“Sou uma cortesã, sou paga para fazer os homens acreditarem naquilo em que querem acreditar”. Moulin Rouge
Durante o período da Baixa Idade Média o
advento do Renascimento Comercial e Urbano, surge na Europa uma tendência de
enfraquecimento do poder dos nobres e fortalecimento do poder dos reis, que
durante o período medieval tinham autoridade quase nula. Em alguns países, os
soberanos contaram com o importante apoio da burguesia nascente, que tinha
forte interesse na centralização política, pois a padronização de pesos,
medidas e moedas e a unificação da justiça e da tributação favoreciam o
desenvolvimento do comércio. A nobreza, sem forças para se impor, acabou por
aceitar a dominação real (em alguns casos, após sangrentos conflitos). Parte
dela foi cooptada por meio da formação das cortes, constituídas por nobres
luxuosamente sustentados pelo Estado. Os reis puderam assim obter para si todo
o controle político, econômico e militar dos países. No auge da centralização,
estabeleceu-se o Absolutismo. Talleyrand demonstrou admirável capacidade de
sobrevivência política ao ocupar altos cargos no governo revolucionário
francês, sob Napoleão Bonaparte, durante a restauração da monarquia da Casa de
Bourbon e sob o rei Luís Filipe. Embora de ascendência aristocrática, ele não
pôde seguir a carreira militar por causa de um defeito físico (Pé torto).
Opcionalmente, foi preparado para a carreira religiosa e, como seminarista,
estudou teologia e leu a obra dos filósofos progressistas contemporâneos.
Expulso do seminário (1775) por não seguir a regra metodológica do celibato, mesmo assim
recebeu as ordens menores e o rei o nomeou abade de Saint-Denis, em Reims
(1776). Ordenado em 1779, foi nomeado vigário-geral pelo tio Alexandre,
arcebispo de Reims, e um ano depois tornou-se agente geral do clero junto ao
governo da França. Defensor dos privilégios eclesiásticos, suas atividades puseram-no
em contato social direto e frequente com os ministros da coroa, o que lhe permitiu
adquirir experiência política no manejo do ideário parlamentar e ser consagrado (1788) como bispo de Autun.
O Antigo Regime (Ancien Régime) no âmbito das ideias políticas e sociais permitiu que duas mulheres tivessem se tornado artistas proeminentes da corte francesa. Ainda que compreendidas sob o signo da excepcionalidade, havia uma possibilidade de que participassem da produção artística e, mesmo, da principal instituição de consagração dos artistas: a academia. O Salão de 1783 foi o marco de exaltação das artistas e, também, o momento a partir do qual as reações do campo iniciam a conformar um nicho próprio que pudesse interpretar, rotular e, ao final, diferenciar a produção feminina. O preço que cada uma das artistas pagou pelas transformações radicais impostas pela revolução clássica francesa foi determinado em grande parte pelas relações que estabeleceram com a corte. Mas o salão de 1785 era um palco também de outro marco: ali estreava, com muito sucesso, o jovem Jacques-Louis David (1748-1825), pintor que significativamente se tornaria o símbolo provavelmente de uma nova Era. Com o chamado “Juramento dos horácios”, uma nova estética neoclássica, severa, racional - e com temática da virtude patriótica ancorada no heroísmo masculino -, começou a se impor. O Antigo Regime refere-se ao sistema social e político aristocrático que foi estabelecido na França. Trata-se de um regime centralizado e absolutista, em que o poder era concentrado nas mãos do rei. Também se atribui o termo ao modo de viver característico das populações europeias durante os séculos XV-XVIII, desde as “descobertas marítimas” até chamadas às revoluções liberais europeias.
Coincidiu politicamente com as monarquias absolutas, economicamente com o capitalismo social, e socialmente com o parti pris da sociedade de ordens. As estruturas sociais e administrativas do Antigo Regime foram resultado de anos de construção estatal, atos legislativos, conflitos e guerras internas, mas, tais circunstâncias permaneceram como uma mistura confusa de privilégios locais e disparidades históricas, até que a Revolução Francesa (1789-1799) põe fim ao regime. Embora a sua utilização seja contemporânea à Revolução Francesa, o maior responsável pela fixação da expressão Ancien Régime na literatura foi Alexis de Tocqueville (1805-1859), autor do ensaio: O Antigo Regime e a Revolução. Tornou-se célebre por suas análises da Revolução Francesa, da Democracia Americana e da evolução das democracias ocidentais em geral. Esse texto indica precisamente a conjuntura política em que a Revolução Francesa batizou aquilo que aboliu (“la Révolution française a baptisé ce qu`elle a aboli”). Desde o ponto de vista dos inimigos da revolução, o termo Antigo Regime carregava uma certa nostalgia, de paraíso perdido. Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord (1754-1838) foi um político e diplomata francês. Ele ocupou em quatro ocasiões o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro Primeiro-Ministro da França entre julho e setembro de 1815 sob Luís XVIII depois da restauração francesa. Talleyrand chegou a dizer que “os que não conheceram o Antigo Regime nunca poderão saber o que era a doçura de viver” (“ceux qui n`ont pas connu l`Ancien Régime ne pourront jamais savoir ce qu`était la douceur de vivre”).
Durante o período
pré-revolucionário, foi membro do Clube dos Trinta. Apoiou depois a
nacionalização dos bens da igreja e conseguiu a adoção da constituição civil do
clero que, sem o apoio papal, permitiu a reorganização completa da Igreja
francesa ao serviço do Estado. Excomungado pelo papa e eleito administrador do
departamento de Paris (1791), abandonou a Igreja Católica. Foi enviado pela
Assembleia Geral à Grã-Bretanha (1792), para tentar convencer os ingleses a não
se aliarem com a Áustria e a Prússia contra a França. O fracasso das
negociações e a execução de Luís XVI obrigaram-no a fugir para os Estados
Unidos da América (1794). Após a queda de Robespierre e o fim do Terror (1796),
regressou à França e no ano seguinte tornou-se ministro das Relações
Exteriores. Acusado de corrupção (1799), foi demitido, mas recuperou o cargo
após o golpe de estado de Napoleão e o estabelecimento do Consulado. Com o
objetivo da pacificação da Europa, esforçou-se por articular políticas de
alianças com as principais potências europeias e promoveu a reconciliação de
Napoleão com o resto da Europa. No entanto, por discordar do projeto de
conquistas do imperador, demitiu-se (1807). Apoiado pelo czar Alexandre I da
Rússia, organizou oposição a Napoleão e preparou a restauração dos Bourbons.
Com a entrada da liga antinapoleônica em Paris (1814), persuadiu o senado a
estabelecer um governo provisório e a declarar Napoleão deposto. O novo governo
imediatamente convocou Luís XVIII, que o nomeou ministro das Relações
Exteriores.
No Congresso de Viena (1814-1815), representou a França na esfera política e expôs suas habilidades diplomáticas, mas prejudicou a França em termos territoriais, pois aceitou ceder à Prússia territórios da margem direita do rio Reno. Após os cem dias napoleônicos, assumiu o cargo de presidente do Conselho de Estado, porém seu passado revolucionário levou-o a ser demitido em setembro do mesmo ano. Aliado aos liberais, participou de forma ativa na ascensão ao trono de Luís Filipe de Orleans (1830). Embaixador em Londres (1830-1834), teve participação fundamental nas negociações entre França e Reino Unido, como na criação do reino da Bélgica e na assinatura da aliança entre França, Reino Unido, Espanha e Portugal - a Quádrupla Aliança (1834). Acusado em vida de cínico e imoral, alegava servir à França, e não aos regimes políticos. Foi, ao lado de Joseph Fouché (1759-1829), uma das figuras mais polêmicas da França. Fouché, 1º Duque de Otranto, foi um político e ministro durante a Revolução Francesa e a chamada Era napoleônica, notabilizado pela sua extrema falta de caráter, individualismo e por haver trafegado incólume, e com sucesso, pelos mais conturbados períodos da história de França. Ele morreu em 17 de maio 1838, pouco após se reconciliar com a Igreja católica, e foi enterrado na Capela de Notre-Dame. Durante o século XVII, o Antigo Regime entrou em declínio devido, principalmente, ao Iluminismo. Essa corrente de pensamento defendia ideais do liberalismo, como a instituição de um gestor subordinado a Carta Magna; fim do intervencionismo político e econômico, voto universal democracia; valores per se antagônicos ao Absolutismo.
Moulin Rouge! Tem como representação social um filme de drama romântico musical jukebox de 2001, dirigido, produzido e coescrito por Baz Luhrmann, nascido em 17 de setembro de 1962, é um diretor de cinema, produtor, escritor e ator australiano cujos vários projetos in statu nascendi se estendem e permutam-se do cinema e da televisão à ópera, teatro, música e a consolidação das chamadas indústrias culturais na sociedade globalizada. Ele é considerado como um notável exemplo contemporâneo de autor, por seu estilo e profundo envolvimento na escrita, direção, design e componentes musicais de corpo do seu trabalho. Ele é o diretor australiano de maior sucesso comercial, com quatro de seus filmes entre os dez filmes australianos de maior bilheteria mundial de todos os tempos. Na telona, ele é mais reconhecido por sua Trilogia Red Curtain, composta por sua comédia romântica Strictly Ballroom (1992) e sobretudo, as tragédias românticas Romeu + Julieta (1996) e Moulin Rouge! (2001), de William Shakespeare. Após a trilogia, os projetos incluíram Austrália (2008), O Grande Gatsby (2013), Elvis (2022) e seu drama de época para a televisão The Get Down (2016) para a Netflix. Projetos adicionais incluem produções teatrais de La Bohème, de Giacomo Puccini, para a Opera Australia e a Broadway, e Strictly Ballroom the Musical (2014). Em setembro de 2025, seu primeiro documentário, EPiC: Elvis Presley in Concert. Luhrmann é reconhecido por suas trilhas sonoras indicadas ao Grammy para Moulin Rouge! e O Grande Gatsby, e por sua gravadora House of Iona, uma parceria com a RCA Records. Austrália, oficialmente a Comunidade da Austrália, é um país que compreende o continente australiano, a ilha da Tasmânia e inúmeras ilhas menores.
Tem uma área total de 7.688.287 km², tornando-se o sexto maior país do mundo e o maior da Oceania. A Austrália é o continente habitado mais plano e seco do mundo. É um país megadiverso, e seu tamanho lhe dá uma grande variedade de paisagens e climas, incluindo desertos no interior e florestas tropicais ao longo da costa. Os ancestrais dos aborígenes australianos começaram a chegar do Sudeste Asiático há 50 mil a 65 mil anos, durante o último período glacial. Na história da colonização britânica, os aborígenes australianos falavam 250 línguas distintas e tinham uma das culturas vivas mais antigas do mundo. A história escrita da Austrália começou com a exploração holandesa da maior parte do litoral no século XVII. A colonização britânica começou em 1788 com o estabelecimento da colônia penal de Nova Gales do Sul. Em meados do século XIX, a maior parte do continente havia sido explorada por colonos europeus e cinco colônias britânicas autônomas adicionais foram estabelecidas, cada uma ganhando um governo responsável em 1890. As colônias se federaram em 1901, formando a Comunidade da Austrália. Isto deu continuidade a um processo de crescente autonomia em relação ao Reino Unido, destacado pelo Estatuto de Westminster, Lei de Adopção de 1942, e que culminou nos Atos da Austrália de 1986. A Austrália tem como representação uma democracia parlamentar federal e uma monarquia constitucional que compreende seis estados e dez territórios. Sua população de quase 28 milhões é altamente urbanizada e fortemente concentrada na costa Leste. Camberra é a capital do país, enquanto suas cidades mais populosas superorganizadas são Sydney e Melbourne, ambas com uma população de mais de cinco milhões. A cultura da Austrália o país tem uma das maiores populações estrangeiras do mundo, economia altamente desenvolvida e das maiores rendas per capita do mundo. Seus abundantes recursos naturais e relações comerciais internacionais bem desenvolvidas são cruciais para a economia do país. Ele tem uma classificação elevada em qualidade de vida, saúde, educação, liberdade econômica, liberdades civis e direitos políticos. A Austrália é uma potência média e tem o 13º maior gasto militar do mundo. A cultura aborígene australiana é uma das mais antigas culturas contínuas da Terra. Na história social do primeiro contato europeu, os aborígenes australianos pertenciam a uma ampla gama de sociedades, com economias diversas espalhadas por pelo menos 250 grupos linguísticos diferentes.
As estimativas da população aborígene antes da colonização
britânica variam de 300 mil a 3 milhões. As culturas aborígenes australianas
eram e permanecem profundamente conectadas com a terra e o meio ambiente, com
histórias de The Dreaming mantidas por meio de um conjunto de práticas e
sabres da tradição oral, canções, danças e pinturas. Certos grupos se dedicavam
à agricultura com gravetos, à piscicultura e abrigos semipermanentes. Estas
práticas têm sido caracterizadas de várias formas: “caça-recoletora”, “agrícola”,
“cultivo natural” e “intensificação”. Os povos das Ilhas do Estreito de Torres
se estabeleceram em suas ilhas há pelo menos 2.500 anos. Cultural e
linguisticamente distintos dos povos aborígenes do continente, eles eram
marinheiros e obtinham seu sustento da horticultura sazonal e recursos de
seus recifes e mares. A agricultura também se desenvolveu em algumas ilhas e
vilas que surgiram por volta de 1300. Em meados do século XVIII, no Norte da
Austrália, o comércio e o engajamento intercultural foram
estabelecidos entre grupos aborígenes locais e trepangers de Macassan,
visitantes da atualmente Indonésia.
Desnecessário dizer que Baz Luhrmann vem atuando como produtor em todas as suas trilhas sonoras musicais, também detém créditos de composição em muitas das faixas individuais. Seu álbum Something for Everybody apresenta músicas de muitos de seus filmes e também inclui seu hit “Everybody's Free (To Wear Sunscreen)”. Em Moulin Rouge! ele segue um poeta inglês, Christian, que se apaixona pela estrela do Moulin Rouge, atriz de cabaré e cortesã Satine. O filme usa o cenário musical do bairro de Montmartre, em Paris, e é a parte final da Trilogia da Cortina Vermelha de Luhrmann, seguindo Strictly Ballroom (1992) e Romeu + Julieta (1996). Uma coprodução da Austrália e dos Estados Unidos, apresenta um elenco estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, com Jim Broadbent, Richard Roxburgh, John Leguizamo, Jacek Koman e Caroline O`Connor em papéis coadjuvantes. Moulin Rouge! estreou no Festival de Cinema de Cannes de 2001, onde competiu pela Palma de Ouro e foi lançado nos cinemas em 25 de maio de 2001 na Austrália e em 1° de junho de 2001 na América do Norte. Montmartre é um bairro charmoso, boêmio e artístico no 18º arrondissement de Paris, reconhecido pela sua história social ligada ao movimento impressionista e por abrigar a famosa Basílica de Sacré-Cœur. A Basílica do Sagrado Coração de Jesus de Montmatre, ou simplesmente Basílica do Sagrado Coração é um templo da Igreja Católica Apostólica Romana em Paris dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, sendo, também, o símbolo do bairro de Monte Martre.
Suas ruas estreitas
e empinadas levam a locais icônicos como a Place du Tertre, onde “artistas
de rua expõem e vendem suas obras, e a um miradouro com vista panorâmica da
cidade”. O bairro é um destino turístico popular, com uma atmosfera
cultural vibrante, repleta de cabarés, cafés frequentados por artistas
renomados, museus e o emblemático Moulin Rouge. O filme foi elogiado pela
direção de Luhrmann, as performances do elenco, sua trilha sonora,
figurino e valores de produção. Também foi um sucesso comercial, arrecadando
US$ 179,2 milhões com um orçamento de US$ 50 milhões. No 74º Oscar, o filme
recebeu oito indicações, incluindo Melhor Filme, e ganhou duas (Melhor Design
de Produção e Melhor Figurino). A recepção crítica posterior para Moulin
Rouge! permaneceu positiva e foi considerado, historicamente, por muitos analistas
críticos de cinema como um dos melhores filmes de todos os tempos, com a
classificação 53, pontual, na pesquisa da British Broadcasting Corporation (BBC)
de 2016, a renomada corporação pública de radiodifusão do Reino Unido, dos 100
maiores filmes do século XXI. Uma adaptação musical para o palco estreou em
2018.
famosa frase: - “No
futuro, todos terão seus quinze minutos de fama”, como profetizou certa vez o
cineasta e pintor norte-americano Andy Warhol, reconhecido pelos coloridos
retratos da glamorosa Marilyn Monroe e Elvis Presley tornou-se sua marca na
modernidade. Mais do que isso, sua fama parece ter se tornada eterna, como tem
ocorrido no tempo e espaço quando é cada vez mais celebrada. É o que garante o
jornal norte-americano The New York Times. No primeiro semestre de 2015,
por exemplo, foram programadas pelo menos três mostras com criações de Andy
Warhol nos Estados Unidos da América. Em uma extensa reportagem sobre o legado
de um dos criadores e principal representante da Pop Art, o jornal
divulgou que nada menos que 40 exposições com obras do artista, muitas delas
até então inéditas para o público, “inundarão museus e instituições de arte nos
próximos cinco anos”. Isso porque a fundação que leva o nome de Andy Warhol
está na terceira fase de um projeto que visa popularizar cada vez mais o
trabalho do artista, morto em 1987. É neste sentido que a fundação doou mais de
14 mil obras, sobretudo fotografias e gravuras, “com a condição de que os
museus as exibam no prazo de cinco anos”. Ipso facto, já foram
distribuídas, desde 1999, 52.786 obras do artista para 322 instituições
diversas, sobretudo nos Estados Unidos da América.
Neste sentido, marca é a representação simbólica de uma entidade, qualquer que seja ela, objeto/símbolo que permite identificá-la de um modo imediato como, por exemplo, um sinal de presença, uma simples pegada. Na teoria da comunicação, pode ser um signo, um símbolo ou um ícone. Uma simples palavra pode referir uma marca. O termo é frequentemente usado hoje em dia como referência a uma determinada empresa: um nome, uma marca verbal, imagens ou conceitos que distinguem o produto, serviço ou a própria empresa. Quando se fala em marca, é comum estar se referindo, na maioria das vezes, a uma representação gráfica no âmbito e competência do designer, onde a marca pode ser representada graficamente por uma composição de símbolo ou logotipo, tanto individualmente quanto combinados. No entanto, o conceito de marca é bem mais abrangente obviamente que a sua representação gráfica. Marca não é um conceito fácil de definir. A marca em essência representa produção-consumo com uma série específica de atributos, benefícios e serviços uniformes aos compradores. A garantia de qualidade surge entre marcas, mas a marca é um símbolo mais complexo, pois em princípio, a relação social entre complexo e símbolo, coincide em muitos aspectos do desejo, comparativamente, pois ambos se enraízam num núcleo de significado arquetípico.
Temos o que fica
reservado como lugar de representação do conhecimento, posto que bem entendido
o nível ao qual se aplica a pesquisa antropológica, ela tem por objeto
interpretar a interpretação que os outros fazem da categoria do outro, nos
diferentes níveis que situam o lugar dele e impõem sua necessidade. Melhor
dizendo, tendo como representação social etnia, tribo, aldeia, linhagem ou
outro modo de agrupamento até o átomo elementar de parentesco, do qual se sabe
que submete a identidade da filiação à necessidade da aliança, o
individualismo, enfim; que todos os sistemas rituais definem como compósito e
pleno de alteridade, figura literalmente impensável, como o são, em modalidades
opostas, a do rei e a do feiticeiro. O fato social é que deste ângulo de
análise há um princípio abrangente e primordial, porque norteador, pois “toda
antropologia é antropologia da antropologia dos outros, além disso, que neste
âmbito, o lugar antropológico, é simultaneamente princípio de sentido para
aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem o observa”.
Essa inteligibilidade, ao que nos parece, fornece e propõe no âmbito de
apropriação dos saberes que as condições de uma antropologia da
contemporaneidade devem ser deslocadas do método para o objeto.
E além disso, que se deve estar atento às mudanças que afetaram as grandes categorias por meio das quais os homens pensam sua identidade e suas relações recíprocas em termos espaciais. Assim, se um lugar de análise pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um na etnologia da solidão de Marc Augé, o que ele denominou analiticamente de “não-lugar”. A hipótese adjudicada na teoria, e, portanto, no pensamento, é o que o autor chama de surmodernité conquanto produtora de não-lugares, de espaços que não são em si lugares (tradicionais) antropológicos. Isto é importante. Estas características comuns podem ser aplicadas a dispositivos institucionais diferentes e que constituem, de certo modo, as formas elementares de compreensão do espaço social. Trata-se de aspectos gerais e que se identificam enquanto itinerários ou eixos ou caminhos que, do ponto de vista etnológico conduzem de um lugar a outro. Mas também em cruzamentos e praças, que satisfazem por assim dizer esferas de ação social, que nos mercados definem necessidades do intercâmbio econômico e, nesta progressão, centros mais ou menos monumentais. Sejam eles religiosos ou políticos construídos por certos homens e mulheres e que definem como outros, em relação a outros centros e outros espaços sociais. Analogamente se referem sociologicamente enquanto um conjunto de práticas e saberes sociais a unidades de geração que desenvolvem perspectivas, reações e posições políticas e afetivas diferentes em relação a um mesmo mercado de consumo editorial.
O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz surgirem diversidades nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, mesmo vivendo em um mesmo nível social. A unidade geracional constitui uma adesão mais concreta em relação àquela estabelecida pela conexão geracional. Mas a forma como grupos sociais da mesma conexão geracional lida com os fatos históricos vividos, por sua geração, fará surgir distintas unidades geracionais no âmbito da mesma conexão geracional no conjunto da sociedade. O sociólogo Karl Mannheim não esconde sua preferência pela abordagem histórico-romântica alemã. E destaca que este é um exemplo bastante claro de como a forma in statu nascendi de se colocar uma questão pode variar analogamente de país para país, assim como de uma época para outra. Ipso facto, sociologicamente falando, a relação social entendida por globalização representa um dos processos de aprofundamento da divisão internacional do trabalho, da integração econômica, social e política, em seus extremos que teria sido impulsionado pela redução dos meios sociais de comunicação dos países no final do século XX e início do século XXI. Embora vários estudiosos situem desde Marx a origem da globalização em tempos modernos, Marx analisou a sua história social e econômica na gênese do industrial capitalista relacionado com os chamados descobrimentos do Novo Mundo pelos europeus.
Um país com imprensa
livre hoje pode ter acesso, algumas vezes por televisão por assinatura ou
satélite, a emissoras de difusão de comunicação, desde a Japan Broadcasting Corporation (NHK) do Japão a Cartoon Network
norte-americana. A globalização per se é analisada por sociólogos,
historiadores e cientistas políticos como o movimento social sob o qual se
constrói o processo de hegemonia econômica, política e cultural ocidental sobre
as demais nações. Esta nova dominação é constituída por redes assimétricas, e
as relações de poder se dão mais pela via cultural e econômica do que pelo uso
coercitivo da utilidade de uso de força. Na trama cinematográfica em 1900, em
Paris, Christian, um jovem escritor deprimido e angustiado pela morte recente
da mulher que amava, começa a escrever sua história em sua máquina de
escrever. Um ano antes, em 1899, ele chega ao bairro de Montmartre, em
Paris, para se juntar ao movimento boêmio. De repente, ele conhece Henri de
Toulouse-Lautrec e sua trupe de artistas que estão escrevendo uma peça chamada Spectacular
Spectacular. Depois que Christian os ajuda a concluir a peça, eles vão ao
Moulin Rouge, onde esperam que os talentos de Christian impressionem Satine, a
estrela e cortesã, que por sua vez convencerá Harold Zidler, o proprietário do
Moulin Rouge, a deixar Christian escrever o espetáculo. No entanto, Zidler
planeja uma estratégia de fazer com que o rico, poderoso e inescrupuloso Duque
de Monroth durma com Satine em troca de um possível financiamento para
converter o clube em um teatro. Naquela noite, Satine confunde Christian com o
Duque e tenta seduzi-lo dançando com ele antes de se retirar para seus
aposentos com ele para discutir as coisas em particular, mas eventualmente
Christian revela sua verdadeira identidade.
Depois que o Duque os
interrompe, Satine afirma que os dois e os Bohemians estavam ensaiando Spectacular
Spectacular. Ajudados por Zidler, Christian e os Bohemians improvisam uma
história para o Duque sobre uma bela cortesã indiana que se apaixona por um
pobre tocador de cítara que ela confundiu com um marajá rico, mas malvado.
Aprovando a história, o Duque concorda em investir, mas somente se Satine e o
Moulin Rouge forem entregues a ele. Mais tarde, Satine afirma não estar
apaixonada por Christian, mas ele eventualmente desgasta sua determinação e
eles se beijam. Durante a construção do Moulin Rouge, o amor entre Christian e
Satine se aprofunda, enquanto o Duque se frustra com todo o tempo que pensa que
Satine passa com Christian trabalhando na peça. Para acalmá-lo, Zidler combina
com Satine para passar a noite com o Duque e, furioso, pede a ela que termine
seu caso com Christian. Ela perde o jantar ao desmaiar, levando um médico a
diagnosticar um caso fatal de tuberculose. Ela tenta terminar o relacionamento
dizendo a Christian que o relacionamento deles está colocando a produção em
risco, mas Christian compõe uma música secreta para incluir no espetáculo, que
afirma seu amor eterno e apaixonado. No ensaio final, a dançarina de can-can
Nini insinua ao Duque que a peça representa o relacionamento afetivo entre ele,
Christian e Satine. Enfurecido, o Duque exige que o espetáculo termine com a
cortesã se casando com o marajá, em vez de Christian, onde ela se casa com o
tocador de cítara. Satine promete passar a noite com ele, após o que decidirão
o final. Ela não consegue seduzi-lo devido aos seus sentimentos por
Christian, e Le Chocolat, uma das dançarinas de cabaré, a salva da tentativa do
Duque de estuprá-la.
Christian decide que
ele e Satine devem abandonar o espetáculo e fugir para ficarem juntos, enquanto
o Duque jura matar Christian. Zidler encontra Satine em seu camarim fazendo as
malas. Ele lhe diz que sua doença é fatal, que o Duque está planejando
assassinar Christian e que, se ela quiser que Christian viva, precisa se
separar completamente dele e ficar com o Duque. Reunindo todas as suas
habilidades de atuação, ela obedece, deixando Christian arrasado. Na noite de
abertura do espetáculo, diante de uma plateia lotada, Christian denuncia Satine
e promete entregá-la ao Duque antes de sair do palco, mas Toulouse-Lautrec
grita do alto: “A melhor coisa que você aprenderá é amar e ser amado em troca”.
Isso leva Satine a cantar a canção secreta, fazendo com que Christian mude de
ideia. Depois que Zidler e a companhia frustram várias tentativas do Duque e
seu guarda-costas de matar Christian, o espetáculo termina com Christian e
Satine declarando seu amor enquanto o Duque sai furioso do cabaré. A plateia
explode em aplausos, mas Satine desmaia após o fechamento das cortinas. Antes
de morrer em seus braços, ela diz a Christian para escrever a história deles
para que ela esteja sempre com ele. Seis meses depois, o Moulin Rouge fechou e
está em ruínas; Zidler, o Duque, os Diamond Dogs e os Bohemians se foram; e
Christian supera sua dor ao terminar sua história com Satine, declarando que
seu amor viverá.
Moulin Rouge! foi influenciado por uma variedade eclética de fontes musicais cômicas e melodramáticas, incluindo musicais de Hollywood, “vaudeville”, cultura de cabaré, musicais de palco e óperas. Seus elementos musicais também fazem alusão ao filme anterior de Luhrmann, Strictly Ballroom. A ópera La bohème, de Giacomo Puccini, que Luhrmann dirigiu na Ópera de Sydney em 1993, foi uma fonte fundamental do enredo de Moulin Rouge! Outra inspiração estilística veio do encontro de Luhrmann com filmes de Bollywood durante sua visita à Índia enquanto conduzia pesquisas para sua produção de 1993 da ópera Sonho de Uma Noite de Verão, de Benjamin Britten. No comentário em áudio do DVD, Luhrmann revelou que também se inspirou na tragédia grega de Orfeu e Eurídice. Os cineastas projetaram a figura de Orfeu em Christian, caracterizando-o como um gênio musical cujo talento superava o de todos os outros em seu mundo. O uso de canções de meados do final do século XX no filme, no cenário de 1899, faz Christian parecer à frente de seu tempo como músico e escritor. O enredo de Moulin Rouge! é paralelo ao do mito: “McGregor, como um poeta que declama versos imortais..., desce a um submundo infernal de prostituição e entretenimento musical para resgatar Kidman, a cortesã cantora que o ama, mas é escravizada por um duque diabólico. Ele a resgata, mas olha para trás e... toca: The Show Must Go On, do Queen”. Os comentaristas também notaram as semelhanças entre o enredo do filme e os da ópera La Traviata e do romance Nana de Émile Zola. Outros elementos cinematográficos parecem ter sido emprestados dos extraordnários filmes com cenários musicais Cabaret, Folies Bergère de Paris e Meet Me in St. Louis.
O personagem de Satine
foi baseado na dançarina de can-can francesa Jane Avril. O personagem de Harold
Zidler compartilha seu sobrenome com Charles Zidler, um dos donos do verdadeiro
Moulin Rouge. Satie foi vagamente baseado nos compositores franceses Erik Satie
e Maurice Ravel. Môme Fromage, Le Pétomane e Le Chocolat compartilham seus
nomes com os artistas do cabaré real. As extraordinárias Marlene Dietrich,
Greta Garbo e Rita Hayworth foram citadas como inspirações para o visual do
filme. Leonardo DiCaprio, que trabalhou com Luhrmann em Romeu + Julieta,
fez o teste sem sucesso para o papel de Christian. Ethan Hawke também fez o
teste para o papel. Luhrmann também considerou atores mais jovens para o papel,
incluindo Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, antes de Ewan McGregor ganhar o
papel. Courtney Love fez o teste para o papel de Satine e deu aprovação para “Smells
Like Teen Spirit” ser usado no filme.
A produção começou em 9 de novembro de 1999 e foi concluída em 13 de maio de 2000, com um orçamento de US$ 50 milhões. Foi filmado nos estúdios de som da Fox Studios em Sydney. As filmagens geralmente ocorreram sem problemas, mas Kidman “quebrou as costelas duas vezes quando foi levantada no ar durante as sequências de dança”. Ela também sofreu uma ruptura na cartilagem do joelho resultante de uma queda durante a música de produção “Diamonds Are a Girl`s Best Friend “. Kidman declarou mais tarde em uma entrevista com Graham Norton que quebrou uma costela ao entrar em um espartilho apertando-o o máximo possível para atingir uma cintura de 18 polegadas e que caiu da escada enquanto dançava de salto. A produção ultrapassou o cronograma de filmagens e teve que ficar fora dos estúdios de som para dar lugar a Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones que também estrelou McGregor. Isto exigiu a filmagem de algumas cenas de pick-up em Madrid. Nas notas do encarte do DVD da edição especial do filme, Luhrmann escreve que “[a] premissa estilística inteira foi decodificar o que o Moulin Rouge era para o público de 1899 e expressar a mesma emoção e entusiasmo de uma forma com a qual os espectadores contemporâneos possam se identificar”. Tanto Roger Ebert quanto o The New York Times compararam a edição e a cinematografia do filme às de um videoclipe e notaram sua homenagem visual aos primeiros filmes Technicolor. Marsha Kinder descreve Moulin Rouge! como um pastiche musical e sonoro brilhante, celebrativo e bem-humorado devido ao uso de canções diversas. Moulin Rouge! pega música popular bem conhecida, principalmente retirada da Geração MTV, e a justapõe em um conto ambientado em um cabaré parisiense da virada do século.
Kinder afirma
que manter letras e melodias emprestadas intactas “torna quase impossível para
os espectadores perderem a caça furtiva [de canções] (mesmo que não consigam
nomear a fonte específica)”. O filme usa tanta música popular que Luhrmann
levou dois anos e meio para garantir os direitos de todas as músicas. Algumas
das músicas sampleadas incluem “Chamma Chamma” do filme hindi China Gate , “The Show
Must Go On” do Queen, arranjado em formato operístico, a versão de David
Bowie de “Nature Boy” de Nat King Cole , “Lady Marmalade” de Labelle (no cover
de Christina Aguilera/P!nk/ Mýa/Lil` Kim encomendado para o filme), “Material
Girl” e “Like a Virgin” de Madonna, “Your Song” de Elton John , o número
titular de The Sound of Music, “Roxanne” de The Police (em formato de
tango usando a composição “Tanguera” de Mariano Mores ) e “Smells Like Teen
Spirit” do Nirvana. Luhrmann pretendia incorporar canções dos Rolling Stones e
de Cat Stevens ao filme, mas não conseguiu obter os direitos necessários desses
artistas. Quando Stevens negou o consentimento para o uso de " Father and
Son " devido a objeções religiosas ao conteúdo do filme, “Nature Boy” foi
escolhida como sua substituta. Originalmente programado para ser lançado no
Natal de 2000, a 20th Century Fox acabou adiando o lançamento de Moulin Rouge!
para o verão de 2001 para permitir que Luhrmann tivesse mais tempo na
pós-produção. Moulin Rouge! estreou no Festival de Cinema de Cannes de
2001 em 9 de maio de 2001, como título de abertura do festival.
Moulin Rouge! estreou nos Estados Unidos em dois
cinemas em Nova York e Los Angeles em 18 de maio de 2001. Arrecadou US$ 167.540
em seu fim de semana de estreia. O filme então se expandiu para um lançamento
nacional em 1º de junho de 2001. Gerou US$ 14,2 milhões, ficando em quarto
lugar atrás de Pearl Harbor, Shrek e The Animal. No Reino Unido, Moulin Rouge!
foi o filme número um do país por duas semanas antes de ser deslocado pela
Inteligência Artificial (IA). Durante seu quinto fim de semana, ele recuperou o
primeiro lugar. O filme permaneceu assim até ser destronado por American Pie 2
em seu sexto fim de semana. Moulin Rouge! arrecadou US$ 57.386.369 nos Estados
Unidos e Canadá e outros US$ 121.813.167 internacionalmente (incluindo US$ 26
milhões no Reino Unido e US$ 3.878.504 na Austrália). Moulin Rouge!
recebeu críticas geralmente positivas dos críticos. Roger Ebert avaliou o filme
com 3,5 estrelas de 4, observando que “o filme é todo cor e música, som e
movimento, energia cinética, traços amplos, excesso operístico”. A Newsweek
elogiou as atuações de McGregor e Kidman, afirmando que “ambas as estrelas se
lançam no espírito imprudente do filme, sem medo de parecerem tolas, habilmente
sintonizadas com as oscilações abruptas de Luhrmann da farsa à tragédia. (E
ambas cantam bem.)”. O New York Times escreveu que “o filme é inegavelmente
empolgante, mas não há um único momento de excitação orgânica porque o Sr.
Luhrmann está muito ocupado juntando pedaços de outros filmes”, mas admitiu que
“não há nada igual, e o público jovem, especialmente as meninas, sentirá como
se tivesse encontrado um filme que as chamasse pelo nome”. O All Things
Considered comentou que “não seria para todos os gostos” e que “ou você
se rende a esse tipo de extravagância ou o experimenta como um exagero”.
Moulin Rouge! tem uma classificação de 66/100 no Metacritic com base em 35 avaliações. No Rotten Tomatoes, o filme tem uma classificação de aprovação “Fresh” de 75% com base em 259 avaliações, com uma pontuação média de 7,1/10. O consenso dos críticos do site diz: “Uma experiência de amor ou ódio, Moulin Rouge é todo estilo, todo vertiginoso, um espetáculo exagerado. Mas também é ousado em sua visão e extremamente original”. Em dezembro de 2001, o filme foi nomeado o melhor filme do ano pelos espectadores do Film 2001. A Entertainment Weekly classificou-o em 6º lugar na sua lista dos dez melhores filmes da década, dizendo: “O pastiche psicodélico da cultura pop de Baz Luhrmann de 2001 foi uma ode esteticamente cativante à poesia, à paixão e a Elton John. Foi tão bom que o perdoaremos pela Austrália”. Em 2008, Moulin Rouge! foi classificado como nº 211 na lista dos 500 Maiores Filmes de Todos os Tempos da Empire. Em 2025, foi um dos filmes votados para a edição “Escolha dos Leitores” da lista do The New York Times dos “100 Melhores Filmes do Século XXI”, terminando na posição 130. O público pesquisado pela CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B+” em uma escala de A+ a F.
O Home Theater Forum classificou o lançamento em DVD de Moulin Rouge! o melhor DVD de 2001. Luhrmann selecionou cuidadosamente os recursos e as cenas dos bastidores para a edição em DVD de dois discos. Comentaristas acadêmicos interpretaram Moulin Rouge! como um filme pós-moderno exemplar, citando seus métodos de expressão estética, simbolismo e laços com as belas artes e a cultura pop como evidência. A música do filme também contribui para sua estética pós-moderna. Notavelmente, Moulin Rouge! combina melodias e letras de meados do final do século XX com uma narrativa ambientada na França do fin de siècle. As acadêmicas Kathryn Conner Bennett e Marsha Kinder argumentaram que o uso de canções populares famosas em um contexto novo e original exige que o público reinterprete seu significado dentro da estrutura da narrativa e desafie a suposição de que o simbolismo da música é estático. Moulin Rouge! também faz amplo uso de outras técnicas cinematográficas pós-modernas, incluindo fragmentação e justaposição. Como protagonista do filme, Christian é a fonte primária do enredo de Moulin Rouge! e muitas partes da história são contadas do seu ponto de vista. No entanto, a narrativa é fragmentada em várias ocasiões quando o filme se desvia da perspectiva de Christian ou integra um flashback. Moulin Rouge! também justapõe uma peça dentro de um filme (Spectacular Spectacular) com os próprios eventos do filme para traçar paralelos entre o enredo da peça e as vidas dos personagens. Isso culmina na sequência “Come What May”, que revela o desenvolvimento do relacionamento de Christian e Satine da progressão dos ensaios de Spectacular Spectacular. O pós-modernismo também é evidente na homenagem do Moulin Rouge! aos musicais ocidentais, aos filmes masala de Bollywood e aos videoclipes, bem como ao filme Strictly Ballroom de Luhrmann.
Como o centro da compreensão está na vida como um todo estruturado, mas sempre resultando da relação entre individualidades, é possível perceber a conexão entre a ética e a teoria compreensiva. Há uma démarche que atravessa o homem, e nesta noção de sentido está a marca de uma concessão fatal a representação social. Nós tendemos a evitar a repetição, tanto quanto o empirismo dos positivistas. Mas que fique clara a dimensão de ser criador de significados, que não é simplesmente a noção ampla de vida, mas sua unidade constitutiva, a vivência, representada em toda experiência humana. Ipso facto, a história é suscetível de reconhecimento porque é obra humana. Nela o sujeito e objeto do conhecimento formam uma unidade. Nessa direção chega-se à formulação da concepção de Wilhelm Dilthey (1833-1911) em seus elementos per se: vivência, expressão e compreensão. A vivência surge nesse ponto, como algo especificamente social, pela sua dimensão intersubjetiva, e cultural, pela sua dimensão significativa, para além do seu nível psicológico ou mesmo biológica porque guarda na memória. Trata-se de um ato de consciência, que propõe e persegue fins num dado contexto social e intersubjetivo. Historicamente temos o registro da primeira fotografia reconhecida socialmente que remonta ao ano de 1826 e é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Nièpce (1765-1833). Contudo, compreende-se que a invenção da fotografia do ponto de vista da sociedade globalizada não é obra de um só autor. Mas um processo técnico de acúmulo de avanços por parte da interpelação social de inúmeras pessoas, trabalhando, juntas ou em paralelo, ao longo de muitos anos. Se por um lado os princípios fundamentais da fotografia se estabeleceram há décadas e, desde a introdução do filme fotográfico colorido, quase não sofreram mudanças, por outro lado, os avanços tecnológicos têm sistematicamente possibilitado melhorias na qualidade das imagens reproduzidas no processo de trabalho e de produção com a redução de custos, popularizando o uso da fotografia. No ano do centenário de seu nascimento, Robert Doisneau ganhou mostra na cidade do Rio de Janeiro.
Formado em litografia, abraçou na complexa década de 1929 “um novo interesse como fotógrafo autodidata”. A pessoa que tem a capacidade de apreender algo por conta própria, sem o auxílio de professor ou mentor. Alguém que aprende alguma coisa sozinho. Neste sentido, o contato com a arte conceitual, a performance art, a body art e os meios materiais para documentar essas artes do ponto de vista técnico-metodológico compreendidas como performativas, a exemplo da fotografia, o vídeo e o cinema, foram fundamentais para Sherman reorientar o seu trabalho no sentido dos seus autorretratos que se tornaram o centro de sua produção artística. Em 1975, ainda na universidade, Cindy produziu uma série de cinco fotografias, que mostram o seu próprio rosto, alterado por meio de maquilagem e de chapéus, em cinco versões diferentes. Estava nessa precoce experiência o enunciado do seu programa de intenções. A personagem que Cindy Sherman interpreta em cada uma das fotografias é construída em torno de algumas figuras femininas ficcionalizadas e reconhecidas na constituição cinematográfica que, por sua vez, personifica uma mulher, partindo de um imaginário formulado pela cinematografia de um diretor: Hitchcock, Rossellini, Antonioni ou Godard, em paralelo com a imagem das atrizes dos seus filmes, como Anna Magnani (1908-1973), Mônica Vitti (1931-2022), as nonagenárias Sophia Loren e Brigitte Bardot ou Jeanne Moreau (1928-2017).
Na história da arte,
são pouco reconhecidos os nomes de artistas do sexo feminino antes das
correntes modernistas. Estudos anteriores realizados por historiadores e
historiadoras da arte feminista apontam que a principal causa de exclusão das
mulheres do sistema acadêmico foi, do século XVII até finais do XIX, “a
impossibilidade de cursarem as classes de modelo vivo”. Considerava-se inapropriado que mulheres
observassem os corpos despidos. Tal ressalva moral traduziu-se em uma exclusão
institucional: as escolas de artes oficiais foram, por muito tempo, reticentes
com relação ao ingresso de alunas entre seus quadros. Algumas artistas
conseguiram vencer tais obstáculos, consolidando carreiras. Mas as dificuldades
em concretizar esses objetivos apenas começavam no momento de formação. O
aparato institucional formalmente excluía as mulheres do acesso aos
instrumentos de conhecimento e domínio do cânon. A academia reconhecia a
possibilidade de as artistas do sexo feminino pertencerem a seus membros, desde
1770, todavia o processo para que fossem eleitas seguia outros caminhos
diversos dos masculinos. Teriam de contar com uma indicação real que atestasse
serem excepcionais, e ainda assim só poderiam ser recebidas até o número máximo
de quatro. Na prática, decretava-se do ponto de vista do patriarcado que apenas
as mulheres “extraordinárias” poderiam fazer parte e pertencer à instituição.
Nos “Untitled Film Stills” não existe uma grande personagem feminina, mas mulheres estereotipadas e também a inexistência da figura masculina. As sessenta e nove heroínas solitárias mapearam uma constelação particular de feminilidade fictícia que tomou conta do pós-guerra nos Estados Unidos da América, período da juventude de Sherman, e esta fase representou o marco zero da mitologia contemporânea. Na série Cindy Sherman produziu curiosamente 69 fotografias nas quais personifica estereótipos de mulheres advindas do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos). A artista utiliza o princípio dos stills cinematográficos, fotografias cujo objetivo é criar interesse para que compreendam a tópica da reprodutibilidade técnica no cinema e na fotografia. De maneira que tais fotografias tornem-se interessantes o suficiente para despertar o desejo merceológico. Ela pretende criar esse sentimento de desejo, deixando ao espectador a função da imaginação e da própria contextualização da fotografia num contexto espaço/tempo. Suas fotografias apresentam cenas e estereótipos de mulher que são reconhecíveis e familiares ao observador, mas que, por outro lado, não reportam a nenhuma cena ou personagem em sua particularidade intrínseca.
Moulin Rouge! recebeu
oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz (Nicole
Kidman), vencendo em duas categorias de Melhor Direção de Arte e Melhor
Figurino. Tornou-se o primeiro filme musical a receber uma cobiçada indicação
de Melhor Filme desde A Bela e a Fera (1991). Apesar do sucesso
esmagador do filme, Baz Luhrmann foi notavelmente excluído da lista de Melhor
Diretor; comentando sobre isso durante a cerimônia do Oscar, a apresentadora
Whoopi Goldberg comentou: “Acho que Moulin Rouge! se dirigiu sozinho”. Além
disso, a única música original do filme, “Come What May”, foi desqualificada
da consideração de Melhor Canção Original porque foi originalmente pretendida,
embora não utilizada, para o filme anterior de Luhrmann, Romeu + Julieta,
e não escrita expressamente para Moulin Rouge! Empatou com O Senhor
dos Anéis: A Sociedade do Anel por liderar doze indicações no 55º British
Academy Film Awards e resultou em três vitórias, incluindo Melhor Ator
Coadjuvante Jim Broadbent. O musical também liderou o 59º Globo de Ouro, ao
lado do drama Uma Mente Brilhante (2001), cada um recebendo seis
indicações; ganhou três, incluindo Melhor Filme - Musical ou Comédia. Outras
cerimônias notáveis onde recebeu muito reconhecimento incluíram o American
Film Institute Awards, o Australian Film Institute Awards e o Satellite Awards.
Vários órgãos de prestígio, como o National Board of Review e o
PGA Awards, o nomearam o melhor filme do ano. Foi o último filme musical a
ganhar o prêmio de Melhor Filme da NBR até Wicked em 2024.
Bibliografia Geral Consultada.
SOBOUL, Albert, A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964; FOURIER, Charles, L’orde Subversif Trois Texts Sur la Civilisation. Paris: Editeur Aubier Montaigne, 1972; TRISTAN, Flora, Le Tour de France. Journal Inédits 1843-1844. Paris: Éditions Tête de Feuilles, 1973; CHOMSKY, Noam, USA: Mito, Realidad, Acracia. Barcelona: Editorial Ariel, 1978; FISCHER, Ernest, A Necessidade da Arte. 9ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983; GINZBURG, Carlo, Miti, Emblemi, Spie. Morfologia e Storia. Torino: Einaudi Editore, 1986; DOR, Joël, O Pai e sua Função em Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1991; LISBOA, João, Superstars: Andy Warhol e os Velvet Underground. Lisboa: Editor Assírio & Alvim, 1992; SANTOS, Maria Irene Ramalho Sousa, Literatura Norte-americana. Lisboa: Universidade Aberta, 1998; DURAND, Gilbert, Mythe, Thèmes et Variations. Paris: Éditions Desclée de Brouwer, 2000; CASTRO, Dana, La Mort Pour de Faux et la Mort Pour de Vrai. Paris: Editeur Albin Michel, 2000; BERGSON, Henri, Ensaios sobre os Dados Imediatos da Consciência. Lisboa: Edições 70, 1988; Idem, Matéria e Memória. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2001; CAWTHORNE, Nigel, A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004; BUTLER, Judith, Cuerpos que Importan: Sobre los Limites Materiales y Discursivos del “Sexo”. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 2008; BERMAN, Marshall, Tutto ciò che è Solido Svanisce nell`aria. L`Esperienza della Modernità. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; GABRIEL, Mary, Amor & Capital: A Saga Familiar de Karl Marx e a História de Uma Revolução. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 2013; AGUIAR, Daniella, Da Literatura para a Dança: A Prosa-poética de Gertrude Stein em Tradução Intersemiótica. Tese de Doutorado em Literatura Comparada. Instituto de Letras. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013; GILBERY, Ryan, “Baz Luhrmann: Nunca esperei permissão para fazer nada”. In: The Guardian, 24 de abril de 2018; LEE, Janet W. “Como um Filme de Bollywood Inspirou Baz Luhrmann a Levar Moulin Rouge para a Broadway”. In: Yahoo! Entretenimento, 2020; YEE, Hannah-Rose, “Como Moulin Rouge quebrou todas as regras da produção cinematográfica e se tornou um ícone cinematográfico”. In: Vogue, 6 de maio de 2021; WARD, Sarah, “EPiC: Elvis Presley in Concert de Baz Luhrmann e Christy de David Michôd Marcam Estreias Mundiais no TIFF”. In: Variety, 22 de julho de 2025; entre outros.
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