“Justificar tragédias como vontade divina tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas”. Umberto Eco
Um disc jockey (DJ), disc-jóquei
ou discotecário, tem como representação social um artista que seleciona
e reproduz as mais diferentes composições, previamente gravadas ou produzidas
na hora para um determinado público alvo, trabalhando seu conteúdo e
diversificando seu trabalho em radiodifusão em frequência modulada (FM), pistas
de dança de bailes, clubes, boates e danceterias. Disc jóquei foi e é utilizado
para descrever, primeiramente, a figura do locutor de rádio que introduziam e
tocavam discos de gramofone, posteriormente, o long play (LP), mais
tarde compact disc laser e atualmente, empregam o uso do MP3 é um dos primeiros
tipos de compressão de áudio com perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano.
O seu bitrate é da ordem de kbps, sendo 128 kbps a taxa-padrão, na qual
a redução do tamanho do arquivo é de cerca de 90%, ou seja, o tamanho do
arquivo passa a ser 1/10 do tamanho original. O nome foi logo encurtado para disc
jockey. Faz quase 50 anos que o DJ mudou a forma como experimentamos
música, mas pouca gente sabe exatamente o que um DJ profissional realmente faz
no palco. Se você sair perguntando por aí, a maioria das pessoas vai te dizer
que um DJ aperta alguns botões, ao mesmo tempo que sorri e coloca as mãos pra
cima, mas um DJ profissional faz mais do que isso. É preciso estudar e praticar muita coisa pra
fazer o que um DJ faz no palco. Diante dos numerosos fatores envolvidos,
incluindo a composição escolhida, o tipo de público a lista de canções, o meio
e o desenvolvimento da manipulação do som, há diferentes tipos de DJs, sendo
que nem todos usam discos, alguns podem tocar com CDs, outros com laptop
e DJ softwares, entre outros meios.
Há também aqueles que mixam sons e vídeos (os VJs), mesclando seu conteúdo ao trabalho desenvolvido no momento da apresentação musical. Há, no entanto, uma vasta gama de denominações para classificar o termo DJ. No rádio, os DJs contribuíram para a consolidação do movimento Rock and Roll a partir da segunda metade dos anos 1950, como a maior manifestação cultural da juventude do século XX; nomes de artistas tão díspares como Elvis Presley (1935-1977) e The Beatles (1960-1970), não teriam alcançado o estrelato se não fosse o empenho dos DJs originais. Nessa mesma época começavam a surgir os DJs jamaicanos, conhecidos como seletores, que inicialmente tocavam principalmente discos estadunidenses de R&B nos sistemas de som, e faziam sucesso principalmente entre a população menos privilegiada que não tinha condições de ter rádio ou toca-discos. Com o advento da discoteca nos anos 1970, os DJs também ganharam fama fora do rádio e foram para as pistas de dança. Nas pistas, de danças os DJs que atuaram até o meiados dos anos 1990 utilizavam apenas discos de vinil em suas apresentações. Em que pese o fato social de já existirem Compact Disc antes, não havia equipamentos que permitissem o sincronismo da música entrante com a música em execução (ajuste do pitch para posterior mixagem).
A forma como esta ação de mixagem é realizada, aliás, é o principal diferencial entre os profissionais desta área. Um DJ tem a percepção musical de saber quais composições possuem velocidades (mensuradas em batidas por minuto) próximas ou iguais, de forma que uma alteração em um ou dois por cento da velocidade permite com que o compasso das mesmas seja sincronizado e mixado, e o público não consiga notar que uma faixa está acabando e outra está iniciando, pois, as duas faixas estão no mesmo ritmo, métrica e velocidade. DJs das décadas de 1980 e 1990 sincronizavam a composição mixada (entrante) regulando a velocidade do prato do toca-discos, com o cuidado de fazer com que a agulha não escapasse do sulco do vinil (que na prática faz com que a música “pule”) e também com que o timbre da voz da música não ficasse, por demais, alterada com a velocidade muito alta ou muito baixa do prato. Esta alteração da velocidade era possível em toca-discos que possuem o botão chamado pitch. O toca-discos mais famoso, nesta época, era o Technics SL-1200 MK-2, que até hoje é vendido e procurado por profissionais e amantes do vinil pela robustez e força que o seu motor de tração direta apresenta. Após a popularização do CD, empresas como Pioneer, Technics e Numark desenvolveram aparelhos do tipo CD player com recursos próprios para DJ. Conhecidos CDJs, possuem botões para alteração de pitch, retorno da faixa, marcação de ponto (ou cue) e looping.
Umberto Eco frequentou a escola salesiana, um instituto religioso católico romano fundado no século XIX por Saint Don Bosco. Curiosamente o sobrenome Eco, vem do acrônimo latino “ex caelis oblaus” que fora dado ao seu avô, que era um órfão abandonado por um oficial da cidade e que tem como representação religiosa “um presente dos céus”. Entre o final da década de 1950 e 1960, passou a se interessar pela semiótica. Em 1961, escreveu o ensaio: “Fenomenologia di Mike Bongiorno” sobre o fenômeno popular do anfitrião de um Quiz Show chamado Mike Bongiorno (1924-2009) e também “Apocalitiici e Integrati” (1964), onde analise a comunicação de massa a partir de uma perspectiva sociológica. Precisa uma nova orientação nos estudos sociais de cultura de massa. Nesse período publicou o seu primeiro livro como uma extensão do trabalho contido de sua tese de doutorado. Sua démarche filosófica obteve impulso com a influência positiva de Luigi Pareyson, na Itália. Ele se concentrou nos estudos sobre estética do período medieval aos trabalhos de são Tomás de Aquino (1225-1274), e defendia a dedicação deste membro da Igreja Católica referente às questões do belo. Logo surge seu segundo livro: “Sviluppo dell´estetica medievale” (1959), em que se posicionou como um pensador da filosofia medieval. Nesse mesmo ano passou a ser um editor sênior na editora Bompiani (Milão), onde permaneceu até 1975. Eco criou na Universidade de Bolonha um programa chamado “Antropologia do Ocidente” a partir da perspectiva dos africanos e estudiosos chineses, onde foi desenvolvida uma rede transcultural na África Ocidental, que resultou na primeira conferência em Guangzhou na China (1991), intitulada: “Fronteiras do Conhecimento”.
Sob o olhar semiótico de Umberto Eco, descoberto no filósofo John Locke, aderiu assim à concepção anglo-saxônica desta antiga disciplina, deixando de lado a visão semiológica adotada por Ferdinand Saussure. Ele busca também sua visão renovada da semiótica nos conceitos de Immanuel Kant e Charles Pierce, o que se pode verificar nas obras “As Formas do conteúdo” (1971) e “Tratado Geral de Semiótica” (1975). Umberto Eco critica o uso esotérico da interpretação, fazendo ver que um texto não pode ser aprisionado em seu conjunto por uma única verdade, pois demonstra que a vontade de uma interpretação única é, afinal, a vontade de manutenção de um segredo, que diz respeito à manutenção de poder. Essa crítica não desfaz a impressão de que a interpretação não pode ser meramente uma impressão subjetiva do texto. Cabe a nós sermos “servos respeitosos” da semiótica. Se nós, leitores, podemos achar no texto um significado, cabe a nós ter claro que esse significado é uma referência nossa, que evidentemente nem sempre irá respeitar o texto original. Portanto, que existe a “intentio lectoris e a intentio operis”, isto é a intenção do leitor e a do texto. Enquanto a intenção do leitor pode ser reconhecida, a intenção do texto parece para sempre perdida, mas deve ser conjecturada pela interpretação desse leitor, pelo menos através de coerência: qualquer interpretação feita de parte de um texto poderá ser aceita se for confirmada por outra parte processual do mesmo texto, e deverá ser rejeitada se a contradisser. Daí a sua importância em distinguir, no modelo comunicacional, e, portanto, no universo retórico, o termo ideologia que se presta a numerosas codificações. Deixando de lado a noção de ideologia como “falsa consciência”, Umberto Eco, reitera o papel da ideologia como tomada de posição filosófica, política, estética, etc. em face da realidade.
Nosso intuito, afirma,
é conferir ao termo ideologia, e a par dele ao de retórica, uma acepção muito
mais ampla vinculada ao universo do saber do destinatário e do grupo a que
pertence, os seus sistemas de expectativas psicológicas, os seus princípios morais,
isto é, quando o que pensa e quer é socializado, passível de ser compartilhado
pelos seus semelhantes. Para consegui-lo, porém, é mister que o sistema de
saber se torne sistema de signos: a ideologia é reconhecível quando,
socializada, se torna código. Nasce, assim, uma estreita relação entre o mundo
dos códigos e o mundo do saber preexistente. Esse saber torna-se visível,
controlável, comerciável, quando se faz código, convenção comunicativa. O
aparato sígnico remete ao aparato ideológico e vice-versa e a Semiologia, como
ciência da relação entre códigos e mensagens, transforma-se concomitantemente
na atividade de identificação contínua das ideologias que se ocultam sob as
retóricas. Enfim, do ponto de vista teórico e metodológico, a Semiologia
mostra-nos no universo dos signos, sistematizado em códigos e léxicos, o
universo das ideologias, que se refletem nos modos pré-constituídos da
linguagem. Ipso facto, em sua gênese, no início do século XIX, designava um
estudo das ideias, como elas se formam e que fenômenos incidem para isso,
empreendido pelo pensador Destutt de Tracy.
O timbre da música passou a ser controlado (opcionalmente) por um acionador específico, normalmente reconhecido como Master Tempo. Com este recurso, mesmo que a composição esteja extremamente acelerada (ou desacelerada), o timbre da voz, teclados, guitarras etc. é mantido, driblando de certa forma a capacidade de percepção do público, em notar que determinado som está tocando em velocidade diferente da normal. Além disso, não há mais o risco de o disco pular, apesar de o cuidado em se limpar as mídias de CD ser o mesmo, pois uma mancha em uma mídia óptica pode prejudicar e até interromper a canção em execução. Outra facilidade destes equipamentos é marcar o ponto de início da música (designado cue point). Assim, um DJ com um simples toque no botão pode retornar ao ponto de partida poucos segundos antes de mixar a música sobre a que está sendo executada. Atente-se aqui para o fato de que, além do talento musical obrigatório a um DJ em se conhecer aproximadamente o tempo das composições que ele pretende mixar durante sua apresentação, o mesmo também deve conhecer onde, quando e se uma composição ou determinada versão desta possui uma região (geralmente sem vocal, com batidas secas e pouco ou nenhum aparecimento de guitarras e teclados) popularmente conhecida como quebrada, onde é possível entrar a próxima composição sem que o resultado fique confuso (com dois vocais de canções diferentes ao mesmo tempo).
Este capricho é obrigatório para profissionais que fazem mixagens ao vivo, tanto com vinis quanto com CDs. As versões das canções que um DJ utiliza não são as mesmas versões que normalmente se ouve em videoclipes ou estações de rádio. Para cada nova canção que é lançada no mercado, desde os anos 1970, a gravadora lança um disco (ou CD) específico, denominado compacto, para aquela canção. No caso do vinil, um compacto também pode ser de sete polegadas, dez polegadas ou doze polegadas. Em CD, este é conhecido como 5 (cinco) polegadas. Um compacto é um vinil ou CD que possui uma mesma canção em várias versões, produzidas especialmente para mixagens ou amantes de versões alternativas. Enquanto uma versão normal de canção possui normalmente de três a quatro minutos de duração, uma versão de compacto pode durar até quinze minutos, com grandes introduções, quebradas, edições, reprises de vocal etc. Estas versões alteradas também são conhecidas como remixagens, versões 12, versões club, versões estendidas e dub. Um compacto também pode conter versões instrumentais e a cappella daquela música. Enquanto um álbum de coletânea de determinado artista pode possuir um nome qualquer, um compacto sempre tem o nome da canção que nele está gravada, mesmo que o disco tenha apenas uma versão da canção que o nomeia. No fim do século XX, com a popularização do formato MPEG-1 layer 3 popularmente reconhecido como MP3 para utilidade de uso de canções digitais, de programas de compartilhamento de arquivos como o Napster e o de programas de edição, surgiu uma nova casta de editores musicais autodenominados DJs.
Apesar de estes possuírem, às vezes, até certo talento para música, pois precisam alterar uma faixa para mixar na anterior, têm seu trabalho extremamente facilitado e, portanto, não são bem vistos por profissionais que executam seu trabalho ao vivo em clubes, casas, discotecas e eventos. A mixagem em computador é feita de forma caseira, e não há o julgamento do público ao trabalho sendo feito ao vivo. O que o público irá ouvir é uma mixagem feita em estúdio e já gravada. Caso uma canção seja alterada e mixada com a anterior, mas o resultado não seja o esperado pelo editor (timbres, batidas ou compassos dessincronizados, por exemplo), a ação de mixagem pode ser desfeita e refeita quantas vezes forem necessárias. Assim, o resultado final é uma mixagem tão perfeita quanto artificial. Porém, grandes DJs também fazem uso destes programas para criação de sequências de múltiplas canções denominadas megamixes, de participações de curta duração em programas de rádio e até mesmo de novas versões dessas canções, que não existam em seus respectivos compactos. Existem, hoje em dia, softwares capazes de simular na tela de um computador dois toca-discos ou cdjs e um mixer, com inúmeros recursos iguais ou até superiores aos melhores equipamentos. Além de alguns poderem ser baixados gratuitamente pela internet, esses softwares estão se popularizando por serem uma alternativa a quem deseja discotecar e não pode investir muito.
Big Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte (01/06/1943-07/03/1977) foi um importante disc jockey de seu tempo, responsável por uma revolução no estilo de apresentação e na programação musical do rádio no Brasil. Como locutor introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Costumava saudar seus ouvintes com a frase “hello crazy people!”, que se tornou sua marca registrada. Era considerado descontraído e tinha voz diferente da entonação impostada dos locutores de então. Como programador musical demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de ideias que modificariam o sistema de programação estabelecido. Big Boy nasceu na capital fluminense em 1943. Apaixonado por música desde a infância, ainda era adolescente quando começou uma coleção de discos de música pop, que chegou a vinte mil unidades, manifestando preferência pelo rock and roll, o então novo ritmo norte-americano que conquistou os jovens no mundo todo. Também costumava frequentar a Rádio Tamoio, do Rio de Janeiro, que apresentava a programação mais atualizada, procurando manter contato com os programadores e outros aficionados por rock em busca de informações e de realizar o sonho de se tornar profissional.
A oportunidade finalmente surgiu quando foi convidado para substituir um programador que entrara em férias. Mais tarde foi convidado para participar de uma bem sucedida tentativa de reformulação da Rádio Mundial AM, que se tornou a de maior audiência entre o público jovem do Rio de Janeiro. Assim, não hesitou em interromper a carreira de professor de geografia para tornar-se radialista. Foi ali que iniciou sua atuação como DJ, ganhou o apelido de Big Boy e criou o estilo que continua influenciando locutores, inclusive das rádios FM, cujas programações muitas vezes ainda seguem os moldes de seus programas. Com sua postura informal complementava as músicas que tocava com informações sobre o mundo do disco, impondo uma dinâmica ao programa. No início da carreira como DJ, a sua real identidade não era reconhecida dos ouvintes, de seus colegas na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI). A Faculdade Nacional de Filosofia foi fundada em 4 de abril de 1939, pelo então Presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-lei nº 1.190, que reorganizou a estrutura e o corpo docente da antiga Universidade do Distrito Federal. Foi extinta em 1968 pelo regime militar. E nem dos alunos no Colégio de Aplicação (cf. Sena, 1987) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde deu aulas, sob avaliação, como parte do processo de aprovação como professor. Um dos alunos da turma CAP-66-B, fã do programa na Rádio Mundial, colocou nele o apelido de “Big Boy”, pois achou a voz parecida. Ao final das aulas de avaliação, já aprovado, Newton Alvarenga se identificou como o próprio Big Boy, encerrando a fase de identidade secreta. Big Boy também pode ser considerado o primeiro “profissional multimídia” do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo a ligação da paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos. A emissora foi inaugurada como Rádio Clube do Brasil em 1º de outubro de 1924, sendo uma das primeiras no Brasil e a segunda no Rio de Janeiro.
Elba Pinheiro Dias nasceu em Campos, em 1889. Formou-se em Engenheiro Geógrafo em 1916 pela Escola Politécnica de Salvador, sendo então contratado pela Repartição Geral dos Telégrafos para supervisionar a instalação de linhas telegráficas nas regiões Norte e Nordeste. Transferido para o Rio de Janeiro, foi Diretor do Serviço Telegráfico Oficial e do Plano Postal Telegráfico, repartições à qual estavam subordinadas as transmissões de Radiofonia. Graças a sua posição funcional, conseguiu que o Ministro da Viação, Francisco Sá, fizesse a cessão dos equipamentos Western Electric da Estação da Praia Vermelha para uma nova emissora de radiodifusão a ser fundada com o nome de “Rádio Club do Brasil”. Com a experiência adquirida na montagem da Rádio Sociedade, lançou então uma campanha para angariar associados, única maneira de manter uma emissora em funcionamento. A nova emissora, com o prefixo SPE, inicia as suas atividades em caráter experimental em 1923, transmitindo sua programação através do equipamento instalado na Praia Vermelha. Ela foi fundada por Elba Pinheiro Dias, então funcionário dos Telégrafos (ECT), que havia recebido autorização do governo para adaptar uma estação telegráfica de 500 watts, instalada em frente ao Largo da Carioca. Operava sob as mesmas condições das emissoras da época, ou seja, funcionavam como associações ou clubes, sobrevivendo da contribuição financeira dos ouvintes, que também participavam emprestando discos. Em 1937 foi renomeada como Rádio Cajuti, que é “tijuca” com sílabas ao contrário, pois fora adquirida pelo Tijuca Tênis Clube, que instalou seus estúdios em sua sede. O clube vendeu a rádio para os Diários Associados em 1948, que cinco anos depois alterou seu nome para Rádio Mundial. Foi comprada pelas Organizações Victor Costa, em 1954.
Em 1959, foi arrendada para o radialista Alziro Zarur, fundador da Legião da Boa Vontade. Em 1965, foi vendida ao Sistema Globo de Rádio, junto com o restante das Organizações Victor Costa. A partir desse ano passou a ter uma programação essencialmente musical, tendo como um dos seus programadores musicais e apresentadores o radialista e disc jockey Big Boy, falecido em 1977. Nesta fase a emissora competia com a Rádio Tamoio, dos Diários Associados, que também apresentava uma programação musical dedicada ao público jovem. Na década de 1970 a emissora investiu na black music e no rock. A partir da década de 1980, devido ao aumento da audiência das emissoras FM, a rádio decaiu aos poucos. Entre 1993 e 1996, a emissora retransmitiu integralmente a programação da CBN Rio de Janeiro, invertendo suas frequências nesse ano, com a Mundial passando para os 1180 kHz e retomando sua programação independente com samba e pagode, além de transmissões das corridas do Jockey Club do Brasil. Em 2002 a frequência foi arrendada à ONG Viva Rio, criando a Viva Rio AM. Somente as corridas do Jockey Club eram transmitidas por razões contratuais. Em 2005, o contrato com a Viva Rio se encerrou e a Mundial voltou com uma programação musical. Em 2007 transmitiu o Pan Americano do Rio de Janeiro, em simultâneo com o Sistema Globo de Rádio. Em 2008, o Sistema Globo de Rádio encerrou o contrato que tinha com o Jockey Club e começou o processo de venda da rádio. No dia 27 de maio de 2008 a emissora ganhou mais conteúdo jornalístico, com notas intercaladas nas execuções musicais.
As equipes de jornalismo da Rádio Globo Rio de Janeiro (AM 1220) e da CBN Rio de Janeiro (AM 860) eram usadas para contribuir com essas intervenções na programação. No dia 30 de janeiro de 2009, a emissora encerrou seus programas, passando a ter apenas execuções musicais. Em fevereiro do mesmo ano, foi comprada pela Igreja Mundial do Poder de Deus, passando a retransmitir, inicialmente, a Rádio Nova Mundial. Na Rádio Mundial mantinha dois programas diários, o Big Boy Show e o Ritmos de Boite, e um semanal especializado em Beatles, o extraordinário Cavern Club. Na Rádio Excelsior de São Paulo apresentava outro programa diário. Atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e DJ dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e funk, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na televisão inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, film clips com músicas de sucesso do momento. Em seu programa Papo Pop, na TV Record de São Paulo, lançou grupos brasileiros de rock. Foi também o responsável pela implantação do projeto Eldo Pop, no início das transmissões em FM no Brasil, especializado em rock progressivo e visando um público consumidor de música de vanguarda. Chegou a participar como ele mesmo da novela cômica Linguinha, ao lado do humorista Chico Anysio, na TV Globo, em 1970. Durante sua curta vida profissional, Big Boy ampliou sua coleção de discos.
Em diversas viagens a
outros países apurou seu acervo, buscando raridades como “discos piratas” de
tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de vinte mil títulos,
entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros
musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, música francesa,
trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy
constitui-se num acervo cultural importante, pois retrata vários períodos do
cenário discográfico mundial. Foi o primeiro DJ a executar, num programa de
rádio, a música Let It Be, dos Beatles, em 1970, após uma permanência na
cidade de Londres. Conseguiu, por intermédio de um amigo, adentrar num dos
estúdios de gravação da Apple, onde ensaiavam, e com um minigravador escondido
sob a roupa, registrou o pré-lançamento. A Apple construiu dois estúdios de
rádio no prédio, e ambos podem ser adaptados para podcasts, entrevistas ou
transmissões ao vivo. Outro destaque é a sala usada para mixagens em Áudio
Espacial. Ela conta com um sistema 9.2.4 da PMC e foi projetada exclusivamente
para produção em Dolby Atmos. Ao ser descoberta a trama, conseguiu evadir-se do
local com a fita gravada e a exibiu num de seus programas na Rádio Mundial do
Rio de Janeiro. Em 7 de março de 1977, Big Boy teve uma crise de asma em um
hotel em São Paulo, seguida de um infarto, e acabou falecendo. Ele foi
sepultado no Rio de Janeiro, no Cemitério de São João Batista. A Igreja Mundial do Poder de Deus é uma
denominação cristã evangélica neopentecostal internacional, com fundada na
cidade de Sorocaba, em 3 de março de 1998, por Valdemiro Santiago.
A sede da Igreja Mundial do Poder de Deus encontra-se na Cidade mundial, no bairro do Brás, em São Paulo, alternando as principais reuniões com a Cidade Mundial dos Sonhos de Deus no bairro de Santo Amaro também em São Paulo, possuindo templos espalhados hoje em 24 países. Como característica distintiva de outras denominações, a igreja mundial tem ênfase principalmente em cura e milagres, sendo apresentados diversos testemunhos durante os cultos e na programação da Rede Mundial e da IMPD TV. O primeiro templo da Igreja Mundial do Poder de Deus iniciou-se em Sorocaba, tendo como fundador o pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, sua esposa bispa Franciléia e um pequeno grupo de membros. Valdemiro Santiago fundou a Igreja Mundial em 3 de março de 1998 após se desligar do quadro de pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual fora bispo por 18 anos, por conta de desentendimentos com Edir Macedo. Inicialmente não houve muita divulgação do trabalho. Panfletos e fitas cassetes de testemunhos eram utilizados no trabalho evangelístico. Valdemiro Santiago nunca se formou em nenhum curso de teologia, nem de oratória. Aproxima-se do povo com um discurso ora popular, ora austero com constantes referências ao seu passado rural. Suas concentrações seguem um formato pré-estabelecido caracterizado pela leitura de trechos da Bíblia previamente selecionados com destaque para a apresentação de supostos milagres durante o transcurso de toda a pregação.
Em 2010, a Igreja Mundial elegeu dois deputados federais, José Olímpio (PP-SP) e Francisco Floriano (PR-RJ), além de um estadual, Rodrigo Moraes (PSC-SP). Em 2014, José Olímpio foi reeleito com mais de 154 mil votos, e Francisco Floriano foi reeleito com mais de 47 mil votos. Elegeu Milton Rangel (PSD-RJ) para deputado estadual a partir de 2015 com 28 mil votos, o deputado estadual Missionário Volnei (PR-RS) com 33.255 votos e o deputado estadual missionário Márcio Santiago (PR-MG). Valdemiro Santiago publicou livros e gravou mídias pela sua editora e gravadora WS Music. A IMPD conta com a revista Avivamento Urgente. Depois de se converter entre 2003 e 2004, o repórter Herbeth de Souza migrou para Igreja Mundial se tornou um porta voz ativo da igreja, trabalhou no extinto Aqui Agora, no programa Cidade Alerta e depois no Ratinho. Em 2001, para a TV Gazeta apresentou um quadro chamado “Impacto”, dentro do programa Mulheres. De 2010 a 2012, operou uma mini rede de rádios, denominada “Sê Tu uma Bênção”, que operava em Jundiaí em 98,1 FM. Esta rede foi desfeita e em 2013 chegou a anunciar o retorno que não ocorreu. Atualmente na 91.7, a Rádio Nova Mundial apresenta uma programação 24 horas. É proprietária da Rádio Mundial do Rio de Janeiro. A IMPD fica conhecida no Brasil a partir de 2008, quando o Grupo Bandeirantes aluga 22 horas da Rede 21, fato que gerou polêmica, pois nunca houve a concessão de um grupo de comunicação a uma igreja só para fins religiosos. Possuía duas horas diárias na RedeTV e quatro horas na Bandeirantes. Em 2009, alugou algumas horas da igreja à RedeTV!, que chegou até vencer a Rede Bandeirantes na Grande São Paulo.
Em novembro de 2013
comprou horários na Rede TV! Em 2017, se torna sócia do canal 21 TV Mercosul de
Curitiba, ocupando o espaço que antes era da Record News. No mesmo ano, o canal
21 TV Mercosul passa a se chamar Rede Mundial Curitiba. A Associação Mundial de
Assistência Social (AMAS) é uma entidade filantrópica ligada à IMPD, destinada
à assistência social, que conta com equipe de voluntários. Em 2006 o pastor
Agenor Duque e sua esposa, a Bispa Ingrid Duque, fundam a Igreja Apostólica
Plenitude do Trono de Deus. Em abril de 2009 o Bispo Roberto Damásio, na época
o braço direito do pastor, desliga-se e inaugura sua própria instituição, a
Igreja da Fé Renovada em Cristo, em São Paulo. Em 2010 o pastor Givanildo de
Souza saiu da igreja após desentendimentos com as lideranças devido a não
concordar com práticas considerados por ele como simonia, fundando a sua
própria, a Igreja Missionária do Amor, em Araçatuba, São Paulo. Em 2011 o Bispo
José Silva deixa a Igreja Mundial para fundar a Igreja Evangélica Celeiro de
Deus em Curitiba, PR. Em novembro de 2022 foi a vez do ex-número 2 da Mundial,
o bispo Luciano Neves, sair da denominação para fundar a Igreja Unida Deus
Proverá. Em pouco menos de um ano de fundação da igreja, Neves arrendou duas
horas diárias da Rede Bandeirantes.
Denunciou que os bens sagrados eram barganhados e teria
sido humilhado por não praticar campanha da “água benta” que custaria 100
reais; então, segundo ele, ao enviar a renda menor para igreja sede, era
acusado de roubo. Givanildo era responsável pela direção e arrecadação de 14
igrejas da Mundial. Saiu da denominação em setembro de 2010 e fundou sua
própria igreja, a Igreja Missionária do Amor, em Araçatuba, SP. Desde outubro
de 2013, a IMPD atravessa grave crise financeira devendo entre R$ 13 milhões e
R$ 21 milhões para o Grupo Bandeirantes, perdendo a locação de 22 horas diárias
da Rede 21, e de quatro horas diárias nas madrugadas da Band. O espaço seria
ocupado pela Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. A Igreja
Mundial se desfez de quatro horas de horário na madrugada da BAND, perdeu os
horários no Canal 21, deixou a programação da Rede TV, entregou os horários da
CNT, saiu de diferentes retransmissoras de diversos Estados, suspendeu os
projetos de programação na Argentina, México e Colômbia. Com diversas filiais,
a igreja acumula cobranças judiciais derivadas de dívidas não pagas. Em
dezembro de 2024, a Justiça de São Paulo autorizou o arrombamento de um imóvel
locado pela IMPD, localizado na Mooca, devido a uma dívida de R$ 75 mil em
aluguel. A igreja não desocupou o apartamento após a ordem de despejo, levando
a uma ação judicial movida pela Terrantez Imobiliária. O imóvel era utilizado
por pastores da instituição. Após disputas com a Igreja Universal do Reino de
Deus, sofreu denúncias de que teria uma fazenda comprada por 29 milhões de
reais. A Fazenda Santo Antonio do Itiquira, localizada em Santo Antônio de
Leverger, MT, com 10.174 hectares de terras e milhares de cabeças de gado, está
em nome da empresa W. S. Music, do pastor e sua esposa.
Desde janeiro de 2013 a
Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, apura
um suposto crime de lavagem de dinheiro, em processo que corre em sigilo. Até
os dias atuais não foi comprovado que a fazenda pertence ao pastor Valdemiro. Dias
após a reportagem da fazenda, um ex-pastor da Igreja Universal declarou a
coluna de um site “O crescimento da Igreja Mundial estremeceu as bases da
Universal”, afirma Didini, fundador do ministério Caminhar, ex-apresentador do “25ª
Hora”, da Record. – “O fato é que a Mundial tem as mesmas características de
evangelho de massa, proclama-o na linguagem do povo e tem presença maciça nos
meios de comunicação de massa", afirma o pastor Didini. “É tudo o que o
bispo Macedo não quer”. Se referindo ao fato da Igreja Universal usar a TV
Record para expor a possível Fazenda, atacando assim a Igreja Mundial e seu ex
e bem sucedido pastor Valdemiro Santiago. A assessoria da Igreja Universal não
respondeu ao pedido para se manifestar sobre as declarações de seu ex-pastor,
afirma o site Universo On Line. Em 2018, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral
do Rio de Janeiro apreenderam milhares de panfletos dos candidatos a deputado
estadual e federal Milton Ramos (PSDB) e Francisco Floriano (DEM) em templos da
Igreja na cidade de Macaé. Os próprios fiéis denunciaram a prática, já que é
proibido candidatos usarem de instituições religiosas para fazer campanha em
obediência ao Estado laico. Em fevereiro de 2025, um ex-grevista da igreja
ganhou um processo contra a instituição, com indenização de R$ 15 mil, por
danos extrapatrimoniais. A decisão foi tomada após o pastor Valdemiro Santiago de
Oliveira chamar os grevistas de “imundos” e “endemoniados”. Valdemiro Santiago
também conhecido como Apóstolo Valdemiro, é um autodeclarado apóstolo,
televangelista, empresário, líder religioso, fundador da Igreja Mundial do
Poder de Deus, escritor e cantor brasileiro. A instituição também estava
inadimplente quanto ao pagamento dos salários dos funcionários, o que levou à
greve.
Bibliografia Geral Consultada.
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