quinta-feira, 20 de julho de 2023

Lou – Cinema, Ilha Remota, Tempestade & Filha Jovem Raptada.

                                       O roubado que ri furta algo ao seu ladrão”. Otelo, o Mouro de Veneza (1603) 

                

         Lou tem como representação social um filme norte-americano de suspense policial de 2022 dirigido por Anna J. Foerster. O filme de suspense e ação Lou foi lançado na Netflix em 23 de setembro de 2022. Produzido por J.J. Abrams e estrelado por Allison Janney e Jurnee Smollett, o longa-metragem segue a história social de duas mulheres em uma perseguição dramática. Em meio a uma forte tempestade, uma jovem (Jurnee Smollett) descobre que sua filha foi sequestrada. Desesperada, ela busca a ajuda de sua misteriosa vizinha, Lou (Allison Janney), uma mulher reclusa com um passado secreto. Juntas, elas embarcam em uma perigosa missão de resgate que testará seus limites e condicionamentos humanos e revelará segredos chocantes de seus passados. O filme é um suspense que prende a atenção, elogiado por suas cenas de ação e pelas atuações das atrizes principais, com reviravoltas inesperadas na dramaturgia. Nascida em 1971, Anna J. Foerster é uma cineasta e diretora de cinema e televisão norte-americana nascida na  Alemanha. Ela é mais reconhecida por ter sido pioneira no uso tecnológico do sistema de câmeras ARRI Alexa. Um processo e meio de trabalho através de uma linha de câmeras de cinema digital de ponta, famosa na indústria por sua qualidade de imagem superior, amplo “alcance dinâmico” (dynamic range), cores ricas e desempenho em baixa luz, sendo um padrão em produções de Hollywood e grandes séries. Como diretora de fotografia de segunda unidade, Foerster trabalhou nos filmes Alien Resurrection (1997), Ballistic: Ecks vs. Sever (2002), Johnson Family Vacation (2004), The Day After Tomorrow (2004), Æon Flux (2005) e 10,000 BC (2008), também trabalhando como diretora de segunda unidade nos últimos quatro filmes. 

           Foi a diretora de fotografia dos efeitos visuais e/ou da unidade de miniaturas em Independence Day (1996), Godzilla (1998), Pitch Black (2000) e Stuart Little 2 (2002). Como diretora, dirigiu cinco episódios da série de televisão Criminal Minds, um episódio de seu spin-off Criminal Minds: Suspect Behavior, três episódios de Unforgettable e quatro da série Outlander da Starz. Em 2008, foi noticiado que ela estava desenvolvendo Secret Hunter, baseado no romance de Ranulph Fiennes, The Secret Hunters (2002). Ela atuou como diretora de fotografia em Anonymous (2011) e White House Down  (2013). Em Anonymous, ela foi uma das primeiras diretoras a usar o sistema de câmera ARRI Alexa, usando um protótipo. Foerster estreou na direção de longas-metragens com o filme de ação e terror Underworld: Blood Wars (2016), dos gêneros ação e terror, dirigido por Anna Foerster em sua estreia como diretora, com roteiro de Cory Goodman baseado nos personagens criados por Kevin Grevioux, Danny McBride e Len Wiseman. Este quinto da série de filmes Underworld é a sequência do filme de 2012, Underworld: Awakening, e tem novamente Kate Beckinsale como Selene. O elenco inclui ainda Theo James, Tobias Menzies, Lara Pulver, Bradley James e Charles Dance. Em 2016, JJ Abrams e sua produtora Bad Robot contrataram Foerster para dirigir Lou, um thriller sobre uma mãe tentando recuperar seu filho sequestrado. Lou foi lançado em 2022. O filme é estrelado por Allison Janney, Jurnee Smollett, Logan Marshall-Green, Ridley Asha Bateman e Matt Craven. 

      Enquanto uma tempestade devastadora assola uma ilha remota em Washington, uma cidade planejada na costa Leste, lar de monumentos e edifícios governamentais, ou ao Estado de Washington, na costa Oeste, com Seattle como sua maior cidade. Também pode se referir a George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos da América, que deu nome à capital e ao estado. Uma jovem é sequestrada. Sua mãe, Hannah, une forças com seu vizinho recluso, Lou, para seguir o sequestrador, e ao longo do caminho eles enfrentam muitos desafios e segredos há muito guardados são revelados. Lou foi lançado em 23 de setembro de 2022 pela Netflix. O filme recebeu críticas mistas, com elogios à atuação de Janney, mas críticas ao roteiro. Em 1986, na Ilha Orcas, em Washington, Lou é uma mulher solitária que vive com seu cachorro Jax, que vai até a vila comprar alguns suprimentos. O xerife conversa com ela sobre uma pulseira de cobre que poderia ajudar com sua artrite, assim como o ajudou. Uma mãe, Hannah, brinca de esconde-esconde com sua filha pequena, Vee, do lado de fora de casa. Sua senhoria, Lou, aparece a caminho de casa para lembrá-la de que o aluguel vence no dia seguinte. Uma grande tempestade é prevista, então Chris, amigo de Hannah, se oferece para comprar suprimentos. Começa a chover no caminho para casa. Ele dá carona a um desconhecido que o mata dentro da van. O caroneiro então corta a energia da casa de Hannah. Enquanto ela está do lado de fora tentando restabelecer a energia, ele sequestra Vee e foge a pé com ela. Hannah corre até a casa de Lou, interrompendo sua tentativa de suicídio, e conta que Vee está desaparecida. Antes que elas possam sair, a caminhonete de Lou explode devido a uma bomba colocada pelo caroneiro. 

                                                        


        A ilha Orcas é maior ilha do arquipélago das ilhas San Juan, situadas no estreito de Geórgia. Pertencem, como “área não incorporada”, ao condado de San Juan, estado de Washington, Estados Unidos. As ilhas de San Juan estão situadas na parte Noroeste do estado de Washington.  A ilha tem 148,4 km² e 5387 habitantes, segundo o censo de 2010. A ilha é acessível através de um serviço público de ferry, com a travessia a partir de Anacortes a demorar uma hora e quinze minutos aproximadamente. O aeroporto da ilha tem voos regulares todos os dias. A ilha Orcas é ligeiramente maior, mas menos populosa do que a vizinha ilha San Juan. Orcas tem uma forma que lembra a letra C, estando dividida quase ao meio por um grande golfo (assemelhando-se a um fiorde) dentro do qual está a pequena Ilha Skull a poucos metros da costa. No extremo Norte da ilha encontra-se a vila de Eastsound, que é a maior povoação da ilha e a segunda maior do condado de San Juan. Em 1989, a Nação Lummi, uma tribo nativa americana tomou conta de uma aldeia e cemitério na área de Madrona Point de Orcas, a uma curta distância de Eastsound, e transformou a área em Madrona Point Park, uma reserva privada com centenas de Arbutus menziesii emergindo da costa rochosa. Outros aglomerados menores na ilha incluem Orcas Village, onde os Washington State ferries atracam, West Sound, tecnicamente parte de Eastsound, Deer Harbor, Rosario, tecnicamente parte de Eastsound, Olga e Doe Bay. Há acomodações de visitantes em cada um destes aglomerados.

Destas, Olga e Doe Bay são as menos povoadas e geralmente as mais tranquilas a Leste da ilha. Em Olga, há um popular café e galeria de arte localizado dentro de uma antiga fábrica de conservas de morango, onde artistas locais vendem suas obras, e oficinas para cerâmica e vidro. Doe Bay é mais conhecida pelo seu epônimo hotel rústico. O nome “Orcas” é uma forma encurtada de “Horcasitas”, de Juan Vicente de Güemes Padilla Horcasitas y Aguayo, 2º Conde de Revillagigedo, o Vice-Rei do México que enviou uma expedição de exploração sob Francisco de Eliza para o Noroeste Pacífico em 1791. Durante a viagem, Eliza explorou parte das Ilhas san Juan. Não aplicou o nome Orcas especificamente à ilha Orcas, mas sim a uma parte do arquipélago. Em 1847, Henry Kellett atribuiu o nome Orcas à Ilha Orcas durante a sua reorganização das cartas do Almirantado Britânico. O trabalho de Kellett eliminou os nomes patrioticamente americanos que Charles Wilkes tinha dado a muitas características das San Juan durante a Expedição Wilkes de 1838-1842. Wilkes tinha nomeado a Ilha Orcas “Ilha Hull”, em homenagem ao Comodoro Isaac Hull. Outras características da Ilha Orcas nomeadas por Wilkes incluem “Ironsides Inlet” para East Sound e “Guerrier Bay” para West Sound. Um dos nomes que Wilkes deu permanece: o Monte Constituition, ponto mais alto da ilha.

A Expedição Exploratória dos Estados Unidos de 1838-1842 foi uma expedição de exploração e levantamento topográfico do Oceano Pacífico e terras adjacentes, conduzida pelos Estados Unidos. O comandante original nomeado foi o Comodoro Thomas ap Catesby Jones foi um oficial da Marinha dos Estados Unidos que serviu na Guerra de 1812 e na Guerra Mexicano-Americana. Nasceu em 24 de abril de 1790 no Condado de Westmoreland, Virgínia, filho de Catesby e Lettice (Turberville) Jones. A família Jones era originária do País de Gales e o nome do meio “ap Catesby” era uma referência aos sobrenomes patronímicos tradicionalmente usados ​​no País de Gales; Thomas ap Catesby em galês significa “Thomas, filho de Catesby”. O pai de Jones morreu em 23 de setembro de 1801, deixando a família na miséria. Jones e seu irmão mais velho, Roger, foram acolhidos por um tio, Meriwether Jones, de Richmond, Virgínia. Sua mãe morreu em dezembro de 1804, após uma longa doença, deixando Jones órfão aos 14 anos. Seu tio custeou a educação dele e de seu irmão na Academia de Richmond até que as despesas com a escola particular se tornaram um fardo. Eles estudaram com um tutor particular depois de deixarem a escola. Roger Jones mais tarde se tornou Ajudante-Geral do Exército dos Estados Unidos. Jones foi nomeado aspirante a oficial da Marinha em 22 de novembro de 1805, aos quinze anos de idade. Devido à falta de vagas para aspirantes, ele não foi designado para o serviço ativo.

Ele foi dispensado e aconselhado a estudar geografia, navegação e topografia para que suas chances de obter uma designação ativa melhorassem. Após o incidente Chesapeake-Leopard, a Marinha mobilizou seus canhoneiros e Jones recebeu ordens para se apresentar em Norfolk, Virgínia, onde foi designado para o canhoneiro nº 10, apresentando-se na primeira semana de agosto de 1807. Jones recebeu honras por bravura na Batalha do Lago Borgne, na Louisiana, em 1814, onde, apesar da derrota, conseguiu atrasar o avanço britânico antes da Batalha de Nova Orleans. Em 1826, o Comodoro Jones, enquanto comandava a veterana chalupa de guerra Peacock, assinou tratados com o Reino do Taiti e o Reino do Havaí. Em 6 de setembro de 1826, Jones assinou um tratado com a rainha regente Pōmare Vahine em nome do infante Pōmare III e outros chefes do Taiti. Em 23 de dezembro de 1826, Jones assinou um tratado com a rainha regente Kaʻahumanu e outros chefes do Havaí em nome do jovem Kamehameha III. Em 1827, a Peacock foi severamente danificada em um ataque de baleia. Ao retornar a Nova York em outubro de 1827, ela foi descomissionada e desmontada em 1828. Ela foi reconstruída como Peacock (1828), para servir como navio de exploração da Expedição Exploratória dos Estados Unidos. Jones deveria ter comandado a expedição, mas a falta de financiamento atrasou a expedição até 1838, época em que ele renunciou ao cargo.

Em maio de 1836, um ato do Congresso autorizou o Presidente a estabelecer a Expedição Exploratória dos Estados Unidos de cinco anos “ao Oceano Pacífico e Mares do Sul, a primeira exploração científica americana extracontinental. Jones foi nomeado Comandante da Expedição. Atrasos nas datas de partida da Expedição e vários outros desentendimentos levaram Jones (e certos cientistas, incluindo o botânico Asa Gray) a recusar o cargo em dezembro de 1837. O cargo foi posteriormente oferecido a Charles Wilkes. De 1841 a 1844, Jones comandou o Esquadrão do Pacífico dos Estados Unidos e novamente de 1848 a 1850. Em 1842, quatro anos antes do início da Guerra Mexicano-Americana, Jones erroneamente pensou que a guerra havia começado. Ele tomou o porto californiano de Monterey e o manteve por um dia antes de devolver o controle ao México. Ao saber que o oficial da Marinha Real, Lord George Paulet (1803-1879), havia ocupado o Reino do Havaí, ele navegou até lá e chegou em 22 de julho de 1843. O rei foi restaurado em 31 de julho, e Jones tentou acelerar a paz oferecendo um jantar a todos os envolvidos a bordo de seu navio. Em 1843, Jones trouxe de volta aos Estados Unidos um jovem desertor, Herman Melville, das Ilhas Sandwich, como as Ilhas Havaianas eram então conhecidas. Mais tarde, Melville se inspirou em Jones para criar o “Comodoro J-” foi um oficial da Marinha dos Estados Unidos que serviu na Guerra de 1812 e na Guerra Mexicano-Americana. Thomas ap Catesby Jones nasceu em 24 de abril de 1790 no Condado de Westmoreland, Virgínia, filho de Catesby e Lettice (Turberville) Jones.

A família Jones era originária do País de Gales e o nome do meio “ap Catesby” era uma referência aos sobrenomes patronímicos tradicionalmente usados ​​no País de Gales; Thomas ap Catesby em galês significa “Thomas, filho de Catesby”. O pai de Jones morreu em 23 de setembro de 1801, deixando a família na miséria. Jones e seu irmão mais velho, Roger, foram acolhidos por um tio, Meriwether Jones, de Richmond, Virgínia. Sua mãe morreu em dezembro de 1804, após uma longa doença, deixando Jones órfão aos 14 anos. Seu tio custeou a educação dele e de seu irmão na Academia de Richmond até que as despesas com a escola particular se tornaram um fardo. Eles estudaram com um tutor particular depois de deixarem a escola. Roger Jones mais tarde se tornou Ajudante-Geral do Exército dos EUA. Jones foi nomeado aspirante a oficial da Marinha dos Estados Unidos em 22 de novembro de 1805, aos quinze anos de idade. Devido à falta de vagas para aspirantes, ele não foi designado para o serviço ativo. Ele foi dispensado e aconselhado a estudar geografia, navegação e topografia para que suas chances de obter uma designação ativa melhorassem. Após o incidente Chesapeake-Leopard, em 22 de junho de 1807, a Marinha mobilizou seus canhoneiros e Jones recebeu ordens para se apresentar em Norfolk, Virgínia, onde foi designado para o canhoneiro nº 10, apresentando-se na primeira semana de agosto de 1807. 

Jones recebeu honras por bravura na Batalha do Lago Borgne, na Louisiana, em 1814, onde, apesar da derrota, conseguiu atrasar o avanço britânico antes da Batalha de Nova Orleans. Em 1826, o Comodoro Jones, enquanto comandava a veterana chalupa de guerra Peacock, assinou tratados com o Reino do Taiti e o Reino do Havaí. Em 6 de setembro de 1826, Jones assinou um tratado com a rainha regente Pōmare Vahine em nome do infante Pōmare III e outros chefes do Taiti. Em 23 de dezembro de 1826, Jones assinou um tratado com a rainha regente Kaʻahumanu e outros chefes do Havaí em nome do jovem Kamehameha III. Em 1827, a Peacock foi severamente danificada em um ataque de baleia. Ao retornar a Nova York em outubro de 1827, ela foi descomissionada e desmontada em 1828. Ela foi reconstruída como Peacock (1828), para servir como navio de exploração da Expedição Exploratória dos Estados Unidos. Jones deveria ter comandado a expedição, mas a falta de financiamento atrasou a expedição até 1838, época em que ele renunciou ao cargo. Em maio de 1836, um ato do Congresso autorizou o Presidente a estabelecer a Expedição Exploratória dos Estados Unidos de cinco anos “ao Oceano Pacífico e Mares do Sul”, a primeira exploração científica americana extracontinental. Jones foi nomeado Comandante da Expedição. Atrasos nas datas de partida da Expedição e vários outros desentendimentos levaram Jones (e certos cientistas, incluindo o botânico Asa Gray) a recusar o cargo em dezembro de 1837. O cargo foi posteriormente oferecido a Charles Wilkes. De 1841 a 1844, Jones comandou o Esquadrão do Pacífico dos Estados Unidos e novamente de 1848 a 1850.

Em 1842, quatro anos antes do início da Guerra Mexicano-Americana, Jones erroneamente pensou que a guerra havia começado. Ele tomou o porto californiano de Monterey e o manteve por um dia antes de devolver o controle ao México. Ao saber que o oficial da Marinha Real, Lord George Paulet, havia ocupado o Reino do Havaí, ele navegou até lá e chegou em 22 de julho de 1843. O rei foi restaurado em 31 de julho, e Jones tentou acelerar a paz oferecendo um jantar a todos os envolvidos a bordo de seu navio. Em 1843, Jones trouxe de volta aos EUA um jovem desertor, Herman Melville, das Ilhas Sandwich, como as Ilhas Havaianas eram então conhecidas. Mais tarde, Melville se inspirou em Jones para criar o “Comodoro J-” em Moby-Dick, e o Comodoro em White-Jacket. Em 1827, o navio Peacock, sob o comando de Jones, sofreu graves danos em um ataque de baleia, que Melville supôs ser uma baleia-cachalote. O Capítulo 45 de Moby-Dick (“A Declaração”) provavelmente foi especialmente influenciado por parte da carreira de Jones. No início de 1844, Alexander Dallas substituiu Jones como comandante do Pacífico. Em 1848, Jones chegou a Mazatlán logo após o fim da Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), mantendo a ordem até que pudesse transportar para Monterey aqueles que haviam ajudado os Estados Unidos naquela guerra. Nos dois anos seguintes, durante os dias caóticos da Corrida do Ouro, foi do verão de 1897 ao verão de 1898, Jones forneceu uma presença da Marinha dos EUA na área de São Francisco enquanto os Estados Unidos debatiam o que fazer com o recém-adquirido Território da Califórnia.

Em 1850, num julgamento militar politicamente carregado, pouco depois da publicação de White-Jacket, Jones foi considerado culpado de três acusações, principalmente relacionadas com a “opressão” de oficiais subalternos, e afastado do comando por dois anos e meio. Em 1853, o Presidente Millard Fillmore (1800-1874) reintegrou-o e, em 1858, o Congresso dos Estados Unidos restaurou o seu salário.   em Moby-Dick, e o Comodoro em White-Jacket. Em 1827, o navio Peacock, sob o comando de Jones, sofreu graves danos em um ataque de baleia, que Melville supôs ser uma baleia-cachalote. O Capítulo 45 de Moby-Dick (“A Declaração”) provavelmente foi especialmente influenciado por parte da carreira de Jones. No início de 1844, Alexander Dallas substituiu Jones como comandante do Pacífico. Em 1848, Jones chegou a Mazatlán logo após o fim da Guerra Mexicano-Americana, mantendo a ordem até que pudesse transportar para Monterey aqueles que haviam ajudado os Estados Unidos naquela guerra. Nos dois anos seguintes, durante os dias caóticos da Corrida do Ouro, Jones forneceu uma presença da Marinha dos EUA na área de São Francisco enquanto os Estados Unidos debatiam o que fazer com o recém-adquirido Território da Califórnia. Em 1850, num julgamento militar politicamente carregado, pouco depois da publicação de White-Jacket, Jones foi considerado culpado de três acusações, principalmente relacionadas com a “opressão” de oficiais subalternos, e afastado do comando por dois anos e meio.

Em 1853, o Presidente Millard Fillmore reintegrou-o e, em 1858, o Congresso dos Estados Unidos restaurou o seu salário. O financiamento para a expedição original foi solicitado pelo Presidente John Quincy Adams (1767-1848) em 1828; no entanto, o Congresso só o liberou oito anos depois. Em maio de 1836, a viagem de exploração oceânica foi finalmente autorizada pelo Congresso e criada pelo Presidente Andrew Jackson. A expedição é por vezes chamada de US Ex., ou simplesmente Expedição Wilkes, em homenagem ao seu comandante subsequente, o tenente da Marinha dos Estados Unidos Charles Wilkes. A expedição foi de grande importância para o desenvolvimento da ciência nos Estados Unidos, em particular para o então incipiente campo da oceanografia. Durante o evento, conflitos armados entre os habitantes das ilhas do Pacífico e a expedição foram frequentes, resultando na morte de dezenas de nativos e alguns americanos em combate.  Graças aos esforços de lobby de Jeremiah N. Reynolds, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução em 21 de maio de 1828, solicitando ao presidente John Quincy Adams (1767-1848) que enviasse um navio para explorar o Pacífico. Adams estava entusiasmado com a resolução e ordenou ao seu Secretário da Marinha que preparasse um navio, o Peacock. A Câmara votou a dotação orçamentária em dezembro, mas o projeto de lei ficou parado no Senado dos Estados Unidos da América em fevereiro de 1829. Sob o presidente Andrew Jackson, o Congresso aprovou uma legislação em 1836 aprovando a missão de exploração.

Novamente, o esforço ficou parado sob o Secretário da Marinha Mahlon Dickerson até que o presidente Martin Van Buren (1782-1862) assumiu o cargo e impulsionou o esforço. Originalmente, a expedição estava sob o comando do Comodoro Jones, mas ele renunciou em novembro de 1837, frustrado com toda a procrastinação. O Secretário de Guerra Joel Roberts Poinsett, em abril de 1838, então atribuiu o comando a Wilkes, depois que oficiais mais graduados recusaram o comando. Wilkes tinha reputação em hidrografia, geodesia e magnetismo. Além disso, Wilkes havia recebido treinamento em matemática de Nathaniel Bowditch (1773-1838), métodos de triangulação de Ferdinand Hassler (1770-1843) e geomagnetismo de James Renwick (1790–1863). O pessoal incluía naturalistas, botânicos, um mineralogista, um taxidermista e um filólogo. Eles foram transportados a bordo dos navios de guerra USS Vincennes (780 toneladas) e USS Peacock (650 toneladas), do brigue USS Porpoise (230 toneladas), do navio de três mastros Relief, que serviu como navio de suprimentos, e de duas escunas, Sea Gull (110 toneladas) e USS Flying Fish (96 toneladas), que serviram como navios auxiliares. Em 18 de agosto de 1838, os navios partiram do porto naval de Hampton Roads, Virgínia. A frota dirigiu-se então para a Madeira, aproveitando os ventos predominantes. A expedição era composta por cerca de 350 homens, muitos dos quais não foram designados para nenhum navio específico. Outros serviram em mais de um navio.

Eventualmente, Hannah e Lou partem em busca dele e de Vee durante a noite, em meio à tempestade. Hannah informa Lou que o caroneiro é Philip, pai de Vee, um ex- Boinas Verdes e criminoso de guerra que ela pensava estar morto. Lou encontra e mata os amigos de Philip no caminho, mostrando claramente que ela é mais do que aparenta. Ela explica a Hannah que é uma ex-agente de campo da CIA com 26 anos de serviço. Lou e Hannah seguem Philip e Vee até a praia de Eagle Bay. Lou pede a Hannah que entre em contato pelo rádio para pedir ajuda, enquanto ela vai confrontar Philip e resgatar Vee. Após um impasse, é revelado que Philip é, na verdade, filho de Lou, que os rastreou depois que ela o denunciou e os escondeu para protegê-los. Também é revelado que Lou o abandonou quando criança para não comprometer sua missão secreta no Irã. Philip fere Lou e foge com Vee, com a intenção de matar todos juntos. Hannah contata o xerife, mas um telefonema do Serviço de Delegados dos Estados Unidos o obriga a se afastar, já que agora se trata de um caso federal. Mesmo assim, o xerife vai até Eagle Bay, onde encontra Lou e lhe entrega uma pulseira de cobre. Enquanto isso, Hannah chega ao farol e consegue afastar Vee de Philip. Após uma briga, Hannah fere Philip e foge com Vee.

Lou encontra o farol cheio de explosivos e os detona à distância, destruindo-o para sinalizar a aproximação de um helicóptero da Central Intelligence Agency (CIA), a principal agência de inteligência estrangeira dos Estados Unidos, responsável por coletar, analisar e disseminar informações sobre segurança nacional e conduzir operações secretas para proteger os interesses americanos no exterior. Lou e Philip lutam na praia, até que ela leva a melhor e o abraça. Ela pede desculpas enquanto um agente da CIA atira neles, e ambos afundam na água. Mais tarde Hannah e Vee aparecem na casa de Lou, com as malas prontas para partir. Após algumas perguntas de agentes da CIA e uma despedida do xerife, elas são vistas a bordo de uma balsa com Jax, que observa alguém no convés superior, fora do enquadramento completo. A câmera então muda para mostrar o braço de uma mulher com uma cicatriz semelhante à de Lou e uma pulseira de cobre, enquanto ela observa Hannah e Vee com binóculos. A produção estava originalmente programada para começar em Vancouver, Canadá, de maio a julho de 2020 com a Paramount Pictures, mas os direitos do filme foram posteriormente adquiridos pela produtora independente americana Bad Robot, em conjunto com a Netflix, que iniciou a produção em junho de 2021 e a concluiu em agosto do mesmo ano. Allison Janney foi escalada em 2019.                    

Em 28 de abril de 2021, Jurnee Smollett assinou contrato para um dos papéis principais ao lado de Janney. Ambas atuaram como produtoras executivas. O filme foi lançado na Netflix em 23 de setembro de 2022. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 67% das 52 críticas são positivas, com uma classificação média de 6,1/10. O consenso do site diz: “Do ponto de vista da história ou das cenas de ação, Lou não acrescenta muito ao gênero de ação, mas serve como um lembrete geralmente divertido de que Allison Janney não deve ser subestimada”. No Metacritic, o filme tem uma pontuação média ponderada de 51 em 100 com base em 12 críticas, indicando avaliações “mistas ou medianas”. Jeannette Catsoulis fez uma crítica do filme para o The New York Times, dizendo: “Imperturbável tanto pelas condições de trabalho quanto pelo roteiro absurdamente exagerado de Maggie Cohn e Jack Stanley, [Janney] empresta à sua personagem mal-humorada mais do que uma espinha dorsal rígida e um olhar penetrante”. Em outra crítica positiva para o Los Angeles Times, Noel Murray escreve: “O mistério de quem é Lou e por que ela se interessa por Hannah não é tão surpreendente quanto o filme faz parecer; mas Janney é tão imponente como uma improvável heroína de ação que o filme ainda funciona”.

 John Anderson, do The Wall Street Journal, disse: “Às vezes você só quer um filme de ação maluco para passar a noite, e Lou se encaixa perfeitamente. Só não espere ficar pensando nele amanhã”. O filme Lou também foi elogiado por Tara Bennett, da IGN, que o chamou de “um thriller tenso e envolvente que abre um gênero totalmente novo para a sempre fabulosa Allison Janney”. Ela é colaboradora e crítica do IGN, cobrindo filmes, televisão e cultura pop. Bennett também é editora dos Estados Unidos da América da SFX Magazine, produtora sênior da Syfy Wire (NBCUniversal) e já escreveu para publicações como Paste Magazine, Cartoon Brew, e Netflix. Ela é autora ou coautora de mais de 30 livros oficiais sobre filmes e TV, incluindo The Story of Marvel Studios: The Making of the Marvel Cinematic Universe e The Art of Avatar: The Way of Water. Além de seu trabalho como jornalista, ela é professora adjunta de Rádio, Televisão e Cinema na Rowan University. A universidade inclui 14 faculdades e escolas com uma matrícula total (graduação, pós-graduação e estudos profissionais) de pouco mais de 19.600 alunos. Em uma crítica negativa, Brian Tallerico, do RogerEbert.com, escreve: “Allison Janney prova com Lou que ela poderia sustentar um filme de ação. Se ao menos ela conseguisse um que valesse a pena sustentar”. Em outra crítica negativa, Benjamin Lee, do The Guardian, deu ao filme duas estrelas de cinco, criticando-o em sua reviravolta de “chata [e] descarriladora, que complica e confunde, transformando o que poderia ter sido um pequeno filme de perseguição em algo muito mais confuso e muito mais difícil de se envolver”.

Bibliografia Geral Consultada.

STANTON, William, A Grande Expedição Exploratória dos Estados Unidos. Califórnia: University of California Press, 1975; MALINOWSKI, Bronislaw, Argonautas do Pacífico Ocidental: Um Relato do Empreendimento e da Aventura dos Nativos nos Arquipélagos da Nova Guiné Melanésia. São Paulo: Editora Abril, 1976; MONTÁLBAN, Manuel Vásquez, História y Comunicación Social. Madrid: Alianza Editorial, 1985; KATZ, Chaim Samuel, O Coração Distante: Ensaios Sobre a Solidão Positiva. Rio de Janeiro: Editora Revan, 1996; AUMONT, Jacques, À Quoi Pensent Les Films. Paris: Editeur Séguier, 1996; BARKAN, Frances, A Expedição Wilkes: Puget Sound e o Território do Oregon. Washington: Museu da Capital do Estado de Washington, 1987; SCHWANTES, Carlos Arnaldo, O Noroeste do Pacífico: Uma História Interpretativa. Nebraska: University of Nebraska Press, 2000; DELEUZE, Gilles, A Ilha Deserta e Outros Textos. Textos e Entrevistas (1953-1974). São Paulo: Iluminuras, 2006; MASCARELLO, Fernando, História do Cinema Mundial. São Paulo: Papirus Editora, 2006; KEHL, Maria Rita, Ressentimento. São Paulo: Editor Casa do Psicólogo, 2007; HANSON, Helen, Hollywood Heroines: Women in Film Noir and the Femme Gothic Film. New York: I.B Tauris & Co, 2007; INGLIS, Robin, Historical Dictionary of the Discovery and Exploration of the Northwest Coast of America. Estados Unidos: Editor ‎ Scarecrow Press, 2008; TURNER, Frederick Jackson, The Frontier in American History. New York: Dover Publications, 2010; BORGES, Rafael, Como o Oeste se Perdeu: Representação, Nação e Modernidade no Novo Western (1969-2012). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2015; SENNETT, Richard, O Declínio do Homem Público: As Tiranias da Intimidade. Rio de Janeiro: Editora Record, 2021; NOVAES, Marcus Pereira, Ionizações de Sentidos e Infâncias em Cinematografias Latinoamericanas. Tese de Doutorado em Educação. Faculdade de Educação. Campinas: Universidade de Campinas, 2021; LALLO, Pedro Gabriel Antonio, A Crise do Conhecimento Oficial: Uma Análise da Relação Vocabulário/Organização Social. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Faculdade de Filosofia e Ciências. Marília:  Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2022; entre outros.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Embu das Artes – Jesuítas, Estância Turística & Merceologia.

 O precário é condição predominante na criação”. Néstor García Canclini  

O Brasil colonial, no processo civilizatório global, existiu entre o século XVI e o início do XIX, quando o atual território brasileiro abrigava colônias do Reino de Portugal, fazendo parte de um conceito histórico e social mais amplo: América Portuguesa. O processo de colonização durou da primeira metade do século XVI até a primeira metade do século XIX. Antes de 1500, com a invasão dos colonialistas europeus hic et nunc, o território chamado pau-brasil era habitado por grande diversidade de povos indígenas. Segundo F. A. de Varnhagen (1816-1878) o nome Terra do Brasil, ou somente Brasil, foi dado pelos portugueses à parte mais oriental do novo continente, em virtude de haverem aí encontrado, em abundância, certo lenho, que proveu ao comércio uma tinta vermelha análoga a que até então, como esse nome, a Europa importava entre os povos da Ásia. O novo pau-brasil, que neste novo cenário de país era reconhecido com o nome de ibirapitanga, ou pau-vermelho, acha-se classificado pelos botânicos no gênero Caesalpinia, espécies deste gênero são plantas lenhosas que ocorrem em zonas tropicais e subtropicais. O nome do gênero é uma homenagem ao botânico do século XVI Andrea Cesalpino (1519-1603).

Mais tarde a denominação Brasil, veio fazer-se extensiva ao conjunto de todas as colônias portuguesas neste continente, as quais, emancipando-se, vieram a constituir o império luso-brasílico, um dos Estados de maior extensão no globo terrestre, de cuja superfície terrestre abrange aproximadamente a décima quinta parte. Em contraste com as fragmentadas possessões espanholas vizinhas, as possessões portuguesas, construídas sob a força bruta da política na América do Sul, mantiveram a sua aparente unidade e integridade territorial e linguística mesmo após a Independência, dando origem ao maior país da região. A grandeza do atual território brasileiro, construída desde o período violento da colonização portuguesa e de guerras extraterritoriais, foi resultado da interiorização da metrópole portuguesa no território sul-americano, especialmente após o descobrimento de ouro nas minas gerais. Neste sentido histórico-sociológico, o Brasil constituiu-se como uma “colônia de exploração” (cf. Almeida, 2015), cujo dinamismo consistia na exploração de produtos tropicais ou de ouro para a metrópole. Em consequência do processo civilizatório o núcleo da vida colonial estava nas plantações, na grande propriedade latifundiária e, per se enquanto durou o chamado “ciclo do ouro”, que teve início no final do sécujlo XVII, também na exploração aurífera, e no processo de ocupação da terra e de exploração de seus recursos naturais e humanos, sob a égide do capitalismo comercial.

        Em 1702, a metrópole oficializou a criação da Intendência das Minas, órgão que deveria administrar as regiões auríferas respondendo pelo policiamento, a cobrança de impostos e julgamento dos crimes ocorridos nessas localidades. Não obstante, algumas vilas tinham de preencher, forçosamente, certas funções administrativas, que se encontrava na ordem social inerente à sociedade global: uma sociedade que se organizava estamentalmente, no plano político dos chamados homens livres, e em casas, nas relações deles com os escravos. Essa ordem social coordenava e regulava, sob as mesmas normas, valores e formas de dominação, o funcionamento, o crescimento quantitativo e desenvolvimento de todos os “aglomerados rurais”, na falta de melhor expressão, ou de formação urbana. A vila aumentava de população e eventualmente podia acumular várias funções de natureza urbana. Todavia, se processava dentro de uma economia agrarista e uma  estrutura social que excluía a possibilidade da formação das cidades e funções urbanas. Por esses motivos econômicos e políticos, as vilas que se converteram em cidades, surgem dotadas de funções urbanas pouco diferenciadas, com reduzido impulso interno para desencadear o desenvolvimento social da urbanização como um processo histórico, político e social relativamente autônomo.   

           

            É preciso que se entenda que esse “padrão urbano” não representa algo em torno de uma “civilização agrária” e, muito menos, um efeito de poder dito de aculturação à colonização exploradora sob o signo de capitalismo comercial, em um contexto histórico que aumentava e, sob certos aspectos, até congestionava as funções urbanas das vilas que fossem, ecológica, econômica e socialmente pontos de lança da colonização exploradora. De outra parte, as tradições agrárias portuguesas só valiam, de fato, como princípio ordenador de uma dominação patrimonialista, por meio da qual o processo de ruralização social servia de fundamento material para a concentração da renda e de poder nas mãos das elites agrárias, seja para a urbanização parcial de seus próprios estilos de vida. No contexto histórico-social da Colônia, ambos os efeitos de poder das tradições agrárias portuguesas se agravaram e se intensificaram porque não existia aqui e nem podia existir sob o regime colonial imposto pela Coroa, nenhuma cidade que interpusesse, entre os senhores, os escravos e os homens brancos livres dependentes, uma classe insatisfeita e com condições de crescente autoafirmação social. Embora a vila e a cidade exprimissem os padrões de cultura comparada de uma “civilização agrária”, as fontes históricas e sociais de seus limitados dinamismos urbanos se achavam na própria organização estamental e escravista da sociedade colonial.

      Este aspecto estrutural civilizatório que apareceu sob o signo da “colonização espoliativa” e se manteve historicamente, porque as chamadas “estruturas coloniais” não despareceram juntamente com o regime colonial, da cidade tradicional. Não pretendíamos, com essa particularização conceitual, afirma Fernandes (1975: 139), caracterizar esse tipo de cidade em termos de um suposto tradicionalismo. Existia e dava um colorido especial aos estilos de vida de todas as camadas sociais. Entretanto, o mundo colonial brasileiro, reconhecia vários tradicionalismos. Havia um denominador comum, fornecido pela configuração de cultura dominante aglutinativa, que era de fato cultura transplantada de Portugal. Além disso, os vários aspectos de tradicionalismos ligavam-se estruturalmente em um ponto, a saber, que eram as formas de dominação patrimonialista e estamental, que definiam tradicional ou legalmente, as probabilidades de mando e os deveres de obediência. Mas, o tradicionalismo assim compreendido era algo universal e não separava, senão imperceptivelmente, pela via do trabalho, campo da cidade, o rural do urbano. O que havia de específico, não era o fato político de representação social do tradicionalismo acentuado, que nela tinha vigência. Mas, o apinhamento de funções urbanas, que se originavam da concentração ecológica, econômica e burocrática de certas atividades centrais nesse tipo de cidade.

        Historicamente a região do município de Embu das Artes era habitada por povos indígenas das etnias tupiniquins e guaranis e o surgimento da cidade está intimamente ligado à catequese indígena. Na segunda metade do século XVII, sítios começaram a se formar na região do município, com plantações de mandioca, legumes e algodão. Em 1607, Fernão Dias Paes, tio do bandeirante Fernão Dias, o “caçador de esmeraldas”, Pero Dias e Braz Esteves adquirem terras na região do município. Em 24 de janeiro de 1624, Fernão e sua esposa, Catarina Camacho, doam terras para os padres jesuítas. Em 1690, o jesuíta Belchior de Pontes transfere a missão jesuítica de Bohi ou M´Boy, criado em 1554, para o local que é a sede do município e inicia a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a velha matriz. Entre 1730 e 1734, os jesuítas constroem a sua residência anexa à igreja, formando um conjunto arquitetônico contínuo de linhas retas e sóbrias. Em 1760, por ordem da Coroa Portuguesa, os jesuítas são expulsos do Brasil. Suas terras, no entanto, eram impróprias para a cafeicultura, principal atividade econômica da época. Assim, Embu entrou em um período de retração que durou até meados do século XX, quando a capela e convento foram tombados pelo Estado que iniciou as restaurações. O Padre Belchior faleceu em 1719 e seu substituto, Domingos Machado, ordena a construção da residência dos religiosos, concluída em 1740. Em 1759, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras (1699-1782), do Reino de Portugal, ordenou a expulsão dos jesuítas da América Portuguesa. Em 1880, foi criado, dentro da Vila de Itapecerica, o distrito de M`Boy.  

Com o efeito de poder culminando na expulsão, o aldeamento de M`Boy entra em declínio e os indígenas que ali habitavam acabaram deixando-o ou se mestiçando com os não-indígenas que viviam no povoado. No final do século XIX, a Diocese de São Paulo contrata o engenheiro Henrique Bocolini, responsável pelas primeiras obras de restauração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Nesta época e no início do século XX, a cafeicultura, principal fonte econômica do Brasil e praticada em todo o Estado de São Paulo, não pôde ser praticada em M`Boy, pois suas terras eram impróprias. O povoamento, antigo aldeamento, tinha uma economia agrícola, com lavradores e fabricantes de cachaça, e os produtos eram vendidos em São Paulo, sobretudo na região de Pinheiros. O desenvolvimento era considerado lento pelas dificuldades de comunicação social e transportes. Nas décadas de 1920 e 1930, as olarias de M`Boy contribuíram muito para a produção de tijolos para o crescente distrito e também para a cidade de São Paulo, em pleno crescimento. Nesta época, chegam no distrito os primeiros imigrantes japoneses, hoje numerosa em Embu. Em 1938, o distrito de M`Boi teve sua denominação alterada para “Embu”, uma corruptela do antigo nome do distrito. Anos mais tarde, surge o movimento emancipacionista. Entre o final do século XIX e a década de 1940, os carros de bois eram o principal meio de comunicação.  A partir da comunidade liderada por Annis Neme Bassith, iniciou o processo emancipatório, criando a cidade de Embu em 1959. Em 18 de fevereiro de 1959, a Lei Estadual n° 5285 eleva o distrito de Embu à categoria de município, desmembrado de Itapecerica da Serra. 

Era 1554 quando um grupo de jesuítas fundou o aldeamento de Bohi, depois M`Boy mirim, situada a meio caminho entre o mar e o sertão paulista. A missão tinha o objetivo de catequizar os índios locais, com a ideia de, mais tarde, aproveitá-los como força de trabalho. Em 1607 as terras da aldeia passam para as mãos de Fernão Dias, tio do bandeirante Fernão Dias, o Caçador de Esmeraldas. Em 1562, por força de um levante armado que culminou em um ataque dos índios da Confederação dos Tamoios à vila de São Paulo de Piratininga, atual cidade de São Paulo e a outros núcleos de povoamento e colonização portuguesa, a Companhia de Jesus instalou, entre agosto e setembro de 1562, postos de defesa e colonização avançados. Itapecerica da Serra tem origem em uma aldeia de índios pacificados pelos Jesuítas provavelmente a 3 de setembro de 1562, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres, com o propósito de ser um posto avançado de colonização, catequização e de defesa contra ataques indígenas. No século XVII, o núcleo indígena foi ampliado com os indígenas trazidos da aldeia de Carapicuíba pelo sertanista Afonso Sardinha, reconhecido por Velho. Em 1589 ele e seu filho, Afonso Sardinha, o Moço, descobriram, em suas excursões, minério de ferro no Morro de Araçoiaba, próximo à cidade de Iperó, estado de São Paulo. O Velho, morreu depois do filho, em 1616. Em 1624 as terras são doadas à Companhia de Jesus.

 Inicia-se então a construção da Igreja do Rosário, área para a qual foi transportada a antiga aldeia de M`Boy. Em 1689, a capela de Itapecerica contava com mais de novecentas almas sob a posse do padre Diogo Machado, da Companhia de Jesus. No século XVIII, entre 1730 e 1734, os jesuítas constroem seus alojamentos em área anexa à igreja, com ela formando um só conjunto arquitetônico. Na época, foram reunidos ali vários padres-artistas, que trabalharam na decoração da igreja. As verbas necessárias às caras douraduras dos entalhes das paredes de madeira e das imagens foram possibilitadas pela venda do algodão, que cultivavam em grande escala. Fazia parte do território do antigo município de Santo Amaro, instalado em 7 de abril de 1833 quando foi separado de São Paulo. Em 1841, Itapecerica tornou-se freguesia, tendo a patrona, N. S dos Prazeres e vigário o padre Bento Pedroso de Camargo, nomeado por dom Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade. Nossa Senhora dos Prazeres é um dos títulos pelo qual a Igreja Católica venera a Virgem Maria, a Santíssima Mãe de Deus. A devoção teve origem em Portugal, no final do século XVI, e sua festa é celebrada na segunda-feira após o segundo domingo do Tempo Pascal.

Em 8 de maio de 1877 foi elevada à categoria social de vila com a denominação de Itapecerica, quando se emancipou do antigo município de Santo Amaro, que em 1935 foi reintegrado e se tornou distrito paulistano. Em 19 de dezembro de 1906, através da Lei Estadual nº 1.038 Itapecerica foi elevada à categoria de Cidade. Em 1930, com a construção da Estrada de Ferro Mairinque-Santos (Sorocabana), que passa pela cidade atravessando o bairro da Aldeinha, houve uma certa expansão da economia da cidade. Em 30 de Novembro de 1944, Itapecerica passou denominar-se Itapecerica “da Serra” para diferenciar-se de sua homônima nas Minas Gerais e por estar na zona fisiográfica de Paranapiacaba. Em 1959, foi criada a Comarca de Itapecerica da Serra, composta pelos atuais municípios de Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra e Taboão da Serra que na época eram Distritos da Cidade de Itapecerica da Serra. Em 1960 com a conclusão da Rodovia Régis Bittencourt BR-116, que passa pela região em direção ao Sul, o acesso foi melhorado, tendo a inauguração da rodovia contado com a presença do presidente da República Juscelino Kubitschek, reconhecido pelas iniciais JK, médico, oficial da Polícia Militar e político brasileiro. 

Foi o 21º presidente do Brasil, entre 1956 e 1961. Juscelino Kubitschek concluiu o curso de humanidades do Seminário de Diamantina e em 1920 mudou-se para Belo Horizonte. Em 1927, formou-se em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e em 1930 especializou-se em urologia em Paris. Em dezembro de 1931, casou-se com Sarah Lemos, com quem teve a filha Márcia, em 1943. O casal também adotou Maria Estela em 1947. Em 1931, ingressou na Polícia Militar como médico. Neste período, trabalhou na Revolução Constitucionalista e tornou-se amigo do político Benedito Valadares (1892-1973) que, ao ser nomeado interventor federal em 1933, nomeou Juscelino Kubitschek como seu chefe de gabinete. Em 1934, foi eleito deputado federal, mas teve seu mandato cassado quando do golpe do Estado Novo. Com a perda do mandato, retornou à medicina. Em 1940, foi nomeado prefeito de Belo Horizonte por Valadares, permanecendo neste cargo até outubro de 1945. No final do mesmo ano foi eleito deputado constituinte pelo Partido Social Democrático. Em 1950, venceu Bias Fortes nas prévias do PSD para a escolha do candidato do partido ao Governo de Minas nas eleições daquele ano. Na eleição geral, derrotou seu concunhado Gabriel Passos e foi empossado em 31 de janeiro de 1951. Nele criou a Companhia Energética de Minas Gerais, e também priorizou as estradas e a industrialização. 

Nas décadas seguintes, a rodovia possibilitou a chegada de industrias, melhorando consideravelmente a economia do município. Contudo, na década de 1950, o município itapecericano detinha um sério problema de repasse de verbas, não sendo exclusivamente devido sua grande extensão territorial, sendo incapaz de manter o desenvolvimento industrial nessa área. Em decorrência desta dificuldade, movimentos emancipacionistas ganharam força na região. O município começa a ganhar destaque na década de 1960, quando vários artistas, entre pintores, escultores, músicos e cantores, acabam encontrado no município de Embu o local perfeito para criar, desenvolver e praticar sua arte. Dentre os principais artistas de Embu das Artes estão: Cássio M`Boy, professor de vários artistas era reconhecido de membros da Semana de Arte Moderna de 1922; Tadakiyo Sakai (1914-1981), escultor nipo-brasileiro e ceramista e discípulo de Cássio; Solano Trindade, fez produção artística da cultura afro-brasileira e introduziu a tradição dos orixás; Assis do Embu e Ana Moysés. A arte embuense ganha destaque principalmente no ano de 1964, com a abertura do Primeiro Salão das Artes. Sakai desde pequeno, demonstrou o gosto pela pintura, desenho e escultura. Sua démarche começa em 1928 no Brasil aos 14 anos.

Morou anteriormente em Pinheiros, Taboão da Serra, fixando-se em Embu das Artes. Reconhecido internacionalmente como escultor em terracota, iniciou-se nas artes em 1951, sob orientação de Cássio M`Boy e dos escultores Bruno Giorgi e Victor Brecheret. Atualmente, na região central de Embu das Artes, há o Memorial Sakai, que tem como objetivo valorizar e recuperar a memória e o trabalho do artista. Além de museu, o Memorial Sakai é uma escola gratuita com formação da arte em cerâmica. No município, também há a Escola Estadual Tadakiyo Sakai, situada no bairro Vila Olinda. No final dos anos 1960, outros artistas e membros hippies se fixam em Embu. Seus trabalhos eram expostos nos finais de semana, originando a Feira de Artes de Embu das Artes, que ocorre todos os fins de semana desde 1969 e é um motor turístico da cidade. Embu das Artes é um município metropolitana, na microrregião de Itapecerica da Serra, no estado de São Paulo. Localiza-se na Zona Sudoeste da Grande São Paulo, em conformidade com a lei estadual nº 1.139, de 16 de junho de 2011 e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo. Sua população estimada em 2020 foi de 276,535 habitantes. A sua área é de 70,398 km², o que resulta em uma densidade demográfica de 3 888,3 hab./km². 

Havia o São Paulo Feminino equipe de futebol feminino do São Paulo Futebol Clube, multiesportivo localizado na cidade de São Paulo. O São Paulo é considerado um dos pioneiros do futebol feminino do país de acordo com comentaristas e historiadores, como Thomaz Mazzoni e José Witter. Apesar disso, não há muitos registros anteriores da década de 1990. Criada em 1997, a equipe são-paulina foi dissolvida em 2000 mesmo após ter conquistado duas edições do Campeonato Paulista e uma Taça Brasil. O primeiro registro em competições oficiais organizadas pela federação estadual e pela Confederação Brasileira é datado de 1997. Nos três anos seguintes, venceria a Copa Eduardo José Farah, realizada em Cubatão e o Paulista, ambos em 1999. Nesta temporada, o elenco formado consistia da base original do Saad Esporte Clube, que na época era o principal clube do cenário nacional feminino. A agremiação possuiu em sua equipe feminina cinco atletas da seleção brasileira que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Posteriormente, tentativas de retornar o cenário feminino ocorreram em 2001, 2005 e 2015; e voltou a se estabelecer de fato em 2017, com o Centro Olímpico. Além das duas conquistas estaduais, o clube também conquistou a segunda divisão do nacional em 2019.   

 É considerado, oficialmente, uma estância turística. Embu das Artes é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. Também há sociedades esportivas, tal como o Clube de Futebol Vasco do Embu. A comunicação é forte. O município e a região contam com jornais relevantes, tais como o Jornal São Paulo Repórter. Sua história social trouxe uma especialização imprevista: ser uma cidade especialmente vocacionada para acolher artistas. Isto aporta dividendos econômicos e turísticos à cidade. Por causa disso, em 2011, a denominação oficial da cidade foi alterada de Embu para Embu das Artes. A Associação Desportiva Embu das Artes representa um clube brasileiro de futebol feminino de Embu das Artes. Tem como presidente o administrador Alex Macedo de Souza. Foi fundado em fevereiro de 2011, em parceria com a Secretaria de Esportes de Embu das Artes, visa à fomentação e desenvolvimento do futebol feminino. 

Apesar de continuar configurando como uma das principais protagonistas do país, a equipe não conseguiu superar a Portuguesa/Sant`anna, que foi a responsável por eliminar o São Paulo no estadual e no Brasileiro de 1998. Esses dois jogos foram os dois únicos reveses sofridos no período compreendido entre 1998 e 2000. A primeira desconstituição da modalidade ocorreu em março de 2000, sendo que o São Paulo tentou retomar sem sucesso em duas oportunidades, em 2001 e 2005. A continuidade da equipe feminina prosseguiu após dez anos de ausência; em 2015, o clube estreou com goleada sobre o São Bernardo e liderou o seu grupo na primeira fase do estadual, inclusive vencendo a equipe do São José, que na época era a atual campeã da Libertadores da América e respectivamente do Mundial. No mesmo campeonato, o São Paulo alcançou a decisão eliminando Santos e XV de Piracicaba, terminando com o vice-campeonato. Apesar dos resultados, o clube apresentou dificuldades financeiras e de gestão.

Em princípio, a diretoria afirmou que os patrocinadores se responsabilizariam integralmente com o custo do projeto; contudo, a modalidade foi encerrada antes do término do estadual por causa da ausência de patrocínios. Como principal investidor o Centro de Apoio Profissionalizante, Educacional e Social demonstrou instabilidade resultando em atrasos de salários. O clube assumiu a dívida da empresa com o elenco, que aumentou de forma considerável pelos juros dos vencimentos. Após 2 anos de inatividades, o São Paulo reativou a modalidade com a parceria com o Centro Olímpico, iniciando a categoria de base que conquistou títulos expressivos. Em 14 de janeiro de 2019, o clube anunciou o retorno às competições estaduais e nacionais, juntamente com a confirmação da contratação da atacante Cristiane. Sob o comando técnico de Lucas Piccinato, a equipe conquistou o título da segunda divisão do Brasileiro contra o Cruzeiro, além de obter o segundo lugar da Copa Paulista e do Campeonato Paulista. Neste sentido, a cidade tradicional representa um elo de sociabilidade do campo com o interior e com o exterior das Colônias. Tanto podia condensar os interesses locais ou regionais por natureza dos nativos ou nativistas, quanto podia organizar os interesses de colonizadores, através da coroa e prepostos ou dos agentes particulares da colonização.

Do outro lado, ela selecionava, assimilava e redistribuía o fluxo social de modernização, compatível ou com o regime colonial ou com as formas de dominação reconhecida patrimonialista. Tudo isso quer dizer: era tradicional por suas vinculações estruturais e dinâmicas com a ordem estamental e escravista da sociedade colônia. A cidade originária em questão, pode ser chamada de tradicional, portanto, porque traduzia o cosmos material e mortal da sociedade colonial: tinha reduzidas possibilidades de influenciá-lo, através de suas funções urbanizadoras; em contrapartida, não possuía meios para resguardar essas funções de suas influências sociodinâmicas, que faziam dela uma fronteira histórica do campo e, ao mesmo tempo, a cidadela em que eclodiam ou se resolviam os pequenos e os grandes interesses do mundo colonial. A duração da cidade tradicional surge como um fenômeno urbano à parte. É um produto histórico, mas também se apresenta como uma configuração estrutural típica. O meio sociocultural jamais libertou esse tipo de cidade das maras que a prendiam à tutelagem direta ou indireta do campo. Com a expansão cafeeira da República Velha, muitas cidades nasciam e se desenvolviam segundo esse modelo primordial agrário-exportador arcaico.

         Não queremos perder de vista que se o século XVII, o das bandeiras, foi o século da expansão territorial, da conquista e do povoamento, o século XVIII, do ouro doravante com o declínio do patriarcalismo rural, no Norte, e do movimento das bandeiras, ao Sul, o século do desenvolvimento das cidades, onde se formara e já ganhava corpo a nova classe social, ansiosa de domínio, e já bastante forte para enfrentar o exclusivismo das famílias de donos de terras. Das diversas áreas coloniais, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, é a de Minas Gerais onde mais cedo se processou a diferenciação no sentido urbano. Em Minas Gerais, o século XVIII é de diferenciação intensa, escreve Gilberto Freyre, e às vezes em franco conflito com as tendências para a integração, católico, português; e é em Minas que, sob o extrativismo e formação de classes, dominadas pelos grandes “magnatas das minas”, se desenvolveu com um vigoroso espírito nativista, a fase mais brilhante da civilização, no período colonial. A cidade já se ocupa com a instrução; cresce o interesse pelas coisas do espírito, e os senhores de lavras abastados mandam os filhos a universidade de Coimbra ou a Montpellier em seus estudos. No caso das Minas Gerais, lembra a poética de Milton Nascimento, reconhecido como um dos mais influentes e talentosos artistas da M PB. Carioca de nascença e mineiro de coração, criado em Três Pontas, na bela canção Morro Velho: – “Filho de branco e do preto correndo pela estrada atrás de passarinho. Pela plantação adentro crescendo os dois meninos, sempre pequeninos”.

Em 23 de outubro de 2009 - mutatis mutandis - o Prefeito de Embu, Chico Brito, deu início ao processo administrativo para que o município fosse, oficialmente, chamado de Embu das Artes. Em 25 de novembro, o prefeito e o vice deram início ao ato a favor da realização de um plebiscito para a coleta de assinaturas. Para que fosse acrescentado ao nome do município a denominação “das Artes”, foi necessário a realização de um plebiscito em que pelo menos um por cento (1%) dos eleitores do município deveriam participar. O plebiscito foi anexado a um projeto de Lei que foi enviado pelos poderes executivo e legislativo embuense para sanção do prefeito. Em seguida, o documento foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que convocou uma eleição para mudança social do nome. Segundo o prefeito, a oficialização do município para “Estância Turística de Embu das Artes” representou a garantia afetiva de sua identidade e que não fosse mais confundida com Embu-Guaçu, município possui uma área territorial de 155,641 km² e sua população foi estimada em 69 385 habitantes, conforme dados estatísticos do IBGE de 2019. As três primeiras assinaturas do abaixo-assinado foram do prefeito Chico Brito, de Annis Neme Bassith, um dos líderes do processo de emancipação, e do Presidente da Câmara Municipal Silvino Bomfim. O prefeito declarou: - Isso é um desejo da população e dos vereadores. Dificilmente você vai encontrar alguém contra.

O abaixo-assinado passou por toda a cidade através da campanha “Embu das Artes - Todo Mundo Quer”, lançada pela prefeitura. O plebiscito ocorreu em 1º de maio de 2011 e 66,48% dos eleitores optaram pela nova denominação. Em 6 de setembro de 2011, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin sancionou a Lei Estadual 14.537/11, que, oficialmente, passou a denominar o município como “Embu das Artes”. Embu, é um município da Região Metropolitana de São Paulo, na Microrregião de Itapecerica da Serra, no estado de São Paulo. A escolha por Embu das Artes foi realizada por plebiscito, realizado no dia 1º de maio, em que 74.286 eleitores optaram pela alteração com a inclusão do nome referido às artes. A cidade representa um dos 29 municípios paulistas considerados “estâncias turísticas” pelo governo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Há desde agosto de 2014 no estado setenta (70) estâncias denominadas: turísticas (32), balneárias (15), climáticas (12) e hidrominerais (11). Estância turística é um título concedido pelo governo do estado de São Paulo, a municípios que apresentem características sociais turísticas e determinados requisitos condicionados pelo lazer, recreação, recursos naturais e culturais específicos. Devem dispor de infraestrutura e serviços técnicos administrativos dimensionados à atividade. O número de cidades classificadas como municípios de interesse turístico e como estâncias turísticas continua o mesmo, 140 e 70 respectivamente. As cidades de Campos Novos Paulista, Igaraçu do Tietê e Poá foram reclassificadas como de interesse turístico.

As mudanças sociais seguem as normas da Lei Complementar 1.261/2015, que determina que, a cada três anos, seja encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um Projeto de Lei revisional dos municípios turísticos. Baseado em um “ranqueamento técnico” elaborado pela Secretaria de Turismo do Estado, “até três estâncias turísticas que obtiverem menor pontuação poderá ser reclassificadas a municípios de interesse turístico”. Os três Municípios de Interesse Turístico (MIT) com maior pontuação, por sua vez, podem virar estâncias turísticas. Por serem classificadas como destinos turísticos já consolidados, as estâncias recebem um valor de repasse maior, em comparação aos MITs. De acordo com a Secretaria de Estado do Turismo, em 2020 foram destinados às cidades turísticas do Estado R$ 223,3 milhões e, em 2019, os repasses chegaram a R$ 185,3 milhões. Para ser considerado um MIT, do ponto de vista técnico-metodológico é preciso que a cidade tenha “potencial turístico, capacidade de serviço médico emergencial, meios de hospedagem local, ou na região, serviços de alimentação e de informação turística. Além de dispor de infraestrutura capaz de atender a população fixa e visitantes, no que se refere a abastecimento de água potável e coleta de resíduos. No caso das estâncias é necessário que o município seja consolidado com um turismo efetivo de fluxo permanente de visitantes, e possua atrativos turísticos de uso público e caráter permanente, sejam eles naturais, culturais ou artificiais.

Para que uma cidade receba uma classificação, é necessário que um deputado estadual apresente à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, um projeto de Lei que objetive a classificação de município como estância turística ou como de interesse turístico. Tal status garante a esses municípios “uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional”. Como vimos, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. Segundo o prefeito, uma das primeiras medidas será a alteração das placas, que indicam a entrada da cidade, da Rodovia Regis Bittencourt e do Rodoanel, que servirá para orientar melhor os turistas que vêm ao município em busca do artesanato local, que caracteriza o trabalho na cidade.  A questão mais importante é a identidade da cidade como origem de sua capacidade de manutenção. – “Não podemos ter uma cidade com dois nomes. Será a única cidade do país que terá o nome das artes. Muitos turistas passam direto porque estão procurando Embu das Artes. Nós vamos poder colocar ao longo de toda a rodovia o nome da cidade”.

A confiança em sistemas abstratos é a condição do distanciamento tempo-espaço e das grandes áreas de segurança na vida cotidiana que as instituições modernas oferecem em comparação com o mundo tradicional. Neste sentido, as rotinas que estão integradas aos sistemas abstratos, para Giddens (1991), representa a condição do distanciamento tempo-espaço e das grandes áreas de segurança na vida cotidiana que as instituições modernas oferecem em comparação com o mundo tradicional. As rotinas que estão integradas aos sistemas abstratos são centrais à segurança ontológica em condições de modernidade. Contudo, esta situação cria também novas formas de vulnerabilidade psicológica, e a confiança em sistemas abstratos não é psicologicamente gratificante como a confiança em pessoas o é. O que é possível admitir que há uma conexão direta entre as tendências globalizantes da modernidade e o que o sociólogo chama de “transformação da intimidade” nos contextos da vida cotidiana; que a transformação da intimidade pode ser analisada em termos da adição de mecanismos de confiança; e que as relações de confiança pessoal, nestas circunstâncias, estão intimamente relacionadas à situação na qual a construção do eu se torna um projeto reflexivo. A este respeito as religiões tradicionais são diferentes dos sistemas abstratos,  personalizadas permitem uma transferência direta da confiança individual.

Em geral as explicações sociológicas de transformação da intimidade têm no mais das vezes justaposto o caráter comunal das ordens tradicionais à impessoalidade da vida social moderna. Uma concepção que pode ser amplamente associada ao conservadorismo político, retrata o desenvolvimento da modernidade como rompendo as velhas formas de “comunidade”, em detrimento das relações pessoais nas sociedades modernas. Este ponto de vista foi proeminente no fim do século XIX e ainda tem seus representantes na ordem do dia. A esfera da vida pública, por outro lado, tornou-se “excessivamente institucionalizada”. O resultado é que a vida pessoal se torna atenuada e privada de pontos de referência firmes: há uma volta para dentro, para a subjetividade humana e o significado e a estabilidade são buscados no eu interior. Ideias semelhantes tem sido analisada no outro lado do espectro político, às vezes influenciados diretamente pelo marxismo. Embora sua linguagem seja menos de “sociedade de massas” e mais a de capitalismo e transformação em mercadoria, sua tese geral não é totalmente diferente do primeiro grupo de autores, na medida em que as instituições modernas são vistas como tendo assumido grandes áreas da vida social despojando-as do conteúdo significativo que elas já tiveram. 

A ideia do declínio da comunidade tem sido eficazmente criticada à luz de pesquisa empírica em regiões urbanas e muita coisa se concluiu sobre essas investigações no sentido de as questionar. E, para sermos breves, uma dessas dificuldades principais neste debate diz respeito, segundo a interpretação de Giddens, aos termos pelos quais ele tem sido conduzido. Isto é, o “comunal” tem sido oposto ao “social”, o “impessoal” com o “pessoal” – e, a partir de uma perspectiva diferente, o “Estado” com a “sociedade civil” – como se estas fossem todas variantes da mesma coisa. Mas a noção de comunidade, como a aplicada às culturas pré-modernas ou modernas, compreende diversos conjuntos de elementos que devem ser distinguidos. Eles podem ter relações comuniais em relação ao lugar; laços de parentesco; relações de intimidade pessoal entre pares (amizade); e relações de intimidade sexual. Se os desembaraçarmos, podemos desenvolver um ponto de vista diferente a partir de cada um. No sentido conceitual de uma “afinidade encaixada” ao lugar, a “comunidade” tem sido de fato em grande parte destruída, embora se possa discutir o quão longe foi este processo em contextos específicos, o que demonstra que os laços de parentesco de certos tipos sociais permanecem fortes em alguns contextos nas sociedades modernas dificilmente significa que o parentesco desempenha o papel que já desempenhou na estrutura da vida cotidiana para a maioria das pessoas.   

Enfim, a vasta extensão de sistemas abstratos associada à modernidade transforma a natureza da amizade. É claro que a amizade é com frequência um modo de “reencaixe”, mas ela não está diretamente envolvida nos próprios sistemas abstratos, que superam explicitamente a dependência a laços pessoais. O oposto de “amigo” já não é mais “inimigo”, nem mesmo “estranho”, ao invés disto é “conhecido”, “colega”, ou “alguém que não conheço”. Acompanhando esta transição, a honra é substituída pela lealdade que não tem outro apoio a não ser o afeto pessoal, e a sinceridade é substituída pelo que podemos chamar de autenticidade: a exigência de que o outro seja aberto e bem-intencionado. Um amigo não é alguém que sempre fala a verdade, mas alguém que protege o bem-estar emocional do outro. O “bom amigo” que pode ser compreendido como alguém cuja benevolência é disponível mesmo em tempos difíceis, é o substituto para o “honorável companheiro”. Em cenários pré-modernos, a confiança básica é fendida em relações de confiança na comunidade, laços de parentesco e amizades. Embora estas conexões sociais possam envolver intimidade emocional, não é condição da manutenção de confiança pessoal. Laços pessoais institucionalizados e códigos de sinceridade e honra ou informalizados fornecem estruturas de confiança. Inversamente, a confiança pessoal nos outros é um meio fundamental por onde relações sociais de um tipo distanciado, que se estendem até “territórios inimigos”, são estabelecidas. 

As rotinas que são estruturadas por sistemas abstratos têm um caráter vazio, amoralizado e isto vale também para a ideia de que o impessoal submerge cada vez mais o pessoal. Mas não se trata simplesmente de uma diminuição da vida pessoal em prol de sistemas impessoalmente organizados – mas de uma transformação genuína da própria natureza do pessoal. Relações pessoais cujo principal objetivo é a sociabilidade, informadas pela lealdade e autenticidade, tornam-se uma parte das situações sociais de modernidade da mesma forma que as instituições abrangentes de distanciamento tempo-espaço. É bastante errôneo, contudo, realçar a impessoalidade dos sistemas abstratos contra as intimidades da vida pessoal como a maior parte das explicações sociológicas correntes tendem a fazer. A vida pessoal e os laços sociais em que ela envolve estão profundamente entrelaçados com os sistemas abstratos de mais longo alcance. A confiança em pessoas não é enfocada por conexões personalizadas no interior da comunidade local e das redes de parentesco. A confiança pessoal torna-se um projeto, a ser “trabalhado” pelas partes envolvidas e requer a abertura do indivíduo para o outro. Onde ela não pode ser controlada por códigos normativos fixos, a confiança tem que ser ganha, e o meio de fazê-lo consiste em abertura e cordialidade demonstrativos. 

Bibliografia geral consultada.

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