domingo, 8 de fevereiro de 2026

Phil Collins – Multinstrumentista, Calçada da Fama & Produtor britânico.

                                   É desta forma que as coisas são, não há nada que eu possa fazer!”. Phil Collins             

       

        A obra do sociólogo não é a do homem público, assevera Émile Durkheim (2015). O que a experiência do passado demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com os outros e participam da vida comum. Já que essa vida comum é, sob certos aspectos sociais e políticos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize com a organização seu funcionamento (cf. Marra, 1987). Por causa de suas dimensões, tal órgão estaria em contato relacional com o órgão central da vida coletiva, pois os acontecimentos importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas industriais num país tem necessariamente repercussões gerais, que o Estado não pode sentir, o que o leva a intervir. Não foi sem fundamento que o poder real tendeu indistintamente a não deixar fora de sua ação a grande indústria. 

         Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa organização unitária para o conjunto de normas de um mesmo país não exclui, de modo algum, a formação de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores similares de uma mesma região ou localidade, e cujo papel seria especializar ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais. A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da corporação. Na síntese durkheimiana representada sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica se desenvolve. Ela foi outrora a divisão elementar da organização comunal. Agora que a comuna, de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, acaso não é legítimo pensar que a corporação também deveria sofrer uma transformação correspondente e tornar-se a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental?  A sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema de corporações nacionais. 

Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e já não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu irremediavelmente: o patriotismo de paróquia tornou-se um arcaísmo que não se pode restaurar à vontade. Para o sociólogo uma nação só se pode manter se, entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral da vida social. Isso não quer dizer, porém, que a corporação seja uma espécie de panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para com a comunidade, etc.  Estaremos não menos que na prática, em presença de uma tábula rasa.  A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um mesmo tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida em que se distingue e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união. Esta divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza.                              


Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar.  Nem em que sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. Há apenas motivos para crer, que, em nossas sociedades, essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival. Phil Collins começou sua carreira muito jovem como ator e modelo infantil. Aos 12 anos, interpretou Artful Dodger na produção teatral londrina de Oliver! Jack Dawkins, reconhecido como Artful Dodger, é um personagem do romance de 1838 de Charles Dickens, Oliver Twist.

O Dodger é um batedor de carteiras e seu apelido se refere à sua habilidade e astúcia nessa ocupação. Em seguida, fez uma breve participação no filme A Hard Day`s Night (1964) de Richard Lester, como um jovem fã na plateia durante uma apresentação dos Beatles, embora a cena tenha sido cortada. Essa experiência no cinema foi seguida por outra na televisão, estrelando a série Calamity the Cow (1967), produzida pela Children`s Film Foundation. Ele também teve papéis coadjuvantes no filme Chitty Chitty Bang Bang (1968); a cena final, em que as crianças correm em direção ao castelo, foi cortada da versão final. Apesar desses papéis, Phil Collins não se sentia realizado como ator. Sua paixão continuava sendo a música, e sua ambição era se tornar baterista e fazer sua profissão. Mais tarde, ele se juntou à banda The Real Thing (1970), com Philip Gadd na guitarra, o irmão Martin Gadd no baixo e Peter Newton nos vocais, todos amigos da Barbara Speake Stage School. Em seguida, conseguiu shows com a banda Charge antes de formar o Freehold, composto por John “Fluff” Hunt na guitarra e vocais, Les Mannering no baixo e vocais, Jeff Slater nos vocais e pandeiro, e Phil Collins na bateria e vocais, com quem escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, em 1968. Aos 18 anos, junto com seu amigo e colaborador, o guitarrista Ronnie Caryl, ele acompanhou o cantor americano John Walker, da banda Walker Brothers, em uma turnê pela Grã-Bretanha. 

          Os outros dois músicos eram Gordon “Flash” Smith no baixo e Brian Chatton, ex-organista dos Warriors, antiga banda de Jon Anderson. Ao término da turnê, os quatro jovens músicos decidiram permanecer juntos e tentar a sorte, formando a banda Hickory e gravando o single “Green Light/The Key” em 24 de janeiro de 1969, lançado pela CBS Records International. Esse grupo se tornaria o Flaming Youth, após conhecer os compositores Ken Howard e Alan Blaikley, que lhes ofereceram a oportunidade de gravar um álbum. A banda assinou com a Fontana Records e gravou o álbum Ark II em 1969, que foi eleito Álbum do Mês pela revista musical britânica Melody Maker. Ele se apresentou no Planetário de Londres para o lançamento do álbum em 1969. Após alguns shows, o grupo não conseguiu despertar mais interesse do público ou da mídia, apesar da adição de um novo músico, o organista Rod Mayall, irmão de John Mayall. O Flaming Youth acabou se dissolvendo. Naquele mesmo ano, Phil Collins teve uma pequena participação como vendedor de sorvetes no filme I Start Counting, de David Greene, com roteiro de Richard Harris, embora não tenha sido creditado. Em 1970, Phil Collins foi convidado como músico de estúdio para o álbum de George Harrison, All Things Must Pass, no qual tocou congas na música Art of Dying. No entanto, de acordo com a autobiografia do cantor, Not Dead Yet, sua participação acabou sendo rejeitada.

Phil Collins nascido em Chiswick em 30 de janeiro de 1951, no distrito londrino de Hounslow, Inglaterra é um cantor, compositor, ator e produtor britânico. Reconhecido como baterista e vocalista da banda Genesis, teve uma prolífica carreira solo de 1981 a 1996, conciliando ambas as atividades. Ele também é um músico talentoso que toca vários instrumentos: bateria e percussão são seus instrumentos principais, mas ele também toca teclado, guitarra e baixo. Influenciado pelo soul music e doo-wop dos grupos da Motown e pelo pop dos Beatles, Collins começou sua carreira profissional como baterista em 1968 com a banda Freehold, com quem produziu o single “Lying, Crying, Dying/The Sandman”. Em seguida, fundou outro grupo chamado Hickory, com seu amigo Ronnie Caryl na guitarra, Brian Chatton nos teclados e Gordon Smith no baixo. O grupo mudou seu nome para Flaming Youth e lançou um álbum intitulado Ark 2. Apesar de participações na TV e críticas favoráveis, o grupo se desfez em 1970. Pouco depois, Phil Collins tornou-se membro do Genesis, a banda de rock progressivo fundada em 1967. Originalmente apenas “baterista e vocalista de apoio”, foi após a saída do vocalista Peter Gabriel em 1975 que Phil Collins se tornou, por consequência, o vocalista principal do Genesis em 1976.

O grupo adicionou um segundo baterista em 1976, para as turnês Bill Braford, Chester Thompson a partir de 1977 e seu próprio filho, Nicholas Collins, a partir de 2020. Após sucessos como “Follow You Follow Me” em 1978, o Genesis, agora um trio, desfrutou de seu maior período de sucesso comercial até o início da década de 1990. Genesis foi uma banda britânica de rock formada em 1967, quando os seus fundadores Anthony Phillips, Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks ainda estudavam na Charterhouse School. O grupo alcançou enorme sucesso nas décadas de 1970, 1980 e 1990, e com aproximadamente 130 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, é considerada uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos. Sua carreira tem duas fases musicais diferentes. Na fase com Peter Gabriel como vocalista, suas estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e apresentações teatrais tornaram-na uma das bandas mais reverenciadas do rock progressivo na década de 1970. Criações clássicas da banda nesse período incluem a canção de 23 minutos “Supper`s Ready” do álbum Foxtrot de 1972, além do álbum conceitual de 1974 The Lamb Lies Down on Broadway. Com a saída de Peter em 1975 e sendo substituído nos vocais por Phil Collins, no final da década de 70 e a partir dos anos 80, sua música tomou um caminho distinto em direção ao pop, tornando-a mais acessível para a cena musical. Em 18 de outubro de 2006, a BBC anunciou que os membros do Genesis, incluindo Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, aceitaram reunir-se para uma turnê mundial e explorando a possibilidade de gravação de um novo material. 

No auge do sucesso de sua carreira solo, Phil Collins deixou a banda em 1996, sendo brevemente substituído por Ray Wilson. No entanto, o Genesis se reuniu com Phil Collins em 2007 uma turnê mundial. Alguns discursos de Collins, Hackett e Gabriel no final de 2005 sobre um provável retorno do grupo e um encontro entre os membros da banda na Suíça em janeiro de 2006 estimularam as especulações dos fãs do grupo acerca de um possível regresso. Apesar de um desmentido da produtora da banda sobre esse fato, rumores sobre uma possível reunião em meados de 2007 circularam na internet durante quase todo o ano de 2006. Após muita especulação sobre a reunião, Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford anunciaram a turnê de reunião “Turn It On Again” em 7 de novembro de 2006, quase 40 anos após a formação da banda. Foi confirmado que a primeira parte da turnê seria na Europa, em 12 países, começando em Helsinque, Finlândia em junho de 2007 e terminou em Roma, Itália em julho. A turnê então seguiu para os Estados Unidos para mais 20 concertos, encerrando-se em outubro de 2007. A ideia original era reunir também Peter Gabriel e Steve Hackett e executar a turnê para The Lamb Lies Down on Broadway. A princípio, Peter Gabriel aceitou o convite para apresentar-se, mas não gostaria de comprometer-se com a turnê, o que acabou levando a sua saída da reunião. Hackett também recusou o convite, mas mantém boas relações com o resto da banda. Em seu sítio oficial o músico expressa, inclusive, desejo de sucesso na reunião do Genesis. Diante disso, a formação da turnê foi a que vem se repetindo desde 1978: Phil Collins (voz e bateria), Tony Banks (teclados e vocais), Mike Rutherford (baixo, guitarras e vocais), Daryl Stuermer (guitarras, baixo e vocais) e Chester Thompson (bateria e sampler). Seguindo o embalo da volta aos palcos, a banda e o produtor Nick Davis relançaram álbuns antigos em 2007 no formato box-set pela Virgin Records, de Trespass a Calling All Stations, no formato 5.1. Um digital vídeo disc (DVD) extra incluindo vídeos promocionais e novas entrevistas sobre o período de lançamento de cada álbum presente.

Em 2008 foi lançado um DVD duplo com o show ocorrido em Roma, no encerramento da turnê europeia. Ele mescla sucessos da formação clássica: “In The Cage”, “Afterglow”, “Cinema Show”, “The Carpert Crawlers”, “Los Endos”, etc., com os êxitos comerciais dos anos 1980 e 90 “Land of Confusion”, “Invisible Touch”, “No Son of Mine”, etc. A partir daquele ano, Phil Collins começou “a ter problemas de saúde após sofrer uma lesão na coluna, o que o impediu de tocar bateria”. Depois de anunciar sua aposentadoria, ele retornou aos palcos em 2016. Em 23 de abril de 2018, publicou sua autobiografia, Not Dead Yet, na qual reflete abertamente sobre sua carreira. A turnê Not Dead Yet de concertos do artista musical inglês Phil Collins, nomeada em homenagem à sua autobiografia lançada em 25 de outubro de 2016.  Collins anunciou a turnê em 17 de outubro de 2016, em uma coletiva de imprensa realizada no Royal Albert Hall, em Londres. A turnê incluía cinco shows no local e cinco shows cada na Lanxess Arena, em Colônia, e na AccorHotels Arena, em Paris. Em 8 de novembro de 2016, foi anunciado que Collins seria a atração principal de um show no Hyde Park, em Londres. Em 16 de dezembro de 2016, foi anunciado que Collins se apresentaria no Aviva Stadium, em Dublin, no domingo, 25 de junho de 2017. 

Em 27 de fevereiro de 2017, foi anunciado que Collins se apresentaria na Echo Arena, em Liverpool, na sexta-feira, 2 de junho de 2017. Collins se apresentando para 65.000 pessoas no Hyde Park, em Londres, no dia 30 de junho de 2017, como parte da turnê Not Dead Yet. Em 8 de junho de 2017, foi anunciado que os shows cancelados de Collins nos dias 8 e 9 de junho seriam remarcados para os dias 26 e 27 de novembro. Os dois concertos foram cancelados depois de Collins ter tropeçado num degrau no quarto do seu hotel, em Londres para o hospital, após um concerto no Royal Albert Hall em 7 de junho. Devido a problemas “nervosos persistentes nas mãos”, esta foi a primeira turnê em que Collins não tocou bateria em nenhum momento do show. Em vez disso, ele incumbiu seu filho Nicholas de executar todas as partes de bateria. Collins usou um cajón durante as últimas partes da turnê. De 2017 a 2019, ele voltou a fazer turnês com seu filho Nicholas. No outono de 2021, o Genesis retornou com a The Last Domino? Tour (2021) a última turnê da carreira de Phil Collins, durante a qual ele cantou sentado, acompanhado por seu filho na bateria. Suas canções de maior sucesso comercial são: In the Air Tonight (1981), Against All Odds (1984), Take Me Home (1985) e Sussudio (1985), One More Night (1986), Two Hearts (1988), Another Day in Paradise (1989), Easy Lover (1990), Something Happened on the Way to Heaven (1989), Do You Remember (1996), Phil Collins recebeu sete prêmios Grammy, um Oscar e dois Globos de Ouro. Além disso, resultado de sua vocação e prêmios, tem uma estrela na Hollywood Walk of Fame.

             Em 1953 o presidente da Câmara de Comércio de Hollywood, E. M. Stuart, teve a ideia de criar uma Calçada da Fama, como forma de "manter a glória de uma comunidade cujo nome significa glamour e emoção nos quatro cantos do mundo". Uma comissão foi formada para aprofundar a ideia, e uma empresa de arquitetura foi contratada para desenvolver propostas específicas. Por volta de 1955, o conceito básico do projeto geral tinha sido acordado, e os planos foram apresentados à Câmara Municipal de Los Angeles. Existem várias versões para a origem do conceito das estrelas na calçada, uma delas seria a do histórico Hotel Hollywood - que funcionou por mais de 50 anos na Hollywood Boulevard, local hoje ocupado pelo complexo do Teatro Dolby - estrelas eram exibidas no teto da sala de jantar em homenagem aos seus mais famosos clientes celebridades, e que pode ter servido como uma inspiração. Em fevereiro de 1956, um protótipo foi apresentado. Em março de 1956, o projeto final havia sido aprovado, e entre a primavera de 1956 e outono de 1957, 1 558 homenageados foram selecionados por comitês que representavam os quatro principais ramos da indústria do entretenimento na época: Cinema, Televisão, Indústria fonográfica e rádio. Um requisito estipulado pela comissão da Indústria fonográfica (e mais tarde anulada) especificava a venda de no mínimo 1 milhão de gravações ou 250 mil álbuns para todos os candidatos da categoria.                      

Calçada da Fama de Hollywood é um passeio no percurso das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street em Hollywood, Califórnia, Estados Unidos, constituído por mais de 2 000 lajes com estrelas, fazendo menção a celebridades honradas pela Câmara do Comércio de Hollywood pelas suas contribuições para a indústria do entretenimento. Gene Autry e Britney Spears são exemplos destacados na Calçada da Fama: ele por ser a única pessoa com estrelas em todas as cinco categorias e ela por ser a pessoa mais jovem a receber uma, com 21 anos. Etnograficamente a Calçada da Fama percorre 1,3 milhas (2,1 km) de Leste para Oeste na Hollywood Boulevard a partir da North Gower Street até a Norte La Brea Avenue, além de um pequeno segmento da Marshfield Way que percorre na diagonal entre Hollywood e La Brea; e 0,4 milhas (0,7 km) de Norte a Sul na Vine Street, entre a Yucca Street e Sunset Boulevard. De acordo com um relatório de 2003 realizado pela empresa de pesquisa de mercado NPO Plog Research, a Calçada atrai cerca de 10 milhões de visitantes por ano, mais do que Sunset Strip, Grauman`s Chinese Theatre, o Queen Mary e o Los Angeles County Museum of Art e tem desempenhado um papel importante no turismo da maior indústria no condado de Los Angeles. De todas as estrelas na Calçada, de divisão do trabalho social 47% foram concedidas na categoria Indústria cinematográfica, 24% em Indústria televisiva, 17% em Indústria da música, 10% em Indústria de radiodifusão, e menos de 2% na categoria Indústria de teatro. O comitê logo percebeu que muitos artistas importantes seriam excluídos da calçada por essa exigência.     

Como resultado, a National Academy of Recording Arts and Sciences foi formada com o objetivo de criar um sistema de premiação separada para mundo da música. Os primeiros Grammy Awards foram apresentados em Beverly Hills, em 1959. A construção da calçada começou em 1958, mas dois processos atrasaram sua conclusão. O primeiro foi apresentado por proprietários locais que contestavam a legalidade de 1 250 mil dólares de imposto cobrado sobre eles para pagar a calçada, juntamente com a nova iluminação pública e árvores. O segundo processo, aberto por Charles Chaplin, Jr., buscava uma indenização pela exclusão de seu pai, cuja nomeação havia sido retirada devido à pressão de vários bairros. O processo foi arquivado em 1960 abrindo o caminho para a conclusão do projeto. Joanne Woodward é muitas vezes apontada como a primeira a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, na verdade não houve uma “primeira”; as estrelas originais foram instaladas como um projeto contínuo, sem cerimônias individuais. O nome de Woodward foi um dos oito sorteados aleatoriamente a partir de 1 558 nomes inscritos em oito estrelas “de exibição” que foram construídas disciplinarmente durante a construção permanente. 

Elas foram instaladas temporariamente no canto noroeste da Hollywood Boulevard e Highland Avenue, em agosto de 1958, para gerar publicidade e demonstrar como a Calçada seria. Os outros sete nomes foram os de Olive Borden, Ronald Colman, Louise Fazenda, Preston Foster, Burt Lancaster, Edward Sedgwick, e Ernest Torrence. A inauguração oficial ocorreu em 08 fevereiro de 1960. A lenda sobre Joanne Woodward pode ter se originado, de acordo com fontes, porque ela foi a primeira a posar com sua estrela para fotógrafos. Cerca de 20 novas estrelas são adicionadas a cada ano. Em 6 de março de 2014, a calçada era composta por 2 518 estrelas. Cada estrela é rosa, fabricada de um mármore chamado terrazo e com um escudo de latão e não bronze, como é muito difundido, com o nome do homenageado e uma figura relacionada a sua área. Esta categoria visa reconhecer as várias contribuições de entidades empresariais, organizações sociais e homenageados especiais que exibe emblemas exclusivos para aqueles homenageados. Por exemplo, a estrela de ex-prefeito de Los Angeles Tom Bradley exibe o selo da cidade de Los Angeles; o emblema do Departamento de Polícia de Los Angeles é uma réplica de um crachá da Divisão de Hollywood; e as estrelas que representam corporações, como a Victoria`s Secret e os Los Angeles Dodgers, exibem o logotipo corporativo dos homenageados. O monumento a missão espacial Apollo 11 (1969), por exemplo, foram moldados exclusivamente por quatro luas circulares idênticas, com os nomes dos três astronautas: Neil A. Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins, com data do primeiro pouso na Lua (20 de julho de 1969), e estão localizadas em cada um dos quatro cantos do cruzamento da Hollywood Boulevard e Vine Street. As estrelas especiais são monumentos concedidos pela Câmara de Comércio de Hollywood, mas não fazem parte da Calçada da Fama e estão apenas localizadas nas proximidades.                                     

Philip David Charles Collins nasceu em 30 de janeiro de 1951 no Hospital Putney, no atual distrito de Wandsworth, no Sudoeste de Londres, Inglaterra. Na época, o Hospital Putney ficava no distrito metropolitano de Wandsworth, no condado de Londres. Sua mãe, June Winifred (nascida Strange, 1913–2011), trabalhava em uma loja de brinquedos e, como agente teatral na Barbara Speake Stage School, uma escola independente de artes cênicas em East Acton, no atual distrito londrino de Ealing, enquanto seu pai, Greville Philip Austin Collins (1907–1972), era agente de seguros da London Assurance. Collins é o caçula de três filhos; sua irmã, Carole, competiu como patinadora artística profissional e seguiu os passos de June como agente teatral, enquanto seu irmão, Clive, era cartunista. A família mudou-se duas vezes quando Collins completou três anos, estabelecendo-se no número 453 da Hanworth Road, no município de Brentford e Chiswick, agora parte do município londrino de Hounslow. Phill Collins ganhou uma bateria de brinquedo no Natal aos cinco anos de idade e, mais tarde, seus dois tios fizeram para ele um conjunto improvisado com triângulos e pandeiros que cabia em uma mala. Estes foram seguidos por conjuntos mais completos comprados por June e Greville progressivamente à medida que Collins crescia. Collins praticava tocando junto com músicas na televisão e no rádio. 

Durante umas férias em família no Butlin`s, Collins, aos sete anos, participou de um importante concurso de talentos, cantando “The Ballad of Davy Crockett” (1955); ele interrompeu a orquestra no meio da música para dizer que estavam na tonalidade errada. Os Beatles foram uma grande influência inicial para ele, incluindo seu baterista Ringo Starr. Collins seguia a banda londrina menos conhecida The Action, cujo baterista, Roger Powell, ele imitava e cujo trabalho o apresentou à música soul da Motown e da Stax Records. Collins também foi influenciado pelo baterista de jazz e big band Buddy Rich (1917-1987), cuja opinião sobre a importância do chimbal levou o primeiro a parar de usar um segundo bumbo e começar a usar o chimbal. Collins recebeu aulas básicas de piano e música da tia de Greville por volta dos 12 anos de idade. Collins estudou rudimentos de bateria com Lloyd Ryan e mais tarde com Frank King, e considerou esse treinamento “mais útil do que qualquer outra coisa porque eles são usados o tempo todo. Em qualquer tipo de bateria funk ou jazz, os rudimentos estão sempre presentes”. Collins nunca aprendeu a ler ou escrever notação musical e criou seu próprio sistema, do qual se arrependeu mais tarde. - “Sempre achei que se eu conseguisse cantarolar, conseguiria tocar. Para mim, isso era suficiente, mas essa atitude é ruim”. Collins frequentou a Nelson Primary School em Twickenham, então parte de Middlesex e agora parte do distrito londrino de Richmond upon Thames, até 1962, quando foi aceito na Chiswick County Grammar School em Chiswick, no atual distrito londrino de Hounslow. Lá, Collins se apaixonou por futebol e formou a Real Thing, uma banda escolar que tinha sua futura esposa Andrea Bertorelli e a amiga Lavinia Lang como backing vocals; ambas as mulheres teriam um impacto social na vida pessoal de Collins nos anos seguintes. 

O próximo grupo de Collins foi o Freehold, com quem ele escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, e tocou em um grupo chamado The Charge. Collins era amigo de infância de Jack Wild, que se tornaria famoso por interpretar o Artful Dodger no filme musical dramático Oliver! (1968). June avistou Wild quando ele e Collins estavam jogando futebol juntos no parque, e os dois meninos frequentavam a escola Barbara Speake. Embora originalmente concebida em parte para incentivar o redesenvolvimento da Hollywood Boulevard, os anos 1960 e 1970 foram períodos de decadência urbana prolongada na área de Hollywood com os moradores se mudando para os subúrbios da cidade. Extraordinariamente mais 1 500 estrelas foram instaladas entre 1960-1961, depois oito anos se passaram sem a adição de uma nova estrela. Escólio: Se o espaço “é um lugar praticado”, para concordarmos com Michel de Certeau, que desenvolve de forma conspícua a percepção fenomenológica do cotidiano, através do que ele denominou “invenção do cotidiano”, livro que já alcançou em 2013 a 20ª edição pelas Editoras Vozes, a rua geometricamente definida por um urbanismo “é transformada em espaço pelos pedestres”. Analogamente, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um manuscrito. Merleau-Ponty já distinguia de um espaço geométrico outra espacialidade que denominava “espaço antropológico”, que visava separar da univocidade geométrica a experiência de um “fora” dado sob a forma de espaço e para o qual dialeticamente o “espaço é existencial” e “a existência é espacial”. Essa experiência dialética é relação com o mundo, no sonho e na percepção, de Freud aos nossos dias, e per se anterior à sua diferenciação.  

Ela exprime o nosso ser situado por um desejo, indissociável da existência e plantado no espaço de uma paisagem em experiências espaciais distintas. A cadeia das operações espacializante parece toda pontilhada de referências ao que produz uma representação de lugares ou ao que implica uma ordem local. Tem-se assim a estrutura do relato de viagem, histórias de caminhadas e gestas que são marcadas pela “citação” dos lugares que daí resulta ou que as autoridades simbólicas preconizam preconceitos sociais. Os relatos antropológicos efetuam um trabalho que, seguindo a etnografia extraordinária de Michel de Certeau (1925-1986), incessantemente, transforma “lugares em espaços” ou “espaços em lugares”. Organizam também os “jogos” das relações sociais mutáveis que uns mantêm com os outros. São inúmeros esses jogos, num leque se estende desde a implantação de uma ordem imóvel e quase mineralógica até a sucessividade acelerada das ações multiplicadoras de espaços populares, no âmbito das representações da vida. A Câmara Municipal de Los Angeles, Estados Unidos, aprovou uma lei nomeando a Câmara de Comércio de Hollywood como “The Agent to Advise the City” (1962) sobre a adição de novos nomes a calçada, e a Câmara, ao longo dos seis anos seguintes, criou regras, procedimentos e métodos de financiamento para fazê-lo. Em dezembro de 1968, Richard D. Zanuck foi premiado com a primeira estrela em oito anos em uma cerimônia apresentada por Danny Thomas. Em julho de 1978, a prefeitura de Los Angeles nomeou a Calçada da Fama de Hollywood um Monumento Histórico e Cultural da cidade, estabelecendo-se como uma atração turística importante.

A partir de 1968, Johnny Grant (1923-2008) prefeito honorário de Hollywood, estimulou a publicidade e a cobertura da imprensa internacional, exigindo também que cada homenageado fosse pessoalmente a inauguração da cerimônia de sua estrela. Johnny recordou mais tarde que “foi difícil conseguir que as pessoas viessem a aceitar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood” até que a região da Boulevard fosse finalmente recuperada a partir dos anos 1980. Johnny Grant aprovou uma taxa de US$ 2 500, pagos pelo homenageado ou entidade de nomeação do destinatário, para financiar a manutenção da Calçada da Fama. Essa taxa tem aumentado progressivamente ao longo do tempo; em 2002 seu valor realmente era de US$ 15 000, em 2012 tinha chegado a US$ 30 000. Grant foi premiado com uma estrela em 1980 por seu trabalho na televisão, e em 2002 ele recebeu uma segunda estrela na categoria Especial pelo reconhecimento de seu papel na melhoria e popularização da calçada da fama. Em 1984, uma quinta categoria, a Indústria de teatro, foi adicionada a calçada para permitir o reconhecimento das contribuições do ramo da indústria do entretenimento teatral, e uma segunda fileira de estrelas foi criada em cada calçada para alternar comparativamente com as estrelas existentes. Em 1994, a Calçada da Fama foi estendida para oeste na Hollywood Boulevard, Sycamore Avenue e ao Norte da LaBrea Avenue, onde termina na praça “Four Ladies of Hollywood”. Sophia Loren foi homenageada com a estrela de número 2 000. 

Durante a construção de túneis para o sistema de metrô de Los Angeles, em 1996, a Autoridade de Transporte Metropolitano removeu e armazenou mais de 300 estrelas. Em 2008, um projeto de restauração a longo prazo começou com uma avaliação de todas as 2 365 estrelas na Calçada, cada um recebendo uma carta de grau A, B, C, D ou F. Nas estrelas com notas “F”, foram indicados os danos mais graves, outras cinquenta estrelas receberam notas “D”. Pelo menos 778 estrelas foram eventualmente reparadas ou substituídas a um custo estimado de US$ 4 milhões. Para incentivar o financiamento suplementar para o projeto, o programa “Amigos da Calçada da Fama” foi inaugurado. Absolut Vodka foi a primeira empresa amiga e doou US$ 1 milhão, seguida da L`Oréal. Os amigos da calçada são reconhecidos com placas honoríficas adjacentes à Calçada da Fama em frente ao Teatro Dolby. O programa, porém, recebeu algumas críticas. Gene Autry é o único homenageado com estrelas em todas as cinco categorias. Bob Hope, Mickey Rooney, Roy Rogers, e Tony Martin tem cada um quatro estrelas em quatro categorias. Trinta e três pessoas, incluindo Bing Crosby, Dean Martin, Frank Sinatra, Dinah Shore, Gale Storm, Danny Kaye, e Jack Benny, tem três estrelas individualmente. Sete artistas têm duas estrelas na mesma categoria por realizações distintas: Michael Jackson, como performance solo e como membro do The Jackson 5; Diana Ross, como membro da The Supremes e por seu trabalho solo; Smokey Robinson, também como um artista solo e como membro da The Supremes; e John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e Paul McCartney, cada um com uma estrela e como membros dos Beatles.  Indisciplinada Cher perdeu a chance de ser homenageada, já que se recusou a agendar sua participação pessoal e obrigatória quando foi selecionada em 1983. 

Ela esteve presente na inauguração da estrela Sonny & Cher, em 1998, como uma homenagem ao seu ex-marido, Sonny Bono. George Eastman é o único homenageado com duas estrelas na mesma categoria pela mesma realização, a invenção do filme fotográfico. O nome de Charles Chaplin (cf. Chaplin, 1981; Matos-Cruz, 1982) foi censurado entre os primeiros homenageados, e logo suas impressões foram retiradas do local por conta de questões relacionadas com a sua moral (ele havia sido acusado de violar a Lei de Mann Act (White-Slave Traffic Act) durante a década de 1940, mas é mais provável, que tivesse sido devido às suas opiniões políticas. Sua estrela foi finalmente adicionada à calçada em 1972, no mesmo ano em que recebeu seu Oscar, independente do motivo que manteve o ator fora da calçada, atualmente ele é uma das estrelas mais fotografadas. Em 1978, o comitê da Câmara de Comércio de Hollywood, votou contra a concessão de uma estrela ao ator, atleta, escritor, advogado e ativista social Paul Robeson. O clamor da indústria cultural, de círculos cívicos, políticos locais e nacionais, e outros foram tão intensos que decisão foi revertida quase que imediatamente.

É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam “medidas falsas”, dizia Freud (2011), com razão, sobre a questão tópica do mal-estar na civilização, de que buscam poder, sucesso, riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, assim subestimando os autênticos valores da vida. E, no entanto, corremos o risco, num julgamento assim genérico, de esquecer a variedade do humano - last but not least – e de sua vida psíquica. Existem homens que não deixam de ser venerados pelos contemporâneos, como Herman Hesse (1877-1962), embora sua grandeza repouse em qualidades e realizações inteiramente alheias aos objetivos e ideais da multidão. Provavelmente se há de supor que apenas uma minoria reconhece esses grandes homens, enquanto a maioria os ignora. Mas a coisa, é claro, pode não ser tão simples assim, devido à incongruência entre as ideias e os atos das pessoas e à diversidade dos seus desejos. A ideia de que o homem adquire noção de seu vínculo com o mundo por um sentimento imediato, desde o início orientado para isso, é tão estranha, ajusta-se tão mal à nossa trama, que podemos tentar uma aproximação psicanalítica, genética para esse sentimento.                       

A seguinte linha de pensamento se oferece. Normalmente nada é mais seguro do que o sentimento de nós mesmos, de nosso Eu. Este Eu nos aparece como autônomo, unitário, bem demarcado de tudo o mais. Que esta aparência é enganosa, que o Eu na verdade se prolonga para dentro, sem fronteira nítida, numa entidade psíquica inconsciente a que denominamos Id, à qual ele serve de fachada – isto aprendemos com a pesquisa psicanalítica, mas que não é bem o nosso caso, na sociologia que propugnamos. De todo modo a patologia nos apresenta um grande número de estados em que a delimitação do Eu ante o mundo externo se torna problemática, e nos faz lembrar a expressão de despedida de Gilles Deleuze (1997) que tomamos de empréstimo, através das palavras, entre as palavras, que se vê e que se ouve: - “A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever?”. Ipso facto, no prefácio à 2ª edição da obra Da Divisão do Trabalho Social, de Émile Durkheim (2010) lembra-nos da ideia que ficou na penumbra na primeira edição e que parece útil ressaltar e determinar melhor, pois ela esclarecerá melhor algumas partes do presente trabalho. Trata-se do papel social que os agrupamentos profissionais estão destinados a desempenhar na organização social dos povos contemporâneos. Mas o que proporciona, particularmente nos dias de hoje, excepcional gravidade a esse estado é o desenvolvimento então desconhecido, que as funções econômicas adquiriram nos últimos dois séculos, aproximadamente. Estamos longe do tempo em que eram desdenhosamente abandonadas às classes inferiores, pois diante delas, vemos as funções militares, administrativas, religiosas recuarem cada vez mais. 

Somente as funções científicas, adverte o pragmático sociólogo, que encetou sua obra magnífica em torno de dez anos de produção ininterrupta, de reconhecimento, estão em condição de disputar-lhes o lugar – e ainda assim, a ciência contemporaneamente só tem prestígio na medida em que pode servir à prática, isto é, em grande parte, às “profissões econômicas”. É por isso que se pode dizer, não sem alguma razão, que elas são ou tendem a ser essencialmente industriais. Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Pois, precisamente porque as funções econômicas absorvem o maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma multidão de indivíduos, como dizia Freud, cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada eficazmente por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único grupo que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia conceitua de corporação ou grupo profissional. É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. 

Desde que, não sem razão, com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais. Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda historicamente de forma rudimentar. Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, não há neles nada que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais. Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar em comum uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação. A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública. 

A primeira observação familiar da crítica de Durkheim, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico. Ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário.           

É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. 

Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las.Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em todas as sociedades europeias. Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur (1828-1911), “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”.  No século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, o próprio fato social de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva.

A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot (1727-1781) requeria outra que não poderia ser indefinidamente adiada. Mas o sociólogo francês lembra que nem toda organização corporativa é anacronismo histórico. Acreditamos que ela seria chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia ter.  O que vemos antes de mais nada no grupo profissional é um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais. Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história.        

Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas. Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada.

Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono. A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. 

A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se e ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se que exista antropologicamente falando na consanguinidade, uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral. A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos de poder do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. A família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. 

Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato socialmente que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios. Em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fato não está bem estabelecido.

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era per se uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental. Quando as cidades se emanciparam da tutela senhorial, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal. Segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. 

Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna. Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna era um agregado de corpos de ofícios, o corpo de ofício era uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Queremos dizer com isso, que sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que era uma reunião de corporações e que se formou com base no tipo da corporação, esta foi em última análise, que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal em torno do continente europeu. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância culturalmente e dignidade política. Em Roma, começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para sociedades contemporâneas. É um motivo para que recusemos a considera-la instituição cinematográfica arcaica destinada a desaparecer.

Bibliografia Geral Consultada.

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