quarta-feira, 1 de abril de 2026

Pavão – Variações de Cor, Padrão & Status de Ave Nacional.

                                     Seja como um pavão, nunca deixe ser vencido pelo cansaço e pela dor”. Khadija Furlan                             

  

         Os pavões de cores alternadas nascem de cores diferentes dos pavões do tipo selvagem e, embora cada cor seja reconhecível ao nascimento, sua plumagem de pêssego não corresponde necessariamente à plumagem adulta. Ocasionalmente, aparecem pavões com plumagem branca. Embora existam pavões albinos, isso é bastante raro, e quase todos os pavões brancos não são albinos; eles têm uma condição genética chamada leucismo, que faz com que as células pigmentares não migrem da crista neural durante o desenvolvimento. O pavão leucístico pode produzir pigmento, mas não deposita o pigmento em suas penas, resultando em sua cor de olhos azul-acinzentada e na completa falta de coloração em sua plumagem. Pavões malhados são afetados por leucismo parcial, onde apenas algumas células de pigmento não conseguem migrar, resultando em aves que têm cor, mas também têm manchas ausentes de toda a cor; eles também têm olhos azul-acinzentados. Por outro lado, o verdadeiro pavão albino teria uma completa falta de melanina, resultando em íris que parecem vermelhas ou rosa. Os pêssegos leucísticos nascem amarelos e tornam-se brancos à medida que amadurecem. Pavões são aves florestais que passam o dia no chão e à noite se empoleiram em arvores. No chão fazem também seus ninhos e é onde as fêmeas passam a fase de criação dos filhotes. Costumam alimentar-se de achados terrestres e vegetais. Todas as espécies são reconhecidamente polígamas. Assim como outros membros dos Galliformes, os machos possuem esporões ligados ao metatarso de cada perna, utilizados em brigas. Em acasalamento, a principal forma que o macho utiliza para atrair as fêmeas é seu canto.

 Alguns estudos sugerem que a complexidade da “canção” produzida pela exibição dos machos poderia impressionar as fêmeas. Os pavões costumam cantar imediatamente antes, imediatamente depois ou até mesmo durante a cópula. Os pavões são onívoros e comem muitas plantas, pétalas de flores, sementes, insetos e outros artrópodes, pequenos répteis e anfíbios. Na natureza os pavões encontram seu alimento ciscando na serrapilheira ao amanhecer ou ao anoitecer. Quando o dia está mais quente, eles entram nas partes mais arborizadas das florestas a fim de se proteger do calor. Não são aves exigentes e comem de quase tudo que couber em seus bicos e se considerarem capazes de digerir. Eles costumam caçar insetos como formigas, grilos e cupins; millipedes; e outros artrópodes e pequenos mamíferos. Pavões domesticados costumam comer pão e grãos rachados, como aveia e milho, queijo e arroz cozido. Foi dito por criadores que os pavões também gostam de alimentos ricos em proteínas, incluindo larvas que infestam suas moradias, diferentes tipos de carne e frutas, bem como vegetais, incluindo folhas verdes escuras, brócolis, cenoura, feijão, beterraba e ervilha. Na Roma antiga, os pavões eram uma iguaria. O poeta Horácio ridicularizou o uso de pavões como alimento, dizendo que eles tinham gosto de frango. Ovos de pavão também foram valorizados. Caio Petronius em Satíricon também zombou da ostentação e esnobismo de comer pavões e seus ovos. O pavão-azul é nativo da Índia tem importante significado em sua cultura. No hinduísmo, um pavão-azul é montado por Kartikeya, o deus da guerra, e por Kaumari, a deusa guerreira, e também é retratado em volta da deusa Santoshi. Segundo a mitologia indiana, durante uma guerra contra os asuras, Kartikeya dividiu o rei demônio Surapadman ao meio. Como mostra de respeito ao adversário, Kartikeya converteu suas metades em partes de si mesmo. 

Uma das metades tornou-se um pavão que o serviu de montaria e a outra tornou-se um galo que passou a adornar sua bandeira. Ainda na mitologia indiana, ele representa a forma divina de Omkara, quando este espalha suas plumas em forma circular completa. As penas do pavão adornam a coroa de Krishna e também é um avatar de Vishnu. Conta uma lenda que Chandragupta Máuria, o fundador do Império Máuria, nascera órfão e fora criado por uma família de pavões. De acordo com a tradição budista, os ancestrais dos reis Máuria se estabeleceram em uma região onde os pavões eram abundantes. Por isso, passaram a ser chamados de Moriyas que significa “pertencentes ao lugar dos pavões”. De acordo com outro relato budista, esses ancestrais construíram uma cidade chamada Moriya-nagara, que foi assim chamada porque foi construída com os “tijolos coloridos como pescoços de pavões”. Depois de conquistar o Império Nanda e derrotar o Império Selêucida, a dinastia Chandragupta reinou incontestada em seu tempo. Seu emblema real permaneceu o pavão até que o imperador Açoca o mudou para um leão, como visto no Capitel do Leão de Açoca, bem como em seus éditos. O pavão continuou a representar elegância e realeza na Índia durante os tempos medievais; por exemplo, o trono dos imperadores Mughal era chamada de “Trono do Pavão”. O pavão é representado nos zodíacos birmanês e cingalês. Para os cingaleses, o pavão é o terceiro animal do zodíaco do Sri Lanka. Acreditava-se que os pavões muitas vezes um símbolo de orgulho e vaidade comiam propositalmente substâncias venenosas para se tornarem imunes a elas, bem como para tornar as cores de sua plumagem resplandecente ainda mais vibrantes, visto que tantas plantas e animais venenosos são também muito coloridos devido ao apossematismo. A divindade budista Mahamayuri é retratada sentada em um pavão. Pavões também são vistos apoiando o trono de Amitaba. 

                                    


A Índia adotou o pavão como seu pássaro nacional em 1963 e é ainda hoje um dos símbolos nacionais da Índia.  Na Pérsia e na Babilônia, o pavão era visto como um guardião da realeza e muitas vezes foi gravado em tronos reais. Melek Taus, o “Anjo Pavão”, é o nome iazidi para a figura central de sua fé. Os iazidis consideram Tawûsê Melek uma emanação de Deus e um anjo benevolente que se redimiu de sua queda e se tornou um demiurgo que criou o cosmos a partir do ovo cósmico. Depois que ele se arrependeu, ele chorou por 7.000 anos, suas lágrimas encheram sete jarras, que então extinguiram o fogo do inferno. Na arte e escultura, Tawûsê Melek é retratado como um pavão. No Diwan Masbuta d-Hibil Ziwa, a emanação do mandeísmo de Yushamin é descrita como um pavão. Os gregos antigos acreditavam que a carne do pavão não entrava em decomposição após a morte, por isso a ave se tornou um símbolo da imortalidade. Nas imagens helenísticas, a carruagem da deusa grega Hera era puxada por pavões, pássaros desconhecidos pelos gregos antes das conquistas de Alexandre, o Grande. O tutor de Alexandre, Aristóteles, refere-se aos pavões como “o pássaro persa”. Quando Alexandre viu os pássaros na Índia, ficou tão maravilhado com sua beleza que ameaçou as mais severas penalidades para qualquer homem que matasse um. Cláudio Eliano escreve que havia pavões na Índia, maiores do que em qualquer outro lugar. Um mito afirma que um servo de Hera, Argos Panoptes, de cem olhos, foi instruído a guardar Io, a mulher que foi transformada em vaca por Hera, depois que o interesse de Zeus por ela foi descoberto. Zeus fez com que o mensageiro dos deuses, Hermes, matasse Argos através do sono eterno e libertasse Io. Segundo Ovídio, para homenagear seu fiel vigia, Hera preservou para sempre, os cem olhos de Argos na cauda do pavão.  

        Em diversas áreas do conhecimento indiano, o Pavão (Pavão) assume significados variados. No Jainismo e Vaishnavismo, é associado à beleza e refúgio. Em Arthashastra, representa facções rivais. No Purana, manifesta-se em mitos e paisagens. Ayurveda destaca suas propriedades medicinais. Dharmashastra o classifica em contextos de leis e culinária. Rasashastra utiliza sua bile em processos alquímicos. No Mahayana, é montaria divina. Na história indiana e Kavyashastra, simboliza vaidade e beleza, enquanto nas Ciências da Saúde, representa reações superficiais a novas ideias. No budismo, o pavão simboliza beleza e a transformação do veneno em sabedoria. No budismo tibetano, representa a riqueza da virtude espiritual, figurando no palácio ocidental. No Mahayana, serve como montaria do deus Kumara, personificando graça. No Theravada, a criatura outrora protegida, tornou-se vulnerável ao negligenciar a prática. No contexto do Hinduísmo, o pavão (“Pavão” ou “Pavões”) é uma ave multifacetada, presente em diversas escrituras e com significados variados. Em Vaishnavismo, o pavão é um símbolo de beleza, realeza e orgulho, exibindo plumagem iridescente e cortejos elaborados. Sua presença vibrante enriquece a atmosfera, como nos bosques de Govardhana, onde sua beleza se manifesta. Em algumas narrativas, o pavão cria arcos para Krishna, simbolizando boas-vindas e beleza. No entanto, também pode representar a perda, como um bem que a Nayaki é forçada a abandonar. Nos Puranas, o pavão é retratado de diversas formas. Suas penas adornam as flechas de Arjuna. O som de carros pode evocar reações nos pavões, associando-os ao som das nuvens. 

O pavão também é descrito como um animal que serpentes rastejam sobre na floresta. Ele anseia pela água da chuva e dança com sua cauda exuberante, às vezes capturando cobras. Grupos de pavões empoleirados em árvores com suas caudas multicoloridas são comparados a arco-íris. Em uma forma divina, Madhara assume a forma de um pavão para matar o demônio Tristhubha. Na literatura Kavya, o pavão é uma alegoria para liberdade e transformação. No Arthashastra, a ave surge em um contexto político, com o Rei Jewel-plume representando forças adversárias. No Ayurveda, a carne do pavão e seus sucos são valorizados por suas propriedades medicinais. São recomendados para doenças da laringe e tratamento de venenos. Sua carne é considerada benéfica para a visão, audição, inteligência e vitalidade, enquanto seus ovos são usados para tratar tosse e problemas cardíacos. No Rasashastra, a bile do pavão é utilizada no processo de bhavana para criar compostos medicinais. Em Jyotisha, o pavão é classificado como uma ave diurna. No Dharmashastra, é incluído em listas de animais permitidos para consumo, mas também associado a consequências negativas, como renascimento como pavão devido ao roubo de vegetais. Matar um pavão pode acarretar multas. Em Kavyashastra, sua beleza é associada ao orgulho. No Jainismo, o pavão surge em diversos contextos. Ajita Svamin é comparado a um trovão para os pavões de seus súditos, demonstrando sua proteção e poder como governante. Os topetes dos monges se assemelham a caudas de pavões jovens, ressaltando a graça e beleza de seus movimentos.

O pavão é também o veículo de Sanmukha, um Yaksha que porta armas. Além disso, o pavão está associado a Trimukha, um chefe Yaksha presente em congregações. A presença destas aves transforma jardins em refúgios, onde até mesmo se envergonham da beleza dos cabelos das mulheres. Pavões também são mantidos para entretenimento, agitando colares nas árvores dos desejos. O pavão, na história da Índia, surge como um símbolo multifacetado. A sua plumagem exuberante associa-se à beleza e ao orgulho, mas também à extravagância. A dança do pavão, por sua vez, representa a tragédia de Maya, simbolizando a morte e a libertação. O pavão assume um papel cultural e religioso significativo, sendo por vezes considerado um mensageiro ou enviado em narrativas. Contudo, a sua beleza pode ser vã, como exemplificado na discussão sobre a inutilidade de olhos sem visão. Assim, o pavão oscila entre a representação da beleza e a da futilidade, refletindo a complexidade da cultura indiana. Em grego, a narrativa explora um Pavão que expressa a Juno seu descontentamento pela ausência de uma voz melodiosa comparada à do rouxinol, apesar de sua beleza notável. Um Pavão é descrito com sua cauda magnífica e adornado em ouro, púrpura e todas as cores do arco-íris. A beleza do pavão é central. O mandeísmo é uma religião étnica classificada por estudiosos como gnóstica, remanescentes até os dias atuais. Veneram João Batista como o messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100 mil adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque. O mandeísmo é uma rara forma de gnosticismo contemporâneo junto com movimento de Samael Aun Weor (1917-1977). 

 Os mandeístas não consideram o mundo material como sendo maligno, não rejeitam o casamento, nem a procriação. Os mandeístas ou mandeus são assim classificados devido à etimologia da palavra manda, que na língua mandeia significa conhecimento, que em grego é o vocábulo gnosis. Existe controvérsia sobre sua origem, se seriam de fato pré-cristãos, contemporâneos de João Batista ou de origem mesopotâmica. A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma (plenitude), existe uma clara divisão entre luz e trevas, onde o senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como “a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos”. Quando esse ser espalhou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo. A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba, juntamente com o Qolastā. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma subespécie do aramaico. O rito máximo é o batismo ou masbuta, realizado todos domingo em águas correntes. Christopher Knight e Robert Lomas referem em The Second Messiah (1997), que o historiador romano Flávio Josefo diz que os essênios, e, portanto, a Igreja de Jerusalém, acreditavam que as almas justas residiam além do oceano no Ocidente, numa região que não era assolada por tempestades de chuva, neve ou intenso calor, mas por aragens frescas. Existe uma descrição dada por um povo chamado Mandeus que viviam no Sul do Iraque desde que haviam deixado Jerusalém depois da crucificação de Jesus, a fugirem às perseguições de Paulo.

Estes judeus deixaram Jerusalém no 1 século d.C. e de acordo com a sua doutrina João Batista for o primeiro líder dos nazarenos e Jesus foi um líder posterior que se terá afastado dos segredos que lhe haviam sido transmitidos. Os mandeus ainda celebram o batismo no rio, têm toques particulares e têm práticas rituais que recordam as modernas fraternidades iniciáticas. O simbolismo foi adotado pelo cristianismo primitivo, portanto, muitas pinturas e mosaicos cristãos antigos mostram o pavão. O pavão ainda é usado na época da Páscoa, especialmente no oriente. Os ocelos nas penas da cauda do pavão simbolizariam o Deus cristão que tudo vê e – em algumas interpretações – a Igreja. Um pavão bebendo de um vaso é usado como símbolo de um crente cristão bebendo das águas da vida eterna. O pavão também pode simbolizar o cosmos se interpretarmos sua cauda com seus muitos “olhos” como a abóbada do céu pontilhada pelo Sol, a Lua e as estrelas. Pela adoção cristã do antigo simbolismo persa e babilônico, no qual o pavão era associado ao Paraíso e à Árvore da Vida, a ave é novamente associada à imortalidade. Na iconografia cristã, o pavão é frequentemente representado ao lado da Árvore da Vida. Entre os judeus asquenazes, o pavão dourado é um símbolo de alegria e criatividade, com penas de pássaros sendo uma metáfora para a inspiração de um escritor. Em 1956, John J. Graham (1923-1994) criou o conceito de um logotipo de pavão de 11 penas para a emissora americana NBC. Este pavão brilhantemente colorido foi adotado devido ao aumento na programação com cores. 

As primeiras transmissões em cores da NBC mostraram apenas um quadro estático do pavão colorido. O emblema fez sua primeira aparição no ar em 22 de maio de 1956. O atual logotipo de seis penas estreou em 12 de maio de 1986. Pavão tem como representação social o nome comum dado para três espécies de aves dos gêneros Pavo e Afropavo que estão contidas dentro da tribo Pavonini da família Phasianidae que inclui também os galos, faisões, codornizes etc. É um gênero de aves galináceas da família Phasianidae. A par com o gênero Afropavo, forma o conjunto de animais reconhecido como pavões. O gênero Pavo foi introduzido por Carl Linnaeus na 10ª edição de Systema Naturae, em 1758. Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição sociológica hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes durante sua vida que existem nada menos que nove binômios e outros tantos sinônimos. Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. O avô de Linnaeus segundo a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund fundada, em 1666, e classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), formado por “linn”, uma variante na atualidade obsoleta de lind, “tília” em sueco e gård (“fazenda”).

 Vários membros da família o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”. Em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. No mundo francófono como na Suécia é reconhecido como “Linnaeus”. Do ponto de vista técnico-metodológico em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” admite sua utilidade. É o único botânico cujo nome é abreviado para uma única letra. 

Ele não deve ser confundido com seu filho Carl von Linné, o Jovem, que se distingue do pai por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde praticamente é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente utilizado na nomenclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”).

 Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras do século XVIII, e ainda hoje em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes. Escólio: Atualmente há duas espécies no gênero Pavo: o pavão-azul e o pavão-verde-de-Java. A única espécie fóssil reconhecida, entretanto, é a Pavo bravardi, que existiu há cerca de 15 milhões de anos. Existem duas espécies de origem asiática, o pavão-azul, originário do subcontinente indiano, e o pavão-verde, do Sudoeste asiático; há ainda uma espécie africana, o pavão-congolês, nativa da bacia do Congo. Os machos são reconhecidos por seus “chamados penetrantes e sua plumagem colorida”. Essa última característica mais proeminente nas espécies asiáticas que apresentam “uma longa cauda colorida, repleta de olhos que abrem em leque num ritual de acasalamento”. As funções da elaborada coloração iridescente e grande cauda dos pavões têm sido objeto de debate científico. Charles Darwin sugeriu que estas formas características serviam para atrair as fêmeas, e as características mais vistosas dos machos evoluíram por seleção sexual. Amotz Zahavi propôs na teoria do Princípio do handicap que essas características agiam como sinais claros da aptidão dos machos, uma vez que os machos menos aptos seriam prejudicados pela dificuldade de sobreviver com estruturas tão grandes e distintas. O subcontinente indiano é a região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os países Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas podem também considerar-se como pertencentes ao Subcontinente.

Esta região do Sul da Ásia conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. Geologicamente, a noção de subcontinente baseia-se no fato de que esta região assentar numa placa tectônica própria, separada do resto da Ásia. A parte Sul do subcontinente forma uma enorme península enquanto o Norte é composto pela cordilheira do Himalaia, que age como barreira geográfica e cultural com a China e com a Ásia Central. O nome de subcontinente indiano dado à península, muito identificado com a Índia, abrange, contudo, um território cujos limites geográficos não coincidem com aquele Estado. Apesar de não existir uma definição precisa para a região, e dos seus limites terem variado ao longo da história, em geral também são incluídos os territórios do Bangladesh, do Sri Lanka e das Maldivas, para além de partes dos Estados vizinhos do Afeganistão e da Birmânia. O Indostão, conceito regional que antecedeu o de subcontinente indiano, incluía a região ao Sul da Ásia Central entre o Irã, e a China. Foi uma região de passagem de inúmeros povos e de múltiplas incursões, entre as quais se podem citar o exército de Alexandre, o Grande, os mongóis de Gêngis Cã e a migração dos ciganos, entre tantos outros viajantes. Foi durante séculos uma região estratégica, ponto de encontro da Rota da Seda, percurso chave para a troca de mercadorias e intercâmbio cultural entre o Império Chinês e o mundo ocidental.   

Com o advento geopolítico da abertura do caminho através do Oceano Índico pelos navegadores ocidentais e a abertura de novas rotas e postos de trocas de mercadoria, começa a perder parte da sua estratégica importância econômica, social e cultural. Com a expansão do Islão, parte da população humana converteu-se a esta religião seguindo maioritariamente a corrente sunita. Composta por diversos reinos, caracterizados pelas suas alianças tribais e às vezes circunscritos apenas ao domínio de uma cidade, com o passar dos tempos acabou fechando-se ao acesso de estranhos. Com a expansão do Império Russo no século XVIII e do Império Britânico, a sua estrutura e existência começou a ser ameaçada. Na época de Aquebar, o Indostão político ia do Afeganistão até a baía de Bengala e dos Himalaias até ao rio Godavari. Muitas vezes chamado simplesmente do Subcontinente, por ser a única região do mundo à qual esse termo é comumente aplicado, a região era conhecida no Ocidente simplesmente como “Índia” ou “Índias” até 1947, quando a partição da antiga Índia Britânica viu o território dividido entre os Estados da União da Índia e do Paquistão. A parte oriental deste Estado seria mais tarde dividida sob o nome de Bangladesh. 

Muitas pessoas no Paquistão e em Bangladesh rejeitam o termo “subcontinente indiano”, acreditando que o adjetivo “indiano” deve ser aplicado apenas ao Estado atualmente da República da Índia. O colonialismo e expansão territorial russa foi um processo de descoberta e conquista de novos territórios pela Rússia. Caracterizou-se por oposição à colonização da maioria das outras potências coloniais europeias visto que estavam destinados principalmente aos territórios ultramarinos, mas já a Rússia principalmente a expansão continental nas zonas adjacentes (“colonialismo interno”). Estendeu sobre regiões que compõem a moderna Polônia, Ucrânia, Bielorrússia, Finlândia, Países Bálticos, Moldávia, Ásia Central, Sibéria e o Cáucaso. Seus primórdios podem ser datados para a conquista moscovita da República da Novogárdia em 1478 e sua subsequente colonização da Moscóvia. Enquanto as potências europeias realizavam a grande expansão marítima comercial, o Império Russo realizava sua expansão territorial para leste, sudoeste e sudeste, chegando até o Oceano Pacífico através de deslocamentos terrestres. Para se ter uma ideia, em 1542 os russos já tinham conquistado a Sibéria ocidental; em 1620, a central e, em 1650, a oriental. Em 1671, atingiram o Oceano Pacífico e, em 1742, atravessaram o estreito de Bering, dando início à exploração do Alasca. Embora o colonialismo russo terminou formalmente em 1991 com a independência política das ex-repúblicas soviéticas, a capital russa ainda domina os territórios e pode ser dito que mantêm uma relação de neocolonial com eles. 

Os colonos russos que chegaram na época soviética, ainda tendem a se identificar culturalmente e intelectualmente com Moscou e a Rússia, mais do que nas nações em que vivem, a mídia nas recém-independentes repúblicas não russas, com exceção dos países bálticos, permanecem fortemente russificadas. O primeiro Estado eslavo do Oriente, a Rússia de Quieve, foi fundado pelos viquingues nórdicos que vieram da Escandinávia, navegando pelos rios da Europa do Leste. Eles adotaram o cristianismo do Império Bizantino em 988 e iniciaram a síntese das culturas bizantinas e eslavas que vieram a definir a cultura russa. Os mongóis sob Gengis Cã (1167–1227) assaltaram e devastaram a China (1211–1215), atacando o Império Corásmio (1219–1225), e rumando para a Europa Oriental. Com a morte de Oguedai Cã, um dos quatro filhos de Gengis Cã, os vitoriosos exércitos mongóis sob neto de Gêngis Cã, Batu recuaram de repente da Europa. Embora tecnicamente grande no seu tamanho territorial em comparação com os estados europeus do Oeste, o Estado de Rus de Quieve rapidamente sucumbiu aos invasores mongóis no ano 1230 quando a Horda de Ouro correu para o Ocidente e a Rússia foi conquistada pelos cavaleiros das vastas estepes do Oriente, isolando-a da Europa e provocou a sua decadência cultural; o que segundo alguns estudiosos, foi a gênese do desejo da Rússia de propagação e conquista do Leste. Uma das características mais marcantes da história da Moscóvia é o seu impressionante crescimento territorial. A expansão coincidiu com a fragmentação e a desintegração do Império Mongol na Eurásia do final do século XIV, mas foi quase exclusivamente à custa dos principados do nordeste de Rus: Tuéria, Susdália, Resânia, Novogárdia, Pscóvia. 

Como o controle mongol rapidamente se enfraqueceu, uma série de centros provinciais de Novogárdia Magna e Pescóvia, lutaram para herdar o legado da Rússia de Quieve, mas foi Moscou, que passou a dominar o antigo centro cultural. Inicialmente, o poder era fraco, e os tributos eram pagos aos cãs tártaros. O Canato Quipchaco da Horda de Ouro, não assimilado pela civilização russo-bizantina e islamizado apenas superficialmente, deteriorou-se internamente. Eventualmente, foi dividido nos Canatos separados da Crimeia (1430-1783), de Cazã (1445-1552) e de Astracã (1466-1556). Seria sob Ivã III que Moscou rejeitou o costumeiro tributo pago ao grande tártaro Amade Cã, e enquanto combatia as tribos turcas do Leste, começou a unificar todas as províncias que eram culturalmente russas. Isso incluiu uma guerra vencida contra a República de Novogárdia. Seu filho Basílio III continuou as políticas do pai e anexou as províncias autônomas sobreviventes de Pscóvia, Volokolamsk, Resânia e Novogárdia Sevéria, e mais notavelmente capturaram a cidade polonesa de Esmolensco. 

O termo Hindustão seria mais apropriado devido ao seu uso histórico e origem terminológica, mas raramente é usado hoje em dia. Um nome alternativo para a região é a Ásia Meridional, embora esse nome às vezes também inclua Afeganistão e Irã, e às vezes até Birmânia. O subcontinente indiano é geologicamente delimitado dos Himalaias ao Norte e pelo Oceano Índico ao Sul. Caracteriza-se por uma linha divisória Norte-Sul entre a Planície Indo-Gangética ao Norte, que inclui os sistemas fluviais Indo, Ganges e Bramaputra, e o Planalto de Decão ao Sul, cujos principais sistemas incluem os rios Maanandim, Godavari, Krishna e Kaveri. A geografia do subcontinente confere-lhe o clima de monções mais pronunciado do mundo. A mudança sazonal na direção do vento leva a uma elevada instabilidade atmosférica com o início das monções de verão, tipicamente em junho, quando o ar quente e húmido do Oceano Índico sopra do Sudoeste. Em outubro, a direção do vento inverte-se e traz ar mais frio do Nordeste, mas tanto a intensidade como a humidade das monções de inverno são desviadas pelos Himalaias. O resultado é uma estação predominante seca. O subcontinente indiano é a região do mundo mais afetada pela poluição do ar. O diretor executivo da Greenpeace para o Sudeste Asiático, Yeb Sano, explica que “além das perdas humanas, o custo global estimado é de 225 mil milhões de dólares em custos laborais e de bilhões em custos médicos”. O Greenpeace é uma rede global independente de campanhas, fundada no Canadá em 1971 por um grupo de ativistas ambientais. Afirma que seu objetivo é “garantir a capacidade da Terra de nutrir a vida em toda a sua diversidade” e concentra suas campanhas em questões mundiais como mudanças climáticas, desmatamento, sobrepesca, caça comercial de baleias, engenharia genética, pacifismo e questões antinucleares. 

Ele utiliza ação direta, advocacia, pesquisa e ecotagem para atingir seus objetivos. A rede compreende 26 organizações nacionais/regionais independentes em mais de 55 países na Europa, Américas, África, Ásia, Austrália e Pacífico, bem como um órgão coordenador, o Greenpeace Internacional, com sede em Amsterdã, Holanda. A rede global não aceita financiamento de governos, empresas ou partidos políticos, contando com três milhões de apoiadores individuais e subsídios de fundações. O Greenpeace tem um estatuto consultivo geral junto do Conselho Económico e Social das Nações Unidas e é membro fundador da Carta de Responsabilização das ONGs Internacionais, uma organização não governamental internacional que pretende promover a responsabilização e a transparência das organizações não governamentais. O Greenpeace é conhecido por suas ações sociais diretas não violentas e tem sido descrito sociologicamente como uma das organizações ambientais mais visíveis do mundo. Ele elevou as questões ambientais à consciência e ao conhecimento público, e influenciou tanto o setor privado quanto o público. A organização recebeu críticas; foi tema de uma Carta Aberta per se de mais de 100 laureados com o Prêmio Nobel, instando o Greenpeace a encerrar sua campanha contra organismos geneticamente modificados (OGMs). As ações diretas da organização desencadearam processos judiciais contra o próprio Greenpeace e seus ativistas. Em março de 2025, um júri de nove pessoas do estado de Dakota do Norte considerou o Greenpeace responsável por mais de US$ 660 milhões em danos e difamação pelos protestos de Standing Rock de 2016 a 2017 contra o oleoduto Dakota Access. 

Além disso, ativistas receberam multas e penas suspensas por destruírem uma área de teste de trigo geneticamente modificado, e, de acordo com os promotores do governo peruano e a decisão do tribunal, por danificarem as Linhas de Nazca, ou Nazca são um grupo de grandes geoglifos feitos no solo do deserto de Sechura no Sul do Peru. Eles foram criados pela cultura nasca entre os anos 500 a.C. e 500 d.C. por pessoas fazendo depressões ou incisões rasas no solo do deserto, removendo seixos e deixando pó de cores diferentes exposto, portanto, um Patrimônio Mundial da UNESCO. Falando das características de forma geral, em todas as espécies as fêmeas são menores em peso e envergadura, porém, os machos são significantemente maiores por conta da sua longa cauda que é chamada de trem. A cauda ou trem dos pavões não consiste em penas de cauda propriamente ditas, mas em penas de sobre cauda muito longas. Essas longas penas possuem ocelos que são mais visíveis quando o pavão abre seu trem em leque. Ambos os sexos de todas as espécies possuem uma crista de penas acima da cabeça. Quanto aos filhotes, nas três espécies as cores são mistas. Há variação entre amarelo pálido e pardo, com manchas de cor marrom-escuro ou castanho claro e marfim. Há registros de pavoas adultas que acabaram desenvolvendo plumagem masculina e também fazendo o chamado dos machos. Embora se suspeitasse de ginandromorfismo, os pesquisadores sugeriram que “as mudanças em aves maduras são devido à falta de estrogênio de ovários velhos ou danificados, e que a plumagem e as chamadas masculinas são o padrão do defeito, a menos que este seja suprimido hormonalmente”. Os híbridos entre o pavão-azul e pavão-verde são chamados de pavão-de-spalding, em homenagem à primeira pessoa a hibridizá-los com sucesso, Keith Spalding (1913-2002).           

Ao contrário de muitos híbridos, comparativamente, os pavões-de-spalding são férteis e geralmente se beneficiam do vigor híbrido; Pavões-de-spalding com um fenótipo verde alto se saem muito melhor em temperaturas frias do que os próprios pavões-verdes naturais, que são intolerantes ao frio, enquanto ainda se parecem com seus pais verdes. A plumagem varia entre os indivíduos, com alguns parecendo muito mais com o pavão-verde e alguns parecendo muito mais com o pavão-azul, embora a maioria carregue visualmente características de ambos. Quanto ao pavão-azul, além da coloração “azul” do tipo selvagem, várias centenas de variações de cor e padrão são formas reconhecidas em separado do natural azul-indiano entre os criadores de pavões. As variações de padrão incluem: ombro sólido/preto (as listras pretas e marrons na asa são de uma cor sólida), malhado, olhos brancos (os ocelos nas penas dos olhos de um macho têm manchas brancas em vez de preto) e malhado prateado (uma ave maioritariamente branca com pequenas manchas de cor). As variações de cores incluem branco, roxo, bronze Buford, opala, meia-noite, carvão, jade e cinza, bem como as cores ligadas ao sexo: roxo, camafeu, pêssego e Violeta de Sonja. Variações adicionais de cores e padrões são aprovadas pela United Peafowl Association para se tornarem oficialmente reconhecidas como uma metamorfose entre os criadores.       

Esta região do Sul da Ásia conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. Geologicamente, a noção de subcontinente baseia-se no fato de que esta região assentar numa placa tectônica própria, separada do resto da Ásia. A parte Sul do subcontinente forma uma enorme península enquanto o Norte é composto pela cordilheira do Himalaia, que age como barreira geográfica e cultural com a China e com a Ásia Central. O nome de subcontinente indiano dado à península, muito identificado com a Índia, abrange, contudo, um território cujos limites geográficos não coincidem com aquele Estado. Apesar de não existir uma definição precisa para a região, e dos seus limites terem variado ao longo da história, em geral também são incluídos os territórios do Bangladesh, do Sri Lanka e das Maldivas, para além de partes dos Estados vizinhos do Afeganistão e da Birmânia. O Indostão, conceito regional que antecedeu o de subcontinente indiano, incluía toda a região ao Sul da Ásia Central, entre o Irã, e a China. Foi uma região de passagem de inúmeros povos e de múltiplas incursões, entre as quais se podem citar o exército de Alexandre, o Grande, as incursões mongóis de Gêngis Cã e a migração dos ciganos, entre tantos outros viajantes. Foi durante séculos região estratégica, ponto de encontro da Rota da Seda, percurso chave para a troca de mercadorias e intercâmbio cultural entre o Império Chinês e o mundo ocidental.

Com o advento geopolítico da abertura do caminho através do Oceano Índico pelos navegadores ocidentais e a abertura de novas rotas e postos de trocas de mercadoria, começa a perder parte da sua estratégica importância econômica, social e cultural. Com a expansão do Islão, parte da população converteu-se a esta religião seguindo maioritariamente a corrente sunita. Composta por diversos reinos, caracterizados pelas suas alianças tribais e às vezes circunscritos apenas ao domínio de uma cidade, com o passar dos tempos acabou fechando-se ao acesso de estranhos. Com a expansão do Império Russo no século XVIII e do Império Britânico, a sua estrutura e existência começou a ser ameaçada. Na época de Aquebar, o Indostão político ia do Afeganistão até a baía de Bengala e dos Himalaias até ao rio Godavari. Muitas vezes chamado simplesmente do Subcontinente, por ser a única região do mundo à qual esse termo é comumente aplicado, a região era conhecida no Ocidente simplesmente como “Índia” ou “Índias” até 1947, quando a partição da antiga Índia Britânica viu o território dividido entre os Estados da União da Índia e do Paquistão. A parte oriental deste último Estado seria mais tarde dividida sob o nome de Bangladesh. Muitas pessoas no Paquistão e em Bangladesh rejeitam o termo “subcontinente indiano”, acreditando que o adjetivo “indiano” deve ser aplicado apenas ao Estado atualmente da República da Índia.

O termo Hindustão seria mais apropriado devido ao seu uso histórico e origem terminológica, mas raramente é usado hoje em dia. Um nome alternativo para a região é a Ásia Meridional, embora esse nome às vezes também inclua Afeganistão e Irã, e às vezes até Birmânia. O subcontinente indiano é geologicamente delimitado dos Himalaias ao Norte e pelo Oceano Índico ao Sul. Caracteriza-se por uma linha divisória Norte-Sul entre a Planície Indo-Gangética ao Norte, que inclui os sistemas fluviais Indo, Ganges e Bramaputra, e o Planalto de Decão ao Sul, cujos principais sistemas incluem os rios Maanandim, Godavari, Krishna e Kaveri. A geografia do subcontinente confere-lhe o clima de monções mais pronunciado do mundo. A mudança sazonal na direção do vento leva a uma elevada instabilidade atmosférica com o início das monções de verão, tipicamente em junho, quando o ar quente e húmido do Oceano Índico sopra do Sudoeste. Em outubro, a direção do vento inverte-se e traz ar mais frio do Nordeste, mas tanto a intensidade como a humidade das monções de inverno são desviadas pelos Himalaias. O resultado é uma estação predominante seca. O subcontinente indiano é a região do mundo mais afetada pela poluição do ar. O diretor executivo da Greenpeace para o Sudeste Asiático, Yeb Sano, explica que “além das perdas humanas, o custo global estimado é de 225 mil milhões de dólares em custos laborais e de bilhões em custos médicos”.

O Greenpeace representou, mutatis mutandis, uma das primeiras organizações a formular um cenário de desenvolvimento sustentável para a mitigação das alterações climáticas, o que fez em 1993. De acordo com os sociólogos Marc Mormont e Christine Dasnoy, a organização desempenhou um papel significativo na sensibilização do público para o aquecimento global na década de 1990. O Greenpeace também se concentrou nos CFCs, devido ao seu potencial de aquecimento global e ao seu efeito na camada de ozono. Foi um dos principais participantes na defesa da eliminação precoce das substâncias que destroem a camada de ozono no Protocolo de Montreal. No início da década de 1990, o Greenpeace desenvolveu uma tecnologia de refrigeração sem CFC, o “Greenfreeze”, para produção em massa em conjunto com a indústria de refrigeração. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente premiou o Greenpeace por “contribuições notáveis ​​para a proteção da camada de ozônio da Terra” em 1997. Em 2011, dois quintos da produção mundial total de refrigeradores eram baseados na tecnologia Greenfreeze, com mais de 600 milhões de unidades em uso. Atualmente, o Greenpeace considera o aquecimento global o maior problema ambiental que a Terra enfrenta.

A organização defende que as emissões globais de gases de efeito estufa atinjam o pico em 2015 e diminuam o máximo possível até 2050, aproximando-se de zero. Para alcançar esses números, o Greenpeace defende que os países industrializados reduzam suas emissões em pelo menos 40% até 2020 (em relação aos níveis de 1990) e forneçam financiamento substancial para que os países em desenvolvimento construam uma capacidade energética sustentável, se adaptem às consequências inevitáveis ​​do aquecimento global e parem o desmatamento até 2020. Juntamente com a EREC, o Greenpeace formulou um cenário energético global, “Energy [R]evolution”, no qual 80% da energia total mundial é produzida com fontes renováveis ​​e as emissões do setor energético são reduzidas em mais de 80% em relação aos níveis de 1990 até 2050. Utilizando a ação direta, os membros do Greenpeace protestaram várias vezes contra o carvão, ocupando centrais elétricas a carvão e bloqueando carregamentos de carvão e operações de mineração, em locais como a Nova Zelândia, Svalbard, Austrália, e o Reino Unido. O Greenpeace também critica a extração de petróleo das areias betuminosas e utilizou a ação direta para bloquear as operações nas areias betuminosas de Athabasca, no Canadá. Em 1999, o Greenpeace Alemanha (ONG) fundou o Greenpeace Energy, uma cooperativa de eletricidade renovável que também fornecia gás fóssil aos clientes a partir de 2011.

Após uma repercussão negativa na mídia em 2021 sobre uma entidade associada ao Greenpeace que vendia combustível fóssil, o que foi descrito como greenwashing, a cooperativa mudou seu nome para Green Planet Energy. O Greenpeace Alemanha mantém uma participação na cooperativa, que tem sido criticada por praticar greenwashing com gás russo. Em outubro de 2007, seis manifestantes do Greenpeace foram presos por invadir a usina elétrica de Kingsnorth, em Kent, Inglaterra; escalar a chaminé de 200 metros, pintar o nome Gordon na chaminé (em referência ao ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown) e causar um prejuízo estimado em £30.000. No julgamento subsequente, eles admitiram ter tentado paralisar a usina, mas argumentaram que estavam legalmente justificados, pois tentavam impedir que as mudanças climáticas causassem danos ainda maiores à propriedade em outras partes do mundo. Depuseram o conselheiro ambiental de David Cameron, Zac Goldsmith, o cientista climático James E. Hansen e um líder inuit da Groenlândia, todos afirmando que as mudanças climáticas já estavam afetando seriamente a vida em todo o mundo. Os seis ativistas foram absolvidos. Este foi o primeiro caso em que a prevenção de danos materiais causados ​​pelas mudanças climáticas foi usada como parte de uma defesa de “justificativa legal” em um tribunal. Tanto o The Daily Telegraph como o The Guardian descreveram a absolvição como um embaraço para o Ministério Brown. Em dezembro de 2008, o The New York Times incluiu a absolvição na sua lista anual das ideias mais influentes do ano.

Bibliografia Geral Consultada.

BENJAMIN, Walker, Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism. London: Editor Allen & Unwin, 1968; BUITENEN, Johannes Adrianus Bernardus van; DIMMITT, Cornelia, Classical Hindu Mythology: A Reader in the Sanskrit Purãnas. Philadelphia: Editor Temple University Press, 1978; DARWIN, Charles, La Expresión de las Emociones en los Animales y en el Hombre. Madrid: Editorial Alianza, 1984; ANDERSON, Margaret  Jean, Carls  Linnaeus. Springfield: Enslow Publishers, 1997; COSTA, Edilson da, A Impossibilidade de uma Ética Ambiental: O Antropocentrismo Moral como Obstáculo ao Desenvolvimento de um Vínculo Ético entre o Ser Humano e Natureza. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2007; MARX, Karl & ENGELS, Friedrich, La Condizione Postcoloniale: Storia e Politica nel Presente Globale. Verona: Ombre Corte Edizioni, 2008; CUNHA, Luciano Carlos, O Consequencialismo e a Deontologia na Ética Animal: Uma Análise Crítica Comparativa das Perspectivas de Peter Singer, Steve Sapontzis, Tom Regan e Gary Francioni. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; VELOSO, Maria Cristina Brugnara, A Condição Animal: Uma Aporia Moderna. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2011; SEGATA, Jean, Nós e os Outros Humanos, os Animais de Estimação. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; MAGALHÃES, Fernanda Cândido, A Teoria da Evolução de Charles Darwin e sua Representação Social Contemporânea. Tese de Doutorado em Psicologia.  Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. Centro de Educação e Humanidades. Instituto de Psicologia. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013; INGLIS-ARKELL, Esther, “The Long-running Mystery of Why Birds Seemingly Change Sex”. Disponível em: https://gizmodo.com/07/05/2013; FAUTH, Juliana de Andrade, Sujeitos de Direitos não Personalizados e o Status Jurídico Civil dos Animais não Humanos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2016; DIMITROVA, Stefania, The Day of Brahma. The Myths of India - Epics of Human Destiny. Published: Alpha-Omega, 2017; Artigo: “Colorido ou Branco, o Pavão Transforma a Plumagem em Espetáculo Visual”. Disponível em: https://www.opovo.com.br/agencia/flipar/2026/01/14/; entre outros.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Yasunari Kawabata - Beleza-Tristeza & Movimento Literário Japonês.

                                                                 Uma única flor contém mais brilho do que cem flores”. Yasunari Kawabata                                  

        

          Yasunari Kawabata foi um escritor japonês, o primeiro de seu país a ser galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1968. A vida de Yasunari Kawabata foi marcada desde cedo por acontecimentos trágicos e pela solidão. Filho de um médico culto, ele se tornou órfão de ambos os pais com apenas quatro anos de idade, tendo sido então criado no campo por seus avós paternos. Ele tinha uma irmã mais velha, a qual foi entregue aos cuidados de uma tia, mas eles se conheceram somente mais tarde, em julho de 1909, quando Kawabata tinha dez anos de idade, e ela veio a falecer no ano seguinte. Com sete anos em setembro de 1906 perdeu sua avó e, com catorze anos em maio de 1914, o avô. Tendo perdido todos os seus parentes mais próximos, Kawabata se mudou para a família de sua mãe, os Kurodas, porém acabou matriculado em um internato próximo da escola de ensino secundário a que ele outrora ia de trem. Akihiko Kuroda, é um pintor japonês radicado em Paris, França. Aki Kuroda, conhecido por suas silhuetas e figuras pintadas com traços de linhas, que tem sido considerado um símbolo de “passagem” para o labirinto. Durante o tempo em que frequentava o liceu científico, optou por se tornar escritor após escrever alguns contos; antes disso, quando era criança, desejava se dedicar à pintura. Em 1921, fundou a revista Xin-Xicho (Pensamento Novo) e, juntamente com Riichi Yokomitsu (1898-1947) um romancista japonês, pertencente ao modernismo experimental. 

           Riichi Yokomitsu começou a publicar dōjinshis como Machi e , após entrar na Universidade de Waseda em 1916. O pioneiro entre os dōjinshis foi Meiroku Zasshi, de língua japonesa que circulou durante no início da Era Meiji desde 1874. Não era uma revista literária de fato, Meiroku Zasshi, teve um grande papel de sociabilidade na divulgação da ideia de dōjinshisA primeira revista dōjinshi a publicar romances foi Garakuta Bunko, fundada em 1885 pelos escritores Ozaki Kōyō (1868-1903) e Yamada Bimyō (1868-1910). A publicação de dōjinshis atingiu o seu pico no início do Período Shōwa, um porta-voz para a juventude criativa de seu tempo. Criado e distribuído em pequenos círculos de autores ou entre amigos próximos, os dōjinshis contribuíram significativamente para o surgimento e desenvolvimento do gênero shishōsetsu. É um estilo literário japonês em que o romance é escrito na primeira pessoa, incorporando elementos autobiográficos. Este gênero foi criado com base na recepção japonesa do naturalismo, durante o período Taishō. Desnecessário dizer que foi período ou Era do Japão. Ocorreu de 30 de julho de 1912 até 25 de dezembro de 1926, durante o reinado do Imperador Taishō. A forma reflete o conhecimento de si, per se perceptível de apreender uma maior individualidade através de um método de escrita menos constrangido. Desde o seu início, o “Eu-romance” é um gênero que também expôs o lado obscuro da sociedade ou da vida do autor. Existem várias regras gerais normativamente para a criação de uma obra neste estilo: A história deve permanecer no reino natural e deve ser completamente realista. A ideia é provar que a linguagem humana não é transparente e uma experiência real pode ser completamente retratada com a linguagem. 

        A fórmula do protagonista deve ser protagonista-autor-herói, portanto, o autor deve ser o protagonista da história também deve expressar um grande conhecimento de literatura e referenciar o maior número de obras de referência em relação aos sentimentos de um personagem. A escrita não deve ser muito elaborada. A observação da natureza encontra o conceito realizado na natureza inorgânica; sob a forma de leis cujos momentos são coisas que ao mesmo tempo se comportam como abstrações. Mas esse conceito não é uma simplicidade refletida em si mesma. Ao contrário, a vida da natureza orgânica é somente essa simplicidade em si mesma refletida. A oposição em si mesma, como oposição do universal e do singular, não se decompõe na essência da vida humana. A essência não é o gênero que se separe e se mova em seu elemento carente-de-diferenças, e que ao mesmo tempo permaneça para si mesmo indiferenciado em sua oposição. A oposição só encontra esse conceito livre, desde Friedrich Hegel, cuja universalidade contém em si mesma, de modo igualmente absoluto, a singularidade desenvolvida, só no próprio conceito existente como conceito, ou na consciência-de-si. Retornando agora a si mesma, e dirigindo-se ao conceito que é efetivo enquanto livre, a observação encontra primeiro as leis do pensar. Essa singularidade - que nele mesmo é o pensar - é o movimento abstrato do negativo, movimento de todo retraído para dentro da simplicidade; e as leis ficam fora da realidade. Não têm nenhuma realidade não significando outra coisa que: as leis são sem verdade. 

                                            


        Mas se não devem ser a verdade total, que pelo menos sejam a verdade formal. Só que o puro formal da realidade é o ente-de-razão, ou a abstração vazia, sem ter nela cisão - que não seria outra coisa que o próprio conteúdo. De outro lado, essas leis são leis do puro pensar. Ora, sabemos que o pensar é o universal em si, e, portanto, um saber que tem nele o ser, imediatamente; e no ser toda a realidade. Por isso tais leis são conceitos absolutos, e são indivisamente as essencialidades tanto da forma quanto das coisas. Uma vez que a universalidade, movendo-se em si, é o conceito simples que é cindido - o conceito dessa maneira tem conteúdo em si, e justamente um que é todo o conteúdo; só não é um ser sensível. É um conteúdo que não está em contradição com a forma, nem, de modo algum, separado dela. Ao contrário: é essencialmente a própria forma, já que essa não é outra coisa que o universal se separando em seus momentos puros. Essa forma ou conteúdo - tal como é para a observação como observação - recebe a determinação de um achado, dado; quer dizer um conteúdo apenas essente. Torna-se um calmo ser de relações, um grande número de essencialidades, que como conteúdo fixo em si e para si devem ter verdade em sua determinidade, e assim são de fato subtraídas à forma. Mas essa verdade absoluta de determinidades fixas, ou de múltiplas leis diversas, contradiz a unidade da consciência de si, a unidade do pensar e da forma em geral. 

        O que é enunciado como lei fixa e permanente em si pode ser a unidade refletindo-se em si, e surgir apenas como uma grandeza evanescente. Porem quando essas leis são arrancadas, pela operação que as examina, a esse conjunto coeso do movimento e expostas isoladamente, o conteúdo não lhes vem a faltar, pois têm nelas um conteúdo determinado; o que lhes falta é antes a forma, que é sua essência. Em sua verdade, como momentos evanescentes na unidade do pensar, deveriam ser tomadas como saber, ou como movimento pensante, mas não como leis do saber. Mas o observar não é o saber mesmo, e não o conhece; ao contrário, inverte a natureza do saber dando-lhe a figura do ser, isto é, só entende a sua negatividade como leis do ser, na qual essas leis se mostram como em verdade são, a saber como momentos singulares evanescentes cuja verdade é tão somente o todo do movimento: o próprio saber. No primeiro caso, o espírito se comporta negativamente para consigo mesmo, enquanto singularidade; no outro caso, negativamente para consigo, enquanto universal. Conforme o primeiro lado, a independência só confere ao encontrado a forma da individualidade consciente em geral, e, no que respeita o conteúdo, permanece no interior da efetividade universal encontrada. Mas, conforme o outro lado, a independência confere a essa efetividade ao menos uma modificação peculiar, que não contradiz seu conteúdo essencial, ou seja, uma modificação pela qual o indivíduo, como efetividade especial e como conteúdo peculiar, se opõe àquela efetividade universal.

Essa oposição vem a tornar-se crime quando o indivíduo suprassume essa efetividade de uma maneira apenas singular; ou vem a tornar-se outro - outro direito, outra lei e outros costumes, produzidos em lugar dos presentes, quando o indivíduo o faz de maneira universal para todos. No processo social de comunicação existem momentos em que se prefere ignorar algo que ocorre ao nosso redor para evitar um conflito de opiniões. Não se pode confundir as práticas dos rituais com seu sentido. A palavra particularizada é uma prática pela qual optamos em diversas situações em nossas vidas e, independente do motivo que nos leva a praticá-la. Isso acontece com uma frequência maior do que gostaríamos de admitir nas Instituições que são em sua essência moral ou política. A palavra seletiva pode decorrer de um efeito social coletivo que produz insegurança ou arrogância. Quando manifestada pode causar desmotivação sobre aquele que é atingido e, posteriormente, o desengajamento social. O indivíduo que foi acometido por essa surdez seletiva da palavra corre o risco de eventualmente não validar no processo a relação entre o meio e a mensagem. Ocasionando em perda que fez com que o indivíduo não ouvisse o outro o que não permite aceitar o erro, ficando o fardo dentre aqueles que passam por um constrangimento nessa experiência vital. O individualismo é um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo frente a uma determinada sociedade ou ao Estado. Opõe-se a toda autoridade ou controle sobre os indivíduos e coloca-se em total oposição ao coletivismo, no que concerne à propriedade intelectual. O individualista pode permanecer dentro da sociedade e de organizações socialmente que tenham o indivíduo como valor básico.

 As organizações e sociedades contraditoriamente, carreguem outros valores, não necessariamente individualistas, pois não são necessariamente o elo que cria um estado de permanente tensão entre o indivíduo e essas instâncias de vida social. O exercício da liberdade individual implica escolhas, que, nas sociedades contemporâneas, frequentemente estão associadas a um determinado projeto. Indivíduos desenvolvem seus projetos dentro de um campo de possibilidades e dado um certo repertório sociocultural - que inclui ideologias, visões de mundo e experiências de classe, grupos, ethos ou castas, dimensões nas quais o indivíduo se insere. Nas sociedades contemporâneas, uma vez que o indivíduo se constitui na relação com o outro e em função de várias experiências e papéis sociais, participando de vários mundos, a sua personalidade não é um monólito: o indivíduo não é um mas representa muitos, em função de suas circunstâncias. Historicamente fora preciso definir o indivíduo, destacando-o da esfera comparativamente do coletivo que seguramente o constitui e lhe dá sentido. O individualismo remonta ao contrato social e às origens do pensamento democrático, com Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau e a rejeição do poder político legitimado pelo direito de dinástico herança ou pela vontade divina. Consolida-se assim a concepção de indivíduo na sociedade como um ser uno, livre e responsável por seus próprios atos, nascendo o cidadão moderno, célula mínima do Estado democrático, que lhe garante contratualmente direitos e deveres.

Os primeiros Watakushi shosetsu são possivelmente “Hakai” (1906) por Toson Shimazaki e “Futon” (1907) por Katai Tayama. Em Hakai, Toson descreveu um homem que nasceu membro de um segmento discriminado da população (burakumin), e como ele decidiu violar o mandamento de seu pai para não revelar a sua comunidade de nascimento. Em Futon, Tayama confessou a sua afeição por uma aluna.  Dentre os escritores deste estilo citem-se Osamu Dazai ou Kenzaburo Oe. Durante os anos do pós-guerra, os dōjinshis diminuíram gradualmente em importância como saídas para diferentes escolas literárias e novos autores. O seu papel foi assumido por revistas literárias como Gunzo, Bungakukai entre outros. Uma exceção notável foi Bungei Shuto (Capital literário), que foi publicado de 1933 até 1969. Poucas revistas dōjinshi sobreviveram com a ajuda de revistas literárias oficiais. Revistas de haikais e tanka ainda são publicados. É um termo japonês para publicações independentes, geralmente revistas, mangás ou romances. O termo é comumente traduzido como fanzine, que também identifica revistas independentes. Os dōjinshis são a principal parte do mercado de publicações independentes japonesas relacionadas aos mangás, animês e games. Ipso facto, criou um jornal de letras – Bungei Jidai (Anos Literários), visando a promover um novo movimento literário, o Xinkankakuha (Sensações Literárias), que tinha como principais preocupações, segundo os autores, a apresentação extraordinária de novas sensações na literatura, considerando a arte pura como missão primordial do escritor. Esse mercado, de acordo com a agência de pesquisa Media Create, movimentou, em 2007, 700 milhões de dólares, só no Japão. A maior parte dessas publicações japonesas é feita por fãs, e coloca personagens já reconhecidos do público consumidor de séries de mangás, animês ou jogos em situações novas, sejam elas coerentes ou não com as suas histórias de origem. 

Existe, porém, um número bastante grande de autores de dōjinshis que publicam também mangás originais, com personagens e histórias criadas por eles mesmos. Prêmio Nobel de Literatura (Nobelpriset i litteratur) é um prêmio literário sueco que é concedido anualmente, desde 1901, a um autor de qualquer país que, nas palavras da vontade do industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896), produziu “no campo da literatura o trabalho mais notável em uma direção ideal”. Embora os trabalhos individuais sejam às vezes citados como particularmente “dignos de nota”, o prêmio é baseado no conjunto da obra analisada de um autor como um todo. A Academia Sueca é responsável por escolher o ganhador do prêmio e anunciar os nomes dos laureados, no início de outubro. É um dos cinco Prêmios Nobel estabelecidos pela vontade de Alfred Nobel em 1895. Embora o Prêmio Nobel de Literatura tenha se tornado o prêmio literário de maior prestígio do mundo contemporâneo, a Academia Sueca tem atraído críticas significativas por seu tratamento do prêmio, principalmente pelas escolhas dos laureados e das indicações, sendo acusada de ter viés político, eurocentrismo e más escolhas envolvendo a premiação. Alfred Nobel estipulou em seu testamento que seu dinheiro seria usado para criar uma série de prêmios para aqueles que conferem o “maior benefício para a humanidade” em física, química, paz, fisiologia ou medicina e literatura.

Embora Nobel tenha escrito vários testamentos durante sua vida, o último foi escrito pouco mais de um ano antes de sua morte e assinado no Clube Sueco-Norueguês em Paris em 27 de novembro de 1895. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, o equivalente a 198 milhões de dólares ou 176 milhões de euros em 2016, para estabelecer e dotar os cinco prêmios Nobel. Devido ao nível de ceticismo em torno do testamento, só em 26 de abril de 1897 foi aprovado pelo Storting, o Parlamento da Noruega. Os executores de seu testamento foram Ragnar Sohlman e Rudolf Lilljequist, que formaram a Fundação Nobel para cuidar da fortuna de Alfred Nobel e organizar os prêmios. Os membros do Comitê Nobel Norueguês que deveriam conceder o Prêmio da Paz foram nomeados logo após a aprovação do testamento. As organizações que fariam a premiação foram: o Instituto Karolinska em 7 de junho, a Academia Sueca em 9 de junho e a Academia Real das Ciências da Suécia em 11 de junho. A Fundação Nobel chegou então a um acordo sobre as diretrizes de como o Prêmio Nobel deveria ser concedido. Em 1900, os estatutos da Fundação Nobel foram promulgados pelo rei Óscar II. Todos os anos, a Academia Sueca envia pedidos de nomeação de candidatos ao Prêmio Nobel de Literatura. Membros da Academia e sociedades de literatura, professores de literatura e línguas, ex-laureados com o Nobel de Literatura e presidentes de organizações de escritores podem indicar um candidato, porém não é permitido autoindicar-se.  O Museu de Literatura de Kamakura (Kamakura Bungakukan) é um pequeno museu na província de Kanagawa, localizada na parte centro-leste da Ilha de Honshū, Japão.       

A província é dividida em cidades e distritos. A capital da província de Kanagawa é a cidade de Yokohama, que é subdividida em 18 bairros. A província de Kanagawa faz fronteira com a província de Tóquio ao Norte, a província de Yamanashi a Oeste e a província de Shizuoka a Sudoeste. A área costeira chama-se Shōnan e é banhada pela Baía de Sagami. Ela forma uma península no Sudeste, chamada Península de Miura que abriga materiais relacionados a escritores que viveram, morreram ou atuaram na cidade de Kamakura. O museu exibe objetos pessoais, manuscritos, primeiras edições e documentos pertencentes a mais de cem escritores da literatura japonesa, incluindo Soseki Natsume, um escritor e filósofo japonês da era Meiji. Ele é mais conhecido em todo o mundo por seus romances Kokoro, Botchan, I Am a Cat e seu trabalho inacabado Light and Darkness. Ele também foi um estudioso da literatura britânica e compositor de haicais, kanshi e contos de fadas e Yasunari Kawabata, bem como o cineasta Yasujiro Ozu, um diretor de cinema e roteirista japonês. Ele começou sua carreira durante a era do cinema mudo e seus últimos filmes foram a cores. Ozu primeiro fez uma série de comédias curtas, antes de temas mais sérios na década de 1930. Casamento e família, especialmente as relações entre as gerações, estão entre os temas em sua obra. Suas obras de maior evidência incluem Banshun (1949), Bakushū (1951), Tōkyō Monogatari (1953), e Ukigusa (1959). Sua reputação continuou a crescer desde a sua morte, e ele é amplamente considerado como um dos diretores mais influentes do mundo. Na pesquisa da Sight & Sound de 2012, o filme Tōkyō Monogatari de Ozu foi eleito o terceiro melhor filme de todos os tempos pelos críticos em todo o mundo. Tōkyō Monogatari foi considerado o melhor filme de todos os tempos por 358 realizadores e cineastas ao redor do globo.

        Nessa revista publicou, em 1926, Izu no Odoriko, uma história que explorava o erotismo do amor juvenil, com imagens líricas inspiradas em escrituras budistas e poetas medievais japoneses. Iniciara, porém, sua carreira como escritor com narrativas breves, mais tarde denominadas Tanagokoro no shôsetsu (“Contos da Palma da Mão”), e considerado um gênero típico de Kawabata. Em 1931, já casado, mudou-se para Kamakura, antiga capital dos samurais, ao Norte de Tóquio. O seu primeiro romance foi Yukiguni (“Terra de Neve” em Portugal e “O País das Neves” no Brasil), começado em 1934 e publicado gradualmente de 1935 a 1937. Relata a história de amor entre um homem diletante da cidade de Tóquio e uma gueixa de uma povoação remota onde este encontra um refúgio do stress da sua vida citadina. Este romance colocou Kawabata imediatamente na posição de um dos escritores japoneses mais importantes e promissores, tornando-se o romance num clássico instantâneo considerado uma das suas mais importantes obras-primas. Apesar de, durante a 2ª guerra mundial (1939-1945), ter permanecido neutro, após o final da guerra, no fim dos anos 1960, engajou-se em manifestações políticas, participou de campanhas de candidatos conservadores e condenou a Revolução Cultural chinesa. Iniciou em 1949 a série “Mil Garças”, em que constam o célebre Senbazuru (“Nuvens de Pássaros Brancos”), e Yama no Oto (“O Som da Montanha”). Outras obras suas são Nemurero Bijo (“A Casa das Belas Adormecidas”), Utsukushisa to Kanashimi to (“Beleza e Tristeza”) e Koto (“Kyoto” em Portugal). No entanto o romance que Kawabata considerava ser o seu melhor foi Meijin, publicado entre 1951 e 1954. É um título excepcional, o culminar de uma vida dedicada e sacrificada à arte, por vezes associado à noção de um ser divino, uma imagem simbólica usada para melhor transmitir o valor e a riqueza daquele que detém este título honroso.

O termo Meijin significa “grande mestre”, “grande homem realizado”, “ser excepcional”. Era um título frequentemente concedido postumamente no koryū do Japão antigo. Kawabata foi ainda membro da Academia Imperial e presidente do Pen Club do Japão, atuando em várias reuniões internacionais de escritores. A historiografia do Japão tem como representação social o estudo dos métodos e hipóteses realizadas no estudo e na escrita da história do Japão. A primeira produção escrita sobre a história do Japão é atribuída ao Príncipe Shōtoku, reconhecido também como Príncipe Umayado ou Príncipe Kamitsumiya, foi um regente semi-lendário e político influente do período Asuka, no Japão sob o domínio da Imperatriz Suiko. Era filho do Imperador Yōmei e sua consorte, a princesa Anahobe no Hashihito, que também era sua meia-irmã que teria composto o Tennōki e o Kokki em 620. No entanto, o primeiro trabalho de história reconhecido, o Kojiki, data de 712, seguido em 720 pelo Nihon shoki. Essas duas obras formam a base da história japonesa, em grande parte mítica, que também servirá para a formação da mitologia xintoísta. Inspiradas na historiografia chinesa, essas obras foram escritas com o apoio do Estado japonês. O Nihon shoki é complementado por cinco outras obras publicadas entre 797 e 901, reconhecidas coletivamente como Seis Histórias Nacionais (Rikkokushi). O período que se estende a partir do século IX até ao século XVI é marcado pelo abandono da tradição chinesa para a escrita da história e do apoio do Estado japonês. 

Nesse período são escritos diversos contos históricos (Rekishi monogatari) e contos de guerras (Gunki monogatari) de grande popularidade, tais como Quatro espelhos (Shikyō), escrito entre os séculos XI-XIV e o Heike monogatari (1371). Esses relatos históricos e etnográficos são complementados por outras formas artísticas, como o teatro Noh ou o emaki é uma forma clássica de teatro profissional japonês que combina canto, pantomima, música e poesia. Executado desde o século XIV, é uma das formas mais importantes do drama musical clássico japonês. No início do período Edo, a preeminência de escolas neo-confucionistas, como o Hayashi e a escola de Mito, marcou uma nova metodologia histórica, que era muito crítica a obras como o Kojiki, mas que, contudo, mantinha os alicerces da teoria do mandato do céu. Em meados do século XVIII observa-se o retorno da escola nativista (Kokugaku), de inspiração xintoísta. Liderada pelas obras de Motoori Norinaga, um estudioso de Kokugaku japonês ativo durante o período Edo. Ele é convencionalmente classificado como um Quatro Grandes Homens de Kokugaku. As obras mais importantes de Norinaga incluem o Kojiki-den (Comentários sobre o Kojiki), durante de um período de cerca de 35 anos, e as suas anotações no Conto de Genji. Usando os métodos de Kokugaku e Kaozheng, Norinaga afirmou que o Kojiki era o texto japonês mais antigo que ainda existia.

 Ele usou a suposta antiguidade do Kojiki para desenvolver uma ideia da religião, leis e religião nativas japonesas que mais tarde foram usadas no desenvolvimento da ideia do xintoísmo estatal. As obras mais importantes de Norinaga incluem o Kojiki-den, historicamente desenvolvida ao longo de um período de cerca de 35 anos, e as suas anotações no Conto de Genji. Ela opõe-se aos neo-confucionistas ao procurar demonstrar a veracidade da mitologia xintoísta, em particular a existência da Era dos Deuses e dos primeiros imperadores. A partir do final do século XVIII, houve a combinação e abertura da historiografia japonesa às práticas historiográficas ocidentais. O Rangaku, traduções de obras europeias realizadas em meados do século XIX, e o contato social direto com a historiografia alemã, via de Ludwig Riess (1861-1928) historiador, escritor e educador nascido na Alemanha em 1887, que primordialmente trouxeram novas ferramentas analíticas para as várias escolas históricas japonesas que emergiram em seu tempo. Enquanto se instala o Império do Japão, os historiadores questionam, arriscando as suas preciosas liberdades acadêmicas, conquanto os mitos nacionais serviam de fundamento ideológico do regime. As ideias marxistas, presentes desde a década de 1920 e renovadas pela obra de Hisao Ōtsuka, ganharam novo fôlego após a Guerra Mundial. A partir da década de 1970, houve uma notável diversificação dos temas de pesquisa, acompanhada pelo ressurgimento de abordagens conservadoras e até mesmo nacionalistas.

Yasunari Kawabata (1899-1972) em 1920 ingressou na Universidade Imperial de Tóquio. É uma instituição tradicional fundada pelo governo Meiji em 1877 com seu nome atual, fundindo escolas governamentais mais antigas de medicina, vários estudiosos tradicionais e ensino moderno. Ela foi rebatizada de Universidade Imperial (Teikoku daigaku) em 1886, e depois Universidade Imperial de Tóquio (Tōkyō teikoku daigaku) em 1897, quando o sistema de Universidade Imperial foi criado. Em setembro de 1923, um terremoto e os subsequentes incêndios destruíram cerca de 700 mil volumes da Biblioteca da Universidade Imperial. Os livros perdidos incluíam a Biblioteca Hoshino (Hoshino bunko), uma coleção de cerca de 10 mil livros. Eles pertenciam anteriormente ao historiador japonês Hoshino Hisashi (1839-1917) antes de se tornarem parte da biblioteca da universidade e eram principalmente sobre filosofia e história chinesas. Foi um historiador, erudito e educador japonês do período Meiji, reconhecido por sua contribuição à compilação do Dai Nihon Shiryo e por promover o Confucionismo no sistema educacional moderno do Japão. Hoshino Hidetoshi foi nomeado professor na Universidade Imperial de Tóquio em 1888. Os trabalhos históricos eram realizados por um departamento governamental encarregado da redação da história oficial do Japão, mas em 1888 decidiu-se transferir essa atividade para a universidade. Hoshino, Kume Kunitake e Shigeno Yasutsugu foram os três primeiros professores de história nomeados.

Hoshino e Kume divergiam quanto ao tratamento histórico da mitologia japonesa: Hoshino sustentava que a Era dos Deuses era um período histórico real, no qual eventos concretos ocorreram e foram registrados, enquanto Kume argumentava que os mitos fundacionais eram alegóricos e defendia uma abordagem mais cética e científica da história. Ainda assim, Hoshino, Kume e Shigeno compartilhavam a crença geral de que a história deveria seguir um enfoque mais erudito e científico, e Hoshino uniu-se aos colegas nas críticas analíticas ao destaque dado aos mitos heroicos na história japonesa.  Após Kume criticar o xintoísmo estatal em um artigo publicado em 1892, considerado ofensivo pelo governo imperial, ele foi expulso da universidade, e o Departamento de História Japonesa foi fechado. O encerramento do departamento pode ter sido também resultado do desinteresse crescente do governo pelo projeto de escrever uma grande história do Japão, especialmente uma redigida em kanbun. O governo recriou um Instituto de História na Universidade Imperial de Tóquio em 1895, e reconduziu Hoshino como seu primeiro diretor. Esse novo departamento, que mais tarde se tornaria o Instituto Historiográfico da Universidade de Tóquio, recebeu uma missão mais restrita, voltada exclusivamente à compilação de documentos históricos, e não mais à redação de uma história geral do Japão. Hoshino desaprovava a limitação do escopo, pois continuava sendo um dos poucos defensores da elaboração de uma grande história em kanbun.

Apesar disso, atuou como o primeiro diretor do Instituto, de 1895 a 1899. Hoshino lecionou história e ética confucionista desde a fundação da Universidade Imperial de Tóquio em 1877, formando gerações de burocratas. Seu curso intitulado Kokushi Gairon (Introdução à História Nacional) era obrigatório para os estudantes da Faculdade de Direito. Ele participou da comissão responsável pela redação do Rescrito Imperial sobre a Educação (1890), documento que incorporou valores confucionistas, como lealdade e hierarquia, ao sistema escolar moderno. Hisashi defendia o ensino da história como uma ferramenta de formação moral e patriótica, ideia que influenciou profundamente os livros didáticos da Era Meiji. O feudalismo japonês, que surgiu como um modo de produção desenvolvido a partir do século XIX-XV e após um longo período de incubação, caracterizava-se essencialmente pela mesma conexão fundamental do feudalismo europeu: a fusão de vassalagem, benfeitoria e imunidade num sistema de feudo que constituía a estrutura político-jurídica de base que permitia a extração ao produtor direto de um sobre-trabalho. As relações sociais entre serviço militar, propriedade fundiária condicional e jurisdicional senhorial reproduziram-se fielmente no Japão.

Igualmente perante a hierarquia escalonada entre senhor, vassalo e sub-vassalo, constituindo uma cadeia de suserania e dependência. A classe dirigente hereditária, era formada por uma aristocracia de cavaleiros; o campesinato encontrava-se juridicamente vinculado ao solo, numa réplica próxima da servidão da gleba. Naturalmente, o feudalismo japonês possuía também características próprias locais, que contrastavam com o feudalismo europeu. As condições técnicas da cultura do arroz ditavam uma estrutura diferente das aldeias, de que era ausente o sistema se assolamento trienal. Por sua vez, o domínio senhorial japonês raramente continha uma reserva ou residência. O pacto feudal era menos contratual e específico do que na Europa: os deveres do vassalo eram mais imperativos. Dentro do peculiar equilíbrio entre honra e subordinação, reciprocidade e desigualdade, que marcava a ligação feudal, a variante japonesa pendia acentuadamente para o segundo termo. Embora a organização clânica estivesse ultrapassada, como em todas as verdadeiras formações sociais feudais, o expressivo “código” da relação senhor-vassalo era ditado pela linguagem de parentesco, mais do que por elementos da lei: a autoridade do senhor sobre o seu subalterno era mais patriarcal e indiscutível do que na Europa. Era-lhe estranho o conceito de felonia senhorial; não havia tribunais de vassalos; e o sistema jurídico manteve-se de uma maneira geral, muito limitado.

 A mais importante das consequências gerais do maior autoritarismo e do conteúdo assimétrico das relações hierárquicas entre os senhores no Japão foi a ausência de um sistema de cortes, quer a nível regional, que a nível nacional. É esta sem dúvida a mais importante linha divisória ente os feudalismos japonês e europeus, considerados enquanto estruturas fechadas. Na realidade, essa parcelarização da soberania atingiu no Japão Tokugawa uma forma mais organizada, estável e sistemática do que jamais conheceu qualquer país da Europa; e a propriedade privada escalonada da terra foi universal no Japão do que na Europa medieval, já que o Japão rural desconhecia os alódios. O paralelismo de base entre as duas grandes experiências nacionais, nos extremos opostos do continente eurasiano, havia de receber a confirmação mais convincente do destino de cada uma delas. Os caracteres históricos e sociais que compõem o nome Japão significam “Origem do Sol”, razão pela qual o Japão é muitas vezes identificado como a “Terra do Sol Nascente”. O nome japonês Nippon é usado de forma oficial tradicional, inclusive no dinheiro japonês, selos postais e para muitos eventos esportivos internacionais. Nihon é um termo percebido senso mais casual e mais frequentemente utilizados no discurso contemporâneo. Tanto Nippon quanto Nihon, significam “origem do Sol” e são traduzidos como a “Terra do Sol Nascente”. Esta nomenclatura vem das missões do Império com a dinastia chinesa Sui e refere-se à posição a Leste do Japão em relação à China.

Foi durante o século XVI que comerciantes e missionários portugueses chegaram ao Japão pela primeira vez, dando início a um intenso período de trocas linguísticas, culturais e comerciais. No Japão, os portugueses praticaram pari passu o comércio e a evangelização. Os missionários, principalmente os sacerdotes da Companhia de Jesus, levaram a cabo um intenso trabalho disciplinar de missão em cerca de 100 anos de presença portuguesa no Japão. Em 1582 a comunidade cristã no país chegou a ascender a 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas. Toyotomi Hideyoshi deu continuidade ao governo de Oda Nobunaga e unificou o país em 1590. Depois da morte de Hideyoshi, o regente Tokugawa Ieyasu aproveitou-se de sua posição para ganhar apoio político e militar. Quando a oposição deu início a uma guerra, ele a venceu em 1603 na Batalha de Sekigahara. Tokugawa fundou um novo xogunato, um sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, com capital em Edo e expulsou os portugueses e restantes estrangeiros, dando início concomitantemente à perseguição dos católicos no país, tidos como subversivos, com uma política reconhecida como sakoku, isto é, a política externa isolacionista japonesa. A perseguição aos cristãos japoneses fez parte desta política, in statu nascendi levando esta comunidade à conversão autoritária forçada ou mesmo à morte, como é o caso dos 26 Mártires do Japão. 

Neste período o Japão era uma sociedade feudal bem desenvolvida com tecnologia pré-industrial. Era mais povoado do que qualquer país ocidental e tinha 26 milhões de habitantes no século XVI. Um fato social ainda mais revelador, é que o Japão do fim do feudalismo reconheceu um nível de urbanização sem equivalente, exceto na Europa contemporânea: no princípio do século XVIII, a sua capital, Edo, era maior do que Londres ou Paris, e talvez um em cada dez japoneses vivia em cidades de mais de 10 mil habitantes. E há que notar também que o esforço educacional do país suportava bem a comparação com as mais desenvolvidas nações da Europa ocidental: no limiar da “abertura” japonesa ao Ocidente, cerca de 40% a 50% da população masculina adulta estava alfabetizada. O êxito e a rapidez impressionantes com que o capitalismo industrial foi implantado no Japão pela restauração Meiji tiveram os seus pressupostos históricos determinados no avanço ímpar da sociedade que foi herdeira do feudalismo de Tokugawa. Quando a esquadra da Perry aportou a Yokohama, em, 1853, o fosso histórico entre o Japão e as potências euro-americanas que o ameaçavam era, apesar de tudo, enorme. A agricultura japonesa encontrava-se notavelmente comercializada ao nível da distribuição, mas muito menos ao nível da própria produção. 

Os tributos feudais, coletados em espécie, contavam ainda para o total do sobre-produto, embora acabassem por ser convertidos em moeda: a produção agrícola direta para o mercado era subsidiária dentro da economia. Sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, baseado na crescente autoridade do xógum, supremo líder militar, que terminaria por submeter até mesmo a autoridade do imperador. A retomada do poder imperial determinou o encerramento do feudalismo baseado no xogunato, a abertura do país ao exterior e o início de sua ocidentalização. A distância política neste aspecto histórico e social entre o Japão e o continente europeu as duas pátrias do feudalismo, manifestava e simbolizava a profunda divergência nas suas evoluções históricas. Torna-se necessária e instrutiva uma comparação teórica e histórica não da “natureza”, mas da “posição” do feudalismo em cada uma destas trajetórias sociais e políticas. Em outras palavras, nada de comparável ao Renascimento tocar em terra japonesa. É lógico que a estrutura do Estado tivesse uma forma rígida e fragmentária. O Japão teve uma longa e rica experiência de feudalismo, mas nunca produziu um absolutismo no sentido conceitual. 

O shogunato Tokugawa, que governou as ilhas durante os últimos duzentos e cinquenta anos da sua existência, até a intrusão do ocidente industrializado, assegurou uma paz prolongada e manteve uma ordem disciplinar rigorosa: o seu regime era, porém, a negação do Estado absolutista. O shogunato não mantinha monopólios coercivos no Japão: os senhores regionais mantinham os seus próprios exércitos, cujo total era superior aos das tropas da casa Tokugawa. Não impunha uma legislação uniforme, os seus decretos cobriam apenas um quinto ou um quarto do território. Não possuía uma administração competente para o total da sua área de suserania: todos os feudos importantes tinham as suas próprias administrações separadas e autônomas. Não coletava impostos nacionais, estando três quartos do território fora do seu alcance fiscal. Não tinha diplomacia, pois o isolamento oficial e social impedia o estabelecimento de relações com o mundo exterior. Exército, fisco, administração, direito, diplomacia, comparados, faltavam no Japão todos esses complexos institucionais que são chave explicativa e processual do contexto do absolutismo europeu. A distância política neste aspecto histórico e social entre o Japão e o continente europeu as duas pátrias do feudalismo, manifestava e simbolizava a profunda divergência nas suas evoluções históricas. Torna-se necessária e instrutiva uma comparação teórica e histórica não da “natureza”, mas da “posição” em cada uma destas trajetórias sociais e políticas.

Bibliografia Geral Consultada.

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