“Somos carteiros: temos a missão de caprichar na entrega”. Ronald Golias
Este filme retrata, de forma
ficcional, o roubo da taça Jules Rimet. Ronald Golias e Grande Otelo eram os
detetives encarregados de encontrar o troféu após seu desaparecimento.
Curiosamente, 22 anos depois deste filme, a Jules Rimet de fato seria roubada,
como imaginado no filme. A Taça Jules Rimet foi o prêmio original dado pela
conquista da Copa do Mundo FIFA. Originalmente chamado de Victory, mas
geralmente conhecido simplesmente como a Copa do Mundo ou Coupe du Monde,
foi renomeado em 1946 para homenagear o presidente da Fédération
Internationale de Football Association, Jules Rimet (1873-1956), que em
1929 aprovou uma votação para iniciar a competição. Ela foi projetada pelo
escultor francês Abel Lafleur e feita de prata esterlina banhada a ouro em uma
base de mármore branco e amarelo. Em 1954 esta base foi substituída por outra
mais alta feita de lápis-lazúli e tinha 35 centímetros de altura e pesava 3,8 kg.
Compreendia uma xícara decagonal, apoiada por uma figura alada representando
Nice, a deusa grega da vitória. A Taça Jules Rimet foi levada ao Uruguai para a
primeira Copa do Mundo a bordo do Conte Verde, que partiu de
Villefranche-sur-Mer, a sudeste de Nice, em 21 de junho de 1930. Este era o
mesmo navio que levava Jules Rimet e futebolistas representando a França, a
Romênia e a Bélgica que participariam do torneio. A primeira equipe a receber o
troféu foi o Uruguai, vencedora da Copa de 1930.
Durante a 2ª guerra mundial
(1939-1945), o troféu foi guardado pela Itália, campeã de 1938. O italiano
Ottorino Barassi, vice-presidente da FIFA e presidente da Federação Italiana de
Futebol (FIGC), transportou secretamente a taça de um banco em Roma e
escondeu-o em uma caixa de sapatos debaixo da cama para impedir que roubassem.
A Copa do Mundo de 1958 na Suécia marcou o início de uma tradição em relação ao
troféu. Como o capitão da seleção brasileira Hilderaldo Bellini (1930-2014) ouviu
os pedidos dos fotógrafos para uma melhor visualização da Taça Jules Rimet, ele
ergueu-a no ar. Todos os capitães vencedores da Copa desde então repetiram o
gesto. Em 20 de março de 1966, quatro meses antes da Copa do Mundo de 1966, na
Inglaterra, a taça foi roubada durante uma exposição pública no Westminster
Central Hall. Ela foi encontrada apenas sete dias depois, envolto em um jornal
no fundo de um jardim suburbano em Beulah Hill, Upper Norwood, no Sul de
Londres, por um cachorro chamado Pickles. Como medida de segurança a The
Football Association fabricou secretamente uma réplica da taça para uso em
exposições. Ela foi usada em ocasiões subsequentes até 1970, quando o troféu
teve que ser devolvido à FIFA para a próxima competição. Como a entidade de
fato negou à FA a permissão de criar uma réplica, a cópia também foi escondida
e mantida por muitos anos embaixo da cama do criador.
Essa réplica acabou
sendo vendida em um leilão em 1997 por 254 500 libras, quando foi comprada pela
FIFA. O preço alto foi causado pela especulação de que o troféu leiloado não
era a réplica, mas a taça original. Testes posteriores da FIFA, no entanto, confirmaram
que o troféu leiloado era de fato uma réplica e a associação logo em seguida
providenciou que ela fosse emprestada para exibição no Museu Nacional do
Futebol da Inglaterra, que ficava em Preston, agora localizado em Manchester. O
Brasil venceu o torneio pela terceira vez em 1970, permitindo que o país
mantivesse o troféu original permanentemente, como havia sido estipulado por
Jules Rimet em 1930. Foi colocado em exibição na sede da Confederação
Brasileira de Futebol no Rio de Janeiro em um gabinete com uma frente de vidro
à prova de balas. Em 19 de dezembro de 1983, a parte traseira de madeira do
gabinete foi aberta à força com um pé de cabra e a taça foi novamente roubada.
Quatro homens foram julgados e condenados à revelia pelo crime. O troféu nunca
foi recuperado e acredita-se que ele tenha sido derretido e vendido. Apenas uma
peça da Taça Jules Rimet foi encontrada, a base original que a FIFA manteve em
um porão da sede da federação em Zurique. A Confederação encomendou uma réplica
própria, feita pela Eastman Kodak, usando 1,8 quilos de ouro. Esta réplica foi
apresentada ao presidente brasileiro em 1984. O troféu foi tema de um
documentário em 2014 chamado Mysteries of the Rimet Trophy exibido pela
ESPN durante a Copa do Mundo de 2014.
No Brasil, a primeira
transmissão televisiva deu-se em 28 de setembro de 1948, na cidade de Juiz de
Fora, Minas Gerais. O responsável pela transmissão foi o técnico em eletrônica,
o leopoldinense Olavo Bastos Freire. A experiência pioneira aconteceu da sacada
do prédio onde seria mais tarde a Fundação Alfredo Ferreira Lage. Olavo ficou
com uma câmera e uma antena. As imagens captadas da Avenida Rio Branco foram
transmitidas em uma TV de três polegadas, instalada na Getúlio Vargas, onde
funcionava a antiga Casa do Rádio. A tecnologia completa foi trazida para o
Brasil por Assis Chateaubriand e foi inaugurada em 18 de setembro de 1950,
quase dois anos depois da experiência pioneira de Olavo Bastos Freire. Naquela
data, Chateaubriand fundou o primeiro canal televisivo no país, a emissora TV
Tupi. Na época, entretanto, o alto custo do aparelho televisor que era mormente
importado, restringia o seu acesso às classes mais abastadas. O primeiro
televisor montado no Brasil foi pela Sociedade Eletromercantil Paulista em
1951. Em 1977, a SEMP formaria uma joint-venture com a empresa Toshiba,
passando a empresa a se chamar Semp Toshiba. A massificação do aparelho
aconteceu com a instalação de fábricas de televisores na Zona Franca de Manaus
com a chegada da multinacional Sharp (1971) e outras empresas nacionais como a
Gradiente, atraídas pelos incentivos fiscais. Em 2006, cerca de 12 milhões de
televisores com cinescópio foram produzidos no Polo Industrial de Manaus. Tendo
em vista que o Brasil foi a sede da Copa do Mundo FIFA de 2014 e Jogos Olímpicos
de Verão de 2016, a perspectiva é que, em 2014, o país seja o terceiro maior
mercado mundial de televisores.
José Ronald Golias nascido em São Carlos, em 4 de maio de 1929 e morto em São Paulo, 27 de setembro de 2005, foi um ator e comediante brasileiro, considerado um dos pioneiros da televisão no país. Seus pais eram Arlindo Golias, filho de imigrantes portugueses, e Conceição Bragato, filha de imigrantes italianos, ambos de famílias de poucas posses. Por ser fã do ator Ronald Colman, Arlindo incluiu Ronald no registro do filho. Golias estreou nos palcos aos oito anos de idade, na Escola Dante Alighieri, em São Carlos. Mudou-se para São Paulo em 1940. Trabalhando como alfaiate e funileiro, começou a praticar natação no Clube Regatas Tietê, onde posteriormente entraria para o grupo “Acqua Loucos”, um dos precursores em espetáculos aquáticos no Brasil. Por sugestão de Golias, as apresentações passaram a ter uma parte com diálogos; suas performances com a trupe acabaram por levá-lo a participar do programa Calouros em Cena, da Rádio Cultura. Na década de 1950, com o fim dos programas produzidos pela emissora, Golias passou a integrar a equipe de artistas da Rádio Nacional. Foi então que conheceu Manuel de Nóbrega, que em 1957 o convidou a participar do humorístico A Praça da Alegria, que estreara naquele mesmo ano pela TV Paulista. A emissora foi inaugurada em 1952 como TV Paulista, tendo sido a segunda estação de televisão a operar em São Paulo, depois da TV Tupi. Criada pelo deputado federal Oswaldo Ortiz Monteiro em conjunto com três incorporadores, começou exibindo shows e noticiários produzidos em estúdios improvisados de um prédio residencial do bairro Consolação.
Em 1955, com
dificuldades devido a uma crise, teve parte de suas ações vendidas ao grupo do
radialista Victor Costa, em expansão com a compra de emissoras de rádio e
televisão pelo Brasil, que aumentou os investimentos na programação e na
contratação de artistas. Após a morte de Costa, em 1959, seu filho Victor Costa
Júnior assumiu o controle da TV Paulista, que novamente passou por uma crise,
fazendo com que ele vendesse a emissora e outras concessões de rádio e
televisão para o jornalista e empresário Roberto Marinho em maio de 1965. A
aquisição tornou a estação em filial da TV Globo, do Rio de Janeiro, ao mesmo
tempo em que ocorria um processo gradual de mudança para o nome da emissora
carioca. Em 1968, com sua sede, anteriormente transferida para o bairro Vila Buarque,
atingida por um incêndio, transferiu-se para a Praça Marechal Deodoro, onde
passou a produzir, como cogeradora da rede, programas jornalísticos, esportivos
e de entretenimento. A emissora foi inaugurada em 14 de março de 1952 como TV
Paulista, em uma cerimônia comandada por Vera Nunes. Foi a segunda estação de
televisão a entrar no ar em São Paulo e a primeira do país a não pertencer aos Diários
Associados do fabuloso Assis Chateubriand. O primeiro programa exibido pelo
canal 5 foi a telenovela Helena, com apenas 10 capítulos, que foi ao ar minutos
depois da inauguração. A emissora foi criada pelo deputado Oswaldo Ortiz
Monteiro, que repassou o controle da emissora em 1955 à Organização Victor
Costa.
A TV Paulista era a menor emissora de televisão em espaço físico de São Paulo: sua sede era apenas um pequeno apartamento do Edifício Liège, na Rua da Consolação, 2570, e os estúdios eram montados na garagem e num espaço para uma loja no térreo do mesmo prédio. A cozinha era o laboratório de revelação e a redação dos textos e do telejornal eram feitos na sala. Pouco depois, transferiu-se para a Rua das Palmeiras, no bairro de Santa Cecília. Importantes nomes da televisão brasileira passaram pela emissora, como Hebe Camargo e Silvio Santos. De 1959 a 1961, a estação teve como diretor artístico Mario Brasini que escreveu e dirigiu a telenovela “Laura” e os programas: “A alma das coisas”, “Estampas Eucalol”, “Teledrama 3 Leões”, “Boa noite, Carmela”, entre outros. Foi também na TV Paulista que Silvio Santos se lançou como apresentador, com o programa Vamos Brincar de Forca. Entre 1957 e 1966, a TV Paulista manteve afiliações de emissoras no interior de São Paulo. Foram afiliadas a TV Santos, entre 1957 e 1960, e a TV Bauru, entre 1960 e 1966. Enfrentando uma grave crise, a TV Paulista foi adquirida em maio de 1965 por Roberto Marinho (1904-2003). Em dezembro de 1965, foi nomeado o diretor Roberto Montoro, que deu início à transição.
A programação foi reestruturada para que a emissora pudesse iniciar o processo de integração à TV Globo Rio de Janeiro, e obras foram iniciadas nas instalações. Os prédios foram utilizados para fundar o núcleo de jornalismo da Globo em São Paulo. No primeiro momento, o canal 5 operava como uma espécie de afiliada da emissora carioca. Ronald Golias despontou para a fama a partir de seu trabalho humorístico na Praça da Alegria, interpretando o inquieto Pacífico do bordão “Ô Cride, fala pra mãe...”. Ele não fez nada para ficar famoso, mas virou bordão humorístico e trecho de uma letra de música dos Titãs, mas neste caso, onde tornou-se uma das estrelas da ainda incipiente televisão brasileira em seu período chamado de desenvolvimentista. “Cride” no caso era seu amigo em São Carlos, Euclides Gomes dos Santos, que declarou que Golias “criou a frase imitando o modo como era chamado por sua mãe para voltar para casa”. Com o sucesso na TV, ele foi convencido por Herbert Richers (1923-2009) a entrar para o cinema. Nascido em Araraquara, São Paulo, filho de Guilherme Richers e Maria Luísa Wulfes, ambos de ascendência alemã, Herbert Richers se mudou para o Rio de Janeiro na década de 1940 para cursar a faculdade de engenharia. Para complementar sua renda, começou a trabalhar como fotógrafo em um estúdio de cinema, e isso levou-o em 1946 a conhecer Walt Disney, que veio gravar um documentário na cidade e contratou Richers como cinegrafista.
Logo se tornou amigo de Disney, e passou a frequentemente ir visitar seus estúdios em Los Angeles, inspirando-o a também se tornar produtor de cinema no Brasil. Inicialmente colaborou com a Atlântida Cinematográfica antes de fundar o seu estúdio, Herbert Richers S.A., no bairro da Usina, zona Norte do Rio de Janeiro, onde passou, além de produzir, fazer distribuições de filmes para serem exibidos nos cinemas. Usina é um bairro não-oficial do Rio de Janeiro, cujo território oficialmente faz parte da Grande Tijuca, especificamente do Alto da Boa Vista. Seu acesso pode se dar pela Avenida Edson Passos, para quem vem da Zona Norte pela Tijuca e Usina; pela Estrada das Canoas e pela Estrada da Gávea Pequena, de quem vem da Zona Sul por São Conrado; pela Estrada do Horto de quem vem também da Zona Sul pelo Jardim Botânico e Horto; pela antiga Estrada de Furnas de quem vem da Barra da Tijuca e do Itanhangá; pela Estrada das Paineiras de quem vem do Cosme Velho e Laranjeiras e também pela Rua Amado Nervo, próximo à Praça Afonso Viseu, para quem vem do Centro, de Santa Teresa ou da Estrada do Sumaré. Possui também um acesso ferroviário através da turística Estrada de Ferro do Corcovado reconhecida também como Trem do Corcovado, para quem vem do Cosme Velho. Este acesso pode ser obtido por meio da Estação Paineiras, situada no Parque Nacional da Tijuca e da Estação Corcovado, onde se situa a estátua do Cristo Redentor, símbolo máximo da cidade e eleita uma das maiores maravilhas do mundo. O bairro também possuiu acesso por uma linha de bondes elétricos, para quem vinha da Tijuca ou da Usina. Era a mais bela linha de bondes da capital fluminense, sendo administrada pela Light e posteriormente pela Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro e cuja operação se deu entre os anos de 1898 e 1967.
Em 1862, a Tijuca
passou a ter transporte movido a vapor, através de uma linha de bondes e em
1898 foi criada a segunda linha férrea de bondes movida a eletricidade, a
Estrada de Ferro da Tijuca, a primeira foi a linha Largo da Carioca - Largo do
Machado, operada pela Botanical Garden Rail Road Company. A eletricidade que
movia estes bondes era gerada em uma usina termelétrica localizada na Tijuca.
Dessa usina teve origem o nome Usina, para a parte situada no alto, próximo à
Serra. Apesar de ser um bairro afetado pela violência simbólica, devido à
proximidade do Morro do Borel, Morro da Formiga e do Morro da Casa Branca,
possui ruas e casas de alto padrão nas encostas perto da floresta. Porém, com
as instalações das Unidade de Polícia Pacificadora no cinturão da Grande
Tijuca, os índices estatisticamente falando, de violência, diminuíram muito na
região. E na Usina não foi diferente, já que o Morro do Borel e a Casa Branca
consequentemente receberam as unidades, fazendo com que o preço dos imóveis em
toda a região subisse consideravelmente no mercado. Este sub-bairro abriga o
Montanha Clube, o tradicional Colégio Marista São José e também casas
comerciais como banco, supermercado, padarias e o ponto terminal de várias
linhas de ônibus. No local funcionava uma fábrica de cigarros da Souza Cruz até
meados dos anos 1990, quando em 1997 foi inaugurado no edifício o Carrefour,
fechado em fevereiro de 2004. No fim do bairro com o Alto da Boa Vista
funcionam os pontos finais de inúmeras linhas de ônibus 220, 229, 415, 426,
etc. Nas proximidades do bairro funcionam duas feiras livres, uma às
terças-feiras e a outras às sextas, na Avenida Maracanã com a Rua Garibaldi. Parte
da telenovela A Força do Querer, de Gloria Perez, produzida e exibida
pela Rede Globo, foi ambientada no bairro. É uma autora, escritora, roteirista
e produtora. Em 2009, ganhou o Prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela
por seu trabalho em Caminho das Índias.
Herbert Richers tendo conhecido o sistema de
dublagem em Hollywood, decidiu utilizar o método de gravar áudio na
pós-produção primeiro para contornar as limitações técnicas da captação de som
brasileira, com produções como Sai de Baixo (1956) tendo todos os seus
diálogos dublados. Logo esse conhecimento passou a ser aplicado nos filmes
exibidos na TV, resolvendo o grande problema das legendas, quase ilegíveis para
a tecnologia da época. A iniciativa a princípio foi complicada, com agenda
ocupada na televisão o humorista enfrentou dificuldades em conciliar as
gravações. Seu primeiro filme foi a comédia Um Marido Barra-Limpa, de
Luís Sérgio Person e produzido em 1957, que, contudo, acabou finalizado por
outro diretor e lançado apenas em 1967. Participou também de Os Três
Cangaceiros (1959), de Victor Lima, quando contracenou com Ankito e Grande
Otelo. Entre seus últimos trabalhos cinematográficos estão O Dono da Bola
(1961) e Golias contra o Homem das Bolinhas (1969). Golias dedicou-se a
maior parte de sua carreira para a televisão. Trouxe consigo das telas o
personagem Carlos Bronco Dinossauro, que acabaria tornando-se um dos destaques
da Família Trapo, programa exibido pela TV Record entre 1967 e 1971.
Contracenando extraordinariamente com Jô Soares, Ricardo Corte-Real, Cidinha
Campos, Renata Fronzi e Otelo Zeloni, Golias consagrou-se como
um dos mais célebres humoristas do Brasil.
Após o término da Família Trapo em 1971, Golias protagonizou ainda na Record o seriado Bronco Total entre 1972 e 1973, contracenando com Carlos Alberto de Nóbrega. Em 1979, Golias protagonizou na Globo o seriado Superbronco, adaptação da série Mork & Mindy, protagonizada por Robin Williams da rede americana ABC. O programa foi cancelado, durando apenas 29 episódios, apesar de constar entre os dez programas de maior audiência da televisão brasileira naquele ano. Na década de 1980 foi para a Bandeirantes, onde estrelou o humorístico Bronco. Em junho de 1990, passou a integrar o elenco fixo de A Praça É Nossa, no SBT, onde permaneceu 15 anos interpretando personagens como O Profeta, Bronco, Pacífico e Professor Bartolomeu. Nesse meio tempo, foi protagonista na mesma emissora dos humorísticos A Escolinha do Golias com Nair Bello, SBT Palace Hotel (2002) e Meu Cunhado com Moacyr Franco. Na época da estreia de Meu Cunhado, em abril de 2004, Golias fez uma cirurgia para a implantação de um marcapasso. No mês seguinte voltou a ser internado em razão de um coágulo no cérebro. Seu estado de saúde a partir de então passou a se agravar. Em 8 de setembro de 2005, Golias foi internado no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com quadro de infecção pulmonar, ele morreu dia 27 de setembro em decorrência de uma infecção generalizada.
Foi sepultado no
Cemitério do Morumbi. Entre abril de 2007 e fevereiro de 2008, o SBT passou a
retransmitir A Escolinha do Golias, marcando entre 7 e 10 pontos de
média, a Rede Bandeirantes também decidiu repassar o programa Bronco no
mesmo ano. Programas humorísticos de outras emissoras, como A Turma do Didi
de seu amigo Renato Aragão, renderam-lhe homenagens televisivas. Apresentadores
de programas de auditório, com destaque para Faustão e Ratinho, ocasionalmente
dedicam espaços em seus programas para relembrar e homenagear Ronald Golias,
onde fazem questão de demonstrar suas admirações e reverências pessoais a esse
gigante da cultura brasileira. Em 16 de setembro de 2007 a prefeitura de São
Carlos inaugurou a praça Ronald Golias em homenagem ao humorista no
bairro de cidade Aracy, e em 2016 inaugurou Memorial Casa Ronald Golias
na rua Geminiano Costa, 401, na casa onde Golias residiu. A cidade paulista de
Serra Negra o homenageia com uma estátua em bronze, em tamanho real, onde está
sentado em um banco da praça em frente à prefeitura. A estátua de Golias em
Serra Negra (SP) se tornou ponto de visitação na cidade, onde locais e turistas
vão ao local e posam para fotos ao lado da imagem. O produtor Rodrigo Rodrigues
idealizou um documentário sem fins lucrativos em sua homenagem. Em 2015, foi
lançado a biografia Ronald Golias, o Gigante do Humor de Luís Carlos
Barbano, que narra a história de Golias através de “entrevistas e depoimentos
de amigos, familiares e colegas de trabalho”.
Em junho de 1939, uma exibição de televisão foi realizada durante a Feira de Amostras. Nela foi apresentado um aparelho da empresa alemã Telefunken. Em 1941, a NBC, pertencente à RCA nos Estados Unidos, inaugurou a televisão no mundo ocidental, na cidade de Nova Iorque, com transmissão em sistema de aluguel de aparelhos e de sinal, transmitindo do alto do edifício Empire State pelo canal 1, o mesmo canal que mais tarde seria utilizado pelas emissoras europeias, onde as concessões eram restritas aos governos. Em 1946, em um acordo entre o governo norte-americano e a RCA, o sinal da NBC foi transferido para o canal 4 e instalou-se o sistema de transmissão americano, inicialmente operando em 12 canais de very high frequency. Esse sistema foi aprovado para as transmissões no Brasil, através de Assis Chateaubriand, um dos homens públicos mais influentes do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960, que estava interessado em ser o primeiro a inaugurar a TV no Brasil. Em 1946, foram distribuídas pelo governo de Eurico Gaspar Dutra, um militar brasileiro, 16º presidente do Brasil entre 1946 e 1951, as primeiras concessões, e foi lançada a pedra fundamental para a construção do primeiro transmissor de televisão no Brasil para a TV Tupi Rio de Janeiro, em uma torre construída no Morro do Pão de Açúcar. No final de 1949, uma equipe de técnicos veio ao Brasil para conhecer a primeira torre e constatou que, pela topografia da cidade do Rio, o Morro do Pão de Açúcar não seria o local ideal para a instalação dos transmissores.
Em 18 de setembro de
1950, a televisão finalmente foi inaugurada no Brasil, em São Paulo, em uma
cerimônia considerada hoje simplória para a ocasião em questão. Assis
Chateaubriand instalou vários aparelhos pela cidade para que o povo conhecesse
o que é a televisão, pois muitos ainda nem sabiam do que se tratava. Naquele
mesmo dia, foi exibido um show pela TV Tupi, que é considerado o primeiro
programa da televisão brasileira, TV na Taba, numa alusão aos indígenas, que já
habitavam as terras brasileiras na Era pré-cabralina. O símbolo da emissora era
um pequeno índio, que apareceu nas telas anunciando: “Boa noite. Está no ar a
televisão do Brasil”, considerada a primeira fala da televisão
brasileira, protagonizada pela atriz Sonia Maria Dorce, então com seis anos de
idade. O show contava com vários artistas famosos, tais como: Hebe Camargo,
Inezita Barroso, Wilma Bentivegna, Lolita Rodrigues, que cantou o "Hino da
Televisão Brasileira" composto por Guilherme de Almeida, no lugar de Hebe
Camargo, que não compareceu, Aírton Rodrigues e Lima Duarte. Apesar de o
programa ter sido bem-sucedido, todos deram-se conta de que a emissora voltaria
ao ar no dia seguinte e não havia uma programação formada. A emissora de São
Paulo funcionava em uma parte dos estúdios das rádios Tupi e Difusora no bairro
do Sumaré e denominava-se PRF-3, prefixo que usaria durante alguns anos devido
à coincidência com o canal em que operava. Em 20 de janeiro de 1951, feriado no
Rio de Janeiro em comemoração ao santo padroeiro da cidade, entrou finalmente
no ar a TV Tupi Rio de Janeiro, canal 6, com duas antenas instaladas em pontos
estratégicos para expandir o sinal dos transmissores na Urca.
A cerimônia de estreia
da emissora contou com a bênção dada por Frei José Francisco de Guadalupe
Mojica (Frei José Mojica), ator “hollywoodiano” que abandonou o cinema para
seguir a carreira religiosa. Os estúdios da emissora ficavam na Avenida
Venezuela, no centro do Rio de Janeiro, onde antes funcionaram os estúdios da
Rádio Tamoio, e o auditório e a central técnica da emissora funcionavam nas
antigas dependências do Cassino da Urca, na Avenida João Luiz Alves, no bairro
da Urca, zona sul do Rio. Em 1951, a televisão não contava ainda com
propagandas comerciais. Assim, o intervalo entre um programa e outro era
preenchido com números musicais filmados, para dar tempo de se modificar o
cenário para a atração seguinte. Como no Brasil as concessões de televisão eram
entregues às emissoras de rádio, a televisão era encarada pelo senso comum como
“um rádio com imagens”. Assim, vários artistas de rádio, principalmente,
participaram desses filmes. O primeiro desses filmes foi com a cantora de rumba
Rayito Del Sol, famosa na época pela ousadia de suas apresentações, e o gongeiro
dela chamado Dom Pedrito. O segundo foi com a participação de Hebe Camargo e
Ivon Cury cantando a música “Pé de Manacá” em um cenário rústico. Outros
artistas também participaram desses encantadores filmes, como Emilinha Borba,
Luiz Gonzaga, Adelaide Chiozzo, Lana Bittencourt e muitos outros.
Ainda no mesmo ano, em 21 de dezembro, foi ao ar a primeira telenovela do Brasil e do mundo, Sua Vida Me Pertence, escrita por Wálter Forster e exibida em apenas 15 capítulos, inaugurando assim um novo e exitoso gênero na televisão brasileira e mundial. Em 1952, a televisão importou do rádio o noticiário Repórter Esso, que no Rio de Janeiro era apresentado por Gontijo Teodoro e em São Paulo, por Randal Juliano. Também em 1952, entrava no ar a TV Paulista canal 5, a segunda emissora de televisão brasileira, após as duas filiais da Tupi do Rio e de São Paulo. A concessão da emissora pertencia ao deputado Oswaldo Ortiz Monteiro e era uma emissora de recursos muito parcos. Seus estúdios ficavam em um apartamento da Rua da Consolação e eram tão pequenos que os atores, ao entrar em cena, tinham que trajar todo o figurino das peças que representavam, pois não havia espaço para camarins. Dessa forma, eles começavam as peças “gordos” e terminavam “magros”. Em 1953, Victor Costa que fora, na década de 1940, diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo e comprou a Rádio Nacional, fundando assim as Organizações Victor Costa. Naquele mesmo ano, Paulo Machado de Carvalho, com objetivo de obter dinheiro para custear as despesas de montagem do canal 7, vendeu, para as Organizações Victor Costa, a Rádio Excelsior. Paulo também decidiu, ainda em 1953, desfazer-se de sua parte na associação no Rio de Janeiro e a vendeu para “Pipa” do Amaral, que se tornou único dono da emissora carioca, mas eles decidiram enfrentar a concorrência aliando suas emissoras às Emissoras Unidas, associação de rádio pertencente a Paulo Machado de Carvalho que reunia, além da Rádio Record, a Rádio Panamericana e a Rádio São Paulo. Assim, a TV Record, canal 7, entrou no ar em 27 de setembro de 1953 como a terceira emissora do Brasil, com estúdios localizados na Avenida Miruna, no bairro do Aeroporto, em São Paulo.
A TV Record passou a fazer parte das Emissoras Unidas, concorrentes das Emissoras Associadas, de que faziam parte a TV Tupi Rio e a PRF-3 de São Paulo. Em 1953 estreou o programa Alô, Doçura! original de Cassiano Gabus Mendes, com Eva Wilma e John Herbert. O programa era apresentado em São Paulo pelo canal 3 e no Rio pela TV Tupi Rio canal 6. Como naquela época não havia videoteipe nem transmissão direta entre cidades, os artistas tinham que viajar de São Paulo para o Rio de Janeiro para reapresentar o programa na mesma semana. Em 1958, o Açúcar União, que era o patrocinador do programa, abandonou a chancela no RJ, exigindo que fosse mudado seu nome na Cidade Maravilhosa, já que o registro do mesmo lhe pertencia. Então, no Rio de Janeiro o Alô, Doçura! passou a chamar-se Alô, Querida! O programa durou até 1962 no Rio de Janeiro, e até 1964 em São Paulo. Em 1954, Victor Costa, proprietário das Organizações que levavam seu nome, decidiu comprar no Rio de Janeiro a Rádio Mundial, pertencente ao Diário da Noite do Rio, antiga Rádio Clube do Brasil, que, por ser a segunda emissora de rádio mais antiga do país, detinha a concessão do canal 11 na cidade. Victor já detinha, com a compra da Rádio Excelsior, a concessão do canal 9 em São Paulo, deixando claro seu desejo de iniciar uma rede de emissoras de televisão. Ainda em 1954, foram transmitidas as primeiras partidas de futebol pela televisão no Brasil, pela TV Record, com narração de Geraldo José de Almeida. Também a morte do presidente Getúlio Vargas, que chantageou a nação, só foi noticiada pela TV às 13 horas, hora em que a TV Tupi Rio de Janeiro entrava no ar. Ainda em 1954, a PRF-3 de São Paulo estreou sua produção infantil, o Sítio do Picapau Amarelo, baseado na obra de Monteiro Lobato, exibido uma vez por semana, e reapresentado também na emissora dos Diários Associados no Rio de Janeiro.
Em 15 de julho de 1955 entrou no ar a TV Rio, canal 13 do Rio de Janeiro, por iniciativa de João Batista do Amaral, cunhado de Paulo Machado de Carvalho, aliando-se à TV Record nas Emissoras Unidas. A emissora funcionava no prédio pertencente ao Cassino Atlântico na Avenida Atlântica, no Posto 6, em Copacabana. As duas emissoras decidiram construir um link entre as duas cidades, exatamente como existia nos Estados Unidos, ligando "cidade por cidade" até completar o percurso. A TV Rio construiria o link até Guaratinguetá, metade da distância, e a TV Record o terminaria até São Paulo. Também naquele ano, Victor Costa adquiriu a TV Paulista canal 5, preferindo comprar para a sua Organização uma emissora pronta a ter que montar uma nova com a concessão dada à Rádio Excelsior. Os estúdios da TV Paulista foram transferidos para o prédio onde funcionavam a Rádio Nacional de São Paulo e a Rádio Excelsior, na Rua das Palmeiras no bairro de Santa Cecília. Logo em seguida, Victor Costa pôs à venda a concessão do canal 9 Paulista. Em 8 de setembro de 1955, entrou no ar a TV Itacolomi, canal 4 de Belo Horizonte, de propriedade das Emissoras Associadas. Era o início da operação da televisão em Minas Gerais. Em 1956, entrou no ar o Teatrinho Trol, programa infantil produzido pela TV Tupi Rio de Janeiro, especializado em peças infantis, aos domingos, às 14 horas. Também em 1956 a PRF-3 de São Paulo passou a denominar-se TV Tupi-Difusora. Victor Costa proprietário da TV Paulista, pediu a Manuel da Nóbrega, que já trabalhava na Rádio Nacional como diretor da emissora, que criasse um programa humorístico para competir com as concorrentes, usando o elenco que existia na Rádio Nacional, devido aos poucos recursos financeiros. Nóbrega acabou tendo uma inspiração quando, numa viagem a Buenos Aires, hospedado em um hotel defronte a uma praça, observou um senhor aposentado, sentado no banco, lendo jornal, e reparou que todos que passavam paravam para conversar alguns instantes com esse senhor e em seguida iam embora.
Nóbrega decidiu criar a Praça da Alegria, pois o programa sairia barato para a TV Paulista. Ele não precisava de cenários; bastava um banco de praça e um fundo reproduzindo uma, e os comediantes da Rádio Nacional se adaptariam com facilidade, pois ficariam sentados representando seus sketchs. O programa acabou por se tornar um sucesso e revelar vários artistas para a televisão, como Ronald Golias, Rony Rios, Zilda Cardoso, Simplício, Viana Júnior e outros. Nesse mesmo ano a TV Rio começou a impor no Rio de Janeiro uma posição de liderança diante da sua concorrente, a TV Tupi Rio, canal 6. O povo carioca começava a ter o hábito de assistir à televisão com a emissora, que lançava programas de peso, como o “TV Rio Ringue”, programa de lutas de boxe transmitido aos domingos e o “Teatro Moinho de Ouro”, com peças de teatro adaptadas para a televisão apresentando artistas famosos, patrocinadas pelo Café Moinho de Ouro. Faziam parte do elenco da TV Rio na época muitos artistas de teatro e do rádio, principalmente das rádios Mauá e Mayrink Veiga, como Anilza Leoni, Osvaldo Sargentelli, Murilo Mello Filho, Murilo Néri, Luiz Mendes, Moacyr Arêas, Mario Lago, Camila Amado, César Filho, Renata Fronzi, Carmem Verônica, Consuelo Leandro, Theresa Amayo, Daniel Filho, Jair de Taumaturgo, Carlos Imperial, Flávio Cavalcanti, Odete Lara, Iracema de Alencar e muitos outros. Também em 1956, o canal 2 do Rio de Janeiro foi concedido à Rádio Mayrink Veiga, que tinha entre seus sócios Leonel Brizola, cunhado do então vice-presidente da república João Goulart, que também viria a outorgar a concessão do canal 4 do Rio de Janeiro à Rádio Globo, de propriedade do jornalista Roberto Marinho, em julho de 1957.
Em agosto de 1957, foi concluído o link entre Rio de Janeiro e São Paulo pelas Emissoras Unidas. A primeira transmissão entre as duas cidades foi o Grande Prêmio Brasil de Turfe, transmitido diretamente do Hipódromo da Gávea no Rio de Janeiro, em agosto. Também naquele ano foram iniciadas as transmissões para subestações, a de Santos em São Paulo, pertencente à TV Record, e a de Guaratinguetá, também em São Paulo, pertencente à TV Rio. Em 12 de outubro, a TV Rio e a TV Record transmitiram, direto da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, a missa em homenagem à padroeira do Brasil. No final de 1957, a TV Tupi Rio transferiu também seus estúdios para o antigo prédio do Cassino da Urca, na zona sul do Rio de Janeiro, onde existia mais espaço para suas atrações. Em 1958, a concessão do canal 9 de São Paulo, pertencente às Organizações Victor Costa, foi vendida para Wallace Simonsen, ex-dono da extinta Panair do Brasil, que então pretendia investir em televisão. Simonsen comprou a concessão por 80 milhões de cruzeiros, valor considerado alto para a época. Ainda em 1958, foi lançado pelas Emissoras Unidas o primeiro programa regular produzido pelas TVs Record e Rio, chamado Show 713. O programa era diário e exibido ao meio-dia. Com duas horas de duração, apresentava entrevistas, reportagens e números musicais das duas cidades. A tela era dividida ao meio, ficando cada cidade com uma metade para suas atrações. Até chegou a ter cantores em uma cidade, enquanto a orquestra acompanhava na outra. Também em 1958, estrearam na TV Tupi o TV de Vanguarda e o Grande Teatro Tupi, exibindo peças teatrais representadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, contando no seu elenco com artistas famosos do teatro.
A TV Rio e a TV Record inauguraram várias retransmissoras para as Emissoras Unidas, transmitindo programações do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em 30 de junho de 1959, foi inaugurada no Rio de Janeiro a TV Continental canal 9, de propriedade da Rádio Continental, pertencente ao empresário Rubens Berardo, com estúdios localizados na Rua das Laranjeiras, no bairro do mesmo nome. A novidade da emissora era o lançamento do vídeo tape, já na sua inauguração, quando Luiz Carlos Miele apresentou às 21 horas o programa inaugural direto da piscina do Copacabana Palace, gravado às 15 horas com a presença de Sol forte. Também em 1959, as Emissoras Associadas estrearam novos programas com o objetivo de combater o Show 713 das Emissoras Unidas: no Rio de Janeiro o programa Câmera Um, sob o comando de Jacy Campos, e em São Paulo o Edição Extra, ambos ao meio-dia. A TV Rio e a TV Record continuaram trocando programas entre si, tais como: Noites Cariocas e Noite de Gala, da TV Rio, e A Turma dos Sete e Gessy às Dez, da TV Record. Também surgiram alguns programas infantis que conseguiram enorme sucesso nos anos 1950. Além dos já citados Sítio do Pica Pau Amarelo da TV Tupi São Paulo e do Teatrinho Trol da TV Tupi Rio de Janeiro, na mesma Tupi do Rio estreava em 1955 o programa Gladys e Seus Bichinhos, conseguindo grande sucesso entre as crianças com personagens desenhados na hora por ela durante o programa, como: A Formiguinha Gida (a única formiga no mundo que usava “rabo de cavalo”), a Gatinha Clarinha, a Peixinha Marci, a Abelhinha Domi, a Cachorrinha Lelete e o mais famoso, o Sapo Godô.
O programa ficou tão famoso, que Gladys, a partir de 1957, o apresentava no Rio às segundas, às terças em São Paulo e às quartas em Belo Horizonte. Também pela TV Tupi do Rio, Neyde Aparecida apresentaria com sucesso ao lado de Paulo Max, “A Estrela é o Limite”. O programa era uma competição entre colégios cariocas sobre vários assuntos de conhecimentos gerais, patrocinado pelos Brinquedos Estrela. Na mesma emissora, também faria sucesso o Palhaço Carequinha, ao lado de seus companheiros, Fred, Zumbi e o anão Meio-Quilo, com “O Grande Circo Bom-Bril”. Também na Tupi do Rio, Norma Blum apresentava com sucesso “O Mundo é das Crianças”. Na TV Continental, Mariangela Balducci apresentava a “Hora da Criança”, programa que obteve tanto sucesso, chegando a perpetuar o jingle do patrocinador, os Biscoitos São Luiz. Em São Paulo, o palhaço Arrelia também conseguiu sucesso com o “Circo do Arrelia”, apresentado aos domingos à tarde, ao lado de seu ajudante Pato Preto e a participação de Walter Stuart. As comedinhas do Circo do Arrelia fizeram tanto sucesso, que o programa passou também a ser apresentado na TV Rio, às segundas à noite. Na TV Rio, também teve sucesso o “Clubinho do Tio Hélio”, diariamente no horário da tarde, e “Os Amigos do Zorro”, exibido aos domingos pela manhã. Ainda em 1959, no dia 20 de dezembro, foi inaugurada a TV Piratini de Porto Alegre, a primeira emissora de televisão do sul do país, pertencente às Emissoras Associadas.
Em 22 de
dezembro de 1959 morria o empresário Victor Costa, proprietário das
Organizações Victor Costa, assumindo a direção do grupo sua esposa e seu
enteado. As primeiras decisões dos dois, ainda em 1959, foram arrendar a Rádio
Mundial do Rio de Janeiro para o líder da LBV, Alziro Zarur, com o objetivo de
fazer caixa para a OVC; venderam a Rádio Cultura de São Paulo para as Emissoras
Associadas e, por último, devolveram ao governo a concessão do canal 11 que a
Rádio Mundial detinha no Rio de Janeiro. As Emissoras Associadas decidiram
entregar para a Rádio Cultura de São Paulo a concessão do canal 2 de São Paulo,
recebido em 1958, a fim de que fosse montada a primeira emissora de televisão
com objetivos culturais no Brasil. Com isso, a TV Tupi-Difusora passaria a
transmitir pelo canal 4. Na década de 1950, os horários vespertinos das
emissoras de televisão eram preenchidos com programas femininos,
principalmente. O primeiro programa feminino da televisão foi “O Mundo é das
Mulheres”, com Hebe Camargo, na TV Record em 1955. Em 1957 estrearam o “Revista
Feminina” com Maria Thereza Gregori e Ofélia Anunciato, na TV Tupi-Difusora de
São Paulo, o “Consultório Sentimental” com Helena Sangirargi na TV Rio e o “Chá
das Cinco" com Aziza Perlingeiro na TV Tupi do Rio. Também em 1957, o “Clube
do Lar” estreou na TV Paulista, com Jane Batista. Em 1958, a TV Rio estreou o
Rio, Cinco Pras Cinco, primeiro com Ilka Soares, substituída em 1960 por
Lídia Mattos. Em 1959, na TV Continental, apresentado por Edna Savaget, estreou
o “Boa Tarde”. Em 1960, o "Revista Feminina" transferiu-se para a TV
Paulista e mais tarde, em 1967, para a TV Bandeirantes, onde ficou até 1979,
sendo até aquela época o programa feminino com maior duração no ar.
Bibliografia
Geral Consultada.
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Brasileira, 17 de junho de 2020; REIS, Samira Adriano, Isso a Globo não Mostra:
A Remixagem e o Meme como Opinião Política no Fantástico. Dissertação de
Mestrado. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Belo Horizonte: Universidade
Federal de Minas Gerais, 2023; entre outros.
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