“A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”. Fernando Pessoa
Um juízo de valor representa um juízo sobre a correção ou incorreção de algo, ou da utilidade de uso de algo, baseado num ponto de vista pessoal ou subjetivo. Como generalização, um juízo de valor pode referir-se a um julgamento baseado num conjunto particular de valores ou num sistema de valores determinado. Um significado conexo de juízo de valor é o juízo de um recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis, uma avaliação prática efetuada porque uma decisão deve ser tomada independentemente de estar em função da utilidade, da estética, da moral, ou de qualquer outro critério valorativo. A expressão juízo de valor pode ser usada num sentido positivo; significando que um julgamento deve ser feito levando em conta um sistema de valores, ou, num sentido depreciativo, significando um julgamento realizado de um ponto de vista pessoal, em vez da proposição de um pensamento racional, objetivo. Neste sentido positivo, a recomendação socialmente ao se fazer um juízo de valor, é que se considere cuidadosamente para evitar arbitrariedades e impetuosidade, e buscar consonância com as convicções mais profundas que se tenha sobre a realidade. Em seu sentido depreciativo, a expressão juízo de valor implica uma conclusão que é isolada, parcial e não objetiva — contrastando com julgamentos baseados em deliberação, equilíbrio e racionalidade. Um juízo de valor também pode referir-se a uma tentativa de julgamento baseada numa avaliação estudada das informações disponíveis, tomadas como sendo incompletas e em evolução; por exemplo, um juízo de valor sobre lançar ou não um ataque militar ou como proceder numa emergência médica. Neste caso, a qualidade do julgamento sofre porque a informação disponível é incompleta como resultado da urgência, em vez de ser resultante de limitações culturais ou pessoais.
Mais comumente, a expressão juízo de valor refere-se a uma opinião individual. De fato, a opinião de um indivíduo é formada até certo ponto por seu sistema de crenças sociais e a cultura específica à qual ele pertença. Uma extensão natural da expressão juízo de valor é incluir declarações que parecem ser de “mão única” em um determinado sistema de valores, mas que podem ser vistas de forma diferente em outro. Conceitualmente, esta extensão da definição relaciona-se tanto ao axioma antropológico de “relativismo cultural”, isto é, que o sentido cultural deriva do contexto quanto à expressão “relativismo moral”, isto é, que as proposições de moral e ética não são verdades universais, mas brotam do contexto cultural. No sentido pejorativo, um juízo de valor formado dentro de um sistema social de valores específico pode ser “paroquial” e estar sujeito a questionamentos junto a audiências mais amplas. Entretanto, um julgamento pessoal é uma expressão descrevendo uma decisão tomada entre alternativas que não são claramente certas ou erradas, e que assim deve ser tomada numa base pessoal. Valor neutro é um adjetivo conexo que sugere independência de um sistema de valores. Por exemplo, a classificação de um objeto depende do contexto: ele é uma ferramenta ou uma arma, um artefato ou um antecedente? O objeto em si pode ser considerado aparentemente de valor neutro, não sendo nem bom nem mau, nem útil nem inútil, nem significativo nem trivial, até que seja colocado em algum contexto inscrito nos níveis de análise social, tanto quanto econômico ou político.
Para uma discussão sobre o valor
“neutro” da tecnologia, estranhamente, um item também pode ter um valor que
pode ser neutro na medida em que sua utilidade se uso social, ou importância
são evidentes, independentemente do contexto social; por exemplo, oxigênio.
Disraeli, que concedeu o direito de voto aos operários urbanos, tentou dar um carácter social ao conservadorismo e torná-lo numa aliança entre a aristocracia e as chamadas classes populares. Nas primeiras décadas do século XX, os conservadores têm como referência esses princípios - defesa da unidade do Império, oposição à autonomia irlandesa que levou muitos liberais unionistas, como Joseph Chamberlain, a se juntarem ao Partido Conservador, uma política comercial protecionista favorecendo o comércio com as colônias, etc., a que se junta uma posição antissocialista, à medida que o Partido Trabalhista e o movimento sindical vão ganhando força no âmbito da política global. Para os conservadores, as melhores instituições sociais e políticas não são aquelas que são inventadas pela razão humana, como fora defendido historicamente pelo chamado racionalismo político, mas sim as que resultam de um lento processo de crescimento e evolução ao longo do tempo, empiricamente como a não escrita constituição inglesa face às Constituições promulgadas pelos revolucionários franceses. Não acreditando na ideia de “bondade natural do Homem”, os conservadores consideram que são os constrangimentos introduzidos pelos hábitos e tradições que permitem o funcionamento das sociedades, pelo que qualquer regime duradouro e estável só poderá funcionar se assente nas tradições sociais.
Assim, para os conservadores não faz sentido elaborar projetos universais do ponto de vista de uma sociedade ideal - não só tal sociedade será inatingível devido ao que acreditem ser a imperfeição intrínseca da natureza humana. Mas, devido a diferentes povos terem diferentes histórias, sociais, políticas e de costumes referendando suas tradições, o modelo social mais adequado a um povo não será o mais apropriado a outro - criticando de seu ponto de vista político conservador os revolucionários franceses. Após sua morte, em 1990, surge no cenário acadêmico norte-americano e britânico uma série de importantes trabalhos acadêmicos buscando resgatar o pensamento de Michael Oakeshott. Um fato considerável é a organização e publicação de inúmeros manuscritos, ensaios e anotações de aulas proferidas na London School of Economics and Political Science, ou simplesmente London School of Economics - LSE. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objeto a análise de uma dessas obras póstumas, o livro: “The Politics of Faith and The Politics of Scepticism”. Elaborado após a 2ª guerra mundial e completada provavelmente em 1952, a obra delineia uma diferenciação entre dois modos ou estilos da atividade de governar: a política de fé e a política de ceticismo. Neste sentido, apolítica não conhece nada acerca de necessidades genuínas. Não há nada no mundo da política que não provenha da atividade humana, embora haja muita coisa que não seja consequência do desígnio humano. Por isso, ao estudar as atividades políticas do governo, Oakeshott considera que as ações sociais concretizadas se tornam distintas em análise comparada, tendo em vista que não é porque a intenção é diferente, mas porque elas pertencem a outro contexto no qual tem-se estas atividades.
No pensamento deste autor existem sempre dois ingredientes fundamentais no conhecimento que são o informar e o julgar, portanto, o legado que os professores ensinam é sempre composto por uma síntese destes dois fatores. Informação e julgamento são dois modos de comunicação e não constituem partes separadas pertencentes a processos diferentes. De acordo com Oakeshott, estes dois ingredientes do processo de compreensão e apropriação do conhecimento “emergem da dialética ensinar e aprender”. Há faculdades que dependem da informação e faculdades que dependem do julgamento. A informação é impessoal, baseada em fatos e pode ser encontrada em manuais e dicionários e enciclopédias; constitui-se como “peça informativa” ou como “conjunto de fatos”. Poderíamos resumir dizendo que a informação é o “o quê” e o julgamento ou juízo é o “como ou o porquê”. A principal diferença entre o julgamento e a informação adquirida reside neste fato: “o juízo é uma informação de outro tipo e nunca pode ser itemizada”. Assim, todo o ensino e, consequentemente, toda a aprendizagem têm estas duas componentes essenciais, a componente da informação designada como instrução e a componente do juízo designada como partilha. Na busca por compreender esse contexto político é que surge o livro: The Politics of Faith and the Politics of Scepticism (1996). O argumento principal da obra é que os governos europeus, desde o século XV, convivem com diferentes modos ou estilos de política, os quais ele denominou (I) “políticas de fé” (“politics of Faith”) e (II) “políticas de ceticismo” (“politics of scepticism”). Tais formas são expressões que resultam de dois polos extremos nos quais é empreendida a atividade de governar. Enquanto extremos, são construções ideais. Dificilmente encontradas em sua forma pura, aproximando-se da idealidade típica do constructo weberiano, constituem-se mais em tendências do que em “teorias” ou doutrinas propriamente ditas.
A política de fé é o
modo de representação de um estilo de governar caracterizado pela incessante
busca pela perfeição da humanidade. Conforme Oakeshott há um grande otimismo
cósmico que, derivado não da observação, mas da inferência da perfeição do seu criador,
atribui uma indiscutível perfeição do universo. Essa ideia de “perfeição” (ou
“salvação”) consiste na busca de uma visão compreensiva de bem seja religiosa,
econômica, filosófica, moral, etc. a ser alcançada pela vivência no mundo
social e político. Porém não como uma tipologia do caráter humano, mas no
sentido que empregou historicamente o florentino Maquiavel, como uma condição
mundana das circunstâncias humanas. De modo mais simples, “perfeição” é mudança
para melhor, pode significar tanto o caminho específico a ser aprimorado quanto
a direção geral pela qual deve a atividade humana deve ser guiada, assim pouco
importando o caminho. Foi porque Maquiavel percebeu que qualquer conselho
positivo para lidar com problemas políticos era suscetível de ser contrariado
por uma alusão pessimista à fortuna, que ele resolveu dedicar a esse tema o
penúltimo capítulo de “Il Principe”, livro escrito por Nicolau Maquiavel em 10
de dezembro de 1513, cuja 1ª edição foi publicada postumamente, em 1532. Ele
próprio aceitou que a “Fortuna” era o árbitro de metade das ações dos homens,
mas sublinhou que isso não deveria levar ao derrotismo. Em duas memoráveis
imagens, comparou a fortuna a um rio cujas águas caudalosas podem ser
inofensivamente desviadas por diques e canais de drenagem precavidos, e a uma
mulher que, sendo mulher, pode ser domada pelo ardor e a violência: “sou de
parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna
(oportunidade) é mulher e, para conservá-la submissa, é necessário (…) contrariá-la.
Vê-se, que prefere, não raramente, deixar-se vender pelos ousados do que pelos
que agem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, visto terem eles menos
respeito e mais ferocidade e subjugarem-na com mais audácia”.
O agente responsável
para assegurar a perfeição é o Estado.
Se utópico ou se visa a aprimorar a sociedade em apenas em um
determinado rumo, tal estilo sustenta que somente o poder humano pode
atingi-lo; destarte, não apenas busca, mas supervaloriza este poder, deixando a
cargo do governo uma competência quase ilimitada para conduzir a sociedade.
Consequentemente, o estilo requer uma dupla confiança: a convicção de que o
poder necessário é disponível ou pode ser gerado e uma convicção que, mesmo que
não se saiba exatamente o que constitui a perfeição, ao menos se sabe o caminho
a ser percorrido. Parece claro que o papel do Estado, não é neutro e assume uma
visão substantiva, em vista da reprodução da esfera política da atividade
humana. Assim, torna-se o instrumento para alcançar a verdade, concebida a
partir de uma visão particular do conservador, exige dos cidadãos não apenas a
obediência ou a submissão, mas principalmente entusiasmo e engajamento para a
concretização desta finalidade. - “Os inimigos do regime serão identificados
não como meros dissidentes a serem inibidos, mas como descrentes a serem
convertidos. Mera obediência não é suficiente; deve ser acompanhada pelo
fervor. Na verdade, se o sujeito não é entusiasta com o governo, não há nenhum
objeto legítimo de devoção; se ele é devotado à “perfeição”, ele deve ser devotado
ao governo”. Daí a analogia do conceito descrito na obra: “On Human Conduct”, a
política de fé encara ideologicamente a sociedade contemporânea como uma
associação empreendedora (“enterprise association”). Neste modo de associação,
os agentes estão interligados a partir de um propósito comum substantivo,
reconhecido como uma condição exequível pelos homens.
Esse engajamento tem
por escopo direcionar a conduta humana a partir de ações que estejam
meticulosamente relacionadas para administrar e maximizar o propósito desejado.
As eventuais regras emitidas são meramente instrumentais e, por si só, não
definem e nem identificam a associação. Destaca algumas conclusões para a
política de fé. Em primeiro lugar, ela não é uma invenção que surgiu nos
últimos séculos contra um período de negligência ou indiferença governamental.
Tampouco foi um fruto da revolução industrial ou da democracia liberal. Deve
ser compreendida num contexto histórico de legitimação e idealização do governo
como operador racional da atividade humana. Em segundo lugar, não é
identificada com nenhum movimento, partido ou causa no mundo moderno. Há
representantes desse estilo de política em todo campo, todo partido, cada
momento e entre advogados de toda causa. Em terceiro lugar, a política de fé
não é, e nunca foi, o único estilo de política que surgiu na história moderna.
Essa impressão é causada especialmente pelo sucesso deste estilo especialmente
a partir do século XVII. Finalmente, a política de fé é subentendida como
política da imortalidade. Dá atenção excessiva ao futuro e se esquece do
passado. Ao conduzir a conduta humana para um determinado fim, transmite a ideia
de que a própria história possui um sentido. Em seu livro de memórias:
“Neoconservatism: The Autobiography of an Idea”, Irving Kristol afirma que
decidiu não publicar o ensaio: “On Being Conservative” na revista The Public
Interest justamente pelo caráter irremediavelmente secular do texto, o que
estaria em desacordo com o elemento religioso presente na sociedade
norte-americana.
Enfim, no seu ensaio: “Rationalism in Politics” (1991) o autor volta ao assunto dizendo-nos que há dois tipos de conhecimento: o conhecimento técnico e o conhecimento prático. O conhecimento técnico pode ser formulado através de regras e aprendido nos livros (informação). O conhecimento prático só pode ser aprendido com um mestre porque não pode ser formulado em regras e constitui-se, muitas vezes, como matéria de opinião (julgamento). O conhecimento prático só pode ser adquirido através da mestria porque é impreciso. Um dos problemas centrais da modernidade consiste no fato de “haver uma soberania da razão, uma soberania da técnica, porque o racionalismo e os racionalistas aspiram à certeza, apesar de esta aspiração não ser mais do que uma ilusão”. Tendem a rejeitar a imprecisão e tudo deve passar-se como está descrito nos livros. A mestria passa a ser olhada com desconfiança devido à sua imprecisão. O racionalista argumenta Oakeshott, “always stands”, quer dizer, é sempre a favor de alguma coisa ou contra alguma coisa. As circunstâncias sociais do mundo moderno fazem do racionalista um ser eminentemente contencioso: - “Ele é o inimigo da autoridade, do preconceito, do simplesmente tradicional, costumeiro ou habitual”.
Mas como toda a
atividade humana tende a ser reduzida a problemas de ordem sociológica,
concluiríamos admitindo duas ideias que nos parecem fundamentais para haver um
compromisso educativo na interpretação oakeshottiana. Há também uma tentativa
de promoção da cultura científica de modo a que os seres humanos se
identifiquem a si próprios na sua relação com as coisas e o seu império sobre
as coisas. Mas a pedra angular é a ideia de “integração social” que radica no
preconceito de que “tudo é social e de que tudo deve ter uma função social”,
portanto, a educação seria algo de social. Homogeneizando as diferenças e não
tornando através das semelhanças algo de distinto, meritório etc. Esta primazia
do “social” torna a educação como um investimento social relacionado com o
bem-estar de uma sociedade e as Universidades, segundo Oakeshott
transformaram-se “numa indústria de serviços cuja finalidade é a de contribuir
para o bem-estar da nação”. Os governos calculam a produtividade das
universidades através de custos e benefícios. As últimas décadas mostram-nos
que os governos querem transformá-las em “instrumentos de socialização” e
submetê-las a propósitos extrínsecos ligados a considerações sociais. Pensam
que sabem, mas não sabem o que eles fazem!
Alma é um termo
equivalente ao hebraico néfesh, ao Sânscrito Ātman e ao grego psykhé
e significa ser, vida ou criatura. Etimologicamente,
deriva do termo em Latim animu (ou anima), que significa “o que anima”.
Sendo a vida de cada organismo, não sendo eterna, e nem separada do corpo,
exatamente pelo contrário. Alma não é o mesmo que espírito. Na religião, possui
grande importância, conferindo, ao indivíduo, a capacidade de fazer e viver
coisas e momentos complexos logicamente, sendo a vida do ser humano, e não
parte dela. Foi discutida e citada hic et nunc na história da filosofia.
João Calvino, o fundador do calvinismo, defendeu que o espírito e a alma são
distintos, e que ela é imortal. Segundo sua interpretação da Bíblia, a alma
pode perder-se, ser salva e existir após a morte do corpo. Ela também é citada
como a fonte de todas as sensações e sentimentos humanos, além de ser a
responsável pela comunhão humana com Deus. João Calvino (1509-1564) foi um extraordinário
teólogo, líder religioso e escritor cristão francês. Considerado como um dos
principais líderes da Reforma Protestante, em particular na França, as
ideias de Calvino tiveram uma grande influência não apenas sobre a teologia
cristã, mas também sobre a vida social, a política e até mesmo, sem temor a
erro, sobre aspectos do sistema econômico de diversos países, sendo amplamente
consideradas como tendo possuído um forte impacto na formação do mundo moderno.
O sistema teológico
bíblico que ele criou é geralmente conhecido como calvinismo, ainda que o
próprio Calvino tivesse repudiado veementemente o uso de tal nome para
descrevê-lo. Esta variante do protestantismo viria a ser bem-sucedida em países
como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os
africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos. Martinho Lutero escreveu
as suas 95 teses em 1517, quando Calvino tinha apenas oito anos de idade, o que
faz com que Calvino seja considerado como pertencente à segunda geração da
Reforma Protestante. Para muitos historiadores, Calvino teria sido para o povo
de língua francesa aquilo que Lutero foi para o povo de língua alemã — uma
figura quase paternal. Lutero era dotado de uma retórica mais direta, por vezes
grosseira, enquanto que Calvino tinha um estilo de pensamento mais refinado e
geométrico, quase de filigrana. Segundo Bernard Cottret, biógrafo francês de
Calvino: “Quando se observa estes dois homens podia-se dizer que cada um deles
se insere já num imaginário nacional: Lutero o defensor das liberdades
germânicas, o qual se dirige com palavras arrojadas aos senhores feudais da
nação alemã; Calvino, o filósofo pré-cartesiano, precursor da língua francesa,
de uma severidade clássica, que se identifica pela clareza do estilo”. Em
Orleães, Calvino se dedicaria ao estudo do direito civil, sob a influência do
conceituado professor Pierre l`Étoile (1546-1611), cognominado “rei da
jurisprudência” e “príncipe dos juristas”, e que mais tarde se tornaria
presidente do Tribunal do Parlamento em Paris. Em 1529, dirigiu-se também a
Bourges, para assistir a aulas do famoso professor de direito italiano Andrea
Alciato (1492-1550). Também estudou grego, no qual foi instruído pelo erudito
luterano Melchior Wolmar (1597-1561) — e hebraico, em preparação para realizar
um estudo sério das Escrituras.
O filme foi rodado
na Normandia, principalmente em Le Havre e Sainte-Adresse, com exceção das
cenas do hospital que foram filmadas na região de Paris. Alice Vial, nascida em
15 de julho de 1986 no 14º arrondissement de Paris, profissionalmente é uma
roteirista, diretora e atriz francesa. Ela não cursou estudos formais de roteiro,
mas “escreveu roteiros por conta própria, buscando conselhos de roteiristas
mais experientes e participando de oficinas e concursos de escrita”. Ela
afirmou que apreciava residências artísticas e o ambiente estimulante que elas
proporcionavam. Foi dentro dessa estrutura que ela escreveu seu primeiro
roteiro em 2009: Les Immortelles. Ela foi corroteirista de Os
Inocentes, que foi selecionado para o Festival de Cinema de Sundance e
indicado ao Prêmio César de Melhor Roteiro Original em 2017. Ela escreveu e
dirigiu o curta-metragem Os Periwinkles, que ganhou o Prêmio César de
Melhor Curta-Metragem em 2018 e recebeu prêmios em diversos festivais. Ela cocriou
e escreveu a série de sucesso Loulou, exibida no canal Arte Creative e
premiada no Series Mania, que mais tarde foi adaptada para um filme para
televisão também exibido no canal Arte.
Ela também co-escreveu
e dirigiu todos os 10 episódios da série Sétimo Céu, que ganhou um
prêmio no Festival de Ficção de La Rochelle. Em 2011, participou na
fundação do coletivo Les Indélébiles, inspirado no primeiro coletivo
francês de argumentistas, Le Sas; este coletivo reuniu 14 argumentistas
em 2016, que colaboraram e trocaram ideias. Também faz parte do coletivo La
Mafia Princesse. Durante um concurso de roteiros organizado pelo Prêmio
Sopadin, Alice Vial e Sabrina B. Karine foram ambas selecionadas como
finalistas na categoria júnior; Philippe Maynial contou-lhes a história de
Madeleine Pauliac, sua tia-avó, uma médica que serviu na Polônia no final da
Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Essa história inspirou o roteiro do filme Os
Inocentes. Elas pesquisaram sobre a Polônia no final da 2ª Segunda Guerra
para garantir a autenticidade do filme, apesar da natureza ficcional da trama,
e realizaram um retiro em um mosteiro. Eles submeteram o roteiro ao Festival
Internacional de Roteiristas de Valência como parte de uma chamada de projetos,
que venceram. Foram selecionados para a residência anual de roteiristas do
Groupe Ouest e, em seguida, foram para o TorinoFilmLab para continuar
desenvolvendo o projeto. O roteiro foi finalmente adquirido pela Mandarin, por
meio da produtora Isabelle Grellat, que eles conheceram no festival de
Valência. A Mandarin então ofereceu o projeto a Anne Fontaine, que se
interessou pelo roteiro e o dirigiu em 2015. Em 2016, Os Inocentes foi
selecionado para o Festival de Cinema de Sundance. Foi pré-selecionado para
representar a França no Oscar de 2017. O filme foi indicado ao Prêmio César nas
categorias de Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e
Melhor Filme. Também ganhou prêmios em diversos festivais ao redor do mundo.
Escólio: Elsa é médica e trabalha em uma unidade de cuidados paliativos. Ela possui um dom bastante incomum: consegue ver e falar com os mortos que, por um motivo ou outro, não conseguem fazer a transição completa para a vida após a morte. Esse dom a impede de ter um relacionamento amoroso duradouro. Certa noite, enquanto voltava do trabalho de moto, ela colide com o ônibus à sua frente. Um pouco atordoada, ela é socorrida por um passageiro de táxi chamado Oscar. Oscar é um músico que acaba de conseguir a vaga de banda de abertura para Nero, um artista que ele admira. Ele espera que isso impulsione sua carreira. Sentimentos românticos começam a florescer entre ele e Elsa. No dia seguinte, Elsa é chamada pela polícia para prestar depoimento sobre o acidente. Durante a conversa com o policial, ela percebe que Oscar morreu no acidente, mas que ele não sabe disso. Elsa não sabe como fazer Oscar confessar. Ela o acompanha ao show onde ele deveria se apresentar como ato de abertura, e lá ele descobre que foi substituído por outro artista. A homenagem que lhe foi prestada no início do show, bem como o fato de que ninguém, exceto Elsa, lhe dá atenção, finalmente o convence de que ele está realmente morto. Mas será que ele quer morrer, quando todo o seu esforço para aprimorar sua música estava apenas começando a dar frutos? Ele sente uma profunda injustiça e não tem nenhum desejo de deixar Elsa.
No entanto, eles terão que encarar a verdade: o amor deles, por mais forte que seja, não tem futuro. Para ajudar Oscar a morrer em paz, Elsa fará tudo ao seu alcance para garantir que ele receba o reconhecimento que tanto almejava e que uma gravação de sua música seja tocada no início de um dos concertos de Nero. Assim, Oscar poderá morrer em paz. Os limites entre uma ação com sentido e um comportamento reativo não relacionado com um sentido visado pelo agente, são inteiramente fluidos. Uma parte muito importante de todo comportamento sociologicamente relevante, especialmente a ação puramente tradicional, situa-se na fronteira entre ambos. Em alguns casos de processos psicofísicos não temos ações com sentido, isto é, compreensíveis e, em outros, estes somente existem para os especialistas; processos místicos e, por isso, não comunicáveis adequadamente em palavras não podem ser compreendidos plenamente pelos que não tenham acesso a esse tipo de experiências. Por outro lado, não é pressuposto para a compreensibilidade de uma ação social a capacidade de produzir, com os próprios recursos, uma ação análoga. - “Não é preciso ser César para compreender César”. A possibilidade de “reviver” completamente a ação é importante para a evidência da compreensão, mas, comparativamente, não é condição absoluta para a interpretação do sentido. Componentes compreensíveis e não compreensíveis de um processo estão muitas vezes misturados e relacionados entre si. Toda interpretação, como toda ciência em geral, pretende alcançar “evidência” da compreensão pode ser de caráter: a) racional (e, neste caso, ou lógico ou matemático), ou b) intuitivamente (emocional, receptivo artístico). No domínio da ação, é racionalmente evidente, antes de mais nada, o que se compreende intelectualmente, de modo cabal e transparente, em sua conexão de sentido visada.
Intuitivamente
evidente, no caso da ação, é o que se revive plenamente em sua conexão
emocional experimentada. Racionalmente compreensíveis, isto é, neste caso,
direta e inequivocamente apreensível em seu sentido intelectual, são
principalmente, e em grau máximo, as conexões de sentido que que se encontram
na relação de proposições matemáticas entre si. Compreendemos inequivocamente o
que significa, quanto ao sentido, quando alguém utiliza, pensando ou
argumentando, a proposição estabelecida pelo teorema de Pitágoras, um princípio
matemático que afirma que, em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do
comprimento da hipotenusa (o lado mais longo do triângulo) é igual à soma dos
quadrados dos comprimentos dos outros dois lados, que são chamados de catetos,
ou quando extrai uma cadeia de conclusões lógicas de maneira correta. O mesmo
ocorre quando ele, partindo de “fatos da experiência” que consideramos
“conhecidos” e de finalidades dadas, tira em sua ação as consequências que
consideramos conhecidos e de finalidades dadas, tira em sua ação as
consequências daí inequivocamente resultantes relativas à espécie de meios a
ser empregados. Toda interpretação de uma ação desse tipo, racionalmente
orientada por um fim, possui – quanto à compreensão dos meios empregados, um
grau máximo de evidência. Com menor grau de evidência, mas suficiente para
nossas evidências de explicação, compreendemos também aqueles “erros”
(“arredamento de problemas”) nos quais poderíamos incorrer pela realidade
vivida ou de cuja formação podemos ter a experiência intuitiva.
Ao contrário, muitas vezes não conseguimos compreender, com plena evidência, alguns dos “fins” últimos e “valores” pelos quais podem orientar-se, segundo a experiência, as ações sociais de uma pessoa; eventualmente conseguimos apreendê-lo intelectualmente, mas, quanto mais divergem de nossos próprios valores últimos, tanto mais dificuldade encontramos em torna-lo compreensíveis por uma revivência mediante a imaginação intuitiva. Nessas condições, temos de contentar-nos, conforme o caso, com sua interpretação exclusivamente intelectual, ou, eventualmente, quando até esta falha, aceita-los simplesmente como dados. Trata-se, neste caso, de tornar inteligível para nós o desenrolar da ação por eles motivadas, a partir de seus pontos de orientação interpretados intelectualmente na medida do possível, intuitivamente revividos, na maior aproximação possível. A esta classe pertencem, por exemplo, muitas ações virtuosas, religiosas e caritativas para quem é insensível a elas, do mesmo modo que muitos fanatismos de extremo racionalismo (“diretos humanos”) para quem, por sua vez, se aborrece radicalmente desses pontos de orientação. Impulsos afetivos (medo, cólera, ambição, inveja, ciúme, amor, entusiasmo, orgulho, sede de vingança, piedade, dedicação, apetências de toda espécie) e as reações irracionais (do ponto de vista da ação racional, orientada por um fim) que deles resultam podem ser revividos por nós emocionalmente e com tanto mais evidência quanto mais suscetíveis sejamos a esses afetos, em todo caso, porém, mesmo que ultrapassem por sua intensidade nossas próprias possibilidades, conseguimos compreendê-los intuitivamente e avaliar intelectualmente seus efeitos sobre a orientação e os meios da ação.
A
trivialidade é o modo dominante de produção e consumo de narrativas
porque corresponde ao modo de produção dominante de mercadorias, ou melhor, é
este modo de produção no setor das narrativas enquanto mercadorias. A atenção
concentrada e demorada que é exigida pela natureza única da grande obra de
arte, ao invés de ser liberada e desinibida pela automatização, funciona como
ocasional oásis dentro dessa preponderância mesmice sob a aparência de
diversidade. As obras triviais tendem ao happy end, assim como as obras literárias
mais artísticas tendem ao bad end. Este final infeliz pode, contudo,
funcionar como um modo de esconjurar a infelicidade na vida, assim como o final
feliz corresponde ao desejo de felicidade inerente a todo ser humano. Se todo
herói grego é produto da hybris, mantendo em si essa duplicidade de deus
e homem, fato que acaba se revelando ao longo do seu percurso, tal dupla
dimensão tende a se configurar também nos heróis triviais e, de modo mais
fragrante, nos super-heróis. O mocinho de far-west geralmente parece
primeiro um bom mocinho que não quer meter-se em encrencas, mas depois aparece
o seu lado mais heroico, divino. Um simples e medroso jornalista como Clark
Kent se torna o Super-Homem. Uma simples secretária se transforma num
passe de mágica, na Mulher-Maravilha. O Pateta, com alguns amendoins, se
transforma no Super-Pateta. E todos eles são defensores da justiça e da
lei. Por outro lado, certas figuras de carne e osso passam a corporificar, nos
meios de comunicação, determinadas figuras míticas do passado: um boxeador
peso-pesado é um novo Hércules; uma atriz é o próprio mito da eterna juventude;
outra é uma Afrodite revivida.
A dimensão de divindade
que está por trás de cada uma dessas figuras serve para conferir uma enorme
autoridade a elas no momento em que passam a recomendar determinados produtos
para o consumo da população. Não só elas são mercadorias de consumo público,
mas servem para estimular o público a consumir mercadorias, tanto mais quanto
menos necessárias elas forem. No caso dos super-heróis importados, em geral
eles não são pessoalmente proprietários do capital. Batman constitui uma
exceção; também o fato de ele ter como que uma dupla personalidade - a de
cidadão normal e a de super-herói - configura a natureza híbrida clássica:
homem e deus. Para enfrentar heróis tão super, os vilões acabam tendo de ser
supervisões: deuses dos infernos, demônios disfarçados de gente, bonecos
do mal. Assim também, figuras populares como Nossa Senhora dos Navegantes são
como que reencarnações da deusa Diana, uma deusa da fertilidade, assim como a
própria Penélope já o era. Em torno de cada uma dessas deusas há como que uma disputa
para saber quem será o seu companheiro e, portanto, rei. Esses ritos
propiciatórios da reza não só antropomorfizam a natureza como naturificam o
rei; o rei precisa ser forte, para representar as forças fecundadoras da
natureza. Por isso o rei precisa ser, aparentemente, substituído toda vez que
perde a sua força. A não ser que ele coloque alguém - o rei Momo - em seu lugar
por alguns dias, durante os quais este goza de todos os privilégios: o
carnaval. Após esses dias, o rei substituto será sacrificado: quarta-feira de
cinzas. O rei é um herói por excelência de um povo, ainda que seja um rei
simbólico: serve para a autoafirmação desse povo; é a vitalidade personificada.
A risada do herói é a própria alegria de viver. Esquerda volver! Assim como existe a narrativa trivial de direita, existe a de esquerda: a primeira afirma o status quo, a segunda propõe modificá-lo. Toda vez que uma revolução se instaura num país, ela precisa produzir muita literatura trivial de esquerda para se legitimar e obter apoio para as mudanças que ela procura implementar. Mas esse tipo de narrativa também existe antes de qualquer revolução, como expressão das reivindicações das classes baixas. A narrativa trivial de esquerda procura simplesmente demonstrar que a classe alta, e tudo o que a ela pertence, é o baixo por natureza. É, nesse sentido, o alto tudo o que pertencer à classe baixa: dentro do mesmo padrão de clichês repetitivos da trivialidade de direita. É claro que esse “esquerdismo” (termo usado por falta de outro melhor, mas no qual teria de ser detalhada a dialética a ele inerente) pode variar conforme a época e o momento. O grau de esquerdismo pode variar: do legal ao ilegal. De certo modo, um Dom Diego/Zorro, à medida que luta contra a dominação espanhola do México, é um herói trivial de esquerda assim como Robin Hood também o é. A ideologia deste - roubar dos ricos para dar aos pobres - pode aparecer em folhetins nordestinos entronizando Lampião como herói (ainda que isso não corresponda à verdade histórica): essa ideia de redistribuição da riqueza social em soluções individuais, sem alterar radicalmente o sistema da propriedade fundiária, corresponde a uma perspectiva que se poderia chamar de social democrata.
A carência basicamente de trivialidade de esquerda é que, ao fazer do alto simplesmente o baixo, e do baixo o elevado, ele não só desconhece a natureza complexa e contraditória da realidade como também imagina que a classe baixa, ainda que seja vista como depositária da esperança de redenção da história, possa ser melhor do que o todo da sociedade em que vive. A narrativa trivial pode ser um espelho mágico em que cada classe contempla a outra, mas tende a contemplar apenas sua própria imaginação quanto à outra classe. No momento em que a narrativa trivial mostrasse a Branca de Neve dos anões operários, teria o seu espelho quebrado em estilhaços pelos poderes vigentes: mas a narrativa artística surge contemporaneamente da possibilidade anunciada pelos estilhaços. Feminino/masculino. A narrativa trivial feminina pode usar diferentes veículos: a fotonovela, a novela-cor-de-rosa, a telenovela, o cinema água-com-açúcar etc. De um modo geral destina-se ao público feminino, o que caracteriza também o seu enredo. Basicamente tem se aí sempre uma heroína, uma mocinha com diversas virtudes, e um herói romântico, de excepcionais qualidades.
São como deuses sobre a terra. Estão predestinados a casarem-se com o outro. Para que haja enredo, surgem vários empecilhos entre eles, o mais ideológico é o fato de ela ser pobre e ele ser rico: é claro que o que ela mais quer é “dar o golpe do baú”, só que exatamente isso é que não pode ser reconhecido. No fim, depois de diversas peripécias, tem-se o final feliz, com o casamento desses maravilhosos seres. A moral da história é, à primeira vista, a tese de que “o amor tudo vence”. Subjacente a ela, há, porém, uma outra tese, que é, basicamente, a de que a melhor coisa na vida é pertencer a classe alta (o que não deixa de estar correto até certo ponto) e que o melhor que se tem a fazer é se identificar com ela e amá-la através de todas as dificuldades e alegrias. Agora o texto não provém mais de uma tradição. É imposto pela geração de uma tecnocracia produtivista. Não se trata mais de um livro de referência, mas de toda a sociedade feita texto, escritura da lei anônima da produção. Para Michel de Certeau, esta mutação torna o texto habitável, à maneira de um apartamento alugado, pois a esta arte de leitores conviria comparar outras. A arte de conversar: as retóricas da conversa ordinária são práticas transformadoras “de situações de palavra”, de produções verbais onde o entrelaçamento das posições locutoras instaura um tecido oral sem proprietários individuais, as criações de uma comunicação que não pertence a ninguém. A conversa é um efeito provisório e coletivo de competências na arte de manipular lugares comuns e jogar com o inevitável para torná-los habitáveis. Os usuários dos códigos os transformam em metáforas e eclipses de suas caçadas.
Nos relatos de
“apartamento” ou de “rua” as manipulações de espaço ou “percursos” levam a
melhor. Na maioria das vezes, essa forma de descritores determina o estilo
inteiro da narração. Quando intervém a outra forma, ela tem como valor ou ser
condicionada ou suposta pela primeira. Nos dois casos um fazer permite um ver.
Mas há também casos em que um percurso supõe uma indicação de lugar. A cadeia
das operações espacializante parece toda pontilhada de referências ao
que produz uma representação de lugares ou ao que implica uma ordem local.
Tem-se assim a estrutura do relato de viagem, histórias de caminhadas e gestas
que são marcadas pela “citação” dos lugares que resulta ou que as autoridades
simbólicas preconizam preconceitos. Dois
pesos e duas medidas bem equilibradas. Os relatos antropológicos efetuam um
trabalho que, seguindo a etnografia extraordinária de Michel de Certeau, incessantemente,
transforma “lugares em espaços” ou “espaços em lugares”. Organizam os “jogos”
das relações mutáveis que uns mantêm com outros. São inúmeros esses jogos, num
leque se estende desde a implantação de uma ordem imóvel e quase mineralógica
até a sucessividade acelerada das ações multiplicadoras de espaços populares,
no âmbito das representações da vida. Mas esse “frenesi espacializante” nem por
isso deixa de ser menos circunscrito pelo lugar textual.
Seria possível uma tipologia
de todos esses relatos, em termos de identificação de lugares e de efetuações
de espaços. Mas, para aí encontrar os modos segundo os quais se combinam essas
distintas operações, onde precisa se ter critérios e categorias de análise, e,
além disso, a necessidade que reduz aos relatos etnográficos a leitura real do
cotidiano não existe. Eis aí precisamente a formalização do primeiro papel do
relato: sua autorização. Autoriza práticas sociais arriscadas e contingentes.
Disseminada, não só por causa da diversidade dos meios sociais, mas, sobretudo
por causa de uma crescente heterogeneidade, ou, pensando bem, de uma
heterogeneidade sempre mais desvelada entre as “referências autorizantes”.
Referimo-nos à excomunhão das divindades territoriais. O desapreço pelos
lugares habitados pelo espírito dos relatos e a extensão das áreas neutras, privadas
de legitimidade que marcam a fuga. A fragmentação das narrações organizadoras
de fronteiras e de apropriação nos conflitos de classes, nos conflitos étnicos
e raciais. Esses fragmentos escondidos articulam a história biográfica cujo
espaço fundamenta as práticas de espaço. A organização reconhecível nos relatos
de espaço da cultura cotidiana se acha, portanto, invertida pelo trabalho (de
análise teórica) que isolou um sistema de lugares geográficos. Esta é a tese
fenomenológica de monsieur Certeau.
Enfim, John Toland foi
um filósofo racionalista e livre-pensador irlandês, e satirista ocasional, que
escreveu vários livros e panfletos sobre filosofia política e filosofia da
religião, que são as primeiras expressões da filosofia do Iluminismo. Nascido
na Irlanda, ele foi educado nas universidades de Glasgow, Edimburgo, Leiden e
Oxford e foi influenciado pela filosofia de John Locke (1632-1704). Sua
primeira e mais reconhecida obra, Christianity Not Mysterious (1696),
opôs-se à hierarquia tanto na igreja quanto no Estado. Na Irlanda, cópias foram
queimadas pelo “carrasco público”, e ele foi forçado a fugir do país para nunca
mais retornar. Muito pouco se sabe sobre a infância de Toland. Ele nasceu em
Ardagh, na Península de Inishowen, uma região predominantemente católica e de
língua irlandesa no Noroeste da Irlanda. Seus pais são desconhecidos. Mais
tarde, ele escreveria que havia sido batizado “Janus Junius”, um trocadilho com
seu nome que lembrava tanto o deus romano de duas faces Janus quanto Junius
Brutus, considerado o fundador da República Romana. De acordo com seu biógrafo
Pierre des Maizeaux, ele adotou o nome John quando era estudante, com o
incentivo de seu professor.
Tendo se convertido formalmente do catolicismo ao protestantismo aos 16 anos, Toland conseguiu uma bolsa para estudar teologia na Universidade de Glasgow. Em 1690, aos 19 anos, a Universidade de Edimburgo conferiu-lhe um título de mestre. Ele então conseguiu uma bolsa para passar dois anos estudando na Universidade de Leiden, na Holanda, e posteriormente quase dois anos em Oxford, na Inglaterra (1694-95), onde adquiriu uma reputação de grande aprendizado e “pouca religião”. A bolsa de estudos de Leiden havia sido fornecida por ricos dissidentes ingleses, que esperavam que Toland se tornasse um ministro para os dissidentes. No primeiro livro de Toland, Christianity not Mysterious (1696), iniciado em Oxford, ele argumentou que a revelação divina da Bíblia não contém mistérios verdadeiros; em vez disso, todos os dogmas da fé podem ser compreendidos e demonstrados pela razão devidamente treinada a partir de princípios naturais. Seu argumento imediatamente atraiu várias refutações, e ele foi processado por um grande júri em Londres. Como ele era um súdito do Reino da Irlanda, membros do Parlamento da Irlanda propuseram que ele fosse queimado na fogueira e, em sua ausência — interrompendo uma visita em 1697, ele fugiu do país - 16 três cópias do livro foram queimadas pelo carrasco público em Dublin, pois o conteúdo era contrário às doutrinas centrais da Igreja da Irlanda. Toland comparou amargamente os legisladores protestantes aos “inquisidores papistas que realizaram aquela execução no livro, quando não conseguiram apreender o autor, a quem haviam destinado às chamas”.
Após sua saída de
Oxford, Toland residiu em Londres durante a maior parte do resto de sua vida,
mas também foi um visitante um tanto frequente do continente europeu,
particularmente da Alemanha e da Holanda. Ele viveu no continente de 1707 a
1710. Toland morreu em Putney em 10 de março de 1722. Putney é um distrito no Borough
de Wandsworth, na Região de Londres, na Inglaterra. Fica a 8,2 km de Charing
Cross, na margem Sul do rio Tâmisa, oposto à Fulham. A Encyclopædia
Britannica Décima Primeira Edição (1911) diz sobre ele que em sua morte em
Londres aos 51 anos “ele morreu... como tinha vivido, em grande pobreza, no
meio de seus livros, com sua caneta na mão”. Pouco antes de morrer, ele compôs
seu próprio epitáfio, parte do qual diz: “Ele era um defensor da liberdade, um
amante de todos os tipos de aprendizado (...) mas nenhum seguidor ou dependente
do homem. Nem as carrancas ou a fortuna poderiam dobrá-lo a declinar dos
caminhos que havia escolhido”. Embora ele próprio tenha escrito biografias em
sua carreira, conclui, reveladoramente: “Se você quiser saber mais sobre ele,
pesquise seus escritos”. Pouco depois de sua morte, uma longa biografia de
Toland foi escrita por Pierre des Maizeaux.
Ele lembrou em 1691 que
em seus primeiros anos escritor ele havia sido “o maior fracasso que um homem
pode ser”. Disciplinado, ele afirmou ter escrito seis romances completos, 26
peças e cem contos antes de completar sua primeira venda, um conto pelo qual a American
Magazine pagou US $ 165 em 1954. Em 1792-3, exércitos tomaram o sul da
Renânia e estabeleceram uma república jacobina no eleitorado religioso de
Mainz, conjunto ao de Trier; em 1794, tomaram toda a margem esquerda do Reno e
ali permaneceram até a queda de Napoleão em 1815. A Renânia tornara-se parte da
República francesa, e subsequentemente do 1º Império. A doutrina dos direitos
universais tinha, portanto, que ser posta em prática ali. A situação da
população judaica de 22 mil judeus na majoritariamente católica Renânia variava
significativamente de um território para outro. Mudanças sociais e políticas
muito mais dramáticas ocorreram na vida cotidianamente dos judeus da Renânia
sob o domínio imperialista de Napoleão. Na década de 1790, os jacobinos tinham
adotado, de modo geral, uma atitude exploradora para com a população local.
Tinham fechado as quatro universidades da Renânia – Bonn, Colônia, Trier e
Mainz – e rebocado tesouros artísticos para Paris.
Napoleão,
diferentemente, estava decidido a cortejar a colaboração das elites sociais.
Aboliu o calendário revolucionário e apoiou costumes e feriados consensuais
incluindo o Dia de São Napoleão, que passa a ocorrer em 2 de dezembro de 1804.
De pouca paciência com as humanidades e os cursos tradicionais das
universidades, era entusiasmado defensor das disciplinas de formação
profissional. Fora as ciências aplicadas, ele se interessava
particularmente em promover a jurisprudência como meio de apoiar seu
recém-construído e definitivo código legal, o Código Napoleônico. Em 1801,
basicamente para pacificar a área francesa ocidental da Vendeia, o coração da
resistência monárquica e eclesiástica à república secular, Napoleão fez também
uma concordata com o papa. Tendo removido as objeções católicas ao governo, ele
tomou medidas subsequentes destinadas a estender uniformidade administrativa e
outras confissões, principalmente a questão relativa aos protestantes e judeus.
Sua justificativa era que “o povo precisa ter uma religião”, e “essa religião
deve estar sob controle do governo”. “Minha política”, declarou ele, “é
governar os homens como a maioria deseja ser governada. É dessa maneira,
acredito, que se reconhece a soberania do povo. Se governasse um pouco de
judeus, eu reconstruiria o Templo de Salomão”.
Napoleão foi um
estadista e líder militar francês que ganhou destaque durante a Revolução
Francesa e liderou várias campanhas militares de sucesso durante as Guerras
Revolucionárias Francesas. Foi imperador Napoleão I de 1804 a 1814 e
brevemente em 1815 durante os Cem Dias. Politicamente dominou os assuntos
europeus e globais por mais de uma década, enquanto liderava a França contra
uma série de coalizões nas guerras napoleônicas. Ele é considerado um dos
maiores comandantes da história e suas guerras e campanhas são estudadas em
escolas militares em quase todo o mundo. O legado político e cultural de
Napoleão perdurou como líder entre os mais célebres e controversos da história
da humanidade. Nasceu na Córsega de uma família italiana relativamente modesta,
da nobreza menor. Estava servindo como oficial de artilharia no exército
francês quando a Revolução Francesa eclodiu em 1789. Ele rapidamente subiu nas
fileiras dos militares, aproveitando as novas oportunidades revolucionárias
tornando-se general aos 24 anos. O Diretório Francês acabou por lhe dar o
comando do Exército da Itália depois que ele suprimiu a Revolta dos 13
Vendémiaire, uma batalha travada entre forças republicanas francesas e
manifestantes pró-monarquia nas ruas de Paris.
A insurreição acabou
sendo esmagada e levou a fama de um dos generais comandantes, Napoleão
Bonaparte, do exército da república. Aos 26 anos, ele iniciou sua primeira
campanha militar contra os austríacos e os monarcas italianos alinhados com os
Habsburgos, sendo que venceu todas as batalhas e conquistou a Península
Italiana em um ano, enquanto estabelecia “repúblicas irmãs” com apoio local e
se tornando, por assim dizer, herói de guerra na França. Em 1798, ele liderou
uma expedição militar ao Egito que serviu de trampolim para o poder político.
Ele orquestrou um golpe em novembro de 1799 e se tornou o primeiro cônsul da
República. Na primeira década do século XIX, o império francês sob comando de
Napoleão se envolveu em uma série de conflitos bélicos com todas as grandes
potências europeias, fabulando as Guerras Napoleônicas. Após uma sequência de
vitórias, a França garantiu uma posição dominante na Europa continental, e
Napoleão manteve a esfera de influência da França, através da formação de
amplas alianças e a nomeação de amigos e familiares para governar os outros
países europeus como dependentes da França. A Campanha da Rússia em 1812 marcou
uma virada na sorte de Napoleão. Seu Grande Armée foi seriamente danificado na
campanha e nunca se recuperou totalmente. Em 1813, a Sexta Coligação derrotou suas
forças em Leipzig. Tem origem num antigo povoado eslavo de nome Lipsk. Foi
fundada no século XII e rapidamente se desenvolveu, tornando-se um importante
centro de comércio, dada a sua localização na intersecção de rotas comerciais
importantes.
No ano seguinte, a
coligação invadiu a França, forçou Napoleão a abdicar e o exilou na ilha de
Elba, na Toscana, Itália, que dista 20 km da costa da península itálica.
Napoleão escapou de Elba em fevereiro de 1815 e politicamente assumiu o
controle da França mais uma vez. Os Aliados responderam formando uma Sétima
Coalizão que o derrotou na Batalha de Waterloo, em junho. Batalha de Waterloo
foi um confronto militar ocorrido a 18 de junho de 1815 perto de Waterloo, na
atual Bélgica, então parte integrante do Reino Unido dos Países Baixos. Um
exército do Primeiro Império Francês, sob o comando do Imperador Napoleão com
72 000 homens, foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam
uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana
comandada por Gebhard Leberecht von Blücher com 118 000 homens. Este confronto
marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão; a sua
derrota terminou seu governo como Imperador. Os britânicos o exilaram para a
remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde Napoleão morreu seis anos
depois, aos 51 anos. Napoleão tinha uma antipatia instintivamente dos
judeus, em parte pela sua criação católica, em parte pela leitura de Voltaire.
– “Os judeus são um povo vil”, “covarde, porém cruel”, escreveu em suas Memórias
de Santa Helena.
Mas ao mesmo tempo
também estava decidido a aliviar a tensão endêmica sobre as novas províncias
orientais do Império, em particular acelerando o processo de “regeneração” dos
judeus. Apesar da sua antipatia, segundo Jones (2017), ele muito fez para regularizar
a situação de cidadãos judeus e ampliar suas oportunidades profissionais. Em 9
de fevereiro de 1807, junto com o apoio de outros 71 rabinos e destacados
judeus laicos, Samuel Marx, o rabino de Trier, irmão de Heinrich e tio de Karl
Marx, foi convocado por Napoleão para “O Grande Sinédrio” em Paris. Uma reunião
anterior de notáveis judeus tinha ouvido uma série de perguntas hostis
destinadas a acelerar a sua assimilação, ressaltando as áreas nas quais a lei
judaica era tida como incompatível com as leis da nação. Foram interrogados
sobre sua atitude para com as ideias em torno do patriotismo, o casamento
misto, a autoridade estatal e a prática da usura. Como resultado do Sinédrio,
dois decretos reorganizaram a fé judaica em conformidade com políticas aprovadas
pelo Estado. Os membros do rabinato tornaram-se servidores públicos de caráter
similar comparado aos pastores protestantes e aos padres católicos, e a
administração do credo judaico foi confiada a um Consistório Geral, semelhante
ao que governa as comunidades protestantes. Mais inflamatório era
potencialmente o terceiro decreto, reconhecido como Décret Infâme. Essa
medida de corte ideológico dava continuidade à prática da tributação
discriminatória, mas per se destinada a erradicar obstáculos à “regeneração”
judaica, em especial a prática da usura.
O recente Consistório
gostava de agir decididamente contra a usura. Um documento de 1810 declara que
Samuel não tinha “perdido nenhuma oportunidade de alertar contra o espírito do
fanatismo, tão contrário aos princípios da religião”; e declarava, ainda, que o
Consistório denunciaria imediatamente às autoridades qualquer “israelita” que,
em consequência da usura, fosse considerado “culpado de fraudar um não
israelita. Deve ter sido também mais ou menos na mesma data que o pai de Marx
começou sua carreira de advogado. Pelas novas exigências da administração
civil, Heinrich – originalmente Herschel – passou a se chamar Henri. Ele foi
registado ente os matriculados no curso de licenciatura em direito em Koblenz,
com duração de três anos, e em 1814 – os anos de seu casamento – assinou, como
testemunha do nascimento da sobrinha, “H. Marx, avoué”. Mas o tempo
estava acabando para Napoleão e seu novo império. Na desastrosa campanha russa
de 1812, Napoleão perdeu 570 mil soldados. O exército russo continuou sua
marcha para Oeste, fortalecido pela deserção do contingente prussiano do Grande
Exército. Os austríacos reincorporaram-se à coalizão aliada, e em outubro de
1813, na Batalha de Leipzig, o exército de Napoleão, com seus 200 mil
soldados, foi derrotado pela coalização de 265 mil austríacos, prussianos,
russo e suecos. O que restava do exército de Napoleão entrou em Mainz em
novembro, mais de 18 mil foram vitimados pelo tifo. Em janeiro de 1814 a margem
esquerda do Reno estava nas mãos dos aliados. A fortuna da Renânia era
uma questão entre as forças aliadas vitoriosas.
Bibliografia Geral consultada.
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