terça-feira, 28 de abril de 2026

As Amas – Alma da Transliteração Social da Servidão no Trabalho.

                                                                   Sem um fim social o saber será a maior das futilidades”. Gilberto Freyre                           

     

        No âmbito da historiografia Carlos Guilherme Mota observou que depois de 1967, “tornou-se possível o balanço da produção, a avaliação dos trabalhos de Gilberto Freyre – o que não devia ser nada fácil antes dessa época, pelo que se pode verificar no livro comemorativo dos vinte e cinco anos da Casa-Grande & Senzala” (cf. Mota, 2008), tendo em vista o ecletismo entre ensaístas tais como: Astrojildo Pereira, Fernando de Azevedo, Jorge Amado, Antônio Cândido, Miguel Reale, Anísio Teixeira, Luís Viana Filho, Cavalcanti Proença, o que demonstra, sociologicamente, por um lado, o estudo da trajetória e dos vários impactos sociais e políticos na apreensão da obra de Gilberto Freyre sobre os meios intelectuais representando a cristalização de uma ideologia com base no editorialismo, caracterizado do ponto de vista merceológico com “grande poder de difusão”, e por outro, contém ambiguidades daquilo que se poderia denominar uma “geração de explicadores” da cultura brasileira, representando por assim dizer, “uma espécie de caso-limite”. Na concepção de Max Weber (1864-1920) é um instrumento de análise para o entendimento da sociedade por parte do cientista social com o objetivo de criar tipologias puras, destituídas de nexo avaliativo, de forma a oferecer um recurso analítico baseado em conceitos, como religião, burocracia, economia, capitalismo, dentre outros. Metodologicamente Gilberto Freyre pode ser interpretado como historicista no sentido do approach de Wilhelm Dilthey quando propõe uma abordagem empática da realidade social, que lhe permitiu desenvolver uma interpretação pari passu histórica e sociológica. 

Seu objetivo é alcançar a subjetividade, é apreender a vida em seu interior. Trata-se em verdade de uma interpretação de uma história política, psicológica, vitalista, dionisíaca e não intelectualista o que não é pouco. A interpretação de seus “tipos inconciliáveis” se faz como é sabido, pelo “accountability” contido nos símbolos &: das obras: “Casa Grande & Senzala”, “Sobrados & Mocambos”, “Ordem & progresso”. Ao formular tipos ideais ele se aproxima de Max Weber; ao interpretá-los, aproxima-se de Georg Simmel. Para compreender a interconexão dos tipos, ele estudou o cotidiano, um campo de pesquisa social efetivamente original e inovador para tempos sombrios. A experiência imediata e “vivida na qualidade de realidade unitária” (“Erlebnis”) seria o meio a permitir a apreensão singular da realidade histórica e humana sob suas formas concreta e viva. Em seus ensaios gerais intitulados “Estudos sobre os Fundamentos das Ciências do Espírito” e “Teoria das Concepções do Mundo”, Dilthey submete a uma análise rigorosa o conceito de “Erlebnis”. Em “A Essência da Filosofia”, obra de (1907), o hermeneuta chega a afirmar a falência da filosofia como metafísica. Em verdade ele propõe uma filosofia histórica e relativa que analise os comportamentos humanos e esclareça as estruturas do mundo no qual vive o homem contrapondo-se a uma metafísica que se pretende colocar como imagem da realidade e a reduzir todos os aspectos da realidade a um único princípio absoluto.

O contato conceitual de Wilhelm Dilthey com a hermenêutica está relacionada à sua preparação teológica, embora a tenha utilizado para responder a seguinte pergunta: - “Como se  diferenciam as ciências humanas ou sociais das ciências naturais? A reflexão de Dilthey para estabelecer as relações entre significados e sistemas está presente ao longo de todos os seus escritos principalmente àqueles relacionados sobre as “ciências do espírito”, com oscilações que ensejam a leitura da sua obra tanto no âmbito psicológico quanto de uma perspectiva mais propriamente sociológica. Sem dúvida ele sempre recusou algum caráter de ciência à sociologia, referindo-se às suas variantes positivistas, mas em sintonia com uma preocupação com os fenômenos históricos em grande escala, nos quais as dimensões decisivas dizem respeito às formas de organização da vida coletiva. Foi o primeiro pensador preocupado em aproximar a hermenêutica do terreno das incertezas no conhecimento da história social europeia. A inovação causada por sua teoria foi única e, por isso, ele está na base de muitas correntes de pensamento que articulam história e hermenêutica. A hermenêutica tradicional se refere ao estudo da interpretação de textos escritos, especialmente nas áreas de literatura, religião e direito. A hermenêutica moderna ou contemporânea engloba não somente textos escritos, mas também tudo que há no processo interpretativo. Isso inclui formas verbais e não verbais de comunicação, assim como aspectos que afetam a comunicação, como proposições, pressupostos, o significado e a filosofia da linguagem e a semiótica. Não tem a pretensão de eternizar o homem, mas possibilitar ao homem se aproximar da vida, por meio de conexões que integram, aproxima e relaciona os homens. A teoria compreensiva tem uma importância ética ímpar para o mundo contemporâneo.                                      

A base para esse nexo em que se dá a relação da vivência é a categoria do significado. Tal categoria corresponde a um apoio sólido que aparece como uma unidade de conjunto onde age o pensamento, os sentimentos e a vontade. Considerando que há uma relação conceitual estabelecida sobre o balanço referencial entre a parte e todo no nexo da vivência, o que garante o equilíbrio para esse balanço é a categoria interpretativa do significado que para Wilhelm Dilthey, nada mais é do que a integração num todo que nós encontramos junto e nos remete ao significado e sentido contido na relação parte-todo que encontra na vivência e é seu fundamento. É neste sentido que Dilthey considera que vida e a mudança dos seus principais momentos estruturais fazem que a concepção do mundo sempre e em toda a parte se expresse em oposições, embora sobre um fundo comum. Portanto é  na arte, na religião e no pensamento que encarnam os ideais que atuam na existência de um povo. Por conseguinte, toda a mundividência é produto da história. A historicidade revela-se como uma propriedade fundamental da consciência humana. Os sistemas filosóficos não constituem uma exceção. Como as religiões e as obras de arte, contêm uma visão da vida e do mundo, inserida na vitalidade das pessoas que os produziram e em consonância com as épocas em que vieram à luz do dia; traduzem uma determinada atitude afetiva, caracterizam-se pela imprescindível energia lógica, porque o filósofo procura trazer a imagem do mundo à clara consciência e ao mais estrito urdimento cognitivo. Neste esforço de reflexão e de trabalho dos conceitos, que gera uma circunspecção potenciada, é que reside o valor prático da atitude filosófica.  

Como o centro da compreensão está na vida como um todo estruturado, mas sempre resultando da relação entre individualidades, é possível perceber a conexão entre a ética e a teoria compreensiva. Em verdade uma concepção da teoria, ao longo de quase meio século, permeada lado a lado por um motivo básico: uma unidade cuja garantia de existência é a presença do sentido. Há uma démarche que atravessa o homem, e nesta noção de sentido está a marca de uma concessão fatal a uma metafísica.  Ele desejava evitar tanto quanto o empirismo dos positivistas, desde que fique clara a dimensão de ser criador de significados, que não é simplesmente a noção ampla de vida, mas sua unidade constitutiva, a vivência, representada em toda experiência humana. Ipso facto, a história é suscetível de conhecimento porque é obra humana; nela o sujeito e objeto do conhecimento formam uma unidade. Nessa direção chega-se à formulação final da concepção de Dilthey. Seus elementos são: vivência, expressão e compreensão. A vivência surge nesse ponto, como algo especificamente social – pela sua dimensão intersubjetiva, e cultural – pela sua dimensão significativa -, para além do seu nível psicológico ou mesmo biológico porque guarda na memória. Trata-se de um ato reflexivo de consciência, que propõe e persegue fins num contexto intersubjetivo. As interações humanas ganham corpo nas diversas formas de “manifestação de vida” através da arte, filosofia, religião, ciência, como expressão desse caráter objetivo que a experiência, intersubjetivamente constituída assume.

 Sua concepção metodológica articula-se, portanto, em torno do movimento de ir e vir que ocorre entre a vida, como conjunto de vivências e as formas objetivas que seus resultados assumem na sua expressão. A referência às “vivências”, segundo Gabriel Cohn, visa a preservar esse caráter imediato, no qual só é possível compreender aquilo de que o próprio intérprete (pois é de interpretação que se trata, e não de observação) é também o produtor; ou seja, os propósitos, os fins e os valores, ainda que ao intérprete caiba mais propriamente reproduzi-los, na sua tarefa de reconstituir o processo da sua produção primeira. A diferenciação das ciências da sociedade não se realizou por artifício da “inteligência teórica”, em resolver o problema posto pela existência do mundo mediante a análise metódica do objeto de investigação: a própria vida a realizou. Vale lembrar que a nação é um produto cultural, político e social que surge na Europa a partir do fim do século XVIII e que se constitui efetivamente em uma “comunidade política imaginada”. Nesse processo de construção histórica, a relação entre o velho e o novo, o passado e o presente, a tradição e a modernidade representam uma constante e se reveste de importância fundamental, pois, a nação é uma comunidade de sentimento que normalmente tende a produzir um Estado próprio, é preciso invocar antigas tradições (reais ou inventadas) como fundamento “natural” da identidade nacional que está sendo criada. Isso tende a obscurecer o caráter histórico e relativamente recente dos estados nacionais. Assim como o Estado-nação procura delimitar e zelar por suas fronteiras geopolíticas, ele também se empenha em demarcar suas fronteiras culturais, estabelecendo o que faz e o que não faz parte da nação. 

Através desse processo se constrói uma identidade nacional que procura dar uma imagem à comunidade abrangida por ela. A consolidação dos Estados-nações é recente. Mesmo em sociedades que parecem bem integradas. Mas há casos comumente em que é representada como se fosse dividido em duas regiões antagônicas e em oposição assimétrica o que é recorrente para o Brasil. A etnografia tem origem na Antropologia Social, um dos quatro campos ou níveis de conhecimento da Antropologia, que surgiu da necessidade de compreender as relações socioculturais, os comportamentos, ritos, técnicas, saberes e práticas das sociedades até então desconhecidas, e que tem vindo a ser adaptada a problemas comuns da atualidade. Os antropólogos, normalmente, têm a tarefa de estudar culturas que são completamente diferentes das sociedades nas quais eles vivem, estudar as diferenças entre as suas experiências e costumes, assim como entender como esta funciona. Ou seja, têm o objetivo de a compreender do ponto de vista das pessoas que nela vivem. Este estudo por observação é necessário porque parte do comportamento das pessoas é baseado em conhecimento não-falado, o conhecimento tácito. Assim, não é suficiente fazer perguntas, é necessário observar o que as pessoas fazem, as “ferramentas” que utilizam e como se relacionam entre si. É importante não repetir os erros cometidos ao longo da história provenientes de incompreensões de culturas estudadas. Por exemplo, as primeiras pessoas a contatar com culturas desconhecidas, tais como comerciantes, exploradores ou missionários, por diversas vezes realizaram interpretações incorretas sobre os povos nativos que resultaram em graves problemas, nomeadamente conflitos armados.  

A etnografia tem origem na Antropologia Social, um dos quatro campos ou níveis de conhecimento da Antropologia, que surgiu da necessidade de compreender as relações socioculturais, os comportamentos, ritos, técnicas, saberes e práticas das sociedades até então desconhecidas, e que tem vindo a ser adaptada a problemas comuns da atualidade. Os antropólogos, normalmente, têm a tarefa de estudar culturas que são completamente diferentes das sociedades nas quais eles vivem, estudar as diferenças entre as suas experiências e costumes, assim como entender como esta funciona. Ou seja, têm o objetivo de a compreender do ponto de vista das pessoas que nela vivem. Este estudo por observação é necessário porque parte do comportamento das pessoas é baseado em conhecimento não-falado, o conhecimento tácito. Assim, não é suficiente fazer perguntas, é necessário observar o que as pessoas fazem, as “ferramentas” que utilizam e como se relacionam entre si. É importante não repetir os erros cometidos ao longo da história provenientes de incompreensões de culturas estudadas. Por exemplo, as primeiras pessoas a contatar com culturas desconhecidas, tais como comerciantes, exploradores ou missionários, por diversas vezes realizaram interpretações incorretas sobre os povos nativos que resultaram em graves problemas, nomeadamente conflitos armados.  

Vale lembrar que a nação é um produto cultural, político e social que surge na Europa a partir do fim do século XVIII e que se constitui efetivamente em uma “comunidade política imaginada”. Nesse processo de construção histórica, a relação entre o velho e o novo, o passado e o presente, a tradição e a modernidade representam uma constante e se reveste de importância fundamental, pois, a nação é uma comunidade de sentimento que normalmente tende a produzir um Estado próprio, é preciso invocar antigas tradições (reais ou inventadas) como fundamento “natural” da identidade nacional que está sendo criada. Isso tende a obscurecer o caráter histórico e relativamente recente dos estados nacionais. Assim como o Estado-nação procura delimitar e zelar por suas fronteiras geopolíticas, ele também se empenha em demarcar suas fronteiras culturais, estabelecendo o que faz e o que não faz parte da nação. Através desse processo se constrói uma identidade nacional que procura dar uma imagem à comunidade abrangida por ela. A consolidação dos Estados-nações é recente. Mesmo em sociedades que parecem bem integradas. Mas há casos comumente em que é representada como se fosse dividido em duas regiões antagônicas e em oposição assimétrica o que é recorrente para o Brasil.    

Ipso facto, os etnógrafos tentam evitar este tipo social de problemas assumindo todas as conclusões iniciais como susceptíveis de incorreções, explicitando claramente todas as suposições sobre os fatores de análise, examinando-as e questionando-as durante toda a investigação. Todo o conhecimento relevante que é necessário extrair é então totalmente resultado do contato prolongado com as pessoas no seu ambiente natural, partindo para este estudo com um planejamento mínimo. A linguagem da cultura em questão deve também ser corretamente estudada, é necessário entender todos os termos utilizados e a forma como estes se relacionam, procurando assim evitar distorcer o seu significado. Também a abordagem a todos os objetos e documentos utilizados pelas pessoas deve ser extremamente cuidada. É importante observar como a utilização destas ferramentas é feita para atingir os objetivos pretendidos e não apenas classificá-las com base nas suas propriedades físicas ou outras. A abordagem etnográfica e a identificação de requisitos têm muito em comum. Ambas têm o objetivo de entender uma cultura não familiar, todo o conhecimento, técnicas e práticas que a constituem, de forma a traduzi-las de maneira a que possa ser entendida e usada por outros. Tal como o etnógrafo, o engenheiro de requisitos tem a necessidade de documentar o domínio do sistema e a sua relação com a atividade de cada pessoa envolvida no seu funcionamento.

Para que se consiga extrair o máximo de conhecimento possível das pessoas, deve-se comunicar com estas utilizando metodologicamente a sua própria linguagem e não uma linguagem técnica de engenharia de software que é incompreensível e intimidadora para a maioria delas. Posteriormente, a equipe de desenvolvimento deve ser capaz de usar todos os dados estatísticos obtidos para que possa desenvolver o produto realmente apropriado, correspondente com a informação recolhida, que se adapte completamente às necessidades e valões dos utilizadores e seja perfeitamente integrado no seu ambiente. As pesquisas que se efetuam com o objetivo de realizar estes estudos resultam numa grande quantidade de informação, através de apontamentos, gravações de áudio e vídeo e um conjunto de objetos que fazem parte essencialmente das culturas, que deverá ser gerida com toda a atenção para que a sua análise e processamento não se prolongue excessivamente. Um estudo etnográfico requer muito mais habilidade técnica do uso social do tempo do que as técnicas de identificação de requisitos mais comuns, como as entrevistas, logo todos os recursos financeiros e temporais, muitas vezes difíceis de obter, que o suportam devem ser utilizados da forma mais optimizada possível.

O Diário de uma Babá (The Nanny Diaries) tem como representação social um filme norte-americano de comédia dramática de 2007, escrito e dirigido por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, baseado no romance de 2002 de Emma McLaughlin e Nicola Kraus. Estrelado por Scarlett Johansson, Chris Evans, Laura Linney e Paul Giamatti, o filme narra a história de uma recém-formada que começa a trabalhar como babá para uma família rica em Nova York. Instalada na casa deles, ela precisa lidar com a disfuncionalidade da família, um novo romance e a criança sob seus cuidados. O filme “The Nanny Diaries” foi lançado nos Estados Unidos em 24 de agosto de 2007 pela Metro-Goldwyn-Mayer e The Weinstein Company. Recebeu críticas mistas e arrecadou US$ 47,8 milhões, contra um orçamento de US$ 20 milhões. Annie Braddock, de 21 anos, acaba de se formar na Universidade Estadual de Montclair, a segunda maior Universidade do Estado de Nova Jersey, em termos de população estudantil, tem aproximadamente 500 acres (2,0 km²) no tamanho, incluindo a New Jersey School of Conservation. A Universidade atrai estudantes do estado de Nova Jersey, de vários outros estados do país e de muitos países estrangeiros. Mais de 250 cursos são oferecidos.

    

Ela não tem ideia do que ou quem quer ser. Um dia, sentada no parque, Annie vê um menino prestes a ser atropelado por um Segway. Annie a salva e conhece a mãe do menino, que reconhecemos como Sra. X. Quando se apresenta como “Annie”, a Sra. X a confunde com “Babá” e a contrata para cuidar de Grayer, o menino que ela salvou (a Sra. X continua a chamá-la de “Babá” em vez de “Annie” ao longo do filme. Annie mente para sua mãe, Judy, dizendo que conseguiu um emprego em um banco e, na verdade, se muda para o apartamento da família X para ser a babá de Grayer. A vida com os incrivelmente privilegiados X não é como ela imaginava, e se complica ainda mais quando se apaixona pelo “Gato de Harvard”, que também mora no prédio. Intercaladas com sua vida como babá dos X, estão suas interações com o “Gato de Harvard”, bem como com sua amiga de longa data, Lynette. O “Gato de Harvard” revela a Annie que se identifica com Grayer, seu protegido, pois, quando perdeu a mãe aos quatro anos, seu pai ausente o deixou aos cuidados de várias babás até que ele atingisse a idade para ser enviado a um internato. Annie continua escondendo da mãe seu verdadeiro emprego, enviando relatórios de progresso regulares, porém falsos. Complicações adicionais surgem quando Judy decide visitá-la, forçando Annie a fingir que Lynette e seu colega de quarto, Calvin, são um casal e que o apartamento deles é o dela. Judy descobre a verdade quando Grayer fica gravemente doente e Annie a liga desesperadamente pedindo ajuda.

Após um começo difícil, Annie finalmente cria um laço com Grayer, a quem chama pelo seu codinome preferido, “Grover”, e descobre que ele é, na verdade, uma criança doce e amorosa, negligenciada pelos pais, o que explica seu comportamento incontrolável. Paralelamente, Annie começa a perceber que Grayer não é o único negligenciado: a Sra. X também sofre, com o Sr. X sendo constantemente cruel com ela e cometendo adultério de forma sutil e óbvia. A Sra. X faz inúmeras tentativas para que o marido a ame, inclusive mentindo sobre estar grávida do segundo filho. Annie logo percebe que o tratamento cruel que recebe da Sra. X se deve às crescentes frustrações desta com seu casamento disfuncional. As coisas pioram durante uma viagem em família com os X para Nantucket. Ela ouve a Sra. X dizendo a uma amiga, durante uma festa, que instalou uma "babá eletrônica" em sua casa na cidade e planeja demitir Annie depois de assistir às imagens que mostram Annie cuidando carinhosamente de Grayer com a Sra. X exagerando suas descobertas da “babá eletrônica”.

Na manhã seguinte, o Sr. X agride sexualmente Annie justamente quando a Sra. X entra na cozinha. Ela demite Annie sem motivo aparente e a manda de volta para a cidade com seu pagamento final de apenas 40 dólares. Enfurecida, Annie encontra a “babá eletrônica” na casa dos X e grava seus sentimentos em relação a eles. A Sra. X leva a fita para a reunião de mães do Upper East Side na escola. Pensando que a fita mostrará Annie dando manteiga de amendoim e geleia para Grayer direto do pote, ela pede à coordenadora que a reproduza para todos verem. Todos os outros pais na sala ouvem Annie revelar o verdadeiro relacionamento entre os X, fazendo com que a Sra. X confronte sua própria realidade e sua falsa felicidade. Annie se reconcilia com a mãe e continua saindo com “o gato de Harvard”, cujo nome verdadeiro é revelado como Hayden. Ela está morando temporariamente com Lynette e Calvin, e se dedicando ao seu crescente interesse por Antropologia, grande parte do qual aprendeu durante o tempo em que trabalhou como babá dos X. Alguns meses depois, Hayden entrega a Annie uma carta da Sra. X. Na carta, ela pede desculpas e conta como se separou do Sr. X, está criando Grayer sozinha e se esforçando mais para criar um vínculo com ele (e conseguindo), além de relatar a melhora geral de Grayer. Ela expressa sua gratidão a Annie por tê-la feito despertar para a realidade e mudar extraordinariamente a sua vida. Também na carta, a Sra. X se dirige a Annie pela primeira vez pelo seu nome (em vez de Babá) e assina com seu próprio nome, Alexandra (em vez de Sra. X).

            Escólio: O termo ama deriva originalmente da língua basca e significa mãe. A ama era responsável por cuidar de todos os detalhes envolvendo o bem-estar da criança, como alimentação, higiene e vestimenta. Frequentemente também cuidava de aspectos lúdicos ou educacionais, entretendo a criança com brincadeiras ou contando-lhe histórias. Quando tinham aos cuidados uma criança recém-nascida, as amas podiam ou não ficar responsáveis também por sua amamentação. No primeiro caso, elas eram denominadas amas-de-leite, e no segundo caso, de amas-secas. As amas-de-leite eram selecionadas entre as que também tinham filhos pequenos, de modo que passavam a dividir seu leite entre o filho natural e a criança a seu cuidado. Por sua convivência com a criança ser por vezes mais constante até do que a da própria mãe biológica, criavam-se duradouros laços afetivos ente as crianças e suas amas, a quem consideravam como uma segunda mãe.

      

    Babá, ama-seca ou babysitter tem como representação social um profissional, quase sempre uma mulher, que cuida de uma criança ou bebê, em períodos de ausência dos pais ou responsáveis, sem especialização em enfermagem, cada vez mais presentes na sociedade moderna, as babás são as responsáveis por cuidar das crianças a partir de 3 ou 4 meses de idade na ausência dos pais. Esta função, no entanto, tem evoluído para uma ajuda constante às mães, incluindo os cuidados com roupas e alimentação das crianças. Pode ser um trabalho assalariado para todas as idades. Embora a profissão de babá seja relativamente recente, a função sempre existiu na maioria das sociedades complexas, sendo exercida, dependendo de aspectos culturais e religiosos, por parentes mais jovens, servas ou ainda por escravas. O termo ama-seca era então empregado nesses casos, para diferenciar da ama-de-leite. O termo “babysitter” surgiu socialmente em 1937, enquanto o verbo em inglês “baby-sit” desenvolveu-se pela primeira vez em 1947.

            Em ambientes de cuidados infantis, o auxiliar de cuidados infantis trabalha sob a supervisão de profissionais de enfermagem especializados em cuidados infantis ou educação infantil. Dependendo do contexto, o auxiliar de cuidados infantis pode trabalhar sete dias por semana e vinte e quatro horas por dia, até um limite de trinta e cinco horas por semana na França, em turnos, noturnos, ambiente hospitalar, creche, centro materno-infantil) ou diurnos, creche, centro de acolhimento diurno, centro de cuidados infantis multisserviços. Em creches, centros de educação infantil com múltiplos serviços ou berçários, os auxiliares de educação infantil cuidam de um grupo de crianças com idades entre dois meses e meio e três ou quatro anos. Suas responsabilidades incluem garantir sono adequado, higiene pessoal e ambiental, e alimentação balanceada; ensinar autonomia às crianças (comer, andar, usar o banheiro); implementar os protocolos para alimentação com mamadeira; orientar os pais na transição do leite para alimentos sólidos; apoiar os bebês em suas explorações físicas; estimular os sentidos; organizar atividades de desenvolvimento; monitorar medidas biométricas; e aplicar protocolos em caso de acidentes ou crianças doentes, com o auxílio da enfermagem. Na maternidade, o auxiliar de enfermagem ajuda a parteira durante o parto, caso ela trabalhe na sala de parto.

Na unidade pós-parto, o auxiliar de enfermagem apoia os novos pais em seu novo papel e participa do banho e da alimentação dos recém-nascidos (mamadeira, amamentação). Em pediatria, o auxiliar de enfermagem garante a higiene e o conforto da criança (lavagem/banho, aferição de temperatura, distribuição de refeições, colaboração com o enfermeiro ou cuidador infantil durante os cuidados de enfermagem (exames de sangue, infusão …), tranquiliza a criança e as pessoas ao seu redor, participa de atividades de desenvolvimento. No âmbito da Proteção Materno-Infantil, o auxiliar de cuidados infantis acompanha as consultas com o médico/pediatra, pesa e mede a criança e atualiza os arquivos administrativos. No Instituto Médico-Educacional) e no Instituto de Educação Motora, o AP intervém junto de crianças com deficiências físicas ou mentais, zelando pelo seu bem-estar, higiene e conforto, participando nas refeições e em atividades de desenvolvimento. Em um centro materno-infantil, o auxiliar de cuidados infantis trabalha com famílias monoparentais em situação de vulnerabilidade, ou mesmo sob ordem judicial. Numa creche, o auxiliar de educação infantil trabalha, por um lado, com crianças acolhidas por ordem judicial para protegê-las do seu ambiente, ou a pedido dos pais que se encontram em grande dificuldade temporária; por outro lado, com crianças nascidas com menos de X anos enquanto aguardam o processo de adoção; e, por fim, por vezes, com um número limitado de crianças portadoras de deficiência.

O papel do auxiliar de creche é garantir a segurança, o bem-estar e o conforto da criança. Ele participa de todos os aspectos da vida diária da criança, desde o momento em que acorda até a hora de dormir, desenvolvendo um relacionamento próximo com ela (histórias, rimas, atividades de desenvolvimento da coordenação motora e cuidados pessoais); um profissional de cuidados infantis pode assumir essas atividades. No século XIX e no início do século XX, uma babá era geralmente reconhecida como “enfermeira” e era exclusivamente mulher encontradas em lares de renda mais alta e poderiam ser contratadas ou mormente escravas. Esperava-se que a mulher contratada amamentasse o bebê, um papel reconhecido como ama de leite. Em alguns lares, a enfermeira administrava outros profissionais em um ambiente da casa chamado berçário. Algumas eram mantidas por pelo menos uma assistente, reconhecida como babá. Por causa de seu profundo envolvimento na criação dos filhos da família, as babás muitas vezes eram lembradas com grande afeto e tratadas com mais gentileza que os outros empregados. 

As babás costumavam estar presentes nas famílias mais abastadas dos países coloniais, onde passavam suas vidas nas casas dos seus senhores, muitas vezes desde a infância até a velhice, cuidando de mais de uma geração de filhos. Elas também eram obrigadas a se mudar juntamente com a família. Na Índia Colonial, uma babá era reconhecida como ayahEste termo em sua transliteração, pode significar também “serva” ou “empregada doméstica”. Na China se chamava “amah” enquanto nas Índias Orientais Holandesas, a babá doméstica era reconhecida como “baboe”. Trata-se de uma babá que mora juntamente com a família e com a criança, sendo este tipo muito raro nos dias de hoje. Ser babá pode ser ideal para uma pessoa que deseja se mudar para o exterior por um curto período de tempo ou para se estabelecer financeiramente. Normalmente, uma babá que mora no emprego é responsável por todo o cuidado dos filhos de seus empregadores. Isso inclui qualquer coisa, desde lavar as roupas das crianças, arrumar os quartos das crianças, supervisionar os deveres de casa, preparar as refeições e levar as crianças para a escola ou outras atividades. Os benefícios podem incluir um apartamento ou quarto separado, às vezes chamado de flat e, possivelmente, um carro. Embora uma babá que morasse com a família estivesse normalmente disponível 24 horas por dia no passado, isso é muito menos comum agora e muitas vezes essas babás trabalham de 10 a 12 horas, e o restante do dia de folga. Basicamente, essas babás estão trabalhando enquanto as crianças estão acordadas e os pais trabalhando. Atualmente, uma babá doméstica é mais comum entre as famílias mais ricas, porque muitas vezes têm todas as despesas pagas pelo empregador. Algumas famílias usam o que é reconhecido como “babá compartilhada”, em que duas ou mais famílias pagam pela mesma babá para cuidar dos filhos em cada família em regime de meio período. 

A babá noturna trabalha durante o período noturno e geralmente cuida de recém-nascidos até os cinco anos de idade. Uma babá noturna pode desempenhar um papel de ensino, ajudando os pais a estabelecer bons padrões de sono ou colocar a criança para dormir. As funções e qualificações variam entre os países, mas podem atender às necessidades da família. As qualificações de uma babá noturna geralmente são em enfermagem materna. As taxas de remuneração variam de país, mas geralmente são bem pagas em comparação com a babá geral, já que a babá noturna é vista como uma especialista em sua área. Na história social, as mulheres europeias ficavam confinadas em suas camas ou em suas casas por longos períodos de tempo após o parto. Os cuidados eram prestados por familiares do sexo feminino (sogra) ou por uma auxiliar temporária denominada “enfermeira mensal”. Essas semanas eram chamadas de confinamento ou repouso e terminavam com a reintrodução da mãe à comunidade na cerimônia cristã da igreja das mulheres. Uma versão moderna desse período de descanso evoluiu, do ponto de vista das relações sociológicas de trabalho, com a intenção de dar o máximo de apoio à nova mãe, especialmente se ela estiver se recuperando de um trabalho de parto difícil.

Nos Estados Unidos da América, essas babás de maternidade especializadas são reconhecidas como especialistas em cuidados com o recém-nascido, desassociando esta especialidade da enfermagem com qualificação médica. Eles são altamente experientes em todos os aspectos dos recém-nascidos, exceto em questões médicas. Eles podem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, mas geralmente trabalham cinco noites/dias por semana durante os primeiros três meses de vida de um recém-nascido. A função social pode consistir em auxiliar os pais com orientações sobre alimentação, configuração do berçário, cuidados em relação a cólicas, refluxo e sono. Existem várias organizações de treinamento que oferecem certificações não credenciadas, no entanto, em um campo não regulamentado, os pais devem garantir que as qualificações de sua babá de maternidade sejam legítimas e credenciadas. Nos EUA, a Newborn Care Specialist Association é uma das muitas entidades de certificação autodesignadas. Algumas delas são especializadas em cuidados pós-parto para mães e bebês. Outro trabalho relacionado é auxiliar perinatal. A formação para esta profissão proporciona as competências para detectar perturbações psicológicas ou doenças infantis. 

Capacita os participantes para intervirem em casos de doença ou outros acidentes com consequências para a vida. Inclui um certificado de formação em procedimentos e cuidados de emergência. A profissão é per se feminina com 98% dos auxiliares de cuidados infantis são mulheres em França. As tradições chinesas e do Leste Asiático praticam uma forma de confinamento pós-parto conhecida nas regiões de língua chinesa como zuo yue zi “sentando o mês”, que são tradições e costumes relacionados à recuperação do parto. As “mulheres do confinamento” são chamadas de “yue são” e têm conhecimento especializado sobre como cuidar do bebê e da mãe. Em Singapura e na Malásia, os especialistas em cuidados com recém-nascidos são mais conhecidos por realizarem esse tipo de trabalho. Normalmente, o período de emprego será de cerca de 28 dias ou no máximo 16 semanas. Na Coréia, essas trabalhadoras de cuidados pós-parto são chamadas de Sanhujorisa. Na Holanda, o atendimento pós-natal padrão é apoiado pelo seguro médico estadual, que inclui mais de uma semana de consultas que cobrem um dia inteiro, chamadas de kraamzorgEsses profissionais são chamados de kraamverzorgster, auxiliar de cuidados domiciliares de maternidade, responsável por ensinar a nova mãe a cuidar de seu bebê, com por exemplo: cuidar de sua saúde, preparar refeições, entretenimento, tarefas domésticas e limpeza da casa e banheiro. A maioria das babás são mulheres entre 20 e 60 anos. 

Apesar de raros, existem cargos que são preenchidos por homens, o termo “Manny” é usado para designar babá do sexo masculino, especialmente nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, é uma nação insular situada no noroeste da Europa. A Inglaterra, local de nascimento de Shakespeare e dos Beatles, abriga a capital, Londres, um centro financeiro e cultural globalmente influente. Também na Inglaterra, comparativamente, ficam o neolítico Stonehenge, as termas romanas de Bath e as centenárias e disciplinares universidades de Oxford e Cambridge. Neste caso, curiosamente, nenhuma qualificação formal ou treinamento são exigidos para se tornar uma babá. No entanto, o National Nursery Examination Board fundado em 1945, confere as qualificações para babás e profissionais de creche. Em 1994, este e o Council for Early Years Awards fundiram-se para formar o The Council for Awards in Children`s Care and Education, que fornece qualificações necessárias para o trabalho de babá. Norland College é uma faculdade particular perto de Bath, que oferece treinamento conceituado como babá. Ela também opera sua própria agência de empregos para graduados, bem como uma creche local em Bath. Nos Estados Unidos, nenhuma qualificação formal é exigida para ser babá.

Bibliografia Geral Consultada.

DILTHEY, Wilhelm, El Mundo Histórico. México: Fondo de Cultura Económica, 1947; Idem, Psicología y Teoría del Conocimiento. México: Fondo de Cultura Económica, 1951;  Idem, “Introducción a las Ciencias del Espíritu; ensayo de una fundamentación del estudio de la sociedad y de la historia”. In: Revista de Occidente, 1966; ARIÈS, Philippe, “Prefácio”. In: História Social da Criança e da Família. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1981; TOURAINE, Alain, Le Retour de l`acteur. Essai de Sociologie. Paris: Éditions Fayard, 1984; GRANGER, Gilles-Gaston, Essai d`une Philosophie du Style. 2. ed. Paris: Editeur Odile Jacob, 1988; MARTINDALE, John R.; JONES, Arnold Hugh Martin; MORRIS, John, “Baba’s”. In: The Prosopography of the Later Roman Empire. Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Yorque: Imprensa da Universidade de Cambridge, 1992; BARROS, Regina Duarte Benevides, Grupos: A Afirmação de um Simulacro. Tese de Doutorado. Programa de Estudos de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1994; LE BRETON, David, Compreender a Dor. Lisboa: Editor Estrela Polar; 1995; KAPLAN, E. Ann, A Mulher e o Cinema: Os Dois Lados da Câmera. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995; MERLEAU-PONTY, Maurice, Le Cinema et la Nouvelle Psychologie. Paris: Éditions Gallimard, 1996; BECHERIE, Paul, Genesis de los Conceptos Freudianos. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1998; GOMES, Ana Ângela Farias, A Midiatização do Social: Globo e Criança Esperança Tematizando a Realidade Brasileira. Tese de Doutorado em Ciências da Comunicação. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2007; MOTA, Carlos Guilherme, História de Brasil. Una Interpretación. Salamanca: Editora da Universidad de Salamanca, 2008; TAVARES, Ana Maria, Armadilhas para os Sentidos: Uma Experiência no Espaço-Tempo da Arte. Tese de Doutorado em Artes. Departamento de Artes Plásticas. Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, 2000; FORMAN-BRUNELL, Miriam, Babysitter: An American History. Estados Unidos: New York University Press, 2011; MITRAUD, Francisco Silva, Comunicação, Consumo e Mobilizações Contemporâneas. Representações Midiáticas da Multidão em Contextos de Resistência. Tese de Doutorado. Escola de Propaganda e Marketing em Comunicação e Práticas de Consumo. São Paulo: Escola Superior de Propaganda e Marketing, 2017; NOËL, Julie, História de Uma Profissão Extinta: Profissionais de Cuidados Infantis em Quebec, 1925-1985. Montreal: Universidade de Montreal, 2015; RAMEY-COLLIER, Khaila, et al, “Doula Care: A Review of Outcomes and Impact on Birth Experience”. In: Obstetrical & Gynecological Survey (2): 124–127, 2023; KITAGAWA, Adriana Aparecida do Vale, “Terceirização de Serviços e Reconfiguração da Universidade Pública sob a Lógica do Capital”. In: Revista Direitos, Trabalho e Política Social, vol. 12, n° 22, pp. 1–22, 2026; entre outros.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Traje de Banho – Tecnologia, Cultura & História do Vestuário de Têxteis.

                                                                             O homem e a vaidade movem o mundo”. Michel Foucault (1984)                          

        O conceito de figuração distingue-se de outros conceitos teóricos da sociologia por incluir expressamente os seres humanos em sua formação social. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, por tanto por meio do ingresso singular do mundo simbólico específico de uma figuração já existente de seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos símbolos socialmente apreendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o aprendizado de uma determinada língua especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo permanece fora das as figurações humanas, pois não é um ser humano. As definições de controle social são demasiado amplas e vagas, e, seria legítimo indagar, escolhendo-as mais ou menos ao acaso, para inferir que resultam em termos de controle, estímulo ou complexo de estímulos que provoca determinada reação.

Assim, pois, todos os estímulos são controles, pois representam a direção do comportamento por influências grupais, estimulando ou inibindo a ação individual ou grupal. O controle social pode ser definido como a soma total ou, antes, o conjunto de padrões culturais, símbolos sociais, signos coletivos, valores culturais, ideias e idealidades, tanto como atos quanto como processos diretamente ligados a eles, pelo qual a sociedade inclusiva, cada grupo particular, e cada membro individual participante superam as tensões e os conflitos entre si, através do equilíbrio temporário, e se dispõem a novos esforços criativos. Ipso facto, em toda a dimensão da vida associativa deverá haver algum ajustamento de relações sociais tendentes a prevenir a interferência de direitos e privilégios entre os indivíduos. De maneira mais específica, são três as funções do estabelecidas pelo controle social: a obtenção e a manutenção da ordem social, da proteção social e da eficiência social. O seu emprego hic et nunc do ponto de vista da investigação sociológica contribuiu consideravelmente para produzir uma simplificação ou redução na análise dos problemas sociais, conseguida proporcionalmente, graças à compreensão positiva da integração das contradições correspondentes no sistema de organização das sociedades e da importância relativa de cada um deles, como e enquanto expressão do jogo social.  Embora obscuro e equívoco, em seu significado corrente, o conceito de controle é necessário à investigação na modernidade, encontraram um sistema de referências propício à sua crítica científica, seleção lógica e coordenação metódica.  

O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, analogamente, tal que são determinadas as diferenças simplesmente momentâneas, as que imediatamente se suprassumem como exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo é o princípio representativo que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si. O tempo é igualmente contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e perece, se se abstrai de tudo, do recheio do tempo e do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo.                                        

            O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz. A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção na filosofia da história e, para o bem ou para o mal até os dias presentes. Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes materiais do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a chamada “travessia do mar” aberto pelo século XIX. O crescimento de um jovem convivendo e habitando comum em figurações humanas, como processo social e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregulação na relação com os seres humanos, é condição indispensável ao desenvolvimento rumo à humanidade.   

Socialização e individualização de um ser humano, são nomes diferentes para o processo social de desenvolvimento. Cada ser humano assemelha-se aos outros, e é, ao mesmo tempo, diferente per se de todos os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas em seu ersatz deixam sem resolver o problema da relação nevrálgica entre indivíduo e sociedade. Quando se fala que uma criança se torna um indivíduo humano por meio da integração em determinadas figurações, como, por exemplo, em famílias, em classes escolares, em comunidades aldeãs ou em Estados, assim como mediante a apropriação e reelaboração de um patrimônio simbólico social, conduz-se o pensamento por entre dois grandes perigos da teoria e das ciências humanas: o perigo de partir de um indivíduo a-social, portanto como que de um agente que existe por si mesmo; e o perigo de postular um “sistema”, um “todo”, em suma, uma sociedade humana que existiria para além do ser humano singular, para além dos indivíduos. Embora não possuam um começo absoluto, não tendo nenhuma outra substância a não ser seres humanos gerados familiarmente por pais e mães, as sociedades humanas não são simplesmente um aglomerado cumulativo qualquer dessas pessoas postas em fila. O convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso que o conceito de figuração exprime.

O estudo ou pesquisa & desenvolvimento da história social do vestuário e dos têxteis representa o desenvolvimento, uso e disponibilidade de vestuário e têxteis da história humana. Roupas e tecidos refletem os materiais e tecnologias disponíveis em diferentes civilizações em diferentes épocas. A variedade e distribuição, produção e consumo de roupas e tecidos da sociedade revelam costumes sociais e cultura. Cultura é um conceito que abrange o comportamento social, as instituições e as normas encontradas nas sociedades humanas, bem como o conhecimento, as crenças, as artes, as leis, os costumes, as capacidades, as atitudes e os hábitos dos indivíduos nesses grupos. A cultura geralmente se origina ou é atribuída a uma região ou local específico. Os humanos adquirem cultura por meio dos processos de aprendizagem de enculturação e socialização, o que é demonstrado pela diversidade de culturas nas sociedades. Uma norma cultural codifica a conduta aceitável na sociedade; serve como uma diretriz normalizadora para o comportamento social, como vestimenta, linguagem e comportamento em uma situação cultural, que serve como um modelo para expectativas em um grupo social. Aceitar apenas uma monocultura em um grupo social pode trazer riscos, assim como uma única espécie pode definhar diante de uma mudança ambiental, por falta de respostas funcionais à mudança social. Assim, na cultura militar, a coragem é contada como um comportamento típico de um indivíduo, e o dever, a honra e a lealdade ao grupo são contadas como virtudes ou respostas funcionais no continuum do conflito.

Na religião, atributos análogos podem ser identificados em um grupo. Mudança cultural, ou reposicionamento, é a reconstrução de um conceito cultural de uma sociedade. As culturas são afetadas internamente tanto por forças sociais que incentivam quanto por forças sociais que inversamente resistem às mudanças. As culturas in statu nascendi são afetadas externamente pelo contato social global entre sociedades. Civilização é qualquer sociedade complexa, dinâmica, caracterizada pelo desenvolvimento do Estado, estratificação social, urbanização e sistemas simbólicos de comunicação social além das línguas gestuais ou faladas e sistemas de escrita. A cultura é considerada conceito central na antropologia, e porque não dizer, igualmente na sociologia, abrangendo a gama de fenômenos que são transmitidos através da aprendizagem normalizada, que compartilham universais culturais, como arte, música, dança, ritual, religião e tecnologias como uso de ferramentas, culinária, abrigo e vestuário. 

O conceito de cultura material abrange as expressões físicas da cultura, como tecnologia, arquitetura e arte, enquanto os aspectos imateriais da cultura, como princípios de organização social (incluindo práticas de organização política e instituições sociais), mitologia, filosofia, literatura (escrita e oral) e ciência compreendem o patrimônio cultural intangível de uma sociedade. Nas humanidades, um sentido de cultura como um atributo do indivíduo tem sido o grau em que eles cultivaram um nível particular de sofisticação nas artes, ciências, educação ou costumes. O nível de sofisticação cultural também tem sido usado às vezes para distinguir civilizações comparativamente de sociedades menos complexas. Essas perspectivas hierárquicas sobre cultura também são encontradas em distinções baseadas em classe entre uma alta cultura da elite social e uma baixa cultura, cultura popular ou cultura folclórica das classes mais pobres, distinguidas pelo acesso estratificado ao capital cultural. Na linguagem comum cotidianamente, cultura é frequentemente usada para se referir especificamente aos “marcadores simbólicos” usados por grupos étnicos para se distinguirem visivelmente uns dos outros, como modificações corporais, roupas ou joias. O conceito de cultura de massa se refere às formas de cultura de consumo produzidas em massa e mediadas em massa que surgiram no século XX. Algumas escolas de filosofia, como o marxismo e a teoria crítica, argumentam que a cultura é frequentemente usada politicamente como uma ferramenta das elites para manipular o proletariado e criar uma falsa consciência. Essas perspectivas são comuns na disciplina de estudos culturais.

Nas ciências sociais mais amplas, incluindo a comunicação social, a perspectiva teórica do materialismo cultural sustenta que a cultura simbólica surge das condições materiais da vida humana e que a base da cultura é encontrada em disposições biológicas evoluídas. Quando usado como utilidade de uso um substantivo contável, uma “cultura” tem como representação social o conjunto per se de costumes, tradições e valores de uma sociedade ou comunidade, como um grupo étnico ou nação, e o conhecimento adquirido ao longo do tempo. Nesse sentido, o multiculturalismo um princípio que defende a necessidade de se ir além das atitudes de tolerância entre diferentes culturas num mesmo território ou nação, valoriza a coexistência pacífica e o respeito mútuo entre diferentes culturas que habitam o mesmo planeta. Às vezes, o termo cultura também é usado para descrever práticas específicas dentro de um subgrupo de uma sociedade, uma subcultura ou uma contracultura. Dentro da antropologia, a ideologia e a postura analítica do relativismo cultural sustentam que as culturas não podem ser facilmente classificadas ou avaliadas objetivamente porque qualquer avaliação está necessariamente situada dentro do sistema de valores de uma determinada cultura. O maiô ou fato de banho é uma peça única de roupa de banho usada por mulheres. Antecedeu o biquíni na história das roupas. Seus modelos geralmente cobrem as regiões da genitália, o abdômen e o peito.

Possui vários modelos: mais ou menos reservados, decorados, frente única. Também há o chamado triquíni, maiô falso, em português do Brasil, já que atrás pode ser aberto a ponto de parecer um biquíni. No início do século XX, as mulheres passaram a utilizar maiôs fechados, que cobriam boa parte das pernas. A partir da década de 1920, o maiô começa a perder seu alongamento nas pernas, ficando mais evidente nas coxas, mas é comum o uso de sapatos mesmo na areia. O termo moderno cultura é baseado em um termo usado pelo antigo orador romano Cícero em suas Tusculanae Disputationes, são uma obra filosófica de Cícero, na qual o autor busca estabelecer a imortalidade da alma e demonstrar que a felicidade só pode ser fundamentada na virtude. É um manifesto do estoicismo, onde ele escreveu sobre o “cultivo da alma” ou cultura animi, usando uma metáfora de poder agrícola para o desenvolvimento de uma alma filosófica, entendida teleologicamente como o ideal mais elevado possível para o desenvolvimento pragmático humano. Nas palavras do antropólogo Edward Burnett Tylor (1832-1917) é “aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. As ideias de Tylor tipificam com razão o evolucionismo cultural do século XIX. Em Primitive Culture (1871) e Anthropology (1881), definiu o estudo científico da antropologia, com base nas teorias evolutivas de Charles Lyell (1797-1875).

 Ele acreditava que havia uma base funcional para o desenvolvimento da sociedade e da religião, que ele determinou ser universal. Tylor sustentava que todas as sociedades passavam por três estágios básicos de desenvolvimento: da selvageria, da barbárie à civilização. Tylor é uma figura fundadora da ciência da antropologia social, e seus trabalhos acadêmicos ajudaram a construir a disciplina da antropologia no século XIX. Alternativamente, em uma variante contemporânea, “cultura é definida como um domínio social que enfatiza as práticas, discursos e expressões materiais, que, ao longo do tempo, expressam as continuidades e descontinuidades do significado social de uma vida mantida em comum”. O Cambridge English Dictionary define cultura como “o modo de vida, especialmente os costumes e crenças gerais, de um determinado grupo de pessoas em um determinado momento”. A teoria da gestão do terror postula que a cultura é uma série de atividades e visões de mundo que fornecem aos seres humanos a base para se perceberem como “pessoas de valor dentro do mundo do significado”, elevando-se acima dos aspectos meramente físicos da existência, a fim de negar a insignificância animal e a morte das quais o Homo sapiens tomou consciência quando adquiriu um cérebro maior. A palavra é usada geralmente como a capacidade evoluída de categorizar e representar experiências com símbolos e de agir de forma imaginativa e criativa. Essa capacidade surgiu com a evolução da modernidade comportamental em humanos há cerca de 50 mil anos e muitas vezes é considerada exclusiva dos humanos. No entanto, algumas outras espécies demonstraram habilidades semelhantes, embora menos complicadas, para aprendizagem social. Também é usada para denotar as redes complexas de práticas e conhecimento e ideias acumulados que são transmitidos por meio da interação social e existem em grupos humanos específicos, ou culturas, usando a forma plural.

Antes da revolução industrial a tecelagem era um ofício manual e a principal fibra era a lã. Nas principais zonas lanifícias uma forma primitiva de sistema fabril tinha sido já introduzida. Mas nas zonas montanhosas os tecelões continuavam a trabalhar em casa num sistema de subcontratação. Os teares podiam ser largos ou estreitos. Os teares largos eram, nessa altura, aqueles largos demais para que o tecelão passasse a lançadeira através da cala, necessitando de um ajudante, geralmente, um aprendiz de tecelão. Este ajudante deixou de ser necessário quando John Kay (1704-1779) inventou a Lançadeira voadora em 1733. Foi um inventor inglês cuja criação mais importante foi a lançadeira volante, que foi uma contribuição fundamental para a Revolução Industrial. Ele é frequentemente confundido com seu homônimo, que construiu exatamente a primeira “máquina de fiar”. Esta lançadeira, impulsionada pela ação de dois martelos de madeira em ambas as extremidades e acionados pelo tecelão aumentou a velocidade de produção de tecido. Por este motivo ocorreu uma falha no fornecimento de fio de lã e uma capacidade instalada de tecelagem em excesso. A abertura do Canal de Bridgewater em junho de 1761, permitiu ao algodão desembarcado em Liverpool ser transportado para Manchester, onde a existência de muitos rios com caudalosos e rápidos permitiam a utilização de maquinaria impulsionada pela força hidráulica. A fiação foi a primeira a ser mecanizada (máquina de fiar, máquina de fiar de carrinho) e isso facilitou o fornecimento de fio ao tecelão.

Edmund Cartwright (1743-1823) foi a primeira pessoa que tentou mecanizar o tear a partir de 1785 com uma fábrica em Doncaster e obteve uma série de patentes entre 1785 e 1792. Em 1788, o seu irmão, o Major John Cartwright (1740-1824) construiu uma fábrica em Retford. Em 1791, licenciou o seu tear aos irmãos Grimshaw de Manchester, mas a sua fábrica ardeu, provavelmente por fogo posto. O Parlamento britânico atribuiu a Edmund Cartwrght um prêmio de £ 10 000 em 1809 “para premiar os seus esforços na mecanização do tear”. No entanto o sucesso do tear mecânico ficou também a dever-se a melhorias no desenho de Cartwright feitas por terceiros. O tear mecânico apenas passou a dominar a produção de tecido a partir de 1805. Nessa altura havia cerca de 250 000 tecelões manuais no Reino Unido. A Indústria têxtil era um dos sectores de ponta na Revolução Industrial Britânica, mas a tecelagem foi uma área onde a mecanização se deu relativamente tarde. Apenas em 1842 e como resultado de várias melhorias que foram feitas à máquina de Arkwright, o Tear tornou-se semiautomático, e apenas tinha de parar para o tecelão mudar a canela de fio da lançadeira. Apenas em 1890 é que com o sistema automático de enchimento e mudança de canela, o tear mecânico tornou-se 100% automático. Estas inovações transformaram a tecelagem de uma atividade caseira, com mão-de-obra intensiva e manual, num processo fabril movido a vapor. Paralelamente o tear deixou de ser fabricado em madeira e passou a sê-lo em ferro fundido, o que levou ao aparecimento da grande indústria metalúrgica dedicada à produção de teares mecânicos e outros equipamentos têxteis.

A grande maioria da indústria de tecelagem algodoeira localizava-se em barracões em pequenas povoações à volta de Manchester e afastados das fábricas de fiação. A tecelagem de lã, penteada ou cardada localizou-se no Oeste de Yorkshire, em particular na cidade de Bradford. Estavam localizadas enormes fábricas como a Lister’s e Drummond’s onde tinham lugar todas as operações desde a recepção das fibras ao envio de tecidos acabados. O tecido in limine em cru era enviado para os acabadores onde era branqueado, tingido e/ou estampado, primeiro com corantes naturais e depois com corantes sintéticos, a partir da segunda metade do século XIX. A necessidade destes químicos foi um fator social importante para o desenvolvimento da química moderna, nomeadamente da Química orgânica. A invenção em 1804 do tear Jaquard em França permitiu a tecelagem de tecidos com padrões e desenhos extremamente complicados, através da utilização de cartões perfurados anteriormente inventados em 1725 por Basille Bouchon e melhorados em 1728 por Jean-Baptiste Falcon, que permitiam definir que fios apareceriam na parte de cima do tecido. Os cartões perfurados permitiam o controlo individual de cada fio de teia, linha-a-linha sem que houvesse qualquer repetição do padrão, isso tornou possível a tecelagem de padrões complexos. Existem exemplos de tecidos Jacquard com caligrafia, gravuras tecidas. A máquina de Jacquard podia ser montada tanto em teares automáticos como em teares manuais. Os cartões perfurados do Tear Jacquard foram os percursores de todos os modernos computadores.

Foi a utilização de cartões perfurados no controlo dos fios de teia que inspirou Charles Babbage (1791-1871) a usá-los como método de inserção de dados na sua máquina analítica. No final do século XIX, Hermann Hollerith (1860-1929) utilizá-los-ia como suporte de dados de entrada na sua máquina tabuladora que desenhou para o Censo de 1890 nos Estados Unidos da América. Os cartões perfurados continuariam a ser usados nos computadores até aos anos 1970 do século XX e nos teares Jacquard até aos anos 90 do século XX, sendo substituídos por sistemas electrónicos. Durante a primeira metade do século XX, o tear mecânico manteve-se idêntico ao do final do século passado. Apenas durante esse tempo inventaram-se a máquina automática de atar teias e a de inserção de teia nos liços. A seguir à 2ª guerra mundial, em 1953 começaram a ser comercializados teares com inserção de trama por projétil. Em 1972 por lanças rígidas ou flexíveis e 1975 por Jacto de ar.  Estas inovações fizeram que a taxa de inserção de trama passasse de alguns metros por minuto para cerca de 2000 m/min, fazendo com que a produtividade por tear subisse de 8.5 jardas quadradas por hora em 1975 para 29.5 em 1995. Todos os teares seguem a mesma ideia básica da tecelagem, como foi descrito: (1) Abertura da Cala, (2) Inserção da Trama e (3) Batida do pente. A principal diferença de um tear para o outro é a técnica da inserção do fio de trama. Os modelos mais antigos tinham inserção por lançadeiras. Atualmente os tipos de inserção de trama mais comuns são por projéteis, pinças, jato-de-ar ou jato-de-água. Na tecelagem industrial, o sistema de abertura da cala pode ser por excêntricos, maquineta ou maquineta de Jacquard.

Embora o sistema de lançadeira pareça arcaico, ele é o único que consegue produzir tecidos de até oito metros de largura. Na década de 2010, a indústria têxtil global foi criticada por práticas insustentáveis. A indústria têxtil demonstrou ter um “impacto ambiental negativo na maioria das fases do processo de produção. O comércio global de vestuário de segunda mão mostra-se promissor na redução da utilização de aterros, no entanto, as relações internacionais e os desafios à reciclagem de têxteis mantêm o mercado pequeno em comparação com a utilização total de vestuário. O consumo excessivo e a geração de resíduos na cultura da moda global levaram marcas e varejistas em todo o mundo a adotar a reciclagem têxtil, que se tornou um foco principal dos esforços mundiais de sustentabilidade. As marcas anunciam cada vez mais produtos feitos de materiais reciclados de acordo com as mudanças nas expectativas dos consumidores. A partir de 2010, os investimentos em empresas de reciclagem têxtil cresceram para dimensionar as soluções de reciclagem para a demanda global, com a Inditex apoiando a empresa de reciclagem têxtil-têxtil Circ em julho de 2022 ou a Goldman Sachs liderando um investimento em mecanização empresa de algodão reciclado Recover Textile Systems. A reciclagem têxtil é o processo mediante de recuperação de fibras, fios ou tecidos e o reprocessamento do material em produtos novos e úteis. Os resíduos têxteis são divididos em pré-consumo e pós-consumo e classificados em categorias derivadas de um modelo de pirâmide.                   

Os produtos têxteis são reutilizados ou reciclados mecanicamente ou quimicamente. Houve uma mudança social para a reciclagem de têxteis por causa de novos regulamentos em vários países globalizados. Em resposta, as empresas estão desenvolvendo produtos a partir de resíduos pós-consumo e materiais reciclados, como plásticos. Os resultados de estudos acadêmicos demonstram que a reutilização e a reciclagem de têxteis são mais vantajosas que a incineração e o aterro.  Mais de 100 bilhões de roupas são produzidas anualmente, a maioria das quais acaba em incineradores ou aterros sanitários. A EPA informou que, somente em 2018, foram gerados 17 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) têxteis. A indústria da moda é indiscutivelmente um dos segundos maiores poluidores ao lado da indústria do petróleo. Ao reciclar têxteis, diminui o espaço em aterros, cria menos poluição e reduz o consumo de energia e água. A maioria dos materiais utilizados na reciclagem têxtil pode ser dividida em duas categorias: resíduos pré-consumo e resíduos pós-consumo. Os pré-consumo envolvem materiais secundários das indústrias têxtil, de fibras e de algodão. Esses produtos são reaproveitados para outras indústrias, como móveis, colchões, fios grossos, construção civil, automotivo, papel e vestuário. Os pós-consumo consistem em roupas e artigos domésticos que foram descartados por seus proprietários.

Esses artigos têxteis são descartados porque estão danificados, desgastados ou desatualizados. 85% dos resíduos pós-consumo nos Estados Unidos, no entanto, são encontrados em aterros sanitários. Os restantes resíduos pós-consumo podem ser encaminhados para retalhistas de segunda mão para serem revendidos ou encaminhados para armazéns dedicados à reciclagem têxtil. Os têxteis são classificados em categorias de acordo com o modelo de pirâmide, que organiza os têxteis pela sua qualidade e usabilidade. Essas colocações de categoria determinam quais processos são usados para reciclar ou reutilizar o tecido. Essas categorias são: têxteis para mercados de roupas usadas, têxteis para conversão, limpeza e polimento de roupas, têxteis enviados para aterros sanitários e incineradores e diamantes. Os diamantes constituem 1-2% dos têxteis reciclados. Apesar de ser a menor categoria, os diamantes geram o maior lucro por item para as empresas de reciclagem. Os diamantes são itens de vestuário mais antigos e modernos de marcas reconhecidas e sofisticadas. Roupas e acessórios considerados diamantes incluem alta costura, Harley Davidson, Levi`s, Ralph Lauren e fibras de luxo (i. e, caxemira). Esses artigos de roupas de segunda mão estão em alta demanda e podem ser vendidos online, em butiques de varejo ou em lojas vintage. Cerca de 7% dos produtos têxteis reciclados são incinerados ou depositados em aterros. Os têxteis que são colocados em aterros não têm valor e não podem ser reaproveitados; é caro e é evitado sempre que possível. Têxteis podem ser incinerados para produzir energia elétrica. Esta prática é mais comum na Europa do que nos Estados Unidos porque os sistemas de caldeiras europeus têm capacidades mais altas do que os sistemas de caldeiras americanos. 

Embora a incineração de resíduos sólidos urbanos (RSU) ainda não seja viável nos Estados Unidos, mais de dois terços dos RSU são incinerados em países como Dinamarca, Japão e Suíça. Os valores energéticos da queima de RSU são comparáveis aos do óleo em termos de calorias; no entanto, existem obstáculos a este processo. Esses obstáculos incluem aumentar a eficiência da incineração e reduzir os subprodutos nocivos da incineração. Cerca de 17% dos têxteis usados são classificados na categoria de panos de limpeza e polimento. Esses tecidos são considerados inutilizáveis e são então usados para criar panos de limpeza e polimento. Os panos de limpeza e polimento podem ser feitos de uma combinação de fibras oleofílicas e hidrofílicas que são frequentemente úteis em aplicações industriais. Têxteis, como camisetas, são comumente usados para criar esses panos devido às suas fibras de algodão naturalmente absorventes. É importante salientar que 29% dos resíduos têxteis são transformados em novos produtos se considerados inutilizáveis. A usabilidade depende se os tecidos estão ou não manchados ou rasgados além do reparo. Má qualidade e mungo são os dois resultados do processo de reengenharia. Shoddy envolve a criação de novos produtos de fios a partir de materiais antigos e é um dos exemplos históricos de reciclagem têxtil.

Um dos maiores produtores de fios de má qualidade é a Panipat, no Norte da Índia, que possui mais de 300 fábricas. A maior parte do material de má qualidade em Panipat é usado para fazer cobertores de malha, perfazendo mais de 90% dos cobertores que são doados às comunidades em socorro a desastres. Mungo foi inventado depois da má qualidade e refere-se ao processo de utilização de recortes têxteis para fazer lã. Essa lã é exportada para países europeus, cujos climas mais frios e regulamentações de inflamabilidade resultam em uma maior necessidade de mungo. Shoddy e mungo podem ser utilizados para produtos de alta e baixa qualidade. Essas fibras modificadas têm sido usadas em suéteres de caxemira e no enchimento de móveis, automóveis e sacos de boxe. Nos mercados de roupas usadas 48% dos têxteis são classificados na categoria de mercados de roupas usadas. Os países ocidentais exportam têxteis usados para países em desenvolvimento ou para ajuda humanitária. Nos países “em desenvolvimento”, os têxteis ocidentais usados são altamente valorizados, pois geralmente são mais acessíveis do que os têxteis locais. Têxteis ocidentais usados também são vendidos para as classes baixa e média em países mais desenvolvidos, cuja renda não é grande o suficiente para comprar tecidos locais mais caros. Como a exportação têxtil é uma indústria global, os exportadores devem estar cientes das diversas regulamentações e restrições comerciais em diferentes países. A reutilização têxtil é o método de processamento preferível porque prolonga a vida útil do produto original. A reutilização ocorre quando os proprietários têxteis alugam, trocam, trocam, emprestam, herdam produtos por meio de lojas de segunda mão, vendas de garagem, mercados on-line/pulgas ou instituições de caridade.

 O processamento mecânico é um método de reciclagem no qual o tecido têxtil é quebrado enquanto as fibras ainda são preservadas. Uma vez trituradas, essas fibras podem ser fiadas para criar novos tecidos. Esta é a técnica mais utilizada para reciclar têxteis e é um processo particularmente bem desenvolvido para têxteis de algodão. Os protocolos de processamento mecânico podem diferir dependendo do material, portanto, também requerem vários níveis de classificação antes do início do processo. Os têxteis devem ser separados por composição de tecido e por cor para evitar tingimento e branqueamento de materiais. Depois de separados, os materiais têxteis podem ser triturados, lavados e separados em fibras menores. Essas fibras individuais são então alinhadas em um processo conhecido como cardagem em preparação para serem fiadas juntas. Algumas fibras, incluindo o algodão, devem ser fiadas junto com uma fibra transportadora para manter a qualidade superior. Essas fibras transportadoras são mais comumente algodão, algodão orgânico ou poliéster. Uma vez que as fibras são transformadas em novos fios, elas podem ser usadas para criar novos tecidos. Este processo funciona como um ciclo semifechado de reciclagem. O número de vezes que um material pode ser reciclado depende da qualidade das fibras, a cada ciclo de processamento mecânico. O processamento também pode ser usado com outros materiais além dos têxteis. Um exemplo comum disso é o poliéster.

No caso os materiais reciclados são garrafas plásticas de polietileno tereftalato. De maneira semelhante aos têxteis, os plásticos são separados por cor e tipo quando chegam às instalações de reciclagem. O plástico é então triturado e lavado para quebrá-lo e remover os contaminantes. Os restos plásticos secos são moldados em pastilhas de PET e depois passam por extrusão para criar novas fibras. Essas novas fibras podem então ser usadas para criar novos tecidos. O processamento químico ocorre quando a reutilização têxtil é inviável. Este processo ainda não é amplamente implementado, mas existem empresas que estão pesquisando e integrando a reciclagem química. Os principais locais de produção em pequena escala são Eco Circle, Worn Again, Evrnu e Ioncell. A reciclagem química é utilizada em fibras sintéticas, como o Polietileno Tereftalato (PET). Essas fibras sintéticas podem ser quebradas para criar fibras, fios e têxteis. Para o PET, os materiais iniciais são primeiro decompostos em nível molecular usando produtos químicos que facilitam a glicólise, metanólise, hidrólise e/ou amonólise. Este ato de despolimerização também remove contaminantes do material de partida, como corantes e fibras indesejadas. A partir daqui o material é polimerizado e utilizado para produzir produtos têxteis. Ao contrário do método mecânico de reciclagem, a química produz fibras de alta qualidade semelhantes à fibra original utilizada. Não são necessárias novas fibras para sustentar o produto do processo químico. Diferentes produtos e processos são usados para outros materiais, como nylon e fibras à base de celulose, mas a estrutura geral do processo é a mesma.

Muitas empresas como Patagonia, Everlane, Heavy Eco e Girlfriend Collective desenvolvem seus produtos a partir da combinação de resíduos têxteis reciclados, bem como outros materiais como os plásticos. Isso também pode ser feito para outros tecidos além de roupas. Por exemplo, a Egetæpper é uma empresa dinamarquesa de fabricação de tapetes que fabrica seus tapetes usando fibras de redes de pesca recicladas. Muitas dessas empresas também desenvolvem programas especificamente projetados para reduzir o desperdício de fabricação e permitir que seus clientes reciclem peças de roupa velhas por meio da mesma empresa. A Glen Raven, Inc., uma fabricante de tecidos, projetou um programa que coleta peças não utilizadas durante a produção e as recicla em um novo tecido. Uma região específica que é mais progressiva em aplicações de têxteis reciclados é a Escandinávia, que criou produtos de mercado convencionais. Na Suécia, empresas como Lindex e H&M estão incluindo fibras residuais pré-consumo e pós-consumo em suas novas linhas de roupas. Da mesma forma, na Finlândia, a Pure Waste é uma empresa de roupas que cria camisetas a partir de fibras recicladas em suas fábricas 95% movidas a energia eólica. Novas regulamentações para a indústria têxtil foram introduzidas em vários países que favorecem o uso de materiais reciclados. Em 30 de março de 2022, a Comissão Europeia publicou a Estratégia da União Europeia para Têxteis Sustentáveis e Circulares, que descreve o plano de ação para alcançar sustentabilidade e regulamentação na indústria.     

A estratégia da União Europeia inclui regular a superprodução, reduzir a liberação de microplásticos durante a produção e utilizar a Responsabilidade Estendida do Produtor da União Europeia para garantir que os produtores estejam agindo de forma sustentável. Em resposta às mudanças nas expectativas dos consumidores, os investimentos em empresas de reciclagem têxtil aumentaram para alcançar uma melhor sustentabilidade na indústria têxtil. Em julho de 2021, a H&M é uma empresa multinacional sueca de moda presente em 74 mercados e com mais de 5000 lojas. O seu modelo de negócio é “Moda e qualidade ao melhor preço, de forma sustentável” e a Adidas investiram na empresa de reciclagem química Infinited Fiber Company, que produz uma fibra reengenharia semelhante ao algodão e biodegradável. O Goldman Sachs liderou um investimento na empresa de algodão reciclado mecanicamente Recover Textile Systems em junho de 2022. Muitas marcas de moda de luxo estão exibindo publicamente seu investimento em abordagens de sustentabilidade, com um objetivo comum de mudar tecnologicamente para sistemas circulares e utilizar materiais reestruturados e/ou biodegradáveis em suas coleções. Os processos de reutilização e reciclagem de têxteis são os métodos de processamento de têxteis mais ecológicos, enquanto a incineração e o aterro são considerados os menos ecológicos.  Ao comparar a reutilização têxtil com a reciclagem têxtil, a reutilização têxtil é mais vantajosa. Um estudo sueco descobriu que, para cada tonelada de resíduos têxteis, a reutilização têxtil pode economizar 8 toneladas de CO2 em termos de potencial de aquecimento global (GWP) e 164 GJ de uso de energia.

Em análise comparativa o processo de reciclagem têxtil economiza 5,6 toneladas de CO2 em termos de GWP e 116 GJ de uso de energia. Existem algumas circunstâncias em que a reciclagem e a reutilização podem ser menos eficazes. Por exemplo, em relação à reciclagem, os benefícios podem ser compensados se as taxas de substituição forem relativamente baixas, se a reciclagem for energizada por combustíveis fósseis ou se os procedimentos de fabricação evitados forem limpos. Além disso, no que diz respeito à reutilização, o impacto ambiental do transporte pode superar as vantagens da fabricação evitada, a menos que a vida útil do item reutilizado seja consideravelmente prolongada. Essas circunstâncias devem ser levadas em consideração ao defender, projetar e implementar novos procedimentos de reciclagem e reutilização de têxteis. Os avanços no tratamento, revestimento e corantes têxteis têm efeitos pouco claros na saúde humana, e a prevalência da dermatite de contato têxtil está a aumentar entre os trabalhadores têxteis e as pessoas comuns. Os estudiosos identificaram um aumento na taxa de compra de roupas novas pelos consumidores ocidentais, bem como uma diminuição na vida útil das roupas. Foi sugerido que a fast fashion contribui para o aumento dos níveis de desperdício têxtil. O mercado mundial de exportações de têxteis e vestuário em 2013, de acordo com a Base de Dados de Estatísticas do Comércio de Mercadorias das Nações Unidas, situou-se em 772 mil milhões de dólares. Em 2016, os maiores países exportadores de vestuário foram a China (161 bilhões de dólares), o Bangladesh (28 bilhões de dólares), o Vietnã (25 bilhões de dólares), a Índia (18 bilhões de dólares), Hong Kong (16 bilhões de dólares), a Turquia (15 bilhões de dólares) e a Indonésia (7 bilhões de dólares).

Bibliografia Geral Consultada.

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