quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Don Juan DeMarco – Depressão & Insígnias de Sociologia do Amor.

 

Não posso lhe dar a verdade. A verdade está dentro de cada um”. Don Juan DeMarco

       Don Juan é um personagem arquetípico da literatura espanhola e que detém uma ampla descendência literária no continente europeu. Foi criado por Tirso de Molina, pseudônimo de Fray Gabriel Téllez (1579-1648) um religioso espanhol que se destacou como dramaturgo, poeta e narrador do Barroco. Reconhecido pelo seu contributo ao mundo do teatro, a sua dramatologia abrange principalmente a comédia, como “Don Gil de las calzas verdes”, e obras hagiográficas, caso da trilogia “La Santa Juana” ou “La Dama del Olivar”. É atribuído tradicionalmente, como o criador do mito de Don Juan na obra El Burlador de Sevilla o El Convidado de Piedra, provavelmente escrita em 1617 com a obra “Tan largo me lo fiais”. Ambas editadas no século XVII, mas em nome de Pedro Calderón de la Barca. Tirso de Molina foi o primeiro autor a dar profundidade psicológica aos personagens femininos, que se tornaram protagonistas das suas obras.  Foi um discípulo fervoroso de Lope de Vega y Carpio (1562-1635), dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta, sendo um dos maiores nomes do teatro espanhol no século XVII. Defendeu a vida inteira a concepção do teatro lopista. Era um menino prodígio: com cinco anos lia em castelhano e latim, com dez anos fazia traduções para o espanhol, e com 12 anos escreveu sua primeira peça de teatro. Com 14 anos, começou a estudar com os jesuítas e entrou para o serviço do bispo D. Jerônimo Manrique (1476-1538), cardeal espanhol, arcebispo de Sevilha e Inquisidor-geral que lhe proporcionou sólida formação.

 Ipso facto, levou-o consigo a Alcalá de Henares, onde estudou na Universidade de Salamanca (1580-1582), serviu na Invencível Armada (1588), ou “the Invincible Fleet”, com certo tom irônico, pelos ingleses no século XVI, foi uma esquadra reunida pelo rei Filipe II de Espanha em 1588 para invadir a Inglaterra, enviada contra a Inglaterra e sobrevivendo à derrota começou a escrever as suas famosas deramas (1588).  A Batalha Naval de Gravelines foi o maior combate da não declarada Guerra Anglo-Espanhola e a tentativa de Filipe II de neutralizar a influência inglesa sobre a política dos Países Baixos Espanhóis e reafirmar hegemonia na guerra nos mares. A armada era composta por 130 navios bem artilhados, tripulados por 8 000 marinheiros, transportando 18 000 soldados e estava destinada a embarcar mais um exército de 30 000 infantes. No comando, o Duque de Medina-Sidônia seguia num galeão português, o São Martinho. No combate no Canal da Mancha, os ingleses impediram o embarque das tropas em terra, frustraram os planos de invasão e obrigaram a Armada a regressar contornando as Ilhas Britânicas. Na viagem de volta, devido às tempestades, cerca de metade dos navios se perdeu. O episódio da armada representou uma grave derrota política e estratégica para a coroa espanhola e teve, em contrapartida, grande impacto social e político positivo para a formação da identidade nacional inglesa.

Foi secretário do Duque de Alba (1590) e mudou-se para Toledo e depois para Alba de Tormes. Após escrever sua primeira obra de sucesso, o romance “La Arcadia” (1598), voltou a Madrid decidido à literatura, mas secretário do Duque de Sessa (1605). Autor consagrado, estabeleceu-se definitivamente em Madrid, mas com a morte da esposa Juana e de um de seus filhos, sofreu uma crise espiritual que o levou a se tornar religioso (1610). Ordenou-se em 1614 e logo foi nomeado oficial da Inquisição espanhola. Foi estabelecida em 1478 pelos Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela para manter a ortodoxia católica nos seus reinos e substituir a Inquisição Medieval, que estava sob controle papal. Tornou-se a mais substantiva das três manifestações diferentes da Inquisição Católica mais vasta, juntamente com a Inquisição Romana e a Inquisição Portuguesa. A Inquisição Espanhola pode ser definida de forma ampla, abrangendo todas as colônias e territórios espanhóis, que incluíam as Ilhas Canárias, o Reino de Nápoles, e todas as possessões espanholas na América do Norte, Central, e do Sul. Não é possível chegar a um cálculo exato do número de pessoas condenadas à morte pela Inquisição. Em 1817, Juan Antonio Llorente achou cerca de 39 mil, mas este número “é considerado hoje em dia como totalmente sem validade científica e improvável por ser tão elevado. De fato, a investigação histórica tem estado a rever constantemente em baixa o número de pessoas condenadas à morte pela Inquisição Espanhola”. A Inquisição destinava-se a “identificar os hereges entre os convertidos do judaísmo e do islamismo ao catolicismo”. A regulação da fé dos católicos convertidos foi intensificada após os Decretos Reais em 1492 e 1502, que ordenavam “judeus e muçulmanos a converterem-se ao catolicismo ou a deixarem Castela”. A Inquisição só foi definitivamente abolida em 1834, durante o reinado de Isabel II, após o período de declínio de influência no século anterior.

                                

Do ponto de vista filosófico Georg Simmel (1993) foi, sem dúvida nenhuma, a “figura de transição”, segundo Georg Lukács, que desenvolve essa ideia historicamente revelada na passagem do mais importante e interessante de toda a filosofia moderna. Por esse motivo metodologicamente exerceu uma atração sobre todos os verdadeiros talentos filosóficos da nova geração de pensadores. Simmel apresentou sua Soziologie em 1908 e contribuiu decisivamente para a consolidação desta ciência na Alemanha. Ele trata especificamente da sociologia e aprofunda a análise abstrata de seu objeto, a “sociação”, através de categorias sociais formais como a dominação, o conflito, o segredo, os círculos sociais e a questão da pobreza. Ao mesmo tempo, reflete sobre os determinantes quantitativos da vida social, bem como sobre a relação entre a vida grupal e a individualidade. Simmel desenvolveu a “sociologia formal”, ou das “formas sociais”, influenciado pela filosofia kantiana que distinguia a forma do conteúdo dos objetos de estudo do conhecimento humano. Tal distinção pretendia tornar possível o entendimento hic et nunc da vida já que no processo interativo de “sociação”, cunhou como objeto, o invariante eram as formas em que os indivíduos se agregavam e não os indivíduos em si.

Para Simmel diante do “conflito” os indivíduos vivem em relações de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. Seriam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos, portanto, numa função positiva de superação das divergências. Fundamenta uma episteme em torno da ideia de movimento, da relação, da pluralidade, da inexorabilidade do conhecimento, de seu caráter construtivista, cuja dimensão central realça o fugidio, o fragmento e o imprevisto. Por isso, seu panteísmo estético, como episteme, no qual se entende que cada ponto, cada fragmento superficial e fugaz é passível de significado estético absoluto, de compreender o sentido total, os traços significativos, do fragmento à totalidade. O significado sociológico do “conflito”, em princípio, nunca foi contestado. Conflito é admitido no âmbito da teoria sociológica por causar ou modificar grupos de interesse, unificações, organizações. Por outro lado, pode parecer paradoxal na visão comum se alguém pergunta se independentemente de quaisquer fenômenos que resultam de condenar ou que a acompanha, o conflito é uma forma de “sociação”. À primeira vista, este aspecto soa como uma pergunta retórica. Se todas as interações entre os homens é uma sociação, o conflito, - entendido afinal, como uma das interações mais vivas, que, além disso, não pode ser exercida por um indivíduo sozinho, deve certamente ser considerado como sociação.

Os fatores de dissociação, o ódio, inveja, necessidade, desejo, são as causas da condenação, que irrompe por causa deles. Conflito é, portanto, destinado a resolver os “dualismos divergentes”, é uma maneira de conseguir algum tipo de unidade, mesmo que seja através da aniquilação de uma das partes em litígio. A vida de Simmel apresenta-se entremeada de ensaios escritos em estilo brilhante, que representam uma parte de sua vasta obra, onde se revela também como filósofo. Os escritos de Simmel sobre “vitalismo”, ou filosofia de vida, quase no final de sua vida, dimensionam não tanto a “tragédia da cultura”, mas a ambivalência do sujeito frente à cultura, ou melhor dizendo, o conflito da cultura. Entende Simmel que, ainda que as formas culturais na sociedade mercantil avançada tornem difícil ao homem exprimir criatividade, o mesmo não consegue no sentido pleno viver sem elas. A comodidade, as construções simbólicas e de informação, as normas legais, a liberação da sexualidade, são manifestações de uma espécie de outro lado da modernidadeNão obstante, essa percepção sensível de um maior avanço da cultura subjetiva não foi suficiente para cingir de sua análise em torno da crítica da dimensão dos bens culturais.

E os homens deprimidos por não poder assimilá-los todos no mesmo momento em que não podem excluí-los, pela fragmentação da existência em razão da separação crescente das esferas objetivadas e a erosão da cultura com o avanço dos multivariados objetos que ganham e exigem conotação cultural. Isabel II foi a primeira filha do príncipe Alberto, Duque de Iorque, e da sua mulher, Isabel Bowes-Lyon. O seu pai era o segundo filho dos reis Jorge V do Reino Unido e Maria de Teck, e a mãe a filha mais nova do aristocrata escocês Claude Bowes-Lyon, 14º Conde de Strathmore e Kinghorne. Isabel II, nascida Elizabeth Alexandra Mary; Londres, 21 de abril de 1926, foi rainha do Reino Unido e dos Reinos da Comunidade de Nações de 1952 até sua morte em 8 de setembro de 2022. Ela reinou em 32 Estados independentes durante a sua vida, dentre 14 dos quais até à data da sua morte. Foi igualmente chefe da Commonwealth, uma organização governamental composta por 53 países independentes, sendo também a primeira monarca feminina soberana da Casa de Windsor, Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra e Comandante Suprema das Forças Armadas do Reino Unido. Em alguns de seus Estados soberanos, possuía o título de Defensora da Fé. O papel político de Isabel II abrangeu grandes áreas, sendo representante ativa da sua nação perante o mundo globalizado, com uma popularidade que tornou-a um dos ícones notáveis que remetem à cultura britânica.

Nasceu na área de Mayfair, em Londres, sendo a primeira filha do duque e da duquesa de Iorque, mais tarde rei Jorge VI e rainha Isabel. O seu pai subiu ao trono em 1936 após a abdicação do irmão, Eduardo VIII, tornando a princesa Isabel na “herdeira presuntiva do trono britânico”. Isabel foi educada particularmente em casa, começando a exercer funções públicas durante a 2ª guerra mundial, servindo no Serviço Territorial Auxiliar. Em novembro de 1947, casou-se com Filipe Mountbatten, ex-príncipe da Grécia e da Dinamarca, em um casamento que durou 73 anos até a morte de Filipe em 2021. Tiveram quatro filhos: Carlos, Príncipe de Gales; Ana, Princesa Real; o príncipe André, Duque de Iorque; e o príncipe Eduardo, Conde de Wessex. Quando o seu pai morreu, em fevereiro de 1952, Isabel, então com 25 anos, tornou-se rainha reinante de sete países independentes dos Reinos da Comunidade de Nações: Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Paquistão e Ceilão, bem como a chefe da Commonwealth. Reinou como monarca constitucional por meio de grandes mudanças políticas, como os problemas na Irlanda do Norte, a devolução no Reino Unido, a descolonização de África e a adesão do Reino Unido às Comunidades Europeias e a retirada da União Europeia.

O número de seus reinos variou ao longo da história à medida que os territórios conquistaram a Independência e alguns reinos se tornaram Repúblicas. As suas muitas visitas e reuniões históricas incluem visitas de Estado à República Popular da China em 1986, à Federação Russa em 1994, à República da Irlanda em 2011 e visitas de ou para cinco papas. Na sua vida pessoal destacam-se os nascimentos e casamentos de seus filhos e netos, à investidura do Príncipe de Gales e a celebração de marcos como seus jubileus de Prata em 1977, Ouro em 2002 e Diamante em 2012. Momentos de dificuldade incluem a morte do seu pai aos 56 anos, o assassinato de Louis Mountbatten, tio do príncipe Filipe, o fim dos casamentos dos filhos em 1992, ano que a própria rainha classificou como Annus Horribilis, a morte em 1997 de Diana, Princesa de Gales, ex-mulher de Carlos, e as mortes da irmã e mãe em 2002. Isabel enfrentou movimentos republicanos e críticas à Família Real, porém o “apoio à monarquia e sua popularidade pessoal permaneceram altos até ao fim de sua vida. Em 6 de fevereiro de 2022, Isabel II celebrou 70 anos de reinado, sendo a única monarca britânica a celebrar um extraordinário Jubileu de Platina”.

O Jubileu de Platina de Isabel II do Reino Unido (Platinum Jubilee of Elizabeth II) representou uma série de eventos públicos e cerimônias reais e oficiais que decorreram ao longo do ano de 2022 em comemoração dos setenta anos de reinado de Isabel II do Reino Unido. O governo britânico pretende "misturar o esplendor cerimonial dos jubileus anteriores com arte e tecnologia de ponta", numa extensa programação com eventos em cidades do Reino Unido e nos 54 países membros da Commonwealth. Segundo o jornal The Telegraph, uma medalha comemorativa será feita para premiar funcionários do serviço público, militares, médicos, entre outros. A partir de 12 de junho do mesmo ano, passou a ocupar a segunda posição entre os monarcas com reinados mais longos, atrás apenas do rei Luís XIV da França, este com 72 anos e 110 dias de reinado. Foi a monarca reinante mais idosa de todos os tempos. Em seu reinado convidou 15 primeiros-ministros a formar governo, a última Mary Elizabeth Truss, uma política britânica que serviu como Primeira-ministra do Reino Unido de setembro a outubro de 2022. Ela também ocupou o cargo de líder do Partido Conservador nesse período. Truss estudou na Merton College, Oxford, onde foi presidente dos Liberais Democratas da Universidade de Oxford.

Isabel II morreu no Castelo de Balmoral, em Aberdeenshire, na Escócia, sendo sucedida no trono pelo filho Carlos, Príncipe de Gales, como Carlos III do Reino Unido. Na mensagem oficial pelo seu dia de ascensão ao trono, Isabel II afirmou esperar que o Jubileu de Platina possa unir familiares e amigos, vizinhos e comunidades. A monarca afirmou que o evento “me permite um tempo para refletir na bondade demonstrada a mim por povos de todas as nacionalidades, crenças e idades neste país e em todo o mundo ao longo dos anos”. E também agradeceu ao povo britânico por seu apoio, lealdade e afeto e assinou a mensagem como Vossa Serva (“Your Servant”). No mesmo dia, a Royal Household publicou fotos da monarca utilizando “suas caixas de despacho em sua propriedade Sandringham House”. O Príncipe de Gales publicou uma nota na qual descreve a devoção da monarca ao bem-estar social de todo o povo britânico e admiração público por seu legado. A monarca recebeu cumprimentos de diversos líderes estrangeiros por sua marca política de setenta anos de reinado, como o presidente norte-americano Joe Biden, o presidente chinês Xi Jinping e também de monarcas como Haroldo V da Noruega, Carlos XVI Gustavo da Suécia, o rei tailandês Rama X e o Khalifa Bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, reconhecido na hierarquia dos povos árabes como Sheikh Nahyan, ou Sheikh Khalifa, quando representou o presidente dos Emirados Árabes Unidos e emir de Abu Dhabi de 2004 a 2022, substituindo o pai, Zayed bin Sultan Al Nahayan.

Fray Gabriel Téllez também se tornou famoso pelos vários casamentos, inúmeras aventuras amorosas extraconjugais e escandalosos romances, que pareciam ampliar sua inspiração, entre eles com Marta de Nevares Santoyo (1591-1632), a última amante do poeta e dramaturgo, que a chamou em prosa e verso de Amarílis que conheceu em 1616 e com quem “manteve um amor sacrílego que escandalizou Madrid” e, a partir de 1619, de Márcia Leonarda. Irmã da poetisa Antônia de Nevares, pouco se sabe sobre ela; mas os dados que Lope de Vega oferece, ela era muito bonita e de cabelos cacheados, olhos verdes e uma voz que apaixonava, e sabia cantar, dançar, tocar vihuela e escrever versos. Aos treze anos, mais ou menos em 1604, foi obrigada a casar-se com Roque Hernández de Ayala, homem a quem a Fênix chamou de “Herodes feroz”, e em 1616, quando o poeta tinha cinquenta e quatro anos e ela vinte e cinco anos, a conheceu numa noite poética que ela presidiu e começaram seu relacionamento. Três anos depois falece o marido em 1619, algo que Lope de Vega celebrou com estas palavras: - Bem, há morte! Não sei quem está errado com ela, porque o que a física humana não conseguiu remediar, ela terminou em cinco dias com uma purga atemporal, duas hemorragias antecipadas e tendo um médico que gostava mais de sua liberdade do que da vida social de seu marido.

Fora ordenado padre pouco tempo antes e ficara deslumbrado com Marta de Nevares Santoyo, conforme descreveu em carta a outra senhora, o Duque de Sessa: - Ela tinha olhos verdes, sobrancelhas e cílios pretos, e em abundância, cabelos crespos e fartos, boca que faz quem a olha olhá-la quando ri, mãos brancas, doçura de corpo, dom da poesia, voz divina, pureza de fala cortês, toda a graça da dança... e, para um marido, chamado “um feroz Herodes”. Alguém tão experiente em amores quanto Lope de Vega não era propenso às flechas de ouro de Cupido, mas desta vez, apesar do reconhecido voto de castidade, apaixonou-se, a ponto de ter que confessar ao amigo duque que seu amor por Marta foi mais uma fatalidade, um destino, do que qualquer outra coisa: - Estou perdida, se em minha vida estive, por alma e corpo de mulher; E sabe Deus com que sentimento meu, porque não sei como vai ser ou durar, ou viver sem aproveitar! O casal vivia na casa de Lope na Calle Francos, de Cervantes, suportando as fofocas e escândalos primeiro do adultério inicial e depois do casamento entre um velho padre e uma menina por dezesseis anos, bem como o fato de terem um filha em agosto de 1617, Antônia Clara, registrada em sua certidão de batismo como filha de Roque Fernández; no final de 1618 também nasceu um filho natimorto e começaram os processos de Marta para anular o casamento, que não precisou continuar porque o marido morreu repentinamente, como o próprio Lope indicou na dedicatória de La Viuda Valenciana, publicado em 1619; aliás, a protagonista desta peça é Leonarda, nome que ela deu ao seu amante Lope de Vega.

Ela também lhe pediu que escrevesse romances e, satisfazendo seu desejo, publicou entre 1621 (primeiro) e 1624 (os três seguintes) o conto emoldurado que inclui seus quatro Romances a Márcia Leonarda. De sua vastíssima produção literária, conhecem-se como de sua autoria 426 comédias e 42 autos, além de milhares de poesias líricas, cartas, romances, poemas épicos e burlescos, livros religiosos e históricos, entre eles os extensos poemas como La Dragontea (1598) e La Gatomaquia (1634), os poemas curtos Rimas (1604), Rimas sacras (1614), Romancero espiritual (1619) e a célebre écloga Amarilis (1633), uma impressionante homenagem à amada morta. Ainda são destaques por sua originalidade, os épicos Jerusalém conquistada (1609), o Pastores de Belém (1612) e o romance dramático La Dorotea (1632). A morte dela (1632), seguida de uma série de desgraças pessoais, mergulhou o poeta em profunda depressão, que se prolongou até sua morte. Em 4 de novembro de 1600 entrou na Ordem das Mercês e favoravelmente, depois de passar noviciado tomou os hábitos a 21 de janeiro de 1601 no mosteiro de San Antolin de Guadalajara. Desde a fundação de Guadalajara pelos andaluzes, a cidade foi dividida em duas partes pela fortaleza e a porta de Bradamarte: a noroeste, a Alcallería, e a sudeste, a cidade. A Alcallería tinha as próprias muralhas que começavam na ponte reconstruída sobre o Henares com portão no início. Foi bairro pouco povoado porque só albergava as oficinas de artesanato e, desde o final da Idade Média, a igreja de San Julián, que desapareceria no século XVI, e o convento de La Merced, fundado em 1585 por Cardeal Mendoza para as monjas Jerônimas.

Prescrevendo uma vida de solidão e silêncio, de oração assídua e penitência animosa, a Ordem de São Jerónimo procura levar os seus monges e monjas à união mística com Deus, consciente de quanto mais intensa for essa união, por sua própria doação na vida monástica, tanto mais esplêndida se faz a vida da Igreja e mais fecunda o seu apostolado. A par da vida dos monges, existem também as monjas Jerônimas, o ramo feminino da Ordem, representado por mulheres virtuosas que seguem as mesmas regras, a exemplo de Santa Paula e Santa Eustóquia, que seguiram espiritualmente São Jerónimo. O ramo feminino desta ordem religiosa surgiu em Toledo, onde se destacaram Dona Maria Garcia e Dona Mayor Gomes, orientadas por Frei Pedro Fernandez Pecha, em 1374, com a fundação do Mosteiro da Santa Maria de la Sisla. Deste mosteiro nasceu a fundação do Mosteiro de São Paulo, das Beatas de São Jerónimo, do qual se propagaram diversas fundações na história religiosa da Espanha. Não por acaso, na atualidade, em Espanha, existe um mosteiro masculino e dezessete mosteiros femininos da Ordem de São Jerónimo. A Alcallería tinha suas próprias muralhas que começavam na ponte reconstruída sobre o Henares com um portão no início. Foi sempre um bairro muito pouco povoado porque só albergava as oficinas de artesanato e, desde o final da Idade Média, a igreja de San Julián, que desapareceria no século XVI, e o convento de La Merced, fundado em 1585 por Cardeal Mendoza eclesiástico e político castelhano.

No século XVII, historicamente o artesanato declinou e a Alcallería começou a povoar e se tornar outro subúrbio da cidade, especialmente com a instalação em 1718 no palácio Montesclaros da Real Fábrica de Tecidos de Guadalajara. O terceiro confisco de 1836 deixou em desuso o convento de La Merced, que foi adquirido por Diego García, o idoso arquiteto da Fábrica Sarguetas, que o demoliu para aproveitar os materiais de construção que dele pudessem ser obtidos. Ordenado em 1606, em Toledo, onde estudou artes e teologia e começou a escrever; onde viveu por mais tempo, e de onde viajou para Galiza em 1610 ou 1611. Em 1612, vendeu um conjunto de três peças de teatro, e que tinha escrito a primeira versão de “El Vergonsoso en Palacio”; em 1611 “La Villana de La Sagra”; em 1613, “El Castigo del Penseque” da trilogia de “La Santa Joana”, e de 1615 data Don Gil das Calças Verdes. No mesmo ano de 1615 estreou no teatro Corpus de Toledo, “Los Hermanos Parecidos”. Também escrevia sobre temas religiosos, mas suas sátiras e comédias criaram-lhe problemas controversos e de censura com as autoridades religiosas, que o levou a aposentar-se em 1614 ou 1615 para o Mosteiro de Estercuel em Aragão. Talvez por isso só aparecem na Viaje del Parnaso de Cervantes (2001), obra narrativa em verso de Miguel de Cervantes publicada em 1614. Foi escrita em trigêmeos e narra a viagem ao monte Parnaso de Cervantes e dos melhores poetas espanhóis para travar de forma abstrata uma batalha alegórica contra os maus poetas.

Desde que em meados do século XVIII o ilustrado Marquês de Valdeflores empregou pela primeira vez o conceito de “Século de Ouro” para referir-se ao momento de maior esplendor das artes e das letras na Espanha, a denominação, segundo Savater (2015) nunca perdeu a aceitação tanto erudita como popular. Corriam tempos de uma Espanha orgulhosa, monárquica, de cunho católico, onde não faltava o outro, fruto das conquistas territoriais.  E embora Valdeflores se referisse somente ao século XVI sua expressão não tardou a se estender para a maior parte do século XVII. Aqueles que, como assinala o hispanista alemão Ludwig Pfandl (1881-1942), consideram que se deveria aplicar somente ao século XVI sustentam que jamais o idealismo conseguiu tão esplêndida manifestação como então. Todo esse século representou um tempo de contínua e radiante ascensão, porque – sustentam – nem na economia nem na ética social foram sentidos indícios de degradação ou decadência. Neste caso os fundadores do denominado Século de Ouro seriam Carlos V e Felipe II, que assentaram as bases para uma Espanha grande em todos os sentidos. Nesses anos se cruzaram Lope de Veja e o Quixote, romance publicado em 20 de dezembro de 1604, que fecha o período com a expressão mais alta, a quintessência e a plenitude da espiritualidade hispânica. Por outro lado, aqueles que pensam que na verdade o Século de Ouro foi o XVII partem da suposição de que, apesar de haver iniciado na época a decadência política e econômica, esse período compreende e sintetiza somente a concentração do espírito nacional e a plenitude da arte e da literatura. 

Quando jovens como Góngora e Lope de Vega começaram a dar mostras da sua escrita, o fizeram no âmbito de um gênero novo, o “romanceiro artístico”, que começou a ser formado a partir da tradição medieval e nacional e surgiu vinculado diretamente à difusão social da imprensa. O fato de que este romanceiro novo tenha recebido também a caracterização de “artístico” não supõe a negação do seu caráter popular, mas a tendência ao hibridismo, à contaminação de formas e níveis, própria da estética que despontava no horizonte. E isso ocorre também no caso dos gêneros que fundem suas raízes na tradição clássica, como ocorre com a épica culta, submetida a um crescente processo de nacionalização (incluindo o aspecto métrico), e com a comédia renascentista de imitação latina, em vias de transformar no “teatro nacional”. A existência de canais consolidados e estáveis de difusão massiva – a imprensa e o corral de comédias, respectivamente – não foi um fator alheio a essa tendência que com traços incipientes da cultura barroca: massiva, urbana, conservadora, no dizer de José Antonio Maravall, conviveu com uma poética cultista, na qual se inseriam os traços do maneirismo.

Referindo-se às suas Novelas Exemplares (1613), Cervantes afirma no prólogo: - “O meu engenho as engendrou e minha pluma as pariu, e vão crescendo nos braços a estampa”. Nessas palavras estão as chaves da parte substancial das letras do período: a invenção, a elaboração artística de acordo com determinadas regras e a sua difusão dominada por meio impresso que ainda mantinha no começo do século XVI um caráter de novidade e não poucas reticências de grande parte dos letrados. A nominata das grandes figuras que o chamado Século de Ouro abarca em todos os campos e níveis da criação artística é realmente espantosa. Mas no que diz respeito à literatura, torna-se impossível “superar o trio formado por Cervantes, Lope de Vega e Quevedo”, que durante anos devem ter-se encontrado e, sobretudo, se desencontrado nas ruas madrilenas então transformada em verdadeira capital do mundo. Está localizada no vale do rio Manzanares, ou, na sua forma portuguesa, Mançanares, é um rio do centro de Espanha, afluente do rio Jarama, que por sua vez é afluente do rio Tejo, no centro da Espanha seca, no mesmo lugar em que há 25 mil anos estava o assentamento humano mais numeroso do Paleolítico na Europa. Foram os celtas, os romanos e os visigodos seus primeiros habitantes.

Don Juan DeMarco representa um filme norte-americano de gênero comédia dramática e romântica de 1995, estrelado por Johnny Depp como John Arnold DeMarco, um homem que acredita ser Don Juan, o maior amante do mundo. Vestido com uma capa e máscara de dominó, Don Juan DeMarco passa por tratamento psiquiátrico com o personagem de Marlon Brando, Dr. Jack Mickler, para curá-lo de seu aparente delírio. Mas as sessões psiquiátricas têm um efeito inesperado na equipe psiquiátrica, alguns dos quais se sentem inspirados pelo seu delírio; o mais profundamente afetado é o próprio Dr. Mickler, que reacende o romance em seu casamento complacente. O filme é baseado em duas fontes diferentes basicamente, por um lado, a história dos dias modernos é baseada no conto do diretor/roteirista Jeremy Leven, Don Juan DeMarco and the Centerfold: An Original Screenplay (1993), por outro lado, enquanto os flashbacks retratando a história social de fundo Don Juan de DeMarco são baseados na “lenda mais familiar a respeito de Don Juan”, especialmente como aquela contada por Lord Byron em sua versão da lenda (cf. Agustini, 2020).  John Arnold DeMarco é um jovem de 21 anos que se veste como Zorro, com máscara, chapéu e capa semelhantes e afirma ser Don Juan. Depois de apaixonado, ele decide cometer suicídio. No local do outdoor do qual ele planeja pular, o psiquiatra Mickler o dissuade se passando por Don Octavio de Flores. John é então mantido para uma revisão de dez dias em uma instituição mental.

Mickler, que está prestes a se aposentar, insiste em fazer a avaliação e a faz sem medicar o jovem. Ele ouve a história de John continuando a se passar por Don Octavio: Don Juan nasceu no México, ele tem um caso com o tutor da escola que acaba levando à morte de seu pai em uma luta de espadas. Mickler ouve a história enquanto detecta inconsistências, como a natureza castelhana do sotaque de John, mas continua a agradá-lo. Em casa, vive um “casamento sem paixão” com sua esposa, Marilyn. Como Mickler percebe que a presença de John na instituição está causando impacto na equipe - tanto distraindo as mulheres quanto dançando com um atendente no gramado - ele se vê influenciado e começa a ouvir ópera em casa e reacender a paixão com a esposa dele. Eventualmente, Mickler se encontra com a avó de John, que lhe conta que John cresceu em Phoenix, Arizona, e que seu pai morreu em um acidente de carro. Quando Mickler retorna à instituição e confronta seu paciente com essa informação, John descarta sua avó como “misantrópica e de inventar a história de fundo”. Em resposta, Mickler conta a história de um jovem inseguro que se apaixonou por uma mulher em uma revista, que então a contatou e foi informada de que ela nunca mais queria falar com ele. Quando John pergunta o que aconteceu com o jovem, Mickler diz que ele tentou suicídio. À medida que os dez dias passam, a pressão aumenta sobre Mickler para o confinamento do jovem, uma decisão da qual ele é cético.

 John mencionou que sua mãe se tornou freira e permanece no convento, e em um encontro subsequente com John, Mickler sugere que a mãe de John poderia ter tido casos, aos quais John responde com raiva violenta. John conclui sua história, sobre como foi mantido dois anos em um harém como amante da sultana, antes de encontrar o amor verdadeiro e ser rejeitado em uma remota ilha grega por seu único amor verdadeiro, Doña Ana. Mickler diz a ele no final da história que acredita que John é Don Juan DeMarco, o maior amante que o mundo já conheceu. Quando John pergunta a Mickler quem ele é, ele diz: “Eu sou Don Octavio de Flores” e que John viu através de todas as suas máscaras. Ao final dos dez dias, Mickler consegue convencer John a tomar o remédio, e o faz entender que nem todos acreditam que ele é Don Juan. Pouco antes de sua aposentadoria, Mickler e John se encontram com o conselho, com John em roupas normais. Ele fala com sotaque norte-americano e reconhece que nasceu no Queens, seu pai morreu em um acidente e que sua mãe foi infiel a seu pai. John é liberado e acompanha Mickler, junto com a esposa do médico, até a ilha remota que Don Juan descreveu, onde conheceu seu verdadeiro amor.

Sinopse: Um rapaz usando uma máscara negra, ameaça jogar-se do alto de um edifício. O jovem artista John Arnold DeMarco afirma ser Don Juan (Johnny Depp), o lendário conquistador de mulheres. Por ter perdido seu verdadeiro amor, caiu num estado de depressão profunda. O psiquiatra Jack Mickller (Marlon Brando) é chamado para salvá-lo. No início, o psiquiatra parece cansado, pronto para aposentar-se. Mas, à medida que Don Juan começa a descrever sua vida amorosa, Jack sente-se revigorado. Ambos se envolvem num curioso relacionamento que beneficia até a mulher do psiquiatra, Marilyn Mickler (Faye Dunaway) quase relegada a segundo plano pelo marido. Don Juan é um extraordinário personagem fictício, geralmente tido como símbolo da libertinagem. Originado no folclore, adquiriu forma literária no romance do século XVII El Burlador de Sevilla (1630), atribuído ao dramaturgo espanhol Tirso de Molina (1579-1648). Posteriormente, tornou-se o herói-vilão de romances, peças teatrais e poemas; a sua lenda adquiriu popularidade permanente através da ópera de Mozart Don Giovanni (1787).  

Foi um religioso espanhol que se destacou como dramaturgo, poeta e narrador do Barroco. É reconhecido pelo seu contributo ao mundo do teatro ocidental, a sua dramatologia abrange principalmente a comédia, como Don Gil de las calzas verdes, e obras hagiográficas, como o caso da trilogia La Santa Juana ou La dama del olivar. É conhecido, tradicionalmente, como o criador do mito de Don Juan na obra El burlador de Sevilla o El Convidado de Piedra, provavelmente escrita em 1617 com a obra Tan largo me lo fiais. Ambas editadas no século XVII, mas em nome de Pedro Calderón de la Barca (1600-1681). Tirso foi o primeiro autor a dar profundidade psicológica aos personagens femininos, que se tornaram protagonistas das suas obras. Don Juan visa maximizar o controle do poder em suas relações amorosas: sacrificar as mulheres à sua glória, pela glória dominar os outros homens, e seu domínio se exerce de forma teatral: no espaço coletivo ele procura as mulheres a quem seduzir e quando as conquistas, ele traz para um lugar oculto, privado. E finalmente o que interessa é devolver a mulher já marcada pela posse, no sentido simmeliano e entregá-la, ao espaço público dessa multidão que assiste ao seu triunfo. Fazendo-se “espetáculo”, ele garante que não exista mais rival para seus feitos ou controle para as ações. E isto é o que há de mais notável na ação de Don Juan: ele domina os homens por um recurso único, o de teatralizar o nível social.                   

Bibliografia geral consultada.

BETHENCOURT, Francisco, L`Inquisition à la Époque Moderne: Espagne, Portugal, Italie, XVe.-XIXe. Paris: Éditons Fayard, 1995;  WHITE, Jean Blake, Don Juan DeMarco. 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record, 1996; RUIZ HERNANDO, José Antonio, Los Monasterios Jerónimos Españoles. Segovia: Editor Caja Segovia, 1997; CERVANTES SAAVEDRA, Miguel, Viagem ao Parnaso; Poemas soltos. Editor Vicente Gaos. Madrid: Editorial Castália, 2001; ARELLANO, Ignacio; INDURÁIN, Carlos Mata, Vida y Obra de Lope de Veja. Madrid: Bibliotheca Homolegens, 63, 2011; SERRANO, César Oliveira, “Devociones Regias Y Proyectos Políticos: Los Comienzos del Monasterio de San Benito el Real de Valladolid (1390-1430)”. In: Anuario de Estudios Medievales. Madrid, nº 43, pp.799-832, 2013; ROSSI, Túlio Cunha, Projetando a Subjetividade: A Construção Social do Amor a partir do Cinema. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2013; DORNELES, Giele Rocha, Melancolia, Memória e Subjetividade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduaçao em Letras. Instituto de Letras. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2015; SAVATER, Fernando, Lugares Mágicos: Os Escritores e suas Cidades. 1ª edição. Porto Alegre: L &PM Editores, 2015; FREITAS, Flávio Luiz de Castro, A Discordância Conciliável em Relação à Psicanálise: Um Estudo sobre o Percurso que vai da Sintomatologia à Topologia dos Níveis Diferenciais na Filosofia de Gilles Deleuze. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2018; BERGREEN, Laurence, Casanova: A Vida do Gênio da Sedução. 1ª edição. São Paulo: Editora Objetiva, 2019; FINCHELSTEIN, Federico, Do Fascismo ao Populismo na História. Lisboa: Edições 70, 2019; AGUSTINI, Lucas de Lacerda Zaparolli de, Don Juan de Lord Byron. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos de Tradução. Departamento de Letras Modernas. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2020; BASSOLS, Miquel, La Diferencia de los Sexos no Existe en el Inconsciente. Olivos: Grama Ediciones, 2021; SILVA, Paulo Daywson Lopes da, Consciência Interoceptiva e Sintomas de Depressão e Ansiedade: Validação de Questionário e Estudo Associativo. Dissertação de Mestrado em Neuropsiquiatria e Ciência do Comportamento. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2022; entre outros.

domingo, 20 de novembro de 2022

Armadilha – Acrobacias Sociais, Semelhança & Assalto em Castelos.

 

                                A arte é o espelho e a crônica da sua época”. William Shakespeare

           Acrobacia representa a realização de esforços humanos notáveis de equilíbrio, agilidade e coordenação motora. Habilidades acrobáticas são usadas em artes cênicas, eventos esportivos em geral em artes marciais. O uso extensivo de habilidades acrobáticas é mais frequentemente realizado em acro de dança, circo e ginástica e, em menor grau, em outras atividades atléticas incluindo ballet, slackline e mergulho. As tradições acrobáticas são encontradas nas culturas, e há evidências de que as primeiras dessas tradições ocorreram há milhares de anos. Por exemplo, arte minoica de c. 2000 a.C. contém representações de feitos acrobáticos nas costas de touros. Os gregos antigos praticavam acrobacias. Na China, a acrobacia faz parte da cultura desde a Dinastia Tang (203 a.C.). As acrobacias faziam parte dos festivais de colheita da aldeia. Durante a Dinastia Tang, viram o mesmo tipo de desenvolvimento que as acrobáticas europeias viram durante a Idade Média, com exibições em tribunais durante o século VII ao 10 dominando a prática. A acrobacia continua importante na arte moderna chinesa. No século XIX, uma forma de arte performática incluindo atos de circo começou a usar o termo também. No final do século XIX, o tombamento e outras atividades acrobáticas e ginásticas tornaram-se esportes competitivos na Europa. A acrobacia muitas vezes serviu de assunto para belas-artes. Exemplos disso são pinturas como Acrobatas no Cirque Fernando (Francisca e Angelina Wartenberg) do impressionista Pierre-Auguste Renoir, que retrata duas irmãs acrobáticas alemãs, o Acrobata de Pablo Picasso de 1905 e o Jovem Arlequim, e Acrobatas em subúrbio de Paris por Viktor Vasnetsov.

Acro dance representa um estilo de dança que combina a técnica de dança clássica com novos elementos acrobáticos de precisão. É definido por seu caráter atlético, sua coreografia única, que combina perfeitamente dança e acrobacia, e seu uso de acrobacias em um contexto de dança. É um estilo de dança popular na dança competitiva amadora, bem como no teatro de dança profissional e em produções circenses contemporâneas, como as do Cirque du Soleil. Isso contrasta com a ginástica acrobática, artística e rítmica, que são esportes que empregam elementos de dança em contexto de ginástica sob os auspícios de uma organização de ginástica governante e sujeitos a um Código de Pontuação. A dança acro é conhecida por vários outros nomes, incluindo dança acrobática e dança ginástica, embora seja mais comumente referida simplesmente como acro por dançarinos e profissionais de dança. Acro é um estilo de dança especialmente desafiador para dançarinos, pois tem como exigência que eles sejam treinados em habilidades de dança e acrobacias. A dança acrobática surgiu nos Estados Unidos e no Canadá no início de 1900, como um dos tipos de atos realizados no vaudeville. Embora danças individuais e atos acrobáticos tenham sido realizados no vaudeville por várias décadas antes de 1900, não foi até o início de 1900 que se tornou popular realizar atos que combinavam dança e movimentos acrobáticos. A dança acrobática não apareceu de repente no Vaudeville, predominante nos Estados Unidos e Canadá; em vez disso, ele apareceu gradualmente ao longo do tempo em uma variedade de formas e, consequentemente, nenhum artista individual foi citado como seu criador. 

O verdadeiro processo de individuação, isto é, a “harmonização” do consciente com nosso próprio centro interior - o núcleo psíquico - ou self, em geral começa infligindo uma “lesão à personalidade”, acompanhada do consequente sofrimento. Este choque inicial é uma espécie de apelo, apesar de nem sempre ser reconhecido como tal. Ao contrário, o ego sente-se tolhido nas suas vontades ou desejos e geralmente projeta esta frustração sobre qualquer objeto exterior. Em algum lugar, lá no mais profundo de nós mesmos, em geral sabemos aonde ir e o que fazer. Mas há ocasiões em que o palhaço age com o que analiticamente se chama “eu”, de modo tão irrefletido que a voz interior não se consegue deixar ouvir. Assim, o sonho demonstra ao sonhador que ele na verdade, tem o amparo de uma organização; está dentro de uma igreja - não uma igreja edificada no mundo exterior, mas uma que existe dentro da sua própria alma. Os fiéis (todas as suas qualidades psíquicas) querem que ele exerça as funções de padre e que celebre a missa. O sonho não faz alusão à missa real, pois o seu missal é diferente do verdadeiro. Parece que a ideia da missa foi usada como símbolo e, portanto, representa um ato sacrificial em que está presente uma divindade com quem o homem se pode comunicar. Todo processo de trabalho é um processo de comunicação, mas nem todo processo de comunicação é um processo de trabalho a não ser em termos imagéticos.

  No trabalho circense o jovem significa o self e poder de renovação, um élan vital criador de orientação através da qual tudo se torna vida e de iniciativa. Um circo é uma companhia em coletivo onde se reúnem artistas de diferentes culturas e especialidades. O circo contemporâneo é realizado com artistas que, em sua grande maioria, não têm nenhum vínculo familiar com a empresa-circo. Seus pais e parentes, provavelmente, não compõem um circo-família e pouco conhecem a arte circense. Essa falta de vínculo direto com o circo pode fazer com que sua história se perca e deixe de ser conhecida e valorizada por tais artistas. Na maioria das vezes, as escolas de circo não se dedicam a estudar e difundir a história do circo entre seus alunos, dificultando o acesso a ela. No Canadá, em 1981, surge a primeira escola de circo, para atender a demanda dos artistas performáticos, que vinham tendo aulas com ginastas. Em 1982, surge em Québec o Club des Talons Hauts, grupo de artistas que se apresentavam em “pernas de pau, com malabares e pirofagia”. É esse grupo que em 1984 realiza o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil. O notável Cirque du Soleil cresceu de forma surpreendente, programado em países globalizados, com espetáculos distintos e grande número artistas em seu elenco, e como símbolo a música “Alegría” do Cirque du Soleil.

Cirque du Soleil representa uma Companhia de entretenimento canadense. É a maior companhia circense do mundo, cuja sede fica em Montreal (Quebec, Canadá). Foi fundada em 1984, na cidade de Baie-Saint-Paul por dois artistas de rua, Guy Laliberté e Gilles Ste-Croisa. Em 1963, Laliberté foi convidado a apresentar no Festival de Artes de Los Angeles. Se o show não fosse bem recebido pelo público, eles não teriam dinheiro para retornar à Montreal. O festival foi um sucesso, e atraiu a atenção de empresas de entretenimento, como a Columbia Pictures, que teve interesse de gravar um vídeo sobre o Cirque du Soleil. Laliberté, insatisfeito com a proposta, recusou-a. Tal produção daria à Columbia Pictures direitos autorais. Esse é um dos motivos que fazem com que o Cirque du Soleil seja independente e privado até hoje. Foi fundado em Baie-Saint-Paul em junho de 1984 pelos artistas de rua Guy Laliberté e Daniel Gauthier, em resposta a um apelo feito pelo Commissariat Général aux Célébrations do governo de Quebec sobre a comemoração do 460º aniversário da “descoberta” do Canadá. Pode-se dizer que eles representam nas suas origens, a arte humana dentro da evolução estética e artística, com ênfase na interação social entre o corpo e a dimensão da cultura.  A região é descoberta e reivindicada em 1497 por Giovanni Caboto (1450-1499), um navegador veneziano, que navegava a serviço da extraordinária Coroa britânica no âmbito do processo civilizatório. A colonização, no entanto, tem início com os franceses, em 1554, a partir do desembarque de Jacques Cartier (1491-1557) no golfo de São Lourenço.       

Objetivando a carreira de artista performático, o fundador do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, Chief Executive Officer (CEO) e diretor-executivo, desempenha o papel de Guia de Criação dos espetáculos da companhia, pratica a filantropia e participa de torneios profissionais de pôquer.  Iniciou uma turnê pela Europa como músico e “artista de rua”. Quando retornou ao Canadá, em 1967, aprendeu a “arte de cuspir fogo”. Trabalhou três dias na construção de uma hidroelétrica, e manteve-se com seu seguro desemprego. Ajudou a organizar, um bazar de verão com seus amigos Daniel Gauthier e Gilles Ste-Croix que coordenavam um albergue de artistas performáticos, denominado “Le Balcon Vert”. Em 1979, Ste-Croix decidiu realizar uma turnê com seu grupo. Apesar do talento dos artistas, a trupe não tinha fundos para concretizar o projeto de trabalho. O grupo decidiu “convencer” o governo de Quebec a financiar o projeto, criando o “Les Échassiers de Baie-Saint-Paul” que empregando diversos artistas performático na atividade circense, o “Les Échassiers” acabou fazendo uma excursão por Quebec durante o verão de 1980. De 1990 a 2000, o Cirque expandiu rapidamente, passando de show com 73 artistas em 1984, para mais de 3.500 empregados, em mais de 40 países, com 15 espetáculos apresentados pari passu e lucro anual obtido em US$ 800 milhões. 

Guy Laliberté iniciou sua carreira de artista circense como “engolidor de fogo, homem da perna de pau e acordeonista”. No começo dos anos 1980, fundou seu primeiro circo junto com um grupo de amigos e em 1984 criou o Cirque du Soleil, baseado na sua admiração por talentos de acrobatas e palhaços de rua do Canadá, sendo o primeiro a fazer a mistura de diversas culturas, disciplinas artísticas e acrobáticas num mesmo espetáculo. Desde a fundação, ele vem sendo o principal mentor da equipe criativa de cada nova apresentação da trupe internacional. Em 30 de setembro de 2009, após período de treinamento na Cidade das Estrelas, ele se tornou o sétimo turista espacial da história, o primeiro canadense, ao ir ao espaço como parte da tripulação da missão Soyuz TMA-16, para um período de dez dias a bordo da International Space Station (ISS). Durante sua estadia em órbita, Guy dirigiu do espaço o espetáculo chamado: “Da Terra às Estrelas pela Água”, do qual participaram estrelas da música, do cinema e outras celebridades desde 14 cidades nos cinco continentes. É doutorado honoris-causa pela Universidade Laval de Quebec e obteve a Ordre National du Québec, a maior distinção do governo do Quebec. O conceito que os geógrafos usam para definir uma massa continental pode variar segundo os critérios que esses especialistas adotam particularmente em cada caso, podendo ser físicos, culturais, políticos ou históricos. A definição física de maior disseminação considera a divisão técnica e social em oito continentes: África, América do Norte, América Central, América do Sul, Antártida, Ásia, Europa e Austrália. Esse modelo é ensinado como padrão sociológico em países como os gigantes populacionais China, Índia, Paquistão e em boa parte dos países de língua inglesa com larga população, o que o faz ser o padrão utilizado por mais de 45% da população mundial. Mas, seguindo-se critérios tanto culturais como políticos, sobretudo, sistemas de ensino de países de línguas latinas costumam considerar como continentes a Europa, a Ásia, a África, a América, a Antártida e a Oceania.

A nave russa Soyuz TMA-16, que leva a bordo o sétimo turista espacial da história, o canadense Guy Laliberté, fundador do “Cirque du Soleil”, se acoplou com sucesso à Estação Espacial Internacional (ISS), segundo informou o Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia. Além de Laliberté, na Soyuz viajaram também o cosmonauta russo Maxim Suráyev, com formação na Academia de Ciências da Rússia e o astronauta norte-americano Jeff Williams, com formação na United States Military Academy e veterano de missões no ônibus espacial. Laliberté voltará à Terra em meados de outubro junto a Padalka e Barratt a bordo da nave Soyuz TMA-14, agora acoplada à plataforma espacial. O fundador do circo mais famoso do mundo pagou US$ 35 milhões para poder viajar à plataforma espacial, mas não realizará experimentos científicos durante sua breve estada. O produtor e artista circense aproveitou a aventura no espaço sideral para promover comercialmente sua faceta humanitária por meio da fundação One Drop, que tenta conscientizar o mundo sobre o problema da escassez de água e sua relação direta com a pobreza em nosso planeta. Laliberté dirigiu da ISS, no dia 9 de outubro, a 350 km da Terra, o espetáculo poético-social intitulado “Da Terra às Estrelas pela Água”, no qual participaram celebridades do meio artístico: música, cinema e outras formas de atividade intelectual criadora em catorze cidades continentais.     

Sherman Coates (1872-1912), que se apresentou com o Watermelon Trust de 1900 a 1914, foi lembrado por colegas dançarinos como o primeiro dançarino acrobático que eles já viram.  Outro dos primeiros artistas de dança acrobática documentados foi Tommy Woods, que se tornou reconhecido por sua dança acrobática em câmera lenta em Shuffle Along, na qual ele executava movimentos acrobáticos precisamente no ritmo da música. Em 1914, a acrobata Lulu Coates formou os Crackerjacks, uma trupe popular de vaudeville que incluía dança acrobática em seu repertório de performance até que o grupo se desfez em 1952. Muitas outras companhias de vaudeville populares combinavam acrobacia e dança em seus shows, incluindo os Gaines Brothers. Desde o declínio da Era do vaudeville, a dança acrobática passou por uma evolução multifacetada para chegar à sua forma atual. O aspecto mais significativo dessa evolução é a integração da técnica do balé como base para os movimentos da dança, trazendo para a acrodança uma precisão de forma e movimento que estava ausente na dança acrobática de vaudeville. Além disso, as danças acrobáticas de vaudeville eram muitas vezes pouco mais do que acrobacias com música, enquanto a acro moderna é fundamentalmente dança, com seus movimentos acrobáticos realizados em um contexto de dança. Uma característica definidora do acro são as transições suaves e graciosas entre a dança e os movimentos acrobáticos.

Além disso, uma dança deve ter uma porcentagem significativa de movimento de dança, em relação ao seu conteúdo acrobático, para que seja categorizada como acro. Por exemplo, um exercício de chão de ginástica não é considerado acro porque tem pouco ou nenhum movimento de dança em comparação com seu conteúdo acrobático, e também porque carece de transições suaves entre movimentos de dança e ginástica. Além disso, o acro não emprega aparelhos de apoio como os usados ​​na ginástica acrobática. Um filme de assalto (Heist films) representa um subgênero dos filmes policiais, que envolve um grupo de pessoas tentando roubar algo ou dar um golpe abstruso em alguém. Tipicamente, há muitas reviravoltas em sua trama, e o filme tensiona nas personagens centrais, tentando formular um plano, executá-lo, e escapar com o objeto possuído. A figura do nêmesis é bem comum, geralmente uma figura autoritária, ou um antigo parceiro que trai o grupo. Esses filmes apresentam enredos sociais, econômicos ou políticos, em que dois ou mais criminosos habilidosos realizam um roubo inteligente e ousado. Um dos primeiros filmes de assalto que o definiu sociologicamente foi The Asphalt Jungle (1950), que Film Genre 2000 escreveu “quase que sozinho popularizou o gênero para o cinema convencional”. Apresentava ladrões cujas falhas pessoais acabaram por levar ao fracasso do roubo. Filmes semelhantes usando essa fórmula foram Armored Car Robbery (1950), The Killing (1956) e The Getaway (1972). Na década de 1990, os filmes talvez mais interessantes de assalto “experimentam e brincam com essas convenções”, se concentrando mais nas relações afetivas decorrentes entre os personagens do que é próprio no crime em si.

Um filme de assalto contém um enredo social divido em três atos. O primeiro ato consiste em preparar os ladrões: recrutar sócios, analisar os bens a serem furtados, o local do roubo, o sistema de alarme, familiarizar-se com tecnologias inovadoras e montar o enredo do último ato. O segundo ato diz respeito ao próprio roubo. Com raras exceções, os gangsters conseguem o que querem, passando por uma série de eventos mais ou menos imprevistos. O terceiro ato diz respeito ao desenlace da trama social. Os personagens envolvidos no roubo estão se voltando uns contra os outros, ou apenas um terá feito acordos com terceiros. Normalmente, a maioria dos personagens envolvidos no roubo terminará assassinada, presa pela aplicação da lei ou incapaz de levar o loot. No entanto, os enredos tendem a tornar os “ladrões vitoriosos”, especialmente se o alvo descrito for de baixo caráter, como cassinos, organizações corruptas ou individuais, ou criminosos. No caso regular do filme Armadilha (1999), os locais de filmagens da película incluem Palácio de Blenheim, Hotel Savoy, Lloyd`s of London, Borough Market, Londres, Castelo Duart, Ilha de Mull na Escócia, Castelo de Eilean Donan também na Escócia, Petronas Twin Towers em Kuala Lumpur, mas, outrossim, com outras filmagens concluídas no Pinewood Studios, e na Estação Bukit Jalil LRT. A sinalização nesta estação metropolitana em apreço que foi usado para o filme era a estação Pudu LRT ao invés da que parece ser Bukit Jalil.

A estação Bandaraya LRT é uma estação elevada de trânsito rápido no centro de Kuala Lumpur, Malásia. A estação está na rota comum compartilhada pela Ampang Line e Sri Petaling Line, originalmente reconhecida como Star Line. A estação foi inaugurada em 16 de dezembro de 1996, como parte da primeira fase de abertura do sistema STAR, juntamente com 13 estações adjacentes ao longo da rota Sultan Ismail para Ampang. A estação fica entre as margens orientais do rio Gombak e uma interseção entre Jalan Raja Laut, uma importante via ao longo do rio Gombak, e Jalan Isfahan. A estação é a estação mais ao sul ao longo do rio Gombak. A estação também fica próxima a vários complexos comerciais, o atual prédio da Prefeitura de Kuala Lumpur, a sede do Bank Negara e o distrito de Little Índia. A estação fica a cerca de 140 m da KA03 Estação Bank Negara, uma estação KTM Komuter, à qual está ligada por uma passarela. Foi a primeira estação da linha metropolitana a ter um trevo com outro sistema ferroviário e, antes da abertura da Linha Kelana Jaya e restantes fases das linhas STAR, a única estação deste tipo, embora não existisse integração da rede em termos de tarifas ou emissão de bilhetes. Bandaraya também está perto de paradas de ônibus ao longo de Jalan Raja Laut, Jalan Dang Wangi e Jalan Tuanku Abdul Rahman. A estação é um típico elevado Ampang e Sri Petaling Lines, o nível da plataforma está no andar mais alto, consistindo de duas plataformas laterais protegidas ao longo de uma linha de trilho duplo; há um único saguão que abriga instalações de emissão de bilhetes entre o nível do solo e o nível da plataforma.

O projeto é semelhante ao da maioria das outras estações da linha, com coberturas multicamadas sustentadas por treliças e paredes e pilares rebocados de branco. O interessante é que desconhecemos que todos os níveis de acesso dos usuários estão ligados por escadas e escadas rolantes o que proporcionou a realização secreta das imagens na última bela cena do filme Armadilha. A Malásia é um país do Sudeste Asiático que compreende dois territórios distintos: a parte Sul da península Malaia e ilhas adjacentes, e uma seção do norte da ilha de Bornéu. A península da Malásia confina a Norte com a Tailândia, a Leste com o mar da China Meridional, e a Sul e a oeste com o estreito de Malaca, fazendo fronteiras marítimas com a Indonésia, a Leste, Sul e Oeste, com Singapura a Sul e com o Vietname a Nordeste. A Malásia Insular limita a Oeste e a Norte com o mar da China Meridional, a Norte com o Brunei, a Leste com o mar de Sulu e a Sul com a Indonésia, fazendo fronteira marítima com as Filipinas a Norte e a Leste. A capital do país é Kuala Lumpur, sendo Putrajaia a sede do governo federal. A nação tem suas origens no reino malaio presente na área, que, a partir do século XVIII, tornou-se sujeito ao Império Britânico. Os primeiros territórios britânicos eram reconhecidos como os “estabelecimentos dos Estreitos”, cuja criação foi seguida pelos reinos malaios se tornando “protetorados britânicos”. Os territórios na península da Malásia foram unificados pela primeira vez como a União Malaia em 1946, sendo reestruturada como a Federação Malaia em 1948, e alcançando a Independência em 31 de agosto de 1957. A federação uniu-se com o Norte de Bornéu, Sarauaque e Singapura em 16 de setembro de 1963, para dar ao novo país o nome reconhecido de Malásia. Menos de dois anos, em 1965, Singapura foi expulsa da Federação Malaia. O país é de constituição histórica multiétnica e multicultural, o que desempenha um grande papel autonomista no âmbito da política globalizada.          

          O nome Malásia é uma combinação da palavra malaio e do sufixo greco-latino σία/-sia. A palavra Melayu, do idioma malaio, pode derivar das palavras em dialeto tâmil malai e ur, que significam montanha e cidade, terra, respectivamente. A Língua tâmil é uma língua dravídica falada por cerca de 68 milhões de pessoas no sul da Índia, Sri Lanka, Mianmar, Malásia, Indonésia, Vietnã, Singapura e ainda em zonas do sul e leste da África, pelo povo tâmil. Malayadvipa era a palavra usada por comerciantes indianos antigos para se referir à península malaia. Além dessa hipótese, a palavra melayu (ou mlayu) pode ter sido usada no antigo malaio/javanês para se referir a “acelerar ou correr de forma constante”. Este termo foi criado para descrever a forte correnteza do rio Melayu, em Sumatra. O nome foi mais posteriormente foi adotado pelo Reino Melayu, que existiu no século VII em Samatra. Evidências arqueológicas de habitação humana moderna na região da atual Malásia remontam há 40 mil anos. Acredita-se que os primeiros habitantes da Malásia Peninsular tenham sido os negritos. Os comerciantes e colonos da Índia e da China chegaram no século I, estabelecendo portos e cidades costeiras nos séculos II e III.

A presença deles resultou em influência das culturas indiana e chinesa sobre as culturas e povos da Península Malaia  em praticar religiões como o hinduísmo e o budismo. Inscrições em sânscrito surgem nos século IV ou século V. O reino de Langkasuka surgiu por volta do século II, no norte da Península Malaia e durou até o século XV. Entre os séculos VII e XIII, grande parte do sul da Península Malaia era parte do Império Serivijaia. Após a queda de Serivijaia, o Império de Majapait teve influência sobre a maior parte da península e do arquipélago malaio. O islamismo começou a se espalhar entre os malaios no século XIV. No início do século XV, Parameswara, um príncipe do antigo império Serivijaia, fundou o Sultanato de Malaca, geralmente considerado o primeiro Estado independente na área da península. A cidade de Malaca foi importante centro comercial durante este período, atraindo o comércio de dimensão regional. Entrapment representa um filme norte-americano sobre roubos economicamente de “alto risco”, realizado em 1999 pelo cineasta Jon Amiel, sendo escrito por Ronald Bass e protagonizado pelos extraordinários atores Sean Connery e a atriz Catherine Zeta-Jones que formam uma “dupla de ladrões implacáveis que planejam o maior roubo de todos os tempos”, em plena virada de 1999 para 2000, e inclui Will Patton, Ving Rhames e Maury Chaykin.

O filme se concentra na relação afetiva entre a investigadora Virginia “Gin” Baker e o ladrão profissional Robert “Mac” McDougall enquanto eles tentam “um assalto na virada do Milênio”. Uma sensual agente de seguros (Catherine Zeta-Jones) é escolhida para averiguar se o velho, charmoso e famoso ladrão Robert McDougall (Sean Connery) foi o responsável pelo desvio de uma valiosa obra de arte. Os ladrões acabam por se juntar e aplicar um ousado e multibilionário golpe no mercado financeiro internacional da Ásia, na Malásia, que inclui entrar num dos edifícios mais altos e seguros do mundo, o Petronas Tower, situado em Kuala Lumpur. Do ponto de vista geográfico e humano Kuala Lumpur é definida dentro das fronteiras do Território Federal de Kuala Lumpur e é um dos três Territórios Federais da Malásia. Está em um enclave no interior do estado de Selangor, na costa centro-oeste da Península da Malásia. Iniciando na década de 1990, a cidade tem recebido muitos eventos internacionais pari pasu esportivos, políticos e culturais, incluindo os Jogos da Commonwealth de 1998 e o Torneio Mundial de Fórmula 1. Além disso, Kuala Lumpur abriga dois daqueles que já foram os maiores edifícios do mundo e ainda se mantêm como as maiores torres gêmeas já erguidas, as Torres Petronas.

            A cidade de Kuala Lumpur tem as suas origens na década de 1850, quando o chefe malaio de Kelang, Raja Abdullah, contratou os melhores trabalhadores chineses para abrirem novas e grandiosas minas de estanho. Eles desembarcaram na confluência de Sungai Gombak e Sungai Klang (Rio Kelang) para abrir minas em Ampang. Sungai Gombak era antes reconhecida como Sungai Lumpur, que significa “rio enlameado”. A cidade, portanto, derivada do nome Kuala Lumpur, que tem significado literalmente “confluência enlameada”, em Bahasa Melayu. Mais tarde, as minas de estanho foram abertas em Pudu e Batu. Entre os pioneiros notáveis podemos encontrar Hiu Siew e Liu Ngim Kong. Estas minas se transformaram em uma feitoria, mas foram consideradas “uma cidade de fronteira com muitos problemas, incluindo a Guerra Civil de Selangor, a qual foi também constante atormentada por doenças, incêndios e inundações”. Em torno de 1870, o kapitan chinês de Kuala Lumpur, Yap Ah Loy (1837-1885), emergiu como líder, e tornou-se responsável pela sobrevivência (“mundo do trabalho”) e crescimento sistemático da cidade. Em 1880, a capital do estado de Selangor foi transferida de Kelang, estrategicamente para uma posição mais vantajosa, para a atual Kuala Lumpur.

            Yap Ah Loy nasceu em um vilarejo pobre no que antes era reconhecido como província de Cantão, sul da China, em 14 de março de 1837. Yap Ah Loy deixou a China via Macau para a Malásia britânica em 1854. Ao chegar à Malásia, achou o local muito diferente da China. A paisagem, com altos coqueiros e betel, e as pequenas casas malaias com atap (“nipah thatch”), foi uma experiência nova e fascinante para ele. Em sua chegada a Malaca, Yap Ah Loy recebeu abrigo de um membro de seu clã chamado Yap Ket Si. Ele foi então levado para uma mina de estanho em Durian Tunggal, onde permaneceu por 4 meses. Ele logo partiu para Kesang no Noroeste de Johore, onde encontrou trabalho na loja de um parente chamado Yap Ng. Ele permaneceu lá por um ano antes que fossem feitos acordos para mandá-lo de volta à China via Cingapura. O infortúnio se abateu sobre ele quando “perdeu todo o seu dinheiro enquanto esperava que o junco zarpasse de Cingapura para a China”. Em vez de voltar para Malaca, com o parente chamado Yap Fook viajaram a pé para Lukut então parte de Selangor.    

Yap Ah Loy chegou a Lukut em 1856 aos 19 anos. Ele passou seus primeiros anos na península como mineiro e comerciante, mas em 1862 sua sorte melhorou quando seu amigo Liu Ngim Kong sucedeu Hiew Siew para o segundo Kapitan Cinade Kuala Lumpur, uma posição não apenas de liderança dentro da comunidade chinesa, mas também de “ligação com o sistema político malaio e, após a intervenção britânica em 1874, também com oficiais britânicos”. Ele se tornou o tenente de confiança de Liu e o sucedeu como o terceiro Kapitan Cina de Kuala Lumpur após a morte de Liu em 1869, após o que ele começou a reunir uma administração sólida e uma forte força de combate. A nomeação de Yap, entretanto, foi contestada pelos “parentes” de Liu, e um grupo oposto a Yap surgiu sob a liderança de Chong Chong. Também houve guerra constante entre duas gangues chinesas, a Hai San, dominada pelos Hakka dominante em Kuala Lumpur e a Ghee Hin, dominada pelos cantoneses, baseada principalmente na área de Kanching e Rawang, que lutaram para obter o controle do estanho. Em Kanching, um aliado de Yap Ah Loy, Yap Ah Sze, foi emboscado e assassinado, provavelmente por instigação de Chong Chong, outro líder Hakka. Yap Ah Loy levou seus homens a Kanching para expulsar Chong Chong em 1870, e 12 chineses e 8 malaios foram mortos no que foi reconhecido como o Massacre de Kanching. Chong Chong então fugiu para Rawang e se juntou à facção de Raja Mahdi na Guerra Civil de Selangor (1867-1874), que estourou miolos no início de 1867. Yap Ah Loy aliou-se a Tunku Kudin na guerra civil, e Kuala Lumpur foi atacada em 1870 por Yap`s inimigos aliados a Raja Mahdi.

Um novo ataque foi tentado e, em 1872, as forças de Raja Mahdi lideradas por Syed Mashhor capturaram Kuala Lumpur, forçando Yap Ah Loy a fugir para Klang. Yap tentou retomar Kuala Lumpur e, em março de 1873, a facção de Tengku Kudin, com o apoio de lutadores Pahang, derrotou Mashhor e recapturou Kuala Lumpur. A vitória de Yap em Kuala Lumpur em 1873 o colocou em “uma posição política forte, e ele era quase supremo no interior do Estado”. No entanto, Kuala Lumpur foi destruída durante a guerra e as minas inundadas. Yap então começou a reconstruir a cidade e rejuvenescer a indústria de mineração. Ele também melhorou as estradas que ligam Kuala Lumpur a áreas de mineração adjacentes e outros assentamentos. Uma queda no preço do estanho em meados da década de 1870, entretanto, causou graves dificuldades financeiras. Ele iniciou um empreendimento de fabricação de tijolos em Brickfields, bem como uma plantação de tapioca, embora isso tenha se demonstrado um fracasso caro. No final da década de 1870, ele estava com uma dívida considerável e disse estar quase falido. Yap Ah Loi morreu em 1885 logo após a nomeação de Swettenham, com apenas 47 anos. Ele desenvolveu bronquite e abscesso pulmonar, mas médicos relataram que ele morreu de “insuficiência cardíaca ou da fumaça de uma fogueira de carvão”. O terceiro Kapitan China foi enterrado no Cemitério Kwang em Kuala Lumpur. Um aumento no preço do estanho em 1879 melhorou seu financeiro, além de garantir o futuro de Kuala Lumpur.

            A Malásia é o 67º maior país por área territorial total, com uma área de 329 847 km². A nação malaia tem fronteiras terrestres com a Tailândia a oeste e com a Indonésia e Brunei a leste. O país está ligado com Singapura por uma ponte. O país também se constitui fronteiras marítimas com o Vietnã e as Filipinas. As fronteiras terrestres são definidas em grande parte por características geológicas, tais como os rios Perlis e Golok e o Canal Pagalayan, enquanto algumas das fronteiras marítimas ainda estão em disputa geopolítica. Brunei forma o que é quase um enclave no território da Malásia, sendo que o estado de Sarauaque divide o pequeno país em duas partes. A Malásia é o único país com território no continente asiático e no arquipélago malaio. Tanjung Piai, localizado no sul do estado de Johor, é o extremo sul da Ásia continental. O Estreito de Malaca, situado entre Samatra e a península da Malásia, é uma das vias mais importantes no comércio global, por onde passa 40% do comércio do mundo. As duas partes da Malásia, separadas pelo Mar da China Meridional, compartilham uma paisagem bastante semelhante, visto que tanto a Malásia Peninsular quanto a Malásia Oriental apresentam planícies costeiras que no interior transformam-se em colinas e montanhas.  

            Metodologicamente se a Fenomenologia representa o “itinerário da alma que se eleva ao espírito por meio da consciência”, fora de dúvida a ideia de semelhante itinerário foi sugerida a Friedrich Hegel pari passu com a convergência entre as obras literárias, como também aquelas que nos parecem referidas como as chamadas “novelas de cultura”, lembrava Hegel, tendo em vista a leitura referida sobre o Emílio, de J.-J. Rousseau e que nela encontrava uma primeira história da consciência natural elevando-se por si mesma a liberdade, através das experiências que lhe são próprias e que são particularmente formadoras. Se me permitem uma digressão, na Lettre à d`Alembert, Rousseau, além de ignorar a distinção metodológica entre o “possível e o real”, também fornece uma teoria explícita dos limites da perfectibilidade do teatro e das artes em geral. Assim, Rousseau inova, quando recorta do ponto de vista heurístico a ideia social de gênero de todo fundamento ideal-transcendente, deixando-a à deriva no elemento móvel no âmbito da historicidade. O campo do possível é constituído na história: cada forma de sociabilidade, cada estilo de linguagem, escolhe, por assim dizer, os seus móveis possíveis; a cada abertura, esboçada por uma linguagem particular, corresponde um fechamento que lhe é indissociável. O gênio nada pode contra as regras que secreta cada estrutura histórica.  

Esta ideia foi suficiente ao desenho mais correto na inscrição como esta: “Isto não é um cachimbo”, para que logo a figura esteja obrigada a sair de si própria, isolar-se de seu próprio espaço e, finalmente, pôr-se a flutuar, longe ou perto de si mesma, não se sabe, se semelhante ou diferente de si. No oposto de Isto não é um cachimbo, L`Art de la conversation: numa paisagem de começo do mundo ou mesmo de “gigantomaquia”, dois personagens minúsculos estão falando: discurso inaudível, murmúrio que é logo retomado no silêncio das pedras, no silêncio dessa parede em desaprumo que domina, com seus blocos enormes, os dois tagarelas mudos; ora esses blocos amontoados em desordem uns sobre os outros, formam a sua base, um conjunto de letras onde é fácil decifrar a palavra: rêve – sonho que é possível, olhando melhor, completar com trêve, trégua, ou crêve, morte, ou morra, arrebente, como se todas essas palavras frágeis e sem peso tivessem recebido o poder de organizar o caos das pedras. Ao contrário, pois por detrás da tagarelice despertada, mas logo perdida, dos homens, as coisas pudessem, em seu mutismo e em seu sono, compor uma palavra, estável que nada poderá apagar, palavra que designa a mais fugidia das imagens. Mas não é tudo: pois  é no sonho que os homens, enfim, reduzida ao silêncio, comunicam com a significação das coisas, e se deixam impressionar por essas palavras enigmáticas, insistentes, que vem de outro lugar.

A representação social do ensaio: Isto não é um cachimbo, era a incisão do discurso na forma das coisas, era seu poder ambíguo de negar e de desdobrar: A arte da conversa é a gratidão autônoma das coisas que forma as suas próprias palavras na indiferença dos homens, impondo a eles, sem mesmo que saibam, em sua tagarelice cotidiana. Para o que importa entre esses dois extremos, a obra de Magritte desdobra o jogo das palavras e imagens. Os títulos, frequentemente inventados a posteriori e por outrem, se inserem nas figuras onde o ponto em que podem se agarrar, estava se não marcado, autorizado de antemão, onde representam um ambíguo. Foucault nos coloca em dupla condição diante de um complexo esboço filosófico sobre a arte que, ao mesmo tempo, é arte enquanto abstração. Dois sujeitos escapam ao marcado mundo das semelhanças: o leitor e o expectador. Este mesmo campo das semelhanças serve à representação e igualmente a ordena, enquanto a similitude se estabelece na incerteza e na flutuação. Tudo isso é necessário para afirmar que “em nenhum lugar há um cachimbo”. O que importa saber para além de Magritte é que os signos e as coisas, dois universos de semelhanças, estão unidos pelo mesmo jogo. A semelhança domina a trama do mundo das coisas. O que Foucault chamou de “um apagar do lugar-comum” não é mais que a ausência de espaço entre os signos da escrita e as linhas da imagem. A arte escreve algo em nós, discursa e apresenta enunciados de difícil compreensão.

Um objeto num quadro é um volume organizado e colorido de tal sorte que sua forma se reconhece logo e que não é necessário nomeá-lo, mas no objeto, a massa necessária é reabsorvida, o nome inútil é despedido; Magritte elide o objeto e deixa o nome imediatamente superposto à massa. O fuso substancial do objeto não é mais representado senão por seus dois pontos extremos, a massa que faz sombra e o nome que designa. L`Alphabet des révélations se opõe muito exatamente ao Personagem caminhando em direção do horizonte: para Foucault, um grande quadro de madeira dividido em dois painéis, à direitas, formas simples, perfeitamente reconhecíveis, um cachimbo , uma chave, uma folha, um copo; ora, embaixo do painel, a figuração de um rasgo mostra que essas formas não são nada além de recortes numa folha de papel sem espessura; sobre o outro painel, uma espécie de barbante torcido e inextricável não desenha nenhuma forma reconhecível. Sem massa, sem nome, forma e volume, recorte vazio, tal é o objeto, entenda-se, que havia desaparecido do quadro precedente.

            É preciso não se enganar: num espaço em que cada elemento parece obedecer ao único princípio de representação plástica e da semelhança, os sinais linguísticos, que pareciam excluídos, que rondavam de longe à volta da imagem, e que o arbitrário do título parecia ter afastado para sempre, se aproximaram sub-repticiamente: introduziram na solidez da imagem, uma desordem – uma ordem que só lhes pertence. Fizeram fugir o objeto, que revela a finura de sua película. Parece, grosso modo, que Magritte dissociou a semelhança da similitude e joga esta contra aquela. A semelhança tem um padrão impreciso, mas que funciona como elemento original que ordena e hierarquiza a partir de si todas as cópias, cada vez mais fracas, que podem ser tiradas. Assemelhar significa uma referência primeira que prescreve e classifica. O similar se desenvolve em séries que não tem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não obedecem a nenhuma hierarquia, como num colegiado universitário, mas se propagam sob a forma de pequenas diferenças em inúteis pequenas diferenças.

           A semelhança serve à representação, que reina sobre ela; a similitude serve à repetição, que corre através dela. A semelhança se ordena segundo o modelo que está encarregada de acompanhar e de fazer reconhecer; a similitude faz circular o simulacro como relação indefinida e reversível do simular ao simular. Na Décalcomanie (1966), uma cortina vermelha de largas dobras que ocupa dois terços do quadro subtrai ao olhar uma paisagem do céu, do mar e de areia. Ao lado da cortina, dando como de costume, as costas ao espectador, o homem com chapéu-coco olha para o perigo. A cortina se encontra recortada com uma forma que é exatamente a do homem: como se fosse ele próprio um pedaço de cortina cortado com a tesoura. Nessa larga abertura, vê-se a praia. O que se deve compreender? É o homem destacado da cortina e, ao se deslocar permite ver o que ele provavelmente estava olhando quando se misturava com a dobra da cortina? Decalcomania? Deslocamento e mudança de elementos similares, mas de modo algum uma reprodução semelhante: “corpo=cortina”, diz representação semelhante.

      A semelhança comporta uma única asserção, sempre a mesma. A similitude as afirmações diferentes, que dançam juntas, apoiando-se e caindo umas em cima das outras. Expulsa do espaço do quadro, excluída da relação entre as coisas que reenviam uma à outa, a semelhança desaparece. Mas não era para reinar em outro lugar, onde estaria liberta do jogo indefinido da similitude. Não cabe à semelhança ser a soberania que faz surgir. A semelhança, que não é uma propriedade das coisas, não é própria ao pensamento? “Só ao pensamento”, diz Magritte, “é dado ser semelhante; ele assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece; torna-se o que o mundo oferece”. O pensamento assemelha sem similitude, tornando-se ele próprio essas coisas cuja similitude entre si exclui a semelhança. A pintura é esse ponto onde está na vertical um pensamento que está sob o modo da semelhança e das coisas que estão nas relações de similitude. Isto não é um cachimbo é suficiente para a questão: quem fala a enunciação? Ou antes, de fazer falar, os elementos dispostos, seja deles mesmo: “Isto não é um cachimbo”. Ela inaugura um jogo de transferências que correm, proliferam, se propagam, se respondem, no plano do quadro sem nada afirmar, nem representar nesses jogos da similitude.

Petronas Twin Towers, ou Torres Petronas, são dois arranha-céus edificados na cidade de Kuala Lumpur, Malásia pela construtora espanhola Acciona. Foram concluídos em 1998, têm 88 andares e, até julho de 2019, são o 14º edifício mais alto do mundo, com 452 metros. As torres foram projetadas pelo arquiteto Cesar Pelli, configuradas por estrutura de aço e vedação em vidro, desenhadas de forma a lembrar motivos culturais encontrados na arte islâmica, enquanto memória da herança muçulmana malaia. César Pelli nasceu em São Miguel de Tucumã, em 12 de outubro de 1926 e faleceu em Nova Iorque, em 19 de julho de 2019. Foi um arquiteto argentino reconhecido mundialmente por construir um dos maiores arranha-céus do mundo, as chamadas Torres Petronas. Em 1991, o Instituto Americano de Arquitetos (AIA) listou-o como um dos dez mais influentes arquitetos norte-americanos vivos. Dentre seus prêmios mais importantes encontram-se o 1995 AIA Gold Medal, que reconhece trabalhos de “grande influência para a teoria e prática da arquitetura”. Pelli emigrou para os Estados Unidos em 1952 e se naturalizou cidadão norte-americano em 1964. Após cursar arquitetura na Universidade Nacional de Tucumã, Pelli concluiu estudos na Escola de Arquitetura da Universidade de Illinois. Iniciou sua carreira no escritório de Eero Saarinen, em New Haven. Entre 1977 a 1984 foi reitor da Universidade de Yale. Em 26 de maio de 2008, a Universidade de Yale concedeu um diploma de Doutor das Artes pelo seu trabalho em arquitetura e recebeu o The Lynn S. Beedle Lifetime Achievement Award, do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, pelo seu trabalho no campo de arranha-céus.

Em 2012, a Fundação Konex, da Argentina, entregou o Diamond Konex Award for Visual Arts, premiando-o como “o mais importante artista argentino da última década”. Foi dono de uma firma de engenharia que emprega cem arquitetos sediada em New Haven. Ele era casado com Diana Balmori, uma renomada designer paisagista e urbanista. Juntos, tiveram dois filhos: Denis, um neurobiologista e professor de Psicologia e Neurociência, na Universidade de Nova York; e Rafael, também arquiteto. Morreu aos 92 anos em 19 de julho de 2019. A estrutura básica, porém, foi um desenvolvimento do projeto de um edifício cancelado em Chicago. Também os bombeiros simularam uma situação de que uma das torres estava a pegar fogo e transferiram 15.000 pessoas duma torre para a outra pelo passadiço construído entre elas; uma maneira de mostrar como as Torres Petronas são resistentes. A região peninsular contém 40% do território do país e se estende por 740 km de norte a sul, sendo que sua largura máxima é de 322 km. A península malaia está dividida entre as suas costas leste e oeste pelas Montanhas Titiwangsa, que chegam a uma altitude de 2 183 metros no Monte Korbu e são parte de uma série de “cadeias de montanhas” que funcionam abaixo do centro da península.

Estas montanhas são muito arborizadas e, principalmente, compostas de granito e outras rochas ígneas, muitas das quais foram corroídas, criando uma paisagem cárstica. A cordilheira é a origem de alguns dos sistemas de rios da península. As planícies costeiras que rodeiam a península alcançam uma largura máxima de 50 km e o litoral da península tem 1 931 km de extensão, embora portos estejam disponíveis apenas no lado ocidental. A Malásia Oriental, na ilha de Bornéu, tem um litoral de 2 607 km. Ela é dividida entre regiões costeiras, montanhas e vales, com um interior montanhoso. A Cordilheira Crocker estende-se para o norte a partir de Sarauaque, na divisão com o estado de Sabá. É a localização do Monte Kinabalu, que tem 4 095 metros de altura e é a montanha mais alta na Malásia. O Monte Kinabalu é protegido pelo Parque Nacional de Kinabalu, um Patrimônio Mundial da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). As maiores cadeias de montanhas formam a fronteira entre a Malásia e Indonésia. Em Sarauaque estão as cavernas Mulu, extraordinárias o “maior sistema de cavernas do mundo”. A Malásia assinou a Convenção sobre Diversidade Biológica, no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 1993 e tornou-se parte da convenção em 24 de junho de 1994. O país produziu Estratégia de Biodiversidade e Plano de Ação Nacional, recebida pela convenção em 16 de abril de 1998.

É considerado megadiverso, com um elevado número de espécies e altos níveis de endemismo. Estima-se que o território da Malásia contenha 20% das espécies animais do planeta. Os altos níveis de endemismo são encontrados nas diversas florestas das montanhas de Bornéu, onde as espécies são isoladas uma da outra por uma floresta de várzea. Existem cerca de 210 espécies de mamíferos, além de mais de 620 espécies de aves na península da Malásia, sendo que muitas são endêmicas das montanhas da região. Um grande número de espécies de aves endêmicas é encontrado em Bornéu. A biodiversidade abrange também 250 espécies de répteis, 150 espécies de cobras, 80 espécies de lagartos, 150 espécies de rãs e milhares de espécies de insetos. A zona econômica exclusiva da Malásia é 1,5 vezes maior do que a sua área em terra e algumas de suas águas estão no Triângulo de Coral, um local de grande biodiversidade climática. As águas em torno da ilha de Sipadan são consideradas per se “as mais biodiversas”. Na Malásia Oriental, o Mar de Sulu é o lar de variedade tipos aquáticos de seres vivos, com cerca de 600 espécies de corais e de 1.200 espécies de peixes. A biodiversidade única das cavernas do país atrai uma gama ecoturistas do mundo. Cerca de dois terços da Malásia estão cobertos por florestas e estima-se que algumas existam há aproximadamente130 milhões de anos. As florestas são dominadas pela família Dipterocarpaceae. Existem cerca de 14 500 espécies de plantas com flores e árvores. Em 1881, uma inundação varreu parte da cidade na sequência de um incêndio que havia consumido-a anteriormente. Estes sucessivos problemas de ordem urbana e climática destruíram a cidade, acabando com as estruturas fixas e resistentes de madeira. Frank Swettenham (1850-1946), o residente britânico de Selangor, exigiu que “fossem construídos edifícios de tijolo e telha”.

Muitos dos novos edifícios espelhados, com tijolo como as casas no sul da China, bem como a habilidosa carpintaria chinesa. Isto resultou numa distinta forma eclética casa-loja, arquitetura típica desta região. A linha ferroviária aumentou a acessibilidade a esta cidade. Em 1890 intensificou-se no desenvolvimento, levando à criação de um conselho sanitário. Em 1896, Kuala Lumpur foi escolhida como a capital dos recém-formados Estados Federados da Malásia. Uma mistura de diferentes comunidades está dividida em várias seções de Kuala Lumpur. A comunidade chinesa encontra-se principalmente ao redor do centro comercial de Market Square, a Leste do rio Kelang, e ao pé da Chinatown. A população Malaia, Indiana Chettiars, e Indiana Muçulmana residem ao longo da Java Street, posteriormente Jalan Tun Perak. O Padang, passa a ser reconhecida como Merdeka Square, o centro dos escritórios britânicos. O tenente-general Sir Frank Messervy recebe a espada do general Seishirō Itagaki (1885-1948), comandante do Exército Japonês da Sétima Área, em uma cerimônia formal de rendição realizada nos terrenos do HQ Malaya Command, Kuala Lumpur, 22 de fevereiro de 1946. Mas Itagaki foi chamado de volta ao Japão em 1938, servindo brevemente como Ministro da Guerra de 1938 a 1939. Em 6 de dezembro de 1938, Itagaki propôs uma política de acordo com Hakko Ichiu (Expansão) na Conferência dos Cinco Ministros, que representou a mais alta conferência japonesa daquela conjuntura. Entretanto o conselho de tomada de decisão, e o conselho tomou a decisão de proibir a expulsão dos judeus no Japão, Manchúria e China como política nacional japonesa.

Itagaki retornou à China novamente como chefe de gabinete do Exército Expedicionário da China de 1939 a 1941. No entanto, no verão de 1939, a inesperada derrota das forças japonesas contra a União Soviética na Batalha de Khalkhin Gol, ou incidente de Nomonhan, a batalha decisiva dos conflitos fronteiriços soviético-japonês, foi um grande golpe em sua carreira. Em 7 de julho de 1941, Itagaki foi transferido para comandar o Exército Escolhido na Coréia, então considerado um posto de remanso sem prestígio. Ele foi capaz de evitar que Masanobu Tsuji fosse demitido como o Imperador desejava devido à insolência de Tsuji e ao gekokujō extremo durante o incidente de Nomonhan, tendo Tsuji transferido para uma unidade de pesquisa em Formosa. Enquanto Itagaki era comandante do Exército Escolhido, o Japão começou a montar seu programa de armas nucleares com o local industrial perto do reservatório Escolhido como seu equivalente ao laboratório Oak Ridge para o Projeto Manhattan da América. Como a situação beligerante de guerra continuou a se deteriorar para o Japão, o Exército Escolhido foi elevado ao Exército Japonês da Décima Sétima Área em 1945, com Itagaki ainda como comandante em chefe até 7 de abril de 1945. Itagaki foi então transferido para o Exército da Sétima Área Japonesa em Cingapura e Malásia em abril de 1945. Itagaki rendeu as forças japonesas no sudeste da Ásia ao almirante britânico Louis Mountbatten em Cingapura em 12 de setembro de 1945.

Projeto Manhattan representou um programa de pesquisa e desenvolvimento que produziu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial. Foi liderado pelos Estados Unidos, com o apoio do Reino Unido e Canadá. De 1940 a 1946, o projeto esteve sob a direção do major-general Leslie Groves do Corpo de Engenheiros do Exército. O componente do exército do projeto foi designado como Distrito Manhattan, sendo que posteriormente o termo “Manhattan” gradualmente substituiu o codinome oficial (“Desenvolvimento de materiais substitutos”). Ao longo do caminho, o programa absorveu o seu homólogo britânico, o Tube Alloys. O Projeto Manhattan começou modestamente em 1939, mas cresceu e empregou mais de 13 mil pessoas e custou cerca de dois bilhões de dólares (o equivalente a cerca de 26 bilhões de dólares em 2013. Mais de 90% do custo foi para a construção de fábricas e produção de materiais físseis, com menos de 10% para o desenvolvimento e produção das armas. A pesquisa e produção ocorreu em mais de 30 locais nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Dois tipos de bomba atômica foram desenvolvidos durante a guerra. Um tipo relativamente simples de arma de fissão, reconhecidamente com a chamada Little Boy, foi feito utilizando urânio-235, um isótopo que representa 0,7% do urânio natural.

Uma vez que é quimicamente idêntico ao isótopo mais comum, o urânio-238, e tem quase a mesma massa, o urânio-235 revelou-se difícil de separar do urânio-238. Três métodos foram utilizados para o enriquecimento do urânio: eletromagnético, gasoso e térmico. A maior parte deste trabalho foi realizado em Oak Ridge, Tennessee. Em paralelo com o trabalho com urânio, também houve um esforço para produzir plutônio. Reatores foram construídos em Oak Ridge e Hanford, Washington, onde o urânio foi irradiado e transmutado em plutônio, que então foi separado quimicamente do urânio. O projeto, no entanto, se provou impraticável para ser usado com plutônio. A arma do tipo de implosão Fat Man foi muito bem desenvolvida em um esforço de construção e pesquisa no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. O programa também estava encarregado de colher informações sobre o projeto de energia nuclear da Alemanha Nazista. Através da Operação Alsos, foi um esforço no final da Segunda Guerra Mundial dos aliados, principalmente da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, relacionado com o projeto Manhattan, para capturar recursos nucleares alemães, materiais e pessoas, para a futura pesquisa estado-unidense e para evitar que caíssem nas mãos dos soviéticos, e para descobrir “o que os alemães sabiam sobre a criação de uma bomba atômica”. O responsável do projeto atrás da linha da frente, primeiro na Itália, e na França e Alemanha, procurando pessoas, artigos, material e centros envolvidos.

Durante a 2ª guerra mundial, Kuala Lumpur foi capturada pelo exército japonês a 11 de janeiro de 1942. Eles permaneceram em ocupação até 15 de agosto de 1945, quando o comandante-chefe do Exército Japonês da Sétima Região, em Singapura e na Federação Malaia, Seishirō Itagaki (1885-1948), entregou à administração britânica na sequência dos violentos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. Kuala Lumpur continuou a crescer durante a guerra, a borracha e o estanho caíram de cotação e a Emergência Malaia, durante a qual, a Malásia preocupou-se com o desenvolvimento político-partidário do Comunismo chinês. Em 1957, a Federação na Malásia ganhou a Independência do Reino Unido e Kuala Lumpur tornou-se a capital do país, com a sua formação a 16 de setembro de 1963. A 13 de maio de 1969, teve lugar um dos piores motins ocorridos na Malásia, este aconteceu em Kuala Lumpur. O Incidente de 13 de maio, representou um motim ocorrido entre os Malásios e os Malásios Chineses, que estavam descontentes com a situação sócio-política daquela conjuntura. O motim resultou na morte massificada de 196 pessoas, e fez com que houvesse uma grande reforma na esfera política econômica do país. Kuala Lumpur recebeu mais tarde o referendum de estatuto de cidade, sendo que em 1972, tornando-se o primeiro assentamento na Malásia a ser reconhecido com o estatuto após a Independência.

Em 1º de fevereiro de 1974, Kuala Lumpur tornou-se um território federal. Deixou de ser a capital de Selangor em 1978 e a cidade de Shah Alam foi declarada a nova capital do estado. Em 1998, outro movimento social e político reconhecido como Reformasi ocorreu na cidade-capital. O movimento resultou de uma consequência controversa da demissão do ex-vice-primeiro-ministro malaio, Anwar bin Ibrahim, propiciando o encadeamento de protestos até 1999, em que apoiadores de Anwar Ibrahim tomaram as ruas para exigir reformas na administração do governo, entre outros. Segundo Mendes (1999) com Anwar preso, a mulher fundou um partido. Azizah oficializa a sua trajetória de política notável e abre terreno para a Reformasi proposta pelo marido. Mais uma preocupação para Mahathir, um líder aparentemente desesperado. A esposa de Anwar Ibrahim, o ex-vice-primeiro-ministro da Malásia que se encontra preso desde setembro, fundou um novo Parti Keadilan Nasional (PKN), ou Partido da Justiça Nacional, e claramente Anwar na oposição e legitima o seu movimento Reformasi que exige mudanças no regime político. A oftalmologista Wan Azizah Wan Ismail, 48 anos, é a presidente do partido remanescente, mas o marido não fará parte do PKN. - “Anwar é a inspiração para o partido, mas não é militante”, explicou a vice-presidente do PKN, Chandra Muzaffar. – “Ele é a única figura que pode reunir todos os partidos e por isso é melhor ele não estar ligado a nenhuma instituição”.  

O PKN nasceu numa cerimônia realizada num luxuoso hotel de Kuala Lumpur, com cerca de 5000 convidados, que repetidamente gritaram Reformasi! (“reforma”) e Allahu Akbar! (“Alá é Grande”), sem que se notasse a presença das forças de segurança. Azizah pretende que o PKN seja um partido multirracial que ultrapasse as divisões étnicas em que assentam a maior parte dos partidos políticos na Malásia. – “Fiquei entusiasmado em apoiar o PKN porque senti a importância de combinar e unir esforços políticos para garantir justiça a todos”, afirmou Anwar numa mensagem lida aos convidados da festa, composta na maioria por malaios. Anwar Ibrahim foi demitido das suas funções no Governo a 2 de setembro e no dia seguinte foi expulso do partido no poder, a Organização Nacional dos Malaios Unidos (UMNO), dirigida pelo primeiro-ministro, Mahathir Mohamad. Anwar, que era também ministro das Finanças, enfrenta cinco acusações de corrupção - espera a leitura da sentença a 14 de abril - e cinco de sodomia, que ele rejeita, dizendo-se vítima de uma conspiração política considerada “ao mais alto nível”. Desde a prisão do marido, Azizah liderou habilmente a campanha pela sua libertação - que acabou por se tornar numa onda de protesto contra o Governo de Mahathir. O veterano opositor malaio Mahathir Mohamad, 92 anos, tomou posse como primeiro-ministro, após inesperada vitória eleitoral, tornando-se o chefe de governo mais velho contemporâneo. Mahathir Mohamad, que foi primeiro-ministro do país de 1981 a 2003, venceu as legislativas à frente de uma coalizão de oposição que derrotou o primeiro-ministro Najib Razak, o líder da coalizão que estava há 61 anos no poder.

Neste período, revelou ser uma figura política notável, como afirmou Anwar numa entrevista concedida à Far Eastern Economic Review (FEER), a principal publicação econômica semanal na Ásia. Adil, a organização de defesa de direitos dirigida por Azizah, “é provavelmente o movimento cívico de maior sucesso na história da Malásia”, acrescentou o marido. Azizah estudou em Dublin, é uma muçulmana devota e mãe de seis filhos e, durante os meses conturbados do processo de Anwar, tem defendido que o seu país precisa de “estabilidade e tolerância”. O antigo delfim de Mahathir diz que meio ano na prisão não conseguiram enfraquecer a sua base de apoio político, tanto dentro como fora da Malásia. – “Se alguém na UMNO disser que deixei de ter apoio no partido, essa pessoa deve estar a sonhar ou a enganar-se a si mesmo”, frisou Anwar na entrevista publicada este fim-de-semana na FEER. Anwar Ibrahim está convicto que nenhum ministro se demitiu após a sua detenção por medo de represálias de Mahathir. – “Os malaios estão cansados que lhes falem de cima e que a democracia venha sempre a reboque do desenvolvimento econômico”. - Mahathir é um político que fará qualquer coisa para afastar o criticismo para longe dele e do seu regime opressor e corrupto, declarou Anwar, que era o mais provável sucessor do primeiro-ministro, a quem chamava “pai”. Mahathir percebeu que está ficando cada vez mais impopular.

Anwar Ibrahim foi espancado quando se encontrava sob custódia policial e não pretende deixar cair esse assunto no esquecimento porque está convicto que o inspector que o agrediu, e que admitiu o abuso, “não agiu sozinho”. Na prisão, o político mais famoso da Malásia aproveita o tempo para ler, preparar a sua defesa e desta forma “delinear estratégias políticas”, decerto na linha das que seguiu como ministro das Finanças. Anwar, na passagem pelo Governo, favoreceu a abertura e internacionalização da economia da Malásia, o que lhe valeu acusações ideológicas de ser um traidor, agente dos interesses estrangeiros em Kuala Lumpur. - Mahathir esteve e continua a estar em contradição, culpando toda a gente menos ele próprio pelos desaires econômicos da Malásia. O secretário-geral da Organização Nacional dos Malaios Unidos (UMNO), Sabbaruddin Chik, respondeu ao nascimento do partido de Aziza com pouca preocupação: - Não creio que os nossos esforços dos últimos 30, 40 anos, que começaram a produzir resultados, serão esquecidos com a criação de um novo partido. O primeiro-ministro da Malásia encontrava-se hospitalizado em Kuala Lumpur com uma infecção nos rins. Os médicos afirmaram que o quadro clínico era estável, mas Mahathir Mohamad apresenta condições e possibilidades de ficar vários dias hospitalizado.

Bibliografia geral consultada.

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