Romana de Nova Iorque em 1841. No ano seguinte,
publicou The Medium is The Message: An Inventory of Effects. Em 1968, publicou Guerra
e Paz na Aldeia Global, prevendo que o mundo deixaria de se tornar tribal e
fragmentado passando a uma aldeia integrada pela tecnologia elétrica. Marshall McLuhan
permaneceu na Universidade de Toronto até 1979, quando teve um derrame que
afetou sua habilidade de falar. Nunca mais se recuperou falecendo em 1980.
Bibliografia geral
consultada.
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Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião.
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CARDOSO, Tatiana Cristina, Americanismo e Cinema Hollywoodiano no filme A
Felicidade não se Compra. Dissertação de Mestrado. Programa de
Pós-graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal
de Goiás, 2018; TIRABOSCHI, Fernanda Franco, (De)colonialidades na Educação
Literária em Língua Inglesa: Construção Crítico-colaborativa de Sentidos Rumo a
Travessias Interculturais. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em
Letras e Linguística. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2022; entre
outros.
“Mulheres que amam de coração morrem se não chorarem”. Aziz Nesin
A
distância comunicativa pela via aérea (abstrata) entre o centro
geográfico de Turquia e o centro de Reino Unido é 3382 km, ou 2102 milhas, ou ainda
1826 milhas náuticas. Numa Londres que se tornara a grande cidade de refúgio
para exilados de todos os países, o Soho era o centro preferido pelos
alemães, particularmente os democratas, republicanos e socialistas. Enquanto os
alemães sem qualificação profissional que trabalhavam em padarias moravam no
East End, e os mais sofisticados frequentavam os salões de St. John`s Wood,
para os radicais - especialmente artesãos - o Soho, com sua Associação
Educacional dos Trabalhadores Alemães na Great Windmill Street, era um
óbvio ponto de atração. Era mais fácil encontrar esses alemães nas vizinhanças
de Oxford Street, perto de Leicester Square, ou no centro daquele labirinto de
ruelas tortas entre Saint Martin`s Lane e a igreja de Santa Ana, no Soho. Nos
anos 1850 era uma região superlotada, com uma média de catorze pessoas por
casa, e particularmente insalubre, uma vez que o abastecimento de água em
algumas partes era contaminado. Como disse Marx, era “um distrito excelente
para a cólera” e foco de um surto isolado em Londres em 1854. Marx e Jenny exilados
não tinham planejado morar no Soho. Depois de penhorar sua prataria em Frankfurt,
vender a mobília em Colônia e ser obrigada a deixar Paris, Jenny tinha chegado
a Londres com três crianças e uma quarta dentro de um mês. Ao
desembarcar, foi recebida por um dos amigos do grupo periodista Newe
Rheinische Zeitung, Georg Weerth (1822-1856), que a instalou numa pensão em
Leicester Square, uma praça para pedestres no West End de Londres, Inglaterra.
Foi estabelecido em 1670 como Leicester Fields, que recebeu o nome da
recém-construída Leicester House, em homenagem a Robert Sidney (1595-1677), 2º
Conde de Leicester. Marx
cresceu numa família de classe média alta, filho do advogado Heinrich Marx e de
Henriette Pressburg, “dona de casa” holandesa pertencente à família Phillips -
cujo sobrenome curiosamente é referência em aparelhos eletrônicos. Judeus, os
pais de Marx se converteram ao cristianismo por causa da repressão religiosa
que marcou a monarquia absolutista prussiana cuja legislação proibia “não
cristãos” de ocuparem cargos públicos. Os decretos foram ignorados nos tempos
em que Trier foi anexada à França por Napoleão, mas voltaram a ser cumpridos
depois da derrocada do imperador francês, em 1815. Até de nome o pai do futuro
filósofo materialista mudou: Herschel Mordechai virou Heinrich Marx, em 1818. A
conversão foi fundamental no destino de Marx. O primogênito assumia o cargo de
rabino de Trier, tradição que acabou com o irmão mais velho de Heinrich. A
ironia quase kierkegaardiana é que o filósofo que poderia ter virado rabino,
famoso como o homem que compreendeu que a religião é fundamental à crítica
analítica da exploração do próprio homem, pois crê que as concepções
metafísicas em geral e religiosas em particular tendem a desresponsabilizar os
homens pelas consequências de seus atos. A
mãe de Marx se chamava Henriette Pressburg (1787-1863) e era descendente de
rabinos.
A influência dela no pensamento do filho parece ter sido “periférica”,
se considerada em relação à publicação de Marx do ensaio: Zur Judenfrage
(1844). O pai de Karl, Hirschel Marx (1777-1838) era advogado e conselheiro de
justiça, descendente de uma família de rabinos, tendo abandonado o judaísmo em
1824, quando se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições
ideológicas impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público
alemão, quando Marx tinha seis anos. Karl Heinrich Marx e a mãe, Henriette Pressburg
de origem judia holandesa provavelmente abandonaram o judaísmo porque naquela
conjuntura ultraconservadora e racista os cargos públicos não eram permitidos a
quem era de origem hebraica, na Renânia. Em 1842, o jovem filósofo assumiu a
chefia da redação do jornal Renano em Colônia, onde seus artigos inscritos no
radicalismo democrata comparativamente como ocorria na sociedade
norte-americana, irritaram as autoridades antiliberais censoras. Em 1843, Marx
mudou-se para Paris, editando em 1844 o primeiro volume dos Anais
Franco-Alemães, órgão principal difusionista dos hegelianos ditos
de “esquerda”. Entretanto, Marx viria a romper historicamente com os líderes deste movimento social,
Bruno Bauer (1809-1882) e Arnold Ruge (1802-1880).
Essa mentalidade de Herschel era condicionada pelo liberalismo da região em que vivia, isto é, em Trier, onde Karl Marx nasceu e viveu até ir
para a Universidade. Esta cidade situa-se na Renânia alemã, região que foi
anexada e governada pela França revolucionária durante em bom tempo, o que fez
dela um dos lugares da Alemanha mais impregnado dos princípios e do espírito
revolucionário. O próprio pai de Marx, um advogado reconhecido e durante muito
tempo foi presidente da associação dos advogados da cidade, também estava
intimamente ligado com o movimento liberal radical renano. Ele era membro da
sociedade literária, o “Trier Cassino Club”, fundado durante a ocupação
francesa e assim chamado por ser um lugar praticado de encontro político. O pai de Marx
era um intelectual meticuloso, e passava seu tempo antes lendo que recitando,
enquanto a mãe falava mal alemão, com seu forte sotaque holandês. Ela não
participava da sociedade de Trier e parecia não ter intenção de expandir seu
mundo além das necessidades de sua família. Eram amorosos, mas não exatamente
alegres, mas prósperos - o trabalho duro de Heinrich e a
parcimônia da família lhes permitia comprar dois pequenos vinhedos, mas sem
fartura.
Marx
respeitava a integridade de seu pai, apesar de frequentemente se rebelar contra
seus conselhos. Ludwig von Westphalen e Heinrich Marx estavam entre os duzentos
protestantes da cidade e eram membros seletos dos mesmos clubes sociais e
profissionais. Karl Marx e Edgar von Westphalen eram colegas de classe: na
verdade Edgar seria o único amigo de Karl desde a época da escola. E Sophie
Marx, a irmã mais velha e mais íntima de Karl era coincidentemente amiga de
Jenny von Westphalen. As crianças estavam sempre umas nas casas das outras, e
talvez tenha sido a amizade de Karl com Edgar, mais do que sua relação com o
pai de Jenny que tenha primeiro chamado a atenção dela. Edgar, que era apenas
cinco anos mais novo que Jenny, era seu único irmão de pai e mãe, e ela
contariam a uma amiga, anos mais tarde que ele tinha sido o “o ídolo da minha
infância... meu único e amado companheiro”. Edgar era bonito e atraente com
seus cabelos desgrenhados que lhe davam ar de poeta, mas não era um
intelectual: era impulsivo como um menino, e, portanto, protegido pelos pais e
pela irmã mais velha. Relativamente
estudioso Marx foi visto como uma boa influência para ele.
Qualquer que fosse o caso, Karl foi
absolvido pela família: por Edgar, o primeiro discípulo de
Marx; por Ludwig, encantado com o cérebro notável do rapaz; e por Jenny, que
não conseguiu ficar indiferente àquele adolescente que impressionava tanto os
dois homens que ela mais amava em meio a tudo isso, o pai de Marx se manifestou
contra o governo num discurso feito no clube a que ele e Ludwig von Westphalen
pertenciam. O Casino Club, a associação particular mais exclusiva de
Trier, de profissionais liberais, militares e homens de negócios, reuniram-se
em janeiro de 1834 para homenagear os membros mais liberais da dieta renana (a
assembleia da província). Heinrich Marx havia ajudado a organizar o encontro e
falou ao grupo, agradecendo ao rei por permitir que a dieta se reunisse como
corpo de representantes do povo e aplaudindo a Coroa por dar ouvidos aos
desejos de seus súditos. Mas apesar de seu discurso ser sincero, aquilo foi
interpretado como ironia e deixou alarmados os oficiais do governo. Semanas
mais tarde o clube voltou a se reunir, e dessa vez os discursos deram lugar às
proibidas “canções de liberdade”, entre elas a Marselhesa da França, que as
monarquias consideravam uma incitação à revolta equivalente a hastear a
bandeira vermelha. O que deixou os oficiais preocupados não foi tanto quem
estava cantando – os pilares da comunidade de Trier -, mas o fato de saberem a
letra de cor. O “frenesi do espírito revolucionário” ecoado em torno de 1830,
segundo um militar presente ao evento, não podia passar por uma aberração eventual.
O clube foi posto sob a vigilância e Heinrich Marx passou a ser visto com
suspeita pelo governo.
Os
poemas de Georg Weerth celebravam a solidariedade da classe trabalhadora em sua
luta pela libertação da exploração e da opressão. Ele era amigo e companheiro
de Marx e Engels, que descreveu Weerth como “o primeiro e mais importante poeta
do proletariado alemão”. Weerth nasceu na cidade de Detmold, na Vestefália,
filho do clérigo e reformador escolar Ferdinand Weerth. Ele morreu em Havana,
Cuba. Georg Weerth escreveu e editou a página do esboço que se tornou célebre no Neue Rheinische
Zeitung, um jornal alemão do qual Marx era editor-chefe. Sua escrita
provocativa e sátira pungente o levaram à prisão, após o que ele fugiu para a
Inglaterra. De 1843 a 1846, Weerth fez sua casa em Bradford, Inglaterra. Seis
meses desse tempo ele passou em contato próximo com Engels, cujo negócio era em
Manchester. Como Engels (2010), dedicou o tempo que restava de suas funções
como representante de uma empresa têxtil a estudar os efeitos da Revolução
Industrial na relação entre o proprietário e a classe trabalhadora. Weerth
participou de reuniões cartistas com os líderes do movimento George Julian
Harney e Ernest Jones. Ele informou sobre as condições londrinas para os
jornais alemães. Em 1846 deixou a cidade e foi morar em Bruxelas, onde Marx
tinha sua casa. Weerth sucumbiu à febre tropical em uma viagem a Cuba. Pouco
antes de sua morte, ele escreveu a Heinrich Heine que Cuba “seria o campo onde
os grandes conflitos do novo mundo seriam travados primeiro”.
A
descrição de Friedrich Engels (2010) assenta ao mesmo tempo em observações
concretas e nas obras que ele tinha a sua disposição. Ele reconhece Lancashire
industrial e sobretudo a região de Manchester, e que visitou as principais
cidades industriais do Yorkshire: Leeds, Bradford, Sheffield, assim como passou
várias semanas em Londres, Inglaterra. Representou o maior império em extensão
de terras descontínuas do mundo contemporâneo. Um império composto por relações
sociais de domínios, representação política de colônias, protetorados, mandatos
e territórios governados ou administrados exatamente pelo Reino Unido.
Originou-se com as conquistas das colônias ultramarinas e entrepostas
estabelecidas pela Inglaterra durante o final do século XVI e início do século
XVII. No seu auge, foi o maior império da história política e, por mais de um
século, foi a principal potência mundial. Em 1920 o Império Britânico dominava
cerca de 458 milhões de pessoas, sendo ¼ da população do mundo ocidental e
oriental e abrangeu mais de 35 500 000 km², quase 24% da área geográfica total
do planeta Terra. Como resultado, seu legado político, cultural e linguístico é
generalizado, globalizado. No auge do seu poder, foi dito muitas vezes que “o
sol nunca se põe no Império Britânico” devido à sua extensão de poder
geopolítico ao redor do mundo garantir que o Sol sempre estivesse brilhando em
pelo menos um de seus numerosos territórios invadidos e colonizados.
A
Terra, nossa casa, é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior
dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas
telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Na
canção de Guilherme Arantes, Terra planeta água (1983): - “Água que
nasce na fonte serena do mundo/E que abre um profundo grotão/Água que faz
inocente riacho e deságua/Na corrente do ribeirão/Águas escuras dos rios/Que
levam a fertilidade ao sertão/Águas que banham aldeias/E matam a sede da
população”. Lar de milhões de espécies de seres vivos, incluindo os seres
humanos, a Terra é o único corpo celeste onde é reconhecida a existência de
vida. O planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos, e a vida surgiu na sua
superfície depois de um bilhão de anos. Desde então, a biosfera terrestre
alterou de forma significativa a atmosfera e fatores abióticos do planeta,
permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, como a formação da camada de
ozônio, que em conjunto com seu campo magnético, bloqueia radiação solar
prejudicial, permitindo a vida no planeta. A sua superfície exterior é dividida
em segmentos rígidos, chamados placas tectônicas, que migram sobre a superfície
terrestre ao longo de milhões de anos. Aproximadamente 71% da superfície é
coberta por oceanos de água salgada, o restante consistindo de continentes e
ilhas, lagos e corpos de água que contribuem para a constituição da hidrosfera. Os polos opostos geográficos da Terra “encontram-se majoritariamente cobertos por mantos de gelo
ou por banquisas”.
O
interior da Terra permanece ativo e relativamente sólido, um núcleo externo líquido
que gera um campo magnético, e um núcleo interno sólido, composto, sobretudo
por ferro. A Terra interage com outros objetos em movimento no espaço, em
particular com o Sol e a Lua. A Terra orbita o Sol uma vez por cada 366,26
rotações sobre o seu próprio eixo, o que equivale a 365,26 dias solares ou
representa um (01) ano sideral. O eixo de rotação da Terra possui uma
inclinação de 23,4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital,
reproduzindo variações sazonais na superfície do planeta, com período igual a
um ano tropical, ou, 365,24 dias solares. A Lua representa o único satélite
natural reconhecido da Terra. O atual modelo consensual para a formação da Lua diz
respeito à hipótese do grande impacto. É uma hipótese astronômica que postula a
formação da Lua através do impacto de um planeta com aproximadamente o tamanho
de Marte, reconhecido como Theia, em confronto com a Terra. Ela é
responsável pelas marés, estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda a rotação do planeta. A Lua pode ter afetado dramaticamente o
desenvolvimento da vida ao moderar o clima do planeta. Evidências
paleontológicas e simulações de computador demonstram que a inclinação axial do
planeta é estabilizada pelas interações cíclicas de maré com a Lua.
Representou
um período histórico de colapso dos impérios mediante o processo civilizatório
da Espanha, China, França, Sacro Império Romano-Germânico e Mongol. Testemunhou
o crescimento dos impérios britânico, russo, Alemão, Japonês e Americano,
estimulando conflitos militares e avanços técnico-científicos. A rota comercial
do Volga foi estabelecida pelos varegues (víquingues) que se fixaram no
noroeste da Rússia no início do século IX. A Rota da Seda era a
principal rota de comércio que iniciava no planalto iraniano e seguia até
alcançar a parte ocidental da China, indo de oásis a oásis e margeando os
desertos da Ásia Central, sendo muito utilizada mesmo antes de ser oficialmente
autorizada. Cerca de 10 km ao sul da entrada do rio Volkhov no lago Ladoga,
eles estabeleceram um assentamento chamado Velha Ladoga. Esta, ligou o Norte da
Europa e o Noroeste da Rússia com o mar Cáspio, através do rio Volga. Os Rus`
usaram esta rota para negociar com países muçulmanos na costa sul do mar
Cáspio, às vezes penetrando até Bagdá. A rota funcionou concomitantemente com a
rota comercial do rio Dniepre, reconhecida como a rota comercial entre os
vareques e os gregos, e perdeu sua importância no século XI. Sacaliba (cf.
Tchékhov, 2018) refere-se a escravos eslavos, sequestrados das costas da
Europa, ou em guerras no mundo muçulmano medieval, no Oriente Médio, Norte da
África, Sicília e Alandalus. Eles serviam, ou eram forçados, os muitos
servos, concubinas de harém, eunucos, artesãos, escravos militares e como expresso
na violência dos guardas do califa. Almutaz foi o califa abássida entre 866 e
869 durante o período que ficou reconhecido “anarquia em Samarra”.
O
termo deriva do nome da capital e sede da corte do califado, a
cidade de Samarra. A “anarquia” começou em 861, com o assassinato de Mutavaquil
pelos gulans, sua guarda pessoal turca. Seu sucessor, Almontacir, reinou
por seis meses até morrer, possivelmente envenenado pelos chefes militares. Ele
foi, por sua vez, sucedido por Almostaim. Divisões internas nas forças
militares turcas permitiram que ele fugisse para Bagdá em 865, com o apoio de
parte dos líderes turcos e dos taíridas. Porém, o resto do exército turco
aclamou um novo califa - Almutaz - marchou contra Bagdá, cercando a cidade e
forçando uma rendição no ano seguinte, um conflito que ficou conhecido como
guerra civil abássida. Almostaim foi exilado e executado. Almutaz, que era um
líder habilidoso e energético, tentou controlar os líderes militares e
excluí-los da administração civil, mas encontrou forte resistência. Em julho de
869, ele também foi deposto e assassinado. Seu sucessor, almutadi, também
tentou reafirmar o poder dos califas, mas foi assassinado em junho de 870. Com
a morte de Almutadi e a ascensão de Almutâmide, a facção turca reunida sob a
liderança de Muça ibne Buga que, por sua vez, tinha relações próximas com o
irmão do califa e vizir Almuafaque, se tornou dominante na corte califal,
terminando a “anarquia”. Embora o Califado Abássida tenha demonstrado leve
recuperação nas décadas seguintes, a crise de governamentalidade, para
lembrarmos de monsieur Foucault (2021: 407 e ss.), da “Anarquia em
Samarra”, causaram um duro e permanente golpe na estrutura e no prestígio do
governo central do califado, encorajando e abrindo caminho para ideias
secessionistas e rebeldes nas províncias do Estado.
Alçado
ao trono pelos turcos (os gulans), ele se demonstrou hábil demais para
os seus tutores. Ele tinha apenas 19 anos e foi o califa mais jovem a reinar e
à sua volta estavam diversos partidos em conflito. Em Samarra, os turcos
estavam tendo problemas com os “ocidentais” (berberes e mouros). Em Bagdá,
árabes e persas consideravam os dois grupos com igual desprezo. Almutaz estava
“rodeado de grupos que constantemente conspiravam uns contra os outros e contra
o próprio califa”. E ele escolheu o mesmo caminho de traição e derramamento de
sangue que eles. Na Península Ibérica, Marrocos, Damasco e Sicília, seu papel
militar pode ser comparado ao dos mamelucos no Império Otomano. Na Espanha, os
eunucos eslavos eram tão populares e amplamente distribuídos que se tornaram
sinônimo de Sacaliba. O imposto pençik, ou pençyek, que significa
“um quinto”, era uma tributação baseada em um verso do Alcorão pelo qual um
quinto dos despojos de guerra pertencia a Deus, a Maomé e sua família, aos
órfãos, aos necessitados e aos viajantes. Isso incluiu “escravos e prisioneiros
de guerra que eram dados aos soldados e oficiais para ajudar a motivar sua
participação nas guerras”. Cristãos e Judeus, reconhecidos como Povos do
Livro no Islã, eram considerados dhimmis em territórios sob domínio
muçulmano, um status de cidadãos de segunda classe que tinham liberdade
limitada, proteção legal, segurança pessoal e permissão para “praticar sua
religião, sujeita a certas condições, e desfrutar de uma medida de autonomia
comunal”. Para manter essas proteções e direitos, os dhimmis eram obrigados a pagar os impostos de Jizia e Caraje como um reconhecimento do domínio muçulmano.
De
acordo com Abu Yusuf, a falta de pagamento destes impostos deveria tornar a
vida e propriedade do dhimmis nulas e submete-los à conversão forçada,
escravidão, prisão ou morte. Se alguém tivesse concordado em pagar a Jizia,
deixar o território muçulmano para a terra inimiga seria punível com escravidão
se fosse capturado. A falta de pagamento da Jizia era comumente punida com
prisão domiciliar e algumas autoridades permitiram a escravização de dhimmis
por falta de pagamento de impostos. No sul da Ásia, por exemplo, a captura de
famílias dhimmis por não pagar a jizia anual foi uma das duas fontes significativas
de escravos vendidos nos mercados de escravos do Sultanato de Déli, as cinco
dinastias de curta duração, atualmente a capital da Índia, compostas por turcos
e pastós na Índia medieval. Governaram do Sultanato de Déli entre 1206 e 1526,
quando a última dinastia foi derrotada pelo Império Mongol. Os mongóis
constituíram uma tribo de nômades da Ásia Central ou Norte da Ásia. Eles viviam
nas estepes, contando com um estilo de vida como um modus operandi de
movimento de ir e vir constante.
Eles
foram dependentes e anexados aos seus cavalos, que representava o principal
meio de comunicação e transporte. Religiosamente, eram “animistas politeístas”.
Isabelle Stengers vai além da analogia entre fatos (“fatiches”) e fetiches
para buscar na história das ciências modernas a tensão constitutiva com as
práticas ditas mágicas. Segundo ela, as ciências modernas “se estabelecem a
partir da desqualificação de outras práticas, acusadas de equívoco ou
charlatanismo”. Ela acompanha, por exemplo, como a química se divorciou da
alquimia, e a psicanálise, do magnetismo e da hipnose. Em suma, as ciências
modernas desqualificam aquilo que está na sua origem. Eles nunca
estabeleceram um grande império, organizado, e em vez disso ficaram como uma
coalizão de tribos no Norte da China. Historicamente eles entravam geralmente
em guerra com seus vizinhos. A China ao Sul de fato construiu a Grande
Muralha da China durante o reinado do Imperador Shi Huang (247-221 a. C.)
como um meio para manter os mongóis e outros para longe de suas aldeias. Os
mongóis também rivalizaram com outros grupos tribais na Ásia Central, historicamente
como tribos turcas e os tártaros. A história social Mongol extraordinariamente mudou
durante o reinado de Genghis Khan. Ele transformou-se em chefe tribal dos
mongóis entre 1206 e 1227. Em seu reinado, ele conseguiu unificar as diversas
tribos mongóis, juntamente com inúmeras tribos turcas existentes.
Com
um grupo grande, unificado, começou a conquistar toda e qualquer terra onde os
cavaleiros mongóis poderiam alcançar. Genghis Khan (1162-1227)conquistou a maior parte do
norte da China em 1210. Ao fazê-lo, ele destruiu as dinastias Xia, também
reconhecida como dinastia Hsia, a primeira dinastia descrita pela historiografia
tradicional chinesa. Reinou cerca século XXI a. C. – século XVI a. C. A
historiografia lista os nomes de 9 (nove) reis por 14 (catorze) gerações e Jin,
também reconhecida como a dinastia Jurchen, fundado pelos Waynan, clã dos
Jurchen, antepassados dos manchus que estabeleceram a dinastia Qing, 500 anos
mais tarde. O nome é algumas vezes escrito como Jinn para ser diferenciado da
primeira dinastia Jin, cujo nome é igual ao desta dinastia no alfabeto latino.
Fundada em 1115, no norte da Manchúria, aniquila a dinastia Liao no ano 1125.
Esta última tinha existido entre a Manchúria e a fronteira norte da China
durante vários séculos. Em 9 de janeiro de 1127, as forças Jin saquearam
Kaifeng, a capital da dinastia Song do norte, capturando o novo imperador Qinzong
(1100-1161), que havia subido ao trono após a abdicação do pai, o imperador
Huizong (1082-1135), ao ver a necessidade de organização social e política com
o objetivo claro de enfrentar o exército Jin.
Depois
da queda da capital de Kaifeng, os Song (960-1279), sob a liderança da herdeira
dinastia Song do sul, continuaram a luta por conquista de territórios durante
mais de uma década contra os Jin, assinando por fim um Tratado de Paz em 1141,
e cedendo todo o norte da China aos Jin em 1142, a fim de obter a paz. Ele
também conseguiu conquistar a maioria das tribos turcas da Ásia Central,
abrindo todo o território para a geopolítica da Pérsia. Isso o levou a enviar
exércitos para o Leste da Europa, bem como, a atacar terras russas, inclusive
as fronteiras de Estados alemães da Europa Central. Mais importante do que o
processo civilizatório é entender como Genghis Khan o conquistou. Na esfera
política ele usou deliberadamente o “terror como arma de guerra”. Se uma cidade
que ele estava sitiando desistisse sem lutar, o povo normalmente seria poupado,
mas teria que ficar sob controle Mongol. Se a cidade lutou contra os mongóis,
todos, incluindo civis, seriam massacrados. Este reinado de terror é uma grande
parte da razão pela qual ele irá se tornar um “conquistador consagrado”. Os
povoados estavam mais dispostos a desistirem do que sofrerem massacres em suas
mãos. Por exemplo, quando ele sitiou a cidade de Herat, no atual Afeganistão,
matou mais de 1,6 milhões de pessoas.
No Norte da África e no Oriente Próximo,
algumas dinastias principais, como os Fatímida (909-1171), surgiram e
governaram uma enorme área geográfica que inclui as regiões atuais do Egito,
Sicília, Argélia, Tunísia e partes da Síria.Foi também neste período que algumas das principais dinastias turcas e
povos da Ásia central tomaram a vanguarda da política e da criatividade
artística do mundo islâmico. Os seljúcidas eram nômades da Ásia central que
governaram terras do oriente islâmico e eventualmente controlaram o Irã, o
Iraque e grande parte da Anatólia, embora tenha sido um império de curta
duração. O ramo principal dos seljúcidas, o Império Seljúcida, manteve o
controle sobre o Irã. Esse foi também o período das cruzadas cristãs europeias,
que tinham por objetivo reconquistar a Terra Santa dos muçulmanos. Uma série de
pequenos reinos cristãos surgiram no século XII, bem como dinastias muçulmanas,
como o Império Aiúbida (1179-1260), cujo líder mais famoso, Salah al-Din
(r.1169-93), conhecido no ocidente como Saladino, terminou a dinastia Fatímida.
Por fim, os soldados escravizados, responsáveis pela proteção militar da
dinastia Aiúbida, derrubaram o último sultão Aiúbida em 1249-1250. Escravos mamluk significam “possuídos”, e ficaram reconhecidos
como mamelucos e controlaram a Síria e o Egito até 1517.
Representavam
soldados de uma milícia egípcia constituída por escravos turcos. Formaram uma
casta militar, vindo a conquistar o poder no Egito. Giocangga (1526-1583) era
filho de Fuman e avô paterno de Nurhaci, o homem que unificou os povos Jurchen
e fundou a dinastia Jin posterior da China. Tanto ele quanto seu filho Taksi
atacaram o Forte de Atai, que estava sendo sitiado por um chefe rival de
Jurchen, Nikan Wailan, que prometeu o governo da cidade a quem matasse Atai. Um
dos subordinados do Forte se rebelou e o assassinou. Ambos Giocangga e Taksi
foram mortos por Nikan Wailan em circunstâncias pouco claras. Giocangga, Taksi
e Nikan estavam todos sob o comando de Li Chengliang. E Giocangga recebeu o
nome de templo Jǐngzǔ e o nome póstumo do Imperador Yi pela dinastia Qing. Em
2005, um estudo liderado por um pesquisador do Instituto britânico Wellcome
Trust Sanger sugeriu que Giocangga pode ser um ancestral direto das
relações sociais de gênero de mais de 1,5 milhão de homens, principalmente no Nordeste
da China.Isso foi atribuído às muitas
esposas e concubinas de Giocangga e seus descendentes. Os descendentes de
Giocangga na linha patrilinear estão concentrados entre várias minorias étnicas
que faziam parte do sistema Manchu Eight Banners, e não são encontrados
na população Han. Giocangga pode ter deixado cerca de 1,5 milhão de
descendentes homens na China e na Mongólia, de acordo com uma pesquisa baseada
na análise do cromossomo Y, exclusivo dos homens.
A
análise é similar a um estudo de 2003, segundo o qual cerca de 16 milhões de
homens descendiam do conquistador mongol Genghis Khan (1162-1227). Giocangga viveu em
meados do século 16 e seu neto fundou a dinastia Qing, que reinou na China de
1644 a 1912. Seus descendentes homens, tal qual os filhos e netos de Genghis
Khan, espalharam-se e levavam uma vida extravagante, com muitas mulheres e
concubinas. A pesquisa, publicada no American Journal of Human Genetics,
sugere que essa prática seja uma boa estratégia de sucesso reprodutivo. Esse
tipo de vantagem reprodutiva dos homens é talvez o traço mais importante da
genética humana, segundo Chris Tyler-Smith, do Instituto Sanger, estabelecido no
Reino Unido coordenador dos estudos. Geneticistas britânicos e chineses
examinaram o cromossomo Y de cerca de mil homens e encontraram 3,3% de
similaridade de que compartilhavam o mesmo ancestral masculino Giocangga. Uma
classe de nobres, descendentes diretos de Giocangga, reinou até 1912 – o menos
nobre deles tinha muitas concubinas e “era presumivelmente um especialista em
disseminar o cromossomo Y herdado de Giocangga”. O Y de Gengis Khan é o que
mais se aproxima dessa prevalência: é encontrado em cerca de 2,5% dos homens do
Leste da Ásia.
Todavia,
em 1798, foram derrotados por Napoleão na Batalha das Pirâmides também reconhecida
como Batalha de Embebeh teve lugar no dia 21 de julho de 1798 entre o
exército francês no Egito comandado por Napoleão Bonaparte e as forças locais
mamelucas e foi a batalha onde Napoleão usou a formação em quadrados. Em julho
de 1798, Napoleão ia na direção do Cairo, depois de invadir e capturar
Alexandria. Pelo caminho encontrou as forças dos mamelucos a 15 km das
pirâmides, e a apenas 6 km do Cairo. Os mamelucos eram comandados por Murade
Bei (1750-1801) e Ibrahim Bei e tinham uma poderosa cavalaria. Apesar de serem
superiores em número, estavam equipados com uma tecnologia antiga, possuíam
espadas, arcos e flechas; ainda por cima as suas forças militares ficaram
divididas pelo Nilo, com Murade entrincheirado em Embebeh e Ibrahim em campo
aberto. Napoleão deu conta de que a única tropa egípcia de grande valor era a
cavalaria. Ele possuía pouca cavalaria a seu mando e era superado numericamente
pelos mamelucos. Viu-se, pois, estrategicamente forçado a ir na defensiva
militar das tropas, e formou o seu próprio exército em quadrados com o suporte
da artilharia, cavalaria e equipes no centro de cada uma fila, dispersando
assim o ataque da cavalaria mameluca com fogo de artilharia de apoio
simulado.O povo nômade mongol tem uma
relação social e afetiva profunda com os cavalos, tanto em tempos de paz quanto
em tempos de guerra para constituição militar da sociedade. Símbolo de força,
resistência, velocidade, liberdade e espiritualidade, é um animal que tem
conexão com o sagrado.
De
outra parte, historicamente, Napoleão (1769-1821) foi um estadista e líder
militar francês que ganhou destaque durante a Revolução Francesa liderando
várias campanhas militares de sucesso durante as chamadas Guerras Revolucionárias
Francesas. Foi imperador dos franceses como Napoleão I de 1804 a 1814 e
brevemente em 1815 durante os Cem Dias. Napoleão dominou os assuntos europeus e
globais por mais de uma década, enquanto liderava a França contra uma série de
coalizões nas guerras napoleônicas. Ele venceu a maioria desses conflitos e a
grande maioria de suas batalhas, construindo um grande império que governava
grandes territórios da Europa continental antes de seu colapso final em 1815.
Ele é considerado um dos maiores comandantes da história e suas guerras e
campanhas são estudadas em escolas militares em todo o mundo globalizado. O legado
político e cultural de Napoleão perdurou como um dos líderes mais célebres e
controversos da história da humanidade. Ele nasceu na Córsega de uma família
italiana relativamente modesta, da nobreza menor. Ele estava servindo como
oficial de artilharia no exército francês quando a Revolução Francesa eclodiu
em 1789. Ele rapidamente subiu nas fileiras das corporações militares,
aproveitando as novas oportunidades apresentadas pela Revolução clássica
burguesa e tornando-se general precocemente aos 24 anos. O Diretório Francês
acabou por lhe dar o comando do Exército da Itália depois que ele suprimiu a
revolta dos 13 Vendémiaire do ano 4 foi uma batalha travada entre forças
republicanas francesas e contra o governo dos insurgentes realistas manifestantes
pró-monarquia nas ruas de Paris. A insurreição acabou sendo esmagada e levou a
fama repentina de um dos generais, Napoleão Bonaparte, do exército da República.
Aos
26 anos, ele iniciou sua primeira campanha militar contra os austríacos e os
monarcas italianos alinhados com os Habsburgos, sendo que venceu praticamente
todas as batalhas e conquistou a Península Italiana em torno de um ano,
enquanto estabelecia “Repúblicas irmãs” com apoio local e regional se tornando
um herói de guerra na França. Em 1798, ele liderou uma expedição militar ao
Egito que serviu de trampolim para o poder político. Ele orquestrou um golpe em
novembro de 1799 e se tornou o primeiro cônsul da República. Na primeira década
do século XIX, o império francês sob comando de Napoleão se envolveu em uma
série de conflitos com todas as grandes potências europeias, as chamadas Guerras
Napoleônicas. Após uma sequência de vitórias garantiu posição dominante na
Europa continental, e manteve a esfera de influência da França, através da
formação de amplas alianças e a nomeação de amigos e familiares para governar
os outros países europeus como dependentes da França. As campanhas militares de
guerra de Napoleão continuam sendo estudadas nas academias militares de quase
todo o mundo. A Campanha da Rússia em 1812 marcou uma virada na sorte de
Napoleão. Seu Grande Armée foi seriamente danificado na campanha e nunca se
recuperou totalmente.
La
Marseillaise é o hino nacional da França. Foi composto
pelo oficial Claude Joseph Rouget de Lisle em 1792, da divisão de Estrasburgo,
como canção revolucionária. A canção adquiriu grande popularidade durante a
Revolução Francesa, especialmente entre as unidades do exército de Marselha,
ficando reconhecida como A Marselhesa. Seu título era originalmente Canto
de Guerra para o Exército do Reno. O hino foi composto por Claude-Joseph
Rouget de Lisle (1760-1836), oficial do exército francês, um republicano moderado (o que quase levou-o à guilotina) e músico autodidata, a
pedido do prefeito de Estrasburgo, Philippe-Frédéric de Dietrich (1748-1793), depois da
declaração de guerra ao imperador da Áustria, em 25 de abril de 1792. O canto
deveria encorajar os soldados no combate de fronteira, na região do rio Reno. A
canção obteve sucesso imediato e em pouco tempo, por meio de viajantes, chegou
à Provença, no Sudeste da França. Um mês depois, a canção chegava a Paris com
os soldados federados marselheses, que a cantaram durante todo o percurso.
Desde então, passou a ser associada à cidade de Marselha. No dia 4 de agosto o
jornal La Chronique de Paris evocou o canto dos marselheses, e seis dias
depois ele seria entoado na famosa tomada do Palácio das Tulherias. Em
20 de setembro de 1792, o exército revolucionário, comandado pelo general
Dumouriez, venceu a Batalha de Valmy, travada contra a nobreza francesa e seus
aliados austríacos e prussianos, que tentavam derrubar o regime instaurado em
1789. Na ocasião, Servan de Gerbey, ministro da Guerra da França, escreveu a
Dumouriez: - “O hino conhecido pelo nome de La Marseillaise é o Te
Deum da República”.
Em
1795, foi instituída pela Convenção como hino nacional. Napoleão Bonaparte
baniu A Marselhesa durante o império, assim como Luís XVIII na segunda
restauração, devido ao seu caráter revolucionário. A revolução de 1830
restabeleceu-lhe o status de hino nacional, sendo inclusive reorquestrada por
Hector Berlioz na década de 1830. Entretanto, Napoleão III tornaria a banir a
canção até que, em 1879, com a instauração da III República, a canção foi
definitivamente confirmada como o hino nacional francês, ato esse reafirmado
nas constituições de 1946 e 1958. Em 1880, com base em A Marselhesa, Piotr
Ilitch Tchaikovski (1840-1893) escreveu uma peça orquestral, a Abertura 1812, para
comemorar a vitória russa sobre Napoleão, fazendo sobressair musicalmente temas
de música russa tradicional comparativamente à melodia de A Marselhesa, com o
intuito de ilustrar precisamente essa vitória. Não por acaso, na Revolução Socialista de 1917, os
revolucionários russos adotaram para a Rússia um hino provisório denominado A Marselhesa
Operária, que durou de outubro 1917 a meados de 1918, e que possuía uma
adaptação da melodia de A Marselhesa. Em 1881, o militante anticlerical
Leo Taxil (1854-1907) escreveu uma música em defesa da laicidade e da democracia liberal na
França. A música usava a melodia de A Marselhesa e, por conta disso,
ficou conhecida como A Marselhesa Anticlerical. Não se sabe se Claude
Joseph Rouget de Lisle, o autor de A Marselhesa, se inspirou no primeiro
andamento do Concerto nº 25, em C major (K. 503) de Wolfgang Amadeus Mozart,
datado de 1786, para realizar a melodia de A Marselhesa, porque, na
verdade, existem algumas ressonâncias.
Em
1813, a Sexta Coligação derrotou suas forças em Leipzig. No ano
seguinte, a coligação invadiu a França, forçou Napoleão a abdicar e o exilou na
ilha de Elba. Napoleão escapou de Elba em fevereiro de 1815 e assumiu o
controle da França mais uma vez. Os Aliados responderam formando uma Sétima
Coalizão que o derrotou na Batalha de Waterloo, em junho. Os britânicos o
exilaram para a remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu seis
anos depois, aos 51 anos. A influência de Napoleão no mundo moderno trouxe
reformas liberais para os vários territórios que ele conquistou e controlou,
como os Países Baixos, a Suíça e grandes partes da Itália e da Alemanha
modernas. Ele implementou políticas liberais fundamentais na França e em toda a
Europa Ocidental. Seu Código Napoleônico influenciou os sistemas legais de mais
de 70 nações em todo o mundo globalizado. O Império Britânico representou o
maior império na história da humanidade, chegando a dominar quase 1/4 do
planeta Terra. Era tanto território que foi apelidado de “o império no qual o
Sol nunca se põe”.
A
atividade imperial na Grã-Bretanha começou no fim do século XVI, muito motivada
pelas explorações portuguesas e espanholas pelas Américas e pelo Sudeste
Asiático. Outras potências europeias como França e Holanda se interessaram pelo
prestígio e riqueza que tais explorações traziam, com a extração de metais
preciosos e especiarias asiáticas. Neste caso a rainha Elizabeth I adotou
política de exploração das Américas e chegou a se envolver em conflitos navais
com a Espanha. O Império Britânico é geralmente dividido em duas fases. Na
primeira, o escopo foi em estabelecer colônias na América do Norte e no Caribe.
A Inglaterra chegou a assinar um acordo com a Espanha para recolonizar a
região, mas a adoção de uma política protecionista, impedindo o comércio com
outras nações, gerou conflitos com países como a Holanda. A colonização
prosperou até o fim do século 18, com a Independência dos Estados Unidos da
América (EUA). Os britânicos então mudaram seu escopo militarista, apostando no
Pacífico e na África, conquistando a Índia, ipso facto, sua colônia mais
importante, Austrália e Nova Zelândia. O período entre 1815 e 1914,
pós-Independência dos Estados Unidos, foi o mais próspero para o império,
muitas vezes chamado de “o século britânico”. Desnecessário dizer que o império
britânico também foi fortalecido pela revolução industrial: ele usava recursos
das colônias para fabricar produtos que eram então vendidos no mundo todo. O trabalho era facilitado pelo controle britânico sobre as rotas de
navegação com as muitas colônias, aliás, que foram estabelecidas por suas
posições estratégicas.
As
línguas turcas constituem uma família linguística de cerca de trinta línguas,
faladas através de uma vasta região desde a Europa Oriental e Mediterrâneo à
Sibéria e Oeste da China. Os povos turcomanos, são povos eurasiáticos que vivem
no Norte, Centro e Oeste da Eurásia e que falam línguas pertencentes à família
de línguas turcas ou chamadas turcomanas. Estes povos compartilham, em vários
graus, certos traços culturais e antecedentes históricos. O termo turco
representa um amplo grupo etnolinguístico e inclui sociedades existentes tais
como os cazaques, uzbeques, quirguizes, uigures, azeris, turcomenos e os turcos
modernos, comparadas as sociedades históricas dos Xiongnu, quipechaques,
ávaros, protobúlgaros, hunos, turcos seljúcidas, cazares, otomanos e Timúridas.
Muitos dos povos turcomanos têm sua terra natal na Ásia Central, uma região que
compreende as estepes, montanhas e desertos entre o Leste do mar Cáspio e o
Centro-oeste da China, entre o Norte do Irã e Afeganistão, assim como o Sul da Sibéria,
porém nunca houve uma demarcação oficial rígida regional, geograficamente
especificando com metodologia apropriada onde se originaram. Mas, desde então,
as línguas turcas se difundiram, através de migrações e conquistas, para outras
regiões incluindo a atual Turquia na Anatólia. Enquanto o termo turco pode se
referir a um membro de qualquer povo turcomano, também pode se referir especificamente
ao povo e ao idioma da moderna Turquia.
Cerca
de 180 milhões de pessoas têm uma língua turca como sua língua nativa; além
disso, cerca de 20 milhões falam “uma língua turca como segunda língua”. A
língua turca com o maior número de falantes é o “turco moderno, ou turco da
Anatólia”, cujos falantes representam cerca de 40% do total de falantes de
línguas turcas. Mais de um terço destes são etnicamente turcos da Turquia,
e que residem predominantemente na Turquia e nas antigas regiões dominadas pelo
Império Otomano da Europa Oriental e do Oriente Médio; também há residentes na
Europa Ocidental, Austrália e Américas como resultado de imigrações. Os demais
povos turcos estão concentrados na Ásia Central, na Rússia, no Cáucaso, na
China, no Norte do Iraque e no Norte e Noroeste do Irã. Atualmente, há seis
países turcos Independentes: Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão,
Turcomenistão, Turquia e Uzbequistão. Há também várias subdivisões nacionais
turcas na Federação Russa: Bascortostão, Tartaristão, Chuváchia, Cacássia,
Tuva, Sakha, República de Altai, Krai de Altai, Kabardino-Balcária,
Carachai-Circássia. Cada subdivisão tem sua própria bandeira,
parlamento, leis e língua oficial de Estado junto com o russo.
Aziz
Nesin, nascido Mehmet Nusret, em 20 de dezembro de 1915 e falecido em 6 de
julho de 1995, foi um notável escritor turco, comediante e autor de mais de 100
livros. Nascido em um momento em que os turcos não tinham nomes oficiais,
ele teve que adotar um depois que o Direito de Família de 1934 foi
aprovado. A Turquia como país com a configuração atual só surgiu na década de
1920, quando o Império Otomano foi abolido e substituído pela República da
Turquia, mas esta pode considerar-se uma legítima sucessora de uma série de impérios
que tiveram o seu centro de poder no que representa a Turquia contemporânea. Apesar
do nome do país, da tradição e longa história social e política, a migração dos
povos turcos para o território é um fenômeno relativamente recente, com cerca
de mil anos. Os turcos, são povos cuja língua pertencem ao ramo das línguas
turcomanas, começaram a emigrar das suas terras ancestrais para a Anatólia no
século XI. Os seljúcidas representavam um ramo etnológico dos “turcos oguzes” (“Kınık
Oğuz ou Oğuzlar”) que no século X viviam na “periferia” dos domínios muçulmanos
dos Abássidas, a Norte do mar Cáspio e de Aral, num dos yabghu khagans
da confederação oguz. No século XI os seljúcidas abandonaram as suas
terras ancestrais e o crescente processo de migração para as regiões orientais da Anatólia, em que se
tornariam a pátria dos oguzes após a Batalha de Manziquerta, em 1071, na
qual os turcos derrotaram os bizantinos.
O
filme Mucize, dirigido pelo cineasta Mahsun Kirmizigül (2015) é um drama
turco, baseado em fatos históricos. Kırmızıgül, nasceu em Abdullah Bazencir, em
26 de março de 1969. É um cantor, compositor, ator e diretor turco, roteirista,
compositor musical, produtor de ascendência Zaza. Também é reconhecido como
empresário por sua parceria em uma das principais produtoras musicais, a
Prestij Müzik, na Turquia até 2002. Nasceu em 26 de março de 1969 em
Diyarbakir, Turquia, como membro de uma família de 22 filhos. Estudou escolas
primárias e secundárias em Diyarbakir e trabalhou para contribuir com sua
família desde tenra idade. Ele começou a cantar para os casamentos para
economizar dinheiro. Em 1984, ele foi convidado para Istambul para fazer um
álbum para Güneş Plak. Ele começou a estudar no Departamento de Voz da İstanbul
Üniversitesi Devlet Konservatuarı, é uma universidade de música, teatro e dança
em Istambul. É o conservatório mais antigo e a mais antiga escola de música em
operação contínua na Turquia. Oferece formação musical desde o ensino
secundário até ao doutoramento. Seu edifício principal em Kadıköy é um mercado
histórico, e seu andar térreo abriga um teatro ativo. Mahsun Kırmızıgül iniciou
seus estudos musicais em 1980 e realizou 8 álbuns amadores. Seu álbum de
estreia profissional “Alem Buysa Kral Sensin” lançado em 1993, como “uma bomba
no mundo da música” e ficou no topo das listas musicais. Em 1994, ingressou na
Prestige Music Company como produtor. O artista ganhou aclamação com seu filme Beyaz
Melek, que escreveu, dirigiu e interpretou. Em 2009, Güneşi Gördüm,
que ele escreveu, dirigiu e interpretou. Em 2010, ele lançou New York`ta Beş
Minare, que também escreveu, dirigiu, tocou e compôs a música tema do
filme.
A
narrativa do filme Mucize gira em torno do professor Muallim Mahir
(Talat Bulut). Em meados da década de 1960 ele foi enviado para uma região
montanhosa da Turquia dominada por bandoleiros para lecionar para a população
de um pequeno vilarejo. Trata-se de uma história real narrada em forma de fábula,
que começa com o professor deixando sua família; sua esposa não quis
acompanha-lo, ele decide seguir a sua missão. Depois de viajar horas de ônibus
e atravessar duas montanhas a pé, Mahir finalmente chega ao seu destino, sem
perder a pose mesmo trajando um terno. É recebido por vários homens que por
desconfiança lhe apontam um rifle, até descobrirem que é o professor. O relato etnográfico
ocorre na Turquia nos anos 1960. O professor Mahir Ögretmen recebe uma
transferência para a pequena e isolada aldeia no interior do país. Chegando lá,
descobre que na verdade, trata-se de uma estratégia, pois “o governo não
construiu ainda uma escola”. Mahir testemunha o brilho nos olhos das crianças
felizes por poderem estudar, e ouve os líderes anciões do vilarejo. O professor
decide ficar e construir uma escola com seu próprio dinheiro. Mas, com a
condição de que, contrariando a “tradição, as meninas também pudessem
frequentá-la”. Com materiais à disposição, os próprios moradores e os
bandoleiros da região constroem a escola.
A
história social desse país é demasiado longa, com uma vasta tradição, ipso
facto, faremos uma digressão com khagan do Caganato turco ocidental de 618
a 628 d.C. Tong Yanghu era irmão de Sheguy (611–618), o khagan anterior dos
Göktürks ocidentais, e era membro do clã Ashina; seu reinado é geralmente
considerado como o zênite do Göktürk Khaganate Ocidental. Seu nome é transcrito
com o caractere chinês 統,
que significa “principal fio de seda, diretriz, unir, comandar, governar”. O
estudioso Karakhanid Mahmud al-Kashgari, escrevendo no século XI, glosou toŋa
em turco médio como basicamente significando tigre. Gerard Clauson argumenta
contra Kashgari e afirma que toŋa significa vagamente “herói, guerreiro notável”.
Tong Yabghu manteve relações estreitas com a Dinastia Tang da China e pode ter
se casado com alguém da família imperial. O peregrino budista chinês Xuanzang (602-644/664)
foi um célebre monge budista chinês Ch`an, nascido en Luoyang (Henan) no seio
de uma família de eruditos que visitou a capital ocidental de Göktürk, Suyab,
no atual Quirguistão, e deixou uma descrição do khagan. Os estudiosos acreditam
que o khagan descrito por Xuanzang era Tong Yabghu. Gao e La Vaissière
argumentam que o khagan que Xuanzang que conheceu era seu filho Si Yabghu, ao
invés de Tong Yabghu. Xuanzang descreveu o khagan fabulosamente da seguinte
forma: - O Cã usava um manto de cetim verde; seu cabelo, que tinha três metros
de comprimento, estava solto. Uma faixa de seda branca envolvia sua testa e
pendia atrás. Os ministros da presença, em número de 200 membros, vestindo mantos bordados, estavam tanto à sua direita quando à sua esquerda.
O
resto de sua comitiva militar [estava] vestido com peles, sarja e lã fina, as
lanças, estandartes e arcos em ordem, e os cavaleiros de camelos e cavalos
estendidos longe da vista. De acordo com Antigo Livro de Tang, o reinado de
Tong Yabghu já foi considerado a idade de ouro do Göktürk Khaganate Ocidental: Tong
Yehu Kaghan é um homem de bravura e astúcia. Ele é bom na arte da guerra.
Assim, ele controlou as tribos Tiele ao Norte, confrontou a Pérsia a Oeste,
conectou-se com Kasmira (hoje Caxemira) ao Sul. Todos os países estão sujeitos
a ele. Ele controlou dez mil homens com flecha e arco, estabelecendo seu poder
sobre a região Oeste. Ele ocupou a terra de Wusun e mudou sua tenda para
Qianquan ao Norte de Tashkent. Todos os príncipes da região ocidental assumiram
o ofício turco de Jielifa. Tong Yehu Kaghan também enviou um Tutun para
monitorá-los para imposição. O poder dos turcos ocidentais nunca havia atingido
tal Estado antes. O império de Tong Yabghu lutou com os sassânidas do Irã. No
início dos anos 620, o sobrinho do khagan, Böri Shad, liderou uma série de
ataques pelas montanhas do Cáucaso em território persa. Muitos estudiosos
identificaram Tong Yabghu como o Ziebel mencionado em fontes bizantinas (como
khagan dos khazares) como tendo feito campanha com o imperador Heráclio no
Cáucaso contra o Império Persa Sassânida em 627-628. Há tempo é sustentado por
alguns estudiosos, incluindo Chavannes, Uchida.
Gao
e Xue Zhongzeng, que Tong Yabghu não pode ser positivamente identificado com
Ziebel ou qualquer governante Khazar e pode realmente ter morrido já em 626.
Esses estudiosos apontam para discrepâncias no datas entre fontes bizantinas e
chinesas e argumentam que confundir definitivamente Ziebel com Tong Yabghu é um
exagero das evidências existentes. A pesquisa mais recente sobre este tópico
prova que eles estavam certos: se Tong realmente morreu em 628, Ziebel deve ser
identificado com Sipi khagan, tio de Tong Yabghu, que o assassinou e ascendeu
brevemente ao trono. Sipi era então pronunciado Zibil e ele era um pequeno
khagan encarregado da parte ocidental do império de Tong Yabghu, exatamente
como Ziebel era de acordo com as fontes bizantinas. Ziebel é descrito como
irmão de Tong nas fontes bizantinas e como seu tio nas fontes chinesas, uma
discrepância que por muito tempo impediu a identificação. No entanto, tio e
irmão mais velhos são a mesma palavra em turco antigo, äçi, e as fontes
chinesas não conseguiram traduzir esse duplo significado com seu sistema muito
preciso de nomes de parentesco. Tong Yabghu nomeou governadores (ou tuduns)
para administrar as várias tribos e pessoas que estavam sob sua soberania. Com
toda a probabilidade, o sobrinho de Tong Yabghu, Böri Shad, e filho de
Zibil/Ziebel, era o comandante dos khazares, a mais ocidental das tribos devido
à lealdade aos Göktürks ocidentais; este ramo da família pode ter fornecido aos
khazares seus khagans em meados do século VII. Em ca. 630 foi assassinado por Külüg Sibir, seu tio e partidário da facção Dulu.
Após
a morte do líder Tong Yabghu, o poder dos Göktürks ocidentais entrou em
colapso. Embora o khaganato tenha durado algumas décadas antes de cair no
Império Chinês, muitas das tribos clientes tornaram-se independentes e vários
estados sucessores, incluindo o Khazar Khaganate e a Grande Bulgária, tornaram-se
independentes. O confronto terminou com uma pesada derrota do exército
bizantino, que contribuiu decisivamente para minar a autoridade bizantina na
Anatólia e abriu o caminho para a invasão militar turca e progressiva “turquificação”
da Anatólia. O exército seljúcida foi comandado pelo sultão Alparslano (1029-1072)
reconhecido como Alparslano, Alpe Arslã em latim: Alparslanus ou Axã,
foi o segundo sultão do Império Seljúcida e reinou de 1063 até sua morte. Seu
lacabe Alparslano era termo turco para “Leão Corajoso”. Era filho de Chagri Bei
e sobrinho de Tugril, sem antecessor como sultão e o exército bizantino pelo
imperador Romano IV Diógenes, que foi capturado durante os combates. No lado
bizantino, os principais combatentes foram os soldados profissionais das
tagmata orientais e ocidentais, pois grande parte dos mercenários e recrutas
anatólios fugiram no início do combate e sobreviveram à batalha. A debandada de
Manziquerta foi desastrosa para os bizantinos, tendo resultado em conflitos
civis e crise econômica, decerto, que debilitaram severamente a capacidade do
império para defender as suas fronteiras.
Isto
possibilitou um movimento massivo de turcos para a Anatólia Central e em
1080 os turcos seljúcidas tinham tomado uma área de 78 000 km². Só após 30 anos
de guerras civis é que o império voltou a ter estabilidade política, sob o
governo de Aleixo I Comneno (1081-1118). Embora os historiadores mais recentes
rejeitem a opinião dos seus antecessores que consideravam a derrota em
Manziquerta como um revés catastrófico, para os bizantinos, continua a
considerá-la como um acontecimento com consequências muito dolorosas. Esta
vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia ou
Sultanato de Rum, que começou como um ramo separado do Império Seljúcida que
dominava partes significativas da Ásia Central, Irã, Anatólia e Sudoeste
Asiático. Em 1243 os exércitos seljúcidas foram derrotados pelos exércitos mongóis,
o que causou a progressiva desintegração do poder concreto seljúcida, que na
prática passou para as mãos de uma série de principados (beilhiques ou beyliks)
que, tendo começado por ser tributários do Sultanato de Rum, ganharam Independência
a partir do século XIII. Um desses beilhiques, o dos otomanos (osmanlı),
acabou por se impor aos demais que são restantes, a partir do
reinado de Osmã I, que declarou a Independência em 1299 e é oficialmente
considerado o fundador da dinastia otomana.
Após
a vitoriosa Batalha de Manziquerta, em 1071, contra os bizantinos, as
tribos Oguzes turcomanas, lideradas pelos comandantes Ghazi começaram a se
estabelecer na Anatólia, dominada desde o ano de 391 pelos bizantinos. Alguns
dos comandantes, que tomaram suas posições naquela batalha, seguindo ordens
expressas de Alparslano, buscaram estabelecer-se naquela região (Anatólia).
Eram eles Artuque Bei, Ebûlkasım Saltuk, Danismende, o emir Mengücek, Çaka Bey,
Tutak Bey, Savtegin Bey, Afsin Bey, Cutalmiche e os filhos Salomão Xá e Mansur
ibne Cutalmiche, entre outros. Um destes comandantes turcomanos era Tanrıbermiş
Bey. Ele seguiu com seus guerreiros para a região de Éfeso e Filadélfia, moderna
Alaşehir, no Reino da Lídia, na Anatólia Ocidental, em 1074, tomou-a e ali
fundou o seu principado (Beilique). A região de Éfeso àquela época já não
resguardava o brilho de outrora e nada mais era que uma pequena aldeia. Esses
beiliques recebiam e eram conhecidos pelos nomes de seus fundadores. Estes
desbravadores, como Tanribermis, muito contribuiriam para a disseminação da
cultura e da civilização islâmica bem como seus incentivos à arquitetura, à
arte e aos costumes. Este processo civilizatório seria posteriormente chamado
de turquização da Anatólia.
Muitos outros destes comandantes, chegando à
Anatólia, transformaram as suas possessões em beilhiques, principados,
sultanatos ou emirados e criaram verdadeiras dinastias. O principado de
Tanribermis, como os demais, pequenos, eram assim mesmo, responsáveis por
guarecerem as tropas imperiais na Anatólia. Eram pequenos e tinham uma ação
local, embora os beilhiques dos Saltuklular (Saltúquidas),
Danişmentliler (Danismendidas), Mengücekler (Mengucéclidas) e
Artuklular (Artúquidas) fossem mais fortes. Tanrıbermiş desempenhou um
papel fundamental na conquista da Anatólia, no pós-Batalha de Manziquerta, e
foi um dos percursores naquilo que foi, posteriormente, chamado de “turquização
da Anatólia”. Ao mesmo tempo que ele, Çaka Bey que, na verdade, o precedeu
naquela região, estabeleceu o seu Principado de Esmirna, na cidade de mesmo
nome, e que na atualidade se chama Izmir, e em seus arredores. Os territórios
dos primeiros principados da Turquia foram estendidos para as costas do Mar
Egeu e do Mar de Mármara e o emir Çaka Bey foi o pioneiro a introduzir as artes
da navegação marítima entre os turcos e foi um dos invasores mais audazes do
Exército Seljúcida.
Tzacas,
também reconhecido como Chaca Bei, foi um comandante militar dos turcos
seljúcidas do século XI que governou um Estado independente baseado em Esmirna.
Originalmente em serviço bizantino, rebelou-se e apropriou-se de Esmirna, bem
como uma vastidão de territórios costeiros do mar Egeu na Ásia Menor e as ilhas
da costa em 1088-1091. No auge de seu poder, declarou-se imperador bizantino e
tentou assaltar Constantinopla juntamente com pechenegues. Em 1092, uma
expedição naval bizantina comandada por João Ducas infligiu pesada derrota
sobre ele e retomou Lesbos; no ano seguinte, foi morto traiçoeiramente por seu
genro Quilije Arslã I. Muito pouco se sabe sobre sua vida, e boa parte provém
de uma única fonte: a Alexíada da princesa bizantina Ana Comnena, filha do
imperador Aleixo I Comneno (1081-1118). Foi também mencionado no Danishmendname
do século XIII, o qual não é uma fonte muito fiável devido à natureza
semilendária de seu material. Originalmente, segundo a Alexíada, Tzacas era um
salteador que foi feito prisioneiro pelos bizantinos durante o reinado de
Nicéforo III Botaniates (1078-1081). Depois, entra em serviço bizantino e
avança rapidamente nas fileiras do exército através do favor imperial,
recebendo o título de protonobilíssimo e presentes dispendiosos. Porém,
quando Aleixo I Comneno depôs contra Botaniates em 1081, Tzacas perdeu sua
posição e fugiu do Império Bizantino. De cerca de 1088 em diante, utilizou sua base em Esmirna para lançar guerra contra os bizantinos.
Construiu uma frota empregando artesãos cristãos, com a qual
capturou Foceia e as ilhas egeias orientais de Lesbos, exceto a fortaleza de
Metímna, Samos, Quios e Rodes. Uma frota bizantina sob o comando de Nicetas
Castamonita foi enviada contra ele, mas Tzacas a derrotou em batalha. Alguns
estudiosos modernos especularam que suas atividades ao longo deste período
podem ter estado em conjunção, e até mesmo coordenação, com dois rebeldes
gregos bizantinos contemporâneos: Rapsomata no Chipre e Cárices em Creta. Em
1090-1091, os bizantinos, comandados pelo duque naval Constantino Dalasseno,
recuperaram Quios, Implacável, Tzacas refez suas forças e recomeçou seus
ataques, proclamando-se imperador (basileu) e procurando concluir aliança
contra Aleixo com os pechenegues na Trácia para um ataque conjunto contra
Constantinopla. Em 1092, Dalasseno e João Ducas, o novo grande duque, foram
enviados contra Tzacas e atacaram a fortaleza de Mitilene em Lesbos. Tzacas
resistiu por tr|ês meses, mas finalmente teve que negociar a rendição da
fortaleza. Durante seu retorno para Esmirna, Dalasseno atacou a frota turca,
que foi quase destruída. Na primavera de 1093, Tzacas atacou o porto de Abidos
no Mar de Mármara. Aleixo I convocou o sultão dos turcos seljúcidas Quilije
Arslã I (1092–1107), que era casado com a filha de Tzacas e era assim seu
genro, para atacá-lo da retaguarda. O sultão avançou para Abidos, onde, sob
pretexto de convidar o pai da sua esposa a um banquete, assassinou seu sogro.
Porém, em ca. 1097, um “Tzacas”, talvez filho do original, é relatado como
ainda retendo Esmirna quando o exército bizantino sob João Ducas a retomou.
De
acordo com Estrabão (cf. Dourado, 1992), Esmirna era o nome antigo de
Éfeso, e o nome deriva de uma amazona que conquistou Éfeso. Outros autores,
porém, mencionam Esmirna como a mãe de Adônis: sua mãe teria dito que ela era
mais bela que Afrodite, e a deusa a amaldiçoou, fazendo com que ela se
apaixonasse pelo próprio pai; desta união nasceu Adônis. Segundo William Smith,
o nome da cidade deriva da mãe de Adônis. A cidade que tem cinco mil anos é uma
das cidades mais antigas da bacia de Mediterrâneo. A cidade foi estabelecida no
3º milênio a.C., quando compartilhou com Troia a cultura importante da
Anatólia. Por volta de 1 500 a.C. tinha caído na influência do Império Hitita
da Anatólia Central. De acordo com historiadores e mitógrafos gregos, as
cidades da costa asiática do Mar Egeu, Mirina, Cime, Esmirna e Éfeso, haviam sido
conquistadas pelas amazonas; Archibald Henry Sayce (1846-1933), um pioneiro
assiriologista e linguista britânico, que ocupou importante cátedra como
professor de Assiriologia na Universidade de Oxford
no período de 1891 a 1919, quando interpreta este mito, como
se estas amazonas fossem as sacerdotisas das deusas asiáticas, cujo culto se
espalhou a partir de Carquemis com as conquistas hititas.
Ele
capturou e obteve controle social sobre algumas cidades, sobre a costa e sobre algumas
ilhas do Mar Egeu e ali criou o seu principado, em turco: Çaka Beyliği
(1081-1093). Ele organizou uma poderosa frota marítima e ganhou
(posteriormente) o título de “o primeiro fuzileiro turco”. E foi o responsável
por infligir uma grande derrota à marinha bizantina e na frota dos cruzados. No
entanto, ambos não puderam sustentar seu domínio por muito tempo e lugar
praticado durante a Primeira Cruzada em 1098, seus territórios foram
recuperados pelos cruzados e as frotas do imperador bizantino Aleixo I Comneno
(1081-1118) que envara um grande contingente para a Ásia, sob o comando de
Godofredo de Bulhão Duque da Baixa Lorena (1087-1100), que obteve grandes
vitorias para o Império Bizantino e recuperou algumas cidades e territórios
importantes, como Niceia (atual Iznik), Quios, Rodes, Esmirna (atual Izmir),
Éfeso, Filadélfia, Sardes e, na verdade, a maior parte da Ásia Menor
(1097-1099). Devolveu tudo aos bizantinos, que dispunham da marinha mais
aparelhada e, navegando pelas áreas costeiras, se apoderou de Éfeso e obteve o controle da Anatólia Ocidental. Éfeso foi destruída pelos
exércitos cruzados e bizantinos e os dois principados em consequência foram
extintos.
Osman
bin Ertuğrul, reconhecido como Osman I, nasceu no Sultanato de Rum, um Estado
muçulmano de origem sunita turco-persa que foi estabelecido na região da
Anatólia. A data exata de seu nascimento é, no entanto, desconhecida, embora,
segundo o historiador otomano do século XVI Kemalpaşazade, Osman provavelmente
tenha nascido em meados do século XIII, provavelmente em torno dos anos 1254/1255.O beilhique otomano expandiu-se no
decorrer dos dois séculos seguintes, absorvendo os restantes Estados turcos da
Anatólia, e conquistando territórios na região próxima da Trácia, Bálcãs e no
Levante, tornando-se efetivamente o Império Otomano. Em 29 de maio de 1453 os
otomanos liderados pelo sultão Maomé II (1444-1446) e (1451-1481) o Conquistador
(Fatih), acabaram com o Império Bizantino ao conquistarem a sua capital,
Constantinopla, um acontecimento que muitos consideram marcar o fim da Idade
Média. Osman era filho de Ertuğrul, cujo pai, Suleyman Shah (1178-1236) foi
líder da tribo turco-oguz dos cais, que habitava no Noroeste do Irão ou Nordeste
do Iraque. Foi filho de Kutalmış e pai de Ertuğrul que, por sua vez, foi pai de
Osmã I, fundador da dinastia otomana e do Império Otomano. Era o líder Kayi dos turcos Oghuz.
Ertuğrul,
juntamente com a tribo Kayic turca, fugiu para a Anatólia da Ásia Central
Ocidental para escapar das invasões e conquistas mongóis. Segundo suas fontes,
Ertuğrul começou a servir o sultão do sultanato de Rûm e foi recompensado com o
domínio sobre a cidade de Söğüt na fronteira bizantina, uma ação que acabou
levando a uma série de eventos que resultaram na formação do Império Otomano
por Osman. Não há muita informação factual em Osman, devido à escassez de dados
históricos autênticos e aos vários mitos e lendas associadas à sua vida que os
otomanos mencionaram nos séculos posteriores. Eles começaram a gravar a
história de sua vida apenas a partir do século XV, que ocorreu após um período
de 100 anos após sua morte. Não há fonte escrita disponível a partir do momento
concreto de seu governo. Assim, tornou-se extremamente difícil para os
historiadores averiguar os fatos históricos reais e separá-los dos mitos e
lendas associadas à sua vida. Com o tempo, surgiram diferentes sugestões sobre
a origem e ortografia de Osman I. Estudiosos sugeriram que seu nome original
era possivelmente turco, Ataman ou Atman, e que o nome foi posteriormente
alterado para o árabe Osmān.
Novamente,
o historiador, filósofo e escritor bizantino grego George Pachymeres (1242-1310)
e outras fontes bizantinas anteriores mencionam seu nome como Ατουμάν
(Atouman) ou Ατμάν (Atman). Tanto a versão árabe, “Uthmān”, quanto a
versão turca, “Osmān”, encontram lugar análogo nas fontes gregas. As sugestões
afirmam que ele possivelmente adotou o nome muçulmano de “mais reputação em um
estágio posterior”. O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos XVI e
XVII, quando foi uma das maiores potências bélicas mundiais, particularmente
durante o reinado de Solimão, o Magnífico, que durou dentre 1520 a 1566. No
final do século XVI os territórios sob administração otomana estendiam-se sobre
uma área de 5,6 milhões de km², que ia desde os Balcãs e partes da Hungria a Oeste,
até ao que são hoje os países árabes, além de quase toda a costa mediterrânica
do Norte de África e de todas as áreas costeiras do Mar Negro. Os otomanos
confrontaram-se em várias ocasiões com Sacro Império Romano-Germânico nos seus
avanços em direção à Europa central através dos Balcãs e das regiões
meridionais da República das Duas Nações, constituídas pela Comunidade
Polaco-Lituana, chegando a cercar Viena em 1529 e 1683. A expansão dos turcos
para ocidente só foi travada graças a coligações que envolveram a maiores
potências cristãs.
No
mar, os otomanos combateram pelo controle do Mediterrâneo com a Liga Santa,
constituída por diversos Estados cristãos, nomeadamente a República de Veneza,
a Espanha e Áustria dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João (Ordem de Malta)
e a generalidade dos Estados italianos. A expansão marítima otomana no
Mediterrâneo só foi detida pela derrota na Batalha de Lepanto em 7 de
outubro de 1571 resultando um conflito naval travado entre uma esquadra da Liga
Santa e o Império Otomano. No Oceano Índico os otomanos combateram contra as
armadas portuguesas para defenderem o monopólio ancestral do comércio marítimo
entre a Índia e Ásia Oriental com a Europa, seriamente ameaçado pela descoberta
do “caminho marítimo” para a Índia por Vasco da Gama em 1498. Além dos confrontos
geopolíticos e militares com cristãos, os otomanos defrontaram-se com os persas,
por vezes aliados dos portugueses nos séculos XVI, XVII e XVIII, quer por
disputas territoriais, quer por diferendos religiosos. Esta batalha representou
o fim da expansão islâmica no Mediterrâneo. Desde o início do século XIV, os
otomanos vinham invadindo as áreas europeias outrora invadidas por árabes e
turcos seljúcidas. Tais invasões eram habilmente orquestradas através de “ferramentas
administrativas” muito bem desenvolvidas, entre elas o sistema janízaro, que
tinha por escopo a construção, e consequente expansão, de seu próprio engenhoso
império.
Todos
esses problemas, com a intensidade e multiplicidade tão características do
século XVI, segundo Foucault (2021: 408), se situam na convergência de dois
processos: processo que, superando a estrutura feudal, começa a instaurar os
grandes Estados territoriais, administrativos, coloniais; processo,
inteiramente diversos, mas que se relaciona com o primeiro, que, a Reforma e em
seguida com a Contrarreforma, questiona o modo como se quer ser espiritualmente
dirigido para alcançar a salvação. Por um lado, movimento de concentração
estatal, por outro, de dispersão e dissidência religiosa: é no encontro desses
dois movimentos que se coloca a intensidade particular no século XVI, o
problema de como ser governado, por quem, até que ponto, com qual objetivo, com
que método etc. Trata-se de uma problemática geral da forma de governo em geral. Em toda essa imensa e
monótona literatura sobre “governamentalidade”, alguns pontos importantes dizem respeito à
definição do que se entende por “governo do Estado”, aquilo que chamaremos governo
em sua forma política.
Com
esse objetivo, o mais simples sem dúvida é opor essa literatura a um único
texto que, do século XVI ao século XVII, constitui um ponto de repulsão,
implícito ou explícito, em relação ao qual - por oposição ou recusa – se situa
a literatura do governo: O príncipe de Maquiavel. É importante lembrar
que O príncipe não foi imediatamente abandonado: foi reverenciado pelos
seus contemporâneos e sucessores imediatos como também no início do século XIX
– sobretudo na Alemanha, onde foi lido, apresentado, comentado por pessoas como
Rehberg, Leo, Ranke, Kellermann etc., e na Itália – exatamente no momento em
que desaparece toda a literatura sobre a arte de governar. O que se deu no
contexto preciso Revolução Francesa e de Napoleão, quando se colocou a questão
de como em que condições se pode mante a soberania de um soberano sobre um
Estado, no contexto do aparecimento, com Clausewitz, da relação entre política
e estratégia e da importância política manifestada por exemplo pelo Congresso
de Viena (1815), que se atribui ao cálculo das relações de força como princípio
de inteligibilidade e racionalização das relações internacionais; finalmente,
no contexto da unificação territorial da Itália e da Alemanha, uma vez que Nicolau
Maquiavel foi um dos que procuraram definir em que condições a unificação da
Itália poderia ser realizada.
Embora
sua família tenha o epíteto Topalosmanoğlu, um apelido ornamentando o
nome e o distinguindo, neste caso, por um antepassado chamado Topal Osman, ele
escolheu o sobrenome Nesin. Em turco, Nesin, significa o que você é?
Geralmente reconhecido como Aziz Nesin, o nome “Aziz” era originalmente o
apelido de seu pai, usado por Nesin para o pseudônimo sob o qual ele começou a publicar.
Ele escreveu mais de cinquenta canções, como o pseudônimo Vedia Nesin, o nome
de sua primeira esposa, que ele usou para os poemas de amor publicados na
revista Yedigün. Nesin era de origem tártara da Crimeia. Ele nasceu em
1915 em Heybeliada, uma das Ilhas Príncipe de Istambul, nos dias do Império
Otomano. Depois de servir como oficial de carreira por vários anos, tornou-se
editor de uma série de publicações satíricas com inclinação socialista. Ele foi
preso várias vezes e colocado sob vigilância pelo Serviço de Segurança
Nacional por suas opiniões políticas. Nesin supostamente proporcionou uma
forte acusação de opressão e brutalidade tendo como suportação e sentido o homem
comum. Ele satirizou a burocracia e “expôs as desigualdades econômicas em
histórias que efetivamente combinam cores locais e verdades universais”. Aziz
Nesin recebeu inúmeros prêmios na Turquia, na Itália, na Bulgária e na antiga
União Soviética. Seus trabalhos foram traduzidos cerca de trinta línguas. Nas últimas partes de sua vida, ele foi dito ser “o único autor turco
que ganhou a vida com seus livros”.
Em
1972, ele criou a Fundação Nesin. O objetivo da fundação era levar quatro
crianças pobres e indigentes a cada ano para a casa da fundação e fornecer
todas as necessidades – a começar pelo abrigo, educação e treinamento, desde a
escola primária - para completar o Ensino Médio, uma escola de negócios ou
mesmo para que possam adquirir uma vocação. Aziz Nesin doou para a Fundação
Nesin seus direitos autorais da totalidade para todas as suas obras publicadas na
Turquia ou em outros países, incluindo todos os seus livros publicados, todos
os trabalhos a serem realizados, todos os direitos autorais para filmes e todas
as suas obras feitas ou usado no rádio ou na televisão. Aziz Nesin foi um
ativista político. Após o golpe na Turquia, em 1980, liderado por Kenan Evren (1918-2015),
chefe de gabinete do exército turco, Aziz Nesin recebeu vários intelectuais
para se rebelar contra o governo militar, emitindo a Petição de Intelectuais
(em turco: Aydınlar Dilekçesi). Ele foi o presidente de Türkiye
Yazarlar Sendikasi (União de escritores turcos). Ele também criticava o
Islão. Na década de 1990, ele começou uma tradução do controverso
romance Salman Rushdie, The Satanic Verses.
Isso
provocou indignação das organizações islâmicas, que estavam ganhando
popularidade em toda a Turquia, que tentaram persegui-lo. Em 2 de julho de
1993, ao participar de um festival cultural principalmente de Alevitas, na
cidade de Sivas, no centro da Anatólia, uma multidão organizada por islâmicos
reuniu-se ao redor do Hotel Madimak, onde os participantes do festival ficaram.
Após as horas de cerco, os intrusos queimaram o hotel, as chamas gradativamente
engoliram vários andares inferiores, enquanto os caminhões de bombeiros
conseguiram se aproximar, e Nesin e muitos hóspedes do hotel conseguiram
escapar. No entanto, 37 pessoas foram mortas no incêndio. Este evento, também reconhecido
como o Massacre de Sivas, foi percebido como censura, e os direitos
humanos na Turquia foram supostamente interrompidos. Também aprofundou a
diferença entre os muçulmanos fundamentalistas e aqueles que consideram
infiéis. Ele passou seus últimos anos lutando contra o fundamentalismo
religioso. Aziz Nesin morreu em 6 de julho de 1995 devido a um ataque cardíaco,
após um evento de assinatura de livros em Çeşme, İzmir, uma pequena cidade na
costa da Turquia. Está localizada próxima à cidade de Izmir, a terceira mais
populosa da Turquia. Seu corpo foi enterrado em um lugar desconhecido em terras
pertencentes à Fundação Nesin, sem qualquer cerimônia, conforme solicitado por
sua própria vontade. O Massacre de Sivas ou Massacre de Madimak refere-se aos acontecimentos de 2 de julho de 1993 no Hotel Madimak em Sivas, Turquia, que resultou na morte de 37 pessoas, a maioria intelectuais Alevi. Dois perpetradores também morreram durante o incidente.
As vítimas, que se reuniram
no hotel para o festival Pir Sultan Abdal, foram mortas quando uma multidão
incendiou o hotel. Comparecendo à conferência estava o intelectual turco de
esquerda Aziz Nesin, que era odiado por muitos muçulmanos na Turquia por causa
de sua tentativa de publicar o polêmico romance de Salman Rushdie, Os versos
satânicos, considerado por muitos muçulmanos como uma blasfêmia. Milhares
de residentes sunitas de Sivas, depois de assistir às orações em uma mesquita,
marcharam para o hotel em que a conferência estava ocorrendo e incendiaram o
prédio. Enquanto o governo turco retratou o ataque como direcionado a Aziz
Nesin, os comentaristas Alevi argumentam que o alvo eram os Alevis, já que a
multidão também destruiu uma estátua representando Pir Sultan Abdal erguida no
dia anterior. Muitos intelectuais, poetas e músicos Alevi reconhecidos foram
mortos no incêndio, incluindo Hasret Gültekin, Metin Altıok, Asım Bezirci,
Behçet Aysan, Nesimi Çimen e Muhlis Akarsu.
O
ataque ocorreu pouco depois das tradicionais orações de sexta-feira, quando a
multidão rompeu as barricadas da polícia para cercar o Hotel Madimak, onde
artistas, escritores e músicos se reuniram para celebrar a vida do poeta alevi
do século XVI, Pir Sultan Abdal (1480-1550). O hotel foi incendiado e o
incêndio ceifou 37 vidas, incluindo os músicos e poetas que participaram do
festival. Aziz Nesin conseguiu escapar do fogo por uma escada. Após os
bombeiros reconhecerem quem ele era, começaram a atacá-lo, mas ele fugiu. O
evento foi visto como um grande ataque à liberdade de expressão e aos direitos
humanos na Turquia, e aprofundou significativamente a divisão entre religiosos
e seculares segmentos da sociedade. Um dia após o incidente, 35 pessoas foram
presas. Em seguida, o número de detidos aumentou para 190. Um total de 124 dos
190 réus foram acusados de “tentativa de estabelecer um estado religioso
alterando a ordem constitucional” e indiciados por acusações. A primeira
audiência do caso, publicamente conhecida como Julgamento do Massacre de
Sivas, Tribunal de Segurança do Estado de Ancara nº 1, foi realizada em 21
de outubro de 1993. Em 26 de dezembro de 1994, um veredicto foi alcançado no
caso dos 124 réus: 15 anos de prisão para 22 arguidos, 10 anos de prisão para 3
arguidos, 3 anos e 9 meses para 54 arguidos, 2 anos e 4 meses para 6 arguidos e
a absolvição de 37 arguidos. Outros 14 suspeitos foram condenados a 15 anos de
prisão. Os restantes 33 arguidos foram acusados de 35 acusações de homicídio.
Após
longos processos judiciais, o Tribunal de Segurança do Estado condenou
os 33 réus à morte em 28 de novembro de 1997 por seus papéis no massacre; 31
dessas sentenças foram mantidas em um recurso de 2001. Quando a Turquia revogou
a pena de morte pouco mais de um ano depois, em 2002, as sentenças foram
comutadas. Cada réu recebeu 35 penas de prisão perpétua, uma para cada vítima
de assassinato e tempo adicional para outros crimes. Esses 31 condenados são
atualmente os únicos que ainda cumprem pena pelos crimes; os outros réus foram
libertados antecipadamente ou libertados após cumprirem suas sentenças. Em
janeiro de 2020, Ahmet Turan Kılıc, que a princípio foi condenado à morte no envolvimento do Massacre de Sivas, recebeu uma comutação da
sentença por Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia desde 28 de agosto de
2014. Ocupou o cargo de primeiro-ministro do país entre 14 de
março de 2003 e 2014, tendo sido prefeito de Istambul de 1994 a 1998.
Erdoğan
é o fundador do Partido da Justiça e Desenvolvimento (em turco: Adalet
ve Kalkınma Partisi) e liderou-o em três vitórias eleitorais, a saber em
2002, 2007 e 2011 antes de sua vitória nas eleições presidenciais de 2014.
Tendo iniciado sua carreira política como um islamista e democrata conservador,
seu governo tem sofrido transições graduais ao conservadorismo social e também
ao liberalismo econômico. Como resultado, sua sentença foi removida. A resposta
das forças de segurança na altura e posteriormente foi fraca. O assalto ocorreu
durante oito horas sem qualquer intervenção da polícia, militares ou bombeiros.
Alevis e a maioria dos intelectuais na Turquia argumentam que o incidente foi
desencadeado pelo governo quando panfletos e folhetos foram publicados e
distribuídos antes do incidente. O governo refere-se ao incidente como um ataque
a intelectuais, mas se recusa a vê-lo como um incidente dirigido aos alevitas. Os eventos em torno do Massacre de Sivas
foram capturados por câmeras de TV e transmitidos para todo o mundo. Todos os
anos, durante o aniversário do massacre, várias organizações Alevi pedem a
prisão dos responsáveis. Dois dos suspeitos, incluindo Cafer Erçakmak, morreram
durante o julgamento. Em março de 2012, o caso do Massacre de Sivas
contra os cinco réus restantes foi arquivado, devido ao estatuto de limitações.
No entanto, este caso está sendo apelado. Todos os anos, no aniversário do
massacre, os manifestantes realizam protestos e vigílias para homenagear as
vítimas do incêndio.
Dario
Fo lembrou o massacre em seu discurso ao aceitar o Prêmio Nobel em 1997.Muitos desejam ver o hotel que foi reaberto,
declarado memorial e transformado em museu. Em 2008, um ministro do governo
indicou que seria transformado em um centro cultural Alevi, mas isso ainda não
ocorreu. Em junho de 2010, o Ministro do Trabalho e Previdência Social anunciou
que o dinheiro para a compra do hotel havia sido repassado, e que o Ministério
forneceria recursos adicionais para a restauração. Após a decisão do tribunal
de 23 de novembro de 2010, o Hotel Madimak tornou-se uma entidade pública por
uma compensação de 5.601.000 TL (Lira Turca) aos proprietários do hotel.
O jornal islâmico conservador Yeni Akit (2012) publicou uma história de
primeira página em 23 de julho de 2012 declarando o Massacre de Sivas
uma “mentira de 19 anos”, alegando que as vítimas foram mortas por tiros, em
vez de tiros com base em fotos do necrotério que afirmavam não ter sido
publicadas. As alegações foram desmascaradas e condenadas. Sir Ahmed Salman
Rushdie, nasceu em Bombaim, em 19 de junho de 1947. É um ensaísta e autor de
ficção britânico de origem muçulmana indiana. Cresceu em Mumbai e estudou na
Inglaterra, onde se formou no King`s College, Universidade de Cambridge.
O
seu estilo narrativo, mesclando o mito e a fantasia com a vida real, tem sido
descrito “como conectado com o realismo mágico”. Em 12 de agosto de 2022,
Rushdie foi alvo de um ataque a faca, sobreviveu e ficou em estado grave. Foi
durante uma palestra na pequena cidade de Chautauqua, no Estado de Nova York,
Estados Unidos da América. O condado tem uma área de 4 000 km², dos quais 2 700
km² estão cobertos por terra e 1 100 km² por água, uma população de 134 905
habitantes, e uma densidade populacional de 49 hab./km² segundo o censo demográfico
nacional de 2010. O ataque está relacionado com ameaças de morte de setores de
ativistas radicais muçulmanos, que o escritor sofria desde décadas pelo seu sucesso
de seu livro The Satanic Verses (1989). Rushdie casou-se com a famosa
atriz e modelo indiana Padma Lakshmi, de quem anunciou divórcio em julho de
2007. Em 1983, Rushdie foi eleito membro da Royal Society of Literature.
Ele foi nomeado Commandeur da Ordem das Artes e das Letras da França em
1999. Em 2007, ele foi nomeado cavaleiro por serviços à literatura. Em 2008, o The
Times o classificou em 13º em sua lista dos 50 maiores escritores
britânicos desde 1945. Desde 2000, Rushdie vive nos Estados Unidos. Ele foi
nomeado Distinguished Writer in Residence no Arthur L. Carter Journalism
Institute da Universidade de Nova Iorque em 2015.
O
romance, com cerca de 500 páginas, representa um trabalho complexo inspirado em
acontecimentos reais, o ataque contra um avião da Air Índia em 1985, os tumultos
de Brixton em 1981 e 1985, o fervor popular em torno do ator indiano Amitabh
Bachchan, após um acidente em 1982, o trágico afogamento em 1983 de vários
seguidores xiitas de um iluminado que os convenceram de que o mar se abriria
diante deles, a revolução iraniana de 1979, referências biográficas sobre o
próprio autor ou sua comitiva, bem como acontecimentos históricos inspirados na
vida de Maomé, lendário como o episódio dos versos satânicos ou imaginário
individual e coletivo. Baseia-se em um tema central que pode ser encontrado ilustrando
outras obras do autor: o “desenraizamento do imigrante”, dividido entre sua
cultura de origem a partir da qual se afasta e a cultura de seu país anfitrião,
que ele ansiosamente deseja adquirir, e a dificuldade desta metamorfose. A
novela constrói pontes articuladas entre a Índia e a Grã-Bretanha, o passado e
o presente, o imaginário e a realidade, e aborda muitos outros temas, fé,
tentação, fanatismo religioso, racismo, brutalidade policial, provocação
política, doença, morte, vingança, perdão.
Consiste
em nove capítulos. Os capítulos ímpares descrevem as peregrinações dos dois
personagens principais, Gibreel Farishta e Saladin Chamcha. Os capítulos pares
são as narrativas dos sonhos e pesadelos de Gibreel Farishta. O último, um ator
de renome no cinema indiano, perdeu a fé após uma doença e fugiu para a
Inglaterra em busca de uma jovem que conhecera pouco antes. Saladin Chamcha
também é de origem indiana, mas é dotado de um passaporte britânico, e de toda
a sua alma quer ser britânico. Sua cor de pele provoca preconceitos, e ganha
sua vida pelo talento que ele tem para falsificar sua voz. Encontrando-se ambos
num voo para Londres, são os únicos sobreviventes de um ataque terrorista.
Quando eles chegam ilesos em uma praia, eles enfrentam policiais que suspeitam
que sejam imigrantes ilegais, ema existente alhures, mas apenas Saladino
Chamcha, embora o mais “britânico” dos dois, tendo sido considerado o “mais
suspeito”, é preso sem que Gibreel Farishta esboce o menor gesto de
solidariedade humana. Os dois homens, agora separados e reciprocamente
prometendo uma certa animosidade, evoluirão cada um do seu lado durante a
novela, antes de poder confrontar-se. No dia 12 de agosto de 2022, Salman
Rushdie foi “esfaqueado no abdômen e no pescoço em Nova Iorque, Estados Unidos
da América”. Ele se preparava para uma palestra na Chautauqua Institution
quando Hadi Matar, de 24 anos, invadiu o local o esfaqueou por volta das
11horas. Ele estava vestido de preto e usando uma máscara. Hadi Matar tem 24
anos, reside em Nova Jérsia e tinha bilhete para o evento em que esfaqueou o
escritor britânico. A polícia acredita que atuou sozinho, mas ainda investiga o
motivo do ataque.
O
moderador Ralph Henry Reese também foi esfaqueado no rosto, mas já recebeu alta
do hospital. Hadi está sob custódia e o FBI investiga o caso junto com outros
órgãos. Rushdie já sofreu outro atentado em 1989, um ano após o lançamento de
seu livro Versos Satânicos, quando um homem preparou um livro-bomba que deveria
ser entregue ao autor, mas explodiu antes da hora e matou o terrorista. Também,
Rushdie possui um prêmio valorizado por sua cabeça, que chegou a US$ 3,3
milhões em 2012. O atentado foi “comemorado por extremistas islâmicos, como
Keyvan Saedy”. Seu agente, Andrew Wylie, confirmou para o The New York Times
que Rushdie passou por uma cirurgia. O autor perdeu um olho, os nervos de um
dos braços foram cortados, o que o impede de usar uma das mãos, e o seu fígado
foi perfurado. O escritor foi esfaqueado de 10 a 15 vezes, de acordo com
testemunhas, no pescoço, no braço e no fígado por Hadi Matar, de 24 anos, que
foi preso em flagrante no local enquanto Rushdie era socorrido. Matar seria
simpático à Guarda Revolucionária Iraniana, como demonstram redes
sociais. Ele foi acusado de tentativa de homicídio sem possibilidade de fiança
pela promotoria de Nova York. O ataque teria sido premeditado, como ocorrera
com Lennon e o Papa João de Deus. O Irã negou em 15 de agosto de 2022,
envolvimento no ataque ao escritor Salman Rushdie. E ainda que ele seus seguidores são os culpados pelo episódio.
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