sábado, 7 de março de 2026

Um Mergulho no Passado – Visitantes & Complexidade Emocional.

                      A única pessoa com quem você tem que se comparar é você no passado”. Sigmund Freud

          

        Sigismund Schlomo Freud reconhecido profissionalmente como Sigmund Freud, foi um médico neurologista criador da psicanálise. Freud, como se tornara conhecido, nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco, atualmente, a localidade é denominada Příbor, e pertence à República Tcheca. Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais. Ao observar a melhora dos pacientes tratados pelo médico francês Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da histeria era psicológica, e não orgânica, distanciando-se das correntes positivistas que associavam a determinação biológica da espécie. Essa hipótese serviu de base para outros conceitos desenvolvidos posteriormente por Freud, como o do inconsciente. Fatos como a descrição de pacientes curados através do diálogo por Josef Breuer e a morte do colega Ernst von Fleischl-Marxow (1846-1891) por dose excessiva do antidepressivo da época, a cocaína, levaram-no ao abandono das técnicas de hipnose e de drogas para criar um novo método chamado: a cura pela fala, ou seja, a psicanálise, que utilizava a interpretação de sonhos e a livre associação como vias de acesso ao inconsciente. 

      Suas teorias sociais e seus tratamentos terapêuticos foram controversos na aparentemente conservadora Viena do fim do século XIX, e continuam a ser debatidos presentemente. Sua concepção de teoria é de grande influência na psicologia e, além do contínuo sobre a aplicação terapêutica no tratamento, também é, frequentemente, discutida e analisada como obra de literatura e cultura geral nas humanidades. Ernst von Fleischl-Marxow estudou medicina na Universidade de Viena, Áustria. Iniciou sua carreira científica como Assistente de pesquisa no laboratório de Ernst Wilhelm von Brücke (1819-1892), e depois como Assistente, na mesma universidade, do eminente patologista Carl von Rokitansky (1804-1878). Porém, um acidente durante a dissecação de um cadáver feriu seu polegar, que infeccionou e teve que ser amputado, interrompendo suas atividades clínicas em anatomopatologia. Assim, ele teve que recorrer à fisiologia, e voltou ao laboratório de von Brücke em Viena depois de estudar durante um ano com Carl Ludwig (1816-1895), outro famoso fisiologista da Universidade de Leipzig, Alemanha, obtendo seu doutorado em medicina, em 1874. Na primeira fase de sua carreira acadêmica em neurofisiologia, Fleischl-Marxow dedicou-se à eletrofisiologia de nervos e músculos, um campo de pesquisa de crescente prestígio, após as investigações pioneiras de Emil du Bois-Reymond (1818-1896), que havia descoberto potenciais de ação dos axônios. 

        Este campo beneficiou os desenvolvimentos ocorridos nas ciências físicas, particularmente de novos dispositivos que foram inventados para trabalhar com pequenos potenciais e correntes elétricas. Como os tecidos biológicos têm níveis extremamente baixos de atividade elétrica (na faixa dos microvolts), o progresso da neurofisiologia teve de esperar por eles. Como muitos fisiologistas alemães de sua época, Fleischl-Marxow tinha bons conhecimentos e habilidades em física, e inventou uma série de dispositivos para fins de seus estudos, particularmente o reonome, uma espécie de reostato, ou resistor variável utilizado para controlar com precisão a intensidade de um estímulo elétrico. Ele também adaptou o eletrômetro capilar de Lippmann para usá-lo na medição de fenômenos bioelétricos sutis. Da bioeletricidade dos nervos, Fleischl-Marxow voltou sua atenção, a partir de 1876, para a atividade elétrica global dos hemisférios cerebrais. Os neuroanatomistas já haviam determinado na época que seu tecido nervoso também era composto por células (os neurônios), com seus corpos localizados principalmente na substância cinzenta, e por prolongamentos filamentares, os dendritos e os axônios. Assim, era natural supor que eles também exibissem atividade elétrica. Importante descoberta, no entanto, não tinha sido realizada, porque potenciais elétricos dessincronizados com diferentes polaridades, produzem um potencial global cumulativo que é, na verdade, muito pequeno e difícil de detectar com a gama de sensibilidade dos dispositivos de medição disponíveis.

                                


Apesar disso, Fleischl-Marxow conseguiu comprovar pela primeira vez que a “estimulação periférica” de órgãos sensoriais, como a visão e a audição, era capaz de provocar pequenas oscilações de potencial elétrico relacionadas a eventos na superfície do córtex cerebral, relacionadas a projeção desses sentidos. Estranhamente, porém, Fleischl-Marxow não publicou os seus resultados, optando por depositá-los num cofre de banco, com instruções para revelá-los apenas em 1883. Enquanto isso, surgiram as primeiras publicações sobre o que mais tarde seria chamado de eletroencefalograma, demonstradas de forma independente por Richard Caton (1842–1926), na Grã-Bretanha, e Adolf Beck (1863–1942) na Polônia, ambos utilizando animais de laboratório. Em 1880, Fleischl-Marxow tornou-se professor titular da Universidade de Viena e foi nomeado membro correspondente da Academia Austríaca de Ciências. Ele também dedicou parte de sua pesquisa à óptica fisiológica, fazendo importantes descobertas sobre a distribuição do nervo óptico na retina e as características ópticas da córnea. Com seu crescente conhecimento em Física Óptica, desenvolveu diversos instrumentos de medição óptica, o espectropolarímetro e o hematômetro, um dispositivo para medir a hemoglobina no sangue, que recebeu seu nome em sua homenagem, e que doravante, por muitos anos encontrou ampla aplicação em medicina laboratorial e hematologia diagnóstica.

Durante muitos anos, Fleischl-Marxow trabalhou sob intenso sofrimento pessoal, devido às complicações dolorosas crônicas de sua amputação. Por conta disso, ficou viciado em morfina e heroína (um derivado sintético da morfina, porém muito mais potente). Sigmund Freud, então neurologista vienense, era um de seus amigos mais íntimos, e tinha dele a opinião mais elevada: - Um homem muito distinto, por quem a natureza e a educação deram o seu melhor. Rico, treinado em todos os exercícios físicos, com a marca da genialidade em seus traços energéticos, bonito, de bons sentimentos, dotado de todos os talentos e capaz de formar um julgamento original sobre todos os assuntos, ele sempre foi meu ideal e eu poderia não descansaria até que nos tornássemos amigos e eu pudesse sentir pura alegria em sua habilidade e reputação. (apud em Ernest Jones, A Vida e Obra de Sigmund Freud, Volume I, VI.). Freud estava estudando as propriedades médicas da cocaína e estava convencido de que a cocaína poderia ser usada não apenas como um leve euforizante, afrodisíaco e analgésico, mas também como tratamento para viciados em morfina. Ele recomendou isso ao seu amigo Fleischl-Marxow, que caiu ainda mais fundo no abismo do vício. Devastado pela dor, vício e doença, ele teve recaída e começou a usar morfina novamente. Ernst von Fleischl-Marxow morreu em 22 de outubro de 1891, aos 45 anos.     

Sigmund Freud falou dele, sem haver a necessidade de citar seu nome, no ensaio: Interpretação dos Sonhos, analisando a injeção de Irma. A psicossociologia tem como representação abstrata do indivíduo o estudo de problemas comuns à psicologia e à sociologia, particularmente a maneira como o comportamento individual é influenciado pelos grupos aos quais a pessoa pertence. Por exemplo, no estudo dos criminosos a psicologia estuda a personalidade latente do criminoso moldada pela educação do criminoso. A sociologia estuda o comportamento teórico e prático do próprio grupo num processo de interação em geral: os métodos que o grupo criminoso usa para recrutar membros e a maneira como o grupo muda ao longo do tempo. Psicossociologia estuda o comportamento do criminoso, que é criado pelo grupo que pertence: jovens que moram no quarteirão do bairro. Existem fatores sociais que podem afetar a psicologia dos outros. Um exemplo: as ditas “panelinhas sociais”. Se alguém é aceito em seu grupo desejado ou não, isso muda a maneira como eles pensam sobre si mesmos e as pessoas ao seu redor. Amizades em idades jovens enquanto crescem também têm muito a ver não apenas com o desenvolvimento psicológico, mas também com habilidades e comportamento social. O mesmo vale para as leis na sociedade. Se o grupo de um indivíduo decide obedecer por eles ou não, isso afeta a visão desse indivíduo sobre a lei e seu grupo como um todo.

A maneira como as pessoas podem agir ou falar dita a maneira como os outros as veem em uma sociedade. Por exemplo, os indivíduos podem ver a autoridade de muitas maneiras diferentes, dependendo de suas experiências e do que os outros lhes disseram. Por isso, com base no conhecimento social de autoridade das pessoas, suas opiniões e ideias são muito diferentes. Cada indivíduo tem seu próprio processo de pensamento psicológico único e pessoal no qual eles usam para analisar o mundo ao seu redor. As pessoas internalizam e processam fatores sociológicos de maneira relativa ao seu processo de pensamento psicológico. Essa relação é recíproca, pois a sociedade pode alterar e transformar as maneiras que as pessoas pensam e, ao mesmo tempo, a sociedade pode ser influenciada pelo pensamento psicológico exteriorizado dos indivíduos da própria sociedade. Devido a isso, pode-se antever como a psicologia é útil para ajudar o sociólogo a compreender e interpretar os efeitos dos fatos sociais no comportamento de um indivíduo numa sociedade determinada. Na verdade, inicialmente, a classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias de Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses.

Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra “A Interpretação dos Sonhos”. Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim dizer, da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e “A psicopatologia da vida cotidiana”. Nesta época, Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demostram respaldo às suas ideias e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”. Por sua vida inteira, Freud teve uma posição financeira modesta, como Marx ou Nietzsche. Josef Breuer foi, no início, um aliado de Freud em suas ideias e também um aliado com patrocínio financeiro. Freud criou o termo “psicanálise” para designar um método, uma teoria e uma técnica para investigar cientificamente os processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo. Foi com o decorrer das discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as ideias que culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise. O primeiro caso clínico relatado deve-se a Breuer e descreve o tratamento dado sua paciente Bertha Pappenheim, chamada de “Anna O”, no livro e no cinema, que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de tratamento consistia na chamada “cura pela fala”, ou “cura catártica”, na qual o ou a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso, os faz desaparecer. 

Esta técnica tornou-se o centro de manejo das técnicas de Freud, que também acreditava, cientificamente, que as memórias ocultas ou “reprimidas” nas quais se baseavam os sintomas de histeria eram sempre de natureza sexual. Entretanto, Breuer não concordava com Freud, o que levou à separação de ideias entre eles logo após a publicação dos casos clínicos em sociedades científicas. O passado tem como representação social o conjunto de todos os eventos que ocorreram antes de um determinado ponto no tempo. O passado é contrastado com, e definido pelo, presente e o futuro. O conceito de passado deriva da maneira linear com que os observadores humanos experienciam o tempo, sendo acessado por meio da memória e da recordação. Além disso, os seres humanos registram o passado desde o surgimento da linguagem escrita. A palavra “passado” também pode ser usada para descrever os cargos ocupados por pessoas que já serviram anteriormente em uma organização, grupo ou evento, como em “ex-presidente” ou “campeões anteriores”. “Passado” também pode se referir a algo ou alguém que está além de um determinado ponto. Por exemplo, na frase: “Eu moro na Rua Fielding, logo depois da estação de trem”, a palavra “depois” é usada para descrever uma localização (a residência do falante) além de um ponto específico (a estação de trem). Alternativamente, na frase: - “Ele passou correndo por nós em alta velocidade”, o termo descreve a posição de alguém (“ele”) que já foi além da posição do falante. A palavra “passado” também é usada para definir um horário que é um certo número de minutos após uma hora específica, como em: “Saímos da festa às doze e meia”. 

As pessoas também usam “passado” para se referir a estar além de uma certa idade biológica ou fase da vida, como em: “O menino já passou da idade de precisar de uma babá”, ou “Já passei da fase de me importar com esse problema”. O termo “passado” também é comumente utilizado para se referir à história, seja de forma geral ou com relação a períodos ou eventos específicos, como em: “Monarcas do passado tinham poder absoluto para determinar as leis, em contraste com muitos reis e rainhas europeus de hoje”. O autor britânico do século XIX Charles Dickens criou uma das personificações fictícias mais conhecidas do passado em seu conto “A Christmas Carol”. Na história, o Fantasma do Natal Passado é uma aparição que mostra ao personagem principal, um homem frio e avarento chamado Ebenezer Scrooge, cenas de sua infância e juventude para ensiná-lo que a alegria não vem necessariamente da riqueza. Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. A Fenomenologia é história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. 

Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata. Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. O espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas.

Enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e em identidade com esta porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade. A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim a Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão.

O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais.

O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade. O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É concreto, algo distinto. Contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. 

Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento. Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior. O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal. Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular no gênios da música. 

Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. A Bigger Splash tem como representação social é um filme de drama psicológico de 2015, dirigido por Luca Guadagnino e com roteiro de David Kajganich a partir de uma história de Alain Page, pseudônimo de Jean Emmanuel Conil, nascido em 5 de março de 1929 em Nantes, é um escritor, dramaturgo, diretor e roteirista francês. Na sua juventude, “trabalhou numa grande variedade de profissões nas áreas do ensino, seguros, corretagem de vinhos, venda de pernas de pau, livros ou fotografias...”. Na literatura, sob o pseudônimo de Henri Dalbret, publicou uma coletânea de poemas intitulada Fumées, pela Éditions de la Première Chance, seguida por dois romances policiais históricos: La forêt frémit à l'aube (“A Floresta Treme ao Amanhecer”, 1955) e Le Page de la reine (“O Pajem da Rainha”, 1957). Em seguida, adotou o pseudônimo Alain Page para criar Terence Lane, reconhecido como L`Ombre (“A Sombra”), um ladrão cavalheiro que lembrava tanto Arsène Lupin quanto Arthur J. Raffles, cujas aventuras foram publicadas pela Fleuve Noir ao longo de dois anos (1958-1959). 

Ele também escreveu dezenas de outros romances com a mesma editora, nas coleções Special-Police (Polícia Especial) e, principalmente, Espionnage (Espionagem), para a qual criou o personagem do agente secreto Nicolas Calone. Estreou no cinema com La Piscine em 1968, que foi adaptado para as telonas no mesmo ano por Jacques Deray (1929-2003).O filme se passa no verão de 1968 na Riviera Francesa: é um drama de ciúme e possessividade entre um casal que vive em uma propriedade paradisíaca e os amigos que vêm visitá-los.  O filme foi um sucesso internacional estrondoso e tornou-se um programa recorrente na televisão. O longa-metragem consolidou a imagem da dupla Alain Delon e Romy Schneider, considerada um dos casais mais icônicos do cinema. Jean-Paul (Alain Delon), um escritor que sofre de “bloqueio criativo” e também agente publicitário, e Marianne (Romy Schneider), que vivem felizes há dois anos e meio, desfrutam da vida em uma magnífica casa com piscina, emprestada por amigos, nos arredores de Saint-Tropez. O tête-à-tête terno e tranquilo entre eles é interrompido por um telefonema de Harry (Maurice Ronet) anunciando sua chegada. Ele é um playboy autoconfiante que fez fortuna com sua gravadora, um velho amigo de Jean-Paul e ex-amante de Marianne. Pretensioso, ele exibe um magnífico carro esportivo (um Maserati Ghibli) e se gaba de ter dirigido de Paris a Saint-Tropez em 7 horas e 15 minutos. Ele chega com sua filha de dezoito anos, Penelope (Jane Birkin), jovem tímida e inquietante.

Marianne sugere que Harry e Penélope fiquem por alguns dias, o que desagrada a Jean-Paul. Harry parte para Saint-Tropez. Enquanto isso, o casal fica um tanto constrangido com a presença de Penélope, que é muito recatada e introvertida. Harry retorna com um grupo de amigos; eles dançam e bebem. Jean-Paul se ressente dessa festa que lhe foi imposta. Depois de ver Marianne dançar carinhosamente com Harry, ele se aproxima de Penélope, que, assim como ele, se sente deslocada na festa. Na manhã seguinte, os quatro se viram sozinhos, mais ou menos sonolentos e insatisfeitos. Marianne, preocupada com a crescente cumplicidade entre Jean-Paul e Penélope, saiu de carro com Harry, o que alimentou ainda mais o ciúme de Jean-Paul. Enquanto estavam a sós, Penélope contou a Jean-Paul que seu pai havia entrado em sua vida recentemente, que estava se tornando intrusivo, às vezes fazendo-a passar por sua amante para parecer mais jovem. Aos poucos, ela pintou um retrato nada lisonjeiro dele, principalmente que ele se gabava de ter “dado” Marianne a Jean-Paul, dizendo que poderia tê-la de volta “quando quisesse”, e que considerava Jean-Paul um fracasso. Enquanto Harry e Marianne estão em Saint-Tropez, Penelope e Jean-Paul também vão nadar na costa. Harry e Marianne, já de volta a casa, veem-nos a regressar radiantes da sua escapadela. Penelope está a usar apenas um casaco, sem o fato de banho por baixo. Jantam todos juntos num ambiente tenso e ambíguo. Penelope decide levantar-se da mesa. Após o jantar, Harry visita um amigo antes de partir, mas decide repentinamente adiar a viagem para o dia seguinte. Marianne faz um escândalo com Jean-Paul, pensando que ele está apaixonado por Penélope. 

Depois, ela vai para a cama enquanto Jean-Paul, que voltou a beber, fica sozinho lá embaixo. Harry chega tarde em casa, bêbado, e repreende Jean-Paul violentamente, chamando-o de perdedor patético e acusando-o de buscar vingança pelo seu sucesso ao dormir com sua filha. Ele tenta socá-lo e desequilibrada cai na piscina. Jean-Paul o impede de sair, e por isso empurra-o de volta quando ele tenta se puxar para a margem e, por fim, segura sua cabeça debaixo d`água até que ele se afogue. Então ele retira o corpo da água, tira suas roupas e o joga de volta. Em seguida, estende roupas limpas na borda da piscina e esconde as roupas molhadas de Harry no porão. Após o funeral, os três se encontram juntos na casa. Chega um inspetor (Paul Crauchet). Ele expressa sua perplexidade: as roupas supostamente deixadas por Harry perto da piscina, que estavam limpas, não foram usadas, e ele havia ido nadar usando um relógio valioso que não era à prova d`água. Para fins da investigação, ele pede que permaneçam no local. Durante uma conversa particular, o inspetor confidenciou suas suspeitas a Marianne. Sutilmente, ele havia percebido e desvendado a complexa teia de relações entre os protagonistas da trama. O casal então tem uma discussão tensa, ao final da qual Jean-Paul diz a Marianne que vai embora, deixando-a devastada. Mais tarde, Jean-Paul, pensando que Marianne havia encontrado as roupas molhadas de Harry, confessa tudo a ela. Na verdade, ela apenas suspeitava. Ele lhe conta que as roupas estão escondidas sob uma pilha de lenha no porão. Ela vai até lá e as encontra. 

Ela dá a entender que ficará calada com a condição de que Penelope vá embora. Marianne leva Penelope ao aeroporto de Nice e a tranquiliza sobre a causa da morte de seu pai: foi de fato um acidente e nada mais. O inspetor, profundamente convencido da culpa de Jean-Paul, faz uma última tentativa, sem sucesso, de persuadir Marianne a denunciá-lo. Quando o casal estava prestes a sair, Marianne decidiu repentinamente pegar o trem e quis chamar um táxi. Jean-Paul encerrou a ligação, sinalizando que pretendia ficar com ela. O filme termina com Jean-Paul e Marianne se abraçando atrás de uma janela. No ano seguinte, escreveu uma novelização desse roteiro. É particularmente reconhecido por ter publicado Tchao Pantin em 1982, um romance adaptado para a tela com o mesmo título por Claude Berri em 1983. Em seguida, no reino da fantasia, veio Les Compagnons d`Eleusis (1975), que foi adaptado para uma série na TF, e, no reino da ficção científica, Le Mutant (1978), que se tornou uma série para a Antenne 2. Publicado pela Flammarion em 1991, o romance Sang d`enfer foi seguido por dois romances autobiográficos: Je Suis Rien (2003), publicado pela Cherche-midi, que revisita, através da voz de um narrador de 16 anos, as memórias do autor de Mai 68, e L`Écume des Nuits (2009), publicado pela Pascal Galodé, que evoca o bombardeio de sua casa em 1943. Alain Page é o criador dos personagens da série de televisão Les Cordier, Juge et Flic, transmitida pela TF1, e o roteirista dos três primeiros episódios, um dos quais foi escrito sob o pseudônimo de Alain Ray. 

Ele também dirigiu um único longa-metragem, Taxi Boy, lançado em 1986, e trabalhou no rádio. Ele é o pai do escritor neo-noir Philippe Conil. O filme Um Mergulho no Passado, é estrelado por Tilda Swinton, uma atriz britânica vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em Michael Clayton. É internacionalmente reconhecida por suas atuações como a Feiticeira Branca na série de filmes As Crônicas de Narnia e como a Anciã no filme Doutor Estranho. Jadis é um personagem fictício e o principal antagonista de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005) e O Sobrinho do Mago publicado originalmente em 1955 como parte da série As Crônicas de Nárnia. Este mesmo livro também já foi publicado no Brasil com o título Os Anéis Mágicos e em Portugal recebe o título de O Sobrinho do Mágico, na série de C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia. Ela é comumente referida como a Bruxa Branca em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, pois é a Bruxa que congelou Nárnia no Inverno dos Cem Anos, Matthias Schoenaerts, Ralph Fiennes e Dakota Johnson, o filme é vagamente baseado no filme de Jacques Deray de 1969, La Piscine e em homenagem de 1967. O segundo filme da trilogia autodenominada de Guadagnino, Desejo, sucede Eu Sou o Amor (2009) e precede Me Chame Pelo Seu Nome (2017), concorreu ao Leão de Ouro no 72º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Nascido em 10 de agosto de 1971 é diretor e produtor de cinema italiano. Seus filmes etnograficamente são caracterizados pela relação psíquica de complexidade emocional, erotismo e visuais luxuosos. 

Guadagnino recebeu inúmeros prêmios, incluindo um Leão de Prata e um Independent Spirit Award, indicações ao Oscar, dois Globos de Ouro e três prêmios BAFTA, pela Academia Britânica de Cinema e Televisão para homenagear as melhores contribuições britânicas e internacionais nas artes cinematográficas.Nascido em Palermo, filho de mãe argelina e pai siciliano, Luca Guadagnino passou parte da infância na Etiópia, mas a família retornou à Itália para escapar da Guerra Civil da Etiópia (1974-1991) que começa em 12 de setembro de 1974, com um golpe de Estado contra o Negus Hailé Selassié (1892-1975) e termina com a instalação de um governo de transição (1991-1995), chefiado pelo primeiro-ministro Meles Zenawi (1955-2012). Em 2009, ele dirigiu, escreveu e produziu o sucesso cult Eu Sou o Amor. O primeiro filme da extraordinária trilogia do Desejo, como o próprio Guadagnino a denomina, foi coproduzido e desenvolvido por Tilda Swinton, que também estrela o filme, desenvolvido durante 7 anos. Apresentado em diversos festivais internacionais, o filme foi um sucesso imediato tanto de crítica quanto de público. Em 2010, foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino, ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Em 2011, Guadagnino dirigiu Inconscio Italiano, documentário de longa-metragem no Festival de Cinema de Locarno. Ele também no documentário Bertolucci on Bertolucci (2013), exibido no Festival de Cinema de Veneza, no Festival de Cinema de Londres e na Cinemateca de Paris, e em outros 50 festivais em 2013 e 2014. Codirigido com Walter Fasano, o documentário foi realizado a partir de material de arquivo e recebeu importantes elogios internacionais. 

Palermo é uma cidade no Sul da Itália, capital tanto da região autônoma da Sicília quanto da Cidade Metropolitana de Palermo, a província metropolitana que a circunda. É conhecida por sua história, cultura, arquitetura e gastronomia, tendo desempenhado um papel importante ao longo de grande parte de sua existência; ela tem mais de 2.700 anos. Palermo fica no noroeste da Sicília, no Golfo de Palermo, no Mar Tirreno. Palermo tornou-se então possessão de Cartago. Duas colônias gregas foram estabelecidas, conhecidas coletivamente como Panormos; os cartagineses usaram esse nome em suas moedas após o século V a.C. Como Panormus, a cidade fez parte da República e do Império Romano por mais de mil anos. De 831 a 1072, a cidade esteve sob domínio árabe no Emirado da Sicília, quando se tornou a capital da Sicília pela primeira vez. Durante esse período, a cidade era conhecida como Balarm. Após a conquista normanda, Palermo tornou-se a capital de um novo reino, o Reino da Sicília, que durou de 1130 a 1816. Palermo é a capital cultural, econômica e turística da Sicília. É uma cidade rica em história, cultura, arte, música e gastronomia. Muitos turistas são atraídos pelo clima mediterrâneo, pela renomada gastronomia e restaurantes, pelas igrejas, palácios e edifícios românicos, góticos, barrocos e art nouveau, e pela vida noturna e música. Palermo é o principal centro industrial e comercial da Sicília: os principais setores industriais incluem turismo, serviços, comércio e agricultura. Palermo possui um aeroporto internacional e uma importante economia informal. Por razões culturais, artísticas e econômicas, Palermo é uma das maiores cidades do Mediterrâneo e está entre os principais destinos turísticos da Itália e da Europa. É a sede principal do Patrimônio Mundial da UNESCO, a Palermo Árabe-Normanda, e das Catedral de Cefalù e Monreale. A cidade também está passando por uma cuidadosa reestruturação, preparando-se para se tornar uma das principais cidades da área euromediterrânea. O catolicismo romano é muito importante na cultura palermitana. 

A padroeira de Palermo é Santa Rosália, cuja festa é celebrada em 15 de julho. A área atrai um número significativo de turistas e é amplamente reconhecida por seus coloridos mercados de frutas, verduras e peixes no coração de Palermo, conhecidos como Vucciria, Ballarò e Capo.  Luca Guadagnino foi produtor do aclamado curta-metragem Diarchia (2010), dirigido por Ferdinando Cito Filomarino e estrelado por Alba Rohrwacher, colaboradora de Guadagnino. O curta ganhou o prêmio Pianifica no Festival de Cinema de Locarno, recebeu menção especial no Festival de Cinema de Sundance em 2011, foi indicado a Melhor Curta-Metragem no European Film Awards e ganhou o prêmio de Melhor Diretor de Curta-Metragem no Nastri d`Argento. Dois anos depois, ele produziu o longa-metragem Os Senhorios, de Edoardo Gabbriellini, apresentado no Festival de Cinema de Locarno. Em 2015, Guadagnino produziu o primeiro longa-metragem de Filomarino, Antonia, uma cinebiografia da poetisa italiana Antonia Pozzi. Filomarino se inspirou no amor de Guadagnino pela poesia de Pozzi para fazer o filme. Em 2015, Guadagnino dirigiu a segunda parte da Trilogia do Desejo, o thriller erótico Um Mergulho no Passado. Citou ter visto o deserto no filme Lawrence da Arábia aos cinco anos de idade como sua “primeira impressão de uma tela, que não tinha nada a ver com o filme em si”.  Apesar de ter sido influenciado por cineastas italianos como Bernardo Bertolucci, Roberto Rossellini, Luchino Visconti, Dario Argento e Píer Paolo Pasolini, Guadagnino se considera um cineasta internacional, e não italiano, e expressou o desejo de ser visto como um cineasta argelino, dada a nacionalidade de sua mãe, dizendo: - “Eu cresci na Etiópia. Vim para a Itália quando tinha sete anos. 

Na minha mente, as emoções profundas e as paisagens visuais são da Etiópia e não de Palermo ou de qualquer outro lugar na Itália. Cheguei à Itália como um forasteiro”. Ele também disse que durante sua juventude era uma pessoa “isolada” que se “curava” com o cinema e “encontrava muito consolo” em filmes de terror. Outros diretores que Guadagnino cita como influências incluem Alfred Hitchcock (1899-1980), Jean-Luc Godard (1930-2022), Nagisa Oshima (1932-2013), Rainer Werner Fassbinder (1945-1982) e Douglas Sirk (1897-1987). Para a pesquisa de diretores da Sight & Sound de 2012, Guadagnino listou The Blue Gardenia (1953), Come and Go (2003), Fanny and Alexander (1982), The Fury (1978), Goodbye South, Goodbye (1996), Histoire(s) du Cinéma (1988), In the Realm of the Senses (1976), Journey to Italy (1954), Psycho (1960) e Veronika Voss (1982) como seus filmes favoritos. Guadagnino geralmente conta com um grupo de atores e equipe de longa data que participam da maioria de seus trabalhos. Entre os atores sociais que costumam aparecer em seus filmes estão Tilda Swinton, Fabrizia Sacchi, Alba Rohrwacher, Chloë Sevigny, Timothée Chalamet, Dakota Johnson e Michael Stuhlbarg. Swinton participou de quatro de seus filmes e foi tema do curta-metragem documental Tilda Swinton: The Love Factory (2002). Sacchi participou de três de seus longas-metragens e de vários outros projetos, como os curtas-metragens L`uommo risacca (2000) e The Staggering Girl (2019), além do documentário Mundo Civilizado. Rohrwacher também participou de The Staggering Girl, do curta-metragem Diarchia, produzido por Guadagnino. Além de estrelar em Me Chame Pelo Seu Nome (2017) e Bones and All (2022), Chalamet também fez participação especial em We Are Who We Are (2020). Yorick Le Saux e Sayombhu Mukdeeprom são os diretores de fotografia mais frequentes de Guadagnino. 

Le Saux trabalhou em Eu Sou o Amor (2009), Um Mergulho no Passado (2015), três episódios de Nós Somos Quem Somos (2020) e filmes de moda de Guadagnino. Mukdeeprom foi o diretor de fotografia de dois filmes mais recentes, Antonia e Beckett, bem como do curta-metragem A Garota Cambaleante. Walter Fasano desde 1997, em todos os seus projetos até Suspiria e com os produtores Francesco Melzi d`Eril, Marco Morabito e o roteirista David Kajganich. Guadagnino alcançou ainda mais reconhecimento com sua trilogia Desejo, composta pelos filmes Eu Sou o Amor (2009), Um Mergulho no Passado (2015) e Me Chame Pelo Seu Nome (2017). Este último lhe rendeu reconhecimento internacional. Suspiria (2018), remake do filme de 1977, foi a primeira incursão de Guadagnino no gênero terror. Foi um fracasso de bilheteria e dividiu a crítica. Guadagnino estreou na televisão aberta com a minissérie da Home Box Office (HBO) sobre amadurecimento, We Are Who We Are (2020). É uma rede de televisão por assinatura estadunidense, de propriedade da Warner Bros. Discovery. Com uma renda anual de mais de US$ 2 bilhões de dólares, é um dos maiores canais da TV paga do mundo. Em 2018, a HBO tinha mais de 140 milhões de assinantes pelo mundo. A programação da HBO consiste primariamente na exibição de filmes e séries originais, em conjunto com telefilmes, documentários, atrações esportivas, especiais musicais e comédia de stand-up. No Brasil e no restante da América Latina, a HBO é programada pelo Warner Bros. Discovery Américas, que é, entre outros canais, responsável por sua versão brasileira. A empresa também oferece os serviços HBO Max e HBO Now, que permitem streaming de conteúdo do canal em qualquer dispositivo. Em 2022, a AT&T anunciou que a HBO e a HBO Max ganharam mais de 13 milhões de assinantes. Ele dirigiu o filme de terror romântico Bones and All (2022), o filme de romance esportivo Challengers (2024), o drama romântico de época Queer (2024) e o thriller psicológico After the Hunt (2025).           

A realidade é “tudo o que existe”. Em sentido mais livre, o termo inclui tudo o que é, seja ou não perceptível, acessível ou entendido pela filosofia, ciência, arte ou qualquer outro sistema de análise. O real é compreendido como aquilo que existe fora ou dentro da mente. A ilusão quando existente é real e verdadeira em si mesma. Ela não nega sua natureza. Ela diz sim a si mesma. A realidade interna ao ser, seu mundo das ideias, imaginário, idealizado no sentido de tornar-se ideia, e ser ideia, pode - ou não - ser existente e real também no mundo externo. O que não nega a realidade da sua existência enquanto ente imaginário, idealizado. Quanto ao externo o fato de poder ser percebido só pela mente torna-se sinônimo de interpretação da realidade, de uma aproximação com a verdade. A relação íntima entre realidade e verdade, em como a mente apreende a realidade, está no cerne da questão da representação sensível do objeto e da ideia como interpretação. A mente tranquila em meio à agitação e estímulos expostos na modernidade não é uma atividade que pode parecer um luxo. Marx só pôde se tornar Marx fundando uma teoria da história e filosofia da distinção histórica entre ideologia e ciência e que em última análise se tenha consumado na dissipação do “mito religioso da leitura”.  Mas é possível afirmar que na cultura da história nosso presente corre o risco de aparecer um dia como que assinalado pela provação mais dramática e mais laboriosa possível.  

A descoberta e o aprendizado do sentido dos atos mais “simples” da existência: ver, escutar, falar, ler. Não é à psicologia que devemos estes conceitos perturbadores, mas a homens como Marx, Nietzsche e Freud. Depois de Freud é que começamos a suspeitar do quer-dizer o escutar, e, portanto o falar (e o calar) e o que quer-dizer do falar e do escutar revela, sob a inocência do falar e do escutar, a profundidade de uma fala inteiramente diversa, a fala do inconsciente. Freud refere-se aos aspectos que compõem um estado instintivo humano e que acaba por se tornar inibido em prol da convivência em comunidade. A inibição destes aspectos sociológicos que são instintivos, consiste numa privação de características que são inatas aos homens. Esta própria privação, acaba por consistir em determinados descontentamentos. Reconhecer a verdade é vê-la com os “olhos da alma”, ou, com os “olhos da inteligência” no sentido acadêmico. Assim como o Sol dá sua luz aos olhos e às coisas para que haja “mundo visível”, assim também a ideia suprema, a ideia de todas as ideias, o Bem (isto é, a perfeição em si mesma) dá à alma e às ideias sua bondade (sua perfeição) para que haja “mundo inteligível”. Assim como os olhos e as coisas participam da luz, assim também a alma e as ideias participam da bondade (ou perfeição) e é por isso que a alma pode conhecer as ideias. E assim como a visão é passividade e atividade do olho, assim também o conhecimento é passividade e atividade da alma: passividade, porque a alma precisa receber a ação das ideias para poder contemplá-las; atividade, porque essa recepção e contemplação constituem a própria natureza da alma. Como na treva não há visibilidade, na ignorância não há verdade. A e a do ponto de vista da simbólica são para a alma o que a cegueira é para os olhos e a escuridão as coisas: são privações de visão e privação de conhecimento. 

A realidade significa o ajuste que fazemos entre a imagem e a ideia da coisa, entre verdade e verossimilhança. O problema da realidade é matéria presente em todas as ciências e, com particular importância, nas ciências humanas que têm como objeto de estudo o próprio homem: a antropologia e todas as disciplinas de conhecimento humanista que nela estão implicadas: a filosofia, a psicologia, a semiologia e muitas outras, além das técnicas e das artes visuais. Na interpretação ou representação do real, enquanto verdade subjetiva ou crença, a realidade está sujeita ao campo das escolhas, isto é, determinado, por ser um fato social, ato ou uma possibilidade, algo adquirido a partir dos sentidos e do conhecimento adquirido. Dessa forma, a constituição das coisas e as nossas relações dependem de um intrincado contexto social, econômico e político, que ao longo da história existência humana cria a lente entre a aprendizagem e o desejo. Nesta medida o que vamos aceitar como realidade na interpretação da vida social? A realidade é construída pelo sujeito consciente; ela não é dada pronta para ser descoberta. Sala de cinema, ou simplesmente, o ambiente de um cinema é qualquer sala onde ocorrem projeções de filmes de cinema. Mas uma sala de espetáculos de caráter comercial construída e equipada para esta finalidade. Nas salas comerciais, cada espectador compra um bilhete para ter acesso ao filme que divulgado na mídia especializada a que irá assistir. Cinema representa a reprodutibilidade técnica e arte de fixar e reproduzir imagens que suscitam a interpretação de tempo e movimento, assim como a indústria cultural que reproduz estas imagens. As obras cinematográficas reconhecidas como filmes são produzidas através da gravação de imagens do mundo com câmeras adequadas. 

Ou na modernidade intrínseca ao cinema pela sua criação utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais (cf. Canevacci, 2001). Os filmes, no cinema, são projetados em uma grande tela que fica diante do auditório, através de um projetor. Os filmes são assim constituídos no processo de trabalho e a utilidade de uso de sua realização na sociedade por uma série técnica, ininterrupta formando um ciclo de projeção de imagens impressas em um suporte, alinhadas sequencialmente, chamadas tecnicamente de fotogramas. Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador, o receptor no processo social e técnico comunicativo, tem a ilusão de observar movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como “persistência da visão”. O olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a sua fonte ter saído do campo da visão. O espectador tem assim a ilusão de movimento, uma ilusão em relação à realidade em si, devido a um efeito psicológico chamado “movimento beta”. É uma relação social que reprodução a ilusão de percepção, descrita na pesquisa associativa por Wertheimer (2012). Segundo essa teoria, sobre estudos experimentais e visualização do movimento, onde duas ou mais imagens entre si surgem uma depois da outra, são aprendidas pelo cérebro como única imagem em movimento. A experiência clássica de demonstração do chamado fenômeno beta envolve um indivíduo, ou plateia, fixando uma tela onde são apresentadas duas imagens em sucessão. 

O cinema é um artefato cultural criado por determinadas culturas contemporâneas que nele se complexificam e que, por sua vez, as afetam mediante um processo de trabalho e comunicação. É uma arte poderosa de entretenimento para educar ou doutrinar. Pode tornar-se um método de persuasão e influenciar cidadãos. É a imagem animada através de processos mecânicos que confere a produção simbólica de comunicação universal. Em uma sala de cinema, o espectador será conduzido a alterar completamente a concepção presente de tempo e espaço. Irá esquecer temporariamente seus problemas, preocupações, projetos, desejos e transporá sua alma para o universo mágico da “experiência cinema”, independente de qual seja a proposta estética e a estrutura narrativa do filme exibido, mesmo que seja um filme documentário. Todo filme é realizado com o propósito de absorver a atenção durante seu tempo socializado de exibição. As mudanças tecnológicas sempre trazem novas possibilidades de se ter acesso a produtos audiovisuais, mas a sala de cinema conserva-se como o “templo de uma experiência” só vivenciada nesse local. Aparentemente não há nada de especial ou misterioso numa sala de cinema. Mas em verdade, tudo o que existe é minuciosamente estudado e calculado pragmaticamente para proporcionar conexão de sentido e experiência imediata ao espectador. O cinema serve para que se vivencie a experiência proposta pelo realizador da obra exibida. A sala de cinema é um cubo fechado. Le Corbusier (1887-1965) em “Por uma arquitetura” dizia que o cubo é uma das formas primárias que se revela à perfeição diante da luz. Conhecido por ter sido o criador da Unité d`Habitation, conceito sobre o qual começou a trabalhar na década de 1920. E em suas próprias palavras, era talvez o mais belo já que não aceitava ambiguidade. O cubo é um “espaço interior” cujo simbolismo e sentido metafórico são reforçados ao ser/representar um habitáculo minimalista, repetitivo e insensível. 

São os protagonistas os que têm que preencher esses “vazios” com suas próprias ideias e personalidades. Apesar de ser fortemente metafórico, também possui um forte lado físico. Sua forma, materiais e composição correspondem à arquitetura moderna e contemporânea. Massificado e repetitivo resulta agressivo para o ser humano que o habita. Na realidade expressa contradição presente em habitações apertadas, carentes de sentido estético e humanista. Poltronas desconfortáveis, sem espaço para locomoção, ausência de sinalização degraus e a falta de barra de segurança ao longo da escada, difícil acesso para chegar e sair das salas de cinema no Brasil. É claro que os protagonistas não podem apreciar a beleza da estrutura em que habitam ou se dar conta da coincidência de que seu número coincide com o número de faces da forma que os contem. Não pode ter janelas ou qualquer outro elemento que permita a passagem de luz e som do exterior. Todas as suas ligações com o exterior devem ser feitas de forma a preservar seu interior de qualquer ruído e de luz, da mesma forma que deve preservar os demais ambientes em seu entorno do som dos filmes ali exibidos. Dada a grande diversidade de línguas existentes, é pela dublagem ou pelas legendas, que traduzem o diálogo noutras línguas, que os filmes se tornaram mundialmente populares. A experiência sonora diferenciada e a qualidade na repetição das imagens, estão entre as maiores razões humanas e advertências que fazem os espectadores deixarem suas casas para compartilhar publicamente a experiência mais ampla e real/imaginária de representação do produto filme em uma sala de cinema. O revestimento acústico das paredes é um ponto crucial na qualidade das salas de cinema. Normalmente, as salas de cinema contam com pelo menos uma entrada principal e duas saídas de emergência. Torna-se também muito maior o cuidado com essas áreas que, naturalmente, seriam de perda de som. As portas desses locais são fabricadas em painéis metálicos dobrados, preenchidos com materiais acústicos de alta densidade. 

                 

          No assoalho reside um dos segredos da qualidade acústica das melhores salas de cinema. Em geral o revestimento em carpete, além de absorver os impactos apressados, desajeitados e confusos causados pela circulação das pessoas, atua como um ótimo isolante acústico e térmico no ambiente. Aparentemente constituído através da lógica globalizada de mercado competitivo. É individualista e, pequeno burguês, onde o espectador perde suas qualidades para se transformar em outro tipo de cliente dos shoppings centers, classificado nos seus hábitos da vida cotidiana e sobre seus interesses de consumo. O termo “globalização”, a partir de meados da década de 1990, esteve em crescente uso, até atingir seu pico nos anos 2000. Economicamente o Fundo Monetário Internacional identificou quatro aspectos da globalização, a saber: comércio e transações financeiras, movimentos de capital e de investimento, migração e movimento de pessoas e a disseminação de conhecimento, por meio dos quais os países mais influentes no contexto do mundo globalizado se integram para dar força ao capital transnacional. Além disso, os desafios ambientais, como a mudança climática, poluição do ar e a pesca predatória nos oceanos, também são apontados como fenômenos vinculados à globalização. Apesar disso, a partir dos anos 2010, o termo foi aos poucos sendo menos utilizado. Os seres humanos têm interagido por longas distâncias por milhares de anos. A Rota da Seda, com mais de 6 400 km (4 000 milhas) de extensão, caminho de facilitação das interações econômicas, culturais, políticas e religiosas entre o Oriente e o Ocidente que ligava a Ásia, África e Europa, é um bom exemplo do poder transformador de troca que existia no chamado Velho Mundo. Filosofia, religião, língua, as artes e outros aspectos da cultura se espalharam e misturaram-se nas nações. 

Nos séculos XV e XVI, os europeus fizeram descobertas importantes em sua exploração dos oceanos, incluindo o início das viagens transatlânticas, saindo da Europa para o “Novo Mundo” das América Latina, América do Norte e América Central. O movimento global de pessoas, bens e ideias expandiu significativamente nos séculos seguintes. No início do século XIX, o desenvolvimento de novas formas de transporte, como o navio a vapor e ferrovias, e das telecomunicações permitiu um intercâmbio global extremamente mais rápido. Os chineses demonstravam grande interesse na segurança de seus produtos comerciais e expandiram a Grande Muralha da China para garantir a proteção da rota. No século I d.C., a seda chinesa era amplamente desejada em Roma, Egito e Grécia. Outros produtos orientais incluíam o comércio do chá, corantes, perfumes e porcelana, enquanto as exportações ocidentais incluíam o transporte de cavalos, camelos, mel, vinho e ouro. Além de gerar a acumulação de riqueza para as classes mercantis emergentes, a disseminação de mercadorias como papel e pólvora no século IX teve um impacto significativo na trajetória da história política em diversas regiões da Eurásia e além. A Rota da Seda foi utilizada durante um período de grandes variações políticas no continente, exemplificado por eventos marcantes como a peste-negra e as conquistas mongóis. A rede era altamente descentralizada e oferecia pouca segurança: viajantes enfrentavam ameaças constantes de bandidos e invasores nômades, além de vastas extensões de terrenos inóspitos. Assim poucos indivíduos percorriam todo o trajeto da Rota da Seda, utilizando uma sucessão de intermediários estabelecidos em diferentes pontos ao longo do caminho. Além das mercadorias, a rede facilitou um imenso intercâmbio de ideias religiosas, especialmente o budismo, filosóficas e científicas, muitas das quais foram sincretizadas pelas sociedades ao longo da rota. 

Da mesma forma, diversas populações utilizaram essa rede comercial, assim doenças como a peste também se espalharam, possivelmente contribuindo para a peste-negra na Eurásia (1343-1353). A partir de 1453, o Império Otomano começou a competir com outros “impérios da pólvora” pelo maior controle das rotas terrestres, o que levou os estados europeus a buscar alternativas enquanto fortaleciam seu poder sobre seus parceiros comerciais. Isso marcou o início da Era dos Descobrimentos, do colonialismo europeu e da intensificação da globalização. No século XXI, o nome “Nova Rota da Seda” é usado para descrever vários grandes projetos de infraestrutura ao longo de muitas das antigas rotas comerciais; entre os mais conhecidos estão a Ponte Terrestre Eurasiática e a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) da China. A United Nations Educational, Scientific and Cultural Organisation (UNESCO) designou o corredor Chang`an-Tianshan, um sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO constituído por um conjunto de seções da antiga Rota da Seda e de locais próximos a essa rota (num total de 33). O corredor passa por três países: China, Cazaquistão e Quirguistão, da Rota da Seda como Patrimônio Mundial em 2014 e o Corredor Zarafshan-Karakum que cobre a porção Zarafshan-Karakum da antiga Rota da Seda e locais históricos ao longo da rota. Em 17 de setembro de 2023, a UNESCO designou um trecho de 886 km da rede da Rota da Seda na Ásia Central como Patrimônio Mundial em 2023. O Corredor Fergana-Syrdarya, as porções indianas e iranianas, e os demais locais na China permanecem em listas provisórias. Écaracterizado por paisagens culturais bem preservadas de oásis e cidades situadas às margens dos principais rios da região, por exemplo, os rios Arys, Shu e Syrdarya, e atualmente localizadas em meio a paisagens naturais desérticas, semidesérticas e de estepe. No Cazaquistão, as rotas de caravanas entre essas áreas históricas seguiam o rio Syrdarya de Leste a Oeste em direção à “Grande Estepe” do Cazaquistão Central – a região de Desht-i-Kypchak.

Bibliografia Geral consultada.

CASTORIADIS, Cornelius, A Instituição Imaginária da Sociedade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1982; VOVELLE, Michel, Ideologies et Mentalités. Paris: Éditions François Maspéro, 1982; Idem, Le Mort et l’Occident de 1300 à Nous Jours, à Paraître fin 1982. Paris: Éditions Gallimard, 1982; DELUMEAU, Jean, História do Medo no Ocidente: 1300-1800, Uma Cidade Sitiada. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1989; FURET, François, A Oficina da História. Lisboa: Editora Gradiva, 1991; BLOCH, Marc, Os Reis Taumaturgos. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1993; SALLMANN, Jean-Michel, “Santi Patroni e Protezione Collettiva”. Santi barocchi: modelli di santità, pratiche devozionali e comportamenti religiosi nel regno di Napoli dal 1540 al 1750.  Lecce: Argo Ediciones, 1996; GADAMER, Hans-Georg, La Dialéctica de Hegel. Cinco Ensayos Hermenéuticos. 5ª edición. Madrid: Ediciones cátedra, 2000; GINZBURG, Carlo, Nenhuma ilha é uma ilha. Quatro visões da literatura inglesa. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2004; DOBB, Maurice Herbert, Estudios sobre el Desarrollo del Capitalismo. Ciudad de México: Siglo XXI Editores, 2005; HEGEL, Friedrich, Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007; GÓMEZ, Bárbara Natalia, El Secreto de la História Universal: Un Misterio para Leopold von Ranke. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura. Departamento de História. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2015; FREUD, Sigmund, A Interpretação dos Sonhos. Porto Alegre: L&PM, 2017;  SILVA, Paulo Roberto Pinheiro da, O Paradoxo do Conhecimento Imediato ou o Desespero da Consciência Natural. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; SANTOS, Milton, Por Uma Outra Globalização: Do Pensamento Único à Consciência Universal. 32ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record, 2021; SILVA, César Diogo Bezerra da, Novos Paradigmas para o Processo de Stavskaya. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estatística. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2022; SILVA, Lidiane Veronica Collares da; MARTINS, Iasmim Ribeiro, “Felicidade Conjugal: Uma Análise Fenomenológica-hermenêutica de Cenas de um Casamento de Ingmar Bergman”. In:  Infinitum: Revista Multidisciplinar, vol. 9, n° 19, pp. 1–33, 31 Jan 2026; entre outros.

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