“A pintura deve parecer uma coisa natural vista num grande espelho”. Leonardo da Vinci
Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairós. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico (ou sequencial) que pode ser medido, esse último significa “o momento certo” ou “oportuno”: um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. Em teologia descreve a forma qualitativa do tempo (o “tempo de Deus”), enquanto chronos é de natureza quantitativa (o “tempo dos homens”). Na física e noutras ciências, o tempo é considerado uma das poucas quantidades essenciais. O tempo social é usado para definir outras quantidades, como a velocidade e definir nos termos dessas quantidades iria resultar numa definição redundante. Por influência da teoria da relatividade idealizada pelo físico Albert Einstein (1879-1955), o tempo vem sendo considerado como uma quarta dimensão do continuum espaço-tempo do Universo, que possui três dimensões espaciais e uma temporal. O tempo marcado pelo relógio não é universal, mas sim uma construção histórica. Quando alguém marca um compromisso, está informando que ela estará no local combinado quando o ponteiro grande do relógio colocado naquele local coincidir com a marca no dial sobre a qual há a inscrição “12”, e o ponteiro pequeno coincidir com a marca associada à inscrição “1”.
A medida de tempo requer um aparelho que produza eventos repetitivos e regulares – o relógio, um dispositivo acionado por mola, eletricidade ou outros materiais utilizados como medidor do tempo desde a Antiguidade, em variados formatos. É uma das mais antigas invenções humanas. Com base na percepção humana, social, a concepção comum de tempo é indicada por intervalos ou períodos de duração. Pode-se dizer que um acontecimento ocorre depois de outro acontecimento. Além disso, pode-se medir o quanto um acontecimento ocorre depois de outro. Esta resposta relativa ao quanto é a quantidade de tempo entre estes dois acontecimentos: à separação temporal dos dois acontecimentos distintos dá-se o nome de intervalo de tempo; à separação temporal entre o início e o fim de um mesmo evento dá-se o nome de duração. Uma das formas de se definir depois baseia-se na assunção de causalidade. O trabalho realizado pela humanidade para aumentar o conhecimento da natureza e das medições do tempo, através de trabalho destinado ao aperfeiçoamento de calendários e relógios, foi um importante motor das descobertas científicas. A palavra tempo pode referir-se às condições climáticas num determinado momento em uma dada localidade. Na foto, o tempo está bom! Não há sinal de chuva. Em outras palavras, o tempo é uma componente do sistema de medições usado para sequenciar eventos, para comparar as durações dos eventos, os seus intervalos, e para quantificar o movimento de objetos. O tempo tem sido um dos maiores temas da religião, filosofia e ciência, mas defini-lo de uma forma não controversa para todos, em uma forma que possa ser aplicada a todos os campos tem eludido aos maiores conhecedores.
Albert Einstein nasceu em Ulm, na Alemanha, no dia 14 de março de 1879. É considerado o físico mais influente do século XX. Filho de um pequeno industrial judeu, em 1880 mudou-se com a família para a cidade de Munique. Seus pais Hermann Einstein e Pauline Koch eram judeus. O caráter e a biblioteca do pai foram importantes na formação de Albert Einstein. Nos primeiros anos de vida, Einstein teve dificuldades para se expressar através da fala e era lento para aprender, fato que, durante algum tempo, deixou seus pais preocupados. Nos primeiros anos escolares, Einstein não se destacava nem pelas notas nem pela regularidade com que ia à escola. Com seis anos de idade, incentivado pela mãe, começou a estudar violino. Cedo se destacou no estudo da física, matemática e filosofia. Aos nove anos ingressa no Luitpold Gymnasium, uma escola secundária em Munique, Alemanha. Foi fundada pelo príncipe Luitpold da Baviera em 1891 como Luitpold-Kreisrealschule para servir a parte oriental da cidade e seus subúrbios. Ficava na Alexandrastrasse em frente ao Museu Nacional, onde se interessa por geometria e álgebra, matérias nas quais progride. Aos doze anos é um considerado um gênio das matemáticas, mas lê avidamente Leibniz, figura central na história da matemática e na história da filosofia, Kant que operou, na epistemologia uma síntese entre o racionalismo continental, onde impera a forma de raciocínio dedutivo, e em oposição assimétrica, a tradição empírica inglesa de Hume, Locke, ou Berkeley, valoriza a indução e Hume se opõe a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito desde um ponto de vista teológico-metafísico.
Foi paradoxal para seus
mestres, que nem sempre sabiam responder as suas perguntas nem refutar seus
questionamentos tanto políticos quanto existenciais. A física, com as chamadas ciências
da natureza, faz parte de um complexo de instituições de importância na
sociedade contemporânea, não só em função do vulto dos investimentos, como
também do contingente humano, do número e da diversidade de organizações
comprometidas com sua expansão. Os físicos constituem hoje um grupo de
profissionais socialmente prestigiados, formados em organizações próprias.
Dispõem de enormes facilidades de trabalho, como laboratórios, bibliotecas,
serviços de intercâmbio e divulgação de informações etc., os quais, em muitos
aspectos sociais, têm superado as vantagens conquistadas por grupos
profissionais mais tradicionais na cultura ocidental, como advogados e médicos.
Como possuía caráter individualista e alheio à disciplina prussiana, acaba
sendo expulso do Gymnasium. Aos 16 anos abandona a religião judaica que está na
obediência espiritual aos mandamentos divinos estabelecidos nos livros
sagrados, uma vez que para eles, isso é fazer a vontade de Deus e demonstrar
respeito e amor pelo criador. O judaísmo é a religião monoteísta que possui o
menor número de adeptos no mundo, tornando-se livre de qualquer tipo de
imposição em sua formação. Ainda que fosse de família judia, Albert Einstein
(1879-1955) tinha um pensamento sobre religião que foi moldado durante sua
estada em Zurique, na Suíça, quando os livros do filósofo Spinoza, caíram em
suas mãos. O Deus de Spinoza era amorfo e impessoal, responsável pela ordem no
universo e pela beleza da natureza.
Na física, essa passagem teve o aspecto de uma autêntica revolução teórica. O sistema de Copérnico e sua teoria do heliocentrismo, que situou o Sol como o centro do Sistema Solar contrariando a vigente Teoria Geocêntrica que considerava a Terra como o centro do universo, é considerada como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia e a introdução do método experimental como argumento de prova, devida particularmente a Galileu, abalaram inexoravelmente a herança aristotélica dominante no pensamento filosófico até a Idade Média. As grandes conquistas da astronomia, que culminaram com a síntese newtoniana, resolveram em definitivo os problemas da navegação, que a ciência da etapa anterior foi incapaz de solucionar. A demolição do rígido e secularizado sistema filosófico-religioso herdado da cultura anterior, e os frutos práticos na área gozosa da navegação portuguesa e hispânica, principalmente, libertaram a ciência de sua posição teorética contemplativa, especulativa, e abriram as portas para uma concepção a ser encarada como instrumento de transformação. No Renascimento italiano criaram-se as primeiras universidades, que deram margem a novas atividades intelectuais. Embora dominadas até meados do século XIX pelas heranças filosóficas de inspiração aristotélico-tomista, abrigaram o trabalho de inúmeros contestadores, entre os quais Galileu.
Foram também criadas as primeiras sociedades científicas, a
Accademia dei Lincei (1603), em Roma, e a Accademia del Cimento (1651), em
Florença. Esse movimento renasceu na Inglaterra, em 1662, com a criação da The
Royal Society, logo seguida da França, com a Académie Royale des Sciences,
em 1666, e rapidamente atingiu outros países. Outros embriões de organização
que apareceram no século XVII foram a criação, em 1672, do Observatoire
Royal, em Paris, e Royal Observatory, em Greenwich, em 1675. Foram
as primeiras organizações dedicadas a setores da física patrocinadas pelo poder
central, e sua criação dependeu em muito do crédito obtido na resolução de
problemas astronômicos necessários ao desenvolvimento da camada no âmbito da
era da navegação. Também foram as primeiras organizações sociais, e durante
muito tempo as únicas, a oferecerem um emprego regular a especialista. Em 1790,
estimava-se em torno de 200 o número de academias. Essas academias nasceram com
o intuito de conferir à ciência um novo status. O esboço dos estatutos da Royal
Society, redigido por Robert Hooke (1635-1703), em 1663, estabelece essas metas: O
objetivo da Royal Society é aperfeiçoar o conhecimento das coisas da natureza e
de todas as artes úteis, manufaturas e práticas mecânicas, engenhos e invenções
por meio da experimentação. Apesar do impulso renovador e do embrião de organização
em que consistiam, as sociedades científicas eram organizações fechadas,
mantidas por seus membros de renda própria e posição social.
Não havia remuneração pelo trabalho científico, situação que perdurou até a segunda metade do século XIX quando as universidades começaram a acolher institucionalmente a ciência. Somente a partir dessa conjuntura história e teórica o cientista contou com uma organização para a sua formação. Antes disso, todos foram na prática autodidatas. Privatdozent é um título universitário próprio das universidades de língua alemã na Europa. Serve para designar professores que receberam uma habilitação, mas que paradoxalmente, não receberam a cátedra de ensino ou de pesquisa. Por esta razão, o Privatdozent não recebe nenhuma remuneração por parte do governo. Porém, esta é uma passagem obrigatória por concurso público de provas e títulos antes de obter a cátedra. Física representa a ciência que estuda a natureza e seus fenômenos em seus aspectos mais gerais. Analisa suas relações e propriedades, além de descrever e explicar a maior parte de suas consequências. Tem como escopo a dinâmica e a compreensão científica dos comportamentos naturais e gerais do mundo em nosso torno, desde as partículas elementares até o universo como um todo. Com o amparo do método científico e da lógica, e tendo a matemática como linguagem natural, esta ciência descreve a natureza através da adoção de modelos científicos. É considerada a ciência fundamental, sinônimo de ciência natural, como a química e a biologia, têm raízes na física. Sua presença no cotidiano humano é in statu nascendi ampla, sendo praticamente impossível uma completíssima descrição dos fenômenos físicos em nossa volta. A aplicação da física para o benefício humano contribuiu de forma inestimável para o desenvolvimento da tecnologia moderna, desde o automóvel aos computadores quânticos. A física é uma ciência influente e suas dinâmicas traduzidas no desenvolvimento de novas tecnologias.
Alice Através do
Espelho tem como
representação um filme norte-americano de animação e fantasia de 2016,
produzido pela Walt Disney Pictures em associação com a Roth Films, Team Todd e
Tim Burton Productions. Foi dirigido por James Bobin, escrito por Linda
Woolverton e produzido por Tim Burton, Joe Roth e a dupla de cineastas Suzanne
e Jennifer Todd. É baseado no romance de 1871, Alice Através do Espelho,
escrito por Lewis Carroll (1832-1898), e é a sequência/prequela de Alice no
País das Maravilhas (2010). O elenco é extraordinário: Johnny Depp, Anne
Hathaway, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman (em
seu último papel no cinema), Stephen Fry, Michael Sheen, Barbara Windsor,
Timothy Spall, Paul Whitehouse, Lindsay Duncan, Geraldine James e Leo Bill
reprisam seus papéis do filme anterior, com Sacha Baron Cohen e Rhys Ifans
juntando-se ao elenco. No filme, Alice, agora com 22 anos, “encontra um espelho
mágico que a leva de volta ao País das Maravilhas, onde descobre que o
Chapeleiro Maluco está agindo de forma mais insana do que o normal e quer descobrir
a verdade sobre sua família”. Alice então viaja no tempo (com a “Cronosfera”),
encontra amigos e inimigos em diferentes momentos de suas vidas e embarca em “uma
corrida para salvar o Chapeleiro antes que o tempo acabe”. Alice
Através do Espelho estreou em Londres em 10 de maio de 2016 no Odeon
Leicester Square e foi lançado nos cinemas em 27 de maio pela Walt Disney
Studios Motion Pictures. O filme recebeu críticas geralmente negativas, com
elogios à comunicação visual, mas críticas à sua história, arrecadando US$
299,5 milhões contra um orçamento de produção de US$ 170 milhões e um aparente prejuízo
de US$ 70 milhões ao estúdio.
Durante
três anos, Alice Kingsleigh seguiu os passos do pai e navegou pelos altos
mares. Ao retornar a Londres vinda da China, ela descobre que seu ex-noivo,
Hamish Ascot, assumiu a empresa do falecido pai e planeja fazer com que Alice
transfira o navio do pai para sua casa em troca da propriedade da família. Alice
segue uma borboleta que reconhece como Absolem, que antes era uma lagarta, e
retorna ao País das Maravilhas através de um espelho. Alice é recebida pela
Rainha Branca, o Coelho Branco, os Tweedles, o Arganaz, a Lebre de Março, o Cão
de Caça e o Gato de Cheshire, que revelam que “o Chapeleiro Maluco está agindo
de forma mais louca do que o normal porque sua família desapareceu”. Alice
tenta consolar o Chapeleiro, mas ele continua convicto de que sua família ainda
está viva. Vendo isso como a única maneira de restaurar sua saúde, a Rainha
Branca envia Alice para consultar o Tempo e convencê-lo a salvar a família do
Chapeleiro no passado. Entretanto, a Rainha adverte Alice de que a história
será destruída se “o passado e o presente de uma pessoa se encontrarem”. No
Castelo da Eternidade do Tempo, encontra-se a Cronosfera, um objeto poderoso que
controla todo o tempo no País das Maravilhas. Depois que o Tempo diz a Alice
que alterar o passado é impossível, ela rouba a Cronosfera e viaja de volta no
tempo. A Rainha Vermelha exilada ordena que o Tempo persiga Alice, que
acidentalmente viaja para a coroação da Rainha Vermelha.
Lá, um Chapeleiro Maluco mais jovem zomba da Rainha Vermelha quando a coroa não serve em sua cabeça aparentemetne deformada. Quando seu pai a considera inapta para governar, a Rainha Vermelha tem um ataque de fúria que faz sua cabeça inchar e jura vingança contra o Chapeleiro. Alice descobre um evento no passado de ambas as Rainhas que causa atrito entre as duas e viaja de volta no tempo novamente, na esperança de mudar o caráter da Rainha Vermelha. A jovem Rainha Branca rouba uma torta da mãe e deixa migalhas debaixo da cama da irmã. Ao ser confrontada pela mãe, a Rainha Branca mente e deixa a culpa para a irmã, fazendo com que a jovem Rainha Vermelha saia correndo do castelo aos prantos. Alice a vê prestes a esbarrar em um relógio que está sendo carregado pela praça; acreditando que esse será o evento que mudará sua cabeça, ela empurra o relógio para fora do caminho. No entanto, a jovem Rainha Vermelha ainda cai e bate a cabeça. Alice é confrontada por um Tempo enfraquecido, que a repreende por colocar todo o tempo em perigo. Ela corre em direção a um espelho próximo e volta para o mundo real, onde acorda em um hospital psiquiátrico, diagnosticada com histeria feminina, um antigo diagnóstico médico que não é mais reconhecido. Com a ajuda da mãe, ela retorna ao País das Maravilhas, viaja até o local do ataque do Jabberwocky e descobre que a família do Chapeleiro foi capturada pelos Cavaleiros Vermelhos da Rainha Vermelha.
De volta ao presente, Alice vê que o Chapeleiro Maluco está à beira da morte. Depois que Alice, em lágrimas, diz que acredita nele, o Chapeleiro desperta e volta ao normal. Os habitantes do País das Maravilhas vão ao segundo castelo da Rainha Vermelha e encontram a família do Chapeleiro encolhida e presa em um formigueiro. A Rainha Vermelha os captura e rouba a Cronosfera de Alice, levando sua irmã de volta ao dia em que mentiu sobre a torta para se esconder atrás de uma porta e ouvir a cena. A Rainha Branca sussurra “Não”, enquanto sua versão mais jovem nega ter roubado a torta; a Rainha Vermelha irrompe furiosamente pela porta e grita com a versão mais jovem de sua irmã. A jovem Rainha Vermelha vê sua versão mais velha, criando um paradoxo temporal, e seus rostos e corpos enferrujam. Todo o País das Maravilhas começa então a ser tomado pela ferrugem. Usando a Cronosfera, Alice e o Chapeleiro voltam correndo para o presente, onde Alice corre para salvar sua vida e recolocar a Cronosfera em seu lugar. Ela consegue escapar da ferrugem, mas é impedida com a mão logo acima do suporte. Faíscas fazem a conexão e a ferrugem se dissolve.
O Chapeleiro Maluco se reúne com sua família, enquanto a Rainha Branca pede desculpas à Rainha Vermelha, agora redimida, por ter mentido. Alice se despede de seus amigos e retorna ao mundo real. Ao retornar, a mãe de Alice se recusa a entregar o navio da filha a Hamish. Alice e sua mãe então fundam sua própria empresa e passam a viajar em nome dela. Do ponto de vista técnico-metodológico o filme foi anunciado pela revista Variety em dezembro de 2012. Bobin foi abordado pela primeira vez sobre o projeto enquanto trabalhava na pós-produção de Muppets Most Wanted, da Disney. Sobre o convite, Bobin disse que “simplesmente não podia recusar”, pois tem paixão pelas obras de Lewis Carroll, bem como pela história social em geral. Foi um romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano britânico. Lecionou matemática no Christ College, em Oxford. É autor do clássico livro Alice no País das Maravilhas, além de outros poemas escritos em estilo nonsense ao longo de sua carreira literária, que são considerados políticos, em função das fusões e da disposição espacial das palavras, como precursores da poesia de vanguarda. Em 21 de janeiro de 2014, o filme foi renomeado para Alice no País das Maravilhas: Através do Espelho. Em julho de 2013, que Johnny Depp retornaria como o Chapeleiro Maluco, com o retorno de Mia Wasikowska confirmado em novembro do mesmo ano. Em janeiro de 2014, Sacha Baron Cohen juntou-se ao elenco para interpretar o Tempo. Em maio de 2014, Rhys Ifans juntou-se ao elenco para interpretar Zanik Hightopp, o pai do Chapeleiro Maluco.
Em 1998, a primeira impressão do livro (que fora rejeitada) foi leiloada por 1,5 milhão de dólares americanos. Ao desenvolver o personagem social “Tempo”, Bobin procurou evitar criar antropologicamente um “vilão puro”, observando que seria “um pouco sem graça”, e também que o papel naquele universo já existia na forma da Rainha Vermelha. Em vez disso, Bobin procurou fazer do Tempo um “idiota”, explicando ainda que: “Não há ninguém melhor em interpretar o arquétipo do idiota confiante do que Sacha Baron Cohen”, e acrescentando que “foi muito com Sacha em mente”. Além disso, Toby Jones e John Sessions foram originalmente anunciados para dublar Wilkins e Humpty Dumpty no filme, os papéis foram eventualmente dados a Matt Vogel e Wally Wingert. As filmagens principais começaram em 4 de agosto de 2014, nos Estúdios Shepperton. Em agosto de 2014, as filmagens ocorreram nas Docas de Gloucester, que incluíram o uso de pelo menos quatro navios históricos: Kathleen and May, Irene, Excelsior e Earl of Pembroke, este último renomeado The Wonder para as filmagens. As filmagens principais terminaram em 31 de outubro de 2014. A trilha sonora do filme foi composta por Danny Elfman. O álbum foi lançado em 27 de maio de 2016 pela Walt Disney Records. Pink gravou a música “Just Like Fire” (2016) para o filme e também fez um cover de “White Rabbit”, do Jefferson Airplane, usado apenas no material promocional do filme.
Gloucester é uma cidade catedral, distrito não metropolitano e capital do condado de Gloucestershire, no Sudoeste da Inglaterra rio Severn, entre os Cotswolds a Leste e a Floresta de Deana Oeste, fica a 12 km de Cheltenham, 31 km de Monmouth, 53 km de Bristol e 27 km à Leste da fronteira com o País de Gales. Gloucester tem uma população de cerca de 132.000 habitantes, incluindo as áreas suburbanas. É um porto, ligado ao estuário do Severn Canal de Gloucester e Sharpness. Gloucester foi fundada pelos romanos e tornou-se uma cidade e colônia importante em 97 d.C., sob o imperador Nerva, com o nome de Colônia Glevum Nervensis. A cidade recebeu sua primeira Carta Régia em 1155, concedida por Henrique II. Em 1216, Henrique III, com apenas nove anos, foi coroado com anel de ferro dourado na Sala Capitular da Catedral de Gloucester.
A importância de Gloucester na Idade Média é sublinhada pelo fato de ter abrigado diversos estabelecimentos monásticos, incluindo a Abadia de São Pedro, fundada em 679, posteriormente Catedral de Gloucester; o Priorado de Santo Osvaldo, nas proximidades, fundado nas décadas de 880 ou 890; e o Priorado de Llanthony Secunda, fundado em 1136. A cidade também foi palco do Cerco de Gloucester em 1643, durante o qual resistiu às forças realistas na Primeira Guerra Civil Inglesa. Uma das principais atrações da cidade é a Catedral de Gloucester, local de sepultamento do Rei Eduardo II e de Walter de Lacy; ela aparece em cenas dos filmes de Harry Potter. Outros pontos de interesse incluem o museu e a escola de arte e ciências, a antiga prisão do condado construída no local de um castelo saxão e normando, o Shire Hall atual sede do Conselho do Condado e a igreja memorial de Whitefield. Um parque ao sul da cidade abriga um balneário, cuja fonte ferruginosa foi descoberta em 1814. Economicamente, a cidade é dominada pelas indústrias de serviços e possui fortes setores financeiros, de pesquisa, distribuição e indústria leve. Historicamente, foi proeminente na indústria aeroespacial. Em 1926, a Gloucestershire Aircraft Company, em Brockworth, mudou nome para Gloster Aircraft Company porque clientes alegavam que o nome Gloucestershire era muito difícil de soletrar. Uma escultura no centro da cidade celebra a história da aviação de Gloucester e seu envolvimento com o motor a jato.
Charles começou a
escrever poesia e contos desde tenra idade e criou uma revista para a sua
família, Mischmasch. Entre 1854 e 1856, o seu trabalho surgiu nas
publicações nacionais The Comic Times and The Train e também em revistas
menos conhecidas como a Whitby Gazette e a Oxford Critic. A
maioria das suas contribuições eram de natureza humorística e por vezes
satírica, mas ele tinha ambições maiores: “Acho que ainda não escrevi nada que
seja digno de uma verdadeira publicação, mas penso que vou conseguir um dia”,
escreveu no seu diário em julho de 1855. Em março de 1856, Charles escreveu o
seu primeiro texto com o pseudónimo que o tornaria famoso. Um poema romântico
chamado “Solitude” surgiu na revista The Train, sendo atribuído a “Lewis
Carroll”. Este pseudônimo era um jogo de palavras com o seu nome verdadeiro: Lewis
era a forma anglicizada de Ludovicus, e Carroll era um apelido
irlandês parecido com o nome latino Carolus, do qual vem o nome Charles.
A transição foi realizada da seguinte forma: a tradução para latim de “Charles
Lutwidge” é “Carolus Ludovicus” e este nome traduzido para inglês é “Carroll
Lewis” e depois ele trocou os nomes de ordem, inversamente, e criou o pseudônimo
Lewis Carroll. Este pseudônimo foi escolhido pelo editor Edmund Yates (1831-1894)
a partir de uma lista enviada por Charles, sendo que os outros eram
respectivamente: Edgar Cuthwellis, Edgar U. C. Westhill, e Louis Carroll. Em
1856, o reitor Henry Liddell chegou a Christ Church e trouxe com ele a sua
jovem família.
Nos anos seguintes,
todos eles desempenhariam papéis importantes na vida de Charles Dodgson e
influenciariam a sua carreira como escritor. Charles travou amizade com a
mulher de Henry, Lorina, e com os seus filhos, principalmente com as três irmãs
Lorina, Edith e Alice Liddell: o poema acróstico publicado no final de Alice do
Outro Lado do Espelho soletra o seu nome completo e também há várias
referências superficiais a Alice escondidas ao longo dos dois livros. Fica a
nota que Charles negou várias vezes nos seus últimos anos de vida que a sua “pequena
heroína” se baseasse em qualquer criança real e ele dedicava frequentemente as
suas obras a meninas e mulheres que conhecia, acrescentando o seu nome em
poemas acrósticos no início dos textos. O nome de Gertrude Chataway surge nesta
forma no início de The Hunting of the Snark e ninguém sugere que nenhuma
das personagens desta narrativa seja baseada nela. Não há muita informação sobre
os diários de Charles entre 1858 e 1862 que desapareceram, mas parece claro que
a sua amizade com a família Liddell foi uma parte importante da sua vida e que
ele tinha o hábito de levar as crianças em passeios de barco, primeiro o rapaz,
Harry, e depois as três meninas. A história de Alice no País das Maravilhas originou-se
em 1862, quando Carroll fazia um passeio de barco no rio Tâmisa com sua amiga
Alice Liddell.
Ele começou a contar uma história que deu origem à atual, sobre “uma menina chamada Alice que ia parar em um mundo fantástico após cair numa toca de um coelho”. A verdadeira Alice gostou tanto da história que pediu que Carroll a escrevesse. Charles atendeu ao pedido e em 1864 surpreendeu-a com um manuscrito chamado Alice`s Adventures Underground, ou “As Aventuras de Alice Embaixo da Terra”, em português. Mais tarde decidiu publicar o livro e mudou a versão original, aumentando seu conteúdo de 18 mil palavras para 35 mil, notavelmente acrescentando as cenas do Gato de Cheshire e do Chapeleiro. A tiragem inicial de dois mil exemplares de 1865 foi removida das prateleiras, devido a reclamações do ilustrador John Tenniel sobre a qualidade da impressão. A segunda tiragem esgotou-se nas vendas rapidamente, e a obra se tornou um grande sucesso. O sucesso comercial do primeiro livro de Alice mudou a vida de Charles Dodgson. A fama do seu pseudônimo, Lewis Carroll, espalhou-se por todo o mundo. Charles era inundado com cartas de fãs e com atenção que muitas vezes não desejava.
Uma história popular diz que a própria rainha lhe terá pedido para lhe dedicar o seu próximo livro e Charles enviou-lhe uma cópia: um manual de matemática intitulado: An Elementary Treatise on Determinants. No entanto, o próprio Charles negou a história, dizendo: “É completamente falsa em todos os aspetos, nunca aconteceu nada parecido”. A história também é improvável por outros motivos, como comenta T.B. Strong (1861-1944) num artigo do jornal Times: “Seria estranho associar o autor de Alice com o autor de manuais de matemática”. Charles começou a ganhar bastante dinheiro com o livro, mas nunca deixou o seu trabalho que aparentemente não gostava na Christ Church. Esta valorização da intuição intelectual em detrimento da intuição sensível torna-se nítida quando sustenta que o realismo das primeiras intuições deve pôr-se entre parêntesis, uma vez que a apreensão do real científico não se satisfaz com imagens primeiras. As imagens podem ser então, “boas” e “más”, indispensáveis e perigosas, dependendo da moderação no seu uso e da instância da redução em que as imagens devem permanecer quando as queremos usar para descrever um mundo que não se vê, ou fenômenos que não aparecem. Na ciência é preciso ir das imagens às ideias e este caminho é de análise, de discussão e de ordenação. Com certeza, também de polêmica, uma razão polêmica pode pensar-se como uma razão que tanto sabe afirmar, em reação às negações oficiais antecedentes, como negar afirmações anteriores a partir dos valores da verificação e da descoberta.
Uma razão polêmica critica e introduz “nãos” que passam a desempenhar um papel pedagógico decisivo na produção de conhecimento por darem a compreender que na interpretação de Gaston Bachelard toda a afirmação não é sinônimo de conhecimento positivo e que aquilo que é dado como verdadeiro aparece, muitas vezes, sob um fundo de erros e de ignorâncias tomadas como antecedentes. O espírito científico exigindo aproximações sucessivas da experiência deve afastar-se daquelas teses cartesianas da razão. Então, com o novo espírito científico, sabe-se que todo o problema da intuição se encontra subvertido, trabalhado. Os povos que disputaram a primazia da invenção do vidro foram os egípcios e os fenícios. Os primeiros eram qualificados, usando ferramentas simples, mas eficazes e instrumentos de observação, podendo os arquitetos egípcios construir grandes estruturas líticas com exatidão e precisão. Os fenícios tiveram como principais legados a criação do alfabeto e a navegação. Segundo a Enciclopédia Trópico (1957) organizada por Giuseppe Maltese os fenícios narram que ao voltarem à pátria, do Egito, pararam às margens do Rio Belus, e pousaram sacos que traziam às costas, que estavam cheios de natrão, o carbonato de sódio natural, que eles usavam para tingir lã. Acenderam o fogo com lenha, e empregaram os pedaços mais grossos de natrão para neles apoiar os vasos onde deviam cozer animais. Comeram e deitaram-se, adormeceram e deixaram o fogo aceso. Quando acordaram, em lugar das pedras de natrão encontraram blocos brilhantes e transparentes, que pareciam enormes pedras preciosas. Um deles, o sábio Zélü, chefe da caravana, percebeu que sob os blocos de natrão, a areia também desaparecera.
Os fogos foram reacesos, e durante uma tarde, uma esteira de liquido rubro e fumegante escorreu das cinzas. Antes que a areia incandescente se solidificasse, Zelu plasmou, com uma faca aquele líquido e com ele formou “uma empola tão maravilhosa que arrancou gritos de espanto dos mercadores fenícios”. O centro industrial especializado originou-se como um esporo, escapando da cidade medieval corporativa, quer pela natureza da indústria – mineração ou fabricação de vidro – quer pelas práticas monopolísticas das guildas, que impediam o aparecimento ali de um novo ofício como a tecelagem mecânica. Mas, pelo século XVI, também a indústria manual se propagava pelo campo, particularmente na Inglaterra, a fim de tirar partido do trabalho barato e não protegido em casas particulares. Aquela prática chegara tão longe que, em 1554, aprovou-se uma lei para remediar a decadência das cidades corporativas, proibindo quem quer que vivesse no campo vender seu trabalho a varejo, exceto nas feiras. No século XVII, antes mesmo da mecanização da fiação e tecelagem, as indústrias têxteis inglesas achavam-se dispersas no Shropshire e Worcestershire, com empregados e empregadores espalhados todos em aldeias e cidades que possuíam mercado. Não ocorreu apenas escaparem suas indústrias das regulamentações urbanas: escaparam das dispendiosas taxas de iniciação e pagamentos caritativos das guildas. Sem salários costumeiros, sem segurança social, o trabalhador, como mostrou Adam Smith, vivia, sob a disciplina da fome temeroso de perder seu emprego.
O aumento do emprego da
energia hidráulica na produção provocou a fuga para as regiões altas, onde
pequenos cursos d`água rápidos ou rios encachoeirados proporcionavam fontes de
energia. Por isso, a indústria têxtil tendia a se propagas pelos vales de Yorkshire,
ou, mais tarde, ao longo do Connecticutt e do Merrimac, na Nova Inglaterra; e
como o número de sítios favoráveis, em cada trecho isolado, era usualmente
limitado, fábricas relativamente grandes, com pavilhões de quatro ou cinco
pavimentos, surgiram ao lado da própria mecanização. Uma combinação de terras
rurais baratas, uma população dócil, disciplinada pela fome, e uma fonte
suficiente de continuada energia, preenchia as necessidades das novas
indústrias. Passaram-se, porém, quase dois séculos inteiros, do século XVII,
antes que todos os agentes de aglomeração estivessem igualmente desenvolvidos.
Antes disso, essencialmente as vantagens comerciais da cidade corporativa contrabalançavam as
vantagens industriais da energia barata e da barata mão-de-obra fornecida pela
aldeia fabril. Até o século XIX, a indústria permaneceu descentralizada em
pequenas oficinas, dimensionada pela agricultura: comunidades como Sudbury e
cidades do interior como Worcester, na Inglaterra. Em termos humanos, algumas
das piores características do sistema fabril (cf. Mumford, 1998), concorriam
para as longas jornadas de trabalho monótono, os salários baixos, o inútil uso sistemático do trabalho infantil, tinham sido implantadas, com a
organização eotécnica descentralizada da produção fabril.
Mas a energia hidráulica e o transporte em canais poucos danos causava à paisagem; e a mineração e fundição, enquanto permaneceram pequenas em escala e dispersas, produziam cicatrizes que eram facilmente curáveis. Era a mudança de escala, o aglomeramento irrestrito de populações e indústrias, que produziam alguns dos mais horrendos efeitos urbanos. Se a fábrica movida a vapor, a produzir para o mercado mundial, foi o primeiro fator com tendência para aumentar a área de congestionamento urbano, o novo sistema de transportes ferroviários, a partir de 1830, estimulou-a largamente. A energia estava concentrada nos campos carboníferos. Onde era possível minerar o carvão, concentrá-lo em armazéns ou obtê-lo a baixo preço, por meios baratos de transporte, a indústria podia produzir regularmente o ano inteiro, se interrupções devidas à falta cíclica de energia. Num sistema de negócios baseado em contratos socialmente em pagamentos a termo, essa regularidade era altamente importante.
O carvão e o ferro exerceram impulso gravitacional sobre muitas indústrias subsidiárias e acessórias: primeiro por meio do canal e, depois e 1830, através das estradas de ferro. A ligação direta com as zonas de mineração era condição primacial de concentração urbana: até hoje, a principal mercadoria conduzida pelas estradas de ferro é o carvão destinado ao aquecimento e à produção de energia. As estradas de terra, a energia obtida pelos moinhos, a tração animal do sistema de transportes eotécnica, tinham favorecido a dispersão da população regional. Havia pontos que ofereciam iguais vantagens. O vidro estava descoberto. A composição do vidro, basicamente, é formada por areia, carbonato de sódio (barrilha), calcário, óxido de minerais (como óxido de ferro), dentre outros. Mais ou menos 70% da composição do vidro é constituída por uma areia bem fina, mais fina que a areia das praias. É desta areia que vem a sílica, uma mistura de silício e oxigênio que é chamada quimicamente de dióxido de silício. A barrilha é a substância que fornece ou conduz o sódio para o vidro. É a segunda matéria prima mais importante na composição do vidro. O nome químico da barrilha é representado pelo carbonato de sódio. O carbonato de sódio era tradicionalmente produzido na Europa através da sua extração a partir das cinzas de várias plantas. Até meados do século XVIII, quando o desmatamento tornou este método inviável, o que levou à necessidade da sua importação de diversos países. Dadas estas circunstâncias, em 1783, o Rei Luís XVI da França, junto a Academia Francesa de Ciências ofereceu um prêmio de 2400 libras para aquele que desenvolvesse um método de produção de carbonato de Sódio a partir do sal marinho. Assim, em 1791, Nicolas Leblanc patenteou uma solução e deu início a construção da planta industrial em Saint-Denis, com produção de 320 toneladas ano. Com a revolução francesa, esta foi estatizada e os trabalhos de Leblanc foram transformados em domínio público.
A principal função na fabricação do vidro é baixar o ponto de fusão do silício, ou seja, fazer o silício ficar “mais fácil de derreter”. A terceira matéria prima mais importante para o vidro é o calcário. É do calcário que vai ser tirado o cálcio. Do calcário é aproveitado o óxido de cálcio, essencial na fabricação de vidros. A placa de vidro é feita da mistura dessas matérias primas com um pouco de água. No processo de reciclagem do vidro, também se acrescenta restos de vidro quebrado nessa mescla, pelo bem-estar do meio ambiente e também para baixar o ponto de fusão. Dentre as principais vantagens do vidro está o fato social dele ser 100% reciclável. Ou seja, do ponto de vista tecnológico ele pode ser usado e utilizado como matéria-prima na fabricação de novos vidros, infinitas vezes sem perda de qualidade ou pureza do produto. Ao serem misturados e encaminhados a fornos com temperaturas exorbitantes, tudo será derretido. A fusão do calor transformará ingredientes sólidos em um vidro transparente. Em um fluxo contínuo, os materiais misturados são encaminhados para uma fornalha. A temperatura dentro da fornalha é de 1.500º C e elas podem abrigar centenas e centenas de quilos de vidro derretido de uma só vez.
No final de 1871,
Charles publicou a sequela, Through the Looking-Glass, and What Alice Found
There (“Alice Através do Espelho e o que ela encontrou lá”). O seu tom mais
sombrio pode refletir as mudanças na vida de Charles. A morte do seu pai em
1868 fez com que ele entrasse numa depressão que durou alguns anos. Ambos os
livros infantis de Carroll contêm inúmeros problemas de matemática e lógica
ocultos no seu texto. Em Alice no País das Maravilhas, a personagem
Alice entra em uma toca atrás de um coelho falante e cai em um mundo fantástico
e fantasioso. Muitos enigmas contidos em suas obras são quase que imperceptíveis
para os leitores na atualidade, principalmente os não-anglófonos, pois
continham referências da época, piadas locais e trocadilhos que só fazem
sentido objetivamente na língua inglesa. Em 1876, Charles produziu a sua grande
obra seguinte: The Hunting of the Snark (A Caça ao Snark), um
poema de fantasia nonsense com ilustrações de Henry Holiday. A história
explora as aventuras de uma tripulação bizarra composta por nove comerciantes e
um castor que partem em busca de um snark. A obra recebeu críticas mistas dos
contemporâneos de Lewis Carroll, mas foi bastante popular junto do público,
tendo várias edições entre 1876 e 1908 e várias adaptações na forma de
musicais, ópera, teatro e música. Ao que parece, o pintor Dante Gabriel
Rossetti (1828-1882) ficou convencido de que o poema era sobre ele.
Em 1895, 30 anos depois
da publicação dos livros de Alice, Carroll tentou reproduzir o seu sucesso com
um conto em dois volumes dos irmãos fada, Sylvie e Bruno. Carroll entrelaça
duas histórias passadas em mundos alternativos: um deles na Inglaterra rural e
outro nos reinos das fadas de Elfland, Outland e outros. O mundo do conto de
fadas satiriza a sociedade inglesa e, mais especificamente, o mundo acadêmico.
Sylvie and Bruno foi publicado em dois volumes e é considerado um conto de
menor qualidade, apesar de ter tido várias edições ao longo de mais de um
século. Alice Através do Espelho estreou em Londres em 10 de maio de
2016 e foi lançado nos cinemas em 27 de maio de 2016 nos Estados Unidos pela
Walt Disney Pictures. Alice Através do Espelho arrecadou US$ 77 milhões
nos Estados Unidos da América e Canadá e US$ 222,4 milhões em outros
territórios, totalizando US$ 299,5 milhões em todo o mundo comercial globalizado, contra um orçamento
de produção de US$ 170 milhões. O Hollywood Reporter estimou que o filme deu um
prejuízo de cerca de US$ 70 milhões ao estúdio, considerando todas as despesas
e receitas. Alice Através do Espelho estreou nos Estados Unidos e Canadá
em 27 de maio de 2016, com X-Men: Apocalipse, e a projeção inicial era
de arrecadar entre US$ 55 e US$ 60 milhões em 3.763 cinemas durante o fim de
semana de estreia de quatro dias no Memorial Day, mas as projeções foram
revisadas para baixo devido à má repercussão.
O filme teve a vantagem adicional de ser exibido em mais de 3.100 cinemas 3D, 380 telas IMAX, 77 telas premium de grande formato e 79 salas D-box. Arrecadou US$ 1,5 milhão nas pré-estreias de quinta-feira (contra US$ 3,9 milhões do primeiro filme) e apenas US$ 9,7 milhões no primeiro dia, em comparação com os US$ 41 milhões arrecadados na sexta-feira de estreia de seu antecessor. Ao longo do fim de semana de estreia, arrecadou US$ 26,9 milhões, o que, em comparação com os US$ 116 milhões arrecadados na estreia de seu antecessor, representa uma queda de 70%. Embora o 3D representasse 71% (US$ 82 milhões) da bilheteria de estreia do filme original, o 3D constituiu apenas 41% (US$ 11 milhões) para esta sequência, com 29% vindos de exibições tradicionais em 2D, 11% de IMAX e 1% de formatos premium de tela grande. Foi a terceira produção do estúdio com uma baixa bilheteria de estreia no Memorial Day, depois de Tomorrowland em 2015 e Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo em 2010. Durante sua primeira semana, o filme arrecadou US$ 40,1 milhões. Em seu segundo fim de semana, o filme arrecadou US$ 11,3 milhões (uma queda de 57,9%), terminando em 4º lugar nas bilheterias. O filme foi lançado em 43 países (72% do seu mercado total) no mesmo fim de semana que nos Estados Unidos da América, e a estimativa era de arrecadar entre US$ 80 e US$ 100 milhões em seu fim de semana de estreia. Enfrentou a concorrência de Warcraft (2016) e X-Men: Apocalipse (2016). Acabou arrecadando US$ 62,7 milhões, abaixo das projeções, dos quais US$ 4,1 milhões vieram das sessões IMAX.
Obteve uma bilheteria de estreia de US$ 4,5 milhões no México, US$ 4,1 milhões no Brasil e US$ 3,9 milhões na Rússia. No Reino Unido e na Irlanda, teve uma estreia arrecadando apenas £ 2,23 milhões (US$ 3,1 milhões) em seu fim de semana de estreia, 21% dos £ 10,56 milhões (US$ 15,2 milhões) arrecadados pelo primeiro filme em 603 cinemas. Estreou em segundo lugar, atrás de X-Men: Apocalipse, que estava em seu segundo fim de semana em cartaz. Na China, teve uma estreia estimada em US$ 7,3 milhões e alcançou a segunda maior estreia de um filme live-action da Disney (não Marvel ou Lucasfilm) com US$ 26,6 milhões, atrás apenas de Mogli: O Menino Lobo (2016). No entanto, esse valor per se ficou abaixo das projeções de US$ 35 a 45 milhões. Estreou em primeiro lugar entre os filmes recém-lançados no Japão, com US$ 5,2 milhões e US$ 4,1 milhões no sábado e domingo, respectivamente. Em comparação, o primeiro filme estreou com US$ 14 milhões, chegando a um total de US$ 133,6 milhões. Alice Através do Espelho foi lançado em Blu-ray, DVD, Blu-ray 3D e download digital em 18 de outubro de 2016 pela Walt Disney Studios Home Entertainment. Estreou em 2º lugar nas vendas de Blu-ray Disc. O Rotten Tomatoes relata que 29% das 260 críticas são positivas, e a classificação média é de 4,5/10.
O “consenso
crítico” afirma que o filme “Alice Através do Espelho é tão visualmente impressionante
quanto seu antecessor, mas isso não é suficiente para compensar uma história
decepcionante que não faz jus aos seus personagens clássicos”. O Metacritic
atribuiu ao filme uma pontuação de 34 em 100, com base em 42 críticas,
indicando avaliações “geralmente desfavoráveis”. No entanto, o público
pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “A-” em uma escala
de A+ a F, a mesma nota obtida por seu antecessor, enquanto aqueles no PostTrak
deram uma pontuação positiva geral de 79% e uma “recomendação definitiva” de
51%. Stephen Holden, do The New York
Times, escreveu em sua crítica: “O que tudo isso tem a ver com Lewis
Carroll? Quase nada” e que: “É apenas uma desculpa para pendurar duas fábulas
banais e presunçosas e uma divertida”. Ty Burr, do The Boston Globe, deu
ao filme 1,5 de 4 estrelas e o chamou de “extravagante, barulhento, complacente
e vulgar”. Stephen Whitty, do New York Daily News, chamou o filme de “extremamente
caro e extravagantemente estúpido” e que: o filme “é apenas mais uma mistura
boba de Hollywood, uma fantasia inocente transformada em um barulhento
aspirante a blockbuster”. Matt Zoller Seitz, do RogerEbert.com,
foi estupidamente crítico de Alice Através do Espelho, chamando-o de “lixo
requentado de um filme que era ele próprio uma requência de Lewis Carroll” e “o
tipo de filme mais ofensivo” devido aos seus tropos de blockbuster,
falta de magia e maravilha e propósito único de ganho financeiro.
Matthew Lickona do San Diego Reader disse que, embora achasse os efeitos
visuais “estupidamente caros” e a história familiar, chamou-o de “um sólido
filme infantil no estilo antigo”.
Bibliografia Geral Consultada.
COX, Harvey, La Fête des Fous. Essai Théologique sur les Notions de Fête et de Fantasie. Paris: Éditions Seuil, 1971; WARBURG, Aby, La Rinascita del Paganesimo Antico. Firenze: La Nuova Itália, 1996; HUIZINGA, Johann, Homo Ludens: O Jogo como Elemento da Cultura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999; VERNANT, Jean-Pierre, O Universo, os Deuses, os Homens. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2000; CAMPOS, Ivelise Fortim de, Alice no País do Espelho: O MUD - Jogo e Realidade Virtual Baseado em Texto. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2004; COSTA, Cynthia Beatrice, Versões de Alice no País das Maravilhas: Da Tradução à Adaptação de Carroll no Brasil. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2008; NASCIMENTO, Edna Maria Fernandes dos Santos; LEONEL, Maria Célia de Moraes, “Frente a O Espelho de Machado e Guimarães Rosa”. In: Revista Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, n° 24, vol. 2, 2008, pp. 277-292; ROHDEN, Luiz, “Faces Filosóficas de O Espelho de Guimarães Rosa”. In: Revista Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, n° 24, vol. 2, 2008, pp. 335-352; CANTON, Katia, Lewis Carroll na Era Vitoriana: Outras Histórias de Alice. 2ª edição. São Paulo: Editora DCL, 2010; RADAELLI, Juliana, O Nonsense no País das Maravilhas: O Que Alice Ensina à Educação. Tese de Doutorado. Faculdade de Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2012; CARROLL, Lewis, Aventuras de Alice Através do Espelho. São Paulo: Editor Círculo do Livro, 1983; Idem, The Annotated Alice: The Definitive Edition. Ed. de Martin Gardner. Nova York: W.W. Norton, 2000; Idem, Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do Espelho. Rio de Janeiro. Editora Zahar. 2013; SOPHIA, Gisele Schmidt Bechtlufft; GARCIA, Pedro Benjamim, Andanças pelo País das Maravilhas e pelo Bosque do Espelho: Reflexões de Alice para a Educação. Jundiaí: Paco Editorial, 2015: MARINI, Clarissa Prado, “Alice através do espelho e o que ela encontrou lá”. In: Belas Infiéis 5, n° 3 (2016): 263–67; MOURA, Beatriz Chaves, Transmediação do Livro Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll. Dissertação de Mestrado em Design e Multimédia. Faculdade de Ciências e Tecnologias. Departamento de Engenharia Informática. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2025; entre outros.
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