domingo, 3 de maio de 2026

Monstros de Aço – Tecnologia Industrial & Mineração a Céu Aberto.

                                                     O melhor aço tem que passar pelo fogo mais quente”. Richard Nixon

              

            Pedologia representa o estudo dos solos no seu ambiente natural. Geografia física ou fisiografia é o estudo das características naturais existentes na superfície terrestre, ou seja, o estudo das condições da natureza ou paisagem natural da Terra. A superfície da Terra é irregular e varia de um lugar para outro em função da inter-relação dinâmica entre os fatores entre si e geográfica em conjunto com outros fatores. A manifestação local deste produto dinâmica é conhecida como paisagem, que é em Geografia um fenômeno de interesse particular, mesmo considera por muitos a ser o objeto de estudo da geografia: Otto Schlüter, Siegfried Passarge, Leo Waibel, Jean Brunes, Carl Sauer, entre outros. Uma das teorias clássicas para explicação da evolução da paisagem como produto da dinâmica da superfície terrestre, é denominada teoria do ciclo geográfico. Este ciclo começa com o soerguimento do relevo, de proporções continentais, através de processos geológicos tais como epirogênese, também de “movimento epirogenético” ou epirogenia, sendo que a epirogênese é um tipo de “movimento tectônico” que consiste no deslocamento vertical da crosta terrestre e acontece em ambos os sentidos: para cima ou para baixo, vulcanismo, representa um fenômeno geológico natural determinado pelas atividades vulcânicas.  A palavra vulcão deriva do nome do “deus do fogo” na mitologia romana Vulcano. A ciência que estuda os vulcões é chamada de vulcanologia, e o profissional que atua na área vulcanóloga, que deve ter conhecimento em geofísica, e ramos da geologia tais como a petrologia e a geoquímica

         Vulcão é uma estrutura geológica criada quando o magma, gases e partículas quentes como cinza vulcânica “escapam” para a superfície. Eles ejetam altas quantidades de poeira, gases e aerossóis na atmosfera, interferindo no clima. São frequentemente considerados causadores de poluição natural. Tipicamente, os vulcões apresentam formato cónico e montanhoso. A erupção de um vulcão pode resultar num grave e extraordinário “desastre natural”, por vezes de consequências planetárias. Tal como outros eventos naturais, as erupções embora monitoradas por sistema tecnológico e conhecimento humano, são quase que imprevisíveis e causam danos indiscriminados. Entre outros, tendem a desvalorizar os imóveis em suas vizinhanças, prejudicam o turismo, interrompem o tráfego aéreo e consomem a renda pública e privada em reconstruções. Na Terra, os vulcões tendem formar-se junto das margens das placas tectónicas. Existem exceções quando os vulcões ocorrem em zonas chamadas de hot spots, locais onde o “manto superior” atinge altas temperaturas. Os solos nos arredores de vulcões formados de “lava arrefecida”, tendem a ser bastante férteis para a agricultura. O processo de vulcanismo (cf. Riggio, 2013) ocorre por meio da alta pressão e temperatura presente no interior da Terra, onde há expulsão do magma (lava), cinzas, gases, poeira, vapor d`água e de piroclastos para a superfície, orogênese, também chamada de movimento orogenético e orogenia, a orogênese é um tipo de movimento tectônico que acontece nas zonas de convergência entre placas tectônicas, que consistem nas regiões de maior instabilidade da crosta terrestre etc.

A partir disso, os rios e o escoamento superficial começam a criar vales com a forma de V entre as montanhas, a fase chamada “juventude”. Durante esta primeira etapa, o terreno é mais íngreme e mais irregular. Ao longo do tempo histórico, as correntes podem “esculpir” vales mais amplos, considerados “maturidade”. Por fim, tudo se tornaria uma planície (senilidade) nivelada à menor altitude possível e per se chamada de “nível do base”. Esta planície final foi chamada peneplanície por William Morris Davis, que significa “quase plana”. O reconhecimento da tectónica de placas na década de 1950, e da neotectônica em áreas com formação de plataformas, subsidiou novas interpretações da evolução das “paisagens”, como uma fração do espaço, como o princípio do equilíbrio dinâmico das formas de relevo. Neste princípio, a superfície pode ser modelada sem que haja “arrasamento do relevo” e “formação de peneplanícies”.   Isto se daria em função da compensação isostática, sendo as formas de relevo resultantes da interação entre os tipos de rocha e os climas atuantes. Esses processos permitem o trânsito alívio por diferentes fases. Os fatores de estos (movimentos, ruídos) processos podem ser classificados em quatro grupos: fatores geográficos: a paisagem é afetada tanto pela fatores bióticos e abióticos, que são considerados geográficos só fatores abióticos de origem exógena, tais como relevo, solo, clima e corpos d`água. O clima, com elementos como pressão, temperatura, ventos. Água de superfície com a ação do escoamento, o rio e a ação do mar. O gelo glacial com modelagem, entre outros. Esses são fatores que ajudam a modelo favorecendo processos de erosão.                                     

Fatores bióticos: o efeito de fatores bióticos no alívio geral, se opõem ao processo de modelagem, especialmente considerando a vegetação, no entanto, existem poucos animais que não trabalham com o processo erosivo, como cabras. Fatores geológicos: como placas tectônicas, o diastrofismo, a orogenia e vulcanismo são processos construtivos e de origem endógena que se opõem e interromper a modelagem do ciclo geográfico. Fatores humanos: As atividades humanas sobre o relevo são muito variáveis, dependendo da atividade desenvolvida neste contexto e como muitas vezes acontece com os homens é muito difícil generalizar e podem influenciar a favor ou contra a erosão. Embora os vários fatores que influenciam a superfície da Terra estão incluídos na dinâmica do chamado “ciclo geográfico”, fatores geográficos só contribuem para o “ciclo de desenvolvimento” e seu objetivo final, o peneplano. Enquanto o resto dos fatores biológicos, geológicos e sociais puder interromper ou perturbar o ciclo de desenvolvimento normal. Embora as mudanças climáticas façam parte da história do planeta desde os primórdios, seus efeitos foram acelerados nos últimos anos pela atividade humana. É o que alerta José Antonio Marengo, climatologista peruano, coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, órgão brasileiro que estuda o tema. O especialista explica que algumas consequências dessas mudanças ser percebidas; apesar disso, no entanto, ainda é possível implementar medidas que ajudem a reduzir o impacto que as alterações climáticas geram. Mas o que é exatamente a mudança climática? 

E quais são as causas e consequências desse fenômeno tecnológico? De acordo com a Organização das Nações Unidas, a mudança climática refere-se a mudanças de longo prazo nas temperaturas e padrões climáticos.  Portanto, diz respeito a todas as alterações que o clima sofreu em diferentes escalas de tempo, diz o climatologista peruano, confirma o climatologista peruano. A ONU explica que estas alterações podem ser naturais (tais como as variações no ciclo solar, por exemplo, mas que “desde o século 19, as atividades humanas têm sido o principal motor da mudança climática”. O que causa a mudança climática? O especialista do Cemaden considera que existem causas naturais e humanas para a mudança climática. Entre as primeiras, ele menciona a distância entre o Sol e a Terra, que é um processo astronômico natural, e as erupções vulcânicas, que liberam aerossóis capazes de bloquear a energia solar. Entre os fatores antropogênicos envolvidos na mudança climática, Marengo lista a queima de combustíveis fósseis por veículos ou indústria; o metano liberado por aterros sanitários, pela agricultura e pela pecuária; e a queima de vegetação ou biomassa como os principais. A Organização das Nações Unidas, por sua vez, deixa claro que a geração de energia a partir de combustíveis fósseis é um motivo de grande preocupação. – “A maior parte da eletricidade ainda é gerada pela queima de carvão ou gás, que produz dióxido de carbono e óxido nitroso, potentes gases de efeito estufa que cobrem o planeta e retêm o calor do Sol”, informa ciosa a entidade. Eles advertem sobre as emissões da indústria e das fábricas, principalmente da queima de combustíveis fósseis para gerar energia para produzir cimento, componentes eletrônicos ou roupas, por exemplo, todas ações que colaboram com a mudança climática. 

Os climas do planeta são determinados de acordo com a localização geográfica do lugar e a intensidade de luz solar que o mesmo recebe em certos períodos do ano. A Terra possui forma geoide, por isso a luz solar que incide na superfície do planeta não atinge com a mesma intensidade todos os pontos do mesmo. A quantidade de luz que atinge a superfície em áreas próximas à Linha do Equador é diferente das recebidas em regiões adjacentes ao Círculo Polar Ártico. Astronomicamente denominam-se “círculos polares” as linhas definidas pelos pontos de interseção entre a superfície da esfera planetária, em questão a terrestre, e uma reta imaginária (abstrata) que passe pelo centro do planeta de forma a posicionar-se sempre perpendicular ao plano eclíptico, provida no mínimo uma rotação completa do planeta, isto é, um dia sideral. Em minutos o dia na Terra dura 1440 minutos, em segundos dura 86 400. O dia sideral (rotação) utiliza as estrelas como referência para a determinação do tempo. Devido ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol, a duração do dia sideral não coincide com a do dia solar. Entre uma noite e outra o planeta Terra percorre a orbita em torno do Sol. O dia sideral é consequência do movimento de translação. Se, em um ano corresponde, um dia solar se deve ao movimento de rotação, em um dia sideral, 0.274% dele se deverá ao movimento de translação.

Considerando-se um dia solar de 24 horas, ou 1440 minutos, 3,94 minutos seriam consequência do movimento de translação e 23 horas, 56 minutos e 4 segundos consequência do movimento de rotação. A rotação (dia sideral) tem duração menor que a duração de um dia solar. Uma estrela observada numa linha perpendicular ao eixo de rotação da Terra às 00:00 de uma noite será observada, na mesma linha perpendicular às 23:56:04 na noite seguinte, após uma nova rotação. Durante esta rotação a Terra terá deslocado um pouco na sua órbita ao redor do Sol, esta é a diferença entre o que se explica sobre o dia solar e o dia sideral. O dia sideral médio, considerando as variações elípticas da órbita da Terra, é de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos. O dia sideral médio pondera diferenças que ocorrem durante o afélio da Terra, é o ponto da órbita em que um planeta, ou um corpo menor do sistema solar está mais afastado do Sol, onde o dia sideral é maior, a velocidade angular de translação da Terra é menor, e vice-versa, quando um corpo se encontra no periélio, ele tem a maior velocidade de translação de toda a sua órbita.  Quando o corpo em questão estiver orbitando outro objeto celeste que não o Sol, utiliza-se o periastro para identificar esse ponto. Quando a Terra está mais próxima do Sol, e a velocidade angular de translação é maior. Moléculas de água congelada foram descobertas à sombra de uma cratera na Lua. Isto é importante como veremos adiante.

A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), norte-americana, anunciou o Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha que detectou moléculas de água congelada na Cratera Clavius, uma enorme e antiga cratera existente nas terras altas perto do polo Sul lunar, numa região acidentada e montanhosa, crivada de antigas crateras de impacto, situada no hemisfério Sul da Lua, segundo o astrônomo Cássio Barbosa, do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros, uma instituição de ensino superior católica jesuíta. Foi uma das fundadoras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1946. Sally Ride (1951-2012) uma das 8 mil mulheres que se inscreveram para concorrerem num programa da NASA para ser a primeira astronauta do programa espacial norte-americano em 1978. Por simetria tais linhas justapõem-se a dois dos paralelos geográficos do planeta. Ao paralelo assim selecionado no hemisfério Norte dá-se o nome de Círculo Polar Ártico, e ao paralelo assim selecionado no hemisfério Sul dá-se o nome de Círculo Polar Antártico. Nas regiões entre os dois círculos verifica-se sempre um nascer e um ocaso da estrela central (o Sol no caso da Terra) a cada dia. Sobre cada um dos círculos polares, em uma data do ano não se verifica o nascer, e em outra não se verifica o poente da estrela, havendo, um dia sem iluminação e outro sem umbra ao ano. Para regiões entre cada um dos círculos polares e seu respectivo polo, quer dizer, quanto mais junta ao polo, maior o número de dias consecutivos sob aparente iluminação contínua (sem ocaso) e ocorrência de maior o número de dias sob umbra contínua (sem o amanhecer), verificando-se o extremo para tais períodos justamente nos polos.

A Escavadeira 288 (Bagger 288), anteriormente reconhecida como MAN TAKRAF RB288 construída pela empresa alemã Krupp para a empresa de energia e mineração Rheinbraun, é uma escavadeira de roda de caçamba ou máquina móvel de mineração a céu aberto. Tecnologicamente, a mineração de superfície, incluindo a mineração a céu aberto, a mineração em minas a céu aberto e a mineração de remoção do topo da montanha, é uma categoria ampla de mineração na qual o solo e a rocha que recobrem o depósito mineral (a sobrecarga) são removidos, em contraste com a mineração subterrânea, na qual a rocha sobrejacente é deixada no local e o mineral é extraído por meio de poços ou túneis. Na América do Norte, onde ocorre a maior parte da mineração de carvão a céu aberto, esse método começou a ser usado em meados do século XVI e é praticado em todo o mundo na mineração de muitos minerais diferentes. Na América do Norte, a mineração a céu aberto ganhou popularidade ao longo do século XX, e as minas a céu aberto agora produzem a maior parte do carvão extraído nos Estados Unidos da América. 

Na maioria das formas de mineração a céu aberto, equipamentos pesados, como escavadeiras, removem primeiro a camada superficial do solo. Em seguida, máquinas de grande porte, como escavadeiras de arrasto ou escavadeiras de roda de caçamba, extraem o mineral. As vantagens econômicas da mineração a céu aberto incluem custos mais baixos e maior segurança comparativamente com a mineração subterrânea. As desvantagens sociológicas incluem riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Os seres humanos enfrentam uma variedade de riscos à saúde causados ​​pela mineração, como diferentes doenças cardiovasculares, contaminação de alimentos e água. A destruição de habitats, juntamente com a poluição do ar, sonora e da água, são impactos ambientais negativos significativos causados ​​pelos efeitos colaterais da mineração a céu aberto. Existem cinco tipos principais de mineração de superfície. A mineração a céu aberto é a prática de extrair um veio mineral removendo-se primeiro uma longa faixa de solo e rocha sobrejacentes (a camada superficial); essa atividade também é conhecida como remoção da camada superficial. É mais usada para extrair carvão e linhita (carvão marrom). A mineração a céu aberto só é viável quando o corpo de minério a ser escavado está próximo da superfície e/ou é predominantemente horizontal. Esse tipo de mineração utiliza algumas das maiores máquinas do mundo, incluindo escavadeiras de roda de caçamba que podem movimentar até 12.000 m³ de terra por hora. Existem duas formas de mineração a céu aberto. O método mais comum é a mineração por alargamento de área, utilizada em terrenos relativamente planos para extrair depósitos em uma grande área.

À medida que cada faixa longa é escavada, o material de cobertura é colocado na escavação feita pela faixa anterior. A mineração por contorno envolve a remoção da camada superficial acima da camada mineral próxima a um afloramento em terrenos acidentados, onde o afloramento mineral geralmente acompanha o contorno do terreno. A remoção por contorno é frequentemente seguida pela mineração com trado na encosta, para extrair mais mineral. Esse método geralmente deixa para trás terraços nas encostas das montanhas. A mineração a céu aberto refere-se a um método de extração de rochas ou minerais da terra através da sua remoção de uma cava ou depósito aberto. Este processo é realizado na superfície do solo. É mais adequado para aceder a depósitos minerais predominantemente verticais. Embora a mineração a céu aberto seja por vezes erroneamente designada como “mineração a céu aberto”, os dois métodos são diferentes. A mineração por remoção do topo da montanha (MTR) é uma forma de mineração de carvão que extrai camadas de carvão sob o topo das montanhas, removendo primeiro o topo da montanha que recobre a camada de carvão. Explosivos são usados ​​para quebrar a camada superficial (camadas de rocha acima da camada), que é então removida. A camada superficial é então despejada por caminhões basculantes em aterros em depressões ou vales próximos. A MTR envolve a reestruturação em massa da terra para alcançar camadas de carvão a até 120 metros (400 pés) abaixo da superfície. 

A remoção do topo da montanha substitui a paisagem íngreme original por uma topografia muito mais plana. As tentativas de desenvolvimento econômico em áreas de mineração recuperadas incluem prisões, como a Penitenciária Federal Big Sandy no Condado de Martin, Kentucky , aeroportos de pequenas cidades, campos de golfe como o Twisted Gun no Condado de Mingo, Virgínia Ocidental, e o Stonecrest Golf Course no Condado de Floyd, Kentucky, bem como “locais de descarte de lodo de lavagem industrial, aterros sanitários de resíduos sólidos, parques de trailers, fabricantes de explosivos e depósitos para aluguel”. Este método tem sido cada vez mais utilizado nos últimos anos nos campos de carvão dos Apalaches, na Virgínia Ocidental, Kentucky, Virgínia e Tennessee, nos Estados Unidos. As profundas alterações na topografia e a perturbação dos ecossistemas pré-existentes tornaram a remoção do topo das montanhas altamente controversa. Os defensores da remoção do topo da montanha apontam que, uma vez que as áreas são recuperadas conforme exigido por lei, a técnica fornece terrenos planos de alta qualidade, adequados para muitos usos em uma região onde terrenos planos são raros. Eles também sustentam que o novo crescimento em áreas mineradas recuperadas do topo da montanha é mais capaz de sustentar populações de animais de caça. Os críticos argumentam que a remoção do topo de montanhas é uma prática desastrosa que beneficia um pequeno número de empresas em detrimento das comunidades locais e do meio ambiente.

Uma declaração de impacto ambiental da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América constata que os riachos próximos a aterros de vales podem, por vezes, conter níveis mais elevados de minerais na água e uma diminuição da biodiversidade aquática. A declaração estima ainda que 1.165 km de riachos dos Apalaches foram soterrados por aterros de vales entre 1985 e 2001. A detonação em uma mina de remoção de topo de montanha expele poeira e rochas voadoras no ar, que podem então perturbar ou depositar-se em propriedades privadas próximas. Essa poeira pode conter compostos de enxofre, que alguns técnicos afirmam corroer estruturas e lápides e representar um risco à saúde. Embora os locais de recuperação de mineração (MTR) devam ser recuperados após a conclusão da atividade, a recuperação tem se concentrado tradicionalmente na estabilização de rochas e no controle da erosão, mas nem sempre no reflorestamento da área. Gramíneas não nativas de crescimento rápido, plantadas para fornecer vegetação rapidamente a um local, competem com mudas de árvores, e as árvores têm dificuldade em estabelecer sistemas radiculares em aterro compactado. Consequentemente, a biodiversidade sofre em uma região dos Estados Unidos com inúmeras espécies endêmicas. A erosão também aumenta, o que pode intensificar as inundações. No Leste dos Estados Unidos, a Iniciativa Regional de Reflorestamento dos Apalaches trabalha para promover o uso de árvores na recuperação de áreas mineradas.

           A dragagem é um método de mineração abaixo do lençol freático. É mais comumente associada à mineração de ouro. Dragas pequenas geralmente usam sucção para trazer o material extraído do fundo de um corpo d`água. Historicamente, as operações de dragagem em grande escala frequentemente utilizavam uma draga flutuante; uma embarcação semelhante a uma barcaça que recolhe o material através de uma esteira transportadora na proa, filtra o componente desejado a bordo e devolve o material indesejado à água por meio de outra esteira transportadora na popa. Em vales fluviais com cascalho e lençóis freáticos rasos, uma draga flutuante pode abrir caminho através do sedimento solto em um lago criado por ela mesma. A mineração de talude alto é outra forma de mineração, às vezes realizada para recuperar carvão adicional adjacente a uma área minerada a céu aberto. O método evoluiu da mineração com trado, mas não se enquadra tecnologicamente na definição de “mineração a céu aberto”, uma vez que não envolve a remoção da camada superficial para expor a camada de carvão. O relatório final nº 2014-004 do CERB, “Mineração de Talude Alto: Metodologia de Projeto, Segurança e Adequação”, de Yi Luo, caracteriza-a como um “método de mineração de carvão semi-superficial e semi-subterrâneo relativamente novo, que evoluiu da mineração com trado”.

  Na mineração de talude alto, a camada de carvão é penetrada por uma mineradora contínua impulsionada por um mecanismo de transferência de viga hidráulica (PTM). Um ciclo típico inclui o afundamento (lançamento - empurrão para a frente) e o cisalhamento (elevação e abaixamento da lança da cabeça de corte para cortar toda a altura da camada de carvão). À medida que o ciclo de recuperação de carvão continua, a cabeça de corte é progressivamente lançada na camada de carvão por 6,01 metros (19,72 pés). Em seguida, o PTM insere automaticamente uma viga de empurrar retangular de 6,01 metros (19,72 pés) de comprimento (segmento de transportador helicoidal) na seção central da máquina, entre a cabeça de força e a cabeça de corte. O sistema de viga de empurrar pode penetrar quase 370 metros (1.200 pés) na camada de carvão. Um sistema patenteado de mineração de talude alto utiliza brocas helicoidais embutidas na viga de empurrar que impedem a contaminação do carvão extraído por detritos rochosos durante o processo de transporte.

Utilizando imagens de vídeo e/ou um sensor de raios gama e/ou outros sistemas de georradar, como um sensor de detecção da interface carvão-rocha, o operador pode visualizar a projeção da interface camada-rocha e guiar o avanço da mineradora contínua. A mineração em taludes altos pode produzir milhares de toneladas de carvão em operações de contorno com bancadas estreitas, áreas previamente mineradas, aplicações de mineração em trincheiras e veios de inclinação acentuada, utilizando um sistema de bombeamento de fluxo de água controlado e/ou um sistema de ventilação de gás (inerte). A recuperação de solo com o formato de túnel utilizado por mineradores de talude alto é muito melhor do que com furos circulares perfurados, mas o mapeamento das áreas exploradas por esse tipo de equipamento não é tão rigoroso quanto o das áreas mineradas em profundidade. O deslocamento de solo é muito menor em comparação com a mineração a céu aberto; no entanto, o custo de aquisição e operação de um minerador de talude alto é comparativamente maior. O mapeamento do afloramento, bem como os dados de perfuração e as amostras coletadas durante o processo de construção das bancadas, são levados em consideração para projetar da melhor forma os painéis que a mineradora de talude irá cortar. Obstáculos que possam ser danificados por subsidência e o contorno da mina de talude são considerados, e um topógrafo orienta a mineradora em linha de levantamento topográfico predominante perpendicular ao talude.

As linhas paralelas representam o corte na montanha até 370 metros de profundidade. Sem direcionamento ou correção de rumo em um azimute de navegação durante a mineração, isso resulta na perda de uma porção da camada de carvão e representa um risco potencial de corte em pilares de galerias mineradas anteriormente devido à deriva horizontal (rolamento) da coluna de módulos de corte e vigas de empuxo. Recentemente, mineradores de taludes altos penetraram mais de 370 metros na camada de carvão, e os modelos atuais são capazes de ir mais longe, com o auxílio da navegação giroscópica e sem a limitação da quantidade de cabo armazenada na máquina. A profundidade máxima seria determinada pela tensão de penetração adicional e pelo consumo de energia específico associado, melhor dizendo, torção e tensão na coluna de transportadores helicoidais, mas os sistemas atualmente otimizados de transporte por parafusos (vigas de empuxo) com desenvolvimento visual de produto e modelagem de elementos discretos utilizam. Na realidade o software de simulação de fluxo demonstra que penetrações estendidas com perfuração direcional inteligente são possíveis, mesmo em ângulos de inclinação acentuados, desde a horizontal até mais de 30 graus em profundidade. Em casos de mineração com declives significativos, a nova metodologia de mineração deve ser denominada “mineração direcional”, ou seja, tecnologias comuns utilizadas, como perfuração direcional e mineração direcional, apresentam sinergia valiosa e são categorizadas em técnicas “da superfície para a camada”.             

A drenagem, seja a seco ou a úmido, é desenvolvida, ou o corte e a dragagem por meio de transportadores helicoidais são estratégias proativas no desenvolvimento de um roteiro para a principal empresa global de engenharia de mineração de taludes íngremes. Historicamente, o transporte de materiais para fora das minas a céu aberto era realizado por meio de trabalho manual, veículos puxados por cavalos e/ou ferrovias de mineração. As práticas atuais tendem a utilizar caminhões de transporte em estradas de acesso projetadas nas próprias instalações da mina. Os governos federais impuseram diversas leis e regulamentos que as empresas de mineração devem seguir rigorosamente. Nos Estados Unidos, a Lei de Controle e Recuperação da Mineração de Superfície de 1977 exige a recuperação de minas de carvão a céu aberto. A recuperação de minas que não sejam de carvão é regulamentada por leis estaduais e locais, que podem variar bastante. A Lei Nacional de Política Ambiental, a Lei de Conservação e Recuperação de Recursos, a Lei Abrangente de Resposta Ambiental, Compensação e Responsabilidade e muitas outras leis tratam do tema da mineração de superfície. Em alguns casos, mesmo com legislação adequada em vigor para a mineração de superfície, alguns impactos negativos na saúde humana e no meio ambiente persistem. A mineração a céu aberto pode ter vários efeitos no ambiente. Os efeitos negativos incluem poluição do solo, da água, do ar e sonora, bem como alteração da paisagem e vários outros impactos negativos.

No entanto, novas tecnologias e gestão adequada podem facilitar o tratamento adequado do abastecimento de água e restaurar a ecologia local, o que ajuda a reconstruir o ambiente. Cada tipo de mineração a céu aberto tem seu próprio impacto ambiental. Mineração a céu aberto - Após o término das operações, os rejeitos são colocados de volta no buraco e cobertos para que o local se assemelhe à paisagem anterior à operação de mineração. Esse processo envolve a remoção de toda a vegetação rasteira da área, o que é prejudicial ao meio ambiente. Uma camada superficial do solo pode ser colocada sobre os rejeitos, juntamente com o plantio de árvores e outras vegetações. Outro método de recuperação envolve o preenchimento do buraco com água para criar um lago artificial. Grandes pilhas de rejeitos deixadas para trás podem conter metais pesados ​​que podem liberar ácidos como chumbo e cobre e contaminar os sistemas hídricos. Mineração a céu aberto - Um dos maiores tipos de mineração do mundo, e a dimensão dessas operações deixa enormes cicatrizes na paisagem, destruição de habitats ambientais e custos substanciais de limpeza. Uma mina a céu aberto pode produzir uma enorme quantidade de rejeitos, dolinas podem se formar ao longo da estrada, inundações e impactos negativos semelhantes aos da mineração em faixas. Mineração por remoção do topo da montanha - Envolve a remoção de topos de montanhas inteiros, cuja rocha residual é usada para nivelar o terreno circundante, aterrando rios e vales. Isso é muito destrutivo, pois altera a vida e o ecossistema associado.

Ao longo dos Apalaches, em estados como Kentucky e Virgínia, a remoção do topo da montanha é um método de mineração comum, onde florestas inteiras são desmatadas e a área se torna vulnerável a possíveis deslizamentos de terra, sendo a restauração, às vezes, muito difícil/custosa. Dragagem. Uma forma de mineração de superfície cujos impactos ambientais se encontram principalmente debaixo d`água. O método de extração de material do fundo do mar ou de qualquer corpo d`água acarreta riscos prejudiciais à vida marinha. No geral, os efeitos são muito menores em comparação com outros métodos de mineração. O influxo de sedimentos pode soterrar flora e fauna, alterar os níveis da água e modificar o teor de oxigênio. A poluição da água e sonora é uma preocupação que deve ser monitorada, pois a vida marinha é muito sensível e vulnerável a mudanças drásticas e prejudiciais em seu ecossistema. Minério é um agregado de minerais rico em um determinado mineral ou elemento químico que é economicamente e tecnologicamente viável para extração. Pode ser uma rocha, sedimento ou solo. O minério é constituído de minerais de minério ou minerais de interesse econômico e ganga, ou minerais que não possuem interesse econômico. A Mineração abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais. É um conceito que tem de ter em conta dois domínios, o natural e o político. Representam um conjunto de minerais utilizáveis na forma em que são extraídos, isto é, não é necessário nenhum processo de beneficiação. Estas são de alto volume e baixo valor, pois quanto mais se gastar no processamento, beneficiação e metalurgia, mais caros são os materiais. 

Metalurgia é a ciência que estuda e gerencia os metais desde a extração do subsolo até sua transformação em produtos adequados ao uso. Metalurgia designa um conjunto de procedimentos e técnicas para extração, fabricação, fundição e tratamento dos metais e suas ligas. Desde muito cedo, o homem explorou os metais para fabricar utensílios, materiais como o cobre, o chumbo, o bronze, o ferro, o ouro e a prata tiveram amplo uso na Antiguidade.   Os primeiros altos-fornos apareceram no século XIII. A indústria metalúrgica teve novo impulso no século XVIII com a revolução industrial. Com o domínio do fogo, surgia a possibilidade da metalurgia. Com exceção do ouro e, eventualmente, da prata, do cobre, da platina e do mercúrio, todos os metais praticamente existem na natureza apenas na forma de minérios, combinados com outros elementos químicos e na forma oxidada, e para extraí-lo e purificá-lo ou separar o metal da sua combinação inicial e transformá-lo em substância simples. A oxidação e a redução são fenômenos que ocorrem simultaneamente em reações em que há transferência de elétrons entre os átomos. Esses fenômenos também são chamados de oxirredução ou redox, ou seja, reduzir seu nox a zero, podemos ter como auxílio o processo de oxirredução (eletrólise industrial).

A palavra metal vem do grego e significa procurar, sondar. O ouro é um dos metais mais raros e compõe estatisticamente a proporção 1/200 000 000 da crosta terrestre. Mas provavelmente foi o primeiro metal a ser descoberto, exatamente por existir quase sempre em forma de pepita, cuja cor reluzente é amarela que chama a atenção. Era extremamente pesado, podia ser usado como ornamento por ser brilhante e podia ser moldado nas mais variadas formas, pois não era muito duro. Além disso, era permanente, uma vez que não oxidava nem deteriorava. É provável que o ser humano tenha iniciado seu trabalho com o ouro há mais de dez mil anos. O ouro e, até certo ponto, a prata e o cobre eram valiosos devido à sua beleza e raridade e tornaram-se um meio de troca e uma ótima maneira de se armazenar riquezas. Por volta de 640 a. C, os lídios da Ásia Menor inventaram as moedas, pedaços de liga de ouro e prata com peso determinado, cunhados com um brasão do governo para garantir sua autenticidade. Provavelmente, a primeira produção de metal foi obtida acidentalmente, ao se colocar certos minérios de estanho ou de chumbo numa fogueira. O calor de uma fogueira (cerca de 200 °C) e o carvão são suficientes para derreter e purificar estes minérios, produzindo um pouco de metal. Depois, o estanho e chumbo também podem ser derretidos e moldados numa fogueira comum.

                   

As primeiras contas de chumbo reconhecidas atualmente foram encontradas em Çatalhüyük, na Anatólia, atualmente Turquia, tendo sido datadas de 6500 a.C. Não está claro sobre quando os primeiros artefatos de estanho foram moldados, pois este é um metal mais raro que o chumbo. Os primeiros moldes de estanho poderiam ter sido também reutilizados mais tarde em misturas com outros metais e, assim, terem-se perdido seus registros. Embora o chumbo seja um metal relativamente comum, é muito macio para ter grande utilidade, de modo que o início da metalurgia do chumbo não teve impacto significativo no mundo antigo. Para servir como ferramenta, outro metal mais duro era necessário e, assim, surgiu o uso do cobre. A primeira evidência referente à metalurgia humana data do quinto e sexto milênio antes da Era Cristã e foi encontrada nos sítios arqueológicos de Majdanpek, Yarmovac e Plocnik, na Sérvia. Estes exemplos incluem um machado de cobre de 5.500 a.C., que pertencia à cultura Vincha. Outros sinais de metalurgia humana do 5º milénio a.C. foram encontrados num sitio arqueológico do Neolítico, na Almeria, Sul de Espanha e a partir do terceiro milênio a.C. em lugares como Palmela (Portugal), Cortes de Navarra (Espanha), e Stonehenge (Reino Unido).

No entanto, como muitas vezes acontece com estudos pré-históricos, os marcos iniciais não podem ser claramente definidos e novas descobertas são contínuas e permanentes. O período calcolítico, ou Idade do Cobre, fica entre a idade da pedra polida, ou neolítico, e a idade do bronze. O cobre nativo era conhecido por algumas das mais antigas civilizações que se tem notícia e tem sido utilizado pelo menos há dez mil anos - onde atualmente é o norte do Iraque foi encontrado um colar de cobre de 8.700 a.C. Porém, o descobrimento acidental do metal pode ter ocorrido há vários milênios. Havia alguns argumentos de que o cobre seria o primeiro metal a ter sido obtido acidentalmente em fogueiras, mas isso parece improvável, uma vez que fogueiras não são quentes o suficiente para derreter minérios de cobre nem cobre metálico. Um caminho mais provável pode ter sido através dos fornos de cerâmica, inventados na Pérsia (Irã) por volta de 6000 a.C. Fornos de cerâmicas, além de, logicamente, produzirem cerâmica, também podiam derreter certos quartzos de diferentes cores para vitrificar e tornar vasos de cerâmica coloridos; acontece que a malaquita (um minério de cobre oxidado) é uma pedra verde colorida, e um oleiro que tentasse produzir algum vidro com malaquita acabaria obtendo cobre metálico. Assim pode ter iniciado a metalurgia do cobre.

O primeiro artefato de cobre moldado conhecido é a cabeça de um martelo encontrada em Can Hasan, Turquia Central, sendo datado de 5000 a.C. Embora na época fosse um metal raro, indícios apontam que o cobre foi utilizado no leste da Anatólia em 6500 a.C. em Alaca, necrópole pré-hititas. Em diversos sítios daquela região existem objetos que representam touros e cervos do metal. Também foram encontradas obras de joalheria e ourivesaria, que se presumem ter a mesma datação. Em 3500 a. C. acredita-se que tenha havido um rápido desenvolvimento da metalurgia na região da Mesopotâmia - e que este pode ter proporcionado o crescimento tecnológico daquela região. Existem indícios em diversos sítios que em aproximadamente 3000 a. C., utensílios de cobre se disseminaram pelo Oriente Médio chegando a atingir culturas neolíticas na região da Europa. Na Espanha, França e Hungria, regiões em que o cobre é abundante, as tribos nômades faziam usos de objetos daquele metal, difundindo-o pela região. O cobre gerou algum impacto no mundo antigo, pois produzia boas armas e armaduras razoáveis, mas ainda era muito macio para produzir ferramentas de corte úteis.

Consequentemente, a metalurgia do cobre não substituiu a manufatura de armas e ferramentas de pedra, que ainda produziam lâminas superiores. O bronze é uma liga de cobre com um metaloide chamado arsênio ou de cobre com o metal estanho. A adição de arsênio ou de estanho no cobre aumentou dramaticamente sua dureza, produzindo armas e armaduras excelentes. O conhecimento da metalurgia do bronze permitiu aos reis superar seus inimigos e causou tal revolução que marcou o fim da Idade da Pedra e o começo da Idade do Bronze. Entretanto, passaram-se milênios até que o bronze pudesse ser usado por soldados comuns e por cidadãos, tendo sido, por muito tempo, artigo de luxo da nobreza. Os primeiros bronzes de cobre/arsênio foram usados por muito tempo até serem substituídos pelos bronzes modernos de cobre/estanho por volta de 1500 a. C. Não se sabe ao certo historicamente se os ferreiros que produziam bronze de cobre/arsênio adicionavam minérios de arsênio ou se exploravam per se minas de cobre que continham arsênio. Os primeiros bronzes de cobre/estanho datam de 3200 a.C., novamente da Ásia Menor. Os bronzes de cobre/estanho são mais duros e duráveis que os de cobre/arsênio e, além disso, o trabalho com arsênio não é seguro, uma vez que o arsênio é um elemento venenoso, podendo ter sido o primeiro “mal industrial” a atormentar o homem.

Tudo isso contribuiu para tornar obsoleto o bronze de cobre/arsênio. Como os ferreiros aprenderam a produzir bronze com cobre e estanho também é um mistério. Tal conhecimento provavelmente surgiu por um acidente: pela contaminação de estanho em minérios de cobre, embora, por volta de 2000 a. C, saibamos que o estanho já era minerado para a produção de bronze. Isto é surpreendente, visto que o estanho é um metal semi-raro, e mesmo um minério rico em estanho como a cassiterita contém somente 5% dele. Igualmente, a cassiterita perece uma rocha comum, sendo necessário habilidades especiais (ou instrumentos especiais) para encontrá-la. Mas, quaisquer tenham sido os passos para se aprender sobre o estanho, ele já era bem compreendido em 2000 a.C. Entre as mais notáveis relíquias da Idade do Bronze estão as escrituras épicas Ilíada e Odisseia, nas quais os guerreiros lutavam com armaduras de bronze e com lanças cujas pontas eram de bronze. O minério de cobre não é comum, e as civilizações que usaram o bronze intensamente descobriram ter exaurido o suprimento local, tendo que importar grandes quantidades de outros países. O minério de estanho era ainda pior. O cobre já não é um componente comum da crosta terrestre, mas o estanho é menos ainda.            

Aliás, o estanho é quinze vezes mais raro que o cobre. Isso queria dizer que pelo ano 2500 a.C., tempo em que ainda se encontrava o cobre em vários locais do Oriente Médio, o suprimento local de estanho parecia ter-se exaurido completamente. Foi a primeira vez na história que os homens enfrentaram o esgotamento de um recurso natural; não apenas um esgotamento temporário, como o do alimento em tempos de seca, mas sim permanente. As minas de estanho esvaziaram-se e nunca mais tornariam a se encher. A menos que o ser humano pretendesse se ajeitar com o bronze existente, novos suprimentos de estanho teriam que ser encontrados em algum lugar. A busca continuou por áreas cada vez mais amplas e, por volta de 1000 a. C, os navegadores fenícios ultrapassavam a região Mediterrânea e talvez já chegassem a regiões tão distantes quanto Índia, África e Europa. Porém, nesse ínterim, desenvolvera-se uma técnica de obtenção do ferro a partir de seus minérios em 1300 a. C., na Ásia Menor. O ferro era de purificação mais difícil. Exigia uma temperatura mais alta, e a técnica da utilização do carvão vegetal para esse propósito levou algum tempo para se desenvolver. Mineração a céu aberto refere-se ao método de extração de rochas ou minerais da terra por sua remoção de um poço aberto ou de uma escavação em empréstimo. O termo é usado para diferenciar esta forma de mineração dos métodos extrativos que requerem perfuração de túneis na terra - mineração subterrânea.

A mineração a céu aberto é usada quando depósitos de minerais ou rochas comercialmente úteis são encontrados perto da superfície; isto é, onde a espessura do terreno de cobertura situado por cima do material de interesse, e que tem de ser removido para se chegar a este é relativamente pequena ou o material de interesse é estruturalmente impróprio para a abertura de túneis como é o caso de areias, cinzas vulcânicas e cascalhos. Onde os minerais ocorrem muito abaixo da superfície, e a espessura dos terrenos de cobertura é grande ou o mineral ocorre em veios na rocha - o material de interesse é extraído usando métodos de mineração subterrânea. As minas a céu aberto são ampliadas tipicamente até que o recurso mineral ou o lote de terra possuído pela companhia de mineração se esgote. Minas a céu aberto de onde se extraem naturalmente materiais de construção e pedra ornamental são geralmente chamadas pedreiras. A maioria das pessoas dificilmente distingue na vida cotidiana os vários tipos de minas a céu aberto, como pedreiras, empréstimos, minas de aluvião, e as minas de lavra em tiras. As minas a céu aberto são geralmente expandidas até que o recurso mineral seja esgotado, ou até que a razão crescente entre o volume de terreno de cobertura e o volume de minério torne a continuação da extração não-econômica. Quando tal acontece, as minas a céu aberto podem ser transformadas em aterros sanitários

Porém, em geral, é necessário que exista algum tipo de controle da água para a mina não se transformar em lago. Materiais extraídos de minas a céu aberto incluem: argila, carvão, coquina, granito, gravilha, gesso, calcário, mármore, metais: cobre, ferro, por exemplo, areia e cascalho, arenito. ThyssenKrupp é um grupo industrial diversificado de alta tecnologia alemão com mais de 155.000 empregados em quase 80 países. A empresa resultou de uma união em 1999 das empresas Thyssen e Krupp. No ano fiscal de 2011/2012 ThyssenKrupp gerou vendas de € 40 bilhões. O Grupo é formado por 670 empresas difundidas pelo mundo e é um dos maiores produtores de aço no mundo contemporâneo. Possui três unidades de serviço: aço, bens de capital e serviços. A produção de aço se concentra no aço carbono e aço inoxidável, enquanto as unidades de bens de serviço abrangem três segmentos: elevadores, indústria automotiva (peças, subconjuntos e módulos) e construção de plantas de indústrias de alta tecnologia e desenvolvimento de componentes e maquinário. Na Alemanha, o grupo já pagou em 2007 uma multa recorde de 480 milhões de euros pela Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, por envolvimento em um cartel, ferindo a livre concorrência. Mesmo com o histórico da grande multa, ThyssenKrupp teve de pagar uma outra multa de 88 milhões de euros em julho de 2013 por ter outro envolvimento há uma década num cartel de ferrovias, sendo a companhia que pagou o maior preço na multa em comparação às outras envolvidas no esquema. 

A ThyssenKrupp AG é um grupo siderúrgico alemão oficialmente estabelecido em 1999 da fusão da Friedrich Krupp AG Hoesch-Krupp e da Thyssen AG. Com subsidiárias em vários continentes, suas sedes estão localizadas em Essen e Duisburg, Alemanha. A sede anterior ficava em Düsseldorf. A ThyssenKrupp está estruturada em seis divisões: Steel Europe, Components technology, Elevator technology, Material services, Industrial solutions e Marine systems. Em março de 1997 a Friedrich Krupp AG Hoesch-Krupp, com sede em Essen, tentou assumir o controle da Thyssen AG, com sede em Düsseldorf, mas não obteve sucesso após o vazamento de informações de um dos bancos envolvidos na potencial transação. Isso desencadeou uma onda de protestos e manifestações por parte dos funcionários da Thyssen AG, que culminaram com a presença de quase 30.000 colaboradores na sede do Deutsche Bank em Frankfurt. A Krupp e a Thyssen decidiram iniciar negociações de fusão, que foram finalizadas em 1997e feito em1999. O logotipo da nova estrutura combina o da Krupp (três anéis) com o da Thyssen. Em novembro de 2005 o grupo Arcelor lançou uma oferta agressiva de aquisição da empresa canadense Dofasco. Para contrariar essa ofensiva, a ThyssenKrupp interveio lançando uma oferta amigável de aquisição de € 3,5 bilhões, representando um prêmio de 9,8% sobre a oferta hostil da Arcelor. O acordo foi finalizado no final de janeiro de 2006 em favor da Arcelor por um montante de 4,6 mil milhões de dólares.

Em 21 de fevereiro de 2007 a Comissão Europeia multou os quatro maiores fabricantes mundiais de elevadores, a saber: ThyssenKrupp, Kone, Otis e Schindler por participarem num cartel ilegal no mercado de elevadores e escadas rolantes, o que viola as regras de concorrência consagradas nos tratados europeus. A ThyssenKrupp foi condenada a pagar uma multa de 479 milhões de euros ao orçamento europeu. Em novembro de 2013 a ThyssenKrupp vende suas operações nos EUA para uma oferta conjunta da ArcelorMittal e da Nippon Steel & Sumitomo Metal por quase 200 bilhões de ienes ou US$ 1,97 bilhão. Em junho de 2014 a ThyssenKrupp vende um estaleiro especializado em submarinos localizado na Suécia para a Saab por 50 milhões de euros. Em dezembro de 2014 a ThyssenKrupp adquiriu a empresa de manutenção de elevadores Lift & Engineering Services por um valor desconhecido. 

Em 2015, a ThyssenKrupp Elevators anunciou a demissão de 258 pessoas na fábrica de Angers, na França. Em abril de 2016 a Vale anunciou a venda de sua participação de 26,87% na fábrica brasileira ThyssenKrupp CSA por um valor simbólico de um euro. Em 2017, a ThyssenKrupp vendeu toda a operação para a empresa argentina Ternium por US$ 1,5 bilhão. Combinando os custos adicionais de construção com os custos de inicialização, as perdas da ThyssenKrupp chegaram a € 12 bilhões. Incluindo a venda das fábricas nos Estados Unidos e no Brasil, bem como a participação financeira da Vale, o resultado líquido do empreendimento americano foi um prejuízo de aproximadamente € 8 bilhões. Em janeiro de 2017 a ThyssenKrupp adquiriu da Airbus a participação de 49% que ainda não possuía na Atlas Elektronik, por um valor não divulgado. A ThyssenKrupp já havia adquirido a participação da BAE Systems nessa subsidiária em dezembro de 2005. Em setembro de 2017A ThyssenKrupp e a Tata Steel anunciaram a fusão das suas operações siderúrgicas europeias, anunciando simultaneamente a reestruturação deste negócio com a eliminação de 4.000 postos de trabalho. A sede desta nova joint venture, denominada ThyssenKrupp Tata Steel e detida em partes iguais (50-50), ficará localizada nos Países Baixos. A ThyssenKrupp Tata Steel terá 48.000 funcionários e um volume de negócios de 15 mil milhões de euros. Em maio de 2019 a ThyssenKrupp anuncia o abandono da fusão, em conformidade com os requisitos das autoridades europeias da concorrência. Na sequência deste insucesso, a ThyssenKrupp anuncia a sua intenção de cotar a subsidiária de elevadores na bolsa de valores e um plano de reestruturação com o objetivo de eliminar 6.000 postos de trabalho.

Em agosto de 2019 a ThyssenKrupp anuncia que vai apresentar uma queixa contra a rejeição do seu projeto de fusão pela Comissão Europeia, aumentando assim a pressão sobre as regras europeias de concorrência consideradas demasiado rigorosas através deste procedimento raro. Em janeiro de 2020 a Kone anuncia que está lançando uma oferta de aquisição da subsidiária de escadas rolantes e elevadores da ThyssenKrupp por 17 bilhões de euros, mas sua oferta é abandonada. Em fevereiro de 2020 a ThyssenKrupp anuncia a venda de sua subsidiária especializada em escadas rolantes e elevadores (TK Elevator) por 17,2 bilhões de euros para um consórcio de fundos de investimento composto por Advent, Cinven e RAG. Em julho de 2021, a FLSmidth anunciou a aquisição do negócio de mineração da Thyssenkrupp por € 325 milhões. Em agosto de 2021, a ThyssenKrupp anunciou a venda de seu negócio de infraestrutura para um fundo de investimento. Em abril de 2024, o bilionário checo Daniel Kretinsky compra 20% do negócio de aço da Thyssenkrupp. Em 2024, o Ministério da Economia da Alemanha considerou um investimento do governo federal na ThyssenKrupp. O banco estatal KfW e a empresa de private equity Carlyle estavam supostamente em negociações políticas para adquirir conjuntamente o controle da TKMS. Em novembro de 2024, a ThyssenKrupp anunciou planos para cortar 11.000 empregos até 2030, incluindo o fechamento de sua unidade de Kreuztal-Eichen, que empregava 1.000 pessoas. Em março de 2025, o grupo anunciou a eliminação de mais 1.800 postos de trabalho na sua divisão automóvel.

Bibliografia Geral Consultada.

DELVIGNE, Jean, Pédogenèse en Zone Tropicale: La Formation des Minéraux Secondaires en Milieu Ferrallitique. Paris: Editor Dunod, 1965; TURNER, Victor, La Selva de los Símbolos. Madrid: Siglo Veintiuno Editores, 1980; BRAGA, José Carlos de Souza, Temporalidade da Riqueza - Instabilidade Estrutural e Financeirização do Capitalismo. Tese de Doutorado. Instituto de Economia. Campinas:  Universidade de Campinas, 1985; SCHRÖEDINGER, Erwin, What Is Life? Cambridge: Cambridge University Press, 1992; BLOOM, Harold, O Cânone Ocidental: Os Livros e a Escola do Tempo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1995; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; ELIAS, Norbert; SCOTSON, John, Os Estabelecidos e os Outsiders: Sociologia das Relações de Poder a Partir de Uma Pequena Comunidade. Rio de Janeiro: Editor Jorge Zahar, 2000; HOBSBAWM, Eric, Nazioni e Nazionalismi dal 1780. Programma, Mito, Realtà. Torino: Einaudi Editore, 2002; CARVALHO, Marçal Luis Ribeiro, A Questão Punitiva na Pós-modernidade: Desafios Contemporâneos à Luz da Ética da Alteridade. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2010; HILFERDING, Rudolf, Il Capitale Finanziario. Tradução de Vittorio Sermonti, Savero Vertone. Milano: Editore Mimesis, 2011; ZELIZER, Viviana, El Significado Social del Dinero. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econômica, 2011; RIGGIO, Giuseppe, La Memoria del Vulcano. Il Novecento Raccontato Dalla Gente dell`Etna. Itália: Editora‎ Maimone, 2013; MORIN, Edgar, Rumo ao Abismo: Ensaios sobre o Destino da Humanidade. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2011; Artigo: “Alemanha multa ThyssenKrupp em € 88 milhões por cartel de ferrovias - Empresas – iG”. In: Estadão, 23 de julho de 2013; FERREIRA, Tiago Alfredo da Silva, Entendimento, Conhecimento e Autonomia: Virtudes Intelectuais e o Objetivo do Ensino de Ciências. Tese de Doutorado em Ensino, História e Filosofia das Ciências. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2015; OLIVEIRA, Regina Cibelle, Gobseck`s: Entre a Prostituição e a Agiotagem. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês. Departamento de Letras Modernas. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; NOGUEIRA, Penelope, “Monstro de Aço: Máquina Consome Energia de Uma Cidade Para Operar”. Disponível em: https://revistaforum.com.br/30/04/2026; entre outros.

sábado, 2 de maio de 2026

Estação Bielorrúsia – Guerra Patriótica, Trabalho & Ética de Solidariedade.

            Na terra sofredora, as explosões estão trovejando hoje e as pessoas estão morrendo”. Alexander Lukashenko

        Aleksandr Grigorievitch Lukashenko, ou Łukašenka, nascido em 30 de agosto de 1954 é um historiador, militar, economista, diretor agrícola e político bielorrusso. É o atual presidente da Bielorrússia. Eleito pela primeira vez em 20 de julho de 1994 com mandato até 2001, foi novamente reeleito. O seu governo é muito controverso: os seus apoiadores afirmam que sua política econômica salvou o país das piores consequências do capitalismo pós-soviético. Entretanto, seus opositores o acusam de ser ditador, sendo reconhecido inclusive como “o último tirano da Europa”. Os Estados Unidos da América e a União Europeia proibiram a entrega de vistos para ele e a sua família. É considerado o homem mais rico da Bielorrússia, com uma fortuna estimada em 2010 de US$ 9 bilhões de dólares. Lukashenko foi membro do Partido Comunista da União Soviética até a Bielorrússia e os outros estados soviéticos tornarem-se Independentes. Quando jovem, teve experiência militar no exército soviético, depois se tornou vice-presidente de uma fazenda coletiva (sovkhoz). Foi eleito deputado no Conselho Supremo da República da Bielorrússia, em 1990, onde ele apoiou os esforços de linha dura para expulsar reformistas na Era de Mikhail Gorbachev, foi o último governante soviético, estando no poder de 1985 a 1991. Formou-se em Direito e em Produção Agrícola. Entrou para o Partido Comunista na década de 1950 e cresceu rapidamente na hierarquia desse partido. Implantou duas reformas importantes em seu governo: a glasnost e a perestroika.

Ele presidiu o comité anti-corrupção do parlamento em 1993 e concorreu à presidência em uma plataforma populista nas eleições de 1994. Logo depois, ele iria empurrar uma nova constituição, apesar do protesto de dezenas de membros do parlamento que pediram seu impeachment, que, basicamente, concedido o regime de Lukashenko uma ditadura legal. Em 2005, 2006 e em 2008, ele foi presidente do Conselho Interestadual da Comunidade Econômica da Eurásia. Lukashenko nasceu na cidade de Orsha, em 31 de agosto de 1954. Formou-se na Universidade Estatal Pedagógica de Mogilev em 1975 e na Academia Agrícola da Bielo-Rússia em 1985, em História e Economia. Em 1975, Lukashenko casou com sua namorada de colégio, Galina Rodionovna, e eles tiveram dois filhos: Viktor, nascido em 1975, e Dmitry, nascido em 1980. Viktor trabalha como assessor do seu pai, mas Lukashenko considera, aparentemente, como seu “herdeiro” um filho de outra relação matrimonial, Nikolai Lukashenko, nascido por volta de 2005 (a mãe é alegadamente Irina Abelskaya, sua médica) e que ele apresentou oficialmente ao casal Obama e levou a eventos como a Assembleia Geral da ONU e a um desfile militar na China em 2015. Sua esposa Galina vive afastada do público desde o início de seu primeiro mandato, numa fazenda remota em Shkloŭ, enquanto a biografia presidencial oficial omite qualquer menção a ela e mesmo aos filhos. 

Lukashenko é reconhecido por ter um grande interesse em concursos de beleza do seu país. Em 2019, a imprensa começou a reportar que ele estaria namorando a Miss Bielorrússia 2018, Maria Vasilevich, que havia participado do Miss Mundo 2018 e com quem ele havia sido visto em diversos eventos públicos, inclusive na Copa do Mundo FIFA de 2018. Os dois foram vistos dançando juntos nos bailes de final de ano de 2019 e 2020. Galina Rodionovna, sua esposa, foi banida e não participa da vida pública do marido. Segundo o website Alfa da Lituânia em janeiro de 2010, ela vive no distrito de Shkloŭ, “uma remota vila bielorrussa esquecida por todos”. Em novembro de 2019, a imprensa reportou que Maria Vasilevich havia ganho um assento no parlamento em eleições fraudadas. Segundo o The Sun britânico, “nenhum candidato da oposição ganhou uma cadeira nas eleições parlamentares de fim de semana - embora Vasilevich, que não tem experiência e nem mesmo campanha, tenha conquistado uma cadeira como parlamentar”. Grandes eventos como futebol e hóquei no gelo continuaram com sua agenda regularmente no país e Lukashenko chegou a dizer que jogar hóquei protege contra o vírus. “É melhor morrer de pé do que viver de joelhos! Não há vírus no gelo. Isto é um frigorífico. Eu vivo a mesma vida que sempre vivi, ainda ontem tive uma sessão de treino com a minha equipe. Encontrámo-nos, apertámos as mãos, abraçámo-nos, batemos uns nos outros”. 

Em 28 de julho de 2020, Lukashenko anunciou que testou positivo para a covid-19, mas que já estava recuperado. Logo após sua reeleição em 2020, depois de 26 anos no poder, os bielorrussos começaram a protestar, dizendo que as eleições haviam sido fraudadas. Segundo a Euronews em 11 de agosto, “Lukashenko diz que não passam de ´carneiros ao serviço das potências estrangeiras` e ´querem armar confusão no nosso país. Avisei que não iriam fazer o mesmo que na Ucrânia, por muito que queiram fazer isso. As pessoas têm de se acalmar`”. Na Bielorrússia os votos dos eleitores são feitos em cédulas de papel, onde os eleitores marcam suas escolhas e em seguida depositam o voto em uma urna. A contagem dos votos é realizada manualmente pelas comissões eleitorais nas seções eleitorais. A transparência e a segurança desse processo têm sido amplamente questionadas. Observadores internacionais e grupos dos direitos humanos frequentemente apontam para possíveis manipulações e irregularidades no registro e na contagem dos votos. Sua opositora Svetlana Tikhanovskaya pediu a recontagem dos votos, mas teve que deixar o país logo após o pleito, se refugiando na Lituânia. Antes, o marido de Svetlana, Sergei Tikhanovsky, um blogueiro popular, havia sido impedido de concorrer e enviado para a prisão. Enquanto isto, Maria Vasilevich, escreveu em seu Instagram que os protestos deveriam parar. “Aqueles que causam desordem, parem com a agressão!”, escreveu em seu Instagram. Enquanto a União Europeia condenava a repressão aos protestos após as eleições de 2020, Lukashenko recebeu apoio da China e da Rússia, de quem é aliado.  Em 3 de setembro de 2020, após o governo alemão ter noticiado no dia anterior que o opositor de Putin, Alexei Navalny (1976-2024), havia sido envenenado, Lukashenko disse que “não houve envenenamento de Navalny”.      

       A Bielorrússia é um país sem saída para o mar, relativamente plano, com grandes extensões de terreno pantanoso. De acordo com uma estimativa realizada em 2005 pela Organização das Nações Unidas, 40% do país está coberto por florestas. Diversos riachos e cerca de 11 mil lagos podem ser encontrados na Bielorrússia. Três grandes rios cortam o país: o Neman, o Pripyat, e o Dnieper. O Neman corre em direção oeste, rumo ao mar Báltico, enquanto o Pripyat vai para Leste, rumo ao Dnieper, que por sua vez deságua no mar Negro. O ponto mais elevado geograficamente da Bielorrússia é o Dzyarzhynskaya Hara (Monte Dzyarzhynsk), com 345 m de altitude, e seu ponto mais baixo é o rio Neman, situado a 90 m. A altitude média do país é de 160 m acima do nível do mar. Seu clima apresenta invernos frios, com temperaturas médias, em janeiro, de −6 °C, e verões frescos e úmidos, com uma temperatura média de 18 °C. A Bielorrússia tem uma média de chuva anual de 550 a 700 mm. O país se situa na zona de transição entre o clima continental e o clima oceânico. Entre os recursos naturais da Bielorrússia estão depósitos de turfa, pequenas quantidades de petróleo e gás natural, granito, dolomita (calcário), marga, giz, areia, cascalho e argila. Cerca de 70% da radiação resultante do desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986 na vizinha Ucrânia, penetrou o território bielorrusso, e em 2005 cerca de um quinto das terras do país, especialmente fazendas e florestas nas províncias do Sudeste continuam a ser afetadas pela cinza nuclear. As Nações Unidas e agências internacionais procuraram reduzir o nível de radiação nas áreas afetadas, através do uso de substâncias retentoras de césio e do cultivo de colza, visando diminuir os níveis de césio 137 no solo.

A Bielorrússia faz fronteira com a Letônia, ao Norte, com a Lituânia, a Noroeste, a Polônia a Oeste, a Rússia ao Norte e Leste e a Ucrânia ao Sul. Tratados realizados em 1995 e 1996 demarcaram as fronteiras da Bielorrússia com a Letônia e a Lituânia, porém a Bielorrússia não ratificou um tratado de 1997 que estabelecia a fronteira Bielorrússia-Ucrânia. A Bielorrússia e a Lituânia ratificaram os documentos que estabeleceram de maneira final a demarcação de suas fronteiras em fevereiro de 2007. As florestas bielorrussas ocupam 40% da superfície do país. São limpas, bem gerenciadas e altamente protegidas. A Constituição estipula que as florestas pertencem ao Estado; portanto, não há florestas privadas no país. Entretanto, algumas áreas florestais são arrendadas a empresas internacionais. A extração de madeira é altamente regulamentada a fim de manter a cobertura florestal estável e muitas áreas são protegidas. O alto número de guardas florestais e um nível relativamente baixo de corrupção permite que o país aplique suas leis melhor do que muitos de seus vizinhos, tais como Rússia, Ucrânia ou Polônia. A política de proteção florestal é de longa data. O corte maciço de madeira começou a corroer gravemente as florestas do país no início do século XX. Em 1945, eles haviam sido reduzidos a 25% do território da Bielorrússia. Entretanto, a partir dos anos 1950, a política ambiental do regime soviético enfatizou o equilíbrio entre a exploração e a proteção dos recursos naturais, de modo que no início dos anos 1990 o país havia voltado para a área florestal do início do século. A Floresta de Białowieża é um Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1992. Considerada “a última floresta primária da Europa”, foi usada como campo de caça pela aristocracia russa já no século XV.

Durante o período soviético, após a 2ª guerra mundial (1939-1945), ela se tornou uma área protegida, uma vitrine da política ecológica do regime comunista. Um refúgio para muitos mamíferos, notadamente o bisonte europeu, só ele concentra 70% da flora da Bielorrússia. Indivíduos de etnia bielorrussa constituem 81,2% do total da população do país. Os outros principais grupos étnicos são os russos (11,4%), poloneses (3,9%) e ucranianos (2,4%). Os dois idiomas oficiais do país são o russo e o bielorrusso. O russo é o principal idioma, utilizado por 72% da população, enquanto o bielorrusso, segunda língua oficial, é utilizado apenas por 11,9%. O polonês, o ucraniano e o iídiche oriental também são falados por minorias. A Bielorrússia tem uma densidade populacional de cerca de 50 hab./km2; 71,7% do total está concentrado nas áreas urbanas. Minsk, a capital e maior cidade do país, é lar de 1 741 400 dos 9 724 700 habitantes da Bielorrússia. Gomel, com 481 000 habitantes, é a segunda maior cidade do país, e capital do Voblast de Homel. Outras grandes cidades são Mogilev (365 100), Vitebsk (342 400), Hrodna (314 800) e Brest (298 300). Como muitos outros países europeus, comparativamente, a Bielorrússia tem um crescimento populacional negativo, e uma taxa negativa de crescimento natural. Em 2007 a população do país diminuiu em 0,41% e sua taxa de fertilidade era de 1,22. Sua taxa bruta de migração é de +0,38 por 1 000, indicando que a Bielorrússia tem uma imigração levemente superior à sua emigração. Em 2007, 69,7% da população do país tinha entre 14 e 64 anos de idade; 16% tem menos de 14, e 14,6% tem mais de 65. Sua população também está envelhecendo; enquanto a idade média atualmente é de 37, estima-se que a idade média dos bielorrussos estará entre 55 e 65 anos em 2050. Existem cerca de 0,88 homens para cada mulher no país. A expectativa de vida média é de 68,7 anos com 63,0 para homens e 74,9 para as mulheres.

Mais de 99% dos bielorrussos são alfabetizados. Historicamente, a Bielorrússia teve a predominância de diferentes religiões, principalmente o cristianismo ortodoxo, o catolicismo especialmente nas regiões ocidentais, diferentes denominações do protestantismo, especialmente durante o período de união com a Suécia protestante. Grandes minorias praticam o judaísmo e outras religiões. Diversos bielorrussos se converteram à Igreja Ortodoxa Russa depois que a Bielorrússia foi anexada pela Rússia, após a partilha da Comunidade Polonesa-Lituana. Como consequência, a ortodoxia russa tem atualmente mais adeptos que as outras denominações cristãs. A minoria católica romana do país, que forma cerca de 10% da população do país, e se concentra na parte ocidental do país, especialmente em torno de Hrodna, e é formada por uma mistura de bielorrussos e da minoria polonesa e lituana do país. Em torno de 1% da população pertence à Igreja Greco-Católica Bielorrussa. Atualmente, o país tem a maior proporção de católicos romanos em toda a Europa do Leste. A Bielorrússia já foi um dos grandes centros judaicos da Europa, com até 10% da população pertencendo à religião em determinado ponto de sua história, porém a população de judeus foi reduzida drasticamente pelas guerras, fomes, o Holocausto e a imigração subsequente; hoje em dia os judeus formam uma minoria bem pequena, de cerca de 1% ou menos. Os tártaros de Lipka, muçulmanos, totalizam mais de 15 000 indivíduos. De acordo com o Artigo 16 da Constituição da Bielorrússia, o país não tem religião oficial. Embora a liberdade de religião seja estabelecida no mesmo artigo, organizações religiosas tidas como ameaçadoras ao governo, à ordem social ou ao país podem ser proibidas.

    O nome Bielorrússia deriva da expressão Rússia Branca (“Branco-Rus”). O nome descrevia a área da Europa Oriental coberta por neve e povoada por povos eslavos, em oposição à Ruténia Negra, controlada pelos lituanos. Outra origem para o nome poderia ser a vestimenta branca utilizada no período pela população eslava. Outras hipóteses para o nome diriam respeito às terras meridionais do país Polatsk, Vitsiebsk e Mahilyow, que não haviam sido conquistadas pelos tártaros; antes de 1267, a terra que não havia sido conquistada pelos mongóis era considerada parte do “Rus Branco”, dado que bel ou biel também significaria “livre”, num período em que a maior parte da Rússia se encontrava sob o jugo dos tártaros. O nome apareceu pela primeira vez na literatura medieval alemã e latina. Nas crônicas escritas por Jan de Czarnków (1320-1387), mencionava-se que o grão-duque lituano Jogaila e sua mãe teriam sido encarcerados, em 1381, em “Albae Russiae, Poloczk dicto”. O termo latino Alba Russia foi utilizado novamente pelo Papa Pio VI, ao estabelecer ali uma Sociedade Jesuíta em 1783. Sua bula papal decretava: “Approbo Societatem Jesu in Alba Russia degentem, approbo, approbo”. Historicamente, o país foi designado em idiomas ocidentais como “Ruténia Branca”; o primeiro uso de “Rússia Branca” para se referir à Bielorrússia se deu no fim do século XVI, pelo inglês sir Jerome Horsey (1550-1626). Durante o século XVII, os czares russos utilizaram o termo “Rus' Branco” para descrever etnograficamente as terras conquistadas do Grão-Ducado da Lituânia.

            Pio VI, nascido Giovanni Angélico Braschi (1717-1799) foi o Papa da Igreja Católica e Soberano dos Estados Papais de 15 de fevereiro de 1775 até a data de sua morte. Seu Pontificado decorreu num dos períodos mais turbulentos da história europeia, quando o advento do Iluminismo, o avanço do Absolutismo estatal e, posteriormente, a eclosão da Revolução Francesa colocaram em tensão social a relação entre a Igreja e as monarquias. Pio VI enfrentou a supressão de instituições religiosas, o confisco de bens eclesiásticos e as tentativas de subordinar a Igreja ao poder civil. Sua firme resistência às políticas revolucionárias e sua defesa da liberdade espiritual conduziram-no ao dramático exílio pelas forças francesas, que o levaram cativo até Valença, onde faleceu após prolongado sofrimento. Braschi se tornou o secretário particular do legado papal, cardeal Tommaso Ruffo. Bispo de Ostia e Velletri. O cardeal Ruffo o levou como seu conclavista no Conclave de 1740 e, quando este se tornou decano em 1740, Braschi foi nomeado auditor, cargo que ocupou até 1753. Sua habilidade na condução de uma missão à corte de Nápoles lhe rendeu a estima do Papa Bento XIV. Em 1753, após a morte do cardeal Ruffo, Bento nomeou Braschi secretário. Em 1755 nomeou um cânone da Basílica de São Pedro. Em 1758, pondo fim ao noivado, ele foi ordenado ao sacerdócio como referendo da Assinatura Apostólica em 1758 e ocupou esse cargo até 1759. Ele também se tornou auditor e secretário do cardeal Carlo Rezzonico, sobrinho do papa Clemente XIII.

Em 1766, ele foi apontado como o tesoureiro da câmera apostólica pelo Papa Clemente XIII. Aqueles que sofreram com sua economia consciente conseguiram convencer o Papa Clemente XIV a elevá-lo ao cardinalato. Braschi foi elevado em 26 de abril de 1773 em Roma, como cardeal-sacerdote de Santo Onofre. Foi uma promoção que o tornou inócuo por um breve período de tempo. Ele então se retirou para a Abadia de Subiaco, da qual ele era abade de louvor. O Papa Clemente XIV morreu em 1774 e desencadeou um conclave para escolher um sucessor. Espanha, França e Portugal abandonaram todas as objeções à eleição de Braschi, que era um dos oponentes mais moderados da postura anti-jesuíta do falecido papa. Braschi recebeu apoio daqueles que não gostavam dos jesuítas e acreditavam que ele continuaria as ações de Clemente XIV e se manteria fiel ao breve “Dominus ac Redemptor” (1773) de Clemente, que viu a dissolução da ordem. Mas a facção zelanti, pró-jesuíta, acreditava que ele tinha uma simpatia secreta com os jesuítas e esperava reparação pelos erros sofridos no reinado anterior. Como resultado, Braschi empossado como papa foi levado a situações em que ele dava pouca satisfação a ambos os lados. O cardeal Braschi foi eleito para o pontificado em 15 de fevereiro de 1775 e recebeu o nome pontifício de “Pio VI”. Ele foi consagrado ao episcopado em 22 de fevereiro de 1775 pelo cardeal Gian Francesco Albani e foi coroado no mesmo dia pelo cardeal Protodeacon Alessandro Albani.  

Pio VI abriu um jubileu que seu antecessor convocou e iniciou o ano do jubileu de 1775.  Os atos anteriores de Pio VI deram uma promessa justa de governo reformista e abordaram o problema da corrupção nos Estados papais. Embora ele fosse geralmente benevolente, Pio VI às vezes mostrava discriminação. Ele nomeou seu tio Giovanni Carlo Bandi como bispo de Ímola em 1752 e depois como membro da Cúria Romana, cardeal no consistório em 29 de maio de 1775, mas não ofereceu nenhum outro membro de sua família. Ele repreendeu o príncipe Potenziani, governador de Roma, por não ter lidado adequadamente com a corrupção na cidade, nomeou um conselho de cardeais para remediar o estado das finanças e aliviar a pressão dos impostos, chamado a prestar contas a Nicolò Bischi (1732-1813) pelo gasto de fundos “destinado à compra de grãos, reduziu os desembolsos anuais ao negar pensões a muitas pessoas proeminentes e adotou um sistema de recompensa para incentivar a agricultura”. Após sua eleição, Pio VI ordenou a libertação de Lorenzo Ricci, um padre jesuíta italiano, décimo oitavo superior-geral de 1758 a 1773. Superior Geral da Companhia de Jesus, que foi mantido prisioneiro no Castel Sant`Angelo, mas o general morreu “antes da chegada do decreto de libertação”. Foi o último superior-geral antes da Supressão da Companhia de Jesus. Talvez seja devido a Pio VI, que os jesuítas conseguiram escapar à dissolução na Ruténia Branca e na Silésia. Em 1792, o papa considerou o restabelecimento da Companhia de Jesus como um “baluarte contra as ideias da Revolução Francesa”, mas isso não aconteceu.

É um castelo localizado na margem direita do rio Tibre, diante da Ponte do Santo Anjo, próximo do Vaticano, no rione Borgo de Roma, Itália. Construído sobre as ruínas do antigo Mausoléu de Adriano e, posteriormente, dedicado ao Arcanjo São Miguel, é atualmente um museu. Sua primitiva estrutura foi iniciada no ano 135 pelo imperador Adriano como um mausoléu pessoal e familiar (Tumbas de Adriano), concluído por Antonino Pio em 139. O monumento, em travertino, era adornado por uma quadriga em bronze, conduzida por Adriano. Em pouco tempo, entretanto, a sua função foi alterada, sendo utilizado como edifício militar. Nessa qualidade, passou a integrar a Muralha Aureliana em 403. A sua atual designação remonta a 590, durante uma grande epidemia de peste que assolou Roma. Na ocasião, o Papa Gregório I afirmou ter visto o Arcanjo São Miguel sobre o topo do castelo, o qual embainhava a sua espada, indicando o fim da epidemia. Para celebrar essa aparição angélica, a estátua do referido anjo coroa o edifício: inicialmente um mármore de Raffaello da Montelupo, e desde 1753, um bronze de Pierre van Verschaffelt sobre um esboço de Gian Lorenzo Bernini. Durante a história medieval esta foi a mais importante das fortalezas pertencentes aos Papas. Serviu também como sistema prisional (cf. Foucault, 2014) na época dos movimentos de unificação da Itália no século XIX. De planta circular, o seu desenho renascentista influenciou a traça do Forte de São Lourenço do Bugio, em Portugal, e a do Forte de São Marcelo, no Brasil. A Ponte do Santo Anjo, sobre o rio Tibre, é ornada por doze estátuas de anjos esculpidas por Gian Lorenzo Bernini. De seu terraço superior, tem-se uma magnífica vista do rio Tibre, dos prédios da cidade e até do domo superior da Basílica de São Pedro.

A Invasão francesa da Rússia em 1812, também reconhecida como a Campanha Russa em França (Campagne de Russie) e Guerra Patriótica de 1812 na Rússia, foi um ponto de virada durante as chamadas Guerras Napoleônicas. Reduziu a dimensão das forças francesas e forças aliadas (o Grande Armée) para uma pequena fracção de sua força inicial, e provocou uma grande mudança na política europeia uma vez que enfraqueceu dramaticamente a hegemonia francesa na Europa. A reputação de Napoleão como “um gênio militar invencível foi severamente abalada”, enquanto antigos aliados do Império Francês, primeiro o Reino da Prússia e depois o Império Austríaco, romperam a sua aliança com a França, e trocaram de lado, desencadeando a guerra da Sexta Coligação. A campanha começou em 24 de junho de 1812, quando as forças de Napoleão atravessaram o rio Neman. Ele pretendia obrigar o imperador da Rússia Alexandre I (1777-1825) a permanecer no Bloqueio Continental do Reino Unido; um objetivo oficial era acabar com a ameaça de uma invasão russa da Polônia. Napoleão designou a campanha de Segunda Guerra Polaca em referência à Primeira Guerra Polaca; o governo russo proclamou uma Guerra Patriótica. Quase meio milhão de homens, o Grande Armée, marchou pela Rússia Ocidental, ganhando uma série de pequenas batalhas e uma grande batalha (Batalha de Smolensk), entre 16 e 18 de agosto. a ala direita do exército russo, sob o comando do general Peter Wittgenstein, bloqueou parte do exército, liderado pelo mal Nicolas Oudinot, na Batalha de Polotsk.

Esta ação impediu os franceses de avançar sobre a capital russa de São Petersburgo; o destino da guerra tinha que ser decidido na frente de Moscovo, onde o próprio Napoleão liderou suas forças.  Embora os russos tenham utilizado a política da terra queimada, e, por vezes, tenham atacado o inimigo com a cavalaria ligeira de cossacos, o seu exército principal retirou-se por cerca de três meses. Este recuo prejudicou a confiança no marechal-de-campo Michael Andreas Barclay, (1761-1818) levando Alexandre I a nomear um veterano, Príncipe Mikhail Kutuzov (1745-1813), o novo comandante-em-chefe. Finalmente, a 7 de setembro, os dois exércitos encontraram-se perto de Moscovo, na Batalha de Borodino. A batalha resultou na maior e mais sangrenta ação em um único dia, durante as Guerras Napoleónicas. Envolveu mais de 250 mil soldados e resultou em pelo menos 70 mil vítimas. Os franceses capturaram o campo de batalha, mas não conseguiram destruir o exército russo. Além disso, os franceses não conseguiram substituir as suas perdas, enquanto os russos o podiam fazer. Napoleão entrou Moscovo no dia 14 de setembro, depois de o exército russo ter, novamente, recuado. Mas, por essa altura, os russos tinham já evacuado a cidade e até libertado criminosos das prisões para complicar o avanço francês. Além disso, o governador, o conde Fyodor Rostopchin (1763–1826), ordenou que a cidade fosse incendiada. Alexandre I recusou-se a capitular, e as conversações de paz de Napoleão falharam. Em outubro, sem um sinal de vitória claro, Napoleão começou a sua retirada desastrosa de Moscovo, durante o período de chuvas e lama habituais no Outono russo. Na Batalha de Maloyaroslavets, os franceses tentaram chegar a Kaluga, onde poderiam encontrar alimentos para os homens e para os animais.

Mas o exército russo, bem alimentado, bloqueou a estrada, e Napoleão foi forçado a recuar pelo mesmo caminho de onde tinham vindo desde Moscovo, através das áreas fortemente devastadas ao longo da estrada de Smolensk. Nas semanas seguintes, o grande Armée sofreu golpes catastróficos como o início do Inverno Russo, a falta de suprimentos e constantes ataques de camponeses russos e tropas irregulares. Quando as restantes tropas do exército de Napoleão atravessaram o rio Berezina em novembro, já só restavam 27 mil soldados; o grande Armée tinha perdido 380 mil homens e 100 mil tinham sido feitos prisioneiros. Napoleão abandonou os seus homens e voltou para Paris para proteger a sua “posição como Imperador e preparar-se para resistir aos avanços dos russos”. A campanha terminou a 14 de dezembro de 1812, quando as últimas tropas francesas deixaram a Rússia. Um evento de proporções épicas e de grande importância para a história da Europa, a invasão francesa da Rússia tem sido objeto de muita discussão entre os historiadores. A importância da campanha na cultura russa pode ser vista na obra de Liev Tolstoi, Guerra e Paz; na composição de Tchaikovsky, Abertura 1812; e a sua identificação com a invasão alemã de 1941-1945, que se tornou reconhecida como a Grande Guerra Patriótica na União das Republicas Socialistas Soviética. Para um projeto dessas dimensões, em 1810 Napoleão começou a preparar uma tropa à altura.

A grande Armée reunia mais de meio milhão de homens. Eram 610 mil combatentes, levando 1 420 canhões. Ao todo, mais de 680 mil, se contarmos as tropas reservas. Esse gigantesco exército, além de franceses, era formado por gente do Reino da Prússia, Áustria, Baviera, Saxônia, Itália, Nápoles, Polônia, Espanha e Croácia. A campanha começou na madrugada do dia 24 de junho de 1812, quando o grande exército napoleônico cruzou o rio Neman e invadiu a Rússia sem avisos ou declarações formais de guerra, e a 16 de agosto atacava Smolensk. A ação foi um golpe nos planos de Alexandre I, que desde maio vinha montando seu próprio grande exército. Incluindo cossacos e milícias populares, chegava-se à espantosa cifra de 900 mil homens. O problema é que essa massa militar estava sendo reunida na Moldávia, na Crimeia, no Cáucaso, na Finlândia e em regiões do interior do império, longe demais do local de entrada do exército francês. Por isso, em junho de 1812 os russos só conseguiram colocar cerca de 280 mil homens e 934 canhões na fronteira ocidental. A importante cidade de Smolensk caiu rapidamente. O exército russo decidiu não dar muita batalha aos franceses, uma decisão difícil do alto comando para não correr o risco de perder importantes forças em uma batalha praticamente perdida. Eram três exércitos cuidando da fronteira. O primeiro, com 160 mil homens, combateria sob as ordens do gAL e ministro, Mikhail Bogdanovich Barclay de Tolly (1761-1818) em direção a São Petersburgo.

 

O segundo exército, de Pyotr Bagration (1765-1812), general e príncipe da Geórgia, tinha 62 mil homens e se fixara entre os rios Neman e Bug, ao Norte dos pântanos de Pripet. Já o terceiro exército, do general Pyotr Alexander Tormasov, tinha cerca de 58 mil homens e olhava para o sul, em direção a Kiev. Sem condições de contra-atacar, os russos começaram a se retirar para o interior do país. Era uma necessidade para oferecer combate aos invasores. Em 8 de julho, a Rússia saiu às ruas para ouvir um manifesto de Alexandre I que chamava o povo a combater os franceses. As milícias populares vieram por causa do chamado, apoiado pela Igreja Ortodoxa. Cossacos, camponeses e até ciganos se alistaram aos milhares. Mesmo assim, no dia 23 de julho o marechal Blason de Louis-Nicolas Davout (1770-1823) bloqueou a passagem do general Bagration em Mogilev na atual Bielorrússia e impediu sua reunião com Barclay e, por extensão, a reação russa. Os problemas já começavam a rondar a brigada francesa. Sem ter lutado nenhuma batalha decisiva, a grand Armée havia sido reduzida em dois terços por causa de fadiga, fome, deserção e morte. A vantagem continuava ao lado de Napoleão.           

No lado oposto, o czar reclamava da incompetência de Barclay em interromper o avanço francês e o substituiu pelo veterano general Mikhail Illarionovich Golenishchev-Kutuzov (1745-1813) em 20 de agosto. Este, contudo, após tomar ciência da delicada situação, continuou a estratégia do seu antecessor de “ceder terreno arrasado ao invasor ainda com mais vigor”. Na época, ele disse o seguinte a seus homens: “Os franceses vieram para cá sozinhos e sozinhos voltarão”. É preciso entender que essa retirada russa escondia um mecanismo perverso. Quanto mais os franceses avançavam, mais sofriam com a falta de comida e armamentos e cada vez mais se distanciavam da linha de suprimentos estabelecida na fronteira. Em paralelo, as fileiras de Alexandre I engordavam com alistamentos em massa. Preocupado em conseguir mantimentos, Napoleão rumou para a capital russa, onde tinha a certeza de poder se reabastecer. Não foi bem o que aconteceu. Em setembro, com uma armada já numerosa e organizada, o general Kutuzov achou que chegara o momento de parar e lutar. Estacionou seus então 155 mil homens e 640 canhões na aldeia de Borodino, a menos de 150 km de Moscou. No dia 7 de setembro, às 6 horas da manhã, Napoleão deu início ao ataque com seus 135 mil homens e 587 canhões. O sangue jorrou até depois do pôr-do-sol. Foram cerca de 16 horas de confronto ininterrupto, transformando-o na maior batalha de um dia das Guerras Napoleônicas. Apesar de a vitória formal ter sido francesa, a armada de Napoleão amargou 58 mil mortos, incluindo 48 generais. Os russos perderam quase metade de seu exército: 66 mil baixas, incluindo 29 generais entre elas a do talentoso general Bagration.             

A demora na chegada do reforço e o massacre do dia anterior fizeram Kutuzov optar pela difícil decisão da retirada ainda mais para o Leste e do abandono da capital. Mesmo sob severas reprimendas do czar, e de boa parte de seu estado-maior, Kutuzov conseguiu prevalecer a sua decisão de entregar a cidade sem oferecer combate nos portões, suportando uma forte pressão, e provando mais tarde que este sacrifício foi crucial para o estabelecimento do cruel destino do exército francês. Napoleão entrou então em Moscou, e encontrou a cidade surpreendentemente vazia evacuadas dias antes prevendo a invasão. Em meio a indisciplina das tropas francesas, e a falta de autoridade dos oficiais perante as suas tropas, que não conseguiam impedir o saque, a pilhagem e a deserção dos soldados; grandes incêndios provocados por fogueiras mal alocadas e sabotadores acabaram por transformar a cidade em pilhas de escombros. Enquanto Napoleão acampado esperava a rendição do czar, o inimigo recuperava seus exércitos rapidamente. Napoleão teve então de reavaliar as opções estrategicamente. Seu exército estava enfraquecido e com moral baixa. As linhas de abastecimento foram cortadas. A rendição inimiga não dava mostras de acontecer. Após cinco semanas de acampamento sobre as cinzas da cidade, o imperador francês decidiu dar meia volta e iniciar o retorno à França em 19 de outubro. Junto aos soldados, seguiram uma lenta procissão de carroças carregadas de peles, prata, porcelana e seda da utilidade da força bruta fruto dos saques.

Em 24 de outubro, 20 mil homens do general francês Alexis Joseph Delzons (1775-1812) procuravam suprimentos em Maloyaroslavets, a 121 km de Moscou. Ao dar com os primeiros franceses, o general russo Kutuzov cometeu um erro. Acreditando se tratar de uma fação desgarrada, enviou apenas 12 mil homens para detê-la. Na Batalha de Maloyaroslavets, apesar da vitória tática de Napoleão, o imperador francês foi empurrado de volta ao caminho devastado usado na ida. No dia 4 de novembro, uma neve pesada começou a cair sobre os franceses desnutridos. No dia 9 de novembro, a temperatura caiu para cerca de -26 °C e continuava baixando. O frio penetrava nas roupas esfarrapadas dos soldados e se somava à exaustão. Muitos, mal conseguiam andar, cair simplesmente significava não levantar mais, devido a tamanha fraqueza das tropas. Centenas de franceses acampavam para dormir nas longas noites nas estepes geladas e simplesmente amanheciam congelados devido ao inverno rigoroso ou então assados pela proximidade das fogueiras que montavam, na tentativa de escapar do frio. Somado a isto, surgiam os constantes ataques dos cossacos liderados pelo chefe Matvey Ivanovich Platov (1753-1818), e pelas guerrilhas camponesas pelo caminho de volta. Quando essa multidão maltrapilha finalmente alcançou os suprimentos guardados em Smolensk, todo o resquício da disciplina militar desapareceu. Uma turba de soldados famélicos saqueou os armazéns e destruiu boa parte dos alimentos, que poderiam ter durado o inverno inteiro.

Por volta do dia 16 de novembro, sob o frio de -32 °C, a marcha tentava ir para casa. A partir de Smolensk, criou-se o sentimento de cada um por si nas tropas francesas. As armas e bagagens de saque, agora inúteis e inoportunas, eram abandonadas pelo caminho. Os cadáveres congelados espalhavam-se aos milhares pelas estradas, vilas abandonadas e florestas. Lutar contra o exército russo não era mais possibilidade, somente havia entre o imaginário do restante do exército francês o desejo cego de fugir. É esclarecedor sobre a terrífica retirada este texto de obra do historiador e escritor J. Lucas-Dubreton (1883-1972): Nas estradas geladas, luzidias como espelhos, os cavalos tombavam, obrigando-os a abandonar as carroças que transportavam o tesouro. Do Norte chegava um vento gelado, capaz de queimar; o cano do fuzil grudava nas mãos, a pele inchava, cheia de bolhas; e as extremidades dos dedos, duras e descoradas, pareciam bolas de marfim. Cobertos de andrajos, os olhos injetados, o rosto tumefato, infestados de vermes - fazia três meses que não trocavam de farda nem de roupa de baixo -, os antigos vencedores da Europa lutavam contra a agonia. Se adormecessem, era a morte; se resistissem, se um passante os arrastasse um pouco mais adiante, ela estava apenas adiada. Os fracos morriam primeiro, o sangue na boca e, antes que expirassem, seus camaradas já os haviam despido. Neste oceano de barbárie, nunca há de ter havido semelhante trajetória de cadáveres na extensão da que seguiram os que fizeram essa campanha; eles estão em todos os cantos, em todas as estradas, frescos e velhos.

A natureza humana, exaurida, desgastada pelo sofrimento, punha sua trama a nu, sua fibra fundamental; já não havia hierarquia nem disciplina; só um egoísmo feroz; todos curvados sob o mesmo nível de miséria. A própria velha guarda tinha perdido a bela compostura, e Napoleão se viu obrigado a chamá-la à ordem: “Não deem ouvidos a esses fracos que a desgraça abate e que não sabem sofrer. Façam justiça, pelas próprias mãos, com aqueles que, dentre vocês, saírem da fila durante a marcha; estabeleçam uma disciplina interior em cada companhia, e que os homens que se comportarem mal sejam apedrejados pelos camaradas”. O gráfico histórico de Charles Joseph Minard (1781-1870) demonstra a evolução do exército francês ao longo da campanha, e a respectiva quantidade de homens, bem como as condições atmosféricas. O passo seguinte era atravessar o rio Berezina na atual Bielorrússia. No dia 26 de novembro, os remanescentes da armada francesa caíram numa armadilha. Pela frente os russos seguravam a ponte. Por trás pressionava o exército de Kutuzov. Em segredo, Napoleão enviou seu corpo de engenharia para construir uma ponte improvisada sobre o semicongelado Berezina. Quando os russos perceberam, abriram fogo. 

Cerca de 10 mil russos pereceram, contra 36 mil franceses, muitos dos quais só foram encontrados com o degelo da primavera. No dia 14 de dezembro de 1812, sob um frio de -38 °C, o que restou da grande Armée conseguiu cruzar o rio Nemen de volta; apenas 10 mil homens em estado lastimável, incluindo um Bonaparte perplexo. A contagem das baixas do fracasso napoleônico: 550 mil homens mortos. No lado russo, 250 mil soldados efetivos e 50 mil entre milícias cossacas e populares. A campanha da Rússia mostrou que Napoleão não era invencível. Muitos países se rebelaram. Era o fim do sonho napoleônico de um domínio da Europa. A invasão do exército de Napoleão de 1812 deixou uma profunda herança no imaginário russo; da sensação de perdição do país, da completa destruição de Moscou, e da improvável virada posterior, e o extermínio e expulsão dos invasores, este episódio marcou a cultura da França e da Rússia e de suas tradições militares. Carl von Clausewitz (1780-1831), um general prussiano da época e teórico literário militar, esclareceu em suas obras que na invasão napoleônica de 1812 na Rússia, surgiu e definiu-se as características da chamada guerra total, onde os lados combatentes buscam destruir e conquistar não apenas os alvos militares, mas todos os componentes no caminho do conflito, mobilizando todos os recursos disponíveis, inclusive os ligados na vida civil.

Carl Philipp Gottlieb von Clausewitz (1972) foi um general do Reino da Prússia e teórico militar que destacou os aspectos políticos e psicológicos da guerra. Sua obra mais reconhecida, Vom Kriege, inacabada à época de sua morte, é considerada um tratado fundamental de estratégia militar e ciência militar. Toda a história da campanha napoleônica na Rússia gerou a famosa obra literária Guerra e Paz de Leon Tolstói; escrita ainda na segunda metade do século XIX, eternizando dezenas de passagens da campanha, a maioria verídicas. A derrota inicial da Rússia e sua vitória final também são lembrados na Abertura 1812 de Tchaikovsky. Até 1941 ela era reconhecida na Rússia sob o nome de “Guerra Patriótica”. Atualmente, o termo russo Guerra Patriótica de 1812 a distingue da Grande Guerra Patriótica, que designa a campanha levada à cabo pelos Soviéticos contra os militares alemães durante a 2ª Guerra Mundial. Em meados de 2010 um grupo de amantes da história, que procuravam restos mortais de soldados encontraram dezoito soldados do Grande Exército de Napoleão I, numa região próxima à cidade de Vilnius, na Lituânia. Com os botões dos uniformes, que estavam bem conservados, foi possível determinar que os soldados pertenciam ao 29º regimento de infantaria, ao 2° regimento de dragões e ao 7° regimento de hussardos, unidades estas que faziam a guarda de Napoleão na retirada das tropas francesas na campanha da Rússia em 1812. Desta maneira, os restos dos soldados descobertos em 2010 foram enterrados em novembro deste ano, junto com outros dois mil corpos de soldados napoleônicos descobertos em 2001 e sepultados em 2003, no cemitério de Antakalnis, em Vilnius.

A Bielorrússia passou a receber seu nome atual no período do Império Russo; o czar russo costumava ser designado o “Czar de Todas as Rússia” referindo-se à Grande, à Pequena e à Branca. Na época, a Bielorrússia era vista como parte da nação russa, e o idioma bielorrusso era considerado um dialeto do russo. Após a Revolução Bolchevique de 1917, o termo Rússia Branca passou a causar alguma confusão, pois também era o nome da força militar que se opunha aos bolcheviques vermelhos. Durante o período da República Socialista Soviética Bielorrussa, o termo Bielorrússia foi adotado como parte de uma consciência nacional. Na Bielorrússia Ocidental, sob o domínio polaco, o termo foi utilizado com frequência para se referir às regiões de Bialystok e Grodno, durante o período entreguerras. O termo Bielorrússia assim como seus nomes na maioria dos idiomas vem da forma russa, Byelorussia, foi utilizado oficialmente apenas até 1991, quando o Soviete Supremo da RSSB decretou que a nova república independente deveria se chamar Belarus (Беларусь), em russo e em todas as transcrições do nome para outros idiomas. A mudança supostamente visava refletir adequadamente a forma bielorrussa do nome, e o período de transição durou até 1993. Forças conservadoras da recém-independente República não apoiaram a mudança de nome e se opuseram à sua inclusão no esboço realizado em 1991 da Constituição da Bielorrússia. Desde a Independência do país, com o fim da União Soviética, o governo bielorrusso oficializou este pedido para que o endônimo Belarus fosse usado em todas as línguas para se referir ao país.

Em determinados idiomas, como o inglês, o pedido foi bem aceito, mas a maioria das outras línguas europeias mantiveram seus exônimos próprios, como o grego Λευκορωσία, o alemão Weißrußland, o dinamarquês Hviderusland, o sueco Vitryssland, o neerlandês Wit-Rusland, o islandês Hvíta-Rússland, todos traduzidos literalmente como Rússia Branca que também era o nome português até a década de 1990. O francês mantém o nome Biélorussie. O mesmo que se deu com o inglês aconteceu, até certo ponto, com o russo embora o nome tradicional ainda exista naquele idioma; do mesmo modo, o adjetivo “Belorussian” ou “Byelorussian” foi substituído, em inglês, por Belarusian, enquanto o russo não tenha desenvolvido uma nova versão do adjetivo (“bielaruski”). A intelligentsia bielorrussa no período de Stalin tentou alterar o nome do país para “Krivia”, para tentar eliminar esta suposta ligação com a Rússia; alguns nacionalistas também têm objeção ao nome por este mesmo motivo. Diversos jornais populares publicados localmente, no entanto, ainda conservam o nome antigo do país em russo nos seus nomes, como por exemplo Komsomolskaya Pravda v Byelorussii, edição local de um popular tabloide russo. Partidários da união do país com a Rússia também continuam a utilizar a forma anterior. Oficialmente, o nome completo do país é República da Bielorrússia.

            Ex-companheiros de armas não se encontram há 20 anos, desde o verão de 1945, quando cada um per se seguiu seu caminho depois de chegar à estação ferroviária da Bielorrússia em Moscou ao final da 2ª guerra mundial (1939-1945). Agora, uma triste ocasião reúne os homens novamente - a morte de um deles que permaneceu no exército. Muitas mudanças sociais aconteceram na vida de cada um, mas os amigos conservaram os sentimentos de irmandade, solidariedade e humanidade desenvolvidos no front. Antes de retornarem às suas rotinas cotidianas, vivem um dia repleto de recordações e situações inesperadas. O diretor Andrei Smirnov conseguiu o impossível. Rodou um dos filmes mais autênticos sobre a Grande Guerra Patriótica, sem mostrar uma cena sequer da própria guerra. Além disso, a canção “Precisamos de uma vitória”, de Bulat Okudzhava (1924-1997), acabou se tornando uma das músicas mais poderosas sobre a guerra. Bulat Shalvovich Okudzhava foi um extraordinário poeta, escritor, músico, romancista e cantor e compositor soviético e russo de ascendência georgiana-armênia. Ele foi um dos fundadores do gênero soviético chamado “canção de autor”, ou “canção de violão”, e autor de cerca de 200 canções, musicadas com sua própria poesia. Suas canções são uma mistura equilibrada de tradições poéticas e folclóricas russas e do estilo francês chansonnier, representado por contemporâneos de Okudzhava como Georges Brassens.

Embora suas canções nunca tenham sido explicitamente políticas, a frescura e a independência da voz artística de Okudzhava representaram um desafio sutil às autoridades culturais soviéticas, que, portanto, hesitaram por muitos anos em lhe conceder reconhecimento oficial. Bulat Okudzhava nasceu em Moscou em 9 de maio de 1924, em uma família de comunistas que vieram de Tbilisi, a capital da Geórgia, para estudar e trabalhar para o Partido Comunista. Filho de pai georgiano, Shalva Okudzhava [ru], e mãe armênia, Ashkhen Nalbandyan, Bulat Okudzhava falava e escrevia apenas em russo. A mãe de Okudzhava era sobrinha de um reconhecido poeta armênio, Vahan Terian (1885-1920). Seu pai serviu como comissário político durante a Guerra Civil e como membro de alto escalão do Partido Comunista, posteriormente, sob a proteção de Sergo Ordzhonikidze (1886-1937). Seu tio Vladimir Okudzhava era um anarquista e terrorista que deixou o Império Russo após uma tentativa fracassada de assassinar o governador de Kutaisi. Vladimir estava listado entre os passageiros do infame trem lacrado que transportou Vladimir Lenin, Grigory Zinoviev e outros líderes revolucionários da Suíça para a Rússia em 1917. Shalva, pai de Okudzhava, foi preso em fevereiro de 1937 durante o Grande Expurgo, acusado de trotskismo e sabotagem. Ele foi fuzilado em 4 de agosto com seus dois irmãos. Sua esposa foi presa em 1939 “por atos antissoviéticos” e enviada para o Gulag. 

Bulat retornou a Tbilisi para viver com seus parentes.  Sua mãe foi libertada em 1946, mas presa pela segunda vez em 1949, passando mais 5 anos em campos de trabalho forçado. Ela foi totalmente libertada em 1954 e reabilitada em 1956, juntamente com seu marido. Em 1942, aos 17 anos, Bulat Okudzhava, aluno do 9º ano, alistou-se voluntariamente na infantaria do Exército Vermelho e, a partir de 1942, participou da guerra contra a Alemanha. Após sua dispensa do serviço militar em 1944, retornou a Tbilisi, onde concluiu o Ensino Médio e ingressou na Universidade Estadual de Tbilisi, graduando-se em 1950. Depois de formado, trabalhou como professor, primeiro em uma escola rural na vila de Shamordino, na região de Kaluga, e mais tarde na própria cidade de Kaluga. Em 1956, Okudzhava retornou a Moscou. Após a reabilitação de seus pais e o XX Congresso do Partido Comunista Chinês, no qual Khrushchov denunciou os expurgos, Bulat Okudzhava pôde ingressar no Partido Comunista, do qual permaneceu membro até 1990. Na capital soviética, trabalhou inicialmente como editor na editora Molodaya Gvardiya (Jovem Guarda) e, posteriormente, como chefe da seção de poesia do mais importante semanário literário nacional da antiga União das Repúblicas Socialista Soviética, o Literaturnaya Gazeta (“Jornal Literário”). Foi então, em meados da década de 1950, que começou a compor canções e a interpretá-las, acompanhando-se ao violão russo. Logo ele começou a dar concertos. Ele usava apenas alguns acordes e não tinha formação musical formal, mas possuía um dom melódico excepcional, e as letras inteligentes de suas canções combinavam perfeitamente com sua música e sua voz. Suas canções eram elogiadas por seus amigos, e gravações amadoras foram feitas. Essas gravações não oficiais foram amplamente copiadas como magnitizdat e se espalharam pela URSS e Polônia, onde outros jovens pegaram violões e começaram a cantar as canções por conta própria.

Em 1970, suas letras apareceram no clássico filme soviético Beloye Solntse Pustyni “Sol Branco do Deserto” é um filme ostern soviético de 1970, dirigido por Vladimir Motyl (1927-2010). Sua mistura de comédia de ação, música e drama o tornou altamente bem-sucedido nas bilheterias soviéticas e resultou em uma série de citações memoráveis. Ele mantém alta aprovação doméstica. Embora as canções de Okudzhava não tenham sido publicadas por nenhuma organização de mídia até o final da década de 1970, elas rapidamente alcançaram enorme popularidade, especialmente entre a intelectualidade, principalmente na URSS a princípio, mas logo também entre os falantes de russo em outros países. Vladimir Nabokov, por exemplo, citou sua Marcha Sentimental no romance Ada ou Ardor. Okudzhava, no entanto, considerava-se principalmente um poeta e afirmava que suas gravações musicais eram insignificantes. Durante a década de 1980, ele também publicou muita prosa, pois em seu ersatz seu romance O Espetáculo Acabou lhe rendeu o Prêmio Booker Russo em 1994. Na década de 1980, gravações de Okudzhava interpretando suas canções finalmente começaram a ser lançadas oficialmente na União Soviética, e muitos volumes de sua poesia também foram publicados. Em 1991, ele foi agraciado com o Prêmio Estatal da URSS. Ele apoiou o movimento reformista na URSS e, em outubro de 1993, assinou a Carta dos Quarenta e Dois. Okudzhava faleceu em Paris em 12 de junho de 1997 e está sepultado no Cemitério Vagankovo, em Moscou. Um monumento marca o prédio de  43 da Rua Arbat, onde ele morava. Sua dacha em Peredelkino é um museu aberto ao público. Um planeta menor, 3149 Okudzhava, descoberto pela astrônoma tcheca Zdeňka Vávrová em 1981, recebeu o nome em sua homenagem. Ela também descobriu vários asteroides. Suas canções continuam populares e são executadas.

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