sábado, 14 de janeiro de 2023

Operação Sófia – Cinema, Ação & Personalidade de Fantasia.

                                               O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito”. Émile Zola (1840-1902)

           

           Sófia é uma das capitais mais antigas da Europa, sua história remonta ao século VIII a.C., quando os trácios estabeleceram um assentamento na região. A cidade mais antiga da Europa estabeleceu humanos por mais de 8 mil anos e foi conquistada por trácios, macedônios, romanos, bizantinos, turcos otomanos, persas, eslavos, hunos, celtas e búlgaros. Durante a 2ª guerra mundial, devido a aliança da Bulgária com o Terceiro Reich, a cidade foi objeto de bombardeios aéreos dos aviões britânicos e americanos. Posteriormente, com a mudança do curso da guerra contra o Wehrmacht, o Exército Vermelho soviético entrou na Bulgária e Sófia em 1944, enquanto acontecia uma mudança de governo, passando a Bulgária a unir-se aos Aliados, contra sua antiga aliada a Alemanha nazi. O desenvolvimento de Sófia como um assentamento significativo se deve em grande parte a sua posição de região central nos Balcãs. Está situada a Oeste da Bulgária, aos pés do Monte Vitosha, no Vale de Sófia, o maior do país representando uma área de 1186 km² e uma altitude média de 550 metros. Três passos de montanha conduzem à proximidade da cidade, e tem sido rotas chaves comerciais e de migração desde a Antiguidade, comunicando-se com o Mar Adriático e a Europa Central com os mares Negro e Egeu. O mar Negro, originalmente chamado Ponto Euxino, é um mar interior situado entre a Europa, a Anatólia e o Cáucaso, ligado ao oceano Atlântico através dos mares Mediterrâneo e Egeu e por diversos estreitos. O Bósforo o liga ao mar de Mármara, e o estreito de Dardanelos o conecta à região do Egeu.

          Sófia teve vários nomes em diferentes períodos, e pode-se ver remanescentes da milenária história da cidade ao lado dos atrativos turísticos modernos. É a terceira capital mais antiga, pois é habitada desde tempos remotos e possui uma história de mais de 7000 anos. Sofia, também escrita Sophia, é um nome feminino, do grego Σοφία, Sophía, Sabedoria. As formas diminutas incluem Sophie e Sofie. O nome remonta a partir do século IV. É um nome feminino comum nos países ortodoxos orientais. Tornou-se muito popular no Ocidente a partir do final dos anos 1990 e se tornou um dos nomes de meninas mais populares no mundo ocidental durante os anos 2010. O nome era relativamente comum na Europa continental no período medieval e no início da era moderna. Foi popularizado na Grã-Bretanha pela Casa de Hanôver da Alemanha, no século XVIII. Foi popularizado repetidamente entre a população em geral, com o nome de uma personagem do romance Tom Jones (1794) de Henry Fielding, em The Vicar of Wakefield (1766) de Oliver Goldsmith e nos anos 1960 pela atriz italiana Sophia Loren. Durante as décadas de 1990 a 2010, a popularidade do nome aumentou em muitos países do mundo ocidental. As influências sugeridas para essa tendência incluem Sofía Vergara e Sofia Coppola também popular no final dos anos 1990 e Sofia Hellqvist que foi muito popular nos anos 2000. Sophia foi o nome feminino mais popular dado nos Estados Unidos da América durante 2011-2013. A forma Sofia raramente era dada nos Estados Unidos antes dos anos 1970; também aumentou acentuadamente em popularidade nas décadas de 1990 a 2000 e atingiu o 12º lugar em 2012. O Safiye turco é do Safiyya árabe não relacionado ( صفية puro). Sofia persa (persa: صوفیا) é de Sufi não relacionada, uma seita do Islã.  

A história registrada na Antiguidade começa com a invenção da escrita. Há uns 50 mil anos, os seres humanos lançaram-se à conquista do planeta em diferentes rumos desde África. Uma escrita sistematizada aparece somente por volta de 3500 a.C., quando os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme na Mesopotâmia. Os registros cotidianos, econômicos e políticos da época eram feitos na argila, com símbolos formados por cones. Nesse mesmo momento, surgem os hieróglifos no Egito. Um rumo alcançou a Austrália. A outra chegou a Ásia Central, para logo se dividir em dois, uma a Europa, e a outra caminhou até cruzar o Estreito de Bering e chegou à América do Norte. As últimas áreas a ser colonizadas foram as ilhas da Polinésia, durante o primeiro milênio. Os neandertais eram robustos, com um cérebro grande, e viviam na Europa e Oeste da Ásia. Sobreviveram até 24 mil anos atrás e coexistiram com os modernos Homo sapiens. A origem dos Homo Sapiens atuais é bastante discutida. Mas a maioria dos cientistas apoia a teoria da Eva Mitocondrial, apoiada por testes genéticos. Em vez da teoria evolução multirregional que defende que os seres humanos modernos evoluíram em todo o mundo, ao mesmo tempo a partir das espécies Homo lá existentes e que se reproduziram entre si entre as várias migrações que supostamente fizeram. A teoria da Eva Mitocondrial se baseia no estudo das mitocôndrias transmitida da mãe à prole. Cada mitocôndria contém ADN (ácido desoxirribonucleico) mitocondrial e a comparação das sequências deste ADN revela uma filogenia molecular. 

        A Eva mitocondrial recebe seu nome da Eva que é relatada no livro de Gênesis da Bíblia. A tradição judaico-cristã atribui a autoria do texto a Moisés, enquanto a crítica literária moderna prefere descrevê-lo como compilado de texto de diversas mãos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) concluíram que todos os humanos eram descendentes de um grupo relativamente pequeno de mulheres que viveram na África há cerca de 200 mil anos, que denominaram de Eva MitocondrialNa genética humana, a Eva mitocondrial é o ancestral comum matrilinear mais recente (MRCA) de todos os seres humanos vivos. Em outras palavras, ela é definida como a mulher mais recente de quem todos os seres humanos vivos descendem em uma linha ininterrupta puramente através de suas mães e através das mães dessas mães, de volta até que todas as linhas convergem para uma mulher. Eles se basearam na análise do DNA (ácido desoxirribonucleicoretirado das mitocôndrias, que difere do DNA do núcleo da célula e é transmitido apenas pela linhagem feminina. Ele sofre mutações em rápidas proporções. Comparando o DNA mitocondrial de mulheres de vários grupos étnicos, eles puderam estimar quanto tempo se passou para que cada grupo assumisse características distintas a partir de um ancestral comum. De fato, eles construíram uma árvore genealógica para o gênero humano, na base da qual estavam a Eva Mitocondrial, a grande avó de todos os humanos. Isto não significa que ela foi a única mulher existente, mas que um pequeno grupo fundador possuía o mesmo DNA Mitocondrial e produziram uma linhagem direta por linha feminina que persiste até a presente data. é um tipo de ácido nucleico que possui destaque por armazenar a informação genética da grande maioria dos seres vivos.

            Na periodização das épocas históricas da humanidade se estende desde a invenção da escrita até à queda do Império Romano do Ocidente. Embora o critério da invenção da escrita como balizador entre o fim da Pré-história e o começo da História seja o mais comum, estudiosos que dão mais ênfase à importância da cultura material das sociedades têm procurado repensar essa divisão recentemente. Também não há entre os historiadores um consenso sobre quando se deu o verdadeiro fim do Império Romano e início da Idade Média, por considerarem que processos sociais e econômicos não podem ser datados com a mesma precisão dos fatos políticos. Também deve-se levar em conta que essa periodização está relacionada à História da Europa e também do Oriente Próximo como precursor das civilizações que se desenvolveram no Mediterrâneo, culminando com Roma. Essa visão se consolidou com a historiografia positivista que surgiu no século XIX, que fez da escrita da história uma ciência e uma disciplina acadêmica. Se repensarmos os critérios que definem o que é a Antiguidade no resto do mundo, é possível pensar em outros critérios e datas balizadoras. No caso da Europa e do Oriente Próximo, diversos povos que se comunicam desenvolveram-se na Idade Antiga. Os sumérios, na Mesopotâmia, foram a civilização que originou a escrita e a urbanização, mais ou menos quando surgia a civilização egípcia. Depois disso, já no Primeiro milénio a.C., os persas foram os primeiros a constituir um grande império, que foi posteriormente conquistado por Alexandre, o Grande. As civilizações clássicas da Grécia e de Roma são consideradas as maiores formadoras da civilização ocidental contemporânea. Destacam-se os hebreus, com a primeira civilização monoteísta, os fenícios, considerados os senhores do mar e do comércio e os inventores do alfabeto, além dos celtas, etruscos e outros. 

        O próprio estudo da história começou nesse período, com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente. Os primeiros fósseis humanos foram encontrados na Etiópia e datam de aproximadamente 160 mil anos. Há cerca de 35 mil anos surgiu a arte paleolítica na Europa. Consistia em pinturas nas paredes internas das grutas, e pequenas esculturas eram feitas em madeira ou geralmente em pedra, representado várias vezes símbolos de fertilidade. A representação da fantasia em psicologia é um mecanismo de defesa que consiste na criação de um sistema de vida paralelo. Mas existe apenas na imaginação de quem o cria, com o objetivo de proporcionar uma satisfação ilusória, que não é ou não pode ser obtida através da convivência na vida real. Autoridade nesse campo Sigmund Freud tinha uma visão positiva da fantasia, considerando-a um mecanismo de defesa. – “Nós simplesmente não podemos prescindir de construções auxiliares”, como Theodor Fontane, escritor alemão, considerado por muitos pesquisadores o mais importante do realismo alemão, disse uma vez residir “em desejos imaginários de realização”. À medida em que a adaptação da infância ao princípio de realidade se desenvolve, também concorre uma espécie de atividade humana do pensamento que se divide; essa parte foi mantida livre de testes de realidade e permanece subordinada ao princípio único de prazer: o “sonhar acordado, à maneira como uma reserva natural preserva seu estado original, no que é inútil e mesmo nocivo, pode crescer e proliferar como quiser. 

        Na história comparada entre norte-americanos e europeus, sem temor a erro, Hollywood é a mais antiga promissora “indústria cultural” onde os estúdios de cinema e empresas de produção de dramaturgia cinematográfica surgiram. Mas também é o berço cinematográfico de vários gêneros de cinema, entre os quais a comédia, drama, ação, musical, romance, horror e ficção científica, constituindo um exemplo para outras indústrias cinematográficas nacionais. O cinema dos Estados Unidos da América (EUA), muitas vezes chamado metonimicamente (“ao sucesso com”) Hollywood, teve um grande efeito na indústria cinematográfica em geral desde o início do século XX. Seu estilo dominante é o cinema clássico de Hollywood, que se desenvolveu de 1917 a 1960 e caracteriza a maioria dos filmes realizados. Enquanto os franceses Auguste e Louis Lumière são geralmente creditados com o nascimento do cinema moderno, o cinema norte-americano logo veio a ser uma força estratégica dominante na indústria in statu nascendi. Produz o maior número de filmes de qualquer cinema nacional de língua única, com mais de 700 filmes em inglês comercializados em média todos os anos. Enquanto os cinemas do Reino Unido (299), Canadá (206), Austrália e Nova Zelândia também produzem filmes na mesma língua, eles “não são considerados parte do sistema de Hollywood que também é considerado um cinema transnacional”. Hollywood clássica produziu versões em idiomas de títulos em espanhol ou francês. Produção contemporânea de offshores, ou seja, sociedades ou contas bancárias, abertas em países ou territórios que oferecem benefícios fiscais e políticas de privacidade e confidencialidade aos investidores de Hollywood para o Canadá, Austrália, Nova Zelândia e assim sucessivamente.

        A ausência de autoridade requeria a “intervenção do Estado sobre a religião e acarretava na impossibilidade de usar a Bíblia como lei”. É preciso haver um único governante, do contrário se origina a facção e a guerra civil, entre a Igreja e o Estado, entre os espiritualistas e os temporalistas, entre a espada da justiça e o escudo da fé. E o que é mais desastroso ainda, no próprio coração de cada cristão, entre o cristão e o homem. Chamam-se pastores, os doutores da igreja, bem como os soberanos civis. É um título conferido por uma variedade de igrejas cristãs a indivíduos de reconhecida importância, particularmente nos campos da teologia ou doutrina católica. Os detalhes sobre o título “Doutor da Igreja” variam de uma igreja particular para outra. As obras destes Doutores variam consideravelmente nos temas e na forma. Alguns doutores, como Gregório ou de Ambrósio, são proeminentes por suas epístolas e tratados curtos. Catarina de Siena e João da Cruz escreveram sobre teologia mística. Agostinho e Belarmino defenderam a Igreja católica contra a questão secular das heresias. A história eclesiástica do Povo Inglês de Beda representa uma obra que fornece uma riqueza incomparável de informações sobre a Inglaterra no início da Idade Média. É um livro escrito por São Beda, para narrar a história do cristianismo e dos ingleses. Acredita-se que foi completado em 731 d.C., quando Beda tinha 60 anos de idade. É o primeiro livro a ter notas de rodapé. A teologia sistêmica inclui os filósofos escolásticos Anselmo (1033-1109), Alberto Magno (1193-1280) e Tomás de Aquino (1125-1274). Se entre os pastores não houver alguma subordinação, de forma que haja um chefe dos pastores, serão ministrados aos homens doutrinas contrárias, que poderão ser pretensiosamente falsas e necessariamente o será. O soberano civil na história política do pensamento ocidental, o chefe dos pastores segundo a lei natural. Embora o poder do Estado e religião estivesse com os reis, não deixaram de ser fiscalizado em utilidade de uso, quando eram bem quistos por suas capacidades ou por sua fortuna de bens. 

          Essas fantasias da vida cotidiana própria do desempenho vital contêm grande parte representada da essência constitucional de uma personalidade, e que o homem energético “é aquele que consegue através de seus esforços, transformar suas desejosas fantasias em realidade” e, comparativamente, o artista “pode transformar suas fantasias em criações artísticas” em vez de sintomas condensado no destino da neurose. Controle mental é um termo genérico para diversas teorias que propõem que os pensamentos de um indivíduo, bem como seu comportamento, emoções e decisões, possam estar sujeitos à manipulação de fontes externas ou não voluntárias. Basicamente, o controle da mente é o controle bem-sucedido dos pensamentos e ações de outro sem o seu consentimento. O termo também pode ser usado em teorias controversas de manipulação arbitrária do pensamento de um indivíduo, como na “lavagem cerebral” do inglês brainwashing. A possibilidade do controle da mente e os métodos para assumi-la, de forma direta ou sutil, são temas para discussões entre psicólogos, neurocientistas e sociólogos. A definição exata de controle mental e a extensão de sua influência sobre o indivíduo também são debatidos. A questão de controle mental tem sido discutida em conjunto com religião, política, prisioneiros de guerra, totalitarismo, manipulação de células neurais, cultos, terrorismo, tortura e alienação paternal. Os diferentes pontos de vista sobre o assunto possuem implicações legais. Controle mental foi o tema do caso judicial de Patty Hearst e de julgamentos envolvendo novos movimentos religiosos.

O conceito surgiu após um assalto a banco ocorrido em 1973 em Estocolmo, na Suécia. Quatro vítimas, sendo três mulheres, tornaram-se reféns de assaltantes durante seis dias e, como defesas contra a ameaça de violência que pudesse resultar de atos de confrontação aos sequestradores, passaram a se solidarizar com eles. A tal ponto que em tais circunstâncias sociais concretas haverem-se recusado a testemunhar no julgamento subsequentemente realizado, e ainda, terem levantado recursos financeiros para a sua defesa. Uma das vítimas teria ficado “noiva” de um dos sequestradores quando cumpria pena, segundo relatos. Não são todas as vítimas que desenvolvem traumas após o fim da situação. E neste sentido, síndrome de Oslo comparativamente, é um estado psicológico que se desenvolve em pessoas que enfrentam uma situação de grande perigo ou ameaça. Consiste essencialmente num autoengano sobre as verdadeiras intenções da ameaça. Pode passar pela “desculpabilização” do agressor, sendo uma forma de síndrome de Estocolmo ou, inversamente, de auto-culpabilização pela situação. Neste caso a vítima tende a considerar que, de alguma forma, merece aquele determinado castigo.   

O caso mais famoso e característico etnograficamente do quadro sintomatológico da doença é reconhecido através de Patty Hearst, que desenvolveu a síndrome em 1974, após ser sequestrada durante um assalto ao banco realizado pela organização político-militar Exército de Libertação Simbionesa. Depois de libertada do cativeiro, Patty Hearst juntou-se aos seus raptores, indo viver com eles e sendo cúmplice em assalto a bancos. A síndrome pode se desenvolver esquematicamente: a) em vítimas de sequestro, b) em cenários de guerra, c) sobreviventes de campos de concentração, d) pessoas que são submetidas à prisão domiciliar por familiares, e) também em vítimas de abusos pessoais externos (ruas etc.), f) finalmente, como pessoas submetidas à violência física doméstica e familiar em que a vítima é agredida pelo cônjuge, continua a amá-lo e defendê-lo como se as agressões fossem normais. A síndrome de Estocolmo pode muito bem ser identificada na literatura infantil. Ocorre no clássico conto francês, escrito por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont (1711-1776), por ter escrito A Bela e a Fera, que narra a história de uma garota bonita e inteligente que é vítima de “cárcere privado” por uma Fera, e por fim desenvolve um relacionamento afetivo e se casa com ela.

Na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo escrita pelo norte-americano George Raymond Richard Martin, mas reconhecido como George R. R. Martin, assim como na sua adaptação para a televisão, o Game of Thrones, Theon Greyjoy desenvolve uma forma de amor por seu raptor e torturador, Ramsay Snow, que o transformou em seu “brinquedo” após castrá-lo e amputá-lo. Na literatura policial, podemos citar o exemplo do livro Stolen. É o romance de estreia da autora Lucy Christopher. Foi publicado no Reino Unido em 2009 e é a história de Gemma Toombs, uma garota de 16 anos que é sequestrada por um homem de 27 anos chamado Ty e levada para o meio do Great Sandy Desert no Outback australiano. Nele o personagem, Gemma, é sequestrada por Tyler, o qual a leva para o deserto australiano. A garota tenta escapar em vão. A administração do tempo no encadeamento da relação com o opressor Gemma sente afeto por Tyler, e realmente pode amá-lo. Há correlação da síndrome com dois personagens centrais de Jogos Mortais. A jovem ex-drogada Amanda (Shawnee Smith) após ter conseguido concluir uma das provas do cientista e escritor Jigsaw (John Kramer), conquistou a admiração dele por lutar por sua vida e passou a trabalhar para ele, “dando continuidade à sua série de matanças”. No imaginário individual (sonho) e coletivo do filme Paranoia (2007), um suspense que não assusta, mas diverte, o personagem Ronnie (Aaron Yoo) fala para Ashley (Sarah Roemer) sobre a síndrome de Estocolmo, após Ashley ter conversado com o assassino da vizinhança, e tê-la convencido de que não era um assassino, achando que Ashley estava apaixonada pelo assassino.

No cinema o filme espanhol Atame! (1990) de Pedro Almodóvar, a protagonista Marina se apaixona pelo raptor Ricky e volta a procurá-lo depois de ser libertada para casar-se com ele. A síndrome está presente no filme The World Is Not Enough, da franquia James Bond, a personagem Elektra King (Sophie Marceau), sequestrada por um terrorista internacional de planos maquiavélicos. Na série de TV Homeland, a personagem de Damian Lewis, Nicholas Brody, durante os 8 anos em que ficou preso, desenvolve uma relação afetiva com seu captor, Abu Nazir, devido a pequenos gestos, em meio a torturas físicas e psicológicas. Homeland segue Carrie Mathison, oficial de operações da Agência Central de Inteligência (CIA) que conduziu uma operação não autorizada no Iraque, é colocada em liberdade condicional e transferida para o Centro Contraterrorista em Langley, Virgínia. Enquanto conduzia a sua operação no Iraque, Carrie foi avisada por uma fonte que um prisioneiro de guerra norte-americano passou para o lado da Al-Qaeda. A Central Intelligence Agency (CIA) ou Agência Central de Inteligência, é uma agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos da América responsável por investigar e fornecer informações de segurança nacional para o Presidente e seu gabinete. 

O centro de missão antiterrorismo da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos está sendo despojada de dinheiro e pessoal e redirecionada para o novo centro de missão na China, relatou a agência norte-americana Associated Press (AP). Assim, David Cohen, vice-diretor da CIA, informou altos funcionários do Centro de Contraterrorismo em uma reunião realizada em julho que, embora o combate à Al-Qaeda que é interpretada como organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países e outros extremistas continuaria sendo uma prioridade, os recursos seriam transferidos para o centro da China em busca de formas de “entender” e “combater” Pequim melhor, segundo fontes da agência norte-americana Associated Press (AP). O seu trabalho não é pouco complicado quando o seu chefe, David Estes, a chama junto com seus colegas para uma reunião de emergência. Nela, Carrie descobre que Nicholas Brody, um sargento dos Fuzileiros Navais que desapareceu durante o serviço em 2003, foi resgatado durante uma incursão da Delta Force, a principal força estratégica contraterrorista e de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, num complexo pertencente a Abu Nazir. Carrie passa a acreditar que Brody é o prisioneiro de guerra que sua fonte tinha falado. O governo federal e seus superiores consideraram Nicholas Brody como a representção social de um herói.

O presidente eleito dos Estados Unidos da América, Joe Biden, nomeou nesta sexta-feira o ex-vice-diretor da CIA David Cohen para retomar sua função na agência de inteligência dos EUA. Cohen atuou anteriormente como vice-diretor da Agência Central de Inteligência de 2015 a 2017, sob o ex-presidente democrata Barack Obama, quando Biden era vice-presidente. Ele vai trabalhar com o diplomata de carreira William Burns, nomeado de Biden para diretor da CIA. – “Cohen é um especialista em segurança nacional, finanças e direito”, informou a equipe de transição de Biden em um comunicado, ao ressaltar seu trabalho liderando “projetos especiais em novas tecnologias e a melhor forma de trabalhar com empresas para promover a missão da CIA”. O advogado também atuou como subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira no Departamento do Tesouro dos EUA, onde lidou com financiamento do terrorismo e supervisionou sanções contra países como Irã, Rússia e Coreia do Norte.

A equipe de transição confirmou que a coordenadora de emergências da cidade de Nova York, Deanne Criswell, chefiará a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, que supervisiona a resposta do governo federal a incêndios florestais, furacões e outros desastres. Na série de TV norte-americana, “Criminal Minds” a síndrome é inúmeras vezes referidas numa arquetipologia no sentido antropológicos de sequestros, como no episódio “The Company” (Ep. 20 Temporada 7), onde a prima do policial Derek Morgan é submetida à síndrome, devido a ter passado 8 anos submissa ao seu agressor. Na música, a banda de rock Muse tem canção intitulada: “Stockholm Syndrome”. Entre letras opacas, é perceptível “a influência real da síndrome na discussão lírica proposta pela música e mesmo pela interpretação da mesma”. A banda de punk rock Blink-182 também tem uma música chamada “Stockholm Syndrome”. Além destas, a banda de rock The Who possui uma música chamada “Black Widow`s Eyes”, que tem a síndrome como tema central. A banda inglês-irlandesa, One Direction, também tem música chamada “Stockholm Syndrome”, que faz parte de gravação de estúdio intitulado “Four”. Na música percebe-se a “descrição da síndrome de Estocolmo do ponto de vista da vítima”.

Homeland segue Carrie Mathison, oficial de operações da CIA que, depois de conduzir uma operação não autorizada no Iraque, é colocada em liberdade condicional e transferida para o Centro Contraterrorista da CIA em Langley, Virgínia. Enquanto conduzia a sua operação no Iraque, Carrie foi avisada por uma fonte que um prisioneiro de guerra americano passou para o lado da Al-Qaeda. O seu trabalho é complicado quando o seu chefe, David Estes, a chama junto com seus colegas para uma reunião de emergência. Nela, Carrie descobre que Nicholas Brody, um sargento dos Fuzileiros Navais que desapareceu durante o serviço em 2003, foi resgatado durante uma incursão do Delta Force num complexo pertencente a Abu Nazir. Carrie passa a acreditar que Brody é o prisioneiro de guerra que sua fonte tinha falado. Entretanto, o governo federal e seus superiores consideraram Nicholas Brody como um herói. Percebendo que seria quase impossível convencer Estes a colocar Brody sob vigilância, Carrie pede ajuda da única pessoa que ela pode confiar, Saul Berenson. Os dois começam a trabalhar juntos para investigar Brody e impedir um novo ataque em solo norte-americano. 

De acordo com o verbete do dicionário de psicologia da American Psychological Association, esse conjunto de sintomas é caracterizado por uma resposta tanto mental quanto emocional em que um prisioneiro – um refém, por exemplo – “apresenta lealdade, e até mesmo afeto, pelo seu próprio captor”. A partir disso, pode existir uma visão distorcida daqueles que oferecem ajuda, sendo estes tomados exemplarmente como inimigos, já que a percepção da realidade está confusa. Nestes casos, sendo o captor aquele que detém o poder de “vida ou morte” do prisioneiro, para lembramos de monsieur Michel Foucault, este acaba por desenvolver uma dependência do primeiro, como forma de sobrevivência. Mas se, inicialmente, existia o caráter de defesa, com a progressão da crise ele torna-se uma reação de cópia e de costume. Ou seja, numa relação interindividual que já coloca um em papel social de submissão ao outro, o detentor do poder opta por manter a vida do indivíduo, criando, assim, a percepção de gratidão, fidelidade e até mesmo de carinho pelo captor. É um processo social de comunicação que se dá no nível psíquico (mental) e físico (cativeiro) de adaptação, mas pari passu de autodefesa, de sobrevivência humana, em que a vítima “seduz” o agressor para eliminar ou reduzir ameaças externas resultantes da ação que a faz vítima por determinada duração de tempo e produção de confinamento espacial. 

A consciência está ligada à ação. Esse pressuposto é fundamental na interpretação de Henri Bergson, pois que permite que se propague a consciência pela cadeia dos seres vivos. - “Então, a rigor, tudo o que é vivo poderia ser consciente: em princípio, a consciência é coextensiva à vida”. A vida, portanto, implica movimento. Do fato de que o movimento autônomo dos seres vivos implica certa sobrevivência do passado. No presente e a antecipação do futuro, poder-se-ia dizer que o movimento implica memória. E memória implica consciência. A consciência aparece não como uma instância metafísica, mas como o que se da a partir do movimento animado como sua condição e ao mesmo tempo de recurso produzido. Enfim, é importante compreender analiticamente a síndrome de Estocolmo nos dias de hoje porque apresenta relevância cotidiana para milhares de pessoas que vivam relações afetivas em que são feitas vítimas por opressores: a) no âmbito do Estado corporativo, fascista, nazista, stalinista, putinista etc. b) na empresa privada em que podem ser chefes, ou trabalhadores corporativos que, principalmente em sociedades patriarcais, praticam atos abusivos e/ou terrorismo psicológicos, diante de greves legais no setor público, ou, c) violência física contra pessoas que estão em uma relação de dependência em relação àqueles. A vítima só consegue a libertação psíquica do ponto de vista abstrato de seu algoz com ajuda da psicologia e da prática associativa da terapia. Questões sobre controle mental são levantadas em debates éticos relacionados ao assunto do livre-arbítrio.

Enquanto o controle mental continua sendo um assunto controverso, a principal possibilidade de suas influências sobre um indivíduo por métodos como publicidade, manipulação da mídia, propaganda, dinâmicas de grupo e pressão pública são bem pesquisados pela psicologia social são indisputados. Manipulação eletromagnética de neurônios, desde que foi descoberto que células neurais podem ser queimadas sob o estabelecimento de uma voltagem potencial ao redor da membrana da célula, por volta da década de 1930, foi sugerida como uma tecnologia empregada como hipnose em vítimas insuspeitas por agentes do governo americano. Esse tipo de hipnose era empregado durante o sono da pessoa, quando ela desconhece totalmente o que está havendo. O fato de a vítima estar inconsciente disto e, portanto, incapaz de impedir o que está sendo feito faz, deste, o único método onde a hipnose é considerada controle mental propriamente.

A crença de que alguém esteja sendo manipulado ou controlado por forças externas também é reconhecida como um dos principais sintomas do complexo de paranoia, entre outras psicoses. Geralmente, essas sensações são de invasão ou controle total por entidades diversas como satélites governamentais em órbita, agentes do governo, aparelhos de televisão, animais, alienígenas, ou anjos e demônios. Os que sofrem desse tipo de complexo podem chegar a extremos mesmo com uma total falta de evidências sobre o que poderia estar controlando-as. Terapia psiquiátrica com medicamentos antipsicóticos muitas vezes pode dar fim à paranoia ou pelo menos “minimiza-la”. Em alguns casos, no entanto, especialmente em casos de internação, a pessoa pode ver o tratamento como outra forma de controle mental. A crença de uma pessoa de estar sob controle mental é um indicador da psicose, mas somente quando a realidade se torna uma fixação obsessiva. Em 2016, pesquisadores relataram que eles acreditam ser o primeiro esforço bem-sucedido para mexer os dedos individualmente e independente um do outro usando um braço artificialmente controlado para controlar o movimento.    

O que vemos só vale – só vive – em nossos olhos pelos que nos olha. Inelutável é a cisão que separa dentro de nós o que vemos daquilo que olha. Seria preciso partir de novo desse paradoxo, segundo Didi-Huberman (1998) em que o ato de ver só se manifesta ao abrir-se em dois. Inelutável paradoxo, Joyce disse-o bem, num famoso parágrafo do capítulo em que se abre a trama gigantesca de Ulysses: “Inelutável modalidade do visível. Se se pode pôr os cinco dedos através, é porque é uma grade, se não uma porta. Fecha os olhos e vê”.  Na língua, o que imporia a nossos olhares a inelutável modalidade do visível: inelutável e paradoxal, paradoxal porque inelutável. Joyce nos fornece o pensamento, mas o que é pensado aí só surgirá como uma travessia física, algo que passa através dos olhos como uma mão não passaria através de uma grade. Ao lutar com as palavras, e ao reinventá-las, Joyce começa por falar da inelutável modalidade do visível: o olhar não é apenas um gesto, o resultado de sinapses na fisiologia humana, muito menos, o ato de formas apreendidas, é um ato físico que precisa superar a volumetria do real diante daquilo que se dá a ver, que se põe diante dos nossos olhos.

Isaac Florentine nascido em 28 de joho de 1958 é um diretor de cinema israelense. Ele é reconhecido pelas artes marciais e filmes de ação e por lançar a carreira do ator britânico Scott Adkins. Florentino completou sua graduação em Cinema e Televisão pela Universidade de Tel Aviv. O filme Operação Sofia (2012) tem como background o dilema “Sofia” mãe polonesa, filha de antissemita, presa num campo de concentração durante a 2ª guerra mundial e que é forçada por um soldado nazi a escolher “um de seus dois filhos para ser morto”. Se ela se recusasse a escolher, ambos seriam mortos. Quando um vigilante decide assassinar um a um os terroristas mais procurados do mundo, o FBI decide enviar um agente para descobrir e revelar a identidade dessa pessoa. Um ex-agente Robert Diggs é recrutado pelo embaixador dos Estados Unidos (Donald Sutherland) para descobrir a identidade de um assassino que está matando os terroristas mais procurados pelos EUA e Europa. É parte do projeto Sofia, um programa secreto que foi encerrado. Robert Diggs aceita o cargo para escapar da lembrança da morte da sua esposa, a qual ele se sente culpado. Mas encontrar esse vigilante misterioso e implacável não vai ser nada fácil, praticamente, e Robert vai descobrir e poder associar a uma complexa rede de “controle de mentes” por trás de tudo isso.

O livro narra a história de Sofia Zawistowka, uma mulher polonesa radicada nos Estados Unidos que passou pela tormenta da segregação racial e, para sobreviver, teve que optar entre duas soluções terríveis. Após sofrer um ataque terrorista, Vicki Deneve sofre uma grande perda e nada mais é como antes. Ele tem vagas lembranças do que aconteceu e um forte desejo de vingança, o que faz dele o candidato principal para ser recrutado pelo governo como um assassino de terroristas. Mas ele passa a ser manipulado pelo “controle da mente”, tendo sua personalidade alterada, o que o torna um assassino implacável. Tudo corre bem, até que a “personalidade fantasia” emerge socialmente, atrapalhando o controle instalado em sua mente e provocando uma falha que não só ameaça a missão, mas sua própria vida. A personalidade propensa à fantasia é uma disposição ou traço da personalidade onde o acometido vivencia envolvimento com a fantasia profunda, persistente e duradoura. Esse traço é uma tentativa, ao menos em partes, de melhor descrever uma “imaginação hiperativa” ou uma “vivência no mundo dos sonhos”. Algumas pessoas clinicamente podem ter dificuldades em diferenciar realidade concreta e fantasia, podendo ter alucinações, outros sintomas psicossomáticos auto-sugeridos e construções psicológicas fortemente correlatas incluindo devaneios, absorção e memória eidética.

Controle mental é um termo genérico para diversas teorias que propõem que os pensamentos de um indivíduo, bem como seu comportamento, emoções e decisões, possam estar sujeitos à manipulação de fontes externas ou não voluntárias. Basicamente, o controle da mente é o controle bem-sucedido dos pensamentos e ações de outro sem o seu consentimento. O termo também pode ser usado em teorias controversas de manipulação arbitrária do pensamento de um indivíduo, como na “lavagem cerebral” do inglês brainwashing. A possibilidade do controle da mente e os métodos para assumi-la, de forma direta ou sutil, são temas para discussões entre psicólogos, neurocientistas e sociólogos. A definição exata de controle mental e a extensão de sua influência sobre o indivíduo também são debatidos. A questão de controle mental tem sido discutida em conjunto com religião, política, prisioneiros de guerra, totalitarismo, manipulação de células neurais, cultos, terrorismo, tortura e alienação paternal, melhor dizendo, como toda interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos pais, pelos avós, ou por qualquer adulto que tenha a criança ou o adolescente sob a batuta de sua autoridade, guarda ou vigilância per se.

Os diferentes pontos de vista sobre o assunto possuem implicações legais. Controle mental foi o tema do caso judicial de Patty Hearst e de julgamentos envolvendo novos movimentos religiosos. O conceito abstrato surgiu após um assalto a banco à mão armada ocorrido em 1973 em Estocolmo, na Suécia. Quatro vítimas, sendo três mulheres, tornaram-se reféns de assaltantes durante seis dias e, como defesas contra a ameaça de violência que pudesse resultar de atos de confrontação aos sequestradores, passaram a se solidarizar com eles. A tal ponto que em tais circunstâncias haverem-se recusado a testemunhar no julgamento subsequentemente realizado, e ainda, terem levantado recursos financeiros para a sua defesa. Uma das vítimas teria ficado “noiva” de um dos sequestradores quando cumpria pena, segundo relatos. Não são todas as vítimas que desenvolvem traumas após o fim da situação, mesmo considerando, a ideia pragmática weberiana de que fim, é a representação de uma causa que se converte em ação social. E neste sentido, a questão psicológica contida na síndrome de Oslo, comparativamente, per se é um estado psicológico que se desenvolve em pessoas que enfrentam uma situação de grande perigo ou ameaça. Consiste essencialmente num autoengano sobre as verdadeiras intenções da ameaça. Pode passar pela “desculpabilização” do agressor, sendo uma forma de síndrome de Estocolmo ou, inversamente, de auto-culpabilização pela situação. Neste caso a vítima tende a considerar que, de alguma forma, merece aquele determinado castigo, antevisto na história crítica penal de Michel Foucault, d`acord!     

 As origens do Exército Simbionês de Libertação encontram-se no trabalho desenvolvido pela Black Cultural Association, um grupo de apoio a presidiários negros ativo na prisão de Vacaville em finais da década de 1960 e inícios da década de 1970. Este grupo era da responsabilidade de um professor de Universidade da Califórnia em Berkeley e era integrado por estudantes brancos da classe média partidários de ideais de esquerda, que davam apoio e formação aos presidiários negros. No contexto das suas visitas estes jovens vão propagar entre os presidiários ideais do marxismo. Uma corporação municipal é o termo utilizado juridicamente, especialmente nos países de cultura anglófona ou germânica, para um órgão de governo local, incluindo (mas não necessariamente limitado a) cidades, condados, vilas, townships, charter townships, aldeias e burgos. O termo também pode ser usado para descrever uma empresa de propriedade municipal. A Corporação de Chennai é a mais antiga Corporação Municipal do mundo fora do Reino Unido. O título “corporação” foi usado em burgos logo após a conquista normanda até a Lei do governo local de 2001. De acordo com a lei de 2001, os distritos do condado foram renomeados como cidades e suas corporações passaram a ser conselhos municipais; outras corporações de bairro foram renomeadas como conselhos distritais. Após a Partição da Irlanda, as corporações no Estado Livre da Irlanda eram Dublin, Cork, Limerick e Waterford (distritos municipais) e Drogheda, Kilkenny, Sligo, Clonmel e Wexford (distritos não condados). Dún Laoghaire ganhou o status de distrito em 1930 como The Corporation of Dun Laoghaire. O status de distrito de Galway, perdido em 1840, restaurado em 1937; foi denominado “o prefeito, vereadores e burgueses do bairro de Galway”, mas referida como “a Corporação”.

O New Zealand Constitution Act 1852 permitiu que corporações municipais fossem estabelecidas nas novas Províncias da Nova Zelândia. O termo caiu em desuso após a abolição das Províncias em 1876. De acordo com o significado empresarial do termo, corporações municipais são “organizações com status corporativo independente, administradas por um conselho executivo nomeado principalmente por funcionários do governo local e com propriedade pública majoritária”. A empresa municipal segue um processo técnico de externalização que exige novas competências e orientações dos respectivos governos locais e regionais e seguem mudanças comuns no panorama institucional dos serviços públicos. Eles são considerados talvez mais eficientes do que a burocracia, mas têm taxas de insucesso mais elevadas devido à sua autonomia jurídica e gerencial. Entre os jovens estudantes que participavam neste projeto encontravam-se futuros membros do Exército Simbionês de Libertação, como William Wolfe, Russel Little, Joe Remiro e Nancy Ling Perry. Para alguns dos estudantes, os presidiários eram vítimas de um sistema niridamente racista enraizado na sociedade norte-americana. Em março de 1973 Donald DeFreeze, condenado por assalto e detido primeiro em Vacaville e depois transferido para a prisão de Soledad consegue escapar. DeFreeze tinha sido dinamizador na cadeia de um grupo chamado “Unsight”, no qual William Wolfe e Russell Little participaram.

Ajudado por estes fixa residência em Berkeley, com as ativistas Nancy Ling Perry e Patricia Soltysik, tornando-se namorado desta última. Poucos meses antes tinham chegado a Berkeley, vindos do Indiana, Bill Harris, um veterano da guerra do Vietname e pacifista e a sua esposa, Emily Harris. O casal foi acompanhado por dois amigos, Gary e Angela Atwood. Estes jovens juntam-se a grupos radicais e conhecem DeFreeze e os seus companheiros. No final do Verão de 1973 estas pessoas decidem fundar o Exército de Libertação Simbionês. O Exército Simbionês de Libertação inspirava-se no marxismo, incluindo entre os seus objetivos de luta acabar com o racismo, a monogamia e o sistema penitenciário. A organização advogava igualmente a formação no interior do território dos Estados Unidos de “lares” para as minorias étnicas. Para alcançar os seus objetivos o grupo adotou a tática de propaganda urbana de Régis Debray, que consistia em praticar uma série de ações selecionadas, como assaltos e homicídios, cujo resultado seria um grande impacto na mídia; estas ações proporcionariam publicidade e em última instância provocariam a revolta popular e a adesão às propostas da organização.        

Talvez o caso mais famoso e mais característico do quadro sintomatológico da doença é o que tem sido reconhecido através de Patty Hearst, que desenvolveu a síndrome em 1974, após ser sequestrado durante um assalto a banco realizado pela organização político-militar Exército de Libertação Simbionesa. Depois de libertada do cativeiro, Patty Hearst juntou-se aos seus raptores, indo viver com eles e sendo cúmplice em assalto a bancos. A síndrome pode se desenvolver: a) em vítimas de sequestro, b) em cenários de guerra, c) sobreviventes de campos de concentração, d) pessoas que são submetidas à prisão domiciliar por familiares, e) também em vítimas de abusos pessoais externos (ruas etc.), f) finalmente, como pessoas submetidas à violência física doméstica (e familiar) em que a vítima é agredida pelo cônjuge, todavia continua a amá-lo e defendê-lo, como se as agressões fossem normais. A síndrome de Estocolmo, comparativamente, pode muito bem ser identificada na literatura infantil. Ocorre no clássico conto francês, escrito por Marie Leprince de Beaumont, nascida Marie-Barbe, com a A Bela e a Fera, a narrativa da história de uma garota bonita e inteligente que é vítima de “cárcere privado” por uma Fera, e por fim desenvolve um relacionamento afetivo e se casa com ela.

Na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo escrita pelo norte-americano George R. R. Martin, assim como na sua adaptação para a televisão, Game of Thrones, Theon Greyjoy desenvolve um amor por seu raptor e torturador, Ramsay Snow, que o transformou em seu “brinquedo” após castrá-lo e amputá-lo. Na literatura policial, podemos citar o exemplo do livro Stolen, de Lucy Christopher. Nele o personagem, Gemma, é sequestrada por Tyler, o qual a leva para o deserto australiano. A garota tenta escapar em vão. A administração do tempo no encadeamento da relação com o opressor Gemma sente afeto por Tyler, e realmente pode amá-lo. Há correlação da síndrome com dois personagens centrais de “Jogos Mortais”. A jovem ex-drogada Amanda (Shawnee Smith) após ter conseguido concluir uma das provas do cientista e escritor Jigsaw (John Kramer), conquistou a admiração dele por lutar por sua vida e passou a trabalhar para ele, “dando continuidade à sua série de matanças”. No filme “Paranoia”, o personagem Ronnie (Aaron Yoo) fala para Ashley (Sarah Roemer) sobre a síndrome de Estocolmo, após Ashley ter conversado com o assassino da vizinhança, e tê-la convencido de que não era um assassino, achando que Ashley estava apaixonada pelo assassino.

No filme Atame! de Pedro Almodóvar, a protagonista Marina se apaixona pelo raptor Ricky e volta a procurá-lo depois de ser libertada, e numa cena aparentemente inusitada, para casar-se com ele. A síndrome também está presente no filme The World Is Not Enough, da franquia James Bond, a personagem Elektra King (Sophie Marceau), sequestrada por um terrorista internacional de planos maquiavélicos. Na série de TV Homeland, a personagem de Damian Lewis, Nicholas Brody, durante os 8 anos em que ficou preso, desenvolve uma relação afetiva com seu captor, Abu Nazir, devido a pequenos gestos por parte deste, em meio a torturas físicas e psicológicas. Homeland segue Carrie Mathison, oficial de operações da CIA que, depois de conduzir uma operação não autorizada no Iraque, é colocada em liberdade condicional e transferida para o Centro Contraterrorista da CIA em Langley, Virgínia. Enquanto conduzia a sua operação no Iraque, Carrie foi avisada por uma fonte que um prisioneiro de guerra norte-americano passou para o lado da Al-Qaeda. O seu trabalho é complicado quando o seu chefe, David Estes, a chama junto com seus colegas para uma reunião de emergência. Nela, Carrie descobre que Nicholas Brody, um sargento dos Fuzileiros Navais que desapareceu durante o serviço em 2003, foi resgatado numa incursão da Delta Force num complexo pertencente a Abu Nazir. Carrie passa a acreditar que Brody é o prisioneiro de guerra que sua fonte tinha falado. O governo federal e superiores consideraram Nicholas Brody do ponto de vista da corporação como um herói.

Nas explorações da série de TV norte-americana, Criminal Minds a síndrome é inúmeras vezes referidas numa arquetipologia no sentido antropológico de sequestros, como no episódio “The Company” (Episódio 20, Temporada 7), onde a prima do policial Derek Morgan é submetida à síndrome, devido a ter passado 8 anos submissa ao seu agressor. Na música, a banda de rock Muse tem canção intitulada: “Stockholm Syndrome”. Entre letras opacas, é perceptível “a influência real da síndrome na discussão lírica proposta pela música e mesmo pela interpretação da mesma”. A banda de punk rock Blink-182 também tem uma música chamada “Stockholm Syndrome”. Além destas, a banda de rock clássico The Who possui uma música chamada “Black Widow`s Eyes”, que tem a síndrome como tema central. A banda inglês-irlandesa, One Direction, também tem uma música chamada “Stockholm Syndrome”, que faz parte de seu álbum de gravação de estúdio intitulado “Four”. Na música percebe-se a “descrição da síndrome de Estocolmo do ponto de vista da vítima”. Homeland segue Carrie Mathison, oficial de operações da CIA que, depois de conduzir uma operação não autorizada no Iraque, é colocada em liberdade condicional e transferida para o Centro Contraterrorista em Langley, Virgínia. Enquanto conduzia a sua operação geopolítica no Iraque, Carrie foi avisada por uma fonte que um prisioneiro de guerra norte-americano passou para o lado político terrorista da Al-Qaeda

O seu trabalho é complicado quando o seu chefe, David Estes, a chama junto com seus colegas para uma reunião de emergência. Nela, Carrie descobre que Nicholas Brody, um sargento dos Fuzileiros Navais que desapareceu durante o serviço em 2003, foi resgatado durante uma incursão do Delta Force num complexo pertencente a Abu Nazir. Carrie passa a acreditar que Brody é o prisioneiro de guerra que sua fonte tinha falado. Entretanto, o governo federal e seus superiores consideraram Nicholas Brody como um herói. Percebendo que seria quase impossível convencer Estes a colocar Brody sob vigilância, Carrie pede ajuda da única pessoa que ela pode confiar, Saul Berenson. Os dois começam a trabalhar juntos para investigar Brody e impedir um novo ataque em solo norte-americano. A crença de que alguém esteja sendo manipulado ou controlado por forças externas também é reconhecida como um dos principais sintomas do complexo de paranoia, entre outras psicoses. Geralmente, essas sensações são de invasão ou controle total por entidades diversas como satélites governamentais em órbita, agentes do governo, aparelhos de televisão, animais, alienígenas, ou anjos e demônios. Os que sofrem desse tipo de complexo podem chegar a extremos mesmo com uma total falta de evidências sobre o que poderia estar controlando-as. 

Terapia psiquiátrica com medicamentos antipsicóticos pode dar fim à paranoia ou pelo menos minimiza-la. Em alguns casos, no entanto, especialmente em casos de internação, a pessoa pode ver o tratamento como outra forma de controle mental. A crença de uma pessoa de estar sob controle mental é um indicador da psicose apenas quando isto se torna uma fixação obsessiva. Em 2016, pesquisadores relataram que eles acreditam ser o primeiro esforço bem-sucedido para mexer os dedos individualmente e independentemente um do outro usando um braço artificialmente controlado para controlar o movimento. De acordo com o verbete do dicionário de psicologia da American Psychological Association, esse conjunto de sintomas é caracterizado por uma resposta tanto mental quanto emocional em que um prisioneiro – podendo ser um refém, por exemplo – “apresenta lealdade, e até mesmo afeto, pelo seu próprio captor”. Mas, pode existir uma visão distorcida daqueles que oferecem ajuda, sendo estes tomados como inimigos, já que a percepção da realidade está confusa. Sendo o captor aquele que detém o poder de “vida ou morte” do prisioneiro, este acaba por desenvolver uma dependência do primeiro, como forma de sobrevivência. Mas se existia o caráter de defesa, com a progressão da crise ele torna-se uma reação de cópia e de costume. 

Melhor dizendo, numa relação interindividual que já coloca um em papel social de submissão ao outro, o detentor do poder opta por manter a vida do indivíduo, criando, assim, a percepção de gratidão, fidelidade e até mesmo de carinho pelo captor. É um processo social de comunicação que se dá simultaneamente no nível psíquico (mental) e sobretudo físico (cativeiro) de adaptação, mas pari passu de autodefesa, de sobrevivência humana, em que a vítima “seduz” o agressor para eliminar ou reduzir ameaças externas resultantes da ação que a faz vítima por determinada duração de tempo e produção de confinamento espacial. Na praxis a questão da consciência está ligada à ação. Esse pressuposto é fundamental na interpretação de Henri Bérgson, pois que permite que se propague a consciência pela cadeia dos seres vivos. - “Então, a rigor, tudo o que é vivo poderia ser consciente: em princípio, a consciência é coextensiva à vida”. A vida, portanto, implica movimento. Do fato de que o movimento autônomo dos seres vivos implica certa sobrevivência do passado. No presente e a antecipação do futuro, poder-se-ia dizer que o movimento implica memória. E memória implica consciência. A consciência aparece não como metafísica, mas como o que se dá a partir do movimento animado como sua condição e ao mesmo tempo de recurso produzido.

É importante compreender a síndrome de Estocolmo nos dias de hoje porque apresenta relevância cotidiana para milhares de pessoas que vivam relações afetivas em que são feitas vítimas por opressores: a) no âmbito do Estado corporativo, fascista, nazista, stalinista, putinista etc. b) na empresa privada em que podem ser chefes, ou trabalhadores corporativos que, principalmente em sociedades patriarcais, praticam atos abusivos e/ou terrorismo psicológicos, diante de greves legais no setor público, ou, c) violência física contra pessoas que estão em uma relação de dependência em relação àqueles. Neste aspecto social e político a vítima só consegue a libertação psíquica de seu algoz com ajuda da psicologia e da prática associativa da terapia. Questões sobre controle mental são levantadas em debates éticos relacionados ao assunto do livre-arbítrio.  Enquanto o controle mental continua sendo um assunto controverso, a principal possibilidade de suas influências sobre um indivíduo por métodos como publicidade, manipulação da mídia, propaganda, dinâmicas de grupo e pressão pública são bem pesquisados pela psicologia social são indisputados. Manipulação eletromagnética de neurônios, desde que foi descoberto que células neurais podem ser queimadas sob o estabelecimento de uma voltagem potencial ao redor da membrana da célula, por volta da década de 1930, foi sugerida como uma tecnologia empregada como hipnose em vítimas insuspeitas por agentes do governo americano. Esse tipo de hipnose era empregado durante o sono, quando ela desconhece totalmente o que está havendo. O fato de a vítima estar inconsciente disto e, incapaz de impedir o que está sendo feito faz, deste, o único método onde a hipnose, caracterizada por uma maior capacidade de resposta à sugestão, é considerada técnica de controle mental propriamente dito.

Bibliografia geral consultada.

BERLINCK, Manoel Tosta (Organizador), Obsessiva Neurose. São Paulo: Editora Escuta, 2005; DELAGE, Christian, La Verité par l`Image. De Nuremberg au Procès Milosevic. Paris: Éditions Denoël, 2006; SILVA, Roberto Romano da, O Nome do Ódio. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009; ABEL, Marcos Chedid, “Verdade e Fantasia em Freud”. In: Ágora (Rio Janeiro) 14 (1) – junho de 2011; DIDI-HUBERMAN, Georges, Peuples Exposés, Peuples Figurants: L`Oeil de l`Histoire 4. Paris: Les Éditions Minuit, 2012; ASSUMPÇÃO, Luís Filipe Bantim, Discurso e Representação sobre as Práticas Rituais dos Esparciatas e dos seus Basileus na Lacedemônia do Século V a. C. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2014; ALVES, José Augusto Lindgren, Os Novos Balcãs. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2014; LIU, Emiliano Palmada, O Conceito de Sobredetermnação em Louis Althusser: Análise Crítica de uma Abordagem sobre a Questão do Método no Marxismo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Guarulhos: Universidade Federal do Estado de São Paulo, 2016;  BACHVAROVA, Elitza Lubenova, Os Arquivos Policiais e a Estruturação da Responsabilização Política na Transição para Regimes Democráticos: A Trajetória do Processo de Abertura dos Dossiês da Polícia Secreta na Bulgária 1989-2007. Tese de Doutorado em História. Programa de Doutorado em História Comparada. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2016; MAGER, Juliana Muylaert, É Tudo Verdade? Cinema, Memória e Usos Públicos da História. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de Educação. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2019; SALGADO, Vitória Totti, Fortaleza Europa? A Securitização dos Fluxos Migratórios nas Fronteiras com o Mediterrâneo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais. Faculdade de Filosofia e Ciências. Marília: Universidade Estadual Paulista 2021; MEDEIROS, Maria Carolina El-Huhaik de, Essa Fez Social: Narrativas de Etiqueta, Socialização Feminina e Aperfeiçoamento Social da Mulher. Tese de Doutorado. Departamento de Comunicação Social. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2022; TEODORO, Elizabeth Fátima; CHAVES, Wilson Camilo; SILVA, Mardem Leandro, “O Feminino na Fantasia: Entre a Dialética do Desejo em Lacan e a Fantasia Social em Žižek”. In: Tempo Psicanalítico. Rio de Janeiro, vol. 55, pp. 6-31, 2023; entre outros.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

O Último Turno – Fast-Food, Rotina & Sofrimento no Trabalho.

                                                                              O Fast Food se tornou comida do dia-a-dia”. Michelle Obama

         

          No campo da arte, a palavra drama contém múltiplos significados. O termo é também encontrado no cinema, na televisão, no rádio, significando um texto ficcional, peça teatral ou filme de caráter sério, não cômico, que apresenta um desenvolvimento de fatos sociais e circunstâncias econômicas e políticas compatíveis com os meios de trabalho mais rotinizados da vida real. Na vida cotidiana, um conjunto de acontecimentos complicados, difíceis ou tumultuados pode se transformar em uma arquetipologia dramática, assim como um acontecimento social que causa danos, sofrimento, dor. Mas estes são apenas alguns dos significados mais reconhecidos. No drama modesto do roteirista e diretor cinematográfico Andrew Cohn, The Last Shift, (2020) o trabalhador de fast-food Stanley (Richard Jenkins) está finalmente desistindo da carreira. Ele trabalhou no turno da noite no Oscar`s Chicken and Fish por 38 anos, agora está se mudando da cidade de Michigan para a Flórida para cuidar da mãe idosa. Ele está orgulhoso de seu desempenho, lidando habilmente com os bêbados e os adolescentes que o ridicularizam, raramente errando no processo de sociabilidade estereotipada. Mas quando tem que treinar seu substituto, Jevon (Shane Paul McGhie), de vinte e poucos anos, Stanley começa a reconsiderar o trabalho e qualquer significado que possa ter atribuído a ele. 

         O jovem funcionário Jevon rejeita o trabalho, forçado a fazê-lo durante a saída em liberdade condicional após desfigurar um monumento federal, e com o objetivo de retornar ao seu amor pela escrita quando as circunstâncias permitirem. Jevon é inteligente, mas difícil, falhando com sua namorada sitiada e o filho pequeno, incapaz de se unir e prover como figura paterna. É um filme de camaradagem incompatível, mas não totalmente malsucedido, em grande parte graças ao experiente ator Richard Jenkins, que pode desempenhar um papel como esse de olhos fechados, e a McGhie, que captura uma mistura de retidão e desânimo. Ele meio que caminha sem grande marca até uma curva acentuada à esquerda, enquanto Cohn tenta transformar sua dramatis personae de cidade pequena em algo muito maior. A polêmica conversa sobre a distinção entre raça e classe social entra desajeitadamente em cena – tendo em vista que Jevon é jovem e negro enquanto Stanley é branco e velho - com uma sequência apressada de eventos tentando de repente dizer algo sobre a divisão norte-americana (cf. Faulkner, 1956; Napoleoni, 1970). Há uma tentativa de humanizar o paradoxo que parece pouco desconfortável, como se pudessem ter resolvido isso de maneira diferente, e a mudança de escopo parece um pouco lenta, com uma nota final que chega com um gemido.

A rede fast-food surgiu em 1916, em Wichita, no Kansas, nos Estados Unidos da América, por iniciativa da empresa White Castle. J. Walter Anderson, cozinheiro, dono e fundador da empresa, vendia a preço reduzido hambúrgueres com batatas fritas e cola. A White Castle foi a primeira cadeia de restaurantes dos Estados Unidos na venda de hambúrgueres. Foi criada em 1921 na cidade de Wichita, no estado do Kansas, por Billy Ingram e Walter Anderson. A rede ainda existe e conta com 422 restaurantes. Desde sua criação, se manteve como uma empresa familiar e não aderiu ao modelo de expansão por franquias. Muitas outras redes se seguiram comercialmente, como Little Tavern, White Tower, Big Boy. Do ponto de vista da organização, racionalização e comercialização do produto do trabalho, o serviço apressado na rua, por meio de balcão improvisado, foi substituído por restaurantes  com mesas. O hambúrguer continuava a ser visto como alimento rápido, prático e acessível, além de delicioso. O In-n-Out, criado em 1948 na Califórnia, trouxe uma inovação espacial: o drive thru, uma modalidade prática de atendimento em que o cliente não tem a necessidade de sair do carro para fazer e receber seu pedido. Exemplos comerciais são inúmeros, mas citamos, a McDonald`s, a maior cadeia de fast-food, seguida por Burger King, KFC, Subway e Pizza Hurt.  

Sociologicamente a origem do termo drive thru veio da expressão drive through, que pode ser traduzida literalmente como “dirigir através” ou “dirigir por”. Assim, consumidores podem pedir o hamburguer sem precisar sair do carro. A rede, atua com 329 locais principalmente na costa Oeste dos Estados Unidos da América, continua sendo uma empresa familiar e resiste a abrir capital na bolsa de valores. Inversamente do ponto de vista sociológico a categoria barman ou bartender representa o profissional da coquetelaria, que trabalha em estabelecimentos servindo coquetéis, misturados com bebidas alcoólicas, ou sem álcool aos clientes frequentemente em bares. Não há registros etnográficos da origem desta função comercial, mas sabe-se que é uma profissão antiga e que remonta ao tempo das famosas tavernas. Na década de 1930, a população norte-americana sofria os efeitos da crise econômica de 1929 dentre eles, o desemprego. Com a autoestima afetada, a população abusava de medicamentos e do consumo de álcool, o que elevou ao aumento da taxa de suicídios e trouxe sérios problemas à saúde pública. Com isso, o governo norte-americano implantou uma medida protetiva intitulada Lei Seca que proibia o comércio e a produção-consumo de qualquer bebida alcoólica no país. A Constituição estabeleceu, na 18 ª Emenda, a “proibição da fabricação, comércio, transporte, exportação e importação de bebidas alcoólicas”. Essa lei vigorou por 13 anos (1920-1933).

O consumo de álcool não cessou. O negócio das bebidas ilegais foi parar nas mãos da Máfia, a Cosa Nostra Americana ou La Cosa Nostraque contrabandeava e comercializava a mercadoria ilegal, utilizando-se de sua imponência social, poder de fogo, privilégios políticos e de corrupção policial. Os bares ilegais eram montados em porões e barrados por portas de aço, sendo reconhecidos como speakeasy, onde a bebida era vendida livremente. Um homem de confiança da Máfia era o “homem do bar”, responsável pelas bebidas, pelo sigilo e segurança econômica do local. Para tanto o barman precisava ser dissimulado, elegante e discreto, além de um raciocínio rápido e criatividade. Conta-se que durante uma das frequentes buscas policiais para averiguação dos porões, o barman antecipando-se à chegada dos representantes oficiais do Establishment, adiciona uma porção de suco de laranja aos copos de Vodka que eram servidos naquela noite, camuflando assim as costumeiras bebidas. Em sentido mais restrito, como estamos nos referindo, pode reduzir-se a um grupo de indivíduos com poder e influência sobre determinada organização ou campo de atividade. Além de salvar o estabelecimento, o homem do bar também dava origem ao que reconhecemos como coquetelaria. Sem a proibição o barman tornou-se em um alquimista moderno.

O McDonald’s, é a maior rede de fast food com mais de 38 mil unidades no mundo globalizado, começou em 1940, como “uma churrascaria operada pelos irmãos Richard e Maurice McDonald”. Oito anos depois, o restaurante foi transformado para fazer hambúrgueres com uma linha de produção fordista, tornando o prato ainda mais rápido – e a empresa mais eficiente. O empresário Ray Kroc, que era fornecedor de máquinas de milk shake, ingressou na empresa como um franqueado em 1955. Ele logo percebeu o potencial do negócio e comprou a cadeia dos irmãos, expandindo a rede para todo o mundo. O valor da venda, realizada em 1961, foi de 2,7 milhões de dólares, muito baixo perto dos 143 bilhões de dólares que a companhia atualmente vendendo mais de 75 hambúrgueres por segundo. Há novas redes sendo criadas a cada dia a dia para competir com essas redes de serviços alimentícios pioneiras no fast food do hambúrguer, com carnes mais ou menos grossas e acompanhamentos mais sofisticados ou mais simples. Os lanches, que eram servidos em uma espécie de linha de montagem fordista, ipso facto, o mais rápido possível, acabaram mais tarde repercutindo na ideia de agilidade que se espalha por todas as mais de 40 mil unidades do McDonald`s do planeta. Os irmãos McDonald deixaram a barraca de lanches de lado em 1940. A seguir, inauguraram um restaurante em um edifício de concreto, que tinha um enorme M na fachada na cor amarela. Não só o M de 7,5 metros, como também a ideia deles, logo começou a chamar a atenção na cidade. Em especial, quem notou o trabalho dos irmãos foi Ray Kroc que vem sendo atribuído mormente como o fundador do McDonald’s.

O Barman clássico reconhece as características das bebidas: origem, composição, efeitos no organismo e seu potencial gastronômico. Sabe preparar as diversas receitas de coquetéis internacionais e também criar novas. São geralmente profissionais com mais tempo no segmento e lideram a equipe operacional do bar. Trabalham em trajes sociais, e frequentemente falam vários idiomas, o que os favorece em uma carreira internacional, por também se adequarem aos formatos de restaurantes de alta gastronomia, hotéis internacionais, pubs, e navios de cruzeiro. Esse é o estilo mais dinâmico de todos, visa o rápido atendimento e é muito solicitado em ambientes de alto giro, com grande número de clientes. Ao contrário do Barman ou Freestyle, esse profissional deve estar capacitado as funções importantes do bar: agilidade na execução de coquetéis e entrega rápida aos clientes. Normalmente esses bartenders dominam meio de conhecimento de coquetelaria e mixologia, tanto quanto os que atuam em american ou piano bar. Mas enquanto o estilo clássico cabe em hotéis, bistrôs, bares e restaurantes de baixo giro e média/alta qualidade, o nightclube bartender trabalha em bares de alto movimento. Alguns trabalhadores desse estilo, incorporam elementos de speed, trazido do estilo freestyle, mas adaptados ao metabolismo social, evitando excessos e movimentos desnecessários e prejudiciais ao andamento imediato do trabalho praticado. É isso estruturalmente o mais importante no conflito social – cujo objetivo é manter ou, ao contrário, negar o modus operandi dominante de controle social sobre o metabolismo dentro dos limites das relações econômicas e sociais estabelecidas – encontra suas manifestações necessárias nas formas ideológicas [orientadas para a prática] em que os homens se tornam conscientes desse conflito e o resolvem pela luta. Nesse sentido, vale lembrar que o que determina a natureza da ideologia, é o imperativo de se tornar praticamente consciente do conflito social fundamental – a partir dos pontos de vista mutuamente excludentes das alternativas hegemônicas que se defrontam em determinada ordem social – com o propósito de resolvê-lo pela luta. 

Em outras palavras, as diferentes formas ideológicas de consciência social têm (mesmo se em graus variáveis, direta ou indiretamente) implicações práticas de longo alcance em todas as suas variedades, na arte, na literatura, assim como na filosofia e na teoria social, independente de sua vinculação sociopolítica a posições políticas  progressistas ou conservadoras. Existe uma divisão social do trabalho, meritória, claramente nos estilos freestyle e nightclub, sendo que os bartenders clássicos e dinâmicos são quase unânimes em citar a “técnica de flair” compreendida como um valor ou algo “mais circense do que ligado aos bares de fato”. O barman freestyle geralmente tem um perfil jovem de trabalho, vestem-se de forma despojada a se identificar com o público alvo do estabelecimento de consumo, com uso de bandanas, penteados exóticos e aventais ornamentados. Possuem habilidades técnicas diversas e truques no preparo de bebidas agregando valor à sua função social, como a produção de mágica, pirofagia e malabarismo com garrafas (flair). Historicamente existem torneios anuais de Flair que estimulam e premiam os melhores desempenhos ao redor do globo terrestre. Seu conhecimento sobre coquetelaria é básico e suficiente, voltado ao público jovem, servindo-as em copos luminosos e multicoloridos. Atuam em eventos musicais de longa duração, festivais e festas de casamento e todo tipo de casas noturnas.

Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Precisamente porque as funções econômicas absorvem maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma “multidão de indivíduos”, como dizia Freud (2012), cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia durkheimiana conceitua de corporação ou grupo profissional.

É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. Desde que, não sem razão, com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais.  Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda de forma rudimentar. Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais (cf. Faulkner, 1954). Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar com uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação.

A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública. A primeira observação familiar da crítica durkheimiana, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico. De fato, a corporação é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, em geral o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua antiguidade temporal e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido reconhecidas na Grécia, até o tempo da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos exclusivamente por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade.

Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário. É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Nesse momento, diz J.-P Waltzing (1857-1929), “todas as classes de trabalhadores parecem possuídas pelo desejo de multiplicar as associações profissionais”. Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição, se essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão que os imperadores só puderam manter pela coerção.

Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. Após um “eclipse da razão” caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram sua existência em todas as sociedades europeias.

Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur, “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”.  Em todo caso, no século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, vale lembrar que o próprio fato de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva. A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot (1727-1781) requeria outra que não seria indefinidamente adiada. Mas nem toda organização corporativa representa um anacronismo histórico. Acreditamos que poderia ser chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, menos pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia tender. 

Mas, é antes de mais nada no grupo profissional um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais.  Todavia é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações artesanais e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua passagem na história. Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças coletivas para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: - “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu Deus particular, cujo culto quando tinha seus meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu Deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, posto que eram tradicionalmente celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. As espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões mediadas pela corporação, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia seus membros necessitados e as opiniões são divididas.

Mas retira da discussão parte do interesse e alcance que ocorre nesses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes da assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num mesmo culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono.  A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, comparativamente tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções sociais; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que numa sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população que não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros. E que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral.

Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo social que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, no dia-a-dia parece-nos que, se ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio intrínseco e que não se encontrariam em outro lugar relação basilar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista antropologicamente na consanguinidade uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral.

A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai com grande facilidade e exerce todos os efeitos do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. A família não deve suas virtudes à unidade de descendência. Ela representa muito simplesmente, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, valores, sentimentos e interesses. A consanguinidade, fora de dúvida, pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Para tanto, seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento.

Atualmente uma das principais leis promovidas pelos Estados Unidos da América para regular relações de trabalho é a Fair Labor Standards Act (FLSA) uma lei federal válida para todos os estados do país que define as principais questões referentes ao pagamento dos trabalhadores, como o pagamento mínimo por hora de trabalho e o adicional para horas extra. O direito do trabalho entre norte-americanos tem poucas leis que são curtas mormente esparsas. Não há uma consolidação das leis do trabalho. Direitos e deveres de empregados e empregadores são escassos. Há diferentes valores mínimos a serem pagos por hora de trabalho, dependendo da atividade executada pelo trabalhador. Garçons e garçonetes, por costumarem receber gorjetas que giram em torno de 20% da conta, recebem um valor por hora até quatro vezes menor do que o piso a ser pago para outras categorias. Outra questão definida na FLSA é a regulamentação do trabalho de menores de idade. Os direitos trabalhistas para menores de idade buscam proteger a saúde do menor, “permitindo que ela seja contratada para um trabalho não-agrícola, em horário diferente ao de sua escola, e não ofereça nenhum risco à saúde ou integridade física”.

            Essa lei tem a finalidade de criar padrões justos para o trabalho. Ela define as políticas nacionais do emprego mais notáveis. Estabelece, por exemplo, o valor do salário-mínimo para todo o país: US$ 7.50 por hora de trabalho sem contar tempo para refeições e intervalos. Alguns estados, por iniciativa própria, aumentaram esse valor. Delaware, por exemplo, paga US$ 10,50 por hora; Washington, US$ 14.49 por hora. Muitas empresas já adotaram, como salário inicial, US$ 15 por hora. Há exceções. O salário-mínimo federal de trabalhadores que ganham gorjetas, como entre garçons e bartenders, o profissional que serve e prepara bebidas para o público em eventos variados, ou em bares, restaurantes e hotéis é de US$ 2,13 por hora. Pela sua faceta mais formal, é comum encontrar um barman num evento especial, num bar de hotel, num restaurante chique, ou mesmo num cruzeiro. Um Bartender reprtesenta socialmente um profissional tipicamente mais descontraído e informal, que prepara bebidas elaboradas para o público de forma rápida e divertida. Trabalhadores portadores de deficiência e que, portanto, têm dificuldades física para cumprir suas tarefas diárias, podem receber um subsalário-mínimo, segundo o site do Departamento do Trabalho. Empregados assalariados são contratados por um salário anual, mas são pagos quinzenalmente, na maioria dos casos, ou semanalmente noutros.

A FLSA também regulamenta o pagamento de horas extras – um adicional de 50% sobre o valor do salário por hora trabalhada. Nesse caso, a jornada de trabalho semanal é de 40 horas. Qualquer tempo social de trabalho acima disso é administrado como de hora extra. Há empresas que apreciam de fato os empregados que fazem horas extras. No entanto, a maioria trata de impedir que isso aconteça. Por exemplo, se a jornada diária é de 8 horas, as 40 horas se cumprem em cinco dias e o empregado terá dois dias de folga não remunerada. Se o empregado fizer 48 horas, na semana seguinte à empresa o escalará para quatro dias de trabalho apenas e na prática três dias de folga, para compensar. Essa lei também regulamenta o trabalho legal de crianças e adolescentes, obrigando os empregadores a lhes oferecer oportunidades para sua formação educacional e a garantir que as condições de trabalho não sejam prejudiciais à saúde e bem-estar dos menores. Essa lei também regulamenta o trabalho de crianças e adolescentes, obrigando os empregadores a lhes oferecer oportunidades para sua formação educacional e a garantir que as condições de trabalho não sejam prejudiciais à saúde e bem-estar dos menores.

O historiador que empreende resolver em seus elementos regulares na organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios, em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fator social é que não está bem estabelecido. Quanto às outras corporações, per se estavam certamente fora da organização oficial do povo romano.

Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era essencialmente uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental. Quando as cidades se emanciparam, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal.

De fato, segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna. Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna representava um agregado de corpos de ofícios, o corpo de ofício representava uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo a partir do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que representava uma reunião de corporações e se formou com base no tipo da corporação, foi esta em última análise, que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância e dignidade social. Começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para nossas sociedades. É um novo motivo para que nos recusemos a considera-la uma instituição arcaica destinada como tudo a desaparecer.

Bibliografia geral consultada.

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