BRIDGSTOCK, Martin, “A Sociological Approach to Fraud in Science”. In: Australian and New Zealand Journal of Sociology, 18 (1982), pp. 364-383; TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro, Tempos Enredados: Teias da Condição de Professor. Tese de Doutorado. Faculdade de Educação. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 1998; BRASIL JR., Antonio da Silveira, Uma Sociologia Brasileira da Ação Coletiva. Oliveira Vianna e Evaristo de Moraes Filho. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007; LOBOSQUE, Ana Marta, A Vontade Livre em Nietzsche. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2010; FONSECA, Ana Carolina da Costa e, Uma Leitura Nietzscheana da Questão da Responsabilidade Moral. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Porto Alegre: Universidade Federa do Rio Grande do Sul, 2010; SANTOS, Leandro dos, “Um Mapeamento das Aproximações entre Weber e Nietzsche”. In: Plural. Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo. Volume 21, janeiro de 2014, pp. 139-156; MARTELLO, Dionei José, Friedrich Nietzsche e a Educação: Crítica à Metafísica e a Formação do Homem Superior. Dissertação de Mestrado em Educação. Passo Fundo: Universidade de Passo Fundo, 2015; SOARES, Daniel Quaresma Figueira, Nietzsche e a Autosupressão da Filosofia da Vontade: Uma Interpretação sobre o Papel da Recepção de Schopenhauer no Percurso da Obra Nietzschiana. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Departamento de Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; BARRERA, Tathyana Gouvêa da Silva, O Movimento Brasileiro de Renovação Educacional no Início do Século XXI. Tese de Doutorado em Educação. Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016; LIMA, Silvia Cristina Fernandes, Educação como Experimentação de Si: Uma Reflexão à Luz do Pensamento de Nietzsche. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2017; SOUZA, Kaline Viviane de, Sobre a Extemporaneidade da Genealogia: Crítica e Apropriação do Sentido Histórico da Filosofia de Nietzsche. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Departamento de Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019; entre outros..
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Rotinização de Cargos - Leniência & Dedicação Exclusiva no Brasil.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Alexanderplatz - Narrativas, Mercado & Vidas Nuas em Berlim.
Também houve quem fugisse agilmente de trem, ou simplesmente confiasse em documentos falsificados e veículos preparados para esconder pessoas, obtidos graças à ajuda solidária de grupos da RFA que se dedicavam a organizar politicamente a fuga de alemães do Leste. Historicamente era uma feira de gado, que recebeu seu nome em homenagem de visita à Berlim pelo czar Alexandre I da Rússia em 25 de outubro de 1805. O termo praça remete à palavra platea, ou, alargamento. Os gregos a chamavam ágora, enquanto função comunicativa de conhecimento e das decisões políticas. Comparativamente, na sociedade romana, as praças eram chamadas de Fórum e, também rememorando como as cidades representavam a união de vários povos, e nesses lugares foram usados para assembleias, disputas atléticas e gladiadoras. Alexanderplatz ganhou projeção em fins do século XIX com a construção da estação e do mercado público, tornando-se um centro comercial. Sua plenitude ocorreu em 1920 (cf. Blikstein, 2003) com a Potsdamer Platz, antigo centro de Berlim é uma zona (zone) concentrando o maior número de moradias como práticas de lugares da cidade.
![]() |
| Günter Grass, na sua biblioteca ao norte da Alemanha, em 24 de outubro de 1997. |
Bibliografia geral consultada:
domingo, 9 de junho de 2019
Uso da Tornozeleira: Vigilância & Ilações Políticas no Brasil.
A
National Security Agency representa a agência de segurança dos Estados
Unidos da América, criada em 4 de novembro de 1952 com funções relacionadas à
“inteligência de sinais”, incluindo interceptação e criptoanálise. Também é um
dos órgãos estadunidenses dedicados a proteger as comunicações sociais
norte-americanas. A NSA é parte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Durante algum tempo após sua criação era tão secreta que o governo
tergiversava; negava sua existência. Em 1982, após vários anos de pesquisas e
coleta de informações, o jornalista James Bamford, especialista na história da
NSA e no sistema global de vigilância, publicou o livro: The Puzzle Palace:
Inside America`s Most Secret Intelligence Organization (2009) no qual revelou
fontes e documentou pela primeira vez a existência da Agência de Segurança
Nacional (NSA). Até então, as atividades da agência e mesmo a existência da
agência eram negadas ideologicamente pelo governo norte-americano. Na época do
globalismo, crescentemente dinamizado pelas tecnologias eletrônicas,
informáticas e cibernéticas, a política se desterritorializa. Realiza-se
principalmente na mídia impressa e eletrônica, compreendendo o marketing, o
videoclipe, o predomínio da imagem, da multimídia, do espetáculo audiovisual. É
um mundo sistêmico de Auguste Comte.
Em 5 de junho de 2013, o jornalista
americano Glenn Greenwald, através do The Guardian e juntamente com vários
outros jornais incluindo o The New York Times, The Washington Post, Der
Spiegel, iniciou a publicação das revelações da vigilância global
norte-americana que inclui inúmeros programas de vigilância eletrônica ao redor
do mundo, executados pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Um dos
primeiros programas revelados foi o programa de vigilância chamado PRISM. Os
programas de vigilância que vieram as claras através dos documentos fornecidos
por Edward Joseph Snowden, técnico em redes de computação que nos últimos
quatro anos trabalharam em programas da NSA entre 54 mil funcionários de
empresas privadas subcontratadas - como a Booz Allen Hamilton e a Dell
Corporation. Os documentos revelados demonstram a existência de inúmeros
programas visando a captação de dados, e-mails, ligações telefônicas e qualquer
tipo de comunicação social entre cidadãos a nível mundial. Em verdade o
programa de vigilância é um dos programas do sistema de vigilância global da
NSA que foi mantido secreto desde 2007 e até sua revelação na imprensa em 7 de
junho de 2013. Sua existência veio a público por meio de publicações feitas
pelo The Guardian, com base em
documentos fornecidos por Edward Snowden. Os documentos fazem parte de uma
apresentação em Power Point datada de abril de 2013 e composta de 41 slides,
descrevendo as capacidades do programa. Ela aparentemente se destina ao
treinamento de funcionários dos serviços de inteligência das agências
participantes do programa.
O que os slides da apresentação sobre o programa de vigilância preparado pela NSA, do ponto de vista disciplinar e de seleção de usuários demonstram, “é que o programa PRISM permite aos funcionários da NSA, coletar os vários tipos de dados dos usuários, que estão em poder de serviços de Internet, incluindo histórico de pesquisas, conteúdo de e-mails, transferências de arquivos, vídeos, fotos, chamadas de voz e vídeo, detalhes de redes sociais, logins e quaisquer outros dados em poder das empresas de Internet”. Este é o contexto político em que florescem paradigmas tecnológicos como se a modernidade estivesse sendo substituída pela pós-modernidade. O descrédito da razão comprometida com a explicação do “por que” e “como” dos fatos tem levado à busca da razão comprometida com a compreensão dos signos. Em lugar das abrangências e dos movimentos, as singularidades e as situações. Em vez de tensões, antagonismos ou antinomias, as identidades, consensos ou complementaridades. Quando se trata de descontinuidades, são inocentes de contradições. Um aspecto da controvérsia sobre dialética e positivismo, envolvendo indução qualitativa e indução quantitativa, já era evidente na década de 1930. Em artigo publicado em 1932, sobre a sociologia norte-americana, o sociólogo Karl Mannheim, já alertava os seus leitores sobre as limitações que o “ascetismo metodológico”, ou “complexo de exatidão”, podia representar para o desenvolvimento das ciências sociais que, fundamentalmente indutivas, sujeito e objeto estão reciprocamente referidos, comprometidos. Mais do que isso, o sujeito pode ser coletivo, pois a sociedade, em Marx é o próprio objeto.
Nessas
ciências o processo de conhecimento precisa conhecer o tempo todo que o sujeito
e o objeto se conhecem, se reconhecem, mas se constituem em movimento, devir,
atravessados por diversidades, desigualdades, antagonismos. Pensam-se e
imaginam-se, agem e fabulam, formulam alvos e inventam utopias. Nas ciências
sociais as relações entre teoria e realidade não são inocentes, como ordem
vigente e devir, há sempre cumplicidade. O plano de ação era fazer contato de
forma anônima com jornalistas interessados nas liberdades civis. Jornalistas
cujas credenciais e integridade não pudessem ser postas em dúvida. E vazar para
eles documentos ultrassecretos subtraídos. Documentos que mostrassem evidências
da ilegalidade da NSA, que provassem que a agência conduzia programas que
violavam a Constituição dos EUA, discutida e aprovada pela Convenção
Constitucional de Filadélfia no estado da Pensilvânia, entre 25 de maio e 17 de
setembro de 1787. Ipso facto, naquele ano, os Estados Unidos aprovaram a sua
primeira e, até hoje, como se referem com orgulho, única Constituição. Para
corroborar suas afirmações sobre a NSA a um quarto poder cético, Snowden
percebeu que precisaria não apenas de provas documentais. Mas a combinação da
astúcia com a expressão ideológica da propaganda e uma jogada de sorte
extraordinária. O novo posto de Snowden era administrador de sistemas da NSA, o
que lhe rendeu acesso a uma miríade de material secreto. Lindsay Mills,
namorada de Snowden juntou-se a ele na ilha de Oahu.
Lindsay tem raízes em Maryland
tanto quanto Snowden. Ela se graduou no Laurel High School no Estado de
Maryland, em 2003, e no Maryland Institute College of Art, em 2007, segundo o
jornal The Washington Post. Vale lembrar que Snowden se mudou para Maryland com
a família nos anos 1990. No documentário “Citizenfour” o analista revelou aos
cineastas que sentiu que poderia proteger a namorada e a família, contra a
inteligência norte-americana “se ele não os envolvesse nos planos”. Em vez de
revelar sua ideia a ela que teria que se afastar por conta do trabalho. - “Essa
não é uma ocorrência incomum para alguém que gastou a última década trabalhando
no mundo da Inteligência”, afirmou Snowden ao jornal The Guardian. A ilha é
totalmente ocupada pelo Condado de Honolulu, na capital e maior cidade do
Havaí, ao sul da ilha. Lindsay Mills
cresceu em Baltimore, graduou-se no Maryland Institute College of Art e tinha
namorado com Snowden no Japão. Ambos alugaram uma boa casa na 94-1044 Eleu
Street, um bairro arborizado e calmo em Waipahu a 25 km a oeste de Honolulu.
Naquela conjuntura para aumentar a
capacidade de inteligência, os espiões repreendidos construíram um vasto
complexo de túneis, chamado de “O buraco”, bem no meio de Oahu. Originalmente
concebido como uma fábrica de montagem e depósito de aeronaves, ele foi
transformado em um salão para produção de gráficos, mapas e modelos das ilhas
japonesas, preparando as forças armadas norte-americanas para a invasão. Depois
da guerra, lembra Harding (2014), tornou-se um centro de comando da Marinha e
foi reforçado para resistir a ataques químicos e biológicos radioativos. Ele é
reconhecido como Centro de Operações de Segurança Regional de Kunia
(RSOC) e hospeda a US Cryptological System Group, uma agência composta por
especialistas de cada ramo das Forças Armadas, bem como terceirizados civis.
Mais tarde, as instalações foram apelidadas de “O Túnel” e tinha dois
principais alvos de espionagem: a República Popular da China e a Coreia do
Norte, seu “satélite”. A missão da NSA no Pacífico era a de manter um olhar
atento na Marinha chinesa, suas fragatas, navios de apoio e destroieres, assim
como nas tropas e recursos militares do Exército de Libertação Popular
(ELP). Além das redes de computadores do ELP. Se penetradas, seria uma rica
fonte de dados. A esta altura, Snowden era um “especialista” em China. Dentro
do “Túnel”, ele usava um capuz com uma paródia do logotipo da NSA. Em vez de
uma chave nas garras de uma águia, estampava um par de fones de ouvido de
espionagem. Seus colegas acreditavam que o agasalho, vendido pela Eletronic
Frontier Foundation representava uma piada.
Havia
outros indícios de uma personalidade não conformista. Snowden mantinha uma
cópia da Constituição norte-americana em sua mesa. Ele recorria quando
argumentava contra as atividades da NSA que acreditava ser inconstitucionais.
Vagava pelos corredores carregando um cubo mágico. Também mostrava se importar
com seus colegas, deixando pequenos presentes em suas mesas. Ele quase perdeu o
emprego defendendo um colega de trabalho que estava sendo recriminado. O RSOC
onde Snowden trabalhou é apenas uma das várias instalações na área. Da estrada
é quase invisível, já que o complexo se situa atrás de árvores e de uma cerca
de metal de três metros de altura com arame farpado. Apenas uma placa pequena e
genérica, mas precisa na segurança – “Propriedade do Governo. Não ultrapasse”.
Retirar material secreto dali de dentro seria uma tarefa de alto risco. Seriam
necessários “nervos de aço”. Como na Suíça o Snowden do Havaí é um homem com
uma máscara.
Edward
Snowden se manteve distante durante os 13 meses que passou no Havaí. Ele era
reservado por natureza, mas tinha uma razão especial para sê-lo. Se tudo desse
certo, seu vazamento de dados seria o mais significativo desde os Papéis do
Pentágono e eclipsaria a divulgação de telegramas diplomáticos dos EUA e
registros de guerra ocorrida em 2010 por Chelsea Manning (ex-Bradley) um
soldado insatisfeito do Exército dos Estados Unidos. Ele revelaria a verdade
sobre a vigilância em massa, não apenas de milhões de norte-americanos, mas do
mundo inteiro. Contudo, ainda era um grande “se”. Uma palavra descuidada, um
pedido de trabalho incomum, um pen-drive fora do devido lugar, qualquer deslize
de sua parte poderia suscitar questões, como consequências potencialmente
catastróficas. Se descobrissem seu segredo, ele provavelmente seria julgado sem
alarde, condenado e preso por décadas, um geek anônimo que tentou e não
conseguiu subtrair dados de seus empregadores. Jocosamente, seus amigos o
comparavam a Edward Cullen, o vampiro interpretado por Robert Pattinson na saga
Crepúsculo que, escrita por Stephenie Meyer, já vendeu mais de 55 milhões de
exemplares dos quatro volumes literários. Snowden era pálido, enigmático,
solene e raramente visto de dia. Quase nunca aparecia em encontros
sociais.
Edward Snowden não foi a primeira pessoa de dentro da NSA a se desiludir com o que descobriu por lá e com a obscura trajetória da política de segurança dos EUA depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro. Ele tinha visto de perto o caso de Thomas Drake. Veterano da Força Aérea e da Marinha dos EUA era um executivo da NSA. Depois dos ataques terroristas em 2001, tornou-se descontente com os programas secretos de combate ao terrorismo, em especial com uma ferramenta de coleta de inteligência chamada Trail-Blazer. Drake compreendeu que ela violava a quarta emenda constitucional contra buscas e apreensões arbitrárias. Ipso facto decidiu levantar seus questionamentos através de todos os canais corretos. Queixou-se a seus chefes na NSA. Seguindo um passo a passo preestabelecido para denunciantes, também testemunhou junto ao inspetor-geral da NSA, ao Pentágono e diante de comissões congressionais de supervisão da Câmara e do Senado. Frustrado, foi ao Baltimore Sun. Esta abordagem ingênua e positivista não funcionou. Em 2007, o FBI invadiu sua casa. Drake foi condenado a 35 anos de prisão. Este sentimento atinge com mais força as pessoas que possuem uma espécie de “delírio de grandeza”. Após 4 anos de ansiedade, o governo retirou as queixas, com Drake se declarando “culpado de uma contravenção menor”. A maneira punitiva como as autoridades perseguiram Thomas Drake convenceu Snowden, acima de tudo, que não fazia o menor sentido trilhar o mesmo caminho. Ele tinha conhecimento de outros que haviam sofrido punição em circunstâncias similares.
Em dezembro de 2012, ele havia se convencido de que precisava contatar jornalista. Questionado sobre o momento em que decidiu falar, Snowden afirmou: - “Imagino que a experiência de cada um é diferente, mas para mim não houve um único momento. Estava vendo toda uma ladainha interminável de mentiras dos altos funcionários do Congresso – e, portanto, para o povo americano – e fui compelido a agir ao perceber que o Congresso, especificamente a Gangue dos Oito, apoiava inteiramente as mentiras. Ver alguém na posição de James Clapper – diretor da inteligência nacional – descaradamente mentindo para o público sem a devida repercussão é a evidência de uma democracia subvertida. O consentimento dos governados não existe se eles não foram informados” (cf. Harding, 2014: 46-47). Em março de 2013, Clapper disse ao comitê de inteligência do Senado que o governo dos EUA coletava dados sobre milhões de americanos “não intencionalmente”. A afirmação era falsa, como revelaria Snowden, e o próprio Clapper mais tarde admitiria. Esse, talvez, também tenha sido um crime. Até o final de janeiro de 2013, Snowden tentou outro jeito de chegar a ele. Enviou um e-mail para Laura Poitras. Esperava abrir um canal de comunicação social – anônimo – com a documentarista, que era amiga e colaboradora próxima de Greenwald. Poitras era outra crítica fervorosa do estado de segurança dos EUA – e uma das vítimas mais proeminentes. Por quase uma década, Poitras trabalhou em uma trilogia de longas-metragens sobre os EUA após os atentados de 11 de Setembro. O primeiro filme, “My Country, My Country” (2006), é aclamado do Iraque, após a invasão norte-americana, narrado através da história de um médico sunita que foi candidato, em 2005, nas eleições da era pós-Saddam Hussein.
![]() |
Cavalo com tornozeleira no Paraná.
|
O filme seguinte de Poitras, The Oath (2010), foi rodado no
Iêmen e na baía de Guantánamo. Ele apresenta dois homens do Iêmen que são
varridos pelo presidente George W. Bush, que declarou “guerra ao terror” como
parte da estratégia “global” de combate ao terrorismo. Um deles, Salim Hamdan,
era acusado de ser motorista de Osama bin Laden e foi detido em Guantánamo, o
outro, cunhado de Hamdan, havia sido guarda-costas de Bin Laden. Através deles,
Poitras criou uma crítica analítica poderosa dos anos sombrios de Bush-Cheney.
Em contrapartida vem o ressentimento norte-americano. A reação dos funcionários
públicos foi espantosa. Durante seis anos, entre 2006 e 2012, os agentes do
Departamento de Segurança de Estado detinham Poitras toda vez que ela entrava
nos Estados Unidos da América. Determinada vez, em 2011, quando foi interpelada
no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, ela se recusou a
responder às perguntas sobre seu trabalho como documentarista, citando a
primeira emenda da Constituição. O agente federal lhe disse: - “Se não
responder às nossas perguntas, vamos encontrar as respostas em seus
equipamentos eletrônicos”. Em resposta ao assédio, Poitras adotou novas
estratégias. Tornou-se especialista em criptografia. Aprendeu a proteger as
fontes de dados de seu material e as informações delicadas. Ela compreendeu o
motivo e o conteúdo de sentido pelo qual peremptoriamente era tão importante,
devido às capacidades onipresentes da NSA. Não viajava mais com equipamento
eletrônico. Laura Poitras decidiu editar seu filme seguinte em Berlim.
Vale lembrar que Snowden era um dos
cerca de mil SysAdmin, o responsável pela manutenção, configuração e
implementação de sistemas da NSA que tinham acesso a muitas partes deste
sistema. Outros usuários, mesmo com autorização de uso ultrassecreta, não eram
autorizados a ver todos os arquivos confidenciais. Ele era, nas palavras de uma
fonte de inteligência, um “usuário fantasma”, capaz de assombrar os locais
sagrados da agência. Também pode ter usado seu status de administrador para
persuadir outros a confiar a ele seus detalhes de login. Confiante, o
Government Communications Headquarters (GCHQ) compartilha seu material
britânico ultrassecreto em aliança política com a NSA, o que o torna disponível
para uma legião de trabalhadores terceirizados externos. Isso significava que
Snowden também tinha acesso a segredos britânicos, através da GCWiki intranet
paralela do GCHQ. Apesar de não sabermos exatamente como ele coletou o material
parece que Snowden baixou os documentos da NSA de modo tradicional através de
um pen-drive. Método parecido ao que foi usado por Manning, que baixou e enviou
para a WikiLeaks 250 mil telegramas diplomáticos norte-americanos em um CD
escrito “Lady Gaga”, enquanto trabalhava na estação de campo fora de Bagdá. Pen-drives
são proibidos à maioria dos funcionários.
Mas um “sysadmin” pode argumentar que estava consertando um perfil de usuário corrompido e precisava de um backup. O pen-drive pode mediar o sistema e a net regular isoladamente. Aparentemente, Snowden sabia que era provável que suas ações resultassem em sua ida para a prisão. Alertou: - “Vocês precisam administrar suas expectativas. Em determinada altura, eu não estarei acessível”. Uma vez que um relacionamento de confiança havia sido estabelecido, Poitras disse à fonte que gostaria de entrevista-lo. Ela disse a Snowden que precisava articular o “motivo” para estar assumindo esse risco. Isso era importante. Snowden não havia pensado em dar uma entrevista. Mas era uma boa ideia: seu objetivo era levar os documentos ao mundo. Tivera a visão do vazamento desses documentos há quatro anos, segundo disse. Em determinado momento, havia pensado em entrega-los a Assangue. Acabou rejeitando a ideia. O wibesite do WikiLeaks estava “fora do ar” e também Assangue estava sob vigilância, preso numa embaixada estrangeira. Mesmo com as habilidades de segurança de Assangue, Snowden sabia que seria difícil chegar até ele. Nesta démarche até o final da primavera de 2013, a ideia de um encontro conclusivo estava no ar. – “Preciso de seis a oito semanas para me preparar para fazer isso”. O que exatamente significava “isso” provocadoramente incerto. Potras regressou a Berlim. Greenwald voltou ao Rio de Janeiro. Ela sabia que se acionasse Snowden alertaria a National Security Agency.














