quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Amsterdam – Assassinato Político, Estratégia & Mistério na Cômico.

                       Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal”. Nicolau Maquiavel      

Amsterdam tem como representação um filme de suspense, comédia e mistério de 2022, produzido, escrito e dirigido por David O. Russell. O filme narra a épica história de três amigos que testemunham um crime e se veem envolvidos em uma das tramas mais chocantes da história norte-americana. Uma fascinante e rica narrativa que mescla, brilhantemente, fatos históricos com ficção. Estrelado por Christian Bale (que também é produtor), Margot Robbie e John David Washington, além de um elenco “de apoio de peso”, o filme é baseado na Conspiração Empresarial, uma conspiração política ocorrida nos Estados Unidos da América em 1933. O New Deal representou uma série de reformas econômicas, sociais e políticas implementadas entre 1933 e 1938 em resposta à Grande Depressão nos Estados Unidos, sob a presidência de Franklin D. Roosevelt. Ele cunhou a expressão ao aceitar a indicação do Partido Democrata à presidência nas eleições de 1932, vencendo com folga o então presidente Herbert Hoover, cuja administração era amplamente considerada ineficaz. Roosevelt atribuiu a Depressão à instabilidade inerente do mercado e à demanda insuficiente, seguindo o modelo econômico keynesiano e argumentou que a estabilização e a racionalização da economia exigiam uma intervenção governamental massiva. Durante os cem dias de mandato de Roosevelt, de 1933 a 1935, FDR implementou o que os historiadores chamam de “Primeiro New Deal”, que se concentrava nos “3 Rs”: auxílio aos desempregados e pobres, recuperação da economia aos níveis normais e reformas do sistema financeiro para evitar uma nova depressão.

Roosevelt sancionou a Lei Bancária de Emergência, que autorizou o Federal Reserve a assegurar depósitos para restaurar a confiança, e a Lei Bancária de 1933 tornou isso permanente com a Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC). Outras leis criaram a Administração Nacional de Recuperação (NRA), que permitiu que as indústrias criassem “códigos de concorrência justa”; a Comissão de Valores Mobiliários (SEC), que protegeu os investidores de práticas abusivas do mercado de ações; e a Administração de Ajuste Agrícola (AAA), que aumentou a renda rural controlando a produção. Foram realizadas obras públicas com o objetivo de gerar empregos para os desempregados (25% da força de trabalho quando Roosevelt assumiu o cargo): o Corpo de Conservação Civil (CCC) recrutou jovens para trabalhos braçais em terras do governo, e a Autoridade do Vale do Tennessee (TVA) promoveu a geração de eletricidade e outras formas de desenvolvimento econômico na bacia hidrográfica do rio Tennessee. Embora o Primeiro New Deal tenha ajudado muitas pessoas a encontrar emprego e restaurado a confiança no sistema financeiro, em 1935 os preços das ações ainda estavam abaixo dos níveis pré-Depressão e o desemprego ainda ultrapassava os 20%. De 1935 a 1938, o “Segundo New Deal” introduziu novas leis e agências com foco na criação de empregos e na melhoria das condições de vida de idosos, trabalhadores e pessoas em situação de pobreza.

A Works Progress Administration (WPA) supervisionou a construção de pontes, bibliotecas, parques e outras instalações, além de investir nas artes; a Lei Nacional de Relações Trabalhistas garantiu aos funcionários o direito de se organizarem em sindicatos; e a Lei da Seguridade Social introduziu pensões para idosos e benefícios para pessoas com deficiência, mães com filhos dependentes e desempregados. A Lei de Normas Justas de Trabalho proibiu o trabalho infantil opressivo e estabeleceu a semana de trabalho de 40 horas e o salário mínimo nacional. Em 1938, o Partido Republicano ganhou cadeiras no Congresso e uniu-se aos democratas conservadores para bloquear novas leis do New Deal, algumas das quais foram declaradas inconstitucionais pela Suprema Corte. O New Deal produziu um realinhamento político, reorientando a base do Partido Democrata para a coalizão do New Deal, composta por sindicatos, operários, máquinas políticas das grandes cidades, minorias raciais (principalmente afro-americanos), sulistas brancos e intelectuais. Esse realinhamento cristalizou-se em uma poderosa coalizão liberal que dominou as eleições presidenciais até a década de 1960, enquanto uma coalizão conservadora opositora controlava amplamente o Congresso em assuntos internos a partir de 1939. Os historiadores ainda debatem a eficácia dos programas do New Deal, embora concorde que o pleno emprego só foi alcançado com o início da Guerra Mundial, em 1939.                           


            Em janeiro de 2020, a New Regency anunciou o desenvolvimento de um filme sem título escrito e dirigido por David O. Russell e estrelado por Christian Bale, com as filmagens previstas para começar em abril. Em fevereiro, Margot Robbie e Michael B. Jordan foram anunciados como protagonistas, mas este último desistiu antes do início da produção devido a conflitos de agenda. Jennifer Lawrence foi considerada para o papel de Robbie, enquanto Jamie Foxx foi considerado para o de Jordan. Em outubro, John David Washington foi escalado para substituir Jordan. O restante do elenco foi revelado entre janeiro e junho de 2021. Grande parte do elenco trabalhou por cachês mínimos, e Bale recebeu menos do que seus habituais US$ 5 milhões, enquanto Malek ganhou um salário de seis dígitos. As filmagens estavam originalmente programadas para começar em março de 2020 em Boston, com um orçamento de US$ 50 milhões foram transferidas para Los Angeles, Califórnia, depois que o elenco não quis viajar para Boston em meio à pandemia. As filmagens principais ocorreram ao longo de 49 dias, entre janeiro e março de 2021. A equipe incluiu o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (seu primeiro longa-metragem desde 2017), o editor Jay Cassidy e a compositora da trilha sonora Hildur Guðnadóttir. Em abril de 2022, na CinemaCon, o título foi revelado como Amsterdam.

Em agosto, foi revelado que Guðnadóttir havia deixado o cargo de compositora, sendo substituída por Daniel Pemberton. De acordo com Robbie, no último dia de filmagem, eles continuaram a produção após o término da permissão de filmagem, então a polícia teve que encerrar as filmagens. Hildur Guðnadóttir foi originalmente anunciada como compositora do filme em novembro de 2020, mas foi supostamente substituída por Daniel Pemberton em agosto de 2022. A trama acompanha três amigos, um médico, uma enfermeira e um advogado, que se reencontram e buscam desvendar o crime após o misterioso assassinato de um general norte-americano aposentado. Filmado em Los Angeles de janeiro a março de 2021, é o primeiro filme de Russell desde Joy (2015). Amsterdam estreou no Alice Tully Hall em 18 de setembro de 2022 e foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 7 de outubro pela 20th Century Studios. O filme recebeu críticas geralmente negativas, com críticas ao roteiro e à direção de Russell, bem como à “falta de química”, isto é, entre Robbie e Washington. Também foi um fracasso de bilheteria, com prejuízos estimados para o estúdio de mais de US$ 100 milhões.

A conspiração subjacente ao enredo do filme é vagamente baseada na Conspiração Empresarial, uma conspiração para depor o presidente Franklin D. Roosevelt em 1933. O personagem de De Niro, Gil Dillenbeck, é baseado no General Smedley Butler, que testemunhou perante o comitê McCormack-Dickstein em 1934 sobre a conspiração. O comício que ocorre no final do filme pode ter sido inspirado no documentário de 2017, Uma Noite no Jardim, que retrata um comício nazista de 1939 no Madison Square Garden. Embora o trio principal de personagens em Amsterdã seja fictício, o filme retrata com precisão aspectos do 369º Regimento de Infantaria, que lutou na França na Primeira Guerra Mundial e era composto por afro-americanos servindo sob o comando de oficiais predominantemente brancos. O filme também tem a Marcha de Bonificação de 1932 como um importante evento de fundo, e o discurso de Dillenbeck no evento é baseado em um discurso semelhante proferido por Butler. O filme foi apresentado em pré-estreia na CinemaCon de 2022 em 27 de abril de 2022. O trailer foi lançado em 6 de julho de 2022, com a música “I`d Love to Change the World”, de 1971, da banda Ten Years After. Uma versão editada do trailer foi exibida nos cinemas, revelando a data de lançamento do filme para 7 de outubro. Os pôsteres dos personagens foram lançados em 12 de setembro de 2022.A Disney e a Regency gastaram cerca de US$ 70 milhões em promoção global.

Amsterdam estreou no Alice Tully Hall, na cidade de Nova York, em 18 de setembro de 2022, e foi lançado nos Estados Unidos em 7 de outubro de 2022 pela 20th Century Studios. Originalmente, o lançamento estava previsto para 4 de novembro de 2022, mas foi antecipado para 7 de outubro para evitar o lançamento de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, outro filme lançado pela Walt Disney Studios Motion Pictures. Também foi exibido em IMAX; uma exibição especial, precedida por uma transmissão ao vivo de perguntas e respostas, ocorreu em cinemas IMAX em todo o país em 27 de setembro de 2022. Foi lançado em VOD em 11 de novembro de 2022 e em Blu-ray, DVD e 4K UHD em 6 de dezembro. Amsterdam arrecadou US$ 14,9 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 16,3 milhões em outros territórios, totalizando US$ 31,2 milhões em todo o mundo, contra um orçamento de produção de US$ 80 milhões. O Deadline Hollywood calculou que o filme deu um prejuízo de US$ 108,4 milhões ao estúdio, considerando todas as despesas e receitas. Nos Estados Unidos e no Canadá, Amsterdam foi lançado simultaneamente com Lyle, Lyle, Crocodile (2022) e inicialmente projetava-se arrecadar cerca de US$ 10 milhões em 3.005 cinemas em seu fim de semana de estreia, com algumas estimativas chegando a US$ 15 milhões. Depois de arrecadar US$ 2,6 milhões em seu primeiro dia, incluindo US$ 550.000 das pré-estreias de quinta-feira à noite, as expectativas foram reduzidas para US$ 7 milhões. O filme estreou com US$ 6,5 milhões, terminando em terceiro lugar. O Deadline Hollywood atribuiu o fraco desempenho à recepção da crítica, à duração de 134 minutos que afastou o público e à incerteza da Disney sobre como comercializar o filme devido ao seu estilo peculiar e enredo complexo. O filme arrecadou US$ 2,2 milhões em seu segundo fim de semana, uma queda de 55%, terminando em quinto lugar. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 31% das 261 críticas são positivas. O consenso do site diz: “Amsterdam tem um monte de estrelas famosas e um enredo muito movimentado, o que resulta em algo dolorosamente inferior à soma de suas partes deslumbrantes”. 

O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 48 em 100, com base em 52 críticas, indicando avaliações “mistas ou médias”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma escala de A+ a F, enquanto o público do PostTrak deu ao filme uma pontuação geral positiva de 72%. Em uma crítica positiva, Pete Hammond, do Deadline Hollywood, elogiou o roteiro “complexo”, os personagens “concebidos de forma única”, a cinematografia, o figurino, a produção e a trilha sonora. Dando ao filme quatro de cinco estrelas, James Mottram, do South China Morning Post, descreveu Amsterdam como “uma aventura ao estilo de Hal Ashby, repleta de efeitos especiais e com nuances políticas contemporâneas”. Scott Mendelson, da Forbes, descreveu-o como um “deleite repleto de estrelas”, com “valores de produção elevados” e um “elenco fantástico entregando um trabalho de primeira linha”. Chris Knight, escrevendo para o National Post, admirou o ritmo “acelerado” do filme, o roteiro “encantador” e o elenco de apoio. Brian Truitt, do USA Today, Ryan Swen, da Slate, e Oliver Jones, do The New York Observer, deram ao filme três de quatro estrelas. Descrevendo-o como um “mistério peculiar e divertido” e uma “viagem excêntrica e comovente”, o elogio de Truitt concentrou-se no elenco, especialmente na química “agradável ao público” entre Bale, Robbie e Washington. Swen elogiou o sentimento do filme e a narrativa “rica em detalhes”. Jones escreveu que o filme é “bastante estranho e desconcertante, mas se você permitir que sua energia intensa e persistente o envolva e absorver a alegria e a justa indignação que animam seu espírito generoso, o resultado final é decididamente emocionante e, em alguns momentos, até mesmo fascinante”. Vários críticos consideraram Amsterdam ambicioso demais e com um tom inconsistente. Peter Bradshaw, do The Guardian, deu ao filme três de cinco estrelas e elogiou seu humor, mas achou a história “exaustivamente maluca”.

 

Jeff Ewing, do Film, afirmou que Amsterdam “tem várias cenas encantadoras, um elenco de primeira linha impressionante e uma cinematografia impecável”, mas citou “tons extremamente oscilantes” e “artifícios de roteiro” como suas deficiências. Dando-lhe uma nota B−, Jordan Hoffman, do The AV Club, considerou o elenco “enérgico, divertido e agradável”, mas chamou o filme de “um clichê político ambicioso demais”. David Rooney, do The Hollywood Reporter, escreveu que Amsterdam é “vários filmes espremidos de forma deselegante em um só — uma comédia maluca, um thriller policial, uma homenagem sincera aos pactos de amor e amizade, uma lição de história antifascista com toques ficcionais”. Ele elogiou as atuações principais, a cinematografia, a produção e o figurino, mas considerou que o material se adequava mais a uma minissérie do que a um filme. Aurora Amidon, da Paste, elogiou a “cinematografia vibrante e sem firulas”, a edição “precisa” e as atuações “incríveis” do elenco, apesar da história “desconcertante”. Em sua crítica para a Screen International, Tim Grierson chamou o filme de “um mistério de assassinato superlotado” com uma história “complicada”, mas aplaudiu alguns aspectos — a “imprevisibilidade” da trama e a “ousadia indulgente” do filme. O crítico da Variety, Peter Debruge, classificou-o como uma “sátira social lindamente filmada”, porém “excessiva”, com ideias inteligentes mal executadas. Ian Freer, da Empire, afirmou que Amsterdam “não consegue ser mais do que a soma de suas partes ocasionalmente impressionantes”. Leah Greenblatt, escrevendo para a Entertainment Weekly, deu a Amsterdam uma nota C+ e o descreveu como um “mistério estranho e confuso” com uma história “agitada”, mas chamou a produção e o design de figurino de “impecáveis”.                

Algumas críticas foram muito severas. Atribuindo ao filme duas de cinco estrelas, Robbie Collin, do The Daily Telegraph, considerou o diálogo pouco impressionante e escreveu que o roteiro de Russell “torna a história muito difícil”. Descrevendo o enredo como uma “desordem desenfreada”, David Ehrlich, do IndieWire, classificou o filme com uma nota C−, devido ao seu valor de entretenimento “negligenciável”. Barry Hertz, do The Globe and Mail, escreveu: “Amsterdam quer tanto ser uma aventura leve com um significado profundo que acaba sendo prejudicada por um cansaço excessivo”. Mark Kennedy, da Associated Press, afirmou que o filme “busca algo contemporâneo para dizer sobre relações raciais, concentração de riqueza, veteranos e fascismo, mas acaba com um ruído arrastado e maneirista”.  Atribuindo classificação F, Chase Hutchinson do Collider criticou a edição “egrégia”, o diálogo “banal”, o tom “confuso” e a “falta de visão” geral. Em 1918, um homem chamado Burt Berendsen é enviado pelos pais de sua ex-esposa para lutar na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Enquanto está estacionado na França, Burt faz amizade com o soldado afro-americano Harold Woodman. Após sofrer ferimentos em batalha, Burt e Harold são cuidados pela enfermeira Valerie Bandenberg até se recuperarem. Após o fim da guerra, os três vivem juntos em Amsterdã. Burt retorna a Nova York para ficar com sua esposa. Harold inicia um relacionamento romântico com Valerie. Valerie, no entanto, acaba abandonando Harold, que também retorna a Nova York. Quinze anos depois, Burt abriu seu consultório médico, onde trata veteranos de guerra. Harold agora é advogado, e eles não têm notícias de Valerie desde que deixaram Amsterdã. Harold pede a Burt que faça uma autópsia em Bill Meekins (um senador que serviu como comandante do regimento deles durante a guerra) a pedido da filha de Meekins, Elizabeth, que acredita que ele foi assassinado na recente viagem à Europa.  

Com a ajuda da médica legista Irma St. Clair, Burt realiza a autópsia, que revela veneno no estômago de Meekins. Burt e Harold se encontram com Elizabeth para discutir os resultados da autópsia, mas ela é morta pouco depois quando um assassino de aluguel a empurra para o meio da rua. O assassino incrimina Burt e Harold pela morte dela, e eles fogem quando a polícia chega. Burt e Harold tentam descobrir quem disse a Elizabeth para contratá-los. Isso os leva ao rico herdeiro têxtil Tom Voze, sua esposa condescendente, Libby, e à irmã de Tom, Valerie (cujo verdadeiro sobrenome é Voze). Valerie persuadiu Elizabeth a contratá-los, sabendo que eles eram confiáveis. Valerie está sob constante vigilância de Tom e Libby, que alegam que ela sofre de uma doença nervosa e epilepsia. Na verdade, eles estavam envenenando Valerie para mantê-la submissa. Burt e Harold conversam com Tom, que sugere que falem com o General Gil Dillenbeck, um veterano notável e amigo de Meekins, para descobrir quem acompanhou Meekins na viagem (e que pode tê-lo envenenado ou ser capaz de levá-los até a pessoa que o fez). Enquanto Burt tenta contatar o general, Irma visita seu consultório médico. Ela conta que foi atacada e teve o pulso quebrado enquanto tentava entregar o laudo da autópsia, e que o agressor tomou o documento dela. Depois de colocar o pulso no lugar, Burt beija Irma. Harold e Valerie percebem que o assassino de aluguel, Tarim Milfax, está vigiando a casa. Eles o seguem até uma clínica de esterilização forçada pertencente a uma organização conhecida como “Comitê dos Cinco”. Após uma luta com Milfax, Harold e Valerie se reencontram com Burt. Valerie os leva ao Waldorf Astoria de Nova York. Lá, eles conhecem Paul Canterbury e Henry Norcross, benfeitores de Valerie vindos de Amsterdã. Eles são espiões infiltrados na comunidade de inteligência.

   

 O Comitê dos Cinco é uma conspiração nos EUA com ligações com a Alemanha e planeja derrubar o governo americano. Dillenbeck pode ajudar a frustrar o plano deles. O trio se encontra com Dillenbeck, que recebe uma grande quantia em dinheiro de um homem em nome de um benfeitor não identificado para proferir um discurso defendendo que os veteranos destituam à força o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, e instalem Dillenbeck como um ditador fantoche. Dillenbeck concorda em ajudar o trio a frustrar o plano e discursar em um jantar de gala de reencontro de veteranos organizado por Burt e Harold para desmascarar o responsável pela conspiração. No baile de gala, Dillenbeck lê seu discurso em vez do que havia sido pago para ler. Milfax tenta atirar nele, mas Harold, Valerie e Burt o impedem a tempo. Milfax é preso e o Comitê dos Cinco é revelado como sendo formado por quatro líderes da indústria, incluindo Tom. Eles pretendiam transformar os Estados Unidos em um país fascista. Tom e os outros líderes são presos pela polícia, mas não ficam muito tempo e, após serem libertados, expõem Dillenbeck à imprensa. 

Dillenbeck presta depoimento sobre o incidente ao Congresso. Harold e Valerie deixam o país, pois não podem ficar juntos nos Estados Unidos. Burt se despede deles, planejando reabrir seu consultório médico e retomar o relacionamento com Irma. David Owen Russell nascido em 20 de agosto de 1958, é um diretor, roteirista e produtor de cinema norte-americano. Ele recebeu inúmeros prêmios, incluindo dois BAFTA (British Academy Film Awards) e um Globo de Ouro, além de cinco indicações ao Oscar. Russell iniciou sua carreira dirigindo os filmes do chamado “humor negro” Spanking the Monkey (1994), Flirting with Disaster (1996), Three Kings (1999) e I Heart Huckabees (2004). Ele alcançou sucesso de crítica com o drama biográfico esportivo The Fighter (2010), a comédia romântica dramática Silver Linings Playbook (2012) e o filme de “humor negro policial” American Hustle (2013). Os três filmes foram sucessos comerciais e aclamados pela crítica cinematográfica, rendendo-lhe três indicações ao Oscar de Melhor Diretor, uma indicação a Melhor Roteiro Adaptado por Silver Linings Playbook e uma indicação a Melhor Roteiro Original por American Hustle. Russell recebeu sua sétima indicação ao Globo de Ouro pela comédia dramática semi-biográfica Joy (2015). Ele também dirigiu o thriller de mistério cômico Amsterdam (2022).

Ao longo de sua carreira, Russell gerou controvérsia por seu comportamento agressivo e abusivo com membros da equipe e atores em seus filmes. Incidentes envolvendo George Clooney, Lily Tomlin, Amy Adams, Christopher Nolan e Christian Bale foram documentados. David Owen Russell foi criado em Larchmont, Nova Iorque, em uma família de classe média alta. Seus pais trabalhavam para a Simon & Schuster; seu pai, Bernard, era o vice-presidente de vendas da empresa, e sua mãe, Maria, era secretária na empresa. Seu pai era de uma família judaico-russa e sua mãe era ítalo-americana de ascendência lucana, uma região histórica do Sul da Itália, nomeada em homenagem aos seus nativos lucanos, um povo osco. Seu avô paterno, um açougueiro do Upper West Side de Manhattan, perdeu muitos de seus parentes em “campos de concentração”. Quando tinha 13 anos, Russell fez seu primeiro filme para um projeto escolar e usou uma câmera Super 8 para filmar pessoas na cidade de Nova York. Ele frequentou a Mamaroneck High School, onde foi eleito “Rebelde da Turma”. Ele se apaixonou por cinema na adolescência (seus filmes favoritos incluíam Taxi Driver, 1976, Chinatown, 1974 e Shampoo, 1975), mas aspirava a ser escritor; Russell fundou um jornal no Ensino Médio e escreveu contos. Como seus pais trabalhavam no ramo editorial, ele cresceu em casa de livros. Em 1981 recebeu seu diploma de bacharelado pelo Amherst College, onde se formou em inglês e ciência política. Ele escreveu seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre a intervenção dos Estados Unidos no Chile de 1963 a 1973.

Russell foi casado com Janet Grillo, que era produtora da Fine Line Features de 1992 a 2007. Ele está com sua parceira, Holly Davis, desde 2007. Davis é figurinista. Russell tem dois filhos: um com Grillo e um filho adotivo com Davis. Ele reside em Santa Monica, Califórnia. Ele é um defensor do tratamento e apoio a doenças mentais e um apoiador ativo da pesquisa sobre autismo. Os esforços de Russell o levaram a ser nomeado a Peça Essencial do Quebra-Cabeça pela Autism Speaks no Light Up the Night Gala for Autism de 2015. Em 2013, Russell visitou Washington, DC, para se encontrar com o vice-presidente Joe Biden e a senadora Debbie Stabenow para discutir um novo projeto de lei sobre saúde mental. Em maio de 2014, Russell participou de um painel no Paley Center for the Media que discutiu projetos que trouxeram à tona os estigmas e o sofrimento associados às doenças mentais. Russell atua no conselho criativo da Represent.Us, uma organização anticorrupção não partidária. Em dezembro de 2011, Nicole Peloquin, “sobrinha transgênero de Russell, de 19 anos, apresentou uma queixa à polícia alegando que Russell a havia agredido sexualmente”. O caso foi arquivado sem que nenhuma acusação fosse formalizada, pois a suposta agressão não teve testemunhas.

De acordo com o boletim de ocorrência, Russell se ofereceu para ajudar Peloquin com “exercícios abdominais”, durante os quais sua mão pairou sobre seus genitais. Depois de perguntar sobre os hormônios que ela usava para aumentar o tamanho dos seios, Russell “deslizou as mãos por baixo de sua blusa e apalpou ambos os seios”. Russell confirmou que o incidente aconteceu, mas disse à polícia que Peloquin estava “agindo de forma muito provocativa com ele” e o convidou a tocar em seus seios. Ele também admitiu estar “curioso sobre o aumento de mama”. Este incidente também foi mencionado diretamente no extraordinário efeito de poder em torno do ataque hacker à Sony Pictures em 2014. Ao longo de sua carreira, Russell desenvolveu uma reputação de ser combativo e abusivo com a equipe e os atores em seus filmes, incluindo George Clooney, Lily Tomlin e Amy Adams. Sua reputação se estende para fora do set, já que Russell agrediu fisicamente Christopher Nolan em 2003 em uma festa em Hollywood, onde colocou Nolan em uma chave de braço. Durante as filmagens de Três Reis (1999), espalhou-se a notícia de que Russell e George Clooney quase chegaram às vias de fato no set. Em uma entrevista de 2000, Clooney descreveu seu confronto com Russell após as tensões no set terem aumentado constantemente. Segundo Clooney, Russell estava humilhando a equipe verbal e fisicamente. Clooney achou isso inaceitável e disse a Russell: “David, é um dia importante. Mas você não pode empurrar, agredir ou humilhar pessoas que não têm permissão para se defender”.                      

Depois disso, o confronto se intensificou quando, de acordo com Sharon Waxman em seu livro Rebels on the Backlot (2001), Russell chegou a dar uma cabeçada em Clooney e Clooney agarrou Russell pelo pescoço. Clooney disse que Russell acabou se desculpando e as filmagens continuaram, mas Clooney descreveu a experiência como “verdadeiramente, sem exceção, a pior experiência da minha vida”. Quando perguntado se trabalharia com Russell novamente, Clooney respondeu: “A vida é muito curta”. No início de 2012, Clooney indicou que ele e Russell haviam reatado o relacionamento, dizendo: “Fizemos um filme realmente ótimo e passamos por momentos muito difíceis juntos, mas é uma questão de ambos estarmos envelhecendo. Eu realmente aprecio o trabalho que ele continua fazendo e acho que ele aprecia o que estou tentando fazer”. No entanto, em uma entrevista recentemente Clooney descartou trabalhar com Russell novamente. Russell teve conflitos com Lily Tomlin durante as filmagens de I Heart Huckabees e, em março de 2007, dois vídeos foram vazados no YouTube retratando discussões no set entre Russell e Tomlin, nas quais, entre outras coisas, ele a chamou de nomes sexistas. O comportamento de Russell foi relatado pela primeira vez em um artigo de 2004 do The New York Times por Sharon Waxman, no qual ela o descreve chamando Tomlin de “o termo mais grosseiro imaginável, na frente dos atores e da equipe”. Além disso, Waxman descreve Russell saindo do set furioso e voltando repetidamente, gritando sem parar, o que é corroborado pelos vídeos vazados.

No set, os atores às vezes chegavam ao limite da paciência após horas de filmagens. Depois, Tomlin comentou que ela e Russell estavam “bem”, dizendo: “Prefiro alguém humano, disponível, autêntico e aberto. Não me dê alguém frio, distante ou que se considere digno”. Em uma entrevista concedida à Movieline em 2011, Tomlin foi questionada sobre o incidente e respondeu: Às vezes acontece, mas David é uma pessoa muito volúvel, e isso é parte do motivo pelo qual ele é tão brilhante. Ele quase reflete o filme. Fiz dois filmes com ele, e “I Heart Huckabees” foi tão louco, tão caótico, que acho que ele meio que incorpora intuitivamente tudo o que está tentando fazer acontecer. Era uma loucura total. Estávamos sempre fazendo alguma coisa, e aí ficávamos maníacos e malucos, e eu simplesmente surtava com ele. Aí ele surtava comigo. E sabe, essas coisas acontecem. Mas não é nada demais. É como família. Se você tem uma briga feia na família, geralmente é assim que se lida no set. A gente não quer se comportar mal; acredite, é constrangedor. É humilhante, sabe? Porque você simplesmente perde a cabeça. Você age como um louco. Mas eu adoro o David. Eu o adoro como talento. Muitos dos meus amigos disseram: “Bom, você não vai trabalhar com ele de novo”. Eu disse: “Claro que sim! Eu o adoro, eu o amo. Ele é brilhante”. Durante o Gotham Awards de 2012, o apresentador Mike Birbiglia zombou de Russell lendo uma transcrição da discussão de Russell com Lily Tomlin. 

O evento, especificamente a piada e o que aconteceu em torno dela, mais tarde formou uma grande parte do programa de Birbiglia, Thank God for Jokes. Segundo o Salon, no vazamento de informações da Sony Pictures Entertainment, foi revelado que Russell tornou a vida de Amy Adams “um inferno” durante a produção de American Hustle, e Christian Bale chegou a intervir. O Salon relatou que, em um e-mail para o chefe da Sony, Michael Lynton, o jornalista Jonathan Alter disse: “Ele agarrou um cara pela gola, xingou pessoas repetidamente na frente de outras e abusou tanto de Amy Adams que Christian Bale o confrontou e disse para ele parar de agir como um idiota”. Adams confirmou a história em uma entrevista à GQ (Gentlemen`s Quarterly) britânica em 2016, afirmando: “Ele foi duro comigo, com certeza. Foi muita coisa... Eu fiquei realmente devastada no set”. Ela também acrescentou que não gostaria de trabalhar com Russell novamente. Adams também explicou: “Jennifer [Lawrence] não leva nada disso na esportiva. Ela é Teflon. E eu não sou Teflon. Mas também não gosto de ver outras pessoas sendo maltratadas. Não acho certo”. Em março de 2024, de acordo com um boletim informativo publicado pela Puck, na festa do Oscar da Chanel, Russell deu um soco no estômago do executivo da Sony, Sanford Panitch, depois que este tropeçou acidentalmente na perna de Russell. Segundo uma reportagem do TMZ, em maio de 2025, atores e membros da equipe no set de Madden abandonaram as filmagens depois que Russell supostamente usou um termo racista e também o uso do termo no diálogo do roteiro. Russell também teria ficado irritado com a objeção de um ator em participar de uma cena que envolvia nudez. De acordo com o TMZ, organização de notícias tabloides centrada em entretenimento das Fox Corporation, fontes próximas à Amazon MGM Studios contestaram a reportagem.

Bibliografia Geral Consultada.

LEBER, George, História da Ordem da AHEPA 1922-1972. Washington, DC: Ordem da AHEPA, 1972; SENNETT, Richard, O Declínio do Homem Público: As Tiranias da Intimidade. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1988; BOWMAN, Scott, The Modern Corporation and American Political Thought Law, Power and Ideology. University Park: Pennsylvania States University Press, 1996; CUNHA, Paulo Roberto Ferreira da, American Way of Life: Representação e Consumo de um Estilo de Vida Modelar no Cinema Norte-americano dos Anos 1950. Tese de Doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo. São Paulo: Escola Superior de Propaganda e Marketing, 2017; GALUPPO, Mia, “Michael B. Jordan se junta a Margot Robbie em drama de David O. Russell (Exclusivo)”. In: The Hollywood Reporter, 12 de fevereiro de 2020; N`DUKA, Amanda, “Margot Robbie vai coestrelar com Christian Bale em novo filme de época de David O. Russell”. In: Deadline Hollywood, 11 de fevereiro de 2020; BRENT; Donnelly, MATT; Rubin, Rebecca, “Amsterdam”, de David O. Russell, com um elenco estelar, sobreviverá às críticas negativas e à má repercussão?". In: Variety, 28 de setembro de 2022; ZEMLER, Emily, “Como um novo filme repleto de estrelas encobre o fascismo americano”. In: Los Angeles Times, 11 de outubro de 2022; HAMMOND, Pete, “Crítica de Amsterdam: Christian Bale e um elenco estelar brilham na oportuna mistura de realidade e ficção de David O. Russell”. In: Deadline Hollywood, 28 de setembro de 2022; MOTTRAM, James, “Amsterdã: Christian Bale lidera comédia-thriller repleta de estrelas”. In: South China Morning Post, 30 de setembro de 2022; KNIGHT, Chris “Crítica de cinema: Amsterdam é um filme agitado, e isso não é ruim”. In: National Post, 4 de outubro de 2022; TRUITT, Brian, “Crítica: Christian Bale e Margot Robbie levam um elenco estelar ao vibrante Amsterdam”. In: USA Today, 4 de outubro de 2022; SWEN, Ryan, “Crítica de Amsterdam: Um romance picaresco sobre o enfrentamento do fascismo”. In: Slant Magazine, 4 de outubro de 2022; JONES, Oliver, “Amsterdam, de David O. Russell, é exagerado, frenético e fascinante”. In: The New York Observer, 4 de outubro de 2022; AMIDON, Aurora, “Um elenco soberbo não consegue salvar a bagunça de Amsterdã”. In: Paste, 3 de outubro de 2022; entre outros.

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