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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

História de Lisboa – Desastre Geológico & Memória do Sismo de 1755.

                                                             Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. Marquês de Alorna                 

           

         Sismo, popularmente chamado de terremoto (ou terramoto), é o resultado de uma súbita liberação de energia na crosta do planeta Terra, por conta do choque entre placas tectônicas, o que cria ondas sísmicas. A sismicidade ou atividade sísmica de uma área refere-se à frequência, tipo e tamanho dos terremotos registrados ao longo de um período de tempo. Os terremotos são medidos através de observações de sismógrafos. A escala de magnitude de momento é a forma mais comum para medir a magnitude de tremores de terra mais fortes relatados pelo globo. Os terremotos abaixo da magnitude 5, menores e mais numerosos, que são relatados por observatórios sismológicos nacionais são medidos principalmente na escala de magnitude local, também referida como a escala de Richter. Estas duas escalas são numericamente semelhantes. Os sismos abaixo da magnitude 3 são em sua maioria quase imperceptíveis ou fracos demais, enquanto que os de magnitude 7 ou mais podem potencialmente causar sérios danos em áreas maiores, dependendo da sua profundidade. Os maiores terremotos já registrados têm sido de magnitude ligeiramente superior a 9, apesar de não haver um limite para a intensidade de sismos. O mais recente grande terremoto que atingiu a magnitude 9 foi o sismo e tsunâmi de Tohoku em 2011, o maior terremoto que atingiu o Japão desde que os registros etnográficos começaram a serem feitos.  A intensidade da agitação é medida pela escala de Mercalli. Quanto mais raso for o terremoto em relação a superfície terrestre, maiores serão os danos causados. 

Na superfície da Terra, a observação participante demonstra, que sismos manifestam-se através de tremores e, por vezes, pelo deslocamento do solo. Quando o epicentro de um grande terramoto está localizado no fundo do oceano, pode deslocar água o suficiente para causar um tsunâmi. Os terremotos também podem desencadear deslizamentos de terra e, ocasionalmente, atividade vulcânica. Um sismo de alta intensidade também pode diminuir a rotação do planeta, como, por exemplo, o que ocorreu no Chile em 27 de fevereiro de 2010 (cf. Hazbún; Lazcano, 1993), que provocou movimento de oito centímetros no eixo de rotação terrestre. O tempo de rotação do planeta pode ter diminuído em cerca de um microssegundo (10−6 s). Em seu sentido mais geral, sociologicamente falando, a palavra “terremoto” é usada para descrever e explicar potencialmente qualquer evento sísmico, natural ou causado pelo ser humano, que gere ondas sísmicas. Os terremotos são causados ​​principalmente por ruptura de falhas geológicas, mas também por outros eventos, como atividade vulcânica, deslizamentos de terra, explosões de minas e testes nucleares. O ponto de ruptura inicial de um terremoto é chamado seu foco ou hipocentro. O epicentro é o ponto ao nível do solo diretamente acima do hipocentro.  A maioria dos sismos está relacionada à natureza tectônica da Terra, sendo designados sismos tectônicos. A força tectônica das placas é aplicada na litosfera, que desliza lenta, mas constantemente sobre a astenosfera devido às correntes de convecção com origem no manto e no núcleo.  As placas podem afastar-se (tensão), colidir (compressão) ou simplesmente deslizar uma pela outra (torção). Com a aplicação destas forças, a rocha vai-se alterando até atingir o seu ponto de elasticidade, após o qual a matéria entra em ruptura e sofre uma libertação brusca de toda a energia acumulada durante a deformação elástica. 

A energia é libertada através de ondas sísmicas que se propagam pela superfície e interior da Terra. As rochas profundas fluem plasticamente (têm um comportamento dúctil – astenosfera) em vez de entrar em ruptura (que seria um comportamento sólido – litosfera). Aos sismos que ocorrem na fronteira de placas tectónicas dá-se o nome de sismos interplacas, sendo os mais frequentes, enquanto que àqueles que ocorrem dentro da mesma placa litosférica dá-se o nome de sismos intraplacas e são menos frequentes. Os sismos intraplacas também podem dar origem a sismos profundos, segundo as zonas de subducção (zonas de Benioff), ocorrendo entre os 100 e os 670 km. Devem-se à transformação de minerais, devido aos minerais transformarem-se noutros com forma mais densa e este processo é repentino. Pode ocorrer no caso da desidratação da olivina, em que esta se transforma em vidro. Também podem ser sismos de origem vulcânica, devendo-se às movimentações de magma dentro da câmara magmática ou devido à pressão causada por esse quando ascende à superfície, servindo assim para prever erupções vulcânicas. Está mais associado ao vulcanismo do tipo explosivo que às do tipo efusivo. Existem ainda os sismos de afundamento, que ocorrem na sequência de deslizamentos de correntes turbídicas (grandes fragmentos de rocha que deslizam no talude continental) ou devido ao abatimento de cavidades ou do teto de grutas. No entanto cientistas como Thomas Gold (1920-2004) advogam que os sismos têm origem partir de migração de gases primordiais como hélio, metano, nitrogênio e hidrocarbonetos, em grandes profundidades no interior da terra. Nos limites de placas litosféricas a intensidade e ocorrência dos sismos são maiores, provavelmente pela comunicação mais próxima entre o manto e crosta. A migração dos gases sob alta pressão dissipam energia sísmica através de falhas geológicas que podem atingir a superfície e causar sérios danos.                                        

A história de Lisboa circula à volta da sua posição geográfica estratégica no estuário do Tejo, sendo o rio Tejo o maior da Península Ibérica. O seu porto natural é o melhor para o reabastecimento dos barcos que fazem o comércio entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo. A sua localização no Sudoeste da Europa aproxima-a dos novos continentes da África Subsaariana e da América. Diz a lenda popular e romântica que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói mítico Ulisses. Os Estrímnios são dados como o primeiro povo nativo reconhecido de Portugal. Oestremni significaria (povo do) extremo ocidente. Eles estendiam seu território da Galiza até ao Algarve. A primeira invasão documentada ocorreu muito antes do início da Era Comum, quando os Ofis e outras tribos entraram na Península Ibérica e colonizaram as terras férteis dos Oestreminis, perto dos rios Douro e Rio Tejo. Recentemente foram feitas descobertas arqueológicas perto do Castelo de São Jorge e da Sé de Lisboa que comprovam que a cidade teria sido visitada pelos fenícios cerca de 1 200 a.C., e se já existindo previamente, com estes comerciava e se relacionava. Nessa época os fenícios viajavam até às ilhas Sorlingas e à Cornualha, na Grã-Bretanha, para comprar estanho aos nativos. O Mar da Palha ou estuário do Tejo é o melhor porto natural do percurso e rio uma importante via de comunicação para as trocas de alimentos e metais com as tribos do interior; tendo sido posteriormente teorizada, talvez por isso, a fundação da colônia comercial Alis Ubbo, significa “porto seguro” ou “enseada amena”, sendo provavelmente afilhada da grande cidade de Tiro, no Líbano.

A povoação, eventualmente já anterior, estendia-se então desde a colina onde hoje se situam o Castelo e a Sé, até ao rio, que chamavam Daghi ou Taghi que significa “boa pescaria” em fenício. Uma outra teoria sustenta a origem do seu nome na toponímia celta ou pré-celta do rio Tejo. Ao seu nome original, Lisso ou Lúcio, teria sido adicionado o sufixo Tartéssio. Com o desenvolvimento de Cartago, uma colônia fenícia, o “controlo” ou o contacto comercial mais estreito com Alis Ubbo passou para essa cidade. Durante séculos, fenícios e cartagineses terão desenvolvido ou estabelecido relações com a cidade a partir do que foi um simples entreposto comercial para o comércio nos mares do Norte, para um importante mercado onde eram trocados os seus produtos manufaturados pelos metais, peixe salgado e sal da região e das tribos contactadas pela via fluvial do Tejo. Os cavalos, antepassados dos atuais cavalos lusitanos, já eram então famosos no Mediterrâneo pela sua velocidade, tendo Plínio afirmado que “as éguas do Tejo deveriam ser fecundadas pelo vento”. Com os celtas, estes misturaram-se com os povos iberos ou Ibéricos, dando origem às tribos de língua celta da região, os Cónios ou Cinetes, os Sefes e os Cempsos. Os antigos gregos tiveram na foz do Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os seus conflitos com os Cartagineses por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono devido ao maior poderio de Cartago na região nessa época.

Por outro lado, o sufixo “ippo” (ipo) é característico de áreas de influência tartéssica ou turdetana. Os deuses Aracus, Carneus, Bandiarbariaicus e Coniumbricenses eram venerados em Lisboa na época pré-romana, pelos Túrdulos da região. Os Túrdulos formavam uma antiga tribo tartéssica, um povo pré-romano que vivia no sul de Portugal, assentada a leste da província do Alentejo, entre os vales do rio Guadiana e o Guadalquivir, aproximadamente entre a Oretânia e a Turdetânia. Os Romanos conquistaram a cidade em cerca de 139/138 a.C., após destruírem Cartago a capital dos cartagineses comerciantes em Alis Ubbo. A campanha foi liderada por Décimo Júnio Bruto Galaico, durante a expansão romana na Península Ibérica e a Guerra Lusitana. Alis Ubbo foi renomeada de Olissipo, Felicitas Julia Olissipo, em homenagem à deusa Felicitas e à dinastia Júlia. Recebeu estatuto e autonomia como Município Romano, não pagando impostos a Roma os territórios num raio de 50km em seu redor. Olissipo foi integrada na província romana da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta (Mérida, atual Estremadura de Espanha). Os habitantes da cidade que lutassem ao lado das Legiões eram-lhe reconhecidos o título de cidadãos romanos. A Olissipo romana teve um reforço da muralha, a antiga Ribeira Velha (Campo das Cebolas) e o porto (Rua Augusta e Baixa). Teve um anfiteatro que descia a colina até ao Terreiro do Trigo. O seu centro urbano localizava-se entre a colina do castelo e a Baixa, com as zonas mais ribeirinhas ainda submersas pelo Tejo.  No século I, foi construído o Teatro de Olissipo, um dos mais antigos e importantes vestígios da presença romana na cidade.

Ptolomeu designava Olissipo como sendo a cidade de Ulisses. Durante o seu período romano a cidade foi uma importante praça comercial, estabelecendo a ligação entre as províncias do Norte e o Mediterrâneo. Olissipo era famosa pelo fabrico de garum, alimento de luxo feito de pasta de peixe, conservado em ânforas e exportado para Roma e todo o império. Outros produtos comercializados eram o vinho, o sal e os cavalos lusitanos. No seu tempo, para além exploração das minas de ouro e prata, a maior receita provinha de tributos, impostos, resgates e saques, que incluíam ouro e prata dos tesouros públicos dos povos da Lusitânia e de outras feitorias peninsulares. Nos finais do Império Romano do Ocidente, Olissipo foi um dos primeiros centros a introduzir e a desenvolver o cristianismo na Península Ibérica. O primeiro bispo de Olissipo foi São Gens. Em consequência da queda do império, Olissipo foi vítima de invasões bárbaras, dos alanos, dos vândalos e dos suevos, tendo sido parte do seu reino. Foi tomada pelos visigodos de Toledo, que lhe chamavam “Ulishbona”. A degeneração do Império, e a feudalização da sociedade romana levaram às primeiras invasões dos povos Germanos, Hunos e outros. Inicialmente aceites como colonos nas terras desertificadas pelas epidemias terríveis que mataram grande parte da população da época (provavelmente de Sarampo e Varíola), transformaram-se depressa em expedições militares com objetivos de saque e conquista.

No início do século V os Vândalos que depois se retiram para o Norte de África tomam Olisipo, seguidos dos Alanos. Em 419, Olisipo foi saqueada e queimada pelos godos do Rei tribal Vália, Remismundo conquistou Lisboa em 468 com a ajuda de um hispano-romano de Lisboa chamado Lusídio, e finalmente em 469 é integrada no Reino Suevo cuja capital era Braga. Após a invasão dos visigodos, estes estabelecem-se em Toledo e após várias guerras durante o século VI, conquistam os suevos, unificando a Península Ibérica, incluindo a cidade que chamavam Ulishbona. Durante esta época conturbada, Lisboa perde as ligações políticas com Constantinopla, mas não as comerciais. Mercadores gregos, sírios, judeus e outros, vindos do Oriente, formam comunidades que trocam os produtos locais com os do Império Bizantino, Ásia e Índia. Após três séculos de saques, pilhagens e perda de dinâmica comercial, Ulishbona era pouco mais que uma vila no início do século VII. Os árabes Omiadas liderados por Tárique conquistam o Reino Visigótico em 711 aproveitando a sua guerra civil, após terem conquistado Cartago aos Bizantinos e os Berberes no Norte de África. Ulishbona foi conquistada pelas tropas de Abdalazize ibne Muça. Al-Ushbuna foi a adaptação árabe do nome, integrada no Emirato de Córdova do Califado Omíada, e a capital em Damasco.                    

Foi construído o castelo de Alusbuna, com a cerca velha sobre a colina, com a alcáçova (palácio) para os valis (governadores), mesquitas e uma almedina chamada Alfama, que ampliou o centro urbano original. A cultura Moçárabe teve origem neste contexto, falantes da língua moçárabe que mantém a origem românica com influência da língua árabe. O cristianismo moçárabe tinha o seu próprio bispo e foi tolerado na qualidade de dhimmi em troca de imposto, o jizia. A comunidade Judaica foi reforçada pelos judeus que ocuparam posições de destaque nas áreas do comércio, administração e medicina. Alusbuna tornou-se um centro importante para a comunidade judaica que aproveitou a elevação da cidade a núcleo comercial proeminente. Os Omíadas introduziram nos arredores da cidade a sua agricultura irrigada, que é muito mais produtiva que os métodos de sequeiro anteriores. As águas do Tejo e seus afluentes são usadas para irrigar a terra no Verão, produzindo várias colheitas por ano e vegetais como alfaces e frutos como as laranjas. A cidadela de al-Madan, a atual Almada é fundada na margem Sul do Tejo para proteger a cidade. Em 844, várias dezenas de barcos dos vikings surgem no Mar da Palha, liderados por Hastein. 

Os Escandinavos estabelecem o cerco, conquistam a cidade e os campos à volta, onde ficam durante 13 dias. Mas os vikings acabariam por partir face à resistência continuada dos habitantes da cidade liderados por Alá Abzeme. Em 929, os omíadas separaram-se do médio oriente e fundaram o seu próprio califado no Alandalus, o Califado de Córdova com a capital em Córdova. Tornaram-se independentes do novo califado dos Abássidas, que se apoderou da maior parte do antigo califado. No início do século X surgem em Alusbuna várias seitas islâmicas de conversos da população hispânica. Estas seitas são formas de organização política com que os autóctones se revoltam contra os obstáculos postos na sua ascensão social por um sistema hierárquico em que primeira vinha a pequena elite de descendentes do profeta Maomé, depois os Árabes de sangue puro, a seguir Berberes ou mouros e só depois os Latinos arabizados e muçulmanos. Vários líderes Latinos surgem, como Ali ibne Asra e outros, que se declaram Profetas ou descendentes de Ali (xiitas) que com aliados em outras cidades iniciam guerras civis com as tropas árabes sunitas. Novo ataque viquingue seguir-se-ia sem sucesso em 966. Alusbuna tornou-se um grande centro administrativo e comercial para as terras junto ao Tejo, recolhendo os seus produtos e trocando-os por produtos do Mediterrâneo Árabe, particularmente Marrocos, Tunísia, Egito, Síria e Iraque. Segundo as estimativas actuais a cidade teria no seu apogeu, no século X, mais de 100 mil habitantes, e com Constantinopla, Salónica, Córdova e Sevilha, Roma, Milão e Palermo seria uma das maiores cidades da Europa, muitas vezes maior que Paris e Londres, que em plena Idade Média teriam apenas 5-10.000 habitantes.

Além do sal, peixe e cavalos, negociavam-se as especiarias vindas do Levante, as plantas medicinais, os frutos secos, mel e peles. Por volta de 1020-1022, Ibne Ziade proclamou a Taifa de Lisboa e a sua independência do Califado de Córdova. Houve um período conhecido por régulo eslavo, em que o eslavo Sabur Assaclabi e os seus filhos Abdalazize ibne Sabur e Abedal Maleque ibne Sabur foram governantes da taifa de Lisboa, mostrando que os Saqaliba estavam integrados na população e podiam ter posições políticas. No entanto, a Taifa de Sevilha também se tornou independente e conquistou Alusbuna com a queda do califado em 1031. A Cerca Velha e possivelmente o Castelo de Alusbuna foram reforçados por Almutadide, emir de Sevilha. Em 1044, Alusbuna é conquistada pela Taifa de Badajoz. Os bairros fora da muralha cresceram: como Alfama de Fora e a Mouraria. Consta nas crónicas uma grande rebelião dos berberes do norte de África frente aos árabes Omíadas do médio oriente. A expansão dos Almorávidas chamados de “mouros”, uma confederação berbere com capital em Marraquexe, teve início em 1091 tomando grande parte das taifas do sul da Península Ibérica, incluindo a Taifa de Badajoz e a cidade de Alusbuna. No Reino de Leão, Afonso VI (1072-1077) declarou a abolição do cristianismo moçárabe e a substituição pelo rito romano. Afonso VI após conquistar a cidade de al-Santaryn (Santarém) tentou conquistar Alusbuna em 1093, mas sem obter sucesso. O ataque reforçou a fortificação da cidade que permaneceu integrada no Império Almorávida.   

A Norte do Império Almorávida, o Condado Portucalense do Reino de Leão inicia o seu processo de Independência em 1128, com D. Afonso Henriques, cognominado “o Conquistador”, “Rei Fundador”, e “o Magno” foi o primeiro rei de Portugal. Passa a intitular-se “Rei dos Portugueses” a partir de 1139 e reinou de jure a partir de 5 de outubro de 1143, após a conferência de Zamora, até à sua morte. Afonso Henriques começa conquistar territórios almorávidas a Sul e tenta conquistar Alusbuna em 1137, mas fracassou frente às muralhas da cidade. Em 1138 declara-se rei do Reino de Portugal, mudando a capital para Coimbra. Famosa e opulenta, a cidade de Alusbuna daria ao reino bastante prestígio. Em 1140, aproveita os cruzados que passavam pelo Reino de Portugal para um segundo ataque, que novamente falha. Em 1147, o Império Almorávida foi conquistado pelo Califado Almóada, que integra a cidade de Alusbuna. Em junho e julho do mesmo ano, D. Afonso Henriques faz um terceiro ataque a Alusbuna, aproveitando a instabilidade do novo califado, com a ajuda de uma força mais numerosa de cruzados, cerca de 164 barcos cheios de homens. Enquanto as suas forças portuguesas atacavam pela terra, os cruzados, na sua maioria ingleses e normandos, aliciados pelas promessas de pilhagem livre, montaram as suas máquinas de cerco, como catapultas e torres, e atacavam simultaneamente pelo mar e impediam a chegada de reforços vindos do Sul. Nas primeiras batalhas os almóadas venceram os cristãos. Conta a lenda que, após muitas tentativas, uma das portas é arrombada e o português Martim Moniz consegue mantê-la aberta com o próprio corpo permitindo que os seus companheiros entrassem, ainda que morrendo esmagado por ela.

Mais provavelmente com a ajuda das máquinas de sítio, as muralhas são ultrapassadas, em 23 de outubro de 1147. Segundo Osberno de Crépon, também referido como Osberno, o Regente (morto por volta de 1040), foi o Regente de dois duques da Normandia e pai de Guilherme FitzOsbern, primeiro conde de Hereford, um dos conselheiros mais próximos de Guilherme, o Conquistador, depois de entrarem na cidade, os colonienses e os flamengos não respeitam o juramento nem palavra dada ao rei de Portugal e saquearam a cidade, atuam sem respeito contra as donzelas e cortam o pescoço ao bispo da cidade. Depois da conquista da cidade, uma epidemia de peste dizima milhares de vidas entre os moçárabes e muçulmanos. Dom Afonso Henriques toma posse de Lixbona ou Lisbona, oficialmente no dia 1° de novembro, quando numa cerimónia religiosa manda transformar a grande mesquita de sete cúpulas, a Aljama, em Sé Catedral. O Bispo é Gilbert de Hastings, um cruzado inglês, e a muitos dos cruzados mais proeminentes são doadas terras da região e títulos. Em 1173, São Vicente tornou-se o padroeiro da cidade. Segundo a lenda, os seus restos mortais foram transladados para a Capela-mor da Sé, mandados trazer do Algarve, no Califado Almóada. O Rei deu o Foral em 1179, e inaugurou uma grande nova feira ou mercado, tentando recuperar as ligações comerciais da cidade. O resultado destes esforços é que os mercadores portugueses cristãos ou judeus não só retomam algumas das antigas ligações comerciais, como na Andaluzia (Sevilha e Cádis), e no Mediterrâneo, até Constantinopla, como abrem-se novas vias para os portos da Europa do Norte, que os muçulmanos raramente visitavam devido às diferenças ideológicas.  

Santo Antônio nasce em 1195 na cidade com o nome de Fernando de Bulhões. A primeira vocação da Lisboa do Reino de Portugal foi, mais uma vez, a mediação do comércio entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo, mas graças aos avanços na navegação oceânica os volumes tornaram-se cada vez maiores. Casas de mercadores Portugueses abriram em Sevilha, Southampton, Bruges e nas cidades da Hansa. Trocam-se as especiarias, sedas e mezinhas mediterrâneas; ouro, marfim, arroz, alúmen, amêndoas e açúcar comprados aos Árabes e mouros; juntamente com o azeite, sal, vinho, cortiça, mel e cera Portuguesas com os têxteis de lã ou linho finos, estanho, ferro, corantes, âmbar, armas, peles e produtos artesanais do Norte. São fundados estaleiros para a construção de mais barcos comerciais e militares, cuja Armada é essencial na proteção do comércio contra os piratas sarracenos. Para responder à crescente demanda pelas populações cada vez maiores da Europa no século XII e XIII, foram estimuladas as inovações na construção dos barcos, que da barca forte, mas tosca passam, numa síntese de conhecimento cristão, viquingue e árabe, para a caravela (primeira referência em 1226), o primeiro verdadeiro navio atlântico. Às profissões ligadas à navegação, como carpinteiros e marinheiros, são dados privilégios e proteção, incluindo a criação em Lisboa de Juiz próprio, o Alcaide do Mar (1242).    

Um efeito indireto de todo este dinamismo de Lisboa é a ruína dos comerciantes germânicos, que faziam o mesmo comércio por ter uma rota mais dispendiosa, mas a única possível quando os navios muçulmanos e os seus piratas controlavam o sul de Espanha e o estreito de Gibraltar entre os Países Baixos e a Hansa e a Itália e os seus portos. O Sacro Império Romano-Germânico perde influência sobre os seus reinos, ducados e cidades-Estado constituintes, e os mercadores alemães, até aí senhores do comércio Europeu, são forçados a procurar novos mercados a oriente. No seguimento desta prosperidade, com a conquista definitiva dos Algarves no século XIII e o aumento da segurança em Lisboa, Afonso III de Portugal escolhe em 1256 a maior e mais vigorosa cidade do seu reino para capital, movendo para aí a Corte, os Arquivos e a Tesouraria (que estavam em Coimbra). Dom Dinis, o primeiro Rei a presidir todo o seu reinado em Lisboa, cria aí a Universidade em 1290, que transfere para Coimbra em 1308 apenas devido aos conflitos crescentes dos estudantes com os lisboetas. É nesta altura que a zona onde hoje está o Terreiro do Paço é reclamada ao mar, através de drenagens do terreno já lamacento (era rio livre até ao tempo da conquista, mas sedimentou devido aos depósitos do rio). Novas ruas são desenhadas, como a Rua Nova, e o Rossio torna-se pela primeira vez centro da cidade, roubando essa distinção à colina do Castelo. Outras construções de D. Dinis foram uma muralha frente novo Cais da Ribeira contra os piratas, e renovações do Palácio Árabe, a Alcáçovas, destruída no Terramoto de 1755 e da Sé.

Além das colônias de Portugueses nas cidades do Norte da Europa, colónias de mercadores do resto da Europa estabelecem-se em Lisboa, uma das mais importantes cidades do comércio internacional. Sem contar com os judeus que já existiam como Portugueses, os Genoveses são os mais numerosos, acompanhados de Venezianos e outros Italianos, além de Holandeses e Ingleses. Estes mercadores trazem para Portugal novas técnicas cartográficas e de navegação, além de técnicas bancárias, financeiras e outras conhecidas como o sistema do Mercantilismo, além de conhecimentos das origens Asiáticas dos produtos de luxo como as sedas e especiarias, que trazem do Oriente Bizantino e Islâmico. Politicamente as tensões com Castela são contrabalançadas com uma Aliança assinada em 1308, que perdurou ininterruptamente até hoje, com o principal parceiro comercial de Lisboa (e também do Porto), a Inglaterra. A aliança forma um dos dois lados da Guerra dos cem anos, no outro lado estão além de Castela a França.

No tempo de Fernando de Portugal inicia-se uma guerra com Castela, e os barcos lisboetas com canhões são recrutados assim como os Genoveses num ataque malsucedido a Sevilha. Em resposta os castelhanos põem cerco a Lisboa, tomando-a em 1373, mas são pagos para se retirarem. É no seguimento deste desastre que são construídas as Grandes Muralhas Fernandinas de Lisboa. Socialmente em baixo viviam todo o tipo de jornaleiros e mercadores de rua, além dos pescadores e dos agricultores das hortas de vegetais. São desta época as várias Ruas dos ofícios, nas quais se organizavam as corporações dos mesteirais, dirigidos pelos Mestres: Rua do Ouro (ourives); Rua da Prata (joalheiros de pratas); Rua dos Fanqueiros; Rua dos Sapateiros; Rua dos Retroseiros e Rua dos Correeiros. Estas corporações educavam os aprendizes e tinham sistemas de proteção social e controlo dos preços que beneficiavam os seus membros. A aristocracia, atraída pela corte, estabelecia-se construindo grandes palácios, e desempenhava funções burocráticas. Mas a mais importante classe social de Lisboa, mesmo após o ganho de funções políticas enquanto capital, era a dos mercadores, a burguesia que era a força deste núcleo comercial que era dos mais importantes da Europa. São os magnatas do comércio que controlam a cidade e o seu concelho oligárquico. É devido às necessidades destes que se organizam na cidade os profissionais: banqueiros para coordenar os riscos; homens das Leis para proteger e manipular os seus direitos legais; especialistas e cientistas para construir os seus barcos e instrumentos de navegação. Com a sua influência, conseguem extrair da Monarquia medidas mercantilistas que os favorecem, e são o grande impulso à exploração de novos mercados.

A Companhia das Naus é fundada, uma verdadeira companhia de seguros, que exige pagamento de cotas obrigatórias de todos os armadores em troca da partilha de perdas após naufrágios, organizando os mais de quinhentos grandes navios dos magnatas da cidade. Com os crescentes lucros, os mercadores mais ricos adquirem títulos de nobreza, enquanto os fidalgos mais pobres se dedicam ao comércio. Entre as minorias, contavam-se as dos judeus e dos muçulmanos não só mouros, mas também árabes e latinos islamizados de língua árabe. Havia uma grande judiaria que ocupava as freguesias de Santa Maria Madalena, São Julião e São Nicolau, na Rua Nova e dos Mercadores onde ficava a Grande Sinagoga. Os judeus são grandes comerciantes, com ligações aos seus correligionários por toda a Europa, Norte de África e Médio Oriente, e os que não praticam o comércio constituem grande parte dos letrados, como médicos, advogados, cartógrafos e especialistas nas ciências ou artes. Entres judeus Sefarditas de Lisboa contam-se grandes nomes como os Abravanel. São forçados a viver separadamente, proibidos de sair à noite, obrigados a usar distintivos nas vestes e pagam impostos extra, além de serem sempre as primeiras vítimas em situações de revolta popular.           

A Mouraria era o gueto correspondente para os muçulmanos, contendo a Grande Mesquita, situada na Rua do Capelão. Contudo não eram prósperos e educados como os judeus, já que as elites muçulmanas tinham fugido para o Norte de África, enquanto os judeus letrados falantes de Português não tinham outra Pátria. A maioria eram trabalhadores de baixo nível de qualificações com salários baixos, e muitos eram escravos de cristãos. Também eles tinham de usar símbolos nas vestes e pagar impostos extra, e sofriam as violências das multidões. O termo saloio provém do imposto especial que pagavam os muçulmanos que cultivavam as hortas nos limites da cidade, o salaio; assim como o termo alfacinha vem do cultivo desses vegetais pelos árabes, então pouco consumidos no Norte. No entanto a prosperidade da cidade viria a ser interrompida. Em 1290 ocorre o primeiro grande terramoto histórico, morrendo milhares de pessoas e desmoronando-se muitos edifícios. Novos terremotos registam-se em 1318, 1321, 1334, 1337 e um grande em 1344 que destrói parte da Sé e da Alcáçovas, em 1346, 1356 destrói outra porção da Sé, 1366, 1395 e 1404 possivelmente todos resultantes de reajustamentos na mesma falha. A fome surge em 1333 e em 1348 surge pela primeira vez a Peste Negra, que terá morto metade da população, com novos surtos de menor mortandade em cada década, à medida que nasciam mais pessoas susceptíveis. Estas catástrofes destruíram em Lisboa como na restante Europa a Civilização vibrante da Baixa Idade Média, com as suas catedrais e o seu espírito de Cristandade universal, mas prepararam o caminho para o surgimento da nova Civilização dos Descobrimentos e do novo espírito científico.

Na Batalha de Aljubarrota a nova elite burguesa de Lisboa e os seus aliados nacionais derrotaram a velha aristocracia feudal e o seu aliado, Castela. O novo capítulo da história de Lisboa nasce com a grande revolução da Crise de 1383-85. Após a morte de Fernando de Portugal, o Reino passaria para o Rei de Castela, João I de Castela. Os grandes aristocratas e clérigos do Norte, possuidores de grandes propriedades no Sul que adquiriram após a Reconquista, tinham interesses e cultura semelhantes às dos Castelhanos com ênfase nas distinções sociais baseadas na possessão da terra, no espírito de cruzada contra os mouros no Norte de África, e nos benefícios da união de toda a Hispânia. Contudo não são esses os interesses dos mercadores de Lisboa (muitos dos quais pequenos fidalgos). Para Lisboa, a união com Castela significaria uma diluição das ligações comerciais com a Inglaterra e o Norte, e também com o Médio Oriente; além de um desvio de atenções dos privilégios aos mercadores e da construção de barcos comerciais e de guerra, para os exércitos terrestres e os privilégios aos Nobres. É por isso que politicamente os mercadores e pequenos fidalgos mercantes apoiavam inicialmente o Mestre de Avis, D. João (1357-1433). A guerra de 1383 é no fundo uma guerra de posição entre a Aristocracia conservadora católica e medieval, muito semelhante, comparativamente e ligada às suas congêneres Galega e Castelhana, do antigo Condado Portucalense centrado no Minho, exceto o Porto burguês, aliado de Lisboa, entre outras urbes e personalidades do Norte), e os mercadores ricos e pluralistas de Lisboa. Os nobres do Norte tinham fundado e conquistado o país e para eles o domínio crescente de Lisboa ameaçava a sua supremacia enquanto a aliança com os nobres Castelhanos a restabelecia. Para Lisboa, uma cidade do comércio, as práticas feudais e as guerras terrestres dos Castelhanos eram um risco para os seus negócios. 

São os burgueses que ganham a luta, com as suas ligações inglesas e capitais avultados: o Mestre de Avis é aclamado João I de Portugal, vencendo o Cerco de Lisboa de 1384, e a Batalha de Aljubarrota sob liderança de Nun`Álvares Pereira em 1385 contra as forças de Castela e dos fidalgos do Norte. A nova aristocracia portuguesa é formada a partir dos mercadores Lisboetas, e é só a partir desta data que o centro de Portugal passa realmente do Norte para Lisboa, tornando Portugal numa espécie de cidade-Estado, em que apenas os seus interesses hegemônicos determinam o rumo e a Independência do país. Os novos nobres burgueses constroem os seus palácios ou paços no bairro de Santos; outros edifícios são os da Universidade em Alfama, que regressa a Lisboa; a Igreja do Carmo; a Alfândega; e alguns dos primeiros edifícios de habitação na Europa com vários andares, até cinco. A cidade é composta de ruas estreitas e tortuosas, a maioria de terra batida, em que as casas alternam com as hortas e os pomares. A cidade continua a crescer, e o largo abandono das técnicas de regadio muito produtivas dos muçulmanos significam que é necessário importar trigo de Castela, França, terras do rio Reno e até de Marrocos. Lisboa é uma cidade que cresce demasiado para o país, e este torna-se num território circundante semelhante aos de outras cidades comerciais. Lisboa, juntamente com Antuérpia no Atlântico servem a mesma função de organização do comércio que Veneza, Génova, Barcelona ou Ragusa no Mediterrâneo; ou Hamburgo, Lubeck e outras no Báltico. Em 1417 proíbe-se que se deite lixo perto do Mosteiro do Carmo e de outras áreas de Lisboa. Em 1426 outra lei proíbe lançar lixo e deixar galinhas soltas nas ruas de Lisboa sob pena de pagar multa. A política externa segue os interesses de Lisboa: são assinados acordos comerciais e de cooperação com as cidades-Estado comerciais de Veneza (acordo de 1392), Génova (1398), Pisa e Florença, cujos mercadores já habitavam na cidade, e muitos dos quais são naturalizados e se tornam nobres Portugueses.

Ceuta é conquistada em 1415 para permitir aos mercadores Lisboetas um melhor controlo local (e luta contra os piratas sarracenos) do comércio Mediterrânico que passava para o Norte através das Colunas de Hércules assim como a exportação do trigo marroquino a melhores preços. Além disso, nesse tempo Ceuta recebia as caravanas do ouro e do marfim, comércio que os Lisboetas queriam dominar, e temia-se a tomada da cidade pelos Castelhanos da rival Sevilha ou dos Aragoneses de Barcelona. A Aliança com a Inglaterra, um dos seus maiores clientes, é prosseguida. Várias expedições se empreenderam com tripulações portuguesas, nas quais foram descobertos os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Alguns afirmam que terão mesmo chegado ao Brasil. Estas ilhas permitem o estabelecimento de novas cidades-portos, úteis para a exploração de novos mercados. A prosperidade de Lisboa fica ameaçada quando o Império Otomano invade e conquista os territórios Árabes do Norte de África, Egito e Médio Oriente no século XV. Os Turcos são inicialmente hostis aos interesses de Lisboa e das suas aliadas Veneza e Génova, e o comércio das especiarias, ouro, marfim e outros bens sofre fortemente. Os mercadores de Lisboa, muitos descendentes de muçulmanos ou judeus com ligações ao Norte de África, reagem procurando negociar diretamente com as fontes dessas mercadorias, sem usar os mediadores muçulmanos. As ligações dos judeus portugueses aos judeus magrebinos, e a conquista de Ceuta, permitem aos mercadores de Lisboa espiar os mercadores árabes, descobrindo que o ouro, os escravos e o marfim vêm para Marrocos em caravanas pelo deserto do Saara, a partir das terras do Sudão que nesse tempo incluía as pradarias a Sul do Deserto (Sahel); e que as especiarias como a pimenta são levadas para os portos do Mar Vermelho no Egipto a partir da Índia.

A nova estratégia dos mercadores Portugueses, cristãos e judeus, e Luso-Italianos é navegar diretamente à fonte dos materiais. O grande impulsionador deste objetivo é o Infante D. Henrique, que se baseia na cidade de Tomar. Sede da Ordem de Cristo (antigos Templários), e de uma grande comunidade de mercadores judeus, a cidade está também muito ligada a Lisboa pelo comércio dos cereais e frutos secos uma das principais exportações de Lisboa. Os capitais e conhecimentos do Oriente por parte dos Templários e judeus foram sem dúvida fundamentais para se conseguirem os propósitos dos mercadores Lisboetas. O Infante Dom Henrique é o impulsionador de um projeto que não foi ele que imaginou, mas sim os mercadores de Lisboa. Estes que sustentavam através dos impostos e taxas alfandegárias a monarquia, tornando-a praticamente independente dos recursos dos nobres territoriais, convertem-na aos seus propósitos mercantilistas. O Infante D. Henrique é o organizador de um certo dirigismo de Estado: os grandes riscos e capitais necessários à abertura das novas rotas precisam da cooperação de todos os mercadores através do Estado como muitos projetos de grande capital são empreendidos internacionalmente. 

O Infante Dom Henrique organiza e dirige os esforços dos navios portugueses de atingir as fontes do ouro, marfim e escravos, que estes por si mesmos já empreendiam de forma ineficiente. Com os capitais da Ordem de Cristo, são fundadas escolas de marinheiros e concentrados recursos e conhecimentos, dos mercadores Lisboetas judeus, Luso-Genoveses ou Luso-Venezianos, para atingir o objetivo. Várias expedições são lançadas sob a forma de contratos com alguns dos mais influentes burgueses de Lisboa, até que o Golfo da Guiné é finalmente atingido por volta de 1460. Nesta época há nova tentativa dos nobres feudais nortenhos que permaneceram, de retomar o controle do Reino, assustados com a crescente prosperidade dos mercadores lisboetas contra as suas perdas de rendimento. O propósito é a facilidade da conquista de Ceuta, que abre perspectivas de mais conquistas relativamente fáceis no Norte de África. Esta empresa seria favorável aos nobres, que ganhariam saque e mais terras e arrendatários em Marrocos, mas é contrária aos interesses dos mercadores-fidalgos e judeus de Lisboa, que seriam os pagadores dos impostos extra necessários às expedições e que procuram antes investir as forças e recursos do Reino na descoberta dos novos mercados africanos e asiáticos e não em aumentar ainda mais o poder da hostil e pró-castelhana nobreza Portucalense. Todas as lutas que D. João II manteve contra esses nobres, com a ajuda dos mercadores Lisboetas, exprimem esta realidade subjacente de luta entre Lisboa e o Norte, o antigo Portucale, berço da nação, pela definição do rumo do país. Após várias conspirações e incidentes, nas quais mais uma vez os nobres nortenhos pedem auxílio aos seus congéneres Castelhanos, vence mais uma vez Lisboa e os seus mercadores, e os cabecilhas são executados, entre os quais os Duques de Bragança e Viseu, mortos em 1483 e 1484. 

Todos os projetos de expansão terrestre em África são abandonados em troca do comércio nas novas terras descobertas mais a Sul. Depois da morte do Infante D. Henrique, quando o caminho já estava aberto, inicia-se a iniciativa privada. O mercador lisboeta Fernão Gomes é o primeiro, sendo-lhe reconhecido monopólio sobre o comércio africano em 1469, em troca de descoberta de 500 quilómetros de costa para Sul a cada ano e 200.000 reais. As ilhas da Madeira e dos Açores são populadas, e programas de cultivo de produtos comerciais para Lisboa são implantados prioritariamente: a cana-de-açúcar e o vinho. Na recém-descoberta Guiné, produtos baratos como potes de metal e tecidos são trocados por ouro, marfim e escravos a partir de feitorias controladas pelos lisboetas: os nativos deslocam a sua atividade económica para trocar com os Europeus, mas não são conquistados, já que seria dispendioso. Fazem-se casamentos dos habitantes das feitorias com as filhas dos chefes locais, facilitando as trocas: o objetivo é o lucro e não a colonização. O resultado é um novo impulso para o comércio de Lisboa. Na capital aparecem o açúcar de cana e o vinho da Madeira, o trigo de Ceuta, o almíscar, o índigo e outros corantes de roupa, algodão do Norte de África e significativas quantidades do ouro da Guiné e da Costa do Ouro, em grande falta na Europa no fim do século XV. Além disso são traficados de forma brutal escravos Berberes das Canárias e depois africanos. Os primeiros escravos são distribuídos pelo território Português, os primeiros Africanos de pele escura mesmo nas terras do interior, comprados pelos senhores das propriedades. Um produto inovador foram as malaguetas. 

Estes frutos picantes seriam cultivados na Índia para onde foram levadas pelos mercadores Lisboetas, mas são originárias da Guiné. Rapidamente este bem de monopólio lisboeta ganhou favor na culinária mediterrânica. Contudo os melhores mercados e produtos viriam de outra descoberta, a Índia e o Oriente. A guerra entre o Império Otomano e Veneza aumenta muito os preços da pimenta e outras especiarias e da seda trazidas pelos venezianos para a Itália, para Lisboa e daí para o resto da Europa a partir do Egito (que recebia barcos árabes vindos da Índia no Mar Vermelho. Para contornar o “problema turco” é organizada a viagem de Vasco da Gama, mais uma vez por iniciativa dos mercadores Lisboetas, mas com capital régio, que chega à Índia em 1498. Daí os mercadores atingem a China onde fundam a colónia comercial de Macau, as ilhas da atual Indonésia, e o Japão antes do fim do século XVI. No caminho estabelecem contratos comerciais e portos de escala com os chefes e Reis em Angola e Moçambique. Um grande Império colonial é consolidado por Afonso de Albuquerque, cuja armada segura o Oceano Índico e portos em localizações convenientes, para os mercadores vindos de Lisboa contra a competição dos turcos e árabes. Não são tomados territórios, portos e fortes de trocas com os nativos. Do outro lado do mundo, Pedro Álvares Cabral (1467-1520) chega ao Brasil em 1500.

O resultado para Lisboa são os novos produtos que comercializa com a restante Europa em regime exclusivo durante muitos anos: além dos produtos africanos chega a pimenta, canela, gengibre, noz moscada, plantas medicinais, tecidos de algodão e os diamantes pela Carreira das Naus da Índia; as especiarias da Molucas, as porcelanas Ming e a seda da China, os escravos de Moçambique, o pau-brasil e o açúcar brasileiros. Além disso continua o comércio do peixe (bacalhau salgado pescado na Terra Nova), os frutos secos e o vinho. As outras cidades portuguesas, como o Porto e Lagos, contribuem para o comércio externo apenas de forma marginal, praticamente limitando-se a exportar e importar de Lisboa. Os Lisboetas controlam ainda muito do comércio de Antuérpia, da qual importam tecidos finos para o resto da Europa. Os mercadores alemães e italianos, vendo as suas rotas, terrestres no caso dos primeiros, mediterrâneas para os segundos, largamente abandonadas, fundam grandes casas comerciais em Lisboa reexportando os produtos de todo o mundo para o Leste da Europa e para o Médio Oriente. Lisboa é o mercado para os gostos de luxo das elites de toda a Europa: Veneza e Génova arruínam-se e a Inglaterra e Holanda veem-se obrigadas a imitar os Portugueses para travar as perdas de divisas. Os Lisboetas controlam durante várias décadas todo o comércio desde o Japão até Ceuta.  A cidade ganha fama que chega a mito, e no século XVI é sem dúvida a mais rica cidade de todo o Mundo. Para ela migram comerciantes de toda a Europa, além dos grandes números escravos Africanos e até alguns Indianos, Chineses e mesmo Japoneses e Índios Brasileiros. No tempo do Rei D. Manuel I, nas ruas de Lisboa as festas são feitas com desfiles de leões, elefantes, rinocerontes, camelos e outros animais não vistos na Europa desde o tempo do Circo Romano.     

Um rinoceronte e um elefante chegam inclusivamente a ser oferecidos ao Papa Leão X (ver Castelo de If). Na Europa o mito de Lisboa e das suas descobertas é tão grande que quando Thomas More inventa a sua ilha da Utopia, tenta dar-lhe credibilidade dizendo que foram os Portugueses a descobri-la. Para organizar todo o comércio privado e recolher os impostos, são criadas na capital do século XVI as grandes Casas Portuguesas de comércio: a Casa da Mina, a Casa de Arguim, a Casa dos Escravos, a Casa da Flandres (Países Baixos) e a célebre Casa da Índia. Os grandes lucros são usados na construção de outros edifícios: são deste século o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém no novo estilo Manuelino (que evoca o comércio de além-mar), o Forte de São Lourenço do Bugio numa ilha do Tejo, o Terreiro do Paço, o novo e imponente Palácio Real destruído em terramoto de 1755 e o Arsenal militar todos construídos junto ao Mar (da Palha); e ainda o Hospital Real de Todos-os-Santos, e inúmeros palácios e solares privados. O impulso à pavimentação das ruas com formas geométricas e desenhos formados por cubos de calcário branco e basalto preto (a calçada portuguesa) foi um luxo que outras cidades da Europa não podiam pagar. A cidade expandia-se atingindo quase 200.000 habitantes, sendo construído o Bairro Alto, conhecido por Vila Nova dos Andrades em honra dos ricos burgueses galegos que aí se estabeleceram, e que se torna o bairro mais rico da cidade. É inaugurada em 1552 a Feira da Ladra, que ainda funciona no mesmo local.

Culturalmente vive no século XVI em Lisboa a geração de ouro das Ciências e Letras portuguesas: entre os cientistas o humanista Damião de Góis (amigo de Erasmo e Lutero), o matemático Pedro Nunes, o médico e botânico Garcia da Orta e Duarte Pacheco Pereira; entre os escritores Luís de Camões, Bernardim Ribeiro, Gil Vicente e outros. Isaac Abravanel, um dos maiores filósofos hebreus, é nomeado Tesoureiro do Rei. Socialmente todas as classes beneficiam. Os fidalgos urbanos da administração Real e os burgueses são os mais beneficiados, mas mesmo o povo vive com luxos inatingíveis para os ingleses, franceses ou alemães seus contemporâneos. Os trabalhos pesados necessários são feitos pelos escravos africanos e pelos galegos. Os primeiros são vendidos na Praça do Pelourinho, sendo separadas as famílias, e trabalham todo o dia sem salário, alguns sujeitos a tratamento brutal. Aos segundos certamente compensava a viagem face às condições miseráveis da Espanha rural, e a língua praticamente idêntica facilitava a integração. Os judeus incluem como sempre alguns pobres e outros que se contam entre os mais educados e ricos comerciantes, financeiros e letrados da cidade. O primeiro livro impresso em Lisboa foi o Comentários sobre o Pentateuco de Nacmânides, um livro em hebraico, publicado por Eliezer Toledano em 1489. Em 1496 os espanhóis expulsam os judeus do seu território, animados pelo espírito fundamentalista de uma Monarquia exclusivamente cristã. Muitos vêm para Lisboa, tendo provavelmente a sua população duplicada seriam depois da expulsão um quinto dos Lisboetas, ou mesmo mais.

Em troca de um casamento real, os Reis Católicos de Castela e Aragão pedem a Manuel I de Portugal que faça o mesmo, o que tem lugar em 1497. Reconhecendo, no entanto, a importância central dos judeus na prosperidade da cidade, Dom Manuel decreta que todos os judeus se convertam ao Cristianismo, sendo obrigado a expulsar apenas os que se recusam, não sem antes os expropriar de seus bens. Durante muitos anos estes cristãos-novos praticam o Judaísmo em segredo ou abertamente e apesar de motins e violências contra eles (como muitas crianças que são arrancadas dos pais e dadas a famílias cristãs que as tratam como escravos) são tolerados até à implantação da Inquisição em Portugal, muitos anos depois. O resultado é a ascensão social dos cristãos-novos que temporariamente, sem a limitação de serem judeus, progridem até aos mais elevados cargos da corte. Novamente são as antigas elites descendentes da antiga aristocracia das Astúrias e da Galiza (os nobres de Portucale) que criam problemas à ascensão social dos judeus, frequentemente melhor educados e mais hábeis que os primeiros. O maldizer dos cristãos-Velhos culmina no massacre de cristãos-Novos em 1506 incitado pelos Priores menores das Igrejas no qual umas 3000 pessoas terão sido assassinadas. Como resultado dos conflitos, o Rei é persuadido pelos nobres territoriais a introduzir a Inquisição (o qual só terá lugar em 1531 no reinado de seu filho e sucessor D. João III) e as limitações legais a todos os descendentes de cristãos-novos (semelhantes às antigas contra os judeus), que os impedem de ameaçar os cargos superiores do Estado à Aristocracia dos cristãos-velhos. O primeiro auto-de-fé (morte de heréticos na fogueira) é realizado no Terreiro do Paço em 1540. Além da Inquisição surgem outros problemas. Em 1569 há a grande Peste de Lisboa, em que terá morrido um terço da população.   

A Inquisição mata na fogueira muitos cristãos-novos, mas expropria a propriedade e as riquezas de muitos outros. Muitos mercadores cristãos-velhos são expropriados também após uma denúncia anónima falsa, que os inquisidores aceitam como válida já que as riquezas dos condenados para eles revertem. Por outro lado, poucos mercadores não teriam ascendência cristã-nova, devido aos casamentos comuns entre filhos de burgueses que eram sócios em empresas importantes. A Inquisição torna-se assim um instrumento de controlo social na posse dos antigos cristãos-velhos contra quase todos os mercadores Lisboetas, restituindo-lhes finalmente a supremacia há muito perdida. É neste clima de intolerância e perseguição, em que os lucros obtidos pelos riscos e o génio dos mercadores bem sucedidos é desfeito pela inveja dos grandes proprietários de terras (que rendem menos), que a prosperidade de Lisboa é destruída. O clima liberal propício ao comércio desaparece e é substituído por um fanatismo católico e conservadorismo absolutos. Às elites do país exige-se o sangue puro antigo e cristão-velho do Norte. Muitos dos mercadores fogem para a Inglaterra ou Países Baixos onde se estabelecem difundindo os conhecimentos navais e cartográficos dos Portugueses.

Lisboa é tomada pelas mentalidades feudais dos grandes nobres, e os mercadores Portugueses, sem condições de estabilidade, segurança, apoio e crédito devido às perseguições da Inquisição, são incapazes de competir com os mercadores Ingleses e Holandeses (muitos deles de origem Portuguesa) que lhes roubam os mercados da Índia, Índias Orientais e China. Em sua substituição as elites de Portucale convencem o débil Rei, D. Sebastião a virar-se para a conquista de um Império territorial, com mais terras e rendimentos para os Nobres, no Norte de África, que lhes permitiria manter a supremacia económica frente aos mercadores. Após o desastre militar de Alcácer-Quibir em 1578, os Aristocratas recolhem-se mais uma vez aos braços dos seus congéneres Castelhanos de mentalidade semelhante. Desta vez bem sucedidos, em 1580 o Castelhano Filipe II de Espanha é declarado Rei Dom Filipe I de Portugal, depois de derrotar o candidato dos enfraquecidos mercadores, o Prior do Crato, Dom António (o qual era cristão novo e mais liberal, filho de mãe judia). Filipe I completa assim a ambição do seu pai o Habsburgo Rei Carlos I de Espanha também Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico (Alemanha), e Senhor da maior parte da Itália e Holanda que afirmara famosamente se fosse Rei de Lisboa, seria em breve Rei do Mundo. Filipe I de Portugal, o primeiro dos Habsburgos portugueses, é assim o primeiro rei da Hispânia.

Apesar de desde 1492 os Reis Católicos Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão terem dominado o que hoje é a Espanha, o título de Rei das Espanhas foi inicialmente usado para Filipe II quando conquistou Portugal e portanto, de facto, todas as Espanhas. Filipe I tenta inicialmente conciliar os interesses da nobreza na aquisição de mais territórios na Europa, do Clero em derrotar os Protestantes e da burguesia em eliminar a concorrência e pirataria dos Ingleses e Holandeses. Todos os barcos capazes de ação militar de Lisboa, Sevilha e Barcelona são reunidos numa Invencível Armada que é enviada contra a Inglaterra. Devido a uma grande tempestade e à perícia dos Almirantes Ingleses, a armada é destruída. Esta derrota converte finalmente o Rei aos interesses da Nobreza territorial. Grandes exércitos (os Terços) de mercenários, pagos pelos mercadores e comandados pelos grandes Aristocratas de sangre puro cristão-Velho, como o Duque de Alba, são formados e atravessam a Europa para tomar as cidades e terrenos férteis dos Países Baixos Calvinistas para o benefício dessa mesma Nobreza. Enquanto isso os holandeses e ingleses dominam os mares, e incapazes de conquistar os impérios territoriais espanhóis do México e Peru, concentram-se em tomar as feitorias, portos e colônias costeiras dos portugueses, que traficam com Lisboa. São tomados como guerra de movimento os portos nordestinos do Brasil, Luanda em Angola, portos da África Oriental, o Cabo da Boa Esperança, Ceilão, Malaca e as Ilhas Molucas, a ilha de Formosa, a licença de comércio no Japão e outros portos.

Lisboa, com os seus mercadores já sob perseguição da Inquisição que expropriava os criptojudeus e mesmo os cristãos genuínos, perdera grande parte da sua frota no desastre da Invencível Armada e que pagava impostos altíssimos para sustentar os exércitos dos nobres espanhóis na Europa, perde agora a maioria dos seus portos e produtos e é finalmente e irreversivelmente arruinada, rapidamente perdendo importância. Em 1598 a catástrofe é aprofundada por um terramoto e pela peste. Finalmente Filipe II de Portugal torna-se exclusivamente Filipe III de Espanha e depois o seu filho apenas Filipe IV de Espanha quando, sob conselho da Nobreza Castelhana e com a aquiescência dos Nobres territoriais Portugueses, absorve o Reino de Portugal no Reino de Espanha. Lisboa, a grande cidade cosmopolita é agora uma cidade de província sem qualquer influência junto dos grandes espanhóis de sangue puro, que governam da então conservadora e fundamentalista católica Madrid. Nesta época a cidade perde atividade econômica e habitantes, diminuindo a população até menos de 150.000. As construções deste período cabem em duas categorias: as defesas contra os piratas do norte, e os edifícios religiosos que apelam para a lealdade à monarquia universal católica pretendida pelo Rei. Foram construídos o Torreão um maciço edifício junto ao Terreiro do Paço, que não sobreviveu ao terramoto de 1755; o Convento de São Vicente de Fora; novas muralhas com novas disposições de acordo com a engenharia militar da época, como a Torre do Bugio numa ilha no meio do Mar da Prata; e fortificações em Cascais, Setúbal e na margem Sul. Os piratas ingleses e holandeses, como Francis Drake, fazem diversos ataques a algumas praças Portuguesas, mas não se atrevem a atacar Lisboa.

Com o declínio econômico e o desemprego, aumenta muito a miséria e a criminalidade. As autoridades Espanholas são obrigadas a introduzir uma espécie de corpo policial, os quadrilheiros que patrulham as ruas da cidade e controlam o crime de rua, as lutas, a bruxaria e o jogo. Segundo algumas crónicas do tempo, a taxa de assassinatos no início do século XVII seria mesmo superior, numa cidade de 150.000 pessoas, à de hoje em Lisboa com 2.500.000. Os problemas para o comércio na cidade aumentam quando os Catalães, um povo mercador como o de Lisboa, também oprimidos pelas taxas castelhanas, se revoltam em 1636. É a Portugal que Madrid vem exigir os homens e os fundos para derrotar os catalães, numa tentativa de usar os de Portugal contra os da Catalunha. É então que os mercadores da cidade se aliam à pequena e média nobreza. Tentam convencer o Duque de Bragança, Dom João, a aceitar o trono, mas este, como o resto alta Nobreza, é beneficiado por Madrid e só o prospecto de se tornar Rei o convence finalmente. Os conspiradores assaltam o Palácio do Governador, aclamando o novo Rei D. João IV, com o apoio inicialmente do Cardeal Richelieu de França, e depois a velha aliança retomada com a Inglaterra.

O sismo de Lisboa de 1531 foi um violento terramoto que atingiu a zona de Lisboa em 26 de janeiro de 1531. O terramoto e o posterior tsunami resultaram em aproximadamente 30 000 mortes. Acredita-se que a causa foi uma falha geológica na região do baixo Tejo, e foi precedido por um par de choques em 2 de janeiro e 7 de janeiro. Os danos causados, especialmente na parte baixa foram severos, aproximadamente um terço das edificações da cidade foram destruídas e mil vidas se perderam no choque inicial. O Paço da Alcáçovas e a Igreja de São João foram ambos quase completamente destruídos. Comentaristas da época relataram inundações perto do rio Tejo, algumas embarcações foram atiradas contra as rochas e outras ficaram no leito seco do rio, que se retraiu por instantes, num violento tsunami. O Sismo de 1755 tendo apagado da memória o Sismo de Lisboa de 1531, não deixa de merecer que Joaquim José Moreira de Mendonça compare ambos na sua História Universal dos Terramotos (1758)ː Nem obsta dizer-se vulgarmente que o Terramoto presente foi maior, comparativamente, que o de 1531, por se verem arruinadas a Torre da Basílica de Santa Maria, e muitas igrejas, que naquele não caíram. A isto respondo que também neste ainda ficou sem ruína a outra Torre da mesma antiga Sé; e que as igrejas que caíram agora naquele tempo eram muito novas e ressentiram da mesma forma que ao presente sucedeu às duas Igrejas de S. Bento, à de Nossa Senhora das Necessidades, à do Menino Deus, à dos Paulistas e outras, com alguns palácios, e casas novas, que não padeceram ruína considerável.       

Acrescenta ainda que: Tenho certeza por documentos autênticos que ainda depois daquele ano se erigiram todas as ruas do Bairro Alto, que ficam para fora das Portas de Santa Catarina e Postigo de S. Roque (...) o que suporta a ideia de que o medo de novo tsunami terá levado à ideia construção em lugar alto, levando à fundação do Bairro Alto logo após 1531. O Bairro Alto antecede a Baixa Pombalina como construção ordenada em planta quadriculada, ambos resultando do planeamento após efeitos de terramoto e tsunami. O terramoto foi seguido por severos choques e o medo era intenso. Um rumor, aparentemente encorajado pelos freis de Santarém, de que o desastre era punição divina a comunidade dos marranos a responsável. Gil Vicente responsabilizou os monges por um possível massacre. O acontecimento foi “esquecido” pela maioria até ao século XX, quando um jornal português relatou a descoberta de um manuscrito de testemunhas coevas do desastre. Em 1919 uma carta com quatro páginas endereçada ao Marquês da Tarifa, encontrada numa livraria de Lisboa descrevia o acontecimento. Outras investigações sobre o Sismo de 1755 descobriram evidências de que o Marquês de Pombal mandou relatar os terremotos anteriores, inclusive o de 1531.

Passado o terremoto de Lisboa (1755), o rei Dom José perguntou ao General Pedro D’Almeida, Marquês de Alorna, o que se havia de fazer. Ele respondeu ao rei: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. Essa resposta simples, franca e direta tem muito a nos ensinar. Muitas vezes temos em nossa vida empresarial e mesmo pessoal, “terremotos” avassaladores (cf. Marins Filho, 1999) como o de Lisboa no século XVIII.  A catástrofe é tão grande que muitas vezes perdemos a capacidade de raciocinar de forma simples, objetiva. Esses “terremotos” podem ser de toda ordem: um lote de produtos com defeito que saiu de nossa indústria para o mercado sem que tenhamos detectado a tempo; produtos contaminados que causaram problemas; erros incorrigíveis cometidos por nossos funcionários em relação ao nosso melhor cliente; uma pandemia inesperada etc. Todos nós estamos sujeitos a “terremotos” na vida. Quem está competindo no mercado sabe que há “falhas geológicas” indetectáveis sob nossos pés e que podem gerar um “tremor” a qualquer instante sem que estejamos preparados. O que fazer? Exatamente o que disse o Marquês de Alorna: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. E o que isso quer dizer para a nossa vida empresarial e pessoal?

Que lições podemos tirar desses conselhos a Dom José? Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e chorando o passado. É preciso sepultar o passado. Pouco ou nada resolve abrirmos uma sindicância para descobrir os culpados pelo terremoto. Também não adianta ficarmos discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido. Ou se Lisboa estivesse situada fora da falha geológica do terremoto. Muitas empresas e pessoas têm enorme dificuldade em enterrar os mortos. Ficam anos e anos em atitude de um eterno velório. Passado o terremoto, lembre-se, a primeira coisa a ser feita é enterrar os mortos.  Cuidar dos vivos significa que depois de enterrar o passado, temos que cuidar do presente. Cuidar do que ficou vivo. Cuidar do que sobrou. Cuidar do que realmente existe. Fazer o que tiver que ser feito para salvar o que restou do terremoto. Dar foco ao presente só será possível se enterrarmos os mortos, esquecermos o passado. Cuidar dos vivos significa reunir pessoas e bens que sobreviveram ao terremoto e rearranjá-los de forma a servirem para a reconstrução, para o novo. Muitas empresas e pessoas não conseguem dar foco ao presente para “cuidar dos vivos”. Vivem o tempo todo na ilusão do que poderia não ter ocorrido. Não conseguem se desligar. Não têm energia para “cuidar dos vivos”. Fechar os portos significa não deixar as “portas” abertas para que novos problemas possam surgir ou vir de fora enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou do terremoto de nossa empresa ou de nossa vida. Significa não permitir que novos problemas nos desviem do “cuidar dos vivos”. Fechar os portos também é necessário porque quando você está passando por um “terremoto”, seus adversários e inimigos sabem de sua fragilidade e possível desesperança.

E aí quererão se aproveitar de sua fraqueza. Se você deixar seus “portos” abertos poderá ter que lutar contra os invasores, vampiros e abutres que virão espreitar a sua desgraça. Feche os portos! Os conselhos do Marquês de Alorna a Dom José são de uma sabedoria indiscutível. Serviram para a reconstrução de Lisboa em 1755 e servem para nossas empresas e nossas vidas pessoas neste século XXI em tempos de Coronavírus. É assim que a história nos ensina. Por isso a história é “a mestra da vida”. Portanto, quando você ou sua empresa enfrentarem um terremoto, não se esqueça: enterre os mortos, cuide dos vivos e feche os portos! Sismo de 1755, também conhecido por Terremoto de 1755 ocorreu no dia 1° de novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, especialmente na zona da Baixa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve e Setúbal. O sismo foi seguido de um maremoto que se crê tenha atingido a altura de 20 metros e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos. Foi um dos sismos mais mortíferos da história, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os sismólogos estimam que o sismo de 1755 atingiu magnitudes entre 8,7 a 9 na escala de Richter, desenvolvida em 1935 por Charles Francis Richter e Beno Gutenberg (1889-1960), ambos membros do California Institute of Technology (Caltech), que estudavam sismos no Sul da Califórnia, utilizando um equipamento específico, o sismógrafo de torção Wood-Anderson.

Charles Francis Richter (1900-1985) foi um sismólogo estadunidense. Richter ficou famoso ao criar, em colaboração com Beno Gutenberg, uma escala que quantifica a grandeza (energia libertada) pelos terremotos, que ele usou pela primeira vez em 1935. Richter e Gutenberg trabalhavam então no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Nascido em Hamilton, Ohio, Richter estudou na Universidade Stanford e Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde obteve seu Ph.D. em física teórica em 1928. Trabalhou no Instituto Carnegie de Washington (1927-1936) antes de ser nomeado para o Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde se tornou professor de sismologia em 1952. Richter desenvolveu a sua escala para medir a força dos terremotos em 1935. Escalas anteriores tinham sido desenvolvidas por De Rossi em 1880 e por Giuseppe Mercalli em 1902, mas ambos usavam uma “escala descritiva”, definida em termos de danos em edifícios bem como o comportamento e a resposta da população. Isso restringia o seu uso para a medição de terremotos em áreas povoadas, e fez escalas em relação ao tipo de técnicas de construção e materiais utilizados. 

A escala de Richter é absoluta, com base na amplitude das ondas produzidas pelo terremoto. Ele definiu a magnitude de um terremoto como o logaritmo na base 10 da amplitude máxima das ondas, medido em microns. Isto significa que as ondas cujas amplitudes diferem por um fator de 100 diferem por 2 pontos na escala Richter. Com Beno Gutenberg tentou converter os pontos em sua escala em energia liberada. Em 1956, eles mostraram que a magnitude 0 corresponde a cerca de 1 011 ergs (104 joules), enquanto a magnitude 9 é igual a 1 024 ergs (1 017 joules). Um aumento de uma unidade de energia significa cerca de 30 vezes mais do que está sendo liberado. O maior terremoto registrado até agora tinha um valor na escala Richter de 8,9. Em 1954, Richter e Gutenberg produziram um dos textos básicos sobre sismologia, sismicidade da Terra. O sismo de Lisboa teve um enorme impacto político e socioeconómico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um sismo numa área alargada, marcando assim o nascimento da sismologia moderna. O acontecimento foi largamente discutido pelos filósofos iluministas, como Voltaire, inspirando desenvolvimentos significativos no domínio da teodiceia e da filosofia do sublime. O sismo fez-se sentir na manhã de 1 de novembro de 1755 às 9h30 ou 9h40 da manhã, dia que coincide com o feriado do Dia de Todos-os-Santos. A data contribuiu para um alto número de fatalidades, visto que ruas e igrejas estavam cheias de fiéis. 

O epicentro não é conhecido com precisão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados de centenas de quilômetros. No entanto, todos convergem para um epicentro no mar, entre 150 a 500 quilômetros a Sudoeste de Lisboa. Devido a um forte sismo, ocorrido em 1969 no Banco de Gorringe, este local tem sido apontado como tendo forte probabilidade de aí se ter situado o epicentro em 1755. A magnitude pode ter atingido 9 na escala de Richter.  Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante duas horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. O padre Manuel Portal é a mais rica e completa fonte sobre os efeitos do sismo, tendo descrito, detalhadamente e na primeira pessoa, o decurso do sismo e a vida lisboeta nos meses que se seguiram. A intensidade do sismo em Lisboa e no cabo de São Vicente estima-se entre X-XI na escala de Mercalli, elaborada pelo vulcanólogo e sismólogo italiano Giuseppe Mercalli, em 1902, daí o nome que ostenta com razão, ou 7 na Escala de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão. Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que atualmente se supõe ter atingido pelo menos seis metros de altura, havendo relatos de ondas com mais de 10 metros, fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado cerca de 250 metros.

Acerca do nível de destruição do sismo, sem menção ao tsunâmi, e focando os incêndios, no Novo atlas para uso da mocidade portuguesa (1782), o tradutor corrige em nota o autor francês dizendo: O Autor, mal-informado do que aconteceu a esta capital no referido Terremoto, asseverou que ela ficara inteiramente arrasada, quando é certo que em mais de duas partes ficou em pé, e que somente o incêndio, que lhe sobreveio, abrasou, e consumiu os edifícios, tesouros, móveis, riquezas, preciosidades, alfaias, etc. ficando unicamente as paredes. Porém, de tudo o mais raro, que se perdeu, foi a grande Livraria de Sua Majestade - rara pelos manuscritos e originais da Antiguidade que conservava - perda sem dúvida lamentável para os sábios. Lisboa não foi a única cidade portuguesa afetada pela catástrofe. Todo o Sul de Portugal, sobretudo o Algarve, foi atingido e a destruição generalizada. Além de causada pelo sismo, o maremoto que se seguiu destruiu no Algarve fortalezas costeiras e habitações, registando-se ondas com até aproximadamente 30 metros de altura. 

As ondas de choque do sismo foram sentidas provavelmente sua irradiação por toda a Europa e Norte da África. As cidades marroquinas de Fez e Meknès sofreram danos e perdas de vida consideráveis. Os maremotos originados pela movimentação tectónica varreram locais desde do Norte de África como Safim e Agadir até ao Norte da Europa, nomeadamente até à Finlândia através de seichas e através do Atlântico, afetando os Açores e a Madeira e locais tão longínquos como Antígua, Martinica e Barbados. Diversos locais em torno do golfo de Cádis foram inundados: o nível das águas subiu repentinamente em Gibraltar e as ondas chegaram até Sevilha através do rio Guadalquivir, Cádis, Huelva e Ceuta. De uma população de 300 mil habitantes em Lisboa, crê-se que 90 mil morreram, 900 das quais vitimadas diretamente pelo maremoto. Outros 10 mil foram vitimados em Marrocos. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas. Várias construções que sofreram poucos danos pelo sismo foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico, causado por lareiras de cozinha, velas e mais tarde por saqueadores em pilhagens dos destroços. Na obra História Universal dos Terramotos, de Joaquim José Moreira de Mendonça (1758), que apresenta o primeiro balanço sistemático dos efeitos, refere-se que as águas alagaram o bairro de S. Paulo e que esse “espanto das águas” difundiu o perigo de que vinha o mar cobrindo tudo: Havia muita gente buscado as margens do Tejo, por se livrarem dos edifícios, cheios de horror da vista das suas ruínas.

Eis que de repente entra o mar pela barra com uma furiosa inundação de águas, que não fizeram igual estrago em Lisboa que em outras partes, pela distância que há de mais de duas léguas desta Cidade à foz do rio. Contudo, passando os seus antigos limites se lançou por cima de muitos edifícios e alagou o bairro de S. Paulo. Cresceu em todos os que haviam procurado as praias o espanto das águas, e o novo perigo se difundiu por toda a Cidade, e seus subúrbios, com uma voz vaga, que dizia que vinha o mar cobrindo tudo. O Maremoto de 1755 foi resultado direto do grande sismo com epicentro no Atlântico Nordeste que a 1° de novembro de 1755 destruiu a cidade de Lisboa e múltiplas outras localidades no litoral sul de Portugal e Espanha e na costa Noroeste de Marrocos. Foi o maior maremoto de que há registo histórico no Oceano Atlântico, causando grande mortandade em todas as costas atingidas. Causado pelo sismo de 1755 que a 1° de novembro daquele ano destruiu Lisboa e várias outras cidades do Sul de Portugal e do Norte de África gerou-se um poderoso maremoto que percorreu o Atlântico Norte causando danos na Madeira e Açores e ainda nas Caraíbas e na costa leste dos Estados Unidos. Causou ainda um Tsunâmi no Brasil: as ondas chegaram ainda altas no litoral pernambucano e na orla peninsular de Salvador no Nordeste do Brasil.

Bibliografia Geral Consultada. 

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