domingo, 11 de janeiro de 2026

Hachiko, Para Sempre – Raça de Cães Akita & Patrimônio Nacional.

                   Se os nomes são desconhecidos, o conhecimento das coisas também desaparece”. Carl Linnaeus                         

Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes ao longo de sua vida que existem nada menos que nove binômios (ou bi-nomos, em dois nomes) e outros tantos sinônimos. Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. Assim, o avô de Linnaeus, de acordo com a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu próprio filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund, fundada em 1666 e está classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade já tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), um topônimo formado por linn (uma variante agora obsoleta de lind, “tília” em sueco) e gård (“fazenda”). Vários membros da família já o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”. 

Em seguida, em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. No mundo francófono, assim como na Suécia, ele é hoje comumente reconhecido simplesmente como “Linnaeus”. Em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” é usada. Ele é o único botânico cujo nome é abreviado para uma única letra. Ele não deve ser confundido com seu filho Carl von Linné, o Jovem, que se distingue do pai por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde praticamene é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. 

Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente usado na nomemclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”). Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras do século XVIII,  e ainda hoje em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes.                                        


O cão (Canis lupus familiaris), no Brasil também chamado de “cachorro”, é um mamífero carnívoro da família dos canídeos, subespécie do lobo, e talvez o mais antigo animal domesticado pelo ser humano. Teorias postulam que surgiu do lobo cinzento no continente asiático há mais de cem mil anos. Historicamente através da domesticação, o ser humano realizou uma “seleção artificial dos cães por suas aptidões, características físicas ou tipos de comportamento”. O resultado foi uma grande diversidade de raças caninas, as quais variam em pelagem e tamanho dentro de suas próprias raças, atualmente classificadas em diferentes grupos ou categorias. As designações vira-lata (no Brasil) ou rafeiro (em Portugal) são dadas “aos cães sem raça definida ou mestiços descendentes”. Com expectativa de vida que varia entre dez e vinte anos, o cão é um animal social que, na maioria das vezes, aceita o seu dono provavelmente como o “chefe da matilha” e possui várias características que o tornam de grande utilidade para o homem. Possui excelente olfato e audição, é bom caçador e corredor vigoroso, relativamente dócil e leal, inteligente e com boa capacidade de aprendizagem. Deste modo, o cão pode ser adestrado para executar um grande número de tarefas úteis, como um cão de caça, de guarda ou pastor de rebanhos, por exemplo. Assim como o ser humano, também é vítima de doenças como o resfriado, a depressão e o mal de Alzheimer, bem como das características do envelhecimento, como problemas de visão e audição, artrite e mudanças de humor.

O cão foi descrito por Carl Linnaeus (1707-1778) em 1758 como Canis familiaris,  e considerado como uma espécie distinta do lobo, descrito também por Lineu no mesmo ano como Canis lupus. Outros nomes foram descritos por Lineu, Johann Friedrich Gmelin (1748-1804) e Charles Hamilton Smith (1776-1859) para a mesma espécie, sendo considerados sinônimos. A ancestralidade canina vem sendo discutida e estudada desde há muitos séculos. Teorias antigas sugerem uma origem proveniente do chacal-dourado ou então uma origem híbrida entre várias espécies. Um levantamento das sequências da região de controle do DNA mitocondrial em 140 cães e 162 lobos demonstrou que o lobo é o único ancestral dos cães. Esta conclusão foi confirmada em outro estudo envolvendo 654 cães e 38 lobos da Eurásia. Enquanto há uma aceitação do lobo como único progenitor do cão, a questão taxonômica envolvendo o reconhecimento de uma ou duas espécies distintas ainda não está resolvida. Baseado na consistência genética, Wayne considerou que o cão, apesar da diversidade em tamanho e proporção, “nada mais é do que um lobo”. Em contraste, análises estatísticas de crânios têm repetidamente demonstrado uma separação totalmente entre lobo e cão. O conceito ecológico de espécie proposto por Van Valen (1935-2010) foi aplicado por pesquisadores para demonstrar características adaptativas específicas nos cães por viverem em um nicho antropogênico.

Esta hipótese suporta o reconhecimento do Canis familiaris como uma espécie distinta do Canis lupus, apesar de uma idade de separação não superior a 12 000 a 15 000 anos atrás. Apesar de certos pesquisadores continuarem a reconhecer duas espécies distintas, existe uma tendência recente em seguir a classificação proposta por Wallace Christopher Wozencraft (1954-2007) que inclui o C. familiaris como uma subespécie de C. lupus. Pela lei da prioridade estipulada pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome C. familiaris, descrito na página 38, tem prioridade sobre C. lupus, descrito na página 39 do Systema Naturae por Linnaeus. Por questões de usabilidade e estabilidade, foi requisitado à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) a conservação de dezessete nomes específicos baseados em espécies selvagens, entre eles o Canis lupus. É uma organização dedicada a “alcançar estabilidade e sentido na nomenclatura científica dos animais”. Fundado em 1895, atualmente compreende 24 comissários de 18 países. O ICZN é regido pela “Constituição do ICZN”, que geralmente é publicada junto com o “Código do ICZN”. Os membros são eleitos pela Seção de Nomenclatura Zoológica, estabelecida pela União Internacional de Ciências Biológicas (IUBS). O mandato regular de um membro da Comissão é de 6 anos. Os membros podem ser reeleitos até um total de três mandatos completos de seis anos consecutivos.

Após 18 anos contínuos de serviço eleito, um intervalo de pelo menos 3 anos é prescrito antes que o membro possa se candidatar novamente. Desde 2014, o trabalho da Comissão é apoiado por uma pequena secretaria sediada na Universidade Nacional de Singapura, em Singapura. Anteriormente, o secretariado era sediado em Londres e financiado pelo International Trust for Zoological Nomenclature. A Comissão auxilia a comunidade zoológica “através da geração e divulgação de informações sobre a utilização correta dos nomes científicos dos animais”. O ICZN publica o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, geralmente referido como “o Código” ou “Código ICZN”, uma convenção amplamente aceita que contém as regras para a nomenclatura científica formal de todos os organismos que são tratados como animais. As novas edições do Código são elaboradas pelo Comitê Editorial indicado pela Comissão. A 4ª edição do Código (1999) foi editada por sete pessoas. A Comissão também fornece decisões sobre problemas individuais trazidos à sua atenção, uma vez que a arbitragem pode ser necessária em casos contenciosos, onde a estrita aderência ao Código interferiria na estabilidade de uso. Essas decisões são publicadas extraordinariamente no Boletim de Nomenclatura Zoológica. A partir de 2017, o Boletim tornou-se um jornal apenas online e se juntou à BioOne, que hospeda do volume 65 em diante do Boletim (2008). Akita inu é uma raça de cães de grande porte do tipo Spitz originária das regiões montanhosas do Norte do Japão. Existem duas variedades distintas de Akita: um tipo japonês, comumente chamado Akita inu (“inu” significa cão em japonês) ou Akita japonês, e um tipo americano, reconhecido como Akita americano.    

O Akita tem uma pelagem dupla curta semelhante à de muitas outras raças de Spitz do Norte, como o Husky Siberiano, mas cães de pelagem longa também podem ser encontrados em muitas ninhadas devido a um gene recessivo. A raça Akita é famosa pela história de Hachikō, e é amplamente conhecida por sua lealdade. A raça de cães Akita originou-se nas terras nevadas e rurais de Akita e Odate, regiões montanhosas do Japão. Eles foram treinados para caçar animais como javalis e pequenos ursos. Durante o Período Edo, a raça era muito utilizada em combates e brigas, especialmente populares na região de Odate, uma cidade japonesa localizada na província de Akita, na região de Tohoku. Entre os anos 1500 e 1800, o Akita serviu como companheiro para samurais. Os ancestrais do Akita inu são da raça Matagi, “cães de caça” e de tamanho médio originários do Norte do Japão. Usados inicialmente como “cães de briga”, os Akita eram chamados de Odate. Levados à Tosa, tornaram-se lutadores ainda mais famosos, sendo então levados à província de Akita, que deu origem a seu nome. A partir de 1868, para atender à crescente demanda por cães de combate, os Akitas originais foram cruzados com raças maiores. No início do século XX, a raça Akita estava em declínio, como resultado dos cruzamentos com raças maiores, como ocorre com o Pastor-alemão, o Mastim Inglês e Tosa (raça).

Como resultado, muitos espécimes começaram a perder suas características de Spitz e adquiriram orelhas caídas, caudas retas, cores não japonesas, como máscaras pretas e qualquer outra cor que não seja vermelha, branca ou tigrada e pele solta. A raça japonesa nativa Matagi foi usada junto com a raça Hokkaido inu para se misturar novamente com o Akita inu para recuperar o fenótipo de Spitz e restaurar a raça Akita. Os Akita japoneses modernos têm relativamente poucos genes de cães ocidentais e são Spitz em fenótipo após a reconstrução da raça, no entanto, o Akita americano descende amplamente do Akita misto antes da restauração da raça e, portanto, não são considerados verdadeiros Akita pelo padrão japonês. Os Akitas foram utilizados durante a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) para rastrear prisioneiros de guerra e marinheiros perdidos. Durante a 2ª guerra mundial (1939-1945) os Akitas foram também cruzados com o cão Pastor-alemão em uma tentativa de salvá-los da ordem do governo em tempo de guerra para que todos os cães não militares sejam abatidos. Alguns foram usados como batedores e guardas durante a guerra. Em 1908, em vista dos efeitos sociais adversos, a proibição das brigas de cães foi finalmente emitida na prefeitura de Akita. Com a popularidade das lutas de cães em declínio, a mestiçagem com cães pesados europeus foi esquecida, o que ajudou a manter a pureza da raça nos anos seguintes. A história de Hachikō, o mais venerado Akita de todos os tempos, ajudou a popularizar a raça internacionalmente. Hachikō nasceu em 1923 e pertenceu ao professor Hidesaburō Ueno. O professor Ueno viveu próximo à estação de trem de Shibuya em um subúrbio da cidade e ia ao trabalho todos os dias de trem. Hachikō acompanhava seu mestre até a estação diariamente.           

Em 25 de maio de 1925, quando o cão tinha 18 meses, ele esperou a chegada de seu mestre no trem das quatro horas, mas o professor Ueno sofreu uma hemorragia cerebral fatal no trabalho. Hachikō continuou esperando o retorno de seu mestre. Ele viajou para a estação todos os dias pelos próximos nove anos. Ele permitiu que os parentes do professor cuidassem dele, mas nunca desistiu da vigília na estação por seu mestre. Sua vigília se tornou mundialmente reconhecida quando, em 1934, pouco antes de sua morte, uma estátua de bronze foi erguida na estação de trem de Shibuya em sua homenagem. Esta estátua foi derretida para munições durante a guerra, mas uma nova foi encomendada após a guerra. Anualmente, desde 1936, no dia 8 de abril, Hachikō é homenageado com uma cerimônia solene de lembrança na estação ferroviária de Shibuya, em Tóquio. O cão Odate passou a ser chamado de “cão Akita” a partir de 1931. No mesmo ano, o Akita foi oficialmente declarado como um Monumento Natural do Japão. Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tóquio. Sua pele foi empalhada para conservar-lhe as formas e submetido às substâncias que o isentam de decomposição. O resultado deste maravilhoso processo está agora em exibição no Museu Nacional da Ciência do Japão em Ueno.

Alguns autores dizem que Hachiko, está no Museu de Artes de Tóquio. Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas. E, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko. Em 1948, formou-se a “The Society For Recreating The Hachiko Statue” entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko. Tekeshi Ando, o filho de Teru Andō (1892–1945) foi contratado para esculpir uma nova estátua.   Mas a réplica foi reintegrada no mesmo lugar da estátua original, em uma cerimônia realizada no dia 15 de agosto. A estação de Odate, em 1964, recebeu a estátua de um grupo de Akitas. Anos mais tarde, em 1988, também uma réplica da estátua de Hachiko foi colocada próxima a estação. A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas. No início do século para estimular lealdade ao governo, e atualmente, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos, essa história era ensinada. Na atualidade, viajantes que passam pela estação de Shibuya podem comprar presentes e recordações do seu cão favorito na Loja localizada no Memorial de Hachiko chamada “Shibuya No Shippo” ou “Tail of Shibuya”. Um mosaico colorido de Akitas cobre a parede perto da estação. Todos os anos, no dia 8 de março, ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio. São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko. Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa.                 

O objeto também é considerado um amuleto de boa sorte. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando pronta recuperação. Por causa desse zelo, o Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação. Então, se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda. Em 1934, o primeiro padrão japonês de raça para o Akita inu foi listado, após a declaração da raça como um monumento natural do Japão. Em 1967, comemorando o 50º aniversário da fundação da Akita Dog Preservation Society, o Akita Dog Museum foi construído para abrigar informações, documentos e fotos. Há uma tradição no Japão, que quando uma criança nasce, recebe uma estátua de um Akita. Esta estátua simboliza saúde, felicidade e vida longa. A 2ª guerra mundial levou o Akita à beira da extinção. No início da guerra, os cães tinham falta de comida nutritiva. Então muitos foram mortos para serem comidos pela população faminta e suas peles foram usadas como roupas. Finalmente, o governo ordenou que todos os cães restantes fossem mortos à vista para evitar a propagação de doenças. A única maneira de os proprietários preocupados poderem salvar seus amados Akitas era libertá-los em áreas montanhosas remotas, onde eles criavam seus cães ancestrais, os Matagi, ou os escondiam das autoridades por meio do cruzamento com pastores alemães. Morie Sawataishi e seus esforços para criar o Akita são os principais motivos pelos quais essa raça existe hoje. Após a guerra, o Akita inu foi levado para o exterior devido às forças de ocupação que chegaram ao Japão e às trocas humanas com países estrangeiros. Os cães Akita nessa época eram cruzados com a raça Pastor-alemão, e esse tipo de cão Akita foi levado para os Estados Unidos, se tornando o “Akita americano”. A famosa autora e ativista política Helen Keller (1880-1968) é creditada por levar o primeiro Akita para os Estados Unidos em 1937, inspirada pelo lendário Hachikō. Keller achou os cães “gentis, amigáveis e confiáveis”.

No Japão, durante os anos de ocupação após a guerra, a raça começou a prosperar novamente através dos esforços de Sawataishi e outros. Pela primeira vez, os Akitas foram criados para uma aparência padronizada. Os criadores de Akita no Japão começaram a reunir e exibir os Akitas restantes e a produzir ninhadas para restaurar a raça a números sustentáveis e acentuar as características originais da raça. Como uma raça Spitz, a aparência do Akita inu reflete adaptações para o frio essenciais à sua função original. Cão de grande porte e bem proporcionado, com uma estrutura óssea robusta. A testa é larga, com um nítido sulco frontal e sem rugas. Os olhos são relativamente pequenos, de formato quase triangulares devido à elevação do canto externo do olho e de cor marrom escuro. As orelhas são relativamente pequenas, grossas e triangulares, ligeiramente arredondadas nas extremidades, inseridas moderadamente separadas, eretas e inclinadas para frente. A cauda é vigorosamente enrolada sobre o dorso; com a extremidade quase alcançando os jarretes quando abaixada (esticada). O Akita tem pelos espessos e de duas camadas: uma camada externa dura e reta, e uma camada interna densa e macia. A cernelha e a garupa são revestidos com um pelo ligeiramente mais comprido e o pelo da cauda é mais longo que o do resto do corpo. O pelo pode se apresentar nas seguintes cores: vermelho-fulvo, sésamo (pelos vermelho-fulvo com as pontas pretas), tigrado e branco. Todas as cores, exceto a branca, devem apresentar o “urajiro”, isto é, uma pelagem esbranquiçada nas laterais do focinho, nas bochechas, na face ventral da mandíbula, pescoço, peito, tronco e a cauda e na face interna dos membros.         

Existem dois tipos de pelagem no Akita: o comprimento padrão e o comprido. Essa característica deriva de um gene autossômico recessivo que se acredita provir de cruzamentos antigos com o agora extinto cão karafuto-ken. O pelo longo é considerado uma falha desqualificante segundo o padrão oficial da raça. As semelhanças entre as duas raças estão nas origens e no temperamento. A origem das duas raças obviamente são as mesmas já que por anos seguidos foram considerados a mesma raça, ou seja, você poderia cruzar cães Akita inu com cães Akita americano. Há uma pequena diferença de tamanho entre o Akita japonês e o Akita americano. O Akita japonês tem um tamanho que varia de 59 a 64 cm, enquanto o Akita americano pode atingir uma altura entre 61 e 71 cm. O Akita inu apresenta pelagem apenas nas seguintes cores: vermelho-fulvo, sésamo, tigrado e branco; o Akita Americano apresenta pelos em diversas cores e combinações. Outra diferença notável é a aparência da cabeça - um Akita americano tem uma cabeça de urso, mas um Akita japonês tem uma cabeça de raposa. Embora ambos tenham orelhas triangulares, as orelhas da Akita japonesa são menores e ficam um pouco mais à frente, mas as orelhas da Akita americana ficam mais eretas, maiores e de inserção mais semelhante ao dos Pastores alemães.  O Akita inu não é tão musculoso quanto o Akita americano; geralmente têm uma aparência mais magra e uma cauda enrolada que se curva nas costas. Os olhos do Akita americano são pequenos e profundos, os olhos de um Akita inu são amendoados, semelhantes aos de um husky siberiano, de porte médio com marcha elegante e ágil. Hiperativo, tradicionalmente era usado como cão de trenó. É um cão que pode ser independente, mas não gosta de ficar sozinho. O Akita americano parece mais musculoso e tem uma pele mais frouxa do que o Akita japonês. Ambas as variedades têm um casaco duplo e perdem pelo sazonalmente.

Hachiko - Amigo para Sempre! também chamado de Hachiko: A Dog`s Story, tem como representação social um filme britânico-norte-americano de 2009, do gênero drama social, dirigido por Lasse Hallström, com roteiro de Stephen P. Lindsey baseado na história verídica do cão japonês chamado Hachikō. Ajudou a popularizar a história do famoso cão no ocidente.  Lars Sven Hallström nascido em Estocolmo, 2 de junho de 1946 é um cineasta e produtor de televisão sueco. É filho do escritor Karin Lyberg (1907-2000) e tem dois filhos, Johan (1976) do seu primeiro casamento com Malou Hallström, e Tora (1995) com a sua esposa atual Lena Olin. Hallström aprendeu a filmar fazendo vídeos musicais, em particular os feitos para o grupo ABBA, que foi uma banda pioneira no campo dos videoclipes. Todos os clipes do ABBA foram dirigidos por Hallström, exceto Chiquitita, feito pela BBC, assim como Under Attack e The Day Before You Came, dirigidos por Kjell Sundvall e Kjell-Åke Andersson. Após o seu sucesso internacional em 1985, com Mitt liv som hund, Lasse Hallström foi trabalhar nos EUA, com mais um sucesso em 1999, com The Cider House Rules

Em 2000, realizou o filme: Chocolat. Em 2009 Hachiko: A Dog`s Story (Hachiko: Amigo para Sempre), um remake de um filme japonês, cujo original era considerado obrigatório em todas as escolas, pois passava um exemplo notável de lealdade e afetividade entre um ser humano e um cachorro. É estrelado por Richard Gere, Joan Allen, Sarah Roemer, Jason Alexander e Erick Avari. O filme segue a história de um professor universitário que adota um cão da raça Akita, perdido em uma estação de trem que ele o batiza com o nome de Hachi, que o acompanha até a estação de trem diariamente quando ele sai para trabalhar e vai “buscá-lo” na hora do retorno; um dia, durante a aula, o professor morre, mas Hachi não desiste de esperá-lo em frente à estação, anos a fio, na esperança de rever seu dono. Trata-se de uma adaptação do filme japonês Hachikō Monogatari (1987), que por sua vez narra a história real do cachorro Hachikō que viveu no Japão entre os anos de 1923 a 1935, e que “esperou fielmente por seu dono na Estação de Shibuya, em Tóquio, até a sua morte”. Estreou no Festival Internacional de Cinema de Seattle em 13 de junho de 2009 e comercialmente nos cinemas no Japão em 8 de agosto de 2009. O filme foi lançado nos cinemas do Reino Unido em 12 de março de 2010, estreando em mais de sessenta países no mundo entre 2009 e 2010. O longa-metragem não chegou a ser lançado imediatamente nos cinemas dos Estados Unidos em 9 de março de 2010. No Brasil, em 29 de setembro de 2009, no Festival do Rio de Janeiro, sendo posteriormente lançado nos cinemas em 25 de dezembro daquele ano pela Imagem Filmes. No final de setembro de 2010, o retorno de bilheteria mundial bruta do filme havia totalizado mais de US$ 45 milhões.         

          Em Shibuya há mais de 30 ruínas pré-históricas descobertas. Naquela época a região era um platô que dava para o mar. No Período Jomon, as pessoas viviam próximo a uma colina. Shibuya foi o local de um castelo no qual a família Shibuya residiu do século XI até o Período Edo. Seguindo a abertura da Linha Yamanote em 1885, Shibuya começou a emergir como um terminal ferroviário para o sudoeste de Tóquio e se tornou um dos principais centros comerciais e de entretenimento. A vila de Shibuya foi incorporada em 1889 pela fusão das vilas de Kami-Shibuya, Naka-Shibuya e Shimo-Shibuya dentro do Condado de Minami-Toshima (Condado Toyotama a partir de 1896). A vila cobria o território da atual Estação de Shibuya bem como as das áreas de Hiroo, Daikanyama, Aoyama e Ebisu. Shibuya se tornou uma cidade em 1909. A cidade de Shibuya se fundiu com as cidades vizinhas de Sendagaya (com as modernas áreas de Sendagaya, Harajuku e Jingumae) e Yoyohata (as modernas áreas de Yoyogi e Hatagaya) para formar a região de Shibuya na antiga Cidade de Tóquio em 1932. A Cidade de Tóquio se tornou a Metrópole de Tóquio em 1943, e a região foi estabelecida em 15 de março de 1947. A Linha Tokyu Toyoko abriu em 1932, fazendo Shibuya um terminal chave entre Tóquio e Yokohama, e foi juntada com a precursora da Linha Keio Inokashira em 1933 e com a precursora da Linha Ginza do Metrô de Tóquio em 1938.

Shibuya é famosa por seu cruzamento. Ele está localizado na frente da saída Hachikō da Estação de Shibuya e para veículos em todas as direções para permitir que os pedestres inundem toda a interseção. A estátua de Hachikō, entre o cruzamento e a estação, é um ponto comum de encontro e quase sempre está cheia. Há três grandes telões montados nos prédios próximos do cruzamento, bem como muitos sinais publicitários. Seu tráfego pesado e a quantidade de anúncios fazem o cruzamento ser comparado a Times Square, em Nova York. É a denominação da área formada na confluência e cruzamento de duas grandes avenidas da cidade de Nova Iorque, Estados Unidos; podendo ser definida como uma grande praça ou largo, composta por vários cruzamentos e esquinas. A área está localizada na junção da Broadway com a Sétima Avenida, entre a 42nd Street e a 47th Street, na região central de Manhattan. É uma área comercial, onde todos os prédios são obrigados a instalar letreiros luminosos para propósitos de publicidade. Cabe ressaltar que a Times Square não se trata de uma rua ou avenida, uma vez que não existe nenhuma via trafegável registrada e denominada como tal no Guia Oficial de Ruas e Endereços da Cidade de Nova Iorque; tampouco pode ser tratada como uma simples esquina, já que a área mapeada pela prefeitura da cidade incluía oficialmente 12 cruzamentos de vias públicas, tendo sido mais recentemente modificada para atender o grande fluxo de turistas e transeuntes e áreas exclusivas para pedestres. Não por acaso, o famoso cruzamento de Shibuya aparece em extraordinários filmes e programas de televisão que se passam em Tóquio, como por exemplo: Encontros e Desencontros (2003), Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006), e Resident Evil: Recomeço e Retribuição (2010), bem como em transmissões de notícias nacionais e internacionais.                   

No lado Sudoeste da Estação de Shibuya há outro ponto de encontro popular com uma estátua chamada Moyai. A estátua lembra uma estátua Moai, e foi dada a Shibuya pelo povo da Ilha Nii-jima em 1980. É uma ilha vulcânica Japonesa administrada pelo Governo Metropolitano de Tóquio. Ela pertence ao Arquipélago de Izu, e está localizada a cerca de 163 km ao Sul de Tóquio e a 36 km ao Sul de Shimoda, em Shizuoka. A Vila de Nii-jima faz parte da Subprefeitura de Ōshima da Metrópole de Tóquio junto com a ilha vizinha Shikine-jima, e a menor e inabitada Jinai-tō. Nii-jima também está dentro da área do Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu.  Nii-jima permaneceu inabitada desde tempos pré-históricos, e arqueólogos encontraram numerosos vestígios do Período Jōmon, incluindo utensílios de pedra e cerâmica. Durante o Período Edo, Nii-jima, e também Hachijō-jima, era usada como local de exílio para monges e acadêmicos que discordavam do governo. A prática foi descontinuada após a Restauração Meiji. Nii-jima é incomum entre as Ilhas Izu por conta de sua forma alongada. Medindo aproximadamente 11 km de comprimento por 2.5 km de largura, e área total de 23.87 km². A ilha é feita de oito domos de lava riolita em duas grupos no extremo norte e extremo sul da ilha, separados por um baixo e plano istmo. O complexo Mukai-yama na parte Sul da ilha e o domo de lava Achiyama no extremo Norte foram formados durante a única erupção histórica de Nii-jima, no século IX. E também possui a Miyatsuka-yama, o ponto mais alto da ilha, com 432 metros. Shikine-jima e Jinnai-to são partes do mesmo complexo, e formam ilhas separadas ao Sudoeste e Oeste de Nii-jima. A lava riolita resultou nas famosas falésias e praias de areia branca. Nii-jima é propensa a sequências de terremotos.

Uma das mais conhecidas histórias envolvendo Shibuya é a história de Hachikō, um cão que esperou por seu mestre na Estação de Shibuya todos os dias entre 1923 e 1935 e acabou se tornando uma celebridade nacional por sua lealdade. Uma estátua de Hachiko foi construída nas adjacências da estação, e a área ao redor da estátua é o ponto de encontro mais popular da região. A história do filme é narrada por Ronnie, que é neto de um homem chamado Parker Wilson, que era um professor universitário. Quando Ronnie tem que fazer uma apresentação na escola sobre um herói pessoal, ele escolhe contar a história do cachorro do seu avô chamado Hachi. Apesar de seus colegas de classe rirem, Ronnie descreve como seu avô encontrou um cachorrinho perdido que havia sido enviado para os Estados Unidos do Japão, mas foi acidentalmente deixado na estação de trem da pequena cidade natal de Parker. Na história social, o professor acaba levando o filhote para casa, planejando procurar o dono do cãozinho enquanto cuida dele por uns dias. No entanto, como o dono do cachorro não é encontrado, Parker e o filhote começam a formar uma ligação próxima. Embora a esposa de Parker, Cate, se oponha à ideia do professor de adotar o cãozinho, ela “cede depois de perceber o vínculo entre seu marido e o animal”, agora batizado de Hachi. Nos anos seguintes Parker e Hachi ficam ainda mais próximos.

Parker tenta treinar Hachi, que é de uma raça japonesa chamada Akita, mas o cachorro se recusa a fazer coisas normais como buscar uma bolinha. Certa manhã, Parker sai para o trabalho e Hachi o segue até a estação de trem; o animal se recusa a voltar pra casa, fazendo com que o professor desista de embarcar no trem e o leve de volta. No dia seguinte, Hachi segue novamente Parker, que desta vez entra no trem. Quando Parker volta à estação de trem depois do trabalho durante a tarde, fica surpreso ao encontrar Hachi esperando por ele. Uma vez que o cão rapidamente aprende o horário que o professor chega à estação vindo do trabalho, Hachi passa a esperá-lo todos os dias na saída do local da estação de trem as 17 horas rotineiramente. Em um dia de inverno, Parker sofre uma hemorragia cerebral fatal e inesperada enquanto está no trabalho e, assim, acaba não retornando de trem para casa, como fazia de costume. Hachi, esperando em seu lugar habitual por Parker quando o trem estaciona, não vê seu dono desembarcar, e em vez disso espera pacientemente por horas, mesmo quando começa a nevar.

Eventualmente, o genro de Parker, Michael, vem buscá-lo. Embora todos tentem fazer com que Hachi entenda que Parker não voltará mais, Hachi aparentemente não consegue aceitar o fato. Em vez disso, ele retorna à estação de trem todos os dias e continua a esperar. Com o passar do tempo, Cate vende a casa e se muda da cidade. Hachi é enviado para morar com a filha de Parker e Cate, Andy, seu marido Michael e seu bebê Ronnie. No entanto, Hachi foge e encontra o caminho de volta para a estação; ao chegar lá ele se senta no mesmo lugar e torna a esperar Parker, como sempre faz. Andy chega e o leva para casa, mas logo percebe como o cão está triste, notando que o animal sequer come mais. Vendo que o cachorro sente muita falta do professor, ela o permite que ele retorne à estação para continuar esperando; todos os dias, então, Hachi espera por seu dono na esperança de revê-lo, passando a dormir em um pátio ferroviário próximo à estação ao anoitecer. O vendedor de cachorro-quente, Jasjeet, que era amigo do professor, gosta de Hachi e passa a fornecer diariamente comida e água para o animal. No décimo aniversário da morte de Parker, Cate retorna à pequena cidade para visitar o túmulo de seu falecido marido. Ela se admira ao ver Hachi agora muito idoso ainda esperando fielmente na estação, se sentando ao lado do animal para esperar o próximo trem com ele.

Em casa, Cate conta a Ronnie, agora com dez anos de idade, sobre Hachi. Enquanto isso, o cão sempre fiel continua esperando até que um dia ele é visto deitado muito quieto na neve, confortado por uma visão de Parker que aparece acenando carinhosamente para que o cão venha até ele. Ronnie finalmente conclui sua história e explica porque Hachi sempre será seu herói; alguns de seus colegas estão quase chorando, inclusive aqueles que riram dele no começo. Depois da escola, Ronnie é recebido por seu pai e pelo seu filhote da mesma raça que o cão de seu avô que também se chama Hachi; Ronnie e o filhote são vistos andando pelos mesmos trilhos de trem onde Parker e o primeiro Hachi se conheceram há muito tempo. No fim do filme é contada de forma breve a verdadeira história de Hachiko. Ele era o animal de estimação do professor japonês Ueno. Após a morte de seu dono, Hachiko esperou por Ueno nove anos em frente da saída de Shibuya. Uma estátua de bronze foi erguida em sua homenagem no exatamente no mesmo lugar na soleira onde ele esperava todos os dias. O filme foi baseado na história do cão japonês da raça Akita chamado Hachiko, que nasceu em Odate, no Japão, em 1923. Mesmo após a morte de seu dono Hidesaburō Ueno em 1925, Hachiko retornou à estação de trem de Shibuya durante todos os dias restantes de sua vida pelos próximos nove anos até sua morte em março de 1935. 

Uma estátua de bronze de Hachiko está erguida em frente à Estação de Shibuya em homenagem; Hachikō é reconhecido tradicionalmente em japonês como chūken Hachikō que significa “Hachikō, o cão fiel”; Hachi é o nome do número “oito” em japonês e kō significa “afeto”. A história de Hachiko já havia sido retratada anteriormente no filme japonês de 1987 Hachikō Monogatari, dirigido por Seijirō Kōyama e escrito por Kaneto Shindo (1902-2012), um diretor de cinema, roteirista, produtor de cinema e escritor japonês, que dirigiu 48 filmes e escreveu roteiros para 238. Seus filmes mais reconhecidos como diretor incluem Children of Hiroshima (1952), The Naked Island (1960), Onibaba – (1964), Kuroneko (1968) e A Last Note (1995). Seijirō Kōyama, nascido na província de Gifu, em 16 de julho de 194 é um diretor de cinema japonês, frequentou a Universidade Nihon, mas abandonou o curso no meio para se juntar à produtora independente Kindai Eiga Kyokai, onde trabalhou como assistente de direção sob diretores como Kaneto Shindō, Kōzaburō Yoshimura e Tadashi Imai. Estreou na direção em 1971 com o filme infantil Koi no iru mura. Seu segundo filme, Futatsu no hāmonika (1976), lhe rendeu uma Menção Honrosa de Novos Diretores da Associação de Diretores do Japão. Seu filme de 1983, Hometown, foi selecionado para o 13º Festival Internacional de Cinema de Moscou, um festival internacional de cinema realizado na cidade de Moscou, na Rússia, desde 1935. 

É o segundo mais antigo do mundo, depois do Festival de Veneza. Desde 2000 se realiza anualmente em junho. Nikita Mikhalkov preside o festival desde 2000. O Festival de Moscou é considerado pela Federação Internacional das Associações de Produtores de Cinema entre os mais prestigiosos do mundo,  com os festivais de Berlím, Cannes, San Sebastián, Karlovy Vary e Veneza. Seu filme de 1987, Hachiko Monogatari, sobre o fiel cão Hachikō, foi o filme japonês de maior bilheteria daquele ano. Ele é reconhecido por sua perspectiva humanista. Kōyama recebeu o Prêmio de Cultura Chunichi em 2000 por “produzir filmes que examinam a época e a região”. Esta primeira versão é mais fiel à história real, enquanto Hachi: A Dog`s Tale é situada num contexto norte-americano moderno. Antes dos créditos finais, a história do verdadeiro Hachikō é contada de maneira breve através de dizeres na tela, acompanhados de uma foto do cão original e da estátua de bronze feita em homenagem a Hachikō em Shibuya. De acordo com o filme, o verdadeiro Hachikō morreu em março de 1934, mas o anterior Hachikō Monogatari (além de outras fontes) afirma que sua morte real ocorreu em março de 1935 (9 anos e 9 meses após a morte do Professor Ueno). A maioria das filmagens ocorreu em Woonsocket, onde a estação ferroviária da cidade serviu de locação principal, e Bristol, ambas no estado norte-americano de Rhode Island. Os treinadores Mark Harden e David Allsberry, acompanhados de grande equipe, treinaram os três akitas, Layla, Chico e Forrest, para o papel de Hachi no filme; após o término das filmagens, Harden adotou Chico enquanto Allsberry ficou com Layla. 

Assim como foi feito na Estação de Shibuya no Japão, uma estátua de bronze também foi erguida em homenagem à Hachiko no ano de 2012 em frente à Estação de Woonsocket, onde o filme foi rodado. O filme foi recebido com críticas analíticas geralmente positivas. O site agregador de resenhas Rotten Tomatoes dá ao filme uma taxa de aprovação de 64% com base em 28 críticas, obtendo uma nota média de 5,90 de 10. Em junho de 2009, Alissa Simon, da revista Variety, descreveu jornalisticamente o filme como um “conto sentimental e repetitivo... [relembrando] os valores, a produção e outros [fatores], de uma era anterior. [...] É mais familiar do que comida familiar; as crianças provavelmente ficarão muito entediadas [...] mesmo assim, a angústia silenciosa e a dignidade do cão comoveram à todos, exceto os corações mais duros. O principal problema do filme é que sua história humana carece de mais drama; Hachi é o personagem central da atração”. Em outubro de 2009, o crítico de cinema Christopher Lloyd do jornal Sarasota Herald Tribune deu ao filme 4 de 5 estrelas, observando: “Hachi: A Dog`s Tale é assumidamente um arrancador de lágrimas. Você pode se ressentir de ser manipulado emocionalmente por este filme, mas eu creio que até mesmo o espectador mais insensível não consiga segurar toda sua água salgada dos olhos ao assisti-lo”. O filme se tornou um modesto sucesso comercial. E sequer ganhou um lançamento teatral nos Estados Unidos, sua receita internacional ajudou o filme a ser lucrativo. Em setembro de 2010, o filme já havia arrecadado uma receita mundial de US$ 45 milhões contra um orçamento estimado em US$ 16 milhões.

Bibliografia Geral Consultada.

METTRIE, Julien Offray de la, O Homem-máquina. Lisboa: Editorial Estampa, 1982; DARWIN, Charles, La Expresión de las Emociones en los Animales y en el Hombre. Madrid: Editorial Alianza, 1984; ALDERTON, David, Cães: Um Guia Ilustrado com Mais de 300 Raças de Cães de Todo o Mundo. 4ª edição. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2002; HELFT, Claude; HONG, Chen Jiang (Ilustrações), Hatchiko, Tokyo Dog. Paris: Editeur Desclée de Brouwer, 2003; COSTA, Edilson da, A Impossibilidade de uma Ética Ambiental: O Antropocentrismo Moral como Obstáculo ao Desenvolvimento de um Vínculo Ético entre o Ser Humano e Natureza. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2007; BRANDÃO, Maria Mascarenhas, A Memória de um Gesto Comunicativo Humano no Cão Doméstico (Canis familiaris). Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008; CUNHA, Luciano Carlos, O Consequencialismo e a Deontologia na Ética Animal: Uma Análise Crítica Comparativa das Perspectivas de Peter Singer, Steve Sapontzis, Tom Regan e Gary Francioni. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; VELOSO, Maria Cristina Brugnara, A Condição Animal: Uma Aporia Moderna. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2011; SEGATA, Jean, Nós e os Outros Humanos, os Animais de Estimação. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; PLUMMER, William, “Tóquio: A História de Amor de um Cão e seu Dono Imortalizada em Bronze”. In: Le Figaro, 13 de março de 2015; FAUTH, Juliana de Andrade, Sujeitos de Direitos não Personalizados e o Status Jurídico Civil dos Animais não Humanos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2016; SAVALLI, Carine; ALBUQUERQUE, Natalia de Souza, Cognição e Comportamento de Cães. A Ciência do Nosso Melhor Amigo. 1ª edição. São Paulo: Edicon Editora e Consultoria, 2017; YONG, Nicholas, “A história do cão mais fiel do mundo, que nasceu há 100 anos”. Disponível em: https://www.bbc.com/03/07/2023; Artigo: “Funcionários de zoológico no Japão fingem ser pandas e são alimentados pelos visitantes”. Disponível em: https://noticias.r7.com/11/01/2026; entre outros.   

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Nanotecnologia – Brick, Mistério Neo-noir & Cinema da Modernidade.

                       A coisa mais incompreensível sobre o universo é que ele é compreensível”. Albert Einstein

            

            A nanotecnologia tem como representação uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atómica e molecular lidando com estruturas entre 1 e 100 nanômetros. Pode ser utilizada em diferentes áreas interdisciplinares tais como, a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia, engenharia dos materiais e engenharia da computação. O princípio básico da nanotecnologia tem como representção a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos. É uma área promissora, mas em seus primeiros passos, mostrando, contudo, resultados surpreendentes na produção de semicondutores, Nanocompósitos, Biomateriais, Chips, entre outros. Criada no Japão, a nanotecnologia busca inovar invenções, aprimorando-as e proporcionando uma melhor vida ao Homem. Um dos instrumentos utilizados para exploração de materiais nessa escala tecnológica é o Microscópio eletrônico de varredura e o Microscópio de varredura por Tunelamento, que permite a observação de átomos e moléculas ao nível atômico. O objetivo não é chegar a um controle preciso e individual dos átomos, mas elaborar estruturas estáveis com eles. Existe muito debate nas implicações futuras da nanotecnologia, pois os desafios são semelhantes aos de desenvolvimentos de tecnologias, incluindo questões adversas sobre a toxicidade e impactos ambientais dos nanomateriais, os efeitos na economia global, a especulação socialmente ideológica sobre cenários apocalípticos (doomsday scenarios). Essas questões per se levam ao debate indivíduos e governos sobre regulação social da nanotecnologia. Do ponto de vista teórico, histórico e pontual Richard Feynman (1918-1988) foi o precursor do conceito de nanotecnologia, embora não tenha utilizado este termo em sua palestra para a Sociedade Americana de Física, em 29 de dezembro de 1959, onde apresentou pela primeira vez suas ideias acerca do assunto. 

       Foi um dos pioneiros da eletrodinâmica quântica e ficou reconhecido pelos seus trabalhos no ramo da formulação integral da mecânica quântica. Pelas suas contribuições para o desenvolvimento da eletrodinâmica quântica, Feynman recebeu o Nobel de Física em 1965 junto ao Julian Schwinger (1918-1994) e Shin`ichiro Tomonaga (1906-1979). É irmão mais velho da astrofísica Joan Feynman (1927-2020). Nasceu em Nova Iorque, Estados Unidos da América e cresceu em Far Rockaway, um bairro na parte oriental da península de Rockaway, no bairro de Queens, em Nova York. Desde criança demonstrava facilidade com a interpretação sociológica das ciências e a matemática. Cursou física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) onde, graças a imagem de John Clarke Slater, Julius Adams Stratton (1901-1904) e Philip McCord Morse (1903-1985), pioneiro na pesquisa operacional, além de outros professores devidamente conceituados. A palavra “Nanotecnologia” foi utilizada pela primeira vez pelo professor Norio Taniguchi (1912-1999) em 1974 para “descrever as tecnologias que permitam a construção de materiais a uma escala de 1 nanômetro”. Para se perceber o que isto significa, considere uma praia de 1 000 km de extensão e um grão de areia de 1 mm, “este grão está para esta praia como um nanômetro está para o metro”. Em alguns casos, elementos da escala periódica da química mudam seu estado, isto é, criando condições e possibilidades, ficando até explosivos em escala nanométrica. A nanotecnologia é a capacidade potencial de criar coisas a partir do menor elemento, usando as técnicas e ferramentas que estão a ser desenvolvidas hoje para colocar cada átomo e cada molécula no lugar desejado. Se conseguirmos este sistema de engenharia molecular, o resultado será uma nova revolução industrial. 

           Além disso, teria também importantes consequências econômicas, sociais, ambientais e militares. Fulerenos, é um membro representante das estruturas de carbono reconhecido como fulerenos. Os membros da família fulereno são um tema importante da investigação técnica e social que recaem sob a égide especificamente da nanotecnologia. Embora a nanotecnologia seja um desenvolvimento recente na pesquisa científica, o desenvolvimento de seus conceitos centrais vem acontecendo através de um extraordinário longo período histórico. A emergência da nanotecnologia na década de 1980 ocorreu-se devido a convergência de avanços tecnológicos experimentais como a invenção do “microscópio de varredura de tunelamento” em 1981 e na descoberta dos fulerenos em 1985, com o esclarecimento e popularização de um modelo de trabalho para os objetivos da nanotecnologia iniciando com a publicação em 1986 do livro Motores da Criação. O microscópio de varredura de tunelamento, é um instrumento para visualização de superfícies no nível atômico, foi desenvolvido em 1981 por Gerd Binnig e Heinrich Rohrer no IBM Zurich Research Laboratory, pelo qual eles receberam o prêmio Nobel em física em 1986. Fulerenos foram descobertos em 1985 por Harry Kroto (1939), Richard Smalley (1943-2005), e Robert Curl (1933-2022), que juntos receberam o Prêmio Nobel em química em 1996. Assim na década dos anos 1980, o conceito de Nanotecnologia foi popularizado por Eric Drexler por meio do livro Engines of Creation (Motores da Criação). Este livro com algumas especulações próximas da ficção científica baseou-se no trabalho minudente, sério desenvolvido por Drexler enquanto cientista. Drexler foi o primeiro cientista a doutorar-se em nanotecnologia pelo MIT.                                                  

O extraordinário sociólogo Norbert Elias (1897-1990) em seu ensaio: A Sociedade dos Indivíduos (1994) distingue os seres humanos como indivíduos e  como sociedade, entendendo com isso, que quando uma pessoa diz “sociedade” e a outra escuta, elas se entendem sem dificuldade. Mas será que realmente nos entendemos? A sociedade, como sabemos, somos todos nós; é um grande número de pessoas reunidas. Mas um bom número de pessoas reunidas consequentemtne na Índia e na China forma um tipo de sociedade diferente da encontrada na América do Norte, ou na Grã-Bretanha; a sociedade composta por muitos indivíduos na Europa do século XII era diferente historicamente da sociedade encontrada comparativamente nos séculos XVI ou XX. E, embora todas essas sociedades certamente tenham consistido e consistam em nada além de muitos indivíduos, é claro que a mudança social de uma forma de convívio para outra não foi planejada por nenhum deles. Pelo menos, é impossível constatar que qualquer pessoa dos séculos XII, ou mesmo XVI, tenha trabalhado deliberadamente pelas sociedades, que assumem a forma de Estados nacionais altamente industrializados. Que tipo de formação é esse, que só existe diante de um grande número de pessoas, só continua a funcionar quando pessoas, tomadas isoladamente, querem e fazem certas coisas, mas cuja estrutura e transformações históricas independem das intenções de qualquer pessoa em particular? Quando alguém examina as respostas dadas a essas e outras questões sociológicas similares, vê-se confrontado, em termos gerais, com dois amplos campos opostos de indagação. Parte das pessoas aborda como se estas tivessem sido concebidas, planejadas e criadas, tal como agora se apresentam ao observador retrospectivo, por diversos indivíduos ou organismos governamentais.

Embora com frequência alguns indivíduos dentro desse campo geral possam ter algum nível de consciência de que seu tipo de explicação não é realmente satisfatório, por mais que distorçam suas ideias de modo a fazê-las corresponderem aos fatos, o modelo conceitual a que estão presos continua a ser o da criação racional e deliberada de uma obra – como um prédio ou uma máquina – por pessoas individuais. Quando têm diante de si instituições sociais específicas, como os parlamentos, a polícia, os bancos, os impostos, os livros etc., eles procuram para explicá-las, as pessoas que originalmente tiveram a ideia dessas instituições ou que primeiro a puseram em prática. Quer dizer, ao lidarem com um gênero literário, buscam o escritor que serviu de modelo para os outros. Ao depararem com formações em que esse tipo de explicação é difícil, como a linguagem ou o Estado, por exemplo, ao menos procedem como se essas formações sociais pudessem ser explicadas da mesma forma que as outras, as que seriam deliberadamente produzidas por pessoas isoladas para fins específicos. Podem, por exemplo, acreditar que a existência da linguagem é explicada ao se assinalar sua função coletivamente de meio de comunicação entre as pessoas, ou que a dos Estados se explica ao se argumentar que sua finalidade  tenha como representação a manutenção da ordem, como se, no curso da história da humanidade, a linguagem ou a organização das pessoas sob a forma de Estados tivesse sido criada para essa finalidade específica,  por indivíduos isolados, como resultado do pensamento racional.

As origens de Brick foram as obsessões de Rian Johnson com os romances de Dashiell Hammett, reconhecido por romances policiais pesados, e Johnson queria fazer uma história de detetive norte-americana direta. Ele descobriu o trabalho de Hammett através de uma entrevista com os irmãos Coen sobre seu filme de gângster de 1990, Miller`s Crossing. Ele leu Red Harvest (1929) e depois passou para The Maltese Falcon (1930) e The Glass Key (1931), este último dos quais foi a principal influência para o filme dos Coen. Johnson cresceu assistindo a filmes de detetive e filmes noir. Ler os romances de Hammett o inspirou a fazer sua própria contribuição. Ele percebeu que isso resultaria em uma mera imitação e ambientou sua peça no ensino médio para manter as coisas frescas. Sobre o processo inicial de escrita, ele comentou: foi realmente incrível como todos os arquétipos daquele mundo policial deslizaram perfeitamente sobre os tipos do ensino médio. Ele também queria romper com as tradições visuais que vinham do gênero. Quando começou a fazer Brick, ele achou que era “muito sobre a experiência de ser um adolescente para mim”. Johnson afirmou que o filme não era autobiográfico. Johnson escreveu o rascunho em 1997 após se formar na Escola de Artes Cinematográficas da School of Cinematic Arts anteriormente. Ele passou os sete anos lançando seu roteiro, mas ninguém estava interessado, porque o material era incomum demais para ser feito por um diretor estreante. 

Johnson estimou a quantia mínima de dinheiro pela qual poderia fazer o filme e pediu apoio a amigos e familiares. Sua família trabalhava na indústria da construção e contribuiu o suficiente para encorajar outros a contribuírem. Depois que Johnson adquiriu cerca de US$ 450.000 para o orçamento do filme, Brick começou a produção em 2003. Embora o filme tenha sido rodado em 20 dias, Johnson passou bastante tempo refinando o roteiro e três meses ensaiando com o elenco. Ele viu Joseph Gordon-Levitt em Manic (2001), se encontrou com ele e sabia que queria escalar o jovem ator. Ele encorajou o elenco a ler Hammett, mas não a assistir a nenhum filme noir, porque não queria que eles influenciassem suas performances. Em vez disso, ele os fez assistir a comédias de Billy Wilder como The Apartment (1960) e His Girl Friday (1940). Ele estava inicialmente nervoso trabalhando com um elenco e equipe profissionais pela primeira vez, mas assim que começou a filmar, esse sentimento foi embora e ele teve uma boa experiência. Johnson filmou o filme em sua cidade natal, San Clemente, Califórnia, em filme de 35 mm. Grande parte do filme se passa na San Clemente High School, que ele estudou. Ele convocou alunos atuais para trabalhar no filme, filmando nos fins de semana. O diretor de fotografia era Steve Yedlin, um amigo da escola de cinema que estava envolvido no projeto desde que o roteiro foi escrito. Para as cenas da cabine telefônica, Johnson e sua equipe filmaram no subúrbio de San Clemente. A mesma placa para o cruzamento das ruas Sarmentoso e Camino del Rio ainda está de pé. No entanto, a cabine telefônica em si era apenas um acessório. 

O túnel de drenagem do filme fica localizado na mesma rua do campo de futebol da San Clemente High School e passa por baixo da rodovia, na saída do Pico. Johnson teve dificuldade em encontrar uma casa em ruínas para a base de operações do Pin. A produção encontrou uma casa adequada, mas teve apenas uma semana até que ela fosse demolida para ser reconstruída em seu terreno. O porão era um cenário que eles construíram, mas a cozinha e a sala de estar do Pin ainda existem na pousada Blarney Castle. Johnson também teve dificuldade em encontrar uma mansão para a cena da festa até que, faltando um dia para encontrar o local, um ex-executivo de telecomunicações e milionário excêntrico permitiu que filmassem em sua casa, que ainda estava em construção. A grande mansão estava lotada do chão ao teto com telefones públicos que datavam da década de 1950. Johnson citou os Spaghetti Westerns de Sergio Leone e Cowboy Bebop (1998) de Shinichiro Watanabe como influências em sua visualização do filme. 

Ele usou sapatos como um elemento de design para seus personagens e os viu como um instantâneo da essência dos personagens. Ele também afirmou que muitas das dicas visuais do filme foram tiradas do neo-noir Chinatown (1974) com seus espaços planos abertos. A maioria dos chamados efeitos especiais do filme foram produzidos de forma barata e eficiente usando efeitos práticos e na câmera. No início do filme, por exemplo, de Ravin caminha em direção à câmera saindo de um túnel enquanto um saco de lixo flutua rio abaixo e engole a câmera, fazendo a transição para Joseph Gordon-Levitt de volta ao quarto de seu personagem. Para conseguir isso, o efeito desejado foi filmado na ordem inversa. O saco de lixo começou sobre a câmera e foi puxado para longe durante a filmagem, enquanto de Ravin caminhava de costas para o túnel. Essa filmagem foi então cortada em uma cena em que um saco de lixo foi simplesmente puxado sobre a cabeça de Gordon-Levitt. Filmar um carro dirigindo lentamente em marcha ré e, em seguida, reproduzir a filmagem para trás em uma velocidade mais alta dá a ilusão de um carro se aproximando rapidamente enquanto a câmera dispara na frente dele com estilo.  Fades inteligentes dão a impressão de mudanças de tempo, enquanto cortes bruscos adicionam tensão a uma cena em que o protagonista acorda após desmaiar. Certas edições também foram introduzidas no filme para cronometrar a filmagem em diálogos diferentes, adicionando certas informações e deixando outras de fora. Essas edições são perceptíveis, eficazmente, pois as bocas dos atores em cena nem sempre se movem em sincronia com seus diálogos. Uma cena em particular, na qual o personagem de Ravin flutuou em direção à câmera, usou uma tela verde, mas foi editada fora do filme antes de sua conclusão a película. O corte original do filme durou mais de duas horas, embora tenha sido editado para 117 minutos para o Festival de Cinema de Sundance. 

Outros 7 minutos foram cortados antes do lançamento nos cinemas, incluindo uma cena das costas nuas de Zehetner enquanto ela colocava a blusa de volta depois que ela e o personagem de Gordon-Levitt fizeram sexo. De acordo com uma postagem de Johnson em seus próprios fóruns, ele sentiu que a própria nudez parecia errada no contexto do filme e que preferia deixar o grau de intimidade ambíguo, embora ocasionalmente se pegasse questionando essa decisão. A trilha sonora de Brick foi composta pelo primo de Johnson, Nathan Johnson, com apoio adicional e música do The Cinematic Underground. A trilha sonora remonta ao estilo, sensação e textura geral dos filmes noir. Ela apresenta instrumentos tradicionais como piano, trompete e violino, e também contém instrumentos únicos e inventados como o wine-o-phone, metalofone, pianos de pregos, armários de arquivo e utensílios de cozinha, todos gravados com um microfone em um Apple PowerBook. Como Nathan Johnson estava na Inglaterra durante a maior parte do processo de produção, a trilha sonora foi composta quase inteiramente no Apple iChat, com Rian tocando clipes do filme para Nathan, que então os compunha. Os dois se encontraram na cidade de Nova York para mixar a trilha sonora. O compact disk (CD) da trilha sonora do filme foi lançado mundialmente em 12 de março de 2006 pela Lakeshore Records. Além da trilha sonora de Johnson contém canções de The Velvet Undergrounduma banda de rock americana formada em Nova Iorque em 1964, considerada por muitos a primeira banda de rock alternativo. Anton Karas e Kay Armen, bem como a versão big band de Frankie and Johnny interpretada por Bunny Berigan e uma performance completa e não editada de The sun whose rays are all ablaze por Nora Zehetner. Johnson confirmou que vários elementos do filme foram influenciados pelo criador de Twin Peaks, David Lynch. 

O lançamento em DVD da Região 1 de Brick ocorreu em 8 de agosto de 2006, como parte da série Focus Features Spotlight. Os recursos especiais incluem: seleção de cenas deletadas e estendidas com introduções de Johnson; cenas de audição com Nora Zehetner e Noah Segan; e comentários em áudio com Rian Johnson, Nora Zehetner, Noah Segan, o produtor Ram Bergman, a designer de produção Jodie Tillen e a figurinista Michele Posch. O Blu-ray de Brick foi lançado em 7 de janeiro de 2020, pela Kino Lorber , que foi supervisionada por Johnson e Yedlin. O lançamento estava previsto para 7 de maio de 2019. Brick estreou nos Estados Unidos em 7 de abril de 2006, em dois cinemas. Estreou para o público do Reino Unido em 12 de maio de 2006, em um número limitado de telas. De acordo com os comentários do DVD, o filme custou US$ 450.000. O filme arrecadou US$ 2,07 milhões na América do Norte e um total de US$ 3,9 milhões em todo o mundo. Brick tem uma taxa de aprovação de 80% no Rotten Tomatoes com base em 143 avaliações e uma pontuação média de 7,10/10. O consenso afirma: “Esta divertida homenagem ao passado noir foi habilmente e convincentemente atualizada para um cenário de Ensino Médio contemporâneo”, e, portanto, classificado em 35º lugar na lista da Entertainment Weekly dos “50 Melhores Filmes de Ensino Médio”. Com base estatisticamente em 34 avaliações críticas, o Metacritic deu-lhe uma pontuação média de 72 de 100, indicando avaliações “geralmente favoráveis”. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, deu ao filme três de quatro estrelas, afirmando: “[Funciona] no sentido em que os clássicos noirs de Hollywood funcionaram: a história nunca é clara enquanto se desenrola, mas fornece uma rica fonte de diálogos, comportamentos e incidentes”. A única falha séria do filme, pensou Ebert, era que os personagens não eram totalmente críveis e, portanto, era difícil se importar com o resultado dos eventos para os personagens. Peter Travers, da Rolling Stone, também deu ao filme uma crítica positiva, explicando: “Uma paródia teria sido fácil. Em vez disso, Johnson mergulha fundo, arriscando o ridículo ao moldar este fascinante com coragem e seriedade”. 

Stephen Holden, do The New York Times, comentou: “O Sr. Haas e o Sr. Gordon-Levitt pelo menos conseguem evocar os contornos de seus personagens. Mas a dependência desajeitada do filme em termos de época não só desgasta, como também mantém os personagens, tais como são, a uma distância fria”. Brick está na 489ª posição na lista de 2008 da revista Empire dos 500 maiores filmes de todos os tempos. E, com frequência, ao serem confrontados com fenômenos sociais que obviamente não podem ser explicados por esse modelo, e caso da evolução dos estilos artísticos ou do processo civilizador, seu pensamento estanca, sem fazer perguntas. Opostamente é amiúde tratada com desdém.  A Guerra do Golfo Pérsico representou geopoliticamente uma das maiores campanhas militares da história da tecnologia, com uma enorme mobilização de recursos humanos e materiais em um curto espaço de tempo, introduzindo no campo de batalha diversos novos meios bélicos e tecnologias sofisticadas de ponta, para a época. Novos vocábulos foram adicionados ao léxico global, como aviões Stealth (1991) e bombas inteligentes. Este conflito também foi um dos primeiros a ser demonstrado ao vivo das linhas de frente, com transmissão via satélite, catapultando à notoriedade a rede de televisão CNN e o formato de “jornalismo 24 horas”. É uma guerra de cinco semanas de intenso bombardeio aéreo por parte da Coalizão de 17 de janeiro até 24 de fevereiro, seguido por menos de 100 horas de campanha terrestre que resultou na rápida expulsão das forças iraquianas do Kuwait. No final das contas, os aliados da Coalizão conseguiram uma avassaladora vitória, libertando o Kuwait, enquanto infligiam pesadas baixas nos iraquianos, embora suas próprias perdas tenham sido mínimas. Em 28 de fevereiro, a Coalizão internacional declarou que seus objetivos foram completados com a libertação do território kuwaitiano e a retirada das tropas de Saddam, firmando um cessar-fogo e encerrando as hostilidades.        

No decorrer da guerra, os combates se restringiram a apenas o Iraque, Kuwait e a regiões de fronteira saudita. A Cable News Network foi inaugurada às 5:00 da tarde Hora do Leste em 1° de junho de 1980. Após uma introdução de Ted Turner, a equipe de marido e mulher de David Walker e Lois Hart ancorou o primeiro noticiário do canal. Burt Reinhardt, vice-presidente executivo da CNN em lançamento, contratou a os 200 primeiros funcionários do canal, incluindo o primeiro âncora da rede, Bernard Shaw. Desde o seu lançamento, a CNN expandiu seu alcance para vários fornecedores de televisão a cabo e por satélite, vários sites e canais especializados de circuito fechado como o CNN Airport. A empresa possui 42 agências com 11 nacionais, 31 internacionais, mais de 900 estações locais afiliadas que também recebem conteúdo e recursos por meio do serviço de notícias em vídeo CNN Newsource, e várias redes regionais e de idiomas estrangeiros em todo o mundo. O sucesso do canal transformou o fundador Ted Turner em um legítimo magnata, e preparou o terreno para a eventual aquisição pelo conglomerado Time Warner do Turner Broadcasting System em 1996.

A primeira Guerra do Golfo Pérsico em 1991 foi um divisor de águas para a CNN que catapultou o canal pelas três grandes redes norte-americanas pela primeira vez em sua história social e de tecnologia, em grande parte devido a uma informação histórica e sem precedentes: a CNN era a única fonte de notícias com a capacidade de se comunicar de dentro do Iraque durante as primeiras horas da campanha de bombardeio da Coalizão, com reportagens ao vivo do hotel al-Rashid em Bagdá pelos repórteres Bernard Shaw, John Holliman e Peter Arnett. O momento em que o bombardeio começou foi anunciado na CNN, a segunda rede de televisão a noticiar o caso atrás, por segundos, da rede TV Globo, por Shaw em 16 de janeiro de 1991, como segue: - Este é Bernie Shaw. Algo está acontecendo lá fora. Peter Arnett, junte-se a mim aqui. Vamos descrever aos nossos espectadores o que estamos vendo. Os céus de Bagdá foram extraordinariamente iluminados. Estamos vendo flashes brilhantes disparando por todo infinito firmamento. Incapaz de transmitir cenas ao vivo de Bagdá, a cobertura das horas iniciais da Guerra do Golfo da CNN tinha a sensação dramática de uma transmissão de rádio - e foi comparada aos lendários e emocionantes relatos de Edward R. Murrow, âncora da CBS, em rádio ao vivo do bombardeio nazista de Londres durante a 2ª guerra mundial (1939-1945). Apesar da falta de imagens ao vivo, a cobertura foi transmitida por estações de televisão e redes em todo o mundo, resultando na CNN sendo assistida por mais de um bilhão de telespectadores em todo o mundo. 

A experiência da Guerra do Golfo trouxe à CNN certa legitimidade e transformou nomes familiares de repórteres anteriormente obscuros. Shaw, conhecido por sua reportagem ao vivo de Bagdá durante a Guerra do Golfo, tornou-se o principal âncora da CNN até sua aposentadoria em 2001. A cobertura inicialmente da Primeira Guerra do Golfo e de outras crises do início dos anos 1990, particularmente a infame Batalha de Mogadíscio levou as autoridades do Pentágono a cunhar ideologicamente o termo “efeito CNN” para descrever o impacto social e político percebido da cobertura de notícias em tempo real nos processos de tomada de decisão do governo estadunidense. A CNN foi o primeiro canal de notícias a cabo a divulgar os ataques de 11 de setembro de 2001. A âncora Carol Lin estava no ar para entregar o primeiro relato público do evento. Ela entrou às 8:49 da manhã, horário da costa leste, e disse: - Acabou de acontecer. Você está vendo obviamente uma cena ao vivo muito perturbadora. Esse é o World Trade Center e temos relatos não confirmados nesta manhã de que um avião colidiu com uma das torres do World Trade CenterO CNN Center está apenas começando a trabalhar cinematograficamente nesta história, chamando nossas fontes e tentando descobrir exatamente o que aconteceu, mas claramente algo relativamente devastador está acontecendo nesta manhã no extremo sul da ilha de Manhattan. 

Mais uma vez, uma cena de uma das torres do World Trade Center. Sean Murtagh, vice-presidente de finanças e administração da CNN, foi o primeiro funcionário da “rede no ar”. Ele ligou para o CNN Center de seu escritório no escritório da CNN em Nova York e informou que um jato comercial atingiu o Trade Center. Daryn Kagan e Leon Harris estavam no ar pouco depois das 9:00, quando o segundo avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center (WWW) e, por meio de uma entrevista com o correspondente da CNN, David Ensor, informou a notícia de que autoridades estadunidenses determinaram “que este é um ato terrorista”. Mais tarde, Aaron Brown e Judy Woodruff “ancoraram” dia e noite enquanto os ataques se desenrolavam, ganhando o prêmio Edward R. Murrow pela rede. Antes da eleição presidencial de 2008 nos Estados Unidos da América, a CNN dedicou grande parte de sua cobertura à política, incluindo a realização de debates de candidatos durante as temporadas primárias democrata e republicana. Em 3 e 5 de junho de 2007, a CNN se uniu ao Saint Anselm College para patrocinar os debates republicanos e democratas de New Hampshire. Mais tarde durante aquele ano, o canal sediou os primeiros debates presidenciais da CNN no YouTube, um formato “não tradicional em que os espectadores eram convidados a enviar previamente perguntas”. Em 2008, a CNN fez uma parceria com o Los Angeles Times para sediar dois debates políticos principais que antecederam a cobertura da chamada Super Terça-FeiraNos Estados Unidos, “Super Terça” (Super Tuesday) refere-se ao dia que costuma ser em fevereiro ou março, em anos de eleições presidenciais. 

É o dia em que um grande número de estados tem eleições primárias, e o dia em que se elege o maior número de delegados; portanto, é um dia em que realizam eleições muito decisivas nas escolhas dos candidatos de um ou dos dois partidos. Em alguns estados fazem-se eleições primárias, votando-se diretamente em algum delegado; em outros realizam-se cáucus. No primeiro caso podem votar eleitores independentes, os quais só podem participar na votação de um partido; no segundo caso, só participam os militantes. Historicamente a denominação de “super terça” é usada pelo menos desde 1984 quando Walter Mondale foi eleito pelos democratas para enfrentar o presidente Ronald Reagan. Em 1988, Michael Dukakis impôs-se ao reverendo Jesse Jackson e ao jovem senador pelo Tennessee Al Gore. Em 1992, depois do fiasco de Dukakis nas presidenciais, surgiu o governador do Arkansas Bill Clinton, que derrotou o antigo senador pelo Massachussets Paul Tsongas. Em 1996 foi o campo republicano que teve que eleger candidato, e foi o senador pelo Kansas Bob Dole, que teve como maior rival o populista Pat Buchanan. Em 2000, com ambos os partidos à procura de candidatos à Casa Branca, George Walker Bush venceu o senador pelo Arizona John McCain, e o vice-presidente Gore não teve problemas, apesar de no início o desfecho ser indeciso, para derrotar o ex-jogador dos New York Knicks, Bill Bradley. Em 2004 o candidato democrata foi John Kerry, que teve que derrotar John Edwards, governador do Vermont Howard Dean e o general reformado Wesley Clark. 

Em 2008 John McCain vence Mitt Romney e Mike Huckabee no campo republicano e o campo democrata teve uma acirrada disputa entre Hillary Clinton e Barack Obama. Em 2012 Mitt Romney vence 6 estados, Rick Santorum 3, Newt Gingrich 1 e Ron Paul nenhum. Houve um total de 410 delegados (17,9% do total), com escolha nos estados da Geórgia (76), Idaho (32), Massachusetts (41), North Dakota (28), Ohio (66), Oklahoma (43), Tennessee (58), Vermont (17) e Virgínia (49), bem com os caucus do Alasca entre 6 e 24 de março. Em 2016 Donald Trump vence em 7 estados, Ted Cruz 3, Marco Rubio 1, Ben Carson nenhum e John Kasich nenhum também. O debate da CNN e a cobertura da noite das eleições levaram às suas audiências mais altas do ano, com uma média 1,1 milhão de espectadores consumidores em janeiro de 2008, um aumento de 41% em relação ao ano anterior. O início do ataque, que incluiu um intenso bombardeio de alvos em Bagdá, forças norte-americanas rapidamente entraram no Sul do Iraque, cruzando a fronteira com o Kuwait, e seguiram em direção à capital. Os britânicos usaram a mesma rota de entrada, mas permaneceram no Sul do país, onde assumiriam o controle da cidade portuária de Basra, mais importante do Iraque. Sem a participação de uma coalizão ampla, a invasão contou também com pequenos contingentes da Austrália e da Polônia. Outros países que apoiaram a guerra, como Espanha, Itália e Ucrânia, enviariam tropas depois de iniciada a ocupação. 

Menos de um mês depois do início da guerra, os americanos tomaram Bagdá, declarando ter controle da capital em 14 de abril. Outras cidades importantes, como Tikrit, Falluja e Ramadi, na região central, e Kirkut, no Curdistão (Norte), foram tomadas pelas forças de ocupação. Saddam Hussein, no entanto, não foi encontrado. Em 1º de maio de 2003, a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, o presidente George W. Bush fez um discurso em que declarou que, “na batalha do Iraque, os Estados Unidos e nossos aliados prevaleceram”. Atrás dele, uma faixa dizia “Missão Cumprida”. Até então, a guerra já impusera um enorme custo humano ao Iraque. Levantamento do instituto americano Project on Defence Alternatives, divulgado em outubro de 2003, estimou que entre 10.800 e 15.100 iraquianos foram mortos nas semanas da invasão, entre 3.200 e 4.300 eram civis. Com a queda do regime, começou a ocupação. Em 12 de maio, aterrissava em Bagdá o novo “administrador do Iraque”, o norte-americano Paul Bremer. No dia da chegada ao país, a BBC News noticiou: - Vários bairros de Bagdá ainda estão sem eletricidade e água corrente, lixo se acumula nas ruas, e muitos comerciantes têm medo de reabrir seus negócios por causa de saqueadores”. A administração do país era conduzida a partir de uma área, no centro da capital, protegida e isolada do resto da cidade. Era reconhecida como Zona Verde. O Iraque tentou atrair Israel para a guerra ao lançar mísseis Scud contra o seu território, com objetivo tentar causar uma cisão entre as potências ocidentais e seus aliados árabes.  

A decisão de Saddam Hussein (1937-2006) de invadir o Kuwait foi essencialmente uma tentativa de lidar com “a contínua vulnerabilidade da sua economia e o seu consequente impacto nas finanças públicas”. Ao fim da Guerra Irã-Iraque, em agosto de 1988, a economia iraquiana estava de fato à beira do colapso e também internamente havia tensões sectárias pelo país. Os maiores credores da dívida da nação eram a Arábia Saudita e o Kuwait. O governo do Iraque tentou fazer com que estes países perdoassem parte do débito, mas eles se recusaram. Além da questão econômica, o conflito entre o Iraque e Kuwait também acontecia por disputas territoriais. O Kuwait era parte da província de Baçorá na época da dominação do Império Otomano, que passou a ser reivindicado como território iraquiano. A família real kuwaitiana havia concluído um acordo de protetorado com o Reino Unido em 1899, deixando assim a responsabilidade aos britânicos de cuidar da política externa do país. A fronteira entre as duas nações foi desenhada então pelos ingleses em 1922. Do ponto de vista geopolítico a criação de um Kuwait independente tirou a única saída para o mar que o Iraque detinha. Os kuwaitianos rejeitaram tentativas dos iraquianos de tentar manter provisões no país. O governo de Saddam Hussein (1979-2003), logo após o conflito bélico com o Irã, começou a acusar o Kuwait de extrapolar as cotas de controle de mercado da OPEP de exportação de petróleo. O cartel na época queria manter o preço da commodity a US$ 18 dólares por barril e disciplina era necessária. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait estavam produzindo acima do esperado. 

O resultado do excesso de produção foi uma redução no preço do barril para apenas US$ 10, o que representava uma perda de US$ 7 bilhões anuais ao Iraque, que era quase o exato valor do pagamento para balancear o déficit em 1989. Os gastos públicos e os planos para reconstruir a infraestrutura interna do país acabaram se saindo debilitados, o que fez com que a economia iraquiana entrasse em forte recessão. A Jordânia e o Iraque tentavam manter a disciplina nos preços, mas com pouco sucesso merceológico. O governo iraquiano acusou os kuwaitianos de fazer “guerra econômica”. O Kuwait também foi acusado de fazer perfurações subterrâneas próximas a fronteira com o Iraque, em amplos territórios sob disputa. A guerra do Iraque também teve grande impacto político no Reino Unido. Parceiro de George W. Bush na invasão e ocupação do Iraque, o premiê Tony Blair foi acusado por muitos de ter mentido sobre as verdadeiras razões para a guerra. Em julho de 2003, uma polêmica reportagem de rádio da BBC sugeria que um Relatório de Inteligência sobre as supostas “armas de destruição em massa” iraquianas havia sido produzido sob influência política-ideológica do governo, que negava a acusação. 

Após ser exposto pela imprensa como a fonte da reportagem, o cientista David Kelly, especialista em guerra biológica a serviço do ministério de Defesa britânico, se suicidou. Apesar da queda de popularidade que o episódio e a guerra lhe causaram, em maio de 2005 Tony Blair foi reeleito para um terceiro mandato como primeiro-ministro. A Guerra do Iraque, entretanto, continuaria a assombrar os britânicos. Em julho de 2005, quatro britânicos muçulmanos provocaram quatro explosões suicidas na capital, Londres - três delas em trens do metrô e uma em um ônibus. Além dos quatro suicidas, 52 pessoas foram mortas, e cerca de 800 ficaram feridas. Duas semanas depois, houve uma tentativa frustrada de novos ataques, em que bombas colocadas no metrô não explodiram. Com o país em estado de alerta máximo, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi confundido com um suspeito pela polícia londrina e morto a tiros por policiais dentro de um vagão do metrô. A rede Al-Qaeda indicou ter ligação com os ataques, e um dos suicidas gravara um vídeo dizendo que eles eram vingança contra bombardeios de países muçulmanos. Mas o premiê Tony Blair negava que a invasão do Iraque tivesse levado aos atentados.

Em junho de 2007, após dez anos como primeiro-ministro, Blair renunciou ao cargo, entregue a seu colega de partido e ministro da Economia, Gordon Brown. Na avaliação, se não fosse pela perda de popularidade causada pela Guerra do Iraque, Blair poderia ter ficado ainda mais tempo no poder. Saddam Hussein foi detido pelas forças de ocupação em dezembro de 2003, num esconderijo subterrâneo próximo a Tikrit, sua região natal. Ele foi entregue às autoridades locais para ser julgado por inúmeros crimes que cometeu contra a população iraquiana enquanto estava no poder, processo iniciado no segundo semestre de 2004. No julgamento político, cujas sessões eram transmitidas ao vivo pela televisão à população, o ex-ditador do país questionou o processo. Ao lado de outros integrantes do regime, disse que seu julgamento era ilegítimo e que os juízes iraquianos estavam sendo manipulados pelas forças de ocupação. Após ser declarado culpado, ele foi condenado à morte. Em 30 de dezembro de 2006, Saddam foi executado por enforcamento, numa cena gravada em vídeo e exibida no mundo todo. Sua morte, no entanto, assim como sua captura três anos antes, não resultou em avanços na situação de segurança. No início de 2007, o conflito sectário bélico no Iraque vivia seus piores momentos da guerra de guerrilha, com uma série de atentados a bomba - muitos suicidas, vários usando carros-bomba -, geralmente matando dezenas de civis, especialmente em Bagdá. Mercados da comunidade xiita foram alvos de ataques, organizados pelo grupo Al-Qaeda no Iraque.

Milícias xiitas, por sua vez, realizavam sequestros e assassinatos de membros da população sunita. Em Washington, Robert Gates assumiu o lugar de Rumsfeld como secretário de Defesa. O resultado das eleições de novembro de 2006 significava que os norte-americanos pediam o fim da guerra, mas o governo concluiu que precisava, primeiro, reduzir os níveis de violência. Como? O caminho escolhido pelo governo Bush foi o envio de 30 mil soldados adicionais, a maioria para Bagdá e região, o que ganhou o nome de “surge”, mas em português, “escalada”. Com o reforço, o tamanho do efetivo norte-americano voltou aos níveis da invasão de 2003, cerca de 150 mil soldados - e 2007 foi “um dos mais sangrentos períodos da guerra”. Segundo o Brookings Institute, foi o ano com o maior número de soldados americanos mortos durante a ocupação: 904. O de britânicos mortos atingiu 47, próximo dos 53 de 2003. O número de civis iraquianos que perderam a vida, 26.112, só ficou abaixo dos 29.526 de 2006. Até o número de jornalistas mortos no Iraque foi o mais alto em 2007, um total de 32 vítimas, igualando o recorde do ano anterior. Em 2008 a violência começou a diminuir significativamente, com menos da metade de soldados americanos e civis iraquianos mortos. Também em 2008, nos Estados Unidos da América, os eleitores foram às urnas, dessa vez para escolher o sucessor de George W. Bush. Desgastado pelos anos de guerra no Iraque, o Partido Republicano foi tirado do poder. O senador Barack Obama, oportunista, tornou-se o primeiro negro em Washington a ocupar a presidência na Casa Branca. Aparentemente crítico da Guerra prometera que colocaria fim no conflito. A primeira medida foi a manutenção de Robert Gates no cargo.

Com a continuidade da mesma equipe no Departamento de Defesa, os Estados Unidos, juntamente com o governo iraquiano, conseguiram deixar o país menos instável. As mortes, tanto de civis como de combatentes, caíram significativamente, especialmente a partir de 2009. Em abril daquele ano, os últimos soldados britânicos saíram do Iraque. Em 2010, os Estados Unidos encerraram sua participação em operações de combate, deixando apenas cerca de 50 mil soldados no país. No dia 18 de dezembro de 2011, veio o esperado momento. Quase nove anos depois da invasão liderada pelos Estados Unidos da América, a agência Reuters noticiava: - “Últimas tropas dos EUA deixam o Iraque, terminando a guerra”. Apenas cerca de 150 soldados americanos ficaram no país, em funções de treinamento das forças locais. Com um saldo de 120 mil civis iraquianos, 4.431 americanos, 179 britânicos mortos e um país parcialmente destruído, chegava ao fim o conflito cujo maior motivo não existia - e que a Reuters chamou de “a guerra mais impopular desde o Vietnã”. O total de vidas perdidas foi estimado em pelo menos 200 mil, e o custo para os cofres norte-americanos em pelo menos US$ 800 bilhões. Para o Iraque, o processo de pacificação - tanto de suas cidades como da política - seria lento e de resultado incerto. As lideranças xiitas haviam consolidado seu poder, mas parte dessa autoridade precisava ser compartilhada com curdos e sunitas, segundo a Constituição - convivência rara tranquila. Militantes sunitas islamistas continuavam em operação e, voltariam a ameaçar o país sob a bandeira do Estado Islâmico, mas o Iraque culturalmente continuaria per se em guerra.      

Brick tem como representação social um filme de suspense e mistério norte-americano de 2005, escrito, editado e dirigido por Rian Johnson em sua estreia na direção, estrelado por Joseph Gordon-Levitt. Brick foi distribuído pela Focus Features em Nova York e Los Angeles em 7 de abril de 2006. A narrativa do filme centra-se em uma história policial hardboiled ambientada em um subúrbio da Califórnia. A maioria dos personagens principais são estudantes do Ensino Médio. O filme se baseia extraordinariamente em enredo, caracterização social e diálogo de clássicos hardboiled, especialmente aqueles de Dashiell Hammett (1894-1961), considerado o pai do romance policial americano, um dos precursores da literatura noir. O título se refere a um bloco de heroína, comprimido ao tamanho e formato de um tijolo comum. O filme ganhou o Prêmio Especial do Júri de Originalidade de Visão no Festival de Cinema de Sundance de 2005, e recebeu críticas positivas da cinematografia. Ele passou a ser considerado um clássico cult. Os clássicos do literário hardboiled incluem obras como O Falcão Maltês de Dashiell Hammett, A Grande Soneca e Adeus, Minha Amada de Raymond Chandler, e O Carteiro Sempre Toca Duas Vezes de James M. Cain. 

O gênero originou-se nos anos 1920, popularizando-se na década de 1930 e 1950, apresentando detetives mais falhos e emocionalmente envolvidos em tramas sombrias e urbanas, com uma interpretação mais realista e cínica. Dashiell Hammett nasceu no Condado de Saint Mary`s, Maryland, em 27 de maio de 1894. Frequentou a escola de Baltimore para onde a família se tinha mudado, mas aos 14 anos teve de começar a trabalhar para ajudar a sustentar a família. Cresceu na Filadélfia e Baltimore. Abandonou a escola com quatorze anos e passou a trabalhar como mensageiro, entregador de jornal, escriturário, apontador de mão-de-obra e estivador, entre outros empregos. Aos 20 anos, foi trabalhar na Agência Pinkerton de detetives. Em 1918, alistou-se tout court no Corpo de Ambulâncias do Exército. Depois da guerra, com tuberculose, vagou de sanatório em sanatório e voltou à agência Pinkerton, demitindo-se em seguida para se dedicar à literatura. Bebia muito. Suas histórias começaram a ser publicadas em revistas baratas e populares como Black Mask e Smart Set. Imediatamente suas histórias sociais chamaram a atenção do público e da crítica, e ele foi reconhecido como “um grande escritor, responsável por uma renovação historiográfica no gênero policial”.  Autor de livros de sucesso, como: Seara Vermelha (1929), O falcão maltês (1930) – sucesso também no cinema, dirigido por John Huston –, A chave de vidro (1930); Mulher no escuro (1933) e Continental OP (1945), e de uma infinidade de contos, trabalhou regularmente para o cinema em Hollywood. Na década de 1930, conheceu a escritora Lillian Hellman (1905-1984), a quem esteve ligado até a morte.

Durante a II Guerra (1939-1945), serviu novamente como sargento do exército. Homem de esquerda simpatizante do Communist Party USA, foi vítima da “caça às bruxas” promovida pelo senador fascista Joseph McCarthy (1908-1957) no início da década de 1950. Recusando-se a colaborar com a comissão que investigava atividades supostamente “subversivas na indústria cinematográfica”, foi preso e incluído na lista negra, na falta de melhor expressão, que impedia os artistas de trabalharem na indústria cinematográfica. Amargurado e doente morreu a 10 de janeiro de 1961, em Nova York. Samuel Dashiell Hammett começou a escrever no fim da década de 1920. Macarthismo é um termo ideológico que se refere à prática de acusar alguém de subversão ou de traição. O termo tem suas origens no período da História dos Estados Unidos reconhecido como “segunda ameaça vermelha”, que durou de 1950 a 1957 e foi caracterizado por uma acentuada repressão política aos comunistas, assim como por uma campanha de medo à influência deles nas instituições estadunidenses e à espionagem por agentes da União Soviética. Foi utilizado para descrever a patrulha anticomunista promovida pelo Senador republicano Joseph McCarthy, do Wisconsin, um estado no centro-oeste dos Estados Unidos América com costas banhadas por 2 dos Grandes Lagos e um interior de florestas e fazendas.  

Milwaukee, a maior cidade, é reconhecida pelo Milwaukee Public Museum, com vários vilarejos internacionais recriados, e pelo Harley-Davidson Museum, que exibe motocicletas clássicas. O termo logo adquiriu um significado per se mais extenso, sendo utilizado hoje para descrever o excesso de iniciativas similares. Também é utilizado para descrever acusações imprudentes e logicamente pouco fundamentadas, assim como ataques demagógicos ao caráter ou ao senso de patriotismo de adversários políticos. Durante o macarthismo, milhares de norte-americanos foram acusados de serem comunistas ou simpatizantes e tornaram-se objetos de agressivas investigações policiais e de inquéritos abertos pelo governo ou por indústrias privadas. O principal alvo das suspeitas foram funcionários públicos, trabalhadores da indústria do entretenimento, educadores e sindicalistas. As suspeitas eram frequentemente dadas como certas mesmas se fossem baseadas em evidências inconclusivas e questionáveis e se o nível de ameaça representado pela real ou suposta afiliação do indivíduo a ideias ou associações de esquerda fosse exagerado. A maioria das punições foram baseadas em julgamentos que mais tarde foram anulados, leis que foram declaradas inconstitucionais, demissões por justa causa que foram declaradas ilegais ou contestáveis e procedimentos extrajudiciais que entrariam em descrédito geral na dinâmica histórica do próprio futuro.

Os exemplos mais notáveis do macarthismo incluem a produção dos discursos, as investigações e os inquéritos do próprio Senador McCarthy; a Lista Negra de Hollywood, com as investigações conduzidas pelo Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC); e as diversas atividades anticomunistas do FBI sob a direção de J. Edgar Hoover. O macarthismo foi um amplo fenômeno sociocultural que afetou a sociedade dos Estados Unidos da América em todos os níveis e gerou uma grande quantidade de debate e conflito interno naquele país. Muitos filmes foram produzidos sobre este período, retratando McCarthy e seguidores como figuras desprezíveis e a história como uma crise que foi superada. Dentre estes destaca-se Boa Noite e Boa Sorte dirigido por George Clooney e estrelado por David Strathairn, no papel do jornalista Edward R. Murrow. O filme narra os embates entre o jornalista e o Senador McCarthy, durante os anos 1950, que contribuíram na decadência do senador. Um herói de ação imagética ou heroína de ação tem como representação social o protagonista de um filme de ação ou outra forma de entretenimento que retrata pontualmente a ação, aventura e, muitas vezes, violência simbólica. Outras mídias em que tais heróis aparecem incluem tradicionalmente filmes consagrados de capa & espada, de faroeste, rádio antigo, romances de aventura, romances baratos, revistas populares e folclore. A origem do herói de ação está no imperialismo com histórias escritas principalmente para meninos, para se imaginarem como homens em viagens e vivenciando uma ação emocionante.    

A palavra imperialismo surge a partir da palavra imperium em latim, e significa poder supremo. Seu significado atual surge no Reino Unido na década de 1870 e foi usado com uma conotação negativa. Na Grã-Bretanha, a palavra tinha sido usada para se referir à política de Napoleão III (1808-1873) de obtenção de opinião pública favorável na França, comparativamente, através de intervenções militares fora do país. Shawn Shimpach escreveu: “Os jovens homens brancos que eram (ou se tornaram) os sujeitos engrandecidos dessas histórias motivaram as narrativas por meio de sua propensão à ação e resolveram conflitos por meio da violência informada por coragem, inteligência e habilidade inata, garantindo, em cada história, o futuro do mundo pelo qual eles eram responsáveis e no processo de confirmação de sua identidade masculina”. No início do século XX, essa narrativa foi comercializada e as histórias foram “prontamente adaptadas” para o cinema. Um dos primeiros atores dos heróis de ação foi Douglas Fairbanks. No Chicago Tribune, Donald Liebenson escreveu: “Douglas Fairbanks foi o primeiro grande herói de ação de Hollywood, mais reconhecido pelas fantasias épicas que o estabeleceram como o espadachim mais arrojado da tela”. Um dos personagens do heroísmo de ação definidores interpretado por Fairbanks foi Zorro, que Michael Sragow chamou de “a figura de ação mais influente da história do cinema e o guerreiro do cinema mais feliz de todos os tempos”. 

Fairbanks foi seguido por Errol Flynn (1909-1959), o qual alcançou a fama e espetacularidade como Robin Hood no filme de 1938, As Aventuras de Robin Hood. Em meados do século XX, “o gênero de ação era previsivelmente povoado por heróis galantes e atraentes vivendo aventuras emocionantes e exóticas, sem impedimentos (se claramente alinhados a) fronteiras nacionais, culturais ou estaduais”. Quando a televisão se tornou comum, programas que apresentavam “heróis de ação” incluíam Adventures of Superman (1952–1958), The Avengers (1961–1969), The Saint (1962–1969), The Man from UNCLE (1964–1968), Batman (1966–1969) e Mission Impossível (1966–1973). Shawn Shimpach disse que “ofereceram homens brancos extraordinários (embora nem sempre completamente sérios) que resolveriam conflitos por meio de ação direta e violência, enquanto exibiam seu domínio sem esforço dos espaços urbanos, novas tecnologias, moda e seus próprios corpos”. O sucesso dos Commandos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial levou o presidente Franklin D. Roosevelt (1882-1945), a autorizar a criação de um serviço de inteligência modelado após o Secret Intelligence Service (MI6), e Special Operations Executive. O que levou à criação do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), estabelecido por uma ordem militar emitida pelo presidente Roosevelt em 13 de junho de 1942. Em 20 de setembro de 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, Harry S. Truman assinou uma ordem executiva dissolvendo o OSS e, em outubro de 1945, suas funções foram divididas entre os Departamentos de Estado e de Guerra. A divisão durou apenas alguns meses. Os fármacos de liberação controlada ou nanofármacos são macromoléculas nanométricas, capazes de armazenar em seu interior princípios ativos ou outras moléculas capazes de desenvolver uma resposta farmacológica, que funcionam como vetores capazes de efetuar o transporte pelo organismo e controlar a taxa de liberação e até mesmo fazer com que o fármaco seja liberado no ambiente fisiológico adequado, para que a liberação do composto específico possa ocorrer de maneira correta. 

Estas macromoléculas também podem ter sua parte exterior preparada para que sua dissolução, fator que permitirá a liberação do fármaco, ocorra apenas em tecidos-alvo específicos, minimizando os efeitos colaterais da droga utilizada. Por fim, as dimensões nanométricas das moléculas-gaiola podem levar inclusive à preparação de medicamentos capazes de vencer a barreira hematoencefálica, levando ao desenvolvimento de uma nova geração de fármacos específicos para o tratamento de patologias que causam danos cerebrais, seja causando alterações bioquímicas ou teciduais. Devido a isto este tipo de tecnologia possui um potencial enorme para a liberação de fármacos neoplásicos, pois a mesma é capaz de gerar a liberação de fármacos apenas em tecidos específicos diminuindo o dano sofrido pelos tecidos saudáveis do corpo. Um dos tipos de nanotecnologia utilizada na indústria farmacêutica são as nanopartículas poliméricas, que é um termo que quando aplicado à liberação de fármacos se refere a dois tipos de estruturas diferentes: as nanoesferas e as nanocápsulas. As nanocápsulas, por serem constituídas por um invólucro polimérico disposto ao redor de um núcleo oleoso, permitem que o fármaco esteja dissolvido neste núcleo e/ou adsorvido à parede polimérica. No entanto, as nanoesferas, por não apresentarem óleo em sua composição, são formadas por uma matriz polimérica em que o fármaco pode ficar retido ou adsorvido. Nanopartículas podem ser obtidas através de diversos métodos, que podem ser classificados em: polimerização interfacial de monômeros dispersos ou dispersos de polímeros pré-formados, no entanto, as nanocápsulas podem ser obtidas através do método da emulsificação de fusão, que foi destacada por Schaffazick como sendo uma das áreas mais promissoras na utilização das nanopartículas, pois a vetorização de fármacos anticancerígenos e de antibióticos, principalmente através de administração parenteral, permite uma distribuição mais seletiva dos mesmos e, assim, é capaz de gerar  um aumento do índice terapêutico.

Bibliografia Geral Consultada.

ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1994; FACION, José Raimundo, Transtornos do Desenvolvimento e do Comportamento. 3ª edição. Rev. Atual. Curitiba: Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão, 2007; CAMPOS, Haroldo de, Deus e o Diabo no Fausto de Goethe. São Paulo: Editora Perspectiva, 2008; BERMAN, Marshall, Tutto ciò che è solido svanisce nell'aria. L`esperienza della modernità. Traduttore V. Lalli. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; ABREU, Cleto Junior Pinto de, A Sociologia da Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman: Ciência Pós-Moderna e Divulgação Científica. Dissertação de Mestrado em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2012; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; CARVALHO, Leno Veras de, Cápsulas do Tempo - Memória e Amnésia: Iconologia Imagética em Espaço Mnemotécnico. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Faculdade de Comunicação. Brasília: Universidade de Brasília, 2014; NASCIMENTO, Marcio Lima do, Do Mal-estar em Freud ao Mal-estar em Bauman. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2014; VIEIRA, Patrícia Elias, O Consumidor no Ciberespaço Transnacional: O Devir da “Sociedade Líquido-Moderna” e do Estado Contemporâneo na Construção da Ciberdemocracia. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciência Jurídica. Itajaí: Universidade do Vale do Itajaí, 2016; EATON, Sarah Elaine, “Ethical Considerations for Research Conducted with Human Participants in Languages Other Than English”. In: British Educational Research Journal, 46 (4): 848–858; 2020; BERNARDES, Guilherme, Uma Camisa de Força para Houdini: Paul Muldoon, Forma Fixa e Tradução. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Setor de Ciências Humanas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2020; NASCIMENTO, Rodrigo Trindade, Uma Discussão da Filosofia do Empirismo Lógico em seu Contexto Histórico. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2022; Artigo: “O Filme Mais Instigante do Ano Mistura Nanotecnologia e Dilemas Éticos”. In: https://revistaoeste.com/oestegeral/2025/07/22/; entre outros.