quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Francisco Milani – Vida Artística & Consagração dos Mal-humorados.

                            Conhecer o homem - esta é a base de todo o sucesso”. Charles Chaplin

            Filho de Donato Milani e Fernanda Ferreira, Francisco Milani nasceu e foi criado no bairro do Belenzinho na capital paulista. Sua família transferiu-se para o Rio de Janeiro já na sua adolescência. O ator foi casado por duas vezes, uma delas com a atriz Joana Fomm. É pai do cineasta e diretor de telenovelas Carlo Milani. A viúva de Chico Anysio, Malga Di Paula, em 2021 concedeu uma entrevista ao programa A Noite é Nossa, da TV Record e, quando perguntada quais eram os artistas que Chico mais gostava declarou que ele adorava Francisco Milani, Rogério Cardoso e Tom Cavalcante. Milani faleceu em 13 de agosto de 2005, aos 68 anos, no Hospital Barra d`Or, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, devido a um edema pulmonar agudo, consequência de câncer retal metastático. Atendendo a seu desejo o velório foi curto, durando duas horas apenas. Além de sua família, estavam presentes integrantes do elenco dos programas “A Grande Família” e “Zorra Total”, além de outros atores. O velório terminou com todos cantando o hino da Internacional Socialista e o hino do Corinthians, seu time do coração. O Sport Club Corinthians Paulista, comumente referido como Corinthians, é um clube poliesportivo brasileiro da cidade de São Paulo, capital do estado de São Paulo. Foi fundado como equipe de futebol 1° de setembro de 1910 por um grupo de operários

A carreira artística de Francisco Milani começou aos 14 anos de idade como office-boy de uma rádio da cidade de Piracicaba. Além disso, foi discotecário, sonoplasta, pianista e locutor. Era locutor da Rádio Tupi quando recebeu um convite de um diretor de TV para fazer um teste para atuar e acabou passando iniciando sua carreira na televisão. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1959 para inaugurar a TV Continental. Seu objetivo era passar alguns dias para estabelecer algumas atividades da emissora, porém, acaba se encantando com a cidade permanecendo nela. Convidado pelo dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), foi trabalhar no Centro Popular de Cultura (CPC), na União Nacional dos Estudantes (UNE), tendo presenciado a invasão e o incêndio do mesmo. Devido ao endurecimento da ditadura civil-militar brasileira (1964-1984), foi embora de São Paulo e acabou interrompendo sua carreira artística por oito anos. O escritor e humorista Jô Soares (1938-2022) relata em sua autobiografia (2018) que, por Milani ser filiado ao Partido Comunista, foi perseguido pelos órgãos de repressão e que teria conseguido fugir com ajuda de Cyro del Nero (1931-2010) no porta-malas de um carro. Trabalhou como caminhoneiro, nesse período, para despistar seu paradeiro cotidiano no âmbito da arte e da micropolítica do dia a dia. Na década de 1970, viajou para o Rio de Janeiro, cidade em que passou a viver e na qual retomou sua vida política e artística.

A cena pública retratava a luta estudantil contra os governos autoritários, com o  golpe de Estado de 1° de abril de 1964 contra o governo popular democrático de João Belchior Marques Goulart (1919-1976), teve início nos primeiros momentos do golpe civil-militar. As atividades ideológicas e sociais da “elite orgânica”, na expressão de René Dreifuss (1981: 231 e ss.), consistiam em doutrinação geral e doutrinação específica, ambas coordenadas com atividades político-ideológicas amplas no Congresso nacional bicameral, adotado em razão da forma de Estado (federação), buscando equilibrar o peso político das unidades federativas, sindicatos, movimento estudantil e clero. A doutrinação geral visava a apresentar as abordagens da elite política aos responsáveis por tomadas de decisão políticas e ao público em geral, assim como causar um impacto ideológico em públicos selecionados e no aparelho do Estado. A doutrinação geral através da mídia era realizada pela ação encoberta e ostensiva, de forma defensiva e defensiva-ofensiva, onde conflitos e tensões subsistem de forma necessária. Não há alternativas senão na confiança recíproca. Constituía-se basicamente numa medida neutralizadora. Visava infundir ou fortalecer atitudes e pontos de vista tradicionais na esfera de ação política de direita e estimular percepções negativas do bloco popular nacional-reformista. No ordenamento jurídico, dentro ou fora do Brasil, a abordagem pessoal por qualquer agente público de segurança só é permitida quando há razões, concretas e objetivas, para a suspeita de que o indivíduo esteja com bem ilícito, ou praticando algum desvio ou delito sobre um conjunto de práticas e saberes sociais.

Ela atacava o comunismo, o socialismo, a oligarquia rural e a falsa ideia de “corrupção” do populismo. No aspecto positivo, argumentava que a prosperidade do país e a melhoria dos padrões de vida do povo se deviam à iniciativa privada e não se deviam, certamente, a métodos socialistas ou à inversão do Estado na economia. Sua abordagem negativa podia ser vista na sua utilização de uma mesclagem de técnicas sofisticadas e uma grosseira propaganda anticomunista, constituindo uma pressão ideológica, que explorava representativamente o chamado “encurralamento pelo pânico organizado”. O objetivo geral da doutrinação específica era modelar as várias frações das classes dominantes e diferentes grupos sociais das classes médias em um momento de opinião com objetivos em curto prazo amplamente compartilhados, qual seja, a destituição de João Belchior Marques Goulart (1919-1976), reconhecido popularmetne como Jango, da presidência da República Federativa do Brasil e a contenção da mobilização popular, às demandas históricas das esquerdas, pregadas por ele mesmo: as reformas de base. A elite social publicava, diretamente ou através das editoras, uma série de trabalhos, incluindo livros, panfletos, periódicos, jornais, revistas e folhetos. Saturava o rádio e a televisão com mensagens ideológicas.

Oficializada a Ação Católica Brasileira, os núcleos de militantes cristãos foram se desenvolvendo de forma desigual. A Ação Católica por meio específico: operária, estudantil, universitária, agrária e independente, chamada também de Ação Católica Especializada, foi se firmando cada vez mais no setor de jovens. Tanto assim que, em 1948, a Comissão Episcopal de Ação Católica aprovava oficialmente a Juventude Operária Católica como ramo fundamental da ACB e organismo de âmbito nacional, com um assistente eclesiástico e equipe com sede no Rio de Janeiro. Em 1943, começou a se delinear dentro da ACB uma nova maneira de encarar a organização do laicato. Essa nova orientação baseava-se nos princípios já difundidos na Europa do padre Josef Léon Cardjin (1882-1967), para quem “era impossível promover uma reforma espiritual profunda dos indivíduos sem uma reforma concomitante do meio em que viviam e trabalhavam”.  A Ação Católica Brasileira era então dirigida por Alceu Amoroso Lima (1893-1983), com a participação de outros intelectuais católicos, muitos dos quais ligados ao integralismo e à Ação Integralista Brasileira (AIB), que fora extinta em 1937 - assim como todos os partidos políticos -, após a instauração do Estado Novo (1937-1945). Opondo-se à nova orientação da Ação Católica Brasileira, o grupo liderado por Plínio Correia de Oliveira (1908-1995), jornalista e líder católico, desligou-se em 1943 da organização. 

No pós-guerra, com a derrota do fascismo, a liberação da Europa e a crescente influência de pensadores católicos humanistas - como Emmanuel Mounier, Teilhard de Chardin e Jacques Maritain - além das visitas ao Brasil, na década de 1950, do Padre Louis Joseph Lebret (1897-1966), dominicano francês ligado ao movimento Economia e Humanismo, o pensamento social católico brasileiro sofreu inúmeras transformações. Em 1947, o padre Hélder Câmara assumiu o cargo de assistente eclesiástico da Ação Católica Brasileira. Em 1950, logo em seguida à IV Semana Nacional de Ação Católica, celebrada em julho daquele ano, a Comissão Episcopal de Ação Católica, estabelecia novos estatutos para a ACB. Aos poucos, movimentos sociais de influência masculinas e movimentos sociais de influência femininas fundem-se num conjunto de práticas e saberes sociais para moços e moças. Em 1952, um fato político novo veio influir na atuação da ACB. Foi criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, da qual dom Hélder Câmara era o secretário-geral. De certo modo, portanto, a CNBB brotou da ACB, e vários integrantes da CNBB haviam trabalhado na ACB como assistentes, e ainda permaneciam em contato com a entidade. Essa ligação estreita com a CNBB alterou a relação institucional da ACB com a hierarquia católica, deixando de depender das diretrizes ditadas individualmente por cada bispo para tratar com um órgão de representação nacional, aumentando assim sua autonomia de ação.

No início dos anos 1960, já sob o pontificado de João XXIII, o Concílio Vaticano II, convocado no dia 25 de dezembro de 1961, através da bula papal “Humanae salutis”, pelo Papa João XXIII. Este mesmo Papa inaugurou-o, a ritmo extraordinário, no dia 11 de outubro de 1962, realizado em 4 sessões, só terminou no dia 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI, o que suscitou uma cisão ideológica da Igreja do Brasil, em uma corrente interpretada política e espacialmente mais à esquerda, liderada por Dom Hélder Câmara, e outra mais à direita, ligada a Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Vicente Scherer. Como aparelho ideológico de Estado a Ação Católica contava então com cinco organizações destinadas aos mais jovens: a Juventude Agrária Católica (JAC), formada por jovens do campo, a Juventude Estudantil Católica (JEC), formada por jovens estudantes do ensino médio (secundaristas), a Juventude Operária Católica (JOC), que atuava no meio operário, a Juventude Universitária Católica (JUC), constituída por estudantes de nível superior e a Juventude Independente Católica (JIC), formada por jovens que não fossem abrangidos pelas organizações anteriores. As mais conhecidas são a JEC, JOC e JUC. O crescente envolvimento do movimento estudantil na discussão dos problemas nacionais e das chamadas reformas de base, tais como a reforma agrária, acabou por engendrar a criação de uma organização política desvinculada da Igreja - a Ação Popular, constituída por antigos membros da JUC. Em 30 de abril de 1963, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pedira reformas urgentes, inserindo-se na discussão sobre as reformas de base, lançadas pelo governo. Vale lembrar que do ponto de vista ideológico a Igreja Católica, em seu conjunto, chegou dividida ao golpe político-militar de 1° de abril de 1964.

De um lado, os movimentos leigos da Ação Católica, comprometidos com vários movimentos de transformação social - Movimento de Educação de Base (MEB), Movimento Popular de Cultura (MPC) do Recife, Campanha de Educação Popular (CEPLAR) da Paraíba, etc. - destacando-se a experiência alfabetizadora de Paulo Freire, também com forte presença de cristãos. De outro lado, as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, nome comum de uma série de manifestações públicas ocorridas entre 19 de março e 8 de junho de 1964 no Brasil em resposta ao ideário comunista representado pelas ações dos grupos progressistas e pelo discurso político em comício realizado pelo então popular presidente da República João Goulart (1919-1976) em 13 de março daquele mesmo ano. Na data, o mandatário assinou dois decretos, permitindo a desapropriação de terras numa faixa de 10 km às margens de rodovias, ferrovias e barragens e transferindo para a União o controle de cinco refinarias de petróleo que operavam no país. Além disso, prometeu realizar as reformas de base, uma série de mudanças administrativas, agrárias, financeiras e tributárias, garantindo justiça social. Com discurso insuflando, promoveu a insubordinação, incitando os sargentos da marinha a amotinar-se nos quartéis, isto é, João Goulart antecipou politicamente tanto uma reforma urbana, quanto as condições e possibilidades da implementação de “um imposto sobre grandes fortunas”. Na chamada Guerra Fria e polarização entre os Estados Unidos e a União Soviética, estas ideias foram vistas como “um passo na direção do processo de concretização da revolução brasileira”.

Frei Tito de Alencar Lima, por exemplo, nasceu em Fortaleza, em 14 de setembro de 1945 e morreu enforcado em Éveux, em 10 de agosto de 1974. Foi um frade católico alvo de perseguição militar após ser “fichado pela polícia devido a sua participação no Congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes (UNE), no ano de 1968”. Nasceu em Fortaleza e estudou no Liceu do Ceará. Sua militância se iniciou na União Cearense de Estudantes Secundaristas e, em 1963, mudou-se para Recife, após ser escolhido como dirigente regional da região nordeste da Juventude Estudantil Católica (JEC). Em 1966, ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte, e fez a profissão dos votos no ano seguinte. Em 1968 mudou-se para São Paulo para estudar filosofia na Universidade de São Paulo e no mesmo ano, no dia 12 de outubro, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna, após se tornar alvo de perseguição da ditadura militar. Foi preso pela segunda vez dia 4 de novembro de 1968 junto com outros companheiros da ordem dos dominicanos pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social.

Nessa ocasião foi acusado junto aos outros presos, de manter contatos com a Ação Libertadora Nacional e seu dirigente, Carlos Marighella, um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura. Lá, Frei Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos. Posteriormente foi transferido para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu até 17 de fevereiro de 1970 e, em seguida, nas mãos da Justiça Militar, foi levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban). Na prisão, Frei Tito escreveu sobre a tortura com a qual conviveu, quando este documento se transformou em um símbolo da luta pelos direitos humanos. Em dezembro de 1970, foram incluídos na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher (1913-1992), sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária, um grupo de luta armada brasileira de extrema-esquerda que lutou contra a implantação da ditadura civil-militar brasileira, visando à instauração de um governo de cunho socialista no país. Frei Tito foi banido do Brasil pelo governo militar de Emílio Garrastazu Médici seguindo para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio político e afetivo dos religiosos dominicanos, para lembrarmos de Frei Betto. Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico e, no dia 10 de agosto de 1974, infelizmente cometeu suicídio.

No dia 1º de abril de 1964 a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) foi invadida e incendiada por militares comandados pelo presidente cearense marechal Humberto Castelo Branco. A Lei Suplicy de Lacerda, decretada em novembro de 1964, colocou a UNE na clandestinidade. O novo regime político organizado em abril de 1964 tinha no movimento estudantil um forte elemento de antagonismo, razão por que o governo procurou substituir as entidades estudantis existentes, regidas pelo Decreto Café Filho, de 1955, por outras, controladas direta ou indiretamente pelo Ministério da Educação. O instrumento criado pelo Estado de Exceção dessa tentativa de controle foi baseado na Lei nº 4.464, de 9 de novembro de 1964, reconhecida como Lei Suplicy, devido ao nome do ministro da Educação que a patrocinou, Flávio Suplicy de Lacerda. Os acontecimentos posteriores a 1968, quando o regime assumiu sua feição ditatorial por meio do AI-5, fizeram com que se desse pouco importância à natureza da violência surgida a partir de do golpe de Estado de 1964 e ao modo como ela foi enfrentada pelo governo Castello Branco (1964-1967). Ali estava a gênese da tortura e, frequentemente coberta pela definição imprecisa do conceito nas “legislações de organizações militares”, sobretudo, de uma política que arruinaria as instituições políticas e militares do país.

Art. 1º: - Os órgãos de representação dos estudantes de ensino superior, que se regerão por esta Lei, têm por finalidade: a) defender os interesses dos estudantes; b) promover a aproximação e a solidariedade entre os corpos discente, docente e administrativo de ensino superior; c) preservar as tradições estudantis, a probidade da vida escolar, o patrimônio moral e material das instituições de ensino superior e a harmonia entre os diversos organismos da estrutura escolar; d) organizar reuniões e certames de caráter cívico, social, cultural, científico, técnico, artístico, e desportivo, visando o aprimoramento da formação universitária. Art. 2º - São órgãos de representação dos estudantes de ensino superior: a) o Diretório Acadêmico (D.A.), em cada estabelecimento de ensino superior; b) o Diretório Central de Estudantes (D.C.E.), em cada Universidade; c) o Diretório Estadual de Estudantes (D.E.E.), em cada capital de Estado, Território ou Distrito Federal, onde houver mais de um estabelecimento de ensino superior; d) o Diretório Nacional de Estudantes (D.N.E.), com sede na Capital Federal, no Rio de Janeiro. E, o principal, Art. 14. É vedada aos órgãos de representação estudantil qualquer ação, manifestação ou propaganda de carácter político-partidário.

Francisco Milani estreia na Rede Globo na telenovela Irmãos Coragem (1970), a partir daí, participou de várias outras novelas da emissora, entre elas, Selva de Pedra (1972), Elas por Elas (1982), Barriga de Aluguel (1990) e Vamp (1991). Também trabalhou nas novelas da Rede Tupi, sendo estas, Roda de Fogo e, em 1979, Gaivotas, de Jorge de Andrade, interpretando o delegado João Leite. Sua trajetória na comédia se inicia na década de 1980, no programa Viva o Gordo, de Jô Soares (1938-2022), do qual tornou-se diretor entre os anos de 1985 a 1987.No programa, interpretava inúmeros papéis. Sua personagem mais famosa, sem nome específico, dizia ou pedia coisas absurdas a outras pessoas e, quando o olhavam com estranheza, falava o bordão: - “Tá me olhando por quê? Eu sou normal!”. Também dirigiu e atuou no programa Chico Anysio Show (1988). Em 1985, interpreta o rabugento chefe da personagem Zelda Scott (Andrea Beltrão) no seriado Armação Ilimitada. Na década de 1990, integra o fabuloso elenco da Escolinha do Professor Raimundo, na qual viveu o cético advogado Pedro Pedreira, cujo principal bordão era “Pedra noventa, só enfrenta quem aguenta!”, um tipo que contestava tudo que o Professor Raimundo dizia, exigindo provas para cada fato histórico apresentado.  

            No ano de 1999 a família de Ary Leite, na época já falecido, processou a Rede Globo pelo não pagamento de direitos autorais e a condenação veio no ano de 2003 com a Globo sendo obrigada a pagar uma indenização e a retirar a personagem do ar, a partir daí, o quadro deixou de ser exibido. Quando o professor não conseguia apresentar as provas, a personagem soltava o bordão: - “Então, não me venha com chorumelas!”. De acordo com Ramos (2002), o nome “Pedreira” reforça a simbologia da “unidade”, da “força” e “coesão”. O “noventa”, de seu bordão, expressa seu peso como expressão de valor, ou seja, o peso da rigidez de sua personalidade, por isso, para “enfrentar” ele é preciso “aguentar” sua força. Em 2000, quando a Escolinha havia se tornado um quadro do Zorra Total, Milani, que integrava o elenco, foi demitido. Sem ser informado, Chico Anysio só tomou conhecimento de sua demissão ao notar sua ausência no estúdio.  Tendo ficado revoltado, cancelou a gravação e os atores e convidados de volta para casa.  Em 2015, na nova versão da Escolinha do Professor Raimundo, o personagem Pedro Pedreira foi interpretado por Marco Ricca, um ator e cineasta brasileiro. Marco nasceu na cidade de São Paulo em 1962. Sua estreia ocorreu em 1993, na novela Renascer, da Rede Globo, interpretando o personagem José Augusto. No ano seguinte transferiu-se para o Sistema Brasileiro de Televisão, onde atuou na novela Éramos Seis. Em 1995, fez uma rápida passagem pela teledramaturgia da Rede Bandeirantes, participando da novela A Idade da Loba. Em seguida, retornou ao Sisema Brasileiro de Televisão, para protagonizar a novela Razão de Viver.

Na realidade histórica e pontual Francisco Milani consagrou-se socialmente com o personagem “Saraiva”, do programa humorístico Zorra Total da Rede Globo de televisão, dono do bordão: “Pergunta idiota, tolerância zero!”, personagem mal-humorada e rabugenta que não suportava perguntas “pouco inteligentes” e causava constrangimento a sua esposa vivida pela atriz Stella Freitas que participou do seriado Sítio do Picapau Amarelo por três vezes. A primeira foi em 1977 interpretando a Cuca e as outras vezes em 1984 e em 2006. Em 1987, começou a chamar a atenção do grande público televisivo brasileiro ao interpretar a divertida empregada Dinalda, na novela Sassaricando, de Sílvio de Abreu. Destaca-se nesse tipo de papel, e o repetindo de forma marcante em outras duas novelas: Era uma Vez... (1998), de Walther Negrão e Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva. Como diretora teatral, Stela Freitas dirigiu, em 1994 de “Pirandello Nunca Mais”, de Ricardo Hofstadter, e Metralha, um musical protagonizado pelo ator Diogo Vilela, em 1996. Em 1998, Stella Freitas apresentou o programa educativo “Alô, Vídeo Escola”, no recente Canal Futura. A atriz tem várias participações em filmes, novelas e teatro. No cinema, Stela Freitas ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante, no 18º Festival de Gramado em 1990, por sua interpretação no filme Stelinha, de Miguel Faria Jr. Em 2001, Stella Freitas participa do musical “South American Way”, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, interpretando Carmem Miranda ao lado de Stella Miranda.

A personagem de Francisco Milani foi criada da década de 1950 pelo comediante Ary Leite (1930-1986). Em 2005, Maurício Sherman, diretor-geral do humorístico Zorra Total, declarou que Francisco Milani, apesar de estar doente, estava se preparando para interpretar novamente a personagem Saraiva e estava bastante entusiasmado, porém, viria a falecer uma semana antes do início das gravações de estúdio. A personagem só retornou em 2010, interpretado pelo genial ator Leandro Hassum. Mas, entre os anos de 2003 e 2004 fez participações no humorístico A Grande Família interpretando o rabugento Tio Juvenal, reconhecido também como o “tio mala”. A personagem estreou dois meses depois da morte de Rogério Cardoso (1937-2003), que interpretava “Seu” Flor. Ele estreia no episódio “O Tio Mala” e, devido ao sucesso da personagem, aparece em mais dois episódios; “O Mal-amado” e “Etelvina e Juvenal”. A última personagem cômica foi “Cambises: Pão Duro” que só pensava em economizar seu dinheiro, questionando os valores e a utilidade de cada produto comprado por sua esposa no caixa do supermercado.

Em 2004 concedeu uma entrevista na qual foi perguntado o que ele achava de interpretar inúmeras personagens mal-humoradas, respondeu dizendo que achava o mau-humor muito engraçado. Segundo Milani: - “Quando você vê uma pessoa mal-humorada na rua, acaba rindo, pois ela tem um comportamento fora do normal, que chama a atenção e é muito divertido. Fazer um papel desses é um filão para qualquer ator”. Sempre interessado pela política, pragmaticamente foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) nas eleições de 1992, tendo ainda durante o mandato passado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 1995, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), partido pelo qual, no ano 2000, foi candidato derrotado a vice-prefeito na chapa de Benedita da Silva (Partido dos Trabalhadores) nas eleições municipais do Rio de Janeiro. O vencedor foi Cesar Maia (Partido Trabalhista Brasileiro). É de sua autoria a lei que criou a empresa RioFilme, empresa pública de investimento de investimento em audiovisual. O quadro humorístico foi lançado em 2005, no programa Zorra Total, sendo este seu último trabalho artístico em vida.

No dia 20 de agosto de 2005, uma semana após sua morte, Francisco Milani foi homenageado pelo programa com uma edição de imagens relembrando seus personagens mais famosos. Depois, o ator Milton Gonçalves (1933-2022) leu um texto em homenagem ao colega e foi exibido um esquete inédito da personagem Cambises, o último gravado por Milani. Na esfera política, vale lembrar que o Partido Comunista do Brasil havia sido usado primeiramente, pelo nome do antigo Partido Comunista Brasileiro, fundado em 25 de março de 1922. Enquanto o PCB abandonava em definitivo a figura de Josef Stálin, o PCdoB manteve o ex-líder soviético como uma de suas referências teóricas ao lado de Marx, Engels e Lênin. Na mesma época, a crise entre a União Soviética e a China atingiu o seu auge, quando o líder chinês Mao Tsé Tung criticou o processo de desestalinização em curso na União Soviética, e acusou Khrushchov de desvios oportunistas e reformistas. Posteriormente o PCB alterou seu nome para Partido Comunista Brasileiro, fundado com a presença de 9 delegados, representando diversos grupos regionais e que somavam um total de 73 membros. Um bom número de militantes fundadores era libertário. Dos nove membros que fundaram o PCB somente o barbeiro Abílio de Nequette (1888-1960) e Manuel Cendón são socialistas, enquanto os restantes vinculam-se aquele movimento.

Uma leitura atenta da obra de Otávio Brandão, escrita em 1924 sob pseudônimo de Fritz Mayer, Agrarismo e Industrialismo, as revoluções pequeno-burguesas de 1922 e 1924, cometeram erros graves, anterior à sua adesão afetiva ao PCB em 15 de outubro de 1922, verifica as fortes influências anarquista e mística delineada nos ensaios e livros, que se traduzem no predomínio do questionamento, esquemático e acentuadamente ideológico, resistindo traços da doutrina anarquista mesmo considerado em algumas de suas posições pós-adesão. A chamada “desestalinização” refere-se ao processo de ver como o culto da personalidade e do sistema político stalinista criado pelo líder soviético Josef Stalin. A desestalinização começou tecnicamente em 1953 após a morte de Stalin, mas não era oficial até 1956, após o discurso secreto de Nikita Khrushchov, então secretário do Comitê Central da União Soviética, e liberado após o XX Congresso do PC da URSS. Com sua morte, Stalin foi sucedido por uma liderança coletiva. Os homens fortes da central soviética naquela quadra eram Lavrentiy Beria, a cargo do Ministério do Interior, Nikita Khrushchov, Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista e Georgi Malenkov, Premier da União Soviética. O processo de desestalinização começou como fim do trabalho forçado em grande escala na economia.

O processo de libertar prisioneiros dos chamados “campos” (Gulags) foi iniciado por Béria, mas logo retirado do poder. Khrushchov, em seguida, emergiu como o mais poderoso político soviético. No discurso “Sobre o Culto à Personalidade e suas Consequências” para a sessão do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética em 25 de fevereiro de 1956, Nikita Khrushchov deixou perplexo os ouvintes denunciando duplamente, por um lado, o “regime ditatorial” e, por outro, o “culto da personalidade” de Josef Stalin. Ele também atacou os crimes políticos cometidos pelos associados de Lavrentiy Pavlovitch Beria, político soviético e chefe da NKVD na Geórgia. Beria é lembrado como “o executor do Grande Expurgo de Stalin na década de 1930, tendo-o presidido”. Não poderíamos repetir o mesmo com Astrojildo Pereira, homem de leitura afiada, bom conhecedor da literatura socialista europeia em geral, e em particular a teoria da história e o método de análise materialista e dialético de Karl Marx e Friedrich Engels. Em 1929, publicou em A Classe Operária o artigo “Sociologia ou apologética?”, estudo crítico da obra de Oliveira Vianna, Populações Meridionais do Brasil, em que eram contestadas as opiniões do autor, que negava a existência de luta de classes na história do Brasil. O trabalho foi desenvolvido depois incluído nos livros Interpretações (1944) e Ensaios Históricos e Políticos (1979). Lembra a educadora Vanilda Pereira Paiva (1943-2023) no artigo: “Oliveira Vianna: Nacionalismo ou Racismo?” (1978), que a presença de Oliveira Vianna na vida intelectual regional brasileira é frequentemente subestimada, especialmente entre os que passaram a viver os problemas políticos e culturais de forma plenamente consciente a partir dos anos 1960. Sobre ele são amplamente reconhecidos o ensaio de Nelson Werneck Sodré, Oliveira Vianna – O Racismo Colonialista (1961) e o estudo de Astrojildo Pereira intitulado: Sociologia ou Apologética? escrito em 1929 e reunido com outros estudos em Interpretações (1944). Ambos os autores se concentraram com muita justiça, sobre o caráter racista e de apologia das classes dominantes que permeia a obra Populações Meridionais do Brasil que levou o pensador conservador e cientista político Wanderley Guilherme dos Santos a caracterizá-lo como “autoritarismo instrumental”.

Em fevereiro de 1929, após o 3° Congresso do Partido Comunista Brasileiro, realizado entre dezembro de 1928 e janeiro de 1929, no qual foi vencido o grupo de oposição, denominado Dissidência, chefiado por Joaquim Barbosa e Rodolfo Coutinho, Astrojildo Pereira, eleito durante os trabalhos e abertura dos debates do 6° Congresso para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, sob o pseudônimo de Américo Ledo, seguiu para Moscou, onde trabalhou no Secretariado para a América Latina, regressou ao Brasil em janeiro de 1930. Em artigo publicado em Autocrítica, n°6, com o título: O Proletariado Perante a Revolução Democrática Pequeno-Burguesa (1928), Otávio Brandão afirma que no Brasil trata-se de nossa aliança com os revoltosos pequeno-burgueses contra os grandes proprietários rurais e feudais e, em segundo lugar, contra todas as frações da grande burguesia: comercial, industrial, burocrática, acrescentando “a revolução democrático-burguesa é uma criadora de possibilidades”. À sua sombra preparar-nos-emos, afirma, para a nossa verdadeira obra. Não podemos ser contrários a essa revolução”. E que “no Brasil, o problema da pequena-burguesia é urbano e não rural como na Rússia”. Esta concepção da revolução brasileira e de suas forças motrizes, elaborada durante tantos anos, recebeu sua consagração, por assim dizer, no 3° Congresso do PCB, de 1928, com a denominação de “terceira revolta”, prevista como continuação dos movimentos tenentistas de 1922-1926, na luta armada vitoriosa da Aliança Liberal do prócer Getúlio Dornelles Vargas, na década de 1930 em que ocorre a radicalização política.

A tese pragmática do 3° Congresso, segundo Astrojildo: “Toda a tática do Partido Comunista deve, portanto, subordinar-se a esta etapa estratégica de mobilização das massas em vista do movimento que se prevê. Em tese o Partido deverá colocar-se à frente das massas, a fim de conquistar, por etapas sucessivas, não só a direção da facção proletária, mas a hegemonia do todo o movimento”. Queremos dizer com isso que a analogia das palavras não deve levar a confusões. Chamam-se igualmente partidos as facções que dividiam as Repúblicas antigas, os clãs que se agrupavam em torno de um condottiere na Itália da Renascença, os clubes onde se reuniam os deputados das assembleias revolucionárias, os comitês que preparavam as eleições censitárias das assembleias revolucionárias, bem como as vastas organizações populares que enquadram a opinião pública nas democracias modernas. Essa identidade nominal justifica-se por um lado, pois traduz certo parentesco profundo: todas essas instituições não desempenham o mesmo papel, que é o de conquistar o poder político e exercê-lo? Porém, sociologicamente, observamos que não se trata da mesma coisa. De fato, os verdadeiros partidos datam pouco mais de um século. Em 1850, nenhum país do mundo, salvo os Estados Unidos da América, reconhecia partidos políticos no sentido contemporâneo do termo: encontravam-se tendências de opiniões, clubes populares, associações de pensamento, grupos parlamentares, mas nenhum partido político propriamente dito. Em 1950, estes funcionavam na maior parte das nações civilizadas, os outros se esforçavam por imitá-las, ou apenas transplantá-las.

O nascimento dos partidos políticos encontra-se ligado ao surgimento dos grupos parlamentares e comitês eleitorais. Não obstante, alguns manifestam uma natureza mais ou menos aberrante em relação ao esquema geral: sua gênese situa-se fora do ciclo eleitoral e parlamentar, formando essa exterioridade, aliás, seu caráter comum mais nítido. Contudo, pode-se afirmar que o mecanismo geral dessa gênese é simples: criação de grupos parlamentares, de início; surgimento de comitês eleitorais, em seguida; enfim, o estabelecimento de uma ligação permanente entre esses dois elementos. Na prática, a pureza desse esquema de análise teórica é modificada de diversas formas. Os grupos parlamentares vêm à luz antes dos comitês eleitorais: com efeito, houve assembleias políticas antes que se realizassem eleições. Grupos parlamentares são concebíveis no âmbito de uma Câmara autocrática bem como de uma Câmara eleita: na realidade, voltamos ao ponto inicial da questão. A luta política das facções geralmente se tem manifestado em todas as assembleias hereditárias ou cooptadas, quer se tratasse do Senado da Roma clássica, quer da Dieta da antiga Polônia. Mas há ainda uma questão chave para seu entendimento político. Quer dizer, certamente, quem diz “facção” ainda não diz “grupo parlamentar”: entre os dois, existe toda a diferença que separa o inorgânico do organizado, este sim, que levaria mais tarde o pensador socialista italiano Antônio Gramsci desenvolver uma concepção e teoria original sobre o papel do intelectual revolucionário. O segundo decorre da primeira, por uma evolução mais ou menos rápida.   

Segundo Heitor Ferreira Lima no artigo: “Astrojildo Pereira e uma Mudança na Orientação do PCB” (1981), essa apreciação da dinâmica política ocorrida entre nós era, evidentemente, falsa e inadequada à realidade objetiva, que não sabíamos ver, e ao papel revolucionário que o PCB deveria desempenhar. Recebeu, por isso, a mais viva repulsa nas reuniões do Secretariado da Internacional Comunista para a América latina, através de críticas contundentes. O PCB foi acusado de orientar toda a sua tática e estratégia à espera da “terceira revolta”, colocando-se, desse modo, à reboque da pequena burguesia, menosprezando as reivindicações específicas do proletariado; de abandonar a questão camponesa, esquecendo a reforma agrária e a aliança dos operários com os trabalhadores do campos; de esconder o Partido atrás do Bloco Operário e Camponês; de não cuidar suficientemente da formação do Partido Comunista Brasileiro independente, à altura das necessidades nacionais; de não se ocupar com os problemas evidentes de organização dos negros e dos índios; enfim, de adotar uma orientação reconhecida precariamente como ocorre na expressão “pequeno-burguesa”, contrária ao “leninismo” de Lenin, e às recomendações da Internacional Comunista. Em resumo, um arrasamento na ideologia e na prática no Brasil. Tal contestação em forma tão severa deixou os membros brasileiros presentes perplexos, muitas vezes atônitos, quase que sentindo-se aniquilados, pois, desmoronavam irremediavelmente, os esforços de tantos anos de trabalho e sacrifícios.

Bibliografia Geral Consultada.

CHAPLIN, Charles, Mis Primeros Años. Buenos Aires: Emecé Editores, 1981; DREIFUSS, René Armand, 1964: A Conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe. 2ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1981; JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco, Os Subversivos da República. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986; REIS FILHO, Daniel Aarão, Ditadura Militar, Esquerdas e Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2000; MINOIS, Georges (Org.), História do Riso e do Escárnio. São Paulo: Editora UNESP: 2003; MÉSZÁROS, István, O Poder da Ideologia. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004; IANNI, Octávio (Org.), Florestan Fernandes: Sociologia Crítica e Militante. São Paulo: Editora Expressão popular, 2004; BARCALA, Valter Aparecido, O Cinema na Escola: Uma Análise Interdisciplinar do Filme “Eles não usam Black-Tie”, de Leon Hirszman. Dissertação de Mestrado em Educação, Arte e História. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2006; DEWEY, John, A Arte como Experiência. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2010; DURKHEIM, Émile, O Suicídio. Estudo de Sociologia. 2ª edição. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011; ARCHER, Michael, Arte Contemporânea. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2013; GUARNIERI, Gianfrancesco, Eles não usam black-tie. 28ª edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2014; CAMARGO, Gustavo, Um Alfaiate no Palácio do Catete: Histórias de José de Cicco, Mestre das Tesouras no País dos Elegantes. São Paulo: Editora Estação das Letras e Cores, 2015; NAPOLITANO, Marcos, 1964: História do Regime Militar Brasileiro. São Paulo: Contexto Editora, 2016; FLÔRES, Fernanda Lêdo, Na Mira da Repressão: Militância Política e Escrita Jornalística em Ana Montenegro (1947-1983). Dissertação de Mestrado. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2017; BERNARDO, André, “Barão de Itararé: A Vida Trágica e o Humor Anárquico de um Ícone do Jornalismo”. In: https://www.bbc.com/26/12/2021; ROSSI, Marcio José, O Humor Gráfico em Sala de Aula e o Ensino de História. Dissertação de Mestrado Profissional em Ensino de História – Prof. História. Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Guarulhos: Universidade Federal de São Paulo, 2022; FERNANDES, Alexandre Perez, “Nós por Nós”: O Caso da Militância “Autônoma”, “Combativa” e “Antifascista” em Londrina-PR. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2023; Artigo: Francisco Milani: tipos mal-humorados que faziam rir. In: https//www.opovo.com.br/2024/08/12/entre outros. 

domingo, 14 de janeiro de 2024

Mário Jorge Lobo Zagallo - Único Tetracampeão Global de Futebol.

                                                                       Vocês vão ter que me engolir”. Mário Jorge Lobo Zagallo

       Todas as religiões, sem exceção, empregam utensílios culinários para os ritos sacrificiais, geralmente nas cerimônias de refeições sagradas ou de comunhão. Taça do Culto de Cibele, caldeirões hindus e chineses, caldeirão de prata dos celtas, “caldeirão da regeneração” do Museu Nacional de Copenhague, antepassado provável do Graal, antepassado certo do cálice cristão, “vasilha triunfal” a que assimilado o mandala nas cerimônias tântricas, caldeirões que, no Edda, que foi recompilada e escrita por eruditos que preservaram uma parte dessas histórias contêm os alimentos para os guerreiros bem-aventurados, todos tornam inesgotável a lista dos vasos sagrados. Um simbolismo completo será assim apanágio de um utensílio tão universalmente utilizado e tão universalmente valorizado. As imagens da casca de noz, tão frequentes nos nossos contos e nas fantasias liliputianas, correspondem mais ou menos às do geme fechado, do ovo. A retorta química, o atanor, são marcas indispensáveis à fantasia do vaso estomacal ou uterino. O vaso situa-se a meio caminho entre as imagens do ventre digestivo ou sexual e as do líquido nutritivo, do elixir da vida e de juventude. Pouco importa o que o recipiente seja de cavidade profunda, caldeirão, tacho ou tigela, ou de cavidade pequena, cuveta, gamela, taça ou colher. Pelo jogo confuso do sentido passivo e do sentido ativo o interesse arquetípico desliza pouco a pouco passando do continente para o conteúdo.

         A noção de continente é solidária de conteúdo. Compreende Gilbert Durand (1993: 257) que este último, é geralmente um fluido, o que junta os simbolismos aquáticos, os da intimidade, ao esquema do trajeto alimentar, do engolimento. É que o gesto alimentar e o mito da comunhão alimentar são os protótipos naturais do processo de dupla negação que estudamos a propósito do engolimento: a manducação é negação agressiva do alimento vegetal ou animal, em vista não de uma destruição, mas de uma transubstanciação. A alquimia compreendeu-o muito bem, tal como as religiões que utilizam a comunhão alimentar e os seus símbolos. Toda alimentação é transubstanciação. É por essa razão que Gaston Bachelard pode muito profundamente afirmar que “o real é antes de tudo um alimento”. E que além disso, que o ato alimentar confirma a realidade das substâncias. Porque a “interiorização ajuda a postular uma interioridade”. A afirmação da substância, da sua indestrutível intimidade subsistindo para além dos acidentes, só pode ser feita por esta tomada de consciência da assimilação digestiva. O “suco”, o “sal”, encontra-se no trajeto metafísico da essência, e os processos de gulliverização não passam de representações por imagens do íntimo, do princípio ativo que subsiste na intimidade das coisas. O atomismo – essa gulliverização com pretensões objetivas – reaparece sempre, mais cedo ou mais tarde, no panorama substancialista, ou melhor, enquanto produção de uma teoria dos “fluidos”, das “ondas” escondidas e constitutivas da própria eficácia das substâncias.

       A gulodice representa uma aplicação do princípio de identidade. Melhor: o princípio de identidade, de perpetuação das virtudes substanciais, recebe o seu primeiro impulso da meditação da assimilação sobredeterminada pelo caráter secreto, íntimo de uma operação que se efetua integralmente nas trevas viscerais. Porque é a interioridade “superlativa” que constitui a noção de substância. Esta é uma consequência do esquema psíquico da inversão: a intimidade é inversora. Todo invólucro, todo continente, aparece com efeito menos como menos preciso, menos substancial que a matéria envolvida. A qualidade profunda, o termo substancial não é o que contém, mas o que é contido. Bem vistas as coisas, não é a casca que conta, mas a amêndoa. Não é o frasco que importa, mas sim a embriaguez. É esse voltar do avesso do continente que quer a alquimia de Boerhave quer a de Jacob Polemann revelam, tal como o antigo Zimmermann da Grande Encyclopédie consagrado á “pedra”.  O alimento primordial, o arquétipo alimentar é, de fato, socialmente a produção do leite, isto é: “toda bebida feliz é um leite materno”. E quando esta euforia alimentar é desastrosamente interrompida pela analista social, a paciente é submersa por uma catastrófica crise esquizofrênica. A doente recupera, à beira da cura, a linguagem erótica dos místicos.     

         A primeira estrutura que a imaginação dos símbolos da inversão e da intimidade evidencia é a que os psicólogos denominam redobramento e perseverança.  A intimidade não é no fundo mais que uma conclusão normal das fantasias encaixadoras do Jonas. Há na profundidade da fantasia noturna uma espécie de fidelidade fundamental, uma recusa de sair das imagens familiares e aconchegantes. É esta estrutura que Strömgren mostrara já no tipo caracterial ixomítico ao ver na perseverança um dos seus traços típicos fundamentais. Para Rorschach, a perseveração das partes apreendidas é um sintoma central da ixotimia. Uma parte do cartão do teste é retomada três ou quatro vezes e interpretada apesar da mudança de posição do cartão. Frequentemente, o ixotímico é do tipo repetidor. Esta simetria já não é a simetria na antítese, mas sim a simetria na semelhança: passa-se imperceptivelmente do “do mesmo modo que... tal como” ao “não... não”. Nas ixoidias mais caracterizadas encontra-se uma estereotipia muito desenvolvida de certos elementos do teste: quer, por exemplo, estereotipias de respostas anatômicas, quer a estereotipia das respostas forma-cor, quer ainda, nos casos francamente epileptóides, a perseveração dos grandes detalhes. Há neste fenômeno perseveração perceptiva e infidelidade expressiva. Pode-se igualmente encontrar nos epilépticos casos de perseveração simultaneamente na percepção e na interpretação.

          A segunda estrutura, que é corolário da primeira, é a viscosidade, a adesividade do estilo de representação noturna. Foi, aliás, esta característica que chamou em primeiro lugar a atenção dos psicólogos quando designaram certos tipos psicológicos com nomes tirados das raízes que significam viscosidade, suco glutinoso, cola. Essa viscosidade manifesta-se em múltiplos domínios: social, afetivo, perceptivo, representativo. Durand (1997) admite como a viscosidade do tema era importante, dado que ela dita um pensamento que deixa de ser feito de distinção e passa a sê-lo de variações confusas sobre um único tema. O isotímico dá sempre mostras de “muito poucas dissociações”. Essa viscosidade isotímica manifestar-se-ia igualmente no plano social. Kretschmer pode falar, a esse propósito, de uma “síndrome hiper social” do isotímico, e no teste de Rorschach a grande quantidade de respostas “forma-cor” seria o indício de viscosidade afetiva. Em Van Gogh encontramos essa preocupação constante me fazer amizades, de construir uma comunidade quase religiosa na “casa dos amigos”, de construir uma “cooperativa de pintores”. Mas é  na estrutura da expressão que a viscosidade aparece.

        A terceira estrutura mítica parece-nos residir no realismo sensorial das representações ou ainda na vivacidade das imagens. É essa característica que muitas vezes mergulhou os caracterologistas e os tipologistas em consideráveis dificuldades. Com efeito, segundo a terminologia junguiana, tudo leva a considerar à primeira vista as duas primeiras estruturas como tendo traços introversivos marcados. Em particular a viscosidade e a religiosidade que lhe está ligada pode levar a pensar que a mística é, de fato, introversão. Mas então esta terceira estrutura que parece aparentar a imaginação mística ao thoug-minded de James ou à Einfühblung do estético Worringer contradiz as definições junguianas da introversão. Não é intenção proporcionada pela análise insistir nas dificuldades e nas querelas da tipologia, mas podemos ver que em arquetipologia as estruturas míticas constelam sem dificuldade com as características da Einfühblung, com o aspecto de vivacidade concreta, tanto sensorial como imaginária, da fantasia mística. O Rorschach confirma esta estrutura mostrando em todas as consciências gliscromorfas um tipo de ressonância íntimo “extratensivo e ambiequal”, quer dizer, oferecendo um protocolo com uma relação de respostas quinésicas e de respostas cor muito elevadas.  

          Em síntese, a quarta estrutura, estreitamente ligada às três precedentes, parece-nos consistir nessa propensão para a “miniaturização”, para a gulliverização da representação do Regime Noturno. Os psicólogos insistiram todos na “minúcia”, na “meticulosidade” dos caracteres ixotímico. Os atrasos intelectuais deste tipo agarram-se ao detalhe, perdem de vista o conjunto, mostram uma pedanteria muito característica que insiste no detalhe, mostra-o e comenta-o com mesquinhez. Nas respostas ao teste de Rorschach, o escrúpulo e a rotina do ixotímico manifestam-se de muitas maneiras: antes de mais, pelo número de respostas superior à média corrente. O ixotímico parece que receia sempre deixar escapar um detalhe. A minúcia descritiva da ixoidia manifestar-se-á igualmente na frequência das respostas anatômicas, e neste caso a minúcia da descrição anatômica alia-se à estereotipia da perseveração. Por fim, e sobretudo, o que chama a atenção no protocolo gliscróide é o número considerável de respostas “globais” ou “grande detalhe” induzidas a partir de um detalhe menor, de um elemento minúsculo da figura. Guirdham nota mesmo que a perseveração do conteúdo global de uma resposta é confabulada a partir de um ínfimo detalhe de uma resposta dada, e geralmente a partir de um detalhe anatômico. Ela completa a cosmização inerente à viscosidade da representação por uma verdadeira “microcosmização”. É a dinâmica do detalhe que se torna representativo e produtivo do conjunto, ou seja, há uma reviravolta completa dos valores: o que é inferior toma o lugar do superior, os primeiros tornam-se os últimos, o poderio do polegar vem escarnecer a força expressiva do gigante e do ogro.    

Bola de futebol é usada para a prática do futebol nas suas diversas variações, fabricada em couro sintético, e consiste de várias camadas que são revestidas com uma cobertura à prova d’água. É um dos principais ícones do esporte, sendo universalmente reconhecida como seu símbolo. Estima-se que sejam produzidas anualmente 40 milhões de bolas de futebol no mundo, número que sobe para 60 milhões em anos de Copa do Mundo de futebol. Em 1863, as primeiras especificações para a bola de futebol foram estabelecidas pela The Football Association. Antes disso, as bolas eram feitas de couro inflado, com revestimentos de couro inseridos mais tarde para ajudar a manter as suas formas. Em 1872, as especificações técnicas foram revistas, e essas regras permaneceram praticamente inalteradas, tal como definidos pela International Football Association Board. As diferenças das bolas criadas desde que esta regra social entrou em vigor têm sido a de fazê-la “com materiais diferentes, bem como das estampas impressas em sua superfície”. As bolas passaram por uma mudança dramática ao longo do tempo e do espaço geográfico. Durante a longa época medieval, com a sensibilidade, as bolas eram feitas normalmente de um invólucro exterior de couro cheia de aparas de cortiça.  

Outro método de produção com utilidade de uso era usar bexigas de animais para a parte interior da bola tornando-a inflável. No entanto, estes dois estilos deixavam as bolas mais fáceis de furar, além de não serem muito adequadas para chutar, permanecendo assim até o decorrer do século XIX, momento onde as bolas foram aprimoradas com o processo da mass production tornando-se mais parecidas hoje com as bolas de futebol. Em 1838, Charles Goodyear (1800-1860), um inventor norte-americano, reconhecido por ter descoberto a vulcanização da borracha, introduziu a utilidade de uso de borracha em suas descobertas sobre a vulcanização. A aplicação desta inovação às bolas melhorou consideravelmente as mesmas. É o tratamento de vulcanização da borracha que confere à bola certas qualidades como resistência, elasticidade e resistência aos solventes, além de ajudar a resistir ao denso calor e frio moderados. A vulcanização ajudou a criar bexigas infláveis que pressionavam o painel externo de couro das bolas. A inovação técnica de Charles Goodyear aumentou as possibilidades de uso ao facilitar o ato de chutar a bola.

O casamento de Zagallo ocorreu em 13 de janeiro de 1955, quando o jogador passou a adotar o número de vez. Ao longo da carreira e também na vida pessoal, Zagallo usou o número nas camisas como um símbolo da sorte. Ele também tentava encontrar o valor em palavras, como a frase “Brasil campeão”, que tem 13 letras. A superstição de Mário Jorge Lobo Zagallo com o número 13 começou com sua esposa, Alcina de Castro Zagallo, com quem foi casado durante 57 anos e o Botafogo Futebol e Regatas. Ela era devota de Santo Antônio e gostava do número 13. Ele foi campeão em 1958: 5 + 8 = 13 e começou em 1967 no Botafogo como treinador e foi campeão: 6 + 7 = 13. Depois foi campeão como auxiliar em 1994: 9 + 4 = 13, que revelou mais um motivo para que ele acreditasse no número, já que o jogador Roberto Baggio errou o pênalti em 1994. Na época em que Zagallo e Parreira trabalharam juntos os patrocinadores da seleção brasileira eram Umbro e Coca-Cola, as duas juntas têm 13 letras. O número de Copas do Mundo vencidas foram: Tetracampeões tem 13 letras também. Em entrevista concedida na final da Copa América, no Maracanã, o técnico da seleção Brasileira, Adenor Leonardo Bachi, mais reconhecido como Tite, citou Zagallo, para chegar iluminado à decisão da competição.

O treinador lembrou a superstição de Mário Jorge Lobo Zagallo: - “Oito mais cinco dá 13, 58 anos que tenho, tomara que eu tenha luz do Zagallo. Um mestre, cara iluminado, exemplo”. -, disse o técnico Zagallo, na ocasião. O problema é que no caso de Tite, a superstição não deu resultados já que a seleção brasileira perdeu a decisão da Copa América deste ano para a Argentina por 1 a 0, em pleno estádio Maracanã. A Copa América, reconhecida até 1975 como Campeonato Sul-Americano de Futebol, é a principal competição entre as seleções de futebol das nações da Confederação Sul-Americana de Futebol. Este torneio tornou-se o mais antigo do mundo, entre seleções, após a ocorrência dos Jogos Olímpicos de Londres de 1948, já que após esta edição as Olimpíadas começaram a ser disputadas por seleções que não são consideradas as principais competitivamente, e também quando em 1984 o British Home Championship foi abolido. A competição determina o campeão continental da América do Sul. Desde a edição de 1993, equipes da América do Norte e da Ásia foram convidadas a participar.

Sociologicamente produção em massa é o termo que designa a produção em larga escala de produtos padronizados através de linhas de montagem. Este modo de produção foi popularizado por Henry Ford (1863-1947) no início do século XX, particularmente na produção do modelo Ford T. A produção em massa se tornou um modo de produção muito difundido, pois permite altas taxas de produção por trabalhador, e ao mesmo tempo disponibiliza produtos a preços baixos. A produção em massa faz uso intensivo de capital, ou utiliza uma alta proporção de máquinas em relação ao número de trabalhadores. Com o custo do trabalho mais baixo e alta taxa de produção, a proporção de capital aumenta enquanto as despesas correntes diminuem, com outros modos de produção. Porém, o montante capital necessário para montar o parque de máquinas de uma fábrica é tão alto, que é necessário um certo grau de segurança, melhor dizendo, é preciso que o retorno do investimento seja garantido, para que o risco seja assumido pelo capitalista. A produção em massa prosperou principalmente nos Estados Unidos da América, porque havia abundância de recursos e um mercado pouco competitivo e certamente ainda inexplorado.

A arte de jogar está irremediavelmente vinculada, em cada instante do jogo, as regras e métodos constituindo princípios básicos do desporto, cabendo ao árbitro em sua esfera de competência a sua preservação. Toda vez que a ordem é (des) afiada compete a ele, somente a ele, restabelecê-la. Os elementos mais representativos do sistema esportivo são inúmeros, mas destacam-se mormente os comentaristas de carreira ou jornalistas especialistas esportivos, os dirigentes, os atletas, e torcedores que se tornam instrumentos geridos por influências valorativas que decorrem do poder político, econômico, midiático e outros. Para estes quesitos desportivos, o árbitro, em geral, só é julgado pelos erros que comete ou julgam que ele próprio os cometeu. Dentre esses elementos de poder, o aspecto econômico é condicionante em que o árbitro tem que administrar, pois, analogamente, o teto salarial de árbitro permanece extremamente inferior ao reconhecimento do jogador, mesmo que se torne um árbitro internacional. Para um jogador de destaque, a valorização financeira pode chegar a cifras altas no mercado europeu. O investimento de entidades patrocinadoras visa simultaneamente para o clube e o jogador, e em somas cada vez mais elevadas de acordo com o êxito da equipe ou do atleta. Uma contradição interessante no meio desportivo, e, portanto, liberal, é que o jogador é profissional e o árbitro é amador.

        Nas últimas cinco ou seis décadas do século XX, os intelectuais  estabelecidos profissionais se intimidaram em admitir a essência de classe em suas teorias e posturas ideológicas. Na verdade, a ideologia não é ilusão, nem superstição religiosa de indivíduos mal-orientados, mas uma forma específica de consciência social, ancorada e bem sustentada. Como tal, a ideologia em termos persuasivos não pode ser superada exclusivamente nas sociedades de classes. Sua persistência decorre dela ser constituída objetivamente e reconstituída como consciência inevitável das sociedades de classe, relacionada com a articulação de conjuntos de valores e estratégias rivais que tentam controlar o “metabolismo social”, lembrava Marx, em seus principais aspectos. Mas que se entrelaçam conflituosamente e se manifestam no plano da consciência tardia, conquanto seja na diversidade de discursos ideológicos relativamente autônomos, que exercem influência nítida sobre os processos materiais mais tangíveis. O metabolismo social é um dado utilizado para a compreensão dos processos sociais e se nesse determinado momento pode haver a existência de sustentabilidade. Do ponto de vista analítico a longa e boa maré de prosperidade que caracterizou as economias capitalistas desenvolvidas, após a 2ª guerra mundial (1939-1945), somente foi perturbada por algumas recessões menores como as de 1949-1950 e de 1957-1958.

Aparentemente, a lição de depressão da década de 1930, a maior participação e intervenção do Estado na economia e o aperfeiçoamento da política neokeynesiana davam seus frutos. Em consequência, houve demasiado otimismo quanto à capacidade do Estado para controlar os ciclos da economia capitalista. Nesse ínterim, o primeiro golpe sério foi-lhes desfechado pela crise do dólar, no fim da década de 1960, que forçou o governo dos Estados Unidos da América a desvalorizá-lo duas vezes seguidas no breve período de 14 meses. Os principais países capitalistas da Europa e Japão, embora obviamente não por motivos desinteressantes, puseram-se de acordo, segundo Michelena (1977: 104) para tomar medidas extraordinárias que mantivesse o dólar à tona. Assim, em 1971, Alemanha Federal, Suíça, Japão e países de moedas fortes decidiram-se revalorizá-las.  A queda do dólar prosseguia, contribuindo para aprofundar os conflitos entre os países capitalistas, a tal ponto que uma revista tão conservadora como a Time se viu na necessidade de tecer o comentário:  - Se o ressentimento em relação aos Estados Unidos se disfarçar as políticas monetárias e comerciais europeias, é provável que o dólar caia ainda mais. Tanto para a Europa quanto para os Estados Unidos isso seria sinal do início de uma guerra econômica na qual nenhum dos dois lados pode esperar mais do que uma vitória de Pirro”, como esta, e estamos acabados.   Em outras palavras, tratava-se de uma crise de acumulação de capital que, como todas as crises, tem suas peculiaridades, mas é análoga as anteriores.

Quer dizer, isso implica numa operação para que o sistema capitalista possa efetivamente superá-la, com a necessidade de introduzirem-se inovações tecnológicas significativas, transformações das formas de acumulação e a implantação de mudanças substanciais na divisão internacional do trabalho. O que poderia ser conseguido mediante o desenvolvimento de novas fontes de energia em torno de fusão nuclear, solar etc., a exploração dos solos oceânicos, tanto para obter produtos minerais quanto agrícolas, e o desenvolvimento bioquímico e genético ou, em outros campos sui generis, em que a pesquisa científica esteja bastante avançada. Segundo este ponto de vista, fenômenos como a crise monetária internacional, a chamada “estagflação”, a crescente concorrência internacional, o acirramento da luta de classes nos Estados Unidos da América e na Europa, os realinhamentos políticos mundiais e as importantes mudanças sociais que estão ocorrendo nas relações internacionais são considerados manifestações da crise geral da acumulação. Para melhor especificar a interconexão de todos esses fenômenos e deles deduzir algumas de suas consequências políticas internacionais é necessário examinar cuidadosamente, embora de modo breve, a natureza da crise. 

A palavra tem origem durante a crise econômica que assolou o mundo globalizado durante a década de 1970, de um lado pelo superaquecimento das economias dos chamados “países desenvolvidos”, a partir da excessiva expansão de procura agregada, o que levou a pressões inflacionistas; do outro lado, pela redução da oferta agregada, a partir das restrições impostas pelos países produtores de petróleo, perdas de safras e redução das atividades em sectores que dependem do petróleo como matéria-prima, ou complemento, levando ao desemprego, ou ainda, provocando a depreciação das moedas fortes pelos “desinvestimentos” e “deseconomias de escala”, patrocinada pelos grupos econômicos, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que estavam acima dos domínios operacionais dos Estados nacionais contemporâneos. Em economia, estagflação define-se como uma situação simultânea de estagnação econômica, ou até mesmo recessão econômica, e altas taxas de inflação. Tal fenômeno é uma situação atípica do funcionamento regular da economia, o baixo nível de atividade econômica costuma vir acompanhado de uma queda na inflação devido a diminuição da demanda agregada. Obviamente, os ciclos econômicos não derivam apenas de uma só causa.

São, antes, a representação do resultado do processo contraditório e peculiar modo de desenvolvimento do sistema capitalista, cuja expressão é resultado “o movimento cíclico da taxa de lucros que, afinal, resume o desenvolvimento contraditório de todos os momentos do processo de produção e reprodução”. Porém, quais são essas contradições?  Alguns autores marxistas assinalam duas como principais. A primeira é de caráter geral – no sentido de que é aplicável a todos os modos de produção: é a contradição entre o nível de desenvolvimento das forças produtivas e as finalidades limitadas da produção, que se origina na natureza das relações de produção. A revolução técnico científica avançou de tal modo a automatização dos processos que não apenas afetou consideravelmente todos os aspectos da produção como está chegando ao ponto em que os aspectos subjetivos do processo de trabalho começaram a ter mais importância claramente do que os objetivos. Ela também está modificando a significação das matérias-primas, não só na medida em que estas são cada vez mais produto do homem, e não da natureza, mas porque elas desempenham um papel ativo na automatização, como objetos de trabalho. Obviamente os processos produtivos e de consumo das sociedades capitalistas globalizadas e, portanto, mais desenvolvidas em economia, ainda estão longe do ponto em que se possa dizer que uma tal evolução das forças produtivas seja uma característica geral do sistema.

Entretanto, há certos setores e ramos da produção em que a aplicação da ciência e da tecnologia atingiu o ponto dinâmico e estável em que se pode afirmar que o processo de produção deixa de ser, de modo significativo, uma interrelação que ocorre no processo de cooperação entre trabalho vivo e trabalho acumulado; isto é, um estágio em que se alcançou a automatização “quase total”, no sentido em que as máquinas produtoras são controladas por outras máquinas, reduzindo-se o papel do trabalho sem cair, entretanto, na mera supervisão humana produtivista.  No âmbito da guerra fria o bloco político-ideológico “comunismo” versus “capitalismo” mantém a circuncisão nevrálgica postergando a queda do Muro de Berlim havia 28 anos, um panóptico para designar uma penitenciária ideal, que permite a um único vigilante observar todos os prisioneiros. Uma geração inteira não conhecia o mundo sem ele. Havia quase três décadas, ele mantinha separados famílias e amigos. A Alemanha eram duas, ocidental (capitalista) e oriental (comunista). A cortina de ferro deixou de ser figurativa para ganhar uma metáfora visível e palpável quando o Muro de Berlim foi erguido, do dia para a noite, em 13 de agosto de 1961. Eram 3,5 metros de altura, mais de 100 km de placas de concreto, cabos de aço, cercas elétricas, torres de observação, que cercavam inteiramente Berlim Ocidental para impedir a fuga dos alemães orientais, pois, estatisticamente sabemos que centenas entre homens e mulheres morreram tentando, e a circulação de espiões ocidentais.

A abertura política da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas reconhecida como Glasnost gerou uma onda de liberdade e mudanças no bloco comunista da Europa. Protestos abalaram o governo da Alemanha Oriental, que foi obrigado a anunciar a permissão de viagens para o lado ocidental. Esse anúncio levou milhares de pessoas à fronteira dos dois lados da cidade. Os guardas não atiraram. As pessoas começaram a atravessar para o outro lado. E a população começou a destruir, com as próprias mãos, o Muro de Berlim. Segundo Renato Félix, do Jornal Correio (2019) lembra a data com uma seleção de filmes sobre o muro e a Alemanha Oriental. E lembra que este muro caiu, mas há outros que se ergueram: na Palestina, na Hungria, na fronteira dos Estados Unidos da América com o México. O Muro de Berlim, oficialmente reconhecido como “Muro de Proteção Antifascista” (Antifaschistischer Schuzwal), representou uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a chamada Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. Sociologicamente representou um período de tensão geopolítica entre a União Soviética e EUA e seus respetivos aliados. Considera-se geralmente que o período abrange a Doutrina Truman de 1947 até a dissolução da União Soviética em 1991. Era parte na realidade existente da fronteira interna alemã.

Além de dividir a cidade de Berlim, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países imperialistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas favoráveis ao regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar: a célebre Schießbefehl, ou “Ordem 101” os que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses. A distinta e muito mais longa fronteira interna alemã demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada “cortina de ferro” entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste. Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais tinham evitado as restrições de emigração do Leste socialista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. A existência, entre 1961 e 1989, o Muro quase parou todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.

Durante uma onda revolucionária de libertação ao comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental capitalista e Berlim Ocidental. Ocorrera uma mobilidade social de alemães orientais que subiram e atravessaram o muro juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera social de celebração de consanguinidade. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público quase eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura. A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990. Muitos apontam este momento como fim da chamada Guerra Fria. Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. A reconstrução de trechos, está marcado no chão o percurso ideográfico que o muro fazia quando ainda estava erguido.

            Neste aspecto social o trivial não é mais o Outro, é a experiência que constata uma diferença aparentemente fraca e, no entanto, fundamental que distingue seu resultado das trivialidades distribuídas pelos especialistas da cultura do futebol, não mais designando o objeto do discurso, mas lugar praticado. Este é o ponto de chegada de uma trajetória. Não é um estado, tara ou graça inicial, mas algo que veio a ser efeito de poder do processo de afastamento em relação a práticas reguladas e falsificáveis, uma ultrapassagem do comum numa posição particular. Bem longe de se dar arbitrariamente o privilégio de falar em nome do ordinário (ele é indizível), ou de pretender estar neste lugar geral, ou, de oferecer à edificação uma cotidianidade hagiográfica, trata-se de atribuir à sua historicidade o movimento que reconduz os procedimentos de análise para suas fronteiras, até o ponto em que se mudam, ou mesmo se perturbam, pela irônica e louca banalidade que falava, mas que desenha o ordinário em um corpo de técnicas de análise, para indicar os deslocamentos que levam a interpretação para o lugar-comum.

            Além da própria historiografia, o conhecimento a história tem sido uma tarefa ímpar de todas as ciências sociais. A sociologia, a economia política, a ciência política, a antropologia, a psicologia, trabalham com questões políticas, econômicas, sociais, culturais, religiosas, militares, demográficas e outras, que correspondem a ações, relações, processo e estruturas tomados em algum nível da historicidade. Mesmo as correntes de pensamento orientadas no sentido de formalizar as interpretações, em temos de indução quantitativa ou construção de modelos, mesmo nesses casos onde a pesquisa produz alguma explicação nova, reavalia ou reafirma explicações vigentes, sobre os modos e os tempos da história. Também há aqueles que formalizam e fetichizam as categorias dialéticas de pensamento, perdendo de vista o fluxo real das ações, relações, processos e estruturas que expressam movimentos e as modificações das gentes, grupos, classes e nações. Uns e outros constroem mitos. Em todos os casos, a história aparece de alguma forma, como história real ou invenção, drama ou epopeia, elegia ou profecia. A multiplicidade de ciências e teorias relativas ao nível social, tem dado origem a distintas interpretações como se escreve ou produz a história. São distintas e heterogêneas a histórias do capitalismo que aparecem nas análises de David Ricardo, Karl Marx, Florestan Fernandes, Alexis de Tocqueville, Gilberto Freyre, Émile Durkheim, Max Weber, John Maynard Keynes, Talcott Parsons, Eric Hobsbawm e outros.

            Não só na sociologia, mas no conjunto das ciências socais, encontram-se as mais diversas explicações sobre como e por que se dá a mudança social, a evolução, o progresso, o desenvolvimento, a modernização, a crise, a recessão, o golpe de classe, a reforma, a revolução. Para explicar as transformações sociais, em sentido amplo, o sociólogo, antropólogo, economista, politólogo, psicólogo, historiador e outros têm buscado causas, condições, tendências, fatores, indicadores, variáveis, e assim por diante. Ao analisar as condições sociais de formação, funcionamento, reprodução, generalização, mudança e crise cíclica do capitalismo globalizado, os cientistas sociais têm proposto explicações que nem sempre se excluem. Em certos casos, umas implicam outras, ou as englobam. Em primeiro lugar, uma interpretação que se generalizou bastante, desde os arquétipos comparados da Revolução Industrial, estabelece que o progresso econômico é muito mais que o resultado da “criatividade empresarial”. Isto é, toda mudança, inovação ou modernização econômica substantiva tende a consumar a capacidade de criação e liderança de empresários imaginosos, inventivos ou mesmo lúdicos, capazes de articular e dinamizar os fatores da produção preexistentes e novos. Essa interpretação tem os seus principais enunciados nos escritos de economistas clássicos, seus pródigos discípulos e continuadores no século XIX e XX. Os valores relacionados aos self-made man ao tycoon, ao capitão de indústria, ao pioneiro, à identidade entre propriedade privada, livre empresa e sociedade aberta, ligam-se à tese de que a criatividade é a base do progresso social e humano capitalista.

O caminho técnico a percorrer consiste em reconduzir as práticas e as línguas científicas para seu país de origem, a “everyday life”, a vida cotidiana. Este retorno, a cada dia mais insistente, tem o caráter paradoxal de ser também um exílio em relação às disciplinas cujo rigor se mede pela estrita definição de seus limites, pois seus modos de proceder, os seus objetos formais e as condições de sua falsificação, desde que ela se fundou como uma pluralidade de campos limitados e distintos, em suma, desde que não é mais do tipo teológico, a ciência constituiu o todo como o seu resto, e este resto se tornou o que agora denominamos cultura. Esta clivagem organiza a modernidade. Esta linha divisória, aliás, mutável, continua sendo estratégica nos combates para confirmar ou contestar os poderes das técnicas sobre as práticas sociais. Historicamente ela separa as línguas artificiais que articulam os procedimentos do saber e as línguas naturais que organizam a atividade significante comum. Alguns destes debates mais profícuos que dizem precisamente respeito à relação social de institucionalização da ciência com a cultura, precisados, e é possível indicar suas possíveis saídas, através de duas personagens que aí se defrontam, curiosamente próximas e antinômicas: o perito e o filósofo.

Abre a ambos a tarefa de mediadores entre um saber e a sociedade, o primeiro enquanto introduz a sua especialidade técnica de trabalho na área mais vasta e complexa de decisões sociopolíticas, o segundo enquanto reinstaura, relativamente a uma técnica particular a pertinência de interrogações gerais. No perito, uma competência se transmuta em autoridade social; no filósofo, as questões banais se tornam um princípio de suspeita, para lembramos de Michel Foucault, num terreno técnico. É verdade que o perito prolifera na sociedade contemporânea, mais do que outras, comparativamente, para se tornar a sua figura generalizada, tensionada entre a exigência de uma crescente especialização e a de um processo de eficácia comunicativo tanto mais necessário, mas que pode mudar de forma e per se de conteúdo de sentido. Mas o seu sucesso não é assim tão espetacular. A lei produtivista de uma atribuição que é condição de eficácia simbólica e a lei social de uma circulação que reside sob a forma do intercâmbio se contradizem dentro dele.

Mário Jorge Lobo Zagallo é sinônimo de Copa do Mundo. Como jogador ponta-esquerda, foi titular nas campanhas dos títulos da Seleção em 1958 e 1962. Como treinador, guiou com distinção a conquista do tricampeonato em 1970. Em 1994, foi coordenador técnico e conquistou o tetracampeonato com Carlos Alberto Gomes Parreira, um talentoso treinador que participou de Copas do Mundo FIFA por cinco Seleções diferentes, sendo também o técnico brasileiro que mais dirigiu Seleções de outros países: seis ao todo, em dez passagens. Nascido em Atalaia, Alagoas, Zagallo se mudou com a família para o Rio de Janeiro antes mesmo de completar um ano de idade. Na tradicional Tijuca, bairro da Zona Norte, iniciou sua démarche gloriosa nos campos de futebol. Engenhoso com a bola nos pés, garantiu vaga na peneira do time infantil do América F. C. e, também na equipe juvenil. Aos 19 anos quando ainda era soldado da Polícia do Exército, Zagallo iniciava com um gosto amargo da derrota, a relação duradoura que teria com a Seleção Brasileira no Maracanazo da Copa do Mundo de 1950, o Velho Lobo era responsável pela segurança do estádio carioca. E, aos 34 da etapa final, viu o jogador Gigghia coroar a seleção do Uruguai campeão do mundo sobre o fabuloso Brasil.

            Único treinador tetracampeão mundial, Zagallo disputou sete Copas do Mundo. Chegou à final em cinco, sendo vice-campeão diante da França, no fatídico 12 de julho de 1998. - Há uma dificuldade natural para dimensionar o nível de craque que o Zagallo se tornou. O fato de jogar ao lado de Pelé e Garrincha ofuscaria o brilho de qualquer outro que não tivesse a estatura dos gênios. Não seria diferente com Zagallo, relatou Vanderlei Borges, autor da obra Um Vencedor, em parceria com Luiz Augusto Erthal. A FIFA também lançou um documentário em homenagem aos 90 anos de Zagallo. Contando com a presença de Pelé, Parreira, Jairzinho, Rivellino, Dunga, Bebeto, Ronaldo e do técnico português José Mourinho, o primeiro episódio ocorreu no canal da entidade no Youtube. Zagallo possui uma relação íntima com outros dois clubes do Rio de Janeiro, além do América. No Clube de Regatas Flamengo, recebeu sua primeira oportunidade em 1950. Apelidado de “Formiguinha” na passagem pela Gávea, conquistou um tricampeonato carioca nos oito anos que jogou no clube rubro-negro.

Foram 250 jogos e 29 gols marcados. Naquela conjuntura, diferente de nossa contemporaneidade, jogador de futebol era sinônimo de vagabundagem. Talvez por isso Zagallo tenha escondido de Alcina “como realmente ganhava a vida”. Mal sabia que ela seria sua futura mulher e companheira em longa duração dos 57 anos de casamento. São cinco filhos do casal, que comemoram o matrimônio em 13 de janeiro de 1955. O número é uma das marcas de Zagallo em sua passagem no futebol. Alcina morreu aos 80 anos, em 2012, de complicações respiratórias. Três anos após o casamento, Zagallo conheceu seu segundo amor. Convocado pelo técnico Vicente Ítalo Feola (1909-1975), disputou como titular na ponta-esquerda a Copa da Suécia, em 1958. Autor de um gol e uma assistência no 5 a 2 brasileiro sobre os donos da casa, o Velho Lobo também ajudou defensivamente. Impediu o 2 a 0 rival tirando uma bola em cima da linha. No regresso ao Brasil, deixou as cores rubro-negras do Flamengo e vestiu o alvinegro botafoguense. A tentação por jogar com ídolos como Mané Garrincha, Didi e Nilton Santos pesou na decisão. Em General Severiano, no bairro de São Cristóvão conquistou o bicampeonato carioca de 1961-62, o Torneio de Paris e outros títulos. O Estádio de General Severiano foi um estádio de futebol situado no bairro de Botafogo. O estádio pertencia ao Botafogo de Futebol e Regatas e era muito utilizado antes da construção do Maracanã.

O maior artilheiro do estádio é Carvalho Leite, com 101 gols em 90 jogos. O campo foi construído em 1912 e inaugurado em 13 de maio de 1913 em partida válida pelo Campeonato Carioca de Futebol, contra o Clube de Regatas Flamengo. Vitória botafoguense por 1 a 0, gol de Mimi Sodré. Em 1937, quando começou a “Campanha do Cimento”, que consistia num Livro de Ouro para doações de torcedores, a reconstrução foi concluída em 1938 e o antigo uso de campo, ainda com estruturas de madeira foi reinaugurado como estádio, estrutura de cimento, em 28 de agosto do mesmo ano. Na cerimônia realizada antes do primeiro jogo, um mapa do Brasil foi desenhado no centro do gramado com terra originada de cada estado do país. O jogo foi contra o Fluminense e Botafogo venceu por 3 a 2. Neste estádio o Botafogo decidiu o Campeonato Carioca de 1934, contra o Andarahy, vencendo o jogo por 2 a 1. O Botafogo também decidiu o Campeonato Carioca de 1948, contra o Vasco da Gama, vencendo o jogo por 3 a 1, com o estádio lotado por aproximadamente 20.000 pessoas. O estádio foi demolido quando o clube perdeu a posse do terreno na década de 1970. A última partida neste estádio deu-se em 30 de novembro de 1974, empate em 2 a 2 com o Madureira. Em 1975, recebeu a primeira edição do Hollywood Rock, que gerou o documentário Ritmo Alucinante.

Em 1977, a sede foi vendida para a Companhia Vale do Rio Doce; o clube na época era presidido por Charles Macedo Borer. Com a venda da sede, o futebol do Botafogo foi para o subúrbio de Marechal Hermes, e como o antigo estádio foi demolido, lá foi construído um novo. No início da década de 1990, o clube readquiriu o terreno, através de permuta pela área do seu ginásio coberto no Mourisco, na Praia de Botafogo. Com o terreno, retomou posse do casarão que foi sua antiga sede e se encontrava em estado de ruína - um processo de tombamento como patrimônio histórico da cidade impedira a Companhia Vale do Rio Doce de colocá-la abaixo para construir um edifício- sede da companhia. O Botafogo, em parceria com uma empreiteira, recuperou inteiramente o palacete e ergueu no terreno do antigo estádio um shopping center, o atual Casa e Gourmet Rio, antigo Rio Plaza e Rio Off-Price, em cuja cobertura estão o seu campo de treinos que leva o nome do antigo craque Nílton Santos, o moderno Centro de Treinamento João Saldanha, homenagem ao falecido jornalista e treinador que levou o clube ao título de campeão carioca em 1957, a concentração da equipe profissional com uma dúzia de apartamentos, além de um ginásio de basquete e vôlei, três piscinas para sócios, quadras polivalentes, restaurante e outros equipamentos. A reinauguração do novo complexo sócio esportivo, em 22 de janeiro de 1992, marcou um forte revigoramento do Botafogo no cenário nacional e internacional. Em 2003, foi construído o Centro de Treinamentos João Saldanha, para o profissional do estádio.

João Saldanha nasceu no Alegrete, no estado do Rio Grande do Sul, no dia 3 de julho de 1917. Sua família envolveu-se na Revolução de 1923 e Saldanha, aos 6 anos, ajudava no contrabando de munição entre Brasil e Uruguai. No mesmo ano, a família refugiou-se em Rivera. Ao fim do conflito, os Saldanha voltaram para o Rio Grande do Sul e, no ano seguinte, foram para o Paraná. Após percorrer várias cidades do interior, decidiram se instalar em Curitiba. O primeiro grande contato de João Saldanha com o futebol aconteceu ali, pois a casa comprada por Gaspar Saldanha, seu pai, ficava a dois quarteirões do campo do Atlético Paranaense, onde sempre ia assistir aos treinos das divisões de base, permitindo a proximidade do garoto com o futebol. Além disso, a casa da família em Curitiba permitia uma integração com toda a garotada da vizinhança, que organizava times, campeonatos, jogos, enfim, tudo dentro do estilo de vida da expansão urbana e das novas modas citadinas. Ali, João completaria o primário na mesma escola de um garoto que ainda seria importantíssimo personagem na história nacional como presidente da República: Jânio Quadros. Em 1928, a família voltou para o Rio Grande do Sul, com o pai de Saldanha aliando-se a Getúlio Vargas. Quando este tornou-se presidente do Brasil, a família foi para o Rio de Janeiro, onde Gaspar ganhou um cartório.

Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro com pouco tempo estabilizado no Rio e engajou-se em muitas campanhas do partido. Logo mais, se tornaria um dos mais ferrenhos opositores da ditadura militar brasileira e figura de destaque no "Partidão". Tornou-se secretário-geral da União da Juventude Comunista, chegando a ser mantido preso e fichado no DOPS em 1947. Jogou futebol profissionalmente por uns poucos anos no clube carioca do Botafogo. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estudou Jornalismo tornando-se um dos mais destacados cronistas esportivos brasileiros, começando a carreira em 1960. Incentivado por amigos e por sua esposa, Ruth que era irmã do jornalista Rui Viotti, aceitou o convite para fazer um teste para integrar a equipe da Rádio Guanabara, atual Bandeirantes AM, montada por Édson Leite. A partir daí, acumulou passagens marcantes pelas rádios Nacional, Globo, Tupi e Jornal do Brasil, TVs Rio, Manchete e Globo, onde apresentou seus comentários esportivos no programa Dois Minutos com João Saldanha e assinou colunas nos jornais Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e revista Placar. Com toda sua experiência vivida no futebol, “não media palavras ao criticar jogadores, treinadores e dirigentes, conquistando fãs e desafetos”. Entre 1939 e 1940, Saldanha foi o intérprete no Botafogo do técnico húngaro Dori Kürschner (1885-1941), com quem aprendeu sobre tática no futebol. Foi diretor de futebol do clube a partir de 1944, com um intervalo entre 1949 e 1956, período em que esteve clandestino engajado dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Saldanha foi contratado em 1957 como técnico do Botafogo, apesar de sua falta de experiência.

O clube conquistou o campeonato estadual daquele ano, em uma final histórica, em que goleou o consagrado Fluminense por 6x2, com um time que contava com extraordinários jogadores Garrincha, Didi e Nílton Santos. Em 4 de fevereiro de 1969, ele foi anunciado como novo treinador da seleção nacional. O presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, mavioso, alegou que o contratou na esperança de que os jornalistas fizessem menos críticas à seleção nacional, tendo um deles como técnico. Na Copa do Mundo de 1966, uma das principais críticas da imprensa carioca era justificada pela falta de um time-base. Saldanha tentou resolver esse problema, convocando um time formado em sua maioria por jogadores do Santos e do Botafogo, os melhores times competitivos da conjuntura, e os conduziu a 100% de aproveitamento em seis jogos de qualificação (eliminatórias). De uma frase sua, quando teria dito que convocaria somente “feras”, surgiu a expressão As feras do Saldanha, para designar aquela seleção. Graças ao seu trabalho, a seleção brasileira reconquistaria a autoestima e a confiança do torcedor, que tinha perdido depois da pífia campanha de 1966. O time de Saldanha, que se destacou nas eliminatórias, contra Venezuela e Paraguai, com a dupla Tostão e Pelé, estava mesclado com jogadores do Santos, Botafogo e Cruzeiro. Ideia interdisciplinar de João Saldanha, aproveitando o entrosamento dos jogadores em seus respectivos clubes, e que formavam um esquema tático 1-4-2-4 bem estruturado. O time brasileiro de Saldanha era: Felix, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

Vicente Feola é o recordista em partidas no comando do São Paulo, com 532 jogos à frente do clube, e o primeiro brasileiro a levar o Brasil ao título da Copa do Mundo, em 1958. Paulistano do Brás e filho de imigrantes italianos de Castellabate, cidade a 126 km ao Sul de Nápoles, foi aluno do Coração de Jesus. Como jogador profissional defendeu os clubes São Paulo, o Auto Sport Club e o Americano, de São Paulo. Iniciou a atividade de treinador na Portuguesa Santista e comandou o São Paulo por diversas vezes desde 1937. Muito ligado ao clube, foi o treinador reconhecido que mais vezes ocupou esse cargo, em oito oportunidades. E permanece como o recordista em número de partidas à frente do Tricolor, em seu comando pela primeira vez em 1937, ficando apenas um ano no clube. Porém, faria realmente história no clube na década de 1940. Foram dois anos em sua passagem mais duradoura pelo São Paulo Futebol Clube, entre 1947 e 1950. Conseguindo convencer o Diamante Negro, o jogador Leônidas da Silva, a ficar no clube e não se aposentar, Feola comandou um timaço, que tinha nomes como Mauro Ramos, Bauer, Rui, Noronha, Remo, Teixeirinha, Friaça à um bicampeonato estadual, numa época onde o campeonato tinha como regra disputar partidas por pontos corridos. Sua última passagem pelo clube seria quando treinou o clube entre 1959 e 1960. Feola esteve à frente do São Paulo por 532 vezes, com 299 vitórias, 106 empates e 127 derrotas.

Em 1954, o São Paulo cedeu-o, por empréstimo, para atuar no Esporte Clube XV de Novembro nas últimas partidas da primeira divisão do Campeonato Paulista, ajudando o XV a permanecer na Série A. Durante o ano de 1961, comandou o Boca Juniors. Deixou o cargo de comandante do time azul e amarelo após 68 partidas disputadas, sendo 30 oficiais e 38 amistosos. Ipso facto, João Havelange, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBD) é a entidade máxima do futebol no Brasil. Foi fundada em 8 de junho de 1914, sob a denominação Federação Brasileira de Sports, resolveu apostar em um técnico do futebol paulista pela primeira vez. Feola foi escolhido em fevereiro de 1958 como treinador da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo daquele ano. A primeira partida de Vicente Feola no comando da Seleção Brasileira aconteceu no dia 4 de maio de 1958, pouco tempo antes do embarque para a Suécia, onde o Brasil goleou o Paraguai por 5 a 1, em jogo válido pela Taça Oswaldo Cruz. Contrariando a CBD, habilmente bancou a convocação de Pelé, mesmo depois que ele se contundiu em um amistoso contra o Corinthians, antes do embarque para a Suécia. A equipe sagrou-se campeã do torneio pela primeira vez. Feola seria o treinador para a Copa do Mundo de 1962, mas adoeceu e foi substituído por Aymoré Moreira, um treinador e futebolista brasileiro, que atuou como goleiro. Era irmão de Zezé e Ayrton Moreira, também treinadores de futebol.

O International Football Association Board (IFAB), órgão que trata das regras do método de futebol, last but not least, aprovou por unanimidade o uso de árbitros assistentes de vídeo (VARs), na sua 132ª Reunião Geral Anual (AGM), realizada em Zurique. O evento histórico foi liderado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino. Giovanni Vincenzo Infantino é um advogado e dirigente desportivo suíço-italiano. Desde 26 de fevereiro de 2016 dirige a entidade máxima do futebol mundial, a FIFA, sucedendo Joseph Blatter. Foi secretário-geral da UEFA de 2009 a 2016. O VAR é composto por um conjunto de câmeras que transmitem comunicativamente as imagens para uma sala isolada do campo, onde assistentes de vídeo podem rever as jogadas. Existem apenas quatro tipos de lances que podem ser revistos. Esta assistência pode ocorrer a pedido do árbitro, em caso de dúvidas em uma das jogadas in loco que podem ser revistas, ou caso os assistentes observem um lance duvidoso e comuniquem o juiz da partida através do fone de ouvido. Neste momento, os assistentes de vídeo reproduzem as imagens em seus monitores e transmitem suas conclusões ao árbitro. É este último que toma a decisão final. Pode fazê-lo depois de também consultar as imagens em um monitor localizado na lateral ou confiar exclusivamente no critério dos assistentes. Os assistentes asseguram que a decisão correta seja tomada. Uma das funções do VAR é, segundo o site da FIFA, “ajudar o árbitro a determinar se houve alguma infração que impeça de validar o gol”.

Inicialmente, pensava-se que o VAR não poderia corrigir o impedimento, porque este não é mencionado nas quatro situações: gols, pênaltis, cartões vermelhos e erros de identidade, mas, na verdade, o sistema está habilitado para reverter qualquer ação técnica que possa ter influenciado um gol. Neste caso, dizem os especialistas, o ritmo do jogo não é atrasado, porque o gol em si já paralisa a partida. Em março de 2015, Serge Aurier, lateral do Paris Saint-Germain Football Club, foi o primeiro jogador punido pela UEFA por comentários feitos nas redes sociais, recebendo três jogos de suspensão. Desfalque por lesão contra o Chelsea, “o lateral marfinense publicou em sua página na rede social Facebook um vídeo em que aparece comemorando a classificação parisiense e xingando o árbitro. Aurier, porém, pediu desculpas pouco após o incidente”. O projeto do árbitro de vídeo é brasileiro e foi criado por Manoel Serapião Filho, com o apoio da Comissão de Arbitragem da CBF e da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF).

Sua aprovação pela FIFA representa uma nova era para o futebol, com o uso da tecnologia para árbitros, ajudando a aumentar a integridade e a justiça no jogo. Antes de tomar sua decisão, os membros da International Football Association Board receberam os resultados da análise independente do uso de árbitros assistentes de vídeos, realizados pela Universidade Católica de Lovaina desde seu início em 2016. A filosofia do árbitro de vídeo tem como parti pris “interferência mínima, benefício máximo” e visa à redução da injustiça causada empiricamente por certos “erros claros e óbvios” normalmente nas seguintes situações representadas: Gol/Não gol; Penalidade/Sem penalidade; Cartão vermelho direto; Identificação equivocada. Os princípios de um “Programa de Assistência e Aprovação de Implementação” de arbitro de vídeo (VAR), supervisionados pelo IFAB em conjunto com a FIFA, foram aprovados para assegurar consistência, aprimoramento e qualidade nas competições de futebol que desejam usar o recurso técnico-científico. Foi aprovado um manual para consulta preliminar, contendo protocolo, princípios e requisitos obrigatórios para permitir o rigoroso e legítimo processo de aprovação obrigatória.

Bibliografia Geral Consultada.

MICHELENA, José Augustín Silva, Crise no Sistema Mundial: Política e Blocos de Poder. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1977; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; TOLEDO, Luiz Henrique de, Lógicas do Futebol. Dimensões Simbólicas de um Esporte Nacional. Tese de Doutorado. Departamento de Antropologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000; ANDREWS, David; JACKSON, Steven, Sports Stars: The Cultural Politcs of Sporting Celebrity. Londres: Routledge, 2001; SODRÉ, Muniz, Mandinga Cuerpo. Colômbia: Ediciones Manati, 2002; VALENTE FILHO, Jayme Pimenta, Mario Jorge Lobo Zagallo: Uma História de Vida. Tese de Doutorado. Faculdade do Porto. Universidade do Porto, 2006; COUTO, Euclides de Freitas, Jogo de Extremos: Futebol, Cultura e Política no Brasil (1930-1978). Tese de Doutorado em História. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2009; REIS, Pedro Henrique Baptista, The Twilight Zone, Utopia e Construção da Identidade: Em Outros Mundos Seremos Outros Homens? Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Faculdade de Comunicação Social. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2014; LELOUP, Jean-Yves, Une Danse Immobile. Paris: Éditions Du Relie, 2015; SWIFT, Jonathan, Viagens de Gulliver. 20ª edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2018; FIDALGO, Gabriel; GURGEL, Anderson, “Talvez o maior legado da Copa do Mundo foi criar uma Consciência”. In: Communicare. São Paulo, Vol. 18.1, pp. 14-32, 2018; SWIFT, Jonathan, Viagens de Gulliver. 20ª edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2018; PITTA, Danielle Perin Rocha, “Imaginário Derivações de Métodos no Brasil”. In: Téssera. Uberlândia, MG, vol.1, n°1, pp.154-172, jul./dez. 2018; CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil: O Longo Caminho. 27ª edição ampliada. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2021; MARKOVSKY, Barry, “Como número 13 se tornou símbolo de má sorte na cultura ocidental”. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/14/12/2022LIMA, Felipe Benicio de, O Neodistópico: Metamorfoses da Distopia no Século XXI. Tese de Doutorado. Programa de Pós- Graduação em Linguística e Literatura. Faculdade de Letras. Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 2022; entre outros.