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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Quando a Luz Rompe – Luto Nórdico, Certeza & Verdade da Razão.

                                 Luz do Sol, que a folha traga e traduz em verde novo. Em folha, em graça, em vida, em força, em luz”. Caetano Veloso                         

        A identidade sexual e per se a identidade de gênero do homem vitoriano, estava intrinsecamente ligada à representação do seu papel social na sociedade aristocrática e industrial. A identidade de gênero pode ou não coincidir com o sexo atribuído ao nascimento, enquanto a orientação sexual está relacionada às preferências e atração por pessoas de diferentes sexos ou gêneros. Os traços que os descrevem, voltava-se para a forma de se vestir, a forma de andar, a maneira social de se comportar, a entonação de voz, etc., assim como era ressaltado a forma física, a musculatura, os contornos do corpo masculino, sua elegância, vigor físico e beleza, e por fim, as qualidades psicológicas do homem como a agilidade, a coragem, a distinção, a bravura, o heroísmo. A sociedade masculinista burguesa, dado essa premissa, construía, a outra imagem de homem, e como consequência vieram às duras provas pelas quais o homem deveria enfrentar, como as lutas, material e psíquica como um dos componentes do comportamento masculino. Exemplos de personagens másculos ecoavam através da arte vitoriana, representada, sobretudo na literatura, pintura e escultura. Nos círculos ressaltavam-se com eloquência, quem representava a perfeição ideal de beleza masculina, como o ideal de virilidade. A experiência e o reconhecimento reproduzidos e acumulados pelas gerações precedentes são apropriados pelos sujeitos através das relações sociais que lhes fornecem as mediações complexas das ações humanas. 

            A identidade de gênero pode ser neste dinamismo como uma das particularidades da identidade do sujeito. Essas duas relações permanecem no interior da transição e da desigualdade dos lados que lhe são assignados. Mas a relação sem mistura encontra lugar entre irmão e irmã. São o mesmo sangue, o qual, porém neles chegou à sua quietude e equilíbrio. Por isso não se desejam um ao outro; não deram nem receberam mutuamente esse ser-para-si, mas são individualidade livre um em relação ao outro. O feminino tem, pois, como irmã, o mais elevado pressentimento da essência ética; mas não chega à consciência e à efetividade da mesma, uma vez que a lei da família é a essência interior, em-si-essente que não está exposta à luz da consciência, mas permanece como sentimento interior e como o indivíduo subtraído à efetividade. O feminino está ligado a esses Penates, e neles intui, de uma parte, sua substância universal, mas, de outra parte, sua singularidade; de tal maneira, porém que essa relação da singularidade não seja, ao mesmo tempo, a relação natural de prazer. Como filha, a mulher, deve ver agora os pais desvanecerem com emoção natural e tranquilidade ética – pois só às custas dessa relação chega ao ser-para-si de que é capaz; assim, não intui nos país seu ser-para-si de maneira positiva. Porém as relações da mãe e da esposa têm a sua singularidade; de uma parte, como algo natural que pertence ao prazer; de outra parte, como algo negativo que neles só enxerga seu desvanecer; e por isso, de outra parte como contingente pode ser substituído por um outro.

         No lar da eticidade, aquilo em que se baseiam as relações da mulher não é este marido, nem este filho, mas um marido, filhos em geral, sua base não é a sensibilidade, mas o universal. A diferença da eticidade da mulher em relação à do homem consiste justamente em que a mulher, segundo Hegel (2007: 196 e ss.), em sua determinação para a singularidade e no seu prazer, permanece imediatamente universal e alheia à singularidade do desejo. No homem, ao contrário, esses dois lados se separam um do outro, e enquanto ele como cidadão possui a força consciente-de-si da universalidade, adquire com isso o direito ao desejo. Assim, enquanto nessa relação da mulher a singularidade está mesclada, sua eticidade não é pura; mas na realidade em que a eticidade é pura, a singularidade é indiferente, e a mulher carece do momento de se reconhecer como este Si no outro. Porém o irmão é para a irmã a essência igual e tranquila, em geral. O reconhecimento dela está nele, puro e sem mistura de relação natural. A indiferença da singularidade e a sua contingência ética não estão, pois, presentes nessa relação. Mas o momento do Si singular, que reconhece e é reconhecido, pode afirmar aqui o seu direito, porque está unido ao equilíbrio-do-sangue e à relação carente-de-desejo. A perda do irmão é irreparável para a irmã; e seu dever para com ele, o dever supremo. Esa relação é, ao mesmo tempo, o limite em que a família, circunscrita a si mesma, se dissolve a vai para fora de si. 

                                                        


          O irmão é o lado segundo o qual o espírito da família se torna a individualidade que se volta para Outro e passa à consciência da universalidade. O irmão abandona essa eticidade da família na relação imediata elementar, e por isso propriamente negativa – afim de conquistar e produzir a eticidade efetiva, consciente de si mesma. O irmão passa da lei divina, em cuja esfera vivia, à lei humana. A irmã, porém, se torna – ou a mulher permanece – a dona de casa, e a guardiã da lei divina. Dessa maneira, os dois sexos ultrapassam sua essência natural e entram em cena em sua significação ética, como diversidades que que dividem entre si as diferenças que a substância ética se confere. Essas duas essências universais do mundo ético têm, pois, sua determinada individualidade nas consciências-de-si diferenciadas por natureza – já que o espírito ético é a unidade imediata da substância com a consciência-de-si; uma imediatez, portanto, que se manifesta ao mesmo tempo como o ser-aí de uma diferença natural, segundo o lado da realidade e da diferença. No limite, a imaginação sociológica é reduzida pelos autores contemporâneos àquela concepção de sensação de uma imagem remanescente ou repetida e consecutiva do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos). Desvalorizado para explicar “conexões imaginativas”, capaz de estimular a criatividade no âmbito da teoria social, sem perder a conexão de sentido com o imaginário individual e coletivo, que pode cometer o erro de reduzir-se a um puzzle de significados de um ponto de vista distorcido da realidade. 

Para adquirir esta forma de visão é necessário analisar sua sociedade onde vive de uma maneira externa procurando diminuir a sua própria influência na análise uma vez que consigo é carregado de valores culturais obtidos ao longo de sua vida. É olhar para as coisas de maneira diferente da que estamos habituados na vida cotidiana. Daí que deste ponto de vista, não estamos longe de admitir que o lugar de análise em que o raciocínio sociológico constrói suas pressuposições é diferente do espaço lógico do raciocínio experimental. O espírito, dizia Hegel, não pode conhecer-se diretamente. É preciso que negue previamente, de certo modo, que saia de si e se torne “estranho a si mesmo”, exteriorizando-se e produzindo sucessivamente todas as formas do real – quadros do pensamento, natureza, história; e depois que reverta à origem, alcançando assim o conhecimento verdadeiro, a filosofia do espírito absoluto. Afastando-se de si, exteriorizando-se, para voltar depois a si mesma, a Ideia triunfa do que a limitava, afirmando-se na negação das suas negações sucessivas. Hegel definiu o princípio da realidade como uma Ideia lógica, fazendo do ser das coisas um ser puramente lógico e chegando assim a um panlogismo consequente que apresenta ainda, um elemento dinâmico-irracional, existente no que é próprio ao método dialético. O idealismo apresenta-se em duas formas principais: como idealismo subjetivo ou psicológico e como idealismo objetivo e lógico. 

Mas estas subjetividades culturais no plano analítico movimentam-se no âmbito de uma concepção fundamental. Essa diferença da essência e o exemplo, entre a imediatez e a mediação, quem faz não somos nós apenas, mas a encontramos na própria certeza sensível; e deve ser tomada na forma em que nela se encontra, e não como nós acabamos de determina-la. Na certeza sensível, um momento é oposto como o essente simples e imediato, ou como a essência: o objeto na sua humanidade. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio do Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto faz que seja conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido - enquanto o saber não é, se o objeto não souber que pode ser, assim da singularidade de apreensão do objeto.  O outro momento, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, na démarche da consciência, mas por meio de Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto que seja conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido - enquanto o saber não é, se o objeto não é. O objeto, portanto, deve ser examinado, para vermos se é de fato, na certeza sensível mesma, aquela essência que ela lhe atribui; e se esse seu conceito - de ser uma essência - corresponde ao modo imediato de visibilidade como se encontra na certeza sensível. 

Nós não temos de refletir sobre o objeto, nem indagar o que possa ser em verdade; mas apenas através da ideia de formação em “considerá-lo como a certeza sensível o tem nela”. O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, do tempo, porém a subjetividade abstrata. O tempo é o mesmo princípio que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como simplesmente um vir-fora-de-si. 

O tempo é igualmente contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo social, diz-se, tudo surge e tudo passa e perece, se se abstrai de tudo, do recheio do tempo e do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio comparativamente como na interpretação do espaço vazio – isto é, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem existentes por si. Mas não é o que no tempo surja e pereça tudo, porém o próprio tempo é este vir-a-ser, surgir e perecer, o abstrair essente. O real de análise é bem diverso do tempo, mas também essencialmente idêntico a ele. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo. Por isso o finito é transitório e temporário, porque ele não é, como a representação do conceito nele mesmo, a negatividade total, mas tem esta em si, como sua essência universal, entretanto – diferentemente da mesma essência – é unilateral, e se relaciona à mesma essência como à sua potência. Mas tais conceitos, para Hegel, na sua identidade conseguem livremente existente para si, Eu=Eu, é “em si” e “para si” a absoluta negatividade e liberdade. Por isso o tempo não é potência dele, nem ele está no tempo nem é algo temporal. Mas ele é muito mais a potência do tempo, como sendo este apenas esta negatividade como exterioridade. Só o natural, é, enquanto é finito, sujeito ao tempo; o verdadeiro, na constituição da ideia, o espírito que é eterno.

Quando a Luz Rompe (em islandês: Ljósbrot) é um filme de drama de 2024 de Rúnar Rúnarsson, nascido em 20 de janeiro de 1977 em Reykjavík, no litoral da Islândia, a capital e a maior cidade do país. Ela abriga os museus nacional e Saga, que contam a história viking da Islândia. A incrível igreja em concreto Hallgrimskirkja e a cúpula em vidro giratória Perlan oferecem uma vista abrangente do mar e das montanhas próximas. Exemplificando a atividade vulcânica da ilha está a Lagoa Azul hidromineral geotérmica, próxima do vilarejo de Grindavik. Rúnarsson é um roteirista e diretor islandês. Ele se  formou na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca em 2009. Seus créditos incluem o longa-metragem Volcano (1997), The Last Farm (2005) e os curtas-metragens, Two Birds (2008) e Anna (2009). Este último foi indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em 2006. Ele é considerado o diretor de curtas-metragens mais premiado do mundo, com mais de 90 prêmios. Seu segundo longa-metragem, Sparrows, representa uma história social de amadurecimento que foi lançada em 2015. Por Sparrows, Rúnarsson ganhou o Hugo de Prata de melhor diretor estreante no Festival Internacional de Cinema de Chicago. Seu filme de 2019, Echo, entrou na competição do Festival de Cinema de Locarno. Seu filme de 2024, When the Light Breaks, abriu a seção: Un Certain Regard em Cannes. Em 2025 ganhou o prêmio Dragon de Melhor Filme Nórdico no Festival de Cinema de Gotemburgo. O filme tem como background uma jovem mulher de luto pela morte de seu primeiro amor durante um dia de verão. É filme de abertura da mostra Un Certain O argumento gira em torno de Una (Elín Hall) e da perda que sofre quando Diddi (Baldur Einarsson), o namorado em segredo, morre num terrível acidente de viação.

O segredo reside no fato de que Diddi namorava oficialmente com outra mulher, Klara (Katla Njálsdóttir), e, portanto, ambas as jovens mulheres entrarão no seu processo de luto ao mesmo tempo. Una é estudante de artes e pouco mais se sabe sobre ela ou qualquer um dos seus amigos, isso simplesmente não é explorado no filme e não é, de todo, o seu desenvolvimento. Depreende-se que essa informação seria uma distração do essencial. Quando Klara chega ao grupo, vinda de fora da cidade para chorar a perda de Diddi, também muito pouco sobre ela se fica a saber. “No Romper da Luz” vive sobretudo da enorme interpretação que Elín Hall imprime à sua personagem. O realizador compraz-se nos grandes planos da cara de Una, nas suas intensidade e expressividade, sem grandes diálogos ou explicações, apoiando-se muitas vezes apenas na sua enigmática, mas eficaz banda sonora. A banda sonora, aliás, é quase tão comovente como o filme e a imensa angústia que encerra. É sobretudo uma faixa em particular, Odi et Amo, que se ouve de modo mais persistente, da autoria do malogrado compositor islandês Jóhann Jóhannsson. “No Romper da Luz” tem lugar entre um por de sol e outro, um dia completo. Entre um e outro momento, o que se encontrava na sombra é levado obrigatoriamente para a luz do dia. Dir-se-ia que arrancado dessa sombra à força e obrigado a ser conhecido. Nesse lúgubre verão islandês em que Una e Klara se preparam para o grande ocaso dos seus corações, acabam por abraçar-se numa jornada que se sente mais curta do que poderia ser.

“No Romper da Luz” é um daqueles casos em que um longa-metragem poderia ser mais longa, fica-se com a vontade de mergulhar mais, mesmo correndo o risco de desvirtuar este seu belíssimo minimalismo estético. À medida que a autora destas linhas escreve, o filme cresce fora da tela e surgem novas dimensões que não se desenham imediatamente quando é visto. Talvez possa ser mal compreendido, a espaços, pelo seu curto tempo e pelo facto de não se alongar naquele sentimentalismo que às vezes sabe tão bem, mas a que os carácteres islandeses não se prestam tanto. O sentimento encontra-se por descobrir, mas está presente, mostra-se tímida e paulatinamente, por exemplo, quando Una ensina Klara a voar de olhos semicerrados pela igreja acima recorrendo ao poder da imaginação. Que poderosa esta imagem em que a dor é ultrapassada a bem da compaixão, da partilha humana, da expansão do eu para lá das suas fronteiras limitadas. Ali, como noutras ocasiões, “No Romper da Luz” é um brilhante filme sobre a transposição do corpo para o plano espiritual. Quando Diddi parte verdadeiramente o plano terreno, todos os seus amigos, mas sobretudo as duas raparigas, iniciam a sua própria viagem para longe dos corpos. Seja nos momentos em que a dor é tão agigantada que é preciso entorpecer os sentidos ou quando há esperança no horizonte da mente, “No Romper da Luz” é uma lindíssima viagem que não se compraz na dor, deseja mais.  

            Reykjavík está localizada na costa Sul da baía de Faxaflói, no Sudoeste da Islândia, e tem latitude de 64°08` N, o que a torna a capital mais setentrional do mundo de um estado soberano. Demograficamente tem uma população de cerca de 139 mil habitantes em 2025, e a Região da Capital circundante tem uma população de cerca de 249.000 habitantes, constituindo aproximadamente 64% da população da Islândia. De acordo com o Landnámabók, frequentemente abreviado para Landnáma, é uma islandesa que descreve em detalhes consideráveis assentamentos da Islândia pelos nórdicos nos séculos IX e X d.C. O conceito de século é uma invenção europeia decorrente do sentimento de destino coletivo. Vem substituir, na noção e experiência do tempo histórico, linear, sucessivo, contínuo e progressivo, a noção de tempo mítico, circular, recorrente e eterno, típico das práticas sociais agrárias e protopódicas. A origem dos vikings está profundamente arraigada ao ambiente da Escandinávia. A região tinha solos pobres e longos invernos, o que limitava a agricultura. Isso levou estas comunidades a procurar novas terras férteis, rotas comerciais e riquezas além-mar. A sua geografia costeira e as suas notáveis capacidades de navegação deram-lhes a vantagem de explorar mares desconhecidos e estabelecer contacto com povos distantes. O Landnámabók está dividido em cinco partes e 102 capítulos.  

          A primeira parte narra como a ilha foi descoberta e os primeiros colonizadores que chegaram à terra. As partes seguintes enumeram os colonizadores, quadrante por quadrante, começando pelo Oeste e terminando pelo Sul. O livro identifica eventos importantes e a história familiar até o século XII: mais de 3.000 pessoas e 1.400 assentamentos são descritos. Indica onde cada colonizador se estabeleceu e fornece uma breve genealogia dos descendentes. Às vezes, também inclui breves histórias anedóticas. O Landnámabók lista 435 pessoas, incluindo homens e mulheres como os primeiros colonizadores, a maioria delas se estabelecendo nas partes Norte e Sudoeste da ilha. Continua sendo uma fonte inestimável tanto para a história quanto para a genealogia do povo islandês. Alguns sugerem um único autor, enquanto outros acreditam que tenha sido compilado quando as pessoas se reuniam em assembleias. o povoamento da Islândia começou em Reykjavík quando Ingólfur Arnarson chegou da Noruega no ano de 874. É reconhecido como o primeiro morador permanente da Islândia. Era filho de Örn Brynjólfsson, e descendente direto de Hrómundr Gripsson. De acordo com o Landnámabók Ingólfur construiu sua moradia em Reiquiavique. Durante mais de 900 anos após esse acontecimento, não houve desenvolvimento urbano; a cidade foi oficialmente fundada em 1786 como uma cidade comercial e cresceu de forma constante, transformando-se em seu estado atual como centro da atividade cultural, econômica e governamental da Islândia. É popular entre os turistas e é consistentemente classificada como uma das cidades mais limpas, seguras e ecologicamente corretas do mundo. Os eventos do filme se desenrolam ao longo de um único dia na Islândia. A história começa com Diddi e Una no início de um relacionamento. Eles vão de um mirante com vista para o oceano até a casa de Diddi, que ele divide com o amigo em comum, Gunni. Eles conversam na cama. Diddi sai cedo; Una, ao ouvir Gunni chegar em casa, sai sorrateiramente. 

         O réquiem de Jóhann Jóhannsson, “Odi et Amo” (em latim, “Eu Amo e Eu Odeio”), toca enquanto uma longa sequência de luzes na escuridão se revela como sendo a iluminação de um túnel rodoviário que é engolfado por uma enorme bola de fogo. Naquela manhã, Una e Gunni se encontram na faculdade de artes onde estudam, junto com Diddi. Una não tinha ouvido falar do desastre no túnel — o pior da história da Islândia — e consola Gunni quando ele revela que Diddi pode ter estado no túnel na hora. O grupo de amigos se reúne em um centro da Cruz Vermelha, onde descobrem que Diddi morreu. Una sai, sem conseguir assimilar o que aconteceu. Após uma breve reconciliação com o pai, ela se junta às amigas em um bar, onde conhece Klara, namorada de Diddi. Klara revela a Una que Diddi havia dito ser lésbica, mas Una revela ser pansexual.  Ela conta que seu último relacionamento foi com um homem. Uma conversa particular entre Una e Gunni confirma que Una e Diddi estavam tendo um caso secreto, mas que Diddi havia contado a Gunni. Una confessa que sente ressentimento por Klara ser a namorada pública de Diddi, enquanto ela deve ser apenas a amiga enlutada, já que o relacionamento delas era secreto. Enquanto isso, o país mergulhou em luto nacional pela tragédia. As amigas vão a uma missa improvisada em Hallgrímskirkja, a maior igreja da Islândia. Quando Klara e Una saem da missa para fumar um cigarro, Klara critica a performance artística que as amigas estavam criando, mas Una consegue mostrar a ela como ela revela outras perspectivas. Elas então vão para a casa de uma delas e fazem uma festa emocionante, repleta de lágrimas. Ao final da festa, Una e Klara ficam de pé em lados opostos de uma porta de vidro, seus reflexos se fundindo. 

        O filme termina com elas deitadas juntas na cama. O filme faz referência à sequência de abertura ao tocar novamente “Odi et Amo” enquanto uma sequência de luzes na água se revela como o reflexo do pôr do Sol no oceano. Com o movimento de rotação da Terra o Sol aparenta mover-se em torno do nosso planeta, o que ocorre graças nossa observação ocorrer em um ponto não inercial. O pôr do Sol é, normalmente, mais brilhante do que o nascer do Sol, pois a matiz de vermelho e laranja (arrebol) são mais vibrantes. A atmosfera responde de diversas formas à exposição da luz solar. Em particular, no final do dia, a atmosfera tende a reter uma quantidade maior de partículas em suspensão do que no início do dia.  Durante o dia, o sol aquece a superfície terrestre, diminuindo assim a umidade do ar e aumentando a velocidade e a turbulência dos ventos, o que acaba por levantar a poeira para o ar. Contudo, as diferenças entre o nascer do Sol e o pôr do Sol, em alguns casos, também dependem das peculiaridades geográficas do local de onde o evento está sendo observado. Um bom exemplo é a observação em uma praia onde o sol nasça no oceano e se ponha no continente. Como a luz do Sol sofre um desvio gerado pela atmosfera, o Sol ainda pode ser visto depois de já estar atrás do horizonte físico. Este efeito também se manifesta durante o nascer do Sol. Outra curiosidade gerada pela distorção da luz solar pela atmosfera é que o Sol também aparenta ser maior no horizonte, uma ilusão de ótica similar a que ocorre com a Lua. A duração do pôr do Sol varia com relação ao período do ano e com a latitude da região na qual o evento está sendo observado. Mudanças na duração são geralmente ocasionadas pela inclinação e pelo movimento do planeta em sua órbita. Por exemplo, no hemisfério norte, o pôr do Sol mais precoce não ocorre durante o solstício de inverno, no final de dezembro, mas sim durante o início de dezembro. Outro exemplo é o mais tardio pôr do sol, que, em vez de ocorrer em torno de 21 de junho, surge no início de julho. O mesmo fenômeno também ocorre no hemisfério Sul, com exceção das datas, que são trocadas. Durante uma ou duas semanas, durante ambos os solstícios, tanto o pôr quanto o nascer do Sol, ocorrem ligeiramente mais tarde ou mais cedo a cada dia, uma das características da troca de estações.

             Este fenômeno ocorre até em regiões equatoriais, onde a troca das estações é dificilmente notada. O registro etnográfico mais antigo do tendão sendo chamado de “tendão de Aquiles” é de 1693, pelo cirurgião e anatomista holandês Philip Verheyen (1648-1710). Em seu texto amplamente utilizado, Corporis Humani Anatomia, descreveu a localização do tendão e afirmou que ele era comumente chamado “o cordão de Aquiles”. De Humani Corporis é resultado dos trabalhos de Vesalius como professor da Universidade de Pádua, onde realizou inúmeras dissecações de cadáveres. Nesses estudos, ele refutou grande parte das teorias do médico greco-romano Galeno acerca do corpo humano, expostas por ele nesse trabalho. Para a impressão da obra, ele não poupou gastos: contratou os melhores artistas, sendo que entre eles o desenhista Jan Stephan van Calcar (1499-1546), discípulo de Tiziano, que realizou as gravuras nas duas primeiras partes e xilógrafos que tem como primícias para preparar as gravuras a serem impressas. Para a realização desse último serviço, foi escolhido o impressor Johannes Oporinus (1507-1568), de Basileia, a ir até esta cidade para supervisionar pessoalmente os trabalhos. Graças a isso, esta obra é um magnífico exemplo do que havia de melhor na produção de livros na Renascença, com 17 desenhos de página inteira, além de diversas ilustrações acompanhadas de texto. Com significado de “área de fraqueza, ponto vulnerável”, o uso generalizado, entretanto de “calcanhar de Aquiles” é recente, historicamente datando apenas de 1840, observada a utilidade de uso especificamente clínica implícita na citação de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834): “Ireland, that vulnerable heel of the British Achilles!”, de 1810 no Oxford English Dictionary.

Aquiles, filho de Peleu rei dos mirmidões e de Tétis (ninfa), é um dos heróis mais reconhecidos da mitologia grega. Ele é extraordinário por sua força, bravura e beleza. Um calcanhar de Aquiles representa um substantivo composto que significa “fraqueza a despeito de uma força geral, que pode levar a derrota ou queda”. Enquanto a origem mitológica se refere a “vulnerabilidade física”, referências idiomáticas a outros atributos ou qualidades que podem levar a queda são comuns. Na mitologia grega, quando Aquiles era um recém-nascido, foi predito que ele morreria jovem. Para preveni-lo de sua morte, sua mãe Tétis o levou ao rio Estige, que deveria dar o “poder da invulnerabilidade”, e mergulhou seu corpo na água. Porém, já que Tétis segurava Aquiles pelos calcanhares, eles não foram lavados pela água. Aquiles cresceu e tornou-se “homem de guerra” que sobreviveu a muitas batalhas. Embora a morte de Aquiles seja prevista pela Ilíada de Homero, ela não ocorre de fato na Ilíada, mas é descrita em poemas e dramas gregos e romanos posteriores que tratam dos eventos após a Ilíada, na guerra de troia. 

Nos mitos em torno da guerra, é dito que Aquiles morreu devido a “uma ferida em seu calcanhar”, tornozelo ou torso, que foi causada por uma flecha, talvez envenenada, atirada por Paris. Aquiles era simplesmente invencível em batalha, e só a intervenção divina de Apolo finalmente pôs fim ao seu longo reinado como “o maior guerreiro grego de todos eles”. Aquiles tem ainda a característica de ser “loiro e o mais belo dos heróis reunidos contra Troia, assim como o melhor entre eles”. A figura de Aquiles foi sendo moldada por diversos autores num espaço de mil anos, o que explica suas diversas contradições. A mais reconhecida é a que fala que Aquiles era invulnerável em todo o seu corpo por se banhar no rio Estige, exceto em seu calcanhar, conforme um poema de Estácio, no século I. Nestas versões de seu mito, sua morte teria sido causada por uma flecha envenenada que o teria atingido nesta parte de seu corpo, desprotegida da armadura. As obras literárias e artísticas em geral em que Aquiles aparece como herói são abundantes. Para além da Ilíada e da Odisseia - onde é demonstrada o destino de Aquiles após a sua morte - pode-se destacar, a tragédia Ifigénia em Áulide, de Eurípides (cf. Santos, 2016), “imitada” pelo dramaturgo Jean Racine (1674) e transformada em ópera pelo compositor Christoph Willibald Gluck (1774), além das artes plásticas, onde podem ser encontradas, além das diversas pinturas de vasos e esculturas do próprio período da Antiguidade Clássica, telas de Peter Paul Rubens (1577-1640), David Teniers, o Jovem (1610-1690), Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867), Eugène Delacroix (1798-1863) entre outros, que retratam as suas múltiplas façanhas sociais.      

            O papel de Aquiles como “herói do luto” forma, assim, um contraste irônico com a visão convencional, que o apresenta como um herói de kleos, “glória”, especialmente na guerra. Laos foi interpretado como “um corpo de soldados”; neste sentido, o nome teria um sentido duplo, no poema; quando o herói atua da maneira correta, seus homens trazem luto ao inimigo; da maneira errada, são “os seus homens que sentem o luto e a dor da guerra”. O poema fala, em parte, sobre a má direção da ira por parte dos líderes. O nome Achilleus passou a ser um nome comum e presente entre os gregos desde o início do século VII a.C. Foi transformado para a forma feminina Ἀχιλλεία (Achilleía), atestada pela primeira vez na Ática, no século IV a.C., e Achillia, encontrada num relevo de Halicarnasso como nome de uma gladiadora lutando contra Amazonia (“amazonas”). Os jogos gladiatórios romanos frequentemente reverenciavam a mitologia clássica, e esta parece ser uma referência à luta de Aquiles contra a rainha amazona Pentesileia, com um toque “curioso de demonstrar o herói na forma de uma mulher”. Aquiles era o filho da nereida Tétis e de Peleu, rei dos mirmidões. Tétis era uma das várias filhas de Nereu e Doris e Peleu era filho de Éaco e Endeis. Zeus e Posídon haviam sido rivais pela mão de Tétis até que Prometeu, o responsável por trazer “o fogo aos humanos”, alertou Zeus a respeito da profecia que dizia Tétis daria luz a um filho ainda maior que seu pai.

          Por este motivo, os dois deuses desistiram de cortejá-la, e fizeram-na se casar com  Peleu. Como em boa parte da mitologia grega, existe uma versão da lenda que oferece uma versão alternativa destes eventos: na Argonáutica Hera alude à casta resistência de Tétis aos avanços de Zeus, e que Tétis teria sido tão leal aos laços matrimoniais de Hera que o rejeitou de maneira fria. De acordo com um fragmento de um Achilleis - a Aquilíada, escrita por Estácio no século I, ou seja, quase mil anos depois da Ilíada - quando Aquiles nasceu, Tétis teria tentado fazê-lo imortal, mergulhando-o no rio Estige; deixou-o, no entanto, vulnerável na parte do corpo pelo qual ela o segurava, seu calcanhar. Não está claro, no entanto, se esta versão do mito era de fato reconhecida anteriormente. É certo, porém, que Homero, nos séculos IX-VIII a.C., a desconhecia, e também Ovídio, no século I a.C. Em outra versão, Tétis ungiu o filho com ambrosia e o colocou sobre o fogo, para que suas partes mortais fossem queimadas; foi interrompida por Peleu, no entanto, e acabou abandonando pai e filho, furiosa. Nenhuma das fontes históricas anteriores a Estácio, no entanto, faz qualquer referência a esta “invulnerabilidade física” do personagem; ao contrário, na própria Ilíada, como é muito referido, Homero descreve Aquiles sendo ferido: no livro 21 Asteropeu, o herói Peônio, filho de Pélago, desafia Aquiles nas margens do rio Escamandro; arremessa duas lanças ao mesmo tempo, uma das quais atinge precisamente o calcanhar de Aquiles, isto é, “tirando um jorro de sangue”.

           Outro problema sério para o povo era o Direito grego. Segundo Brandão (1980) se pelo que se sabe, até o momento, da Linear B, não havia código algum escrito de direito no período micênico, durante toda a Idade Média “os helenos se tornaram ainda mais analfabetos”. Só entre os séculos IX e VIII a.C. é que apareceram no mundo grego vários alfabetos, que paulatinamente se unificaram, mas cuja origem é uma só: o alfabeto fenício. Pois bem, o direito grego oral, consuetudinário, estava nas mãos dos nobres, dos Eupátridas, que, por “conhecimento hereditário”, pretendiam interpretá-lo e aplicá-lo. Era o direito baseado na Thémis, a deusa da justiça, isto é, na justiça de caráter divino, uma espécie de ordálio, cujo depositário é o rei, o eupátrida, que decide em nome dos deuses. Não foi apenas Hesíodo que se queixou dos “reis comedores de presentes”, que não raro julgavam em seu próprio proveito. Foi exatamente com isto inclusive que Sólon tentou romper, substituindo a thémis pela díke, “dique”, isto é, pela justiça dos homens, baseada em leis escritas. Porém, enquanto as aristocracias não foram derrubadas, a administração  da justiça continuou a ser manipulada por magistrados e conselhos aristocráticos. E a violência, que Sólon tanto se esforçou por evitar, foi inevitável. Suas reformas acabaram por desagradar a todos: aos Eupátridas, porque perderam seus privilégios e ao povo que preferia transformações radicais. Incapazes, portanto, de satisfazer sobretudo às aspirações populares, os legisladores foram substituídos pelos Tiranos, palavra não grega, talvez provinda da Ásia Menor, significou, em princípio, “soberano, rei”, sem nenhuma conotação pejorativa, como no título da célebre tragédia de Sófocles, Oidípus Týrannos, Édipo Rei. 

O tirano é, as mais das vezes, um líder proveniente da aristocracia, que se une à classe média e ao povo para defendê-los contra os nobres. Os séculos VII e VI a.C. na Grécia são dominados pelos tiranos: Pisístrato, em Atenas; Cípselo, em Corinto; Polícrates, em Samos; Fálaris, em Agrigento; Gelão, em Siracusa. A julgar por Atenas, Corinto, Siracusa e Samos, a tirania incentivou a agricultura; despendeu grandes somas em construções públicas; apoiou os concursos competitivos e incentivou a formação musical e atlética do povo grego. Mas, exatamente por sua ilegitimidade e por não reconhecer limites constitucionais a seu poder, o Týrannos acabou por tornar-se “tirano”, ou melhor, um verdadeiro déspota esclarecido! Em Atenas, a bem da verdade, as coisas foram mais tranquilas: Pisístrato procurou manter as leis de Sólon e reinou a paz na Acrópole, pelo menos nos últimos dezenove anos de seu governo.  - “Governou, diz Aristóteles, com moderação e mais como bom cidadão do que como tirano”.  Substituído pelos filhos, Hiparco e Hípias, a tirania, no entanto, não durou muito em Atenas. Mas quando, em 510 a. C, a mesma foi derrubada, o povo ateniense já estava bastante amadurecido para tomar o governo em suas mãos. Ia começar realmente a democracia com Clístenes. Eis aí, em linhas muito gerais, o mundo em que viveram os Gregos, do século VII ao VI a.C. Se Hesíodo viveu e escreveu nos fins do século VIII a. C, também ele participou de uma parcela desse tumultuado período de transição por que passaram tantas Cidades da Hélade. 

Vamos ver agora, através de seus dois poemas, o antídoto religioso que ele nos apresenta para os males de seu século, bem como seus sonhos e conselhos para os séculos futuros. Poder-se-ia pensar que o poeta de Ascra tem pouco a ver com os fatos que procuramos resumir. Não é assim. Quem procurou, na Teogonia, conjugar o trabalho com a justiça, do Caos para a justiça, cifrada em Zeus, e nos Trabalhos e Dias está inteiro em seu século e nos séculos vindouros. Também nos fragmentos de poemas do Ciclo Épico, onde podem ser encontradas as descrições da morte do herói, Cípria de autoria desconhecida, Etiópida de Arctino, a Pequena Ilíada, de Lesco de Mitilene, entre outras, não existe qualquer indicação ou referência à sua invulnerabilidade ou ao seu célebre ponto fraco no calcanhar; nas pinturas em vasos feitas mais tarde, que representam a morte de Aquiles, a flecha ou, em muitos casos, as flechas o atingem no corpo. O adivinho Calcas havia declarado, quando Aquiles tinha nove anos de idade, que Troia só poderia ser tomada com a ajuda de Aquiles. Tétis tinha o pressentimento de que Aquiles morreria na guerra. Apavorada, Tétis tratou de disfarçar o seu filho de mulher e o enviou para a corte do rei Licomedes, na ilha de Esquiro, para que ele fosse educado no gineceu, junto às filhas virgens do rei, disfarçado com o nome de Pirra (loira ou ruiva). Entretanto, os gregos enviaram Odisseu como embaixador à corte de Peleu, a fim de que ele trouxesse o indispensável Aquiles, mas como este não foi encontrado, recorreram a Calcas, que lhes revelou o embuste.

Odisseu se disfarçou, então, de mercador, e dirigiu-se ao palácio de Licomedes, conseguindo entrar no gineceu. Ele expôs, perante os olhos maravilhados das princesas, os mais ricos adornos; entre os tecidos e as joias, no entanto, estavam escondidos um escudo e uma lança. Odisseu fez soar a trombeta da guerra, quando a pretensa Pirra correu para se armar, se revelando. Aquiles então concorda em participar da guerra. Entretanto, uma das filhas de Licomedes, Deidamia, que já há muito tempo conhecia a verdadeira identidade de Aquiles, apresentou-se grávida, embora o nascimento do seu filho só aconteça após a partida do herói. Este recebeu o nome de Neoptólemo, e a alcunha de Pirro pelo nome de seu pai. Entretanto, alguns versos da Ilíada (XIX, 315-337) indicam que Aquiles já o conhecia antes de sua partida, embora ainda fosse uma criança. A própria cronologia sugere isso, pois o filho de Aquiles vai participar da guerra, dez anos depois. Odisseu conduziu então Aquiles para junto de seus pais. Tétis, assustada com o insucesso do seu estratagema, fez recomendações a seu filho: a sua vida seria tanto mais longa quanto mais obscura ele a mantivesse. Mas Aquiles recusou os conselhos de sua mãe.

Nada lhe importava mais do que o brilho da glória e, por mais que os oráculos previssem a sua morte em Troia - como consequência de ter matado um filho de Apolo - ele não descansou enquanto seu pai não lhe concedeu um exército e uma frota. Peleu dotou-o então com cinquenta navios e confiou-lhe as armas que os deuses lhe tinham oferecido no dia do seu casamento. Aquiles partiu, levando consigo o seu fiel preceptor Fénix, assim como também, o seu fiel e inseparável amigo Pátroclo. Peleu confiou Aquiles a Quíron, o centauro, no monte Pélion, para lá ser criado. O centauro encarregou-se da educação do jovem, alimentou-o com mel de abelhas, medula de ursos e de javalis e vísceras de leões. Ao mesmo tempo, iniciou-o na vida rude, em contato com a natureza; exercitou-o na caça, no adestramento dos cavalos, na medicina, na música e, sobretudo, obrigou-o a praticar a virtude. Aquiles tornou-se um adolescente muito belo, loiro, de olhos vivos, intrépido, simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência. Peleu deu ainda ao seu filho um segundo preceptor, Fénix, um homem de sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra. Com Aquiles, foi educado Pátroclo, seu amigo, filho do rei da Lócrida, Menécio. A ideia social de que a luz seria um corpúsculo vem desde a Antiguidade, com o atomismo de Epicuro e Lucrécio. Tal teoria não é a mesma que a atual, aceita como alternativa à teoria ondulatória. Contudo, somente no século XVII, a teoria corpuscular para a luz consolidou-se como um conjunto de conhecimento capaz de explicar os mais variados fenómenos ópticos. O seu principal expoente nesse período foi o filósofo natural inglês Isaac Newton (1643-1727). 

Nos seus trabalhos publicados, o artigo “Nova teoria sobre luz e cores” (1672) e o livro Óptica (Newton 1996) e também nos trabalhos não publicados, os artigos “Hipótese da luz” e “Discurso sobre as observações”, Newton discutiu implicitamente a natureza física da luz, fornecendo alguns argumentos a favor da materialidade da luz. Fato especificamente notório é que, apesar de ser conhecido como o grande defensor da teoria corpuscular, Newton nunca discutiu em detalhes o assunto, sendo sempre cauteloso ao abordá-lo Georg Cantor. A razão desse comportamento seria as críticas recebidas sobre o artigo “Nova teoria sobre a luz e cores” de 1672, advindas principalmente de Robert Hooke, Christiaan Huygens. A teoria corpuscular foi amplamente desenvolvida no século XVIII, pelos seguidores de Newton. No início do século XIX, com o aperfeiçoamento da teoria ondulatória de Thomas Young e Augustin Fresnel, a teoria corpuscular foi, aos poucos, sendo rejeitada. É importante compreender que a teoria corpuscular desenvolvida entre os séculos XVII e XIX não é a mesma da atual, inserida na concepção da dualidade onda-partícula da luz. No século XVII, Huygens, entre outros, propôs a ideia de que a luz fosse um fenómeno ondulatório. 

Francesco Maria Grimaldi observou os efeitos de difração, atualmente conhecidos como associados à natureza ondulatória da luz, em 1665, mas o significado das suas observações não foi entendido naquela época. As experiências de Thomas Young e Augustin Fresnel sobre interferência e difração no primeiro quarto do século XIX, demonstraram a existência de fenómenos ópticos, para os quais a teoria corpuscular da luz seria inadequada, sendo possíveis se à luz correspondesse um movimento ondulatório. As experiências de Young capacitaram-no a medir o comprimento de onda da luz e Fresnel provou que a propagação retilínea, tal como os efeitos observados por Grimaldi e outros, podiam ser explicados com base no comportamento de ondas de um pequeno comprimento de onda. O físico francês Jean Bernard Léon Foucault, no século XIX, descobriu que a luz se deslocava mais rápido no ar do que na água. O efeito contrariava a teoria corpuscular de Newton, esta afirmava que a luz deveria ter uma velocidade maior na água do que no ar. James Clerk Maxwell, ainda no século XIX, provou que a velocidade de propagação de uma onda eletromagnética no espaço equivalia à velocidade de propagação da luz de aproximadamente 300 000 km/s.   A dualidade onda partícula é o conceito da mecânica quântica de que cada partícula ou entidade quântica pode ser descrita como uma partícula ou uma onda. Expressa a incapacidade dos conceitos clássicos de tanto de “partícula” ou como de “onda” para descrever completamente o comportamento de objetos em escala quântica. Como Albert Einstein escreveu: - “Parece que às vezes devemos usar uma teoria e às vezes a outra, enquanto às vezes podemos usar qualquer uma delas. 

Estamos diante de um novo tipo de dificuldade. Temos duas imagens contraditórias da realidade; separadamente, nenhum deles explica totalmente os fenômenos da luz, mas juntos eles o fazem”. Através do trabalho de Max Planck, Albert Einstein, Louis de Broglie, Arthur Compton, Niels Bohr, Erwin Schrödinger e muitos outros, especificamente a teoria científica atual sustenta que todas as partículas exibem uma natureza ondulatória e vice-versa.  Este fenômeno foi verificado não apenas para partículas elementares, mas também para partículas compostas como átomos e até moléculas. Para partículas macroscópicas, por causa de seus comprimentos de onda curtos, as propriedades das ondas não podem ser detectadas.  Embora o uso da dualidade onda-partícula tenha funcionado bem na física, o significado ou interpretação não foi satisfatoriamente resolvido; ver interpretações da mecânica quântica. Bohr considerou o “paradoxo da dualidade” como um fato fundamental ou metafísico da natureza. Um determinado tipo de objeto quântico exibirá às vezes o caráter de onda, às vezes de partícula, em configurações físicas respectivamente diferentes. Ele viu essa dualidade como um aspecto do conceito de complementaridade. Bohr considerou a renúncia à relação causa-efeito, ou complementaridade, da imagem espaço-tempo, como essencial para a explicação da mecânica quântica. Werner Heisenberg considerou a questão mais a fundo. Ele viu a dualidade como presente para todas as entidades quânticas, mas não exatamente na descrição usual da mecânica quântica considerada por Bohr. Ele viu isso no que é chamado de segunda quantização, que gera um conceito inteiramente novo de campos que existem no espaço-tempo comum, a causalidade ainda sendo visualizável. Os valores clássicos de campo, por exemplo, as forças de campo elétrico e magnético de Maxwell, são substituídos por um tipo inteiramente novo de valor de campo, conforme considerado na teoria quântica de campos. Invertendo o raciocínio, a mecânica quântica comum pode ser deduzida como uma consequência especializada da teoria quântica de campos.

Bibliografia Geral Consultada.

EINSTEIN, Albert, Comment Je Vois le Monde. Paris: Éditions Flammarion, 1963; ERIKSON, Erikson Homburger, Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1972; BROHM, Jean-Marie, Sociologie Politique du Sport. Paris: Jean-Pierre Delarge Éditeur, 1976; DELBEÈ, Anne, Une Femme. Paris: Presses de la Renaissance,1982; BERGSON, Henri, O Pensamento e o Movente. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Editor Abril Cultural, 1984; PROUST, Marcel, Os Prazeres e os Dias. Rio de Janeiro: Editora Rio Gráfica, 1986; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; SIMMEL, Georg, El Individuo y la Libertad: Ensayos de Crítica de la Cultura. Barcelona: Ediciones Península, 2001; SCALA, Jorge, Ideologia de Gênero. O Neototalitarismo e a Morte da Família. São Paulo: Editora Katechesis, 2011; VIGARELLO, Georges; CORBAIN, Alain; COURTINE, Jean-Jacques (dir.), Histoire de la Virilité. 3 Volumes. Paris: Éditions Du Seuil, 2011; GARCIA, Júlia, Animês Além das Muralhas: Conexões entre a Qualidade Audiovisual de Shingeki no Kyojin e a Competência Midiática na fanfic AoT no Requiem. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Comunicação Social. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2023; Artigo: “Rúnar Rúnarsson prepara O com a estrela islandesa Ingvar E. Sigurðsson e compartilha o trailer de “When the Light Breaks”. In: Variety, 14 de maio de 2024; artigo: “Crítica de When the Light Breaks: Um Drama Nórdico Sombrio sobre o que Acontece Quando o Luto não é Permitido”. In: Indiewire. 15 de maio de 2024; PHAM, Annika, “Rúnar Rúnarsson prepara O com a Estrela Islandesa Ingvar E. Sigurðsson, Compartilha o Trailer de “When the Light Breaks”, 14 de maio de 2024; LODGE, Guy, “Crítica de When the Light Breaks: Um turbilhão de emoções juvenis se desenrola entre dois piores do Sol, 15 de maio de 2024; GYARKE, Lovia, “Crítica de When the Light Breaks: Drama Islandês em Tom Menor Pinta um Retrato Comovente do Luto”. In: The Hollywood Reporter, 16 de maio de 2024; ZUBENKO, Iryna, “Entre o desgosto e o pôr do sol: o filme Ljósbrot de Rúnar Rúnarsson se aprofunda no luto”, 28 de agosto de 2024; NTIM, Zac, “Festival de Cinema de Gotemburgo: When The Light Breaks, de Rúnar Rúnarsson, ganha o prêmio de Melhor Filme Nórdico”. In: Deadline Hollywood, 1 de fevereiro de 2025; SILVA, Ariane Stefanie da, Gênero, Cinema e Super-heroi(na): Um Olhar sobre o Feminino no MCU a partir da Representação de Viúva Negra. Dissertação de Mestrado em Comunicação. Instituto de Ciências Sociais Aplicadas.  Mariana: Universidade Federal de Ouro Preto, 2026entre outros.

Phil Collins –Calçada da Fama, Multinstrumentista & Produtor britânico.

                                                        É desta forma que as coisas são, não há nada que eu possa fazer!”. Phil Collins                        

        A obra do sociólogo não é a do homem público, assevera Émile Durkheim (2015). O que a experiência do passado demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com os outros e participam da vida comum. Já que essa vida comum é, praticamente sob certos aspectos sociais e políticos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize com a organização seu funcionamento (cf. Marra, 1987). Por causa de suas dimensões, tal órgão estaria em contato com a vida coletiva, pois os acontecimentos importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas industriais num país tem repercussões gerais, que o Estado não pode sentir, transitoriamente o que o leva a intervir. Não foi sem fundamento na esfera de ação que o poder real tendeu prevalentemente a não deixar fora de sua ação a grande indústria.

      Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa organização unitária para o conjunto de normas de um mesmo país não exclui, de modo algum, a formação de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores similares de uma mesma região ou localidade, e cujo papel seria especializar ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais. A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da corporação. Na síntese durkheimiana representada sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica se desenvolve. Agora que a comuna  de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, não é legítimo pensar a corporação também deveria sofrer uma transformação política correspondente e tornar-se tout court a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental? 

A sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema de corporações nacionais. Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e já não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu: o “patriotismo de paróquia” tornou-se um arcaísmo que não se pode restaurar à vontade. Para o sociólogo uma nação só se pode manter se, entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral da vida social. Isso não quer dizer, que a corporação seja panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para com a comunidade, etc.  Estaremos não menos que na prática, em presença de uma tábula rasa.  A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união.                                         


          Esta divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza. Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar.  Nem em que sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. 

Há apenas motivos sociais para crer que em nossas sociedades essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival. Phil Collins começou sua carreira muito jovem como ator e modelo infantil. Aos 12 anos, interpretou Artful Dodger na produção teatral londrina de Oliver! Jack Dawkins, reconhecido como Artful Dodger, é um personagem do romance de 1838 de Charles Dickens, Oliver TwistO Dodger é um batedor de carteiras e seu apelido se refere à sua habilidade e astúcia nessa ocupação. Em seguida, fez uma breve participação no filme A Hard Day`s Night (1964) de Richard Lester, como um jovem fã na plateia durante uma apresentação dos Beatles, embora a cena tenha sido cortada. Essa experiência no cinema foi seguida por outra na televisão, estrelando a série Calamity the Cow (1967), produzida pela Children`s Film Foundation. Ele também teve papéis coadjuvantes no filme Chitty Chitty Bang Bang (1968); a cena final, em que as crianças correm em direção ao castelo, foi cortada da versão final.

 Apesar desses papéis, Phil Collins não se sentia realizado como ator. Sua paixão continuava sendo evidentemente a música, e sua ambição era se tornar baterista e fazer sua profissão. Mais tarde, ele se juntou à banda The Real Thing (1970), com Philip Gadd na guitarra, o irmão Martin Gadd no baixo e Peter Newton nos vocais, todos amigos da Barbara Speake Stage School. Em seguida, conseguiu shows com a banda Charge antes de formar o Freehold, composto por John “Fluff” Hunt na guitarra e vocais, Les Mannering no baixo e vocais, Jeff Slater nos vocais e pandeiro, e Phil Collins na bateria e vocais, com quem escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, em 1968. Aos 18 anos, junto com seu amigo e colaborador, o guitarrista Ronnie Caryl, ele acompanhou o cantor americano John Walker, da banda Walker Brothers, em uma turnê pela Grã-Bretanha. Os outros dois músicos eram Gordon “Flash” Smith no baixo e Brian Chatton, ex-organista dos Warriors, antiga banda de Jon Anderson. Ao término da turnê, os quatro jovens decidiram permanecer juntos e a sorte, formando a banda Hickory e gravando o single “Green Light/The Key” em 24 de janeiro de 1969, lançado pela CBS Records International. 

        Esse grupo se tornaria o Flaming Youth, após conhecer os compositores Ken Howard e Alan Blaikley, que lhes ofereceram a oportunidade de gravar um álbum. A banda assinou com a Fontana Records e gravou o álbum Ark II em 1969, que foi eleito Álbum do Mês pela revista musical britânica Melody Maker. Ele se apresentou no Planetário de Londres para o lançamento do álbum em 1969. Após alguns shows, o grupo não conseguiu despertar mais interesse do público ou da mídia, apesar da adição de um novo músico, o organista Rod Mayall, irmão de John Mayall. O Flaming Youth acabou se dissolvendo. Naquele mesmo ano, Phil Collins teve uma pequena participação como vendedor de sorvetes no filme I Start Counting, de David Greene, com roteiro de Richard Harris, embora não tenha sido creditado. Em 1970, Phil Collins foi convidado como músico de estúdio para o álbum de George Harrison, All Things Must Pass, no qual tocou congas na música Art of Dying. No entanto, de acordo com a autobiografia do cantor, Not Dead Yet, sua participação acabou sendo rejeitada. Phil Collins nascido em Chiswick em 30 de janeiro de 1951, no distrito londrino de Hounslow, Inglaterra é um cantor, compositor, ator e produtor britânico. Reconhecido como baterista e vocalista da banda Genesis, teve uma prolífica carreira solo de 1981 a 1996, conciliando ambas as atividades. 

            Ele também é um músico talentoso que toca vários instrumentos: bateria e percussão são seus instrumentos principais, mas ele também toca teclado, guitarra e baixo. Influenciado pelo soul music e doo-wop dos grupos da Motown e pelo pop dos Beatles, Collins começou sua carreira profissional como baterista em 1968 com a banda Freehold, com quem produziu o single “Lying, Crying, Dying/The Sandman”. Em seguida, fundou outro grupo chamado Hickory, com seu amigo Ronnie Caryl na guitarra, Brian Chatton nos teclados e Gordon Smith no baixo. O grupo mudou seu nome para Flaming Youth e lançou um álbum intitulado Ark 2. Apesar de participações na TV e críticas favoráveis, o grupo se desfez em 1970. Pouco depois, Phil Collins tornou-se membro do Genesis, a banda de rock progressivo fundada em 1967. Originalmente apenas “baterista e vocalista de apoio”, foi após a saída do vocalista Peter Gabriel em 1975 que Phil Collins se tornou, por consequência, o vocalista principal do Genesis em 1976. O grupo adicionou um segundo baterista em 1976, para as turnês Bill Braford, Chester Thompson a partir de 1977 e seu próprio filho, Nicholas Collins, a partir de 2020. Após sucessos como “Follow You Follow Me” em 1978, o Genesis, agora um trio, desfrutou de seu maior período de sucesso comercial até o início da década de 1990. Genesis foi uma banda britânica de rock formada em 1967, quando os seus fundadores Anthony Phillips, Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks ainda estudavam na Charterhouse School. 

         O grupo alcançou enorme sucesso nas décadas de 1970, 1980 e 1990, e com aproximadamente 130 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, é considerada uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos. Sua carreira tem duas fases musicais diferentes. Na fase com Peter Gabriel como vocalista, suas estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e apresentações teatrais tornaram-na uma das bandas mais reverenciadas do rock progressivo na década de 1970. Criações clássicas da banda nesse período incluem a canção de 23 minutos “Supper`s Ready” do álbum Foxtrot de 1972, além do álbum conceitual de 1974 The Lamb Lies Down on Broadway. Com a saída de Peter em 1975 e sendo substituído nos vocais por Phil Collins, no final da década de 70 e a partir dos anos 80, sua música tomou um caminho distinto em direção ao pop, tornando-a mais acessível para a cena musical. Em 18 de outubro de 2006, a BBC anunciou que os membros do Genesis, incluindo Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, aceitaram reunir-se para uma turnê mundial e explorando a possibilidade de gravação de um novo material. No auge do sucesso de sua carreira solo, Phil Collins deixou a banda em 1996, sendo brevemente substituído por Ray Wilson. No entanto, o Genesis se reuniu com Phil Collins em 2007 uma turnê mundial. Alguns discursos de Collins, Hackett e Gabriel no final de 2005 sobre um provável retorno do grupo e um encontro entre os membros da banda na Suíça em janeiro de 2006 estimularam as especulações dos fãs do grupo acerca de um possível regresso. Apesar de um desmentido da produtora da banda sobre esse fato, rumores sobre uma possível reunião em meados de 2007 circularam na internet durante quase todo o ano de 2006.

Após muita especulação sobre a reunião, Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford anunciaram a turnê de reunião “Turn It On Again” em 7 de novembro de 2006, quase 40 anos após a formação da banda. Foi confirmado que a primeira parte da turnê seria na Europa, em 12 países, começando em Helsinque, Finlândia em junho de 2007 e terminou em Roma, Itália em julho. A turnê então seguiu para os Estados Unidos para mais 20 concertos, encerrando-se em outubro de 2007. A ideia original era reunir também Peter Gabriel e Steve Hackett e executar a turnê para The Lamb Lies Down on Broadway. A princípio, Peter Gabriel aceitou o convite para apresentar-se, mas não gostaria de comprometer-se com a turnê, o que acabou levando a sua saída da reunião. Hackett também recusou o convite, mas mantém boas relações com o resto da banda. Em seu sítio oficial o músico expressa, inclusive, desejo de sucesso na reunião do Genesis. Diante disso, a formação da turnê foi a que vem se repetindo desde 1978: Phil Collins (voz e bateria), Tony Banks (teclados e vocais), Mike Rutherford (baixo, guitarras e vocais), Daryl Stuermer (guitarras, baixo e vocais) e Chester Thompson (bateria e sampler). Seguindo o embalo da volta aos palcos, a banda e o produtor Nick Davis relançaram álbuns antigos em 2007 no formato box-set pela Virgin Records, de Trespass a Calling All Stations, no formato 5.1. Um digital vídeo disc (DVD) extra incluindo vídeos promocionais e novas entrevistas sobre o período de lançamento de cada álbum presente.

Em 2008 foi lançado um DVD duplo com o show ocorrido em Roma, no encerramento da turnê europeia. Ele mescla sucessos da formação clássica: “In The Cage”, “Afterglow”, “Cinema Show”, “The Carpert Crawlers”, “Los Endos”, etc., com os êxitos comerciais dos anos 1980 e 90 “Land of Confusion”, “Invisible Touch”, “No Son of Mine”, etc. A partir daquele ano, Phil Collins começou “a ter problemas de saúde após sofrer uma lesão na coluna, o que o impediu de tocar bateria”. Depois de anunciar sua aposentadoria, ele retornou aos palcos em 2016. Em 23 de abril de 2018, publicou sua autobiografia, Not Dead Yet, na qual reflete abertamente sobre sua carreira. A turnê Not Dead Yet de concertos do artista musical inglês Phil Collins, nomeada em homenagem à sua autobiografia lançada em 25 de outubro de 2016.  Collins anunciou a turnê em 17 de outubro de 2016, em uma coletiva de imprensa realizada no Royal Albert Hall, em Londres. A turnê incluía cinco shows no local e cinco shows cada na Lanxess Arena, em Colônia, e na AccorHotels Arena, em Paris. Em 8 de novembro de 2016, foi anunciado que Collins seria a atração principal de um show no Hyde Park, em Londres. Em 16 de dezembro de 2016, foi anunciado que Collins se apresentaria no Aviva Stadium, em Dublin, no domingo, 25 de junho de 2017. Em 27 de fevereiro de 2017, foi anunciado que Collins se apresentaria na Echo Arena, em Liverpool, na sexta-feira, 2 de junho de 2017. Collins se apresentando para 65.000 pessoas no Hyde Park, em Londres, no dia 30 de junho de 2017, como parte da turnê Not Dead Yet

Em 8 de junho de 2017, foi anunciado que os shows cancelados de Collins nos dias 8 e 9 de junho seriam remarcados para os dias 26 e 27 de novembro. Os dois concertos foram cancelados depois de Collins ter tropeçado num degrau no quarto do seu hotel, em Londres para o hospital, após um concerto no Royal Albert Hall em 7 de junho. Devido a problemas “nervosos persistentes nas mãos”, esta foi a primeira turnê em que Collins não tocou bateria em nenhum momento do show. Em vez disso, ele incumbiu seu filho Nicholas de executar todas as partes de bateria. Collins usou um cajón durante as últimas partes da turnê. De 2017 a 2019, ele voltou a fazer turnês com seu filho Nicholas. No outono de 2021, o Genesis retornou com a The Last Domino? Tour (2021) a última turnê da carreira de Phil Collins, durante a qual ele cantou sentado, acompanhado por seu filho na bateria. Suas canções de maior sucesso comercial são: In the Air Tonight (1981), Against All Odds (1984), Take Me Home (1985) e Sussudio (1985), One More Night (1986), Two Hearts (1988), Another Day in Paradise (1989), Easy Lover (1990), Something Happened on the Way to Heaven (1989), Do You Remember (1996), Phil Collins recebeu sete prêmios Grammy, um Oscar e dois Globos de Ouro. 

Além disso, resultado de sua vocação e prêmios, tem uma estrela na Hollywood Walk of FameCalçada da Fama de Hollywood é um passeio no percurso das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street em Hollywood, Califórnia, Estados Unidos, constituído por mais de 2 000 lajes com estrelas, fazendo menção a celebridades honradas pela Câmara do Comércio de Hollywood pelas suas contribuições para a indústria do entretenimento. Gene Autry e Britney Spears são exemplos destacados na Calçada da Fama: ele por ser a única pessoa com estrelas em todas as cinco categorias e ela por ser a pessoa mais jovem a receber uma, com 21 anos. Etnograficamente a Calçada da Fama percorre 1,3 milhas (2,1 km) de Leste para Oeste na Hollywood Boulevard a partir da North Gower Street até a Norte La Brea Avenue, além de um pequeno segmento da Marshfield Way que percorre na diagonal entre Hollywood e La Brea; e 0,4 milhas (0,7 km) de Norte a Sul na Vine Street, entre a Yucca Street e Sunset Boulevard. De acordo com um relatório de 2003 realizado pela empresa de pesquisa de mercado NPO Plog Research, a Calçada atrai cerca de 10 milhões de visitantes por ano, mais do que Sunset Strip, Grauman`s Chinese Theatre, o Queen Mary e o Los Angeles County Museum of Art e tem desempenhado um papel importante no turismo da maior indústria no condado de Los Angeles. De todas as estrelas na Calçada, de divisão do trabalho social 47% foram concedidas na categoria Indústria cinematográfica, 24% em Indústria televisiva, 17% em Indústria da música, 10% em Indústria de radiodifusão, e menos de 2% na categoria Indústria de teatro.  

Em 1953 o presidente da Câmara de Comércio de Hollywood, E. M. Stuart, teve a ideia de criar uma Calçada da Fama, como forma de "manter a glória de uma comunidade cujo nome significa glamour e emoção nos quatro cantos do mundo".[11] Uma comissão foi formada para aprofundar a ideia, e uma empresa de arquitetura foi contratada para desenvolver propostas específicas. Por volta de 1955, o conceito básico do projeto geral tinha sido acordado, e os planos foram apresentados à Câmara Municipal de Los Angeles. Existem várias versões para a origem do conceito das estrelas na calçada, uma delas seria a do histórico Hotel Hollywood - que funcionou por mais de 50 anos na Hollywood Boulevard, local hoje ocupado pelo complexo do Teatro Dolby - estrelas eram exibidas no teto da sala de jantar em homenagem aos seus mais famosos clientes celebridades, e que pode ter servido como uma inspiração. Em fevereiro de 1956, um protótipo foi apresentado. Em março de 1956, o projeto final havia sido aprovado, e entre a primavera de 1956 e outono de 1957, 1 558 homenageados foram selecionados por comitês que representavam os quatro principais ramos da indústria do entretenimento na época: Cinema, Televisão, Indústria fonográfica e rádio. Um requisito estipulado pela comissão da Indústria fonográfica (e mais tarde anulada) especificava a venda de no mínimo 1 milhão de gravações ou 250 mil álbuns para todos os candidatos da categoria.                       

O comitê logo percebeu que muitos artistas importantes seriam excluídos da calçada por essa exigência. Como resultado, a National Academy of Recording Arts and Sciences foi formada com o objetivo de criar um sistema de premiação separada para mundo da música. Os primeiros Grammy Awards foram apresentados em Beverly Hills, em 1959. A construção da calçada começou em 1958, mas dois processos atrasaram sua conclusão. O primeiro foi apresentado por proprietários locais que contestavam a legalidade de 1 250 mil dólares de imposto cobrado sobre eles para pagar a calçada, juntamente com a nova iluminação pública e árvores. O segundo processo, aberto por Charles Chaplin, Jr., buscava uma indenização pela exclusão de seu pai, cuja nomeação havia sido retirada devido à pressão de vários bairros. O processo foi arquivado em 1960 abrindo o caminho para a conclusão do projeto. Joanne Woodward é muitas vezes apontada como a primeira a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, na verdade não houve uma “primeira”; as estrelas originais foram instaladas como um projeto contínuo, sem cerimônias individuais. O nome de Woodward foi um dos oito sorteados aleatoriamente a partir de 1 558 nomes inscritos em oito estrelas “de exibição” que foram construídas disciplinarmente durante a construção permanente. Elas foram instaladas temporárias no canto noroeste da Hollywood Boulevard e Highland Avenue, em agosto de 1958, para gerar publicidade e demonstrar como a Calçada seria.           

Os outros sete nomes foram os de Olive Borden, Ronald Colman, Louise Fazenda, Preston Foster, Burt Lancaster, Edward Sedgwick, e Ernest Torrence. A inauguração oficial ocorreu em 08 fevereiro de 1960. A lenda sobre Joanne Woodward pode ter se originado, de acordo com fontes, porque ela foi a primeira a posar com sua estrela para fotógrafos. Cerca de 20 novas estrelas são adicionadas a cada ano. Em 6 de março de 2014, a calçada era composta por 2 518 estrelas. Cada estrela é rosa, fabricada de um mármore chamado terrazo e com um escudo de latão e não bronze, como é muito difundido, com o nome do homenageado e uma figura relacionada a sua área. Esta categoria visa reconhecer as várias contribuições de entidades empresariais, organizações sociais e homenageados especiais que exibe emblemas exclusivos para aqueles homenageados. Por exemplo, a estrela de ex-prefeito de Los Angeles Tom Bradley exibe o selo da cidade de Los Angeles; o emblema do Departamento de Polícia de Los Angeles é uma réplica de um crachá da Divisão de Hollywood; e as estrelas que representam corporações, como a Victoria`s Secret e os Los Angeles Dodgers, exibem o logotipo corporativo dos homenageados. O monumento a missão espacial Apollo 11 (1969), por exemplo, foram moldados exclusivamente por quatro luas circulares idênticas, com os nomes dos três astronautas: Neil A. Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins, com data do primeiro pouso na Lua (20 de julho de 1969), e estão localizadas em cada um dos quatro cantos do cruzamento da Hollywood Boulevard e Vine Street. As estrelas especiais são monumentos concedidos pela Câmara de Comércio de Hollywood, mas não fazem parte da Calçada da Fama e estão apenas localizadas nas proximidades.   

Philip David Charles Collins nasceu em 30 de janeiro de 1951 no Hospital Putney, no atual distrito de Wandsworth, no Sudoeste de Londres, Inglaterra. Na época, o Hospital Putney ficava no distrito metropolitano de Wandsworth, no condado de Londres. Sua mãe, June Winifred (nascida Strange, 1913–2011), trabalhava em uma loja de brinquedos e, como agente teatral na Barbara Speake Stage School, uma escola independente de artes cênicas em East Acton, no atual distrito londrino de Ealing, enquanto seu pai, Greville Philip Austin Collins (1907–1972), era agente de seguros da London Assurance. Collins é o caçula de três filhos; sua irmã, Carole, competiu como patinadora artística profissional e seguiu os passos de June como agente teatral, enquanto seu irmão, Clive, era cartunista. A família mudou-se duas vezes quando Collins completou três anos, estabelecendo-se no número 453 da Hanworth Road, no município de Brentford e Chiswick, agora parte do município londrino de Hounslow. Phill Collins ganhou uma bateria de brinquedo no Natal aos cinco anos de idade e, mais tarde, seus dois tios fizeram para ele um conjunto improvisado com triângulos e pandeiros que cabia em uma mala. 

Estes foram seguidos por conjuntos musicais mais completos comprados por June e Greville progressivamente à medida que Collins crescia. Collins praticava tocando junto com músicas na televisão e no rádio. Durante umas férias em família no Butlin`s, Collins, aos sete anos, participou de um importante concurso de talentos, cantando “The Ballad of Davy Crockett” (1955); ele interrompeu a orquestra no meio da música para dizer que estavam na tonalidade errada. Os Beatles foram uma grande influência inicial para ele, incluindo seu baterista Ringo Starr. Collins seguia a banda londrina menos conhecida The Action, cujo baterista, Roger Powell, ele imitava e cujo trabalho o apresentou à música soul da Motown e da Stax Records. Collins também foi influenciado pelo baterista de jazz e big band Buddy Rich (1917-1987), cuja opinião sobre a importância do chimbal levou o primeiro a parar de usar um segundo bumbo e começar a usar o chimbal. Collins recebeu aulas básicas de piano e música da tia de Greville por volta dos 12 anos de idade. Collins estudou rudimentos de bateria com Lloyd Ryan e mais tarde com Frank King, e considerou esse treinamento “mais útil do que qualquer outra coisa porque eles são usados o tempo todo. Em qualquer tipo de bateria funk ou jazz, os rudimentos estão sempre presentes”. Collins nunca aprendeu a ler ou escrever notação musical e criou seu próprio sistema, do qual se arrependeu mais tarde. - “Sempre achei que se eu conseguisse cantarolar, conseguiria tocar. Para mim, isso era suficiente, mas essa atitude é ruim”.

Collins frequentou a Nelson Primary School em Twickenham, então parte de Middlesex e agora parte do distrito londrino de Richmond upon Thames, até 1962, quando foi aceito na Chiswick County Grammar School em Chiswick, no atual distrito londrino de Hounslow. Lá, Collins se apaixonou por futebol e formou a Real Thing, uma banda escolar que tinha sua futura esposa Andrea Bertorelli e a amiga Lavinia Lang como backing vocals; ambas as mulheres teriam um impacto social na vida pessoal de Collins nos anos seguintes. O próximo grupo de Collins foi o Freehold, com quem ele escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, e tocou em um grupo chamado The Charge. Collins era amigo de infância de Jack Wild, que se tornaria famoso por interpretar o Artful Dodger no filme musical dramático Oliver! (1968). June avistou Wild quando ele e Collins estavam jogando futebol juntos no parque, e os dois meninos frequentavam a escola Barbara Speake. Embora originalmente concebida em parte para incentivar o redesenvolvimento da Hollywood Boulevard, os anos 1960 e 1970 foram períodos de decadência urbana prolongada na área de Hollywood com os moradores se mudando para os subúrbios da cidade. Extraordinariamente mais 1 500 estrelas foram instaladas entre 1960-1961, depois oito anos se passaram sem a adição de uma nova estrela.

Escólio: Se o espaço “é um lugar praticado”, para concordarmos com Michel de Certeau, que desenvolve de forma conspícua a percepção fenomenológica do cotidiano, através do que ele denominou “invenção do cotidiano”, livro que já alcançou em 2013 a 20ª edição pelas Editoras Vozes, a rua geometricamente definida por um urbanismo “é transformada em espaço pelos pedestres”. Analogamente, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um manuscrito. Merleau-Ponty já distinguia de um espaço geométrico outra espacialidade que denominava “espaço antropológico”, que visava separar da univocidade geométrica a experiência de um “fora” dado sob a forma de espaço e para o qual dialeticamente o “espaço é existencial” e “a existência é espacial”. Essa experiência dialética é relação com o mundo, no sonho e na percepção, de Freud aos nossos dias, e per se anterior à sua diferenciação.  Ela exprime o nosso ser situado por um desejo, indissociável da existência e plantado no espaço de uma paisagem em experiências espaciais distintas. A cadeia das operações espacializante parece toda pontilhada de referências ao que produz uma representação de lugares ou ao que implica uma ordem local. Tem-se assim a estrutura do relato de viagem, histórias de caminhadas e gestas que são marcadas pela “citação” dos lugares que daí resulta ou que as autoridades simbólicas preconizam preconceitos sociais.                     

Os relatos antropológicos efetuam um trabalho que, seguindo a etnografia extraordinária de Michel de Certeau (1925-1986), incessantemente, transforma “lugares em espaços” ou “espaços em lugares”. Organizam também os “jogos” das relações sociais mutáveis que uns mantêm com os outros. São inúmeros esses jogos, num leque se estende desde a implantação de uma ordem imóvel e quase mineralógica até a sucessividade acelerada das ações multiplicadoras de espaços populares, no âmbito das representações da vida. A Câmara Municipal de Los Angeles, Estados Unidos, aprovou uma lei nomeando a Câmara de Comércio de Hollywood como “The Agent to Advise the City” (1962) sobre a adição de novos nomes a calçada, e a Câmara, ao longo dos seis anos seguintes, criou regras, procedimentos e métodos de financiamento para fazê-lo. Em dezembro de 1968, Richard D. Zanuck foi premiado com a primeira estrela em oito anos em uma cerimônia de apresentação apresentada por Danny Thomas. Em julho de 1978, a prefeitura de Los Angeles nomeou a Calçada da Fama de Hollywood um Monumento Histórico e Cultural da cidade, estabelecendo-se como uma atração turística importante.

A partir de 1968, Johnny Grant (1923-2008) prefeito honorário de Hollywood, estimulou a publicidade e a cobertura da imprensa internacional, exigindo também que cada homenageado fosse pessoalmente a inauguração da cerimônia de sua estrela. Johnny recordou mais tarde que “foi difícil conseguir que as pessoas viessem a aceitar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood” até que a região da Boulevard fosse finalmente recuperada a partir dos anos 1980. Johnny Grant aprovou uma taxa de US$ 2 500, pagos pelo homenageado ou entidade de nomeação do destinatário, para financiar a manutenção da Calçada da Fama. Essa taxa tem aumentado progressivamente ao longo do tempo; em 2002 seu valor realmente era de US$ 15 000, em 2012 tinha chegado a US$ 30 000. Grant foi premiado com uma estrela em 1980 por seu trabalho na televisão, e em 2002 ele recebeu uma segunda estrela na categoria Especial pelo reconhecimento de seu papel na melhoria e popularização da calçada da fama. Em 1984, uma quinta categoria, a Indústria de teatro, foi adicionada a calçada para permitir o reconhecimento das contribuições do ramo da indústria do entretenimento teatral, e uma segunda fileira de estrelas foi criada em cada calçada para alternar comparativamente com as estrelas existentes. Em 1994, a Calçada da Fama foi estendida para oeste na Hollywood Boulevard, Sycamore Avenue e ao Norte da LaBrea Avenue, onde termina na praça “Four Ladies of Hollywood”. 

No mesmo ano, Sophia Loren foi homenageada com a estrela de número 2 000. Durante a construção de túneis para o sistema de metrô de Los Angeles, em 1996, a Autoridade de Transporte Metropolitano removeu e armazenou mais de 300 estrelas. Em 2008, um projeto de restauração a longo prazo começou com uma avaliação de todas as 2 365 estrelas na Calçada, cada um recebendo uma carta de grau A, B, C, D ou F. Nas estrelas com notas “F”, foram indicados os danos mais graves, outras cinquenta estrelas receberam notas “D”. Pelo menos 778 estrelas foram eventualmente reparadas ou substituídas a um custo estimado de US$ 4 milhões. Para incentivar o financiamento suplementar para o projeto, o programa “Amigos da Calçada da Fama” foi inaugurado. Absolut Vodka foi a primeira empresa amiga e doou US$ 1 milhão, seguida da L`Oréal. Os amigos da calçada são reconhecidos com placas honoríficas adjacentes à Calçada da Fama em frente ao Teatro Dolby. O programa, porém, recebeu algumas críticas. Gene Autry é o único homenageado com estrelas em todas as cinco categorias. Bob Hope, Mickey Rooney, Roy Rogers, e Tony Martin tem cada um quatro estrelas em quatro categorias. Trinta e três pessoas, incluindo Bing Crosby, Dean Martin, Frank Sinatra, Dinah Shore, Gale Storm, Danny Kaye, e Jack Benny, tem três estrelas individualmente. Sete artistas têm duas estrelas na mesma categoria por realizações distintas: Michael Jackson, como performance solo e como membro do The Jackson 5; Diana Ross, como membro da The Supremes e por seu trabalho solo; Smokey Robinson, também como um artista solo e como membro da The Supremes; e John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e Paul McCartney, cada um com uma estrela e como membros dos Beatles.  

Indisciplinada Cher perdeu a chance de ser homenageada, já que se recusou a agendar sua participação pessoal e obrigatória quando foi selecionada em 1983. Ela esteve presente na inauguração da estrela Sonny & Cher, em 1998, como uma homenagem ao seu ex-marido, Sonny Bono. George Eastman é o único homenageado com duas estrelas na mesma categoria pela mesma realização, a invenção do filme fotográfico. O nome de Charles Chaplin (cf. Chaplin, 1981; Matos-Cruz, 1982) foi censurado entre os primeiros homenageados, e logo suas impressões foram retiradas do local por conta de questões relacionadas com a sua moral (ele havia sido acusado de violar a Lei de Mann Act (White-Slave Traffic Act) durante a década de 1940, mas é mais provável, que tivesse sido devido às suas opiniões políticas. Sua estrela foi finalmente adicionada à calçada em 1972, no mesmo ano em que recebeu seu Oscar, independente do motivo que manteve o ator fora da calçada, atualmente ele é uma das estrelas mais fotografadas. Em 1978, o comitê da Câmara de Comércio de Hollywood, votou contra a concessão de uma estrela ao ator, atleta, escritor, advogado e ativista social Paul Robeson. O clamor da indústria cultural, de círculos cívicos, políticos locais e nacionais, e outros foram tão intensos que decisão foi revertida quase que imediatamente. É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam “medidas falsas”, dizia Freud (2011), com razão, sobre a questão tópica do mal-estar na civilização, de que buscam poder, sucesso, riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, assim subestimando os autênticos valores da vida. 

E, no entanto, corremos o risco, num julgamento assim genérico, de esquecer a variedade do humano - last but not least – e de sua vida psíquica. Existem homens que não deixam de ser venerados pelos contemporâneos, como Herman Hesse (1877-1962), embora sua grandeza repouse em qualidades e realizações inteiramente alheias aos objetivos e ideais da multidão. Provavelmente se há de supor que apenas uma minoria reconhece esses grandes homens, enquanto a maioria os ignora. Mas a coisa, é claro, pode não ser tão simples assim, devido à incongruência entre as ideias e os atos das pessoas e à diversidade dos seus desejos. A ideia de que o homem adquire noção de seu vínculo com o mundo por um sentimento imediato, desde o início orientado para isso, é tão estranha, ajusta-se tão mal à nossa trama, que podemos tentar uma aproximação psicanalítica, genética para esse sentimento. A seguinte linha de pensamento se oferece. Normalmente nada é mais seguro do que o sentimento de nós mesmos, de nosso Eu. Este Eu nos aparece como autônomo, unitário, bem demarcado de tudo o mais. Que esta aparência é enganosa, que o Eu na verdade se prolonga para dentro, sem fronteira nítida, numa entidade psíquica inconsciente a que denominamos Id, à qual ele serve de fachada – isto aprendemos com a pesquisa psicanalítica, mas que não é bem o nosso caso, na sociologia que propugnamos. De todo modo a patologia nos apresenta um grande número de estados em que a delimitação do Eu ante o mundo externo se torna problemática, e nos faz lembrar a expressão de despedida de Gilles Deleuze (1997) que tomamos de empréstimo, através das palavras, entre as palavras, que se vê e que se ouve: - “A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever?”. Ipso facto, no prefácio à 2ª edição da obra Da Divisão do Trabalho Social, de Émile Durkheim (2010) lembra-nos da ideia que ficou na penumbra na primeira edição e que parece útil ressaltar e determinar melhor, pois ela esclarecerá melhor algumas partes do presente trabalho. Trata-se do papel social que os agrupamentos profissionais estão destinados a desempenhar na organização social dos povos contemporâneos. 

Mas o que proporciona, particularmente nos dias de hoje, excepcional gravidade a esse estado é o desenvolvimento então desconhecido, que as funções econômicas adquiriram nos últimos dois séculos, aproximadamente. Estamos longe do tempo em que eram desdenhosamente abandonadas às classes inferiores, pois diante delas, vemos as funções militares, administrativas, religiosas recuarem cada vez mais. Somente as funções científicas, adverte o pragmático sociólogo, que encetou sua obra magnífica em torno de dez anos de produção ininterrupta, de reconhecimento, estão em condição de disputar-lhes o lugar – e ainda assim, a ciência contemporaneamente só tem prestígio na medida em que pode servir à prática, isto é, em grande parte, às “profissões econômicas”. É por isso que se pode dizer, não sem alguma razão, que elas são ou tendem a ser essencialmente industriais. Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. 

Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Pois, precisamente porque as funções econômicas absorvem o maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma multidão de indivíduos, como dizia Freud, cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada eficazmente por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único grupo que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia durkheimiana conceitua de corporação ou grupo profissional. É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. Desde que, não sem razão, com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais. Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda historicamente de forma rudimentar.

Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, não há neles nada que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais. Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar em comum uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação. A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública. A primeira observação familiar da crítica de Durkheim, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico.

Ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário.                         

É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. 

É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em todas as sociedades europeias. Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur (1828-1911), “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”.  No século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. 

Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, o próprio fato social de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva. A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot (1727-1781) requeria outra que não poderia ser indefinidamente adiada. Mas o sociólogo francês lembra que nem toda organização corporativa é anacronismo histórico. Acreditamos que ela seria chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia ter.  O que vemos antes de mais nada no grupo profissional é um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais. Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história.                       

Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas. Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono. 

A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. 

Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se e ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista antropologicamente na consanguinidade uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral. A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos de poder do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. A família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. 

Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato socialmente que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios. Em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fato não está bem estabelecido. 

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era per se uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental. 

Quando as cidades se emanciparam da tutela senhorial, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal. De fato, segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna. Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna era um agregado de corpos de ofícios, o corpo de ofício era uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Queremos dizer com isso, que sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que era uma reunião de corporações e que se formou com base no tipo da corporação, esta foi em última análise, que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal em torno do continente europeu. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância culturalmente e dignidade política. Em Roma, começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para sociedades contemporâneas. É um motivo para que recusemos a considera-la instituição cinematográfica arcaica destinada a desaparecer.

Bibliografia Geral Consultada.

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