sábado, 9 de maio de 2026

Mouchette – Suicídio Altruísta, Cinema & Produção do Imaginário Social.

                                             Não há suicídios cujo caráter altruísta seja mais marcado”. Émile Durkheim (2011: 281)                                 

           

           A imaginação pode separar todas as ideias simples, e uni-las novamente da forma que bem lhe aprouver, nada seria mais inexplicável que as operações dessa faculdade, se ela não fosse guiada por alguns princípios universais, que a tornam, em certa medida, uniforme em todos os momentos e vivência e lugares praticados. Fossem as ideias inteiramente soltas e desconexas, apenas o acaso as ajuntaria; e seria impossível que as mesmas ideias simples se reunissem de maneira regular em ideias complexas se não houvesse algum laço de união entre elas, alguma qualidade associativa, pela qual uma ideia naturalmente introduz outra. Esse princípio de união entre as ideias não deve ser considerado uma conexão inseparável, tampouco devemos concluir que, sem ele a mente não poderia juntar duas ideias – pois nada é mais livre que essa faculdade. Devemos vê-lo apenas como uma força suave, que comumente prevalece, e que é a causa pela qual, entre outras coisas, as línguas se correspondem de modo tão estreito umas às outras: pois a natureza aponta a cada um de nós as ideias simples mais apropriadas para serem unidas em uma ideia complexa. As qualidades não dão origem a tal associação, e que levam a mente, dessa maneira, de uma ideia a outra, são três, a saber: semelhança, contiguidade no tempo e no espaço, e causa e efeito. 

        Dois objetos podem ser considerados como estando inseridos nessa relação, seja quando um deles é a causa de qualquer ação ou movimento do outro, seja quando o primeiro é a causa da existência do segundo. Falar em objeções e respostas, em contraposição de argumentos numa questão como essa, é o mesmo que confessar que a razão humana é um simples jogo de palavras, ou que a pessoa que assim se exprime não está à altura desses assuntos. Há demonstrações difíceis de compreender socialmente, por causa do caráter abstrato de seu tema; nenhuma demonstração, porém, uma vez compreendida, pode conter dificuldades que enfraqueçam sua autoridade. É uma máxima estabelecida da metafísica que tudo que a mente concebe claramente inclui a ideia da existência possível, ou, em outras palavras, que nada que imaginamos é absolutamente impossível. Não poderia haver descoberta mais feliz para a solução de todas as controvérsias em torno das ideias, que compreendemos, as impressões sempre precedem as ideias, e que toda ideia contida na imaginação apareceu primeiro em uma impressão correspondente. As percepções deste último tipo social são todas tão claras e evidentes que não admitem discussão, ao passo que muitas de nossas ideias são tão obscuras que é quase impossível, mesmo para a mente humana que as forma, dizer qual é exatamente sua natureza e composição. 

        Façamos uma aplicação desse princípio, a fim de descobrir algo mais sobre a natureza de nossas ideias de espaço e tempo. Melhor dizendo, que as ideias da memória são mais vivas e fortes que as da imaginação, e que a primeira faculdade pinta seus objetos em cores mais distintas que as que possam ser usadas pela última. Ao nos lembrarmos de um acontecimento passado, sua ideia invade nossa mente com força, ao passo que, na imaginação, a percepção é fraca e lânguida, e apenas com muita dificuldade pode ser conservada firme e uniforme pela mente durante todo o período considerável de tempo. Temos aqui uma diferença sensível entre as duas espécies de ideias. Mas há uma outra diferença, não menos evidente, entre esses dois tipos de ideias. Embora nem as ideias da memória nem as da imaginação, nem as ideias vívidas nem as fracas possam surgir na mente antes que impressões correspondentes tenham vindo abrir-lhes o caminho, a imaginação não se restringe à ordem das impressões originais, ao passo que a memória está amarrada a esse aspecto, sem nenhum poder de variação. É evidente que a memória preserva a forma original a qual seus objetos se apresentaram. A principal função da memória não é preservar as ideias simples, mas sua ordem e posição. Esse princípio se apoia em aspectos comuns e vulgares cotidianos que podemos poupar o trabalho de continuar insistindo nele.                    

Escólio: Mouchette, de quatorze anos, filha de alcoólatras pobres, é uma adolescente taciturna e solitária, mas que anseia por pureza. Numa noite tempestuosa, ela vagueia pela floresta. Lá, encontra um caçador furtivo conhecido na região, o belo Arsène, que a leva ao seu esconderijo e lhe conta uma história mais ou menos verossímil sobre o assassinato do guarda-caça. Mouchette recebe essa confissão como uma bênção: pela primeira vez, um homem se entregou a ela. Mas ele a desvirgina, sem qualquer violência em particular. Ela retorna para casa de manhã cedo: seu pai e irmãos, sempre tramando algo, ainda não chegaram. Sua mãe, já debilitada, agoniza em seus últimos momentos e morre, embriagada por um último gole de gim. No dia seguinte, essa morte lança uma atmosfera quase sagrada sobre a aldeia. Mouchette, no entanto, precisa seguir com seus afazeres diários. Ela vai ao mercado, à casa do guarda-caça (Arsène, no fim, não o matou) e depois à casa de uma senhora idosa que ainda realiza funerais na aldeia. A mulher lhe dá um lençol para a mortalha e um xale magnífico. Nessas três ocasiões, Mouchette acaba insultando aqueles que fingiam se importar com ela. A cena final, a quarta parte do livro, mostra seu suicídio em um lago solitário. Mouchette foi enganada, derrotada por mentiras e pelo destino. Robert Bresson adaptou este romance sobre a condição humana para um filme exemplar (cf. Mouchette, 1967), especialmente as páginas finais. Mas o estilo de Bernanos aqui alcança domínios subterrâneos que seria inútil atribuir unicamente à psicologia. E é aqui que seu livro se torna único (mesmo que deva muito a Dostoiévski, por exemplo). 

Os pensamentos de Mouchette, selvagens e rebeldes, mal encontram expressão — uma coleção de repulsas e sensações, no entanto, dominada pelo mais belo orgulho, e que por vezes permite que a mais pura canção transpareça. Lendo esta Nova História de Mouchette, talvez nos aproximemos um pouco mais daquilo que ainda ousaríamos chamar, por mais empobrecido que seja, de alma. “Desde as primeiras páginas desta história, o nome familiar Mouchette impôs-se a mim de forma tão natural que se tornou impossível mudá-lo. A Mouchette da Nova História não tem nada em comum com a de O Sol de Satã, exceto a mesma solidão trágica em que as vi viver e morrer”. A ação ou movimento não é senão o próprio objeto, considerado sob um certo ângulo, e como o objeto continua o mesmo em todas as suas diferentes situações, é fácil imaginar de que forma tal influência dos objetos uns sobre os outros pode conectá-los na imaginação. Podemos prosseguir com esse raciocínio, observando que dois objetos estão conectados pela relação causa e efeito não apenas quando produz um movimento ou uma ação qualquer no outro, no outro, mas também quando tem o poder de os produzir. Essa é a fonte das relações de interesse e dever através dos quais os homens se influenciam mutuamente na sociedade que se ligam pelos laços de governo e subordinação. Um senhor é aquele que, por sua situação, decorrente da força ou acordo, tem o poder de dirigir, sob alguns aspectos particulares, as ações de outro homem. Um juiz de direito é aquele que, em todos os casos litigiosos entre a figuração dentre os membros que formam os grupos da sociedade, é capaz de decidir, com sua opinião a quem cabe à posse ou a propriedade de determinado objeto. 

Quando uma pessoa possui certo poder, nada mais é necessário para convertê-lo em ação social que o exercício da vontade; e isso, em todos os casos, é considerável possível, e em muitos, provável – especialmente no caso da autoridade, em que a obediência do súdito é um prazer e uma vantagem para seu superior. Está claro que, no curso de nosso pensamento social e na constante circulação de nossas ideias, a imaginação passa facilmente de uma ideia a qualquer outra que seja semelhante a ela. Assim como existe o nascimento de uma semiologia e sociologia da celebridade, uma economia da celebridade e tal qualidade, por si só, constitui um vínculo afetivo e uma associação suficiente para a fantasia. É também evidente que, com os sentidos, ao passarem de um objeto a outro, precisam fazê-lo de modo regular, tomando-os sua contiguidade uns em relação aos outros, a imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber seus objetos. Quanto à conexão realizada pela relação de causa e efeito, basta observar que nenhuma relação produz uma conexão mais forte na fantasia e faz com que uma ideia evoque mais prontamente outra ideia que a relação de causa e efeito entre seus objetos. Para compreender toda a extensão dessas relações sociais, devemos considerar que dois objetos estão conectados na imaginação. Não somente quando um deles é semelhante ou contíguo ao outro, ou quando é a representação da causa. Mas quando entre eles encontra-se inserido um terceiro objeto, que mantém com ambos alguma dessas notáveis relações. Dentre relações mencionadas, a de causalidade é a de maior extensão.

Mouchette tem como representação social um filme francês de tragédia de 1967 dirigido por Robert Bresson, estrelado por Nadine Nortier e Jean-Claude Guilbert. Robert Bresson realizou seu primeiro longa-metragem, Les Anges du Péché, em 1943. Depois, uma leitura de Jacques o Fataliste et Son Maître de Denis Diderot o inspirou a realizar Les Dames du bois de Boulogne em 1945. Os diálogos foram escritos por Jean Cocteau. Desapontado com as atuações de atrizes como Maria Casarès em seus dois primeiros longas-metragens, decidiu trabalhar exclusivamente com atores não profissionais, a quem chamava de seus “modelos”. Em 1951, lançou O Diário de um Pároco de Aldeia, adaptado do romance de Georges Bernanos. Essa adaptação permitiu a Bresson refinar seu estilo: ele retrata a vida, ou melhor, o sofrimento, do jovem padre de Ambricourt, recém-saído do seminário, que sofre de câncer de estômago em uma paróquia hostil. O filme é composto por pequenas cenas do cotidiano (Bresson filma um barril, pão, etc.) interligadas pelas palavras do padre (escritas ou em voz off) em seu diário, um modesto caderno escolar que abre o filme. 

Esse princípio é posteriormente utilizado em Pickpocket (1959). Em 1956, Bresson apresentou Um Condenado à Morte Escapou em Cannes, baseado na história de André Devigny (1916-1999), e ganhou o prêmio de Melhor Diretor.  A história da fuga de Fontaine, um membro da Resistência Francesa em Lyon preso em Montluc, é narrada em detalhes através de cada gesto seu. A precisão cirúrgica do plano de fuga e a ênfase nos gestos fazem dele um filme único. A Grande Missa em Dó menor de Mozart sublinha a repetição da vida cotidiana. No entanto, Fontaine não é retratado como um santo; ele está preparado para matar seu companheiro de cela Jost e um guarda alemão. Além disso, sua jornada não é meramente uma fuga noturna sinuosa de uma prisão, mas também um caminho espiritual para a liberdade: um pastor e um padre também estão presos e apoiam Fontaine. O subtítulo, retirado da conversa entre Jesus e Nicodemos, é passagem do Evangelho de João. Foi um grande sucesso de público e de crítica.  Em Pickpocket, de 1959, ele mostra o “estranho caminho” de Michel, um batedor de carteiras convencido de que alguns homens deveriam ter o direito de se colocar acima da lei. A música de Lully acompanha o filme. O texto antes dos créditos anuncia: “Este filme não é um filme policial. O autor se esforça para expressar, através de imagens e sons, o pesadelo de um jovem levado por sua fraqueza a uma aventura de batedor de carteiras para a qual ele não tinha vocação. Somente essa aventura, por caminhos estranhos, unirá duas almas que, sem ela, talvez nunca tivessem se encontrado”.

Em 1962, ele dirigiu O Julgamento de Joana d`Arc, inspirado no novo julgamento de Joana d`Arc. Bresson pesquisou durante meses antes de escrever o roteiro, buscando criar um retrato autêntico e realista do julgamento; ele fez com que sua atriz interpretasse as respostas reais que Joana deu durante seu julgamento. O filme ganhou o Prêmio Especial do Júri naquele mesmo ano em Cannes. Em 1963, foi abordado pelo produtor Dino De Laurentiis para dirigir um projeto que lhe era muito caro, Gênesis. De Laurentiis idealizou uma epopeia bíblica cujos episódios seriam dirigidos por diretores de prestígio. Bresson já havia escrito um roteiro sobre esse tema em 1952. Mas, para A Arca de Noé, apesar de todos os animais trazidos para as filmagens, o cineasta só queria filmar suas pegadas. Segundo Bernardo Bertolucci, as inúmeras diferenças artísticas, particularmente em relação à cor da pele de Eva, levaram De Laurentiis a dispensar Bresson. Essa grande epopeia acabou sendo reduzida à Bíblia de John Huston (1906-1987). Em diversas ocasiões, Bresson quis adaptar Gênesis, mas não conseguiu obter o financiamento necessário. Um acordo de pré-produção foi firmado em 1985, mas o projeto nunca se concretizou. Em 1966, ele realizou seu filme dramaticamente mais complexo, Au hasard Balthazar. Jean-Luc Godard, em uma entrevista concedida logo após o lançamento do filme, descreveu-o como um “filme-mundo”, por abranger todas as facetas da vida. Através da vida e da morte do burro Balthazar, Bresson tece uma metáfora para a presença do mal no mundo. O título Au hasard Balthazar é uma referência ao lema dos Condes de Baux, que alegavam descendência do rei mago Balthazar. Em 1967, dirigiu Mouchette, uma adaptação do romance Nouvelle histoire de Mouchette de Georges Bernanos.

Em 1969, Bresson filmou seu primeiro longa-metragem colorido, Uma Mulher  Gentil. A fotografia ficou a cargo de Ghislain Cloquet, que havia filmado as cenas em preto & branco de Mouchette e Ao Acaso, Baltazar. O filme começa com o suicídio (cf. Minois, 1995; Durkheim, 2014) de uma jovem cujo xale voa pela rua. Seu marido relembra o encontro dos dois e a vida que compartilharam. Essa adaptação histórica e social do conto de Fiódor Dostoiévski oferece a Bresson a oportunidade de retratar a vida da baixa burguesia parisiense e de denunciar o cinema (que ele contrapõe à sua própria arte, a cinematografia) quando o jovem casal assiste a Benjamin ou Memórias de uma Virgem, de Michel Deville, em um teatro escuro, ou mais tarde durante uma apresentação de Hamlet, de William Shakespeare. Dominique Sanda faz sua estreia no cinema neste filme. Junto com Marika Green, ela é uma das poucas atrizes que trabalharam com Bresson e que posteriormente seguiram carreira no cinema. Em 1971, ele adaptou um conto de Dostoiévski pela segunda vez com Quatro Noites de um Sonhador. Em 1974, Lancelot do Lago, um filme com um orçamento considerável, retrata o retorno do cavaleiro à corte do Rei Arthur após o fracasso de sua busca pelo Santo Graal. O futuro produtor Humbert Balsan interpreta o papel de Gawain. Bresson filma numa tentativa de evitar uma reconstrução histórica artificial. Pode, também, ser concebido como o signo de “incapacidade dos grupos e das sociedades em matéria de socialização”. Enfim, é um arquétipo de conformidade por relação a um grupo que não se identifica com o padrão normativo dominante da sociedade global.                  

 Em primeiro lugar, o livro Le Suicide. Étude de Sociologie representou um dos pilares no campo da sociologia. Escrito pelo sociólogo francês Émile Durkheim e publicado em 1897, trata-se um “estudo de caso” de um suicídio, publicação única em sua época, que trouxe o exemplo de como uma monografia sociológica deveria ser escrita. Inúmeros estudos contemporâneos sobre o suicídio têm como escopo características individuais. Durkheim estudou as conexões entre os indivíduos e a sociedade. Procurou demonstrar com propriedade o quanto um ato individual é o resultado do meio social que o cerca, que, além disso, teria uma prova da utilidade da sociologia. Neste livro, o sociólogo francês Émile Durkheim desenvolveu o conceito de anomia, explorando as diferentes taxas de suicídio comparativamente entre religiosos protestantes e católicos, apresentando resultados estatísticos convincentes que comprovam o forte controle social entre os católicos resulta em menores índices de suicídio. Os indivíduos têm certo nível de integração com os seus grupos, o que o sociólogo Émile Durkheim chama de “integração social”. 

Níveis anormalmente baixos ou altos de integração social poderiam resultar num aumento das taxas de suicídio: a) níveis baixos porque baixa integração social resulta numa sociedade desorganizada, levando os indivíduos a se voltar para o suicídio como uma última alternativa; b) níveis altos porque as pessoas preferem destruir a si próprias a viver sob o grande exercício de controle da sociedade, o que resultou no caso de “suicídio egoísta” de Ariel Castro (1960-2013). O trabalho sociológico de Durkheim influenciou os proponentes das teorias sociais funcionalistas do controle social, e é frequentemente mencionado como um estudo pioneiro tornando-se sociológico clássico no pensamento ocidental. Não se pode, portanto, sem fazer mau uso das palavras, considerar todo suicida um louco. Mas de todos os suicídios o que pode parecer mais difícil de discernir do que se observam nos homens são os de “espírito melancólico”; pois, com muita frequência, o homem normal que se mata também se encontra num estado de abatimento e de depressão, exatamente como o alienado. Mas sempre há entre eles a diferença essencial de que o estado do primeiro e o ato resultante dele não deixam de ter causa objetiva, ao passo que, no segundo, não têm nenhuma relação com as circunstâncias exteriores. Para Durkheim, nas situações de degredo, como ocorre nas prisões e nos regimentos há um estado coletivo que inclina os soldados e os detentos ao suicídio diretamente quanto o pode fazer a mais violenta das neuroses. O exemplo é a causa ocasional que faz manifestar-se o impulso. Mas observa o filósofo que não é aquele que o cria, e, se o impulso de fato não existisse, o exemplo seria inofensivo. Uma observação pode servir de corolário a essa conclusão.

Segundo a versão oficial, Walter Benjamin, mutatis mutandis, cometeu o suicídio em Port Bou, na fronteira da França com a Espanha, em 26 de setembro de 1940. Foi vítima, do que nos traz à mente a afirmação de Mark Twain, para quem “coincidência é a única explicação que o otário encontra para a coincidência”. Com medo da captura pelas tropas franquistas e alemãs que naquela altura, haviam confiscado seu apartamento parisiense, depois de saber que a passagem para a Espanha estava fechada, Benjamin tomou uma grande quantidade de morfina durante a noite. Apavorados com o suicídio do filósofo, no dia seguinte os oficiais da fronteira permitiram que os demais integrantes da caravana de refugiados seguissem em direção a Portugal. Afinal, a proibição de passar pela fronteira para a Espanha tinha validade apenas para o dia anterior. Justamente o dia em que o filósofo escolhera para sair da França e tentar a sorte em alguma paragem menos conturbada com a trágica guerra europeia com o emprego intolerável e massificado da força bruta da política. No entanto, a tese publicada em 2001 por Stephen Schwartz no semanário político conservador The Weekly Standard, baseado em Washington, há setenta e cinco anos, na noite de 26 de setembro de 1940, Walter Benjamin (1892-1940), um dos maiores e mais sensíveis pensadores marxistas do século XX, foi assassinado a mando do ditador russo Joseph Stálin que governou a União Soviética (URSS) de meados da década de 1920 até sua morte, servindo como Secretário-Geral do Partido Comunista de 1922 a 1952, e como primeiro-ministro de seu país de 1941 a 1953. A causa mortis não foi o suicídio por envenenamento com morfina como consta na versão oficial.           

A morte do filósofo esteve sempre envolta em mistério, mas só meio século depois o motivo de sua morte voltou a causar polêmica no meio jornalístico e da literatura acadêmica. O corpo do ensaísta da primeira geração da extraordinária da Escola de Frankfurt foi encontrado por Henny Gurland. Walter Benjamin cruzou clandestinamente a fronteira franco-espanhola pela Rota Lister, de Banyuls a Portbou. Ele estava acompanhado pela ativista da resistência Lisa Fittko, uma fotógrafa alemã de origem judaica conhecida pelo sobrenome de seu segundo marido, Henny Gurland, e pelo filho de Gurland, a quem ele conhecera em Marselha. Ele havia obtido um visto que lhe permitiria entrar na Espanha, viajar para Portugal e, de lá, embarcar para os Estados Unidos. Após dois dias de uma jornada exaustiva, de 24 a 26 de setembro, eles chegaram a Portbou, mas um novo decreto em vigor naquele mesmo dia os impediu de entrar em território espanhol. As autoridades os informaram que seriam deportados para a França, destruindo qualquer esperança que tivessem. O desespero levou Walter Benjamin ao suicídio no Hotel Francia, em Portbou, nas primeiras horas de 27 de setembro, por overdose de morfina. Uma das quatro mulheres que o acompanhavam na viagem que possivelmente terminaria como refúgio da violência nazista, nos Estados Unidos da América. Mas de acordo com a análise de Stephen Schwartz, estudioso da relação política entre comunismo e a intelectuais nos anos 1930, parte dessa história não tem consistência.  

A fuga aconteceu e Gurland foi realmente a primeira a encontrar Walter Benjamin morto, única fonte a ter feito declaração sobre o suicídio. Henny Gurland era militante de extrema esquerda e teve comportamento aparentemente suspeito no caso e seu marido, Arkadi, que era um espião soviético. Além disso, há o caso do manuscrito desaparecido. De acordo com relatos ocorridos na época, o filósofo carregava o tempo todo consigo durante a fuga uma pesada mala que conteria os originais de um livro inédito, “o mais importante para mim”, segundo declarou Henny disse ter destruído as duas notas de suicídio que teriam sido escritas por Walter Benjamin (1892-1940) e entregues a ela, uma provavelmente sem destinatário e outra que seria para seu amigo, Theodor Adorno. Depois, resumiu-as numa nota escrita em francês por ela. Contudo, entre as evidências que apresentadas por Schwartz está a autópsia oficial, que determina como causa da morte de Benjamin “hemorragia cerebral” e afirma que não foram encontradas drogas em seu sangue nem em seu aparelho digestivo. Benjamin morreu numa época em que muitos ex-partidários dos soviéticos estavam desiludidos com Moscou por causa do pacto radical mundial entre esquerda e direita. Como resposta, um dos killerati, intelectuais socialistas recrutados como agentes stalinistas para cometer assassinatos, o matou. A principal causa de seu assassinato, para Slavoj Žižek (2008:14), foi que “durante a fuga pelas montanhas da França para a Espanha, Benjamin levava um manuscrito, a obra-prima em que estivera trabalhando na Bibliothèque Nationale de Paris, a elaboração das Teses”.

A pesada mala que continha o manuscrito fora confiada a um colega refugiado que a perdeu convenientemente no trem ente Barcelona e Madri. Benjamin não vivia num ambiente seguro, foi o que disse o estudioso Stephen Schwartz ao jornal The New York Times, pois ao que parece ele “participava de um submundo povoado por pessoas perigosas”. Ele retrata a vida como se estivesse filmando a vida contemporânea, sem embelezar cenários e figurinos. Em 1975, ele publicou suas Notas sobre o Cinematógrafo, uma coleção na qual defende sua visão do “cinematógrafo”, que ele distingue do cinema. Ele considera o cinema “como teatro filmado”, enquanto o cinematógrafo inventa uma nova forma de escrita “com imagens e sons em movimento” ligados pela montagem. Bresson queria aspectos da indústria cultural contrastando o cinema e o cinematógrafo. Com o filme “The Devil Probably”, ele ganhou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim em 1977. Seu último filme, L`Argent, é uma adaptação do conto de Tolstói, O Cupom Falso. A história gira em torno de um jovem rico que entrega a um fotógrafo uma nota falsa de 500 francos, levando o funcionário a uma espiral descendente de prisão, roubo, degradação e assassinato. Vaiado em Cannes ganhou o Grande Prêmio de Cinema Criativo em 1983, com Nostalgia, de Andrei Tarkovsky. Em 1995 sua obra recebeu o prêmio René-Clair. Mouchette é baseado no romance homônimo de Georges Bernanos (1888-1948). 

Nascido em uma família de ascendência Lorena e espanhola, passou a juventude em Fressin, em Artois, região do Pas-de-Calais que serve de cenário para a maioria de seus romances. Estudou direito no Instituto Católico de Paris. Serviu nas trincheiras durante a 1ª grande guerra (1914-1918), alcançando o posto de brigadeiro no final da guerra e foi ferido diversas vezes. Obteve sucesso com seus romances Sob o Sol de Satã, em 1926, e Diário de um Pároco de Aldeia, em 1936. Membro da Action Française quando jovem estudante, Georges Bernanos (1888-1948) rompeu com os ideais desse tipo de partido político, cujas falhas não hesitava em denunciar publicamente. Action Française é um movimento contrarrevolucionário monarquista e orleanistas francês fundado em 1898 por Maurice Pujo (1872-1955) e Henri Vaugeois (1864-1916), e cujo principal ideólogo foi Charles Maurras (1868-1952), poeta monarquista francês, dirigente e principal fundador do jornal germanófobo Action Française e teórico do Nacionalismo Integral. 

Salazar estudou as suas ideias, que teriam tido relevante influência na sua formação política. Ideólogo exerceu a influência sobre movimentos sociais nacionalistas como o Integralismo Lusitano e o Patrianovismo, e autores integralistas brasileiros, como Félix Contreiras (1884-1960) Rodrigues e Gustavo Barroso (1888-1959). Surgiu durante o Caso Dreyfus, em parte como reação à revitalização da extrema-esquerda que se materializou em defesa do capitão do exército, celebremente iniciada pelo J`accuse de Emile Zola (1840-1902).  É o título do artigo redigido por Zola quando do caso Dreyfus e publicado no jornal L`Aurore do 13 de janeiro de 1898 sob a forma de uma carta ao presidente da República Francesa, Félix Faure. Zola inspirou-se num dossiê fornecido em 1896 pelo escritor Bernard Lazare. Originalmente uma organização nacionalista que atraiu figuras como Maurice Barrès, tornou-se monárquico sob a influência de Maurras, que seguia os passos do teórico contrarrevolucionário Joseph de Maistre (1753-1821). Até sua dissolução ao fim da 2ª guerra mundial, a Action Française foi uma defensora tout court de destaque do integralismo de inspiração tradicionalista. As ideias centrais do pensamento político de Maurras eram um intenso nacionalismo que ele descreveu como um “nacionalismo integral” e uma crença numa sociedade ordenada.

Estas eram as bases para o seu apoio à monarquia e à Igreja Católica Romana. Como muitas pessoas na Europa do seu tempo, ele foi assolado pela ideia da decadência, em parte inspirado pelas leituras de Hippolyte Taine (1828-1893) e Ernest Renan (1823-1892). Ele achava que a França perdera a sua grandeza com a Revolução Francesa de 1789, uma grandeza herdada das raízes clássicas romanas e desenvolvida, como ele disse, por “quarenta reis que fizeram a França em mil anos”. A Revolução, como escreveu no Observateur Français, um jornal diário católico francês, publicado em Paris entre 1887 e 1895, foi “uma revolta, uma obra negativa e destrutiva”. Ele viu neste declínio o resultado do Iluminismo e da Reforma Protestante; ele descreveu a fonte deste mal como “Ideias Suíças”, uma referência a Jean-Jacques Rousseau e João Calvino (1509-1564). Ele colocou um sentimento de culpa naquilo ao que chamou a “Anti-França”, como os “quatro estados confederados de Protestantes, Judeus, Mações e estrangeiros”. De fato, para ele, os primeiros três já eram todos uma forma de estrangeiros internos. O anti-semitismo e antiprotestantíssimo eram temas comuns nas suas escritas. Ele achava que a Reforma, O Iluminismo e a Revolução tinham todos contribuído para que os indivíduos se colocassem à frente da nação, com consequentes efeitos negativos nesta última.

Segundo ele, a democracia e o liberalismo continuavam a fazer as coisas ainda pior. Durante a 1ª grande guerra, o empresário judeu Emile Ullman foi forçado a demitir-se do conselho de administração do “Comptoir d`Escompte” após Maurras lhe ter chamado de agente do Kaiser Wilhelm II (1859-1941) da Alemanha. Apesar de que as soluções políticas que ele advogava serem não muito distantes das dos monarquistas franceses, de muitas maneiras Maurras não se incorporava na tradição monarquista na França. As suas visões, pelo menos era o que ele dizia, eram baseadas na razão e não tanto no sentimento, lealdade e fé. Aliás, tal como muitos líderes da Terceira República Francesa que ele detestava, Maurras era também um admirador do filósofo Augusto Comte. Enquanto que a maioria dos monarquistas se recusava a envolver na ação política - por esta altura muitos tinham recuado para um Catolicismo intransigentemente conservador e uma indiferença para com os acontecimentos do mundo, que eles viam agora como irremediavelmente perigosos - Maurras estava preparado para se envolver na ação política, seja ela convencional ou não convencional, isto é, os Camelots du Roi, grupo paramilitar da Action Française, envolviam-se frequentemente em violência nas ruas. Ele adotou a frase “La politique d`abord” (política primeiro) como o seu slogan, querendo significar “política religiosa em primeiro lugar”.

Auguste Comte representou seu pensamento sociológico de um ponto de vista lógico, formado nas disciplinas da Escola Politécnica. Raciocínio lógico é um processo de estruturação do pensamento de acordo com as normas da lógica que permite chegar a uma determinada conclusão ou resolver um problema. Um raciocínio lógico requer consciência e capacidade de organização do pensamento. A maneira de pensar positiva se impôs mais cedo nas matemáticas, na física, na química, e depois na biologia. É normal, aliás, que o positivismo apareça mais tarde nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Quanto mais simples uma disciplina, mais fácil pensar sobre ela positivamente. Há mesmo alguns aspectos ou fatos sociais cuja observação se impõe por si mesma, seja pela curiosidade ocular, seja pela impressão que causa, de sorte que, nesses casos, a inteligência é imediatamente positiva. O fundamento desta ciência social teria por objeto de estudo a história da espécie humana, considerada como uma unidade, o que seria indispensável para a compreensão das funções particulares do todo social e de um momento particular do devenir. É normal, que o positivismo apareça nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Mas essa combinação interdisciplinar não tem unicamente por objeto de pensamento demonstrar a necessidade de criar a sociologia.  Na linguagem de Comte as múltiplas significações são analíticas no sentido de que estabelecem leis entre fenômenos isolados, e necessária e legitimamente pela ciência.     

Na biologia, comparativamente, porém, é impossível explicar um órgão ou uma função sem considerar o ser vivo como um todo. É com relação ao organismo como um todo que um fato biológico particular tem um significado e pode ser explicado. Se quiséssemos separar arbitrária e artificialmente um elemento de um ser vivo, teríamos diante de nós apenas matéria morta. A matéria viva enquanto tal é intrinsecamente global. Ipso facto, essa ideia de primazia do todo sobre os elementos deve ser transposta para a sociologia. É impossível compreender o estado de um fenômeno social particular se não o recolocarmos no todo social. Não se pode entender a situação da religião, ou a forma precisa do Estado, numa sociedade particular, sem considerar o conjunto dessa sociedade. Mas tal prioridade do todo sobre os elementos não se aplica apenas a um momento artificialmente abstrato do devenir histórico. Isto é, só se compreenderá o estado da sociedade francesa no princípio do século XIX se recolocarmos esse momento histórico na continuidade do devenir francês. A Restauração só pode ser compreendida pela Revolução, e a própria Revolução pelos séculos de regime monárquico. O declínio do espírito teológico e militar pelas suas origens, nos séculos passados. Da mesma forma como só é possível compreender logicamente um elemento do todo, não se pode entender um momento da evolução histórica sem levar em conta o seu conjunto.  

Analogamente convém acrescentar que Comte, considerando que a sociologia é uma ciência à maneira das ciências precedentes, não hesita em retomar a fórmula que já empregara nos Opúsculos: assim como não há liberdade de consciência na matemática ou na astronomia, não pode haver também em matéria de sociologia. Como os cientistas impõem seu veredito aos ignorantes e aos amadores, em matemática e astronomia, devem logicamente fazer o mesmo em sociologia e política. O que pressupõe, evidentemente, que a sociologia possa determinar o que é, o que será e o que deve ser. Sua sociologia sintética, na expressão de Aron (1993: 75), sugere aliás, tal competência: ciência do todo histórico, ela determina não só o que foi e o que é, mas também o que será, no sentido da necessidade do determinismo. O que será é justificado como sendo conforme aquilo que os filósofos do passado teriam chamado a “natureza humana”, com aquilo que o pensador francês chama simplesmente de realização da ordem humana e social, justificando uma teoria da natureza humana e da natureza social, essa unidade da história humana. O ponto de partida da análise representa uma reflexão interna da sociedade de seu tempo, entre o tipo social teológico militar e o tipo social científico-industrial. Como esse momento histórico é caracterizado pela generalização do pensamento científico e da atividade industrial, o único meio de pôr fim à crise é acelerar o devenir, criando um sistema de ideias científicas que presidirá a ordem social, como o sistema de ideias teológicas presidiu à ordem social do passado. 

O positivismo (cf. Kremer-Marietti, 1977) como corrente de pensamento defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível. Única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico. Subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. É uma reação radical ao transcendentalismo idealista alemão e ao romantismo, no qual os afetos individuais e coletivos e a subjetividade cultural são completamente ignorados, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. 

Substitui-se a teologia e a metafísica pelo culto à ciência, o mundo espiritual pelo mundo humano, tendo como primícias a realização do espírito pela matéria, sabidamente porque considerava os problemas políticos, sociais e culturais como estreitamente ligados à nossa capacidade prática de resolvê-los. Com isto ele dizia apoiar a Igreja Católica porque ela estava intimamente ligada com a história Francesa e porque a sua estrutura hierárquica e distinta elite clerical eram para si o espelho de uma sociedade ideal. A Igreja Católica em França era, na sua opinião, a argamassa que mantinha a nação unida. No entanto, ele desconfiava dos evangelhos, escritos, como ele o colocou, “por 4 obscuros Judeus” (Le Chemin du Paradis, 1894) e admirava a Igreja por ter, na sua opinião, conseguido esconder muitos dos ensinamentos pretensamente perigosos da Bíblia. Sociologicamente ele advogava um Catolicismo sem Cristandade, tanto quanto possível. Apesar disto, ele gozou de um grande apoio entre católicos e monárquicos, incluindo os orleanistas, de cujo pretendente ele recebeu o apoio direto. O seu agnosticismo era motivo de insatisfação por partes da hierarquia católica, e em 1926 alguns dos seus livros foram incluídos no Index Librorum Prohibitorum pelo Papa Pio XI (o movimento Action Française como um todo foi condenado ao mesmo tempo e Maurras excomungado) — um grande choque para muitos dos seus seguidores, incluindo um número considerável do sacerdócio francês. 

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), ele testemunhou as atrocidades cometidas pelos homens de Franco, com o apoio do clero local, contra a população civil, uma situação que ele estava determinado a denunciar em Os Grandes Cemitérios Sob a Lua (1938). Uma lesão na perna sofrida durante a 1ª guerra mundial o impediu de participar da 2ª guerra mundial (1939-1945), como esperava. Ele retirou-se para o Brasil em 1938, onde apoiou ativamente De Gaulle contra Pétain. Seus dois filhos (Yves e Michel) e seu sobrinho (Guy Hattu) juntaram-se às Forças Francesas Livres em 1940. Em suas obras, Georges Bernanos, um católico fervoroso, explora a luta espiritual entre o Bem e o Mal, particularmente através da personagem do padre que se esforça pela salvação das almas de seus paroquianos perdidos, ou através de personagens com destinos trágicos, como em Nouvelle histoire de Mouchette. Bresson explicou sua escolha do romance, dizendo: “Não encontrei nele psicologia nem análise. A substância do livro parecia utilizável. Podia ser peneirada”.  Foi inscrito no Festival de Cinema de Cannes de 1967, ganhando o Prêmio da Organização Católica Internacional para o Cinema e o Audiovisual. Mouchette se passa em uma aldeia rural francesa e acompanha a filha de um pai opressor e uma mãe moribunda. Desenvolvendo-se no estilo notoriamente esparso e minimalista do diretor, Bresson disse que sua personagem titular “oferece evidências de miséria e crueldade. Ela é encontrada em todos os lugares: guerras, campos de concentração, torturas, assassinatos”. Mouchette está ipso facto entre os filmes mais aclamados de Bresson.

Bibliografia Geral Consultada.

KREMER-MARIETTI, Angèle, L’Anthropologie Positiviste d’Auguste Comte. Paris: Thèse Paris IV: Université Paris-Sorbonne, 1977; CASTEL, Robert, A Ordem Psiquiátrica: A Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Editora Graal, 1978; GABILONDO, Angel, El Discurso en Acción: Foucault y una Ontologia del Presente. Barcelona: Editorial Anthropos, 1990; MAIO, Marcos Chor, Nem Rothschild Nem Trotsky. O pensamento Antissemita de Gustavo Barroso. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1992; MINOIS, Georges, Histoire du Suicide: La Société Occidentale Face à la Mort Volontaire. Paris: Editeur Librairie Arthème Fayard, 1995; CANEVACCI, Massimo, Antropologia della Comunicazione Visuale. Roma: Edizionne Meltemi, 2001; HALBWACHS, Maurice, Les Causes du Suicide (1930). Paris: Presses Universitaires de France, 2002; GIROLA, Lídia, Anomia e Individualism: Del Diagnóstico de la Modernidad de Durkheim al Pensamiento Contemporáneo. Barcelona: Anthropos Editorial, 2005; ESTABLET, Roger, “A Atualidade de O Suicídio”. In: MASSELLA, Alexandre [et al], Durkheim: 150 anos. Belo Horizonte: Argvmentvm Editora, 2009; FEHSE, Felipe Bentancur, Impacto de Ruídos Ambientais Desagradáveis sobre as Emoções e o Comportamento do Consumidor. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Administração. Escola de Administração. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2009; ŽIŽEK, Slavoj, Less Than Nothing: Hegel and the Shadow of Dialectical Materialism. Estados Unidos: Editora Verso, 2013; DURKHEIM, Émile, O Suicídio: Estudo de Sociologia. 2ª edição. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011; Idem, Il Suicidio. Studi di Sociologia. Biblioteca Univ. Rizzoli, 2014; TANAKA, Elder Kôei Itikawa, Inimigos Públicos em Hollywood: Estratégias de Contenção e Ruptura em Dois Filmes de Gângster dos Anos 1930-1940. Tese de Doutorado. Departamento de Letras Modernas. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, 2015; NIQUETTI, Ricardo, Deleuze e Velhice: Uma Política de Encontro. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2015; MORAES, Fabrício Tavares, “A Nova História de Mouchette: Entre Silêncios e Gritos”. Disponível em: https://estadodaarte.estadao.com.br/25/08/2018;  JARDONNET, Evelyne, “La Caméra du Philosophe: Mouchette”. Disponível em: https://www.icp.fr/08/04/2026; entre outros.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Dança Comigo – Disciplina, Bate-Coxa & Motivação Sexual Perene.

                                                   A sexualidade humana é inevitavelmente envolvida em conflito”. Sigmund Freud                        

      

        Shall We Dance? é um filme norte-americano de comédia romântica de 2004 dirigido por Peter Chelsom, nascido em 20 de abril de 1956, um diretor de cinema, roteirista e ator britânico. Richard Gere interpreta John Clark, um homem com um emprego maravilhoso, uma esposa charmosa Beverly (Susan Sarandon) e uma família amável, mas que sente algo lhe faltar a cada dia. Toda noite em sua volta do trabalho, John vê uma linda mulher de nome Paulina (Jennifer Lopez) com uma expressão perdida através da janela de um estúdio de dança. Numa noite, John desce do metrô, e encantado pela beleza da moça, impulsivamente se matricula para aulas de dança, na esperança de encontrá-la. Ele prova não ter muita afinidade eletiva com a coisa, mas apesar de tudo, se apaixona pela dança. Se esforça para que sua família e colegas de trabalho não saibam de sua nova obsessão. John treina arduamente para a maior competição de dança de Chicago. Sua amizade com Paulina cresce e seu entusiasmo reacende a paixão perdida pela dança. Com sua esposa ficando desconfiada e seu segredo prestes a ser revelado, John tem que fazer algo para continuar o seu sonho e realizar aquilo que ele realmente busca. Ele dirigiu os filmes  Hector and the Search for Happiness (2014), Serendipity (2001) e Shall We Dance? (2004). Chelsom é membro da Academia Britânica, da Academia Americana, do Sindicato dos Diretores da América e dos Roteiristas da América. É estrelado por Richard Gere, Jennifer Lopez e Susan Sarandon. 

Um remake do filme japonês de 1996 de mesmo nome, o filme recebeu críticas mistas e arrecadou US$ 170,1 milhões em todo o mundo globalizado. Chelsom nasceu em Blackpool, Lancashire, filho dos proprietários de uma loja de antiguidades, Kay e Reginald Chelsom. Ele estudou no Wrekin College (1969–1973) e mais tarde na Central School of Drama em Londres. A Royal Central School of Speech and Drama é uma das mais importantes escolas de teatro britânicas. Foi fundada por Elsie Fogerty em 1906 com intuito de oferecer uma nova forma de treinamento em fala e atuação para jovens atores e outros estudantes. Tornou-se constituinte da Universidade de Londres em 2005 e entre seus ex-alunos proeminentes estão Andrew Garfield, Laurence Olivier, Vanessa Redgrave, Judi Dench, Harold Pinter e Kit Harington. Ele tem dupla cidadania, norte-americana e britânica, e é cidadão honorário da pequena cidade de Fivizzano. É uma comuna italiana da região da Toscana, província de Massa-Carrara, com cerca de 9.144 habitantes. Estende-se por área de 180 km², tendo uma densidade populacional de 51 hab./km². Faz fronteira com Aulla, Carrara, Casola in Lunigiana, Collagna (RE), Comano, Fosdinovo, Giuncugnano (LU), Licciana Nardi, Massa, Minucciano (LU), Sillano (LU). Antes dos 30 anos de idade, Chelsom atuou na Royal Shakespeare Company ao lado de Patrick Stewart, no Royal National Theatre com Sir Anthony Hopkins e no Royal Court Theatre em Londres.

Durante esse período, participou de inúmeras produções cinematográficas e televisivas, incluindo a extraordinária “A Woman of Substance” em 1985, que também contou com Jenny Seagrove e Deborah Kerr. Enquanto atuava, Chelsom desenvolveu um crescente interesse em escrever e dirigir. Sua estreia na direção, Treacle, ganhou uma indicação ao BAFTA e convites para festivais em todo o mundo. De 1985 a 1998, ele dirigiu o curso de cinema na Central School of Drama e, posteriormente, lecionou no Actors` Institute e na Universidade Cornell. Seu primeiro longa-metragem foi a comédia romântica de 1991, Hear My Song. O filme foi inspirado na vida do tenor irlandês Josef Locke (1917-1999), interpretado por Ned Beatty. O Evening Standard British Film Awards nomeou Chelsom como Melhor Revelação por seu trabalho no filme.  Roger Ebert o elogiou como “a própria alma de um grande filme pequeno”. O segundo longa-metragem de Chelsom, Funny Bones (1995), representa um filme sobre comédia. Estrelado por Oliver Platt, Jerry Lewis, Leslie Caron, Freddie Davies e Lee Evans, conta a história social de dois meios-irmãos, um norte-americano e o outro britânico, que não hesitarão em fazer qualquer coisa para arrancar uma risada... nem mesmo matar. Funny Bones ganhou o prêmio de Melhor Filme em cinco extraordinários festivais de cinema europeus e o “Prêmio Peter Sellers de Comédia” no Evening Standard British Film Awards.                               

Seu terceiro longa-metragem, The Mighty (1998), foi baseado no livro best-seller Freak the Mighty. O filme é estrelado por Sharon Stone, Gillian Anderson, Gena Rowlands e Harry Dean Stanton. Recebeu duas indicações ao Globo de Ouro. Em seguida, dirigiu Town and country em 2001, estrelado por Warren Beatty, Diane Keaton, Goldie Hawn e Garry Shandling. No mesmo ano, dirigiu Serendipity, com John Cusack e Kate Beckinsale, que arrecadou US$ 50 milhões. Seu próximo filme em 2004 foi um remake do filme de 1996, Shall We Dance? A versão norte-americana estrelou Richard Gere, Jennifer Lopez, Susan Sarandon e Stanley Tucci. O filme arrecadou US$ 170 milhões em todo o mundo. Em 2009, Chelsom dirigiu Hannah Montana: O Filme para a Disney. O filme quebrou recordes de bilheteria quando estreou nos Estados Unidos da América com uma arrecadação de US$ 32 milhões no primeiro fim de semana. Em 2014, Chelsom dirigiu Hector e a Busca da Felicidade, estrelado por Simon Pegg, Rosamund Pike, Christopher Plummer, Toni Collette, Stellan Skarsgard e Jean Reno. O filme teve estreia nos EUA em uma apresentação especial no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2014. Ele narra a história social de um psiquiatra desiludido que viaja pelo mundo, pesquisando o que faz as pessoas felizes. O Festival de Cinema de Monte Carlo nomeou Chelsom o Melhor Diretor por este filme. Chelsom dirigiu o romance de ficção científica The Space Between Us (2017), estrelado por Gary Oldman, Asa Butterfield, Britt Robertson e Carla Gugino.                 

         A dança é a arte de fazer movimentos ritmados com o corpo como vontade (cf. Foucault, 1984). É uma expressão artística e cênica que historicamente envolvem os movimentos corporais em sua relação com diferentes estilos musicais. É o uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos (coreografia) ou improvisados (dança livre), com passos ritmados ao som e compasso de uma música, A dança é praticada desde os tempos pré-históricos, e por isso geralmente se diz que ela é uma expressão cultural que acompanha a humanidade. É uma das três principais artes cênicas da Antiguidade, ao lado do teatro e da música, pois no Egito existia danças astro-teológicas e na Grécia era frequentemente vinculada aos jogos. A dança é formada por três elementos: movimento corporal, espaço e, tempo. A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento ou cerimônia. Atualmente, a dança manifesta-se nas ruas, em eventos como videoclipe ou em qualquer outro ambiente em que for contextualizado o propósito artístico. Sendo a dança uma das três principais artes cênicas da antiguidade, ao lado do teatro e da música. No Egito já se realizavam as chamadas danças astro-teológicas em homenagem a Osíris. Na Grécia, a dança era frequentemente vinculada aos jogos, em especial aos olímpicos. A história da dança cênica (cf. Freud, 1987) é uma mudança de significação dos propósitos artísticos através do tempo. Com o balé clássico estruturado e desenvolvido século XV, as narrativas socialmente em ambientes ilusórios é que guiavam a cena.  

Com as transformações sociais da época moderna, começou-se a questionar certos virtuosismos presentes no balé e começaram a aparecer diferentes movimentos de Dança Moderna. É importante notar que nesse momento, o contexto social inferia muito nas realizações artísticas, fazendo com que então a dança moderna americana acabasse por se tornar bem diferente da dança moderna europeia, mesmo que tendo alguns elementos em comum. A dança contemporânea como nova manifestação artística individual (sonho) e coletiva (mito, rito, símbolo), sofrendo influências tanto de todos os movimentos passados, como das novas possibilidades tecnológicas (vídeo, instalações). Foi essa também muito influenciada pelas novas condições sociais - individualismo crescente, urbanização, propagação e importâncias da mídia, fazendo surgir novas propostas de arte, provocando também fusões com outras áreas artísticas como o teatro por exemplo. Em 1982, o Comitê Internacional da Dança da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura instituíram o dia internacional da dança em 29 de abril, em homenagem ao criador do balé moderno, Jean-Georges Noverre (1727-1810), bailarino francês por seu tratado Lettres sur la Danse, et sur les Ballets (1760). Existem muitos estilos de dança, onde os vinte mais praticados no mundo são: Balé; Jazz; Cigana; Contemporâneo; Sapateado; Flamenco; de Rua; Stiletto; Africana; Yangko; do Ventre; Kathak; Country; Zouk; Tango; Samba; Zumba; Polidance; Bolero; Clássica Indiana.

No início dos anos 1920, os estudos de dança, isto é, dança prática, teoria crítica, análise musical e história) começaram a ser considerados uma disciplina acadêmica. No final do século XX, esses estudos são parte integrante de muitos programas de artes e humanidades das universidades públicas e privadas, incluindo: prática profissional: performance e habilidades técnicas; prática de pesquisa: coreografia e performance; etnocoreografia, abrangendo os aspectos de dança relacionados com antropologia, estudos culturais, estudos de gênero, estudos de área, teoria pós-colonial, etnografia, etc.; dançaterapia ou terapia por movimentos de dança; Dança e tecnologia: novos meios de comunicação e o desempenho de tecnologias; Análise de Movimento de Laban e estudos somáticos. Graus acadêmicos estão disponíveis desde o bacharelado até o doutorado e também programas de pós-doutorado, e pertencem à área de Arte. Alguns estudiosos de dança fazendo os seus estudos como estudantes maduros depois de uma carreira profissional de dança. Uma competição de dança é um evento organizado em que os concorrentes executam danças perante um juiz ou juízes visando prêmios e, em alguns casos, prêmios em dinheiro. Existem vários tipos principais de competições de dança, que se distinguem principalmente pelo estilo ou estilos de dança executados.  

Os principais tipos de competições de dança incluem: Dança competitiva, em que uma variedade de estilos de danças teatrais, como dança acro, balé, jazz, hip hop, dança lírica e sapateado, são permitidos; Competições abertas, que permitem uma grande variedade de estilos de dança. Um exemplo disto é o popular programa de TV So You Think You Can Dance; Dança esportiva, que é focada exclusivamente em dança de salão e dança latina. Exemplos disso são populares programas de televisão Bailando por um Sonho e Dancing with the Stars; Competições de estilo único, como dança escocesa, dança de equipe (dance Squad) e dança irlandesa, que só permitem um único estilo de dança. Há vários concursos de dança na televisão e na internet. O Balé (Ballet) é um estilo de dança criado nas cortes da Itália no século XV, que posteriormente desenvolveu-se principalmente na França no século XVII como um tipo de “dança de concerto”; apresentações no palco acompanhadas de música clássica diante do público em galerias. As áreas do corpo consideradas sexualmente desejáveis, em sociedades determinadas, são afetadas pelas normas sociais contemporâneas e códigos de vestimenta. Uma parte substancial dos homens vitorianos ostentava um fetiche por joelhos ou tornozelos.             

Do ponto de vista ideológico um fetiche, do francês: “fetiche”, que por sua vez é um empréstimo do português “feitiço” cuja origem é o latim: “facticius”: entendido como “artificial”, “fictício”, é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África ocidental. O termo tornou-se conhecido na Europa através do erudito francês Charles de Brosses em 1757. Em psicologia o fetichismo é uma parafilia. O objeto do fetiche refere-se à representação simbólica de penetração, tendo claramente conotação sexual, é um objeto parcial e não representa quem está por trás do objeto. Na psicanálise, fetichismo é representado pelo desvio do interesse sexual para algumas partes do corpo do parceiro, para alguma função fisiológica, para cenários ou locais inusitados, para fantasias de simulação como ocorre no Brasil com a “empregada doméstica”, ou o mecânico, secretária ou para peças de vestuário, adorno etc. No fetichismo, o meio preferido ou único de atingir satisfação sexual é manipulando e/ou observando objetos, não animados, intimamente associados ao corpo humano como, por exemplo, roupa interior ou peças de vestuário feitas de borracha, cabedal ou seda, para mencionar apenas os mais comuns. A atividade sexual pode dirigir-se ao fetiche, como a masturbação enquanto beija, esfrega, cheira o objeto do fetiche, ou o fetiche pode ser incorporado na relação sexual, como o cunilíngua masculino ou feminino ou pedindo ao parceiro (a) que use sapatos de salto alto ou botas de cabedal.

Há também a satisfação sexual buscada nas interpretações sexuais, onde a parceira comporta-se como secretária, adolescente, e o homem como um policial, um bombeiro, um mecânico de oficina, etc. No campo da arte, obcecado por nus femininos, o fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki, popularizou-se no mundo desde a década de 1990. Em suas exposições ele valoriza através da fotografia o corpo feminino amarrado em poses eróticas. Suas musas são quase sempre orientais vestindo quimonos ou parte deles, e essa mistura entre tradição e pornografia é que levou as obras de Araki a acervos renomados. Porém, ao perceber o teor da mostra, mulheres que faziam parte da segurança de um museu na Áustria começaram uma violenta greve, negando-se a trabalhar para proteger obras que ofendiam o sexo feminino, considerando que o seu trabalho representação um fetichismo opressor. O motim terminou com a prisão do curador, um mandado de busca na casa e no estúdio do artista, que teve de ser interrogado pela polícia, acusado de sexista e segregador. Essa e outras polêmicas só aumentaram a curiosidade sobre a obra de Araki. Considerado hoje aos 75 anos um dos artistas nipônicos mais importantes no mundo, em uma das raras entrevistas concedidas em seus mais de 50 anos de carreira defendeu que “As mulheres possuem qualidades muito mais admiráveis que os homens tanto no nível físico como no mental. São seres superiores”. Os fetiches mais comuns inferidos na sociedade ocidental são os pés, em particular no Brasil, a adoração por pés recebe um nome especial: “podolatria”, os sapatos e a roupa íntima. Os objetos usados no sadomasoquismo são os fetiches.                                

Escólio: Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1987) originalmente em alemão: Drei Abhandlungen Zur Sexualtheorie tem como representação social uma obra de 1905 de Sigmund Freud (1856-1939), em que o psicólogo e inventor da psicanálise aprofunda a sua teoria da sexualidade e do desenvolvimento psicossexual, em particular, na sua relação com a infância. Ao contrário das concepções teóricas predominantes de sua época, Freud formulou uma noção de sexualidade mais ampla, não restrita à mera reprodução, defendendo que ela existe desde a infância, mas se expressando de maneira própria. Por estar vinculada aos processos psíquicos, passou a ser chamada de psicossexualidade. Freud argumenta que a perversão está presente mesmo entre as pessoas saudáveis e que o caminho para uma atitude sexual madura e normal começava não na puberdade, mas na infância. Observando as crianças, afirmou que tinha encontrado um conjunto de práticas que pareciam inofensivas, mas que, porém, seriam realmente formas de sexualidade infantil, chupar o dedo, cujas implicações seriam bastante óbvias. Freud também procurou unificar a sua teoria do inconsciente, no livro A Interpretação dos Sonhos, de 1899, com o seu trabalho sobre a histeria, postulando que a sexualidade seria a força motriz tanto na neurose, por meio da repressão, como na perversão. Também incluiu nesta obra os conceitos de “inveja do pênis”, “complexo de castração” e “complexo de Édipo”.   

Se alguém é aceito em seu grupo desejado ou não, isso muda a maneira como eles pensam sobre si mesmos e as pessoas ao seu redor. Amizades em idades jovens enquanto crescem também têm muito a ver não apenas com o desenvolvimento psicológico, mas também com habilidades e comportamento social. O mesmo vale para as leis comuns na sociedade. Se o grupo de um indivíduo decide obedecer por eles ou não, isso afeta a visão desse indivíduo sobre a lei e seu grupo como um todo. A maneira como as pessoas podem agir ou falar dita a maneira como os outros as veem em uma sociedade. Por exemplo, os indivíduos podem ver a autoridade de muitas maneiras diferentes, dependendo de suas experiências e do que os outros lhes disseram. Por isso, com base no conhecimento social de autoridade das pessoas, suas opiniões e ideias são muito diferentes.  Cada indivíduo tem seu próprio processo de pensamento psicológico único e pessoal no qual eles usam para analisar o mundo ao seu redor. As pessoas internalizam e processam fatores sociológicos de maneira relativa ao seu processo de pensamento psicológico. Essa relação é recíproca, pois a sociedade pode alterar e transformar as maneiras que as pessoas pensam e, ao mesmo tempo, a sociedade pode ser influenciada pelo pensamento psicológico exteriorizado dos indivíduos da própria sociedade. Devido a isso, pode-se antever como a psicologia é útil para ajudar o sociólogo a compreender e interpretar os efeitos sociais no comportamento de um indivíduo numa sociedade determinada.

Na verdade, inicialmente, a classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias de Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra A Interpretação dos Sonhos. Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade intrínseca em relação a seu próprio pai. É o que constitui na história dio Ocidente extraordinariamente o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim dizer, da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados durante sua démarche psicológica. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”. Freud já não mantinha mais contato social nem com Josef Breuer (1842-1925), nem com Wilhelm Fliess (1858-1928). No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demostram respaldo às suas ideias e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”.

Por sua vida inteira, Freud teve uma posição financeira modesta, como Karl Marx ou Friedrich Nietzsche. Josef Breuer (1842-1925) foi, no início, um aliado de Freud em suas ideias e também um aliado com patrocínio financeiro. Freud criou o termo “psicanálise” para designar um método, uma teoria e uma técnica para investigar cientificamente os processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo. Foi com o decorrer das discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as ideias que culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise. O primeiro caso clínico relatado deve-se a Breuer e descreve o tratamento dado sua paciente Bertha Pappenheim, chamada de “Anna O”, no livro e posteriormente no cinema, que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de tratamento consistia na chamada “cura pela fala”, ou “cura catártica”, na qual o ou a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso, os faz desaparecer. Esta técnica tornou-se o centro de manejo das técnicas de Freud, que também acreditava que as memórias ocultas ou “reprimidas” nas quais se baseavam os sintomas de histeria eram sempre de natureza sexual. Entretanto, Breuer não concordava com Freud, o que levou à separação de ideias entre eles logo após a publicação dos casos clínicos em sociedades científicas.

Pelo menos desde 1899, com a publicação do conspícuo ensaio A Interpretação dos Sonhos, o austríaco Sigmund Freud se transformou num dos pensadores mais polêmicos da história social e, portanto, clínica. Desacreditada inicialmente, a psicanálise, o método e a técnica por ele concebido para o tratamento dos problemas psíquicos e a compreensão da mente humana, chegou a ser considerada a última palavra da ciência sobre a questão. Há quem despreze (e não são poucos) essas novas posições psicológicas e clínicas e defenda apaixonadamente as teorias de Freud cuja essência considera-se correta e aparentemente inquestionável. Mais importante do que essa discussão é descrever os fundamentos da doutrina psicanalítica e apresentar as principais contribuições que ela refez à ciência, à filosofia, à antropologia e à sociologia em seu surgimento. A psicanálise interpreta as manifestações da psique, as tendências sexuais (ou libido), e as fórmulas morais e limitações condicionantes do indivíduo. São dois os fundamentos da teoria psicanalítica: 1) Os processos psíquicos são em sua imensa maioria inconscientes, a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total; 2) os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais reprodutivas. Freud pretendeu descrever tanto do ponto de vista pessoal e individual, mas também pública, recorrendo a essas tendências sexuais a que chamou de libido.

Com esse termo, o pai da psicanálise designou a “energia sexual” de maneira mais geral e indeterminada. Assim, por exemplo, em suas primeiras manifestações sociais, a libido liga-se as funções vitais: no bebê que mama, o ato de sugar o seio materno provoca outro prazer além do de obter alimento e esse prazer passa a ser buscado por si mesmo. Na abordagem psicanalítica fundada por Sigmund Freud, o indivíduo se constitui como um ente à parte do social e que compõe o nível de análise social. Freud refere-se aos aspectos que compõem um estado instintivo humano e que acaba por se tornar inibido em prol da convivência em comunidade. A inibição destes aspectos, que são instintivos, consiste numa privação de características que são inatas aos homens, e, esta própria privação, acaba por consistir em determinados descontentamentos. Neste sentido, os homens em civilização ou civilizados demonstram-se descontentes na busca de sua felicidade, pois seus instintos não são prontamente atendidos em sociedade. No seu ensaio: “O mal-estar da civilização”, Freud elabora uma discussão filosófico-social a partir de sua teoria psicanalítica. O autor desenvolve a ideia pragmática segundo a qual, em sociedade, “não há avanço sem perdas”. A ideia central que desenvolve nesta obra é a de que a civilização é inimiga da satisfação dos instintos humanos. A sociedade modifica a natureza humana individual, constitui o homem como membro da comunidade, adaptando-o a um processo vital que torna o indivíduo um ente social.                  

Em 1923, no livro “O Ego e o Id”, Freud expôs uma divisão da mente humana em três partes: 1) o ego que se identifica à nossa consciência; 2) o superego, que seria a nossa consciência moral, os princípios sociais e as proibições que nos são inculcadas nos primeiros anos de vida e que nos acompanham de forma inconsciente a vida inteira; 3) o id, isto é, os impulsos múltiplos da libido, dirigidos sempre para o prazer. A influência que Freud exerceu em várias correntes da ciência, da arte, da sociologia e da filosofia foi enorme. Mas não se deve deixar de dizer que muitos filósofos, psicólogos e psiquiatras fazem sérias objeções ao modo como o pai da psicanálise e seus discípulos apresentam seus conceitos: como “realidades absolutas” e não como suportes ou “instrumentos” de explicação que podem ser ultrapassados pela dinâmica científica e, em alguns casos, foram mesmo. Em uma de suas últimas obras “O Mal-Estar na Civilização”, publicado em 1930, Freud descreve a história da humanidade como a “luta entre os instintos de vida” (Eros) e “os da morte” (Tanatos), teoria cujo pioneirismo deu ao fator sexual que era - até Freud - uma área de quase absoluta ignorância para a ciência em geral e a filosofia. A psicanálise é o que se faz através da conversação. Segundo Freud, o conteúdo do inconsciente é, muitas vezes, reprimido pelo Ego. Para driblar a repressão, as ideias inconscientes “apelam” aos mecanismos definidos por Freud em sua obra: “A Interpretação dos Sonhos”, como deslocamento e condensação. Estes dois, mais tarde, seriam relacionados por Romain Jacobson (1896-1982) à metonímia e metáfora, respectivamente.

 Portanto, as representações de ideias inconscientes manifestam-se nos sonhos como símbolos imagéticos, tanto metafóricos quanto metonímicos. Aplicando o conceito à fala, o inconsciente consegue expelir ideias recalcadas através dos chistes ou atos falhos. Freud propõe que as piadas ou as “trocas de palavras por acidente” nem sempre são inócuas. Antes, são mecanismos da fala que articulam ideias aparentes com ideias reprimidas, são meios pelos quais é possível exprimir os instintos primitivos. Semelhante à análise dos sonhos, a análise da fala seria um caminho psicanalítico para investigar os desejos ocultos do homem e as causas das psicopatologias. – “É na palavra e pela palavra que o inconsciente encontra sua articulação essencial”. Deste modo, Freud cria uma inter-relação entre os campos da linguística e da psicanálise, que será retomada por estudiosos posteriores, como ocorre precisamente nos Séminaire de seu incontestavelmente maior intérprete: Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981) que renovou a psicanálise a partir da década de 1950, promovendo reinterpretações de conceitos freudianos, novas práticas clínicas e uma integração da psicanálise com a linguística saussuriana e o estruturalismo.

Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do “Estádio do Espelho”. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor e ódio. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise. Esse registro é o do simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Claude Lévi-Strauss afirmava que “os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o “Grande Outro” que antecede o sujeito, que só se constitui através deste – “o inconsciente é o discurso do Outro”, “o desejo é o desejo do Outro”. O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e de relatos de sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como “formações do inconsciente”. A isto se refere o aforismo lacaniano “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”: biblioteca, escrivaninha e o célebre divã.        

Eis tudo o que se esperaria encontrar no ambiente de trabalho de Sigmund Freud: um aficionado por arqueologia. O local de trabalho era enobrecido por mais de 2 mil peças antiquíssimas: esculturas de porte médio ou menor, fragmentos de pintura em gesso, papiro e linho, recipientes e pedaços de vidro. Havia objetos gregos, romanos e asiáticos, mas Freud tinha especial predileção pela cultura egípcia, que compreendia quase metade de sua coleção. Por quase meio século demonstrou-se não um mero colecionador, mas aquele que conhecia profundamente a arte antiga. Mais tarde afirmaria que, desde aquele primeiro contato com a extinta civilização greco-romana, estudar culturas antigas lhe trouxe conforto e consolação ao longo dos inúmeros dissabores de sua vida atribulada. Tinha uma relação “desejante” com Roma: entre 1895 e 1898, tentou visitar a cidade nada menos do que cinco vezes, mas uma irresistível inibição o fazia retroceder. Na Interpretação dos Sonhos, ele analisou a imaginação, relacionando-a com sua origem judaica e o antissemitismo. As obras de arte exerceram grande influência na vida de Freud, mas nenhuma, talvez, como a estátua de Moises de Michelangelo, exposta na Igreja de San Pientro in Vincolli na qual visitou por vezes e chegou a dedicar um trabalho analítico somente para a obra. Nos tempos de estudante identificava-se com Aníbal, general cartaginês de origem fenícia, semítica, contra Roma, inimiga figadal de Cartago.

Como ocorria com aquele general, Freud sentia-se inibido, constrangido a não penetrar em Roma. Com a publicação da obra viu-se livre do “estranhamento”, tornando-se um visitante da cidade e de suas adoráveis antiguidades. Alienação nas ciências sociais, é um conceito que designa indivíduos que estão alheios a si próprios ou a outrem, tornando-se dependentes de atividades ou instituições humanas, devido a questões econômicas, sociais ou religiosas. Desta forma, refere-se também à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensarem e agirem por si próprios na vida contemporânea. Há quem defina a alienação como a “falta de consciência” por parte do ser humano de que ele possui um grau de responsabilidade na formação do mundo a seu redor, e vice-versa. Deste conceito filosófico-sociológico, derivaram-se outros usos da palavra, como   na psiquiatria, pode ser usada como um sinônimo de loucura. A teoria do símbolo e das técnicas de interpretação de Michel Foucault (1926-1984) repousava, pois, numa definição perfeitamente clara de todos os tipos possíveis de semelhança e fundamentavam dois tipos de conhecimento perfeitos; e o divinatio, que “constituía o conhecimento em profundidade, que ia de uma semelhança superficial a outra mais profunda”. 

Todas estas semelhanças manifestavam o consensus do mundo que as fundamentava; isto é, opunha-se ao simulacrum, “à falsa semelhança, que se baseava na dimensão de Deus e o Diabo”.  Se estas técnicas de interpretação ficavam em suspenso a partir da evolução do pensamento ocidental nos séculos XVII e XVIII, se a crítica baconiana e a crítica cartesiana da semelhança desempenharam certamente um grande papel na sua colocação em interdição, o século XX, e muito particularmente Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, situaram-nos ante a possibilidade de interpretação e fundamentaram de novo a possibilidade de uma hermenêuticaEm Nietzsche, fora de dúvida, temos a rejeição de toda transcendência, seja idionômica como no platonismo, seja teonômica como no Cristianismo, imanência absoluta da Natureza como fonte de todo o bem e de todo o valor e, enfim, crítica da cultura existente e de sua moral, fonte do mal e da corrupção no homem. Sobre esse fundamento crítico, pode-se elevar então o anúncio de um novo homem e “nova humanidade” definitiva reconciliada com a Terra. Isso se deve à modéstia do século XIX, que considerou escandalosas as pernas nuas em público.  Na Era Moderna, os fetiches por pernas costumam se manifestar como subproduto inconsciente da mídia ocidental. Enquanto outras culturas, particularmente no Oriente Médio, consideram escandalosa a exibição pública das pernas, a maioria da cultura ocidental normalizou a exibição das pernas. Em muitos países, shorts que atingem o joelho ou abaixo dele são considerados suficientemente modestos. No entanto, grande parte da mídia ocidental promove a visualização nítida de coxas femininas.  

Um estudo sobre imagens sexuais em anúncios de revistas descobriu que, em 2003, 78% das mulheres em anúncios de revistas eram vestidas sexualmente, muito atribuível à categoria de “shorts muito curtos”. É essa interação social consistente com a mídia que alguns atribuem ao “fetichismo das pernas”. A ampla aceitação social das mulheres que demonstram as pernas em público pode afetar subconscientemente as percepções afetivas dos homens. Em um estudo de 1981, homens e mulheres classificaram suas primeiras impressões de candidatas em 12 roupas. O estudo confirmou que “os indivíduos do sexo masculino consideraram os modelos femininos mais atraentes fisicamente e mais agradáveis em shorts curtos e saias curtas em comparação com comprimentos regulares”. É uma espécie de calça mais curta, ou de tamanho inferior às bermudas, geralmente de uso informal ou esportivo, e que se fixa à cintura através de cintos, botões etc. Fetichismo das pernas ou crurofilia é o fetiche sexual por pernas. Os indivíduos podem experimentar uma atração sexual por uma área específica, como coxas, joelhos ou panturrilhas.  A crurofilia é frequentemente relacionada a outros fetiches no que diz respeito às preferências de vestuário; as pessoas com um fetiche por pernas podem querer ver peças de vestuário específicas, como shorts, saias, botas até a coxa ou meias. Um fetiche por pernas é um parcialismo em que o indivíduo se sente sexualmente atraído pelas pernas de outro. Expressões comuns dessa atração podem incluir interação física íntima com as pernas ou simplesmente agir como uma fantasia a ser admirada de longe. Os fetiches por pernas são elucidados pelas rigorosas expectativas impostas às mulheres.  

Os homens que pretendem ter crurofilia tendem a ver as pernas como a parte mais atraente do corpo feminino devido à sua natureza provocadora e sedutora. Embora esses tipos de fetiches estejam tipicamente associados aos homens, eles não são um fenômeno específico do gênero. Um estudo de 2008 realizado por pesquisadores da Universidade de Wroclaw, é uma das nove universidades em Breslávia, Polônia. Fundada como universidade alemã em 1702 como Leopoldina, e refundada em 1811 como Schlesische Friedrich-Wilhelms-Universität zu Breslau, analisou 200 voluntários masculinos e femininos. Os participantes foram apresentados a imagens de pessoas com a mesma altura, mas com diferentes comprimentos de perna. A pesquisa concluiu que homens e mulheres acham as pernas mais longas atraentes; a maioria preferiu as pernas 5% maiores que a média, sendo que o comprimento ideal das pernas femininas foi 1,4 vezes o comprimento da parte superior do corpo. Conforme declarado pelo pesquisador principal, “existem boas razões evolutivas para a preferência. Pernas longas são indicativos de boa saúde”. Martie Haselton, professora de psicologia associativa da Universidade da Califórnia em Los Angeles, localizada na região de Westwood, na cidade de Los Angeles. Foi fundada em 1919, sendo a segunda universidade do sistema Universidade da Califórnia entre as melhores universidades do mundo, disse: “Pernas são algo que sabemos que os homens preferem em pares. A novidade nesta pesquisa é que as mulheres preferem que seus parceiros tenham pernas mais longas”. Embora o comprimento das pernas nem sempre seja um sinal de boa saúde, as pessoas tendem a preferir pernas mais longas para uma aparência mais atraente.

Bibliografia Geral Consultada.

PATTO, Maria Helena Souza, Psicologia e Ideologia: Uma Introdução Crítica à Psicologia Escolar. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1981; XENAKIS, Françoise, Zut! On a Encore Oublie Madame Freud. Paris: Éditions Hachette, 1984; FOUCAULT, Michel, História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. 4ª edição. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984; MEZAN, Renato, Freud Pensador da Cultura. 5ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas Y Psicogenéticas. 2ª edición. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; FLEM, Lydia, L`homme Freud. Paris: Éditions Seuil, 1991; SILVA, Marcos Paulo do Nascimento, A Problemática do Mal em O Mal-Estar na Civilização. Dissertação de Mestrado. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2004; FREUD, Sigmund, Trois Essais sur la Théorie de la Sexualité. Paris: Éditions Gallimard, 1987; Idem, Totem e Tabu. Contribuição à História do Movimento Psicanalítico e Outros Textos (1912-1914). São Paulo: Editora Companhia da Letras, 2012; ALMEIDA, Alexandra Nakano de, Os Primeiros Quebra-cabeças de Freud: Um Estudo sobre o Papel da Arte na Constituição da Psicanálise. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2012; GOIANA, Francisco Daniel Iris, Instinto e Civilização: A Sociologia Processual de Norbert Elias e Seu Encontro com a Psicanálise Freudiana. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2014; DIDI-HUBERMAN, Georges, Invenção da Histeria: Charcot e a Iconografia Fotográfica da Salpêtrière. Rio de Janeiro: Editor Contraponto, 2015; SCARAMBONI, Bruna Aline, Além de Freud: Um Estudo sobre a Relação entre a Sociologia de Norbert Elias e a Psicanálise Freudiana. Dissertação de Mestrado. Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2015; RIBEIRO, Daniel Ferraz Tanan, Conexões: Yasujiro Ozu e a Nouvelle Vague Japonesa. Dissertação de Mestrado Interdisciplinar em Cinema e Narrativas Sociais. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2026; entre outros.